REPÚBLICA DE ANGOLA
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE “C.A.C. II”
DOENÇAS DIARREICAS AGUDAS
DOCENTE:
ANTÓNIO MOISÉS MATOS
CAMBAMBE, OUTUBRO DE 2021
INSTITUTO TÉCNICO PRIVADO DE SAÚDE “C.A.C. II"
DOENÇAS DIARREICAS AGUDAS
Estudante: Carlos dos Santos Gonçalves
Curso: Enfermagem Geral
Disciplina: Assistência de Enfermagem de Saúde Colectiva
Turma: D
Nº 9
Outubro de 2021
ÍNDICE
INTRODUÇÃO.............................................................................................................3
CARACTERÍSTICAS GERAIS...................................................................................4
FACTORES DE RISCO................................................................................................6
TRATAMENTO............................................................................................................7
CONTROLO E MEDIDAS PREVENTIVAS..............................................................9
SUGESTÕES..............................................................................................................10
CONCLUSÃO.............................................................................................................12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................13
INTRODUÇÃO
A doença diarreica aguda é caracterizada pela evacuação frequente de fezes líquidas,
acompanhada por uma perda excessiva de líquidos e eletrólitos, especialmente sódio e
potássio. Sendo apontada de acordo com a (UNICEF,2009) a segunda maior causa de
mortalidade infantil no mundo, com aproximadamente 2,5 bilhões de casos/ano, em
crianças menores de cinco anos estima-se que morrem 1,5 milhões de pessoas a cada ano
por causa das complicações advindas das doenças diarreicas.
Neste sentido, o presente trabalho, tem por intuito, conhecer aspectos relacionados as
doenças diarreicas agudas desde o seu conceito, causas, diagnóstico, tratamentos
prevenção, bem como sugestões de intervenção para melhorias no tratamento de água e
saneamento, buscando refletir acerca da saúde ambiental, visando redução da
prevalência de diarreia nas comunidades.
A partir de revisões bibliográficas, buscou-se apresentar sugestões de acordo com a
realidade local usando os textos buscado em sites da saúde e em artigos científicos, para
completar o trabalho. Essa revisão nos mostra o quanto temos que insistir na educação
das pessoas quanto a prevenção da sua saúde, pois, as doenças diarreicas agudas
constituem um problema importante de saúde pública nos países em desenvolvimento,
especialmente naqueles onde a pobreza é predominante e os fatores ambientais, sociais e
econômicos influenciam desfavoravelmente, como é o caso de Angola.
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CARACTERÍSTICAS GERAIS
Descrição
Caracterizam-se pela diminuição da consistência das fezes, aumento do número de
evacuações, com fezes aquosas; em alguns casos, há presença de muco e sangue
(disenteria). São autolimitadas, com duração de até 14 dias.
Sinonímia
Gastroenterite aguda, dor de barriga, disenteria, desarranjo, destempero, etc.
Conceito
A diarreia aguda pode ser definida pela ocorrência de 3 ou mais evacuações amolecidas
ou liquidas nas últimas 24 horas. A diminuição da consistência habitual das fezes é um
dos parâmetros mais considerados. Na diarreia aguda ocorre desequilíbrio entre a
absorção e a secreção de líquidos e eletrólitos e é um quadro autolimitado.
Classificação
Diarreia Aguda Aquosa: Pode durar até 14 dias com perda de grande volume de
fluidos, podendo causar desidratação. Causada por vírus e bactérias, pode causar
desnutrição se a alimentação não for adequada;
Diarreia Aguda com Sangue (Disenteria): Presença de sangue nas fezes,
representando lesão na mucosa intestinal. Pode associar-se com infecção
sistêmica e outras complicações, incluindo desidratação. Bactérias do gênero
Shigella são as principais causadoras.
Diarreia Persistente: Dura mais de 14 dias, podendo provocar desnutrição e
desidratação. Alto risco de complicação e letalidade.
Epidemiologia
A diarreia ocupava a segunda maior causa de mortalidade infantil, com 24,3% dos
óbitos, mas passou para quarta, com 4,1%. Isso se deve à melhoras da condição de vida
e capacitação de profissionais e população de modo geral acerca da terapia da diarreia e
da reidratação.
Agentes Etiológicos
Os agentes que mais causam diarreia são:
Infeciosos
Vírus – rotavírus, coronavírus, adenovírus, calicivírus (em especial o norovírus) e
astrovírus;
Bactérias – Escherichia coli enteropatogênica clássica, coli enterotoxigenica, coli
enterohemorrágica, coli enteroinvasiva, coli enteroagregativa, Aeromonas,
Pleisiomonas, Salmonella, Shigella, Campylobacter jejuni, Vibrio cholerae, Yersinia;
Parasitas – Entamoeba histolytica, Giardia lamblia, Cryptosporidium, Isosopora;
Fungos – Candida albicans.
Pacientes imunossuprimidos podem ter por Klebsiella, Pseudomonas, Cryptosporidium,
Isospora.
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Outras causas não infecciosas podem ser: alergia ao leite, apendicite, uso de laxantes,
antibióticos, entre outros. A invaginação intestinal tem que ser considerada no
diagnóstico diferencial da disenteria aguda, principalmente, no lactente.
Reservatório
O reservatório é específico para cada agente etiológico, sendo os principais: humanos,
primatas, animais domésticos, aves, bovinos, suínos, roedores, ambiente, alimentos e
outros
Quadro clínico e Diagnóstico
A anamnese da pessoa com doença diarreica deve contemplar os seguintes dados:
duração da diarreia, número diário de evacuações, presença de sangue nas fezes,
número de episódios de vômitos, presença de febre ou outra manifestação clínica,
práticas alimentares prévias e vigentes, outros casos de diarreia em casa ou na escola.
Deve-se avaliar como está a oferta de líquido, uso de medicações e histórico de
imunizações.
A história e o exame físico são indispensáveis para uma conduta adequada. Não se deve
esquecer que alguns pacientes têm maior risco de complicações, tais como: idade
inferior a dois meses; doença de base grave como a diabete melito, a insuficiência renal
ou hepática e outras doenças crônicas; presença de vômitos persistentes; perdas
diarreicas volumosas e frequentes (mais de oito episódios diários).
Ao exame físico é importante avaliar o estado de hidratação, o estado nutricional, o
estado de alerta (ativo, irritável, letárgico), a capacidade de beber e a diurese. O
percentual de perda de peso é considerado o melhor indicador da desidratação.
Considera-se que perda de peso de até 5% represente a desidratação leve; entre 5% e
10% a desidratação é moderada; e perda de mais de 10% traduz desidratação grave.
Outro ponto fundamental na avaliação da hidratação da criança com doença diarreica é
vincular os achados do exame clínico à conduta a ser adotada, classificando esta criança
Modo de transmissão
O modo de transmissão é específico para cada agente etiológico e pode acontecer
transmissão direta ou indireta:
• Transmissão direta – pessoa a pessoa (por exemplo, mãos contaminadas) e de animais
para pessoas.
• Transmissão indireta – ingestão de água e alimentos contaminados e contato com
objetos contaminados (por exemplo, utensílios de cozinha, acessórios de banheiros,
equipamentos hospitalares).
A contaminação pode ocorrer em toda a cadeia de produção alimentar, desde as
atividades primárias até o consumo (plantio, transporte, manuseio, cozimento,
acondicionamento). Os manipuladores de alimentos e locais de uso coletivo – tais como
escolas, creches, hospitais, hotéis, restaurantes e penitenciárias – apresentam maior risco
detransmissão. Ratos, baratas, formigas e moscas também contaminam alimentos e
utensílios.
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FACTORES DE RISCO
Em relação às infeccionsas, as diarreias bacterianas são uma das causadosras de morte
de crianças menores de 6 anos. Isso nos levar a refleteir a respeito da doença pois
algumas familias não sabem ou não tem condições de fazer o tratamento correto. Alguns
fatores de risco são descritos em seguida.
Ingestão de água sem tratamento adequado.
Consumo de alimentos sem conhecimento da procedência, do preparo e
armazenamento.
Consumo de produtos cárneos e pescados e mariscos crus ou malcozidos.
Consumo de frutas e hortaliças sem higienização adequada.
Viagem a locais em que as condições de saneamento e de higiene sejam precárias.
Segundo Claeson e Merson (1990); Fuchs et al. (1996); Victoria et al. (1989), citados
por Sousa Vanessa na sua tese de mestrado acessado via web (outubro de 2021) existe
uma forte relação inversamente proporcional entre internação de pacientes por diarreia e
as condições socioeconômicas excludentes, afirmando que tal processo patológico é
mais evidenciado em classes sociais mais marginalizadas, com falta de disponibilidade
de água tratada em casa e risco de ocorrência de agravamento do quadro.
A gravidade da doença diarreica, que determina a hospitalização, pode ser medida pelo
número de evacuações, sendo considerado como diarreia grave um número superior a
sete evacuações ao dia (ALAM 1989, et al.).
Fatores ambientais, populacionais e de serviços, que devem ser considerados para
definição e delimitação de áreas de risco, são:
Ausência, deficiência ou intermitência do abastecimento de água;
Destino e tratamento inadequado dos dejetos;
Ausência ou deficiência de coleta, transporte, destino ou tratamento do lixo;
Solos baixos e alagadiços que permitam a contaminação da água por materiais fecais
(principalmente em áreas sujeitas a ciclos de cheias e secas);
Densidade populacional elevada;
Baixa renda per capita;
Populações confinadas (presídios, asilos, orfanatos, hospitais psiquiátricos, quartéis
etc.);
Hábitos higiênicos pessoais inadequados, que propiciem a contaminação fecal/oral;
Polos receptores de movimentos migratórios;
Eventos com grandes aglomerações populacionais (festas populares, feiras, etc.);
Oferta precária de serviços de atenção à saúde;
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Difícil acesso à informação;
Áreas periportuárias, ribeirinhas e ao longo de eixos rodoviários e ferroviários.
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TRATAMENTO
O tratamento da doença diarreica aguda consiste em quatro medidas:
Correção da desidratação e do desequilíbrio eletrolítico: a hidratação por meio do sal de
reidratação oral (SRO) vem contribuindo para a diminuição da mortalidade por
diarreias.
- Na avaliação de um caso de diarreia, deve ser dada ênfase ao estado de hidratação do
paciente para classificar a desidratação e escolher o plano de tratamento preconizado:
- Plano A - Paciente sem desidratação: aumentar ingestão de líquidos e monitoramento
do caso;
- Plano B - Paciente com desidratação: Soro de reidratação oral (SRO) na Unidade
Básica de Saúde (UBS);
As fezes devem ser coletadas antes da administração de antibióticos ao paciente.
Evitar coletar amostras fecais contidas nas roupas dos pacientes, na superfície de camas
ou no chão.
- Plano C - Paciente com desidratação grave: reidratação venosa na Unidade Hospitalar.
Combate à desnutrição: A doença diarreica aguda causa desnutrição, caracterizada por
anorexia e síndrome perdedora de proteínas. Após a avaliação, recomenda-se o aumento
da ingestão de líquido; manter a alimentação habitual, em especial o leite materno e
corrigir eventuais erros alimentares.
Uso adequado de medicamentos: A indicação de antimicrobianos deve ocorrer só
quando o benefício é inquestionável, pois a diarreia aguda, grande parte das vezes, tem
curso autolimitado.
Bactérias – eritromicina, azitromicina, sulfametazol+trimetopim, metronidazol.
Vírus – apenas tratamento de suporte.
Parasitos – mebendazol, albendazol e, no caso de protozoários de G. lamblia ou E.
hystolitica, é recomendado metronidazol.
A manutenção de alimentação com oferta energética é importante no tratamento de
diarreia. O aleitamento materno deve ser mantido e incentivado durante o episódio
diarreico. Quando necessário, deve-se recomendar jejum durante o período de reversão
da desidratação (etapa de expansão ou reparação). A alimentação deve ser reiniciada
logo que essa etapa for concluída (em geral, no máximo, 4 a 6 horas). Nos casos de
pacientes internados podemos optar pela utilização de fórmulas sem lactose, caso a
criança já faca uso.
Os pacientes hospitalizados com diarreia persistente devem receber, de acordo com a
OMS, 110 calorias/kg/dia. É importante que haja redução da perda diarreica e
recuperação nutricional com retomada do ganho de peso. Ainda, de acordo com a OMS
deve-se cuidar para que o paciente com diarreia persistente receba diariamente as
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quantidades de micronutrientes: 50ug de folato, 10mg de zinco, 400µg de vitamina A,
1mg de cobre e 80mg de magnésio.
Em casos de alergia a proteína do leite de vaca, deve ser prescrita dieta isenta das
proteínas do leite de vaca, ou seja, pode-se empregar fórmula hipoalergênica para sua
substituição, no caso dos lactentes.
A terapia de reidratação oral é considerada uma das modalidades terapêuticas que mais
salvou vidas a partir do século XX. O princípio fisiológico da eficácia vincula-se ao fato
de que a via de transporte ativo, acoplada de sódio-glicose-água pelo enterócito está
preservada na diarreia aguda, independentemente da etiologia.
O soro caseiro não contém citrato (para gerar bicarbonato) e potássio. A glicose é
substituída por sacarose (dissacarídeo constituído por glicose e frutose). Assim, o soro
caseiro é uma mistura de sal de cozinha, açúcar e água e geralmente pode ter erros de
medida se não utilizado a colher correta.
A utilização dos soros de reidratação oral pode ser feita com dois objetivos: a)
Reposição de perdas para prevenir a desidratação no paciente com diarreia (Plano A)
onde escolhemos soro com menor concentração de sódio e b) Reversão da desidratação,
ou fase de reparação, para o paciente com desidratação por diarreia (Plano B).
Zinco- pode reduzir a duração do quadro de diarreia, a probabilidade da diarreia
persistir por mais de sete dias e a ocorrência de novos episódios de diarreia aguda nos
três meses subsequentes. O racional para seu emprego é a prevalência elevada de
deficiência de zinco nos países não desenvolvidos. De acordo com a OMS1,2,7 deve ser
usado em menores de cinco anos, durante 10 a 14 dias, sendo iniciado a partir do
momento da caracterização da diarreia. A dose para maiores de seis meses é de 20mg
por dia e 10mg para os primeiros 6 meses de vida.
Vitamina A- deve ser administrada em populações com risco de deficiência desta
vitamina. O uso da vitamina A reduz o risco de hospitalização e mortalidade por
diarreia e tem sido administrada nas zonas mais carentes do norte e nordeste.
Antibióticos- os antibióticos geralmente não são usados no tratamento inicial da
diarreia, visto que geralmente o processo tem curso autolimitado e a etiologia é em
grande parte viral.
O uso do Antibiótico está restrito aos casos de: Diarreia com sangue nas fezes, cólera,
infecção aguda por giardia lamblia ou entamoeba hystolitica, imunossuprimidos,
portadores de Anemia Falciforme, portadores de próteses e sinais de disseminação
bacteriana extraintestinal.
Se possível, deve ser coletada amostra de fezes para realização de coprocultura e
antibiograma. Inicialmente, mesmo que não comprovada laboratorialmente, prevalece a
hipótese de infecção por Shigella sendo indicado então:
Quando a diarreia aguda é causada por giardíase ou amebíase comprovada, o tratamento
deve ser feito com metronidazol.
Antieméticos
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Segundo a OMS não devem ser usados, visto que o vômito desaparece concomitante à
correção da desidratação. Porém em alguns casos, cm diarreia aguda e vômitos
frequentes podemos usar a Ondasentrona 0,1mg/kg (0,15-0,3/kg).
CONTROLO E MEDIDAS PREVENTIVAS
As medidas de prevenção e proteção da população estão relacionadas a melhores
condições de saneamento, melhoria da qualidade da água, higiene e cuidados com
alimentos, bem como o incentivo a prorrogação do tempo aleitamento materno que
confere elevada proteção a esse grupo populacional.
Garantir o destino e o tratamento adequado dos dejetos;
Garantir a coleta, o acondicionamento e o destino adequado do lixo;
Destino adequado dos resíduos sólidos;
Realizar ações de vigilância da qualidade da água para consumo humano, como o
monitoramento mensal da qualidade da água de sistema ou solução alternativa de
abastecimento, assim como manter sistemática e permanente avaliação de riscos à
qualidade da água consumida; Nos casos de sistemas que forneçam água sem
tratamento prévio, proceder cloração da água com hipoclorito de sódio a 2,5%,
conforme tabela abaixo:
Controle de vetores
Definir procedimentos para garantir a qualidade dos processos de limpeza e
desinfecção, principalmente para serviços de saúde e áreas de preparo de alimentos;
Lavar sempre as mãos antes e depois de: utilizar o banheiro, trocar fraldas,
manipular/preparar os alimentos, amamentar, tocar em animais;
Não ingerir alimentos de origem desconhecida ou de locais com condições sanitárias
insatisfatórias;
Estimular hidratação adequada e, no caso de crianças o aleitamento materno;
Orientar cuidados com os alimentos durante todo processo de produção e consumo;
Evitar o contato dos alimentos prontos para o consumo com os utensílios utilizados no
preparo dos alimentos in natura (carnes, aves, ovos, etc);
Orientar pacientes, portadores e convalescentes sobre os cuidados de higiene pessoal,
principalmente antes da manipulação de alimentos;
Realizar coprocultura como exame admissional para indivíduos que manipulam
alimentos e quando os mesmos apresentarem doença diarreica aguda;
Realizar vigilância dos portadores e garantir afastamento dos mesmos de atividades que
envolvam a manipulação de alimentos.
Atenção especial a locais de uso coletivo, tais como escolas, creches, hospitais,
penitenciárias, pois apresentam riscos maximizados quando as condições sanitárias não
são adequadas.
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SUGESTÕES
Para as mães
O leite materno, pelas suas qualidades bioquímicas e nutritivas, é o melhor alimento
para a criança principalmente no seu 1º ano de vida. O aleitamento materno exclusivo
nos primeiros 6 meses reduz o número de infecções e diminui a contaminação
decorrente do uso de mamadeiras e alimentos contaminados.
Em comunidade com precárias condições de saneamento, criançasamamentadas com
mamadeiras têm 25 vezes mais possibilidade de morrer por diarréia do que as crianças
alimentadas exclusivamente com leite materno, durante os primeiros meses de vida.
Para amamentar convenientemente o bebe deve-se iniciar a amamentação no seio se
possível dentro da primeira meia hora após o parto, dar o seio quantas vezes a criança
solicitar, nos primeiros 6 meses de vida deve-se manter o aleitamento materno exclusivo
(não devem ser oferecidos líquidos como água, chás ou leite).
A amamentação no seio durante e após qualquer doença da criança deve ser mantida,
sobretudo nos casos de diarréia.
A introdução de novos alimentos deve ser iniciada em torno do 6º mês, os alimentos
devem ser de boa qualidade nutritiva e preparados com boa higiene. Levando-se em
consideração a disponibilidade de alimentos e hábitos culturais da família, a criança
poderá se alimentar de frutas regionais, cereais, leguminosas, carne e ovos.
Para os órgãos de tutela
Quanto a imunização, deve seguir o esquema básico de vacinação do Ministério da
Saúde, uma vez que as doenças infecciosas espoliam o organismo, diminuindo a
resistência da criança, tornando-a mais vulnerável à diarréia infecciosa. A imunização
contra o sarampo reduz significativamente a mortalidade por diarréia e deverá ser feita a
partir dos 9 meses de idade.
Quanto ao saneamento básico, a disponibilidade de água em quantidade suficiente nos
domicílios é a medida mais eficaz no controle das diarréias infecciosas. Nos lugares
onde não existe saneamento básico, buscar solução juntamente com a comunidade para
o uso e acondicionamento da água em depósito limpo e tampado. É importante a
orientação sobre o destino do lixo, das fezes e o uso adequado das fossas domiciliares.
A disponibilidade de rede de água e esgoto adequados reduz a morbidade por diarréia de
maneira considerável.
A educação da comunidade leva à valorização das condições de saneamento básico,
tornando-a prioritária também para os governos.
Para os profissionais de saúde
O profissional de saúde deve necessariamente envolver a comunidade não apenas como
alvo de informações, mas repartindo com ela a responsabilidade de buscar alternativas
para um eficaz trabalho preventivo.
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Para isso deverá: Conhecer as práticas da população, valorizar as práticas adequadas,
modificar as práticas inapropriadas.
Saber a repercussão das medidas preventivas sobre os meios de transmissão da diarreia;
Saber a evolução do quadro clínico da diarreia, consequência das doenças e os sinais de
alerta que indicam a necessidade de buscar recursos de saúde.
Para a difusão de conceitos sobre a saúde, deverão ser utilizados, todos os recursos
disponíveis como: mensagens educativas, cartazes, palestras e os meios de comunicação
de massa disponíveis da comunidade. Individualmente, a educação em saúde deve fazer
parte de todo atendimento feito por qualquer membro da equipe de saúde.
Para a população em geral
• Lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas,
manipular/preparar alimentos, amamentar e tocar em animais;
• Lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de
alimentos;
• Proteger os alimentos e as áreas da cozinha contra insetos, animais de estimação e
outros animais (guardar os alimentos em recipientes fechados);
• Tratar a água para beber (por fervura ou colocar duas gotas de hipoclorito de sódio a
2,5% para cada litro de água, aguardar por 30 minutos antes de usar);
• Guardar a água tratada em vasilhas limpas e de boca estreita para evitar a
contaminação;
• Não utilizar água de riachos, rios, cacimbas ou poços contaminados;
• Ensacar e manter a tampa do lixo sempre fechada, quando não houver coleta de lixo,
este deverá ser enterrado;
• Usar sempre a privada, mas se isso não for possível, enterrar as fezes sempre longe
dos cursos de água;
• Manter aleitamento materno, visto que este hábito aumenta a resistência das crianças
contra as diarreias.
Os surtos de diarréia infecciosa devem ser controlados com amáxima de eficácia e
eficiência possíveis. Para isso, é necessário melhorar a identificação precoce das
epidemias com a implantação das seguintes medidas: Utilização de registro de casos
para conhecimento da demanda, isita domiciliar quando houve suspeito de surto
epidêmico, identificação da fonte de contaminação, retaguarda laboratorial para a
identificação do agente etiológico, disponibilidade de tratamento adequado e oportuno
para todos os casos, notificação imediata ao serviço de vigilância epidemiológica para
as providências necessárias.
Diante de um aumento do número diário de pacientes com diarréia e desidratação grave,
especialmente em maiores de 5 anos, deve ser considerada a possibilidade de cólera.
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CONCLUSÃO
Com base nas pesquisas feitas e no trabalho desenvolvido, foi possível concluir que as
diarreias agudas continuam sendo muito frequentes, acometem principalmente as
crianças menores de cinco anos, têm levado os pacientes para o atendimento antes de
apresentarem desidratação grave e têm relação temporal com as chuvas.
Permitiu também aferir que, ainda há uma alta incidência de doenças diarreicas agudas”
na comunidade, frutos de maus hábitos higiênicos da população, não há “cultura” para o
tratamento da água de consumo, falta de informação sobre os cuidados dos pacientes
com diarreias, tanto no domicílio, como entre os membros da equipe de saúde; a água
fornecida pelo sistema público não é tratada. Desta feita, espera-se que as sugestões
propostas se ajuste à capacidade de mobilização, buscando respostas efetivas para os
problemas que afetam grandes grupos sociais dentro da comunidade, como também, que
a gestão nacional, provincial e municipal, a partir das experiências acumuladas na
intervenção reconheça as competências da equipe para desenvolver atividades de
promoção à saúde e consequentemente apoie outras iniciativas locais na comunidade, e
por fim, que a comunidade acompanhe com entusiasmo as iniciativas da equipe de
saúde e atue de forma efetiva, em resposta às ações orientadas para melhorar a saúde da
comunidade.
Em suma, existe diversas maneiras de prevenir as doenças diarreicas isso requer mais
atenção e iniciativa das autoridades entender que a doença diarreica é sim um problema
de saúde pública e que devem adotar medidas imediatas para diminuir a incidência e a
prevalência dessa enfermidade.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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baseado em evidências. Jornal Pediatria [on line], Rio de Janeiro, v. 91, n. 6, supl. 1, p.
S36-S43, Dez. 2015. Disponível em: <[Link] >. Acesso: em 04
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BUSATO, M.A. et al.
CAMPOS, F.C.C.; FARIA, H.P.; SANTOS, M.A. Planejamento, avaliação e
programação das ações em saúde. Belo Horizonte: Nescon/UFMG, 2017. Disponível
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CORRÊA, E.J.; VASCONCELOS, M.; SOUZA, S.L. Iniciação à metodologia:
Trabalho de Conclusão de Curso. Belo Horizonte: Nescon /UFMG, 2017. Disponível
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Guia de Vigilância Epidemiológica - 7ªedição - Doença Diarreica Aguda - Manual de
Doenças Transmitidas por Alimentos / MS
Ministério da Saúde – Manual de Assistência e Controle das Doenças
Diarréicas – 2ª edição.
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