Gestão de Talentos e Comprometimento
Gestão de Talentos e Comprometimento
Lisboa, 2020
" Existe algo muito mais escasso, fino e raro que o talento.
É o talento para reconhecer os talentosos.”.
Elbert Hubbard
III
Abstract
This work focuses on the analysis of Talent Management. The variables of creativity
were chosen; balance between personal life and work, proactivity, career
management and organizational commitment as influential factors.
In the current conjecture the market has to respond to all demands,
companies seek a way to stand out from the competition, Talent Management is a
strategic way to respond to this business need.
Talent stands out as a strategic and preponderant focus which makes Talent
Management a means to achieve objectives.
Currently the financial and technological resources are not enough to raise the
competition, making human capital the strategic core,
The organizational commitment refers to the employee's psychological bond
with the company and reveals the affective bond with the organizational entities.
The objective is to conquer a greater commitment to increase talent retention,
only possible for organizations that have at the center of their strategy the
valorization of human capital and consequently a greater implication for the
organization's success.
Talent management is basically a methodology that impacts on the creation of
proficiency and increases competitive advantages in relation to the market.
IV
Agradecimentos
É incrível como algumas das decisões que tomamos são difíceis e uma
dissertação de mestrado é uma dessas decisões. É como uma longa viagem que
incorpora caminhos sinuosos, mas que simultaneamente leva-nos aos melhores
locais. Neste caminho existem muitos trilhos com desafios, paisagens que espelham
incertezas imperceptíveis e alegrias aglutinadoras de motivação, é um processo
muito solitário que se destina a quem se aventura por este trajeto, e engloba
contributos essenciais de diferentes pessoas. Tenho a sorte de estar rodeada de
pessoas incríveis.
Em primeiro lugar agradeço ao Professor Doutor Álvaro Lopes Dias, do qual me
orgulho de ter como Orientador, que desde o primeiro dia se destacou pela sua
devota dedicação e profissionalismo, por ter acreditado em mim, por me ter
conduzido através de uma orientação exemplar, por me ter ensinado a procurar as
respostas, sempre disponível e com uma visão critica e adequada em todas as
etapas deste trabalho e que por fim me relembrou, para nunca mais esquecer!
“Quando não sabemos como fazer o melhor é sempre começar” Muito Obrigada
Sou grata à minha coorientadora Dra. Catia Moreira, por toda a disponibilidade,
por me encorajar nos momentos cruciais, e também pela leitura minuciosa e olhar
atento das várias versões da dissertação, que contribui para o seu aperfeiçoamento.
A todos os meus amigos que considero como família por todas as palavras de
amizade, energia e motivação, paciência por faltar a algumas saídas que agora têm
de ser recuperadas, tal como prometido. Tenho a sorte de vos ter e acreditem sem
vocês seria muito menos divertido.
Ao meu companheiro, amor e amigo quero honra-lo por todo o apoio, motivação
e compreensão nesta fase, obrigada por toda a preocupação e capacidade de
trabalhar para o nosso bem ao longo deste caminho, o teu especial carinho e esse
teu profundo abraço tornaram esta caminhada mais fácil e colorida.
Aos meus pais por todo o apoio incondicional, principalmente à minha mãe por
ser a minha fonte inspiradora, por acreditar que sou capaz, por me conquistar não só
através das suas palavras mas também do seu exemplo, sou uma sortuda por ser o
teu reflexo e por te ter como minha mãe, obrigada por tudo, és a melhor do mundo.
V
Índice
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 10
1.1 Temática .................................................................................................... 10
1.2 Descrição do problema ou questões de partida .................................... 11
1.3 Objetivos .................................................................................................... 12
1.4 Estrutura da Dissertação .......................................................................... 13
3 MÉTODO......................................................................................................................... 55
3.1 Procedimentos e desenho da investigação ............................................ 55
3.2 Amostra, população e participantes ....................................................... 56
3.3 Medidas e instrumentos de recolha de dados e variáveis .................... 57
3.4 Procedimentos de analise de dados ....................................................... 61
VI
4 ANALISE DOS DADOS OBTIDOS E DISCUSSÃO ............................................... 63
4.1 Estatística descritiva ................................................................................ 63
4.1.1 Fiabilidade das Escalas - Alfa de Cronbach .............................................. 63
4.1.2 Média, Desvio Padrão e Frequências ........................................................ 68
4.2 Teste das hipóteses .................................................................................. 78
5 CONCLUSÕES .............................................................................................................. 86
5.1 Discussão e implicações para a teoria ................................................... 86
5.2 Implicações para a gestão ....................................................................... 90
5.3 Limitações e Futuras investigações........................................................ 91
BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................... 93
VII
Lista de Figuras
VIII
Lista de Tabelas
IX
1 Introdução
1.1 Temática
O tema talento desperta uma enorme curiosidade e fascínio na maioria das pessoas,
atualmente a Gestão de Talentos é um dos temas mais abordados no mundo
organizacional. Embora para muitas empresas esta matéria não seja tratada com o
devido cuidado, ou apenas seja tida em consideração para algumas organizações
de grande dimensão.
Num ambiente cada vez mais dinâmico e um mundo cada vez mais
competitivo, onde existe facilidade na cópia de planos, produtos e estratégias, onde
se requer profissionais competentes, flexíveis e leais, a Gestão de Talentos é
transformada numa vantagem competitiva sustentável no tempo para as
organizações, sendo considerada uma fonte de inovação, agilidade e criatividade ao
nível do recurso mais valioso, o capital humano.
Gestão do talento deve ser tida como uma estratégia imprescindível para a
organização de modo a proporcionar o devido tratamento, planeamento e rigor para
os processos que promovem a sua maximização.
Se analisarmos, é a partir dos talentos que nascem os líderes, numa visão
generalista, são indivíduos que realizam determinada tarefa com elevados níveis de
eficiência e eficácia, distinguem-se da base mediana que os rodeia e normalmente,
têm um potencial de evolução associado.
Todas estas caraterísticas, ao nível profissional, contêm traços de
personalidade associados, aptidões inatas, competências e gostos adquiridos ao
longo de toda a sua experiência, são indivíduos detentores de excelência e com
potencial para alterar o futuro.
Devemos ter em consideração os mais variados níveis e diferentes graus de
potencial de talento que variam de individuo para individuo, esta responsabilidade
fica a cargo das organizações que devem melhorar e apoiar o seu desenvolvimento,
uma vez que a transformação das organizações é proporcional ao crescimento do
seu talento.
10
1.2 Descrição do problema ou questões de partida
11
1.3 Objetivos
Objetivos Gerais:
O objetivo geral passa por contribuir com um conjunto de pesquisas,
considerações, reflexões e ideias que auxiliem na compreensão da importância da
Gestão de Talentos e o impacto desta estratégia no comprometimento
organizacional.
Igualmente, analisar variáveis significativas da Gestão de Talentos e o seu
impacto na organização ao nível do comprometimento organizacional.
Objetivos específicos:
Este estudo pretende verificar a influencia adjacente às variáveis criatividade,
satisfação de carreira, proatividade e equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, da
Gestão de Talentos, considerando a influencia entre estes construtos e o seu
impacto ao nível do comprometimento organizacional.
Compreender a importância entre o talento individual e as organizações
talentosas.
Perceber o impacto da Gestão de Talentos na estratégia organizacional.
Entender de forma geral se a Gestão de Talentos tem impacto no
comprometimento organizacional.
Chegar à conclusão se o aumento do comprometimento organizacional está
assente em variáveis da Gestão de Talentos, como: criatividade, satisfação de
carreira, proatividade e equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho.
12
1.4 Estrutura da Dissertação
13
2 Revisão da literatura e modelo teórico
14
A fim de realçar algumas definições deste tema, o autor Maxwell (2005; Pp.
179 - 180) cita ‘‘about adjusting working patterns regardless of age, race or gender,
[so] everyone can find a rhythm to help them combine work with their other
responsibilities or aspirations’’, ou seja, a definição do equilíbrio entre o trabalho e a
vida traduz-se num ajustamento de padrões que não distingue idades, raças ou
géneros, para que todos consigam encontrar um balanço entre as suas
responsabilidades e os seus interesses.
Byrne (2005) define equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal como uma
medida de controle sobre quando, onde e com quem trabalhar. O indivíduo tem o
direito de ter um equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho remunerado, de se sentir
realizado e respeitado, como a norma para um compromisso benéfico mútuo entre o
negócio, indivíduo e sociedade.
Gurvis e Patterson (2005) indicam uma perspetiva diferente, procuram
esclarecer que o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal está muito para além do
tempo que é disponibilizado aos indivíduos para realizarem as suas prioridades,
sejam elas ao nível da carreira, amigos ou lazer, uma vez que a procura do equilíbrio
entre o trabalho e a vida pode tornar-se improdutiva, assim, baseiam-se que o
equilíbrio não é uma questão de tempo, mas sim, de conseguir alinhar os
comportamentos dos indivíduos aos seus valores.
Goméz (2003) descreve equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal como uma
relação saudável entre a vida profissional e pessoal, os indivíduos devem conseguir
atuar nestas duas dimensões de forma adequada e em simultâneo, sem quaisquer
privações que sejam resultantes da interferência de um sobre o outro. Este equilíbrio
é conseguido quando existe uma harmonia entre as duas esferas.
São vários os efeitos nocivos para as organizações, por não conseguir
potencializar de forma adequada esta variável, entre eles a diminuição do
compromisso organizacional, já que o individuo reconhece que pode prejudicar
vários níveis da sua vida (Andrade, 2015).
15
2.1.2 Proatividade
16
Frese, Fay, Hilburger, Leng e Tag (1997) analisam cinco pontos elementares
para o conceito de comportamento pró-ativo, sendo eles: 1) Consistência no
comportamento para atingir as metas mas, sempre ligados à missão e valores da
organização; 2) Foco no futuro, ao avaliar cada problemática, procuram soluções
para o imediato e a longo prazo, por forma a que a mesma situação não volte a
ocorrer; 3) Concentração no objetivo, consideram que este é o ponto inicial da ação,
e ao representar o que se pretende conquistar, todos os passos para alcançar esses
objetivos específicos são transformados em ações; 4) Persistência face aos
obstáculos, ao planear estratégias a longo prazo, irão surgir adversidades, assim é
necessário que os indivíduos sejam persistentes e objetivos; 5) Iniciativa e
proatividade, ao analisar o seu ambiente irão identificar oportunidades de mudança e
melhoria, este tipo de comportamento manifesta-se para além do que é requerido
formalmente.
2.1.3 Criatividade
17
As definições atuais de criatividade estão distantes de entrar em consonância
com um só conceito, no entanto, é geral o acordo em caracterizar a criatividade
como uma característica positiva do indivíduo.
Conforme Fayga Ostrower (1978) cita “criatividade é olhar as coisas nos
detalhes sob diferentes perspetivas, sem perder de vista o todo”. Encara a
criatividade como um potencial acessível a todos uma vez que, é próprio da
condição humana e associa ao termo um conjunto de características entre elas,
originalidade, talento, novidade, audácia, aquilo que nos faz ir ao encontro de novos
caminhos, que torna inédito, etc.
Em conjunto com a definição de Fayga, que defende a criatividade enquanto
qualidade humana que se pode desenvolver, juntam-se outros autores como José
Predebon (2005), que refere a “Criatividade não é um dom de poucos, mas uma
característica humana, que todas as pessoas podem desenvolver e aproveitar” e
também Silva (2002), indica que a criatividade é uma caraterística do individuo que
lhe possibilita a capacidade de procurar soluções para os desafios que ocorrem.
Na linha de pensamento de Mouchird e Lubart (2002), a criatividade é uma
potencialidade inserida em determinado contexto, pode ser definida como um
conjunto de capacidades que possibilitam a adaptabilidade e permitem novos
comportamentos em ambientes específicos.
De acordo com Amabile (1983) “A criatividade é a capacidade de realizar uma
produção que seja ao mesmo tempo nova e adaptada ao contexto na qual se
manifesta”, isto é, consiste na capacidade de criar uma solução e gerar ideias úteis e
de valor, para os desafios do quotidiano. Está relacionada com a originalidade e a
adequação de resposta, bem como a necessidade e a tarefa, considera que é uma
capacidade inata e que estimulada pode ser responsável por grandes e vantajosas
invenções e desta forma proporcionar vantagens competitivas às organizações.
A criatividade do empregado é definida como a criação de ideias úteis e
originais que potenciem valor e que gerem vantagem, direta ou indiretamente à
organização, quer seja num espaço temporal de curto ou longo prazo (Zhou e
Shalley, 2003).
18
2.1.4 Satisfação de Carreira
20
2.1.5 Comprometimento Organizacional
21
A conceptualização da abordagem comportamental está no modo como as
pessoas se limitam à organização e como os indivíduos agem sobre esta questão.
Na abordagem altitudinal, a essência encontra-se no modo como as pessoas
pensam em relação ao relacionamento entre elas próprias com o seu trabalho e com
a organização para a qual trabalham, com o foco de atingir os objetivos e ser
guiados pelos valores da empresa e a atitude que expressam para os atingir
(Mowday, Steers & Porter, 1979).
A abordagem altitudinal é defendida pelos autores Allen & Meyer (1990) que
referem a ligação psicológica do colaborador para com a empresa onde está inserido
e revelam vontade ou vínculo afetivo para com a organização. Inicialmente o
comprometimento organizacional é visto como um construto unidimensional, mas o
mesmo apresentou-se com caraterísticas de construto multidimensional, a partir
desta razão Meyer & Allen (1990) explicam o referido modelo das três componentes
do comprometimento organizacional: afetiva, calculativa e normativa.
Na visão de Medeiros e Enders (1997), o comprometimento organizacional é
um desejo que o colaborador tem de se manter membro da organização, referente à
aceitação intencional dos valores e objetivos da empresa e estar disposto a efetuar
esforços.
Mowday et al. (1979) conceitualizam que o comprometimento organizacional
expressa mais do que lealdade, manifestam que é a intenção do individuo dar algo
de si à organização e tem como objetivo a contribuição vantajosa para a empresa.
Afirmam que é caraterizado por três grandes fatores, compostos por: aceitação dos
objetivos e valores, realização de esforços benéficos para a empresa e um grande
desejo em permanecer na organização.
Comprometimento afetivo.
O comprometimento afetivo espelha uma ligação ou identificação emotiva com a
organização (Meyer & Allen, 1991).
Tanto a teoria das trocas sociais de Blau (1964)e a norma de reciprocidade de
Gouldner (1960) descrevem o desenvolvimento do comprometimento afetivo. Tendo
22
em conta estas teorias, as sociais envolvem um conjunto de interações que
estabelecem e criam obrigações mutuas (Cropanzano & Mitchell, 2005).
Estas trocas estão ligadas à reciprocidade de recursos de forma impessoal,
ou seja, a agregação de valor é independente da identidade que os fornece (Aselage
& Eisenberger, 2003).
Em contexto laboral o colaborador está inserido num conjunto de interações
que criam obrigações, tendo em conta recursos que supõe adquirir da empresa e o
valor que concede a estes recursos, o colaborado evidencia, em troca, uma atitude
de comprometimento mais ou menos acentuada.
O comprometimento afetivo pode ser caracterizado como uma forma de
resposta à experiencias agradáveis, obtidas no local de trabalho e que são
entendidas como uma regalia por parte da organização (Meyer, Irving & Allen, 1998).
O comportamento afetivo transforma-se numa forma de transação para o
colaborador (Eisenberg e Rhoades, 2002)
Comprometimento Normativo.
Este tipo de comprometimento que Meyer e Alllen (1991) descrevem, remete-nos
para um tipo de colaboradores que permanecem na organização de vido a um
sentimento de obrigação.
Wiener (1982) conceitualiza o comprometimento organizacional como um
somatório de pressões que formam um complexo conjunto de normas internas mo
individuo. Este mesmo autor afirma que a intensidade depositada nestas pressões
depende tanto da personalidade como das necessidades de cada um, que são
determinados pelo efeito conjunto dos fatores biológicos e sociais.
Em ambiente laboral as experiencias compreendidas pelo colaborador (como
positivas) podem ser percecionadas como uma oferenda por parte da organização,
podendo desta forma gerar um sentimento de obrigação no colaborador, tendo em
conta a reciprocidade, o que se traduz num comportamento normativo (Gouldner,
1960).
23
Comprometimento organizacional calculativo.
O comprometimento calculativo espelha uma necessidade de continuar na
organização, seja porque os colaboradores atribuem uma maior importância ao
salario e benefícios ou por uma questão de falta de alternativa (Meyer e Allen, 1991).
Esta perspetiva está ligada à teoria dos investimentos de Becker (1960),
descreve que o comprometimento cresce tendo em conta os ganhos e investimentos
que o individuo obtém ou que perde se esse comprometimento terminasse.
Meyer e Allen (1991) consideram que o comprometimento calculativo é influenciado,
por um lado, pelos investimentos e ganhos obtidos pelo indivíduos na organização e,
por outro lado, pelo entendimento por parte do colaborador de falta de alternativas
de emprego.
Nesta sequencia, vários autores como MC e Ford (1982), Meyer e Allen (1991)
e Sting e Hamber (2002), referem que o comportamento calculativo se divide em
duas dimensões, uma está diretamente ligada aos custos e benefícios que uma
possível saída poderia causar, por outras palavras, para estes indivíduos o fator
financeiro é o valor que os matem dentro da organização. A outra dimensão, reflete
a falta de alternativa, muitas das vezes está associada a indivíduos com uma baixa
qualificação profissional e académica, desta forma, os colaboradores ficam na
organização porque precisam e não porque querem (Meyer e Allen, 1991).
24
que é dado a talento, dentro de cada organização, existindo assim diferenças no
estilo das práticas para a Gestão de Talentos.
Por outras palavras, identificamos um padrão conceptual na definição da
Gestão de Talentos como um conjunto de práticas adquiridas pelas organizações de
modo a gerir o capital humano.
Ao efetuarem o levantamento do tema Gestão de Talentos, Lewis e Heckman
(2006) categorizaram o conceito em três vertentes: primeiro, práticas inerentes e
comuns aos Recursos Humanos; segundo, é uma ferramenta utilizada para
desenvolver, identificar e reconhecer talento (conceito talent pools) e terceiro
generalização da Gestão de Talentos como uma gestão genérica do talento, sem
considerar as fronteiras organizacionais ou qualquer tipo de posição especial, o foco
é atuar no desenvolvimento e diferenciação da performance.
Seguidamente a Lewis e Heckman (2006) na tentativa de definir Gestão de
Talentos encontra-se Iles, Chuai e Preece (2010) os quais referem que “A Gestão de
Talentos é a abordagem coletiva para recrutar, reter e desenvolver talentos dentro
da organização para seu benefício futuro.” (Iles et al, 2010, p.181)
Tarique e Schuler (2010) caracterizam Gestão de Talentos como um método
sistemático utilizado na gestão de pessoas, alinhado com as estratégias da
organização, para atrair e reter altos níveis de capital humano.
McClelland, Baldwin, Bronfenbrenner e Strodtbeck (1958), explicam os seus
pressupostos para talento, como um termo com duplo sentido, por um lado reflete
um comportamento, atitude ou capacidade que vai para além do esperado, por outro
pode ser a demonstração da sua performance de um modo talentoso.
Igualmente Freitag e Fischer (2013) efetuaram estudos que revelam
especificidades duplas, sendo elas inclusivas ou exclusivas. Dentro das inclusivas
considera-se que todos os indivíduos são detentores de talento, na exclusiva existe
uma segmentação de pessoas de acordo com a posição, performance e potencial
obtida dentro da organização.
Ao enquadrarmos a Gestão de Talentos no plano da gestão, verificamos que
a própria definição é diretamente influenciada pela estratégia e circunstâncias do
ambiente que rodeia cada organização (Ingham, 2006).
Outro ensinamento advém de Sturman, Trevor, Boureau & Gerhart (2003),
que referem a Gestão de Talentos como um sistema composto por práticas ao nível
25
da retenção, desenvolvimento e identificação de talentos, por forma ampliar a
performance dos indivíduos e a transforma-la numa vantagem competitiva para a
organização.
Ao lado de Sturman et al (2003) encontra-se Noe, Tews e Dachner (2010)
ambos consentem que a Gestão de Talentos é um conjunto de processos que
promovem o desenvolvimento, atração, retenção e motivação de indivíduos
altamente qualificados, por forma a maximizarem os resultados da organização.
Podemos afirmar que “A identificação de talento é a prática pela qual se inicia
o Sistema de Gestão de Talento”, desta forma as organizações devem definir o
conceito de talento, de modo a construir uma linguagem universal a toda a entidade,
para conduzir este sistema com sucesso (Ingham, 2006).
Contudo, a definição de talento é um termo que ainda se encontra impreciso e
pode conter ambiguidades que estão sujeitas às abordagens internas de cada
organização. O termo de talento é adotado em várias áreas e não existe uma única
definição.
Alguns estudos foram feitos neste âmbito, entre eles, um estudo efetuado por
Freitag e Fischer (2013) que possibilitou verificar os atributos que qualificam o
talento no campo da gestão, sendo eles: competência, capacidade, habilidade,
conhecimento, resultado, desenvolvimento, potencial e valores.
Do mesmo modo, um estudo na esfera da identificação do talento realizado
por McClelland et al. (1958) tendo como objetivo a análise dos determinantes da
performance talentosa, verificou que os quatro pilares são: (1) Condições
antecedentes (constituídas por valores, experiência, estrutura familiar, condição
económica); (2) Características pessoais (todos os componentes caracterizadores
da personalidade, estado emocional, valores e motivações); (3) Contexto (tem em
conta as habilidades, objetivos, estabilidade e condições laborais); (4) Resultados
esperados (ao qual fazem parte a eficiência no mundo laboral, a posição e status, as
notas no domínio escolar, sucesso na liderança, remuneração e relações
interpessoais).
A competência de cada indivíduo está diretamente associada ao grau maior
ou menor de dificuldade, do seu próprio sistema interno, utilizado para encontrar
soluções nas dificuldades ou impasses que surjam. Trata-se de um processo do
domínio individual e os critérios mentais utilizados são aprimorados ao longo da sua
26
vida, embora não sofram alterações por via da educação académica ou carreira
profissional (Rossum & Jacques, 2009).
Os indivíduos com elevado talento, procuram desenvolver e assimilar
conhecimento, ser criativos e manifestam verdadeiro empenho em instruir-se. Como
resultado, são pessoas assertivas, abertas a alterações e adaptam a sua conduta
consoante o entendimento obtido (Lombardo, 2000).
O talento é a fusão de todo um grupo de aptidões, conhecimentos e vivências
que, são precisas para a execução de uma dada atividade (Berger, 2004).
O talento é o produto da multiplicação entre os fatores da capacidade,
compromisso e colaboração (Ulrich, 2008).
De forma genérica, diz-se que o talento da pessoa é a adição de todas as
suas competências, ou seja, a totalidade das suas qualidades intrínsecas, as suas
vivências, o seu intelecto, a perícia no seu desenvolvimento, os seus valores, bem
como a sua conduta e mesmo a sua individualidade (Handfield, 2001).
Considera-se ainda que, o talento tem como base a relação existente entre o
potencial inato do individuo e as capacidades aprendidas e desenvolvidas (Gagné,
2007).
No domínio de certas esferas do conhecimento, as pessoas que detêm
elevadas competências, possuem uma maior vantagem para o desenvolvimento dos
elementos essenciais à sua execução (Martins, 2009).
O talento é ainda interpretado como sinónimo de uma execução, que se
destaca positivamente através da conduta, desempenho e comportamento
manifestado pelo individuo e nesse âmbito, poderá ser objeto de estudo (Pereira,
2000).
Uma empresa talentosa para além de incorporar sistemas dinâmicos para atrair,
reter e desenvolver talentos, estimula e planifica sistemas facilitadores que
proporcionam uma Gestão de Talentos devidamente alinhada e integrada com a
estratégia organizacional e os objetivos do negócio (Camara & Guerra & Rodrigues,
2010).
É necessário um sistema de recompensas e uma cultura organizacional
direcionada para o talento e uma liderança que proporcione o desenvolvimento dos
27
indivíduos de forma constante e impulsione de forma estimulante o alto
desempenho, em suma uma estrutura organizacional que permita o crescimento
permanente (Camara & Guerra & Rodrigues, 2010).
Um dos fatores fundamentais para a construção de uma empresa talentosa é
a cultura organizacional. Influencia diretamente o desempenho e a eficácia da
organização, tanto no aspeto moral, como na atração, motivação e retenção de
talentos.
As organizações talentosas devem desenvolver e manter uma cultura ímpar
que influencie a maneira de pensar, de sentir e dos indivíduos de comportarem
dentro das empresas. Tanto o ambiente como a competitividade do mundo dos
negócios modificaram-se e juntamente com ele a mentalidade dos indivíduos
trabalhadores (Madueke & Emerole, 2017).
Um estudo efetuado em três empresas por Madueke e Emerole (2017), com
uma amostra de 35 trabalhadores, tinha como critério analisar a relação entre a
cultura e o comprometimento.
Verificou-se que os colaboradores com um maior comprometimento pela
organização tiveram uma intensão mais baixa de abandonar a empresa, do que
aqueles que tinham um menor comprometimento (Madueke & Emerole, 2017).
Lamentavelmente, um considerável número de más lideranças, desconhecem
o impacto que a cultura organizacional pode gerar e para além disso não estão bem
informados sobre a forma de contruir e sustentar culturas eficazes e saudáveis. As
lideranças devem desenvolver conhecimentos consistentes em relação a culturas
fortes e de sucesso (Warrick, 2017).
Desta forma uma empresa talentosa desenvolve a sua cultura organizacional,
uma vez que tem uma influência direta no desempenho, na satisfação, na lealdade e
no comprometimento dos indivíduos para com a organização. Deste modo, exige às
suas lideranças que considerem este tema como uma das suas principais tarefas e
que consigam alinhar as estratégias da entidade em consonância com a tomada de
decisões, e transformar assim a organização num local saudável (Warrick, 2017).
Um estudo relevante neste campo, foi feito por John Kotter e James Heskett
(1992), que recolheram informação de empresas comparáveis, mas com diferentes
culturas, durante um período de 11 anos, verificaram que as organizações com
culturas consideradas saudáveis tiveram um aumento de 682% nas vendas, em
28
comparação a 166% em empresas cujas culturas não eram consideradas saudáveis
(Warrick, 2017).
Empresas talentosas com culturas organizacionais fortes têm mais
probabilidade de ter sucesso e maiores vantagens competitivas, já o negligenciar da
cultura organizacional, pode ter altos impactos negativos que revertem em custos
para as empresas (Warrick, 2017).
Numa empresa talentosa, o grau de exigência em atrair, reter e desenvolver o
capital humano aumenta. Neste tipo de organizações existem facilitadores que
estimulam um sistema dinâmico de Gestão de Talentos, como: a estratégia de
gestão do talento alinhada com a estratégia da organização; sistemas de
recompensas que proporcionem vantagens aos indivíduos; um bom clima
organizacional; uma cultura organizacional focada nos talentos; estilos de liderança
que potenciem o desenvolvimento; a estrutura organizacional e o desenvolvimento
permanente (Camara, Guerra & Rodrigues, 2010).
29
Um obstáculo verdadeiro à Gestão de Talentos são as rotinas
convencionadas dentro da própria filosofia organizacional.
Neste sentido, a solução será criar como que um painel de orientações e
padrões o qual é partilhado por todos e que se traduz numa formalização de conduta
notória, transversal a patamares hierárquicos da organização.
Deste modo, forma-se uma condição original, para terminar os impasses
produzidos pelos próprios indivíduos, numa entidade repleta de talento (Camara &
Guerra & Rodrigues, 2010).
30
estudo de diversos elementos que de alguma forma afetam a Gestão de Talentos e
qual a implicação dos mesmos, dentro das organizações.
Já Birdi et al. (2008) focalizou o fortalecimento do poder e autonomia dado
aos colaboradores.
Ao analisarmos Collins et. al. (2004), verificamos que elaborou um estudo
sobre mais de 300 organizações em que se debruçou sobre o efeito da sabedoria e
programas para catapultar o conhecimento dos líderes.
Meyers (2019) reconhece a Gestão de Talentos no mundo empresarial como
um dos principais fatores para o desempenho das organizações, mas verificou uma
lacuna ao nível do papel ativo dos funcionários.
O autor Meyers (2019) destaca que existem várias discussões ao nível da
Gestão de Talentos, as quais imputam responsabilidade à organização. No entanto,
o autor afirma que a implementação de uma Gestão de Talentos de um modo
descendente pode não ser suficientemente flexível e eficaz para acompanhar todas
as mudanças e desenvolvimentos impostos pelo mercado atual.
Refere ainda que devem ser exploradas novas formas na Gestão de Talentos
que permitam a responsabilidade dos seus funcionários e práticas que influenciem o
comportamento proativo, uma vez que a proatividade é uma das variáveis do
comportamento mais importantes para o sucesso organizacional.
Afirma que este tipo de gestão permite acompanhar a exigente dinâmica do
mercado, que exige a formação continua dos seus colaborados no que toca às
habilidades e conhecimentos. Possibilita também aos funcionários assumirem a
responsabilidade de identificar os seus objetivos ao nível do desenvolvimento
pessoal e das principais melhorias a ter, pode desta forma, servir como uma
alavanca de motivação para o aumento do desenvolvimento do indivíduo.
Em suma, os indivíduos talentosos sentem-se mais motivados e
comprometidos, pois dispõe de uma vantagem que permite um maior controle em
relação ao desenvolvimento da sua carreira, sentem uma maior liberdade de decisão
e isto possibilita que se concentrem em aumentar os seus pontos fortes (Meyers,
2019).
Toda a estratégia de uma dada organização deverá estar alinhada com a
visão sobre os negócios e os programas a implementar internamente. Nessa
31
sequencia, também a Gestão de Talentos deverá ter em linha de conta a visão,
objetivos e metas da entidade.
Uma vez que esta gestão irá influenciar diretamente os colaboradores, terá de
ser pensada com o propósito de levar a empresa a atingir o alvo definido.
Os gestores de talento dentro de uma organização são os profissionais de
Recursos Humanos e devem manter o clima organizacional em harmonia,
estimulando os colaboradores a desenvolverem o comprometimento, mesmo em
face das modificações internas e externas (Tafti, Mahmoudsalehi & Amiri, 2017).
Nesta sequência, um estudo efetuado por Kontoghiorghes (2016) visou a
construção de uma teoria para testar um novo modelo de atração e retenção de
talentos, através de métodos estratégicos de Gestão de Recursos Humanos e
desenvolvimento organizacional, a sua análise baseou-se em dados recolhidos de
duas grandes empresas de países e setores diferentes e focou-se no efeito causado
ao nível da cultura organizacional e da atitude dos colaboradores.
Os resultados esclarecem que a atração e retenção de talentos consegue ser
prevista pela cultura organizacional de alto desempenho. Este efeito foi mediado
pela atitude, satisfação, motivação e comprometimento dos colaboradores.
Ao analisar os fatos, neste estudo constata-se que a atração e retenção de
talento está altamente associada à cultura da organização, tendo em consideração
se a mesma apoia a criatividade, a integridade, se suas estratégias são orientadas
para as alterações e mudanças, o respeito sentido, a própria qualidade dos sistemas
e a acessibilidade às novas tecnologias, se a comunicação que é vivida na
organização é aberta, a gestão eficaz, os valores e a contribuição para o
crescimento ao nível profissional e pessoal do colaborador.
O estudo conclui que uma cultura organizacional estrategicamente
organizada, ética e alinhada com o alto desempenho, tem efeitos diretos na atração
e retenção de talentos, para além de contribuir para a motivação dos colaboradores
e o seu comprometimento para com a organização (Kontoghiorghes, 2016).
Por estas razões os Recursos Humanos têm de ser vistos como um parceiro
nas políticas internas, um impulsionador na sinergia com os colaboradores
especialmente em ambientes de mudança e em sintonia com os CEO’s, têm de
tomar uma ação mais determinada e multifacetada, procurar cada vez mais
envolver-se nas operações e procedimentos internos e estar a par e passo com as
32
operações e o negócio. Historicamente sabemos que o desenvolvimento
organizacional não depende exclusivamente do talento alocado a cada uma das
estruturas hierárquicas, mas sim da fluidez do talento, existente na entidade.
Em resumo, podemos dizer que não têm de existir apenas seniores ou
especialista em determinada tarefa, mas uma combinação de perfis que, por vezes
poderão acumular competências benéficas para a organização e também para o
próprio colaborador, numa possível mudança de função ou mesmo de organização,
que é cada vez mais usual (Tafti, Mahmoudsalehi & Amiri, 2017).
No passado, os indivíduos encaravam a estabilidade no contexto profissional
como uma certeza, onde existia a ideia predominante de ter um trabalho para a vida
toda, este é chamado o contexto tradicional de trabalho. A carreira era vista de um
modo ascendente, ou seja, era necessário conseguir chegar ao cimo da pirâmide e
obter um lugar de destaque, tendo como benefícios ativos tangíveis.
Recentemente, todas as alterações originam envolventes de trabalho mais
dinâmicas e organizações mais flexíveis. A própria responsabilidade que era
imputada às organizações no que toca à gestão de carreiras, tem sido substituída
pela consciência do próprio indivíduo de encontrar alternativas que satisfaçam um
conjunto de necessidades, que originam as carreiras proteanas (Câmara, Guerra &
Rodrigues, 2016, Pp. 419 - 425).
Com base no efeito das carreiras proteanas na retenção do talento, os
autores Redondo, Sparrow e Hernández (2019) analisam esta temática e
caracterizam-na com particular importância uma vez que, as carreiras proteanas
podem ser descritas como um desafio para as organizações que pretendam reter os
seus talentos.
Redondo et. al (2019) efetuaram um estudo baseado numa amostra de 306
profissionais considerados talentos, entre 17 multinacionais de diferentes países.
Conseguiu analisar dois pontos, o primeiro tem relação direta entre as carreiras
proteanas e a intenção de abandonar a organização e o segundo ponto trata da
relação indireta onde se verificam as variáveis do comprometimento organizacional e
a satisfação no local de trabalho.
Ao verificar as descobertas do estudo, nota-se que os indivíduos proteanos
revelam tanto uma maior satisfação no trabalho como um maior comprometimento
33
organizacional e de forma oposta ao esperado e também não é apurada qualquer
intensão de abandonar a organização.
Analisa-se adicionalmente neste estudo o impacto causado pelas carreiras
proteanas na satisfação do trabalho através do comprometimento organizacional e
também o impacto verificado no comprometimento organizacional que diminui a
intenção de desistir, que ocorre por meio da satisfação do trabalho.
A analise efetuada sugere algumas maneiras de reter funcionários através de
políticas de recursos humanos, que são baseadas em aumentar o
comprometimento, estimular a satisfação no trabalho e providenciar uma gestão de
carreiras que possibilite oportunidades tanto a nível vertical como horizontal,
promovendo uma autogestão da carreira. Estas estratégias ajudam a impedir que os
indivíduos com talentos desistam da organização e possibilita a realização das suas
conquistas pessoais.
As conclusões deste estudo mostram que manter indivíduos estilo proteano
dentro da organização fornece resultados múltiplos e mútuos, tanto para os
funcionários como para as organizações e que devemos evitar estereotipar os
funcionários com base nas suas orientações ao nível da carreira, uma vez que os
indivíduos com carreiras proteanas não representam um risco para as empresas no
que toca aos temas compromisso e rotatividade (Redondo, Sparrow & Hernández,
2019).
A Gestão de Talentos não é sinónimo de um regime político como a
democracia em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente. Nem se trata
de uma área de estudo nova, uma vez que, tanto a Economia Clássica como a
Neoclássica já se dedicavam à temática da especialização e divisão do trabalho.
Os Recursos Humanos das organizações necessitam de se focar nos
indivíduos que mostram um maior talento e capacidades (Tafti, Mahmoudsalehi &
Amiri, 2017).
Assim, os Recursos Humanos deverão analisar os recursos que possuem
entre mãos e avaliar se essas aptidões terão como efeito um aumento exponencial
na criação de valor da empresa e consequentemente uma maior probabilidade de
esta ser lucrativo. Um individuo ao mostrar aptidões e habilidades não é sinónimo de
que saberá executar facilmente determinada tarefa, com a agilidade que se
pretende.
34
De acordo com o estudo efetuado, o processo de desenvolver o potencial de
um indivíduo que deu mostras do seu talento, pode demorar até uma dezena de
anos, terá de receber indicações, serem-lhe atribuídas funções e é necessário um
tempo para o progressivo amadurecimento individual, até que as suas competências
se encontrem devidamente otimizadas e capazes para o exercício das funções
específicas que se pretendem (Bussi & McMurrer, 2006).
As organizações que têm um compromisso com a Gestão de Talentos, devem
procurar, modelar e usar o talento de acordo com o potencial de cada individuo.
Também ao longo do tempo é importante desenvolver compromissos e criar
oportunidades de desenvolvimento desse mesmo talento. Não menos importantes
são as possibilidades de ascensão e respetivas compensações pelo desempenho. O
conjunto de todas estas atividades desenvolvidas pelos Recursos Humanos
resultarão numa maior celeridade e prontidão dos colaboradores.
Um dos grandes objetivos da Gestão de Talentos é precisamente alocar a
pessoa certa a determinada função. A escolha do indivíduo correto para
determinada função é a mais acertada e eficiente para a entidade porque, o
desenvolvimento de competências em determinado colaborador, não se trata de
uma tarefa com resultados exatos por que existe sempre a variável dos atributos de
personalidade.
É importante a organização confiar no talento pois essa confiança traduz-se
em agilidade e prontidão. A confiança origina maior eficiência pela certeza de estar a
empregar da melhor forma os recursos disponíveis, no intuito de conseguir os
melhores resultados.
Encontramo-nos na era da tecnologia e existem excelentes softwares de
Recursos Humanos para ajuda prática em cálculo, medições, base de dados e
mesmo na previsão de elementos de incerteza. No entanto, a decisão humana
baseia-se em sabedoria e conhecimento pelo que é sensato confiar primariamente
no talento das nossas organizações (Tafti, Mahmoudsalehi & Amiri, 2017).
35
2.2 Estado da arte
37
Hoje já não é tão importante focar na experiência e nas habilitações
académicas, mas sim, verificar se a pessoa tem valores e competências sociais e de
trabalho em equipa. É cada vez mais procurada, uma atitude proativa, a capacidade
de resolver problemas rapidamente e também versatilidade para lidar com as novas
experiências ou momentos menos bons (Spain, 2016).
As organizações têm de ser capazes de reinventar as suas práticas de
Gestão de Talentos de forma sustentável, por esta razão uma nova geração de
profissionais de Recursos Humanos está a desenvolver novas estruturas de gestão,
como é o caso do design thinking, metodologia agile, economia comportamental,
entre outros tipos de análise (Renkema, Meijerink & Bondarouk, 2017).
O paradigma da arquitetura de gestão de Recursos Humanos não retira
necessariamente todas as práticas do passado, desde que estas ainda agreguem
valor para a organização. O autor Claus (2019) faz uma analogia do copo meio vazio
e meio cheio e deu como exemplo as práticas tradicionais de Recursos Humanos,
que se centram apenas em atividades de carater administrativo e operacional, neste
caso estamos diante do copo meio vazio. No entanto, ao focarmos a Gestão de
Talentos que possibilita a otimização, planeamento e potencialização a fim de
conseguir corresponder às necessidades competitivas do capital humano das
organizações, estamos diante o copo meio cheio.
Todo o contexto organizacional está constantemente em alteração e a uma
velocidade drástica, é crucial redesenhar a Gestão de Talentos e repensar na
proposta de valor dos Recursos Humanos, para encher novamente o copo, focar no
funcionário, concentrarmo-nos na experiência do cliente colaborador e encontrar o
ponto de equilíbrio nas práticas da Gestão de Talentos que são positivas tanto para
a organização como para o colaborador (Marinovic & Povel, 2017).
Um conjunto de novas soluções de Gestão de Talentos estão a ser criadas ao
nível da economia social do trabalho, como o imposto para robôs para diminuir os
efeitos da robotização, a possibilidade de uma renda social garantida de forma a
diminuir a desigualdade e até novos modelos de aprendizagem na educação (Claus,
2019).
A Gestão de Talentos será uma mistura de marketing, Recursos Humanos e
negociação. A função desta profissão será fornecer orientação e munir os indivíduos
de ferramentas que lhes proporcionem a potencialização das suas capacidades e se
38
consciencializarem da responsabilidade pelo seu próprio desenvolvimento. A
personalização das práticas de Gestão de Talentos vai tornar-se usual e podem vir
até a ser definidas pelos próprios colaboradores.
No futuro teremos cada vez menos limites, uma vez que a Gestão de Talentos
converge para a globalização e diversidade do mercado de trabalho. Um dos
aspetos a salientar serão os valores pelos quais se rege cada organização pelo que,
se deverá continuar a dar enfase à partilha dos mesmos (Thunnissen & Gallardo,
2017).
Com todas as alterações demográficas, os interesses económicos, o aumento
da mobilidade, a evolução da diversidade da força de trabalho, todo um conjunto de
alterações transformacionais correspondentes ao ambiente dos negócios, verifica-se
que facilita usar a expressão “Indústria 4.0” uma vez que esta trata e abarca com ela
uma explosão dos avanços da tecnologia, robótica, realidade aumentada, internet
das coisas, Big Data, entre outras. Forma-se a receita perfeita para uma tempestade
na gestão estratégica de Recursos Humanos e reconhece-se a inevitabilidade
organizacional de alavancar o capital humano, desenvolvendo as suas
competências, habilidades e conhecimentos (Karacay, 2018).
Karacay (2018) fornece uma visão aprofundada sobre os impactos da
mudança causada pela “Indústria 4.0”, simultaneamente considera que as práticas
de Gestão de Talentos precisam de evoluir para possibilitar que os indivíduos e as
organizações acompanhem o ritmo frenético do mundo tecnológico, estas devem ser
mais dinâmicas, incluir sistemas de pensamentos e reconhecer que a Gestão de
Talentos está inter-relacionada com diversas atividades organizacionais.
Prevê-se que a celeridade a que a Quarta Revolução Industrial (Indústria 4.0)
nos impõe hoje, irá exigir no futuro uma maior adaptação a toda a dinâmica de
transformação e alterações por meio das tecnologias digitais (Walsh, 2017).
Na perspetiva da gestão estratégica, é crucial que o desempenho seja
sustentável, elevado e constante sendo que, estes atributos apenas são possíveis
com o comprometimento dos colaboradores (Vural & Vardarlier & Aykir, 2016).
O que se tenciona na Gestão de Talentos é que cada colaborador esteja a
desempenhar as funções mais adequadas às suas capacidades e talento.
39
Adicionalmente pretende-se que na empresa existam possibilidades
desafiantes e estimulantes para o crescimento e comprometimento do colaborador
(Nobarieidishe, Chamanifard & Nikpour, 2016).
No que respeita à importância do talento podem ser apresentadas duas
perspetivas, a individual e a organizacional, sendo a primeira requer o conhecimento
individual do indivíduo, ou seja, qual a sua posição atual na organização e saber
determinar onde pretende estar no futuro, uma vez que, o plano de carreira é a
forma utilizada pelos indivíduos para concretizar os seus objetivos da vida
profissional. A segunda perspetiva, é suportada pelo fato das organizações terem as
pessoas com as habilidades certas nos lugares certos, de forma a proporcionarem
uma maior e melhor eficiência, o que possibilita a maximização dos resultados no
desempenho dos indivíduos no trabalho (Vural, Vardarlier & Aykir, 2016).
O comprometimento organizacional é um fator importante para os indivíduos
uma vez que, influencia diretamente o ambiente de trabalho e a produtividade. Um
estudo realizado indica que existe correlação entre o comprometimento
organizacional e as perceções temporais que envolvem o comprometimento afetivo
o que influencia diretamente a vinculação à organização (Souza, Barbosa,
Guimarães & Paiva, 2019).
Os gestores necessitam de estar alerta e possibilitar a melhoria continua do
talento dos colaboradores, transformá-los em ativos da mudança, qualificá-los e
proporcionar-lhes satisfação no trabalho por forma a incentivar o comprometimento.
Quando a Gestão de Talentos é realizada de forma continua e positiva, beneficia a
eficiência, cria oportunidades para a criação e valor, aumenta a competitividade e
diminui a perda de tempo (Vural, Vardarlier & Aykir, 2016).
Para estudarmos a ligação existente entre o comprometimento organizacional
do ponto de vista emocional e a execução laboral, no estudo de Sungu , Weng e Xu
(2019), os autores verificaram que no caso dos gestores de topo o comprometimento
organizacional emocional é mais evidente. Consideraram ainda ser significativo o
papel do líder e a sua capacidade de influenciar diretamente e de forma proativa, o
desempenho dos colaboradores.
Quando não existe essa mesma liderança, o efeito sobre os colaboradores
traduz-se num menor comprometimento para com a empresa.
40
Presentemente existe um combate intenso ao nível empresarial, mas a
tecnologia e os recursos financeiros não são suficientes para elevar a competição a
outro patamar, são necessárias as pessoas e por esta razão os Recursos Humanos
tornam-se o foco mais importante. A finalidade é competir através das pessoas,
assim a Gestão de Talentos é o meio para atingir este mesmo objetivo (Vural,
Vardarlier & Aykir, 2016).
Os autores Vural et al (2016) caracterizam o comprometimento organizacional
como sendo a crença do individuo, no que concerne aos objetivos e valores da
organização, bem como o esforço por atingir os objetivos definidos e o desejo de
permanecer como membro da empresa.
Neste sentido, as organizações estão cada vez mais cientes do poder do
comprometimento, daí o mundo organizacional estar cada vez mais atento a que os
benefícios dos colaboradores não passem apenas pelo aumento dos salários, mas
por benefícios como o aumento de oportunidades e recompensas (Bayram, 2005
cited by Vural et al, 2016).
A Gestão de Talentos não é somente a seleção de talentos, é necessário geri-
los de forma eficaz e eficiente, de forma a potencializar a motivação e o
comprometimento, de modo a maximizar o desempenho e agregar valor. O
comprometimento organizacional expressa-se nos funcionários que se identificam
com a empresa e pretendem permanecer na mesma. A consciencialização do
impacto do comprometimento está a alterar as funções de Recursos Humanos e a
aumentar a sua influência junto da tomada de decisão (Vural et al, 2016).
A cada dia que passa o perfil do trabalhador altera de forma constante, o equilíbrio
entre a vida pessoal e o trabalho é um fator cada vez mais importante na escolha do
indivíduo.
41
O equilíbrio e a harmonia dentro ou fora do trabalho têm uma elevada
importância para o desenvolvimento e produtividade profissional. Schirrmeister e
França (2003) afirmam que o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal é o
conjunto de todas as escolhas referentes ao contexto, familiar, pessoal e
organizacional, que interferem e influenciam as condições da vida no trabalho.
Conforme descrito por Chiavenato (2004), o equilíbrio entre a vida pessoal e o
trabalho envolve um conjunto de elementos, como o reconhecimento, ambiente,
autonomia, remuneração e benefícios. Todo o contexto afeta não só a produtividade
e a motivação, mas também a criatividade, a inovação, a suportabilidade às
mudanças e o comprometimento para com a organização. Procura-se assim que a
autonomia obtida por parte dos colaborados em função do controle do seu tempo,
proporcione a otimização dos processos de trabalho e permita priorizar o equilíbrio
entre o trabalho e a vida pessoal.
A importância da compreensão sobre a qualidade de vida no trabalho, tem vindo a
crescer na última década, e passa por um conjunto de metodologias que se
destinam a uma produtividade saudável, maior motivação, desenvolvimento e bem-
estar pessoal e organizacional, consequentemente, o autor Pinto (2015) definiu
equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal como um conjunto de ações realizadas
pela organização que abrange o diagnóstico, plano e implementação de melhorias
contínuas, dentro e fora do plano laboral, a fim de proporcionar condições
vantajosas ao colaborador, durante e após a realização do trabalho.
O tema é cada vez mais debatido dentro das organizações e aquelas que adotam
este tipo de programas acabam por atrair, selecionar e reter os melhores
profissionais. Estes tipos de programas apresentam repercussões positivas e
mensuráveis, a respeito do comprometimento e motivação dos colaboradores.
Lamentavelmente, o grau de importância desta matéria ainda não foi
totalmente assimilado pelas organizações, mas, cada vez mais ganha voz dentro
das empresas.
O comprometimento organizacional é compreendido por Medeiros (2003),
Bastos (2005) Pinho (2015) e Rowe (2015) pelo empenho e o envolvimento que o
colaborador nutre pela organização e pode verificar-se de várias formas, entre as
quais a identificação do colaborador para com os objetivos, missão e valores da
empresa, permanência do indivíduo na organização, etc.
42
O equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e o comprometimento
organizacional, executam um papel muito importante conforme indica Moraes
(1995), Marques (1995) e Kilimnik (1995) os quais referem que, as empresas que
adotam medidas para estas temáticas, são aquelas que para além de se esforçar em
melhorar a sua produtividade, qualidade, comprometimento e competitividade,
também se dedicam em aumentar a satisfação dos trabalhadores.
Desta forma, podemos colocar a nossa primeira hipótese:
H1: Existe uma relação significativa sobre o equilíbrio entre a vida pessoal e o
trabalho, e o comprometimento organizacional.
As empresas têm dado cada vez mais importância à criatividade, a razão deve-se à
necessidade de criar novos produtos, antecipar estratégias, inovar, criar novas
formas de reter e recrutar os melhores profissionais, de um modo geral melhorar a
qualidade dos seus produtos e serviços para conseguirem sobreviver no mundo
empresarial (Alencar e Fleith, 2003).
O equilíbrio entre a vida profissional e o trabalho, pode ajudar a desenvolver a
criatividade ou inibi-la. Ponti e Ferráz (2006) afirma que a inovação depende tanto
da capacidade e atitude criativa de cada um dos indivíduos e respetivas equipas,
como dos incentivos oferecidos por parte da organização em promover benefícios
que agreguem uma maior qualidade de vida.
Nesta mesma linha de pensamento Alencar (1997) diz que uma organização
criativa, necessita de possuir capacidade de adaptação, flexibilidade, respeitar a
dignidade e o valor das pessoas e possibilitar autonomia ao seu capital humano.
A criatividade requer um conjunto de interações ao nível das ideias, pessoas
e ambiente (Gupta, 2007) e é consequência da interação e envolvimento de pessoas
criativas com outras pessoas (Csikszentmihalyi & Sawyer, 2014).
Portanto, para se desenvolver a criatividade é conveniente que os indivíduos
participem em domínios diversificados, os quais possibilitem a interação com outros
indivíduos com crenças e pontos de vista divergentes, é também crucial o contacto
43
efetuado em âmbitos e campos de vida diferentes para propiciar o desenvolvimento
da criatividade (Perry-Smith & Shalley, 2003).
Desta forma, podemos insinuar que para existir criatividade, é necessário que
os indivíduos experienciem o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
Para apoiar esta afirmação, foi realizado um estudo por (Fletcher & Bailyn,
2005) que demonstra uma correlação positiva entre o equilíbrio da vida pessoal e o
trabalho e similarmente com a capacidade de inovação, outro estudo realizado por
James (2014) afirma que ter mais tempo e predisposição para a família, contribui
para uma facilidade na aprendizagem e inovação. Apesar de que nenhum destes
estudos fala diretamente em criatividade, os mesmo falam de inovação que está
diretamente ligada a criatividade.
A consonância de sinergias em múltiplos domínios, possibilita a criação de um
efeito benéfico na criatividade, uma vez que possibilita uma variedade cognitiva que
promove a criatividade (Isen, 1999).
Reter experiências fora do campo profissional, beneficia a criatividade (Jaussi,
Randel, & Dionne, 2007) e tal como já referido, a sinergia de múltiplos campos tem
como resultado a criatividade (Gupta, 2007).
Deste modo expomos a segunda hipótese:
H2: A satisfação com o equilíbrio trabalho-vida estará positivamente
relacionada com a criatividade.
44
Os autores Bateman e Crant (1993) revelam que uma personalidade proativa
está profundamente ligada a uma atitude de influência para com o ambiente.
O comportamento proativo está ligado à capacidade de superar desafios
provocados por forças externas e situacionais, através da capacidade de provocar
mudanças positivas que beneficiem o ambiente (Thomas, Whitman, & Viswesvaran,
2010).
Proatividade refere-se a um comportamento ou ação antecipada que irá
corresponder a uma situação futura, ao invés de meramente reagir, significa fazer
acontecer, mais do que simplesmente esperar ou assistir, trata-se não só de como
responder à mudança, mas de iniciar a mudança (Parker, Bindl, & Strauss, 2010).
O equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal representa a autonomia e o
controle por parte dos indivíduos, onde e quando trabalhar, este equilíbrio é
conseguido quando a empresa consente e respeita o direito à vida plena dos
indivíduos, seja dentro ou fora do ambiente laboral.
Esta aceitabilidade, produz efeitos positivos tanto para o colaborador como
para a organização e sociedade em geral.
A organização tem a responsabilidade de criar estratégias para que o
trabalhado seja realizado de forma agradável, diminuir o stress e melhorar a
flexibilidade, uma vez este tipo de métodos promove a melhoria da saúde e bem-
estar, estes dois aspetos estão conectados diretamente com a proatividade. Em
suma, maior flexibilidade e melhor saúde e bem-estar possibilitam uma maior
participação por parte do trabalhador em múltiplas atividades (Stepansky & França,
2008).
Estudos recentes afirmam uma elevada correlação entre comportamento
proativo e criação de novos procedimentos de trabalho, tendo como base
organizações com um ambiente de trabalho positivo e incentivador (Ghitulescu,
2018).
A proatividade pode ser medida através da frequência e introdução de novos
produtos, serviços, processos ou até pelo próprio posicionamento no mercado, uma
vez que a proatividade reflete-se na capacidade de criar e numa época em que a
prioridade é o crescimento rápido da economia, é fundamental lembrar a importância
do desenvolvimento de conteúdos que promovam o equilíbrio entre o trabalho e a
vida pessoal.
45
As empresas devem ter em conta, que não é o tempo que o trabalhador está
na organização que o leva a produzir mais, mas pelo contrário, uma maior
flexibilidade e um melhor ambiente organizacional leva a que o trabalhador
demonstre atitudes e comportamentos que podem gerar uma maior produtividade.
Alguns estudos, como por exemplo Parker, Collins e Grant (2010) apoiam que
o afeto positivo dentro da organização influência a proatividade dos indivíduos.
Múltiplos estudos, confirmam que atividades que possibilitem uma maior
flexibilidade de funções estimulam comportamentos proativos, refletidos por
sugestões de ideias e soluções de novos desafios.
Um estudo da Work Foudations indicou que o trabalho é essencial para o
bem-estar, nomeadamente quando os colaboradores possuem o controle sobre a
sua função, indicou ainda que o apoio das equipas em relação ao equilíbrio do
tempo de trabalho e a vida pessoal é mais importante do que uma redução de horas
no trabalho, o que indica que a solidariedade para com as equipas não deve ser
apenas em contexto de trabalho, mas também em contexto individual, familiar e
social (Joo & Bennett, 2018).
Empresas que realizam programas de equilíbrio entre a vida profissional e
pessoal obtêm resultados ampliados tanto ao nível do seu processo produtivo, como
de novas ideias e iniciativas (Stepansky & França, 2008).
Assim apresentamos a terceira hipótese:
H3: A satisfação com o equilíbrio trabalho-vida estará positivamente
relacionada com a proatividade.
O interesse pelo equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal despertou quando foram
realizados os estudos de Eltons Mayo na Western Electric, imprescindíveis para a
análise do comportamento humano, ao nível da motivação, metas e qualidade de
vida dos trabalhadores, destes estudos resultou a Escola das Relações Humanas,
seguidamente Maslow efetuou o seu contributo com a hierarquia das necessidades,
tal como Herzberg ao incluir os fatores higiénicos e motivadores (Vasconcelos,
2001).
46
A saúde, segurança e satisfação começou a ter um maior impacto e os
estudos nesta área começaram a surgir. Embora na literatura existam inúmeras
definições para equilíbrio entre o trabalho e a vida, existe um aspeto em comum
entre elas, que sugere destaque para o bem-estar dos indivíduos seja em condições
de trabalho ou em aspetos relativos à vida pessoal (Saklani, 2004).
Tendo como exemplo Albuquerque e França (1998) o equilíbrio entre o
trabalho e a vida reflete um conjunto de ações executadas por parte da organização,
que envolvem uma planificação e implementação de melhoramentos, que se
refletem dentro e fora do ambiente organizacional, com a intenção de proporcionar
meios para o desenvolvimento humano.
Todavia, Pereira e Bernhardt (2004), indicam que o bem-estar é alcançado
através de um conjunto de valores que é partilhado por todos os indivíduos da
organização, estes valores são como um guia de referência para as relações na
organização, que beneficiam tanto a empresa como os colaboradores.
A satisfação de carreira é uma das áreas mais estudadas, Greenberg e Baron
(1993) identificam este campo como uma reação cognitiva e individual que avalia o
percurso laboral, também Locke (1976) interpreta, considerando os valores
individuais de cada um, como uma resposta afetiva em relação à avaliação do
trabalho, tendo em conta a perceção dos vários fatores do trabalho.
A satisfação de carreira tem sido limitada às práticas exercidas no decorrer da
vida laboral, existindo a separação da vida pessoal e familiar.
Se considerarmos a satisfação de carreira, como um interesse vital em
relação às experiências correspondentes às necessidades dos indivíduos, esta
traduz-se num indicador chave para a qualidade de vida o trabalho.
A qualidade de vida no trabalho tem um impacto significativo em relação aos
comportamentos organizacionais, particularmente, na identificação para com a
organização, a satisfação com o trabalho, o empenho, esforço e desempenho das
atividades (Huang, Lawler & Lei, 2007).
Baixos níveis de qualidade de vida no trabalho podem traduzir-se em
consequências no bem-estar, produtividade e eficiência, deste modo, tanto os
indivíduos como a organização ficam prejudicados. Por esta razão, cada vez mais as
empresas destacam interesse pelo equilíbrio entre o trabalho e a família, isto
acontece porque vários profissionais sentem satisfação em relação a práticas
47
organizacionais de balanço entre trabalho e família, mesmo que a remuneração não
seja tão elevada (Oliveira, 2009).
Torna-se necessário considerar a satisfação de carreira numa perspetiva mais
ampla, deve ser examinada não apenas a situação profissional, como também a vida
pessoal e familiar e os valores de cada um (Honda-Howard & Homma, 2001).
Indicamos desta forma a quarta hipótese:
H4: A presença do equilíbrio entre o trabalho e a vida correlaciona-se
positivamente com a satisfação de carreira.
48
afirma que criatividade é um processo que possibilita a criação de um novo produto,
que seja visto como, útil e satisfatório para um determinado número de indivíduos,
esclarece que o despertar da criatividade, abrange não só o estímulo individual, mas
também envolve o estímulo e a afetação do ambiente em redor, ou seja, a influência
das normas de uma sociedade ou o comportamento de uma dada cultura
organizacional podem condicionar ou ampliar a criatividade do indivíduo.
Entretanto, no círculo científico do comprometimento organizacional, Mayer e
Allen (1997) declaram que se trata de um tema complexo e que não existe um
consenso na sua definição, Bastos (1998) acompanha esta linha de pensamento, e
constata a diversidade de definições, mas menciona que comprometimento
pressupõe um sentido de pertença e envolvimento do indivíduo para com as várias
dimensões do ambiente laboral.
O comprometimento é assumido por Lahiry (1994) e McNeese-Smith (1996)
como um nível do vínculo psicológico. Na mesma linha de pensamento, Meyer e
Allen (1997) acrescentam que este vínculo implica diretamente com o fator de o
colaborador permanecer ou não na organização.
A criatividade é conceitualizada por Ostrower (2012) como um potencial
intrínseco ao ser humano e revela-se numa necessidade para o sentimento de
realização, uma vez que criar e viver estão diretamente relacionados.
O desenvolvimento humano é um processo dinâmico que inclui a personalidade,
por esta razão, a criatividade está diretamente ligada às características psicológicas
e às fases evolutivas do individuo (Cruz & Castro, 2015). Criar alguma coisa, é
resultado do comprometimento efetivo que se obteve de uma experiência, neste
processo de criatividade os sistemas cognitivos são muito importantes, mas só
funcionam se existir uma abertura mental, a criatividade depende assim da emoção
e da oportunidade (Sakamoto, 2007).
Kneller (1999), afirma que a criatividade tem um peso relevante no
desenvolvimento e criação do comprometimento dos colaboradores. O autor indica
que os indivíduos precisam de estar despertos, envolvidos e dedicados no seu
trabalho e alerta que as organizações devem ser criadoras de inteligência e
satisfazer a curiosidade dos colaboradores, permitir a flexibilidade e possibilitar a
originalidade. No estudo realizado por este autor, para permitir um melhor
entendimento entre estas duas variáveis, identificou-se que num modelo comum de
49
empresa, em que o poder institucional tem maior dimensão e força, a criatividade
tem uma menor relevância.
Este fato decorre porque os métodos e procedimentos de trabalho estão
formalmente convencionados e não são passíveis de grandes transformações. No
entanto e como indivíduos, subsiste a necessidade do colaborador sentir esta
variável da criatividade como fazendo parte da sua pessoa, que almeja desenvolver
por si própria, coexiste assim em paralelo com o orgulho de pertença e
comprometimento à entidade empresarial da qual faz parte (Junior & Albuquerque,
2002).
Num meio envolvente que incentiva e permite o comportamento criativo, o
grau de comprometimento organizacional aumenta, para além de que existe um
maior reconhecimento do desempenho dos colaboradores (Fonseca & Bastos,
2003).
Assim podemos colocar a nossa quinta hipótese:
H5: Existe uma correlação positiva entre a criatividade e o comprometimento
organizacional.
51
O autor descreve que as atitudes proativas impulsionam os princípios
inerentes a cada indivíduo, ou seja, os seus valores. Ao propiciar uma conduta
recetiva à transformação, terá como resultado o desequilíbrio do “status quo” que
poderá originar um confronto. Por outro lado, caso opte por fugir de qualquer
alteração, a situação existente mantém-se.
Da mesma forma que a proatividade nos faz desafiar o “status quo” por
intermedio de um conjunto de elementos inerentes ao comportamento proativo,
também a criatividade resulta de uma complexa combinação de fatores pessoais,
sociais e culturas, capaz de proporcionar o fenómeno criativo (Bedani, 2012).
A proatividade é revista num modelo de pessoa capaz de alterar o ambiente,
conforme sugerido por Bateman e Crant (1993), são indivíduos que não se deixam
limitar por influencias externas, são capazes de antecipar desafios e propor
soluções, persistentes na concretização de objetivos, procuram envolver-se com o
mundo e desenvolver práticas que potencializem o seu crescimento seja a nível
pessoal como da carreira, esta linha de pensamento vai de encontro aos autores
Martins e Terblanche (2003) os quais interpretam que a ocorrência da criatividade
surge por meio de valores como o da proatividade.
Os indivíduos proativos consideram as mudanças como uma oportunidade, as
menos proativas tendem a cumprir apenas o estabelecido (Grant & Ashford, 2008).
As constantes mudanças que se fazem sentir no ambiente organizacional e
até na própria sociedade, implicam que sejam os próprios indivíduos a conseguir se
motivar a eles próprios e autogerir-se. Consequentemente os perfis com
características que revelam vontade, disposição e iniciativa pela mudança, acabam
por se destacar dos outros e trazem um maior valor competitivo tanto para os
colaboradores como para as empresas, uma vez que agem de forma ativa e ajudam
a ter comportamentos que antecipam o esperado (Fuller & Marler, 2009),
paralelamente, McLean (2005) afirma reconhecer a cultura de valores na expressão
da criatividade e destaca o impacto que ocorre nas organizações por meios de
indivíduos que contém características de iniciativa e que consequentemente
provocam mudanças.
Hakanen, Perhoniemi e Tanner (2008) sustentam a ligação entre a
criatividade e a proatividade, indicam que os indivíduos com maior abertura por parte
da organização têm uma maior probabilidade de realizar avanços que trazem
52
melhorias para as organizações. Defendem que os colaboradores que se sintam
positivamente motivados e comprometidos com o trabalho, exibem comportamentos
de iniciativa na organização.
Bunce e West (1995) também se inspiram nesta linha de pensamento e
expressam que os comportamentos de proatividade são necessários e de elevada
importância, pois estão diretamente relacionados com o desenvolvimento de novas
ideias, com os resultados positivos que levam sucesso e melhoria do desempenho
nas organizações.
Igualmente Mumford e Gustafson (1988), reconhecem que comportamentos
proativos que produzam ideias criativas podem provocar na organização pequenas
mudanças ou por outro lado drásticas transformações.
Por fim colocamos a sétima hipótese:
H7: Existe uma correlação positiva entre a proatividade e a criatividade.
53
2.4 Modelo de investigação
54
3 Método
55
Este estudo teve como base a investigação da medida do comprometimento
organizacional de Heneman & Schwab (1985); da satisfação de carreira de
Hofmans, Dries & Pepermans (2008); Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal de
Dex e Bond (2005); Criatividade de Amabile, Conti, Coon, Lazenby e Herron (1996)
e Proatividade de Bateman e Crant (1993).
A recolha de dados efetuadas através de uma estatística descritiva
quantitativa por questionário, permite verificar a aceitabilidade ou não das hipóteses,
a recolha de dados é o exemplo clássico dos estudos na área quantitativa (Popper,
1972).
Este método é frequente e procura analisar a relação entre as variáveis, ou
seja, descobrir as características de determinado fenômeno (Richardson, 1989). Os
dados foram recolhidos num período entre novembro de 2019 e janeiro de 2020.
Hyman (1967) manifesta que a técnica mais divulgada para se efetuar um estudo
desta categoria é o questionário.
56
Esta amostra é constituída por 233 indivíduos, 190 do sexo feminino e 43 do
sexo masculino, com idades compreendidas entre os 21 e os 60 anos, dentro destas
0,43% constitui idades inferiores a 21 anos; 18,45% idades entre 21 a 29 anos dos
respondentes 38 são femininas e 5 masculinas; 33,05% entre os 30 e 39 anos,
sendo 60 femininas e 17 masculinos; 33,48% dos 40 a 49 anos com 62 mulheres e
16 homens; 12,88% dos 50 aos 59 anos com um número de respondentes femininos
de 25 e 5 masculinos, por fim com 1,72% indivíduos com idade igual ou superior a
60 anos, deste existem 4 indivíduos do género feminino.
O presente estudo obteve um valor superior respostas em jovens adultos
entre os 30 e 49 anos.
Dos indivíduos da amostra 42,49% são casados, 10,73% estão divorciados,
45,92% onde incide o maior número são solteiros e apenas 0,86% são viúvos.
Quanto ao nível de escolaridade, 0,43% possui o doutoramento, 1,72% o
ensino básico, 27,90% indica ter o ensino secundário, com 45,92% temos a
percentagem mais elevada com licenciatura e aproximadamente 24,03% refere ter o
Mestrado.
Na antiguidade da empresa verifica-se que 21,03% estão nas organizações
há menos de um ano, 30,04% encontram-se nas empresas há mais de dez anos,
20,60% estão no seu local de trabalho entre 1 a 3 anos, com 15,88% indivíduos com
antiguidade entre 3 a 6 anos e por fim 12,45% dos participantes encontram-se nas
organizações entre os 6 e os 10 anos.
57
Após a definição do problema, da escolha das hipóteses, a identificação das
variáveis e escolhida a amostra, segundo Almeida, Freire e Black (1999) o nível
seguinte é a recolha de dados, passa por saber “quais” os dados que vão ser
recolhidos e “como” vão ser recolhidos, a qualidade cientifica dos resultados
depende deste ponto, que é fundamental.
O estudo foi quantitativo e a escolha do instrumento para recolher os dados
foi o questionário constituído por duas partes, sendo a primeira reservada a
elementos referentes aos próprios respondentes, como a idade, género, antiguidade
na empresa, escolaridade. A segunda parte é determinada a perguntas relativas às
variáveis.
Este questionário é consequência de uma revisão bibliográfica minuciosa,
numa junção e adaptação de escalas, provenientes de várias obras e o mesmo foi
desenvolvido para analisar e avaliar as hipóteses da pesquisa.
Numa primeira fase foi realizado um pré teste com 15 respondentes de forma
a validar o entendimento das questões, uma vez que, foram traduzidas para
português. Após o pré-teste, o questionário foi aplicado a 233 indivíduos em idade
ativa e tinham como critério estar a trabalhar. Os dados foram recolhidos entre
novembro de 2019 e janeiro de 2020.
As medidas selecionadas foram obtidas com base na literatura anterior. Para
a variável proatividade foi escolhida uma escala de Bateman e Crant (1993) foram
utilizados 17 itens, medidos em uma escala de cindo pontos de discordância ou
acordo. Este levantamento foi feito utilizando uma escala tipo Liker e foi usado como
grau de concordância em cada resposta: 1) Discordo totalmente; 2) Discordo
parcialmente; 3) Não concordo nem discordo / Não se aplica; 4) Concordo
parcialmente e 5) Concordo totalmente.
O itens da escala são: 1) Estou constantemente à procura de novas normas
de melhorar a minha vida; 2) Sinto-me motivado a fazer a diferença na minha
comunidade e talvez no mundo; 3) Tenho tendência a deixar outros tomar a iniciativa
no começo de novos projetos; 4) Onde quer que eu estive fui sempre uma força
poderosa de mudança construtiva; 5) Eu gosto de enfrentar e ultrapassar obstáculos
às minhas ideias; 6) Nada é mais entusiasmante do que ver as minhas ideias
tornarem-se realidade; 7) Se eu vejo algo que não gosto, eu altero-o; 8)
Independentemente dos desafios, se eu acredito em algo, eu faço acontecer; 9) Eu
58
adoro defender as minhas ideias, mesmo contra a oposição de outras pessoas; 10)
Eu sou exímio a identificar oportunidades; 11) Eu estou sempre a procura de melhor
forma de fazer as coisas; 12) Seu eu acredito numa ideia, nenhum obstáculo vai
impedir-me de torna-la realidade; 13) Eu adoro desafiar o status quo; 14) Quando eu
tenho um problema, eu enfrento-o de forma frontal; 15) Sou bom a tornar problemas
em oportunidades; 16) Eu consigo identificar uma oportunidade muito antes dos
outros, e como ultimo, 17) Se vejo alguém com algum problema, ajudo-o de todas as
formas que conseguir.
A variável criatividade foi medida pelas escalas de Amabile, Conti, Coon,
Lazenby e Herron (1996), retirado de um jornal de gestão com o tema a avaliar, o
ambiente de trabalho para a criatividade. Esta escala consiste em 10 itens, sendo
eles: 1) As pessoas são encorajadas a resolver os problemas de forma criativa nesta
organização; 2) O meu supervisor serve como um bom exemplo; 3) Existe
comunicação aberta e livre dentro do meu grupo de trabalho; 4) Geralmente eu
tenho as ferramentas necessárias para desempenhar o meu trabalho; 5) O trabalho
eu faço atualmente é desafiante; 6) Eu tenho liberdade para decidir como vou
desenvolver os meus projetos; 7) Existem demasiados problemas políticos nesta
organização; 8) Eu tenho demasiado trabalho para fazer em muito pouco tempo; 9)
A minha área da organização é inovadora, e 10) A minha área da organização é
eficaz.
Para a variável equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal, foi utilizada uma
escala realizada por Dex e Bond (2005), consistiu em dez itens, dos quais indico: 1)
Neste momento, porque o trabalho assim o exige, eu trabalho muitas horas; 2) Não
tenho muito tempo para socializar/relaxar com o meu parceiro(a)/ver a minha família
durante a semana; 3) Eu tenho que levar trabalho para casa na maior parte dos dias;
4) Eu frequentemente trabalho até tarde ou aos fins de semana para conseguir
trabalhar sem interrupções; 5) É difícil relaxar e esquecer-me de problemas
relacionados com trabalho; 6) Eu preocupo-me com o efeito que o stress do trabalho
tem na minha saúde; 7) A minha relação com o meu parceiro(a) é afetada pela
pressão ou com as longas horas do meu trabalho; 8) A minha família sente a minha
ausência porque não os vejo o suficiente ou porque estou demasiado cansado; 9)
Encontrar tempo para hobbies, atividades de lazer ou manter relações pessoais ou
59
familiares é difícil; 10) Eu gostaria de reduzir a quantidade de horas de trabalho e de
níveis de stress, mas sinto que não tenho controle sobre a situação.
A medida utilizada para analisar a variável satisfação de carreira foi adaptada
de Hofmans, Dries e Pepermans (2008) os itens da amostra são cinco: 1) Eu estou
satisfeito com o sucesso que atingi na minha carreira; 2) Eu estou satisfeito com o
progresso que fiz em direção às metas por mim definidas na minha carreira; 3) Eu
estou satisfeito com o progresso que fiz em direção às metas por mim definidas a
nível salarial; 4) Eu estou satisfeito com o progresso que fiz em direção às metas por
mim definidas a nível de evolução profissional, e por ultimo, 5) Eu estou satisfeito
com o progresso que fiz em direção às metas por mim definidas a nível de
desenvolvimento de conhecimento/capacidades.
Para a variável dependente, comprometimento, foram escolhidos os autores
Heneman e Schwab (1985), com um conjunto mais extenso de 15 itens, dos quais:
1) Eu estou disposto a esforçar-me para além do que é normalmente esperado de
forma a ajudar a organização a ser bem sucedida; 2) Eu referencio esta organização
aos meus amigos como uma ótima organização para se trabalhar; 3) Eu sinto muito
pouca lealdade para com esta organização; 4) Eu aceitaria quase qualquer tipo de
função por forma a continuar a trabalhar nesta organização; 5) Eu acho que os meus
valores e os da organização são muito semelhantes; 6) Eu sinto-me orgulhoso ao
dizer que faço parte desta organização; 7) Eu trabalharia numa organização
diferente desde que o tipo de função fosse semelhante; 8) Esta organização faz
sobressair o melhor em mim relativamente à produtividade; 9) Bastariam pequenas
mudanças nas minhas atuais circunstâncias para que eu saísse da organização; 10)
Eu estou extremamente contente por ter escolhido esta organização em detrimento
de outras que eu estava a considerar na altura que entrei; 11) Não existe muito a
ganhar ao ficar nesta organização definitivamente; 12) Muitas vezes tenho
dificuldades em concordar com as politicas da organização em assuntos importantes
para os seus colaboradores; 13) Eu preocupo-me mesmo com o futuro desta
organização; 14) Para mim esta é a melhor organização de todas para trabalhar, e
por fim, 15) Decidir trabalhar para esta empresa foi um erro da minha parte.
Este estudo teve como objetivo entender como funcionava na prática o
modelo conceptual elaborado, especialmente, perceber as principais variáveis, que
60
foram escolhidas, da Gestão de Talentos que aumentam o comprometimento
organizacional e quais os aspetos fundamentais sobre esta matéria.
A importância da proatividade, a dinâmica e o impacto da criatividade, a
relevância e benefícios obtidos a partir do equilíbrio entre o trabalho e a vida
pessoal, a satisfação de carreira na vida do indivíduo, qual a influencia que estes
temas têm no comprometimento organizacional e qual o impacto que a junção
destes indicadores têm nas organizações.
61
Para criar o questionário foi utilizada a ferramenta Google Docs, este
processo ocorreu on-line, através de uma amostragem não probabilística pela
metodologia “snowball” de amostragem linear, onde possibilita cada um dos
indivíduos sugerir outro participante, o que promove o crescimento da amostra e a
possibilidade e chegar a uma amostra de difícil acesso.
Quando a amostra se encontrou concluída, todas as respostas foram
extraídas para uma folha de calculo.
Seguidamente, os dados foram analisados através do programa software
estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS), o qual é um programa
muito utilizado em estatística e possibilita a um investigador comum a efetuar a sua
análise estatística assim como a sua gestão e documentação de dados. Conforme
afirmado por Pereira (2008), o SPSS permite analisar cálculos estatísticos com uma
alta complexidade e recolher os resultados em poucos instantes.
Nesta análise indicamos, o desvio padrão, a fiabilidade das escalas, são
descritas as medias e foram determinados os coeficientes Alfa de Cronbach.
62
4 Analise dos dados obtidos e discussão
Variavel Dimensões l
WLbal1 0,815
Equilíbrio entre o
WLbal3 0,791
trabalho e a vida 0,822
WLbal4 0,910
pessoal
WLbal5 0,699
63
Tabela 2 - Variável Comprometimento
Variavel Dimensões l
Comp1 0,630
Comp10 0,785
Comp13 0,724
Comp14 0,805
comprometimento 0,907
Comp2 0,868
Comp5 0,779
Comp6 0,853
Comp8 0,772
64
Tabela 3 - Criatividade
Variavel Dimensões l
Criat1 0,784
Criat10 0,766
Criat2 0,775
Criat3 0,812
criatividade 0,908
Criat4 0,708
Criat5 0,799
Criat6 0,824
Criat9 0,769
65
Tabela 4 - Variável Proatividade
Variavel Dimensões l
Proat11 0,719
Proat12 0,779
Proat13 0,717
proatividade 0,863 Proat14 0,750
Proat15 0,763
Proat7 0,644
Proat8 0,802
66
Tabela 5 - Satisfação na Carreira
Variavel Dimensões l
Sat_carr1 0,873
Sat_carr2 0,930
Satisfação na
0,912 Sat_carr3 0,818
carreira
Sat_carr4 0,919
Sat_carr5 0,748
67
4.1.2 Média, Desvio Padrão e Frequências
68
Figura 3 - Histograma da Variável Proatividade
69
Tabela 7 - Variável Criatividade
70
Figura 4 - Histograma da Variável Criatividade
71
Tabela 8 - Variável Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal
72
Figura 5 - Histograma da Variável Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal
73
Tabela 9 - Variável Satisfação de Carreira
74
Figura 6 - Histograma da Variável Satisfação de Carreira
75
Tabela 10 - Variável Comprometimento
76
Figura 7 - Histograma da Variável Comprometimento
77
4.2 Teste das hipóteses
Comprometimento
Comp1 Comp10 Comp13 Comp14 Comp2 Comp5 Comp6 Comp8
0,630 0,785 0,724 0,805 0,868 0,779 0,853 0,772
Criatividade
Criat1 Criat10 Criat2 Criat3 Criat4 Criat5 Criat6 Criat9
0,784 0,766 0,775 0,812 0,708 0,799 0,824 0,769
Proatividade
Proat11 Proat12 Proat13 Proat14 Proat15 Proat7 Proat8
0,719 0,779 0,717 0,750 0,763 0,644 0,802
Satisfação na carreira
Sat_carr1Sat_carr2 Sat_carr3 Sat_carr4 Sat_carr5
0,873 0,930 0,818 0,919 0,748
78
A fiabilidade da consistência interna foi confirmada pois, para todos os construtos os
valores de Alfa e fiabilidade composta (FC) do Cronbach, encontrados no tabela 12,
excedem o valor de 0,8 (Hair et al., 2017).
79
Para esta metodologia é necessário que a raiz quadrada VEM de um
construto/dimensão (apresentada na diagonal com valores a negrito na tabela 14)
seja maior do que a sua maior correlação com qualquer outro construto/dimensão
(Fornell & Larcker, 1981).
Verifica-se que este critério é cumprido em todos os construtos /dimensões no
quadro que segue abaixo.
Equilíbrio entre o
Comprometimento Satisfação de
Construtos trabalho e a vida Criatividade Proatividade
Organizacional carreira
pessoal
80
Tabela 15 - Relação Heterotraxo-Monotraxo
Equilíbrio entre o
Comprometimento Satisfação
Construtos trabalho e a vida Criatividade Proatividade
Organizacional de carreira
pessoal
Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal
Comprometimento Organizacional 0,202
Criatividade 0,213 0,84
Proatividade 0,186 0,32 0,461
Satisfação de carreira 0,248 0,513 0,597 0,515
81
Tabela 16 - Valores FIV (Fator de inflação variável)
Factor de inflação
itnes
variável (FIV)
Comp1 1,58
Comp10 2,092
Comp13 1,933
Comp14 2,314
Comp2 3,177
Comp5 2,188
Comp6 2,974
Comp8 2,038
Criat1 2,314
Criat10 2,218
Criat2 2,45
Criat3 2,592
Criat4 1,735
Criat5 2,244
Criat6 2,447
Criat9 2,278
Proat11 1,729
Proat12 1,961
Proat13 1,606
Proat14 1,887
Proat15 1,901
Proat7 1,54
Proat8 2,184
Sat_carr1 3,265
Sat_carr2 4,618
Sat_carr3 2,155
Sat_carr4 4,153
Sat_carr5 2,004
WLbal1 1,84
WLbal3 2,086
WLbal4 2,729
WLbal5 1,444
82
Foi calculado o coeficiente de determinação R2 para as quatro variáveis endógenas,
nestes valores quanto maior é o R², mais explicativo é o modelo, ou seja, melhor ele
caracteriza a amostra (Falk & Miller, 1992).
Para as variáveis endógenas os valores são: comprometimento 59%,
criatividade 19,3%, proatividade 2,6% e satisfação de carreira 5,1%.
A criatividade e o comprometimento organizacional encontram-se explicados
acima de 10%, proatividade e satisfação de carreira estão pouco explicados no
modelo, pelas variáveis presentes.
Construtos R Square R2
Comprometimento Organizacional 0,59
Criatividade 0,193
Proatividade 0,026
Satisfação de carreira 0,051
83
Tabela 18 – Efeitos significativos dos construtos
Construtos P Valores
Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal → Comprometimento Organizacional 0,023 0,614
Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal → Criatividade 0,131 0,030
Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal → Proatividade 0,163 0,017
Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal → Satisfação de carreira 0,225 0,000
Criatividade → Comprometimento Organizacional 0,719 0,000
Proatividade → Criatividade 0,398 0,000
Satisfação de carreira → Comprometimento Organizacional 0,075 0,180
Efeitos Indirectos
Construtos P Valores
Específicos β
E.T.V.P. → Criatividade → Comprometimento Organizacional 0,094 0,036
Proatividade → Criatividade → Comprometimento Organizacional 0,286 0,000
E.T.V.P. → Satisfação de carreira → Comprometimento Organizacional 0,017 0,254
E.T.V.P. → Proatividade → Criatividade → Comprometimento Organizacional 0,047 0,030
E.T.V.P. → Proatividade → Criatividade 0,065 0,026
84
No entanto, quando criatividade e a proatividade medeiam em simultâneo o efeito
indireto do Equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal no comprometimento
organizacional, este já emerge como significativo d) ( = 0,047; p =0,030).
Por fim verifica-se que o efeito indireto do Equilíbrio entre o trabalho e a vida
pessoal na criatividade via proatividade é significativo f) ( = 0,065; p < 0,026) , não
deixando de se observar um efeito direto significativo do equilibrio entre o trabalho e
a vida pessoal na criatividade ( = 0.131, p = 0.030) a mediação é parcial.
85
5 Conclusões
86
Na nossa atual conjetura o talento destaca-se como um foco estratégico e
crucial, os indivíduos com talento acrescentam valor e são uma vantagem
competitiva. A definição de talento é um termo impreciso que contém ambiguidades
e não existe uma única definição, no entanto existem algumas relações entre
conceitos, regra geral tal com indica Freitag e Fischer (2013) considera-se talento a
indivíduos que apresentem atributos no campo da gestão como: competência,
elevados níveis de desempenho, capacidade, habilidade, grande adaptabilidade,
proativos, foco no crescimento pessoal, elevada produtividade e paixão pela
mudança e ação, no entanto a sua terminologia está sujeita à abordagem interna de
cada organização, não existindo assim uma única definição.
Tal como Berger (2004) que considera talento como um conjunto de aptidões,
vivencias e conhecimentos essenciais para a execução de uma atividade e Ulrich
(2008) que o considera como um produto resultante de uma multiplicação de fatores
entre a capacidade, compromisso e colaboração.
De forma genérica, os indivíduos com talento, procuram desenvolver e
assimilar conhecimento, são criativos, assertivos e abertos à mudança (Lombardo,
2000), o talento da pessoa é a adição de todas as suas competências, bem como, a
sua conduta e mesmo a sua individualidade (Jones, 2001) é a relação existente
entre o potencial inato do individuo e as capacidades aprendidas e desenvolvidas
(Gagné, 2007).
Presentemente existem diversos combates no mundo empresarial, a
tecnologia e os recursos financeiros não são suficientes para elevar a competição
tornando-se o capital humano no foco mais importante, assim a Gestão de Talentos
é o meio para atingir este mesmo objetivo.
Vural e Vardarlier e Aykir (2016) caracterizam comprometimento
organizacional como a crença do individuo, tanto ao nível dos objetivos e valores da
empresa, como no esforço para atingir esses mesmos objetivos e o desejo de
permanecer na organização, neste sentido as organizações dão cada vez mais
importância ao comprometimento e estão cientes do poder que ele acarreta.
O Conceito de comprometimento organizacional tem sido bastante
aprofundado nos últimos anos, no entanto ainda não existe uma definição única e
consensual.
87
Todavia, o comprometimento organizacional, dentro dos vários conceitos, refere-se à
ligação psicológica do colaborador para com a empresa onde está inserido e revela
a vontade ou vinculo afetivo para com a organização. (Allen & Meyer, 1990)
Na visão de Medeiros e Enders (1997) é um desejo que o colaborador tem de
se manter membro da organização, Mowday et al. (1979) expressa mais do que
lealdade, diz que é a intenção do individuo dar algo de si à organização tendo como
objetivo a contribuição vantajosa para a empresa.
O objetivo atingir um maior comprometimento e conseguir reter talento que
apenas será possível através de processos que beneficiem tanto as organizações
como os colaboradores. As organizações que tenham no cerne da sua estratégia a
valorização do capital humano, ficam mais propensas ao sucesso, esse propósito
pode ser conquistado através da Gestão de Talentos.
No nosso estudo foram analisadas variáveis significativas da Gestão de
Talentos, sendo elas: criatividade, Proatividade, equilíbrio entre a vida pessoal e o
trabalho e a satisfação de carreira.
Verificamos através dos efeitos significativos dos constructos que a
criatividade está diretamente relacionada com o comprometimento organizacional
que vai de encontro ao afirmado por Kneller (1999) o qual indica que a criatividade
tem um peso relevante no desenvolvimento e criação do comprometimento dos
colaboradores, recomenda às organizações que criem e estimulem a curiosidade
dos colaboradores, uma vez que, os colaboradores precisam estar despertos e
envolvidos no seu trabalho. Igualmente a Fonseca e Bastos (2003) sugerem que
num meio envolvente que incentiva e permite o comportamento criativo, o grau de
comprometimento organizacional aumenta.
No que toca à proatividade, no nosso estudo, esta variável encontra-se
diretamente relacionada com a criatividade e também com o comprometimento
organizacional, através de um efeito indireto especifico do construto criatividade, que
vai de encontro à linha de pensamento Hakanen, Perhoniemi, Tanner (2008) que
referem a ligação entre a criatividade e a proatividade, também indicam que
indivíduos com uma maior abertura por parte da organização são mais propensos a
realizar avanços e melhorias, a relação indireta para com o comprometimento é
afirmada também por estes autores ao dizerem que colaboradores que se sentem
88
motivados e comprometidos com o trabalho, exibem comportamentos de iniciativa na
organização.
Inspirados nesta linha de raciocínio Bunce e West (1995) expressam que os
comportamentos de proatividade são necessários e importantes, estão diretamente
relacionados com o desenvolvimento de novas ideias e levam ao sucesso e melhoria
do desempenho, nas organizações. Paralelamente Mumford e Gustafson (1988),
admitem que comportamentos proativos geram ideias criativas que podem provocar
pequenas alterações ou drásticas transformações.
Ao nível do variável equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho não existe um
impacto direto significativo no construto comprometimento organizacional, no entanto
através da variável mediadora criatividade existe um efeito indireto significativo no
comprometimento. Esta análise vai de encontro a Ponti e Ferráz (2006) ao
afirmarem que o equilíbrio entre a vida profissional e o trabalho, pode ajudar a
desenvolver a criatividade ou inibi-la, dizem ainda que a inovação depende tanto da
capacidade criativa, como dos incentivos por parte da organização em promover
benefícios para a qualidade de vida.
A criatividade requer um conjunto de interações ao nível das ideias, pessoas
e ambiente (Gupta, 2007) e é consequência da interação e envolvimento de pessoas
criativas com outras pessoas (Csikszentmihalyi & Sawyer, 2014), logo para se
desenvolver a criatividade, os indivíduos devem participar e interagir com outros
indivíduos, é crucial o contacto em campos de vida diferentes para propiciar o
desenvolvimento da criatividade (Perry-Smith & Shalley, 2003), desta forma
podemos insinuar que, para existir criatividade, é necessário que os indivíduos
experienciem o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
Verificou-se também que o efeito indireto do equilíbrio entre o trabalho e a
vida pessoal e a variável proatividade no comprometimento organizacional via
criatividade é significativo e vai de encontro à teoria de Parker, Collins e Grant
(2010) que indicam que não é o tempo que o trabalhador está na organização que o
leva a produzir mais, pelo contrario, uma maior flexibilidade e um melhor ambiente
organizacional leva a que o trabalhador demonstre atitudes e comportamentos que
podem gerar uma maior produtividade, apoiam que o afeto positivo dentro da
organização influencia a proatividade dos indivíduos.
89
Assim como para Stepansky e França (2008) as organizações que efetuem
programas de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal obtém maiores resultados
ao nível da produtividade e geração de novas ideias e iniciativas.
Para James (2014) este afirma que ter mais tempo e predisposição para a
família, contribui para abertura de aprendizagem e iniciativa e reter experiências fora
do campo profissional, beneficia a criatividade.
Por fim não se observa nenhum feito direto ou indireto significativo no
construto satisfação de carreira para com a variável comprometimento, neste sentido
esta hipótese está em contraste com a teoria estudada por Fontenelle (2007) o autor
indica que a gestão de carreira e o comprometimento organizacional aparentam
direcionar caminhos contraditórios, uma vez que a autogestão pode levar a uma
maior mobilidade e mudança e a necessidade de comprometimento requer a
retenção dos indivíduos nas empresas.
Em suma, as organizações que variolizem o seu capital humano através da
prática da Gestão de Talentos, ficam mais suscetíveis ao sucesso, podemos afirmar
que a Gestão de Talentos tem um impacto positivo no comprometimento.
Assim gerir talento é conseguir um maior comprometimento e por
consequência uma maior vulnerabilidade ao sucesso.
A Gestão de Talentos apresenta-se assim como uma metodologia que tem
impacto na criação de valor e no aumento de vantagens competitivas nas
organizações.
A Gestão de Talentos deve ser uma preocupação permanente por parte dos
gestores, uma vez que se trata de uma forma de identificar e desenvolver os
melhores colaboradores e motivar estes para que pretendam ficar na organização.
As implicações deste estudo para a gestão são relevantes para as
organizações que pretendam reconhecer, planear e implementar estratégias ao nível
da Gestão de Talentos e que por consequência melhorar o comprometimento
organizacional, que é um fator fundamental para atingir objetivos e construir
resultados.
90
Este fenómeno acontece por meio do envolvimento e reconhecimento da
participação dos colaboradores no sucesso da organização.
Neste momento as novas gerações têm uma visão diferente no que toca ao
emprego e à ligação que têm com as organizações, torna-se assim essencial
construir diariamente esta ligação entre colaborador e empresa, uma vez que esta
vai permitir solidificar a cultura organizacional, melhorar a inovação e tornar o capital
humano numa vantagem competitiva.
Um dos grandes desafios para as organizações é saber identificar talentos, e
para isso é necessário definir e implementar práticas que possibilitem a sua
identificação, desenvolvimento e aproveitamento.
A organização deve transmitir uma sensação de leveza, investir num bom
ambiente, possibilitar a expansão da criatividade, captar comportamentos proativos e
proporcionar a progressão de carreira.
As organizações que investem neste sentido, conquistam níveis mais altos de
satisfação e de comprometimento.
Ao efetuarem uma boa Gestão de Talentos, as organizações podem desfrutar
de futuras lideranças feitas à sua imagem e garantir não só os conhecimentos
necessários para a realização das tarefas como também a correta direção dos
valores da organização.
Por outro lado, a probabilidade dos talentos deixarem a organização quando
se sentem reconhecidos torna-se reduzida, uma vez que ao estarem comprometidos
os indivíduos sentem vontade de crescer dentro da organização, identificam-se com
a visão e valores da empresa e sentem que os resultados conquistados também lhes
pertencem, desta forma os indivíduos sentem orgulho na organização em que estão
inseridos.
91
Para a realização de futuras investigações, mesmo que o número desta
amostra seja considerado satisfatório, poder-se-á aumentar o número de respostas
de forma a verificar se existe a mesma relação entre os dados encontrados neste
estudo.
Em futuros trabalhos seria interessante investigar:
A Gestão de Talentos em colaboradores com idades avançadas e a sensação
de pertença;
O desenvolvimento da Gestão de Talentos em território internacional e o seu
impacto no comprometimento;
Acrescentar outra variável significativa que poderá contribuir para a Gestão de
Talentos, como por exemplo a satisfação salarial;
Como é que a Gestão de Talentos e comprometimento se irão relacionar no
futuro.
92
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