capítulo 2
Critérios Básicos
CAPÍTULO 2
2.1 CRITÉRIOS ENERGÉTICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.1.1 Sistema de Referência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.1.2 Período Crítico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.1.3 Benefícios Energéticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.1.4 Dimensionamento Energético . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.2 CRITÉRIOS DE USOS MÚLTIPLOS DA ÁGUA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
2.2.1 Diagnóstico e Cenário dos Usos Múltiplos da Água na Bacia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
2.3 CRITÉRIOS SOCIOAMBIENTAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.3.1 Área de Estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.3.2 Sistema Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.3.3 Componentes-síntese . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.3.4 Subáreas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
2.3.5 Sensibilidade, Fragilidade e Potencialidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
2.3.6 Avaliação dos Impactos Socioambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
2.3.7 Avaliação Ambiental Integrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.4 CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DE LOCAIS BARRÁVEIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
2.5 CRITÉRIOS DE ARRANJOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
2.6 PARÂMETROS ECONÔMICOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
2.7 CRITÉRIOS PARA DIMENSIONAMENTO E CUSTO DE APROVEITAMENTOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
2.7.1 Dimensionamento de Estruturas e Equipamentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
2.7.2 Estimativa de Custos de Engenharia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
2.7.3 Custos Socioambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
2.8 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DE ALTERNATIVAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
2.8.1 Estudos Preliminares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
2.8.2 Estudos Finais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
2.9 DIVULGAÇÃO E PARTICIPAÇÃO PÚBLICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
2.10 BIBLIOGRAFIA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
O
s Estudos de Inventário têm como critério básico a maximização da eficiência econômico-
energética, em conjunto com a minimização dos impactos socioambientais negativos, consi-
derando-se adicionalmente os impactos socioambientais positivos oriundos da implantação
dos aproveitamentos hidroelétricos na bacia. Conseqüentemente, para sua realização, devem
ser estabelecidos critérios energéticos, econômicos, de usos múltiplos da água, socioambientais e téc-
nicos de engenharia.
Os critérios de natureza energética e econômica referem-se à otimização do aproveitamento do poten-
cial hidroelétrico da bacia estudada, respeitadas as parcelas de queda e de vazão comprometidas com
os outros usos da água. Esses critérios estão relacionados com o objetivo de maximização da eficiência
econômico-energética, que é traduzida na comparação das alternativas pela composição do índice cus-
to/benefício energético (R$/MWh).
Os critérios de usos múltiplos da água referem-se à consideração de outros usos dos recursos hídricos da
bacia, buscando minimizar conflitos e racionalizar a sua utilização por meio da estimativa das parcelas
de queda e de vazão disponíveis para a geração de energia elétrica. Para tal, um diagnóstico deverá ser
elaborado nos Estudos Preliminares de forma a subsidiar a construção de um cenário futuro de uso
múltiplo para a bacia, a ser aplicado nos Estudos Finais.
Os critérios de natureza técnica de engenharia referem-se à utilização de soluções consagradas na con-
cepção dos arranjos dos aproveitamentos, procurando transmitir ao usuário do Manual um conjunto
de informações e procedimentos que, ao final, resultarão no dimensionamento e estimativa de custos e
quantidades de forma simples e rápida. Os custos de obras civis e equipamentos apresentados represen-
tam a média dos preços unitários recentemente praticados pela engenharia nacional. Os equipamentos
incorporam, em termos tecnológicos, o recente desenvolvimento no campo da eletromecânica.
Os critérios de natureza socioambiental referem-se à análise dos impactos socioambientais negativos e
positivos das alternativas de divisão de queda sobre a área de estudo. A análise dos impactos socioam-
bientais negativos está relacionada ao objetivo de minimização destes para subsidiar a escolha da me-
lhor alternativa de divisão de queda. A análise dos impactos socioambientais positivos está relacionada
com a consideração destes na decisão final sobre a alternativa a ser selecionada.
Os critérios socioambientais devem condicionar a formulação das alternativas e a concepção dos aprovei-
tamentos, possibilitando a comparação e a seleção de alternativas através da composição de dois índices
que traduzam a intensidade dos impactos negativos e positivos separadamente sobre a área de estudo.
Sendo um estudo de planejamento setorial, o principal benefício contemplado é a geração de energia
elétrica, obtida por meio da maximização da eficiência econômico-energética da bacia. Entretanto, a
análise dos potenciais impactos positivos é incorporada com o objetivo de explicitar as oportunidades
para o desenvolvimento socioeconômico local e regional decorrentes da implantação dos aproveita-
mentos hidroelétricos. Essa análise visa subsidiar as fases posteriores do ciclo de planejamento destes
aproveitamentos (estudos de viabilidade, projeto básico etc.) e sinalizar as articulações institucionais
necessárias para a concretização dessas potencialidades.
Os impactos socioambientais positivos somente serão incorporados à análise para a seleção da alter-
nativa nos Estudos Finais. Nos Estudos Preliminares, a escolha das alternativas que passarão para os
Estudos Finais deverá continuar a ser orientada pela maximização da eficiência econômico-energética
e pela minimização dos impactos socioambientais negativos, visando eliminar aquelas que não são
competitivas no atendimento de cada um desses dois critérios ou de ambos os critérios.
Deve-se ressaltar que, para a necessária compatibilização desses quatro grupos de critérios, aqueles as-
pectos que estiverem incorporados nos índices custo/benefício sob a forma de custos incorridos para a
implantação (custos de controle e de compensação), não deverão ser contabilizados na composição do
índice de impacto socioambiental negativo. Assim, este índice deverá traduzir apenas as externalidades
MME | Ministério de Minas e Energia 35
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
provocadas pelos processos impactantes negativos deflagrados na área de estudo, como por exemplo, as
mudanças no modo de vida da população atingida ou a perda de habitats naturais, entre outros.
Destaca-se ainda que para as avaliações relativas aos aspectos socioambientais e aos usos múltiplos da
água devem ser consideradas as tendências evolutivas do desenvolvimento socioeconômico da região,
conforme indicado a seguir:
■ Para as avaliações relativas aos usos múltiplos da água na bacia hidrográfica, as projeções deverão
ser elaboradas considerando um horizonte compatível com o Plano Nacional de Recursos Hídricos
(PNRH). O cenário futuro deverá ser construído conforme indicado no item 2.2.
■ Para as avaliações socioambientais a serem realizadas nos Estudos Preliminares e nos Estudos Finais
deverão ser consideradas a situação socioambiental atual da região de estudo e suas tendências evolu-
tivas, definidas no diagnóstico socioambiental, levando em conta as políticas, os planos e programas
de desenvolvimento regional, sejam eles da competência federal, estadual ou municipal, os planos de
recursos hídricos e, ainda, planos e programas dos diversos setores de atividades.
■ Para a Avaliação Ambiental Integrada (AAI) a ser realizada para a alternativa selecionada nos Estudos
Finais deverão ser elaborados cenários de desenvolvimento futuro da região de estudo, segundo as orien-
tações apresentadas no Capítulo 6 e compatíveis com as recomendações apresentadas neste Capítulo 2.
36 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.1 CRITÉRIOS ENERGÉTICOS
A avaliação energética das alternativas em estudo deve considerar os critérios básicos a seguir:
2.1.1 Sistema de Referência
Define-se por sistema de referência o conjunto de usinas geradoras de energia elétrica em relação ao
qual os benefícios energéticos das alternativas de divisão de queda em exame devem ser quantificados.
O sistema de referência deve ser caracterizado como o sistema eletroenergético ao qual os aproveita-
mentos inventariados poderão vir a ser interligados e deverá ser definido pelo poder concedente.
2.1.2 Período Crítico
O período crítico de um sistema de referência é definido como aquele período do histórico hidrológico
em que os reservatórios desse sistema são plenamente utilizados, sem a ocorrência de déficits, conside-
rando-se que, no início do período estão cheios e, ao final do mesmo totalmente deplecionados, sem
reenchimentos totais intermediários. O período crítico a ser adotado nos Estudos de Inventário será
definido pelo poder concedente. Em 2007, à época da edição deste manual, o período crítico adotado
para o Sistema Interligado Nacional correspondia ao período de junho de 1949 a novembro de 1956
(90 meses).
2.1.3 Benefícios Energéticos
Ao ser integrada a um sistema, uma usina hidroelétrica ou um conjunto de usinas hidroelétricas propi-
cia três tipos de benefícios energéticos: energia firme, energia secundária e capacidade de ponta.
A energia firme de um sistema corresponde à maior carga que este sistema pode atender sem ocorrên-
cia de déficits nas piores condições hidrológicas registradas no histórico de afluências naturais.
A energia secundária corresponde à energia disponível apenas em períodos de hidrologia favorável,
podendo ser utilizada no atendimento a consumidores de carga interruptível ou na substituição da
geração de origem térmica, com o objetivo de economizar combustível.
A capacidade de ponta representa a capacidade máxima de produção do sistema durante o intervalo
de tempo correspondente à ponta da carga. Esta capacidade de ponta está relacionada diretamente à
potência instalada das usinas, devendo-se considerar ainda, no seu dimensionamento, a perda devida à
redução da queda quando do deplecionamento do reservatório e/ou elevação do nível do canal de fuga
e as taxas de saídas programadas e forçadas.
Nos Estudos de Inventário, a energia firme representa a variável mais importante na análise dos be-
nefícios de uma alternativa. Pelo critério adotado neste Manual, a energia secundária não é conside-
rada nesta etapa, basicamente devido ao alto grau de incerteza quanto ao seu efetivo aproveitamento.
Entretanto, esta poderá vir a ser utilizada se o poder concedente achar pertinente, ficando a cargo deste
definir a metodologia de cálculo. Por outro lado, em sistemas hidrotérmicos eletricamente isolados, a
consideração da energia secundária pode ser decisiva no dimensionamento apropriado dos aproveita-
mentos hidroelétricos.
MME | Ministério de Minas e Energia 37
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
A inclusão dos benefícios de ponta é feita de forma indireta. Todos os projetos são pré-dimensionados
para um fator de capacidade de referência comum (item 2.1.4), garantindo-se que a comparação de
seus benefícios energéticos seja feita de forma homogênea sob o ponto de vista dos correspondentes
benefícios de ponta.
Energia Firme
Nos Estudos de Inventário, a energia firme de uma usina ou de um conjunto de usinas é a energia
média gerada pela usina, ou pelo conjunto de usinas, obtida em simulações da operação do sistema ao
longo do período crítico do sistema de referência, conforme descrito no item 5.3.1. Na fase de Estudos
Preliminares se pode usar estimativas expedidas, obtidas através do uso das fórmulas apresentadas nos
itens 4.6.1 e 4.6.2.
Ganho de Energia Firme
O ganho de energia firme, associado a uma usina ou a um conjunto de usinas, é o acréscimo na energia
firme proporcionado pela adição desse projeto, ou conjunto de projetos, ao conjunto de aproveitamen-
tos da bacia. Em geral, este acréscimo é maior ou igual à energia firme dos aproveitamentos analisados,
já que a adição de projetos pode proporcionar acréscimos de energia firme em outros aproveitamentos
da bacia devido aos seus reservatórios de regularização. Caso os projetos em referência afoguem outras
usinas poderá haver perda de energia para aquelas imediatamente a montante.
Assim como a energia firme, o ganho de energia firme deve ser obtido através de simulações da opera-
ção do sistema ao longo do período crítico do sistema de referência, conforme descrito no item 5.3.1,
podendo-se, na fase de Estudos Preliminares, usar estimativas expeditas, obtidas através da aplicação
das fórmulas apresentadas no item 4.6.3.
Valor Limite de Ganho de Energia Firme
Antes do início dos trabalhos, deve ser estabelecido o valor mínimo do ganho de energia firme de um
aproveitamento qualquer, abaixo do qual o aproveitamento não será considerado na composição de
uma alternativa. Esse valor será variável para diferentes regiões e sistemas de referência, devendo ser
definido pelo poder concedente.
2.1.4 Dimensionamento Energético
O dimensionamento energético de um aproveitamento requer a determinação da depleção máxima do
reservatório, da potência instalada e da queda de referência. A potência instalada corresponde à capa-
cidade total dos geradores. A queda de referência corresponde à queda líquida na qual as turbinas com
seus distribuidores totalmente abertos irão fornecer a potência instalada. Em geral, os valores ótimos
destes parâmetros para um certo aproveitamento dependem da alternativa de divisão de queda na qual
ele se integra. No entanto, em Estudos de Inventário, não é necessário considerar para cada aprovei-
tamento os diversos dimensionamentos obtidos em cada alternativa de divisão de queda, podendo-se
tomar como base apenas o dimensionamento energético da alternativa de divisão de queda na qual
o aproveitamento apresenta a sua maior potência instalada. Esta aproximação é aceita quando os di-
mensionamentos não forem muito diferentes. Quando duas alternativas levarem a dimensionamentos
muito diferentes para um mesmo projeto, recomenda-se que sejam analisados dois projetos distintos
no mesmo local barrável.
Depleção Máxima
No desenvolvimento do potencial hidroelétrico de uma bacia deve ser prevista, sempre que possível,
a construção de aproveitamentos com capacidade de armazenamento, de forma que se possa obter
energia durante os períodos mais secos a partir do uso da água armazenada durante os períodos hi-
38 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
drologicamente mais favoráveis. Por outro lado, o excessivo deplecionamento dos aproveitamentos se
reflete em perda de queda e, portanto, na capacidade de geração. A fixação da depleção máxima, ou do
volume útil, de cada aproveitamento deve ser feita por processo de otimização, tendo como base o ga-
nho de energia firme do aproveitamento quando integrado na alternativa de divisão de queda tomada
como base de dimensionamento energético. Entretanto, atenção especial deve ser dada ao tempo de
reenchimento dos reservatórios, que devem ser limitados a, no máximo, 36 meses do término do perí-
odo crítico. Os procedimentos para esta verificação, nos Estudos Preliminares e Estudos Finais, estão
descritos nos itens 4.6.6 e 5.3.4 respectivamente.
Queda de Referência para Estudos de Inventário
Para fins de Inventário, por simplificação, considera-se como queda de referência a queda líquida
média do aproveitamento, definida pela diferença do nível médio do reservatório e o nível d’água no
canal de fuga no valor correspondente a uma vazão 10% maior que a vazão média ao longo do período
crítico do sistema de referência ou ao nível d’água máximo normal do reservatório de jusante, quando
este último é superior ao anterior, descontadas as perdas hidráulicas (item 4.6.1). Quando utilizados
modelos de simulação energética, o nível d’água no canal de fuga, para cálculo da queda de referência,
será o valor correspondente ao canal de fuga médio do aproveitamento ao longo do período crítico do
sistema de referência.
Fator de Capacidade de Referência (Fk)
De forma a garantir que a comparação dos benefícios energéticos dos projetos seja feita de forma ho-
mogênea, sob o ponto de vista dos benefícios de ponta, o dimensionamento de cada projeto é feito
considerando um mesmo fator de capacidade de referência. O fator de capacidade de referência re-
presenta a relação entre a soma da energia firme dos aproveitamentos do sistema de referência e a sua
respectiva potência instalada.
O fator de capacidade pode ser calculado utilizando-se a seguinte expressão:
Fk = fc*(1-Pp)*(1-r)/(1-Pe) ([Link])
Onde:
fc Fator de carga do mercado a ser suprido pelo sistema de referência
Pp Fator de perdas de ponta no sistema de transmissão
Pe Fator de perdas de energia no sistema de transmissão
r Fator de reserva de geração, igual a 15%
Na ausência de melhores informações, recomenda-se usar o valor de 55% para Fk.
Potência Instalada (Pi)
É obtida aplicando-se o fator de capacidade de referência à energia firme do aproveitamento, quando
integrado na alternativa de divisão de queda tomada como base de dimensionamento energético, con-
forme mostra a expressão a seguir:
E fi
Pi = ([Link])
Fk
Queda Líquida Média
O dimensionamento energético de um aproveitamento deve garantir a produção da potência instalada,
com o distribuidor das turbinas totalmente aberto na situação de queda líquida média, correspondente
a um deplecionamento do reservatório representativo da operação do aproveitamento durante o pe-
ríodo crítico do sistema de referência. A queda líquida média deve ser obtida pela média das quedas
MME | Ministério de Minas e Energia 39
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
líquidas verificadas para o aproveitamento em questão em estudos de simulação da operação do sistema
ao longo do período crítico do sistema de referência, conforme item 5.3.1, considerando-se a alter-
nativa de divisão de queda tomada como base de dimensionamento energético. Na fase de Estudos
Preliminares podem-se usar estimativas expeditas obtidas mediante o uso das fórmulas apresentadas
no item 4.6.1.
40 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.2 CRITÉRIOS DE USOS MÚLTIPLOS DA ÁGUA
De acordo com a Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997, a Política Nacional de Recursos Hídricos ba-
seia-se, entre outros, no fundamento de que a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar
o uso múltiplo das águas. Os Estudos de Inventário Hidroelétrico, apesar de não terem a abrangência
e detalhamento de um plano de bacias, têm que, obrigatoriamente, considerar nos Estudos Finais, na
avaliação e comparação das diversas alternativas de divisão de queda, os usos múltiplos da água e sua
interação com a proposta de aproveitamento energético, com o objetivo de minimizar os conflitos,
buscando racionalizar a utilização dos recursos disponíveis. Com este fim, deverão ser identificados os
usos atuais e definido um cenário, correspondente a uma visão de longo prazo, para a utilização múlti-
pla da água na bacia. É sobre este cenário que os benefícios energéticos e os impactos socioambientais
positivos e negativos das alternativas serão avaliados. Os pressupostos utilizados para a construção do
cenário de usos múltiplos servirão de subsídio para a elaboração dos cenários a serem utilizados na
avaliação ambiental integrada da alternativa selecionada (Capítulo 6).
2.2.1 Diagnóstico e Cenário dos Usos Múltiplos da Água na Bacia
Para a definição do cenário de usos múltiplos da água de longo prazo, compatível com o Plano Nacional
de Recursos Hídricos, deve ser elaborado, inicialmente, um diagnóstico da situação atual dos diversos
usos da água na bacia hidrográfica em estudo, utilizando-se os dados e as informações existentes.
A partir daí, elabora-se um cenário, compatível com o horizonte do PNRH. Este cenário futuro deverá
ter, como critério de construção, o princípio da razoabilidade para a adoção das projeções dos diver-
sos usos da água na bacia. Outrossim, na análise dos planos setoriais existentes deve ser observado o
princípio da factibilidade. Registre-se que a construção do cenário, por ser de caráter eminentemente
subjetivo, necessita ser motivada e justificada, em especial quando os planos existentes não venham a
ser integralmente seguidos.
Para tanto, deve-se tomar como base as informações levantadas no Planejamento dos Estudos (item
3.1.3), especialmente: a) as estimativas de usos consuntivos da água elaborados pela Agência Nacional
de Águas (ANA) e pelos demais órgãos estaduais outorgantes de recursos hídricos; b) o Plano Nacional
de Recursos Hídricos, os Planos Estaduais de Recursos Hídricos e os planos de recursos hídricos de ba-
cias hidrográficas; c) os planos diretores de desenvolvimento integrado, programas de irrigação, estudos
de navegação, de controle de cheias e de abastecimento da água humano, animal e industrial; d) os usos
não consuntivos, tais como turismo, lazer, preservação cênica e áreas de proteção ambiental, procuran-
do-se obter um retrato realista e compatibilizado das possibilidades de desenvolvimento da bacia.
MME | Ministério de Minas e Energia 41
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.3 CRITÉRIOS SOCIOAMBIENTAIS
Os critérios adotados para os estudos socioambientais adequam os instrumentos metodológicos e pro-
cedimentos usuais de Avaliação de Impacto Ambiental aos requisitos e especificidades dos Estudos de
Inventário Hidroelétrico. São utilizados, ainda, os procedimentos relativos aos estudos de Avaliação
Ambiental Integrada. Esses critérios, a seguir apresentados, deverão orientar a sistematização do co-
nhecimento sobre as principais questões socioambientais, a identificação de fragilidades ambientais e
de potencialidades socioeconômicas, bem como as principais sinergias e cumulatividades resultantes da
implantação da alternativa de divisão de queda selecionada. Deverão, ainda, influenciar a concepção
dos aproveitamentos e a formulação das alternativas de divisão de queda, fornecer informações para a
estimativa dos custos do empreendimento e possibilitar a comparação e seleção das alternativas dentro
de um enfoque multiobjetivo.
Os estudos socioambientais devem apontar em seus resultados as diretrizes para futuros estudos, para o
processo de licenciamento ambiental, para a implantação dos projetos hidroelétricos e, em particular,
as questões a serem melhor enfocadas durante a etapa de viabilidade.
2.3.1 Área de Estudo
A área de estudo deverá ser delimitada de modo a possibilitar a análise dos processos socioambientais
inerentes à bacia hidrográfica inventariada, a qual deverá estar incluída em sua totalidade. Deve ainda
possibilitar a identificação e avaliação dos processos impactantes gerados pelo desenvolvimento do seu
potencial hidroelétrico.
Os limites da área de estudo deverão ser definidos na etapa de Planejamento, sendo passíveis de ajustes
durante o desenvolvimento dos trabalhos. Na sua definição deverão ser respeitadas as especificida-
des dos processos socioambientais contemplados que, com freqüência, não se restringem a limites
fisiográficos.
2.3.2 Sistema Ambiental
Entende-se por sistema ambiental o conjunto dos elementos existentes na área de estudo, incluindo
seus atributos ou qualidades, as funções que exercem nos processos e suas interações.
A análise do sistema ambiental requer a consideração dos seus processos físico-bióticos, sociais, cultu-
rais, econômicos e políticos, bem como das suas inter-relações e de seus rebatimentos espaciais, o que
requer um enfoque multi e interdisciplinar.
2.3.3 Componentes-síntese
Para representação do sistema ambiental adota-se uma estrutura analítica composta por seis com-
ponentes, aqui denominados componentes-síntese: Ecossistemas Aquáticos (e recursos hídricos),
Ecossistemas Terrestres, Modos de Vida, Organização Territorial, Base Econômica e Povos Indígenas/
Populações Tradicionais.
Estes componentes-síntese são estruturados a partir da inter-relação entre vários elementos do sistema
ambiental. Sua definição conceitual e a estruturação de seu conteúdo analítico têm como premissas:
42 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
■ Possibilitar a compreensão da globalidade dos processos segundo os quais os elementos socioambien-
tais interagem.
■ Colocar em evidência as questões de maior relevância que emergem das interações aproveitamento
hidroelétrico/alternativa-área de estudo.
■ Conferir seletividade ou poder de diferenciação na comparação entre alternativas de divisão de
queda.
O termo “síntese” é utilizado com a finalidade de expressar o grau de articulação entre os diversos ele-
mentos ambientais que constituem um componente-síntese, aqui denominados elementos de carac-
terização, proporcionando uma noção de conjunto dos processos envolvidos em seu campo de análise.
Destaca-se, nesse sentido, que existem elementos de caracterização que estão presentes em mais de
um componente, assumindo diferentes funções nos processos inerentes a cada um deles. Tais elemen-
tos não estão agrupados segundo as categorias tradicionais dos estudos socioambientais (meio físico,
biótico e antrópico); ao contrário, cada componente-síntese pode representar a síntese de elementos de
caracterização dessas três categorias.
Processos e Atributos Físicos
Processos e atributos físicos são elementos integrantes dos componentes-síntese. Suas interrelações e
características permanentes ou temporárias são estáveis, constituindo-se no elemento mantenedor e in-
teragente das relações biológicas e antrópicas. Deve ser observado que os Processos e Atributos Físicos,
por promoverem o suporte e a articulação entre os processos socioambientais, não estão sendo consi-
derados como um componente destacado, constituindo-se, entretanto, nos elementos básicos para as
análises dos seis componentes-síntese adotados.
2.3.4 Subáreas
Os estudos realizados na etapa de diagnóstico devem levar à compartimentação espacial do quadro re-
ferencial de cada componente-síntese na área de estudo em subunidades, aqui denominadas subáreas,
mediante a análise de suas características de similaridade ou diferenciação. As subáreas são definidas como
recortes territoriais contínuos que apresentam relações e processos particulares que as distinguem das
demais e que determinam sua relação com a dinâmica do componente-síntese na área de estudo como
um todo. A utilização deste procedimento metodológico permite obter a base para a identificação dos
impactos de cada aproveitamento e de sua interação com os componentes-síntese em cada subárea, bem
como a visão do conjunto dos impactos dos aproveitamentos localizados em cada subárea e daqueles que
extrapolam os limites dessas áreas.
2.3.5 Sensibilidade, Fragilidade e Potencialidade1
■ Sensibilidade de uma área pode ser definida como “a propriedade de reagir que possuem os sistemas am-
bientais e os ecossistemas, alterando o seu estado de qualidade, quando afetados por uma ação humana”.2 Neste
Manual, este termo está sendo utilizado com a finalidade de identificar e espacializar as áreas mais sensíveis
das subáreas da bacia hidrográfica, de modo a expressar a integridade dos recursos naturais, os aspectos
qualitativos da paisagem e as diferentes situações socioeconômicas em diferentes graus de sensibilidade.
1 Foram adotadas as definições apresentadas nos estudos de AAI da Bacia do Rio Doce, EPE/Sondotécnica, 2007.
2 Iara Verocai, 1990, Vocabulário Básico de Meio Ambiente. RJ, apud EPE/Sondotécnica – AAI do Rio Doce, 2007.
MME | Ministério de Minas e Energia 43
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
■ Fragilidade de uma área pode ser definida como “o grau de suscetibilidade ao dano, ante a incidência de
determinadas ações”.3 Neste Manual, este termo está sendo utilizado para identificar e localizar situações
de ocorrência de impactos relacionados à implantação de empreendimentos hidroelétricos em áreas
caracterizadas como sensíveis. Esta identificação será realizada na AAI da alternativa selecionada.
■ Potencialidade de uma área está associada à existência de aspectos suscetíveis a transformações bené-
ficas em decorrência da implantação dos empreendimentos hidroelétricos, ou seja, que representam
oportunidades para promover o desenvolvimento das condições socioeconômicas da área de estudo.
2.3.6 Avaliação dos Impactos Socioambientais
A avaliação dos impactos socioambientais tem por objetivo subsidiar a comparação e seleção das alter-
nativas de divisão de queda, e indicar as principais questões soioambientais relacionadas aos aproveita-
mentos e ao conjunto de aproveitamentos.
Na análise dos impactos socioambientais de uma alternativa de divisão de queda, consideram-se todos
os aproveitamentos implantados simultaneamente.
Os critérios adotados para orientar a avaliação dos impactos e a obtenção dos índices socioambientais,
para fins dos estudos propostos, estão indicados a seguir:
■ Impacto socioambiental negativo: alteração potencialmente desfavorável causada por um aprovei-
tamento ou conjunto de aproveitamentos sobre um componente-síntese ou sobre o sistema socioam-
biental, tendo-se como referência a situação atual da área de estudo e suas tendências evolutivas.
A avaliação dos impactos socioambientais negativos deve contemplar a identificação das alterações des-
favoráveis e das ações que evitem a ocorrência total ou parcial dos impactos (controle), das ações que
reduzam as conseqüências dos impactos (mitigação) e das ações que compensem os impactos quando
a reparação é impossível (compensação). Essas ações serão traduzidas em custos a serem efetivamente
internalizados no custo de implantação do aproveitamento, como custos socioambientais (item 2.7.3).
Os impactos socioambientais negativos sobre os quais não é possível haver controle, ou os impactos
residuais quando da existência de controle, compensação ou mitigação (custos de degradação), serão
avaliados e traduzidos em um índice de impacto socioambiental negativo que será associado ao objeti-
vo “minimizar os impactos socioambientais negativos”.
■ Impacto socioambiental positivo: alteração potencialmente favorável causada por um aproveitamento
ou conjunto de aproveitamentos, tendo-se como referência a situação atual da área de estudo e suas ten-
dências evolutivas. Deverão ser considerados impactos relacionados somente aos aspectos socioeconômi-
cos para os quais a implantação dos aproveitamentos hidroelétricos possa aportar contribuições favoráveis
para o desenvolvimento da socioeconomia local e regional, conforme descrito no item 5.4.2.
A avaliação dos impactos socioambientais positivos deve contemplar a identificação das alterações fa-
voráveis, sendo avaliados e traduzidos em um índice de impacto socioambiental positivo a ser utilizado
para a seleção final da alternativa de divisão de queda. Esta avaliação só será realizada na etapa dos
Estudos Finais.
As alterações causadas pelo meio ambiente sobre os aproveitamentos deverão, sempre que possível, ser
identificadas para subsidiar o projeto de engenharia. Entretanto, observa-se que não serão consideradas
para a composição dos índices socioambientais.
3 Angel Ramos, 1987, apud Iara Verocai. Vocabulário Básico de Meio Ambiente. RJ, 1990, apud EPE/ Sondotécnica – AAI do
Rio Doce, 2007.
44 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
■ Processo impactante: Consiste em um conjunto de alterações potencialmente desencadeadas por um
aproveitamento ou conjunto de aproveitamentos sobre os processos naturais e sociais preexistentes na
área de estudo; a um determinado processo impactante, vinculam-se impactos ambientais inter-rela-
cionados ao nível de componente-síntese.
■ Indicador de impacto: É o instrumento que norteia a avaliação dos impactos socioambientais de
um aproveitamento ou conjunto de aproveitamentos sobre um componente-síntese, determinando
o enfoque da análise. Os indicadores são a combinação de uma ou mais variáveis, aqui denominados
elementos de avaliação, para caracterizar um ou mais efeitos esperados para um local ou locais na
bacia hidrográfica.
O indicador de impacto é construído a partir da identificação genérica dos principais processos impac-
tantes, organizando-se os dados sob a forma de elementos de avaliação. Estes guardam correspondên-
cia com os elementos de caracterização definidos anteriormente.
Os elementos de caracterização como os elementos de avaliação estão sugeridos, respectivamente, nos
itens 4.3 e 4.8 e visam o atendimento geral às situações das diversas regiões do País, devendo haver
seleção e/ou complementação das informações a serem consideradas em cada estudo específico.
Os elementos de avaliação selecionados para a construção dos indicadores de impacto em cada caso
deverão ser capazes de conferir diferenciação entre as alternativas comparadas, sem que haja com-
prometimento da noção de conjunto dos processos ambientais envolvidos. É também fundamental
buscar-se um equilíbrio satisfatório entre elementos de avaliação de natureza quantitativa e qualitativa,
de modo a não serem privilegiados na análise somente os aspectos mais facilmente quantificáveis. Os
elementos de avaliação devem também ser capazes de destacar os processos que envolvem cumulativi-
dade e sinergia.
■ Critérios de avaliação: Para cada um dos indicadores deverão ser definidos os critérios de avaliação
que irão orientar a atribuição dos graus de impacto.
■ Índice socioambiental: É o valor numérico que expressa a intensidade do impacto socioambiental,
variando em uma escala contínua desde zero (mínimo impacto) até um (máximo impacto).
O índice de impacto socioambiental negativo de um aproveitamento ou conjunto de aproveitamentos
é resultante da avaliação dos impactos negativos sobre um componente-síntese. Por sua vez, o índice
socioambiental negativo de uma alternativa de divisão de queda, relativo a esse mesmo componente-
síntese, será obtido por meio da combinação dos índices socioambientais negativos dos aproveitamen-
tos ou conjunto de aproveitamentos que compõem a alternativa, segundo procedimentos definidos nos
itens 4.8, 4.11.2, 5.4 e 5.8.2.
O índice de impacto socioambiental negativo de uma alternativa expressa o seu impacto negativo total
sobre a área de estudo, traduzindo, portanto, o seu grau de atendimento ao objetivo de minimização
dos impactos socioambientais. Para a obtenção desse índice, devem ser agregados os índices socioam-
bientais negativos relativos a todos os componentes-síntese, também segundo procedimentos e meca-
nismos definidos nos itens 4.11.2 e 5.8.2.
O índice de impacto socioambiental positivo relativo aos aspectos do sistema socioambiental selecio-
nados para a análise será calculado diretamente para as alternativas de divisão de queda selecionadas
para os Estudos Finais, segundo os procedimentos e mecanismos definidos no item 5.4.2, que já con-
sideram os efeitos cumulativos e sinérgicos na avaliação. O índice de impacto socioambiental positivo
de uma alternativa é composto pela agregação dos índices relativos a cada um dos aspectos, de modo
a expressar o impacto socioambiental positivo total sobre a área de estudo, de acordo com os procedi-
mentos definidos no item 5.8.3, devendo ser utilizado para a escolha final da alternativa de divisão de
queda.
MME | Ministério de Minas e Energia 45
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
Impactos Cumulativos e Sinérgicos
Cumulatividade e sinergia são causadas pela combinação de uma ou mais ações antrópicas com outra(s)
passada(s), presente(s) ou futura(s) potencializando alterações ao meio ambiente. Os impactos cumu-
lativos resultam da interação aditiva dessas alterações em um dado espaço ao longo do tempo. Os
impactos são considerados sinérgicos quando o resultado destas interações acarretam uma alteração em
um dado espaço diferente da simples soma das alterações.
Os impactos cumulativos e sinérgicos devem considerar prioritariamente aquelas alterações de na-
tureza permanente, já que os impactos temporários extinguem-se ao longo do tempo, reduzindo a
cumulatividade.
2.3.7 Avaliação Ambiental Integrada
A alternativa de divisão de queda selecionada nos Estudos Finais deverá ser objeto de uma Avaliação
Ambiental Integrada com o objetivo de destacar os efeitos cumulativos e sinérgicos resultantes dos
impactos socioambientais negativos e positivos ocasionados pelo conjunto de aproveitamentos que a
compõem, identificados durante a elaboração dos Estudos Preliminares e incorporados na seleção da
alternativa nos Estudos Finais. Esta avaliação busca identificar as áreas de fragilidade e de potencia-
lidade da bacia estudada e deverá envolver a elaboração dos cenários futuros de desenvolvimento da
bacia, conforme descrito no item 6.5. Como resultado, deverão ser elaboradas diretrizes a serem in-
corporadas nos futuros estudos socioambientais dos aproveitamentos hidroelétricos, visando subsidiar
o processo de licenciamento ambiental, bem como as recomendações para a implantação dos futuros
aproveitamentos.
46 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.4 CRITÉRIOS PARA ESCOLHA DE LOCAIS
BARRÁVEIS
Na pesquisa dos possíveis locais barráveis, devem ser observados com especial interesse todos os trechos
em corredeiras e quedas de água, além de todos os locais que apresentem estreitamentos acentuados do
vale. Igualmente, deverão receber atenção as limitações impostas pelas condicionantes físicas e restri-
ções socioambientais.
Em cada eixo de barragem deve-se determinar o maior nível de água que o reservatório pode atingir.
Esses locais devem ser caracterizados em plantas e perfis dos rios, que servirão de base para a for-
mulação das possíveis alternativas de divisão de queda. Os critérios a serem adotados em cada caso
dependerão da avaliação técnica dos parâmetros topográficos, geológicos, geotécnicos, hidrológicos e
socioambientais.
MME | Ministério de Minas e Energia 47
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.5 CRITÉRIOS DE ARRANJOS
Cada sítio escolhido para uma usina hidroelétrica é único, com condições topográficas, geológicas
e hidrológicas particulares. Assim como nenhum local é igual a qualquer outro, a concepção de um
determinado arranjo é uma arte, normalmente resultado de um processo iterativo, onde várias opções
são concebidas, dimensionadas e orçadas para chegar à melhor solução. Por definição, o melhor arranjo
para um determinado aproveitamento hidroelétrico é aquele que consegue posicionar todos os ele-
mentos do empreendimento de maneira a combinar a segurança requerida pelo projeto e as facilidades
de operação e manutenção com o custo global mais baixo. Entretanto, com o objetivo de padronizar,
onde for possível, as soluções desenvolvidas para diferentes locais, procura-se definir um conjunto de
critérios básicos que representam a maioria das soluções utilizadas no Brasil. A principal recomendação
em Estudos de Inventário é a adoção de arranjos conservadores que se mantenham robustos.
Elementos do Arranjo Geral
Inicialmente é importante listar os vários elementos que podem compor o arranjo geral de um apro-
veitamento hidroelétrico:
■ Barragem – É uma estrutura em solo ou concreto construída no vale do rio, da ombreira de uma
margem para a da outra, com o objetivo de elevar o nível de água do rio até o nível máximo normal
do reservatório.
■ Dique – É uma estrutura usualmente em solo que fecha eventuais selas topográficas, a fim de evitar
fugas da água do reservatório.
■ Sistema de desvio do rio – Em geral, fica localizado junto à barragem com o objetivo de desviar as
águas do rio por meio de canal, galerias, adufas, túneis ou mesmo estrangulamento do leito do rio de
modo a permitir a construção das estruturas localizadas no leito do rio a seco.
■ Circuito de geração – Constituído por canais, tomadas d’água, condutos ou túneis de adução de baixa
pressão, eventuais chaminés de equilíbrio ou câmaras de carga, condutos ou túneis forçados de alta
pressão, casa de força externa ou subterrânea e canal ou túneis de fuga. O circuito de geração tem por
finalidade aduzir a água para a transformação de energia mecânica em energia elétrica.
■ Estrutura de vertimento – Composto de canal de aproximação, vertedor com ou sem controle (com-
portas), dissipador de energia e canal de restituição. Como no caso do circuito de geração, as obras
das estruturas de vertimento podem ficar localizadas junto ou distante da barragem, dependendo das
características particulares do sítio em estudo.
■ Descarregador de fundo – Estrutura dotada de comportas ou válvulas para liberar as águas para ju-
sante da barragem.
■ Sistema de transposição de desnível – São estruturas que permitem a transposição de cargas ou
passageiros transportados pela via navegável, superando o desnível decorrente da implantação da
barragem.
■ Sistema de transposição de fauna aquática migratória – São estruturas que permitem a transposição
da fauna aquática, superando o desnível decorrente da implantação da barragem.
Barragem
A localização do eixo da barragem e do circuito de geração é um dos critérios mais importantes para a
escolha do arranjo mais econômico em rios que tem desníveis concentrados, como saltos, cachoeiras
ou corredeiras. Em geral, nestes casos, o eixo da barragem deve ficar localizado à montante da queda
concentrada de maneira a reduzir a altura e, portanto, o custo da barragem.
48 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
■ Tipos de barragem – No nível dos Estudos de Inventário, as alternativas para o tipo de barragem a ser
escolhido dependem muito da topografia do sítio e das condições geotécnicas das fundações do eixo,
além da disponibilidade dos materiais naturais de construção perto da obra. Como nessa fase são ha-
bitualmente executados sondagens a trado, poços de inspeção e eventualmente, sondagens geofísicas,
as informações geotécnicas disponíveis sobre as reais condições das fundações são muito limitadas. Por
esta razão, devem ser previstos arranjos com barragens tradicionais, não devendo, portanto, ser empre-
gados outros tipos de barragens, tais como de concreto em arco, abóbadas ou contraforte. As barragens
de enrocamento com face de concreto podem ser consideradas desde que não existam dúvidas sobre a
qualidade das fundações em rocha sã para as fundações do plinto.
■ Parâmetros geomecânicos da fundação – Como critério geológico mais importante, em princípio,
as fundações da barragem devem ter parâmetros geomecânicos iguais ou melhores do que os mesmos
parâmetros do maciço da barragem. Seguindo este critério, barragens de concreto, convencional ou
compactado a rolo, por exemplo, não devem ser fundadas em solo ou rocha decomposta, mas somente
em rocha sã de boa qualidade. Da mesma forma, as barragens de enrocamento podem ter fundações
em rocha alterada com condições de suporte adequadas.
■ Permeabilidade da fundação – Quanto à permeabilidade das fundações, normalmente para os aterros
em solo homogêneo é necessário prever a construção de uma trincheira de vedação atingindo um ho-
rizonte impermeável na fundação. Para as barragens de enrocamento, com núcleo de argila central ou
inclinado, essa trincheira deve ser uma continuação do núcleo, descendo até atingir o topo da rocha sã.
■ Balanceamento de materiais – Outro critério geotécnico importante é o que busca o balanceamento
entre as escavações requeridas para as estruturas e os volumes de rocha e solo para os aterros e para os
materiais destinados à utilização como agregados na composição do concreto. Como, entretanto, este
equilíbrio depende do fluxo real de construção, pode haver necessidade de estocagem intermediária ou
utilização de jazidas adicionais.
Estes fatores provocam acréscimos de custo que distorcem as estimativas originais. Por esta razão é
recomendável que se procure arranjos flexíveis, prevendo uma perda na utilização do material das
escavações requeridas da ordem de 10% a 20%, conforme o tamanho da obra. A necessidade de movi-
mentação desse material de uma margem para outra deve ser igualmente considerada.
■ Aspectos construtivos – Um outro critério geotécnico importante é o que diz respeito à viabilidade
construtiva da barragem. Como exemplo disso, barragens de aterro homogêneo ou de enrocamento,
com núcleo de argila, não devem ser previstas em regiões onde existe a possibilidade de chuvas ao longo
de todo ano.
Desvio do Rio
O sistema de desvio do rio deve ser projetado com capacidade para escoar a cheia de projeto. A sua
escolha depende das características do arranjo, como tipo, altura e comprimento da barragem, tipo do
vertedouro, que são concebidos em função da topografia particular do sítio, além da ordem de grande-
za da vazão de projeto e das condições geológicas da região.
Geralmente, a definição do sistema de desvio está na escolha do tipo de estrutura para escoar a cheia
prevista (item 4.1.2) para a 2a fase do desvio. A 1a fase do desvio, quando necessária, é composta de
ensecadeiras que servem para a construção da estrutura da 2a fase.
Desvio do rio por adufas é, em geral, a solução mais econômica e por isso a preferível. Construídas
na barragem de concreto ou na ogiva do vertedouro, as adufas são características de vales largos.
Tipicamente, em uma primeira etapa, o rio é estrangulado por uma ensecadeira longitudinal, a
de 1a fase, que enseca uma seção do rio para permitir a construção da barragem ou vertedouro onde
serão instaladas as adufas. Em uma segunda etapa, após completar a parte necessária da estrutura de
desvio, o rio é desviado para as adufas fechando-se o estrangulamento do rio com ensecadeiras de 2a
MME | Ministério de Minas e Energia 49
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
fase, enquanto se completam as obras, barragem e/ou vertedouro neste novo trecho ensecado. Em que
pese a logística complicada, o uso de estrutura definitiva para desvio e a diminuição no cronograma
compensam a colocação e remoção de ensecadeiras.
Arranjos com vertedouros de encosta são associados a desvio por túneis, sendo concebidos em vales
estreitos. Os túneis, juntamente com os canais de aproximação e restituição são construídos, em geral,
sem necessidade de ensecadeiras. Uma vez terminada a sua construção, o leito do rio é fechado e é
iniciada a construção da barragem. No caso de barragens com estrutura de desvio através de túneis, é
interessante verificar a viabilidade econômica de utilização destes como descarregadores de fundo, com
o objetivo de reduzir os custos na construção do sistema de vertimento.
Figura 2.5.01 – Arranjo típico em vale estreito (UHE Foz do Areia-
Governador Bento Munhoz da Rocha).
Galerias são, em regra geral, recomendadas para locais com vazões de projeto baixas e quando houver
espaço na parte baixa da ombreira para serem construídas a seco ou sem condições geológicas de se
fazer túneis.
Figura 2.5.02 – Arranjo
típico da UHE Picada.
50 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
Um caso particular de arranjo em vale largo e com barragem baixa, quando a altura da ogiva do verte-
douro é insuficiente para ter instalada adufas, é fazer o desvio em duas fases mas com desvio de 2a fase
por sobre ogivas, arrasadas ou não, do vertedouro.
Figura 2.5.03 – Arranjo típico em vale
aberto (UHE Tucuruí).
Estruturas de Vertimento
As estruturas de vertimento devem ser projetadas para escoar a cheia de projeto (item 4.1.2) sem so-
bre-elevação do nível de água máximo normal do reservatório e o amortecimento do pico da cheia.
Esta restrição é atenuada na fase de viabilidade quando estiverem disponíveis mais informações sobre
os reservatórios, as cheias e suas possibilidades de laminação. Os vertedores devem ser, sempre que
possível, de superfície livre ou controlados por comportas tipo segmento. Normalmente não devem ser
considerados vertedores de emergência, tipo fusível ou outros, visando reduzir a capacidade requerida
dos órgãos de descarga da cheia. Estas restrições são revistas na fase de viabilidade, quando estiverem
disponíveis mais e melhores informações sobre a topografia do reservatório e do local das estruturas,
das cheias e das condições geológicas das fundações. Quando há espaço, emprega-se vertedouro com
ogiva alta e, em caso contrário, vertedouro de encosta.
Para arranjos com trechos de vazão reduzida entre a barragem e o canal de fuga devem ser previstos
descarregadores ou válvulas de fundo para garantir as vazões ecológicas ou sanitárias. A utilização de
descarregadores de fundo somente deve ser considerada se condicionamentos de jusante requererem
descargas em condições que não possam ser atendidas pelo vertedor de superfície.
Circuito de Geração
O circuito de geração deve ser desenvolvido de maneira a localizar a casa de força ou canal de fuga à
jusante da queda concentrada de modo a aproveitar ao máximo a queda no aproveitamento. A seguir,
procura-se reduzir o comprimento total do circuito de maneira a encontrar a solução mais prática e
econômica. De muita importância é a necessidade de reduzir a extensão do trecho sujeito às pressões
mais altas, uma vez que o custo por metro destes trechos é, em geral, muito elevado, seja em condutos
forçados na superfície ou em túneis forçados. Nos Estudos de Inventário, onde não há maiores infor-
mações disponíveis sobre as reais condições geotécnicas do subsolo, devem ser evitadas obras subterrâ-
neas de vulto, como túneis de adução longos, chaminés de equilíbrio subterrâneas, condutos forçados
em túnel e casas de força subterrâneas.
Sistema para Transposição de Desnível
Quando os estudos indicarem que o rio é propício à navegação, os dispositivos de transposição de
desnível devem ser previstos, desde o início dos estudos, observando os critérios da área de transportes
sobre o arranjo.
MME | Ministério de Minas e Energia 51
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
Sistema de Transposição de Fauna Aquática Migratória
Quando os estudos indicarem que há necessidade de estruturas de transposição de fauna aquática mi-
gratória, essas devem ser previstas no arranjo.
52 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.6 PARÂMETROS ECONÔMICOS
Os parâmetros econômicos utilizados nos Estudos de Inventário são apresentados a seguir:
Data Base dos Orçamentos
É a data à qual são referidos os valores monetários adotados nos orçamentos.
Vida Útil das Instalações
É o tempo, em anos, da vida econômica útil das usinas hidroelétricas, normalmente, considerada como
igual a 50 anos.
Taxa de Desconto
É a taxa utilizada para calcular o valor presente dos desembolsos futuros, correspondentes ao inves-
timento, e para determinar o custo anual deste investimento. O valor deverá ser definido pelo poder
concedente. Este valor deverá ser adotado em todo o Estudo de Inventário.
Custo Unitário de Referência de Energia – CRE
É o custo de geração, em R$/MWh, acima do qual qualquer contribuição de energia firme que uma
usina ou uma configuração de usinas adicione ao sistema deixa de ser economicamente competitiva
com outras fontes de energia. Corresponde ao custo de produção de energia pura no sistema de refe-
rência considerado, num horizonte de longo prazo. Este custo será fornecido pelo poder concedente.
Custo de Referência de Ponta – CRP
É o valor, em R$/kW/ano, a partir do qual o benefício de motorização adicional de usinas convencio-
nais deixa de ser economicamente competitivo. Corresponde ao custo de instalação de ponta pura no
sistema de referência considerado, num horizonte de longo prazo. Este custo também será fornecido
pelo poder concedente.
Custo Unitário de Referência – CUR
É o custo de geração, em R$/MWh, acima do qual a contribuição energética das usinas, ou das con-
figurações de usinas, deixa de ser economicamente competitiva. Corresponde ao custo de longo prazo
no sistema de referência considerado para a produção de energia a um fator de capacidade Fk, resultan-
te da combinação da fonte de energia e da fonte de ponta do sistema de referência. O valor do CUR é
calculado pela seguinte expressão.
CRP
CUR = CRE +
8, 7 6 .F k (2.6.01)
Custo Anual de Operação e Manutenção – COM
É o valor, em R$/kW/ano, requerido para operação e manutenção de usinas hidroelétricas. Para a sua
estimativa recomenda-se a utilização de uma função matemática que relaciona potência instalada, P
(MW), e custo anual de operação e manutenção, COM (R$/kW/ano). A curva apresentada abaixo
foi ajustada a partir das informações coletadas pela ANEEL para composição da Tarifa de Energia de
Otimização, na revisão de 2007.4
C O M = a x P −b (2.6.02)
4 ANEEL, Estudo de Custos Unitários de O&M das UHE – Composição da TEO – Tarifa de Energia de Otimização. São Paulo:
Andrade & Canellas, 2006.
MME | Ministério de Minas e Energia 53
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
Onde:
P Potência instalada da usina hidroelétrica, em MW
a 87,343
b 0,3716
A data de referência dos COM utilizados no ajuste da curva apresentada na Equação 2.6.02 foi de-
zembro de 2006. Deve-se consultar o poder concedente para verificar se ocorreram atualizações desta
curva. Caso não tenham ocorrido atualizações nesta curva, o COM deve ser atualizado a partir do
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI).
54 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.7 CRITÉRIOS PARA DIMENSIONAMENTO
E CUSTO DE APR OVEITAMENTOS
O dimensionamento das estruturas e equipamentos dos aproveitamentos das alternativas de divisão
de queda em estudo, assim como a determinação de custos, é efetuado de forma diferente nos Estudos
Preliminares e Finais, sendo apresentados em detalhes nos itens 4.10 e 5.7, respectivamente.
Na seleção de alternativas ao final dos Estudos Preliminares, as alternativas são comparadas e as não
competitivas ou dominadas, são descartadas. Por isso, mesmo que nessa etapa se possam aceitar dados
básicos preliminares, quanto melhor for a qualidade da estimativa de custo de cada aproveitamento,
conseqüência do menor grau de incerteza, maior confiança haverá na seleção de alternativas para os
Estudos Finais.
Por esse motivo, caso seja possível, recomenda-se nos Estudos Preliminares o emprego de planilhas
oferecidas para dimensionamento das estruturas para os Estudos Finais, bastando que esteja disponível
um mínimo de informações de campo onde as não disponíveis poderão ser presumidas.
2.7.1 Dimensionamento de Estruturas e Equipamentos
Na etapa de Estudos Preliminares praticamente não há dimensionamento de estruturas. Determinam-
se as dimensões externas das principais estruturas meramente para elaboração de croqui do arranjo
geral dos aproveitamentos.
Já na etapa de Estudos Finais, como resultado do melhor conhecimento da topografia e das condições
geológicas, são possíveis arranjos gerais mais elaborados. São determinadas não apenas as dimensões
externas das principais estruturas, mas também, pré-dimensionamentos hidráulicos por meio de gráfi-
cos e equações. O mesmo ocorre com os seus equipamentos.
2.7.2 Estimativa de Custos de Engenharia
Na etapa de Estudos Preliminares o critério geral para a estimativa de custo é o da utilização de gráficos
de onde são obtidos os custos globais ou unitários de obras, serviços ou equipamentos em função de
um ou mais parâmetros. O objetivo é estimar os custos de obras civis e equipamentos em grandes blo-
cos para montagem rápida e simples do orçamento do aproveitamento, com seus custos padronizados,
sem considerar as especificidades de cada sítio.
Nos Estudos Finais são determinadas as quantidades de serviços, suprimentos e equipamentos de cada
estrutura por meio de gráficos, fórmulas e tabelas. Obtém-se o orçamento de cada estrutura pela apli-
cação de preços unitários às quantidades de serviços e suprimentos e equipamentos. Alguns custos de
conjuntos de serviços e equipamentos são obtidos com valores globais, de forma paramétrica.
MME | Ministério de Minas e Energia 55
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.7.3 Custos Socioambientais
Deverão ser estimados os custos socioambientais que serão efetivamente internalizados no custo de
implantação dos aproveitamentos, e incorporados nos índices custo/benefício, quais sejam:
■ Custos de controle (incorridos para evitar a ocorrência, total ou parcial, dos impactos socioambientais
negativos de um aproveitamento).
■ Custos de mitigação (relativos às ações para redução das conseqüências dos impactos socioambientais
negativos).
■ Custos de compensação (relativos às ações que compensam os impactos socioambientais provocados
por um aproveitamento nas situações em que a reparação é impossível).
■ Custos de monitoramento (relativos às ações de acompanhamento e avaliação dos impactos e progra-
mas socioambientais).
■ Custos institucionais (relativos à elaboração dos estudos socioambientais para as diferentes etapas do
aproveitamento, à elaboração dos estudos requeridos pelos órgãos ambientais (EIA/RIMA e PBA), à
obtenção das licenças ambientais e realização de reunião técnica e seminários públicos.
Tanto nos Estudos Preliminares quanto nos Estudos Finais, o critério para a estimativa dos custos so-
cioambientais compreende a utilização de custos globais ou unitários. Alguns preços unitários deverão
ser obtidos junto a fontes secundárias, complementados por levantamentos de campo, particularmente
os preços de terrenos e benfeitorias rurais e urbanas.
56 MME | Ministério de Minas e Energia
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.8 CRITÉRIOS PARA SELEÇÃO DE ALTERNATIVAS
A seleção de alternativas é feita tendo como critério básico a maximização da eficiência econômico-
energética em conjunto com a minimização dos impactos socioambientais negativos. Como, em geral,
a maximização da eficiência econômico-energética conflita com a minimização dos impactos socioam-
bientais, no processo de comparação e seleção de alternativas, estes aspectos deverão ser considerados
dentro de uma abordagem multiobjetivo.
2.8.1 Estudos Preliminares
Nos Estudos Preliminares, a comparação e seleção de alternativas têm por objetivo a eliminação daque-
las que não são competitivas, tanto sob o ponto de vista da eficiência econômico-energética, como sob
o ponto de vista dos impactos socioambientais negativos. Para esta comparação, deve-se tomar como
base o índice de custo/benefício energético e o índice de impacto socioambiental negativo calculados
para cada alternativa, conforme itens 4.11.1 e 4.11.2.
Por tratar-se da seleção de um conjunto de alternativas que serão objeto de detalhamento durante os
Estudos Finais, recomenda-se não compará-las com base na agregação dos citados índices, visando
evidenciar o posicionamento de cada alternativa com relação a cada um dos objetivos, maximização
da eficiência econômico-energética, e minimização dos impactos socioambientais negativos, evitando-se,
deste modo, a necessidade de se estabelecer a importância relativa entre os objetivos. A seleção deve ser
feita (item 4.11.3) tendo como base a eliminação das alternativas que apresentem baixo desempenho
sob o ponto-de-vista de cada objetivo isoladamente e a identificação, entre as alternativas restantes, do
conjunto das não-dominadas (alternativas para as quais não exista outra com índice custo/benefício
energético e índice socioambiental negativo, simultaneamente inferiores).
2.8.2 Estudos Finais
Nos Estudos Finais, a comparação e seleção de alternativas têm por objetivo identificar uma alternativa
que será utilizada nos estudos subseqüentes da cadeia de planejamento da expansão do Setor Elétrico.
Essa escolha deverá ser feita considerando um critério de hierarquização das alternativas que leve em
conta o critério básico de maximização da eficiência econômico-energética em conjunto com a mi-
nimização dos impactos socioambientais negativos, levando em conta, adicionalmente, os impactos
socioambientais positivos oriundos da implantação dos aproveitamentos hidroelétricos na bacia.
As alternativas devem ser hierarquizadas segundo um índice de preferência I, obtido pela soma pon-
derada do índice custo/benefício energético e do índice de impacto socioambiental negativo. Os pesos
utilizados devem ser estabelecidos considerando a importância relativa atribuída a cada um dos obje-
tivos, de modo a refletir o contexto em que a análise se insere e a época em que os estudos se realizam
(item 5.8.4). Para a definição destes pesos, além da opinião dos especialistas envolvidos diretamente
nos estudos, são considerados os resultados da reunião técnica para apresentação parcial dos estudos, a
ser realizada ao final dos Estudos Preliminares, conforme descrito no item 2.9.
Para a escolha final da alternativa de divisão de queda, propõe-se uma análise adicional incorporando-
se à hierarquia anterior os impactos socioambientais positivos para a área do estudo, representados
pelo índice de impactos socioambientais positivos, obtendo-se o índice de preferência modificado I’,
conforme descrito no item 5.8.4.
MME | Ministério de Minas e Energia 57
CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.9 DIVULGAÇÃO E PARTICIPAÇÃO PÚBLICA
Visando informar e envolver os diversos setores da sociedade ao longo do desenvolvimento dos Estudos
de Inventário, deverão ser adotados os seguintes procedimentos:
a) Na Etapa de Planejamento, comunicar aos órgãos ambientais e de recursos hídricos, bem como aos
Comitês, associações ou outras instituições relacionadas com o gerenciamento dos recursos hídricos
sobre o início dos estudos, apresentando seus objetivos, as atividades, análises e prospecções que serão
realizadas na bacia.
b) Ao final dos Estudos Preliminares, será realizada uma reunião de caráter técnico, convocada pelo MME,
onde serão apresentados os resultados dos estudos dessa etapa.
c) Ao final dos estudos, será realizado um Seminário Público, convocado pelo MME, para apresentação
dos resultados da divisão de queda selecionada e dos estudos de AAI, suas diretrizes e recomendações.
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CAPÍTULO 2 | CRITÉRIOS BÁSICOS
2.10 BIBLIOGRAFIA
ANEEL. Estudo de Custos Unitários de O&M das UHE – Composição da TEO – Tarifa de Energia de
Otimização. São Paulo: Andrade & Canellas, 2006.
ELETROBRÁS. Manual de Inventário Hidroelétrico de Bacias Hidrográficas. 1997.
EPE/Sondotécnica, AAI da Bacia do Rio Doce, 2007.
MINISTÉRIO DE MEIO AMBIENTE. Plano Nacional de Recursos Hídricos. 2006. Disponível em:
[Link]
PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei no 9.433 de 8 de Janeiro de 1997.
RAMOS, A., 1987, apud Iara Verocai. Vocabulário Básico de Meio Ambiente. Rio de Janeiro, 1990,
apud EPE/Sondotécnica – AAI do Rio Doce, 2007.
VEROCAI, I. Vocabulário Básico de Meio Ambiente. Rio de Janeiro, 1990, apud EPE/Sondotécnica
– AAI do Rio Doce, 2007.
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