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A Ascensão de Alícia: Vingança e Poder

Alícia Dessendre, após a morte dos pais, se tornou responsável por seu irmão e, com astúcia, construiu uma carreira como investigadora particular, utilizando chantagens para garantir seu sustento. Sua vida muda drasticamente após um caso de infidelidade culminar em um assassinato, levando-a a ajudar Emma, a filha da vítima, com uma bolsa de estudos. No entanto, ao investigar um novo cliente, Alícia é atacada e transformada em vampira, iniciando uma nova fase de sua vida marcada por vingança e a formação de um pacto com um ladrão chamado Théo.

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A Ascensão de Alícia: Vingança e Poder

Alícia Dessendre, após a morte dos pais, se tornou responsável por seu irmão e, com astúcia, construiu uma carreira como investigadora particular, utilizando chantagens para garantir seu sustento. Sua vida muda drasticamente após um caso de infidelidade culminar em um assassinato, levando-a a ajudar Emma, a filha da vítima, com uma bolsa de estudos. No entanto, ao investigar um novo cliente, Alícia é atacada e transformada em vampira, iniciando uma nova fase de sua vida marcada por vingança e a formação de um pacto com um ladrão chamado Théo.

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Alícia Dessendre aprendeu a se virar muito cedo.

Aos dezessete anos, viu sua vida


desmoronar com a morte dos pais, ficando responsável por seu irmão mais novo,
Arthur, de apenas dez. Sem nenhum parente para acolhê-los, ela precisou de
astúcia para evitar que o conselho tutelar os separasse. Os anos que se seguiram
foram uma prova de fogo; Alícia se sacrificou de todas as formas para garantir o
bem-estar do irmão, aprendendo na pele que a vida podia ser cruel e que
sobreviver era uma arte.

Sua sorte, ou talvez seu talento, era estar no lugar certo na hora certa,
testemunhando coisas que pessoas poderosas preferiam manter escondidas.
Com o tempo, seu olhar se aguçou para a fraqueza alheia. Sem orgulho, mas com
a necessidade falando mais alto, ela começou a ganhar dinheiro com chantagens
discretas — quantias que não fariam falta nos bolsos de ricaços, mas que
mudavam tudo para ela. Eventualmente, Alícia abriu seu próprio escritório de
investigação particular, fazendo bons investimentos e usando seu dom para algo
registrado e mais útil. Ela nunca mais se preocupou com dinheiro.

Embora não se orgulhasse de seu passado, Alícia não se arrependia. Graças a ele,
pôde dar uma vida confortável ao irmão e pagar sua faculdade de arquitetura na
Itália. Seu melhor amigo, o advogado Gustav, era seu porto seguro, sempre pronto
para defendê-la quando um marido traído tentava processá-la ou quando casos
mais sérios, como corrupção corporativa e desaparecimentos, a colocavam na
linha tênue da legalidade. Eles se conheceram quando Alícia usou métodos nada
ortodoxos para conseguir provas para um caso de Gustav e, apesar das
personalidades opostas, tornaram-se inseparáveis.

A vida de Alícia parecia finalmente ter encontrado seu eixo, até um caso
aparentemente banal sair de controle. Um clássico de infidelidade: esposa traindo
o marido. Ela entregou as provas, recebeu um pagamento generoso e considerou
o trabalho encerrado. O problema veio no dia seguinte. O homem assassinou
brutalmente a esposa e tirou a própria vida, deixando para trás uma filha
adolescente, Emma.

A garota, que estudava em um bom internato na cidade, parecia ter uma relação
conturbada com os pais. Alícia lembrava de ter presenciado uma discussão em
que o pai humilhava Emma, chamando seu amor pela arte de inútil e ameaçando
cortar todo o apoio financeiro. Após a tragédia, a garota ficou sozinha no mundo.
Vendo um reflexo de sua própria história em Emma, e sabendo que a herança
estava bloqueada por cláusulas absurdas, Alícia decidiu interferir.

De forma anônima, ela financiou uma bolsa de estudos integral para Emma em
uma renomada faculdade de artes, que incluía moradia e um auxílio mensal. Para
se aproximar, Alícia se tornou uma patrona da faculdade, uma desculpa perfeita
para visitar as exposições e conversar com a jovem escultora, que acreditava que
o interesse de Alícia era puramente profissional. Com o tempo, uma relação de
confiança se formou, e Alícia se tornou a guardiã que Emma nunca teve.

Aos vinte e nove anos, a vida de Alícia parecia perfeita. Seu trabalho prosperava, o
irmão iniciava o penúltimo ano de faculdade enquanto Emma brilhava no
segundo, e Gustav inaugurava seu próprio escritório. Mas a estabilidade era uma
ilusão.

Um homem a contratou, alegando que seu chefe estava sendo manipulado por
um vampiro. A ideia era ridícula, mas o pagamento era bom demais para recusar.
O alvo, Rafael, era um fantasma. Cada tentativa de investigar sua vida levava a um
beco sem saída. Após semanas de frustração, quando finalmente encontrou uma
pista concreta, Alícia descobriu que seu cliente havia morrido em um "acidente"
de carro. A coincidência era impossível.

Ela mergulhou no caso com afinco, e quando as peças do quebra-cabeça


finalmente começaram a se encaixar, Rafael lhe fez uma visita. Ele surgiu em seu
apartamento numa noite, não com raiva, mas com a postura de quem era o dono
do lugar.

"Você cavou fundo demais, querida", disse ele, com uma calma predatória. "Mas
você não precisa ser uma ovelha a ser abatida. Sinceramente, você me parece um
lobo em potencial. Então, eu lhe dou uma chance. Você passou a vida olhando por
brechas e buracos de fechadura. Agora, estou disposto a lhe dar a chave da porta.
Meu mundo ou o mundo dos mortos. Escolha."

Ele não esperou por uma resposta. Em um piscar de olhos, a atacou, deixando-a
no chão, sangrando até a morte. Enquanto Alícia se arrastava, sufocando no
próprio sangue, ele apenas a observava com um sorriso cruel. "Acho que escolheu
a primeira opção, então. Que assim seja."

A mortalidade de Alícia foi roubada naquela noite, em um batismo de sangue e


sombras. Os meses seguintes foram uma luta pela adaptação, até que a presença
de seu senhor, Rafael, não fosse mais necessária. Ela não odiava sua nova
existência, mas desprezava o monstro que a arrastou para ela. Forjada na
sobrevivência, Alícia sabia ser paciente. Ela seria a cria mais fiel e obediente,
aprendendo cada segredo e acumulando cada grama de poder que pudesse. Um
dia, nem que levasse séculos, ela teria sua vingança.

No fim do período de adaptação que o último integrante de sua nova vida surgiu.
Um ladrão de segunda categoria chamado Théo invadiu seu apartamento,
achando que o encontraria vazio. Para seu azar, ele viu mais do que deveria: Alícia
se alimentando do pulso de uma mulher que dormia em sua cama. Quando Théo
tentou fugir em silêncio, as sombras do corredor se moveram e o prenderam no
lugar. Ele implorou pela vida. Alícia, em vez de matá-lo, viu uma oportunidade. Ele
não era um viciado, apenas um malandro desesperado. Era exatamente o que ela
precisava: alguém para agir por ela durante o dia, um braço direito que
conhecesse toda a verdade.

Ela lhe ofereceu um pacto de sangue. Foi honesta sobre os efeitos, explicando que
o laço o tornaria devoto a ela. Em troca, ele não apenas viveria, como teria um
propósito e um lugar seguro. Théo, sem alternativa, aceitou. Ele se tornou o
primeiro carniçal de Alícia, sua primeira peça no tabuleiro.

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