Modelo de Avaliação de Risco de Crédito
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito
Dissertação de Mestrado
Mestrado em Auditoria
Porto, 2014
Dissertação de Mestrado
apresentada ao Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto
para a obtenção do Grau de Mestre em Auditoria, sob a orientação de
Mestre Adalmiro Álvaro Malheiro de Castro Andrade P ereira
Porto, 2014
Resumo
Ao longo dos anos, a gestão de risco tem vindo a as sumir um papel cada vez mais
preponderante na análise estratégica das organizações empresariais, sendo este um elemento
fundamental para os órgãos de gestão, e or iginou que o risco de crédito assumisse uma
posição de excelência no atual sistema financeiro.
A primeira notação de rating foi constituída pelo fundador da agência de notação Moody’s
Investors Service (John Moody), como consequência da falta de informação sobre risco de
incumprimento, no início do século XX. O rating é hoje visto como um instrumento de
informação para os investidores, pois pode ser defi nido como um cálculo de credibilidade
de um tomador de crédito cumprir total ou parcialmente com as obrigações assumidas. No
contexto económico vivido de recessão ou estagnação , após a crise financeira internacional
de 2008, houve a necessidade de atualizar e definir regras mais atinentes a serem cumpridas
pelas Instituições de Crédito. Para que i sto fosse possível, muito contribuiu a nova versão
do Acordo de Basileia III. Portanto, se r capaz de criar um modelo de rating torna-se uma
mais-valia para qualquer analista de risco de crédito.
Desta forma, para a realização do modelo de estudo, foi criada uma base de dados
económicos e financeiros sobre empresas da indústria de calçado, devido ao peso e
importância que esta tem na economia portuguesa. Um a regressão linear múltipla procurou a
determinação de um nível de risco face a um conju nto de critérios ou variáveis
independentes, todas elas de natureza quantitativa e de cálculo exato. Uma análise de rating
foi então criada para a base de empresas utilizada , desencadeando a aplicação de percentis
para escalonar as séries associadas às variáveis.
Isabel Duarte ii
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Abstract
Over the years, risk management has assumed an increasingly important role in the
strategic analysis of companies, being a crucial element in the management bodies, and
originated the credit risk assumed a position of excellence in the current financial system.
The first credit rating was established by the founder of the rating agency Moody´s
Investors Service (John Moody) as a result of lack of information on default risk, during the
twentieth century. The rating is now seen as an information tool for investors, it may be
defined as a calculation of credibility of a borrower's credit, comply fully or partially with
obligations. Economic circumstances experienced recession or stagnation, after the
international financial crisis of 2008, there was a need to update and define rules pertaining
more to be fulfilled by credit institutions. To make this possible, greatly contributed the
new version of Basel III. So being able to create a rating model becomes an asset to any
credit risk analyst.
Thus, for the realization of the study model, a base of economic and financial data on
companies in the shoe industry was created due to the weight and importance it has in the
Portuguese economy. A multiple linear regression sought to determine a level of risk
against a set of criteria or independent variables, all of quantitative and exact calculation. A
rating analysis was then created to the base of enterprises used, triggering the application of
percentiles to scale the variables associated with the series.
Agradecimentos
Em primeiro lugar, agradeço ao meu Professor Orient ador, Mestre Adalmiro Pereira, que,
desde logo, mostrou disponibilidade para me conduzir nesta dissertação. A sua
incomparável ajuda na definição do objeto de estudo, a sua exigência e rigor, os essenciais
comentários e sugestões, tornaram-se imprescindíveis para o meu sucesso.
À Professora Alcina Dias, pelo seu apoio e atenção em todas as ocasiões e pela excelente
preparação que me proporcionou na sua unidade curri cular de Metodologias de
Investigação.
Ao ISCAP, pela cedência do espaço e acesso à base de dados SABI, elemento fundamental
à realização desta investigação.
Ao meu irmão, namorado e amigos pela força e ânimo que sempre me transmitiram. Um
agradecimento especial ao meu namorado pela admiraç ão que demonstrou em todos os
momentos, motor de enorme fonte de motivação.
ÀPatrícia Baptista e ao Francisco Baptista, pela d isponibilidade que revelaram no que diz respeito aos aspetos laborais e pelas
Por fim, mas não menos importante, um agradecimento incondicional aos meus pais,
Fernando Duarte e Lurdes Duarte, pois foram eles que deram o maior contributo à minha
formação académica e pessoal, proporcionando-me sempre o melhor possível para que
atingisse este objetivo. O orgulho que sinto por eles é imensurável.
Isabel Duarte iv
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CE - Comissão Europeia
IC - Instituição de Crédito
Isabel Duarte v
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Solv - Solvabilidade
UE - União Europeia
Isabel Duarte vi
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Índice
Resumo ii
Abstract iii
Agradecimentos iv
Lista de Siglas e Abreviaturas v
Índice vii
Índice de Figuras ix
Índice de Quadros x
Índice de Gráficos xi
Introdução 1
Parte I - Revisão da Literatura 3
Capítulo 1 - Riscos Financeiros 3
1.1 - Noção de Risco 3
1.2 - Tipologias de Risco 5
1.3 - Risco de Crédito 8
Capítulo 2 - Supervisão e Regulamentação 12
2.1 - Acordos de Basileia 13
2.1.1 - Acordo de Basileia I 13
2.1.2 - Acordo de Basileia II 16
2.1.3 - Acordo de Basileia III 22
2.2 - Aviso do Banco de Portugal 27
2.3 - Testes de Esforço ( Stress Tests) 29
Capítulo 3 - Rating 31
3.1 - Noção de Rating 31
3.2 - As Vantagens e Desvantagens do Rating 33
3.3 - As Agências deRating e as suas Classificações 34
3.4 - Regulamento (CE) n.º 1060/2009 38
3.5 - Revogação do Regulamento (CE) n.º 1060/2009 40
Parte II - Abordagem Empírica 44
Capítulo 4 - As Instituições de Crédito em Portugal 44
4.1 - Evolução do Crédito a Clientes 47
4.2 - Evolução dos Ativos 49
Índice de Figuras
Isabel Duarte ix
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Índice de Quadros
Quadro 12 – Resíduos 64
Quadro 13 – Percentis 65
Isabel Duarte x
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Índice de Gráficos
Gráfico 4 - Histograma 65
Isabel Duarte xi
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Introdução
Por forma a combater situações adversas, a supervis ão bancária estabelece diversas normas
que determinam o risco de crédito que as instituiçõ es bancárias podem assumir. Essas
normas estipulam que para a realização de cada oper ação de crédito, a instituição deve
disponibilizar uma parte do capital para cobrir os possíveis prejuízos decorrentes da mesma.
Desta forma, prevê-se que haja uma limitação do valor do crédito que as instituições
bancárias podem contratar, mediante o seu capital disponível. Num contexto de recessão,
essa limitação origina impactos negativos nas empresas com um maior nível de
incumprimento, dada a ausência de crescimento económico.
Face à relevância do tema, o objetivo principal des ta dissertação, assenta no estudo do risco
de crédito nas Instituições de Crédito em Portugal em termos teóricos, e posteriormente na
avaliação da sua importância e ap licabilidade em termos práticos, diagnosticando a posição
das instituições face ao c rédito cedido a clientes, à evolução de ativos e valores de fundo
próprio. Complementarment e, vamos analisar um conjunto de indicadores económicos e
financeiros (variáveis quantitativas), tendo em vista aferir a sua capacidade explicativa do
risco de uma dada organização empresarial. Perspetiva-se que através dos resultados
obtidos, seja possível estruturar um modelo de rating com capacidade explicativa.
Isabel Duarte 1
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Na primeira parte (revisão da literatura), será utilizada uma metodologia qualitativa, onde na
preparação da investigação sobressaem o estabele cimento do objeto a estudar e a estrutura
da investigação. A utilização de uma meto dologia qualitativa visa uma análise profunda de
fenómenos estudados, mais do que a obte nção de resultados. Segundo Marques (2005),
citado por Seabra, F. (2010), esta metodologia permite aceder à complexidade e diversidade
da realidade em estudo, de forma contextualizada e enriquecida pelos significados que lhes
são atribuí dos pelos participantes.
Assim, o primeiro capítulo tem como temática central a apresentação da noção de risco,
bem como a sua tipologia, incidindo o estudo na abordagem do risco de crédito.
Seguidamente, passaremos para uma análise aprofundada aos Acordos da Basileia. O
Basileia I surgiu com o objetivo de criar exigências mínimas de capital, como precaução
contra o risco de crédito. O segundo Acordo tinha como foco a gestão de risco e, por fim, o
Basileia III suscita as instituições bancárias a aumentarem as suas reservas do capital para
se protegerem de eventuais crises. No terceiro capítulo, a investigação basear-se-á na
abordagem da noção de rating, na avaliação das suas vantagens e desvantagens, n o estudo
das três agências que são reconhecidas internacionalmente (Moody´s Investors Service,
Standard & Poor´s e Fitch Ratings) e também na regulamentação vigente para as agências.
Após a revisão da literatura, segue-se a abordagem empírica, que combina a utilização das
metodologias qualitativa e quantitativa. Uma investigação quantitativa pretende explicar
fenómenos através da objetividade dos procedimentos e da quantificação de medidas. A
análise de dados quantitativos tem por objetivo descrever a distribuição das entidades pelos
diversos valores das variáveis ou descrever a relação entre as variáveis, Seabra, F. (2010).
No culminar da minha dissertação acredito ter conse guido cumprir todos os meus
objetivos e que o empenho dedicado a esta investigação desenc adeie um melhor
entendimento ao nível da gestão do risco de crédito.
Isabel Duarte 2
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Tendo em consideração o objeto de estudo deste trab alho, começa-se por conduzir uma
pesquisa bibliográfica que permita enquadrar, teoricamente, o estudo, visando alcançar os
objetivos definidos. Na primeira parte, propõe-se a presentar uma revisão da literatura de
base exploratória, mais ampla possível, procurando esclarecer conceitos e teorias segundo
vários autores.
A origem da palavra risco deriva do termo italiano “ risicare” , que significa desafiar, de
acordo com Pinho, C. et al. (2011). O risco é geralmente associado a algo inesperado e,
decorrente desse risco, pode estar aliada uma situação de perigo ou, por sua vez, estar
relacionada com uma oportunidade. De uma forma geral, o risco deve ser entendido como
um desafio, ao invés de ser encarado como uma fatalidade ou destino dentro de uma
organização, devendo ser motor na procura de proced imentos eficientes e eficazes na
gestão da atividade.
Para Pinho, C. et al. (2011:16), o risco surge “quando existe a probabil idade de uma
determinada situação ter um resultado que não é o d esejado.” Neste sentido, o nível de
risco associado a determinado acontecimento pode ser definido pelo seu grau de
1
indesejabilidade, tendo em consideração o perfil de risco do agente económico e pela
probabilidade da sua ocorrência, atentando que o evento sucede durante um determinado
período de tempo.
1
Agentes económicos são todos os indivíduos, instit uições ou conjunto de instituições que, através das suas decisões e
ações, tomadas racionalmente, intervêm num qualquer circuito económico, de acordo com a informação que consta no
site da Associação Portuguesa de Bancos (2014A).
Isabel Duarte 3
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Evidenciando a definição de risco relacionada com o negócio, Dan (2001), referido por
Beja, R. (2004:81), afirma que “Risco significa est ar exposto à possibilidade de um
resultado negativo. Gerir o risco significa tomar ações deliberadas para mudar as
probabilidades em favor próprio - aumentando as pro babilidades de resultados positivos e
reduzindo as probabilidades de resultados negativos.”
Markowitz (1952), mencionado por Santos, F. et al. (2011:1) apresenta o conceito de risco
para um nível estatístico onde refere que “o invest idor pode avaliar o grau de risco
associado a cada ativo através da variância dos retornos e, quando diferentes ativos são
combinados, as covariâncias entre as taxas de rendi bilidade esperadas dos ativos
contribuem para o risco total da carteira.” Essenci almente, o risco é o possível desvio que
se verificará entre os valores estimados e os realmente alcançados. Esta mesma análise deve
ser efetuada por uma unidade de capital exposta ao risco, como por exemplo um
determinado título mobiliário.
Nas últimas décadas, assistimos a uma crescente complexidade das relações que se
estabelecem entre as empresas, devido à competitivi dade e aos riscos financeiros
associados, tornando a compreensão da evolução das organizações mais difícil, como por
exemplo a resultante da gestão de tesouraria.
Isabel Duarte 4
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Num sistema financeiro, são diversas as circunstânc ias que contribuem para a ocorrência de
variabilidade e dispersão de resultados, evidenc iando assim o conceito de risco. No que
respeita aos riscos financeiros, estas circunstânci as podem assumir configurações diversas
que integram um conjunto de riscos específicos. Por isso, o Banco de Portugal (BdP) (2007)
desenvolveu o Modelo de Avaliação de Riscos, onde constam nove categorias de risco que
contempla riscos financeiros e riscos não -financeiros. Na categoria dos riscos financeiros
estão considerados o risco de crédito, risco de mercado, risco de taxa de juro e risco de
câmbio. Na categoria dos riscos não-financ eiros, refletem-se o risco de compliance, risco
operacional, risco de sistemas de informação , risco de estratégia e risco de reputação.
Isabel Duarte 5
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et al. (2011). Neste sentido, os efeitos das variáveis macroeconómicas sobre as empresas,
como por exemplo a taxa de inflação, a taxa de juro e a taxa de crescimento do produto interno
bruto (PIB), são impulsionadores deste risc o, pois podem alterar o valor dos ativos.
· Risco de Taxa de Juro - a movimentação adversa nas taxas de juro são ger adoras de
risco. Esta taxa afeta inevitavelmente o mercado, via fontes de financiamento, influenciando
um conjunto de ativos financeiros e condicionando quase universalmente todos os agentes
económicos. A distinção das difere ntes tipologias deste risco é fundamental para que seja
possível identificar, concretamente, a sua origem na estrutura de balanços das organizações.
Os tipos de risco de tax a de juro regularmente analisados consistem no repricing risk (risco
de refixação da taxa), yield curve risk (risco da curva de rendimentos), basics risk (risco de
indexante) e option risk (risco de opção). Numa visão mais analítica do risco de taxa de
juro, o comportamento da yield curve torna-se relevante para aferir o impacto do risco. De
acordo com Noorali, S. et al. (2005:139), “A análise do risco da curva de rendimentos
constitui um refinamento da abordagem ao risco de refixação no sentido em que,
contrariamente a este, admite a possibilidade de se verificarem alterações não paralelas na
curva de re ndimentos.” A título de exemplo, o mesmo autor afirmar que, um aumento das
taxas de juro de curto prazo mais vincado do que nas taxas de juro de longo prazo, pode
comprometer a rendibilidade do financiamento de empréstimos de longo prazo por
depósitos de curto prazo.
· Risco de Estratégia- a organização enfrenta este risco quando são tom adas decisões
estratégicas inadequadas, existindo uma deficiente implementação das decisões ou as
mesmas originam a incapacidade de resposta a alterações ao meio envolvente, bem como
alterações ao ambiente de negócio da organização. A ssim, este risco questiona a
compatibilidade entre a estratégia global da organização, os objetivos estratégicos, a
envolvente em que a organização está inserida e os recursos empregues para a prossecução
dos objetivos, destaca o BdP (2007).
Isabel Duarte 7
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
De salientar que, para a avaliação de cada uma das categorias de risco, o Modelo de
Avaliação de Riscos, definido pelo BdP, identifica um conjunto específico de rúbricas de
referência que são notadas pelo supervisor. De seguida, iremos abordar
pormenorizadamente o risco de crédito.
2
Éimportante referir, em primeiro lugar, que um con trato financeiro tem inerente à sua
essência, um credor e um devedor que especulam a capacidade do devedor cumprir os
termos do contrato.
2 De acordo com o Sistema de Normalização Contabilíst ica (Norma Contabilística de Relato Financeiro 27 -
Instrumentos Financeiros), um contrato financeiro é uma locação que transfere substancialmente todos os riscos e
vantagens inerentes à propriedade de um ativo. O título de propriedade pode ou não ser eventualmente transferido.
Isabel Duarte 8
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(2000:5) descreve que em qualquer transação finance ira, são feitas suposições acerca do seu
futuro incerto: “Cada transação financeira envo lve uma troca de dinheiro-hoje por moeda
mais tarde. As partes que transacionam têm algumas expectativas quanto ao uso que
tomador de moeda-hoje fará com os fundos e de comoesse tomador reunirá fundos para
cumprir a sua parte do negócio na forma de dinheiro -amanhã. Nesse negócio, o uso de
fundos pelo tomador de empréstimos é conhecido comrelativa segurança; as receitas futuras
em dinheiro, que capacitarão o tomador a cu mprir as parcelas de moeda-amanhã do
contrato, estão condicionadas pela performance da economia durante um período mais
longo ou mais curto. Na base de todos os contratos financeiros está uma troca da certeza por
incerteza. O possuidor atual de moeda abre mão de um comando certo sobre a renda atual
por um fluxo incerto de receita futura em moeda.”
O risco de crédito está evidenciado na globalidadedos negócios como um dos riscos com
mais história. Assim, uma organização está sujeita a este risco quando existe a
probabilidade de não ser paga a contraprestação dev ida ou o capital aplicado reembolsado,
total ou parcialmente. O BdP (2007:17) define este risco como a “Probabilidade de
ocorrência de impactos negativos nos resultados ouno capital, devido à incapacidade de
uma contraparte cumprir os seus compromissos financeiros perante a instituição, incluindo
possíveis restrições à transferência de pagamentos do exterior. O risco de crédito existe,
principalmente, nas exposições em crédito (incluind o o titulado), linhas de crédito,
garantias e derivados.”
Neste âmbito, o BdP (2007) esclarece quatro rúbricas de referência que servem de suporte
na avaliação do risco de crédito. Portanto, uma notação do risco de crédito será obtida de
forma automática, tendo provado o trabalho das seguintes rúbricas de referência:
Isabel Duarte 9
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
3
Dado que este risco é a principal preocupação das IC’s , o Comité de Basileia de
Supervisão Bancária criou o Acordo de Basileia no sentido de reforçar a credibilidade do
sistema financeiro, como refere o documento on-line do Basel Committee on Banking
Supervision (BCBS) (2000). Neste contexto, decorreram já três atualizações dos Acordos,
uma vez que o objetivo passa por melhorar a capacidade do setor financeiro para absorver
choques resultantes de stress financeiro e económico.
Estas atualizações derivam das mutações do sistema financeiro internacional ao longo dos
anos, os quais foram caracterizados por uma crescente inovação financeira que promoveu
uma combinação entre posições de diferentes agentes económicos, capitalizando
transações de títulos cada vez mais complexos e que levou ao questionar da liquidez global
do sistema. Aliás, é esta a principal preocupação do último Acordo, que procura solidificar
as bases para um sistema sustentável, prioridade relevante após uma crise económica e
financeira internacional em 2008.
Ao nível organizacional, as IC’s encontram-se divid idas em três áreas distintas, sendo elas:
Front Office, Middle Office e Back Office, conforme cita Alcarva, P. (2011). A gestão de
risco de crédito está contemplada noMiddle Office e é composto pelos três segmentos
expostos:
De forma complementar, o Back Office abrange os serviços internos das IC’s e o Front
Office correspondem aos departamentos de contacto direto com os clientes.
Esquematicamente sugere-se:
3 De acordo com o glossário constante nosite do BdP, é uma instituição financeira que concede crédito a empresas,
particulares e outros agentes económicos.
Isabel Duarte 10
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Análise económico-
Área de
financeira e parecer
Concessão
para a decisão
Área de
Pré-Contencioso
Recuperação
De acordo com Alcarva, P. (2011) o negócio bancário visa uma análise aprofundada em
torno dos objetivos da segurança, rentabilidade e l iquidez. Assim, primeiramente é
reconhecido o objetivo da rentabilidade, uma vez que o negócio bancário visa a atividade
para a obtenção de lucro. O objetivo da liquidez es tá relacionado com a capacidade da
instituição bancária honrar as suas obrigações no d ia do vencimento. Por último, o objetivo
da segurança incita uma preocupação constante, uma vez que projetam a recuperação dos
recursos investidos. A importância deste pilar pren de-se à necessidade de supervisão dos
diferentes riscos que as instituições vivenciam.
Isabel Duarte 11
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Por conseguinte, sob os auspícios do BIS, o BCBS regula matérias de supervisão bancária e
gestão de risco. Assim, estimula a cooperação entre os seus membros, definindo padrões de
supervisão e emitindo recomendações sobre boas prát icas e administração de riscos, na
4 O grupo do G10 foi fundado em 1962 por representantes dos governos centrais da Bélgica, Canadá,
EstadosUnidos, França, Itália, Japão, Países Baixos e Reino Unido e dos Bancos Centrais da Alemanha Ocidental e
Suécia, de acordo com o BCBS.
Isabel Duarte 12
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O Acordo de Basileia I viria a surgir no ano de 1988 com o propósito de uma aproximação
à medição do risco de crédito, bem como à instituiç ão de uma nova reserva mínima de
capital. Alguns anos depois, em 2004, foi publicado o Acordo de Basileia II.
Posteriormente, e devido à evolução do mercado, foi implementado um programa de
reformas que veio regulamentar os limites que estavam estabelecidos para a exposição ao
risco. Surge então, o Acordo de Basileia III, com a provação no ano de 2010. De seguida,
iremos abordar cada um dos Acordos, em pormenor.
O Acordo de Basileia I surge após diversos anos de muito trabalho por parte do Comité de
Supervisão Bancária do BIS e, paralelamente, no seguimento de várias falências no setor
financeiro. Concretamente, este Acordo emergiu, no sentido de harmonizar as normas de
supervisão relativas aos requisitos de capital das instituições bancárias internacionais, uma
vez que era importante combater as diferenças que e xistiam entre os níveis de capitalização
das IC’s nos diferentes países, evidencia Amaral, L . (2007). Segundo o Presidente do
Comité, Jaime Caruana, citado por Beja, R. (2004), o Acordo de Basileia I apontou a
internacionalização da atividade bancária, em especial nas áreas de gestão de risco,
supervisão bancária e mercado financeiro, como principal fator de preocupação.
Isabel Duarte 13
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
A essência deste Acordo propunha dois objetivos fundamentais. O primeiro objetivo visava
reforçar a solidez e a estabilidade do sistema banc ário internacional. O segundo objetivo
estabelecia a diminuição das fontes de desigualdade competitiva existentes entre as
instituições bancárias internacionais, refere BCBS (1988).
O Acordo de 1988, Basileia I, tinha implícito um requisito mínimo de capital para as IC’s,
dando a possibilidade de serem tomadas medidas mais exigentes pelas entidades
supervisoras. Na abordagem do risco de crédito, foiestabelecida uma ponderação de risco
dos ativos, em cinco categorias distintas: 0%, 10%, 20%, 50% e 100%, em função do risco
inerente ao ativo, tal como salientam Silva, E. et al. (2011B). Nessa mesma avaliação dos
riscos, são contemplados desde os meios imediatamen te líquidos, até aos imóveis, títulos
de capital sobre outras IC’s e ativos de crédito sobre empresas públicas ou empresas
privadas.
Isabel Duarte 14
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O Acordo em estudo agrupa também os componentes dosfundos próprios das IC’s em dois
grupos - Tier 1 e Tier 2. Estes dois grupos são explicados de seguida, no Ac ordo de
Basileia II.
5
Relação do capital face à exposição ponderada ao ri sco.
Isabel Duarte 15
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Face ao exposto, o Comité propôs então a substituiç ão do Acordo em vigor, por forma a
estabelecer conceitos mais apurados de sensibilidade ao risco. Assim, em Junho de 2004,
foi divulgado o Novo Acordo de Capital de Basileia, também designado por Acordo de
Basileia II, com o objetivo de implementar maior solidez ao sistema financeiro mundial. Os
benefícios do Acordo de Basileia II refletem-se numa maior sensibilidade ao risco de
crédito e maior adequabilidade dos capitais face aos riscos específicos sustentados por cada
IC, conformidade na informação a disponibilizar ao mercado e reforço do papel da
supervisão, como mencionam Silva, E. et al. (2011B).
Neste sentido, as principais mudanças têm especial ênfase nas metodologias de gestão de
risco das instituições bancárias, na supervisão das autoridades bancárias e no fortalecimento
da disciplina de mercado. Relativamente às metodologias de gestão de risco, existem dois
métodos básicos associados e quatro variáveis ou parâmetros, como podemos verificar no
7
Quadro 1, apresentado mais à f rente. No que respeita à supervisão e disciplina, o BdP
executa estas funções perante as IC’s, sociedades financeiras e instituições de pagamento,
tendo como principais ob jetivos assegurar a estabilidade, eficiência e solidez do sistema
financeiro, o cumprimento de regras de conduta e de prestação de informação aos clientes
bancários, bem como garantir a segurança dos depósitos e dos depositantes e a proteção dos
inter esses dos clientes recorrendo à emissão de regras através de Avisos. Assim, neste
Acordo édada particular relevância ao risco de
6 Fundos híbridos são fundos compostos por diferente s títulos e diferentes características.
7 [Link] acedido em: 11 de Junho de 2014.
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Isabel Duarte 17
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Citado por Dantas, J. et al. (2010:5) “as orientações expostas em Basileia II a tualizam os
padrões definidos no Acordo de Basileia I, buscando suprir suas deficiências e limitações, e
apresentam alternativas mais sofisticadas para o cálculo do capital mínimo regulamentar,
aproximando-o do capital económico calculado pelos próprios bancos na gestão dos seus
negócios.” Segundo Amaral L. (2007), o capital regu lamentar de uma instituição bancária
define-se pelo capital mínimo imposto pelo regulador e para esse cálculo existem quatro
classes regulamentares de risco. Neste sentido, o regime regulatório prevê um incentivo para
as instituições bancárias procurarem ativos das classes de risco baixas, definidas pelo
Acordo de Basileia I, evitando os ativos inseridos em classes de risco classificadas como
altas. Por outro lado, o mesmo autor afirma que, o capital económico de uma instituição
bancária é o capital que permite fazer face às perdas não esperadas, que têm uma muito
pequena mas definida hipótese de ocorrerem. Posto i sto, as instituições bancárias devem ter
um capital mínimo que sirva de caução e respond a pelas perdas não esperadas.
Isabel Duarte 18
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A relevância deste Acordo permite-nos afirmar que, enquanto o Acordo de Basileia I exigia
uma reserva mínima de capital para risco de crédito, o Acordo de Basileia II, “além de
promover mudanças conceituais relevantes em rela ção ao alcance do risco de mercado e de
considerar diferentes fatores de ponderação e mi tigadores no cálculo da exposição
ponderada pelo risco, também orienta a consideração dos riscos operacionais. Em relação às
alternativas de cálculo de capital regulamentar, essas passam a considerar desde abordagens
padronizadas, semelhantes ao padrão de B asileia I, até abordagens avançadas e complexas,
nas quais o capital regulatório é calculado a partir das próprias medidas de risco que os
bancos utilizam internamente na gestão dos seus negócios”, de acordo com Dantas, J. et al.
(2010:5).
12 Entidade fictícia
Isabel Duarte 19
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- Part. Finan. representativa de 25% do Cap. Social da Comp. Seguros Allianz -8,0
(c) Deduções aos FPB e FPC -8,0
Podemos então concluir que, para efeitos de solvabi lidade, é-nos apresentado um valor de
fundos próprios de 48 milhões de euros. Na sequência disto, podemos calcular o rácio de
solvabilidade que, conforme foi descrito e apresentado nos Acordos de Basileia, é um dos
indicadores mais relevantes.
(1)
Fundos Próprios
Rácio de Solvabilidade Total =
Ativo e Extrapatrimoniais ponderados pelo risco
(Risco Crédito, Risco Operacional e Risco Mercado)
48
Rácio de Solvabilidade Total = 16
= 12,387%
387,5
13 Limite até 50% FPB, de acordo com o Aviso n.º 6/201 do BdP.
14 Limite até 50% FPB, de acordo com o Aviso n.º 6/201 do BdP.
15 Limite até 100% FPB, de acordo com o Aviso n.º 6/2010 do BdP.
16 Ativos e extrapatrimoniais ponderados pelo risco = Requisitos mínimos de fundos próprios (31)/8%, prev isto no
Acordo de Basileia I.
Isabel Duarte 20
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Ainda a título de exemplo, o Banco Investiment, Ltd., pretende determinar dos requisitos
mínimos dos fundos próprios, para cobertura do risc o operacional, aplicando o modelo
padrão - Technical Standard Analysis (TSA):
Assim, apresentamos:
Isabel Duarte 21
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Com base nos valores apurados no quadro anterior, podemos concluir que o risco para cada
um do setores ou áreas de atividade assume valoresque variam entre os 11% e os 19%. Por
conseguinte, em função dos valores KTSA , podemos afirmar que a área de negócio sujeita a
um maior risco, com impacto na situação financeira da instituição, é o Banca de Retalho.
Na posição inversa, encontra-se a Corretagem (Retal ho).
As componentes dos fundos próprios das IC’s foram c ontempladas em dois grupos - Tier
1 e Tier 2. Referenciando o primeiro grupo, o Tier 1, este explanava os FPB, tais como o
capital social realizado e as reservas, deduzidos das diferenças de consolidação positivas e
dos investimentos em subsidiárias que exerçam atividade no setor financeiro, que não
sejam sujeitos a consolidação por forma a evitar mu ltiplicação de efeitos de algumas
variáveis. Dado que estes elementos têm uma aplicação homogénea transversal às IC’s o
Comité entendeu que os mesmos são de interesse relevante e significativo para os
diagnósticos do setor financeiro, BCBS (1988).
Ao longo dos anos, foram-se tornando visíveis as diversas lacunas presentes nos dois
Acordos de Basileia já existentes, sendo impossívelcontornar a enorme crise no sistema
financeiro mundial em 2008. A origem dessa crise advém de uma atividade fora do controlo,
da qual a concessão de crédito de alto risco (subprime) é o elemento mais marcante, que
demonstra os efeitos negativos oriundos da negligência sentida na área da gestão de risco,
como refere Carvalho, P. (2009).
Isabel Duarte 22
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
O Acordo de Basileia III baseia-se num conjunto de linhas mestras, como verificamos de
17
seguida. Conforme proposto pelo Comité, as IC’s passaram a apresentar um Core Tier 1
mínimo de 4,5%, ao invés dos anteriores 2%. Os FPB também sustentam uma mudança de
4% para 6%, evidenciando uma alteração no valor tot al a utilizar nos testes de esforço . Na
opinião de Silva, E. et al. (2011B:14), “O C ore Tier 1 representa a componente principal
18
dos FPB e passa a ser designado por Common Equity . Deverá ser constituído,
preferencialmente, por capital social realizado e resultados transitados. Os abatimentos ao
Common Equity, nomeadamente ativos intangíveis, contribuições pa ra fundos de pensões,
ativos por impostos diferidos, insuficiências na constituição de provisões para perdas
esperadas e interesses minoritários, bem como os filtros prudenciais introduzidos em virtude
da adoção pelas IC’s das NIC/NIRF, serão ha rmonizados numa base global.”
Não obstante do valor mínimo de 4,5% atrás referido, o Comité de Basileia de Supervisão
Bancária acrescentou um novo intervalo de 2,5%, designado por Capital Conservation
Buffer. Em termos quantitativos, o requisito mínimo da Common Equity a cumprir passará
para 7%. A finalidade deste intervalo consiste em permitir gerar tranquilidade, por forma a
criar um “amortecedor” em períodos de tensão. A par tir da sua implementação, no ano de
2013, as IC’s beneficiam de um período de cinco ano s para se adaptarem à nova
regulamentação, afirmam Silva, E. et al. (2011B).
Por conseguinte, este Acordo prevê também a reduçãodo risco sistémico que se traduz na
concessão do Countercyclical Capital Buffer que, “focar-se-à na relação entre o volume de
crédito concedido e o PIB de um país como medida de avaliação do risco sistémico. Medirá,
assim, ogap entre o rácio Crédito/PIB e a sua tendência de longprazo. Será
17 O rácioCore Tier 1 estabelece um nível mínimo de capital que as instituições devem ter em função dos requisitos
de fundos próprios decorrentes dos riscos associados à sua atividade, de acordo com Silva, E. et al. (2011B).
18 O Common Equity Tier 1 constitui o capital de melhor qualidade da instituição, em termos de permanência e
capacidade de absorção de prejuízos, de acordo com Silva, E. et al. (2011B).
Isabel Duarte 23
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
No que respeita ao risco de liquidez, não contempla do no Acordo de Basileia II, perspetiva-
se a introdução de standards quantitativos obrigatórios e ferramentas de monitorização dos
mesmos, por entidades supervisora s. O BCBS (2010) salienta que o objetivo destes
elementos passa por exigir, das instituições bancárias, uma maior resiliência a potenciais
dificuldades de curto e/oulongo prazo. Assim, propõe a criação de dois instrumentos
complementares: os requisitos de liquidez passam a incluir a introdução de um rácio de
cobertura de liquidez de curto prazo(Liquidity Coverage Ratio) e um rácio de financiamento
estável líquido a longo prazo Net( Stable Funding Ratio).
O Liquidity Coverage Ratio (LCR) ou Rácio de Liquidez, visa promover a solidez dasIC’s a
choques adversos de curto prazo, garantindo a existência de ativos líquidos de elevada
qualidade.
(2)
Ativos de elevada qualidade, em termos de liquidez
LCR = ≥ 100%
Fluxos de caixa líquidos, nos próximos 30 dias
Isabel Duarte 24
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
O Net Stable Funding Ratio (NSFR) ou Rácio de Longo Prazo, pretende garantir a solidez
das instituições a longo prazo, conferindo a manute nção de fontes de financiamento mais
estáveis.
(3)
Fundos disponíveis a longo prazo
NSFR = ≥ 100%
Fundos exigíveis a longo prazo
Assim, segundo o autor acima mencionado, o numerador deste indicador é composto pelo
somatório do capital, das ações preferenciais remív eis com maturidade superior a um ano,
passivos com maturidade superior a um ano e proporç ão de depósitos esperados que se
manterão no caso de um teste de esforço. No que res peita ao seu denominador, o mesmo
será definido pelo regulador. Este indicador estarásujeito a um período de observação entre
2012 e 2017, devendo ser introduzido, como requisito mínimo de capital, em 1 de Janeiro
de 2018.
A evolução dos Acordos de Basileia contempla a fixa ção de vinte e cinco princípios
básicos sobre contabilidade e supervisão bancária ficaz,e que visa entre outras coisas a
liquidez do sistema, divulgados pelo BCBS (2006), os quais podemos agrupar em seis
grandes categorias. No grupo 1 incluímos o princípio 1 e 2 onde os mesmos visam reduzir
diferenças informacionais tanto do lado dos supervi sores como das IC’s, através de
regulamentação explícita. Relativamente aos supervi sores, individualmente assumem as
suas atribuições, obrigações e poderes. No que resp eita ao grupo 2, este abarca o princípio
3, 4 e 5, contemplando atividades de autorização pa ra o funcionamento e para as mudanças
nas instituições bancárias e semelhantes, que se caracterizam por vigorarem num exato
Isabel Duarte 25
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Apoiando-nos em Maia (2010:3), podemos assegurar que ao afetar o sistema financeiro, “os
Acordos de Basileia III, obrigatoriamente, terã o reflexos sobre os restantes agentes
económicos e suas inter-relações: o Estado (e suas relações com outros), as empresas, as
famílias e, implicitamente, a postura e a quantificação dos níveis de risco. O Estado passa a
obter financiamentos a custos mais elevados por força de maiores exigências de capital, de
precaução com o risco e liquidez do sistema bancário. A dívida soberana, teoricamente,
deverá conhecer um custo acrescido nas taxas de juro, em todos os segmentos temporais
(especialmente os mais longos). Nas empresas, ao financiarem-se junto do sistema
financeiro a um custo mais elevado refletindo a precaução acrescida na concessão de
crédito, investirão menos, criarão menos postos de trabalho e a economia terá disponível
menos dinheiro para o investimento de substituição e de raiz (no que se refletirá num
crescimento real do produto menor). As famílias, por seu lado, conhecerão (tal como as
empresas) spreads mais elevados do que os atuais decorrentes de exigências superiores com
os riscos de crédito e de liquidez, conhecendo o crédito a conceder limites mais apertados do
que os atuais”. Neste contexto, os nív eis de risco, apresentar-se-ão condicionados pelos
novos mecanismos implícitos nos indicadores que mais de perto os aludem, como por
exemplo os rácios de capitalTier 1 (capital mínimo mais “almofada” de conservação).
Isabel Duarte 26
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O BdP tem vindo a emitir, ao longo do tempo, um conjunto de Avisos que visam
regulamentar e disciplinar o setor financeiro, no sentido de estimular mecanismos de
controlo dos procedimentos dos intervenientes no mesmo.
No âmbito dos fundos próprios, emitiu o Aviso n.º 6 /2010 que define no seu artigo 2.º que
“os fundos próprios das instituições são constituíd os pela soma dos FPB determinados nos
termos do artigo 6.º, com os FPC, determinados nos termos do artigo 9.º, deduzida dos
montantes a que se refere o artigo 15.º”
No que respeita aos FPB, o seu artigo 3.º contempla os seguintes elementos positivos:
a) Capital realizado;
b) Prémios de emissão;
c) Reservas legais, estatutárias e outras formadas porresultados não distribuídos;
d) Resultados positivos transitados de exercícios anteriores;
e) Resultados positivos do último exercício;
f) Resultados positivos provisórios do exercício em cu rso;
g) Fundo para «Riscos bancários gerais»;
h) Reservas de conversão cambial e de cobertura de inv estimento líquido em unidade
operacional estrangeira;
i) Parcela das reservas e dos resultados correspondentes a ativos por impostos diferidos,
na medida em que estejam associados a perdas que contem como elemento negativo
dos FPB;
j) Outros instrumentos cujas condições sejam aprovadas pelo BdP.
Em contrapartida, o seu artigo 5.º define como elementos negativos dos FPB:
a) Ações próprias;
b) Outros elementos próprios aprovados pelo BdP;
c) Ativos intangíveis;
d) Resultados negativos transitados de exercícios anteriores;
e) Resultados negativos do último exercício;
f) Resultados negativos do exercício em curso, no final do mês;
g) Reservas de reavaliação negativas;
Isabel Duarte 27
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Por conseguinte, este Aviso consagra no seu artigo 7.º os seguintes elementos positivos dos
FPC:
Isabel Duarte 28
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Por último, no seu artigo 8.º são considerados elementos negativos dos FPC:
a) Elementos próprios;
b) Outros elementos, cujas condições sejam aprovadas p elo BdP.
A Instrução n.º 4/2011, emitida pelo BdP, retrata o s testes de esforço, ou também
designados por stress tests, definidos como ferramentas de gestão de risco. En tende-se por
teste de esforço, de acordo com a presente Instruçã o (2011:1), “a técnica de gestão de risco
que visa avaliar os efeitos potenciais, nas condiçõ es financeiras de uma instituição,
resultantes de alterações nos fatores de risco em f unção de acontecimentos excecionais,
mas plausíveis.” Decorrente da avaliação e gestão d e risco, os testes de esforço preconizam
um papel essencial no planeamento do capital interno e da liquidez, com vista a assegurar a
capacidade das IC’s para absorver choques adversos.
No âmbito da sua aplicabilidade, este documento vis a abranger todas as IC’s e empresas
de investimento sujeitas à supervisão do BdP. Relativa mente à implementação dos testes
de esforço nas instituições, devem ser tomadas em cons ideração as características, a
dimensão e o nível de complexidade, bem como a respetiva natureza, os riscos inerentes às
atividades que desenvolvem e a política de gestão desses mesmo s riscos. A sua realização
deve ser desenvolvida numa base consolidada, para efeitos de supervisão.
O ponto sete desta Instrução n.º 4/2011 refere os s eguintes riscos materiais que devem ser
alvo de ponderação nos testes de esforço (desde que sejam materiais para a instituição):
risco de crédito, risco operacional, riscos de mercado, risco de contraparte, risco de
concentração, risco de taxas de juro de carteira ba ncária, risco de flutuações de mercado
(em resultado da liquidação de posições de contrapa rte), risco de liquidez (associado à
execução de cauções em situações de tensão), risco de liquidez (do mercado e do
financiamento), risco de reputação, risco de correl ação (entre os diferentes tipos de risco).
Contudo, os quatro aspetos que se aconselham que haja maior atenção por parte das
Isabel Duarte 29
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
instituições são: o risco operacional, risco de rep utação, o risco de mercado com os
efeitos indiretos e o risco de correlação entre os fatores de risco.
Os respetivos resultados anuais dos testes de esforço devem ser apresentados com
19
referência a 31 de Dezembro para as análises de cenário ereverse stress tests e 31 de
Dezembro e 30 de Junho para análises de sensibilidade. Porém as IC’s podem solicitar
testes pontuais, caso se justifique.
Relativamente à sua execução prática, nos anos de 2 010 e 2011, o Comité das Autoridades
Europeias de Supervisão Bancária, juntamente com o Banco Central Europeu, realizou um
exercício de stress tests, com o objetivo de avaliar a resistência de um conjunto
representativo de instituições bancárias dos países da União Europeia (UE). Em Portugal, o
20
exercício foi conduzido pelo BdP e foi realizado para os quatro maiores grupos bancários
com informação contabilística e prudencial datada d e Dezembro de 2009. Para este
exercício, foram contemplados os respetivos fundos de pensões dos empregados bancários.
De acordo com o BdP (2010:1), a conclusão do exercí cio de stress tests para Portugal,
surtiu os seguintes resultados: “os quatro grupos b ancários portugueses revelaram um
elevado grau de resistência ao cenário adverso. Tods os grupos bancários apresentam rácios
de capitalTier 1 superiores a 6% em 2010 e 2011, apesar de uma significativa redução nos
níveis de rendibilidade e solvabilidade no cenário adverso, por comparação com o cenário
de referência. Deste modo, o exercício não implica medidas de recapitalização no caso dos
bancos portugueses.”
19 Reverse stress tests são como uma ferramenta de gestão de risco que comp lementa o conjunto de testes de esforço
realizado, designadamente na avaliação dos pressupo stos assumidos sobre o modelo e estratégia de negócio e no
planeamento de capital, de acordo com a Instrução n .º 4/2011.
20 Os quatro grupos bancários incluídos foram: Caixa Geral de Depósitos, Banco Espirito Santo, Banco Comerc ial
Português e Banco Português de Investimento. Em 2009representavam dois terços do total do ativo do Sis tema Bancário
Português, segundo o BdP (2010).
Isabel Duarte 30
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Capítulo 3 - Rating
O aparecimento das notações de rating leva-nos para o ano de 1909. A primeira notação
foi constituída pelo fundador da agência de notação Moody’s Investors Service (John
Moody), como consequência da falta de informação sobre risco de incumprimento.
Numa primeira instância, torna-se importante referi r que o rating está dividido em dois
ramos, sendo eles o rating interno e o rating externo. De seguida, iremos proceder ao seu
enquadramento.
O rating ou credit rating emergiu, devido à crescente dificuldade de obter i nformação sobre
risco de devedores de natureza financeira. Atualmente, o rating é abordado como um
instrumento de informação para os investidores, poi s pode ser definido como um cálculo de
credibilidade de um tomador de crédito, na opinião de Silva, E. et al. (2013). O seu principal
objetivo é o de melhorar a eficiência domercado financeiro, proporcionando aos credores
uma avaliação da posição do devedor no mom ento de lhe disponibilizar o crédito. A
notação de rating será mais fidedigna, quanto maior for a probabilidade de o devedor ter
capacidade de assumir os seus compromissos financeiros.
21
Segundo a Companhia Portuguesa de Rating , a notação representa “uma opinião sobre a
capacidade e vontade de uma entidade honrar, atempadamente e na íntegra os
compromissos financeiros sujeitos a rating e indicam a probabilidade de incumprimento
(probability of default (PD)) dos compromissos financeiros”. Assim, verifi cam-se
situações de incumprimento quando não são honrados os compromissos financeiros
sujeitos a rating e/ou, relativamente à entidade cujos compromissos financeiros são
Isabel Duarte 31
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
sujeitos a rating, ocorram eventos que indiquem que o pagamento futuro não vai ocorrer
na sua totalidade e/ou tempo útil.
Ferreira, E. (2010) concorda que a função de um rating é a de emitir uma opinião sobre a
capacidade de um devedor pagar as suas dívidas. Nas palavras do mesmo autor, Ferreira, E.
(2010:11), o rating assiste os credores para que “tenham uma avaliação da qualidade do
devedor no momento de lhe emprestar dinheiro, pois o nível de risco é importante para
definir a taxa de juro exigida. Credores com piores ratings - segundo as agências, mais
arriscados - têm que pagar taxas de juro mais elevadas; enquanto credores com melhores
ratings - menos arriscados - financiam-se a taxas mais baixas.”
Face ao exposto e segundo Silva, E. et al. (2013), os ratings internos são atribuídos pelas
IC’s aos seus clientes. Para isso, a IC procede à r ecolha e comparação de informações
relevantes sobre as características dos clientes. Assim, quanto menor for a notação
atribuída, maior o risco de crédito, o que implica que, mediante a informação
disponibilizada, os investidores exijam uma taxa remuneratória correspondente maior.
22 As agências de notação de risco, essencialmente, emitem pareceres sobre a solvência de um emitente oua qualidade
de crédito de um instrumento financeiro específico.
23 A dívida soberana é contraída por um Estado ou pelo seu Banco Central.
Isabel Duarte 32
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Finalmente, o parecer que é emitido sobre a capacidade do emitente para cumprir uma
obrigação financeira é crucial para a obtenção de f inanciamentos externos em mercados de
valores mobiliários, pois transmite segurança aos nvestidores.
A notação de risco de crédito acarreta vantagens quer para o investidor, quer para o
emitente ou até mesmo para o mercado. No que respeita ao rating, em termos gerais, a
24
Companhia Portuguesa de Rating apresenta as seguintes vantagens para o emitente:
· Menor prémio de risco (na prática, têmratings mais elevados, os melhores emitentes,
mas, teoricamente, variabilidade maior para riscos maiores);
· Maior facilidade na colocação da dívida da empresa com um melhor custo de
financiamento;
· Melhor reflexo da imagem financeira da empresa e consequente redução dos custos de
financiamento;
· Poupança da comissão de garantia bancária para a cobertura do risco de incumprimento;
· Fundamentação taxa de juro entre empresas de um Gru po;
· Melhorias estratégicas e de políticas de gestão.
Isabel Duarte 33
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
· Aplicar com racionalidade os recursos através de uma correta ponderação entre o risco
real vs risco percebido;
· Libertar capitais próprios necessários para as IC’s com utilização do mercado
secundário de ativos comrating.
· Maior transparência;
· Maior fiabilidade;
· Melhor destrinça da qualidade;
· Progresso e internacionalização: CreditMetrics, opções de risco de crédito, valores
mobiliários condicionados por eventos de créditocredit(-linked notes).
No que concerne às desvantagens, Silva, E. et al. (2013), destaca algumas das grandes
preocupações relativas ao rating. Então, são consideradas desvantagens situações co mo:
Isabel Duarte 34
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
De acordo com a informação constante no site da Standard & Poor´s (S&P) , as agências de
notação, apresentam-se como empresas independent es de quaisquer interesses. Esta
particularidade permite a independência, objetividade, credibilidade e liberdade de
divulgação de avaliações, em relação à qualidade de crédito dos emitentes e emissões de
dívida.
Tendo por base estas características, o objetivo primordial das agências passa por
disponibilizar aos investidores informação que os a jude a avaliar os riscos associados a
determinado investimento. Essas notações classifica m os emitentes segundo categorias que
correspondem a graus mais ou menos significativos do risco de incumprimento. Para esse
efeito, as agências empregam escalas alargadas de qualidade de crédito, onde a fronteira
crítica ocorre entre o grau designado de notação de investimento (baixo risco) e o grau de
notação especulativo (risco elevado), refletindo os seus riscos inerentes ao devedor.
Neste contexto, as agências derating atribuem notações a diferentes tipos de dívida, em que
o mais conhecido e mais divulgado na comunicaçã o social é o rating da dívida soberana.
No caso do risco soberano, a atribuição d a notação, requer os procedimentos anteriormente
referidos, mas com uma maior complexidade, como referem Silva, E. et al. (2013). Este
conceito associa-se à probabilidade de um estado soberano eminente de dívida ser incapaz
de cumprir as suas obrigações de pagame nto da dívida. O grupo de variáveis explicativas
contempladas pelo rating soberano, podem agregar-se da seguinte forma:
Isabel Duarte 35
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
As agências derating existem já há vários anos. Porém, devido ao crescente número das
mesmas no ano de 1975, apenas se tornaram oficiais, as três agências a seguir enumeradas.
Passaram a ser reconhecidas internacionalmente, dividem entre si 95% da quota de mercado
e são as seguintes:
· Moody´s Investors Service (única cotada em bolsa) com 40% da quota de mercado;
· Standard & Poor´s também com 40% da quota de mercado;
· Fitch Ratings com os testantes 15% da quota de mercado.
A Moody´s Investors Service foi a primeira agência derating, criada em 1909 por John
Moody. Os seus ratings em escalas globais, de longo e de curto prazo, são opiniões quanto
ao risco de crédito relativo a obrigações financeir as. No que respeita aos ratings de longo
prazo, estes são atribuídos a emissores ou a dívida s com um prazo de vencimento original
igual ou superior a um ano. As notações apresentam a probabilidade de incumprimento
sobre os pagamentos contratualmente acordados e ainda a perda financeira esperada no
caso de incumprimento. O Quadro 1, do Anexo 1, explica cada uma das notações que
podem ser apresentadas às obrigações. Complementarm ente, as notações podem surgir
ainda com os números 1, 2 e 3, indicando que a obrigação se encontra na posição elevada,
média ou baixa, respetivamente, na sua categoria derating.
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Durante um longo período de tempo, a Moody´s Investors Service , tinha apenas como
concorrente a agência de notação S&P, considerada das mais relevantes, a nível
internacional.
A S&P emergiu em 1941, com a fusão da Poor´s Publishing e a Standard Statistics. Desde
então, pública ratings de crédito e disponibiliza análises de risco de crédito independentes a
investidores e participantes do mercado em todo o mundo. Atualmente, conta com
escritórios em vinte e três países, sendo consagrada no mundo inteiro como líder de
conhecimento no mercado financeiro.
No que reporta às escalas de risco de crédito de curto prazo, a S&P sugere também as suas
classificações, patentes no Quadro 4, do Anexo 1.
A S&P avalia a médio prazo, a possível evolução de um rating de crédito num longo prazo.
As perspetivas não implicam obrigatoriamente uma alteração do rating, porém é importante
medir qualquer mudança nas condições eco nómicas e/ou nas condições fundamentais do
negócio.
A Fitch Ratings é o resultado da fusão entre Fitch IBCA, Fitch Investor Services com a
Duff & Phelps Credit Rating [Link] Chicago, em Abril de 2000. Sediada em Nova Iorque e
Londres, a Fitch Ratings apresenta classificações para IC’s, empresas, segu radoras, fundos
de investimento, gestores de recursos, ratings soberanos e mercados financeiros públicos.
No Quadro 5, Anexo 1, constam as possíveis avaliaçõ es de crédito de longo prazo.
Por outro lado, a Fitch Ratings, avalia também o nível de potencial defeito num período de
doze meses, ou seja, a curto prazo, como verificamos no Quadro 6, Anexo 1.
Evidenciamos ainda que, os sinais (+) ou (-) são ad icionados a uma notação para conotar
sua posição relativa nas categorias de rating.
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
No decorrer dos últimos anos, a qualidade das notações deteriorou-se, dada a utilização de
métodos pouco eficazes pelas agências derating, fator preponderante no desenvolvimento
da atual crise dos mercados. Perante tais acontecimentos, a Comissão Europeia (CE)
apelou à necessidade de se investir no desenvolvime nto da Regulação Europeia das
Agências de Notação.
Este processo de regulação previa colmatar a falta de medidas relativas aos conflitos de
interesses, à qualidade das notações de risco, à tr ansparência e governação interna das
agências e à supervisão das suas atividades. O fundamento desse procedimento visava dar
resposta às principais deficiências identificadas no sistema financeiro, perspetivando
proteger a estabilidade dos mercados financeiros e os investidores.
25
Em 2008, o Conselho Europeu de Bruxelas instituiu quatro pressupostos fundamentais ,
com vista a melhorar o desempenho dos mercados e também das agências de notação. Esses
quatro domínios evidenciam:
A sua publicação, no Jornal Oficial da UE, veio exi gir que o pedido de registo à European
26
Securities and Markets Authority (ESMA) passe a ser obrigatório para todas as empresas que
pretendam atuar na UE. Essas agências têm igualmente a obrigação de disponibilizar
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Na perspetiva de serem alcançados processos e proce dimentos transparentes por parte das
agências, estas passam a ter como obrigatoriedade adivulgação pública de informações
relevantes, nomeadamente em relação aos conflitos d e interesses, aos pressupostos
fundamentais das notações, à sua política de remune rações e às metodologias usadas.
Devem ainda divulgar os nomes das entidades com os quais se relacionam, sempre que
dessas entidades provenham mais de 5% das suas receitas anuais.
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
No âmbito dos requisitos de uma organização, ainda o Anexo I, define que as agências
devem prever a existência de um conselho de supervisão que garanta a independência das
notações face a condicionalismos políticos ou press ões económicas. O mesmo conselho
deve também conseguir identificar, gerir e divulgar quaisquer conflitos de interesses que
surjam. Relativamente à afetação de poderes, pelo m enos um terço e, num mínimo dois dos
membros do conselho de supervisão, devem ser membro s independentes não envolvidos em
atividades de notação de risco.
Por último, compete às agências, a divulgação semestral dos dados sobre as taxas históricas
de erros, referindo as zonas geográficas dos emitentes, e a correspondente evolução das
taxas.
O Regulamento (CE) n.º 1060/2009, revogado pelo Regulamento (UE) n.º 513/2011, em
Julho de 2011, concede os poderes de supervisão e d e registo exclusivo sobre as agências
de notação registadas na UE, à ESMA.
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
O primeiro Regulamento a vigorar, embora constitua uma boa base de trabalho, não
contempla diversas questões relacionadas com o exer cício da atividade de notação de
risco e com a utilização das notações.
Após a avaliação do Regulamento vigente, foram iden tificados problemas que influenciam
negativamente a estabilidade financeira. Assim, são citados pela CE os seguintes fatores:
· O recurso excessivo a notações externas para fins d e gestão interna de risco por parte
de investidores e a escassez de informação divulgada s obre os produtos financeiros
estruturados, conduziu a uma dependência excessivadas notações de risco;
· A emissão de notações de risco da dívida soberana n ão era suficientemente objetiva,
integral e transparente;
A concentração de barreiras à entrada no mercado de serviços de notações de risco,
bem como elevada concentração existente e a falta de co mparação dos resultados,
originou uma concorrência praticamente inexistente;
· A inexistência de uma compensação suficiente dos investidores prejudicados com a
emissão de uma notação incorreta;
· A independência das agências estar comprometida pela existência de eventuais conflitos
de interesses causados pelo modelo “emitente-pagado r”, da estrutura acionista da
agência, entre outros;
· Os processos e metodologias de notação não serem su ficientemente consistentes.
Face ao exposto, e tendo por base prevenir a existência de conflitos de interesses, este
documento determina que um membro ou acionista, que detenha pelo menos 5% de
participação numa agência de notação, fica proibido de deter mais de 5% noutra agência. No
que diz respeito à eventual existência de conflitos de interesses provenientes da utilização
do modelo “emitente-pagador”, este docum ento implementa a regra da rotatividade. Assim,
a sociedade de notação contrat ada não deve continuar vinculada com o emitente mais do
que três anos consecutivos ou, mais do que um ano, quando classificarem mais de dez
instrumentos de dívida consecutivos do mesmo emitente. Concluídos os três anos, a relação
só deve ser resp osta quatro anos depois.
Relativamente aos problemas específicos levantados pela notação das emissões soberanas,
que se tornaram evidentes durante a atual crise da dívida soberana, não estavam tampouco
especificamente acautelados no Regulamento anterior. Assim, as agências acrescentam a
obrigação de emitir notações da dívida soberana a c ada seis meses, contrariando os doze
meses anteriormente definidos. Complementarmente, estão obrigadas a publicarem um
relatório de investigação completa, sobre as notaçõ es soberanas emitidas ou alteradas, de
forma a prevalecer sempre a transparência e a fácilcompreensão dos utilizadores. As
agências devem ainda emitir um relatório de transparência onde indiquem as pessoas afetas
Isabel Duarte 42
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às notações das diferentes classes de ativos bem co mo dados detalhados do seu volume de
negócios, incluindo as receitas geradas pelas difer entes classes de ativos, para que se
consiga perceber de que modo são afetos os recursos à emissão de dívidas soberanas.
No que respeita a uma eventual centralização de res ponsabilidade, esta proposta admite a
criação de uma agência de notação europeia. Porém, a CE considera que mesmo pudessem
surtir benefícios, seria difícil resolver problemas de conflitos de interesses, pondo em causa
a sua credibilidade.
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A legislação portuguesa define as IC’s como sendo o rganizações cuja atividade consiste em
receber depósitos e/ou outros fundos reembolsáveis, com o objetivo de os aplicarem por
conta própria mediante a concessão de crédito, de acordo com o artigo 2.º do Regime Geral
das IC’s e Sociedades Financeiras (aprovado pelo Decreto-Lei n.º 298/92 de 31 de
Dezembro). Assim, bancos, caixas económicas, Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e
caixas de crédito agrícola mútuo, instituições financeiras de crédito, instituições de crédito
hipotecário, sociedades de investimento, sociedades de locação financeira, sociedades de
factoring, sociedades financeiras para aquisições a crédito, sociedades de garantia mútua e
outras empresas definidas pelo regime geral, são consideradas IC’s. Para a prossecução do
nosso estudo, iremos somente anali sar as atividades inerentes à seguinte instituição:
Isabel Duarte 44
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A intermediação financeira é uma atividade produtiva, na qual as IC’s obtêm fundos com o
propósito de os canalizar para outras entidades ins titucionais, através de empréstimos,
realizando assim uma realocação de recursos na econ omia, tal como apresentamos:
Isabel Duarte 45
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
27
No desempenho das suas funções, os mercados finance iros e intermediários financeiros
transferem fundos e recursos daqueles que têm exceso de fundos (aforradores) para aqueles
que têm escassez de fundos (investidores).
Neste contexto, a oferta das instituições bancárias tem vindo a adaptar-se às necessidades
dos clientes/consumidores, sendo que em diversas situações se foi sofisticando, em função
da procura específica dos vários segmentos de mercado, e noutros foi-se simplificando,
como forma de responder quase de imediato às solici tações do cliente.
Isabel Duarte 46
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
No seguimento deste estudo sobre risco de crédito, vamos aprofundar a análise sobre as
28 29
IC’s, tendo por base os Boletins Estatísticos e os Boletins Informativos , publicados pela
APB. O período de referência para esta análise restringe-se aos anos de 2008 a 2012, dado
que as oscilações dos mercados serão bem visíveis, pelo facto de Portugal ter sido
submetido ao plano de ajustamento financeiro, durante parte deste período e o seu início
(2008) coincidir com uma crise financeira internacional que condicionou todo o sistema. Os
três elementos do balanço, a seguir abordados, vão permitir uma análise aprofundada da
evolução e repercussões implícitas, dadas as altera ções vivenciadas no período de
referência.
28 Boletim Estatístico é um documento que compila periodicamente informação financeira e não financeira d e base,
sobre cada uma das instituições, de acordo com o site da APB.
29 O Boletim Informativo é um documento que reúne um onjuntoc de análises e comentários à atividade
desenvolvida, em cada exercício, pelas IC’s, de acordo com o site da APB.
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90.000.000
80.000.000
70.000.000
60.000.000
50.000.000
40.000.000
30.000.000
20.000.000
10.000.000
0
2008 2009 2010 2011 2012
A primeira grande constatação está no aumento significativo de crédito cedido aos clientes
entre os anos de 2008 a 2010, verificando-se aqui valores máximos das IC’s, com excepção
do BCP. Nos anos posteriores, em 2011 e 2012, verifica-se um decréscimo gradual. As
principais causas desta redução, ostentam as imposi ções da troika e o plano de ajustamento
que tem vindo a ser aplicado em Portugal, com termo no ano corrente. Podemos também
reter que, no ano em que as IC’s apresentaram uma considerável diminuição referente à
exposição ao risco de crédito, Portugal já se encontrava sob supervisão externa. Mediante a
evolução apresentada no Gráfico 1, pode também concluir-se que os valores mais
consideráveis na concessão de crédito, no período me observação, são das instituições
bancárias BCP e CGD.
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
A par de uma abordagem ao crédito cedido a clientes, seguimos esta análise com o intuito
de apurar a evolução dos ativos nas distintas insti tuições bancárias. A opção pela análise
desta rúbrica associa-se à importância que lhe é conferida em termos de liquidez que
ostenta.
140.000.000
120.000.000
100.000.000
80.000.000
60.000.000
40.000.000
20.000.000
0
2008 2009 2010 2011 2012
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Conforme podemos averiguar pela análise do Gráfico2, denota-se uma evolução positiva
dos ativos, nos anos de 2008 a 2010, na generalidade das instituições bancárias. No ano de
2011 e 2012, os valores desta rúbrica foram diminuindo, com excepção do BES, indicando
assim uma redução de liquidez.
A incidência sobre o estudo desta rúbrica prende-secom a importância que assume nos
diferentes critérios e limites para a sustentabilidade do sistema financeiro, apontados no
âmbito do Acordo de Basileia III.
Assim, o BdP (2009A) define que “A maioria dos limi tes estabelecidos no contexto das
regras prudenciais assenta no conceito de fundos próprios. Além dos capitais próprios
deduzidos de certos ativos sem valor de realização autónomo e de certas participações em
instituições financeiras, os fundos próprios compre endem outros agregados (como
determinados empréstimos subordinados), os quais, pelas suas características, reúnem
condições para constituir uma margem capaz de absor ver um determinado volume de
perdas e dar tempo às instituições para reagir (por exemplo, através do reforço do capital
social ou através da emissão de outros instrumentos elegíveis para os fundos próprios),
permitindo o prosseguimento, ou mesmo reforço, das suas atividades. Os fundos próprios
nunca podem ser inferiores ao capital social mínimo e pelo menos 10% dos lucros líquidos
apurados em cada exercício devem ser afetos à const ituição de uma reserva legal até ao
montante do capital social.”
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9.000.000
8.000.000
7.000.000
6.000.000
5.000.000
4.000.000
3.000.000
2.000.000
1.000.000
0
2008 2009 2010 2011 2012
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Esta evolução do fundo próprio coincide, em traços gerais, com a evolução do resultado
líquido do período (RLP) para as instituições bancárias aqui em estudo, sendo este portanto
o principal motor da evolução do fundo próprio.
De salientar que esta análise não incorpora os problemas que levaram à retirada do
mercado financeiro o BES.
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Este capítulo aborda a criação de um modelo de estu do, com base na investigação de
diversas variáveis, onde iremos proceder à análiseda probabilidade de insolvência de um
conjunto de empresas, inseridas na indústria de calçado do norte de Portugal.
30
Para este estudo, tornou-se fundamental definir uma amostra, com vista à obtenção de
resultados sobre o risco de crédito neste setor, emfunção da mesma. Assim, tendo por base
um determinado número de empresas de calçado em Portugal, selecionamos cinquenta
empresas ativas, recorrendo ao critério de rendimentos operacionais por ordem
decrescente, situadas na região do Grande Porto e c om mais de cinco trabalhadores
inclusive. A escolha pela indústria de calçado expõ e-se pelo grau de transacionalidade dos
produtos, conferindo a esta indústria uma característica especial que a diferencia de muitas
outras atividades em Portugal. De salientar que, segundo a Central de Balanços do BdP
(2012), este setor representava 4% das empresas, 3% do volume de negócios e 6% do
número de pessoal ao serviço nas indústrias transformadoras. Referenciando a mesma
análise, sabe-se que 96% das empresas da indústriade calçado concentravam-se nos
distritos de Aveiro, Porto e Braga e o volume de negócios do setor era determinante,
sobretudo, pelas empresas com vinte e mais anos de atividade (57%).
Desde logo, a sua afirmação nesses mercados, motiva da pela capacidade de criação de
moda, permitiu a esta indústria enveredar por uma estratégia assente na inovação. Essa
aposta, originou a implementação da permanente reno vação da gama de produtos e
capacidade de criação das empresas, sendo um elemen to essencial da sua competitividade.
30 Ao nível estatístico, uma amostra pode ser definida como um subconjunto finito da população, segundo Pedrosa, A.
et al. (2004).
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Isabel Duarte 54
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Após terem sido identificadas as variáveis independentes para a construção deste modelo, é
fundamental elucidarmos uma variável dependente. Asim, definimos uma variável que se
apresenta como elemento relevante das instituições perante os diversos agentes económicos:
a Reputação. Para a medição desta variá vel, consideramos o número de anos de vida da
empresa, uma vez que é através destes que se constrói a notoriedade da empresa, segundo
Vilabella, et al. (1997). Neste sentido, uma empresa que consiga sobreviver às diversas
crises durante a sua existência, apresenta uma maior capacidade
Isabel Duarte 55
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
para solver os seus compromissos, facilitando desta forma o acesso ao financiamento, daí
esperarmos uma relação positiva entre esta variável e o endividamento.
Posto isto, interessa então abordar a definição de cada uma das variáveis independentes
anteriormente indicadas, bem como a respetiva forma de cálculo. Para esta tarefa, recorreu-
se sobretudo à literatura de Mata, M. (2012), Silva , E. (2011C), Neves, J. (2012), Carvalho,
P. (2009) e o site Portal da Gestão. Entre os autores que estudam est e tema, há a destacar
Altman, E. (1968) que chega ao ponto de tentar determinar um indicador que permita
distinguir as empresas potencialmente solventes das insolventes.
Comparando os valores dos rácios financeiros com osde outras empresas do mesmo setor,
pode-se averiguar a razoabilidade do nível de endividamento da empresa. Desta forma,
será aconselhável decompor os diferentes tipos deapitaisc alheios em função do seu custo
(se tem ou não de suportar juros) e da sua permanência na empresa. Assim, de acordo com a
informação constante no site Portal da Gestão, torna-se fundamental efetuar est a análise
pelos seguintes motivos:
Isabel Duarte 56
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Solvabilidade (Solv)
Uma empresa está solvente, do ponto de vista económico, quando apresenta a competência
necessária para liquidar os compromissos financeiros. Este indicador de solvabilidade é um
rácio financeiro que indica a proporção relativa dos ativos da empresa financiados por
capitais próprios versus financiados por capitais alheios. Assim, quanto mais elevado este
rácio, maior a estabilidade financeira da [Link] conseguinte, quanto mais baixo, maior
a sua vulnerabilidade, Silva, E. (2011C). A análise deste rácio indica-nos, a garantia
oferecida pela empresa ao capital alheio ou passivo. Então, podemos interpretar este rácio
como sendo a liquidez de médio e longo prazo no sentido de apontar indícios sobre a
capacidade de solver compromissos. A fórmula é a seguinte:
(5)
Capitais Próprios
Solv =
Passivo Total
Este indicador financeiro é frequentemente utilizado nos estudos sobre os problemas das
empresas, por se tratar de um rácio que calcula o grau de cobertura do ativo total pelo
fundo de maneio. O fundo de maneio é definido comoa diferença entre o ativo circulante e
Isabel Duarte 57
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Rácios de Funcionamento
O indicador RI mede o grau de eficiência com que aempresa está a efetuar a sua gestão de
inventários emstock. Assim, quanto maior for o valor deste rácio, maior a eficiência da
gestão de stocks, Neves, J. (2012). O seu resultado é obtido pela divisão do custo das
mercadorias vendidas e das matérias consumidas (CMVMC) num determinado período de
tempo, pelo montante médio dos stocks nesse mesmo período de tempo. A sua fórmula é a
seguinte:
(7)
CMVMC
RI =
Stock Médio
Este indicador permite-nos, através do somatório das vendas de produtos com as prestações
de serviços, reconhecer o resultado fina l do trabalho desenvolvido ao longo do período,
afirma Carvalho, P. (2009) A análise do rácio da evolução do volume de negócios
possibilita a constatação de como as empresas mantém a sua quota de mercado,
Isabel Duarte 58
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
(8)
Vendas Ano N – Vendas N-1
EVN = x 100
Vendas Ano N-1
Posto isto, a comparação das grandezas apenas é viável quando analisada em forma de rácio,
pois de outra forma não seria correto comparar a performance de duas empresas de
dimensões diferentes, uma vez que o lucro avultado para uma PME poderá ser
negligenciável para uma empresa multinacional. Contudo, se usarmos os mesmos rácios
para uma e para outra, podemos facilmente obter dados para a sua comparação e reter
algumas conclusões importantes. Assim, no âmbito do s rácios de rendibilidade,
apresentamos aqueles que nos parecem fundamentais para a construção do modelo de rating
interno.
Isabel Duarte 59
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
empresas distintas. Naturalmente, quanto maior for o valor deste rácio, melhor será a
performance operacional da empresa. A fórmula é a seguinte:
(9)
RLP
ROA = x 100
Ativo Total
O ROE, em português Rendibilidade dos Capitais Próprios, divide o RLP pelo valor da
Situação Líquida, ou seja, os capitais próprios det idos pela empresa. Perante qualquer
gestor ou analista, este é um rácio importante, dado que analisa a capacidade e eficácia de
remuneração dos capitais investidos pelos acionista s. Especificamente, este indicador diz-
nos qual a percentagem de lucro, por cada euro investido, Nesves, J. (2012). Assim, um
rácioROE elevado evidencia crescimento e valor acrescentado. A fórmula é a seguinte:
(10)
RLP
ROE = x 100
Situação Líquida
Este indicador mede o peso dos encargos face à ativ idade económica da empresa, de
acordo com Mata, M, (2012). A fórmula é a seguinte:
(11)
Custos Financeiros
CFV = x 100
Vendas
que se obtém somando os quadrados dos desvios das observações da amostra relativamente
à sua média e dividindo pelo número de observações da amostra menos um. O desvio
padrão corresponde à raiz quadrada da variância, se ndo por isso uma medida de
variabilidade ou dispersão com as mesmas unidades q ue os dados, Maroco, J. (2007).
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
O modelo Durbin-Watson contempla uma das formas mais exatas de avalisar a existência de
correlação e de, simultaneamente, verificar a pr esença de auto-correlação entre os resíduos
ou erros do modelo de regressão. Neste tip o de análise, o resultado dado pela tabela resumo
do modelo é comparado com um limite superior (dU) e inferior (dL). Desta comparação, é
possível verificar se os resultados e stão em zonas de rejeição ou de não rejeição da auto-
correlação entre os erros do model o de regressão, como podemos analisar:
Tendo em consideração os valores pertinentes para e sta análise, obtemos um limite inferior
de 1,20 e um limite superior de 1,93. Como resultado do modelo Durbin-Watson, temos um
valor de 2,43, logo nada se pode concluir sobre os resíduos ou os termos de erro de
regressão.
Deste modo, é possível avaliar a relevância de cada uma das variáveis, na explicação da
reputação. Em função do quadro anterior, dos p-value constantes e sem excluir qualquer
variável, o modelo pode ser representado por:
(12)
Isabel Duarte 63
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Após a análise do modelo a três variáveis independentes, concluímos que todas elas são
estatisticamente relevantes e o R² assume um valor idêntico ao alcançado com oito
variáveis.
Quadro 12 – Resíduos
Isabel Duarte 64
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
A média dos resíduos tende para zero, o que mostra que o coeficiente de ajustamento do
modelo é razoável.
Gráfico 4 - Histograma
Fonte: SPSS
Podemos então perceber que esta análise não segue uma distribuição normal, logo isto
poderá provocar algumas divergências ou inconsistências ao nível da estimação do
coeficiente associado às variáveis independentes.
Quadro 13 - Percentis
N.º Observações 50 50 50 50 50 50 50 50 50
Variáveis 9 9 9 9 9 9 9 9 9
Percentis 20 9,40 16,45600 0,19740 0,17880 2,61740 -16,45140 0,16700 0,94440 0,06200
Para a avaliação da reputação, uma dada empresa ao ser analisada, em termos de rating numa
escala de A, B, C, D ou E irá ter umrating A se já existir há mais de 36,80 anos. Terá
umrating B, se existir há mais de 27,20 anos e menos de 36,80 anos. Apresentará um rating
C se existir há mais de 17,40 anos e menos de 27,20 anos. Será orating D se existir há mais
de 9,40 anos e menos de 17,40 anos. E ainda, terá umrating E se a sua existência for inferior
a 9,40 anos.
Isabel Duarte 66
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Para a construção do modelo de rating interno, começamos por definir a nossa amostra, a
qual foi obtida através da base de dados SABI. Em traços gerais, a pesquisa incidiu na
seleção de cinquenta empresas enquadradas na indúst ria de calçado do Grande Porto, por
ordem decrescente de resultados operacionais apresentados no ano de 2012.
A metodologia utilizada foi a regressão linear múltipla, dado que nos permite compreender
o comportamento de uma variável dependente (Reputação), em função das variáveis
independentes ou explicativas (Autonomia Financeira, Solvabilidade, Grau de Cobertura
do Ativo Total pelo Fundo de Maneio, Rotação dos In ventários, Evolução do Volume de
Negócios, Return on Assets, Return on Equity, Custos Financeiros sobre as Vendas).
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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
Conclusões
Dado que a atividade bancária exerce a sua principal função na concessão de crédito, a
análise do risco de crédito é uma condição fundamental, sendo a gestão de risco parte
integrante das melhores práticas. Portanto, uma gestão eficaz desse risco possibilita a
avaliação do grau de exposição evidenciado pela Ins tituição de Crédito. De entre outros
riscos inerentes aos negócios das organizações, atr ás mencionados, o risco de crédito
assume uma maior relevância uma vez que tem implíci to o risco da contraparte não cumprir
com as suas obrigações financeiras, em temp o útil.
As primeiras notações de risco surgiram como conseq uência da falta de informação sobre
risco de incumprimento. Desta forma, o aparecimento das agências de notação de risco
assumiu uma função essencial na dinâmica dos mercad os bancários e dos valores
mobiliários, ao nível mundial. Porém, a importânciadada a essas agências tem sido
contestada, dados os métodos pouco eficazes que foram sendo praticados. Por forma a
convergirem procedimentos transparentes no processo de emissão de notações de risco, a
Comissão Europeia estabelece regras que condicionam e controlam as atividades destas
agências.
Face ao diagnóstico proposto, a análise das rúbricas crédito a clientes, evolução de ativos e
valores do fundo próprio, retiradas do balanço e da demonstração dos resultados das seis
maiores instituições bancárias a operar em Portugal, referenciadas pela troika,
nomeadamente: BPI, BCP, BES, Banif, CGD e Santander Totta, concluímos que as suas
oscilações registaram maior impacto no período deco rrente do plano de ajustamento
imposto pela troika, tendo por base os cinco anos observados.
Mediante a elaboração do nosso caso prático, que visava uma abordagem à construção de
um modelo de rating interno, como ferramenta eficiente na graduação do risco das
empresas, este estudo foi elaborado mediante uma base de dados estritamente trabalhada
Isabel Duarte 68
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
para o efeito. Essa base de dados contempla pequenas e médias empresas do setor de
calçado do norte de Portugal e permite concluir, ap ós o seu processamento, que esta é uma
ferramenta válida e prática para a análise e classificação de empresas com características de
pequenas e médias empresas inseridas neste setor, considerando a dimensão da amostra. Por
outro lado, a melhoria do modelo de rating interno pode ser alcançada com a introdução de
novas variáveis quantitativas.
Num contexto de orientações futuras, sugerimos uma abordagem com uma base de dados
relativamente maior, no sentido de aprimorar a fiabilidade de um conjunto de variáveis que
traduzem a realidade das pequenas e médias empresasdo universo do calçado.
Por último, podemos relatar-vos que os mecanismos de controlo de risco de crédito são tão
importantes que neste momento o BdP em cooperação c om o governo decidiram criar uma
plataforma que descrimina o risco de potenciais clientes, segundo o porta-voz do Conselho
de Ministros. Assim, esta prática conduzirá à eficiência do sistema financeiro?
Isabel Duarte 69
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014
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Isabel Duarte 76
Anexos
As obrigações são consideradas da mais alta qualida de, sujeitas ao nível mais
Aaa baixo de risco de crédito, o que significa que oferecem uma ótima segurança
financeira. Uma possível alteração, dificilmente va i prejudicar a sua posição.
As obrigações são apresentadas como sendo sem garan tia financeira, pois a sua
C
potencial recuperação de valores é muito baixa.
Not
Os emissores Not Prime não têm enquadramento nas categoriasPrime.
Prime
O devedor é mais vulnerável que outro com notação BB, ainda que de
B momento se possa considerar que tem capacidade para cumprir com os
seus compromissos financeiros.
O devedor tem uma capacidade satisfatória para cump rir com os seus
A-2
compromissos financeiros.
Os devedores com uma notação B-1 têm uma capacidade relativamente mais
B-1
forte, para cumprir com os seus compromissos financeiros de curto prazo.
Os devedores com uma notação B-2 têm uma capacidade média, para cumprir
B-2
com os seus compromissos financeiros de curto prazo.
A notação B-3 apresenta uma capacidade relativament e mais débil para B-3
cumprir com os seus compromissos financeiros de curto prazo, em comparação
com outras notações especulativas.