(Capítulo 1)
Me questiono até onde essa vida vai me levar e que resultados obtirei no final, não costumo
agir como os filósofos, muito menos pensar como eles, portanto tenho consciência que
minha impulsividade um dia vai acabar me metando e pergunto qual o meu limite. Eu estava
exausto, foi mais uma das minhas noites agitadas, a luz da manhã cruzava meus olhos de
uma maneira dolorida. Encaro meu reflexo no espelho, tentava não transparecer meu
cansaço, mas as olheiras eram bem visíveis no meu rosto pálido, às vezes queria passar os
pós de rosto que normalmente as damas usam, pelo menos para fingir que tive uma bela
noite de descanso. A luz cortava meus olhos verdes, deixando minhas pupilas em um risco,
as minhas sobrancelhas eram retas e me deixavam com uma expressão séria, mesmo que
eu estivesse apenas relaxado, com meus cabelos escuros em um tom azulado, arrumado
como normalmente nunca faço. Hoje era um dia importante, assim como os vários que
viriam a seguir. Mesmo estando claramente semelhante a um doente, as roupas finas me
traziam alguma dignidade, inteira preta a minha escolha, sempre golas altas e a droga
desses lenços no pescoço. Forço um sorriso na frente do espelho, mas desmancho
rapidamente, parecia que eu estava com dor. Já me disseram que sou péssimo em fingir
expressão, mesmo sendo um perfeito mentiroso, sou um amador nesse assunto. Vou ter
que ficar com os sorrisos simples, apenas curvando os cantos dos lábios.
Suspiro, a necessidade de socializar com a alta sociedade sempre faziam minhas mãos
soarem, ao menos nesse período tenho que parecer cortez e esmero. A porta do meu
quarto é aberta e avisto minha irmã mais nova, com seu vestido cor de creme e com
detalhes em dourado, destacando sua pele pálida, com as mangas caindo sobre os ombros,
mostrando suas sardas, as quais tinha no rosto e ombros, a saia do vestido desmanchava
como uma cachoeira no chão, seus cabelos rosados estavam presos em um penteado que
parecia simbolizar flores, seus olhos verdes brilhavam em nervosismo, ela junta as duas
mãos.
– Estou pronta – Indica com uma voz soprada, adicionando ainda mais a sua feição aflita.
Vou até a minha escrivaninha e procuro por uma caixinha de veludo avermelhado, a pego –
Acha que assim está bom? Pareço bonita? – Ergo meus olhos de relance para ela.
– Não está mais bonita que eu – Six se aproxima mais, batucando o chão com seus saltos,
se encarando no espelho, ajeitando o penteado complexo do cabelo.
– Devo parecer horrenda então – Franzi o cenho levemente, abrindo um sorriso. Pego o
colar de diamantes da caixinha e me aproximo dela. Seus olhos ficam um tanto perplexos,
fitando o objeto brilhante em minhas mãos de maneira curiosa – Dá onde isto?
Fico atrás dela e sinto o cheiro de seu perfumo doce, visto o colar em seu pescoço, o
prendendo, enquanto ela se olhava no espelho.
– Era de nossa mãe – Assim que coloco, seus dedos alisam os diamantes, admirando – E
não se preocupe, você será a mais bela do baile, os homens não saberão formular uma
frase sem gaguejar por causa de sua beleza, Six.
Ofereço meu braço para ela se agarrar, minha irmã abre um sorriso mais segura.
– Obrigada, Sete.
– Senhor – Um criado se aproxima – A carruagem está à sua espera.
– Vamos então – Assim caminho com Six no grande casarão até a carruagem.
Dentro da carruagem, o caminho na estrada é um tanto longo já que não vivemos junto a
nobreza, temos dinheiro e um pouco de status, mas não temos títulos nobres, então
moramos separados dessa classe, internamente eu agradeço por isso.
Eu costumo me esguiar por alguns locais ilegais e tenho meus meios de sustentar nossa
enorme casa e de suprir nossas roupas, alimentos, empregados e aparência, por mais que
não tenha mais negócios para lidar, tive que arranjar outro jeito de continuar ganhando
riquezas.
Contudo, sem títulos, não éramos considerados relevantes para a nobreza e realeza. Até o
dia de minha irmã mais velha se alistar e entrar no exército da guarda real da rainha, um
evento nunca praticado por nenhum outro reino, aceitar mulheres nesse tipo de posição.
Boatos informam que a rainha foi assediada por guardas quando era mais nova e por isso
hoje exige que sua segurança seja composta por mulheres soldadas, mas são apenas
boatos, de qualquer forma, hoje minha irmã tem um emprego no palácio.
Como Sto sempre se comportou de maneira mais bruta e nunca como uma dama, não foi
tão desafiador para ela entrar na guarda, nada comparado com os subúrbios que
frequentávamos durante toda nossa juventude. Durante três anos, ela praticou seu
treinamento e assim que entrou na ativa, acabou fazendo amizade com a rainha, a qual
estava interessada em nossa família. Nisso, Sto chegou em casa com uma carta da rainha,
convocando Six a se apresentar na alta sociedade, uma chance única e jamais dada a
outro, se Six se casasse com qualquer homem daquela laia, nossa família estaria a salvo de
dívidas e poderíamos nos mudar para um local mais seguro.
E eu também terei a chance de me casar com uma mulher de alto nível, mas esse tipo de
união é o menor dos interesses nesse momento. Com Sto servindo a guarda e Six tendo
todo o luxo que seu casamento futuro poderia trazer, já era o bastante para mim, ao
contrário de minhas irmãs, eu odiava a corte e toda a nobreza com riquezas, eles
simplesmente fechavam os olhos para o subúrbio e o esgoto de pessoas que se formava lá
embaixo, enquanto se deliciaram com lindos doces delicados e bailes inúteis ao ar livre.
– Você parece de mau humor – Minha irmã comenta. Eu observava o gramado bem cuidado
cheio de arbustos com formatos diferentes enquanto entrávamos pelos portões da cidade
alta. Foram vinte minutos em completo silêncio, ela deveria estar tagarelando alguma coisa,
mas minha cabeça estava cheia para prestar atenção – Por favor, Sete tente não ficar de
cara fechada o tempo inteiro.
– Só estou preocupado, até o momento apenas interagimos com a rainha, não sei o que
essa gente vai pensar sobre os Winzel – Franzo minhas sobrancelhas, sentindo uma dor de
cabeça surgindo por causa do estresse, também coço o pescoço, esse lenço dos infernos
me pinicava – Se eles forem intolerantes…
– Essa será uma chance única de mudarmos nossas vidas, as vidas de nossos filhos não
precisaram ser como… as nossas foram – Ficamos em silêncio se encarando, eu tinha
certeza que um filme se passava em sua mente só de observar seus olhos vazios, confirmo
com a cabeça.
– Eu espero que sim, não quero que todo esse convite e preparativos seja uma emboscada
no final.
– Eu estou confiante desta vez – Minha irmã se arruma, olhando para a janela, percebendo
que estamos chegando.
A carruagem para e eu desço primeiro, ajudando Six, ela segura meu braço e eu a
acompanho. Era um baile de desjejum, com tendas brancas e grandes montadas em
diversos espaços do gramado do jardim do castelo, várias mesas de cafés espalhados por
todo espaço com farturas de comidas e doces caros, além de uma plataforma de piso,
montado para as danças.
E para a minha náusea social, muitas pessoas. As conversas eram calmas, acordos
complexos feitos com simples apertos de mãos, noivados sendo traçados, as pessoas
dançando com seus pares enquanto a música com violinos tocavam sutilmente, ao mesmo
tempo que diversos olhares vorazes observavam a plataforma de dança como um campo
de caça.
– Lembra os passos das danças? – Pergunto em voz baixa, enquanto abro um sorriso
formal para algumas pessoas que iam olhando para nós dois enquanto nos aproximávamos.
– Sim, três tipos, é só encaixar qualquer um no ritmo da dança ou apenas seguir o meu
parceiro.
– Sabe dos comprimentos?
– Sete, não nasci ontem, o único com falta de habilidade social aqui é você.
Minha feição fica tediosa.
– Quer que eu te lance naquela fonte de chocolate?
– Bom dia – Um homem bem vestido se aproxima, tinha cabelos castanhos enroladinhos, o
cumprimento com a cabeça. Ele nos observa como se tentasse se recordar onde já nos viu,
mas nunca nos vimos – São novos aqui? Visitantes?
– Ah, sim – Eu respondo, segurando firmemente o braço de minha irmã no meu, notando o
modo como ele frisou seu olhar nela – A rainha nos convidou.
Respondo no mesmo tom esnobe dele. Após escutar isso, ele abriu o sorriso mais falso já
visto por mim, foi pior que meu sorriso que eu treinava mais cedo na frente do espelho, com
as sobrancelhas erguidas de maneira enojada, ele continuou, para a minha infelicidade.
– Ah, a rainha, de fato ela tem bom gosto – Ele fala com os olhos pregados em minha irmã,
que realmente até o momento era a mais chamativa de todo o baile, deveria ter em torno de
sessenta mulheres usando cores de vestidos em tons claros espalhadas por aqui, mulheres
muito lindas para uma pilha de homens medíocres e ridículos.
– Nunca questionei seus gostos, somos os Winzel, sou Sete Winzel – Ele comprimenta com
a cabeça, continuei o fitando de feição analítica.
– Sou Lord Migton, prazer – Seus olhos carregados de malícia nem se quer desgrudam de
Six, ou do corpo dela. Reconheço seu sobrenome, sua família sequestra muitas crianças
para trabalhar em plantações e algumas mulheres para trabalhar como empregadas em
suas enormes casas, além de vendê-los para outros nobres muitos escravos, ganham a
vida contrabandeando essas pessoas. É só para isso que eles descem lá embaixo, um
mercado como este está crescendo muito ultimamente e é melhor todos encontrem seu
lugar, antes que não haja mais tempo para fugir. Ele estende a mão com um sorriso de
canto, fecho meus punhos – Poderia me dar a honra de uma dança, senhorita…?
Six olha para mim e depois para ele. Mesmo com o Lord a pedindo para uma dança, não
me movi para me afastar, continuei a mantendo firme junto comigo.
– Me chamo Six Winzel. Adoraria dançar – Há um silêncio, minha irmã percebe que não dou
espaço para ela soltar de mim e rapidamente inventa uma desculpa – mas creio que
devemos cumprimentar a vossa majestade antes de dar atenção devida ao baile…
O Lord fecha a mão a abaixando, um tanto sem graça, sua decepção me trouxe um pouco
de felicidade.
– Muito bem lembrado – Respondo sereno, abrindo um sorriso ensaiado e espero que
convincente – Com sua licença milorde.
Nos afastamos antes que ele reaja, indo em direção aonde a rainha se encontrava, em uma
tenda reservada, com guardas a sua volta. Finjo mais sorrisos conforme passamos, é uma
droga chamar tanta atenção, estão curiosos com as novas pessoas no baile, de familia
desconhecida e rica. Não somos ricos, mas ninguém sabe disso, nem mesmo Six, apenas
Sto e eu.
– Se ele continuasse olhando para os seus peitos, eu iria arrancar aqueles testículos
nojentos com os dentes – Comento, cantarolando as palavras como se eu tivesse falando
que o dia está bonito.
– É, não estou acostumada com olhares tão diretos… – Ela ajeita o vestido.
– Six, não se culpe pelo Lord ser uma anta quando se trata de cortejar uma dama – Minha
irmã ri, colocando a mão na boca.
– Sete, fale baixo – Me exorta por tê-lo xingado, erguendo as duas sobrancelhas, fitando
meus olhos de um jeito cínico e curioso– E posso saber como você cortejaria uma dama? –
Pergunta, me deixando pensativo por alguns segundos.
– Certamente a convidaria para uma dança antes de cortejá-la, conversaria para conhecê-la
primeiro, que tipo de livros gosta, quais as suas cores preferidas, quais passeios costuma
fazer, que flores gosta de receber… Detalhes fazem a diferença.
– Ah, então devo esperar isso de um cavalheiro?
– Seria o mínimo – Seus olhos vagam pelas pessoas e acompanho seu olhar, vendo quem
estava louco para chamá-la para uma dança, acho engraçado como eles ficam com o rosto
pálido e de postura rígida, encarando minha irmã de maneira preocupada, quase
necessitando ter uma dança com ela – Só então iria cortejar a dama – Continuo – iria levar
para ela às suas flores preferidas, usaria as roupas com as cores que mais gosta, leria os
mesmos livros que costuma ler e, sem querer, talvez a encontraria em seus passeios
favoritos.
Falo essas palavras com a intenção de que Six observe isso e pegue como instrução para
escolher seu noivo, sei que ela está absorvendo e traçando seus próprios critérios, ela
balança a cabeça concordando.
– Acredito que é assim que você trata as moças do subúrbio – Sua fala é inesperada, quase
como um alfinete fincado em minhas costas – Você volta para lá todas as noites, não
imagino o porquê.
Tranco meu maxilar. Algumas noites eu chego em casa machucado ou com algum
sangramento, não é sempre, mas para meu azar, uma dessas noites ela viu minha situação.
No dia seguinte me encheu de perguntas, não dei nenhuma resposta e nunca mais tocamos
no assunto de novo. Sem encará-la, respondo um tanto áspero.
– Não tem o que saber, tudo que você tem que fazer é se casar com um bom homem e
viver uma vida tranquila. Não quero que se preocupe comigo.
Ela suspira pesado, se mostrando chateada, eu ignoro, ou ao menos finjo, deixando o
silêncio tomar conta entre nós dois. Não é um prazer aborrecê-la, mas às vezes é preciso
afastá-la de alguns assuntos. Seus olhos claros se prendem a uma pessoa, abrindo um
sorriso.
– Olhe quem está aqui, Obedne, eu não acredito que ela realmente veio – Minha irmã
estampa um sorriso contente e quase que sai correndo feito uma gazela em direção a
senhorita Gardner, só não sai saltitando por estar presa a mim.
Olho em direção e Obedne estava junto da rainha, a cumprimentando. Ela era a melhor
amiga de minha irmã, de pele negra e cabelos enrolados castanhos, presos em um
penteado que se assemelhava a um buquê de flores, com um vestido amarelo destacando
seus olhos âmbar. Sabíamos de sua posição como duquesa, mas isso nunca a impediu de
interagir conosco. E quando soube que Six participaria de toda essa ladainha, disse que
viria para dar apoio e algumas orientações que eu não teria noção.
– Ela está com a rainha, vamos lá cumprimentá-las.
E assim andamos entre a multidão nos aproximando da rainha, a qual tinha uma mesa de
café posta apenas a ela, estava sentada em uma cadeira incrustada de jóias, sorrindo para
Obedne, conversando sobre algo, quando paramos em sua frente fizemos um pequena
reverência.
– Majestade – Eu a cumprimento junto de Six.
– Ah – Ela sorri de uma maneira satisfeita, aceitando nossos cumprimentos – a tão curiosa
família Winzel… – A rainha vestia um vestido azul claro, parecendo um bolo, fora a sua
peruca branca que aparentava ser pesada por seu tamanho grande, de olhos azuis, era
abanada por uma criada. A majestade observa minha irmã com um olhar afiado, a analisava
se seria boa para um casamento. A perfeita delicadeza e sutilesa de Six, disfarçava o quão
forte era, era rápida e habilidosa, em uma luta se você não encontrasse seu padrão,
apanharia – Sejam bem vindos – Ela abre um sorriso ensaiado, assim como todas as
pessoas nesse lugar, imito seu sorriso e coço meu pescoço ajeitando o lenço.
– É um prazer minha rainha – Six diz e nós dois olhamos em direção à sua direita, vendo a
nossa irmã como guarda ao lado da rainha, ela estava ereta, vestindo uma armadura
prateada, seus longos cabelos roxos escuros foram cortados na altura do pescoço e fizeram
uma minúscula franja em sua cabeça, de feição séria, ela com certeza nos viu, mas não
esboçou nenhuma reação, era tudo protocolo. Six sorriu orgulhosa olhando para mim.
– Avisei todos meus convidados sobre vocês – A rainha comenta, comendo um biscoito de
geléia – É possível que recebam algumas perguntas curiosas durante o dia, por favor não
fiquem tímidos. Estamos avaliando se vale a pena aceitá-los na alta sociedade, é claro que
isso acontecerá caso a senhorita Winzel se case.
– Não poderíamos estar mais gratos, majestade – Eu falo, forçando simpatia novamente,
sei que não estou convencendo por causa da expressão firme da rainha ao me ver, parecia
gostar muito mais de minhas irmãs, me encrando de cima a baixo com um certo desprezo.
– Bom – Ergue suas sobrancelhas do mesmo jeito esnobe que o homem anterior. Eles
recebem aula de como ser um filha da puta egocêntricos? – então porque ela ainda não
está dançando?
Eu ia responder, portanto Obedne se manifesta mais rápido, com isso coço minha garganta
novamente, tenho certeza que minha pele já esta avermelhada e tanto esfregar esse lenço
maldito.
– Majestade, creio que devo dar alguns conselhos a senhorita Winzel – Ela olha para Six,
abrindo um sorrisinho, a cumprimentando com a cabeça e minha irmã faz o mesmo,
voltando a atenção para a rainha – Por ela nunca ter participado desse tipo de evento, deve
estar um pouco perdida.
– Aqui está sua bebida, Duquesa Gardner…
– Ah, muito obrigada. Podemos apresentar nossos blocos de instruções… – Ela continua
falando, mas sua voz começa a ficar distante, assim como todo o barulho nesse espaço,
com o silêncio ocupando a minha cabeça de tanto espanto.
Sem querer reparo em quem se aproximou entregando uma taça de álcool a Obedne e
rapidamente a cor de meu corpo se esvai, como se tivesse virado pó no ar. Engulo seco e
provavelmente não estou respirando.
Esses malditos cabelos ruivos, a droga de Lawliet Spenser. Aqui. Junto com Obedne. Junto
com a rainha. Junto com a alta sociedade. Seguro firme o braço de Six, desviando meu
olhar para o chão, pisco algumas vezes.
Sinto como se estivesse cercado, prestes a cair em uma armadilha para ser morto ou como
se eu fosse descoberto sobre tudo. A música calma que o violino tocava, junto ao canto de
passarinhos, não eram nada condizente aos grotescos pensamentos que se multiplicavam
em minha cabeça. Lawliet armou isso e eu me arrastei para cá, me apresentando de
bandeja, meu peito acelera, batendo na garganta, tremendo a ponta dos meus dedos,
esperando tudo desmoronar. Olho para Sto e ela se mantém firme. Meu cérebro quase
vibrou dos múltiplos pensamentos que estouraram ao mesmo tempo, nunca o vi vestido tão
formal, com roupas claras entre bege e branco, um cabelo arrumado, parece que
amanheceu e ele se transformou em outra pessoa.
– Sete – Minha irmã me chama, me puxando para a Terra novamente – Sete, você está
bem? – Balanço a cabeça que sim – Está pálido.
Sinto seus olhares em mim, os da Rainha, Sto, Obedne e a porra dos de Lawliet. Portanto,
me mantenho olhando apenas para Six.
– Estou bem, só estou um pouco cansado, não é nada.
– Essa é uma ótima ideia Duquesa Gardner – A rainha continua, cortando o
constrangimento – acompanhe a senhorita Winzel em seus bailes, poderá instruí-la da
maneira correta.
Assim que ela fala isso, cruzo meu olhar com Lawliet, sem querer, e observo seu sorriso de
canto falhar quando me encara. Seus olhos se arregalaram levemente, mas logo recupera a
feição serena de antes, sendo neutro, bebendo um gole de sua bebida, controlando
qualquer outro tipo de reação.
– Ah, e Grão-Duque quero lhe apresentar a mais nova integrante das damas que estão para
se casar, da família Winzel – Enquanto a rainha fala, gesticula com as mãos como se minha
irmã fosse uma boneca na vitrine. Lawliet a cumprimenta com a cabeça, sorrindo de
maneira agradável, evitando me encarar – Six Winzel.
– Ah, já ouvi falar dessa família, a fofoca se espalhou rápido.
Sua postura é tranquila e passiva, a rainha ri com seu comentário. Sua maldita genética não
mostrava suas olheiras de cansaço, um rosto de porcelana e bochechas pouco
avermelhadas, demonstrava apenas sua beleza e saúde. E ele era bonito, com um sorriso
cativante, além de ser alto. Esse demônio parecia um anjo. Meus olhos ficaram firmes em
seu rosto, como se eu estivesse mirando para atirar, que Lawliet agradeça por não estar
com nenhuma arma no momento.
– Senhorita Winzel, o Duque sempre foi muito arisco quando se tratava de casamento, – A
rainha continuou olhando fixamente para minha irmã e no mesmo instante percebo o que
essa mulher está montando. Franzo o cenho – mas nessa temporada parece que finalmente
a luz se iluminou nessa cabeça dura e ele decidiu que essa seria uma ótima temporada
para escolher uma esposa.
Lawliet ri, não soube se estava nervoso ou se foi apenas uma risada ensaiada.
Percebemos a pequena fila que amontoava perto de nós para conversar com a Rainha,
coçando meu pescoço de novo, me irritei com essa droga pinicante. Sorrio para a rainha.
– É um prazer estar aqui – Faço uma reverência, puxando minha irmã junto comigo – Com
sua licença majestade, creio que há mais pessoas interessadas em sua boas vindas.
A rainha assenti, aceitando minha retirada, para meu alívio, eu me retiro junto com Six,
soltando o ar dos meus pulmões, um ar que eu não sabia que estava trancado há alguns
minutos. Pego uma taça de bebida de algum garçom que passava, tomando metade de
uma vez. Six mexia em algum enfeite de seu vestido, olhando em volta.
– Isso é um pouco diferente, os vestidos chiques, as danças e as músicas, esse ambiente
parece agradável.
Suspiro novamente, fitando minha irmã, arrancando a pelinha de minha boca. Admirava seu
olhar inocente com as pessoas, isso a priva de paranoias, mas a deixa em perigo com que
tipo de pessoa ela vai interagir. Ao seu ver tudo está belíssimo, calmo e iluminado pelo sol
dessa manhã, me conforto com sua perspectiva, sorrindo.
– Todos os seus dias serão assim a partir de agora, eu vou garantir – Ela sorri.
– Eu sei que a conversa aparenta estar agradável – Obedne se aproxima, enganchando em
minha irmã, com um sorriso – mas se importa em me emprestar ela rapidamente?
Assenti com a cabeça.
– Duquesa Gardner – A cumprimento – Como vai depois da lua de mel?
– Ah, muito bem, Senhor Winzel. Satisfeita de que escolhi o marido certo – Ela e minha irmã
trocam olhares – Jimmy me trata como se eu fosse a única mulher no mundo e eu quero ter
certeza de que Six terá a mesma sorte que eu.
– Com você como tutora, tenho certeza que terá.
– É claro, com licença senhor, é preciso ela conhecer as meninas com ela estará lidando
não é mesmo? – Elas vão se afastando, mas minha irmã retorna.
– Já te encontro, porque não tenta descansar enquanto isso? – Ela me dá um abraço
rápido. Arqueio uma sobrancelha a fitando – É sério, sua cara está péssima. Como vai
encontrar uma esposa desse jeito? – Ela me provoca, saindo rindo.
A fito se afastando com o olhar baixo, suspirando cansado novamente. Talvez esteja certa.
Aquele jardim, por mais que fosse um ambiente aberto, com tantas pessoas, se tornava
sufocante. Entro para o palácio, pedindo para algum criado me mostrar o banheiro, queria
levar meu rosto, eu estava quente.
Ele me indica a direção e vou para o banheiro, entrando no local, era grande e amplo para
um simples banheiro, com uma pia em frente a um enorme espelho. Ligo a torneira e deixo
a água fria entrar em contato com meu rosto, diversas vezes, depois me seco com a toalha,
me encarando. Mal faz uma hora que fomos introduzidos na temporada e já sinto que estou
fudido, seco meu cabelos pois molhei eles sem querer.
Escuto a porta sendo aberta e olho em direção, vendo Lawliet entrando, quando ele nota
minha presença, paralisa, ficamos nos encarando, ouvindo apenas a gota da torneira
pingando na pia. Seus olhos vagueiam em volta, ele sorri em linha reta, dando um passo
para trás, indo fechar a porta. Em um impulso, em dois passos rápidos que dou, agarro seu
pulso e o puxo com força para dentro do banheiro, fechando a porta com seu corpo.
– O que faz aqui, filho da puta? – Eu segurava a parte de seu colarinho, o empurrando na
porta, ele ergue as mãos como se a resposta fosse óbvia.
– Eu vim mijar – Meu olhar desdenhoso piora ao ouvir isso e ele sorri – Quer que eu repita
as palavras da rainha?
Meus nervos se embolam em adrenalina e sinto a raiva movimentando meus músculos.
Minha mão troca de posição, apertando seu maxilar, empurrando a sua cabeça contra a
porta.
– No subúrbio, o você cuida das apostas altas, vende seus próprios lutadores, contrabando
ótimas armas – Meus dedos apertam mais seu rosto e seu olhar está fixado no meu – Para
aqui eu descobrir que você faz parte da alta sociedade, é a porra de um duque procurando
uma esposa? – Ergo minhas duas sobrancelhas indignado – Você mentiu.
Lawliet finalmente reage empurrando minha mão e meu corpo para trás, enquanto avança
andando em minha direção, dou passos em tropeços para trás.
– O que você iria fazer com essa informação? Além de me xingar e me bater, não muda
nada para você eu ser um duque.
– Não, mas é estranho, depois de três anos você ouvindo eu reclamar e reclamar sobre
esses merdas sem dizer uma palavra, para eu então vê-lo sendo paparicado pela rainha.
– E você? Senhor Winzel, a família tão rica que será integrada a alta sociedade,