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Definição e Prevenção da DRC

A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva da função renal, com implicações para a saúde, e suas principais causas incluem hipertensão arterial e diabetes mellitus. O manejo da DRC visa evitar a progressão da doença e suas complicações, sendo necessário um acompanhamento clínico adequado em diferentes estágios da doença. A prevenção envolve identificar fatores de risco e implementar intervenções para retardar a progressão da DRC.

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Definição e Prevenção da DRC

A Doença Renal Crônica (DRC) é caracterizada pela perda progressiva da função renal, com implicações para a saúde, e suas principais causas incluem hipertensão arterial e diabetes mellitus. O manejo da DRC visa evitar a progressão da doença e suas complicações, sendo necessário um acompanhamento clínico adequado em diferentes estágios da doença. A prevenção envolve identificar fatores de risco e implementar intervenções para retardar a progressão da DRC.

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DOENÇA RENAL CRÔNICA

GABRIELA E NATALIA MAIO 2024


·Filtrar metabólitos (principalmente escórias Nitrogenadas)
·Equilíbrio Hídrico-Eletrolítico (Pressão arterial)

FUNÇÃO RENAL ·Equilíbrio ácido-básico


·Função endócrina

o Eritropoetina
o Vitamina D ativa

(RIELLA, ,2018)
1- DEFINIÇÃO
Perda progressiva da função de número crescente de néfrons que, de modo gradual, vão diminuindo a
função geral dos rins (Guyton e Rall, 2012)

Redução da função renal (TFG<60mL/min) e/ou presença de anormalidade na estrutura renal presentes
por 3 meses ou mais, com implicações para saúde (KDIGO, 2O12).

Todo paciente que apresenta uma anormalidade na estrutura ou na função renal com
reflexos na sua saúde por mais de 3 meses é classificado como portador de doença renal
crônica (DRC)

(RIELLA, 2018)
SEDIMENTO URINÁRIO ALTERADO -
LEUCOCITÚRIA, CILINDROS, SEDIMENTOS,
HEMATÚRIAS DISTURBIOS ELETROLÍTICOS -
AUMENTO DE POTÁSSIO
ALBUMINÚRIA > 30MG/24H

MARCADORES DE ANOMALIDADE
ALTERAÇÕES DA ESTRUTURAL
IMAGEM (RIM ÚNICO,
HISTOLOGIA ALTERADA
POLICÍSTICOS,
FERRADURA)
TRANSPLANTE RENAL
(RIELLA, ,2018)
Principais causas de DRC :

HAS, DM e Glomerulopatias

Alta prevalência e incidência (Brasil e mundo)

Alto custo - grave problema de saúde pública

Alta mortalidade

O objetivo do manuseio do paciente com DRC em


qualquer um de seus estágios é evitar a perda da função
renal, reduzir ou evitar as morbidades associadas a ela e
reduzir o RCV e o risco de morte.

(RIELLA, ,2018)
Para atingir esses objetivos, todo o paciente com DRC deve ser avaliado para determinar:

A etiologia da DRC (causa e tipo de doença renal)


A gravidade da DRC (o estágio em que se encontra, baseado na TFG e na albuminúria)
As complicações associadas ao nível de função renal
Os fatores de risco relacionados à progressão da nefropatia
Os fatores de RCV associados.

Utilizando-se a definição dos estágios da DRC será possível delinear o seu manejo nas diversas situações clínicas
próprias de cada fase

Em virtude das múltiplas funções dos rins, o curso clínico da DRC é frequentemente
acompanhado de complicações que afetam não somente os próprios rins, mas também outros
órgãos. Por exemplo, pacientes com DRC têm mais chances de óbitos por complicações
cardiovasculares em comparação àqueles que apresentam diabetes melito (DM)

(RIELLA, ,2018)
(RIELLA, ,2018)
2- PREVENÇÃO
PREVENÇÃO PRMÁRIA DA DOENÇA RENAL CRÔNICA
Fundamental identificar os indivíduos em risco ou com fatores de riscos para desenvolver
a doença, rastrear as alterações parenquimatosas e ou funcional renal e quando for o
caso encaminhar precocemente os pacientes para acompanhamento nefrológico.

Principais causas: HA e DM - prevenidas em nível primários


Aferir regularmente a PA, principalmente de pacientes com histórico familiar de HAS;
Controle da DM
Adequar a ingesta de sal, restringir as bebidas alcoólicas;
Peso ideal e prática atividade física;

(RIELLA, ,2018)
2- PREVENÇÃO
PREVENÇÃO SECUNDÁRIA DA DOENÇA RENAL CRÔNICA

A prevenção secundária em indivíduo com o diagnóstico já estabelecido de DRC objetiva


retardar a perda progressiva da FG e prevenir ou tratar as complicações da doença.

São 5 as intervenções que diminuem a progressão da DRC:

1. Controle adequado da pressão arterial.


2. Tratamento da HA e/ou da proteinúria com medicações que bloqueiam o sistema
renina-angiotensina- aldosterona [inibidor da enzima de conversão da angiotensina (IECA)
ou bloqueador do receptor 1 da angiotensina (BRA1)].
3. Controle da glicemia.
4. Correção da acidose metabólica.
5. Evitar os medicamentos nefrotóxicos.
(RIELLA, ,2018)
2- PREVENÇÃO

PREVENÇÃO TERCIÁRIA DA DOENÇA RENAL CRÔNICA

NELA, A MAIORIA DAS MEDIDAS PRECONIZADAS NA PREVENÇÃO SECUNDÁRIA SE APLICA, RESPEITANDO-SE AS ESPECIFICIDADES

(RIELLA, ,2018)
O CRITÉRIO ATUAL PARA O DIAGNÓSTICO DA DRC LEVA EM CONSIDERAÇÃO ALTERAÇÕES MORFOFUNCIONAIS DO RIM.

(RIELLA, ,2018)
(KDIGO, 2013)
Estágio I- manejo clínico
TFG ≥ 90mL/min/1,73m2 na presença de proteinúria ou hematúria glomerular ou alteração no exame de imagem;
Acompanhamento pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para tratamento dos fatores de risco modificáveis;
A avaliação da TFG e do EAS deverá ser realizada anualmente.

Está recomendado para todos os pacientes no estágio 1:


Diminuir a ingestão de sódio (menor que 2 g/dia) correspondente a 5g de NaCl;
Atividade física compatível com a saúde cardiovascular e tolerância;
Abandono do tabagismo.

Para o controle da hipertensão os alvos devem ser os seguintes:


Não diabéticos e com RAC < 30: PA < 140/90 mmHg
Diabéticos e com RAC > 30: PA ≤ 130/80 mmHg
Todos os pacientes diabéticos e/ou com RAC ≥ 30 devem utilizar IECA ou BRA.

Para pacientes diabéticos, deve-se manter a hemoglobina glicada em torno de 7%.

RAC= Relação Albuminúria Creatininúria


(MS, 2014)
Estágio II- manejo clínico

TFG ≥ 60 a 89 mL/min/1,73m2 .
Acompanhamento pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para tratamento dos fatores de risco modificáveis de
progressão da DRC e doença cardiovascular de acordo com as recomendações do MS: controle da glicemia, da
hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, doenças cardiovasculares, tabagismo e adequação do estilo de vida.
A avaliação da TFG, do EAS e da RAC deverá ser realizada anualmente.
Esses pacientes devem ser encaminhados às unidades de atenção especializadas em doença renal crônica se apresentar
uma das seguintes alterações clínicas: RAC acima de 1 g/g, se não diabético, e perda de 30% de TFG com Inibidores da
Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) ou Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina (BRA).
Calendário vacinal.

Mesmos manejos do estágio I

(MS, 2014)
Estágio III A - manejo clínico
TFG ≥ 45 a 59 mL/min/1,73m2 .
Acompanhamento desses indivíduos deverá ser realizado nas UBS para tratamento dos fatores de risco modificáveis para
a progressão da DRC e doença cardiovascular de acordo com as recomendações do MS: controle da glicemia, da
hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, doenças cardiovasculares, tabagismo e adequação do estilo de vida.
Avaliação da TFG, do EAS, RAC e da dosagem de potássio sérico deverá ser realizada anualmente.
A dosagem do potássio sérico justifica-se porque a redução da TFG está associada à redução da capacidade da sua
excreção, bem como a hipercalemia associada à IECA ou BRA é mais frequente quanto menor for a TFG.
Recomenda-se a dosagem anual do fóforo e do PTH intacto;
Nos casos de pacientes com DRC estágio 3A com RAC > 30 mg/g, essa avaliação deve ser semestral. Esses pacientes
devem ser encaminhados às unidades de atenção especializadas em doença renal crônica quando apresentarem uma das
seguintes alterações clínicas: RAC acima de 1 g/g, se não diabético, e perda de 30% de TFG com Inibidores da Enzima
Conversora de Angiotensina (IECA) ou Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina (BRA).
Sorologia para hepatite B (AgHbs, Anti-HBc IgG e Anti-HBs)

Demais cuidados igual estágios anteriores.

(MS, 2014)
Estágio III B - manejo clínico
TFG ≥ 30 a 44 mL/min/1,73m2 .
Acompanhamento desses indivíduos deverá ser mantido nas UBS para tratamento dos fatores de risco modificáveis para a
progressão da DRC e doença cardiovascular de acordo com as recomendações do MS: controle da glicemia, da
hipertensão arterial, dislipidemia, obesidade, doenças cardiovasculares, tabagismo e adequação do estilo de vida.
Havendo necessidade, as unidades de atenção especializadas matriciar o acompanhamento do paciente nesse estágio;
Esses pacientes devem ser encaminhados às unidades de atenção especializadas em doença renal crônica quando
apresentarem uma das seguintes alterações clínicas: RAC acima de 300 mg/g, se não diabético, e perda de 30% de TFG
com Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) ou Bloqueadores dos Receptores da Angiotensina (BRA).
Semestralmente: Avaliação da TFG, do EAS, RAC e da dosagem de potássio sérico deverá ser realizada semestralmente.
Anualmente: cálcio, fósforo, PTH e Proteínas totais e frações. Em pacientes com diagnóstico de anemia (Hb 18 <13g/Dl,
para homens e Hb<12, para mulheres), hematócrito e hemoglobina, ferritina e índice de saturação de transferrina (IST) .

Demais cuidados igual estágios anteriores.

(MS, 2014)
Estágio IV- manejo clínico

TFG ≥ 15 a 29 mL/min/1,73m2 . O acompanhamento desses indivíduos deverá ser realizado pela equipe multiprofissional
composta de no mínimo os seguintes profissionais: médico nefrologista, enfermeiro, nutricionista, psicólogo, assistente
social, nas unidades de atenção especializadas em doença renal crônica, mantendo vínculo com as Unidades Básicas de
Saúde (UBS)
Nesse estágio deverá ser realizado o esclarecimento sobre as modalidades de TRS por uma equipe multiprofissional da
atenção especializada, com o registro de tal esclarecimento no prontuário.
confecção de fístula arteriovenosa em serviço de referência quando a TFG for menor do que 20 ml/min.
Treinamento quando for DP.

(MS, 2014)
Estágio IV- manejo clínico
Os exames mínimos realizados devem seguir a seguinte programação:

a) Trimestralmente: creatinina, úreia, cálcio, fósforo, hematócrito e hemoglobina, ferritina e índice de saturação de transferrina
(IST) nos pacientes com anemia e potássio.
b) Semestralmente: PTH, fosfatase alcalina, gasometria venosa ou reserva alcalina, Proteínas totais e frações e RAC.
c) Anualmente: Anti-HBs.

Deverá ser realizada sorologia para hepatite B (AgHbs, Anti-HBc IgG e Anti-HBs) no início do acompanhamento.
Redução da ingestão de proteínas para 0,8 g/Kg/dia em adultos, acompanhado de adequada orientação nutricional,
devendo-se evitar ingestão > 1,3g/kg/dia nos pacientes que necessitarem, por outra indicação, ingesta acima de 0,8
g/kg/dia;
Reposição de bicarbonato via oral para pacientes com acidose metabólica, definida por nível sérico de bicarbonato abaixo
de 22 mEq/L na gasometria venosa.

Demais cuidados igual estágios anteriores.

(MS, 2014)
Estágio V ND- manejo clínico
TFG <15 mL/min/1,73m2 , em paciente que não está em TRS. O acompanhamento desses indivíduos deverá ser realizado
pela equipe multiprofissional composta de no mínimo os seguintes profissionais: médico nefrologista, enfermeiro,
nutricionista, psicólogo, assistente social, nas unidades de atenção especializadas em doença renal crônica, mantendo
vínculo com as Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Os exames mínimos realizados devem seguir a seguinte programação:

a) Mensalmente: creatinina, ureia, cálcio, fósforo, hematócrito e hemoglobina, potássio.


b) Trimestralmente: Proteínas totais e frações, ferritina, índice de saturação de transferrina (IST), fosfatase alcalina, PTH e
gasometria venosa ou reserva alcalina.
c) Semestralmente: vitamina D.
d) Anualmente: anti-Hbs, anti-Hcv, HBsAg, HIV.

MANEJO CLÍNICO DO ESTÁGIO IV

Demais cuidados igual estágios anteriores.


(MS, 2014)
Estágio V dialitico- manejo clínico

Deve-se indicar TRS para pacientes com TFG inferior a 10 mL/min/1,73m2 .


Pacientes diabéticos e com idade inferior à 18 anos, pode-se indicar o início da TRS quando a TFG for menor do que 15
mL/min/1,73m2 .
Deverá ser realizada sorologia para hepatite B (AgHbs, Anti-HBc IgG e Anti-HBs) no início do acompanhamento.
Correção da dose de medicações como antibióticos e antivirais de acordo com a modalidade de diálise;
Adequação da ingesta de proteínas de acordo com o estado nutricional, avaliação da hiperfosfatemia e da adequação da
diálise.
Para o controle da hipertensão o alvo deve ser PA < 140/90 mmHg

(MS, 2014)
Estágio V hemodialise- manejo clínico
a) Mensalmente: hematócrito, hemoglobina, ureia pré e pós a sessão de hemodiálise, sódio, potássio, cálcio, fósforo, transaminase glutâmica
pirúvica (TGP), glicemia para pacientes diabéticos e creatinina durante o primeiro ano.
- Quando houver elevação de TGP deve-se solicitar: AntiHBc IgM, HbsAg e AntiHCV.
- A complementação diagnóstica e terapêutica nos casos de diagnóstico de hepatite viral deve ser assegurada aos pacientes e realizada
nos serviços especializados.

b) Trimestralmente: hemograma completo, índice de saturação de transferrina, dosagem de ferritina, fosfatase alcalina, PTH, Proteínas totais e
frações e hemoglobina glicosilada para diabéticos.

c) Semestralmente: Vitamina D e AntiHBs.


Para pacientes susceptíveis, definidos como AntiHBC total ou IgG, AgHBs ou AntiHCV inicialmente negativos, fazer AgHbs e AntiHCV.

d) Anualmente: Colesterol total e frações, triglicérides, alumínio sérico, glicemia, TSH, T4, dosagem de anticorpos para HIV, Rx de tórax em PA e
perfil, ultrassonografia renal e de vias urinárias, eletrocardiograma.

e) Exames eventuais: hemocultura na suspeita de infecção da corrente sanguínea e teste do desferal na suspeita de intoxicação pelo alumínio.

(MS, 2014)
Estágio V dialise peritoneal- manejo clínico
< 10% dos pacientes com DRCT terá contra indicação para realizar a diálise peritoneal.

a) Mensalmente: hematócrito, hemoglobina, sódio, potássio, cálcio, fósforo, creatinina e glicemia para pacientes diabéticos. 23

b) Trimestralmente: hemograma completo, índice de saturação de transferrina, dosagem de ferritina, fosfatase alcalina, PTH, glicemia, Proteínas totais e
frações e hemoglobina glicosilada para diabéticos.

c) Semestralmente: Vitamina D, Colesterol total e frações, triglicérides. Realizar o KT/V semanal de uréia, através da dosagem da uréia sérica e no líquido
de diálise peritoneal. Para pacientes que apresentam função renal residual, realizar depuração de creatinina, através da coleta de urina de 24 horas e
depuração de uréia, através de coleta de urina de 24 horas.

d) Anualmente: alumínio sérico, TSH, T4, Rx de tórax em PA e perfil, ultrassonografia renal e de vias urinárias, eletrocardiograma.

Exames eventuais:
Na suspeita de peritonite, análise do líquido peritoneal com contagem total e diferencial de leucócitos, bacterioscopia por gram e cultura;
Teste de equilíbrio peritoneal, no início do tratamento e repetir nos casos de redução de ultrafiltração e/ou inadequação de diálise.
Uma dosagem sérica de creatinina e duas dosagens de creatinina no líquido peritoneal, em tempos diferentes, e três dosagens de glicose no líquido
peritoneal, em tempos diferentes.
As unidades de atenção especializada em DRC devem assegurar aos pacientes os antimicrobianos para o tratamento de peritonite e infecções
relacionadas ao uso de cateteres (ambulatorial)
(MS, 2014)
CONTROLES NECESSARIOS NA DRC :

1- PRESSÃO ARTERIAL
2- GLICEMIA OUTRAS MANIFESTAÇÃO QUE PRECISAM DE
3- CORREÇÃO DA ACIDOSE METABÓLICA ATENÇÃO POR PARTE DA EQUIPE :
4- MEDICAMENTOS NEFROTOXICOS
5- ANEMIA 1- HIPERPOTASSEMIA
6- CUIDADOS COM ALTERAÇÕES MINERAIS 2- DISLIPIDEMIA
E ÓSSEAS 3-HIPERURACEMIA
4- TABAGISMO
5- IRA COMO FATOR DE RISCO PARA DCR

(RIELLA, 2018)
RISCO CARDIOVASCULAR
A frequência da doença renal crônica (DRC) e da doença renal crônica terminal (DRCT) vem aumentando
em todo o mundo. No Brasil, as causas mais comuns de DRCT são a hipertensão arterial (HAS) e o diabetes.

A DRC está associada a um elevado risco cardiovascular e aumenta proporcionalmente à medida que a
taxa de filtração glomerular estimado (TFGe) diminui.

O coração e os rins compõem um sistema integrado em termos de funções regulatórias e hemodinâmicas


no organismo humano.
Os rins exercem um papel central no controle do balanço hidreletrolítico e volêmico, assim como na
regulação da PA, os quais são alterados quando do desenvolvimento da DRC.
-- A interação desses 2 sistemas pode ser por meio do: sistema nervoso simpático (SNS) e o sistema
renina-angiotensinaaldosterona (SRAA), do ADH, do peptídio natriurético e das endotelinas.
À medida que a DRC se desenvolve, inicia-se um processo de perturbação desses sistemas, o que, por sua
vez, repercute diretamente no aparelho cardiovascular

(RIELLA, 2018)
DOENÇA CARDIOVASCULAR E SEUS ASPECTOS
FISIOPATOLÓGICOS
Com a redução da função renal, ocorrem mudanças no
sistema de coagulação, na fibrinólise, na disfunção
endotelial, na elevação dos níveis séricos de homocisteína
(Hci), nas alterações no metabolismo do cálcio e do
fósforo, na sobrecarga de volume e outras alterações
relacionadas com DCV.

Entre os aspectos mais relevantes, pode-se destacar a


presença de Hipertrofia ventricula esquerda (HVE),
aterosclerose, arteriosclerose e calcificação
cardiovascular.

A prevalência de HVE é elevada entre os pacientes


portadores de DRC em todo os seus estágios,
independentemente da faixa etária analisada.

(RIELLA, 2018)
(RIELLA, 2018)
FISIOPATOLOGIA DA DCV NA DRC

(RIELLA, 2018)
TRATRAMENTO DA DOENÇA ARTERIAL CORONARAINA NA DRC

A DRC altera o prognóstico da DAC, o que se revela no aumento da taxa de


mortalidade, após uma síndrome coronariana aguda (SCA), como no pós-
tratamento invasivo, por meio da angioplastia coronariana percutânea
(ACP), com ou sem colocação de stent.

Em pacientes sem DRC, a modificação de fatores de risco tradicionais pode


substancialmente diminuir a morbidade e a mortalidade naqueles indivíduos
com DAC, cerebrovascular e doença arterial periférica.

Entre tais medidas, destacam-se alterações de hábitos de vida,


normalização dos níveis de lipídios sanguíneos, controle glicêmico e uso de
anti-agregantes plaquetários.

(RIELLA, 2018)
SOBRECARGA DE VOLUME NA DOENÇA RENAL CRÔNICA
Portadores de DRC sofrem constantemente com sobrecarga de volume; por essa razão,
costumam apresentar um diâmetro diastólico final do ventrículo esquerdo aumentado.

Três fatores principais parecem estar envolvidos na gênese dessa alteração:

1. retenção de sódio e água;


2. presença de shunts arteriovenosos (fístulas);
3. anemia.

(RIELLA, 2018)
CALCIFICAÇÃO VASCULAR NA DOENÇA RENAL CRÔNICA
A calcificação vascular representa uma complicação frequente nos pacientes com DMO-DRC desde o
tratamento conservador até o transplante renal, contribuindo para o elevado risco cardiovascular.
Tipos de calcificação vascular:
1. Arteriosclerose: refere-se à calcificação e ao enrijecimento da camada média do vaso
2. Aterosclerose: acomete a camada íntima e frequentemente se associa à dislipidemia
3. Calcificação das válvulas cardíacas e do miocárdio Calcifilaxia ou arteriopatia urêmica calcificante
(AUC).

CALCIFICAÇÃO CARDIOVASCULAR:

Frequentemente observada na população geral e nos pacientes portadores de DRC, a calcificação


cardiovascular é uma condição marcadamente mais encontrada nas camadas da íntima e média das
artérias.
Calcificação nas grandes artérias (TC e radiografia) - 30 a 70% dos pacientes com DRC.
A calcificação cardiovascular está associada a uma disfunção do sistema de vasodilatação arterial
dependente de óxido nítrico e à alteração da velocidade de ondas de pulso ambos relacionados com uma
pior sobrevida em pacientes com DRCT.

(RIELLA, 2018)
DOENÇA ÓSSEA NA DOENÇA RENAL CRÔNICA
O esqueleto desempenha funções como: a proteção dos órgãos, a locomoção, a reserva mineral de Ca e P, o
controle do equilíbrio acidobásico e do metabolismo energético.
Os ossos são constituídos por uma estrutura contínua, compacta, denominada cortical, encontrada
principalmente nos ossos longos e chatos, e outra, formada por estruturas lineares interligadas, que
originam um retículo, denominado osso trabecular ou esponjoso, principalmente encontrado nos corpos
vertebrais e nas epífises dos ossos longos.

REMODELAÇÃO E FORMAÇÃO ÓSSEA:


Remodelação óssea compreende um processo dinâmico, constante em todos os segmentos do
esqueleto e que ocorre ao longo de toda a vida do indivíduo.
Processo: reabsorção (realizada pelos osteoclastos) e a formação (pelos osteoblastos), afim de substituir o
tecido velho por novo.
Processo regulado por fatores locais e hormonais;
O desequilíbrio na reabsorção e formação óssea pode ocasionar riscos de fraturas ou síndromes de
compressão.

(RIELLA, 2018)
DISTÚRBIO MINERAL E ÓSSEO
O KDIGO recentemente modificou a terminologia usada para descrever as anormalidades
ósseas observadas nos pacientes com DRC, sugerindo a instituição de dois termos:

1. Distúrbios minerais e ósseos da DRC (DMO-DRC);


2. Osteodistrofia renal (OR).

O primeiro, mais abrangente, deve ser usado para a síndrome clínica, que engloba:

1. Anormalidades do metabolismo mineral [cálcio (Ca), fósforo (P), paratormônio (PTH),


vitamina D, fator 23 de crescimento de fibroblasto (FGF-23), entre outros]
2. Alterações no tecido ósseo (remodelação, mineralização e volume)
3. Calcificações extraósseas.

O segundo termo fica restrito aos achados de histologia óssea.

A OR pode ser dividida em dois grupos:


1. doenças de alto remodelamento ósseo, no qual se encontram a osteíte fibrosa (OF) e
doença mista (DM)
2. doenças de baixo remodelamento ósseo, abrangendo a doença óssea adinâmica
(DOA) e a osteomalacia.
(RIELLA, 2018)
4- TRATAMENTO
O início da TRS é uma indicação clínica. São
considerados valor da TFG, presença e
intensidade de sinais e sintomas de uremia,
disponibilidade de TRS e preferências dos
pacientes e seus familiares.

Em geral, valores de TFG inferiores a 8 a 10


mℓ/min/1,73 m2 são associados com edema,
hipertensão arterial de difícil controle, anorexia,
náuseas, vômitos, queda do estado nutricional,
entre outras complicações.

(RIELLA, 2018)
HEMODIALISE

As indicações para iniciar a terapia substitutiva renal podem ser divididas


entre urgência e eletiva.
É possível determinar esta última pelo nível de função renal, por
parâmetros nutricionais, pela presença de sintomas urêmicos ou por uma
combinação desses critérios.

(RIELLA, 2018)
Urgência:
As condições clínicas definidas como indicação para iniciar tratamento dialítico em caráter
de urgência são bastante consensuais: hiperpotassemia ou hipervolemia refratárias às
medidas clínicas prévias ou quando há risco iminente de vida, pericardite e encefalopatia
urêmica.
Hiperpotassemia: o tratamento dialítico de urgência por hiperpotassemia para o DRC deve
apoiar nos exames laboratoriais, análise das circunstâncias que propiciaram a elevação do
potássio buscando identificar fatores reversíveis e quadro clínico.

Hipervolemia:
O surgimento de hipervolemia em um paciente com DRC caracteriza uma indicação para
início imediato de tratamento dialítico.
O início da diálise com ultrafiltração reverte prontamente os sintomas.
Além do aumento da dose de diuréticos e/ou o melhor controle da pressão arterial podem
atenuar esse quadro.
Eletiva:
A definição do momento adequado para iniciar eletivamente a terapia substitutiva renal é
mais controversa do que a indicação de urgência. Assim, geralmente três critérios, que muitas
vezes se sobrepõem, norteiam a decisão de instituir o tratamento dialítico:

[Link] de manejo clínico das alterações metabólicas e da volemia


[Link]ça de sinais ou sintomas urêmicos
[Link] nutricional.

O surgimento de sinais e sintomas atribuíveis à falência renal, a impossibilidade de manejo


seguro das alterações metabólicas, da volemia e do controle da pressão arterial, assim como
a deterioração progressiva do estado nutricional, refratárias às intervenções clínicas e
dietéticas, geralmente ocorrem quando a TFG está entre 10 mℓ/min/1,73 m2 e 5 mℓ/min/1,73
m2.

(RIELLA, 2018)
Quadro clínico:

A decisão de encaminhar um paciente para início da terapia renal substitutiva


apoia-se em critérios objetivos e subjetivos. Além do grau de deterioração da
função renal e dos parâmetros nutricionais, devem-se considerar também os
aspectos clínicos. Essa decisão pode também ser influenciada por outros fatores,
como a presença de um acesso vascular maduro; por exemplo: diante de um
paciente com TFG entre 5 e 10 m ℓ /min/1,73 m2, porém assintomático e com
desnutrição leve, talvez a melhor alternativa fosse a imediata confecção de um
acesso vascular (ou peritoneal) definitivo, retardando sua entrada em diálise
por algumas semanas até a maturação do seu acesso.

(RIELLA, 2018)
DIALISE PERITONIAL
Diálise peritoneal (DP) é um método de depuração do sangue no qual a
transferência de solutos e líquidos ocorre através de uma membrana
conhecida como peritônio

(RIELLA, 2018)
(RIELLA, 2018)
TRANSPLANTE RENAL
Transplante renal é tratamento de escolha para a DRC em estágio 5;
Contraindicações absolutas: incompatibilidade ABO, presença de hipersensibilização pré-transplante e doença
neoplásica em atividade.

Contraindicações temporárias: quadros de insuficiência cardíaca congestiva descompensada, insuficiência


coronariana não controlada, DM descompensado, doenças hepáticas virais com sinais de atividade, presença de
infecções, doenças sistêmicas em atividade, entre outros.
Tratamento da contraindicação transitória é mandatório e o transplante deve ser buscado, se possível.

Assim como a hemodiálise e a diálise peritoneal, o transplante renal deve ser apresentado ao paciente com DRC
na fase 4 e já pode ser considerado em pacientes com TFG < 20 mℓ/min/1,73 m2 em situações progressivas e
irreversíveis.

No prazo de 90 (noventa) dias após o início do tratamento dialítico, o serviço de diálise deverá, obrigatoriamente,
apresentar ao paciente apto ou ao seu representante legal, a opção de inscrição na Central de Notificação
Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO) local ou de referência (Diretriz-MS 2014)
(RIELLA, 2018)
DIAGNOSTICOS DE ENFERMAGEM
1. Desequilíbrio no volume de líquidos relacionado à falha renal aguda ou crônica: Pacientes dialíticos frequentemente
enfrentam desequilíbrios no volume de líquidos devido à incapacidade dos rins em regular a excreção de fluidos.

[Link] de desequilíbrio eletrolítico: As sessões de diálise podem causar desequilíbrios eletrolíticos, como hipercalemia ou
hipocalcemia, exigindo monitoramento cuidadoso e intervenção.

[Link] de infecção relacionado à inserção de cateteres ou acesso vascular: A presença de cateteres ou fistulas arteriovenosas
aumenta o risco de infecção, exigindo técnicas assépticas rigorosas e vigilância.

[Link]ância à atividade relacionada à fadiga e fraqueza: A doença renal crônica e o processo de diálise podem causar
fadiga e fraqueza, limitando a capacidade do paciente de realizar atividades diárias.

[Link] relacionado ao procedimento de diálise: Os pacientes dialíticos podem experimentar desconforto físico ou
emocional durante as sessões de diálise devido à natureza invasiva e prolongada do procedimento.
DIAGNOSTICOS DE ENFERMAGEM
6. Padrão respiratório ineficaz relacionado à sobrecarga de fluidos ou desequilíbrio eletrolítico: Alterações no equilíbrio de
fluidos e eletrólitos podem afetar a função pulmonar, levando a um padrão respiratório ineficaz.

7. Risco de lesão renal aguda relacionado ao uso de agentes contrastantes ou medicamentos nefrotóxicos: Pacientes dialíticos
podem ser mais suscetíveis a lesões renais agudas devido ao uso de agentes contrastantes ou medicamentos que são
excretados pelos rins.

[Link] relacionada à doença crônica e ao processo de diálise: O diagnóstico de doença renal crônica e a necessidade de
diálise podem causar ansiedade significativa nos pacientes, afetando seu bem-estar emocional.

[Link]íbrio nutricional: ingestão de nutrientes insuficiente relacionada a restrições dietéticas: A dieta restrita necessária
para pacientes dialíticos pode levar a um desequilíbrio nutricional, resultando em deficiências de vitaminas e minerais.

[Link] de queda relacionado à fraqueza muscular ou hipotensão ortostática: A fraqueza muscular e a hipotensão podem
aumentar o risco de quedas em pacientes dialíticos, especialmente durante ou após as sessões de diálise.
CENSO SBN 2022
 Total de unidades renais no país cadastradas na SBN e ativas com
programa crônico: 872
 Total de unidades ativas que responderam: 243 (27,9%)
 Total de pacientes nas 243 unidades que responderam: 42.868
 População brasileira em julho/2022: 214,82 milhões (IBGE)

(CENSO, SBN, 2022)


(CENSO, SBN, 2022)
(CENSO, SBN, 2022)
(CENSO, SBN, 2022)

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