1 Introdução Já são quase quarenta anos de presença social do HIV e da Aids nas
sociedades ao redor do mundo, fato que levou a transformações não só ao nível
da concepção da doença, mas também, nos comportamentos sexuais das
pessoas (Bueno Abad & Vilchez, 2008). Desde a epidemia da Aids dos anos 80,
muito se tem feito acerca do combate ao vírus HIV a fim de se evitar o crescimento
do número de doentes e infectados. Contudo, ainda são muitos os atingidos pela
infecção e, nos últimos anos, esse número tem aumentado. De acordo com a
Unaids (2021), os dados referentes às estatísticas globais sobre o HIV mostram
que até o fim de 2019 havia cerca de 38 milhões de pessoas em todo o mundo
vivendo com HIV; e 25,4 milhões de pessoas possuem acesso à terapia
antirretroviral. Neste ano, houve 1,7 milhão de novas infecções por HIV, somando
cerca de 75,7 milhões de pessoas infectadas pelo HIV desde o início da epidemia,
totalizando 32,7 milhões de mortes decorrentes de doenças relacionadas à Aids.
A Unaids (2021) ainda registra uma redução de 40% no número de novas
infecções por HIV no Brasil, desde o pico em 1998. Além disso, as mortes
relacionadas à Aids foram reduzidas em mais de 60% desde o pico em 2004.
Santos (2018) compreende que dentre os primeiros casos de HIV, pouco se
conhecia a respeito da infecção na época, sendo sua síndrome associada à
morte. Esse fato propiciou a propagação do estigma e preconceito contra os
coletivos de homossexuais, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis.
Tais coletivos eram diretamente associados à doença e passaram a ter suas
relações sociais permeadas pelo medo da doença. Denise Jodelet (2002) em seu
famoso estudo acerca das Representações Sociais da Aids, observou que no
início da epidemia, as representações da doença estavam ancoradas em dois
paradigmas principais: um de caráter moral e outro de caráter biológico