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INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES MILITARES
MISSÃO DA MARINHA DE GUERRA DE MOÇAMBIQUE E
PRESPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO
ARMINDO MANUEL MADEIRA
CTEN
Breve Estudo/Área Específica de Marinha/CPOS-M
LISBOA, 2010
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INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES MILITARES
MISSÃO DA MARINHA DE GUERRA DE MOÇAMBIQUE
PRESPECTIVAS DE DESENVOLVIMENTO
ARMINDO MANUEL MADEIRA
Breve Estudo/Área Específica de Marinha/CPOS-M
Orientador: CFR Martins da Cruz
LISBOA, 2010
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AGRADECIMENTOS
Inicio o presente trabalho expressando a minha satisfação de reconhecimento e
agradecimento a todos que me apoiaram e incentivaram na elaboração, deste trabalho que
constitui o epílogo deste curso.
Para mim é um motivo de grande alegria compartilhar e agradecer ao corpo docente
do Instituto de Estudos Superiores Militares, em particular aos professores do curso de
promoção a Oficial Superior da Marinha 2009/2010, pelo rigor, excelência
profissionalismo científico e pedagógico demonstrado, pela forma sábia como transmitiram
e a disponibilidade evidenciada no percurso do curso.
Agradeço especialmente ao Capitão-de-Fragata Martins da Cruz, orientador do
Breve Estudo, ao Capitão de Mar e Guerra Passos Ramos pela simpatia e disponibilidade
demonstrada no decorrer do presente estudo.
Aos Oficiais-alunos do curso, pelos incentivos, auxílio e inexcedível apoio sempre
presente desde do início do curso, seria indecoroso não agradecer e reconhecer a
colaboração de Sua Excelência o Vice-Almirante Álvaro Sabino Guerreiro, Director do
IESM, pela forma como tem dirigido esta Universidade Militar.
Ao finalizar desejo a todos sucessos no futuro desempenho das diversas missões
que o país nos incumbe e muito obrigado.
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INDÍCE
RESUMO ....................................................................................................................... iii
ABSTRACT ....................................................................................................................iv
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ...................................................................... v
INTRODUÇÃO................................................................................................................ 1
1. A SITUAÇÃO GEOGRÁFICA DE MOÇAMBIQUE ............................................... 4
2. A ORGANIZAÇÃO DA MARINHA DE GUERRA DE MOÇAMBIQUE ............... 5
3. A MISSÃO DA MARINHA GUERRA MOÇAMBICANA ....................................... 7
4. OS DESAFIOS DA MARINHA DE GUERRA DE MOÇAMBIQUE ....................... 8
a. No âmbito interno .......................................................................................................8
b. No âmbito internacional ........................................................................................... 12
(1) A nível da Conferência de Coordenação do desenvolvimento da África Austral .. 12
(2) A nível do Oceano Índico ................................................................................... 14
(3) A nível continental.............................................................................................. 15
(4) A nível de CPLP ................................................................................................. 15
5. O PLANO NAVAL DA MARINHA DE GUERRA.................................................. 16
6. PERSPECTIVAS FUTURAS .................................................................................... 20
7. CONCLUSÕES .......................................................................................................... 21
9. RECOMENDAÇÕES ................................................................................................ 22
BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................... 23
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RESUMO
O trabalho que me proponho a apresentar está subordinado ao tema: Missão da
Marinha de Guerra de Moçambique em tempo de paz e suas perspectivas de
desenvolvimento.
O objectivo principal que nos levou a optar por este tema relaciona-se ao facto de
querermos perceber até que ponto a Marinha de Guerra de Moçambique é capaz de manter
a paz na região e substancialmente ela poderá projectar o poder naval a nível nacional e a
capacidade de participar em operações internacionais Moçambicanas sob a égide das
nações unidas ou organismos multilaterais da região. Moçambique ao garantir seu poder
para negar o uso do mar a qualquer concentração de forças, precisa de manter a capacidade
focada de projecção de poder e criar condições para controlar no grau necessário a defesa e
dentro dos limites do direito internacional politico-estratégica, económica, militar e
também as suas linhas de comunicação marítimas. O desejo de Paz e segurança o domínio
da técnica por parte do pessoal para responder a varias missões públicas e a
disponibilização de meios operacionais adequados é uma aposta imprescindível para a
dinamizar a Marinha ao contexto da globalização. De salientar que para elaboração deste
Breve Estudo seguimos a metodologia de recolha de dados, recorrendo a vária bibliografia
que versa a situação de forças navais de diversos países.
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ABSTRACT
The work that we propose to make this the theme: «Mission Navy Mozambique in
time of peace and its prospects for development.» The big motivation that led us to choose
this theme relates to the fact that we want to see how high is the Navy Mozambique covers
to maintain peace in the region and it can substantially projecting naval power at the
national level and the ability to participate in international operations Mozambican under
aegis of the United Nations and multilateral organizations in the region. Mozambique to
ensure its power to deny the use of the sea at any concentration of forces, need to keep
focused on the ability to project power and create conditions to control the degree
necessary to defend and within the limits of international politico-strategic, economic,
military and also its sea lines of communication. The desire for peace and security the field
of technology by staff to respond to various public missions and the provision of
appropriate operational imperative is a commitment to boost the SEA context of
globalization. Note that for our development of this thesis point out that for the
development of our thesis we follow the methodology of data collection, using various
literatures which addresses the situation of he naval forces of several countries.
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LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
MGM Marinha de Guerra de Moçambique.
FNG Força naval de Guerra.
SADC Comunidade de desenvolvimento da África Austral.
CPLP Comunidade dos povos da língua Portuguesa.
SADCC Conferência de Coordenação do desenvolvimento da
África Austral.
MDN Ministério da Defesa Nacional.
FAM Forças Armadas de Moçambique.
EUA Estados Unidos de América.
UA União Africana.
OUA Organização da União Africana
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INTRODUÇÃO
O trabalho que me proponho a apresentar está subordinado ao TEMA: Missão e
Perspectivas de Desenvolvimento da Marinha de Guerra
A razão que me levou a optar por este tema está relacionada ao facto de procurar
perceber até que ponto a Marinha de Guerra de Moçambique é capaz de conduzir
operações de combate naval e outras tarefas que lhe foram cometidas de acordo com as
especificidades das suas competências.
Salientar que para a elaboração desta nossa monografia seguimos a metodologia de
recolha de dados, recorrendo a vária bibliografia que versa a situação de forças navais de
diversos países
Quais os desafios que se esperam da Força Naval Moçambicana no aspecto da
segurança e Defesa Nacional?
Moçambique como país independente e Estado soberano, sujeita-se a ameaças tal
como outras Nações a nível mundial. Na medida em que Moçambique se desenvolve
progressivamente, enquadrando-se nas mudanças globais, é previsível que as suas
necessidades se alterem sistematicamente e o seu ambiente estratégico se adapte à
dinâmica do desenvolvimento mundial. Neste contexto, um desenvolvimento semelhante
deverá ocorrer em simultâneo nas Forças Armadas moçambicanas, e nas Forças Navais em
particular, com objectivo de se afirmar como uma força robusta e profissional,
indispensável para a defesa da Nação. Para tal há que desenvolver um trabalho com o
intuito de formar e treinar os recursos humanos para corresponder às várias solicitações
regionais e alem mar.
O desenvolvimento nacional da Marinha de Guerra de Moçambique deve orientar-
se numa perspectiva integrada e equilibrada no plano económico de desenvolvimento
nacional, dadas as características e circunstâncias geográficas do país, as quais constituem
uma Nação, toda ela banhada pelo Oceano Índico, com recursos marinhos potenciais para
garantir o seu desenvolvimento sustentável.
Considerando a situação geográfica de Moçambique, a caracterização das ameaças
do ambiente marítimo e a importância vital do vector Mar para os interesses nacionais, o
país tem necessidades de garantir a vigilância e o controlo do espaço marítimo, dispondo
de uma força mínima, que no mar se oponha pela dissuasão, enquanto possível, a qualquer
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tipo de ameaça externa e apta a apoiar as tarefas operacionais das forças terrestres e aérea.
Para a consecução deste desafio, torna-se imperativo dar maior importância à componente
Naval no sentido da consolidação da sua estrutura e redimensionamento das suas
capacidades estratégicas, tendo em vista a sua eficácia funcional no cumprimento das
missões nacionais e internacionais a atribuir e perspectivar o seu progresso para uma Força
Naval respeitada na região e no continente africano.
Tendo como base da nossa investigação a questão missão da marinha de guerra e
sua perspectiva de desenvolvimento. Procuraremos abordar o nosso trabalho na vertente da
formação pela importância de que se reveste dentro de uma organização.
Para que a Marinha assuma o seu verdadeiro papel, as chefias militares que estão
em frente da instituição, entre várias apostas que devem ter em mente é a formação do
capital humano de forma a adequar as capacidades dos Militares à multinacional idade do
ambiente operacional, tipologia de operações, tipologias das próprias ameaças e à tipologia
como estão distribuídas as forças numa estrutura montada de apoio a outros sectores
ligados aos serviços de segurança numa actuação transversal e interoperativa.
Relativamente ao supramencionado, deve procurar-se optimizar os vectores da
racionalização de recursos, sejam eles humanos, logísticos ou financeiros e
descentralização de acções mas sem abdicar dos meios e controlo da fiscalidade.
Muitos Estados têm adoptado modelos organizacionais de apoio à formação dos
recursos, dimensionados e estruturados para apoio às diferentes componentes territoriais da
distribuição de forças, mas com possibilidade de dar resposta a intervenções de carácter
operacional em todo o aspecto e tipo de missões, de carácter público, da paz e da guerra e
Moçambique não pode ser excepção.
Por outro lado, a crescente necessidade de reduzir o tempo de resposta do aparelho
militar, com o prazo de intervenção cada vez menor e em áreas geográficas diversas,
traduz-se numa crescente importância no desempenho da força, dos aspectos relacionados
com a organização militar em geral e com o apoio tecnológico.
Para além disso, tal como na execução de operações militares de diferentes
tipologias, as novas tecnologias possibilitam a racionalização e o incremento de sistemas
de apoio à força da Marinha de Guerra Moçambicana, economizando recursos,
optimizando procedimentos e racionalizando meios.
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Contudo, as novas capacidades de sustentação na formação da força só são
possíveis de implementar através de um sistema político em Moçambique que desafiasse a
formação dos técnicos profissionais no Ramo da Marinha.
Mas nunca existiu algo semelhante em relação ao outro objectivo tecnológico da
política, isto é, para a segurança e defesa do país, nas suas varias vertentes. Crê-se que a
criação de um Centro de Planeamento Estratégico, de natureza interdisciplinar, com o
pessoal qualificado nos principais domínios do saber, em exclusividade de serviço, ao qual
fosse previamente proporcionada uma sólida formação estratégica, em muito contribuiria
para um país mais seguro, lúcido, moderno, dinâmico e com um rumo mais esclarecido.
Talvez dessa forma melhor se alcance os objectivos preconizados para as Forças Armadas
moçambicanas.
Podemos, ainda, colocar as seguintes questões, decorrentes da nossa pergunta de
partida: Que perspectivas no âmbito interno? Como componente do poder militar, os
principais desafios estão orientados para a contribuição na prossecução dos objectivos que
decorrem da política de Defesa e Segurança, particularmente nas missões militares.
Que perspectivas no âmbito Internacional? Os assuntos fronteiriços influem na
soberania da Nação, a Marinha de Guerra de Moçambique tem participação directa nos
diversos grupos de comissões internacional com vista a regularizar a situação, num espaço
de prevenção de conflitos.
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1. A SITUAÇÃO GEOGRÁFICA DE MOÇAMBIQUE
A República de Moçambique situa-se no hemisfério meridional entre os paralelos
10º27’S e 26º52’ na costa sudeste do continente africano, de fronte da Ilha de Madagáscar,
da qual se separa com o canal de Moçambique. A superfície terrestre de Moçambique é de
799380 km², 13000 km² de superfície das águas interiores e tendo uma fronteira terrestre
de 4330 km² do Rovuma à Ponta Douro. Conta com mais de 80 rios, alguns deles com
importância económica devido à sua navegabilidade.
O rio Rovuma ao norte faz fronteira natural com a República de Tanzânia e ao sul,
o rio Maputo. A noroeste encontra-se o Lago Niassa na província de Niassa, que é um dos
lago mais profundo do Mundo, com 700m de profundidade, o comprimento é de 560 km e
80 km de largura máxima. Também a oeste faz fronteira com a República de Malawi,
Zâmbia, Zimbabwe, Suazilândia e a sul com a República da África do Sul.
Fig. 1 – Fotografia Aérea de Moçambique.
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2. A ORGANIZAÇÃO DA MARINHA DE GUERRA DE MOÇAMBIQUE
A Marinha é um dos Ramos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique
(FADM) destinada ao exercício da vigilância e controlo do mar nas áreas de interesse
nacional, constituindo, dada a imensa configuração do território, uma componente
potenciadora de valor mas com fraco sistema militar em que se integra. Os elementos da
componente operacional do sistema de força nacional da responsabilidade da Marinha são
o Comando Naval, os Comandos das Bases Navais do Sul de Moçambique, do centro e do
Norte de Moçambique e com as suas respectivas Sub – Bases Navais e na zona sul, um
Batalhão de Artilharia Costeira e um Batalhão de Fuzileiros Navais e unidade de
Mergulhadores.
Referindo-se à formação de Fuzileiros Navais, é a estratégia do país que o mesmo
se enquadra na tradição que o Governo tem estado a cultivar de formação, apetrechamento,
prontidão, disponibilidade permanente, procura incessante de excelência e melhoria
constante de capacidade institucional das FADM. Essas acções, dotam as Forças Armadas
de necessárias perícias, competências e capacidades, para o cumprimento com êxito das
missões de defesa da soberania nacional, da integridade territorial bem como do interesse
público. De forma particular a direcção do país, reconhece os efeitos que a Marinha de
Guerra tem dado um contributo valioso para o exercício da autoridade do Estado nos
espaços lacustres, fluviais e marítimos nacionais1.
A estratégia do país foi traçada pela felicitação de sua excelência o Presidente da
República na qualidade de comandante em chefe das forças armadas de defesa de
Moçambique, sobre a Marinha de Guerra a prosseguir com a importante e nobre missão de
fiscalização marítima, em estreita articulação com as outras entidades com competências e
interesses no mar.
Na vertente das missões de interesse público e fazendo uso da sua valência anfíbia,
O comandante em chefe disse que a Marinha de Guerra Moçambicana tem sabido
desdobrar-se, em tempo útil e de forma eficiente, para a realização de importantes
operações tais como, a de socorro das populações em caso de desastres naturais e outras
situações calamitosas. Efectua, igualmente, operações de busca e salvamento em caso de
naufrágios e operações para assegurar o apoio as populações em a travessia aos rios em
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caso de desabamento de pontes. A participação tem sido positiva dos Fuzileiros Navais em
exercício conjuntos no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
(SADC) e da CPLP. O facto das unidades da Marinha de Guerra constituir contingentes
militares nacionais que vêm participando em operações de apoio a paz sob a égide da
União Africana e das Nações Unidas, constitui factor de manifestação internacional de
cariz muito positivo. Deste modo, a Marinha de Guerra afirma-se como um instrumento de
reforço da diplomacia, do prestígio internacional da Pátria, sobretudo, como vector para a
promoção da paz mundial” disse o comandante em chefe no encerramento do 14º curso de
Fuzileiros Navais no centro de formação em Fevereiro do ano passado.
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3. A MISSÃO DA MARINHA GUERRA MOÇAMBICANA
Esta força naval, que é designada por Marinha de Guerra de Moçambique, tem
como missão cooperar de forma integrada na Defesa da Pátria através da realização de
operações navais. Sem prejuízo da missão referida anteriormente, a Força Naval
desempenha também missões no âmbito dos compromissos internacionais assumidos e em
missões de interesse público.
As actividades de carácter militar e diplomático compreendem:
a) A defesa do território e das áreas adjacentes;
b) A cooperação naval regional. A protecção das linhas de comunicações
c) O combate às redes transnacionais de terrorismo, tráfego de armas, de droga e de
escravos;
d) O apoio à política externa do Estado.
A Força da Marinha de Guerra de Moçambique é composta por Oficiais, sargentos,
grumetes e praças embarcados e não embarcados, um Batalhão de Fuzileiros Navais
(BFZN) e um Batalhão de Artilharia Costeira Naval (BAC) e Mergulhadores.
Uma das missões no tempo de paz é de participar na busca e salvamento das
populações. Sendo assim, Moçambique um país que tem sido assolado por calamidades
naturais como a seca, cheias e ciclones tropicais, com efeitos devastadores não só no
aspecto económico nacional, mas sobretudo quando o que está em causa são vidas
humanas. Como exemplo disso podemos ver a participação de Fuzileiros Portugueses nas
cheias de 2001 conforme fig. nº 1. As inúmeras experiências vividas mostram qual a
relevância na participação das Forças Armadas na mitigação dos efeitos desses fenómenos.
Vem daí, o grande desafio da Marinha em estar sempre pronta para o conjunto de todas as
acções, particularmente para as situações cuja intervenção seja da primeira linha.
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Fig. nº1 - Participação de Fuzileiros Portugueses nas cheias de 2001.
Outros factores de acção incidem sobre as actividades de interesse público que tem
merecido reconhecimento não só pelas instituições envolvidas nas realizações conjuntas,
mas também da sociedade em geral. Por exemplo: a monitorização de travessias de pessoas
e bens nos rios e baías em coordenação com as autoridades marítimas nacionais.
4. OS DESAFIOS DA MARINHA DE GUERRA DE MOÇAMBIQUE
a. No âmbito interno
As atenções pesam sobre a necessidade da continuação do aperfeiçoamento
da base organizacional em curso e o crescente ajustamento à realidade que a
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actualidade impõe, através de um desdobramento de acções em duas frentes
fundamentais.
Moçambique possuindo uma longa linha costeira, com mais de dois mil e
quinhentos km que é muito atraente para pessoas envolvidas em actividades ilícitas
e, como componente do Poder Militar, os principais desafios estão orientados para a
contribuição na prossecução dos objectivos que decorrem da Política de Defesa e
Segurança, particularmente nas missões militares.
Nessa óptica, a Marinha de Guerra de Moçambique engaja-se no
desenvolvimento de acções tendentes ao reforço do grau de uniformização dos
critérios de procedimentos entre os três ramos, com vista a se evitar a sobreposição
desnecessária de tarefas e consequente desperdício de recursos.
A estrutura das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, compreende o
Estado-Maior General como órgão Director e os três Ramos como os executivos.
Sendo a Marinha uma das componentes, continuará a prosseguir a
operacionalização das estratégias gerais e particulares que permitam aumentar a sua
visibilidade no seio dos outros ramos e da sociedade.
A Organização do Ramo da Marinha é conforme se segue:
1.O Ramo da Marinha de Guerra de Moçambique é dirigido por um
comandante da Marinha, coadjuvado por um Chefe de Estado Maior e
compreende:
a) A Repartição de Operações;
b) A Repartição de Pessoal;
c) A Repartição de Contra Informação;
d) A Repartição de Reconhecimento;
e) A Repartição de Fiscalização e Protecção da Costa
Marítima;
f) A Repartição de formação;
g) A Repartição de comunicações;
h) A Repartição de Administração e Logística;
i) A Repartição de Engenharia Naval;
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j) A Repartição de Marinha;
k) A Repartição de Navegação e Hidrografia;
[Link] no Comando da Marinha de Guerra de Moçambique:
a) O Conselho Militar da Marinha de Guerra;
b) O Conselho de Disciplina da Marinha de Guerra;
3. Na dependência directa do Comandante da Marinha de Guerra estão
os seguintes órgãos:
a) As unidades Militares;
b) Os estabelecimentos de Formação Militar do Ramo;
c) Batalhão de fuzileiros Navais;
d) Batalhão de Artilharia costeira;
4. Junto do Comandante da Marinha de Guerra Funcionam os seguintes
órgãos de apoio:
a) O gabinete do Comandante
b) O Destacamento de Apoio e serviços;
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Fig. 2 - Organograma do Ramo da Marinha
As actividades de preparação combativa da Marinha decorrem da directiva
do Chefe do Estado-Maior General e preconizam a manutenção da capacidade de
intervenção existente bem como a criação de novas capacidades, com vista a
responder com eficácia e eficiência às tarefas a ela incumbidas.
Uma das importantes apostas constitui-se no preenchimento da orgânica
através do recrutamento de pessoal, efectuado normalmente em dois turnos anuais,
a partir dos principais centros de formação básica militar, no âmbito da lei do
serviço militar, aprazado para dois anos.
Terminado os treinos básicos, o pessoal atribuído à Marinha segue para os
cursos de formação específica nas instituições de ensino do próprio ramo, sendo as
principais o Grupo de Escolas, o Centro de Formação de Fuzileiros Navais e o
Centro de Artilharia de Guarda Costeira as três unidades de referência obrigatória.
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A formação do pessoal para a Marinha ocorre também noutros
estabelecimentos, destacando-se a Academia Militar Marechal Samora Moisés
Machel.
Segundo, como componente do poder marítimo a Marinha junta-se a outros
intervenientes nacionais em assuntos comuns e relacionados com o mar na
prossecução das devidas estratégias.
O Conselho de Autoridade Marítima, em processo de visa definição, os
métodos de coordenação e cooperação interinstitucional que permitam a utilização
criteriosa dos recursos disponíveis, possibilitando assim que sejam alcançados os
objectivos previstos nessa esfera.
A gestão dos assuntos do mar em Moçambique é feita por um Conselho
Coordenador de Mar e Fronteiras, dirigido pela Primeiro-ministro que é constituído
pelo Ministro da Defesa Nacional, Ministro dos Negócios Estrangeiros e
Cooperação, Ministro de Acção Ambiental, Ministro dos Transportes e
Comunicações, Ministro do Interior, o Ministro das Pescas e o Ministro dos
Recursos Minerais. Para o tratamento das questões técnicas inerentes ao processo
de gestão, dispõe-se de um grupo de trabalho constituído por especialistas da
Marinha de Guerra de Moçambique, do Instituto de Mar e Fronteiras, do Instituto
Nacional de Investigação Pesqueira, do Centro de Desenvolvimento Sustentável, da
Direcção Nacional de Gestão Ambiental e da Polícia Marítima, Lacustre e Fluvial.
Os principais desafios da Marinha, neste contexto, visam fundamentalmente
apoiar as actividades das outras instituições na realização dos objectivos sectoriais,
devido a sua natureza. De entre as acções, destacam-se: a fiscalização marítima, a
segurança de navegação e o desenvolvimento de actividades económicas têm como
os transportes, a pesca e o turismo.
b. No âmbito internacional
(1) A nível da Conferência de Coordenação do desenvolvimento da
África Austral
A predecessora da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
(SADC), a Conferência de Coordenação do Desenvolvimento da África Austral
(SADCC) foi formalizada por meio do memorando de entendimento entre as
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instituições de conferência, em 20 de Julho de 1981 e a 17 de Agosto de 1992 foi
reformulada para a actual caracterização. Moçambique é um dos membros dessa
organização regional desde a sua fundação. Dos 14 membros, alguns fazem parte
de outras organizações, segundo a sua realidade concreta. Tal é o caso dos países
banhados pelas águas do Oceano Índico, que convergem numa organização com
identidade específica relativa esta região.
Para além de Moçambique, fazem parte da família dos Estados da costa do
Indico, designada “ Indian Ocean Rim Association for Regional Cooperation (IOR-
ARC)”, a República da África do Sul, Madagáscar, Maurícias e a República da
Tanzânia. Com excepção das Maurícias, todos países da SADC banhados pelo
Índico, possuem fronteiras marítimas comuns, nessa situação encontrando-se
também o Arquipélago das Comores, um Estado ainda com um processo de
normalização institucional em curso.
O problema de fronteiras marítimas nessa parcela do vasto Índico é uma
questão a ser solucionada através do entendimento entre os respectivos Estados, tal
como foi o acordo sobre as fronteiras alcançado entre Moçambique e a Tanzânia,
em 1988, um pressuposto primordial dos princípios de gestão e conservação dos
recursos marinhos e das disposições relativas à convenção das Nações Unidas sobre
o Direito do Mar.
Tendo em consideração de que os assuntos fronteiriços influem na
soberania da Nação, a Marinha de Guerra de Moçambique contempla no rol das
suas apostas a contribuição, através da participação directa nos diversos grupos de
trabalho ou comissões interinstitucionais, com vista a regularizar a situação, num
espaço de prevenção de conflitos. Neste momento e no que respeita à cooperação
marítima, a SADC tem um Comité Marítimo, com a finalidade de promover a
segurança marítima mútua, através do desenvolvimento de mecanismos que
possibilitem uma rápida resposta face as contingências regionais.
No plano naval, a Marinha de Guerra direcciona as suas atenções na
necessidade da constituição de unidades ou forças de apoio, uma tarefa que decorre
do entendimento das Marinhas no processo de acções combinadas para o
alargamento da cooperação a nível da comunidade. Esta organização regional, em
que os países que dela fazem parte abarcam os Oceanos Atlântico e Índico e se
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estendem para o interior, é caracterizada por uma multiplicidade linguística
(Português, Inglês e Francês), onde o que é essencial são os objectivos e finalidades
que são comuns.
O sistema económico regional cresce em complexidade e interdependência,
fruto da abertura e globalização, resultando daí a internacionalização das
actividades marítimas. Basicamente os Estados da África Austral tem no mar o
suporte do progresso e bem estar das suas populações, daí o seu empenho na
criação de políticas e estratégias que coordenem e integrem os diversos domínios
das actividades marítimas, nomeadamente a exploração de recursos, o transporte
marítimo, a preservação da qualidade do meio marinho bem como a garantia da
segurança na região. Aqui reside a convicção ou crença, individual ou colectiva, da
importância do mar para as Nações, a disposição, atitude, comportamento e a
vontade de agir no sentido de utilizar as potencialidades do mar no campo político,
económico, social e militar, com vista á satisfação dos interesses regionais e a
genuína mentalidade marítima.
Moçambique, como parte das sociedades marítimas, privilegia, através das
suas instituições vocacionadas, particularmente da Marinha de Guerra, o cultivo
permanente duma genuína mentalidade marítima, fazendo-se valer dos diversos
geofactores para estruturar a sua relação com os países vizinhos em torno do mar.
(2) A nível do Oceano Índico
O Oceano Índico ocupa 20% da superfície oceânica Mundial (1.000 Km, do
Sul de África Austral) e uma área de cerca de 68.556 milhões Km². Considera-se
este Oceano como uma linha vital do comércio internacional. A posição geográfica
das águas de Moçambique no Oceano Índico, numa área que, devido às suas
configurações naturais (geográficas, meteorológicas, etc.) foram uma convergência
de rotas marítimas, constitui-se como rota alternativa do tráfego marítimo,
particularmente de petroleiros, quando estes não utilizam o canal do Suez.
No entanto, a rota do canal de Moçambique absorve cerca de 75% do
tráfego marítimo para os países vizinhos e 15% de outras partes do Mundo. A
Marinha de Guerra de Moçambique, na sua condição de parte das Marinhas dos
Estados da orla do Oceano Índico, está empenhada no incremento Índico (SNI)”
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participando nos diversos fora de discussões sobre os assuntos marítimos e no
processo de gestão de informações relevantes, com vista a contribuir para os
objectivos das organizações. A incidência desses objectivos recai, designadamente,
na promoção de um entendimento partilhado e o estabelecimento de um conjunto
de estratégicas comuns que possibilitam o reforço da segurança marítima, a
mitigação dos efeitos de desastres naturais e assistência humanitária em qualquer
ponto da região.
A cooperação efectiva a este nível abrange áreas como o levantamento
hidrográfico, a busca e salvamento entre outros. Ela manifesta se através de visitas,
troca de pessoal, formação e treino, exposições e outras actividades.
(3) A nível continental
Como membro da União Africana, Moçambique tem compromissos de
índole políticos, cultural e militar, esta última componente caracterizada pelo
mecanismo para os assuntos de segurança, como garante da paz no continente. A
experiência bem sucedida no território ao conseguir uma transição de um conflito
armado para a paz de forma muitíssimo clara, faz de Moçambique uma referência,
muitas vezes tomada como exemplo para outros processos de transição. As Forças
da Marinha sempre se fizeram presentes em todas as missões incumbidas a Força
Armada, integrando contingentes e missões tuteladas pelas Nações Unidas como
observadores.
(4) A nível de CPLP
No âmbito da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP),
destaca-se a vontade do desenvolvimento de um quadro de cooperação, que permite
potenciar o nível organizacional e operacional da Marinha de Guerra de
Moçambique. Neste sentido, diversas actividades têm sido desenvolvidas para a
manutenção de laços de irmandade entre as Marinhas dos países dessa comunidade,
sendo a presente formação Técnico-Militar uma clara ilustração deste historial com
Portugal.,Angola e Brasil.
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5. O PLANO NAVAL DA MARINHA DE GUERRA
De acordo com o plano naval, a Marinha direcciona as suas atenções na
necessidade de aquisição de vários meios navais, incluindo os seus recursos humanos que
vão lidar com a devida técnica.
Também na reabilitação de algumas embarcações inoperacionais nas bases e sub
bases navais, reabilitação de imóveis que se encontram em avançado estado de degradação
com maior atenção às unidades que se encontram ao norte e centro do país. Apostando
sempre que é possível a formação dos recursos humanos tanto internamente como
externamente nas diversas áreas técnicas.
As missões de interesse público inserem-se numa nova postura da Marinha
pretendendo alcançarem uma maior visibilidade dentro da sociedade, em especial com o
impacto decorrente do desempenho das missões relacionadas com a protecção civil, o
desenvolvimento sustentado em ambiente saudável e a melhoria de qualidade de vida dos
cidadãos.
É neste contexto que as Forças da Marinha de Guerra Moçambicana colocam ao
serviço do país e também da comunidade internacional os seus meios humanos e materiais
e, ainda, o seu acumulado conhecimento, exercendo importantes missões no espaço
marítimo. O resultado dessa actividade encontra-se resumido em quadro próprios, onde se
assinalam as áreas de missões que competem a cada um dos Ramos das Forças Armadas e
os elementos orgânicos que tem responsabilidade primária de as assegurar, bem como os
meios utilizados e respectivos encargos financeiros.
O Ramo da Marinha de Guerra Moçambicana tem como estratégia marítima, no
essencial, a utilização do mar no interesse próprio, evitando também que os outros o
utilizem de forma prejudicial à economia e desenvolvimento do país, embora haja alguns
indícios da existência de navios desconhecidos a pescar nas nossas águas territoriais sem
autorização do nosso Estado, consubstanciando-se, no plano operacional naval, através de
uma tríade de missões, designadamente, militares, diplomáticas e de interesse público.
Por razões de recursos, e à semelhança de outras pequenas potências, a Marinha
desenvolve a sua actividade operacional com base nesta tríade de missões, explorando a
polivalência dos seus meios, na procura constante da máxima rentabilidade dos recursos. O
reconhecimento dessas capacidades tem conduzido a que, nos termos da lei, a Marinha
colabore em tarefas relacionadas com a satisfação do interesse público e a melhoria de
NÃO CLASSIFICADO 16
NÃO CLASSIFICADO
qualidade de vida das populações e exerça acções no âmbito das missões de interesse geral
a cargo de Estado.
Para garantia do exercício da Autoridade do Estado e do serviço de busca e
salvamento marítimo, incluindo a colaboração com o serviço de busca e salvamento aéreo,
foi mantido o dispositivo naval padrão, tendo as unidades navais várias missões
estabelecidas.
Perspectiva de se ter Patrulhões NPO e Lanchas de fiscalização costeira de acordo
com o anexo, para o controlo do Espaço Marítimo, distribuídos pelas zonas do nosso país,
nomeadamente: zona sul, centro e norte. Todas estas regiões requerem meios qualificados
para efeitos de dissuasão com o objectivo de evitar o surgimento de acções de pirataria.
No entanto, como acções mais importantes realizadas pelo Ramo no âmbito do
interesse público, apontam-se a colaboração com a polícia judiciária no combate às
actividades ilícitas, através da disponibilização de meios navais, de fuzileiros e de
facilidades de monitorização proporcionados pelo Centro de Operações do Comando
Naval; colaboração com a polícia marítima na detenção e seguimento de embarcações
suspeitas, através dos meios navais que se encontram no mar; contribuição para a
segurança da navegação assegurando a coordenação nacional e a divulgação de avisos aos
navegantes, executada, pela Direcção de Faróis, no âmbito da sinalização marítima garantir
acções conducentes à actualização da rede maregráfica e publicação das tabelas de marés
para os principais portos, quer nacionais quer dos países africanos através das tabelas de
marés feito em Portugal; promoção da investigação científica no mar, contribuindo para o
conhecimento oceanográfico do litoral e da zona económica exclusiva (ZEE),
designadamente nas áreas da física, da geologia, da química e da poluição, quer com meios
próprios quer em colaboração com outras instituições nacionais e estrangeiras.
As actividades dos navios do agrupamento de navios hidrográficos encontram-se
reflectidas na linha dos navios de investigação científica no mar, apresentando um
acréscimo significado relativamente aos próximos anos, a que não é alheio o
empenhamento no levantamento associado ao Estado sobre o eventual alargamento da
plataforma continental, em articulação com o instituto hidrográfico e com o grupo de
missões da plataforma continental, ao qual será dada prioridade;
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Intervenção na preservação do meio marinho, através de acções de monitorização
dos níveis de poluição e registo de concorrência de poluição, algumas das quais exigindo
intervenção;
Exercícios da autoridade marítima, através de acções de vistoria, desembaraço e
fiscalização de embarcações de unidades, de policiamento da actividade marítima nas
zonas ribeirinhas (processos por ilícitos penais e contra-ordens nacionais) e de fiscalização
do cumprimento das regras de navegação. Esta actividade será efectuada por meios do
comando naval em apoio ao sistema de Autoridade Marítima;
No âmbito de salvaguarda da vida humana no mar, deverá ser uns dos objectivos de
formação de equipas de nadadores salva-vidas, para intervenção em caso de necessidades.
No cumprimento dos compromissos assumidos pelo Estado Moçambicano nas aéreas de
responsabilidade nacional de busca e salvamento marítimo e controlo do mar;
Manter activadas em permanência, a busca e salvamento. Devido à grande extensão
do país os Centros de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo deviam ser dividido
em três zonas:
Zona sul de Moçambique;
Zona centro de Moçambique;
Zona norte de Moçambique.
Estas zonas seriam equipadas com dispositivos navais compostos, por, no mínimo
de does patrulhões, seis lanchas de fiscalização costeira. Estes meios, com a colaboração
das Estações Radionavais e Artilharia Costeira da Marinha e Força Aérea, serão
responsáveis pelo salvamento ou evacuação médica, em consequência de solicitações de
assistência ou de recepção de sinais de emergência.
Vigilância e controlo do tráfego marítimo ao longo da costa de Moçambique e dos
arquipélagos de Bazaruto, Ilha de Moçambique, Inhaca, Ibo e outras, em verificação da
soberania do Estado nas águas territoriais, da segurança da navegação em geral e do
cumprimento dos esquemas de separação de tráfego em particular;
Realização de missões de fiscalização da pesca e da exploração dos recursos da
zona económica exclusiva (ZEE), bem como das águas territoriais que serão vistoriadas no
mar com cerca de uma dezena de embarcações, apurando-se assim umas infracções.
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Algumas missões seriam também efectuadas em colaboração com a inspecção-
geral das pescas, na realização de operações conjuntas de controlo e prevenção de ilícitos
de pesca, através da utilização dos meios navais em permanência no mar e o futuro
projecto já acordado de montagem de um sistema de controlo por via satélite toda costa
Moçambicano.
Divulgação da missão da Marinha e das Forças Armadas em geral, quer através de
acções de presença naval em várias localidades ribeirinhas, principalmente por ocasião de
festejos locais.
Em suma é importante a preparação da Marinha de Guerra para contingências,
cheias/inundações, ciclone e tarefas de interesse público.
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NÃO CLASSIFICADO
6. PERSPECTIVAS FUTURAS
Para uma maior projecção da Marinha de Guerra de Moçambique, continuar-se-ão
esforços tendentes a dar visibilidade, por meio da elevação dos níveis técnico profissionais
do pessoal.
Este esforço compreende a adequação dos recursos humanos e materiais inscrita
nos planos de desenvolvimento para curto, médio e longo prazo das Forças Armadas, onde
a Marinha é uma parte.
A estreita colaboração interinstitucional, no âmbito da autoridade marítima,
continuará a conferir sinergias que permitam aumentar a capacidade de contribuição deste
ramo em várias frentes e continuará a desenvolver entendimentos multilaterais e bilaterais
de modo a promover intercâmbios com outras marinhas.
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NÃO CLASSIFICADO
7. CONCLUSÕES
Tendo em consideração a nossa pergunta de partida. “Que missão e desafios se
esperam da Força Naval Moçambicana em tempo de paz?” e em base na leitura de várias
fontes bibliográficas a que tivemos acesso chegamos às conclusões que abaixo
descriminamos.
A reconstrução da MGM ocorre em paralelo com a criação das Forças Armadas, e
compreende quatro etapas, que são:
Definição da base organizacional e a consequente montagem duma estrutura
consentânea à finalidade de defesa da independência e soberania da jovem
Nação;
Ajustamento da estrutura à situação político-militar;
Redefinição estrutural, face ao cenário caracterizado pela ausência de Guerra.
Reorganização da Marinha, como resposta à complexidade das novas missões.
É nesta fase que ocorre a avaliação da utilidade do poder naval pelo poder político
ou pelos cidadãos em geral e, em contrapartida, o empenho da Marinha na demonstração
da sua pertinência como componente do poder militar, através do trabalho concreto,
visando a consolidação do seu potencial e valor perante a sociedade.
No julgamento de todas as etapas está adjacente o interesse para a Nação como um
todo e para os cidadãos individualmente:
A harmonização do desenvolvimento dos meios com os recursos disponíveis.
A definição de doutrinas coordenadas de emprego;
O desenvolvimento dos programas de aquisição de infra-estruturas;
A formação/instrução do pessoal;
A investigação técnica específica.
Entendemos que seria óbvia a capacitação permanente de forças para manter a sua
performance, para garantir a manutenção das suas capacidades adaptadas às necessidades
da Força Naval Moçambicana no contexto regional e internacional e no domínio táctico e
operacional.
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9. RECOMENDAÇÕES
A fim de fazer cobertura da vasta costa moçambicana através de meios navais, com
o objectivo de cumprir com as missões de patrulhamento e de mais missões referidas nos
capítulos anteriores, e também tomando em conta a situação económica do país,
recomendo a seguinte distribuição de meios navais de acordo com as características
respectivas definidas em anexo:
a. Base Naval de Pemba - Zona Norte – 1 Patrulhão, 2 Patrulhas.
b. Base Naval da Beira - Zona Centro – 2 Patrulhas
c. Base Naval de Maputo - Zona Sul - 1 Patrulhão, 2 Patrulhas.
d. As Sub Bases Navais de Inhambane e Nacala - Zonas Centro e Norte
respectivamente. Estas poderiam ter o mesmo nº de meios conforme se segue – 2
Lanchas de mar e 2 lanchas de águas interiores.
e. A Sub Base Naval de Tete sita na Albufeira de Cabora Bassa, tratando-se de um rio
necessitaria de meios de pequena dimensão: 2 lanchas de águas interiores.
f. Sub Base Naval de Quelimane - Zona Centro/Norte: 2 Lanchas de mar e 2 lanchas
de águas interiores.
g. Base Naval de Metangula – 2 Lanchas de águas interiores
Para o cumprimento com eficácia na formação das tripulações com o objectivo .
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NÃO CLASSIFICADO
BIBLIOGRAFIA
a. 1º Simpósio das Marinhas dos países de língua Portuguesa, in Cadernos Navais
nº 26-Julho-Setembro 2008;
b. Boletim da republica 1 serie-numero 52 Decreto nº 54/2003.
c. Costa, Carlos Nelson Lopes da Outubro (2003), O poder naval, missões e meios;
in Cadernos Navais Nº 7.
d. Estratégia Nacional de Defesa, [Link].
e. Ribeiro, António Silva, Formação da estratégia naval portuguesa modelo e
processo, Cadernos Navais.
f. Sacchettti, Vice –Almirante António Emílio Ferraz Sacchettti (1988), A Marinha a
instituição e os homens, Instituto Superior Naval de Guerra.
g. Seminário: “Uma Marinha de duplo uso”, Cadernos Navais nº22-Julho-Setembro
2007.
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ANEXO
Patrulhões com características iguais às do NPO2000 da Marinha Portuguesa:
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Comprimento total 81,0 m
Boca máxima 12.95 m
Pontal ao convés 6,90 m
Calado -
Deslocamento total 1600 t
Velocidade máxima 20 nós
PROPULSÃO
- -
Autonomia 5000 milhas
ARMAMENTO E SENSORES
1 peça de artilharia de 40 mm
1 radar de navegação Furuno 1505 DA
GUARNIÇÃO
Oficiais 3
Sargentos 6
Praças 20
NÃO CLASSIFICADO
A-1
NÃO CLASSIFICADO
Patrulhas com características dos da Classe Cacine (Marinha Portuguesa), mas
modernizados:
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Comprimento fora a fora 292t
Boca 44m
Pontal 7,7m
Calado 2,2m
Deslocamento total 94t
Velocidade máxima 20nós
PROPULSÃO
2 Motores MTU 12V 396 TE84 diesel 3.750hp
Autonomia 1350 milhas a 15 nós
ARMAMENTO E SENSORES
1 peça Oerlikon 20mm/65
1 radar de navegação KH 1007
GUARNIÇÃO
Oficiais 2
Sargentos 3
Praças 15
Lanchas com características iguais às da Classe Centauro:
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Comprimento fora a fora 27m
Boca 5,9m
Pontal 2,1 m
Calado 2,8m
Deslocamento total 94t
Velocidade máxima 26nós
PROPULSÃO
2 Motores MTU 12V 396 TE84 diesel 3.700hp
Autonomia 1350 milhas a 15 nós
ARMAMENTO E SENSORES
2 metralhadoras 12.7mm MGs
1 radar de navegação Furuno 1505 DA
GUARNIÇÃO
Oficiais 1
Sargentos 1
Praças 6
NÃO CLASSIFICADO
A-2
NÃO CLASSIFICADO
Lanchas para águas interiores:
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS
Comprimento fora a fora 14,5 m
Boca 4,3 m
Pontal 2,1 m
Calado 0,8 m
Deslocamento total 18,4 t
Velocidade máxima 31 nós
PROPULSÃO
- -
Autonomia 240 Milhas náuticas
ARMAMENTO E SENSORES
2 metralhadoras 12.7mm MGs
1 radar de navegação Furuno 1505 DA
GUARNIÇÃO
Oficiais 1
Sargentos 1
Praças 4
NÃO CLASSIFICADO
A-3