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Evolução do Transporte no Brasil

O documento aborda a evolução dos transportes no Brasil, destacando a predominância do transporte rodoviário desde a década de 1950, com ênfase em suas vantagens e desvantagens. Também menciona a história e os desafios do transporte ferroviário, hidroviário, aéreo e dutoviário, além de discutir investimentos e programas de otimização na infraestrutura de transporte. O papel do engenheiro civil no planejamento de transportes é enfatizado, com foco em metodologias e processos de planejamento.
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Evolução do Transporte no Brasil

O documento aborda a evolução dos transportes no Brasil, destacando a predominância do transporte rodoviário desde a década de 1950, com ênfase em suas vantagens e desvantagens. Também menciona a história e os desafios do transporte ferroviário, hidroviário, aéreo e dutoviário, além de discutir investimentos e programas de otimização na infraestrutura de transporte. O papel do engenheiro civil no planejamento de transportes é enfatizado, com foco em metodologias e processos de planejamento.
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FAMETRO

FACULDADE DE ENGENHARIA CIVIL

Estradas – Aula 1

1. Origens
Até a década de 1950, a economia
brasileira se fundava na exportação de
produtos primários, e com isso o sistema
de transportes limitou-se aos
transportes fluvial e ferroviário. Com a
aceleração do processo industrial na
segunda metade do século XX, a política
concentrou os recursos no setor
rodoviário, com prejuízo para as ferrovias, especialmente na área da indústria
pesada e extração mineral. Como resultado, o setor rodoviário, o mais caro depois
do aéreo, movimentava no final do século > de 60% das cargas.

O intuito de criar uma rede de transportes ligando todo o país nasceu com as
democracias desenvolvimentistas, em especial de Getulio Vargas e Juscelino
Kubitscheck . Naquela época, o símbolo da modernidade e do avanço em termos de
transporte era o automóvel. Isso provocou uma especial atenção dos citados
governantes na construção de estradas. Desde então, o Brasil tem sua malha viária
baseada no transporte rodoviário.

Transporte Rodoviário
As primeiras rodovias brasileiras datam do século XIX,
mas a ampliação da malha rodoviária ocorreu no governo
Vargas, com a criação do Departamento Nacional de
Estradas de Rodagem (DNER) em 1937.

Em 1973 passou a vigorar o Plano Nacional de Viação,


que modificou e definiu o sistema rodoviário federal.

As dificuldades econômicas do país a partir do final da


década de 1970 causaram uma progressiva degradação da
rede rodoviária. A construção de novas estradas foi
praticamente paralisada ou se manteve apenas
setorialmente e em ritmo muito lento e a manutenção deixou de obedecer a requisitos
elementares.

Este é o principal meio de transporte no Brasil tanto em relação ao transporte


de cargas quanto o de pessoas, embora não seja o mais indicado para todos os fins
devido a seu custo e poluição ambiental.

O modal rodoviário representa no Brasil 62% da carga transportada


Algumas rodovias ainda apresentam estado de conservação ruim, o que
aumenta os custos com manutenção dos veículos Além disso, a frota é
antiga (aproximadamente 18 anos) e sujeita a roubo de cargas

Desvantagens

fretes mais altos em alguns casos, menor capacidade de carga entre os


modais, mais vulnerável ao roubo de cargas

Vantagens

ponto de carga e ponto de descarga (ponto de origem e ponto de destino


maior frequência e disponibilidade de vias de acesso, maior agilidade e
flexibilidade na manipulação da carga, facilidade na substituição do veículo
no caso de quebra, ideal para viagens de curta e média distâncias

O transporte rodoviário caracteriza se pela simplicidade de funcionamento

Extensão da malha rodoviária brasileira

Apenas 11,8% da malha rodoviária nacional é pavimentada


Transporte Ferroviário
Primeiras iniciativas nacionais, relativas à construção de
ferrovias remontam ao ano de 1828, quando o Governo
Imperial autorizou por Carta de Lei a construção e exploração
de estradas em geral. O propósito era a interligação das
diversas regiões do País.

É importante destacar que, até a chegada das ferrovias no


Brasil, o transporte terrestre de mercadorias se processava
no lombo dos burros em estradas carroçáveis.

O grande empreendedor brasileiro, Irineu Evangelista de


Souza, (1813-1889), mais tarde Barão de Mauá, recebeu em
1852, a concessão do Governo Imperial para a construção e
exploração de uma linha férrea.

É conveniente salientar que em São Paulo, as estradas de ferro foram


decorrência natural das exportações agrícolas.

As rodovias tem sofrido um processo de desestatização devido a dificuldade do


governo em manter as ferrovias brasileiras e explorá-las devidamente.

Dentre as ferrovias citadas, salienta-se a implantação da Paranaguá – Curitiba,


que se constituiu um marco de excelência da engenharia ferroviária brasileira,
considerado, à época, por muitos técnicos europeus, como irrealizável. A sua construção
durou menos de 5 anos, apesar das dificuldades enfrentadas nos seus 110 km de
extensão.

A malha ferroviária do Brasil tem pequena participação no transporte nacional.


Investimentos do governo poderiam aumentar sua importância no cenário brasileiro a
fim de diminuir a dependência em relação ao transporte rodoviário.

A malha ferroviária brasileira possui aproximadamente 29.000 km e no Estado de São


Paulo cerca de 5.400 km

Os processos de privatização do sistema iniciou se em 1996 e as empresas que


adquiriram as concessões de operação dessa malha assumiram com grandes problemas
estruturais A transferência da operação das ferrovias para o setor privado foi
fundamental para que esse setor voltasse a operar.

Vantagens

• adequado para longas distâncias e grandes quantidades, menor custo de seguro,


menor custo de frete

Desvantagens
• diferença na largura de bitolas, menor flexibilidade no trajeto necessidade maior
de transbordo.

Principais problemas

• 355 invasões na faixa de domínio

• 3.375 passagens em nível (279 críticas)

• Transposição de grandes metrópoles e compartilhamento de linhas de trens de


carga e passageiros

• Comprometimento do acesso aos portos e retroáreas

• Dificuldade na integração modal

• Marco regulatório

Ferrovias: sistema atual

30.051 km de malha ferroviária

28.614 km de ferrovias concedidas


Transporte Hidroviário

As hidrovias, uma alternativa sempre


lembrada dada as condições privilegiadas
da rede fluvial nacional, pouco se
desenvolveram. A navegação fluvial nunca
foi bem aproveitada para o transporte de
cargas. Em 1994, a malha hidroviária
participava com apenas 1% do transporte
de cargas.

Entre os fatos de maior repercussão no


transporte marítimo no século XX destacam-se: a substituição do carvão pelo petróleo
como combustível.

Falta de abertura de canais e interligação com outros modais.

O litoral é de 9.198 km e possui uma rede hidroviária enorme e ainda não explora
adequadamente o transporte marítimo.
O modal aquaviário é fundamental para promover e integrar o país interna e
externamente. Afinal, são oito bacias com 48 mil km de rios navegáveis, reunindo, pelo
menos, 16 hidrovias e 20 portos fluviais.

O transporte marítimo tem grande importância na exportação de alimentos,


minérios e madeira por seu alto volume de transporte.

O modal hidroviário(fluvial) é usado principalmente no transporte de


soja,óleo,vegetal,trigo,milho,açúcar,cana-de-açúcar,sorgo,madeira e outros.

Devido ao baixo custo do frete desenvolve papel importante na logística de transportes


em algumas regiões do Brasil. Nas regiões Sul e Sudeste passa a ter forte integração com
os países do bloco do Mercosul.

A administração e a operação das hidrovias interiores e dos portos fluviais e marítimos


são exercidas de duas maneiras:

-Pelo poder federal, por meio de sociedade de economia mista, as companhias docas
federais.

-Na forma de convênios de delegação, em que estados ou municípios são os


responsáveis pelas sociedades de portos ou navegação, empresas de administração ou
superintendência de portos.

Pontos fortes: custo baixo, carregamento de grande quantidade de carga, baixo impacto
ambiental.

Pontos fracos: Transporte regional (não abrange o país inteiro),rios e planícies e


assoreamento dos rios

principais problemas

• Custos elevados com mão de obra (83,5%)

• Alta carga tributária (88,2%) e elevado custo tarifário (84%)

• Carência de infraestrutura portuária

• Ausência de equipamentos adequados para a movimentação de carga

• Processo longo e moroso para a obtenção de financiamentos

• Reduzido volume de investimentos


Transporte Aéreo
A aviação iniciou-se no Brasil com um vôo de Edmond Plauchut, a 22 de Outubro de
1911. O aviador, que fora mecânico de
Santos Dumont em Paris, decolou da
praça Mauá, voou sobre a avenida Central
e caiu no mar, de uma altura de 80
metros, ao chegar à Ilha do Governador.
Era então bem grande o entusiasmo pela
aviação.

A extensão do país e a precariedade de outros meios de transporte fizeram com que


a aviação comercial tivesse uma expansão excepcional no Brasil. Em 1960, o país tinha
a maior rede comercial do mundo em volume de tráfego depois dos Estados Unidos.

Iniciou-se a aviação comercial brasileira em 1927.

A crise e o estímulo do governo federal às fusões de empresas reduziram esse


número para apenas quatro grandes empresas comerciais.

Avião 14 Bis, o primeiro avião pilotado por Santos Dumont.

O transporte aéreo tem importância pelo fato do Brasil ser um país extenso, há
vôos que podem durar mais de 4 horas ao se viajar para cidades distantes.
Transporte adequado para mercadorias de alto valor agregado, pequenos volumes ou
com urgência na entrega

Possui algumas vantagens sobre os demais modais, pois é mais rápido e seguro e são
menores os custos com seguro, estocagem e embalagem além de ser mais viável para
remessa de amostras, brindes, bagagem desacompanhada partes e peças de
reposição, mercadoria perecível, animais

Vantagens

é o transporte mais rápido e não necessita de embalagem mais

reforçada (manuseio mais cuidadoso

Desvantagens

menor capacidade de carga, valor do frete mais elevado em relação aos outros modais

Frete

a base de cálculo do frete aéreo é obtida por meio do peso ou do volume da


mercadoria, sendo considerado aquele que proporciona o maior valor.

principais problemas

• Falta de Investimentos

• Custo elevado do combustível de aviação

• Aeroportos próximos/acima da capacidade operacional

• Elevada carga tributária

• Escassez de mão de obra especializada

• Pistas com capacidade limitada para grandes aeronaves

• Deficiência na infraestrutura = custos adicionais e perda da qualidade do


serviço
Transporte Dutoviário
No Brasil, a primeira linha que se tem registro foi
construída na Bahia, com diâmetro de 2" e 1 km de
extensão, ligando a "Refinaria Experimental de Aratu“ ao
Porto de Santa Luzia e que recebia o petróleo dos
"Saveiros-Tanques" vindos dos campos de Itaparica e
Joanes, com início de operação em maio de 1942.
A participação dutoviária iniciou-se no Brasil nos
anos 50, evoluiu gradativamente nos anos 60, tendo
apresentado importante incremento na década de 70 e
inicio da década de 80
A partir da criação da Petrobras (lei 2004 de
02/10/53), o transporte por dutos foi intensificado com a
construção dos oleodutos na Região de Produção da Bahia (RPBa). Nesta época as obras
de dutos eram executadas diretamente com pessoal e equipamentos próprios ou
gerenciados por sua Divisão de Oleodutos (DIVIDUTO)
Na ultima década a participação dutoviária na matriz nacional de transporte de
carga não sofreu variações representativas, mantendo-se próxima a 4,5%

Transporte Rodoviário

Razões para o Predomínio no Brasil

 Indústria automobilística implantada a partir de 1958.


 A inexistência de transbordos intermediários, que permite:
 transporte porta-a-porta;
 maior rapidez;
 embalagens mais simples, leves e baratas.
 É flexível para a escolha de rotas e volumes transportados.
 Tem tarifas competitivas, frente aos outros modais, para pequenas quantidades
e/ou distâncias curtas;
 Permite serviço personalizado
Investimentos

Outros Programas de investimentos

 Expansão da Malha Rodoviária

 Programa de Manutenção Rodoviária

 Programa de Segurança Rodoviária

 Programa de Concessões de Rodovias Federais

 Programa de Transporte Rodoviário de Carga

 Ampliação do Programa Passe Livre


O Programa de Otimização de Contratos de Concessão Rodoviária e o Novo
PAC são programas de investimento em infraestrutura de transporte
rodoviário.

Programa de Otimização de Contratos de Concessão Rodoviária. O


programa prevê:

• Investimentos de R$ 110 bilhões entre 2024 e 2026


• visa otimizar contratos de concessões rodoviárias com defasagens
técnicas e financeiras
• aumentar a extensão das concessões de rodovias de 30 mil para 60
mil quilômetros
• gerar até 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos
Novo PAC

O programa prevê:

• Investimentos de R$ 280 bilhões no setor de transportes

• Investimentos em obras públicas, estudos, concessões, e


manutenção da malha rodoviária

• Investimentos em infraestrutura econômica, social e urbana

• Geração de emprego e renda

• Melhoria da competitividade do país


Rede rodoviária brasileira -2000

Rede rodoviária brasileira -2014


Rede rodoviária Amazonas -2013

Frota Rodo Brasileira de Carga-2014


Carga máxima em conjunto de eixos

Peso total máximo Sistema Romeu e Julieta


Romeu e Julieta

Peso total máximo

veículos articulados
Transporte: planejamento
O ENGENHEIRO CIVIL E A ÁREA DE TRANSPORTE
De acordo com a resolução 218/1973 no art 7º do Conselho Federal de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), o Engenheiro Civil ou
Engenheiro FC é o profissional , sob o ponto de vista legal, que tem a
prerrogativa de criar, desenvolver, coordenar e atuar na área de
transporte.

Planejamento de transportes é geralmente focada em problemas


específicos ou em preocupações de transporte amplas em nível local.
Devido a este fato, o planejamento de transporte é mais desenvolvida
na esfera urbana.
O processo de planejamento, no entanto, tem uma série de
semelhanças com processo político. Identificação de um problema, a
busca de opções implementar a estratégia escolhida são etapas
essenciais no planejamento também.
Porque tende a lidar com problemas localizados, as soluções
adotadas no planejamento de transportes tendem a ser muito mais
exata e especifica do que as políticas
Por um longo tempo o planejamento foi um campo dominado por
engenheiros de trânsito que deram um caráter nitidamente
mecanicista, em que o processo de planejamento foi visto como uma
série de passos rigorosos realizados para medir prováveis impactos e
propor soluções de engenharia.

Os quatro estágios de transporte:

1. Geração de viagem
2. Distribuição de viagem
3. Divisão de modal
Seleção de Rota

Geração de viagem. Estimar a extensão, para uma determinada


unidade espacial, em que se trata de uma origem e destino para a
circulação.
Distribuição viagem. Comumente um modelo de interação espacial
que estima movimentos entre origens e destinos e que pode
considerar restrições, como a distância

Divisão de modal. Movimentos entre origens e destino são, então


desagregados por modos. Esta função depende da disponibilidade de
cada modo, seus respectivos custos e preferências.

Seleção de Rota. Todas as viagens estimadas por origem, destino e


modo e, em seguida, "carregado" na rede de transporte,
principalmente com a consideração de que os usuários querem
minimizar o tempo de viagem.

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