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Arte Medieval: Estilos Bizantino e Gótico

O documento explora a evolução da arte medieval, destacando a influência da Igreja Católica na arte bizantina e nas transições para os estilos românico e gótico. A legalização do cristianismo no século IV trouxe mudanças significativas na arquitetura e na representação artística, refletindo a fusão das tradições clássicas e cristãs. A unidade também aborda a iconoclastia e suas implicações na produção artística da época.

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Arte Medieval: Estilos Bizantino e Gótico

O documento explora a evolução da arte medieval, destacando a influência da Igreja Católica na arte bizantina e nas transições para os estilos românico e gótico. A legalização do cristianismo no século IV trouxe mudanças significativas na arquitetura e na representação artística, refletindo a fusão das tradições clássicas e cristãs. A unidade também aborda a iconoclastia e suas implicações na produção artística da época.

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Arte e religiosidade: o período medieval

Esta segunda unidade apresentará as alterações sofridas pela arte a partir do


momento em que a Igreja Católica começou a se estruturar como religião oficial do
Império Romano; as circunstâncias acerca de como os reinos Carolíngio e Otoniano
buscaram unir as referências artísticas herdadas da cultura clássica greco-romana e
dos povos germânicos a serviço da Igreja, resultando no estilo românico; e as
alterações arquitetônicas características do estilo gótico, pensado, a princípio, pelo
abade Suger para Saint-Denis na França e difundido por toda a Europa.

Objetivo
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• Avaliar os caminhos que arte trilhou a partir do encontro da


tradição clássica greco-romana com as tradições cristã e
bárbara.

Conteúdo Programático
Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:

• Tema 1 - A arte bizantina


• Tema 2 - O renascimento carolíngio e otoniano e o estilo
românico
• Tema 3 - O triunfo da Igreja: o estilo gótico
Esta imagem está na Basílica de San Miniato al Monte, em Florença, na Itália.
Sabemos que os egípcios pintavam o que sabiam existir. Os gregos pintavam o que
viam. A arte medieval distingue-se da egípcia e da grega pela vinculação religiosa
cristã.

Quais as alterações que esta vinculação religiosa provocou nas artes?


Tema 1
A arte bizantina

Como os elementos cristãos e romanos se reuniram e


se materializaram na arte bizantina?

Clique na imagem para visualizar o vídeo.

Ainda é complicado falar sobre uma arte cristã nos primeiros cinco séculos da nossa
era, na Europa. O mais comum de se encontrar nesse período é a arte feita por
cristãos ou para cristãos. O que ocorre é que em grande parte desse período os
cristãos foram perseguidos, presos e mandados para os circos romanos, onde
acabavam morrendo nas fogueiras ou devorados pelas feras. Somente a partir do
século V, encontramos elementos que claramente podem ser definidos como sendo de
um estilo específico, o bizantino, característico da corte imperial em Constantinopla,
mas surgido dentro do contexto anteriormente entendido como sendo da arte
paleocristã.

Nos momentos em que a perseguição era mais frequente, os cristãos, para fugir das
perseguições, reuniam-se para professar seus cultos nas catacumbas romanas, já que
esses lugares não eram frequentados pelos romanos, ou em lugares isolados nas
províncias, como cavernas. Nestes lugares, foram encontrados mosaicos e pinturas
que representavam elementos ligados à crença cristã, como cruzes, cenas de
passagens da vida do Cristo, pães e peixes. Na região da Capadócia, na Turquia,
ainda se encontram ruínas de igrejas primitivas construídas em cavernas (fig. 1).
Figura 1 – Interior de igreja em caverna com afrescos cristãos primitivos. Capadócia, Turquia.

Somente no século IV d. C., quando o Imperador Constantino subiu ao poder, o


cristianismo foi legalizado por meio do édito de Milão. Este édito instituiu a
neutralidade do império romano no que se refere à questão religiosa, o que significou
a liberdade de culto para os cristãos. No final do século IV, durante o reinado de
Teodósio I, o cristianismo se tornou religião oficial do império.

A legalização do cristianismo e sua posterior condição de religião oficial do Império


provocaram uma mudança significativa no espaço físico dos locais de culto. A religião
pagã, que vigorava anteriormente no Império e em outros lugares da antiguidade,
geralmente não contava com a presença dos fiéis dentro dos templos. A participação
destes nos cultos costumava ser nas procissões, que ocorriam no entorno dos
templos. Quem ficava dentro dos templos eram os sacerdotes, que cuidavam do
espaço.
Saiba mais


A basílica cristã primitiva [...] é uma síntese de sala de audiência (ou de
assembleia), de templo e de casa particular, mas com traços originais
que não podem ser inteiramente explicados por essas fontes. [...] A
basílica pagã era, na verdade, o modelo ideal para as igrejas
constantinianas porque aliava um interior espaçoso, exigido pelo culto
cristão, à grandiosidade que convinha à situação privilegiada do
cristianismo como nova religião oficial.

Mas uma igreja não podia ser apenas uma sala de assembleia; além de
conter a comunidade dos fiéis, era a casa sagrada de Deus, a sucessora
cristã dos templos antigos. A fim de exprimir esta função, o traçado da
basílica pagã foi ajustado a um novo ponto de convergência, o altar,
colocado à frente da abside, do lado oriental da nave, ficando as portas
na fachada ocidental, e o edifício orientado segundo o eixo longitudinal,
curiosa reminiscência da planta dos templos egípcios. [...]

Um aspecto essencial da arquitetura cristã primitiva reside no contraste


entre o exterior e o interior [...]. O exterior, de tijolo simples, foi
intencionalmente deixado sem ornatos: é apenas uma carapaça lisa cuja
conformação corresponde ao espaço interno — o oposto do templo
clássico. [...] Este tratamento ascético e antimonumental do exterior dá
lugar à mais extrema riqueza logo que entramos na igreja. Aqui,
deixando atrás de nós o mundo cotidiano, encontramo-nos num
resplandecente domínio de luz e cor, onde as superfícies de preciosos
mármores e a cintilação dos mosaicos evocam o esplendor do reino de
Deus.

JANSON, H. W. História geral da arte: O Mundo Antigo e a Idade Média. São


Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 292-293.


Acontece que, como nos cultos dos cristãos, ocorria a reunião dos fiéis para ouvir a
palavra de um orador ou preletor, então foi necessária a criação de lugares de culto
grandes o suficiente para reunir toda a comunidade. O próprio Constantino se
empenhou na edificação de diversas igrejas contribuindo com recursos próprios. Mas,
como a liberdade de culto foi instituída, os cristãos se viram, de um momento para
outro, com a necessidade de resolver o problema de espaço, já que não havia um
modelo próprio dos cultos cristãos. A solução veio na utilização dos modelos das
basílicas romanas.

Importante

Convém recordar que a Igreja Católica como a conhecemos hoje é o


resultado de uma construção de quase dois milênios. O culto cristão
primitivo foi gradativamente organizado segundo a estrutura que resultou
na Igreja Católica Apostólica Romana. Para que isso ocorresse,
sistematicamente foram convocados concílios, reuniões de bispos da
Igreja Católica para discutir e decidir questões doutrinais ou disciplinares
da igreja. No século VI, Justiniano I definiu as igrejas de Roma, Alexandria,
Antioquia, Jerusalém e Constantinopla como sendo autoridades
eclesiásticas superiores. Nos primeiros séculos, os bispos dessas igrejas
se consultavam para decidirem as questões teológicas.

Arte bizantina

Constantino, durante o seu reinado, transferiu a sede do poder imperial para Bizâncio,
hoje Istambul, na Turquia. A transferência da sede do poder já havia sido
experimentada antes por Diocleciano, que no final do século III d.C. havia transferido a
sede do poder para quatro cidades, localizadas em posições estratégicas junto à
fronteira, para intensificar a defesa do Império contra as invasões bárbaras.

Acontece que, como a capital de Constantino foi construída durante o período em que
o cristianismo se consolidava no Império, ela ganhou diversos templos cristãos e, em
um primeiro momento, não havia muita diferença entre a arte produzida no ocidente e
no oriente. Mas convém recordar que, no século V, o Império Romano do Ocidente cai
definitivamente, enquanto o do Oriente se fortalece cada vez mais, atingindo seu
esplendor no século VI, com o imperador Justiniano I. Em função das perseguições
religiosas que ocorreram depois, principalmente pelos muçulmanos, a maior parte dos
monumentos foi destruída. Por isso, dos primeiros anos da arte bizantina, o conjunto
arquitetônico mais antigo preservado não se encontra no oriente, mas na Itália, em
Ravena.

A Basílica de San Vitale (fig. 2) foi construída entre os anos 526 e 547. A planta
octogonal é inspirada no Mausoléu de Santa Constanza, em Roma, hoje uma igreja
católica. Esse formato de Igreja com planta centrada e cúpula vai ser muito difundido
no oriente, principalmente a partir do Imperador Justiniano, ao contrário do que ocorre
no ocidente medieval, em que o formato basilical tradicional, como o da Basílica de
São Paulo Extramuros, construída no século IV, será preponderante.
Figura 3. Basílica de São Paulo Extramuros.
Figura 2. Basílica de San Vitale. Ravena, Roma, Itália.
Itália. Crédito de atribuição editorial: Zoran
Karapancev / [Link]

O mosaico era muito utilizado para a decoração das igrejas. E a reprodução da ideia
de casa de Deus, onde toda a glória e esplendor deveriam ser encontrados, fez com
que esses mosaicos fossem muitas vezes compostos com pedras preciosas ou
banhadas a ouro. A influência do imperador Justiniano na Itália no século VI pode ser
percebida no mosaico existente dentro da Basílica de San Vitale (Fig. 4), que o
representa com seu séquito, estando entre eles o arcebispo Maximiano, responsável
pela conclusão da construção da basílica.

As figuras representadas nesses mosaicos distinguiam-se daquelas das primeiras


construções cristãs. Estas personagens tinham uma dignidade característica da
realeza. A ideia era substituir as dimensões terrenas de tempo e espaço, trazendo
para a congregação a representação de imagens que se assemelhassem a uma corte
celestial.

Figura 4. Justiniano e seu séquito (detalhe). Basílica de San Vitale. Ravena, Itália.
Crédito de atribuição editorial: Michal Szymanski / [Link]
A exaltação das figuras dos imperadores, os quais haviam permitido a construção da
nova fé, estava inscrita no programa imperial, eco talvez da própria divinização dos
imperadores romanos. Tal prática era comum durante o auge do império.

Da mesma forma que nas residências romanas, o interior desses novos templos era
repleto de mosaicos decorativos com representações de cenas da vida do Cristo,
imagens dos santos e mártires da igreja, com os espaços preenchidos por elementos
decorativos comuns ao imaginário da época (Fig. 5).

Figura 5. Mosaico do teto da Basílica de San Vitale. Ravena, Itália.


Crédito de atribuição editorial: vvoe / [Link]

Entre as construções em Constantinopla que datam do período de Justiniano, a mais


conhecida é a Hagia Sophia, hoje uma mesquita. Os quatro minaretes foram
acrescentados posteriormente, após a dominação turca.

Figura 6. Hagia Sophia. Istambul, Turquia.


Hagia Sophia tem uma estrutura única. Sobre o eixo longitudinal de uma basílica
paleocristã, uma imensa cúpula coroa a nave, que tem ao centro o formato de um
quadrilátero. Esta cúpula é sustentada por semicúpulas nos extremos laterais. Como a
cúpula é assentada em quatro arcos que transmitem o peso aos pilares do
quadrilátero, as paredes sob os arcos não possuem função de suporte. Sua enorme
dimensão lembra a basílica de Constantino. Por isso, segundo Janson, ela une “numa
síntese impressionante, o Oriente e o Ocidente, o passado e o futuro” (2001, p. 310).

Artes visuais

As pinturas e os mosaicos nas igrejas bizantinas seguem geralmente o mesmo


partido. Não existe uma preocupação com a noção de profundidade das figuras
retratadas, daí sua característica predominantemente plana. Da mesma forma não
havia uma preocupação clara com a representação dos volumes, como pode ser
percebido nas pinturas encontradas em Pompeia e outros sítios arqueológicos
romanos. Não há a utilização de sombra.

As figuras eram representadas de frente para o observador. E, mesmo nos casos em


que os imperadores eram representados, a vinculação com a religião estava sempre
em primeiro lugar. As imagens eram solenes e a presença do ouro tanto nas pinturas
quanto nos mosaicos contribuía para a suntuosidade das igrejas, o que se associava à
suntuosidade e ao esplendor do reino dos céus. A identificação do território sagrado
com o reino dos céus sempre foi uma preocupação ideológica da Igreja, o que faria
com que os elementos artísticos fossem pensados por ela também pelo sentido
pedagógico que possuem.

A figura 7 apresenta um mosaico representando ao centro a Virgem com o menino


Jesus ao colo, ladeados por Constantino, que lhes oferece um modelo de cidade, e
por Justiniano, que lhes oferece um modelo de Igreja.

Figura 7. Maria com Jesus ao colo, ladeados por Constantino e Justiniano. Mosaico na Hagia
Sophia. Istambul, Turquia.
Crédito de atribuição editorial: Stig Alenas / [Link]
O mosaico apresenta os elementos tradicionais da pintura bizantina: o fundo dourado;
o Cristo e/ou os santos olhando diretamente para o fiel; a planificação das vestes; a
auréola coroando os santos. Mas convém recordar que foi no âmbito da arte bizantina,
ou melhor, da Igreja Católica Ortodoxa, que a questão iconoclástica apresentou sua
feição mais radical.

Importante

Iconoclasmo – doutrina bizantina dos séculos VIII e IX que repudiava, sob


acusação de idolatria, a representação e veneração de imagens santas.

A divisão entre iconoclastas e iconófilos na sociedade bizantina, ocorreu em


decorrência do édito imperial de 726. Este édito proibia as imagens religiosas,
seguindo rigorosamente a orientação bíblica a respeito do uso de imagens, as quais
poderiam conduzir à idolatria. A proposta dos iconoclastas era de que a arte religiosa
ficasse reduzida a símbolos abstratos e representações de plantas e animais. Janson
recorda que “as raízes do conflito eram muito profundas: no plano teológico,
implicavam a questão fundamental da relação do divino e do humano na pessoa de
Cristo, enquanto, no plano social e político, refletiam a luta pelo poder entre o Estado e
a Igreja” (2001, p. 317).

Desse édito decorreram algumas consequências muito importantes. Em primeiro lugar


ele marcou a cisão definitiva entre a Igreja Católica Ortodoxa e a Romana. Em
segundo lugar, como somente a arte religiosa foi proibida, a arte profana, secular
voltou a despertar o interesse da população, abrindo espaços significativos para as
mudanças artísticas que viriam a ocorrer futuramente.

Apesar de ter reduzido a produção artística religiosa dentro do Império, o édito não
conseguiu erradicá-la por completo, e as manifestações de destruição de imagens
alcançaram também o território europeu, nos lugares onde o Império Bizantino exercia
influência, fosse ela cultural, política ou econômica.

Não podemos deixar de considerar o fato de que o Império Bizantino não sofreu com
as invasões bárbaras que assolaram de tempos em tempos a Europa, desde a queda
do império romano. Isso, junto com a proximidade das regiões que sofreram mais
claramente a influência helenística, contribuiu para que alguns elementos da cultura
clássica permanecessem mais preservados no oriente que no ocidente.
Ampliando o foco

Sobre a arte bizantina, ver:

GALVES, Mariana de Castro Pareja; PINHEIRO, Antônio Carlos da


Fonseca; CRIVELARO, Marcos. História da arte e do design:
princípios, estilos e manifestações culturais. São Paulo: Érica, 2014. p.
111-123. Disponível na Minha Biblioteca.
Tema 2
O renascimento carolíngio e otoniano e o estilo
românico

Quais os principais elementos da arte dos primeiros


séculos do ocidente europeu medieval?

Clique na imagem para visualizar o vídeo.

O período que compreende a antiguidade tardia na Europa assistiu ao nascimento do


estilo artístico conhecido como paleocristão. Segundo Ernst Gombrich, no período
posterior, o da alta Idade Média,


[...] vemos o surgimento de um novo estilo medieval que possibilitou à arte fazer
algo que nem a antiga arte oriental nem a clássica tinham feito: os egípcios tinham
desenhado preponderantemente o que sabiam existir, os gregos o que viam; na
Idade Média, o artista aprendeu a expressar também na sua obra o que sentia.


Esta é a tônica dos tempos medievais. O cristianismo ensinou aos homens um novo
modo de se relacionar com a divindade, com o sagrado. E, por este motivo, mais do
que representar o que se conhecia e o que se via, a arte medieval expressava o que o
artista sentia diante das experiências que lhe eram apresentadas.
Essa nova experimentação com a produção artística apresenta características dos
povos que contribuíram para essa formação. Encontramos por isso uma mescla de
elementos nórdicos, germânicos e cristãos entrelaçados com elementos clássicos
herdados de Roma, como se uma saudade da cultura e do imaginário imperial
atravessasse a sociedade europeia de então. Símbolo do cristianismo, a cruz em
diversas situações ganhou feições decorativas, influenciada por estes povos, como a
cruz com elementos celtas da figura 8.

Alguns modelos artísticos foram mantidos,


copiados, enquanto novas expressões
artísticas foram apresentadas. Foi assim com
os manuscritos. A necessidade de se copiar
as sagradas escrituras e registrar as novas
do Evangelho, abriu as portas para o
desenvolvimento das iluminuras nas oficinas
de copistas, responsáveis pelos manuscritos
medievais.

Iluminura: arte ou ato de ornar um


texto, página, letra capitular com
desenhos, arabescos, miniaturas,
grafismos diversos ornamentando
livros, mais especificamente
manuscritos medievais (Dicionário
Eletrônico Houaiss).
Figura 8. Cruz celta em bronze.

Mas em meio à diversidade que caracterizou esses primeiros momentos medievais,


dois imperadores conseguiram imprimir de tal forma sua marca e orientação na
produção artística de seu tempo que acabaram por criar o que se aproximaria de um
estilo próprio, são eles Carlos Magno e Óton I.

Arte carolíngia

A arte carolíngia é aquela que foi produzida durante ou sob a influência do reinado de
Carlos Magno. Regente do império que levou seu nome, autointitulado protetor da
Igreja, Carlos Magno se propôs a elaborar uma reforma cultural e educacional. Ele
pretendia aproximar culturalmente o seu império do seu famoso antecessor, o império
romano. Promoveu a reforma da escrita e, a partir desta, a coletânea e cópia de obras
literárias romanas. Esse interesse por restaurar o ideal da civilização romana se fazia
acompanhar pela implantação de tradições culturais romanas na mentalidade céltico-
germânica. É desse projeto que resultará o que entendemos hoje como feudalismo.

Carlos Magno se fez cercar de construções que contribuíssem para a concretização


do seu ideal. Na cidade de Aachen na Alemanha, Aix-la-chapelle para os franceses,
mandou construir sua capela palatina (Fig. 09), inspirada diretamente na Basílica de
San Vitale, em Ravena.
Figura 9. Capela palatina de Carlos Magno. Aachen, Alemanha.
Crédito de atribuição editorial: matthi / [Link]

A inspiração dos monumentos romanos e bizantinos, tanto do período de Constantino


quanto de Justiniano, encontra-se presente na arte carolíngia. No imaginário cristão
esses dois imperadores foram grandes responsáveis pela consolidação do
cristianismo. A diferença está no fato de que o ideal de Carlos Magno era o de
restaurar o ideal do Império no território que antes era ocupado por ele na Europa,
libertando de certa forma a Igreja da opressão ortodoxa.

As fontes literárias do período dizem que as igrejas carolíngias eram ornamentadas


por pinturas murais, mosaicos e baixos-relevos. Mas quase nada restou desse
período. O que temos são as pinturas dos evangeliários, livros litúrgicos que reúnem
os evangelhos lidos pelos padres nas missas diárias. Por isso a importância dos
manuscritos carolíngios. A reforma da escrita era fundamental para facilitar a reforma
educacional proposta por Carlos Magno. Nesta reforma estava inclusa a padronização
da formação dos padres da Igreja, o que contribuiu para a sistematização da formação
clerical e, consequentemente, para uma maior unidade e fortalecimento do clero
romano.

Arte otoniana

A unidade imperial pretendida por Carlos Magno não sobreviveu à sua morte. Pouco
tempo depois o território unificado por ele estava fragmentado nas mãos dos seus
herdeiros e a dissolução do poder que ele concentrava em suas mãos enfraqueceu
mais uma vez a Europa, incapaz de resistir frente às invasões. Quando morreu o
último rei carolíngio, o centro do poder europeu já havia se deslocado para a Saxônia,
e o rei Óton I havia reavivado as ambições imperiais de Carlos Magno. Com Óton I
começou o Sacro Império Romano-Germânico, o qual reunia os territórios da Europa
Central. A partir dele, o território ocupado hoje pela Alemanha se tornou o mais
influente da Europa, política e artisticamente.
Figura 10. Igreja de São Miguel. Hildesheim, Alemanha.

A igreja de São Miguel de Hildesheim (Fig. 10) foi construída por um importante
patrono da arquitetura e da arte na época otoniana, Bernardo, bispo de Hildesheim.
Parte dela foi reconstruída após a Segunda Guerra Mundial. As portas de bronze
encomendadas por Bernardo para a cripta de São Miguel, refletem a influência das
antigas portas romanas.

Carlos Magno e Óton I são importantes para a História da Arte por terem sido os
primeiros no âmbito medieval a proporem uma identidade artística para seus impérios,
com a clara intenção de fazer ressurgir a glória e o esplendor do império romano. Mas
fora do período que compreendeu o império dos dois, a arte produzida até o início do
século XIII, foi chamada de românica, por sua relação com a tradição mediterrânea.

Arte românica

Recebe o nome de românica a produção artística europeia feita entre os anos de 1050
e 1200 aproximadamente. É claro que a arte românica muito fica a dever às
contribuições recebidas da arte carolíngia e otoniana. Mas diferem desta por alguns
fatores.

A arte românica apresenta características que derivam de elementos romanos tardios,


paleocristãos e bizantinos, com algumas influências islâmicas e céltico-germânicas.
Surge em diversos pontos da Europa quase que ao mesmo tempo, com uma ampla
variedade de estilos regionais, sem que, no entanto, tenha uma fonte central.

Esses componentes diversos resultam de uma variedade de fatores que provocaram


na Europa um surto de vitalidade. O cristianismo finalmente se impusera no
continente. Havia um entusiasmo religioso crescente, o qual podia ser percebido no
incremento das peregrinações, culminando nas cruzadas a partir do final do século XI.
As vias comerciais do Mediterrâneo haviam sido reabertas e o comércio, a indústria e
a própria vida urbana apresentavam um crescimento inspirador. A falta de um poder
secular que reunisse e centralizasse as ações foi suprida pela força que apresentava
neste período a figura do Papa, e a Igreja conseguia mobilizar grandes grupos em sua
defesa.

É esse contexto que a arte românica vai refletir. Nesse período as construções
arquitetônicas serão em muito maior número do que nos séculos anteriores. Essas
construções, embora fossem em grande número vinculadas à Igreja, apresentavam
estruturas mais complexas (Fig. 11) do que as suas antecedentes e, de certa forma,
mais romanas. As construções voltaram a apresentar abóbadas em sua estrutura (Fig.
12), no lugar dos vigamentos de madeira. Suas fachadas recebiam decorações
arquitetônicas e trabalhos escultóricos.

Figura 11. Basílica de Saint Sernin. Toulouse, França.

Figura 12. Nave da Basílica de Saint Sernin. Toulouse, França.


Crédito de atribuição editorial: Anibal Trejo / [Link]
Em algumas regiões a herança romana se fez mais evidente, como no conjunto
arquitetônico formado por torre, catedral e batistério de Pisa na Itália (Fig. 13). A
região italiana da Toscana se manteve consciente de sua herança clássica. Isso
justifica a escolha do modelo de uma basílica paleocristã para a Catedral de Pisa.

Figura 13. Torre e Catedral de Pisa. Itália.

O próprio interior da catedral, com as fileiras de colunas sustentando as arcadas, e o


revestimento em mármore, utilizado tanto no interior quanto no exterior da construção,
evoca a lembrança dos edifícios romanos (Fig. 14).

Figura 14. Interior da Catedral de Pisa. Itália.

Outro setor em que a arte românica se distinguiu foi no retorno às esculturas


monumentais de pedra nos templos religiosos. No período que antecedeu esse
reavivamento das artes, o que se encontrava eram relevos, agregados ao conjunto
arquitetônico (Fig. 15). Essa vinculação com a construção permaneceu, mas pode-se
perceber que características novas animam as esculturas produzidas nesse período.
Além das dimensões, as formas arredondadas e a acentuação dos volumes se aliam a
elementos trazidos de outras culturas, produzindo um corpus imagético
impressionante, reunindo santos, anjos e criaturas fantásticas, componentes todos
eles de um conjunto de crenças que estava longe de se entender como puro ou
unitário.

Figura 15. Tímpano do portal central. Basílica de Santa Maria Madalena. Vézelay, França.

Ampliando o foco

Sobre arte românica:

PERIGO, Katiucya. Artes visuais, história e sociedade: diálogos


entre a Europa e a América latina. Curitiba: InterSaberes, 2016. p. 43-
47. Disponível na Biblioteca Virtual.
Tema 3
O triunfo da Igreja: o estilo gótico

Quais as mudanças técnicas ocorridas na arte durante


o período gótico?

Clique na imagem para visualizar o vídeo.

O período românico surgiu acompanhando o momento em que a Igreja, após militar


durante séculos pelos fiéis dos diversos povos europeus, havia alcançado o triunfo
sobre as tribos bárbaras e pagãs. O período de paz que se anunciava após o término
das invasões permitiu que os construtores e artistas experimentassem novas e antigas
técnicas, dando uma outra feição à produção artística.

Algumas décadas após os construtores resgatarem a utilização das abóbadas nas


edificações, alguns deles tiveram uma ideia que revolucionou todo o processo de
construção. Esses construtores descobriram que as abóbadas poderiam ser
sustentadas apenas pelos pilares. As paredes que preenchiam os espaços entre
esses pilares não eram tão necessárias para a manutenção da estrutura. A
possibilidade de construir sem as pesadas e grossas paredes de pedra permitia que
estruturas mais leves e amplas pudessem ser construídas. As paredes das catedrais
góticas são finas, e grandes janelas foram abertas, permitindo a utilização mais ampla
de decorações com vitrais. Era o início do estilo gótico.

Gradativamente os arcos redondos do período românico foram substituídos por arcos


ogivais. Estes permitiam que as construções alcançassem maior altura no interior,
mais do que nas igrejas construídas anteriormente. A possibilidade de se construir
edifícios com mais e maiores janelas abriu para as artes o campo da utilização da luz.
Mas as alterações instituídas pelo movimento gótico surgiram a partir de uma
teorização, de um projeto criado na França a partir da reedificação da abadia real de
Saint-Denis, dirigida pelo abade Suger entre os anos 1137 e 1144.

A abadia de Saint-Denis era o santuário do santo protetor da França e o principal


monumento comemorativo da dinastia carolíngia. Carlos Magno e Pepino, o Breve
foram sagrados reis nessa abadia. Lá estavam enterrados Carlos Martel, Pepino, o
Breve e Carlos, o Calvo. Suger era o principal conselheiro do rei Luís VI. Foi o
responsável por consolidar a aliança entre a monarquia francesa e a Igreja e quis
transformar a abadia no principal centro de peregrinação do país.

Suger deixou registrado o seu pensamento em relação às obras da Igreja, o que foi
fundamental para nosso conhecimento, já que a fachada principal e as esculturas que
a compunham foram mutiladas com o passar dos anos. Janson cita Suger,
mencionando os elementos que eram considerados mais importantes para as obras de
reconstrução da abadia.


[...] a Harmonia (isto é, a perfeita relação das partes, em termos de proporções ou
razões matemáticas) é a fonte de toda a beleza, pois exemplifica as leis segundo as
quais a razão divina construiu o Universo: a “miraculosa” luz inundando a capela-
mor através das “sacratíssimas” janelas torna-se a Luz Divina, uma revelação
mística do espírito de Deus.

(JANSON: 2001, p. 431).


A aliança entre a harmonia, o equilíbrio, a luz e a beleza produziu um resultado que
transcende as experiências sensoriais. O interior de Saint-Denis (Fig. 16) é leve,
quase etéreo. A estrutura interna é graciosa, sem peso.
Figura 16. Interior da Abadia de Saint-Denis. Paris, França.

Com o desenvolvimento cada vez maior e mais seguro das técnicas de construção, a
abóbada de nervura foi copiada em diversas igrejas citadinas, chegando a apresentar
efeitos de complexos rendilhados, como o encontrado no teto do corredor do claustro
da Catedral de Gloucester na Inglaterra (Fig. 17).

Figura 17. Corredor do Claustro da Catedral de Gloucester, Inglaterra.


Esse caráter de leveza que encontramos no interior das igrejas góticas, contrasta com
a robustez do exterior. Em muitas igrejas, como por exemplo na Catedral de Notre
Dame de Paris, é possível ver claramente os arcobotantes (Fig. 18).

Figura 18 – Catedral de Notre Dame. Paris, França.

Arcobotante: construção, em forma de meio arco, erguida na parte exterior


dos edifícios góticos para apoiar as paredes e abóbadas (Dicionário
Eletrônico Houaiss).

Essas estruturas externas são os contrafortes sobre os quais se assenta o peso


principal da construção de cantaria. A Notre Dame de Paris ainda apresenta alguns
elementos que ecoam do período românico. A planta compacta, o formato da nave e
as pesadas colunas refletem as tendências do início de sua construção, em 1163. Mas
as grandes janelas, a leveza das formas e a verticalidade do espaço interior
demonstram a influência do projeto de Saint-Denis.

Na arquitetura, o gótico a partir do século XIII na França vai evoluir para o que ficou
conhecido como gótico flamejante ou gótico flamboyant. Esse estilo vai se difundir por
outras regiões e a Catedral Duomo de Milão (Fig. 19) é dele um belo exemplo.
Figura 19. Catedral Duomo. Milão, Itália.

Nessas construções, torres e outros elementos se projetam em direção ao céu, como


se o conjunto estivesse inflamado por chamas que buscam o encontro celeste.

A França é o país por excelência do estilo Gótico. A Saint-Chapelle construída por


Luís IX no século XIII possui um fantástico conjunto de vitrais (Fig. 20). A luz que
inunda a capela realmente parece representar a emanação da divindade, a revelação
mística da presença de Deus, sonhada por Suger.

Figura 20. Saint-Chapelle. Paris, França.

Durante o período gótico, podemos perceber também que as esculturas começam


gradativamente a se preparar para a independência do conjunto arquitetônico. Como a
fé cristã já está consolidada, não havia mais o risco de que as esculturas fossem
associadas ao processo de adoração dos deuses pagãos.
Nestes anos, mesmo ainda presas à estrutura arquitetônica, as esculturas começam a
se libertar, quase saltando do conjunto a que estão presas. A fachada da Notre Dame
de Paris (Fig. 21) e o pórtico do transepto norte da Catedral de Chartres (Fig. 22)
mostram como essas esculturas parecem querer se desprender das colunas ou
paredes que as abrigam.

Figura 21. Fachada da Catedral de Notre Dame. Paris, França.

Figura 22. Esculturas na Catedral de Chartres, França.

Elas parecem figuras reais, com características humanas. Em questões anatômicas,


vemos o interesse da cópia do real retornando, ainda que pareçam mais alongadas do
que deveriam ser. Apesar da aparente identificação com a cópia da natureza, presente
nas esculturas clássicas, a ideia de se representar o sentimento dos personagens
ainda está presente.

As três esculturas à esquerda na imagem da Catedral de Chartres representam os


profetas Melquisedeque, Abraão e Moisés. Estão representadas com os atributos que
as identificam. Moisés carrega as tábuas da Lei e Abraão se faz acompanhar de seu
filho, o qual acredita que será imolado. Mas o seu olhar que não consegue encarar o
do filho que o busca e o carinho que guia sua mão, amparando a face do filho,
demonstram que novos tempos estão surgindo. A ideia de humanismo para os antigos
relacionava-se às virtudes que tornavam os homens mais humanos. Talvez o contato
que os europeus estavam paulatinamente reconstruindo com os clássicos já estivesse
se refletindo na composição artística desses homens, encantados pela grandiosidade
da Igreja, em processo de amadurecimento em busca da individualidade que
explodiria no Renascimento.

Ampliando o foco

Sobre o gótico:

PERIGO, Katiucya. Artes visuais, história e sociedade: diálogos


entre a Europa e a América Latina. Curitiba: InterSaberes, 2016. p. 47-
50. Disponível na Biblioteca Virtual.
Encerramento

Como os elementos cristãos e romanos se reuniram e


se materializaram na arte bizantina?
O Império Bizantino foi o herdeiro de grande parte da tradição imperial romana durante
o período inicial da Idade Média e ao mesmo tempo o primeiro a criar uma tradição
iconográfica em torno do cristianismo. Em função da estrutura governamental mantida
por causa da divisão do império e da absorção do cristianismo pelo aparelho estatal,
criou-se uma série de regras que fizeram da arte bizantina um modelo que perduraria
durante muitos séculos. Nesse sentido, podem-se citar os ícones, a representação do
Cristo e da Virgem, os quais deveriam ser feitos sempre a partir das mesmas regras,
que garantiriam a unidade do estilo.

Quais os principais elementos da arte dos primeiros


séculos do ocidente europeu medieval?
A produção artística do início da Idade Média será profundamente marcada pelo
elemento religioso. Num primeiro momento pode-se perceber um esforço de reunião
dos elementos provenientes do mundo romano com aqueles herdados dos povos
germânicos. Essa fusão resultou numa produção artística extremamente vinculada ao
caráter religioso, mas que trazia diversos elementos técnicos da produção artística dos
germânicos.

Quais as mudanças técnicas ocorridas na arte durante


o período gótico?
As principais mudanças ocorridas durante o período gótico dizem respeito à
arquitetura. O uso do arco ogival e dos arcobotantes nas estruturas arquitetônicas
permitiu que fossem construídas estruturas mais leves, mais altas e com a
possibilidade de inserir janelas maiores, o que possibilitou o desenvolvimento dos
vitrais trazendo leveza e luminosidade ao conjunto. As esculturas e as pinturas foram
gradativamente apresentando traços individualizados, prenúncio de novos tempos.

Resumo da Unidade

Após a queda do Império Romano e na medida em que o cristianismo iria se


consolidando na Europa, as artes sofreram uma reorientação nas suas funções.
Foi necessária a construção de novos templos que se adequassem às
necessidades dos cristãos. Ao mesmo tempo, a divisão do Império e o
desenvolvimento do Império Bizantino num momento em que o ocidente ainda
sofria com as invasões bárbaras fez com que, no oriente, a produção artística
fosse orientada segundo características muito próprias. No Império Bizantino, o
poder religioso também se encontrava nas mãos do imperador. Isso contribui para
a divisão posterior dentro da própria Igreja entre o ocidente romano e o oriente
ortodoxo.

Para acolher os fiéis, a Igreja aproveitou o modelo das basílicas romanas. O


mosaico foi a principal forma de representação pictórica nas igrejas construídas,
pois garantiria não somente a perenidade da obra, como também o ideal de
grandiosidade que a Igreja queria que os fiéis identificassem com o reino de Deus.
As esculturas não foram muito difundidas neste primeiro momento. Principalmente
por causa da identificação com a adoração dos ídolos pagãos.

Carlos Magno e Óton I buscaram em seus impérios a identificação com o Império


Romano, por meio da adoção de elementos artísticos dos antigos e de uma
reforma cultural e educacional. Quando a Igreja alcança a hegemonia na Europa,
banindo quase que em sua totalidade os cultos pagãos, o românico começa a se
expandir na Europa. Reunindo diversos elementos culturais e aliando-os sob a
proteção da Igreja, esse movimento se estende por quase toda a Europa com suas
pesadas construções em que as abóbadas de berço construídas com o auxílio de
arcos romanos vão dar uma feição nova aos espaços religiosos.

A força e robustez do românico cede depois lugar às leves e iluminadas


construções do estilo gótico. Neste, os avanços arquitetônicos permitem uma
grandiosidade e verticalidade ainda não experimentadas, que deslumbram os fiéis
diante da ideia da harmonia e do equilíbrio existentes no universo. A crescente
valorização da individualidade que se percebe nas esculturas é um prenúncio das
transformações que ainda estavam por vir, no Renascimento.

Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos


abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de
ensino publicado na página inicial da disciplina.

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