RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 60.
776 - PI (2019/0128903-3)
RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
RECORRENTE : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO
ADVOGADO : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO (EM CAUSA
PRÓPRIA) - PI008728
RECORRIDO : UNIÃO
EMENTA
ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
CONCURSO PÚBLICO. PRAZO DECADENCIAL PARA IMPETRAÇÃO DO
MANDAMUS. TERMO A QUO. TÉRMINO DA VALIDADE DO CONCURSO.
DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA. RESERVA DE VAGAS A PORTADORES
DE DEFICIÊNCIA. PREVISÃO NO EDITAL DA 10a. VAGA PARA O PRIMEIRO
COLOCADO APROVADO PARA VAGA DESTINADA A PORTADORES DE
NECESSIDADES ESPECIAIS. HIPÓTESE EM QUE A VALIDADE DO
CONCURSO VENCEU ANTES DA ABERTURA DA REFERIDA VAGA. 7
CANDIDATOS DA LISTA GERAL NOMEADOS. NECESSIDADE DE NOMEAÇÃO
DO IMPETRANTE. SEGURANÇA CONCEDIDA.
1. Em se tratando de Mandado de Segurança voltado contra a
ausência de nomeação de candidato aprovado em concurso público, enquanto
vigente o prazo de validade do certame, esta Corte firmou a orientação de que não
se opera a decadência, já que o ato de não nomear candidato aprovado é um ato
omissivo, que abrange uma relação de trato sucessivo, renovando-se
continuamente. Precedentes: AgRg no RMS 49.330/AC, Rel. Min. BENEDITO
GONÇALVES, DJe 2.2.2016 e AgRg no RMS 48.870/GO, Rel. Min. MAURO
CAMPBELL MARQUES, DJe 4.11.2015.
2. No caso dos autos, a irresignação do impetrante
consubstancia-se no fato de que, durante o prazo de validade do concurso, não foi
nomeado para o cargo Analista Judiciário - Especialidade Execução de Mandados,
lotação Teresina/PI, apesar de ter sido aprovado em 1o lugar na lista de
portadores de necessidades especiais.
3. Assim, tendo em vista que o concurso realizado em 2011,
teve sua validade prorrogada até 7.6.2015 (fls. 285), e o Mandado de Segurança
fora impetrado em 13.5.2015 (fls. 17) - ou seja, 26 dias antes do término do prazo
- a presente ação mandamental foi impetrada antes mesmo do início do prazo
decadencial.
4. No mérito, a parte impetrante sustenta ter sido aprovada em
1o. lugar na lista de portadores de necessidades especiais para o cargo de
Analista Judiciário - Especialidade Execução de Mandados, lotação Teresina/PI,
para formação de cadastro reserva no concurso do Tribunal Regional Federal da
1a. Região do ano de 2011. Alega que já foram nomeados 7 candidatos da lista
geral e nenhum da lista especial, infringindo o seu direito à nomeação.
Destaca-se que não há notícias nos autos acerca de qual seria a deficiência do
Documento: 1833873 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 05/09/2019 Página 1 de 5
recorrente, ressaltando que não há insurgência por parte da União quanto ao
ponto.
5. A necessidade de preservação de vagas dirigidas aos
candidatos portadores de necessidades especiais adveio com o art. 37, VIII da
CF/1988, segundo o qual a lei reservará percentual dos cargos e empregos
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua
admissão.
6. Com fundamento nessa norma, o Decreto 3.298/1999, em
seu art. 37, §§ 1o. e 2o, assegurou à pessoa portadora de deficiência a reserva de
percentual mínimo de 5% das vagas oferecidas, elevado até o primeiro número
inteiro subsequente quando resultar em valor fracionado.
7. Por sua vez, o art. 5o., § 2o. da Lei 8.112/1990 determina
que às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever
em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam
compatíveis com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão
reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso.
8. Por certo os percentuais acima referidos se referem às
vagas em cada cargo, sob pena de permitir situações extremas de oferta de
vagas a portadores de necessidades especiais somente para os cargos de menor
expressão, deturpando a função da referida política pública de inserção do
detentor de deficiência no mercado de trabalho. Precedente do STF: RMS
25.666/DF, Rel. Min. JOAQUIM BARBOSA, DJe 3.12.2009.
9. A aplicação dos valores mínimos e máximos referidos no
Decreto 3.298/1999 e na Lei 8.112/1990 não geram maiores problemas quando
relacionados a concursos com número de vagas mais elevado. Por exemplo, para
um cargo com 20 vagas, o mínimo seria de um posto de trabalho destinado aos
portadores de necessidades especiais, e o máximo de quatro vagas. Seria, desse
modo, mantida para a livre concorrência o total de 16 vagas.
10. O problema surge para os cargos de menor oferta de vagas,
em que a ausência de vagas a PNE's deixaria de observar o percentual do
Decreto 3.298/1999, e a sua previsão causaria o transbordamento do máximo de
20% estabelecido na Lei 8.112/1990. A título ilustrativo, seria o que ocorreria na
hipótese de um concurso com 3 vagas; a reserva de uma delas, por si só,
representaria aproximadamente 33% do total.
11. O tema já foi objeto de debate no Plenário do Supremo
Tribunal Federal, na ocasião do julgamento do MS 26.310-5/DF, de relatoria do
eminente Ministro MARCO AURÉLIO DE MELLO. Na oportunidade, a Suprema
Corte fez prevalecer a necessidade de prestigiar o tratamento igualitário como
regra, acima da política pública, quando esta extrapolar o limite máximo do art.
5o., § 2o. da Lei 8.112/1990.
12. Enfrentando hipóteses de concursos cujo edital oferecia
Documento: 1833873 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 05/09/2019 Página 2 de 5
apenas 1 vaga para o cargo intentado, esta Corte Superior de Justiça seguiu o
posicionamento do STF, afastando a reserva do único posto de trabalho disponível
para a concorrência. Citem-se precedentes: RMS 38.595/MG, Rel. Min. MAURO
CAMPBELL MARQUES, DJe 12.11.2013; MS 8.417/DF, Rel. Min. PAULO MEDINA,
DJ 14.6.2004.
13. Na espécie, noticiam que surgiram, até aquele momento, 7
cargos vagos destinados à nomeação de candidatos para a Seção Judiciária do
Estado do Piauí, mas que, segundo o Edital do concurso, o impetrante seria
nomeado quando do surgimento da 10a. vaga, esta destinada à nomeação de
candidatos portadores de necessidades especiais. Contudo, o concurso venceu
antes da abertura dessa 10a. vaga.
14. A despeito da regra constante no edital de que os candidatos
portadores de necessidades especiais aprovados seriam nomeados no
surgimento da 10a., 30a. e 50a. vagas, esta Corte entendeu que não se pode
considerar que as primeiras vagas se destinam a candidatos não-deficientes e
apenas as eventuais ou últimas a candidatos deficientes; ao contrário, o que deve
ser feito é a nomeação alternada de um e outro, até que seja alcançado o
percentual limítrofe de vagas oferecidas pelo Edital a esses últimos (RMS
18.669/RJ, Rel. [Link] Dipp, DJ 29.11.2004, p. 354.).
15. Sendo assim, considerando que o TRF da 1a. Região
convocou 7 candidatos para tomar posse no cargo Analista Judiciário - Área
Judiciária (especialidade Execução de Mandados) e que a validade do concurso
venceu antes das nomeações alcançarem a 10a. vaga, verifica-se que, ao aplicar
a regra do certame de reserva de 5% das vagas para os PNE, uma das vagas
disponibilizadas deveria ter sido preenchida pelo impetrante.
16. Ante o exposto, confirmando a tutela provisória deferida,
concede-se a segurança para determinar a nomeação de AGLANIO FROTA
MOURA CARVALHO.
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da
Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das
notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, confirmou a tutela provisória
anteriormente deferida, concedendo a segurança para determinar a nomeação de
AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena
Costa e Gurgel de Faria (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator.
Brasília/DF, 20 de agosto de 2019 (Data do Julgamento).
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
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MINISTRO RELATOR
Documento: 1833873 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 05/09/2019 Página 4 de 5
CERTIDÃO DE JULGAMENTO
PRIMEIRA TURMA
Número Registro: 2019/0128903-3 PROCESSO ELETRÔNICO RMS 60.776 / PI
Números Origem: 1000838-33.2015.4.01.0000 10008383320154010000
PAUTA: 04/06/2019 JULGADO: 04/06/2019
Relator
Exmo. Sr. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro GURGEL DE FARIA
Subprocurador-Geral da República
Exmo. Sr. Dr. PAULO TAUBEMBLATT
Secretária
Bela. BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO
ADVOGADO : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO (EM CAUSA PRÓPRIA) - PI008728
RECORRIDO : UNIÃO
ASSUNTO: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO - Concurso
Público / Edital - Reserva de Vagas para Deficientes
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na
sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
Retirado de pauta por indicação do Sr. Ministro Relator.
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RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 60.776 - PI (2019/0128903-3)
RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
RECORRENTE : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO
ADVOGADO : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO (EM CAUSA
PRÓPRIA) - PI008728
RECORRIDO : UNIÃO
RELATÓRIO
1. Trata-se de Recurso em Mandado de Segurança interposto
por AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO contra acórdão do TRF 1a. Região,
assim ementado por seu caput:
CONCURSO PÚBLICO. RESERVA DE VAGA PARA
DEFICIENTE. EDITAL DO CONCURSO. PREVISÃO DA 10ª VAGA
PARA O PRIMEIRO COLOCADO NA LISTA ESPECIAL.
SUPERVENIENTE JURISPRUDÊNCIA DO . RESERVA DA 5ª VAGA.
IRRETROATIVIDADE. STF AUSÊNCIA DE VAGA. INDEFERIMENTO
DA SEGURANÇA.
1. Candidato aprovado em primeiro lugar na lista de
deficientes para o cargo de Analista Judiciário deste Tribunal
(concurso de 2011), seccional Teresina/PI, na qual foram oferecidas
07 vagas.
2. “O Supremo Tribunal Federal, buscando garantir
razoabilidade à aplicação do disposto no Decreto 3.298/99, entendeu
que o referido diploma legal deve ser interpretado em conjunto com a
Lei 8.112/90. Assim, as frações, mencionadas no art. 37, § 2º, do
Decreto 3.298/99, deverão ser arredondadas para o primeiro número
subsequente, desde que respeitado o limite máximo de 20% das vagas
oferecidas no certame. Precedentes: MS nº 30.861/DF, Relator o
Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJe de 8/6/12; MS nº
31.715/DF, Relatora a Ministra Rosa Weber, decisão monocrática,
DJe de 4/9/14” (RMS 27710 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Pleno, DJe
01/07/2015).
3. Pela orientação do STF, no citado julgamento
(superveniente ao concurso de que ora se trata), “o 1º lugar da lista
dos candidatos portadores de deficiência seria chamado na 5ª
posição, o 2º classificado seria chamado na 21ª, o 3º colocado [...] na
41ª vaga, o 4º [...] na 61ª vaga, o 5º na 81ª vaga e assim
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sucessivamente”.
4. Esta Corte não tem dado aplicação retroativa, mesmo
mitigada, à referida orientação jurisprudencial. Além disso, inexiste
vaga nas localidades de opção do impetrante, de modo que sua
nomeação implicaria desfazimento da nomeação e posse, já ocorrida,
na 7ª e última vaga, o que resultaria em desatenção ao princípio da
segurança jurídica.
5. Segurança indeferida (fls. 452/453).
2. Em suas razões recursais, a parte agravante sustenta ter
sido aprovado em 1o lugar na lista de portadores de necessidades especiais para
o cargo de Analista Judiciário - Especialidade Execução de Mandados, lotação
Teresina/PI, para formação de cadastro reserva no concurso do Tribunal Regional
Federal da 1a. Região do ano de 2011. Alega que já foram nomeados 7 candidatos
da lista geral, infringindo seu direito.
3. Nas informações prestadas pelo TRF, esclareceu-se que:
2. Referido candidato se encontra habilitado no 5° Concurso
Público realizado por este Tribunal, na localidade de Teresina/PI, no
cargo de Analista Judiciário - Área Judiciária (especialidade Execução
de Mandados), na 97' classificação, e 1° lugar na condição de
portador de necessidades especiais.
3. Com efeito, no Edital do 5° Concurso Público, no Capítulo
IV, há previsão de que aos portadores de deficiência para o respectivo
Cargo/Área/Especialidade por cada localidade constante do Anexo III
daquele Edital - a 10', a 30a, a 50a vagas serão destinadas a
provimento e assim sucessivamente. A propósito, há expressa previsão
contida no subitem 2.1, do Capítulo IV do Edital do V Concurso
Público, realizado por este Tribunal, nesse sentido, verbis :
"2. Em obediência ao disposto no § 2° do art. 5° da
Lei n° 8.112/90, Resolução 155/CJF, de 26/02/1996 e no art.
39 do Decreto n° 3.298/99, ser-lhes-á reservado o percentual
de 5% (cinco por cento) dos cargos que vierem a vagar ou
forem criados dentro do prazo de validade do concurso e
forem destinados para provimento nos Quadros de Pessoal
do Tribunal Regional Federal da 1' Região, Seções e
Subseções vinculadas, por cargo/área/especialidade /cidade
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de classificação.
2.1 Em face das disposições do parágrafo único do
art. 2° da Resolução 155/96, do Conselho de Justiça Federal,
aos portadores de deficiência serão destinadas - para cada
Cargo/Área/Especialidade a que se refere o item 8 do
Capítulo I deste Edital, em cada localidade a que se refere
Anexo III também deste Edital -a 10", a 30", a 50" vagas
destinadas a provimento e assim sucessivamente." (grifou-se)
4. A operacionalização desse procedimento de reserva de
vagas, no âmbito dos órgãos da Justiça Federal, se dá por meio da
aplicação do disposto no parágrafo único, do artigo 2°, da Resolução
n° 155/1996, do Conselho da Justiça Federal, transcrito a seguir:
"Art. 2° - No edital de abertura do concurso, deverão
ser reservadas às pessoas portadoras de deficiência até 20%
(vinte por cento) das vagas nele oferecidas, ou das que
vierem a surgir no prazo de validade do concurso.
Parágrafo único - Na definição do número de vagas
decorrentes da aplicação do percentual a que se refere o
caput deste artigo, utilizar-se-á arredondamento para o
número inteiro imediatamente superior, em frações maiores
ou iguais a 0,5 (cinco décimos)."
5. A regra que prevê a destinação da 10', da 30a, da 50'
vaga, e assim sucessivamente, aos portadores de necessidades
especiais, de que trata o subitem 2.1, do Capítulo IV, do Edital,
decorre da aplicação do dispositivo legal acima citado. Isso porque,
nos casos em que da aplicação do percentual de 5% (cinco por cento)
de vagas reservadas resultar valor de referência menor que 0,5 (cinco
décimos) relativamente a 01 (uma) vaga, não haveria possibilidade de
arredondamento para o primeiro número inteiro imediatamente
superior, como determina a legislação mencionada.
6. Portanto, a previsão de destinação da 10' (décima) vaga
para nomeação de candidato portador de deficiência tem como
finalidade garantir que o arredondamento de 5% (cinco por cento) das
vagas seja aplicado quando for atingido pelo menos 0,5 de valor de
referência em relação a 01 (uma) vaga. Ora, da aplicação desse
mesmo percentual de 5% (cinco por cento) para as nove vagas
preenchidas, obtem -se o valor de referência de 0,45 em relação a 01
(uma) vaga, do que resulta a impossibilidade de arredondamento para
o primeiro número inteiro subseqüente, como determina a legislação
pertinente.
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7. Vale esclarecer que o Conselho da Justiça Federal,
atendendo aos termos da decisão proferida pelo Conselho Nacional
de Justiça no Pedido de Providências n° 0002785-76.2001.2.00.0000,
expediu a Resolução n° 162, de 08/11/2011, por meio da qual
revogou, de forma expressa, o artigo 2° da Resolução n° 155/96-CJF,
acima transcrito, que foi a norma na qual este Tribunal baseou-se,
quando da elaboração do edital, para fins de definir as vagas
destinadas aos candidatos portadores de necessidades especiais.
8. No entanto, a revogação desse dispositivo, conforme acima
demonstrado, somente ocorreu em 08/11/2011, data posterior à
expedição do Edital do Concurso, como também após a realização das
provas, à divulgação dos resultados finais e à homologação da parte
do certame referente aos cargos de Analista Judiciário/Área Judiciária.
9. Ademais, embora o Conselho da Justiça Federal tenha
revogado o mencionado dispositivo, não foi expedida nenhuma norma
em substituição. Esse fato, combinado com a data da revogação da
citada norma, demonstra que o 5° Concurso foi realizado sob a égide
da norma legal então vigente, de observância obrigatória por esta
Corte. Por conseguinte, a nova legislação que vier a ser adotada
somente poderá ser aplicada aos concursos futuros e não ao atual.
(...).
12. Esclareço que para a Seção Judiciária do Estado do
Piauí, até o momento, surgiram 07 cargos vagos destinados à
nomeação de candidato, não havendo a possibilidade da nomeação
do candidato portador de necessidades especiais, uma vez que,
segundo o Edital do concurso, esse será nomeado quando do
surgimento da 10' vaga destinada à nomeação de candidato (fls.
405/406).
4. Em Petição de fls. 518/528, a UNIÃO alega decadência do
presente Mandado de Segurança, tendo em vista que as duas últimas nomeações
ocorreram no segundo semestre de 2013 e no primeiro semestre de 2014.
Contudo, o writ só fora impetrado em maio de 2015, fora do prazo decadencial de
120 dias.
5. É o relatório.
Documento: 1833873 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 05/09/2019 Página 9 de 5
RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 60.776 - PI (2019/0128903-3)
RELATOR : MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
RECORRENTE : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO
ADVOGADO : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO (EM CAUSA
PRÓPRIA) - PI008728
RECORRIDO : UNIÃO
VOTO
ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE
SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. PRAZO DECADENCIAL PARA
IMPETRAÇÃO DO MANDAMUS. TERMO A QUO. TÉRMINO DA
VALIDADE DO CONCURSO. DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA.
RESERVA DE VAGAS A PORTADORES DE DEFICIÊNCIA. PREVISÃO
NO EDITAL DA 10a. VAGA PARA O PRIMEIRO COLOCADO
APROVADO PARA VAGA DESTINADA A PORTADORES DE
NECESSIDADES ESPECIAIS. HIPÓTESE EM QUE A VALIDADE DO
CONCURSO VENCEU ANTES DA ABERTURA DA REFERIDA VAGA.
7 CANDIDATOS DA LISTA GERAL NOMEADOS. NECESSIDADE DE
NOMEAÇÃO DO IMPETRANTE. SEGURANÇA CONCEDIDA.
1. Em se tratando de Mandado de Segurança voltado
contra a ausência de nomeação de candidato aprovado em concurso
público, enquanto vigente o prazo de validade do certame, esta Corte
firmou a orientação de que não se opera a decadência, já que o ato
de não nomear candidato aprovado é um ato omissivo, que abrange
uma relação de trato sucessivo, renovando-se continuamente.
Precedentes: AgRg no RMS 49.330/AC, Rel. Min. BENEDITO
GONÇALVES, DJe 2.2.2016 e AgRg no RMS 48.870/GO, Rel. Min.
MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 4.11.2015.
2. No caso dos autos, a irresignação do impetrante
consubstancia-se no fato de que, durante o prazo de validade do
concurso, não foi nomeado para o cargo Analista Judiciário -
Especialidade Execução de Mandados, lotação Teresina/PI, apesar de
ter sido aprovado em 1o lugar na lista de portadores de necessidades
especiais.
3. Assim, tendo em vista que o concurso realizado em
2011, teve sua validade prorrogada até 7.6.2015 (fls. 285), e o
Mandado de Segurança fora impetrado em 13.5.2015 (fls. 17) - ou
seja, 26 dias antes do término do prazo - a presente ação
mandamental foi impetrada antes mesmo do início do prazo
decadencial.
4. No mérito, a parte impetrante sustenta ter sido
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aprovada em 1o. lugar na lista de portadores de necessidades
especiais para o cargo de Analista Judiciário - Especialidade
Execução de Mandados, lotação Teresina/PI, para formação de
cadastro reserva no concurso do Tribunal Regional Federal da 1a.
Região do ano de 2011. Alega que já foram nomeados 7 candidatos
da lista geral e nenhum da lista especial, infringindo o seu direito à
nomeação. Destaca-se que não há notícias nos autos acerca de qual
seria a deficiência do recorrente, ressaltando que não há insurgência
por parte da União quanto ao ponto.
5. A necessidade de preservação de vagas dirigidas aos
candidatos portadores de necessidades especiais adveio com o art.
37, VIII da CF/1988, segundo o qual a lei reservará percentual dos
cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de
deficiência e definirá os critérios de sua admissão.
6. Com fundamento nessa norma, o Decreto 3.298/1999,
em seu art. 37, §§ 1o. e 2o, assegurou à pessoa portadora de
deficiência a reserva de percentual mínimo de 5% das vagas
oferecidas, elevado até o primeiro número inteiro subsequente quando
resultar em valor fracionado.
7. Por sua vez, o art. 5o., § 2o. da Lei 8.112/1990
determina que às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o
direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo
cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são
portadoras; para tais pessoas serão reservadas até 20% (vinte por
cento) das vagas oferecidas no concurso.
8. Por certo os percentuais acima referidos se referem
às vagas em cada cargo, sob pena de permitir situações extremas de
oferta de vagas a portadores de necessidades especiais somente
para os cargos de menor expressão, deturpando a função da referida
política pública de inserção do detentor de deficiência no mercado de
trabalho. Precedente do STF: RMS 25.666/DF, Rel. Min. JOAQUIM
BARBOSA, DJe 3.12.2009.
9. A aplicação dos valores mínimos e máximos referidos
no Decreto 3.298/1999 e na Lei 8.112/1990 não geram maiores
problemas quando relacionados a concursos com número de vagas
mais elevado. Por exemplo, para um cargo com 20 vagas, o mínimo
seria de um posto de trabalho destinado aos portadores de
necessidades especiais, e o máximo de quatro vagas. Seria, desse
modo, mantida para a livre concorrência o total de 16 vagas.
Documento: 1833873 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 05/09/2019 Página 11 de 5
10. O problema surge para os cargos de menor oferta de
vagas, em que a ausência de vagas a PNE's deixaria de observar o
percentual do Decreto 3.298/1999, e a sua previsão causaria o
transbordamento do máximo de 20% estabelecido na Lei 8.112/1990.
A título ilustrativo, seria o que ocorreria na hipótese de um concurso
com 3 vagas; a reserva de uma delas, por si só, representaria
aproximadamente 33% do total.
11. O tema já foi objeto de debate no Plenário do
Supremo Tribunal Federal, na ocasião do julgamento do MS
26.310-5/DF, de relatoria do eminente Ministro MARCO AURÉLIO DE
MELLO. Na oportunidade, a Suprema Corte fez prevalecer a
necessidade de prestigiar o tratamento igualitário como regra,
acima da política pública, quando esta extrapolar o limite máximo do
art. 5o., § 2o. da Lei 8.112/1990.
12. Enfrentando hipóteses de concursos cujo edital
oferecia apenas 1 vaga para o cargo intentado, esta Corte Superior
de Justiça seguiu o posicionamento do STF, afastando a reserva do
único posto de trabalho disponível para a concorrência. Citem-se
precedentes: RMS 38.595/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL
MARQUES, DJe 12.11.2013; MS 8.417/DF, Rel. Min. PAULO
MEDINA, DJ 14.6.2004.
13. Na espécie, noticiam que surgiram, até aquele
momento, 7 cargos vagos destinados à nomeação de candidatos para
a Seção Judiciária do Estado do Piauí, mas que, segundo o Edital do
concurso, o impetrante seria nomeado quando do surgimento da 10a.
vaga, esta destinada à nomeação de candidatos portadores de
necessidades especiais. Contudo, o concurso venceu antes da
abertura dessa 10a. vaga.
14. A despeito da regra constante no edital de que os
candidatos portadores de necessidades especiais aprovados seriam
nomeados no surgimento da 10a., 30a. e 50a. vagas, esta Corte
entendeu que não se pode considerar que as primeiras vagas se
destinam a candidatos não-deficientes e apenas as eventuais ou
últimas a candidatos deficientes; ao contrário, o que deve ser feito é a
nomeação alternada de um e outro, até que seja alcançado o
percentual limítrofe de vagas oferecidas pelo Edital a esses últimos
(RMS 18.669/RJ, Rel. [Link] Dipp, DJ 29.11.2004, p. 354.).
15. Sendo assim, considerando que o TRF da 1a. Região
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convocou 7 candidatos para tomar posse no cargo Analista Judiciário -
Área Judiciária (especialidade Execução de Mandados) e que a
validade do concurso venceu antes das nomeações alcançarem a 10a.
vaga, verifica-se que, ao aplicar a regra do certame de reserva de 5%
das vagas para os PNE, uma das vagas disponibilizadas deveria ter
sido preenchida pelo impetrante.
16. Ante o exposto, confirmando a tutela provisória
deferida, concede-se a segurança para determinar a nomeação de
AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO.
1. A parte impetrante sustenta ter sido aprovada em 1o. lugar
na lista de portadores de necessidades especiais para o cargo de Analista
Judiciário - Especialidade Execução de Mandados, lotação Teresina/PI, para
formação de cadastro reserva no concurso do Tribunal Regional Federal da 1a.
Região do ano de 2011. Alega que já foram nomeados 7 candidatos da lista geral,
infringindo seu direito.
2. Inicialmente, analisa-se a alegação de decadência do
Mandado de Segurança trazida pela UNIÃO às fls. 518/528.
3. Em se tratando de Mandado de Segurança impetrado contra
a ausência de nomeação de candidato aprovado em concurso público, a questão
referente à contagem do prazo decadencial deve ser abordada sob duas óticas: (i)
quando o candidato pretende sua nomeação em decorrência de vaga que surge
ainda dentro do prazo de validade do certame; e (ii) quando o candidato postula a
sua nomeação após o término do prazo de validade do concurso.
4. No primeiro caso, enquanto vigente o prazo de validade do
certame, este Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que não se
opera a decadência, já que o ato de não nomear candidato aprovado é um ato
omissivo, que abrange uma relação de trato sucessivo, renovando-se
continuamente.
5. Na segunda hipótese - quando já expirado o prazo de
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validade do concurso -, não se pode falar em ato omissivo. Os efeitos da
decadência passam a operar a partir do término do prazo de validade do concurso
por se tratar de um ato concreto.
6. A esse respeito convém a transcrição dos seguintes
precedentes:
PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO APROVADO DENTRO DAS
VAGAS. NOMEAÇÃO NÃO EFETUADA. MANDADO DE SEGURANÇA.
PRAZO DE 120 DIAS. TERMO INICIAL. TÉRMINO DO PRAZO DE
VALIDADE DO CONCURSO. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO.
RECURSO ORDINÁRIO NÃO PROVIDO.
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem
se orientado no sentido de que o prazo para atacar falta de nomeação
é contado da data do término da validade do certame.
2. No presente caso, o concurso foi homologado em
25.10.1999, com validade até 24.10.2001, prorrogado até
24.10.2003, data a ser tomada como marco inicial do prazo
decadencial para impetração. No entanto, a exordial do presente
mandamus foi protocolizada somente em 19.12.2013, ou seja, mais
de dez anos depois, excedendo sobremaneira o prazo de 120
dias previsto no art. 23 da Lei 12.016/1999.
3. Agravo regimental a que se nega provimento (AgRg
no RMS 46.941/SP, Rel. Min. SÉRGIO KUKINA, DJe 27.6.2016).
² ² ²
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO
MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. DECISÃO
AGRAVADA QUE ACOLHEU A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO
DIREITO À IMPETRAÇÃO DO WRIT. SUPOSTA REPUBLICAÇÃO DO
EDITAL DE HOMOLOGAÇÃO DO CERTAME, QUE ALTERARIA O
TERMO FINAL DO PRAZO DECADENCIAL. DIREITO LÍQUIDO E
CERTO. PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. INEXISTÊNCIA. DILAÇÃO
PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL
IMPROVIDO.
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I. Trata-se de Agravo Regimental interposto, em
10.2.2016, contra decisão publicada em 2.2.2016.
II. Cuida-se de Mandado de Segurança impetrado
contra suposto ato omissivo ilegal do Ministro de Estado da
Fazenda, objetivando a nomeação do impetrante para o
cargo de Assistente Técnico-Administrativo do Ministério da
Fazenda, para o qual fora aprovado em concurso público, em 10o.
lugar, para a localidade de Montes Claros/MG.
III. Na forma da jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça, o término da validade do concurso marca o termo a quo da
contagem do prazo decadencial para a impetração de mandado de
segurança dirigido contra ato omissivo da autoridade coatora, que se
furtou em nomear o candidato no cargo para o qual fora aprovado
(STJ, AgRg no RMS 36299/SP, Rel. MINISTRO CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, DJe de 21.8.2012). No mesmo sentido: STJ,
AgRg no REsp 1.418.055/AL, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,
SEGUNDA TURMA, DJe de 9.3.2015.
IV. Iniciado o prazo de validade de 1 (um) ano do
concurso a partir de sua homologação - por meio do Edital ESAF 52,
de 2.6.2014, publicado no DOU de 3.6.2014 -, tem-se que a validade
do referido certame terminou em 3.6.2015 (quarta-feira). O prazo
decadencial iniciou-se em 5.6.2015 (sexta-feira), primeiro dia útil,
após o feriado de Corpus Christi, em 4.6.2015 (quinta-feira),
encerrando-se no dia 2.10.2015 (sexta-feira). Impetrado o writ em
15.10.2015, quinta-feira, é de rigor o reconhecimento da decadência
do direito à impetração.
V. Inexiste, nos autos, prova pré-constituída, a instruir a
inicial, a corroborar a alegação de que o referido Edital de
homologação do concurso em tela fora republicado no dia
17/06/2014, hipótese que alteraria o termo final de validade do
certame e, via de consequência, o termo final do prazo decadencial
para a impetração do presente writ.
VI. Na forma da jurisprudência desta Corte, "em
Mandado de Segurança, no qual se exige prova pré-constituída
do direito alegado, inviável juntada posterior de documentos a
comprová-lo (STJ, AgRg no RMS 44.608/TO, Rel. Ministro HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 27.3.2014).
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VII. Ainda que superada a preliminar de
decadência, o suposto direito líquido e certo à nomeação e posse,
pleiteado pela parte impetrante, não pode atrelar-se à mera
presunção de que houve a desistência tácita de candidata melhor
classificada no concurso público, uma vez que a concessão de
mandado de segurança pressupõe a existência de prova
pré-constituída do direito alegado, com a inicial da impetração - o
que inocorre, in casu -, inadmitindo-se dilação probatória.
VIII. Agravo Regimental improvido (AgRg no MS
22.297/DF, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, Primeira Seção, DJe
25.4.2016).
7. É importante ressaltar a dessemelhança das situações: na
primeira, o referido direito deve ser exercido dentro do prazo de validade do
certame, enquanto que na segunda, expirada a validade do certame, dentro dos
120 dias seguintes, já que o ato, neste momento, está apto a produzir seus efeitos
lesivos.
8. No caso dos autos, a irresignação do impetrante
consubstancia-se no fato de que, durante o prazo de validade do concurso, não foi
nomeado para o cargo Analista Judiciário - Especialidade Execução de Mandados,
lotação Teresina/PI, apesar de ter sido aprovado em 1o lugar na lista de
portadores de necessidades especiais.
9. É mister que a impugnação do ato de não nomeação se dê
dentro do lapso temporal próprio. Isto é, dentro do prazo de validade do concurso,
ou em 120 (cento e vinte dias) após o fim do prazo de validade do certame.
10. Na espécie, consta dos autos que o concurso realizado em
2011, teve sua validade prorrogada até 7.6.2015 (fls. 285), e o Mandado de
Segurança fora impetrado em 13.5.2015 (fls. 17) - ou seja, 26 dias antes do
término do prazo - a presente ação mandamental foi impetrada antes mesmo do
início do prazo decadencial.
11. Passo à análise do mérito.
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12. A necessidade de preservação de vagas dirigidas aos
candidatos portadores de necessidades especiais adveio com o art. 37, VIII da
CF/1988, segundo o qual a lei reservará percentual dos cargos e empregos
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua
admissão.
13. Com fundamento nessa norma, o Decreto 3.298/1999, em seu
art. 37, §§ 1o. e 2o, assegurou à pessoa portadora de deficiência a reserva de
percentual mínimo de 5% das vagas oferecidas, elevado até o primeiro número
inteiro subsequente quando resultar em valor fracionado.
14. Por sua vez, o art. 5o., § 2o. da Lei 8.112/1990 determina que
às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em
concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis
com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão reservadas
até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no concurso.
15. Por certo os percentuais acima referidos se referem às vagas
em cada cargo, sob pena de permitir situações extremas de oferta de vagas a
portadores de necessidades especiais somente para os cargos de menor
expressão, deturpando a função da referida política pública de inserção do
detentor de deficiência no mercado de trabalho. A propósito, cite-se precedente do
STF:
CONSTITUCIONAL. DIREITO ADMINISTRATIVO.
CONCURSO PÚBLICO. RESERVA DE VAGAS À ESPECÍFICA
CONCORRÊNCIA. ESTRUTURAÇÃO DE FASE DO CONCURSO EM
DUAS TURMAS DE FORMAÇÃO. LEI 8.112/1990, ART. 5º, § 2º.
DECRETO 3.298/1999. ESPECIFICIDADES DA ESTRUTURA DO
CONCURSO. IRRELEVÂNCIA PARA A ALTERAÇÃO DO NÚMERO
TOTAL DE VAGAS OFERECIDAS. MODIFICAÇÃO DO NÚMERO DE
VAGAS RESERVADAS. IMPOSSIBILIDADE. PROCESSUAL CIVIL.
RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA.
1. Recurso ordinário em mandado de segurança interposto de
acórdão do Superior Tribunal de Justiça que entendeu ser plausível o
cálculo da quantidade de vagas destinadas à específica concorrência
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de acordo com o número de turmas do curso de formação.
2. Os limites máximo e mínimo de reserva de vagas para
específica concorrência tomam por base de cálculo a quantidade total
de vagas oferecidas aos candidatos, para cada cargo público,
definido em função da especialidade. Especificidades da estrutura
do concurso, que não versem sobre o total de vagas oferecidas para
cada área de atuação, especialidade ou cargo público, não influem no
cálculo da reserva.
3. Concurso público. Provimento de cinqüenta e quatro vagas
para o cargo de fiscal federal agropecuário. Etapa do concurso
dividida em duas turmas para freqüência ao curso de formação.
Convocação, respectivamente, de onze e quarenta e três candidatos
em épocas distintas. Reserva de quatro vagas para candidatos
portadores de deficiência. Erro de critério. Disponíveis cinqüenta e
quatro vagas e, destas, reservadas cinco por cento para específica
concorrência, três eram as vagas que deveriam ter sido destinadas à
específica concorrência. A convocação de quarto candidato, ao invés
do impetrante, violou direito líquido e certo à concorrência no certame.
Recurso ordinário em mandado de segurança conhecido e
provido. Julgado prejudicado, por perda de objeto, o Recurso em
Mandado de Segurança nº 25.649. (STF - RMS 25.666/DF, Rel. Min.
JOAQUIM BARBOSA, DJe 3.12.2009).
16. A aplicação dos valores mínimos e máximos referidos no
Decreto 3.298/1999 e na Lei 8.112/1990 não geram maiores problemas quando
relacionados a concursos com número de vagas mais elevado. Por exemplo, para
um cargo com 20 vagas, o mínimo seria de 1 posto de trabalho destinado aos
portadores de necessidades especiais, e o máximo de 4 vagas. Seria, desse
modo, mantida para a livre concorrência o total de 16 vagas.
17. O problema surge para os cargos de menor oferta de vagas,
em que a ausência de vagas a PNE's deixaria de observar o percentual do
Decreto 3.298/1999, e a sua previsão causaria o transbordamento do máximo de
20% estabelecido na Lei 8.112/1990. A título ilustrativo, seria o que ocorreria na
hipótese de um concurso com 3 vagas; a reserva de uma delas, por si só,
representaria aproximadamente 33% do total.
18. O tema já foi objeto de debate no Plenário do Supremo
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Tribunal Federal, na ocasião do julgamento do MS 26.310-5/DF, de relatoria do
eminente Ministro MARCO AURÉLIO DE MELLO. Segue a ementa do julgado:
CONCURSO PÚBLICO - CANDIDATOS – TRATAMENTO
IGUALITÁRIO. A regra é a participação dos candidatos, no concurso
público, em igualdade de condições. CONCURSO PÚBLICO –
RESERVA DE VAGAS - PORTADOR DEDEFICIÊNCIA - DISCIPLINA E
VIABILIDADE. Por encerrar exceção, a reserva de vagas para
portadores de deficiência faz-se nos limites da lei e na medida da
viabilidade consideradas as existentes, afastada a possibilidade de,
mediante arredondamento, majorarem-se as percentagens mínima e
máxima previstas (STF - MS 26.310-5/DF, Rel. Min. MARCO AURÉLIO
DE MELLO, DJ 31.10.2007).
19. Colhe do voto condutor o trecho que esclarece o ponto de
vista da Suprema Corte quando ocorre a dicotomia no atendimento dos
percentuais mínimo e máximo:
Ora, considerando o total de vagas no caso – duas – não se
tem, aplicada a percentagem mínima de cinco ou a máxima de vinte
por cento, como definir vaga reservada a teor do aludido inciso VIII.
Entender-se que um décimo de vaga ou mesmo quatro décimos,
resultantes da aplicação de cinco ou vinte por cento, respectivamente,
sobre duas vagas, dão ensejo à reserva de uma delas implica
verdadeira igualização, olvidando-se que a regra é a não distinção
entre os candidatos, sendo exceção a participação restrita,
consideradas vagas reservadas. Essa conclusão levaria os candidatos
em geral a concorrerem a uma das vagas e os deficientes, à outra,
majorando-se os percentuais mínimo, de cinco por cento, e máximo,
de vinte por cento, para cinquenta por cento. O enfoque não é
harmônico com o princípio da razoabilidade.
Há de se conferir ao texto constitucional interpretação a
preservar a premissa de que a regra geral é o tratamento igualitário,
consubstanciando exceção a separação de vagas para um certo
segmento. A eficácia do que versado no artigo 37, inciso VIII, da
Constituição Federal pressupõe campo propício a ter-se, com a
incidência do percentual concernente à reserva para portadores de
deficiência sobre cargos e empregos públicos previstos em lei,
resultado a desaguar em certo número de vagas, e isso não ocorre
quando existentes apenas duas. Daí concluir pela improcedência do
inconformismo retratado na inicial, razão pela qual indefiro a ordem.
20. Prevalece, portanto, na opinião do Supremo Tribunal Federal,
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a necessidade de prestigiar o tratamento igualitário como regra, acima da política
pública, quando esta extrapolar o limite máximo do art. 5o., § 2o. da Lei
8.112/1990.
21. Enfrentando hipóteses de concursos cujo edital oferecia
apenas 1 vaga para o cargo intentado, esta Corte Superior de Justiça seguiu o
posicionamento do STF, afastando a reserva do único posto de trabalho disponível
para a concorrência. Citem-se precedentes:
ADMINISTRATIVO. RECURSO EM MANDADO DE
SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. CANDIDATO PORTADOR DE
NECESSIDADES ESPECIAIS. RESERVA DA ÚNICA VAGA. LIMITES
ESTABELECIDOS NO ART. 37, §§1º E 2º, DO DECRETO 3.298/99 E
NO ART. 5º, §2º, DA LEI 8.112/90. PERCENTUAL MÍNIMO DE 5%
DAS VAGAS. NÚMERO FRACIONADO. ARREDONDAMENTO PARA
O PRIMEIRO NÚMERO INTEIRO SUBSEQUENTE. OBSERVÂNCIA
DO LIMITE MÁXIMO DE 20% DAS VAGAS OFERECIDAS.
1. Trata-se de recurso ordinário em mandado de segurança
em que se discute a legalidade da nomeação de candidato portador
de deficiência para a única vaga prevista no edital (Técnico do
Ministério Público - especialidade em direito - Comarca de Lavras).
2. O Tribunal a quo denegou a segurança sob o argumento
de que "o item 11.4 do edital do concurso assegura nomeação
preferencial aos candidatos portadores de deficiência (f. 12-TJ), razão
pela qual a Administração Pública, ao garantir a única vaga prevista
para a Comarca de Lavras à candidata portadora de deficiência
classificada em 1º lugar, nada mais fez do que dar cumprimento
efetivo às regras do certame" (fls. 210).
3. A partir da análise do art. 37, §§ 1º e 2º, do Decreto
3298/99 e do art. 5º, §2º, da Lei nº 8112/90, conclui-se que deverá ser
reservado, no mínimo, 5% das vagas ofertadas em concurso público
aos portadores de necessidades especiais e, caso a aplicação do
referido percentual resulte em número fracionado, este deverá ser
elevado até o primeiro número inteiro subsequente, desde que
respeitado o limite máximo de 20% das vagas ofertadas.
4. Na hipótese dos autos, o Ministério Público Estadual, em
seu concurso, previu a reserva de dez por cento das vagas ofertadas
aos portadores de deficiência (item 3.5 do edital - fl. 10). Para o cargo
em questão (Técnico do Ministério Público - especialidade em direito -
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Comarca de Lavras) havia apenas 1 (uma) vaga (fls. 13). Dessa forma,
como o edital oferece apenas 1 (uma) vaga para a área que
concorrem a impetrante e o deficiente físico litisconsorte, a aplicação
da regra editalícia de reserva de 10% das vagas implicaria no
resultado de 0,10 vagas, o que não é razoável. Como no caso foi
disponibilizada apenas 1 vaga, resta evidente que a reserva desta
única vaga ofertada ultrapassaria o percentual de 20%, perfazendo
100%.
5. Recurso ordinário provido (RMS 38.595/MG, Rel. Min.
MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 12.11.2013).
² ² ²
MANDADO DE SEGURANÇA. SERVIDOR PÚBLICO.
CONCURSO PÚBLICO. RESERVA DE VAGAS.
CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. INAPLICABILIDADE AO
CASO DE EXISTÊNCIA DE APENAS UMA VAGA. PARTICIPAÇÃO NA
SEGUNDA ETAPA DO CERTAME. SEGURANÇA CONCEDIDA EM
PARTE.
A regra do edital que prevê a reserva de vagas para
deficientes físicos é válida e, no caso, sua discussão em favor da
impetrante fica prejudicada pela decadência.
Entretanto, o pedido concessão de ordem para participação
na segunda etapa do concurso não sofre os efeitos da decadência,
pois não se dirige contra o edital, e pode ser apreciado a despeito da
legalidade de suas regras.
A regra genérica de reserva de 5% das vagas do concurso
para deficientes físicos só é aplicável se resulta em pelo menos uma
vaga inteira.
No caso em que se disputa apenas uma vaga, a aplicação da
regra implica na reserva de absurdas 0,05 vagas, portanto não pode
ser aplicada. De outro turno, a reserva da única vaga para deficientes
físicos implica em percentual de 100%, o que, além de absurdo, não
está previsto pelo edital.
Havendo apenas uma vaga, a disputa rege-se pela igualdade
de condições, e a convocação de deficiente físico que logrou
classificação inferior à da impetrante, fere o direito líquido e certo
desta.
Segurança concedida em parte (MS 8.417/DF, Rel. Min.
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PAULO MEDINA, DJ 14.6.2004).
22. Na espécie, noticiam que surgiram, até aquele momento, 7
cargos vagos destinados à nomeação de candidatos para a Seção Judiciária do
Estado do Piauí, mas que, segundo o Edital do concurso, o impetrante seria
nomeado quando do surgimento da 10a. vaga, esta destinada à nomeação de
candidatos portadores de necessidades especiais. Contudo, o concurso venceu
antes da abertura dessa 10a. vaga.
23. A despeito da regra constante no edital de que os candidatos
portadores de necessidades especiais aprovados seriam nomeados no
surgimento da 10a., 30a. e 50a. vagas, esta Corte entendeu que não se pode
considerar que as primeiras vagas se destinam a candidatos não-deficientes e
apenas as eventuais ou últimas a candidatos deficientes; ao contrário, o que deve
ser feito é a nomeação alternada de um e outro, até que seja alcançado o
percentual limítrofe de vagas oferecidas pelo Edital a esses últimos (RMS
18.669/RJ, Rel. [Link] Dipp, DJ 29.11.2004, p. 354.).
24. Sendo assim, considerando que o TRF da 1a. Região
convocou 7 candidatos para tomar posse no cargo Analista Judiciário - Área
Judiciária (especialidade Execução de Mandados) e que a validade do concurso
venceu antes das nomeações alcançarem a 10a. vaga, verifica-se que, ao aplicar
a regra do certame de reserva de 5% das vagas para os PNE, uma das vagas
disponibilizadas deveria ter sido preenchida pelo impetrante.
25. Ante o exposto, confirmando a tutela provisória deferida,
concede-se a segurança para determinar a nomeação de AGLANIO FROTA
MOURA CARVALHO.
26. É o voto.
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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
PRIMEIRA TURMA
Número Registro: 2019/0128903-3 PROCESSO ELETRÔNICO RMS 60.776 / PI
Números Origem: 1000838-33.2015.4.01.0000 10008383320154010000
PAUTA: 20/08/2019 JULGADO: 20/08/2019
Relator
Exmo. Sr. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO
Presidente da Sessão
Exmo. Sr. Ministro GURGEL DE FARIA
Subprocuradora-Geral da República
Exma. Sra. Dra. DARCY SANTANA VITOBELLO
Secretária
Bela. BÁRBARA AMORIM SOUSA CAMUÑA
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO
ADVOGADO : AGLANIO FROTA MOURA CARVALHO (EM CAUSA PRÓPRIA) - PI008728
RECORRIDO : UNIÃO
ASSUNTO: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO - Concurso
Público / Edital - Reserva de Vagas para Deficientes
CERTIDÃO
Certifico que a egrégia PRIMEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na
sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
A Turma, por unanimidade, confirmou a tutela provisória anteriormente deferida,
concedendo a segurança para determinar a nomeação de AGLANIO FROTA MOURA
CARVALHO, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de
Faria (Presidente) votaram com o Sr. Ministro Relator.
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