A história do Congo é marcada por uma mistura de grandezas antigas, colonização brutal e
uma longa luta por liberdade e estabilidade. O território onde hoje ficam a República
Democrática do Congo e a República do Congo foi, durante séculos, o lar de diversos
reinos africanos poderosos, sendo o mais famoso o Reino do Congo, que floresceu muito
antes da chegada dos europeus.
O Reino do Congo surgiu por volta do século XIV, ocupando parte do que hoje é o norte de
Angola, o oeste da República Democrática do Congo e o oeste da República do Congo. Era
uma civilização avançada, com uma organização política centralizada, agricultura
desenvolvida e um sistema de comércio ativo com outros povos africanos. O rei —
chamado Manicongo — governava várias províncias e mantinha relações diplomáticas com
seus vizinhos.
Em 1483, os portugueses chegaram à região, liderados pelo navegador Diogo Cão, e
estabeleceram contato com o Reino do Congo. Inicialmente, houve trocas pacíficas e até
uma tentativa de conversão ao cristianismo — o rei Nzinga a Nkuwu foi batizado e passou a
se chamar Dom João I. No entanto, com o passar do tempo, os europeus começaram a
explorar cada vez mais a região, especialmente por meio do tráfico de escravizados.
Durante os séculos XVI a XIX, milhões de africanos foram capturados e enviados para as
Américas como escravizados. O Reino do Congo e outros reinos próximos, como Ndongo
e Luba, acabaram enfraquecidos pela escravidão, pelas guerras internas e pela
manipulação europeia. Essa destruição abriu caminho para o início da colonização direta.
No final do século XIX, durante a chamada “Partilha da África” (quando as potências
europeias dividiram o continente entre si), o Congo foi entregue ao rei Leopoldo II da
Bélgica. Mas, em vez de ser uma colônia belga oficial, o país se tornou propriedade
pessoal do rei, conhecido como o “Estado Livre do Congo” (1885–1908). Esse período é
lembrado como um dos mais violentos e desumanos da história colonial.
Leopoldo II explorava intensamente os recursos naturais — especialmente borracha e
marfim — e impunha trabalho forçado à população local. Milhões de congoleses morreram
por causa da fome, doenças, torturas e execuções, e as atrocidades foram denunciadas no
mundo inteiro, levando à pressão internacional. Em 1908, o rei foi forçado a entregar o
território ao governo da Bélgica, que passou a administrá-lo como Colônia do Congo
Belga.
Durante o período colonial belga (1908–1960), o Congo teve algum desenvolvimento em
infraestrutura e educação, mas tudo era feito em benefício dos colonizadores. Os
congoleses continuaram sem direitos políticos e eram explorados economicamente. Isso
gerou um forte movimento nacionalista, que cresceu após a Segunda Guerra Mundial.
Em 30 de junho de 1960, o Congo Belga finalmente conquistou sua independência,
tornando-se a República Democrática do Congo. O primeiro-ministro Patrice Lumumba e o
presidente Joseph Kasavubu foram os principais líderes do novo governo. Porém, logo
após a independência, o país mergulhou em uma grave crise política, alimentada por
interesses estrangeiros nas riquezas minerais do Congo, especialmente o cobre, o ouro e o
urânio.
Lumumba foi deposto e assassinado em 1961, com apoio de potências estrangeiras, e o
general Joseph-Désiré Mobutu assumiu o poder em 1965, mudando seu nome para Mobutu
Sese Seko e rebatizando o país como Zaire. Ele governou por mais de 30 anos, de forma
ditatorial e corrupta, acumulando uma imensa fortuna pessoal enquanto o país mergulhava
na pobreza.
Mobutu foi derrubado em 1997 por Laurent-Désiré Kabila, que restaurou o nome República