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Princípios e Normas do Direito Eleitoral

O documento aborda a natureza do princípio constitucional relacionado à cláusula pétrea dos direitos eleitorais, destacando a competência legislativa da União sobre matéria eleitoral e a regulamentação por parte do TSE e do Presidente da República. Também discute a importância da democracia, os direitos políticos dos cidadãos, o processo de impeachment e suas fases, além de mencionar instrumentos de democracia direta no Brasil. A obrigatoriedade do voto e as características do sufrágio universal são enfatizadas como fundamentais para a participação cidadã.
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Princípios e Normas do Direito Eleitoral

O documento aborda a natureza do princípio constitucional relacionado à cláusula pétrea dos direitos eleitorais, destacando a competência legislativa da União sobre matéria eleitoral e a regulamentação por parte do TSE e do Presidente da República. Também discute a importância da democracia, os direitos políticos dos cidadãos, o processo de impeachment e suas fases, além de mencionar instrumentos de democracia direta no Brasil. A obrigatoriedade do voto e as características do sufrágio universal são enfatizadas como fundamentais para a participação cidadã.
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NATUREZA DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL: Cláusula pétrea- direito individual do cidadão

eleitor-STF-ADI 3.685 (2006).

Decisões do TSE que impliquem alteração da jurisprudência, no curso do processo eleitoral ou


logo após o seu encerramento, não tem incidência imediata em caso concreto (STF- R.E.
637.485 – REL. MINISTRO GILMAR MENDES).

Incidência da lei da ficha limpa somente a partir das eleições de 2012- ADC´s 29 e 30 e ADI
4,578, embora alcance fatos ocorridos antes da sua vigência (INELEGIBILIDADE NÃO É “PENA”,
MAS REQUISITO DE ELEGIBILIDADE).

Esse princípio se aplica exclusivamente á aquela lei, cujo objeto for a alteração do processo
eleitoral. A Lei eleitoral NÃO tem que obedecer ao princípio da anualidade. Existe o gênero: Lei
eleitoral e a espécie de lei eleitoral: lei que regulamenta e disciplina o processo eleitoral, nem
toda lei eleitoral regulamenta o processo eleitoral.

• Cláusula de vigência: "Teoria geral do direito" ART.16. A lei entra em vigor na data da sua
publicação. A data da publicação é o termo inicial para aplicação do princípio da anualidade da
Lei eleitoral.

•Aplicação da norma eleitoral: art.16. Não tem incidência quanto à eleição que ocorrer até um
ano da data da sua vigência.

O princípio da anualidade da lei eleitoral de acordo com o supremo tribunal federal, além de
ser uma cláusula pétrea vem a ter a natureza de direito individual do cidadão eleitor.

5. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA SOBRE MATÉRIA ELEITORAL:

 Competência privativa da união- art.22, inc. I, CF.

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial
e do trabalho;

 Atividade regulamentar

A regulamentação do direito eleitoral no atual regime que nós adotamos ela pode ser exercida
quer pela presidência da república, quer pelo TSE. O presidente da república com fundamento
no artigo 84, IV da CF.

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:

IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos
para sua fiel execução;
Por sua vez, o código eleitoral no seu artigo 1° e no artigo 23 inciso 9º diz que:

Art. 1º Este Código contém normas destinadas a assegurar a organização e o exercício de


direitos políticos precipuamente os de votar e ser votado.

Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral expedirá Instruções para sua fiel execução.

Art. 23 - Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior,

IX - expedir as instruções que julgar convenientes à execução deste Código;

- Aqui está em causa a atividade do poder regulamentar. Poder regulamentar não pode inovar
a ordem jurídica.

Art.30, XVII, Código eleitoral

Art.30. Compete, ainda, privativamente aos Tribunais Regionais:

XVII- Determinar, em caso de urgência, providências para execução da lei na respectiva


circunscrição;

-O TRE também pode veicular norma de direito eleitoral, em caráter excepcional.

 Restrição à edição de medida provisória: Art.62, §1°, a, CF.

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas
provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional.

§ 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria:

I - relativa a:

a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral;

-Além da medida provisória, também não pode ser utilizada para disciplinar direito eleitoral a
lei delegada. Art.68, §1°, II, CF

Art. 68. As leis delegadas serão elaboradas pelo Presidente da República, que deverá solicitar
a delegação ao Congresso Nacional.

§ 1º Não serão objeto de delegação os atos de competência exclusiva do Congresso Nacional,


os de competência privativa da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal, a matéria
reservada à lei complementar, nem a legislação sobre:

II - nacionalidade, cidadania, direitos individuais, políticos e eleitorais;

6. REGIMES DE GOVERNO: AUTOCRACIA E DEMOCRACIA


O regime de governo fixa o grau de participação do povo nos destinos de um estado.

AUTOCRACIA: Princípio do chefe- governo exercido por uma pessoa com poderes absolutos,
sem subordinação ao estado de direito.

DEMOCRACIA: Regra da maioria, com respeito aos direitos das minorias.

 Conceito de democracia: "É o regime do povo, pelo povo, para o povo."- Abraham
Lincoln.

“democracia não é baseada apenas no voto, mas na liberdade de consciência, de culto, de


religião e de trabalho”-Kelsen

Regime democrático é princípio constitucional sensível- Art. 34, INC. VII, Alínea “a”, CF- cuja a
inobservância permite pedido de intervenção e art.127, caput, CF que trata da defesa do
regime democrático

Art.34. A união não interverá nos Estados nem no distrito federal, exceto para:

VII- assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:

a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;

Art. 127. O Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do


Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses
sociais e individuais indisponíveis.

 Democracia semidireta- art.1°, P.U, CF- Convívio da deliberação direta com a


representação eleita.

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;

V - o pluralismo político.

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

 Cidadania para fins eleitorais- prerrogativa de exercício de direitos políticos:


a) DIREITOS POLÍTICOS ATIVOS: Direito de escolher governantes- direito de votar.

b) DIREITOS POLÍTICOS PASSIVOS: Direito de ser escolhido governante- direito de ser


votado.

-Os analfabetos podem votar, mas não podem ser votados. Art.14, §4°, CF.

Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto,
com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:

I - plebiscito;

II - referendo;

III - iniciativa popular.

§ 4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.

 Sufrágio universal e sufrágio restrito:

Sufrágio é o direito de participar das decisões do Estado. O voto é o principal instrumento de


sufrágio, mas não é o único. Sufrágio é gênero, voto é espécie de sufrágio.

- SUFRÁGIO UNIVERSAL: A maioria detém capacidade para votar, sem limitações decorrentes
de poder econômico, sexo ou convicção religiosa.

- SUFRÁGIO RESTRITO: Apenas alguns podem votar. Espécies de sufrágio restrito: Censitário
(vinculado á capacidade econômica do eleitor) e capacitário (grau de formação educacional).

-CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – TRATADO COM FORÇA
DE EMENDA CONSTITUCIONAL.

7. VOTO:

ESPÉCIE DE SUFRÁGIO.

NATUREZA: Instrumento de veiculação de deliberação.

CARACTERÍSTICAS DO VOTO:

 Universalidade (todos têm direito de votar e ser votado desde que atenda os
requisitos legais);
 Personalidade (não se vota por procuração precisa ser a pessoa);
 Obrigatoriedade (art.14,§1°, I, CF. “§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são: I -
obrigatórios para os maiores de dezoito anos”. - A obrigatoriedade do voto não é
cláusula pétrea);
 Sigilosidade (garantia de liberdade do eleitor, com inibição da intimidação e do
suborno- idealizado na Austrália);
 Igualdade (“one man, one vote”- todos são iguais perante a lei);
 Periodicidade (para permitir a alternância de mandatários- claúsula pétrea); e
 Liberdade.

8. IMPEACHMENT:

É o processo para imposição de impedimento do agente político para a continuidade do


mandato. De acordo com a constituição da República o impeachment vai ter incidência toda
vez que for praticado um crime de responsabilidade, infração política administrativa (ART.85,
CF), cujas sanções (autônomas) importam:

A) Vacância do cargo;
B) A desinvestidura do agente; e
C) Inabilitação para o exercício de funções públicas por determinado período.

TIPIFICAÇÃO DOS CRIMES:

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem
contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:

I - a existência da União;

II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos


Poderes constitucionais das unidades da Federação;

III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;

IV - a segurança interna do País;

V - a probidade na administração;

VI - a lei orçamentária;

VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de
processo e julgamento. (Lei 1079/1950)

Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos
Deputados, será ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas
infrações penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.
§ 1º O Presidente ficará suspenso de suas funções:

I - nas infrações penais comuns, se recebida a denúncia ou queixa-crime pelo Supremo


Tribunal Federal;

II - nos crimes de responsabilidade, após a instauração do processo pelo Senado Federal.

§ 2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento não estiver concluído, cessará
o afastamento do Presidente, sem prejuízo do regular prosseguimento do processo.

§ 3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória, nas infrações comuns, o Presidente da


República não estará sujeito a prisão.

§ 4º O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado


por atos estranhos ao exercício de suas funções.

-No tocante as 3 naturezas de infração política (vacância do cargo; desinvestidura do agente;


e inabilitação por exercício de funções públicas por determinado período): Estão reguladas na
Lei 1,079/1950- ART.14 a 18- Da denúncia

Art. 14. É permitido a qualquer cidadão denunciar o Presidente da República ou Ministro de


Estado, por crime de responsabilidade, perante a Câmara dos Deputados.

Art. 15. A denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer
motivo, deixado definitivamente o cargo.

Art. 16. A denúncia assinada pelo denunciante e com a firma reconhecida, deve ser
acompanhada dos documentos que a comprovem, ou da declaração de impossibilidade de
apresentá-los, com a indicação do local onde possam ser encontrados, nos crimes de que haja
prova testemunhal, a denúncia deverá conter o rol das testemunhas, em número de cinco no
mínimo.

Art. 17. No processo de crime de responsabilidade, servirá de escrivão um funcionário da


Secretaria da Câmara dos Deputados, ou do Senado, conforme se achar o mesmo em uma ou
outra casa do Congresso Nacional.

Art. 18. As testemunhas arroladas no processo deverão comparecer para prestar o seu
depoimento, e a Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado por ordem de quem serão
notificadas, tomará as providências legais que se tornarem necessárias legais que se tornarem
necessárias para compeli-las a obediência.

LEGITIMIDADE PARA A ACUSAÇÃO: Qualquer cidadão perante a câmara dos deputados (O


julgamento é presidido pelo presidente do STF, tramita pelo senado, mas quem preside é o
presidente do STF e não do senado. ART.24, parágrafo único da lei 1074/1950)
Art. 24. Recebido no Senado o decreto de acusação com o processo enviado pela Câmara dos
Deputados e apresentado o libelo pela comissão acusadora, remeterá o Presidente cópia de
tudo ao acusado, que, na mesma ocasião e nos termos dos parágrafos 2º e 3º do art. 23, será
notificado para comparecer em dia prefixado perante o Senado.

Parágrafo único. Ao Presidente do Supremo Tribunal Federal enviar-se-á o processo em


original, com a comunicação do dia designado para o julgamento.

-Se o Presidente da República ou o agente público renunciar o mandato isso impede a


continuidade do processo? Haveria perda de objeto por fatos provenientes?

R= Não. Ex: Fernando Collor, o fato de ele ter renunciado o mandato, não fez com que o
impeachment perdesse seu objeto.

FASES DO PROCESSO DE IMPEACHMENT:

 PRIMEIRA FASE: Admissibilidade da acusação e autoriza a instauração do processo-


câmara atua como tribunal de pronúncia.
 SEGUNDA FASE: novo juízo de admissibilidade e instauração do processo- senado atua
como tribunal de julgamento.

- SUSPENSÃO DAS FUNÇÕES DA PRESIDÊNCIA POR ATÉ 180 DIAS

- JULGAMENTO PRESIDIDO PELO PRESIDENTE DO STF

- CONDENAÇÃO DEPENDE DE 2/3 DOS VOTOS

- FORMALIZAÇÃO: RESOLUÇÃO DO SENADO

- RENÚNCIA NÃO IMPEDE A CONTINUIDADE DO PROCESSO

– NÃO HÁ PERDA DE OBJETO - A CONDENAÇÃO POR CRIME DE RESPONSABILIDADE NÃO


IMPEDE A CONDENAÇÃO POR CRIME COMUM

9. INSTRUMENTOS DA DEMOCRACIA DIRETA ADOTADOS NO BRASIL

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