Teorias das Relações Internacionais: Fundamentos
Teorias das Relações Internacionais: Fundamentos
Política Internacional
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Texto
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[1]
Organizações As Organizações Internacionais Governamentais (OIGs) são entidades formadas
Internacionais e a primariamente por Estados nacionais e desempenham um papel significativo como
Vontade Estatal. agentes no sistema internacional. Embora concebidas como instrumentos para a
cooperação e a persecução de objetivos comuns de seus Estados-membros, a
dinâmica de sua atuação transcende uma simples execução da vontade majoritária.
As OIGs, como a Organização das Nações Unidas (ONU) ou a Organização
Mundial do Comércio (OMC), podem desenvolver um grau considerável de
autonomia, influenciadas por suas burocracias internas, pela liderança de seus
dirigentes e pelos mandatos estabelecidos em seus atos constitutivos. Essa autonomia
relativa permite que moldem agendas, proponham iniciativas e, por vezes, atuem de
maneiras que não se alinham perfeitamente com os interesses imediatos da maioria
de seus integrantes. Os processos de tomada de decisão dentro das OIGs são variados
[2]
Dinâmica dos Polos de A análise da configuração do poder no sistema internacional recorre
Poder. frequentemente ao conceito de "polos de poder" para designar Estados ou
aglomerados de Estados que concentram capacidades materiais e influência
significativas, moldando a dinâmica global. Em certa medida, a noção de polos de
poder permanecia útil aos analistas das relações internacionais contemporâneas,
mesmo ao se considerar um sistema em constante transformação. Esta dinâmica
inerente ao sistema internacional implica a necessidade de redefinir, repetidamente,
as polaridades existentes – seja ela unipolar, bipolar ou multipolar. A identificação e
análise desses polos são cruciais para compreender as estruturas de alianças, as
rivalidades, as zonas de influência e as tensões que caracterizam a política mundial. A
ascensão de novas potências ou o declínio de outras alteram a distribuição de poder,
exigindo uma reavaliação constante das polaridades e de suas implicações para a
estabilidade e a ordem internacional.
[3]
Interdependência No âmbito da teoria neoliberal institucionalista, o conceito de "interdependência
Complexa no complexa", notabilizado pelos estudos de Robert Keohane e Joseph Nye, descreve
Neoliberalismo. uma realidade internacional marcada por múltiplos canais de interação – não apenas
interestatais, mas também transgovernamentais e transnacionais – e por uma agenda
diversificada onde não há uma hierarquia rígida entre os temas, diminuindo a
relevância da força militar em certos contextos. Esta situação de dependência mútua
entre Estados e outros atores é uma característica proeminente das relações
internacionais contemporâneas, intensificada pela globalização. Contudo, é uma
simplificação afirmar que a interdependência complexa, por si só, reduz as assimetrias
entre os atores ou diminui as possibilidades de conflito. Keohane e Nye, ao
analisarem o fenômeno por volta da década de 1970, e cujas ideias permanecem
relevantes para fins de análise, distinguiram entre interdependência simétrica e
assimétrica, sendo esta última uma potencial fonte de poder e, consequentemente, de
[4]
Diplomacia: Funções As funções clássicas da diplomacia – informar, representar e negociar – constituem
Clássicas e Evolução a espinha dorsal da condução das relações exteriores dos Estados, mantendo-se como
para a Diplomacia elementos perenes da arte de governar no plano internacional. O diplomata, como
Pública. representante de seu Estado, desempenha o papel crucial de observar e reportar os
acontecimentos e as dinâmicas políticas em outros países e em foros multilaterais,
além de apresentar e defender as posições e interesses de seu governo e de negociar
acordos e soluções para controvérsias. Nas últimas décadas, a rápida aceleração
tecnológica e a revolução nos meios de comunicação transformaram
significativamente o ambiente e as ferramentas da prática diplomática. Nesse
contexto, a "diplomacia pública" – compreendida como a interação das chancelarias
e dos representantes estatais não apenas com seus homólogos de outros Estados, mas
também diretamente com o grande público, tanto nacional quanto internacional,
inclusive por meio das mídias sociais – vem adquirindo crescente relevância como
uma sofisticada ferramenta de política externa. Essa modalidade diplomática visa a
construir entendimentos, projetar uma imagem positiva do país, influenciar a
opinião pública estrangeira e fomentar o diálogo com diversos setores da sociedade,
para além dos canais governamentais tradicionais, sendo uma dimensão cada vez
mais estratégica no século XXI.
[5]
A Diplomacia em A resiliência e a utilidade da diplomacia manifestam-se de forma contundente
Tempos de mesmo em cenários de aguda confrontação e até de conflito armado declarado entre
Confrontação. Estados. Contrariando uma percepção superficial de que as hostilidades anulam a
função diplomática, é precisamente nessas conjunturas críticas que seus mecanismos
se revelam indispensáveis, inclusive entre adversários diretos. A diplomacia serve
como um canal essencial para transmitir mensagens cruciais, clarificar intenções e
evitar mal-entendidos que poderiam escalar perigosamente um conflito. Em
[6]
Distinção entre A análise de eventos históricos, como a crise que deflagrou a Primeira Guerra
Instrumentos Mundial em agosto de 1914, permite ilustrar a distinção funcional crucial entre os
Diplomáticos e instrumentos da diplomacia e as decisões estratégicas que compõem a política
Decisões de Política externa de um Estado. A recepção de informações vitais, como um telegrama
Externa. alertando sobre a iminência da invasão da Bélgica pela Alemanha, enquadra-se no
repertório clássico da diplomacia – a coleta, análise e transmissão de dados e
inteligência que informam o processo decisório. Essa atividade de "informar" é uma
das funções primordiais dos canais diplomáticos. Por outro lado, uma recomendação
ou decisão de "mobilização militar imediata", como a que poderia ter sido
considerada pelo governo britânico naquele contexto, transcende o âmbito
puramente diplomático e se insere no espectro mais amplo das decisões de política
externa. A política externa de um país abrange o conjunto de seus objetivos,
estratégias e ações no plano internacional, e a diplomacia é apenas um dos
instrumentos à sua disposição, ao lado de ferramentas econômicas, culturais e, em
última instância, militares. Uma decisão de mobilização militar, especialmente em
um cenário de guerra iminente, é uma escolha estratégica de alta relevância,
influenciada por informações diplomáticas, mas que representa um engajamento de
recursos e uma postura que vai além da negociação e da representação, refletindo
uma estratégia mais ampla em tempos de crise.
[8]
A Centralidade do Um dos pilares do pensamento realista, em suas diversas vertentes, é a concepção
Estado na Perspectiva do Estado nacional como o ator principal, ou por excelência, das relações
Realista. internacionais. Esta visão postula que, embora outros atores possam existir e interagir
no cenário global, são os Estados que detêm o monopólio da legitimidade do uso da
força, que possuem soberania e que, em última análise, moldam as dinâmicas de
poder e segurança. Na ótica realista, as instituições internacionais, por exemplo, são
consideradas atores secundários, frequentemente criadas pelos Estados mais
poderosos para servir aos seus interesses e refletir a configuração de poder vigente,
possuindo pouca autonomia para agir de forma contrária aos desígnios desses
Estados.
[9]
Racionalidade e A escola realista, ao analisar a ação internacional dos Estados, parte da premissa de
Moralidade na Ação que estes são atores racionais, cuja conduta é pautada por uma perspectiva
Estatal Realista. teleológica, ou seja, orientada para a realização de objetivos específicos,
primariamente a garantia da própria segurança e a maximização de seu poder
relativo no sistema anárquico. No que tange à moralidade, o realismo clássico, como
formulado por Hans Morgenthau, estabelece uma distinção crucial entre a moral
aplicável às relações interpessoais e a "moral política" que deve guiar os estadistas.
Para Morgenthau, princípios morais universais abstratos não podem ser diretamente
[10]
Alianças na Teoria Na perspectiva realista, a formação de alianças é uma prática inerentemente
Realista. estatal, um mecanismo pelo qual os Estados, principais articuladores do sistema
internacional, buscam garantir sua segurança e influenciar a distribuição de poder.
Conforme discutido por teóricos realistas, o propósito fundamental das alianças varia
segundo as diferentes vertentes do realismo. Para os realistas defensivos, como
Kenneth Waltz, os Estados tendem a formar alianças com o objetivo primordial de
criar ou manter um equilíbrio de poder (balance of power), dissuadindo potenciais
agressores e preservando o status quo e sua própria segurança. Já para os realistas
ofensivos, como John Mearsheimer, as grandes potências, em particular, podem
formar alianças como parte de uma estratégia mais ampla de maximização de poder,
com o intuito de alcançar uma posição hegemônica, ao menos em âmbito regional,
como a melhor garantia de sobrevivência. Em ambas as visões, contudo, são os
Estados os protagonistas dessas articulações estratégicas, e embora redes de influência
possam envolver outros tipos de atores, as alianças que efetivamente definem a
estrutura de poder e segurança são eminentemente interestatais.
[11]
Diferenciação entre O campo teórico do realismo abarca distintas vertentes que, embora partilhem
Realismo Clássico, premissas centrais, oferecem nuances na explicação do comportamento estatal. Hans
Ofensivo e Defensivo. Morgenthau, um dos principais expoentes do realismo clássico, fundamenta sua
análise na natureza humana, intrinsecamente voltada para a busca por poder (animus
dominandi), o que se reflete na política de poder entre os Estados. Por outro lado,
John Mearsheimer é o mais destacado proponente do realismo ofensivo, uma
vertente do neorrealismo que argumenta que a estrutura anárquica do sistema
internacional compele as grandes potências a uma incessante busca pela maximização
de seu poder relativo, tendo a hegemonia (pelo menos regional) como o objetivo
último para garantir a segurança. Esta visão contrasta com a do realismo defensivo,
associada a Kenneth Waltz, que postula que os Estados são primordialmente
maximizadores de segurança, não de poder, e tendem a buscar apenas a quantidade
de poder necessária para sua sobrevivência, preferindo o equilíbrio de poder à
[12]
Premissas Apesar da diversidade interna da tradição realista, diversas de suas vertentes
Fundamentais compartilham um núcleo de premissas fundamentais para a análise das relações
Compartilhadas pelos internacionais até hoje. Entre elas, destaca-se a concepção de que é possível e
Realistas. analiticamente útil distinguir entre a esfera da política interna de um Estado e a
esfera da política externa, sendo esta última regida por uma lógica distinta, a da
anarquia internacional. Outro pilar comum é a predominância da preocupação com
a própria segurança (security dilemma) como uma motivação central e inescapável
para a ação dos Estados. Finalmente, os realistas, de forma geral, valorizam o poder –
seja ele militar, econômico ou de outra natureza – como o principal recurso e o
elemento explicativo fundamental para o comportamento dos Estados no ambiente
internacional, sendo a política internacional, em essência, uma luta por poder.
[13]
Alta Política, Baixa A distinção conceitual entre "alta política" (high politics) e "baixa política" (low
Política e o Papel da politics) é frequentemente utilizada para categorizar os temas da agenda
Diplomacia. internacional. A alta política tradicionalmente se refere às questões consideradas de
importância vital para a sobrevivência e a segurança do Estado, como defesa
nacional, estratégia militar, guerra e paz, e a manutenção da integridade territorial.
O emprego da força militar é um instrumento característico da alta política. A baixa
política, por sua vez, engloba temas percebidos como menos cruciais para a
segurança imediata do Estado, tais como cooperação econômica, intercâmbio
cultural, questões ambientais e sociais. É incorreto, contudo, associar a diplomacia
exclusivamente à baixa política, como se poderia inferir em análises por volta da
década de 1970. A diplomacia é uma ferramenta essencial e ubíqua, sendo
fundamental tanto para as negociações de segurança e alianças no âmbito da alta
política, quanto para a construção de acordos comerciais e culturais na esfera da
baixa política.
[14]
A Diplomacia como Contrariamente à suposição de que o foco realista em questões militares e de
Ferramenta de Poder segurança relegaria a diplomacia a uma condição periférica, esta é, na verdade,
no Realismo. considerada um instrumento indispensável e central do poder estatal. Para
pensadores realistas como Hans Morgenthau, a diplomacia eficaz, quando
adequadamente respaldada pela capacidade de poder de um Estado (incluindo seu
poderio militar), não é um sinal de fraqueza, mas uma manifestação de força e
[15]
A Centralidade do Uma das teses mais fundamentais e persistentes da perspectiva teórica realista,
Estado nas Relações desde suas formulações clássicas até as neorrealistas, é a de que as relações
Internacionais internacionais se articulam, de maneira primordial e decisiva, em torno dos Estados.
(Realismo). Estes são concebidos como os atores unitários e racionais que detêm o monopólio da
violência legítima e a soberania, sendo, portanto, os protagonistas na arena
internacional, especialmente no que tange às questões de alta política, como guerra,
paz e segurança. Esta premissa é um divisor de águas entre o realismo e outras escolas
de pensamento que atribuem maior peso a atores não estatais ou a estruturas
transnacionais.
[16]
Defesa Nacional na Em consonância com a centralidade do Estado e a natureza anárquica do sistema
Agenda Realista. internacional, a perspectiva realista sustenta que as questões de defesa nacional
ocupam invariavelmente o topo da agenda diplomática e da política externa dos
Estados. Dado que a sobrevivência é o interesse primordial de qualquer Estado em
um ambiente onde não há uma autoridade superior para garantir sua segurança, a
prontidão militar, a capacidade dissuasória e a proteção da integridade territorial e
dos interesses vitais tornam-se preocupações constantes que moldam profundamente
suas interações com o mundo exterior. Esta ênfase na defesa nacional persiste como
um elemento crucial para entender a lógica da política de poder.
[17]
Ceticismo Realista A perspectiva realista, ao analisar a dinâmica da paz e segurança internacionais,
sobre Organismos mantinha um ceticismo característico quanto ao papel da cooperação entre
Internacionais para organismos internacionais e entidades transnacionais como aspecto central para a
Paz e Segurança. consolidação de uma agenda de paz. Para os realistas, embora tais organismos possam
desempenhar funções úteis em áreas específicas ou facilitar o diálogo, a verdadeira
garantia da paz e da segurança reside no equilíbrio de poder entre os Estados ou na
existência de uma potência hegemônica capaz de impor a ordem. Os organismos
internacionais são frequentemente vistos como reflexos da distribuição de poder
estatal, com autonomia limitada para agir de forma independente contra os interesses
das grandes potências, que são os verdadeiros árbitros das questões de alta política.
[19]
Distinção entre É crucial distinguir o realismo estrutural, também conhecido como neorrealismo,
Realismo Estrutural e do realismo clássico. O realismo estrutural, cuja formulação mais influente é a de
Realismo Clássico. Kenneth Waltz em sua obra "Teoria da Política Internacional" (1979), desloca o foco
da análise da natureza humana (central para realistas clássicos como Hans
Morgenthau) para a estrutura do sistema internacional. Para Waltz, é a anarquia do
sistema – a ausência de uma autoridade central – e a distribuição de capacidades
(poder) entre os Estados que primordialmente moldam o comportamento estatal. O
realismo estrutural busca, assim, uma teoria mais parcimoniosa e sistêmica,
minimizando a importância de fatores internos aos Estados, como o processo
decisório da política externa, que eram mais enfatizados, por exemplo, na obra de
Morgenthau. Portanto, a ideia de que o realismo estrutural teria se projetado pela
reiteração da utilidade da obra de Morgenthau no exame da influência do processo
decisório é imprecisa, pois essas duas vertentes do realismo operam em níveis de
análise e com pressupostos distintos.
[20]
O Conceito de Um dos seis princípios fundamentais do realismo político, conforme articulado
Interesse no Realismo por Hans Morgenthau em sua obra seminal "A Política entre as Nações", postula que
de Morgenthau. o conceito-chave para a compreensão da política internacional é o de "interesse,
definido em termos de poder". Esta premissa significa que os estadistas pensam e
agem em termos de interesse definido como poder, e que este é o principal motor da
política externa dos Estados. A afirmação de que o interesse dos Estados nunca
poderia ser definido exclusivamente em termos de poder contraria diretamente este
[21]
Anarquia e Embora o realismo seja, de fato, uma tradição teórica multifacetada nas Relações
Competição no Internacionais, suas diversas correntes convergem em alguns pontos essenciais. Para
Realismo. os realistas, os Estados são inegavelmente os atores centrais no palco internacional, e
este se caracteriza pela anarquia, ou seja, pela ausência de uma autoridade suprema e
hierárquica. Contudo, a conclusão de que as relações internacionais se
caracterizariam, sobretudo, pela cooperação para sobreviver, é um equívoco. Na
visão realista, a anarquia sistêmica e a consequente incerteza quanto às intenções
alheias impelem os Estados a um comportamento primariamente competitivo e de
autoajuda (self-help). A sobrevivência é o objetivo último, mas ela é perseguida por
meio da acumulação de poder, da busca por segurança individual e, frequentemente,
do equilíbrio de poder, e não por meio de uma cooperação generalizada, que é vista
com ceticismo e considerada contingente e precária.
[22]
Constrangimentos da Na perspectiva neorrealista, a soberania, embora atributo fundamental dos
Estrutura Anárquica Estados, não funciona como um salvo-conduto absoluto contra as pressões e os
no Neorrealismo. constrangimentos impostos pela estrutura anárquica do sistema internacional.
Mesmo Estados que adotam posturas "revolucionárias" ou que buscam alterar
radicalmente o status quo acabam, em grande medida, sendo afetados e moldados
por essa estrutura. A anarquia e a distribuição de poder no sistema compelem todos
os Estados, independentemente de suas características internas ou de seus objetivos
ideológicos, a ajustarem seus comportamentos e a se engajarem em práticas como o
equilíbrio de poder, simplesmente para garantir sua sobrevivência e segurança em
um ambiente competitivo. Essa dinâmica, identificada por teóricos como Kenneth
Waltz, continua a ser um ponto de análise relevante.
[23]
Soberania e Interação Para o neorrealismo, o conceito de soberania é crucial, pois refere-se à
Estatal no característica fundamental das unidades – os Estados – que operam dentro do sistema
Neorrealismo. anárquico. É precisamente porque os Estados são soberanos, não reconhecendo
nenhuma autoridade superior, que o sistema é considerado anárquico. O princípio
da soberania, portanto, confere legitimidade formal a essas unidades como atores
independentes e juridicamente iguais. No entanto, a inferência de que a soberania,
por si só, impele os Estados a agirem de maneira predominantemente autárquica –
buscando a completa autossuficiência e o isolamento político-econômico – é uma
generalização que não encontra pleno respaldo na teoria neorrealista. Embora a
autoajuda seja um princípio decorrente da anarquia, os Estados, na visão neorrealista,
[24]
Proliferação Nuclear e Uma aplicação notável do pensamento realista, especificamente da vertente
Estabilidade (Visão de defensiva de Kenneth Waltz, refere-se à dinâmica da proliferação nuclear. Waltz
Waltz). defendeu uma tese contraintuitiva para muitos: a de que a posse de uma bomba
nuclear pelo Irã poderia, paradoxalmente, gerar maior estabilidade no Oriente
Médio. O raciocínio por trás dessa afirmação reside na lógica da dissuasão nuclear.
Ao adquirir capacidade nuclear, o Irã estabeleceria uma relação de dissuasão mútua
com Israel – a potência regional já detentora (embora não oficialmente declarada) de
armas nucleares. Esse "equilíbrio do terror" tenderia a tornar um conflito direto entre
os dois Estados excessivamente custoso e, portanto, menos provável, contribuindo,
na visão de Waltz, para uma forma de estabilidade precária, mas real, na região.
[25]
Realismo Periférico e o O Realismo Periférico (RP) emergiu como uma importante corrente
"Estado Comerciante". teórico-metodológica nas Relações Internacionais da América Latina,
particularmente na Argentina, durante parte da década de 1980 até, pelo menos, a
crise econômica de 2001, buscando adaptar os preceitos realistas à condição
específica dos países situados na periferia do sistema internacional. Uma das suas
formulações mais conhecidas postula um tipo de política externa que se alinha ao
conceito de "Estado comerciante" de Richard Rosecrance. Esta abordagem sugere
que os Estados periféricos, dada a sua vulnerabilidade e menor capacidade de
projeção de poder político-militar no cenário global, deveriam priorizar em suas
políticas externas a busca por desenvolvimento econômico, a inserção competitiva
nos mercados internacionais e o bem-estar de seus cidadãos. Essa ênfase nos ganhos
econômicos e comerciais contrasta com a premissa do realismo clássico, segundo a
qual os Estados nacionais, especialmente as grandes potências, devem pautar suas
políticas externas primordialmente por considerações de índole político-militar e
pela busca de poder e segurança em termos tradicionais.
[27]
Exemplos da Práxis do A política exterior argentina implementada durante a década de 1990, sob a
Realismo Periférico: A presidência de Carlos Menem, é frequentemente citada como um exemplo prático
Argentina nos Anos de alguns dos princípios do Realismo Periférico. Um atributo marcante dessa política
90. foi a adoção de uma "agenda positiva" nas relações internacionais, que se
consubstanciou, por exemplo, na ativa participação do país em missões de paz das
Nações Unidas, no alinhamento e apoio político aos Estados Unidos em questões
como a Guerra do Golfo, e na assinatura de diversos acordos bilaterais de garantias
de investimentos. Tais ações podem ser interpretadas como uma tentativa de buscar
benefícios econômicos e maior inserção internacional por meio de um alinhamento
pragmático com a potência hegemônica e com as normas e instituições do sistema
internacional, refletindo uma lógica de cálculo de custos e benefícios coerente com
certas interpretações do RP que priorizam o desenvolvimento e a estabilidade
econômica para os Estados periféricos.
[28]
Realismo Periférico e o A reação da Argentina à invasão do Panamá pelos Estados Unidos em dezembro
Caso da Invasão do de 1989 ilustra as complexidades da aplicação do Realismo Periférico (RP) e a
Panamá. necessidade de analisar as ações estatais em seu contexto específico. Na sessão da
Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada em 22 de dezembro de 1989,
foi aprovada uma resolução que lamentava profundamente a intervenção militar. A
Argentina, sob a presidência de Carlos Menem – que notoriamente buscava um
alinhamento estratégico com os Estados Unidos, política essa por vezes associada a
uma aplicação do RP –, não foi o único país do continente a apoiar a posição
Você encontrará, a seguir, a compilação de todos os itens de prova que já abordamos aqui sobre as
Relações Internacionais e seus conceitos básicos, atores, processos, instituições e principais
paradigmas teóricos. Englobamos, também, as Teorias das Relações Internacionais que oferecem
quadros conceituais para analisar a política global, examinando as interações entre Estados e
outros atores. Este campo explora desde conceitos fundamentais, como poder e soberania, até
paradigmas consolidados, como o Realismo, com suas ênfases na anarquia sistêmica, na segurança
estatal e na busca por poder, e suas variantes clássica, estrutural (neorrealismo) e periférica. A
compreensão dessas teorias é vital para decifrar as dinâmicas de conflito, cooperação e as
complexidades da diplomacia no cenário internacional contemporâneo. O texto apresentado traz
o conteúdo necessário para que você acerte todas elas com confiança.
2. A noção de polos de poder permanece útil aos analistas das relações internacionais
contemporâneas, mesmo quando se quer aludir a um sistema em permanente
transformação, cuja dinâmica implica redefinir, repetidamente, suas polaridades.
[#17·4|2014]
4. São funções clássicas da diplomacia informar, representar e negociar. Infere-se que, com a
rápida aceleração tecnológica e a revolução nos meios de comunicação, verificadas nas
últimas décadas, a diplomacia pública – compreendida como a interação não somente
entre representantes de Estados nacionais, mas também entre as chancelarias e o grande
5. Mesmo em situações de aguda confrontação – e até de conflito armado – entre Estados, a
diplomacia revela sua utilidade, inclusive entre adversários, como canal para transmitir
mensagens, reduzir tensões, encaminhar problemas práticos e abrir caminhos para
entendimentos futuros. [#18·1|2023]
6. Considerando o episódio narrado por Tuchman, é correto concluir que, enquanto o
telegrama recebido pelo então secretário do Exterior Edward Grey, informando quanto à
iminência da invasão da Bélgica pela Alemanha em agosto de 1914, integrava o repertório
da diplomacia britânica, a decisão de 'mobilização [militar] imediata' que o ex-secretário
de Guerra lorde Richard Haldane recomendava fazia parte de uma estratégia mais ampla
de política externa em tempos de guerra. [#18·2|2023]
An institution is a relatively stable set or “structure” of identities and interests. Such structures are often
codified in formal rules and norms, but these have motivational force only in virtue of actors’ socialization
to and participation in collective knowledge. Institutions are fundamentally cognitive entities that do not
exist apart from actors’ ideas about how the world works. This does not mean that institutions are not real
or objective, that they are “nothing but” beliefs. As collective knowledge, they are experienced as having an
existence “over and above” the individuals who happen to embody them at the moment. In this way,
institutions come to confront individuals as more or less coercive social facts, but they are still a function of
what actors collectively “know”.
[#60|2007]: Com base no texto acima e considerando as instituições e suas características, julgue
(C ou E) os itens a seguir.
7. De forma neo-realista, o texto reporta-se aos componentes estruturais que definem as
instituições internacionais e à preponderância da ação coercitiva dessas instituições sobre
os atores que as integram. [#60·3|2007]
8. O Estado nacional representa o ator por excelência das relações internacionais, sendo as
demais instituições meras derivações dos interesses e interações do governo no plano
internacional. [#20·2|2012]
11.As teorias das relações internacionais formuladas por Hans Morgenthau e, mais
recentemente, por John Mearsheimer, ao postularem a promoção da segurança como
finalidade última da ação dos Estados, caracterizam-se pelo realismo defensivo.
[#16·4|2016]
14.Por adotar foco primariamente em questões militares e de segurança, a Escola Realista das
Relações Internacionais relega à diplomacia condição periférica como instrumento de
poder dos Estados nacionais. Presume-se, dessa forma, que, segundo a ótica realista, a
preferência pela diplomacia como método para resolver contendas internacionais é uma
expressão antes de fraqueza do que da força de determinado Estado em suas interações
com o sistema internacional. [#18·3|2023]
18.Costuma-se invocar Tucídides e Hobbes como patronos das teses que fundamentam a
tradição realista, o que não se aplica a Maquiavel, considerado pai da política moderna.
[#31·4|2010]
20.Um dos princípios do realismo político de Hans Morgenthau é o de que o interesse dos
Estados nunca pode ser definido exclusivamente em termos de poder. [#22·4|2017]
21.Embora o realismo seja uma tradição teórica da área de Relações Internacionais que
apresenta uma grande diversidade, é possível afirmar que, para os realistas, os Estados são
os atores centrais das relações internacionais, as quais se caracterizam pela anarquia e,
sobretudo, pela cooperação para sobreviver. [#20·1|2018]
23.Para o neorrealismo, a soberania refere-se ao caráter das unidades, os Estados, que agem
no sistema anárquico. O princípio da soberania garante a legitimidade das unidades e
impele-as a agirem de maneira autárquica. [#21·1|2022]
24.Segundo o teórico realista das relações internacionais Kenneth Waltz, a posse de uma
bomba nuclear pelo Irã geraria estabilidade no Oriente Médio. [#21·1|2017]
25.O Realismo Periférico postula um tipo de política externa que corresponde ao conceito de
Estado comerciante de Richard Rosecrance, em contraposição à premissa realista clássica
segundo a qual os Estados nacionais devem pautar suas políticas externas por
considerações de índole político-militar. [#24·1|2016]
27.Atributo da política exterior argentina dos anos 90, consentâneo com os princípios do RP,
foi a adoção de uma “agenda positiva” consubstanciada, por exemplo, na participação do
país em missões de paz das Nações Unidas, no apoio aos EUA na Guerra do Golfo e na
assinatura de diversos acordos bilaterais de garantias de investimentos. [#24·3|2016]
Além das questões de provas anteriores, criamos uma bateria suplementar de assertivas baseadas no
conteúdo do texto, cujo objetivo é garantir que você — além de acertar qualquer questão sobre
um tema que já foi cobrado — estará preparado(a) para julgar corretamente eventuais assertivas
que cobrem o conhecimento de temas inéditos ou aspectos distintos de tópicos já cobrados.
Questão 1
Questão 2
Questão 3
25.O Realismo Periférico propõe que Estados na periferia do sistema internacional devam
replicar as estratégias político-militares das grandes potências, buscando autonomia e
projeção de poder tradicionais como caminho principal para o desenvolvimento
econômico e o bem-estar de seus cidadãos.
26.O Realismo Periférico, ao reinterpretar o "interesse nacional" para Estados periféricos com
foco no desenvolvimento e bem-estar cidadão, alinha-se com abordagens
desconstrutivistas que rejeitam por completo os conceitos de segurança e poder,
propondo sua total substituição por agendas exclusivamente econômicas.
27.A política externa argentina nos anos 90, ao buscar alinhamento com potências centrais e
participar de missões de paz, exemplifica uma aplicação do Realismo Periférico, onde a
prioridade recai sobre a inserção internacional pragmática e a obtenção de benefícios
econômicos para o Estado periférico.
28.A posição da Argentina em 1989, condenando a invasão do Panamá pelos EUA em uma
votação na OEA, contradiz os postulados centrais do Realismo Periférico, que
defenderiam um apoio incondicional à potência hegemônica em qualquer circunstância,
visando maximizar ganhos imediatos.
I. Cronologia
Atores Principais Múltiplos atores (Estados, OIGs, ONGs, Estados são os atores centrais e
transnacionais). unitários.
Agenda Diversificada, sem hierarquia clara entre Hierarquizada, com questões de alta
Internacional temas (segurança não domina sempre). política (segurança, sobrevivência) no
topo.
Objetivo dos Atores Ganhos mútuos, bem-estar, resolução de Segurança, poder, sobrevivência.
problemas comuns (pode haver Ganhos relativos são cruciais.
competição por ganhos relativos).
Visualizar a distribuição de poder (econômico, militar, influência) ajuda a compreender a dinâmica dos
"polos de poder" mencionada no texto, as transformações sistêmicas e as áreas de potencial competição ou
cooperação entre grandes potências e potências emergentes.
Fonte: Fontes como Council on Foreign Relations (CFR) 'Conflict Tracker. Acompanhe conflitos em
andamento ao redor do mundo: [Link]
Essencial para entender a discussão sobre a tese de Kenneth Waltz acerca da proliferação nuclear e
estabilidade, como no caso do Irã. Mostra os Estados detentores, os suspeitos e as regiões que optaram pela
desnuclearização, impactando cálculos de segurança regional.
Por estar em um momento de reta final, recomendamos que você se concentre na resolução de
questões e revisão dos seus materiais de estudo, incluindo o texto apresentado neste fascículo.
Incluímos referências a aulas e filmes meramente a título de aprofundamento e contextualização,
para consumo posterior ou em momentos ociosos.
a. Livros e Artigos
● CASTRO, Thales. Teoria das Relações Internacionais. Brasília: FUNAG, 2012. Disponível
em: [Link]
(Para uma visão geral e gratuita sobre Teorias de RI).
● CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História da Política Exterior do Brasil. 6. ed.
Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2021. (Para contextualizar a aplicação de teorias
na PEB).
● MEARSHEIMER, John J. The Tragedy of Great Power Politics. New York: W.W. Norton
& Company, 2001. (Obra fundamental do Realismo Ofensivo).
● MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais. São Paulo: Saraiva Educação, 2017.
(Obra abrangente sobre Teorias de RI).
● MORGENTHAU, Hans J. A Política entre as Nações: a luta pelo poder e pela paz. Tradução
de Flávia Fontenelle. 6. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa
Oficial do Estado de São Paulo, 2003. (Clássico do Realismo).
● PECEQUILO, Cristina Soreanu. Manual do Candidato: Política Internacional. 2. ed.
Brasília: FUNAG, 2010. (Para temas da agenda internacional).
● RICUPERO, Rubens. A Diplomacia na Construção do Brasil: 1750-2016. Rio de Janeiro:
Versal Editores, 2017. (Para a perspectiva diplomática histórica brasileira).
● SARAIVA, José Flávio Sombra (Org.). História das Relações Internacionais Contemporâneas:
da sociedade internacional do século XIX à era da globalização. São Paulo: Saraiva, 2007. (Para
o contexto histórico global).
● WALTZ, Kenneth N. Teoria da Política Internacional. Tradução de Maria Luiza de Abreu
Lima Paz. Lisboa: Gradiva, 1999. (Também publicado no Brasil como Teoria das Relações
Internacionais. São Paulo: Martins Fontes, 2002). (Obra fundamental do Neorrealismo).
● Cadernos de Política Exterior (IPRI-FUNAG) – Diversas edições. Disponível em:
[Link] (Para artigos atuais e aprofundados).
b. Videoaulas
● Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the
Bomb, 1964): Sátira da Guerra Fria que explora a lógica da dissuasão nuclear e o dilema
de segurança de forma cômica e crítica, tocando em temas caros ao realismo.
● A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 2006): Embora focado na vigilância interna
na Alemanha Oriental, ilustra a obsessão estatal com segurança e controle, um tema
subjacente ao pensamento realista sobre o Estado.
● Argo (2012): Baseado em fatos reais, mostra a complexidade da diplomacia e das
operações de inteligência em um contexto de crise internacional e relações hostis entre
Estados, relevante para a discussão da diplomacia em confrontação.
● House of Cards (Série, 2013-2018): Embora ficcional e centrada na política interna dos
EUA, retrata de forma cínica a busca pelo poder, manipulação e os cálculos estratégicos
que ecoam premissas do realismo político.
● The Diplomat (Série, 2023-presente): Foca nos desafios da diplomacia contemporânea,
lidando com crises internacionais, a importância da negociação e o papel dos diplomatas
em cenários de alta tensão.
● Thirteen Days (A Treze Dias, 2000): Dramatização da Crise dos Mísseis de Cuba,
ilustrando a aplicação da diplomacia, a teoria da dissuasão e a tomada de decisão em alta
política sob imensa pressão.
Parabéns!
Concluindo esse fascículo Ubique, você já percorreu 4,1% do conteúdo do edital de Política
Internacional que já caiu historicamente nas provas!
Vamos juntos!
Gabarito Detalhado
Você encontrará a seguir o gabarito comentado de todas as questões apresentadas neste fascículo.
Caso não concorde com a resposta ou com a explicação dada relativa a determinado item,
interponha um recurso à banca Ubique no e-mail cacd@[Link]. Todos os recursos
e as contrarrazões correspondentes serão publicados e ficarão disponíveis a todos alunos do
programa, com omissão do nome do autor.
2. Certo. A noção de polos de poder continua relevante para a análise das relações
internacionais contemporâneas, mesmo em um sistema dinâmico [2]. A dinâmica de
transformação do sistema internacional implica, de fato, uma redefinição contínua das
polaridades (unipolar, bipolar, multipolar), mas o conceito em si permanece um
instrumento analítico crucial para entender estruturas de alianças, rivalidades e a
distribuição de influência global, como mencionado no texto. A utilidade reside
justamente na capacidade de adaptar a análise dessas polaridades às mudanças sistêmicas.
[#17·4|2014]
5. Certo. A diplomacia mantém sua utilidade crucial mesmo em contextos de confrontação
aguda e conflito armado. Contrariando uma percepção superficial, é nessas conjunturas
críticas que seus mecanismos se revelam indispensáveis, inclusive entre adversários [5]. Ela
serve para transmitir mensagens cruciais, clarificar intenções, encaminhar problemas
práticos e abrir caminhos para entendimentos futuros. A Guerra Fria e a gestão da crise
dos mísseis de Cuba são exemplos onde canais diplomáticos foram fundamentais,
validando a afirmação. [#18·1|2023]
6. Anulado. O item foi anulado, pois há ambiguidade na elaboração dele. Não há indicação
quanto à função ocupada pelo lorde Haldane em período anterior à guerra. Além disso,
não fica claro que a expressão “Mobilização imediata” refere-se a uma opinião ou uma
decisão. [#18·2|2023]
7. Errado. A perspectiva neorrealista não atribui às instituições internacionais uma ação
coercitiva preponderante sobre os Estados [7]. Pelo contrário, o neorrealismo de Waltz
sustenta que as instituições são, em grande medida, um "epifenômeno da distribuição de
poder entre os Estados" e possuem capacidade limitada de influenciar ou coagir atores
estatais de forma independente, especialmente as grandes potências. A estrutura anárquica
8. Errado. (Nota: Embora o enunciado mencione a Escola Inglesa, a assertiva reflete uma
visão tipicamente realista). A concepção do Estado nacional como ator por excelência,
com outras instituições sendo derivações de seus interesses, é um pilar do pensamento
realista [8]. Nesta ótica, instituições internacionais são atores secundários. A Escola
Inglesa, embora reconheça a importância dos Estados, também valoriza a sociedade
internacional e suas normas e instituições de forma mais significativa do que o realismo
puro, não as vendo como meras derivações. A assertiva, portanto, está mais alinhada com
o realismo e, mesmo assim, a generalização "meras derivações" pode ser forte demais
dependendo da vertente específica. No entanto, se interpretada sob uma lente
estritamente realista (como a nota sugere), o erro principal seria atribuí-la à Escola Inglesa
de forma não qualificada. Do ponto de vista realista, a essência da afirmação sobre a
centralidade do Estado é correta. Contudo, a questão pede para julgar conforme a Escola
Inglesa, para a qual as instituições não são meras derivações. [#20·2|2012]
9. Errado. O realismo clássico não vê a moral como um conceito "subjetivo de quem exerce
o poder" no sentido de arbitrário [9]. Hans Morgenthau distingue a moral interpessoal da
"moral política", que deve guiar os estadistas. A conduta estatal é julgada por suas
consequências para o interesse nacional (definido em termos de poder), configurando uma
ética prudencial e contextual, não meramente subjetiva. A ação é teleológica (realização
de objetivos como segurança e poder), mas a moralidade política tem seus próprios
parâmetros. [#20·3|2012]
10.Errado. Na teoria realista, são os Estados os principais atores que se articulam em alianças
[10]. O propósito dessas alianças é garantir segurança (realismo defensivo) ou maximizar
poder (realismo ofensivo), não necessariamente construir uma hegemonia por parte de
"diversos atores além do Estado nacional". As alianças que definem a estrutura de poder
são eminentemente interestatais. A ideia de "diversos atores, além do Estado" construindo
hegemonia por meio de alianças não é uma formulação típica do realismo tradicional, que
foca nos Estados. [#20·4|2012]
13.Errado. A assertiva confunde a aplicação dos conceitos de alta e baixa política. A alta
política é referente a questões vitais de segurança e defesa, com o emprego da força militar
como instrumento característico, e baixa política englobando temas como cooperação
econômica e cultural [13]. É incorreto afirmar que a diplomacia caracteriza a baixa
política em oposição à alta política. A diplomacia é uma ferramenta "essencial e ubíqua,
sendo fundamental tanto para as negociações de segurança e alianças no âmbito da alta
política, quanto para a construção de acordos... na esfera da baixa política". [#17·3|2014]
14.Errado. A escola realista não relega a diplomacia a uma condição periférica; ao contrário,
considera-a um instrumento central do poder estatal. Para realistas como Morgenthau, a
diplomacia eficaz, respaldada pelo poder, não é um sinal de fraqueza, mas uma
manifestação de força e habilidade [14]. A preferência pela diplomacia pode ser uma
escolha estratégica prudente para alcançar objetivos de forma eficiente, avançando os
interesses do Estado. Não é primariamente uma expressão de fraqueza. [#18·3|2023]
15.Certo. Uma tese fundamental e persistente do realismo é a centralidade dos Estados nas
relações internacionais. Para os realistas, as relações internacionais articulam-se, de
maneira primordial e decisiva, em torno dos Estados [15]. Estes são concebidos como os
atores unitários e racionais, protagonistas na arena internacional, especialmente em
questões de alta política como guerra e paz. Esta premissa é um divisor de águas entre o
realismo e outras escolas. [#31·1|2010]
18.Errado. A assertiva incorre ao afirmar que Maquiavel não se aplica como patrono das
teses realistas. Embora Tucídides e Hobbes sejam comumente invocados, é igualmente
fundamental reconhecer Nicolau Maquiavel como uma figura seminal para o realismo.
Sua obra O Príncipe, ao analisar a aquisição e manutenção do poder estatal e postular a
"razão de Estado", oferece um dos alicerces do pensamento realista. [18] [#31·4|2010]
25.Certo. O Realismo Periférico (RP) postula um tipo de política externa para Estados
periféricos que se alinha ao conceito de "Estado comerciante" de Rosecrance. Essa
abordagem sugere que Estados periféricos deveriam priorizar em suas políticas externas a
busca por desenvolvimento econômico, a inserção competitiva nos mercados
internacionais e o bem-estar de seus cidadãos. Isso contrasta com a ênfase político-militar
do realismo clássico, validando a assertiva. [25] [#24·1|2016]
26.Anulado. A banca anulou o item com base na justificativa de que a redação do item
possibilita mais de uma interpretação. A anulação provavelmente ocorreu devido à
dificuldade em aplicar o rótulo "desconstrutivista" de forma precisa ao Realismo
Periférico, que é mais uma adaptação contextual do realismo. [26] [#24·2|2016]
27.Certo. A política externa argentina dos anos 90, sob Menem, é frequentemente citada
como exemplo da práxis do Realismo Periférico. Um atributo dessa política foi a adoção
de uma ‘agenda positiva’ consubstanciada, por exemplo, na participação do país em
missões de paz das Nações Unidas, no apoio aos EUA na Guerra do Golfo e na assinatura
de diversos acordos bilaterais de garantias de investimentos. Essas ações refletem uma
busca por benefícios econômicos e inserção internacional por meio de alinhamento
pragmático, coerente com o RP. [27] [#24·3|2016]
28.Errado. A Argentina não foi o único país do continente a apoiar os EUA na sessão da
OEA sobre a invasão do Panamá em 1989, nem apoiou os EUA dessa forma. A Argentina
Questão 1
1. Errado. A assertiva alega que as OIGs se limitam a executar passivamente a vontade
consensual e não possuem autonomia. Contudo, as OIGs podem desenvolver um grau
considerável de autonomia, influenciadas por suas burocracias internas, pela liderança de
seus dirigentes e pelos mandatos estabelecidos em seus atos constitutivos. Essa autonomia
lhes permite "moldar agendas" e "propor iniciativas", o que contradiz a ideia de
passividade e ausência total de autonomia na formulação de agendas. [1]
2. Errado. A noção de polos de poder permanece, em certa medida, útil aos analistas das
relações internacionais contemporâneas, mesmo ao se considerar um sistema em constante
transformação". Portanto, a noção não se tornou obsoleta, mas continua sendo uma
ferramenta analítica relevante. [2]
3. Certo. A noção de polos de poder, de fato, mantém sua utilidade analítica. A necessidade
de redefinir polaridades não invalida a utilidade do conceito em si. [3]
4. Errado. Embora a diplomacia pública tenha ganhado crescente relevância como uma
sofisticada ferramenta de política externa, a assertiva exagera ao afirmar que ela se
consolidou como a "principal ferramenta", suplantando a relevância estratégica das
negociações interestatais tradicionais [4]. Não se suporta essa ideia de suplantação ou de
ser a "principal" ferramenta de forma absoluta, mas sim de um ganho de relevância e de
ser uma ferramenta "sofisticada" e adicional.
5. Certo. A recepção de um telegrama com informações sobre a iminência de uma invasão
enquadra-se no repertório clássico da diplomacia – a coleta, análise e transmissão de
dados. Por outro lado, uma decisão de 'mobilização militar imediata' transcende o âmbito
puramente diplomático e se insere no espectro mais amplo das decisões de política externa
[6]. A diplomacia é um instrumento que informa e apoia a política externa, mas não se
confunde com todas as suas decisões estratégicas.
Questão 2
8. Certo. Esta é uma premissa central do realismo. O Estado nacional é o ator por
excelência, e outras instituições, como OIGs, são frequentemente vistas como atores
secundários, frequentemente criadas pelos Estados mais poderosos para servir aos seus
interesses e refletir a configuração de poder vigente, possuindo pouca autonomia [8]. A
assertiva reflete corretamente essa visão realista.
11.Certo. Hans Morgenthau (realismo clássico) fundamenta sua análise na natureza humana,
intrinsecamente voltada para a busca por poder. John Mearsheimer (realismo ofensivo)
argumenta que a estrutura anárquica do sistema internacional compele as grandes
potências a uma incessante busca pela maximização de seu poder relativo, tendo a
hegemonia como o objetivo último [11]. A assertiva capta corretamente essa divergência
fundamental e a caracterização de suas teorias.
13.Errado. A distinção entre "alta política" (segurança, defesa) e "baixa política" (economia,
cultura) não implica que a diplomacia seja exclusiva da baixa política. A diplomacia é uma
ferramenta essencial e ubíqua, sendo fundamental tanto para as negociações de segurança
e alianças no âmbito da alta política, quanto para a construção de acordos comerciais e
culturais na esfera da baixa política [13]. O uso da força não é o único recurso da alta
política; a diplomacia é crucial nela.
15.Errado. A centralidade dos Estados como atores unitários e racionais permanece uma tese
fundamental do realismo. Embora outras teorias enfatizem atores não estatais, o realismo,
em suas formulações clássicas e neorrealistas, continua a articular suas análises de maneira
primordial e decisiva, em torno dos Estados [15]. A assertiva sugere uma perda de
centralidade dentro da própria teoria realista, o que não é corroborado.
22.Certo. Esta é uma das principais teses do neorrealismo [22]. A estrutura anárquica e a
distribuição de poder compelem todos os Estados, independentemente de suas
características internas ou de seus objetivos ideológicos, a ajustarem seus comportamentos
e a se engajarem em práticas como o equilíbrio de poder, simplesmente para garantir sua
sobrevivência e segurança. Mesmo Estados revisionistas são constrangidos pela estrutura.
27.Certo. A política externa argentina dos anos 90, com sua "agenda positiva" (participação
em missões de paz, alinhamento com os EUA, acordos de investimento), é vista como
uma tentativa de buscar benefícios econômicos e maior inserção internacional por meio
de um alinhamento pragmático [27], o que é coerente com certas interpretações do RP
que priorizam o desenvolvimento e a estabilidade econômica para os Estados periféricos.
1E; 2C; 3E; 4C; 5C; 6 Anulado; 7E; 8E; 9E; 10E; 11E; 12C; 13E; 14E; 15C; 16C; 17E; 18E; 19E;
20E; 21E; 22C; 23E; 24C; 25C; 26 Anulado; 27C; 28E.
1E; 2E; 3C; 4E; 5C; 6E; 7E; 8C; 9C; 10E; 11C; 12E; 13E; 14E; 15E; 16E; 17C; 18E; 19C; 20E;
21E; 22C; 23E; 24E; 25E; 26E; 27C; 28E (Retificado).