LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS IDENTIDADE DOCENTE
3
INTRODUÇÃO
O portfólio de práticas pedagógicas será baseado na interpretação de textos e
na análise que abordam o tema central da formação da identidade docente.
Este portfólio é uma análise sobre práticas pedagógicas e a identidade
docente, seu objetivo é refletir sobre a importância da prática do professor e a
construção da identidade docente. Para isso, refletiu-se mediante uma situação
problema e análise de dois textos acadêmicos a importância dessa prática.
A situação problema traz algumas indagações sobre como o professor deve
atuar diante de uma diversidade crescente de alunos, oriundos de diferentes
contextos culturais e socioeconômicos: a conciliação entre a preservação dos
valores tradicionais e a necessidade de adaptação às demandas contemporâneas.
A busca por uma identidade docente autêntica, que respeite a diversidade
cultural dos alunos, integre tecnologias emergentes e promova práticas pedagógicas
inovadoras, torna-se um dilema para muitos educadores. A situação faz-se refletir
sobre como construir uma identidade que preserve a
Essência do papel do educador, ao mesmo tempo que abraça a evolução constante
do cenário educacional e refletir sobre este desafio para promover uma prática
docente que seja tanto enraizada em valores fundamentais quanto capaz de inspirar
e capacitar os estudantes para os desafios complexos do mundo contemporâneo.
4
1.1 ANÁLISE CRÍTICA (TEXTO I E TEXTO II)
No intuito de se refletir sobre a identidade docente será feita aqui uma análise
de dois artigos científicos que abordam a temática em questão. O primeiro texto de
Silva e Chakur (2009) “ A Tomada de Consciência da Crise de Identidade
Profissional em Professores do Ensino Fundamental” investigou professores do II
Ciclo do Ensino Fundamental (5ª a 8ª séries) de uma escola paulista sobre a
consciência de suas funções e responsabilidades como professores, como avaliam a
crise da profissão docente, descrita na bibliografia educacional, e se estão
conscientes dessa crise com seus determinantes.
O segundo texto analisado de Lomba e Filho (2022) “Os professores e sua
formação profissional: entrevista com António Nóvoa” trata-se de uma entrevista
realizada com António Nóvoa sobre a dificuldade da prática docente. Para António
Nóvoa, há muitas maneiras de ser professor, uma diversidade de opções e de
caminhos. Contudo, em todos eles, defende que é imprescindível compreender a
complexidade da profissão em todas as suas dimensões: teóricas, experienciais,
culturais, políticas, ideológicas e simbólicas. Trata-se de um conhecimento
profissional docente, um conhecimento contingente, coletivo e público.
Para Silva e Chakur (2009) o processo de formação da identidade pessoal
tem início na fase infantil, na medida em que a criança assimila traços e
características de pessoas e objetos externos valorizados. É um processo que
ocorre de acordo com a cultura e a categoria social do indivíduo. O desenvolvimento
do eu depende, em grande parte, das pessoas ou grupos de pessoas com os quais
nos identificamos, mas isto nunca ocorre em nível generalizável e a intensidade
desta identificação é variável.
As autoras entendem identidade profissional docente como um processo
contínuo, subjetivo, que obedece às trajetórias individuais e sociais, que tem como
possibilidade a construção/desconstrução/reconstrução, atribuindo sentido ao
trabalho e centrado na imagem e autoimagem social que se tem da profissão e
também legitimado a partir da relação de pertencimento a uma determinada
profissão, no caso, o Magistério.
Sabe- se que a formação da identidade profissional do professor sofre um processo
lento e se desenvolve por meio de apreciações e apropriações do mundo escolar, ou
5
seja, nas relações de convívio social e na prática docente. Nesse processo, o
professor provavelmente se depara com dificuldades, ambiguidades e confusões
quanto à própria imagem e papel.
Pode-se concluir que, assim como a bibliografia educacional vem afirmando,
os professores se encontram em uma crise profissional e também em uma crise de
identidade, mantendo estas uma relação estreita, com limites muito tênues entre os
aspectos que as caracterizam. Mas consideramos que nem sempre a crise de
identidade é percebida pelos professores em seus aspectos centrais e em seus
determinantes. Tal como encontrado por Piaget (1978) no âmbito da ação, a tomada
de consciência da crise da profissão e da identidade se processa em níveis distintos.
O nível que apareceu predominantemente foi o intermediário, um nível em
que os professores, na maioria das questões, apresentam respostas ambíguas e
confusas com relação aos elementos centrais e periféricos da consciência da
identidade profissional. Muitos professores não conseguem perceber o motivo
central pelo qual se sentem incomodados, ou que dificulta o próprio trabalho.
A análise desse segundo texto será realizada através do relato da entrevista
feita com António Nóvoa. António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa (Valença,
Portugal, 12 de dezembro de 1954) é professor Catedrático do Instituto de Educação
da Universidade de Lisboa. Foi Reitor da Universidade de Lisboa entre 2006 e 2013
e Embaixador de Portugal na UNESCO entre 2018 e 2021 e doutor em Ciências da
Educação.
A entrevista se iniciou com o questionamento à Nóvoa sobre o que considera
como valioso aprendizado do período no Magistério Primário. Nóvoa relata que
iniciou sua vida profissional como professor, com pouco mais de 20 anos de idade,
em escolas do magistério primário. “Sabemos, desde os estudos pioneiros de
Michael Huberman, que os primeiros anos de vida profissional docente são decisivos
no nosso percurso como professores. No meu caso, não consigo imaginar melhor
entrada”.
Para Nóvoa é urgente reforçar a capacidade de reflexão, de publicação e de
ação pública dos professores. Não se trata, apenas, de uma publicação ou
intervenção a título individual, mas da possibilidade de uma “voz colectiva” que dê
corpo à presença dos professores no espaço público, de inscrever os professores
6
como profissão nos debates e decisões sobre educação.
Indagado sobre o que mais deseja encontrar nas publicações que tem lido sobre
autoria e formação de professores, ele diz que é preciso completar estas duas
abordagens com um terceiro tipo de escrita e de publicação, a saber, textos escritos
por professores que, com base em vivências pessoais, produzam uma reflexão e
sistematização das suas experiências e iniciativas.
Sobre como avalia o desenvolvimento dessa experiência considerando as
diferentes realidades institucionais com as quais dialoga e o que considera como
caminho possível a ser percorrido pelas universidades e escolas, o professor relata
não há formação de professores sem uma ligação forte entre as escolas e as
universidades, tanto na formação inicial como no período da indução docente e na
formação continuada. Hoje, sabemos que não basta construir caminhos de
colaboração ou de parceria. Estes caminhos são importantes, por exemplo para a
qualidade da supervisão e dos estágios, mas não são suficientes. Precisamos, por
isso, construir uma nova “realidade institucional”, uma espécie de “casa.
O autoconhecimento faz parte do nosso conhecimento como pessoas e do
nosso conhecimento profissional.
Cada professor não está sozinho com os seus alunos, mas em situação colaborativa,
cooperativa. A dimensão coletiva e uma maior autonomia profissional dos
professores são processos diretamente relacionados com uma transformação do
ensino e da pedagogia, com novos modos de trabalho docente e de organização das
escolas.
Para Nóvoa os dispositivos digitais que temos ao nosso alcance são úteis,
ninguém os deve recusar. Mas, dizer que a educação vai passar a ser feita
unicamente a distância seria perder a dimensão da relação humana, do encontro
humano que é absolutamente necessário.
Por último, o professor foi questionado sobre em que medida essas novas
configurações da formação impactam os modos de fazer e contar a história da
profissão docente. Para ele nas últimas décadas, devido em parte à “massificação
da educação”, houve uma certa desvalorização dos professores, tanto no plano
simbólico e social como no plano salarial e profissional. Quando se fala dos
professores é quase sempre pela negativa: o que os professores não têm, o que os
professores não sabem, o mal-estar docente, o desprestígio da profissão, a crise dos
professores, a violência nas escolas, etc. Muitas vezes, nós próprios acentuamos
7
este discurso negativo, sem nos darmos conta dos prejuízos que causamos na
imagem e na vivência da profissão. É preciso utilizar palavras duras para criticar a
ausência de políticas públicas de valorização dos professores.
8
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Refletindo sobre a importância da prática do professor e a construção da
identidade docente, deixa -se aqui essa charge.
A charge mostra um questionamento sobre o papel do professor, a resposta
na charge é que na pior das hipóteses o professor faz toda a diferença. Isso porque
o professor vai muito além da sua função típica de transmitir conhecimento a
respeito da disciplina para a qual se especializou. O professor acumula diversos
papéis, que na realidade não deveria ser de sua competência, mas que nenhum
professor se nega a exercer. Por isso, é fato dizer que ele faz toda a diferença. Cabe
ao professor influenciar seu aluno, ele desperta o senso crítico, ele mostra a
realidade, consegue sanar dúvidas, dar conselhos, consegue inspirar e orientar seu
aluno a caminhar sozinho.
A busca por uma identidade docente autêntica, que respeite a diversidade
cultural dos alunos, integre tecnologias emergentes e promova práticas pedagógicas
inovadoras, torna-se um dilema para muitos educadores. Reflexão sobre este
desafio torna-se crucial para promover uma prática docente que seja tanto enraizada
em valores fundamentais quanto capaz de inspirar e capacitar os estudantes para os
desafios complexos do mundo contemporâneo.
9
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília,
2017. Disponível em: [Link] Acesso em: 21
de set. 2024.
DA SILVA, E. P.; CHAKUR, C. R. de S. L. A Tomada de Consciência da Crise de
Identidade Profissional em Professores do Ensino Fundamental 1. Schème:
Revista Eletrônica de Psicologia e Epistemologia Genéticas, 2009. Disponível em:
[Link]
pdf. Acesso em: 21 de set. 2024.
BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchi. Tradução: Carlos
Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
CHARLOT, Bernard. Da relação com o saber às práticas educativas. [livro
eletrônico] São Paulo: Cortez, 2014.
DESLANDES, Suely Ferreira; MINAYO, Maria Cecília de Souza. (org). Pesquisa
social: teoria, método e criatividade. 33. ed. Petrópolis: Vozes, 2013.