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Nova Variedade de Algodão CD 410

A variedade CD 410 é uma nova cultivar precoce de algodão desenvolvida pelo programa de melhoramento da Coodetec/Cirad, com potencial de produção de fibra superior à CD 401. Ela apresenta boa resistência a algumas doenças, mas é sensível a outras, como ramulose e nematóides. Com um rendimento de fibra acima de 3% em relação à CD 401, a CD 410 é uma opção promissora para cotonicultores nas regiões sul do Brasil.

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Nova Variedade de Algodão CD 410

A variedade CD 410 é uma nova cultivar precoce de algodão desenvolvida pelo programa de melhoramento da Coodetec/Cirad, com potencial de produção de fibra superior à CD 401. Ela apresenta boa resistência a algumas doenças, mas é sensível a outras, como ramulose e nematóides. Com um rendimento de fibra acima de 3% em relação à CD 401, a CD 410 é uma opção promissora para cotonicultores nas regiões sul do Brasil.

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CD 410, VARIEDADE PRECOCE DE ALGODÃO COM ALTO POTENCIAL DE PRODUÇÃO

DE FIBRA PARA AS REGIÕES DO SUL DO BRASIL

Jean-Louis Bélot (Cirad / [Link]@[Link]), Osmério Pupim Junior (Coodetec), Patrícia M. C.


Andrade Vilela (Coodetec), Tatiane C. Zambiasi (Coodetec), Jose Martin (Cirad) Gislaine A Ribeiro
(Coodetec).

RESUMO - O programa de melhoramento da Coodetec/ Cirad esta lançando uma nova cultivar precoce
de algodão para os produtores do sul do Brasil. Material obtido no programa de melhoramento
conduzido em Palotina - PR através do método de seleção pedigree. A linha CD 98-1178, oriunda de
um cruzamento entre variedades de fundo genético Argentino e Paraguaio, foi testada nas safras
01/02, 02/03 e 03/04 na rede experimental do Paraná e de São Paulo em mais de 30 ensaios. De ciclo
parecido à CD 401 atualmente cultivada nestas regiões, a CD 410 têm plantas com arquitetura mais
cilíndrica e boa retenção das cápsulas de primeira posição. O perfil de tolerância as doenças é também
muito semelhante à CD 401, com sensibilidade à ramulose, ramulariose e aos nematóides. E resistente
à virose e bacteriose.O grande diferencial deste material é o seu rendimento de fibra, acima de 3
porcento da CD 401,o que assegura uma produção elevada de fibra por hectare, fibra de alto padrão de
qualidade intrínseca. Relativamente exigente em fertilidade e responsiva, a CD 410 constitui uma
opção interessante para os cotonicultores do sul do Brasil de nível técnico médio a alto.
Palavras-chave: algodão, precoce, sul do Brasil

CD 410, A SHORT SEASON COTTON VARIETY WITH A HIGH FIBER YIELD POTENTIAL FOR
SOUTHERN AREAS OF BRAZIL

ABSTRACT - Coodetec/Cirad’s breeding programme is now releasing a new short season cotton
cultivar for growers in the south of Brazil. The material derives from a breeding programme developed in
Palotina, in the state of Paraná, and was obtained through the pedigree selection method. The CD 98-
1178 line, being the result of a crossing of varieties from an Argentinean and Paraguayan genetic pool,
was tested on growing periods 01/02, 02/03 and 03/04 in the experimental network of the states of
Paraná and São Paulo. Over 30 trials were carried out. With a season profile similar to the CD401
variety currently grown in those areas, the CD410 variety has cylinder-shaped plants and good boll
retention at the first position. Its disease tolerance profile is also very similar to the CD401 variety, and it
is sensitive to “ramulose”, cotton rust Ramularia and the nematodes. It is resistant to bacteriosis. Its
major differential is its ginning turnout – it stands above 3 per cent of CD401 –, which ensures high fiber
yields per hectare, and high standard of intrinsic quality fibers. CD410 is relatively demanding in terms
of fertility and it is more responsive; it is a useful choice for cotton growers with a medium and high level
of technical capabilities and skills in the south of Brazil.
Key words: cotton, short season, south of Brazil
INTRODUÇÃO

A cotonicultura no sul do Brasil é desenvolvida essencialmente por pequenos e médios


produtores que vem retomando aos poucos o plantio do algodão. Para isso, é indispensável o respaldo
de fundamentos técnicos seguros como variedade e manejo cultural, a fim de garantir alto potencial e
estabilidade produtiva, base de rentabilidade da atividade.
O programa de melhoramento algodão da Coodetec/Cirad foi criado no Paraná em 1990
(BÉLOT et al, 2005) e já deu origem a 7 variedades comercializadas no Brasil e Paraguai. Diversas
variedades de algodão já são disponíveis para o sul do Brasil, como a CD 401 (GONDIM e BÉLOT,
1997) e a CD 405 (BÉLOT et al, 2003). A CD401 teve boa aceitação por parte dos pequenos
produtores em razão de seu ciclo muito precoce desde o seu lançamento em 1997 mais a medida que
novas variedades aparecem no mercado, o nível de rendimento de fibra desta variedade é cada vez
mais questionado.
O objetivo deste trabalho foi de selecionar uma variedade de ciclo precoce, do nível de
produtividade da CD 401, mas com rendimento de fibra alto.

MATERIAL E MÉTODOS

O programa de melhoramento genético da Coodetec/Cirad é baseado no método de seleção


pedigree (MAYO, 1987), com populações segregantes conduzidas em campo com polinização aberta,
e estabilização diferida para a obtenção de linhas puras. As linhas em segregação têm 10 metros de
comprimento, 6-8 plantas por metro, com testemunhas intercalados a cada 20 linhas. Uma vez fixadas,
as linhas promissoras são multiplicadas, os núcleos genéticos mantidos através de seleção
conservadora em parcelas isoladas depois de dois ciclos de autofecundação (PENNA, 2001).
A linha CD 98-1178, denominação experimental para o CD 410, obtida de um cruzamento entre
variedades de fundo genético Argentino e Paraguaio, foi testada primeiramente na base de pesquisa
Coodetec em Palotina - PR na safra 98/99. Nas safras 00/01, 01/02, 02/03 e 03/04 este material foi
avaliado em experimentos multilocais, fazendo parte da rede de experimentação da Coodetec nos
seguintes locais do sul do Brasil: no estado do Paraná nos municípios de Palotina, Goioerê, Ubiratã,
Vera Cruz do Oeste, Campo Mourão, Santo Inácio e Paranacity; no estado de São Paulo nos
municípios de Caiuá, Riolândia, Barretos, Leme, Ituverava e Santa Albertina e no estado do Mato
Grosso do Sul nos municípios de Maracajú e Chapadão do Sul.
O delineamento experimental utilizado nos ensaios foi o de blocos casualizados, com 4
repetições e parcelas constituídas de 4 linhas de 10 metros de comprimento, com espaçamento de
0,90 metros deixando 10 plantas por metro linear após o desbaste. A testemunha utilizada foi CD 401.
Os experimentos foram conduzidos da seguinte maneira: parcelas com solos corrigidos, manejo
adequado das pragas e doenças, controle de plantas daninhas e uso de regulador de crescimento o
mais semelhante possível às condições de produção em lavouras comerciais.
Durante o desenvolvimento do cultivo, foram feitas várias avaliações: morfológicas, cotações
de doenças e de incidência de pragas, avaliação de precocidade, produtividade. Uma amostra de 30
cápsulas do terço médio das plantas foi colhida de cada parcela, usada para determinar o peso médio
do capulho (PMC), o rendimento de fibra (RF) com descaroçamento de rolo, e as características
tecnológicas da fibra. Essas foram determinadas com aparelhos HVI- 910 ZUS dos laboratórios da
COAGEL em Goioerê- PR e do Cirad em Montpellier- França.
A avaliação do grau de tolerância das variedades em relação às principais doenças do
algodoeiro foi realizada através de anotações realizadas nos próprios ensaios de cultivares quando
houve incidência das mesmas, ou em ensaios específicos em condição de infestação natural ou com
inoculação artificial de doença. Em todos os casos, é usada a escala de notas: 1 – muito resistente; 2 –
resistente; 3 – mediamente resistente; 4 – mediamente susceptível; 5 – susceptível e 6 – muito
susceptível.
Os resultados foram analisados usando os programas estatísticos SAS e GENES (CRUZ,
2001), sendo feitas análises de variância ensaio por ensaio e dos agrupamentos, para identificar o
efeito do genótipo sobre todas as características em estudo. Foi feito o teste de médias dos cultivares
para cada variável utilizando os testes de Newmann e Keuls e Duncan, a nível de 5%.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O CD 410 possui folhas médias a pequenas, pilosas, bem recortadas e dobradas. É um


material de arquitetura cilíndrica, com plantas mais altas que a CD 401, mas não muito exigente em
regulador de crescimento. Ela é adaptada tanto à colheita mecânica quanto a manual tendo uma
retenção de pluma média. Esta variedade é moderadamente exigente em fertilidade, mas responsiva,
com alta retenção de frutos nas primeiras posições. Nas condições do Paraná, o ciclo deste material,
da emergência até a abertura completa, fica entre 120 e 130 dias.
Os resultados de produtividade e rendimento de fibra da CD 410 são apresentados na Tabela
1. Estes resultados são a média dos resultados obtidos em 32 ensaios da rede experimental da
Coodetec do PR, SP e MS, durante vários anos (1999 a 2004)

Tabela 1. Produtividade Média (Algodão caroço) e rendimento de fibra da CD 410 no sul do Brasil.
Materiais Produtividade Kg/ha Rendimento de fibra (%)
CD 410 2976 43.92
CD 401 2795 40.30

Os resultados apresentados nesta tabela mostram que a CD 410 tem melhor potencial
produtivo que a CD401 nestas condições de realização dos ensaios. Em relação a CD401, a CD410
agrega principalmente um elevado rendimento de fibra, superior de mais de 3,5 %.
A Figura 1 mostra que a CD 410 é mais produtiva que a CD 401 principalmente acima de
2000kg/ ha de algodão em caroço.
A Tabela 2 apresenta os resultados de tecnologia da fibra da CD 410, em relação a CD 401,
médias obtidas no conjunto dos ensaios da rede de pesquisa da Coodetec entre 1999 e 2004.
7000

CD410
6000
Prod da CD401 e CD410 (kg/ha)

y = 1.0308x - 66.939
R2 = 0.951
5000

CD401
4000 y = 0.914x + 90.333
R2 = 0.9129
3000

2000

1000

0
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000
Média do ensaio (kg/ha)

Figura 1. Estabilidade produtiva (algodão em caroço) da CD 410 comparada a CD401.

Tabela 2. Características tecnológicas da fibra da CD 410.


Materiais Resultados da COAGEL¹ Resultados do CIRAD ²
LEN UN STR EL MIC LEN UN STR EL MIC MR HS Rd +b
CD 410 31.4 87.1 30.7 5.8 4.4 31.2 86.4 31.7 5.8 4.3 85.2 177 72.7 9.5
CD 401 29.9 86.9 31.2 5.8 4.3 29.4 86.4 32.1 5.7 4.3 83.9 183 72.2 9.5
LEN: comprimento em mm; UN: uniformidade; STR: resistência em g/ tex; EL: alongamento; MIC: micronaire; MR:
maturidade; HS: finura em mtex; Rd: reflectância; +b: índice de amarelhecimento.
1Análise de fibra feita pelo laboratório da Coagel, Goioere-PR, com HVI-ZUS
2Análise de fibra feita pelo laboratório do Cirad Montpellier-França com HVI-ZUS

A CD410 tem fibra de comprimento superior de 1 mm à CD401, mais de resistência inferior de


0,5 g/tex. O complexo finura/ maturidade melhore levemente. Cabe ressaltar que a resistência da fibra
da CD 401 é muito elevada, uma das maiores dentro das variedades Upland comercializadas no Brasil
o que permite dizer que a fibra da CD 410 é uma fibra de excelente qualidade.
A tabela 3 dá o comportamento da CD410 em relação as principais doenças encontradas no
Brasil. Estes dados são a síntese dos resultados obtidos ao longo dos 4 anos de experimentação.

Tabela 3. Comportamento da CD 410 em relação às principais doenças.

Material Ramulose Ramulariose Alternária Bacteriose Nematóide Doença Azul

CD 410 4 4 4 2 5 2
A CD 410 é resistente à doença azul e bacteriose, mais relativamente sensível à ramulose,
ramulariose e muito sensível à alternariose. Também é sensível aos nematóides. São as mesmas
limitações que para a CD 401.

CONCLUSÔES

1. A variedade CD 410 é um material precoce, de bom potencial produtivo, moderadamente exigente


em fertilidade e responsiva, adaptada tanto à colheita mecânica quanto a manual. E uma variedade
resistente à doença azul e bacteriose, mas relativamente sensível às doenças folhares e aos
nematóides. Do ponto de visto agronômico, esta nova variedade é parecida com a CD 401, variedade
bem conhecida no sul do Brasil. A CD 410 apresenta as mesmas restrições de uso, tendo que cultivar
ela em solos sem histórico de nematóides, e de preferência no sul do Brasil, onde as pressões de
doenças foliares são mais limitadas;
2. A CD 410 tem alto rendimento de fibra, o que permite boas produtividades por hectare de uma fibra
de excelente qualidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELOT, J.-L.; IAMAMOTO, M.; OLIVEIRA, E. [Link]; ANDRADE, P. M. C.; ARCHIPIANO, M. CD405:
uma nova variedade de algodão (tolerante a nematóides) para as regiões sul e sudeste do Brasil. In: IV
CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, 4, 2003, Goiânia. Anais... Campina Grande: Embrapa
CNPA, 2003. CD ROM.

BELOT, J. L.; CARRARO, I; ANDRADE VILELA, P. C.; PUPIM JUNIOR., O.; MARTIN, J.; SILVIE, P.;
MARQUIE, C. De nouvelles variétés de cotonnier obtenues au Brésil: 15 ans de collaboration entre la
coopérative centrale de recherche agricole (Coodetec) et le Cirad. Cahiers Agriculture, v. 14, n° 2, p.
249-254, 2005.

GONDIM, D. M. C.; BELOT, J-L. Características e comportamento da nova cultivar de algodão CD 401.
In: REUNIÃO ALIDA, 6, 1997, Saenz Pena. Anais: Informes por disciplinas. Saenz Pena, 1997. 11 p.

MAYO, O The theory of plant breeding. New York: Oxford University Press, 1987. 334 p.

CRUZ, C. D. Programa Genes: versão Windows ; aplicativo computacional em genética e estatística.


Viçosa: UFV, 2001. 648 p.

PENNA, J. C. V.. Fundamentos e métodos na manutenção de cultivares: necessidade da prática e


situação nas cultivares disponíveis no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ALGODÃO, 3, 2001,
Campo Grande. Livro de Palestras... Campina Grande: Embrapa CNPA, 2001. p. 135- 139.

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