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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito

A dissertação de Isabel Maria Ribeiro Duarte apresenta um modelo de avaliação de risco de crédito, destacando a importância do rating como ferramenta de análise para investidores. O estudo utiliza dados da indústria de calçado em Portugal e aplica uma regressão linear múltipla para determinar níveis de risco, enfatizando a relevância das normas do Acordo de Basileia III na gestão de crédito. A pesquisa visa estruturar um modelo de rating que possa auxiliar analistas de risco na avaliação de instituições de crédito.

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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito

A dissertação de Isabel Maria Ribeiro Duarte apresenta um modelo de avaliação de risco de crédito, destacando a importância do rating como ferramenta de análise para investidores. O estudo utiliza dados da indústria de calçado em Portugal e aplica uma regressão linear múltipla para determinar níveis de risco, enfatizando a relevância das normas do Acordo de Basileia III na gestão de crédito. A pesquisa visa estruturar um modelo de rating que possa auxiliar analistas de risco na avaliação de instituições de crédito.

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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito


-
Rating - Uma Abordagem

Isabel Maria Ribeiro Duarte

Dissertação de Mestrado

Mestrado em Auditoria

Porto, 2014

Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto

Instituto Politécnico de Porto


Modelo de Avaliação de Risco de Crédito
-
Rating - Uma Abordagem

Isabel Maria Ribeiro Duarte

Dissertação de Mestrado
apresentada ao Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto
para a obtenção do Grau de Mestre em Auditoria, sob a orientação de
Mestre Adalmiro Álvaro Malheiro de Castro Andrade P ereira

Porto, 2014

Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto

Instituto Politécnico de Porto


Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Resumo

Ao longo dos anos, a gestão de risco tem vindo a as sumir um papel cada vez mais
preponderante na análise estratégica das organizações empresariais, sendo este um elemento
fundamental para os órgãos de gestão, e or iginou que o risco de crédito assumisse uma
posição de excelência no atual sistema financeiro.

A primeira notação de rating foi constituída pelo fundador da agência de notação Moody’s
Investors Service (John Moody), como consequência da falta de informação sobre risco de
incumprimento, no início do século XX. O rating é hoje visto como um instrumento de
informação para os investidores, pois pode ser defi nido como um cálculo de credibilidade
de um tomador de crédito cumprir total ou parcialmente com as obrigações assumidas. No
contexto económico vivido de recessão ou estagnação , após a crise financeira internacional
de 2008, houve a necessidade de atualizar e definir regras mais atinentes a serem cumpridas
pelas Instituições de Crédito. Para que i sto fosse possível, muito contribuiu a nova versão
do Acordo de Basileia III. Portanto, se r capaz de criar um modelo de rating torna-se uma
mais-valia para qualquer analista de risco de crédito.

Desta forma, para a realização do modelo de estudo, foi criada uma base de dados
económicos e financeiros sobre empresas da indústria de calçado, devido ao peso e
importância que esta tem na economia portuguesa. Um a regressão linear múltipla procurou a
determinação de um nível de risco face a um conju nto de critérios ou variáveis
independentes, todas elas de natureza quantitativa e de cálculo exato. Uma análise de rating
foi então criada para a base de empresas utilizada , desencadeando a aplicação de percentis
para escalonar as séries associadas às variáveis.

Palavras-chave: Risco de Crédito, Acordo de Basileia,IRB, Rating, Indústria de Calçado.

Isabel Duarte ii
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Abstract

Over the years, risk management has assumed an increasingly important role in the
strategic analysis of companies, being a crucial element in the management bodies, and
originated the credit risk assumed a position of excellence in the current financial system.

The first credit rating was established by the founder of the rating agency Moody´s
Investors Service (John Moody) as a result of lack of information on default risk, during the
twentieth century. The rating is now seen as an information tool for investors, it may be
defined as a calculation of credibility of a borrower's credit, comply fully or partially with
obligations. Economic circumstances experienced recession or stagnation, after the
international financial crisis of 2008, there was a need to update and define rules pertaining
more to be fulfilled by credit institutions. To make this possible, greatly contributed the
new version of Basel III. So being able to create a rating model becomes an asset to any
credit risk analyst.

Thus, for the realization of the study model, a base of economic and financial data on
companies in the shoe industry was created due to the weight and importance it has in the
Portuguese economy. A multiple linear regression sought to determine a level of risk
against a set of criteria or independent variables, all of quantitative and exact calculation. A
rating analysis was then created to the base of enterprises used, triggering the application of
percentiles to scale the variables associated with the series.

Keywords: Credit Risk, Basel Accord, IRB, Rating, Shoe Industry.

Isabel Duarte iii


Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Agradecimentos

A elaboração da minha dissertação representa o term inar de um objetivo essencial na


minha vida académica. O seu desenvolvimento reúne ontributosc de diversas pessoas, sem
os quais não teria sido possível a sua concretizaçã o. Portanto, dirijo estas palavras
carinhosas de agradecimento, pela dedicação e compr eensão de algumas dessas pessoas.

Em primeiro lugar, agradeço ao meu Professor Orient ador, Mestre Adalmiro Pereira, que,
desde logo, mostrou disponibilidade para me conduzir nesta dissertação. A sua
incomparável ajuda na definição do objeto de estudo, a sua exigência e rigor, os essenciais
comentários e sugestões, tornaram-se imprescindíveis para o meu sucesso.

À Professora Alcina Dias, pelo seu apoio e atenção em todas as ocasiões e pela excelente
preparação que me proporcionou na sua unidade curri cular de Metodologias de
Investigação.

Ao ISCAP, pela cedência do espaço e acesso à base de dados SABI, elemento fundamental
à realização desta investigação.

Ao meu irmão, namorado e amigos pela força e ânimo que sempre me transmitiram. Um
agradecimento especial ao meu namorado pela admiraç ão que demonstrou em todos os
momentos, motor de enorme fonte de motivação.

ÀPatrícia Baptista e ao Francisco Baptista, pela d isponibilidade que revelaram no que diz respeito aos aspetos laborais e pelas

palavras de incentivo proferidas ao longo desta caminhada.

Por fim, mas não menos importante, um agradecimento incondicional aos meus pais,
Fernando Duarte e Lurdes Duarte, pois foram eles que deram o maior contributo à minha
formação académica e pessoal, proporcionando-me sempre o melhor possível para que
atingisse este objetivo. O orgulho que sinto por eles é imensurável.

A todos, o meu sincero OBRIGADA!

Isabel Duarte iv
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Lista de Siglas e Abreviaturas

AFin - Autonomia Financeira

APB - Associação Portuguesa de Bancos

APICCAPS - Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos


de Pele e seus Sucedâneos

BCBS - Basel Committee on Banking

Supervision BCP - Banco Comercial Português

BdP - Banco de Portugal

BES - Banco Espírito Santo

BIS - Bank for International Settlements

BPI - Banco Português de Investimento

CE - Comissão Europeia

CFV - Custos Financeiros sobre as Vendas

CGD - Caixa Geral de Depósitos

CMVMC - Custo das Mercadorias Vendidas e das Matérias Consumidas

ESMA - European Securities and Markets Authority

EVN - Evolução do Volume de Negócios

FM/AT - Grau de Cobertura do Ativo Total pelo Fundo de Maneio

FPB - Fundos Próprios de Base

FPC - Fundos Próprios Complementares

IC - Instituição de Crédito

IOSCO - International Organization of Securities Commissions

IRB - Internal Ratings-Based

LCR - Liquidity Coverage Ratio

NSFR - Net Stable Funding Ratio

PIB - Produto Interno Bruto

PME - Pequena e Média Empresa

Isabel Duarte v
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

RI - Rotação dos Inventários

RLP - Resultado Líquido do Período

ROA - Return on Assets

ROE - Return on Equity

Solv - Solvabilidade

S&P - Standard & Poor´s

TSA - Technical Standard Analysis

UE - União Europeia

Isabel Duarte vi
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Índice

Resumo ii
Abstract iii
Agradecimentos iv
Lista de Siglas e Abreviaturas v
Índice vii
Índice de Figuras ix
Índice de Quadros x
Índice de Gráficos xi
Introdução 1
Parte I - Revisão da Literatura 3
Capítulo 1 - Riscos Financeiros 3
1.1 - Noção de Risco 3
1.2 - Tipologias de Risco 5
1.3 - Risco de Crédito 8
Capítulo 2 - Supervisão e Regulamentação 12
2.1 - Acordos de Basileia 13
2.1.1 - Acordo de Basileia I 13
2.1.2 - Acordo de Basileia II 16
2.1.3 - Acordo de Basileia III 22
2.2 - Aviso do Banco de Portugal 27
2.3 - Testes de Esforço ( Stress Tests) 29
Capítulo 3 - Rating 31
3.1 - Noção de Rating 31
3.2 - As Vantagens e Desvantagens do Rating 33
3.3 - As Agências deRating e as suas Classificações 34
3.4 - Regulamento (CE) n.º 1060/2009 38
3.5 - Revogação do Regulamento (CE) n.º 1060/2009 40
Parte II - Abordagem Empírica 44
Capítulo 4 - As Instituições de Crédito em Portugal 44
4.1 - Evolução do Crédito a Clientes 47
4.2 - Evolução dos Ativos 49

Isabel Duarte vii


Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

4.3 - Evolução do Fundo Próprio 50


Capítulo 5 - Modelo de Estudo do Risco de Crédito em Portugal 53
5.1 - Uma Abordagem à Indústria de Calçado 53
5.2 - As Variáveis em Estudo 54
5.3 - Modelo e Resultados Obtidos 60
5.4 - Considerações Finais 67
Conclusões 68
Bibliografia 70
Anexos
Anexo 1 - Tabelas de Rating

Isabel Duarte viii


Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Índice de Figuras

Figura 1 - Segmentação do Middle Office: Gestão do Risco de Crédito 11

Figura 2 - Esquema do Funcionamento do Sistema Financeiro 45

Figura 3 - Zonas de Rejeição e não Rejeição da Auto -Correlação entre os


62
Resíduos ou Erros do Modelo de Regressão

Isabel Duarte ix
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Índice de Quadros

Quadro 1 - Metodologias IRB 18

Quadro 2 - Indicadores de Negócio 21

Quadro 3 - Cálculo dos Indicadores de Negócio 21

Quadro 4 - Valores do Crédito a Clientes 48

Quadro 5 - Valores do Total de Ativos 49

Quadro 6 - Valores do Fundo Próprio 51

Quadro 7 - Definição das Variáveis Independentes 55

Quadro 8 - Estatísticas Descritivas 61

Quadro 9 - Resumo do Modelo 62

Quadro 10 - Coeficientes das Variáveis 63

Quadro 11 - Coeficientes das Variáveis Estatisticamente Relevantes 64

Quadro 12 – Resíduos 64

Quadro 13 – Percentis 65

Quadro 14 - Escalas de Rating 66

Isabel Duarte x
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Índice de Gráficos

Gráfico 1 - Análise do Crédito a Clientes 48

Gráfico 2 - Análise do Total de Ativos 49

Gráfico 3 - Análise do Fundo Próprio 51

Gráfico 4 - Histograma 65

Isabel Duarte xi
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Introdução

No contexto económico atual, a análise do risco de crédito apresenta-se como um elemento


importante na atividade financeira. O impacto deste risco na gestão das Instituições de
Crédito, garante uma necessidade cada vez maior de atenção, uma vez que a sua gestão
ineficaz pode por em causa a viabilidade da mesma.

Recentemente, o setor bancário foi abalado com os problemas expostos na comunicação


social em torno do Banco Espírito Santo. A sua exibição pública afetou os progressos que
têm vindo a ser feitos na melhoria da confiança no setor bancário e abalou a capacidade das
outras instituições bancárias se financiarem, pelo menos enquanto esta questão agitar os
mercados. Contudo, esta situação tomará proporçõ es delicadas, na eventualidade das
instituições bancárias necessitarem de aumentar o capital, na sequência da avaliação de
ativos e testes de esforço, promovidos pelo Banco C entral Europeu e supervisionados pelo
Banco de Portugal, apesar de terem reduzido eventuais necessidades de fundos com
reduções de risco do balanço e aumento dos depósito s.

Por forma a combater situações adversas, a supervis ão bancária estabelece diversas normas
que determinam o risco de crédito que as instituiçõ es bancárias podem assumir. Essas
normas estipulam que para a realização de cada oper ação de crédito, a instituição deve
disponibilizar uma parte do capital para cobrir os possíveis prejuízos decorrentes da mesma.
Desta forma, prevê-se que haja uma limitação do valor do crédito que as instituições
bancárias podem contratar, mediante o seu capital disponível. Num contexto de recessão,
essa limitação origina impactos negativos nas empresas com um maior nível de
incumprimento, dada a ausência de crescimento económico.

Face à relevância do tema, o objetivo principal des ta dissertação, assenta no estudo do risco
de crédito nas Instituições de Crédito em Portugal em termos teóricos, e posteriormente na
avaliação da sua importância e ap licabilidade em termos práticos, diagnosticando a posição
das instituições face ao c rédito cedido a clientes, à evolução de ativos e valores de fundo
próprio. Complementarment e, vamos analisar um conjunto de indicadores económicos e
financeiros (variáveis quantitativas), tendo em vista aferir a sua capacidade explicativa do
risco de uma dada organização empresarial. Perspetiva-se que através dos resultados
obtidos, seja possível estruturar um modelo de rating com capacidade explicativa.

Isabel Duarte 1
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Na primeira parte (revisão da literatura), será utilizada uma metodologia qualitativa, onde na
preparação da investigação sobressaem o estabele cimento do objeto a estudar e a estrutura
da investigação. A utilização de uma meto dologia qualitativa visa uma análise profunda de
fenómenos estudados, mais do que a obte nção de resultados. Segundo Marques (2005),
citado por Seabra, F. (2010), esta metodologia permite aceder à complexidade e diversidade
da realidade em estudo, de forma contextualizada e enriquecida pelos significados que lhes
são atribuí dos pelos participantes.

Assim, o primeiro capítulo tem como temática central a apresentação da noção de risco,
bem como a sua tipologia, incidindo o estudo na abordagem do risco de crédito.
Seguidamente, passaremos para uma análise aprofundada aos Acordos da Basileia. O
Basileia I surgiu com o objetivo de criar exigências mínimas de capital, como precaução
contra o risco de crédito. O segundo Acordo tinha como foco a gestão de risco e, por fim, o
Basileia III suscita as instituições bancárias a aumentarem as suas reservas do capital para
se protegerem de eventuais crises. No terceiro capítulo, a investigação basear-se-á na
abordagem da noção de rating, na avaliação das suas vantagens e desvantagens, n o estudo
das três agências que são reconhecidas internacionalmente (Moody´s Investors Service,
Standard & Poor´s e Fitch Ratings) e também na regulamentação vigente para as agências.

Após a revisão da literatura, segue-se a abordagem empírica, que combina a utilização das
metodologias qualitativa e quantitativa. Uma investigação quantitativa pretende explicar
fenómenos através da objetividade dos procedimentos e da quantificação de medidas. A
análise de dados quantitativos tem por objetivo descrever a distribuição das entidades pelos
diversos valores das variáveis ou descrever a relação entre as variáveis, Seabra, F. (2010).

Posto isto, a metodologia a implementar na abordagem empírica será de natureza qualitativa


de base descritiva para o diagnóstico d os vários elementos do balanço, nas instituições
bancárias em Portugal. Depois, utilizar-se-á uma metodologia quantitativa, relativamente à
construção de um modelo de rating interno, aplicado a um conjunto de empresas
portuguesas. A parte prática completa o objetivo principal desta investigação, que consiste
na construção desse modelo.

No culminar da minha dissertação acredito ter conse guido cumprir todos os meus
objetivos e que o empenho dedicado a esta investigação desenc adeie um melhor
entendimento ao nível da gestão do risco de crédito.

Isabel Duarte 2
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Parte I - Revisão da Literatura

Tendo em consideração o objeto de estudo deste trab alho, começa-se por conduzir uma
pesquisa bibliográfica que permita enquadrar, teoricamente, o estudo, visando alcançar os
objetivos definidos. Na primeira parte, propõe-se a presentar uma revisão da literatura de
base exploratória, mais ampla possível, procurando esclarecer conceitos e teorias segundo
vários autores.

Capítulo 1 - Riscos Financeiros

Neste capítulo, iremos incidir a investigação na ab ordagem da noção de risco e também


especificar as diferentes tipologias de risco emergentes nas organizações financeiras.
Concretamente, esta abordagem recai sobretudo no estudo da definição de risco de crédito,
uma vez que desempenha um papel essencial na performance de uma Instituição de
Crédito (IC).

1.1 - Noção de Risco

A origem da palavra risco deriva do termo italiano “ risicare” , que significa desafiar, de
acordo com Pinho, C. et al. (2011). O risco é geralmente associado a algo inesperado e,
decorrente desse risco, pode estar aliada uma situação de perigo ou, por sua vez, estar
relacionada com uma oportunidade. De uma forma geral, o risco deve ser entendido como
um desafio, ao invés de ser encarado como uma fatalidade ou destino dentro de uma
organização, devendo ser motor na procura de proced imentos eficientes e eficazes na
gestão da atividade.

Para Pinho, C. et al. (2011:16), o risco surge “quando existe a probabil idade de uma
determinada situação ter um resultado que não é o d esejado.” Neste sentido, o nível de
risco associado a determinado acontecimento pode ser definido pelo seu grau de
1
indesejabilidade, tendo em consideração o perfil de risco do agente económico e pela
probabilidade da sua ocorrência, atentando que o evento sucede durante um determinado
período de tempo.

1
Agentes económicos são todos os indivíduos, instit uições ou conjunto de instituições que, através das suas decisões e
ações, tomadas racionalmente, intervêm num qualquer circuito económico, de acordo com a informação que consta no
site da Associação Portuguesa de Bancos (2014A).

Isabel Duarte 3
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Na ótica da gestão, esta associação do conceito de risco à capacidade de desafio, evidencia


nas organizações um sentido de audácia para encarar o risco. Moreau (2003), citado por
Carvalho, P. (2009:37), expõe um conceito ligado à gestão empresarial: “Um risco
empresarial pode ser definido como a ameaça de um a contecimento, uma ação ou uma
inação, afetar a capacidade de uma empresa atingir os seus objetivos estratégicos e
comprometer a criação de valor.” Por conseguinte, p odemos analisar três formas de
visualizar um determinado acontecimento numa organização, em termos da gestão do risco,
a que se encontra sujeito um certo agente económico, referem Pinho, C. et al. (2011):

· O acontecimento é de alguma forma indesejável, porém a probabilidade de ocorrer é


reduzida e por isso não é necessário incorrer nos ustosc de gestão de risco;
· O acontecimento é indesejável, pelo que é importante a cobertura desse risco porque a
probabilidade de ocorrência é suficientemente alta;
· O acontecimento é extremamente indesejável e mesmoque a probabilidade de ele
ocorrer seja mínima, torna-se necessário efetuar uma cobertura de risco.

Evidenciando a definição de risco relacionada com o negócio, Dan (2001), referido por
Beja, R. (2004:81), afirma que “Risco significa est ar exposto à possibilidade de um
resultado negativo. Gerir o risco significa tomar ações deliberadas para mudar as
probabilidades em favor próprio - aumentando as pro babilidades de resultados positivos e
reduzindo as probabilidades de resultados negativos.”

Markowitz (1952), mencionado por Santos, F. et al. (2011:1) apresenta o conceito de risco
para um nível estatístico onde refere que “o invest idor pode avaliar o grau de risco
associado a cada ativo através da variância dos retornos e, quando diferentes ativos são
combinados, as covariâncias entre as taxas de rendi bilidade esperadas dos ativos
contribuem para o risco total da carteira.” Essenci almente, o risco é o possível desvio que
se verificará entre os valores estimados e os realmente alcançados. Esta mesma análise deve
ser efetuada por uma unidade de capital exposta ao risco, como por exemplo um
determinado título mobiliário.

Nas últimas décadas, assistimos a uma crescente complexidade das relações que se
estabelecem entre as empresas, devido à competitivi dade e aos riscos financeiros
associados, tornando a compreensão da evolução das organizações mais difícil, como por
exemplo a resultante da gestão de tesouraria.

Isabel Duarte 4
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

1.2 - Tipologias de Risco

Num sistema financeiro, são diversas as circunstânc ias que contribuem para a ocorrência de
variabilidade e dispersão de resultados, evidenc iando assim o conceito de risco. No que
respeita aos riscos financeiros, estas circunstânci as podem assumir configurações diversas
que integram um conjunto de riscos específicos. Por isso, o Banco de Portugal (BdP) (2007)
desenvolveu o Modelo de Avaliação de Riscos, onde constam nove categorias de risco que
contempla riscos financeiros e riscos não -financeiros. Na categoria dos riscos financeiros
estão considerados o risco de crédito, risco de mercado, risco de taxa de juro e risco de
câmbio. Na categoria dos riscos não-financ eiros, refletem-se o risco de compliance, risco
operacional, risco de sistemas de informação , risco de estratégia e risco de reputação.

De seguida, são apresentados os diferentes pontos d e cada categoria e o seu impacto


negativo numa organização financeira. A preocupação com os impactos negativos deriva
de esta ser o principal eixo de atuação dos agentes económicos. Portanto, os riscos
inerentes são:

· Risco de Crédito- os impactos negativos nos resultados ou no capital são oriundos do


não cumprimento dos compromissos financeiros perant e a IC. Este risco assume uma maior
importância no setor bancário, caracterizado como um sistema que depende essencialmente
da confiança, dado que o mesmo lida com eventos futuros incertos. Assim, o risco de
crédito advém da potencial ocorrência deuma falência ou não cumprimento das obrigações,
conforme os termos acordados com a cont raparte, referem Pinho, C. et al.
(2011). Situações com risco de crédito direto inclu em os empréstimos normais e
empréstimos não seguros como os cartões de crédito, linhas de crédito acordadas que
podem ser abolidas, recebimentos de derivados e outros recebimentos, como por exemplo
os pagamentos de transações ou até mesmo salários,afirma o mesmo autor.

· Risco de Mercado - os movimentos desfavoráveis no preço de mercado dos


instrumentos da carteira de negociação, provocados principalmente pela detenção de
posições de curto prazo em títulos de dívida e de c apital, originam tais impactos negativos.
Esta categoria corresponde àquele risco que afeta i gualmente todas as empresas, embora
não com a mesma magnitude, pois depende do grau de exposição, e que não pode ser
eliminado por constituição de uma carteira de títul os diversificada, reconhecem Pinho, C.

Isabel Duarte 5
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

et al. (2011). Neste sentido, os efeitos das variáveis macroeconómicas sobre as empresas,
como por exemplo a taxa de inflação, a taxa de juro e a taxa de crescimento do produto interno
bruto (PIB), são impulsionadores deste risc o, pois podem alterar o valor dos ativos.

· Risco de Taxa de Juro - a movimentação adversa nas taxas de juro são ger adoras de
risco. Esta taxa afeta inevitavelmente o mercado, via fontes de financiamento, influenciando
um conjunto de ativos financeiros e condicionando quase universalmente todos os agentes
económicos. A distinção das difere ntes tipologias deste risco é fundamental para que seja
possível identificar, concretamente, a sua origem na estrutura de balanços das organizações.
Os tipos de risco de tax a de juro regularmente analisados consistem no repricing risk (risco
de refixação da taxa), yield curve risk (risco da curva de rendimentos), basics risk (risco de
indexante) e option risk (risco de opção). Numa visão mais analítica do risco de taxa de
juro, o comportamento da yield curve torna-se relevante para aferir o impacto do risco. De
acordo com Noorali, S. et al. (2005:139), “A análise do risco da curva de rendimentos
constitui um refinamento da abordagem ao risco de refixação no sentido em que,
contrariamente a este, admite a possibilidade de se verificarem alterações não paralelas na
curva de re ndimentos.” A título de exemplo, o mesmo autor afirmar que, um aumento das
taxas de juro de curto prazo mais vincado do que nas taxas de juro de longo prazo, pode
comprometer a rendibilidade do financiamento de empréstimos de longo prazo por
depósitos de curto prazo.

· Risco de Taxa de Câmbio - os resultados negativos são advindos da moviment ação


adversa nas taxas de câmbio, provocada por alteraçõ es no preço de instrumentos com
posições abertas em moeda estrangeira ou pela alter ação da posição competitiva da
organização, devido a variações das taxas de câmbio . Silva, E. et al. (2013:233) destacam
que, “Na prática, este risco encontra-se associado à possibilidade de, no horizonte temporal
definido, a divisa em que se encontram expressos determinados ativos financeiros
alterarem o seu valor em relação à divisa de referê ncia para o agente económico.” Dada a
evolução e a globalização dos mercados, existe um r isco implícito decorrente do tempo
entre uma transação e o seu pagamento, evidenciado pelas flutuações das taxas de câmbio
das diferentes moedas, podendo dar origem a potenciais perdas ou ganhos.

· Risco de Compliance - as violações ou desconformidades relativamente à s leis,


regulamentos, contratos, códigos de conduta, práticas instituídas ou princípios éticos
Isabel Duarte 6
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

conduzem a impactos negativos. As consequências deste risco podem traduzir-se em


sanções de carácter legal ou regulamentar, na limitação das oportunidades de negócio, na
redução do potencial de expansão ou na impossibilid ade de exigir o cumprimento de
obrigações contratuais, como sugerem Silva, E. et al. (2013).

· Risco Operacional - os resultados negativos são gerados por falhas d e análise,


processamento ou liquidação das operações, de fraud es internas e externas, devido por
exemplo à utilização de recursos em regime de “ outsourcing”, da existência de recursos
humanos insuficientes ou inadequados ou da inoperacionalidade das infra-estruturas. Na
opinião de Silva, E. et al. (2013:236), a gestão do risco operacional passa pe lo
“estabelecimento de planos de contingência, monitorização e documentação o mais
detalhadas possível, no envolvimento da gestão de t opo, no incremento de auditorias e
mecanismos de controlo internos e ainda numa segmentação do risco operacional por linhas
de negócio, produtos financeiros, atividades ou processos.”

· Risco dos Sistemas de Informação - a inadaptabilidade dos sistemas de informação a


novas necessidades, a sua incapacidade para impedir acessos não autorizados, para garantir
a integridade dos dados ou para assegurar a continuidade do negócio em caso de falha, bem
como devido ao prosseguimento de uma estratégia desajustada nesta área, resultam em
impactos negativos. Para efeitos de avaliação deste risco, o BdP (2007) revela estarem
contemplados, a nível bancário, os sistemas automáticos de processamento de informação
e/ou negócio, incluindo os interfaces e processos m anuais associados aos mesmos. Ainda
dentro dos sistemas de informação incluem-se tecnol ogias de informação, que
compreendam todos os meios e processos automáticosde originar, armazenar, processar e
comunicar informação, sistemas de comunicação, sist emas computacionais, bem como os
sistemas periféricos e interfaces associados.

· Risco de Estratégia- a organização enfrenta este risco quando são tom adas decisões
estratégicas inadequadas, existindo uma deficiente implementação das decisões ou as
mesmas originam a incapacidade de resposta a alterações ao meio envolvente, bem como
alterações ao ambiente de negócio da organização. A ssim, este risco questiona a
compatibilidade entre a estratégia global da organização, os objetivos estratégicos, a
envolvente em que a organização está inserida e os recursos empregues para a prossecução
dos objetivos, destaca o BdP (2007).
Isabel Duarte 7
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

· Risco de Reputação - os impactos negativos surgem com a perceção nega tiva da


imagem pública da organização, fundamentada ou não, por parte de clientes, fornecedores,
analistas financeiros, colaboradores, investidores e órgãos de imprensa. Uma vez que a
atividade das organizações tem por base a confiança , este risco é extremamente prejudicial
para as mesmas.

De salientar que, para a avaliação de cada uma das categorias de risco, o Modelo de
Avaliação de Riscos, definido pelo BdP, identifica um conjunto específico de rúbricas de
referência que são notadas pelo supervisor. De seguida, iremos abordar
pormenorizadamente o risco de crédito.

1.3 - Risco de Crédito

A exposição ao risco de crédito advém de uma possível situação de incumprimento,


decorrente de uma avaliação pelas IC’s, constituind o a sua principal fonte de preocupação
dadas as características da atividade desenvolvida. Daí que, este risco é objeto de uma
atenção peculiar por parte das instituições naciona is e internacionais de regulação e
supervisão bancária, uma vez que a incorreta avaliação pode trazer consequências nefastas
para o sistema financeiro.

2
Éimportante referir, em primeiro lugar, que um con trato financeiro tem inerente à sua
essência, um credor e um devedor que especulam a capacidade do devedor cumprir os
termos do contrato.

O crédito é considerado o elemento-chave para que sa organizações empresariais


expandam e concretizem as suas oportunidades de negócio. Em contrapartida, a concessão
de crédito pode originar uma ameaça da parte do devedor não reembolsar esse mesmo
crédito. Evidenciando Carvalho, P. (2009), esta ameaça de não pagamento da dívida pode
tomar proporções avassaladoras, condicionando a con fiança do mercado e direcionando o
negócio para um nível de funcionamento desfavorável.

As movimentações financeiras, que resultam da relaç ão poupança/investimento, alertam,


cada vez mais, para um futuro inconstante. Minsky (1992), referenciado por Paula, L.

2 De acordo com o Sistema de Normalização Contabilíst ica (Norma Contabilística de Relato Financeiro 27 -
Instrumentos Financeiros), um contrato financeiro é uma locação que transfere substancialmente todos os riscos e
vantagens inerentes à propriedade de um ativo. O título de propriedade pode ou não ser eventualmente transferido.

Isabel Duarte 8
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

(2000:5) descreve que em qualquer transação finance ira, são feitas suposições acerca do seu
futuro incerto: “Cada transação financeira envo lve uma troca de dinheiro-hoje por moeda
mais tarde. As partes que transacionam têm algumas expectativas quanto ao uso que
tomador de moeda-hoje fará com os fundos e de comoesse tomador reunirá fundos para
cumprir a sua parte do negócio na forma de dinheiro -amanhã. Nesse negócio, o uso de
fundos pelo tomador de empréstimos é conhecido comrelativa segurança; as receitas futuras
em dinheiro, que capacitarão o tomador a cu mprir as parcelas de moeda-amanhã do
contrato, estão condicionadas pela performance da economia durante um período mais
longo ou mais curto. Na base de todos os contratos financeiros está uma troca da certeza por
incerteza. O possuidor atual de moeda abre mão de um comando certo sobre a renda atual
por um fluxo incerto de receita futura em moeda.”

O risco de crédito está evidenciado na globalidadedos negócios como um dos riscos com
mais história. Assim, uma organização está sujeita a este risco quando existe a
probabilidade de não ser paga a contraprestação dev ida ou o capital aplicado reembolsado,
total ou parcialmente. O BdP (2007:17) define este risco como a “Probabilidade de
ocorrência de impactos negativos nos resultados ouno capital, devido à incapacidade de
uma contraparte cumprir os seus compromissos financeiros perante a instituição, incluindo
possíveis restrições à transferência de pagamentos do exterior. O risco de crédito existe,
principalmente, nas exposições em crédito (incluind o o titulado), linhas de crédito,
garantias e derivados.”

Neste âmbito, o BdP (2007) esclarece quatro rúbricas de referência que servem de suporte
na avaliação do risco de crédito. Portanto, uma notação do risco de crédito será obtida de
forma automática, tendo provado o trabalho das seguintes rúbricas de referência:

· Probabilidade de Incumprimento - testa a probabilidade de incumprimento das


contrapartes nas transações que contemplam risco de crédito, incluindo o risco de
transferência;
· Concentração e Correlação - permitem determinar o risco de concentrações de
crédito, decorrentes de uma diversificação inadequada das posições de crédito;
· Perda dado o Incumprimento - prevê apurar a perda máxima ocorrida, em caso de
incumprimento das contrapartes;
· Exposição ao risco - valida o risco decorrente das contrapartes utilizarem o crédito
potencial, em caso de incumprimento.

Isabel Duarte 9
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

3
Dado que este risco é a principal preocupação das IC’s , o Comité de Basileia de
Supervisão Bancária criou o Acordo de Basileia no sentido de reforçar a credibilidade do
sistema financeiro, como refere o documento on-line do Basel Committee on Banking
Supervision (BCBS) (2000). Neste contexto, decorreram já três atualizações dos Acordos,
uma vez que o objetivo passa por melhorar a capacidade do setor financeiro para absorver
choques resultantes de stress financeiro e económico.

Estas atualizações derivam das mutações do sistema financeiro internacional ao longo dos
anos, os quais foram caracterizados por uma crescente inovação financeira que promoveu
uma combinação entre posições de diferentes agentes económicos, capitalizando
transações de títulos cada vez mais complexos e que levou ao questionar da liquidez global
do sistema. Aliás, é esta a principal preocupação do último Acordo, que procura solidificar
as bases para um sistema sustentável, prioridade relevante após uma crise económica e
financeira internacional em 2008.

Ao nível organizacional, as IC’s encontram-se divid idas em três áreas distintas, sendo elas:
Front Office, Middle Office e Back Office, conforme cita Alcarva, P. (2011). A gestão de
risco de crédito está contemplada noMiddle Office e é composto pelos três segmentos
expostos:

· Área de Concessão - observa as propostas de crédito, analisa a vertente económico-


financeira e o parecer, bem como a recomendação par a a decisão;
· Área de Acompanhamento - desempenha funções na prevenção do desgaste da carteira
de risco, acompanhando os clientes com evolução desfavorável no incumprimento dos
seus compromissos;
· Área de Recuperação de Crédito - exerce um tratamento mais personalizado com
clientes que estejam já em incumprimento, com o objetivo de solucionar essa mesma
situação. Contudo, caso o incumprimento se continue a verificar, é proposta uma ação
judicial.

De forma complementar, o Back Office abrange os serviços internos das IC’s e o Front
Office correspondem aos departamentos de contacto direto com os clientes.
Esquematicamente sugere-se:

3 De acordo com o glossário constante nosite do BdP, é uma instituição financeira que concede crédito a empresas,
particulares e outros agentes económicos.

Isabel Duarte 10
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Figura 1 - Segmentação do Middle Office: Gestão do Risco de Crédito

Análise económico-
Área de
financeira e parecer
Concessão
para a decisão

Gestão de Risco Área de Gestão de carteira de


de Crédito Acompanhamento risco

Área de
Pré-Contencioso
Recuperação

Fonte: Adaptado de Alcarva, P. (2011)

De acordo com Alcarva, P. (2011) o negócio bancário visa uma análise aprofundada em
torno dos objetivos da segurança, rentabilidade e l iquidez. Assim, primeiramente é
reconhecido o objetivo da rentabilidade, uma vez que o negócio bancário visa a atividade
para a obtenção de lucro. O objetivo da liquidez es tá relacionado com a capacidade da
instituição bancária honrar as suas obrigações no d ia do vencimento. Por último, o objetivo
da segurança incita uma preocupação constante, uma vez que projetam a recuperação dos
recursos investidos. A importância deste pilar pren de-se à necessidade de supervisão dos
diferentes riscos que as instituições vivenciam.

Em termos conclusivos, Silva, E. et al. (2013:231) relatam que “Todas as organizações,


pertencentes ou não ao setor financeiro, deparam-se atualmente com uma multiplicidade de
riscos na condução do seus negócios, onde o mais re levante para o setor financeiro é o risco
de crédito, que é o risco da contraparte nãocumprir as suas obrigações financeiras, ou seja, o
não pagamento das dívidas nos prazos acorda dos.” O mesmo autor explica ainda que neste
setor não se pode prescindir do risco, po is é através deste elemento que as oportunidades de
crescimento acontecem, uma vez que a confiança está intimamente ligada à capacidade de
gestão do risco.

Isabel Duarte 11
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Capítulo 2 - Supervisão e Regulamentação

No atual sistema financeiro, as normas e também a upervisão bancária, são elementos


fundamentais para um desempenho eficaz e de segurança. O desenrolar de crises
consecutivas contribuiu para o aparecimento dos Acordos de Basileia, baseados num
conjunto de recomendações de supervisão ponderadas e explícitas. Esses Acordos
estabelecem mínimos de solvabilidade para o sistema bancário internacional, contribuindo
assim para reforçar a solidez e a estabilidade do m esmo e para diminuir as suas fontes de
desequilíbrio competitivo. No contexto da sua aplicabilidade, os Acordos destinam-se ao
setor financeiro, porém, devido à sua especificidade, têm especial ênfase para as IC’s.

O BCBS ou Comité de Basileia de Supervisão Bancária emergiu no ano de 1974 pelos


4
governadores dos bancos centrais do grupo de países do G10 e surgiu no contexto de
atuação do Bank for International Settlements (BIS). O BIS, com sede em Basileia, foi
fundado no ano de 1930 e apresenta-se como o banco central dos bancos centrais dos
estados-membros. Assim, é reconhecido por ser a organização financeira internacional
mais antiga e é a instituição reguladora e de supervisão para o bom funcionamento do
Sistema Monetário Internacional, da convertibilidad cambial e da cooperação financeira
internacional, como referem Silva, E. et al. (2013). O mesmo autor afirma que, para efeitos
de solidez do sistema financeiro internacional, a instituição disponibiliza facilidades de
crédito aos bancos centrais, gere a supervisão no domínio do risco, realiza a publicação de
estatísticas, investigação e produção de legislação . Neste sentido, as suas funções passam
por progredir na compreensão das principais questõe s de supervisão e melhorar a
qualidade da supervisão bancária ao nível mundial, conforme BCBS (1988). Por forma a
averiguar e avaliar o funcionamento dos mercados financeiros, são realizadas reuniões
periódicas com os governadores dos bancos centrais. Nas palavras de Beja, R. (2004), o
principal objetivo do BIS visa promover a cooperação monetária e financeira internacional,
entre os bancos centrais.

Por conseguinte, sob os auspícios do BIS, o BCBS regula matérias de supervisão bancária e
gestão de risco. Assim, estimula a cooperação entre os seus membros, definindo padrões de
supervisão e emitindo recomendações sobre boas prát icas e administração de riscos, na

4 O grupo do G10 foi fundado em 1962 por representantes dos governos centrais da Bélgica, Canadá,
EstadosUnidos, França, Itália, Japão, Países Baixos e Reino Unido e dos Bancos Centrais da Alemanha Ocidental e
Suécia, de acordo com o BCBS.

Isabel Duarte 12
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

expectativa de encorajar a convergência para procedimentos comuns. Esse Comité


contempla membros de diversos países, como é o caso da África do Sul, Alemanha, Arábia
Saudita, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia, Espanha, Estados
Unidos, França, Holanda, Hong Kong, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Luxemburgo, México,
Reino Unido, Rússia, Singapura, Suécia, Suíça e Turquia, evidencia o BCBS (2013).

O Acordo de Basileia I viria a surgir no ano de 1988 com o propósito de uma aproximação
à medição do risco de crédito, bem como à instituiç ão de uma nova reserva mínima de
capital. Alguns anos depois, em 2004, foi publicado o Acordo de Basileia II.
Posteriormente, e devido à evolução do mercado, foi implementado um programa de
reformas que veio regulamentar os limites que estavam estabelecidos para a exposição ao
risco. Surge então, o Acordo de Basileia III, com a provação no ano de 2010. De seguida,
iremos abordar cada um dos Acordos, em pormenor.

2.1 - Acordos de Basileia

Os Acordos de Basileia, implementados para controlar a evolução do sistema financeiro,


tem já no dia de hoje três versões, como analisamosde seguida.

2.1.1 - Acordo de Basileia I

Firmado em 1988, o Acordo de Capital de Basileia, também designado por Acordo de


Basileia I, foi assinado na cidade de Basileia (Suíça).

O Acordo de Basileia I surge após diversos anos de muito trabalho por parte do Comité de
Supervisão Bancária do BIS e, paralelamente, no seguimento de várias falências no setor
financeiro. Concretamente, este Acordo emergiu, no sentido de harmonizar as normas de
supervisão relativas aos requisitos de capital das instituições bancárias internacionais, uma
vez que era importante combater as diferenças que e xistiam entre os níveis de capitalização
das IC’s nos diferentes países, evidencia Amaral, L . (2007). Segundo o Presidente do
Comité, Jaime Caruana, citado por Beja, R. (2004), o Acordo de Basileia I apontou a
internacionalização da atividade bancária, em especial nas áreas de gestão de risco,
supervisão bancária e mercado financeiro, como principal fator de preocupação.

Isabel Duarte 13
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

A essência deste Acordo propunha dois objetivos fundamentais. O primeiro objetivo visava
reforçar a solidez e a estabilidade do sistema banc ário internacional. O segundo objetivo
estabelecia a diminuição das fontes de desigualdade competitiva existentes entre as
instituições bancárias internacionais, refere BCBS (1988).

Em contrapartida, o próprio Comité considerava que os requisitos previstos neste Acordo


eram apenas parte dos fatores a levar em conta numa avaliação de solidez das IC’s, visando
apenas acautelar o risco de crédito, não prevendo o risco de mercado e o risco operacional,
como referem Silva, E. et al. (2011B).

Posteriormente, em 1996, o risco de mercado veio a constar no “ Overview of the


Amendment to the Capital Accord to Incorporate Market Risks”, publicado pelo Comité de
Basileia de Supervisão Bancária. O risco operacional foi incluído no Acordo de Basileia II,
que será abordado no ponto seguinte.

O Acordo de 1988, Basileia I, tinha implícito um requisito mínimo de capital para as IC’s,
dando a possibilidade de serem tomadas medidas mais exigentes pelas entidades
supervisoras. Na abordagem do risco de crédito, foiestabelecida uma ponderação de risco
dos ativos, em cinco categorias distintas: 0%, 10%, 20%, 50% e 100%, em função do risco
inerente ao ativo, tal como salientam Silva, E. et al. (2011B). Nessa mesma avaliação dos
riscos, são contemplados desde os meios imediatamen te líquidos, até aos imóveis, títulos
de capital sobre outras IC’s e ativos de crédito sobre empresas públicas ou empresas
privadas.

No âmbito das operações extra patrimoniais, também consideradas no Acordo de Basileia


I, Silva, E. et al. (2011B:5) elucidam-nas como “operações que não est ão refletidas
diretamente nas demonstrações financeiras das IC’s mas que constituem responsabilidades
da atividade dessas mesmas instituições.” Assim, co nsagram-se as seguintes cinco
categorias:

a) Operações com natureza de substitutos de crédito. E stas operações são calculadas


com um fator de conversão igual a 100%;
b) Certas contingências relacionadas com transações. Estas operações são calculadas
com um fator de conversão igual a 50%;
c) Contingências de curto prazo e de liquidação automática associadas ao movimento de
mercadorias. Estas operações são calculadas com um fator de conversão igual a 20%;

Isabel Duarte 14
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

d) Compromissos com prazo de vencimento original superior a um ano, facilidades de


emissão de efeitos (NIF) e facilidades renováveis com tomada firme (RUF). Estas
operações são calculadas com um fator de conversão igual a 50%;
e) Operações relacionadas com taxas de juro e taxas de câmbio, como por exemplo
Swaps, Opções e Futuros. Estas operações são calculadas de acordo com regras
próprias e contemplam duas possibilidades de determ inar o crédito. O primeiro método
é o da avaliação pelo preço de mercado, sendo o custo de substituição dos contratos
com valor positivo determinado pela avaliação ao preço de mercado e a este valor é
adicionado um montante para refletir o risco potencial ao longo da vida remanescente
do contrato. No segundo método, a avaliação é feita em função do risco inicial,
multiplicando o valor teórico do contrato por fatores de conversão, segundo a natureza
do instrumento e o seu prazo de vencimento.
5
Decorrente do Basileia I, ficou vinculado o mínimo do rácio de solvabilidade de 8%, para o
sistema bancário internacional, como refere Amaral, L. (2007). Este documento, apenas
contemplava o risco de crédito, ou seja, o risco de incumprimento das partes. O cruzamento
destes dois elementos, rácio de solvabilidade/risco de crédito, é inequívoco no
desenvolvimento da atividade financeira. Os ráciosde solvabilidade são fundamentais na
avaliação da resiliência do sistema bancário, “poisquanto maiores forem os rácios, mais
serão as possibilidades de absorção de perdas futur as, sem prejudicar os depositantes”,
garante Barbudo, J. (2011:20). Por outro lado, estes são indicadores essenciais na avaliação
do grau de envolvimento dos acionistas na gestão da s instituições bancárias, pois se os
fundos próprios forem escassos e os acionistas tive rem pouco a perder, verifica-se uma
certa tendência na opção por ativos mais arriscados, sendo que podem pôr em causa a
solidez e a rendibilidade futura das mesmas, salienta o mesmo autor.

O Acordo em estudo agrupa também os componentes dosfundos próprios das IC’s em dois
grupos - Tier 1 e Tier 2. Estes dois grupos são explicados de seguida, no Ac ordo de
Basileia II.

Em suma, o primeiro Acordo evidencia um único pilar relativo ao requisito de capital, o


que permitiu uma maior facilidade na sua implementação e na comparação dos resultados
entre as IC’s, apesar de estarem visíveis lacunas d evido à pouca sensibilidade ao risco,
dada a estratificação em cinco escalões, referida a nteriormente.

5
Relação do capital face à exposição ponderada ao ri sco.

Isabel Duarte 15
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

2.1.2 - Acordo de Basileia II

As mudanças no setor bancário, ocorridas após a introdução do Acordo de Capital de


Basileia, foram bastante significativas, tendo especial incidência nas áreas de gestão e
avaliação do risco, supervisão bancária e mercado financeiro. Essas mudanças foram o
reflexo da inovação financeira ocorrida após 1988. Este processo de inovação foi motivado
pela evolução dos mercados financeiros com o aparec imento de novos instrumentos
6
financeiros, como por exemplo os fundos híbridos , com o desenvolvimento dos sistemas de
informação ao mercado e pelo progresso científic o na área da economia financeira, tendo
em conta a crescente exigência e sofisticação, ao nível da supervisão bancária. Os fatores
supramencionados, levaram à revisão do Acor do de Basileia I, conforme o Boletim on-line
“O Bancário” (2004).

Face ao exposto, o Comité propôs então a substituiç ão do Acordo em vigor, por forma a
estabelecer conceitos mais apurados de sensibilidade ao risco. Assim, em Junho de 2004,
foi divulgado o Novo Acordo de Capital de Basileia, também designado por Acordo de
Basileia II, com o objetivo de implementar maior solidez ao sistema financeiro mundial. Os
benefícios do Acordo de Basileia II refletem-se numa maior sensibilidade ao risco de
crédito e maior adequabilidade dos capitais face aos riscos específicos sustentados por cada
IC, conformidade na informação a disponibilizar ao mercado e reforço do papel da
supervisão, como mencionam Silva, E. et al. (2011B).

Neste sentido, as principais mudanças têm especial ênfase nas metodologias de gestão de
risco das instituições bancárias, na supervisão das autoridades bancárias e no fortalecimento
da disciplina de mercado. Relativamente às metodologias de gestão de risco, existem dois
métodos básicos associados e quatro variáveis ou parâmetros, como podemos verificar no
7
Quadro 1, apresentado mais à f rente. No que respeita à supervisão e disciplina, o BdP
executa estas funções perante as IC’s, sociedades financeiras e instituições de pagamento,
tendo como principais ob jetivos assegurar a estabilidade, eficiência e solidez do sistema
financeiro, o cumprimento de regras de conduta e de prestação de informação aos clientes
bancários, bem como garantir a segurança dos depósitos e dos depositantes e a proteção dos
inter esses dos clientes recorrendo à emissão de regras através de Avisos. Assim, neste
Acordo édada particular relevância ao risco de

6 Fundos híbridos são fundos compostos por diferente s títulos e diferentes características.
7 [Link] acedido em: 11 de Junho de 2014.

Isabel Duarte 16
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

crédito, possibilitando às instituições bancárias calcular, através de modelos internos, os


custos do capital ou perdas potenciais.

O Acordo de Basileia II contempla três pilares fundamentais, referenciando a literatura do


BCBS (2001), Carvalho, D. et al. (2006) e Silva, E. et al. (2011B):

Requisitos Mínimos de Capital - Este primeiro pilar contempla os requisitos e exigências


de capital das IC’s, para cobertura dos riscos de crédito, de mercado e operacional, o capital
necessário para alocar ao risco, como por xemplo erros ou falhas humanas. Assim, nas
palavras de Silva, E. et al. (2011B:7), este pilar “procura aumentar a sensibil idade dos
requisitos mínimos de fundos próprios aos riscos de crédito visando cobrir, pela primeira
vez, o risco operacional.” Os métodos de avaliação utilizados são o critério padrão e o
critério de classificação interna ( IRB) e este contempla o IRB Foundation que estima a
probabilidade da não implementação a cada tomador e o IRB Advanced que permite a
instituição bancária fornecer outros insumos necessários.

Regulação e Supervisão Bancária - O Acordo de Basileia II prevê que a “adoção de b oas


práticas de gerenciamento de riscos pelos bancos deve ser verificada pelos reguladores”
relatam Carvalho, D. et al. (2006:78), elucidando este segundo pilar. Segundo o BCBS
(2001), este processo de supervisão destina-se, não apenas a garantir que as instituições
bancárias tenham capital adequado para suportar todos os riscos dos seus negócios, mas
também encorajar as mesmas a desenvolver e usar melhores técnicas de gestão e avaliação
dos riscos.

Disciplina do Mercado - Evidenciando Carvalho, D. et al. (2006), este terceiro pilar


pressupõe a disciplina do mercado financeiro e a ex igência de informação e ainda refere a
importância da divulgação das demonstrações finance iras para uma maior transparência e
melhor comunicação no mercado em que atua. Neste se ntido, denota-se um esforço do
BCBS em harmonizar as recomendações deste pilar, com os padrões de contabilidade
vigentes. Daí que tenham sido divulgadas informaçõe s qualitativas, como por exemplo a
confiança na gestão, e quantitativas, por exemplo s olvabilidade, relacionadas com riscos de
crédito, de mercado e operacional.

Na passagem do Acordo de Basileia I para a Acordo de Basileia II, o método standard é


abandonado e passam a existir duas metodologias distintas: IRB Foundation e IRB
Advanced, conforme é evidenciado no quadro seguinte:

Isabel Duarte 17
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Quadro 1 - Metodologias IRB

Parâmetros de Risco IRB Foundation IRB Advanced


Probabilidade de
8 Estimada pela IC Estimada pela IC
Incumprimento (PD)

Perda em caso de Valores a disponibilizar pela


9 Estimada pela IC
Incumprimento (LGD) entidade de supervisão

Exposição no momento de Valores a disponibilizar pela


10 Estimada pela IC
incumprimento (EAD) entidade de supervisão

11 Valores a disponibilizar pela


Maturidade (M) Estimada pela IC
entidade de supervisão ou pela IC

Fonte: Adaptado de Silva, E., et al. (2011B)

Citado por Dantas, J. et al. (2010:5) “as orientações expostas em Basileia II a tualizam os
padrões definidos no Acordo de Basileia I, buscando suprir suas deficiências e limitações, e
apresentam alternativas mais sofisticadas para o cálculo do capital mínimo regulamentar,
aproximando-o do capital económico calculado pelos próprios bancos na gestão dos seus
negócios.” Segundo Amaral L. (2007), o capital regu lamentar de uma instituição bancária
define-se pelo capital mínimo imposto pelo regulador e para esse cálculo existem quatro
classes regulamentares de risco. Neste sentido, o regime regulatório prevê um incentivo para
as instituições bancárias procurarem ativos das classes de risco baixas, definidas pelo
Acordo de Basileia I, evitando os ativos inseridos em classes de risco classificadas como
altas. Por outro lado, o mesmo autor afirma que, o capital económico de uma instituição
bancária é o capital que permite fazer face às perdas não esperadas, que têm uma muito
pequena mas definida hipótese de ocorrerem. Posto i sto, as instituições bancárias devem ter
um capital mínimo que sirva de caução e respond a pelas perdas não esperadas.

8 Probabilidade de incumprimento de um mutuário, calculada para um horizonte temporal de um ano.


9 Medida de perda esperada, no caso de se verificar incumprimento poderá ir até 100% do valor do empréstimo,
dependendo dos instrumentos de redução do risco uti lizados na sua cobertura.
10 Medida que representa o valor total da exposição e m euros, na altura em que se declarar o incumprimento. A
exposição no momento do incumprimento é determinada para cadacrédito individualmente considerado.
11 Medida da maturidade efetiva do crédito. A maturidade é uma medida ponderada da vida da operação de crédito, isto
é, a percentagem do capital pago em cada ano, ponderada pelo ano a que diz respeito.

Isabel Duarte 18
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

A relevância deste Acordo permite-nos afirmar que, enquanto o Acordo de Basileia I exigia
uma reserva mínima de capital para risco de crédito, o Acordo de Basileia II, “além de
promover mudanças conceituais relevantes em rela ção ao alcance do risco de mercado e de
considerar diferentes fatores de ponderação e mi tigadores no cálculo da exposição
ponderada pelo risco, também orienta a consideração dos riscos operacionais. Em relação às
alternativas de cálculo de capital regulamentar, essas passam a considerar desde abordagens
padronizadas, semelhantes ao padrão de B asileia I, até abordagens avançadas e complexas,
nas quais o capital regulatório é calculado a partir das próprias medidas de risco que os
bancos utilizam internamente na gestão dos seus negócios”, de acordo com Dantas, J. et al.
(2010:5).

A título de exemplo, apresentamos o seguinte exercício prático. No âmbito da determinação


12
dos seus fundos próprios, o Banco Investiment, Ltd. , apresentou os seguintes dados, em
base individual (milhões de eur os), no final do ano de 2012:

 Capital Social Realizado 25,0


 Prémio de Emissão de Ações 12,0
 Reservas Legais e Resultados Transitados 9,5
 Resultado Líquido 4,0
 Ações Próprias 1,5
 Reservas de Reavaliação de Ativos Fixos Tangíveis 3,0
 Empréstimos subordinados de longo prazo (prazo de reembolso > 5 anos) 16,0
 Ativos Intangíveis 9,0
 Contribuição para o fundo de pensões ainda não reve ladas como gasto 7,0
 Insuficiência de provisões para riscos gerais de crédito 5,0
· Part. Fin. representativa de 25% do Cap. Social da Companhia de Seguros
8,0
Allianz
 Títulos de participação não reembolsados 22,0
 Requisitos de fundos próprios para:
Risco de Crédito 20,0
Risco Operacional 7,0
Risco de Mercado 4,0

12 Entidade fictícia

Isabel Duarte 19
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Desta forma, apresentamos os seguintes cálculos:

+ Capital Social Realizado 25,0


+ Prémio deEmissão de Ações 12,0
+ Reservas Legais e Resultados Transitados 9,5
+ Resultado Líquido 4,0
- Ações Próprias -1,5
- Ativos Intangíveis -9,0
- Contribuição para o fundo de pensões ainda não reve ladas como gasto -7,0
- Insuficiência de provisões para riscos geras de crédito -5,0
(a) Fundos Próprios de Base (FPB) elegíveis 28,0

+ Reservas de Reavaliação de Ativos Fixos Tangíveis 3,0


+ Empréstimos subordinados de longo prazo (prazo de reembolso > 5 anos) 14,013
+ Títulos de participação não reembolsados 14,014
31,0
(b) Fundos Próprios Complementares (FPC) elegíveis 28,015

- Part. Finan. representativa de 25% do Cap. Social da Comp. Seguros Allianz -8,0
(c) Deduções aos FPB e FPC -8,0

Total de Fundos Próprios elegíveis (a)+(b)-(c) 48

Podemos então concluir que, para efeitos de solvabi lidade, é-nos apresentado um valor de
fundos próprios de 48 milhões de euros. Na sequência disto, podemos calcular o rácio de
solvabilidade que, conforme foi descrito e apresentado nos Acordos de Basileia, é um dos
indicadores mais relevantes.
(1)
Fundos Próprios
Rácio de Solvabilidade Total =
Ativo e Extrapatrimoniais ponderados pelo risco
(Risco Crédito, Risco Operacional e Risco Mercado)

48
Rácio de Solvabilidade Total = 16
= 12,387%
387,5

13 Limite até 50% FPB, de acordo com o Aviso n.º 6/201 do BdP.
14 Limite até 50% FPB, de acordo com o Aviso n.º 6/201 do BdP.
15 Limite até 100% FPB, de acordo com o Aviso n.º 6/2010 do BdP.
16 Ativos e extrapatrimoniais ponderados pelo risco = Requisitos mínimos de fundos próprios (31)/8%, prev isto no
Acordo de Basileia I.

Isabel Duarte 20
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Após análise do rácio de solvabilidade apurado, verificamos que o rácio Tier 1 é de


12,387%, registando um valor superior aos 8%, definido como mínimo de solvabilidade no
Acordo de Basileia I. Tal significa que os FPB são suficientes para cobrir os requisitos
mínimos exigidos pelo BdP.

Ainda a título de exemplo, o Banco Investiment, Ltd., pretende determinar dos requisitos
mínimos dos fundos próprios, para cobertura do risc o operacional, aplicando o modelo
padrão - Technical Standard Analysis (TSA):

Quadro 2 - Indicadores de Negócio

Indicador relevante para cada linha de negócio


(β)
Ano t Ano t+1 Ano t+2
Corporate Finance 25 45 65 19%
Trading and Sales 10 20 30 18%
Banca de Retalho 350 500 650 12%
Banca Comercial 200 280 300 13%
Serviços Pag. e Liquidação 15 12 -6 18%
Serviços de Custódia e agente pagador 30 35 40 15%
Gestão de Ativos 40 50 60 13%
Corretagem (retalho) 10 7 4 11%
Fonte: Elaboração Própria

Assim, apresentamos:

Quadro 3 - Cálculo dos Indicadores de Negócio

Indicador relevante para cada linha de negócio K


Ano t Ano t+1 Ano t+2 (β) Média TSA

Corporate Finance 25 45 65 19% 45 8,55


Trading and Sales 10 20 30 18% 20 3,6
Banca de Retalho 350 500 650 12% 500 60
Banca Comercial 200 280 300 13% 260 33,8
Serviços Pag. e Liquidação 15 12 -6 18% 9 1,62
Serv. Custódia e agente pagador 30 35 40 15% 35 5,2 5
Gestão de Ativos 40 50 60 13% 50 6,5
Corretagem (retalho) 10 7 4 11% 7 0,77
Total 680 949 1143 119,73
Fonte: Elaboração Própria

Isabel Duarte 21
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Com base nos valores apurados no quadro anterior, podemos concluir que o risco para cada
um do setores ou áreas de atividade assume valoresque variam entre os 11% e os 19%. Por

conseguinte, em função dos valores KTSA , podemos afirmar que a área de negócio sujeita a
um maior risco, com impacto na situação financeira da instituição, é o Banca de Retalho.
Na posição inversa, encontra-se a Corretagem (Retal ho).

As componentes dos fundos próprios das IC’s foram c ontempladas em dois grupos - Tier
1 e Tier 2. Referenciando o primeiro grupo, o Tier 1, este explanava os FPB, tais como o
capital social realizado e as reservas, deduzidos das diferenças de consolidação positivas e
dos investimentos em subsidiárias que exerçam atividade no setor financeiro, que não
sejam sujeitos a consolidação por forma a evitar mu ltiplicação de efeitos de algumas
variáveis. Dado que estes elementos têm uma aplicação homogénea transversal às IC’s o
Comité entendeu que os mesmos são de interesse relevante e significativo para os
diagnósticos do setor financeiro, BCBS (1988).

O segundo grupo, contemplado pelo Tier 2, comportava os passivos subordinados de


médio e longo prazo, as reservas de reavaliação e os títulos de participação, bem como
ações remíveis. À soma destes valores são deduzidos os valores de ativos sem valor de
realização autónoma de interesses em IC’s ou outras instituições financeiras, conforme
evidenciam Silva, E. et al. (2011B).

2.1.3 - Acordo de Basileia III

Ao longo dos anos, foram-se tornando visíveis as diversas lacunas presentes nos dois
Acordos de Basileia já existentes, sendo impossívelcontornar a enorme crise no sistema
financeiro mundial em 2008. A origem dessa crise advém de uma atividade fora do controlo,
da qual a concessão de crédito de alto risco (subprime) é o elemento mais marcante, que
demonstra os efeitos negativos oriundos da negligência sentida na área da gestão de risco,
como refere Carvalho, P. (2009).

Decorrente desta situação financeira, em Setembro d e 2010, foi apresentado o Acordo de


Basileia III. A sua perspetiva primava pelo impacto significativo que deveria surgir no
setor bancário europeu.

Isabel Duarte 22
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Relativamente à sua implementação, o Comité de Basi leia de Supervisão Bancária propôs


novas regras para a atividade das IC’s, a ser aplicadas a partir de 2013, assumindo-se a sua
implementação total até 2019. A integração dessas a lterações pressupõe a sua aplicação de
modo faseado, incidindo nos domínios de capital, liquidez e rácio de alavancagem,
conforme BCBS (2010). Segundo Silva, E. et al. (2011B:13), “O objetivo desta nova
regulamentação é limiar o risco excessivo que estas instituições assumiram no período que
antecedeu a crise financeira mundial de 2008.”

O Acordo de Basileia III baseia-se num conjunto de linhas mestras, como verificamos de
17
seguida. Conforme proposto pelo Comité, as IC’s passaram a apresentar um Core Tier 1
mínimo de 4,5%, ao invés dos anteriores 2%. Os FPB também sustentam uma mudança de
4% para 6%, evidenciando uma alteração no valor tot al a utilizar nos testes de esforço . Na
opinião de Silva, E. et al. (2011B:14), “O C ore Tier 1 representa a componente principal
18
dos FPB e passa a ser designado por Common Equity . Deverá ser constituído,
preferencialmente, por capital social realizado e resultados transitados. Os abatimentos ao
Common Equity, nomeadamente ativos intangíveis, contribuições pa ra fundos de pensões,
ativos por impostos diferidos, insuficiências na constituição de provisões para perdas
esperadas e interesses minoritários, bem como os filtros prudenciais introduzidos em virtude
da adoção pelas IC’s das NIC/NIRF, serão ha rmonizados numa base global.”

Não obstante do valor mínimo de 4,5% atrás referido, o Comité de Basileia de Supervisão
Bancária acrescentou um novo intervalo de 2,5%, designado por Capital Conservation
Buffer. Em termos quantitativos, o requisito mínimo da Common Equity a cumprir passará
para 7%. A finalidade deste intervalo consiste em permitir gerar tranquilidade, por forma a
criar um “amortecedor” em períodos de tensão. A par tir da sua implementação, no ano de
2013, as IC’s beneficiam de um período de cinco ano s para se adaptarem à nova
regulamentação, afirmam Silva, E. et al. (2011B).

Por conseguinte, este Acordo prevê também a reduçãodo risco sistémico que se traduz na
concessão do Countercyclical Capital Buffer que, “focar-se-à na relação entre o volume de
crédito concedido e o PIB de um país como medida de avaliação do risco sistémico. Medirá,
assim, ogap entre o rácio Crédito/PIB e a sua tendência de longprazo. Será

17 O rácioCore Tier 1 estabelece um nível mínimo de capital que as instituições devem ter em função dos requisitos
de fundos próprios decorrentes dos riscos associados à sua atividade, de acordo com Silva, E. et al. (2011B).
18 O Common Equity Tier 1 constitui o capital de melhor qualidade da instituição, em termos de permanência e
capacidade de absorção de prejuízos, de acordo com Silva, E. et al. (2011B).

Isabel Duarte 23
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

definido como uma percentagem entre 0% e 2,5%, de acordo com as circunstâncias


nacionais (v.g. ritmo de crescimento do crédito) e será essencialmente constituído por
Common Equity (Core Tier 1)”, referenciado por Silva, E. et al. (2011B:15).

Num contexto adicional, será introduzido um rácio edalavancagem financeira mínimo,


fixado em 3%. Este rácio tem por princípio, a ponderada “adequação da base de capital
(fundos próprios) das IC’s às duas exposições em ba lanço e fora do balanço antes de
ponderadas/mitigadas pelo risco a elas associado. O rácio em questão será, assim, calculado
tendo por base o Tier 1 (calculado de acordo com as novas regras) e o total das exposições
patrimoniais e extrapatrimoniais não pon deradas. Por conseguinte, este rácio é non risk-
based uma vez que não está dependente de coeficientes deponderação do risco. Controlo
semelhante é já praticado na supervisão dos setores bancários nos Estados Unidos da
América, Canadá e Suíça, mas propõe-se que o rácio seja harmonizado internacionalmente
para assegurar comparabilidade. As IC’s terão de divulgar o valor deste rácio de
alavancagem e respetivos componentes a partir de 1 de Janeiro de 2015. Possíveis
ajustamentos ao mesmo serão efetuados nos finais de 2017, passando o rácio a constar dos
requisitos mínimos de capital do Pilar 1, a partir de 2018.” citando Silva, E. et al.
(2011B:15).

No que respeita ao risco de liquidez, não contempla do no Acordo de Basileia II, perspetiva-
se a introdução de standards quantitativos obrigatórios e ferramentas de monitorização dos
mesmos, por entidades supervisora s. O BCBS (2010) salienta que o objetivo destes
elementos passa por exigir, das instituições bancárias, uma maior resiliência a potenciais
dificuldades de curto e/oulongo prazo. Assim, propõe a criação de dois instrumentos
complementares: os requisitos de liquidez passam a incluir a introdução de um rácio de
cobertura de liquidez de curto prazo(Liquidity Coverage Ratio) e um rácio de financiamento
estável líquido a longo prazo Net( Stable Funding Ratio).

O Liquidity Coverage Ratio (LCR) ou Rácio de Liquidez, visa promover a solidez dasIC’s a
choques adversos de curto prazo, garantindo a existência de ativos líquidos de elevada
qualidade.
(2)
Ativos de elevada qualidade, em termos de liquidez
LCR = ≥ 100%
Fluxos de caixa líquidos, nos próximos 30 dias

Isabel Duarte 24
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Referenciando Silva, E. et al. (2011A), o numerador deste rácio contempla os ativos


líquidos, como por exemplo dinheiro ou empréstimos do Estado na dívida soberana sem
risco ou risco reduzido, que evidenciem características como risco de crédito e mercado
baixos, fáceis de avaliar, tenham pouca correlação com os ativos de risco, estejam listados
num mercado organizado e transacionados com bastante frequência. Relativamente ao
denominador, os fluxos de caixa líquidos refletem a diferença entre os fluxos de caixa
esperados de saída e de entrada, num cenário de stress, que pode ser definido, por exemplo,
por uma queda significativa de rating das instituições bancárias. Este rácio encontra-se
sujeito a um período de observação entr e 2011 e 2014, devendo ser introduzido, como
requisito mínimo de capital, em 1 de Janeiro de 2015.

O Net Stable Funding Ratio (NSFR) ou Rácio de Longo Prazo, pretende garantir a solidez
das instituições a longo prazo, conferindo a manute nção de fontes de financiamento mais
estáveis.
(3)
Fundos disponíveis a longo prazo
NSFR = ≥ 100%
Fundos exigíveis a longo prazo

Assim, segundo o autor acima mencionado, o numerador deste indicador é composto pelo
somatório do capital, das ações preferenciais remív eis com maturidade superior a um ano,
passivos com maturidade superior a um ano e proporç ão de depósitos esperados que se
manterão no caso de um teste de esforço. No que res peita ao seu denominador, o mesmo
será definido pelo regulador. Este indicador estarásujeito a um período de observação entre
2012 e 2017, devendo ser introduzido, como requisito mínimo de capital, em 1 de Janeiro
de 2018.

A evolução dos Acordos de Basileia contempla a fixa ção de vinte e cinco princípios
básicos sobre contabilidade e supervisão bancária ficaz,e que visa entre outras coisas a
liquidez do sistema, divulgados pelo BCBS (2006), os quais podemos agrupar em seis
grandes categorias. No grupo 1 incluímos o princípio 1 e 2 onde os mesmos visam reduzir
diferenças informacionais tanto do lado dos supervi sores como das IC’s, através de
regulamentação explícita. Relativamente aos supervi sores, individualmente assumem as
suas atribuições, obrigações e poderes. No que resp eita ao grupo 2, este abarca o princípio
3, 4 e 5, contemplando atividades de autorização pa ra o funcionamento e para as mudanças
nas instituições bancárias e semelhantes, que se caracterizam por vigorarem num exato

Isabel Duarte 25
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

momento e depois cessam. Por conseguinte, no grupo 3, estão implícitos os princípios de 6 a


17 que ressalvam os elementos que se relacionam com os trabalhos de supervisão
quotidiana, associados aos problemas de assimetria informacional. O Acordo de Basileia
visa reduzir os custos de manutenção incorridos pel a sociedade como um todo, reduzindo o
preço a pagar devido à assimetria informacional. No grupo 4, o princípio 18 prevê o
tratamento de obrigações ligadas ao combate de lava gem de dinheiro que as instituições
devem desenvolver, vincando a sua integridade. No que se refere ao grupo 5, estão
envolvidos os princípios 19 a 21 e 23 a 25 e os mesmos associam-se aos poderes
assegurados aos supervisores, incluindo as formas de divulgação, publicidade e os meios
através dos quais os poderes se efetivam. Por último, o grupo 6 contempla o princípio 22
que se refere às questões de manutenção não por par te da autoridade supervisora, mas por
parte do mercado.

Apoiando-nos em Maia (2010:3), podemos assegurar que ao afetar o sistema financeiro, “os
Acordos de Basileia III, obrigatoriamente, terã o reflexos sobre os restantes agentes
económicos e suas inter-relações: o Estado (e suas relações com outros), as empresas, as
famílias e, implicitamente, a postura e a quantificação dos níveis de risco. O Estado passa a
obter financiamentos a custos mais elevados por força de maiores exigências de capital, de
precaução com o risco e liquidez do sistema bancário. A dívida soberana, teoricamente,
deverá conhecer um custo acrescido nas taxas de juro, em todos os segmentos temporais
(especialmente os mais longos). Nas empresas, ao financiarem-se junto do sistema
financeiro a um custo mais elevado refletindo a precaução acrescida na concessão de
crédito, investirão menos, criarão menos postos de trabalho e a economia terá disponível
menos dinheiro para o investimento de substituição e de raiz (no que se refletirá num
crescimento real do produto menor). As famílias, por seu lado, conhecerão (tal como as
empresas) spreads mais elevados do que os atuais decorrentes de exigências superiores com
os riscos de crédito e de liquidez, conhecendo o crédito a conceder limites mais apertados do
que os atuais”. Neste contexto, os nív eis de risco, apresentar-se-ão condicionados pelos
novos mecanismos implícitos nos indicadores que mais de perto os aludem, como por
exemplo os rácios de capitalTier 1 (capital mínimo mais “almofada” de conservação).

Isabel Duarte 26
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

2.2 - Aviso do Banco de Portugal

O BdP tem vindo a emitir, ao longo do tempo, um conjunto de Avisos que visam
regulamentar e disciplinar o setor financeiro, no sentido de estimular mecanismos de
controlo dos procedimentos dos intervenientes no mesmo.

No âmbito dos fundos próprios, emitiu o Aviso n.º 6 /2010 que define no seu artigo 2.º que
“os fundos próprios das instituições são constituíd os pela soma dos FPB determinados nos
termos do artigo 6.º, com os FPC, determinados nos termos do artigo 9.º, deduzida dos
montantes a que se refere o artigo 15.º”

No que respeita aos FPB, o seu artigo 3.º contempla os seguintes elementos positivos:

a) Capital realizado;
b) Prémios de emissão;
c) Reservas legais, estatutárias e outras formadas porresultados não distribuídos;
d) Resultados positivos transitados de exercícios anteriores;
e) Resultados positivos do último exercício;
f) Resultados positivos provisórios do exercício em cu rso;
g) Fundo para «Riscos bancários gerais»;
h) Reservas de conversão cambial e de cobertura de inv estimento líquido em unidade
operacional estrangeira;
i) Parcela das reservas e dos resultados correspondentes a ativos por impostos diferidos,
na medida em que estejam associados a perdas que contem como elemento negativo
dos FPB;
j) Outros instrumentos cujas condições sejam aprovadas pelo BdP.

Em contrapartida, o seu artigo 5.º define como elementos negativos dos FPB:

a) Ações próprias;
b) Outros elementos próprios aprovados pelo BdP;
c) Ativos intangíveis;
d) Resultados negativos transitados de exercícios anteriores;
e) Resultados negativos do último exercício;
f) Resultados negativos do exercício em curso, no final do mês;
g) Reservas de reavaliação negativas;

Isabel Duarte 27
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

h) Parcela das reservas e dos resultados correspondentes a passivos por impostos


diferidos, na medida em que estejam associados a ganhos que contem como elemento
positivo dos FPB;
i) Diferenças positivas de reavaliação decorrentes da aplicação do método de
equivalência patrimonial;
j) Valor correspondente às insuficiências verificadas na constituição de provisões, nos
termos a definir pelo BdP;
k) O montante de perdas actuariais ainda não reconheci das, contabilisticamente, como
custo, apurado individualmente para cada plano de benefícios definido, e que
relativamente a cada um desses planos exceda o maior de:
i. 10% do valor atual das responsabilidades por pensõe s em pagamento e das
responsabilidades por serviços passados de pessoal no ativo abrangido pelo
respetivo plano; ou
ii. 10% do valor dos ativos do fundo respetivo, ambos reportados à data que serve de
referencial para o cálculo dos desvios actuariais;
l) Despesas com custo diferido;
m) Os lucros líquidos resultantes da capitalização de receitas futuras provenientes de
ativos titularizados e que permitam uma melhoria do risco de crédito;
n) Outros elementos cujas condições sejam aprovadas pe lo BdP.

Por conseguinte, este Aviso consagra no seu artigo 7.º os seguintes elementos positivos dos
FPC:

a) Os elementos provenientes da emissão de títulos;


b) Os elementos patrimoniais;
c) Provisões para riscos gerais de crédito até ao limite máximo de 1,25% dos ativos
ponderados;
d) Reservas provenientes da reavaliação dos ativos fix os tangíveis;
e) Outras reservas de reavaliação positivas;
f) Os elementos sem prazo, cujas condições sejam aprov adas pelo BdP;
g) Montantes das correções de valor e das provisões qu e excedam os montantes das
perdas esperadas;
h) Títulos de participação;
i) Os contratos que formalizem empréstimos subordinados;

Isabel Duarte 28
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

j) Parte liberada de ações;


k) Os elementos com prazo, cujas condições sejam aprov adas pelo BdP.

Por último, no seu artigo 8.º são considerados elementos negativos dos FPC:

a) Elementos próprios;
b) Outros elementos, cujas condições sejam aprovadas p elo BdP.

2.3 - Testes de Esforço (Stress tests)

A Instrução n.º 4/2011, emitida pelo BdP, retrata o s testes de esforço, ou também
designados por stress tests, definidos como ferramentas de gestão de risco. En tende-se por
teste de esforço, de acordo com a presente Instruçã o (2011:1), “a técnica de gestão de risco
que visa avaliar os efeitos potenciais, nas condiçõ es financeiras de uma instituição,
resultantes de alterações nos fatores de risco em f unção de acontecimentos excecionais,
mas plausíveis.” Decorrente da avaliação e gestão d e risco, os testes de esforço preconizam
um papel essencial no planeamento do capital interno e da liquidez, com vista a assegurar a
capacidade das IC’s para absorver choques adversos.

No âmbito da sua aplicabilidade, este documento vis a abranger todas as IC’s e empresas
de investimento sujeitas à supervisão do BdP. Relativa mente à implementação dos testes
de esforço nas instituições, devem ser tomadas em cons ideração as características, a
dimensão e o nível de complexidade, bem como a respetiva natureza, os riscos inerentes às
atividades que desenvolvem e a política de gestão desses mesmo s riscos. A sua realização
deve ser desenvolvida numa base consolidada, para efeitos de supervisão.

O ponto sete desta Instrução n.º 4/2011 refere os s eguintes riscos materiais que devem ser
alvo de ponderação nos testes de esforço (desde que sejam materiais para a instituição):
risco de crédito, risco operacional, riscos de mercado, risco de contraparte, risco de
concentração, risco de taxas de juro de carteira ba ncária, risco de flutuações de mercado
(em resultado da liquidação de posições de contrapa rte), risco de liquidez (associado à
execução de cauções em situações de tensão), risco de liquidez (do mercado e do
financiamento), risco de reputação, risco de correl ação (entre os diferentes tipos de risco).
Contudo, os quatro aspetos que se aconselham que haja maior atenção por parte das

Isabel Duarte 29
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

instituições são: o risco operacional, risco de rep utação, o risco de mercado com os
efeitos indiretos e o risco de correlação entre os fatores de risco.

Os respetivos resultados anuais dos testes de esforço devem ser apresentados com
19
referência a 31 de Dezembro para as análises de cenário ereverse stress tests e 31 de
Dezembro e 30 de Junho para análises de sensibilidade. Porém as IC’s podem solicitar
testes pontuais, caso se justifique.

Relativamente à sua execução prática, nos anos de 2 010 e 2011, o Comité das Autoridades
Europeias de Supervisão Bancária, juntamente com o Banco Central Europeu, realizou um
exercício de stress tests, com o objetivo de avaliar a resistência de um conjunto
representativo de instituições bancárias dos países da União Europeia (UE). Em Portugal, o
20

exercício foi conduzido pelo BdP e foi realizado para os quatro maiores grupos bancários
com informação contabilística e prudencial datada d e Dezembro de 2009. Para este
exercício, foram contemplados os respetivos fundos de pensões dos empregados bancários.

De acordo com o BdP (2010:1), a conclusão do exercí cio de stress tests para Portugal,
surtiu os seguintes resultados: “os quatro grupos b ancários portugueses revelaram um
elevado grau de resistência ao cenário adverso. Tods os grupos bancários apresentam rácios
de capitalTier 1 superiores a 6% em 2010 e 2011, apesar de uma significativa redução nos
níveis de rendibilidade e solvabilidade no cenário adverso, por comparação com o cenário
de referência. Deste modo, o exercício não implica medidas de recapitalização no caso dos
bancos portugueses.”

Face ao exposto, o cenário de referência tem implícita uma desaceleração da economia


durante todo o horizonte considerado e uma perspetiva de crescimento lento nos anos
seguintes. Em contrapartida, o cenário adverso incorpora um conjunto de choques comuns
a todas as economias, bem como alguns choques incomuns, com o objetivo de capturar
características estruturais de cada economia, segundo o BdP (2010).

19 Reverse stress tests são como uma ferramenta de gestão de risco que comp lementa o conjunto de testes de esforço
realizado, designadamente na avaliação dos pressupo stos assumidos sobre o modelo e estratégia de negócio e no
planeamento de capital, de acordo com a Instrução n .º 4/2011.
20 Os quatro grupos bancários incluídos foram: Caixa Geral de Depósitos, Banco Espirito Santo, Banco Comerc ial
Português e Banco Português de Investimento. Em 2009representavam dois terços do total do ativo do Sis tema Bancário
Português, segundo o BdP (2010).

Isabel Duarte 30
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Capítulo 3 - Rating

No terceiro capítulo, será abordada a definição de rating com o devido enquadramento


interno e externo, bem como as vantagens e desvantagens para os intervenientes. Segue-se
a apresentação das principais agências de rating e as suas classificações e ainda iremos
explanar o Regulamento Europeu vigente para as Agências de Notação de Risco, incluindo
uma recente atualização.

3.1 - Noção de Rating

O aparecimento das notações de rating leva-nos para o ano de 1909. A primeira notação
foi constituída pelo fundador da agência de notação Moody’s Investors Service (John
Moody), como consequência da falta de informação sobre risco de incumprimento.

Numa primeira instância, torna-se importante referi r que o rating está dividido em dois
ramos, sendo eles o rating interno e o rating externo. De seguida, iremos proceder ao seu
enquadramento.

O rating ou credit rating emergiu, devido à crescente dificuldade de obter i nformação sobre
risco de devedores de natureza financeira. Atualmente, o rating é abordado como um
instrumento de informação para os investidores, poi s pode ser definido como um cálculo de
credibilidade de um tomador de crédito, na opinião de Silva, E. et al. (2013). O seu principal
objetivo é o de melhorar a eficiência domercado financeiro, proporcionando aos credores
uma avaliação da posição do devedor no mom ento de lhe disponibilizar o crédito. A
notação de rating será mais fidedigna, quanto maior for a probabilidade de o devedor ter
capacidade de assumir os seus compromissos financeiros.

21
Segundo a Companhia Portuguesa de Rating , a notação representa “uma opinião sobre a
capacidade e vontade de uma entidade honrar, atempadamente e na íntegra os
compromissos financeiros sujeitos a rating e indicam a probabilidade de incumprimento
(probability of default (PD)) dos compromissos financeiros”. Assim, verifi cam-se
situações de incumprimento quando não são honrados os compromissos financeiros
sujeitos a rating e/ou, relativamente à entidade cujos compromissos financeiros são

21 [Link] acedido em: 8 de Janeiro de 2014.

Isabel Duarte 31
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

sujeitos a rating, ocorram eventos que indiquem que o pagamento futuro não vai ocorrer
na sua totalidade e/ou tempo útil.

Ferreira, E. (2010) concorda que a função de um rating é a de emitir uma opinião sobre a
capacidade de um devedor pagar as suas dívidas. Nas palavras do mesmo autor, Ferreira, E.
(2010:11), o rating assiste os credores para que “tenham uma avaliação da qualidade do
devedor no momento de lhe emprestar dinheiro, pois o nível de risco é importante para
definir a taxa de juro exigida. Credores com piores ratings - segundo as agências, mais
arriscados - têm que pagar taxas de juro mais elevadas; enquanto credores com melhores
ratings - menos arriscados - financiam-se a taxas mais baixas.”

Face ao exposto e segundo Silva, E. et al. (2013), os ratings internos são atribuídos pelas
IC’s aos seus clientes. Para isso, a IC procede à r ecolha e comparação de informações
relevantes sobre as características dos clientes. Assim, quanto menor for a notação
atribuída, maior o risco de crédito, o que implica que, mediante a informação
disponibilizada, os investidores exijam uma taxa remuneratória correspondente maior.

Em contrapartida, segundo o autor acima referenciado, os ratings externos são proferidos


22
pelas agências de notação de risco . Estas agências, avaliam a qualidade e o risco de dívida
emitida e posteriormente é divulgada uma notação, na forma de letras e/ou números, que
reflete a sua capacidade creditícia. Contudo, algumas agências de notação de risco integram
ainda sinais (+/-) na emissão das suas not ações. Assim, o sinal (+) representa um reforço de
solvabilidade do destinatário da notação de risco. O sinal (-) é desfavorável e representa uma
redução de solvabilidade do destinat ário da notação. Por sua vez, a inexistência de um sinal
transmite estabilidade, dentro da categoria. Relativamente à utilização de números, o número
1 representa elevada solvabilidade, o número 2 a situação intermédia e o número 3 a mínima
solvabilidade.

Segundo Silva, J. (2000), a apresentação das notaçõ es de risco externas, viabilizam a


tomada de decisões por parte das IC’s na atribuição de crédito a um Estado (dívida
23
soberana ), a uma região autónoma, a um município, uma empre sa ou grupo empresarial.
Neste sentido, este rating associa-se à probabilidade da incapacidade de um d evedor não
cumprir atempadamente as suas obrigações por razões económicas e financeiras.

22 As agências de notação de risco, essencialmente, emitem pareceres sobre a solvência de um emitente oua qualidade
de crédito de um instrumento financeiro específico.
23 A dívida soberana é contraída por um Estado ou pelo seu Banco Central.

Isabel Duarte 32
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Na preparação para a emissão da notação, são tidos em consideração fatores como a


posição do emitente no setor, o seu desempenho pass ado, presente e os objetivos futuros e
o ambiente em que está inserido. No entanto, Silva,E. et al. (2013) afirmam que existem os
seguintes procedimentos fundamentais para a atribuição da notação de risco:

 Pedido de emissão de uma notação de risco por parte da entidade;


· Afetação de uma equipa de analistas e tratamento da informação;
· Reuniões com a empresa;
· Reunião com o Comité de Atribuição de Classificação ;
· Atribuição de notação de risco.

Finalmente, o parecer que é emitido sobre a capacidade do emitente para cumprir uma
obrigação financeira é crucial para a obtenção de f inanciamentos externos em mercados de
valores mobiliários, pois transmite segurança aos nvestidores.

3.2 - As Vantagens e Desvantagens do Rating

A notação de risco de crédito acarreta vantagens quer para o investidor, quer para o
emitente ou até mesmo para o mercado. No que respeita ao rating, em termos gerais, a
24
Companhia Portuguesa de Rating apresenta as seguintes vantagens para o emitente:

· Menor prémio de risco (na prática, têmratings mais elevados, os melhores emitentes,
mas, teoricamente, variabilidade maior para riscos maiores);
· Maior facilidade na colocação da dívida da empresa com um melhor custo de
financiamento;
· Melhor reflexo da imagem financeira da empresa e consequente redução dos custos de
financiamento;
· Poupança da comissão de garantia bancária para a cobertura do risco de incumprimento;
· Fundamentação taxa de juro entre empresas de um Gru po;
· Melhorias estratégicas e de políticas de gestão.

Por conseguinte, as vantagens implícitas para o investidor passam por:

· Obter informação sintética e comparável entre os diferentes emitentes e emissores;

24 [Link] acedido em: 8 de Janeiro de 2014.

Isabel Duarte 33
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

· Aplicar com racionalidade os recursos através de uma correta ponderação entre o risco
real vs risco percebido;
· Libertar capitais próprios necessários para as IC’s com utilização do mercado
secundário de ativos comrating.

Relativamente ao mercado, as vantagens traduzem-se em:

· Maior transparência;
· Maior fiabilidade;
· Melhor destrinça da qualidade;
· Progresso e internacionalização: CreditMetrics, opções de risco de crédito, valores
mobiliários condicionados por eventos de créditocredit(-linked notes).

No que concerne às desvantagens, Silva, E. et al. (2013), destaca algumas das grandes
preocupações relativas ao rating. Então, são consideradas desvantagens situações co mo:

· O agravamento do rating da empresa, pois prejudica a imagem que a empresa transmite,


dificultando o acesso aos mercados da dívida (apesar do aumento do prémio de risco);
 Intervenção lenta às alterações nas condições de cr édito dos emitentes, por parte das
agências de notação;
· Perda de credibilidade das agências de rating na falta da deteção de situações de
incumprimento das obrigações de pagamento;
 Atribuição de classificações inadequadas e opiniões parciais sobre a empresa cuja
dívida classificam, por parte das agências de notação;
 Tendência conformista;
 Penalização das empresas/países que não solicitam o rating.

3.3 - As Agências de Rating e as suas Classificações

As agências derating, ou também denominadas agências de notação, desempenham uma


função essencial na dinâmica dos mercados bancários e dos valores mobiliários, ao nível
mundial. Nos últimos anos, essas mesmas agências, rocuraramp elevar a sofisticação dos
critérios e da metodologia dosratings de crédito.

Isabel Duarte 34
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

De acordo com a informação constante no site da Standard & Poor´s (S&P) , as agências de
notação, apresentam-se como empresas independent es de quaisquer interesses. Esta
particularidade permite a independência, objetividade, credibilidade e liberdade de
divulgação de avaliações, em relação à qualidade de crédito dos emitentes e emissões de
dívida.

Tendo por base estas características, o objetivo primordial das agências passa por
disponibilizar aos investidores informação que os a jude a avaliar os riscos associados a
determinado investimento. Essas notações classifica m os emitentes segundo categorias que
correspondem a graus mais ou menos significativos do risco de incumprimento. Para esse
efeito, as agências empregam escalas alargadas de qualidade de crédito, onde a fronteira
crítica ocorre entre o grau designado de notação de investimento (baixo risco) e o grau de
notação especulativo (risco elevado), refletindo os seus riscos inerentes ao devedor.

Na generalidade, as notações são solicitadas e paga s pelos próprios emitentes. Acontece


que, por vezes, certas notações são emitidas por in iciativa própria das agências de rating,
com a finalidade de propor outros serviços financei ros, como por exemplo a consultoria
financeira, através da sua experiência em matériae davaliação de risco.

Devido às crises que se iam instalando em relação à s agências derating, a International


Organization of Securities Commissions (IOSCO), código que regula as atividades das
agências de notação, publicou em Setembro de 2003, um conjunto de princípios
regulamentares. A IOSCO propunha então estabelecer objetivos de alto nível para as
agências de rating, tendo como contrapartida a proteção dos investido res e a
imparcialidade, eficiência e transparência dos mercados e reduzir o risco sistémico.

Neste contexto, as agências derating atribuem notações a diferentes tipos de dívida, em que
o mais conhecido e mais divulgado na comunicaçã o social é o rating da dívida soberana.
No caso do risco soberano, a atribuição d a notação, requer os procedimentos anteriormente
referidos, mas com uma maior complexidade, como referem Silva, E. et al. (2013). Este
conceito associa-se à probabilidade de um estado soberano eminente de dívida ser incapaz
de cumprir as suas obrigações de pagame nto da dívida. O grupo de variáveis explicativas
contempladas pelo rating soberano, podem agregar-se da seguinte forma:

Isabel Duarte 35
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

· Variáveis de política económica - Orçamento/Contas do Estado, défices e superávite


das contas públicas e da balança com o exterior, produtividade, rácios de dívida,
crescimento do PIB, inflação, taxa de juro, entre o utros.
· Variáveis dos setores económicos - quotas de mercado, diversificação geográfica e
composição das exportações, entre outras, com o obj etivo de analisar a capacidade de
gerar divisas, como por exemplo com as exportações.
· Variáveis de estratégia- avaliam a capacidade de reação de um país face a cenários
internacionais problemáticos, como por exemplo umarecessão, subidas de taxa de juro ou
preços de matérias-primas.
· Variáveis de risco político - iminência de guerras, integração em organismos e
associações internacionais.

As agências derating existem já há vários anos. Porém, devido ao crescente número das
mesmas no ano de 1975, apenas se tornaram oficiais, as três agências a seguir enumeradas.
Passaram a ser reconhecidas internacionalmente, dividem entre si 95% da quota de mercado
e são as seguintes:

· Moody´s Investors Service (única cotada em bolsa) com 40% da quota de mercado;
· Standard & Poor´s também com 40% da quota de mercado;
· Fitch Ratings com os testantes 15% da quota de mercado.

De salientar que, todas estas agências apresentavamsistemas de notação semelhantes,


como podemos comprovar pela sua história.

A Moody´s Investors Service foi a primeira agência derating, criada em 1909 por John
Moody. Os seus ratings em escalas globais, de longo e de curto prazo, são opiniões quanto
ao risco de crédito relativo a obrigações financeir as. No que respeita aos ratings de longo
prazo, estes são atribuídos a emissores ou a dívida s com um prazo de vencimento original
igual ou superior a um ano. As notações apresentam a probabilidade de incumprimento
sobre os pagamentos contratualmente acordados e ainda a perda financeira esperada no
caso de incumprimento. O Quadro 1, do Anexo 1, explica cada uma das notações que
podem ser apresentadas às obrigações. Complementarm ente, as notações podem surgir
ainda com os números 1, 2 e 3, indicando que a obrigação se encontra na posição elevada,
média ou baixa, respetivamente, na sua categoria derating.

Isabel Duarte 36
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Os ratings de curto prazo são classificados conforme o Quadro 2, do Anexo 1 e


correspondem a dívidas com prazo de vencimento original igual ou inferior a treze meses.

Durante um longo período de tempo, a Moody´s Investors Service , tinha apenas como
concorrente a agência de notação S&P, considerada das mais relevantes, a nível
internacional.

A S&P emergiu em 1941, com a fusão da Poor´s Publishing e a Standard Statistics. Desde
então, pública ratings de crédito e disponibiliza análises de risco de crédito independentes a
investidores e participantes do mercado em todo o mundo. Atualmente, conta com
escritórios em vinte e três países, sendo consagrada no mundo inteiro como líder de
conhecimento no mercado financeiro.

As classificações de rating da S&P, são baseadas em informação atual cedida pelos


devedores ou obtida através de fontes creditáveisAssim,. temos diversas escalas de risco de
crédito de longo prazo, conforme o Quadro 3, do Anexo 1. Acrescentar ainda que as
notações podem ser modificadas, juntando-lhes os si nais (+) ou (-), para demonstrar a sua
posição relativa dentro de cada uma das categorias da notação.

No que reporta às escalas de risco de crédito de curto prazo, a S&P sugere também as suas
classificações, patentes no Quadro 4, do Anexo 1.

A S&P avalia a médio prazo, a possível evolução de um rating de crédito num longo prazo.
As perspetivas não implicam obrigatoriamente uma alteração do rating, porém é importante
medir qualquer mudança nas condições eco nómicas e/ou nas condições fundamentais do
negócio.

A Fitch Ratings é o resultado da fusão entre Fitch IBCA, Fitch Investor Services com a
Duff & Phelps Credit Rating [Link] Chicago, em Abril de 2000. Sediada em Nova Iorque e
Londres, a Fitch Ratings apresenta classificações para IC’s, empresas, segu radoras, fundos
de investimento, gestores de recursos, ratings soberanos e mercados financeiros públicos.
No Quadro 5, Anexo 1, constam as possíveis avaliaçõ es de crédito de longo prazo.

Por outro lado, a Fitch Ratings, avalia também o nível de potencial defeito num período de
doze meses, ou seja, a curto prazo, como verificamos no Quadro 6, Anexo 1.
Evidenciamos ainda que, os sinais (+) ou (-) são ad icionados a uma notação para conotar
sua posição relativa nas categorias de rating.
Isabel Duarte 37
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

3.4 - Regulamento (CE) n.º 1060/2009

No decorrer dos últimos anos, a qualidade das notações deteriorou-se, dada a utilização de
métodos pouco eficazes pelas agências derating, fator preponderante no desenvolvimento
da atual crise dos mercados. Perante tais acontecimentos, a Comissão Europeia (CE)
apelou à necessidade de se investir no desenvolvime nto da Regulação Europeia das
Agências de Notação.

Este processo de regulação previa colmatar a falta de medidas relativas aos conflitos de
interesses, à qualidade das notações de risco, à tr ansparência e governação interna das
agências e à supervisão das suas atividades. O fundamento desse procedimento visava dar
resposta às principais deficiências identificadas no sistema financeiro, perspetivando
proteger a estabilidade dos mercados financeiros e os investidores.

25
Em 2008, o Conselho Europeu de Bruxelas instituiu quatro pressupostos fundamentais ,
com vista a melhorar o desempenho dos mercados e também das agências de notação. Esses
quatro domínios evidenciam:

· Reforço da transparência para os investidores, mercados e entidades de regulação;


· Aperfeiçoamento das normas de avaliação, em particu lar relativas aos ativos ilíquidos;
· Reforço do quadro prudencial e da gestão de riscos no setor financeiro;
· Melhoria do funcionamento do mercado e da estrutura de inativos, incluindo o papel das
sociedades de notação de risco.

Por conseguinte, o Regulamento (CE) n.º 1060/2009 do Parlamento e do Conselho Europeu


foi publicado no ano de 2009, com aplicabilidade a todas a agências da UE. Contudo,
apenas entrou em aplicação plena em Dezemb ro de 2010. O objeto deste Regulamento
aborda o reforço da integridade, transp arência, responsabilidade, boa governação e a
fiabilidade das atividades das agências de notação de risco, a fim de promover a sua
independência e evitar conflitos deinteresses.

A sua publicação, no Jornal Oficial da UE, veio exi gir que o pedido de registo à European
26
Securities and Markets Authority (ESMA) passe a ser obrigatório para todas as empresas que
pretendam atuar na UE. Essas agências têm igualmente a obrigação de disponibilizar

25 [Link] acedido em: 28 de Junho de 2014.


26
Órgão de autoridade europeia independente que visa assegurar a estabilidade do sistema financeiro da UE na base da
transparência e integridade dos mercados, protegend os interesses dos investidores, de acordo com o site da ESMA.

Isabel Duarte 38
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

no reportório do CARMEVM (Comité das Autoridades de Regulamentação dos Mercados


Europeus de Valores de Mobiliários) o seu historial, bem como a frequência com que
emitem notações. Não obstante, este regulamento vei o também proibir a prestação de
serviços de consultoria e aconselhamento por parte das agências aos seus clientes, de modo
a evitar eventuais conflitos de interesses.

Na perspetiva de serem alcançados processos e proce dimentos transparentes por parte das
agências, estas passam a ter como obrigatoriedade adivulgação pública de informações
relevantes, nomeadamente em relação aos conflitos d e interesses, aos pressupostos
fundamentais das notações, à sua política de remune rações e às metodologias usadas.
Devem ainda divulgar os nomes das entidades com os quais se relacionam, sempre que
dessas entidades provenham mais de 5% das suas receitas anuais.

A pretensa credibilização das agências de notação d e risco implica reformar a estrutura


interna, introduzindo controlos internos e canais de transmissão de informação eficientes.
Deverá existir sempre a perfeita separação entre as funções de notação e os preços praticados.
Assim, um dos mecanismos definido, neste Regulamento, passa por forçar as agências a dispor
de políticas e procedimentos internos capazes de proteger os seus empregados de eventuais
conflitos de interesses. Ao nível da remuneração, os trabalhadores devem ser retribuídos pela
sua qualidade, rigor e integridade do seu trabalho. As agências de notação devem assegurar-se
que todos os seus analistas e empregados disponham dos conhecimentos, habilitações e
experiência necessária à realização das suas funções. No que respeita a uma relação de longa
dur ação com a mesma entidade, objeto de
notação, a mesma poderá comprometer a independênciados analistas e dos responsáveis pela
aprovação das notações de risco. Desta forma, deve vigorar um mecanismo de rotação
adequado que prevê uma mudança gradual.

Neste sentido, impõe-se a obrigatoriedade de serem divulgadas ao mercado as


metodologias adotadas pelas agências, bem como os modelos e os principais pressupostos
no processo de notação. Os métodos devem ser permanentemente revistos e atualizados e,
em caso de alteração, as agências estão obrigadas a divulgarem as notações de forma
rápida.

No que respeita ao relatório de transparência, previsto no Anexo I deste Regulamento, as


agências de notação de risco estão obrigadas à publ icação de um relatório anual de

Isabel Duarte 39
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

transparência, através do organismo central que ger a atividade de notação de risco. A


promulgação deste relatório permite que sejam divul gados os seguintes dados:

1. Informações pormenorizadas sobre a estrutura jurídi ca e a propriedade da agência,


incluindo informação sobre participações de capital ;
2. Descrição dos mecanismos internos de controlo desti nados a assegurar a qualidade das
suas atividades de notação de risco;
3. Dados estatísticos sobre a afetação do seu pessoal a novas notações de risco, à revisão
de notações de risco existentes e à avaliação das m etodologias ou modelos usados;
4. Descrição da sua política de conservação de registo s;
5. Resultados da revisão interna anual da sua função i ndependente de verificação do
cumprimento;
6. Descrição das políticas de gestão e de rotação de a nalistas de notação de risco;
7. Informações financeiras sobre as receitas recebidas , fazendo a separação dos honorários
recebidos pelas atividades de notação dos recebidos das outras atividades;
8. Declaração sobre governação das sociedades.

No âmbito dos requisitos de uma organização, ainda o Anexo I, define que as agências
devem prever a existência de um conselho de supervisão que garanta a independência das
notações face a condicionalismos políticos ou press ões económicas. O mesmo conselho
deve também conseguir identificar, gerir e divulgar quaisquer conflitos de interesses que
surjam. Relativamente à afetação de poderes, pelo m enos um terço e, num mínimo dois dos
membros do conselho de supervisão, devem ser membro s independentes não envolvidos em
atividades de notação de risco.

Por último, compete às agências, a divulgação semestral dos dados sobre as taxas históricas
de erros, referindo as zonas geográficas dos emitentes, e a correspondente evolução das
taxas.

3.5 - Revogação do Regulamento (CE) n.º 1060/2009

O Regulamento (CE) n.º 1060/2009, revogado pelo Regulamento (UE) n.º 513/2011, em
Julho de 2011, concede os poderes de supervisão e d e registo exclusivo sobre as agências
de notação registadas na UE, à ESMA.

Isabel Duarte 40
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

O primeiro Regulamento a vigorar, embora constitua uma boa base de trabalho, não
contempla diversas questões relacionadas com o exer cício da atividade de notação de
risco e com a utilização das notações.

Então, em Novembro de 2011, a CE estabelece uma alt eração ao Regulamento das


Agências de Notação, definindo pressupostos no sentido de responsabilizar as agências de
notação, intensificar a sua transparência, diminuir a dependência dos mercados face às
notações e ainda aumentar a concorrência, perspetivando a dissolução do oligopólio,
atualmente existente, das três principais agênciasde notação, anteriormente abordadas.

Após a avaliação do Regulamento vigente, foram iden tificados problemas que influenciam
negativamente a estabilidade financeira. Assim, são citados pela CE os seguintes fatores:

· O recurso excessivo a notações externas para fins d e gestão interna de risco por parte
de investidores e a escassez de informação divulgada s obre os produtos financeiros
estruturados, conduziu a uma dependência excessivadas notações de risco;
· A emissão de notações de risco da dívida soberana n ão era suficientemente objetiva,
integral e transparente;
 A concentração de barreiras à entrada no mercado de serviços de notações de risco,
bem como elevada concentração existente e a falta de co mparação dos resultados,
originou uma concorrência praticamente inexistente;
· A inexistência de uma compensação suficiente dos investidores prejudicados com a
emissão de uma notação incorreta;
· A independência das agências estar comprometida pela existência de eventuais conflitos
de interesses causados pelo modelo “emitente-pagado r”, da estrutura acionista da
agência, entre outros;
· Os processos e metodologias de notação não serem su ficientemente consistentes.

O fundamento da proposta de alteração ao Regulament o em vigor baseia-se na redução do


risco de instabilidade financeira e na recuperação da confiança dos investidores e restantes
agentes dos mercados financeiros, elevando a qualidade das notações, necessária para repor
a fiabilidade das agências de notação.

O novo Regulamento contempla a proposta da CE, para que as agências de notação


procedam à publicação das “perspetivas das notações ”, onde emitem uma opinião sobre a
provável evolução futura de uma notação de risco.
Isabel Duarte 41
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

No domínio das sociedades de notação de risco, o no vo Regulamento obriga determinadas


IC’s a realizarem as suas avaliações de risco, evit ando a dependência exclusiva de
notações externas, identificado como fator inibidor da estabilidade financeira. Esta
proposta veio forçar os emitentes de instrumentos financeiros, a divulgar informações
detalhadas, bem como os principais elementos das carteiras de ativos subjacentes aos
produtos financeiros estruturados, por forma a possibilitar que os investidores avaliem o
risco sem necessidade de recorrerem a notações externas. Objetivamente, a CE pretende
solucionar a questão da dependência existente pelas notações, provocada pela importância
advinda das notações outrora emitidas pelas principais agências de notação.

Face ao exposto, e tendo por base prevenir a existência de conflitos de interesses, este
documento determina que um membro ou acionista, que detenha pelo menos 5% de
participação numa agência de notação, fica proibido de deter mais de 5% noutra agência. No
que diz respeito à eventual existência de conflitos de interesses provenientes da utilização
do modelo “emitente-pagador”, este docum ento implementa a regra da rotatividade. Assim,
a sociedade de notação contrat ada não deve continuar vinculada com o emitente mais do
que três anos consecutivos ou, mais do que um ano, quando classificarem mais de dez
instrumentos de dívida consecutivos do mesmo emitente. Concluídos os três anos, a relação
só deve ser resp osta quatro anos depois.

Tendo presente as recentes alterações dos mercados financeiros, a alteração ao Regulamento


também prevê novas metodologias a seremcumpridas pelas agências de notação. As mesmas
passam a ter o dever de pedir a apreciação das metodologias a utilizar
à ESMA, sendo que só podem ser utilizadas após a sua apro vação. Posto isto, as
metodologias devem ser divulgadas de forma pormenorizada, e os erros detetados devem
ser corrigidos e informados à ESMA.

Relativamente aos problemas específicos levantados pela notação das emissões soberanas,
que se tornaram evidentes durante a atual crise da dívida soberana, não estavam tampouco
especificamente acautelados no Regulamento anterior. Assim, as agências acrescentam a
obrigação de emitir notações da dívida soberana a c ada seis meses, contrariando os doze
meses anteriormente definidos. Complementarmente, estão obrigadas a publicarem um
relatório de investigação completa, sobre as notaçõ es soberanas emitidas ou alteradas, de
forma a prevalecer sempre a transparência e a fácilcompreensão dos utilizadores. As
agências devem ainda emitir um relatório de transparência onde indiquem as pessoas afetas

Isabel Duarte 42
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

às notações das diferentes classes de ativos bem co mo dados detalhados do seu volume de
negócios, incluindo as receitas geradas pelas difer entes classes de ativos, para que se
consiga perceber de que modo são afetos os recursos à emissão de dívidas soberanas.

Ao nível da sua divulgação, as notações passam a es tar disponíveis para os investidores,


dado que são publicadas sobre a forma de um Índice Europeu de Notações ( EURIX –
European Rating Index), sendo que está subjacente a este Regulamento a brigação de
comunicar as notações à ESMA. Para que seja possível a comparabilidade das notações
emitidas por diferentes agências, aESMA passa a ter poder de gestão das normas com vista
à harmonização do processo de notação, sendo que to das as agências passam a estar
obrigadas ao seu cumprimento. Toda e qualquer norma projetada pela ESMA fica sempre
sujeita a aprovação por parte da Comissão Europeia.

Aquando da promulgação deste regulamento, vincula-s e a obrigatoriedade de que o cálculo


das comissões cobradas seja determinado em função d o custo real dos serviços prestados e
em critérios transparentes de preços, e não em funç ão dos resultados, de forma a evitar
possíveis pagamentos mais elevados em troca de notações mais favoráveis. Para isso,
impõe-se, às agências, a publicação de uma lista da s comissões cobradas a cada cliente
individualizada por notação e por serviço.

De acordo com a CE, as sociedades de notação passam também a garantir responsabilidade


civil perante as infrações cometidas de forma inten cional ou por negligência grave, sempre
que tal erro provoque danos ao investidor que se baseie na notação errada, estando
obrigados a compensar os investidores por eventuais prejuízos causados.

No que respeita a uma eventual centralização de res ponsabilidade, esta proposta admite a
criação de uma agência de notação europeia. Porém, a CE considera que mesmo pudessem
surtir benefícios, seria difícil resolver problemas de conflitos de interesses, pondo em causa
a sua credibilidade.

Isabel Duarte 43
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Parte II - Abordagem Empírica

Na segunda parte deste trabalho, a abordagem empírica basear-se-á em dois momentos de


análise. No primeiro momento, vamos caracterizar asIC’s em Portugal, ao nível do seu
desempenho e relevância no sistema financeiro. De f orma complementar, vamos proceder a
um diagnóstico da posição das IC’s em Portugal, f ace ao crédito cedido aos clientes, à
evolução dos ativos e aos valores do fundo próprio, recorrendo aos dados constantes na
Associação Portuguesa de Bancos (APB), relativament e às seis maiores instituições
bancárias portuguesas, no período de 2008 a 2012. No segundo momento, procuraremos
analisar a hipótese das empresas abrirem insolvência, estruturando um modelo de rating
interno a aplicar a pequenas e médias empresas (PME’s) portuguesas – indústria de calçado
do norte de Portugal.

Capítulo 4 - As Instituições de Crédito em Portugal

Em primeiro lugar, torna-se importante referenciar que “O sistema financeiro compreende o


conjunto de instituições financeiras que assegura m, essencialmente, a canalização de
poupança para o investimento nos mercados financeir os, através da compra e venda de
produtos financeiros”, de acordo com a APB (2014B). Assim, as IC’s desempenham as suas
funções como intermediárias entre os diversos agentes económicos (investidores) e os
aforradores, gerando a captação das suas poupanças e a subsequente canalização para os
primeiros.

A legislação portuguesa define as IC’s como sendo o rganizações cuja atividade consiste em
receber depósitos e/ou outros fundos reembolsáveis, com o objetivo de os aplicarem por
conta própria mediante a concessão de crédito, de acordo com o artigo 2.º do Regime Geral
das IC’s e Sociedades Financeiras (aprovado pelo Decreto-Lei n.º 298/92 de 31 de
Dezembro). Assim, bancos, caixas económicas, Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo e
caixas de crédito agrícola mútuo, instituições financeiras de crédito, instituições de crédito
hipotecário, sociedades de investimento, sociedades de locação financeira, sociedades de
factoring, sociedades financeiras para aquisições a crédito, sociedades de garantia mútua e
outras empresas definidas pelo regime geral, são consideradas IC’s. Para a prossecução do
nosso estudo, iremos somente anali sar as atividades inerentes à seguinte instituição:

Isabel Duarte 44
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

· Bancos - Receção de depósitos ou outros fundos reembolsáv eis; Operações de crédito,


compreendendo a concessão de garantias e outros com promissos, locação financeira e
factoring; Prestação de serviços de pagamento; Emissão e ges tão de outros meios de
pagamento, tais como cheques em suporte de papel, cheques de viagem em suporte de
papel e cartas de crédito; Transações, por conta pr ópria ou dos clientes, sobre
instrumentos do mercado monetário e cambial, instrumentos financeiros a prazo, opções
e operações sobre divisas, taxas de juro, mercadori as e valores mobiliários;
Participações em emissões e colocações de valores m obiliários e prestação de serviços
correlativos; Atuação nos mercados interbancários; Consultoria, guarda, administração e
gestão de carteiras de valores mobiliários; Gestão e consultoria em gestão de outros
patrimónios; Consultoria das empresas em matéria de estrutura do capital, de estratégia
empresarial e de questões conexas, bem como consult oria e serviços no domínio da
fusão e compra de empresas; Operações sobre pedras e metais preciosos; Tomada de
participações no capital de sociedades; Mediação de seguros; Prestação de informações
comerciais (como por exemplo a capacidade de cumprimento das obrigações); Aluguer
de cofres e guarda de valores; Locação de bens móve is; Prestação de serviços,
exercício das atividades de investimento, emissão de moeda el ectrónica; Outras
operações análogas e que a lei não proíba.

A intermediação financeira é uma atividade produtiva, na qual as IC’s obtêm fundos com o
propósito de os canalizar para outras entidades ins titucionais, através de empréstimos,
realizando assim uma realocação de recursos na econ omia, tal como apresentamos:

Figura 2 - Esquema do Funcionamento do Sistema Financeiro

Fonte: APB (2014B)

Isabel Duarte 45
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

27
No desempenho das suas funções, os mercados finance iros e intermediários financeiros
transferem fundos e recursos daqueles que têm exceso de fundos (aforradores) para aqueles
que têm escassez de fundos (investidores).

Àmedida que se estabelecem condições para a interm ediação financeira, os agentes


económicos superavitários, cujos rendimentos recebidos sejam superiores aos seus gastos
totais, poderão canalizar as suas disponibilidades de caixa para os agentes económicos
deficitários, cujos gastos totais em consumo e investimento sejam superiores aos seus
rendimentos atuais.

Face ao exposto, as instituições bancárias desempenham um conjunto de funções


específicas, enquanto intervenientes especiais dos mercados financeiros, atendendo
essencialmente ao contacto de proximidade que os caracteriza com os diferentes agentes
económicos, como por exemplo empresas, particulares e outras entidades, uma vez que
contribuem, de uma forma inequívoca, para o fomento à poupança, incremento do
consumo, financiamento do investimento e partilha dos riscos, evidenciando a informação
da APB (2014B).

A sua presença nos mercados financeiros, permite re duzir substancialmente os custos


relacionados com as operações que envolvam informaç ão e transação, essencialmente
devido à existência de economias de escala (uma vez que com os mesmos custos fixos,
conseguem fazer face a um elevado número de transações), de economias de especialização
(por seguirem modelos consistentes d e análise ao longo do tempo), de economias de
experiência (através de um processo contínuo de aprimoramento de qualidade de serviço em
função das preferências de cada cliente) e finalmente de economias de diversificação (uma
vez que as institu ições bancárias são entidades que estão autorizadas a oferecer um vasto
conjunto de atividades, serviços e produtos), de acordo com Caiado, A. et al. (2008).

Neste contexto, a oferta das instituições bancárias tem vindo a adaptar-se às necessidades
dos clientes/consumidores, sendo que em diversas situações se foi sofisticando, em função
da procura específica dos vários segmentos de mercado, e noutros foi-se simplificando,
como forma de responder quase de imediato às solici tações do cliente.

27 Mercados de Títulos e Ações.

Isabel Duarte 46
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Relativamente ao diagnóstico proposto, no início da abordagem empírica, para as IC’s em


Portugal, foram selecionadas para a seguinte análise as “oito maiores instituições bancárias
a operar em Portugal”, referenciadas pela troika, de acordo com Amaral, P. (2011).
Portanto, iremos estudar as seguintes instituições bancárias: Banco Português de
Investimento (BPI), Banco Comercial Português (BCP), Banco Espírito Santo (BES), Banif,
Caixa Geral de Depósitos (CGD) e Santander T otta. A falta de informação disponível, por
parte das instituições bancárias do Montepio e Crédito Agrícola, uma vez que são entidades
mutualistas, não nos permite anal isar, em pleno, as oito instituições observadas pela troika.

No seguimento deste estudo sobre risco de crédito, vamos aprofundar a análise sobre as
28 29
IC’s, tendo por base os Boletins Estatísticos e os Boletins Informativos , publicados pela
APB. O período de referência para esta análise restringe-se aos anos de 2008 a 2012, dado
que as oscilações dos mercados serão bem visíveis, pelo facto de Portugal ter sido
submetido ao plano de ajustamento financeiro, durante parte deste período e o seu início
(2008) coincidir com uma crise financeira internacional que condicionou todo o sistema. Os
três elementos do balanço, a seguir abordados, vão permitir uma análise aprofundada da
evolução e repercussões implícitas, dadas as altera ções vivenciadas no período de
referência.

4.1 - Evolução do Crédito a Clientes

O fundamento da presente análise visa averiguar osvalores de crédito a clientes, expressos


nos balanços das seis instituições bancárias portug uesas atrás referenciadas. A escolha pela
análise da concessão de crédito a clientes destacase,- por ser considerada a principal
atividade das IC’s. Todavia, no período decorrido e ntre os anos de 2008 a 2012, esta é uma
atividade que eleva o risco de crédito para recordes máximos, deixando a rendibilidade das
IC’s em valores mínimos, porque o crédito malparado assumiu uma importância relevante e
pelo facto de se ter constatado que certas concessões de crédito não foram feitas por
critérios rigorosos. Portanto, estes foram os principais fatores que afetaram a rendibilidade
bancária.

28 Boletim Estatístico é um documento que compila periodicamente informação financeira e não financeira d e base,
sobre cada uma das instituições, de acordo com o site da APB.
29 O Boletim Informativo é um documento que reúne um onjuntoc de análises e comentários à atividade
desenvolvida, em cada exercício, pelas IC’s, de acordo com o site da APB.

Isabel Duarte 47
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Quadro 4 - Valores do Crédito a Clientes

2008 2009 2010 2011 2012


BPI 29 275 167 29 953 806 30 055 006 28 318 264 27 345 473
BCP 75 155 965 75 170 622 73 905 406 68 045 535 62 618 236
BES 47 048 452 48 978 431 50 829 123 49 043 382 47 706 392
BANIF 10 336 949 11 487 864 12 206 254 11 135 315 9 815 981
CGD 75 204 831 77 062 446 81 907 204 78 247 625 74 713 101
Santander Totta 32 712 634 32 418 347 32 814 024 28 339 940 26 942 387
Fonte: Boletins Estatísticos da APB

Gráfico 1 - Análise do Crédito a Clientes

90.000.000
80.000.000
70.000.000
60.000.000
50.000.000
40.000.000
30.000.000
20.000.000
10.000.000
0
2008 2009 2010 2011 2012

Fonte: Elaboração Própria

A primeira grande constatação está no aumento significativo de crédito cedido aos clientes
entre os anos de 2008 a 2010, verificando-se aqui valores máximos das IC’s, com excepção
do BCP. Nos anos posteriores, em 2011 e 2012, verifica-se um decréscimo gradual. As
principais causas desta redução, ostentam as imposi ções da troika e o plano de ajustamento
que tem vindo a ser aplicado em Portugal, com termo no ano corrente. Podemos também
reter que, no ano em que as IC’s apresentaram uma considerável diminuição referente à
exposição ao risco de crédito, Portugal já se encontrava sob supervisão externa. Mediante a
evolução apresentada no Gráfico 1, pode também concluir-se que os valores mais
consideráveis na concessão de crédito, no período me observação, são das instituições
bancárias BCP e CGD.

Isabel Duarte 48
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Numa abordagem global, a conjuntura económica reces siva penalizou fortemente a


qualidade do crédito da banca portuguesa, evidenciando um maior impacto no ano de
2012, onde os valores baixam significativamente. Assim, o agravamento da sinistralidade
do crédito tem repercussões inevitáveis no reforço de provisões para a desvalorização de
ativos.

4.2 - Evolução dos Ativos

A par de uma abordagem ao crédito cedido a clientes, seguimos esta análise com o intuito
de apurar a evolução dos ativos nas distintas insti tuições bancárias. A opção pela análise
desta rúbrica associa-se à importância que lhe é conferida em termos de liquidez que
ostenta.

Quadro 5 - Valores do Total de Ativos

2008 2009 2010 2011 2012


BPI 43 003 399 47 449 179 45 659 813 42 955 917 44 564 582
BCP 94 423 724 95 550 407 100 009 739 93 482 079 89 744 039
BES 75 186 728 82 297 200 83 655 427 80 237 372 83 690 828
BANIF 12 876 616 14 442 205 15 710 692 15 823 114 13 992 293
CGD 111 060 082 120 984 842 125 861 974 120 565 281 116 856 502
Santander Totta 44 084 898 48 590 431 48 181 543 42 223 823 41 400 310
Fonte: Boletins Estatísticos da APB

Gráfico 2 - Análise do Total de Ativos

140.000.000

120.000.000

100.000.000

80.000.000

60.000.000

40.000.000

20.000.000

0
2008 2009 2010 2011 2012

Fonte: Elaboração Própria

Isabel Duarte 49
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Conforme podemos averiguar pela análise do Gráfico2, denota-se uma evolução positiva
dos ativos, nos anos de 2008 a 2010, na generalidade das instituições bancárias. No ano de
2011 e 2012, os valores desta rúbrica foram diminuindo, com excepção do BES, indicando
assim uma redução de liquidez.

Ao longo do período em análise era previsível a suadiminuição, dada a necessidade de


reconhecer provisões, devido a créditos cedidos e cuja probabilidade de reembolso é baixa
ou nula. Por outro lado, algumas instituições bancárias tiveram de reconhecer imparidades
sobre os investimentos realizados. A título de exemplo, temos o BPI e a compra da dívida
grega que realizou.

4.3 - Evolução do Fundo Próprio

A incidência sobre o estudo desta rúbrica prende-secom a importância que assume nos
diferentes critérios e limites para a sustentabilidade do sistema financeiro, apontados no
âmbito do Acordo de Basileia III.

Assim, o BdP (2009A) define que “A maioria dos limi tes estabelecidos no contexto das
regras prudenciais assenta no conceito de fundos próprios. Além dos capitais próprios
deduzidos de certos ativos sem valor de realização autónomo e de certas participações em
instituições financeiras, os fundos próprios compre endem outros agregados (como
determinados empréstimos subordinados), os quais, pelas suas características, reúnem
condições para constituir uma margem capaz de absor ver um determinado volume de
perdas e dar tempo às instituições para reagir (por exemplo, através do reforço do capital
social ou através da emissão de outros instrumentos elegíveis para os fundos próprios),
permitindo o prosseguimento, ou mesmo reforço, das suas atividades. Os fundos próprios
nunca podem ser inferiores ao capital social mínimo e pelo menos 10% dos lucros líquidos
apurados em cada exercício devem ser afetos à const ituição de uma reserva legal até ao
montante do capital social.”

Isabel Duarte 50
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Quadro 6 - Valores do Fundo Próprio

2008 2009 2010 2011 2012


BPI 1.961.530 2.302.690 1.963.948 822.388 2.060.645
BCP 6.248.234 7.220.801 7.247.476 4.374.371 4.000.187
BES 4.652.944 6.938.883 7.476.248 6.192.475 7.732.744
BANIF 862.770 1.179.926 1.278.877 934.916 376.156
CGD 5.484.138 7.156.850 7.839.996 5.337.253 7.280.046
Santander Totta 2.931.519 3.211.573 3.044.065 2.274.291 2.767.350
Fonte: Boletins Estatísticos da APB

Gráfico 3 - Análise do Fundo Próprio

9.000.000
8.000.000
7.000.000
6.000.000
5.000.000
4.000.000
3.000.000
2.000.000
1.000.000
0
2008 2009 2010 2011 2012

Fonte: Elaboração Própria

Conforme podemos verificar pela análise do Gráfico3, o BPI e o Santander Totta,


apresentaram uma evolução semelhante do fundo própr io, aumentando o seu valor nos anos
de 2008 e 2009 e decrescendo nos anos de 2010 e 2011. No ano de 2012, o valor de fundo
próprio voltou a aumentar. Relativamente à CG D e ao BES, esta rúbrica apresentou um
aumento gradual ao longo do período em análise,com excepção de 2011. Já o BCP e o
Banif apresentam uma evolução do fundo próprio entr e 2008 e 2010, contudo esses valores
decrescem nos dois anos seguintes. Os acentuados resultados negativos apresentados no ano
de 2011, advêm essencialmente do reconhecimentode incobrabilidade de créditos, do
reconhecimento de perdas por participações noutras instituições bancárias e o
reconhecimento de perdas por participações em dívid as soberanas.

Isabel Duarte 51
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Esta evolução do fundo próprio coincide, em traços gerais, com a evolução do resultado
líquido do período (RLP) para as instituições bancárias aqui em estudo, sendo este portanto
o principal motor da evolução do fundo próprio.

De salientar que esta análise não incorpora os problemas que levaram à retirada do
mercado financeiro o BES.

Isabel Duarte 52
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Capítulo 5 - Modelo de Estudo do Risco de Crédito em Portugal

Este capítulo aborda a criação de um modelo de estu do, com base na investigação de
diversas variáveis, onde iremos proceder à análiseda probabilidade de insolvência de um
conjunto de empresas, inseridas na indústria de calçado do norte de Portugal.

30
Para este estudo, tornou-se fundamental definir uma amostra, com vista à obtenção de
resultados sobre o risco de crédito neste setor, emfunção da mesma. Assim, tendo por base
um determinado número de empresas de calçado em Portugal, selecionamos cinquenta
empresas ativas, recorrendo ao critério de rendimentos operacionais por ordem
decrescente, situadas na região do Grande Porto e c om mais de cinco trabalhadores
inclusive. A escolha pela indústria de calçado expõ e-se pelo grau de transacionalidade dos
produtos, conferindo a esta indústria uma característica especial que a diferencia de muitas
outras atividades em Portugal. De salientar que, segundo a Central de Balanços do BdP
(2012), este setor representava 4% das empresas, 3% do volume de negócios e 6% do
número de pessoal ao serviço nas indústrias transformadoras. Referenciando a mesma
análise, sabe-se que 96% das empresas da indústriade calçado concentravam-se nos
distritos de Aveiro, Porto e Braga e o volume de negócios do setor era determinante,
sobretudo, pelas empresas com vinte e mais anos de atividade (57%).

5.1 - Uma Abordagem à Indústria de Calçado

O desenvolvimento da indústria de calçado em Portugal, durante as últimas décadas,


desencadeou um elevado crescimento, resultante essencialmente da entrada do nosso país
nos mercados internacionais.

Desde logo, a sua afirmação nesses mercados, motiva da pela capacidade de criação de
moda, permitiu a esta indústria enveredar por uma estratégia assente na inovação. Essa
aposta, originou a implementação da permanente reno vação da gama de produtos e
capacidade de criação das empresas, sendo um elemen to essencial da sua competitividade.

Porém, recentemente, esta indústria deparou-se com o abrandamento do crescimento


económico mundial e também com recessão na área do euro (variação do PIB de -0,6%,

30 Ao nível estatístico, uma amostra pode ser definida como um subconjunto finito da população, segundo Pedrosa, A.
et al. (2004).

Isabel Duarte 53
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

em 2012). Para uma indústria fortemente exportadora, e cujas exportações se orientam


predominantemente para a Europa, daqui decorre uma tendência muito pouco favorável ao
nível da procura externa, de acordo com a Associaçã o Portuguesa dos Industriais de
Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâ neos (APICCAPS) (2013).

Perante este enquadramento desfavorável da economia, a indústria de calçado afirma-se,


como sendo um pilar da economia portuguesa. Assim, contrariando a recessão nacional,
entre 2010 e 2012, registou um significativo aumento do emprego e da produção,
respetivamente na ordem dos 10% e dos 20%, ultrapassando em definitivo as dificuldades
provocadas pela eclosão da crise económica e financ eira internacional de 2008,
APICCAPS (2013).

Uma das características marcantes da estrutura empresarial da indústria portuguesa de


calçado revela-se na forte aglomeração geográfica q ue evidencia. Os polos geográficos
desta indústria encontram-se divididos pelos seguintes concelhos: Felgueiras, Guimarães,
Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e ainda oconcelho de São João da Madeira. Em
conjunto, estes cinco concelhos mais relevantes representam cerca de 75% do emprego na
indústria portuguesa de calçado. Esta característica favorece fenómenos de difusão do
conhecimento e de formação de redes de empresas, pe rmitindo afirmar-se como uma das
principais indústrias da economia nacional. Tendo em consideração o fator
supramencionado, 72% das exportações portuguesas têm origem nestes cinco concelhos,
referenciando a mesma análise.

Atualmente, apesar conjuntura económica, a indústria portuguesa de calçado continua em


expansão, evidenciando assim a implementação de est ratégias adequadas. De acordo com a
APICCAPS (2013:5) os empresários deste setor “têm mau perceção da conjuntura bem
mais favorável do que a média dos empresários dadústriain transformadora portuguesa.
Aliás, apesar de alguma degradação em 2012, este indicador apresentou, nos últimos três
anos, dos melhores resultados desde o início do século.”

5.2 - As Variáveis em Estudo

Para iniciar este estudo, torna-se importante definir as variáveis económico-financeiras a


ser utilizados na elaboração do modelo de rating interno, apresentadas no Quadro 7.
Entenda-se por variáveis económicas, todos aqueles fatores que de certa forma podem ser

Isabel Duarte 54
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

medidos e que influenciam economicamente o comportamento do mercado, tanto de forma


positiva quanto negativa. Estas variáveis visam avaliar a capacidade da empresa em gerar
valor, tendo por objetivo remunerar adequadamente todos quantos nela participam,
nomeadamente os seus acionistas. Relativamente às v ariáveis financeiras, estas procuram
avaliar a capacidade da empresa em honrar atempadamente os seus compromissos
financeiros perante terceiros. Na sua generalidade, estas variáveis económico-financeiras
apresentam uma influência muito forte no desempenhodas organizações.

Quadro 7 - Definição das Variáveis Independentes

Variável Descrição Tipo


AFin Autonomia Financeira Variável Quantitativa
Solv Solvabilidade Variável Quantitativa
Grau de Cobertura do Ativo Total
FM/AT Variável Quantitativa
pelo Fundo de Maneio
RI Rotação dos Inventários Variável Quantitativa
EVN Evolução do Volume de Negócios Variável Quantitativ a
ROA Return on Assets Variável Quantitativa
ROE Return on Equity Variável Quantitativa
CFV Custos Financeiros sobre as Vendas Variável Quantitativa

Fonte: Elaboração Própria

Os índices económico-financeiros utilizados neste e studo compreendem rácios de estrutura,


de funcionamento e de rendibilidade. De seguida, vamos abordar estes três grupos,
evidenciando algumas variáveis fundamentaispara a construção no modelo de rating
interno.

Após terem sido identificadas as variáveis independentes para a construção deste modelo, é
fundamental elucidarmos uma variável dependente. Asim, definimos uma variável que se
apresenta como elemento relevante das instituições perante os diversos agentes económicos:
a Reputação. Para a medição desta variá vel, consideramos o número de anos de vida da
empresa, uma vez que é através destes que se constrói a notoriedade da empresa, segundo
Vilabella, et al. (1997). Neste sentido, uma empresa que consiga sobreviver às diversas
crises durante a sua existência, apresenta uma maior capacidade

Isabel Duarte 55
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

para solver os seus compromissos, facilitando desta forma o acesso ao financiamento, daí
esperarmos uma relação positiva entre esta variável e o endividamento.

Posto isto, interessa então abordar a definição de cada uma das variáveis independentes
anteriormente indicadas, bem como a respetiva forma de cálculo. Para esta tarefa, recorreu-
se sobretudo à literatura de Mata, M. (2012), Silva , E. (2011C), Neves, J. (2012), Carvalho,
P. (2009) e o site Portal da Gestão. Entre os autores que estudam est e tema, há a destacar
Altman, E. (1968) que chega ao ponto de tentar determinar um indicador que permita
distinguir as empresas potencialmente solventes das insolventes.

Rácios de Estrutura de Capital (Rácios Financeiros)

Os rácios de estrutura de capital estudam os aspeto que se relacionam unicamente com a


área financeira, tais como a estrutura financeira,a solvabilidade ou a autonomia financeira.
Assim, quando se analisam as fontes de informação f inanceira, torna-se possível verificar
como a empresa financia os seus ativos recorrendo a capitais próprios e a capitais alheios.
Na sua maioria, as empresas financiam-se com base na combinação desses dois capitais.

Comparando os valores dos rácios financeiros com osde outras empresas do mesmo setor,
pode-se averiguar a razoabilidade do nível de endividamento da empresa. Desta forma,
será aconselhável decompor os diferentes tipos deapitaisc alheios em função do seu custo
(se tem ou não de suportar juros) e da sua permanência na empresa. Assim, de acordo com a
informação constante no site Portal da Gestão, torna-se fundamental efetuar est a análise
pelos seguintes motivos:

· Os passivos que suportam juros expõem a empresa ao risco de variação de taxas de


juro, sendo que é importante analisar o impacto que uma variação significativa nas
taxas de juro terá nos custos da empresa;
· Quanto maior for a proporção dos custos de financia mento que suportam juro no total do
ativo da empresa, maior vai ser o seu custo de financiamento, pelo que haverá que avaliar
até que ponto a empresa tem capacidade de cumprir com as suas obrigações perante
instituições bancárias e outras IC’s;

· Existência de um certo equilíbrio entre passivos eativos de longo prazo na empresa,


sendo de evitar o financiamento de ativos de longo prazo recorrendo a empréstimos a
curto prazo.

Isabel Duarte 56
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Autonomia Financeira (AFin)

A autonomia financeira é apresentada como o rácio mais importante em análise de


empresas. Através do seu cálculo podemos obter umaimagem imediata da estrutura
financeira da empresa. Este indicador informa sobre a parcela dos ativos que é financiada
pelos capitais próprios. Posto isto, é possível afirmar que esta é uma das formas mais hábeis
de analisar o grau de alavancagem da empresade uma forma simples, pois os valores são
diretamente retirados do balanço e não carecem de ajustamentos em função da permanência
dos capitais nem em função do pagamento (ou não) de juros. Assim, quanto maior o rácio,
maior a estabilidade financeira da mpresa, de acordo com o autor Silva, E.
(2011C). A fórmula é a seguinte:
(4)
Capitais Próprios
AFin = x 100
Ativo Total

Solvabilidade (Solv)

Uma empresa está solvente, do ponto de vista económico, quando apresenta a competência
necessária para liquidar os compromissos financeiros. Este indicador de solvabilidade é um
rácio financeiro que indica a proporção relativa dos ativos da empresa financiados por
capitais próprios versus financiados por capitais alheios. Assim, quanto mais elevado este
rácio, maior a estabilidade financeira da [Link] conseguinte, quanto mais baixo, maior
a sua vulnerabilidade, Silva, E. (2011C). A análise deste rácio indica-nos, a garantia
oferecida pela empresa ao capital alheio ou passivo. Então, podemos interpretar este rácio
como sendo a liquidez de médio e longo prazo no sentido de apontar indícios sobre a
capacidade de solver compromissos. A fórmula é a seguinte:
(5)
Capitais Próprios
Solv =
Passivo Total

Grau de Cobertura do Ativo Total pelo Fundo de Maneio (FM/AT)

Este indicador financeiro é frequentemente utilizado nos estudos sobre os problemas das
empresas, por se tratar de um rácio que calcula o grau de cobertura do ativo total pelo
fundo de maneio. O fundo de maneio é definido comoa diferença entre o ativo circulante e

Isabel Duarte 57
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

o passivo circulante, representando a capacidade da empresa realizar a sua atividade com


normalidade, refere Altman, E. (1968). A fórmula é a seguinte:
(6)
Fundo de Maneio
FM/AT =
Ativo Total

Rácios de Funcionamento

Os rácios de funcionamento ajudam a explicar os impactos financeiros da gestão ao nível


do ciclo de exploração. Os indicadores referentes p or exemplo à evolução do volume de
negócios ou rotação dos inventários, fornecem infor mação sobre como funciona o
quotidiano de uma empresa na sua vertente comercial e operacional, nomeadamente como
é que a eficácia na gestão dos inventários influenciam as necessidades ou excedentes de
tesouraria. Segundo o site Portal da Gestão, os rácios de funcionamento esclarecem as
respostas e perguntas deste género e ajudam a analisar as relações causa-efeito entre a
atividade da empresa e também as suas necessidadesde financiamento.

Rotação dos Inventários (RI)

O indicador RI mede o grau de eficiência com que aempresa está a efetuar a sua gestão de
inventários emstock. Assim, quanto maior for o valor deste rácio, maior a eficiência da
gestão de stocks, Neves, J. (2012). O seu resultado é obtido pela divisão do custo das
mercadorias vendidas e das matérias consumidas (CMVMC) num determinado período de
tempo, pelo montante médio dos stocks nesse mesmo período de tempo. A sua fórmula é a
seguinte:
(7)
CMVMC
RI =
Stock Médio

Evolução do Volume de Negócios (EVN)

Este indicador permite-nos, através do somatório das vendas de produtos com as prestações
de serviços, reconhecer o resultado fina l do trabalho desenvolvido ao longo do período,
afirma Carvalho, P. (2009) A análise do rácio da evolução do volume de negócios
possibilita a constatação de como as empresas mantém a sua quota de mercado,

Isabel Duarte 58
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

concorrencial e com produtos/serviços atrativos e i novadores. A fórmula de cálculo é a


seguinte:

(8)
Vendas Ano N – Vendas N-1
EVN = x 100
Vendas Ano N-1

Rácios de Rendibilidade (ou Económicos)

Os rácios de rendibilidade relacionam os lucros daempresa com o seu património. Apesar


de existirem múltiplos rácios de rendibilidade com diferentes variações, estes,
objetivamente, comparam sempre o resultado que a empresa foi capaz de gerar num
determinado período de tempo com dados relativos à dimensão da empresa, seja o
montante investido, o valor do ativo ou o valor líquido da empresa, refere o site Portal da
Gestão.

Posto isto, a comparação das grandezas apenas é viável quando analisada em forma de rácio,
pois de outra forma não seria correto comparar a performance de duas empresas de
dimensões diferentes, uma vez que o lucro avultado para uma PME poderá ser
negligenciável para uma empresa multinacional. Contudo, se usarmos os mesmos rácios
para uma e para outra, podemos facilmente obter dados para a sua comparação e reter
algumas conclusões importantes. Assim, no âmbito do s rácios de rendibilidade,
apresentamos aqueles que nos parecem fundamentais para a construção do modelo de rating
interno.

Return on Assets (ROA)

O indicador ROA, em português Rendibilidade do Ativo, mede a relação do quociente entre


o valor do RLP pelo valor do Ativo Total. Neves, J. (2012) refere que o fundamento deste
rácio visa avaliar a capacidade dos ativos daempresa em gerar resultados. Um rácio ROA
elevado significa que os ativos da empresa, como por exemplo as máquinas ou equipamento
produtivo, estão a ser bem utilizados e a produzir bons resultados. Contudo, a intensidade
dos ativos nas empresas difere relativamente à sua atividade, daí que deverá existir uma
adequada ponderação quando se comparar diretamente o rácioROA de duas

Isabel Duarte 59
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

empresas distintas. Naturalmente, quanto maior for o valor deste rácio, melhor será a
performance operacional da empresa. A fórmula é a seguinte:
(9)
RLP
ROA = x 100
Ativo Total

Return on Equity (ROE)

O ROE, em português Rendibilidade dos Capitais Próprios, divide o RLP pelo valor da
Situação Líquida, ou seja, os capitais próprios det idos pela empresa. Perante qualquer
gestor ou analista, este é um rácio importante, dado que analisa a capacidade e eficácia de
remuneração dos capitais investidos pelos acionista s. Especificamente, este indicador diz-
nos qual a percentagem de lucro, por cada euro investido, Nesves, J. (2012). Assim, um
rácioROE elevado evidencia crescimento e valor acrescentado. A fórmula é a seguinte:
(10)
RLP
ROE = x 100
Situação Líquida

Custos Financeiros sobre as Vendas (CFV)

Este indicador mede o peso dos encargos face à ativ idade económica da empresa, de
acordo com Mata, M, (2012). A fórmula é a seguinte:
(11)
Custos Financeiros
CFV = x 100
Vendas

5.3 - Modelo e Resultados Obtidos

Um primeiro passo para a realização de um estudo es tatístico é a redução da informação


constante da base de trabalho, a um conjunto de valores que permitem caracterizar cada uma
das variáveis. Entre estas variáveis temos o usevalor mínimo, o seu valor máximo, a média,
a variância e o desvio padrão. Pretendemos assim isolar estruturas e padrões relevantes
contidos no conjunto de dados, objeto de estudo. A média representa uma medida da
localização do centro da amostra. A variâ ncia define-se como sendo a medida
Isabel Duarte 60
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

que se obtém somando os quadrados dos desvios das observações da amostra relativamente
à sua média e dividindo pelo número de observações da amostra menos um. O desvio
padrão corresponde à raiz quadrada da variância, se ndo por isso uma medida de
variabilidade ou dispersão com as mesmas unidades q ue os dados, Maroco, J. (2007).

Para a análise que nos é apresentada de seguida, corremos à literatura de Maroco, J.


(2007) e Gaspar, P. et al. (2012).

Após a elaboração da base de dados, seguimos para a análise descritiva, em termos


estatísticos, como verificamos no quadro seguinte:

Quadro 8 - Estatísticas Descritivas

N Mínimo Máximo Média Desvio Padrão Variância


Estatística Estatística Estatística Estatística Est atística Estatística
Reputação 50 2 61 23,58 14,270 203,636
Autonomia
50 -28,368 85,626 35,68264 22,567329 509,284
Financeira
Solvabilidade 50 -0,221 5,957 0,88878 1,131895 1,281
Grau de Cob. Ativo
50 -0,062 0,787 0,33602 0,172370 0,030
pelo Fundo de Maneio
Rotação dos
50 0,807 41,674 7,55690 8,096466 65,553
Inventários
Evolução do Volume
50 -40,369 378,351 4,07724 57,165163 3267,856
de Negócios
ROA 50 -28,421 14,606 2,66106 6,627465 43,923
ROE 50 -80,516 100,187 10,35276 22,545805 508,313
Custos Finan/Vendas 50 0,000 8,349 0,78270 1,417543 2,009
Nº Observações 50

Fonte: Elaboração Própria

Da informação do Quadro 8, destaca-se o desvio padr ão da evolução do volume de


negócios, cuja variável assume um valor mínimo de -40% e um máximo de 378%,
correspondendo a uma média de 4%. Daqui se concluiu que, as empresas incluídas na
amostra têm uma forte variabilidade, o que se traduz num setor tendencialmente estagnado,
mas com potencial crescimento elevado.

Isabel Duarte 61
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Relativamente à autonomia financeira, verifica-se u ma média de 35%, derivada de um valor


mínimo de -28% e máximo de 85%. Ligado a estavariável, temos o indicador do custo
financeiro sobre as vendas que assume um valor mínimo de 0% e máximo de 8%, para uma
média de 0,8%. Assim, podemos concluir que há empresas que se encontram fortemente
endividadas e há empresas que têm um nível de endividamento que não coloca em causa a
sua viabilidade.

Seguidamente, apresentamos o quadro resumo do modelo de regressão linear múltipla:

Quadro 9 - Resumo do modelo

Modelo R R² R² Ajustado Estimativa do Erro Padrão Durbin-Watson

1 0,624ª 0,390 0,271 12,185 2,430

ªCapacidade de Previsão: (Constante), CustosFinanVen das, ROE, EvoluçãodasVendas,


GraudeCobAtivopeloFundodeManeio, RotaçãodosInventários, Solvabilidade, ROA,
AutonomiaFinanceira ᵇVariável Dependente: Reputação
Fonte: Elaboração Própria

O R², também designado por coeficiente de determinação, mede a proporção da


variabilidade da variável dependente que poderá serexplanada pelo modelo de regressão
obtido, avaliando o grau de explicação do modelo. N esta análise, o R² tem um valor de 0,39,
o que significa que o modelo explica 39% do que se passa na realidade.

O modelo Durbin-Watson contempla uma das formas mais exatas de avalisar a existência de
correlação e de, simultaneamente, verificar a pr esença de auto-correlação entre os resíduos
ou erros do modelo de regressão. Neste tip o de análise, o resultado dado pela tabela resumo
do modelo é comparado com um limite superior (dU) e inferior (dL). Desta comparação, é
possível verificar se os resultados e stão em zonas de rejeição ou de não rejeição da auto-
correlação entre os erros do model o de regressão, como podemos analisar:

Figura 3 - Zonas de Rejeição e não Rejeição da Auto -Correlação entre os Resíduos ou


Erros do Modelo de Regressão

Fonte: Gaspar, P. (2012)


Isabel Duarte 62
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Tendo em consideração os valores pertinentes para e sta análise, obtemos um limite inferior
de 1,20 e um limite superior de 1,93. Como resultado do modelo Durbin-Watson, temos um
valor de 2,43, logo nada se pode concluir sobre os resíduos ou os termos de erro de
regressão.

Quadro 10 - Coeficientes das Variáveis

Coeficientes não Coeficientes


Padronizados Padronizados
Modelo B Erro Padrão Beta t p-value
1 (Constante) 11, 025 6,360 1,733 0,091
Autonomia Financeira 0,328 0,224 0,519 1,464 0,151
Solvabilidade -0,892 3,508 -0,071 -0,254 0,800
Grau de Cob. Ativo 18,272 11,492 0,221 1,590 0,120
pelo Fundo de Maneio
Rotação dos -0,539 0,233 -0,306 -2,309 0,026
Inventários
Evolução do Volume de 0,004 0,031 0,015 0,117 0,907
Negócios
ROA -0,335 0,412 -0,156 -0,813 0,421
ROE 0,098 0,088 0,156 1,117 0,271
Custos Finan/Vendas -0,747 1,476 -0,074 -0,506 0,615
ª Variável Dependente: Reputação
Fonte: Elaboração Própria

Os coeficientes de regressão linear ( β) das variáveis independentes representam a


modificação sofrida pela variável dependente sempre que se altera em uma unidade a
variável independente, aos quais estão associados diferentes valores de erro-padrão.

Na avaliação do nível de significância, ou a dimens ão do teste, verifica-se como condição


essencial, para todas as variáveis independentes, um valor inferior ao p-value (5%).

Deste modo, é possível avaliar a relevância de cada uma das variáveis, na explicação da
reputação. Em função do quadro anterior, dos p-value constantes e sem excluir qualquer
variável, o modelo pode ser representado por:
(12)

11,024 + 0,329AFin - 0,893Solv + 18,269 FM/AT – 0,5 39RI


Reputação =
+ 0,004EVN – 0,335 ROA + 0,098ROE – 0,748CFV

Isabel Duarte 63
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Posto isto, se excluirmos as variáveis não estatisticamente relevantes, ficaremos reduzidos a


uma variável independente que é o grau de rotaçãodos inventários. Se reduzirmos o intervalo
de confiança para 85%, podemos incluir tr ês variáveis com capacidade explicativa:
Autonomia Financeira, Grau de Cobertura do Ativo pelo Fundo de Maneio e a Rotação dos
Inventários.

Quadro 11 - Coeficientes das Variáveis Estatisticamente Relevantes

Coeficientes não Coeficientes


Modelo Padronizados Padronizados
B Erro Padrão Beta t p-value
1 (Constante) 12,394 4,560 2,718 0,009
Autonomia Financeira 0,230 0,077 0,364 2,984 0,005
Grau de Cob. Ativo
20,916 10,192 0,253 2,052 0,046
pelo Fundo de Maneio
Rotação dos
-0,537 0,209 -0,305 -2,571 0,013
Inventários
ª Variável Dependente: Reputação

Fonte: Elaboração Própria

Após a análise do modelo a três variáveis independentes, concluímos que todas elas são
estatisticamente relevantes e o R² assume um valor idêntico ao alcançado com oito
variáveis.

Quadro 12 – Resíduos

Mínimo Máximo Média Desvio Padrão N


Valor Previsto 1,95 40,58 23,58 8,911 50
Resíduo -21,410 37,699 0,000 11,146 50
Valor Previsto
-2,427 1,908 0,000 1,000 50
Padrão
Resíduo Padrão -1,757 3,094 0,000 0,915 50
ª Variável Dependente: Reputação
Fonte: Elaboração Própria

Em termos de resíduos, estes representam todos os outros fatores que influenciam no


resultado obtido referente à variável dependente, que não podem ser atribuídos ao fator
escolhido, ou seja, à variável independente.

Isabel Duarte 64
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

A média dos resíduos tende para zero, o que mostra que o coeficiente de ajustamento do
modelo é razoável.

Gráfico 4 - Histograma

Fonte: SPSS

O histograma de frequências é uma representação gráfica particularmente útil no estudo do


modelo. Assim, neste tipo de representação gráfica, as observações da variável contínua em
estudo são organizadas em classes (de amplitudes variáveis ou fixas) no eixo das abcissas e
a frequência (relativa ou absoluta) de adac uma dessas classes na amostra (por exemplo o
número de observações em cada classe) é representada no eixo das ordenadas.

Podemos então perceber que esta análise não segue uma distribuição normal, logo isto
poderá provocar algumas divergências ou inconsistências ao nível da estimação do
coeficiente associado às variáveis independentes.

Quadro 13 - Percentis

Reputação AFin Solv FM/AT RI EVN ROA ROE CFV

N.º Observações 50 50 50 50 50 50 50 50 50

Variáveis 9 9 9 9 9 9 9 9 9

Percentis 20 9,40 16,45600 0,19740 0,17880 2,61740 -16,45140 0,16700 0,94440 0,06200

40 17,40 25,60760 0,34420 0,29240 3,75880 -9,57900 1,31340 5,36780 0,19600

60 27,20 38,78060 0,63360 0,38380 5,81440 0,10280 3,63100 11,50820 0,47740

80 36,80 58,22480 1,39440 0,48360 10,63420 12,03140 7,33560 18,53060 0,99360

Fonte: Elaboração Própria


Isabel Duarte 65
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Os percentis dividem um conjunto de dados, preparado por ordem crescente, em cinco


partes iguais, conforme a aplicação realizada neste estudo.

Quadro 14 - Escalas de Rating

Reputação AFin Solv FM/AT RI EVN ROA ROE CFV


20 D D D D D D D D D
40 C C C C C C C C C
60 B B B B B B B B B
80 A A A A A A A A A

Fonte: Elaboração Própria

Para a avaliação da reputação, uma dada empresa ao ser analisada, em termos de rating numa
escala de A, B, C, D ou E irá ter umrating A se já existir há mais de 36,80 anos. Terá
umrating B, se existir há mais de 27,20 anos e menos de 36,80 anos. Apresentará um rating
C se existir há mais de 17,40 anos e menos de 27,20 anos. Será orating D se existir há mais
de 9,40 anos e menos de 17,40 anos. E ainda, terá umrating E se a sua existência for inferior
a 9,40 anos.

Ao nível da autonomia financeira, será atribuído umrating A, às empresas que apresentem


um valor superior a 58,22%. Às empresas que exibire m uma autonomia financeira superior
a 38,78% e inferior a 58,22%, será atribuído um rating B. Terão um rating C, se for
superior a 25,60% e inferior a 38,78%. Será atribuído um rating D se for superior a 16,45%
e inferior a 25,60%. Para a empresas que se encontrem com uma autonomia financeira
inferior a 16, 45%, evidenciam a pior categoria, o rating E.

Por conseguinte, em termos de solvabilidade, apresentará o melhorrating da categoria, as


empresas com um indicador superior a 1,39. Terá umrating B se for superior a 0, 63 e
inferior a 1,39. Exibe um rating C quando o valor de solvabilidade se encontrar acima dos
0,34 e for inferior a 0,63. Será umrating D se for superior a 0,19 e inferior a 0,34. O rating
E enquadra as empresas que apresentem uma solvabilidade inferior a 0,19.

Desta forma, as restantes variáveis independentes eguems a mesma lógica de raciocínio ou


interpretação.

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Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Se desejarmos analisar uma empresa em particular, teremos de realizar o seu


posicionamento, em função do quadro acima, realizan do a partir daí a média ponderada
dos ratings obtidos para cada variável, obtendo assim umrating final.

5.4 - Considerações Finais

Para a construção do modelo de rating interno, começamos por definir a nossa amostra, a
qual foi obtida através da base de dados SABI. Em traços gerais, a pesquisa incidiu na
seleção de cinquenta empresas enquadradas na indúst ria de calçado do Grande Porto, por
ordem decrescente de resultados operacionais apresentados no ano de 2012.

A metodologia utilizada foi a regressão linear múltipla, dado que nos permite compreender
o comportamento de uma variável dependente (Reputação), em função das variáveis
independentes ou explicativas (Autonomia Financeira, Solvabilidade, Grau de Cobertura
do Ativo Total pelo Fundo de Maneio, Rotação dos In ventários, Evolução do Volume de
Negócios, Return on Assets, Return on Equity, Custos Financeiros sobre as Vendas).

Em primeiro lugar, testamos o modelo com as oito variáveis independentes referidas


anteriormente. Contudo, surgiram algumas variáveis que foram consideradas estatisticamente
não relevantes e, para alargar o n úmero de variáveis a aceitar como válidas para o modelo,
optamos pela redução do intervalo de confiança para 85%. Assim, o tratamento estatístico
passou a ser feito com três variáveis independentes (Autonomia Financeira, Grau de
Cobertura do Ativo pelo Fundo de Maneio e a Rotação dos Inventários), obtendo-se um R²
idêntico à primeiraanálise.

A análise dospercentis permitiu estratificar as observações da amostra pa ra cada uma das


variáveis em cinco escalões. Daqui resultou uma tabela, cujo enquadramento dos dados de
uma empresa nessa mesma tabela permitirá obter umrating ponderado, em função do
posicionamento em cada variável.

Isabel Duarte 67
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

Conclusões

Dado que a atividade bancária exerce a sua principal função na concessão de crédito, a
análise do risco de crédito é uma condição fundamental, sendo a gestão de risco parte
integrante das melhores práticas. Portanto, uma gestão eficaz desse risco possibilita a
avaliação do grau de exposição evidenciado pela Ins tituição de Crédito. De entre outros
riscos inerentes aos negócios das organizações, atr ás mencionados, o risco de crédito
assume uma maior relevância uma vez que tem implíci to o risco da contraparte não cumprir
com as suas obrigações financeiras, em temp o útil.

A publicação dos Acordos de Basileia, como forma de regulamentar o sistema financeiro,


baseou-se num conjunto de recomendações ponderadas e explícitas. Esses Acordos
estabelecem mínimos de solvabilidade para o sistema bancário internacional, contribuindo
assim para reforçar a solidez e a estabilidade do m esmo e para diminuir as suas fontes de
desequilíbrio competitivo. Apesar de os Acordos se destinarem ao setor financeiro, dada a
sua especificidade, têm especial ênfase para as Instituições de Crédito.

As primeiras notações de risco surgiram como conseq uência da falta de informação sobre
risco de incumprimento. Desta forma, o aparecimento das agências de notação de risco
assumiu uma função essencial na dinâmica dos mercad os bancários e dos valores
mobiliários, ao nível mundial. Porém, a importânciadada a essas agências tem sido
contestada, dados os métodos pouco eficazes que foram sendo praticados. Por forma a
convergirem procedimentos transparentes no processo de emissão de notações de risco, a
Comissão Europeia estabelece regras que condicionam e controlam as atividades destas
agências.

Face ao diagnóstico proposto, a análise das rúbricas crédito a clientes, evolução de ativos e
valores do fundo próprio, retiradas do balanço e da demonstração dos resultados das seis
maiores instituições bancárias a operar em Portugal, referenciadas pela troika,
nomeadamente: BPI, BCP, BES, Banif, CGD e Santander Totta, concluímos que as suas
oscilações registaram maior impacto no período deco rrente do plano de ajustamento
imposto pela troika, tendo por base os cinco anos observados.

Mediante a elaboração do nosso caso prático, que visava uma abordagem à construção de
um modelo de rating interno, como ferramenta eficiente na graduação do risco das
empresas, este estudo foi elaborado mediante uma base de dados estritamente trabalhada
Isabel Duarte 68
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

para o efeito. Essa base de dados contempla pequenas e médias empresas do setor de
calçado do norte de Portugal e permite concluir, ap ós o seu processamento, que esta é uma
ferramenta válida e prática para a análise e classificação de empresas com características de
pequenas e médias empresas inseridas neste setor, considerando a dimensão da amostra. Por
outro lado, a melhoria do modelo de rating interno pode ser alcançada com a introdução de
novas variáveis quantitativas.

Após o tratamento da base de dados, através de um modelo de regressão múltipla, chegamos


à conclusão que existem três variáveis com poder explicativo no risco: Autonomia
Financeira, Grau de Cobertura do Ativo pelo Fundo de Maneio e a Rotação dos Inventários.

Os resultados obtidos, através da ferramenta de trabalho SPSS, permitiram a realização de


percentis. O seu escalonamento possibilita efetivar o posicionamento de cada empresa,
realizando a partir daí a média ponderada dos ratings obtidos para cada variável, obtendo
assim um rating final

Num contexto de orientações futuras, sugerimos uma abordagem com uma base de dados
relativamente maior, no sentido de aprimorar a fiabilidade de um conjunto de variáveis que
traduzem a realidade das pequenas e médias empresasdo universo do calçado.

Por último, podemos relatar-vos que os mecanismos de controlo de risco de crédito são tão
importantes que neste momento o BdP em cooperação c om o governo decidiram criar uma
plataforma que descrimina o risco de potenciais clientes, segundo o porta-voz do Conselho
de Ministros. Assim, esta prática conduzirá à eficiência do sistema financeiro?

Isabel Duarte 69
Modelo de Avaliação de Risco de Crédito - Rating - Uma Abordagem 2014

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Isabel Duarte 76
Anexos

Anexo 1 - Tabelas de Rating

Quadro 1 - Rating de longo prazo da Moody´s Investors Service

As obrigações são consideradas da mais alta qualida de, sujeitas ao nível mais
Aaa baixo de risco de crédito, o que significa que oferecem uma ótima segurança
financeira. Uma possível alteração, dificilmente va i prejudicar a sua posição.

As obrigações são consideradas de alta qualidade, a penas com um nível de Aa


risco muito baixo. A sua classificação encontra-se abaixo das entidades Aaa,
pois perspetivam-se riscos a longo prazo um pouco superiores.

As classificações A são consideradas de grau superi or médio e estão sujeitas a


A um baixo risco de crédito. Apresentam uma boa situação financeira, no
entanto existem elementos que podem gerar prejuízos futuramente.

As obrigações Baa são consideradas de médio grau e oferecem uma garantia


Baa financeira adequada. Contudo, encontram-se sujeitas ao risco de crédito
moderado, pois os elementos podem não ser confiáveis a longo prazo.

As obrigações são de carácter especulativo, sendo q ue a garantia financeira


que Ba transmite é contestável. A sua capacidade futura dereembolso não apresenta
garantia.

As obrigações são distinguidas por terem um carácte r especulativo, uma vez


B que a garantia de cumprimento a longo prazo é muitoreduzida, dado o elevado
risco de crédito.

O risco de crédito implícito é muito elevado. A situação financeira é muito


Caa
fraca e carecem os elementos que levam ao pagamento das obrigações.

Entidades caracterizadas como altamente especulativas e com baixos


Ca
resultados devido às deficiências acentuadas, no que alude às suas obrigações.

As obrigações são apresentadas como sendo sem garan tia financeira, pois a sua
C
potencial recuperação de valores é muito baixa.

Fonte: Adaptado do site da Moody´s Investors Service


Quadro 2 - Rating de curto prazo da Moody´s Investors Service

Prime 1 Emissores com capacidade superior de serem cumpridos no curto prazo.

Prime 2 A sua capacidade é alta, no sentido de cumprimentodas suas obrigações.

Os emissores possuem uma capacidade moderada para cumprir as suas


Prime 3
obrigações.

Not
Os emissores Not Prime não têm enquadramento nas categoriasPrime.
Prime

Fonte: Adaptado do site da Moody´s Investors Service


Quadro 3 - Rating de longo prazo da S&P

A entidade apresenta uma capacidade extremamente forte para cumprir


AAA
os compromissos financeiros. Ostenta a notação de c rédito mais alta.

Exibe uma capacidade muito forte para cumprir com os seus


AA
compromissos financeiros.

Apresenta uma capacidade forte para cumprir com os seus compromissos


A financeiros, porém é um pouco mais susceptível aosefeitos adversos das
mudanças.

Expõe a capacidade adequada para cumprir com os seu s compromissos


financeiros. No entanto, é mais provável que as condições económicas
BBB
adversas afetem a capacidade do devedor para cumprir com os seus
compromissos financeiros, debilitando-a.

O devedor é menos vulnerável que outro com uma notação inferior.


BB
Apresenta incertezas contínuas às condições adversa s.

O devedor é mais vulnerável que outro com notação BB, ainda que de
B momento se possa considerar que tem capacidade para cumprir com os
seus compromissos financeiros.

O devedor é vulnerável e depende das condições do negócio, financeiras


CCC
e económicas favoráveis para executar os compromissos financeiros.

CC O devedor apresenta uma alta vulnerabilidade ao não pagamento.

A notação exibe alta vulnerabilidade ao não pagamen to e espera-se que


C tenha senioridade relativa mais baixa ou recuperaçã o total mais baixa,
quando comparada às obrigações que possuem ratings mais altos.

D Inadimplente nos seus compromissos financeiros.

Indica que nenhum rating foi solicitado ou que existe informação


NR insuficiente para se basear um rating ou que a S&P não avalia uma
obrigação específica em função de suas políticas in ternas.

Fonte: Adaptado do site S&P


Quadro 4 - Rating de curto prazo da S&P

O devedor apresenta grande capacidade para cumprir com os seus


A-1 compromissos financeiros. Surge na categoria mais alta desta agência. Dentro
desta categoria, certos devedores são designados co m o símbolo mais (+).

O devedor tem uma capacidade satisfatória para cump rir com os seus
A-2
compromissos financeiros.

Apresenta uma capacidade adequada para cumprir com os seus compromissos


A-3 financeiros, contudo as condições económicas advers as ou circunstâncias
variáveis podem debilitar o seu carácter de cumprimento.

O devedor é considerado vulnerável e tem um claro arácter especulativo. As


notações B-1, B-2 e B-3 podem ser atribuídas para d istinguir com maior
B
precisão dentro da categoria B. Isto significa que atualmente o devedor tem a
capacidade para cumprir com os seus compromissos financeiros.

Os devedores com uma notação B-1 têm uma capacidade relativamente mais
B-1
forte, para cumprir com os seus compromissos financeiros de curto prazo.

Os devedores com uma notação B-2 têm uma capacidade média, para cumprir
B-2
com os seus compromissos financeiros de curto prazo.

A notação B-3 apresenta uma capacidade relativament e mais débil para B-3
cumprir com os seus compromissos financeiros de curto prazo, em comparação
com outras notações especulativas.

C Vulnerável ao incumprimento e depende das condições de negócio favoráveis.

D Inadimplente nos seus compromissos financeiros.

Fonte: Adaptado do site S&P


Quadro 5 - Rating de longo prazo da Fitch Ratings

Reflete a menor expectativa de risco de crédito. É atribuído apenas em


AAA casos de capacidade excecionalmente elevada de pagamento dos
compromissos financeiros.

Consideram-se obrigações de qualidade, visto que o risco é pouco mais


AA
elevado do que a escala AAA.

Indica uma baixa expectativa de risco de crédito. A capacidade de


A pagamento dos compromissos financeiros é elevada. Eventualmente
considera-se mais vulnerável a alterações das condições económicas.

Boa qualidade de crédito, porém, no momento, existe uma baixa


BBB
expectativa de risco de crédito.

Notação mais exposta às mudanças na economia. Apres enta uma


BB possibilidade do risco de crédito aumentar, particularmente como
resultado de mudanças desfavoráveis na economia aolongo do tempo.

B A sua situação financeira varia visivelmente, daí o carácter especulativo.

Considera-se altamente vulnerável. A notação depende das


CCC circunstâncias económicas serem favoráveis, para cumprir os seus
compromissos financeiros.

Apresenta-se como altamente vulnerável e muito especulativo. A notação


CC
indica compromissos financeiros problemáticos.

Altamente vulnerável, resultante de compromissos financeiros


C problemáticos ou desajustados com um potencial de ecuperação abaixo
da média.

Indica um emissor ou país que deixou de cumprir com todas as suas


D
obrigações financeiras, está inadimplente.

Fonte: Adaptado do site Fitch Ratings


Quadro 6 - Rating de curto prazo da Fitch Ratings

Apresenta uma capacidade altamente forte para cumprir os seus compromissos


F1+
financeiros.

F1 Capacidade forte para cumprir os seus compromissos financeiros.

F2 Capacidade satisfatória para cumprir as suas obriga ções.

Apresenta adequada capacidade em acatar com os seus compromissos


F3
financeiros, embora sujeito a condições adversas.

Capacidade mínima para cumprir com os seus compromissos, como também


B
muito vulnerável às mudanças adversas.

Sugere uma possibilidade muito elevada de não cumpr ir com os seus


C compromissos financeiros, dependendo muito da sustentabilidade do negócio
e circunstâncias económicas.

D Indica incumprimento real ou iminente.

Fonte: Adaptado do site Fitch Ratings

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