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Métodos de Inspeção em Engenharia Civil

O documento aborda métodos de inspeção e sistemas periciais na construção civil, focando na patologia, conservação e reabilitação de edifícios. Destaca a importância da manutenção para garantir a segurança e funcionalidade das construções, além de classificar os tipos de inspeção e seus objetivos. O trabalho é um projeto avaliativo do curso de Licenciatura em Engenharia Civil da Universidade Lúrio.

Enviado por

Joaquim Adelino
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Métodos de Inspeção em Engenharia Civil

O documento aborda métodos de inspeção e sistemas periciais na construção civil, focando na patologia, conservação e reabilitação de edifícios. Destaca a importância da manutenção para garantir a segurança e funcionalidade das construções, além de classificar os tipos de inspeção e seus objetivos. O trabalho é um projeto avaliativo do curso de Licenciatura em Engenharia Civil da Universidade Lúrio.

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UNIVERSIDADE LÚRIO

FACULDADE DE ENGENHARIA
DEPARTAMEMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
CURSO DE LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL

Patologia, Conservação e Reabilitação

4º Ano, 1º Semestre, 3º Grupo

Métodos de Inspecção
Sistema Periciais

Discentes: Docente:
Assane Damião Jamal Eng.º Dionísio Bulo
Franque Moisés Macufa
Pídeler Graciano
Victorino Rachide Omar

Pemba, Julho de 2022

1
UNIVERSIDADE LÚRIO

FACULDADE DE ENGENHARIA

DEPARTAMEMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

CURSO DE LICENCIATURA EM ENGENHARIA CIVIL

Patologia, Conservação e Reabilitação

Métodos de Inspecção

Sistema Periciais

Discentes:
Trabalho de carácter avaliativo da disciplina de
Assane Damião Jamal Patologia, Conservação e Reabilitação do curso
de Licenciatura em Engenharia Civil, 4º Ano, a
Franque Moisés Macufa
ser apresentado ao Professor da disciplina.
Pídeler Graciano
Eng.º Dionísio Bulo
Victorino Rachide Omar
Docente: Eng.º Dionísio Bulo

Pemba, Julho de 2022

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Índice
1. Introdução.............................................................................................................. 4
1.1. Objectivos....................................................................................................... 5
1.1.1. Objectivo geral ........................................................................................ 5
1.1.2. Objectivos específicos ............................................................................. 5
2. Definições gerais ................................................................................................... 6
3. Métodos de inspecção ............................................................................................ 7
3.1. Objectivo das inspecções ................................................................................ 8
3.2. Tipos de inspecção .......................................................................................... 9
3.2.1. Inspecções correntes ................................................................................ 9
3.2.2. Inspecções detalhadas ............................................................................ 10
3.2.3. Inspecções para avaliação estrutural ....................................................... 11
3.2.4. Caracterização inicial da construção....................................................... 12
3.2.5. Representação gráfica das construções ................................................... 12
3.3. Estratégia de inspecção ................................................................................. 13
3.3.1. Metodologia de inspecção ...................................................................... 13
3.3.2. Recolha e análise da documentação ....................................................... 13
3.3.3. Preparação das inspecções ..................................................................... 14
3.3.4. Listagem de verificação ......................................................................... 14
3.3.5. Meios de apoio à inspecção .................................................................... 15
3.3.6. Metodologia de diagnóstico ................................................................... 16
3.3.7. Relatório de inspecção (lista não exaustiva de tópicos)........................... 17
3.4. Sistema de Inspecção e Diagnóstico .............................................................. 17
3.4.1. Sistema classificativo ............................................................................. 19
4. Sistema Periciais .................................................................................................. 19
4.1. Execução de sistema de perícia ..................................................................... 20
4.2. Perícias relacionados às infiltrações e vazamentos nos edifícios .................... 21
4.2.1. Infiltração e vazamento .......................................................................... 22
5. Conclusão ............................................................................................................ 23
6. Bibliografia.......................................................................................................... 24

3
Índice de figura
Figura 1: Colonização biológica ................................................................................. 10
Figura 2: vegetação parasitário ................................................................................... 10
Figura 3: Eflorescências (à esquerda) e Cripto florescência (à direita) ........................ 11
Figura 4: Armaduras à vista em pilar .......................................................................... 12
Figura 5: Recobrimento deficiente ............................................................................. 12
Figura 6: Armadura à vista em pilar ........................................................................... 13
Figura 7: Pilar com problemas de recobrimento.......................................................... 13
Figura 8: Fissuração ................................................................................................... 14
Figura 9: Elementos a inspeccionar ............................................................................ 15
Figura 10: Meios de apoio à inspecção ....................................................................... 16
Figura 11: Arquitectura geral do sistema de gestão. Fonte: Flores & Brito.................. 17
Figura 12: Funcionamento geral do sistema de inspecção ........................................... 18
Figura 13: Sistema classificativo da inspecção ........................................................... 19
Figura 14: Patologia de infiltrações com efeitos nas estruturas e revestimentos de
edifícios (observações realizadas durante perícias de engenharia judicial) .................. 22

4
1. Introdução
Na indústria de Construção Civil, um profissional que poderá trabalhar especificamente
lidando com patologias nas construções, alguns contextos possivelmente demandarão o
conhecimento acerca da interpretação de trincas, rachaduras e fissuras nas estruturas e
métodos de inspeção para manter as condições de habitabilidade ou funcional e de
segurança das construções durante a vida útil. Nesse sentido, o presente trabalho abordará
métodos de inspecção e sistemas periciais das obras de construção civil.

Sendo assim, cada parque edificado de cada país faz parte da identidade do seu povo e
deve, por isso, ser conservado. Em especial, os edifícios para habitação devem ser
encarados como um investimento, procurando satisfazer-se um conjunto de exigências
em matéria de habitabilidade, conforto, segurança e economia, durante a sua fase de
utilização. Contudo, com um olhar atento é fácil verificar que é comum os edifícios
residenciais apresentarem anomalias no seu interior e exterior, as quais podem ter
implicações na sua funcionalidade ou na sua segurança estrutural. Assim sendo, há que
atuar para, não só melhorar as condições dos edifícios em mau estado de conservação,
como manter as condições dos edifícios com um bom estado de conservação por um
maior período de vida útil.

A manutenção e reabilitação de edifícios são, portanto, imprescindíveis para assegurar o


desempenho e durabilidade pretendidos para os edifícios residenciais no decurso da sua
fase de utilização. Cada vez mais, tem vindo a caminhar-se da construção nova para a
manutenção e reabilitação das construções existentes, o que traz grandes vantagens em
termos económicos, sociais, ambientais e culturais. Neste contexto, torna-se necessário
procurar que as intervenções sejam bem definidas e planeadas para se obterem os
melhores resultados, ou seja, para que sejam eficazes.

4
1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo geral
• Enumerar os métodos de inspecção e sistema periciais.

1.1.2. Objectivos específicos


• Apontar os métodos de inspeção;
• Descrever os tipos de inspeção;
• Acentuar o sistema periciais.

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2. Definições gerais
A palavra “patologia” é um termo amplamente conhecido e muito usado no ceio da
manutenção e reabilitação de edifícios. Etimologicamente, esta palavra tem origem em
duas palavras gregas pathos (doença) e logos (ciência) (Lopes, 2005). O conceito
“patologia da construção” é desta forma caraterizado como sendo a ciência que estuda as
doenças, ou neste contexto, as anomalias e suas respetivas causas presentes numa
construção após a sua execução.

Ao passo que “anomalia” é uma indicação de um possível defeito ou problema, que é


diretamente visível ou mensurável, podendo significar que as exigências funcionais
estabelecidas para determinado elemento, não foram satisfeitas, em detrimento de
determinada causa (Lopes, 2005).

A incidência de anomalias poderá ter variadas causas consoante a idade do edifício e


respetivos materiais de construção, contudo várias inspecções realizadas demonstram que
em edifícios antigos a manutenção insuficiente ou inadequada está na base da ocorrência
de anomalias, enquanto em edifícios recentes, predominam os erros ou omissões de
projeto e execução (Gonçalves, Brito, & Branco, 2007).

Hoje em dia a análise das anomalias é um processo muito complexo, pois além das
sociedades estarem em franco desenvolvimento, as exigências dependem dos utilizadores
e das metodologias e soluções construtivas, sendo fundamental existir informação
sintetizada e que possa estar disponível, de forma a haver feedback (troca e retorno da
informação) entre os vários intervenientes na construção (Lopes, 2005).

É necessário haver um olhar clínico e aprofundado sobre a Construção como um todo,


pois tal como um corpo humano, um edifício incluí imensos sistemas que se
interrelacionam, sendo necessário identificar no Corpo principal que é o edifício, as
anomalias que podem estar a interferir no funcionamento do conjunto (Abrantes & Silva,
2012).

6
3. Métodos de inspecção
A inspecção do edifício é a fonte principal de informação, pois permite definir
concretamente a situação real do edifício, sendo tratada em pormenor mais à frente. A
inspecção por si só é crucial para se conseguir fazer o diagnóstico, mas este será bastante
mais fiável se a inspecção for precedida e/ou acompanhada por uma investigação
documental e pela realização de inquéritos aos utilizadores, as quais permitem reunir
informações adicionais relevantes para o diagnóstico. Aliás, segundo, a análise de
documentos permite definir medidas de intervenção frequentemente mais simples e
económicas. Quanto aos inquéritos, estes são um instrumento útil para colmatar as
lacunas de informação devidas à inexistência ou escassez dos documentos referidos, por
exemplo, a partir de relatos da ocorrência prévia de anomalias. Além disso, permitem
conhecer minimamente a degradação no interior dos edifícios quando o acesso aos
mesmos é vedado aos técnicos.

A inspeção é o primeiro passo para avaliar as condições de um edifício, face às anomalias


e deficiências que podem pôr em causa a sua segurança estrutural e habitacional. Ou
ainda, a inspeção é um sub-procedimento do plano da manutenção e consiste numa
procura pormenorizada e detalhada da ocorrência de anomalias ou fenómenos de pré-
patologia (Salvaterra, 2009).

A avaliação do estado de desempenho dos edifícios poderá ser realizada por agentes
inspetores ou pelos próprios utilizadores, devendo a inspeção ser acompanhada por
elementos necessários à recolha de todo o tipo de informação essencial, como por
exemplo ficha de inspeção e de anomalia, apresentando-se um relatório final com formas
de atuação adequadas.

Assim, durante uma inspecção deve fazer-se o levantamento da informação que permita
caracterizar as anomalias principais, a sua extensão e as suas causas mais prováveis.
Assim, a inspeção revela-se como sendo um elo de ligação entre a fase de utilização e a
de manutenção (Lopes, 2005).

Idealmente, deve inspeccionar-se não só os elementos construtivos como a estrutura, as


fachadas e a cobertura, mas também as instalações técnicas, as quais deverão ser alvo de
atenção visto que um mau funcionamento das mesmas poderá estar por detrás do
aparecimento de anomalias, como é o caso da rede de drenagem de águas residuais. Para
além do estudo do edifício propriamente dito, uma inspecção mais pormenorizada poderá

7
incluir a recolha de informação sobre o terreno de fundação, isto é, a realização de um
reconhecimento geotécnico.

3.1. Objectivo das inspecções


As inspecções têm por objectivo principal manter as condições de habitabilidade ou
funcionalidade e de segurança das construções durante a sua vida útil.

A vida útil de uma construção (ou de um elemento construtivo) é o período de tempo,


após a colocação em serviço, durante o qual todas as propriedades excedem os valores
mínimos aceitáveis, assumindo a existência de acções periódicas de manutenção.

Naturalmente, a finalidade da inspecção define quão detalhado deverá ser o diagnóstico,


podendo exigir um grau de detalhe menor ou maior, desde a simples análise das manchas
de humidade presentes numa fachada até ao estudo exaustivo das anomalias estruturais
de todo o edifício. Esse grau de detalhe define as partes do edifício que deverão ser
analisadas, a precisão da informação a recolher e a pormenorização do estudo a efectuar,
pelo que é conveniente adaptar a inspecção ao grau de detalhe do diagnóstico que se
deseja atingir, com vista a optimizar esforços na recolha de informação.

A finalidade da inspecção também determina a escala da mesma, ou seja, se a inspecção


será localizada ou global.

Nos casos mais simples, a informação recolhida com recurso à simples observação visual,
complementada com a eventual utilização de meios auxiliares de inspecção, é suficiente
para se fazer o diagnóstico.

Por vezes, as causas das anomalias não são evidentes, pelo que a observação visual não é
suficiente para fazer o diagnóstico. Além disso, enquanto algumas anomalias são
facilmente detectadas através da simples observação visual, como manchas de humidade
e fendilhação na superfície de paredes, outras apenas são detectáveis mediante o recurso
a técnicas mais apuradas de inspecção, como acontece com a presença de humidade no
interior de paredes. Nestes casos, requer-se uma inspecção pormenorizada, envolvendo a
realização de ensaios in situ com recurso a equipamentos próprios para o efeito e, caso os
resultados não sejam conclusivos, de ensaios laboratoriais sobre amostras recolhidas em
obra.

8
A realização das inspecções deve obedecer a critérios técnicos, com procedimentos
normalizados e adequados ao tipo de construção.

As razões para a realização de inspecções, são nomeadamente:

➢ identificar potenciais problemas;


➢ monitorizar para evitar eventuais danos;
➢ identificar zonas com necessidade de manutenção preventiva;
➢ avaliar o desempenho dos elementos e da construção.

3.2. Tipos de inspecção


As inspecções podem classificar-se quanto ao:

❖ tipo de elemento ou construção a inspeccionar;


❖ nível de rigor da inspecção: visual, tipo de equipamento utilizado, tipos de ensaios
in-situ ou em laboratório;
❖ graus de urgência: crítico (risco iminente contra a saúde e segurança, sem
condições de uso), regular (em risco de funcionalidade, sujeito a reparações) ou
mínimo (risco de desvalorização precoce);
❖ periodicidade: periódicas (correntes e detalhadas) e não-periódicas (avaliação
estrutural e caracterização inicial da construção).

Quanto a tipologia, as inspecções podem ser:

✓ Inspecções correntes;
✓ Inspecções detalhadas;
✓ Inspecções para avaliação estrutural;
✓ Caracterização inicial da construção;
✓ Representação gráfica das construções.

3.2.1. Inspecções correntes


As inspecções correntes são baseadas apenas na observação visual, sem recurso a ensaios,
e permitem detectar anomalias superficiais ou ainda permitem avaliar a evolução de
anomalias superficiais e acompanhar o processo das detectadas anteriormente, sendo por

9
isso indicadas para inspecções de rotina para manutenção dos edifícios, assim como para
avaliação imobiliária.

Características das inspecções correntes:

✓ observação visual directa;


✓ periodicidade: 15 meses;
✓ visitas impromptu ou parciais;
✓ planeamento e meios simples de acesso;
✓ equipa com pelo menos um técnico experiente;
✓ equipamento portátil de simples utilização.

Manutenção corrente durante a inspecção: remoção de vegetação, limpeza do sistema de


drenagem, retoques de pintura, etc..

Figura 2: vegetação parasitário Figura 1: Colonização biológica

Fonte: Flores & Brito Fonte: Flores & Brito

3.2.2. Inspecções detalhadas


As inspecções pormenorizada ou detalhadas são apropriadas para finalidades que exijam
um estudo com maior rigor, tal como acontece com as inspecções para peritagem e para
avaliação estrutural, servindo também para aprofundar as inspecções correntes quando se
detecta a necessidade de intervenção. Através de uma observação generalista da
construção, permitem um bom conhecimento de defeitos superficiais, fendilhação,
deterioração dos materiais, deformações estrutura e sistema de drenagem.

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Características das inspecções detalhadas:

✓ observação visual (check-up da construção);


✓ periodicidade: 5 anos;
✓ visita preliminar e aumento da frequência;
✓ ensaios in-situ não destrutivos;
✓ ensaios laboratoriais (se indispensáveis);
✓ meios de acesso (simples e especiais);
✓ equipa com engenheiro especialista.

Figura 3: Eflorescências (à esquerda) e Cripto florescência (à direita)

Fonte: Sofia Micael (2016)

3.2.3. Inspecções para avaliação estrutural


Inspecções especiais, não periódicas, resultam da detecção de uma anomalia estrutural ou
funcional grave; têm um carácter especializado, circunscrevendo-se com frequência a
uma parte restrita da estrutura da construção e, nesta, a um fenómeno específico;
normalmente precedem um reforço ou alargamento do tipo de utilização. Implicam em
geral ensaios para caracterização da construção.

Características das inspecções para avaliação estrutural:

✓ muito detalhadas, mas circunscritas;


✓ por definição, não periódicas;
✓ com visitas preliminares;
✓ ensaios in-situ e laboratoriais;

11
✓ apoio da monitorização;
✓ meios de acesso especiais;
✓ equipamento especializado;
✓ equipa especializada.

Figura 5: Recobrimento deficiente Figura 4: Armaduras à vista em pilar

Fonte: Flores & Brito Fonte: Flores & Brito

3.2.4. Caracterização inicial da construção


Estado de referência que engloba o conjunto de características estruturais e funcionais da
construção.

Características:
✓ inspecção não periódica;
✓ logo após a construção (recepção definitiva);
✓ na implementação do sistema de inspecção;
✓ após grandes intervenções;
✓ ensaios in-situ não-destrutivos;
✓ meios de acesso especiais;
✓ equipa especializada;
✓ associada em geral à recepção da obra.

3.2.5. Representação gráfica das construções


Deverão ser previstos esquemas simplificados da construção (quando não existem
peças de projecto) que permitam apoiar a inspecção, localizando com clareza qualquer
anomalia detectada.

12
Estes elementos gráficos são levados para a obra e aí preenchidos.

3.3. Estratégia de inspecção


3.3.1. Metodologia de inspecção
A metodologia a seguir deve ser simultaneamente exequível, expedita, eficaz e
susceptível de produzir informação útil nas fases subsequentes da manutenção e
reparação.

Procedimento da inspecção:

✓ recolha e análise da documentação;


✓ preparação das inspecções;
✓ listagem de verificação;
✓ meios de apoio à inspecção;
✓ metodologia de diagnóstico;
✓ relatório de inspecção.

3.3.2. Recolha e análise da documentação


Levantamento do maior número possível de “indícios” para entendimento do problema,
visita ao local e consulta de documentação administrativa e técnica (dossier dos projectos,
termo de garantia, relatórios de inspecções e reparações anteriores, pareceres técnicos,
registos de intervenções, etc.)

Figura 7: Pilar com problemas de recobrimento Figura 6: Armadura à vista em pilar

Fonte: Flores & Brito Fonte: Flores & Brito

13
3.3.3. Preparação das inspecções
As inspecções devem obedecer a um calendário pré-determinado para viabilizar uma
manutenção pró-activa da construção, optimizar recursos e custos;

❖ deverão ser avaliadas, previamente, as condições interiores e exteriores da


construção (condições de acesso, questões de segurança, condicionalismos locais,
etc.);
❖ sempre que possível, deverão ser incluídas no planeamento acções simples de
manutenção corrente a realizar em conjunto com as inspecções.

Figura 8: Fissuração

Fonte: Flores & Brito

3.3.4. Listagem de verificação


O diagnóstico patológico deve ser objectivo e abranger todos os componentes e
equipamentos passíveis de inspecção visual;

A listagem deve incluir o tipo de verificação a efectuar, as formas de manifestação


esperada de degradação, a gravidade das anomalias detectadas, etc.

Deve-se identificar os elementos a inspeccionar através de uma observação directa do


exterior da construção.

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Os elementos a inspeccionar estão indicados a baixo, conforme as figuras:

Figura 9: Elementos a inspeccionar

Fonte: Flores & Brito

1. telhado (deformações, entrada de água da chuva…);


2. estado da estrutura (elementos partidos, assentamentos, corrosão, armaduras à
vista,…);
3. estado do revestimento da cobertura (telhas partidas ou em falta,..);
4. algerozes e caleiras (drenagem, estado de limpeza,…);
5. zonas com escorrências (deficientes pormenores construtivos);
6. remates (elementos emergentes na cobertura,….);
7. zonas com vegetação parasita;
8. zonas com manchas de humidade;
9. zonas fissuradas;
10. estado dos rebocos;
11. estado da caixilharia (vidros, estrutura,…);
12. zona junto ao terreno (estado do revestimento de protecção, humidade,…);
13. canteiros e zonas contíguas;
14. aberturas de ventilação.

3.3.5. Meios de apoio à inspecção


Os meios de apoio à inspecção podem ser classificados em:

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✓ Equipamento portátil: lápis, canetas, giz, réguas, fita métrica, régua de fendas,
martelo, lanterna, máquina fotográfica, etc.;
✓ Meios de acesso auxiliares (escadote, veículo para transporte de inspectores,
bailéu (figura da direita), etc.;
✓ Elementos de projecto, manual de inspecção, ficha tipo de inspecção, bloco de
notas, etc..

Figura 10: Meios de apoio à inspecção


Fonte: Flores & Brito

3.3.6. Metodologia de diagnóstico


Entendimento completo dos fenómenos ocorridos - análise de relações causa-efeito, que
normalmente caracterizam um problema patológico - entender os “porquê” e os “como”
dos dados conhecidos;

Procedimento da metodologia de diagnóstico:

✓ observação / verificação;
✓ descrição e caracterização da anomalia;
✓ classificação da anomalia;
✓ ensaios (in-situ ou laboratoriais);
✓ monitorização de eventuais danos;
✓ identificação da(s) causa(s);
✓ identificação da solução e controlo do resultado;
✓ prognóstico da situação.

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3.3.7. Relatório de inspecção (lista não exaustiva de tópicos)
• Dados de enquadramento (aspectos históricos / sociais, características da
construção, soluções construtivas, estado de conservação dos componentes e
sistemas, etc.);
• Descrição da inspecção efectuada (metodologia seguida, meios utilizados,
condições atmosféricas, elementos inspeccionados, anomalias observadas,
condicionalismos locais, acções de manutenção realizadas, etc.);
• Análise e diagnóstico das anomalias (natureza das anomalias, extensão,
gravidade, causas mais prováveis, consequências previsíveis para a sua evolução,
etc.);
• Recomendações e prioridades (trabalhos de reparação, reforço estrutural, ensaios
complementares, monitorização, inspecção detalhada, etc.), caracterizando meios
necessários e objectivos a serem atingidos em termos de desempenho final;
• Anexos (projectos, fotografias, esquemas, etc.).

3.4. Sistema de Inspecção e Diagnóstico


Os sistemas de inspecção e diagnóstico facilitam:

✓ o armazenamento da informação recolhida através do dossier da obra e de uma


base de dados;
✓ normalização de procedimentos e relatórios na inspecção e na manutenção ou
reparação ou reforço ou ainda substituição;
✓ as tomadas de decisão a nível de manutenção, estratégia de inspecção e selecção
do trabalho de reabilitação ou substituição.

Figura 11: Arquitectura geral do sistema de gestão. Fonte: Flores & Brito

17
Figura 12: Funcionamento geral do sistema de inspecção

Fonte: Flores & Brito

Legenda:

Laranja Tipo de Inspecção

Azul Elementos de base para cada tipo de inspecção

Verde Resultados de cada inspecção que são utilizados e / ou armazenados

18
3.4.1. Sistema classificativo
No sentido de normalizar as inspecções e respectivos relatórios, é necessário começar por
criar um sistema classificativo que englobe todas as anomalias (funcionais e estruturais)
e causas prováveis, técnicas de reparação e métodos de diagnóstico.

Figura 13: Sistema classificativo da inspecção

Fonte: Flores & Brito

4. Sistema Periciais
A perícia de engenharia é realizada para aferir as condições técnicas de imoveis, pontes,
estradas, equipamentos, máquinas, edificações ou de qualquer produto de engenharia.

A finalidade dessa perícia é constatar quais as reais condições que se encontra o objeto
avaliado do ponto de vista da engenharia, como por exemplo, se a edificação esta com as
estruturas seguras, se ocorrem infiltrações, se existem falhas estruturais, anomalias ou
qualquer patologia que possa comprometer a estrutura.

Do ponto de vista imobiliário a perícia de engenharia civil é um dos pontos mais


importante a ser levado em consideração na hora de proceder na negociação do imoveis
pois somente através da ação de um engenheiro perito, é que se pode ter a clara noção do
estado do bem, se serão necessárias reformas, qual a dimensão delas e o quanto isto
representa no valor real do imóvel.

Existem muitas situações que exigem uma perícia de engenharia como:

✓ Perícia para apuração de insalubridade;


✓ Perícia para apuração de periculosidade;

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✓ Assistência técnica em perícia ergonómica;
✓ Perícia de patologia e anomalias;
✓ Relatório técnica com recomendações técnicas e tratamento de anomalias;
✓ Inspecção predial com metodologias próprias que avalia os sistemas construtivos
da edificação e grau de risco de cada elemento apontando recomendações com
propriedades técnicas para correções.

4.1. Execução de sistema de perícia


A perícia é um ramo de especialização que atua com o auxílio de duas áreas bastante
distintas, mas que se complementam: o direito e a engenharia.

Os peritos em engenharia para casos judiciais ou extrajudiciais precisam ser registrados


na ordem dos engenheiros e pode atuar em colaboração com juízes, advogados e as partes.
A função desse profissional é esclarecer aspectos técnicos (voltados à engenharia) e legais
(voltados ao direito) no que tange a imoveis em demanda.

A perícia é necessário para a elaboração de Laudo pericial: laudo este que, tendo sido
feito pelo perito do Juízo, elaborado pelo assistente técnico, deve obedecer às normas
regulamentadoras.

Laudo pericial é um estudo feito por profissional especializado, capacitado e designado


para a verificação de uma situação que já tenha sido motivo de atenção, isto é, para avaliar
determinada situação de dano. O laudo então funciona como um tradutor das constatações
que o técnico sobre esses factos.

Além disso, em situações legais, este documento é utilizado como prova pelos juízes,
ajudando dessa maneira, em sentenças, caso o judiciário esteja disposto a utilizar. Ou
ainda este documento é elaborado com intuito de resolver problemas ou conflitos,
reavaliar situações e ajudar na busca da melhor solução técnica por parte dos
proprietários, tendo em vista que o documento é elaborado por um técnico especializado
na área, seja de engenharia de construção civil ou outra.

Uma perícia de engenharia válida legalmente e confiável, é preciso que se emita um laudo
pericial que atenda às normas e requisitos mínimos das normas.

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Dentre os requisitos mínimos exigidos, podemos destacar:

✓ A indicação da pessoa física ou jurídica que contratou sua produção;


✓ A indicação do proprietário do bem objeto do laudo;
✓ Fotografias de cada bem periciado;
✓ Croquis de situação;
✓ Descrição de cada bem objeto da perícia (destacando aspectos físicos, dimensões,
áreas, utilidades, materiais construtivos etc.);
✓ Em caso de danos, descrição dos mesmos.

Em casos de garantir maior abrangência ao trabalho pericial, serão atendidos também


alguns requisitos complementares, tais como:

✓ Apresentação de plantas individuas dos bens (obtidos em forma de croqui);


✓ Indicação e caracterização de danos, com plantas de articulações de todas as
fotografias numeradas;
✓ Analise de danos, apontando suas causas;
✓ Aproximado orçamento, detalhado e comprovando com ensaios laboratoriais (se
necessário).

Além disso, é preciso constar um relato e data da vistoria, com as informações


caracterizadas do imóvel e seus elementos. Aqui deve ser incluso localização, acessos e
números de cadastro legais, fiscais e ainda informações sobre o perímetro, relevo, forma
geográfica do terreno.

4.2. Perícias relacionados às infiltrações e vazamentos nos edifícios


Entre as patologias normalmente observadas com maior incidência nas edificações estão
aquelas ligadas às infiltrações e /ou os vazamentos que, em inúmeros casos, resultam em
perícias judiciais ou outras, perícias extrajudiciais. Ambos os casos envolvendo vizinhos
de unidades autónomas (apartamentos ou salas) ou entre o próprio condomínio do
edifício.

21
4.2.1. Infiltração e vazamento
As infiltrações de águas nos edifícios ocorrem devido a inexistência das aplicações dos
sistemas de impermeabilização por falhas nos mesmos, quando aplicados. Já os
vazamentos estão relacionados as falhas nas vedações ou ruptura das tubulações de
distribuição de água ou nas tubulações de esgoto ou de água pluviais. As duas patologias,
infiltrações e vazamento, podem ocorrer de forma separada ou atuar em conjunto. E, de
facto em diversas perícias de engenharia realizadas em edifícios verificou-se haver a
ocorrência das infiltrações e vazamento, de forma combinado.

Como resultado das infiltrações e vazamentos, se sucedem penetração e percolação de


águas através das lajes de pisos e outros elementos construtivos (além das estruturas em
geral, revestimentos, alvenarias, instalações) gerando acções de agressão seguidas de
deterioração dos mesmos.

Figura 14: Patologia de infiltrações com efeitos nas estruturas e revestimentos de edifícios (observações
realizadas durante perícias de engenharia judicial)

Fonte: Jordy & Mendes (2013)

22
5. Conclusão
Naturalmente, a finalidade da inspecção define quão detalhado deverá ser o diagnóstico,
podendo exigir um grau de detalhe menor ou maior, desde a simples análise das manchas
de humidade presentes numa fachada até ao estudo exaustivo das anomalias estruturais
de todo o edifício. Esse grau de detalhe define as partes do edifício que deverão ser
analisadas, a precisão da informação a recolher e a pormenorização do estudo a efectuar,
pelo que é conveniente adaptar a inspecção ao grau de detalhe do diagnóstico que se
deseja atingir, com vista a optimizar esforços na recolha de informação.

Idealmente, deve inspeccionar-se não só os elementos construtivos como a estrutura, as


fachadas e a cobertura, mas também as instalações técnicas, as quais deverão ser alvo de
atenção visto que um mau funcionamento das mesmas poderá estar por detrás do
aparecimento de anomalias, como é o caso da rede de drenagem de águas residuais

As inspecções devem garantir a funcionalidade das construções durante toda a sua vida
útil e prolongar esta tanto quanto possível. Numa estratégia de manutenção pró-activa, as
inspecções devem ser realizadas com um calendário pré-definido e abranger todos os
elementos ou componentes e equipamentos que carecem de cuidados de manutenção. As
inspecções devem fornecer informação objectiva e inequívoca.

A implementação de sistema de inspecção e diagnóstico facilita o armazenamento da


informação recolhida, a normalização de procedimentos e relatórios na inspecção e as
tomadas de decisão.

Laudo pericial é um estudo feito por profissional especializado, capacitado e designado


para a verificação de uma situação que já tenha sido motivo de atenção, isto é, para avaliar
determinada situação de dano. O laudo então funciona como um tradutor das constatações
que o técnico sobre esses factos.

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6. Bibliografia
BRANCO, F. e BRITO, de Jorge (2004), “Handbook of Concrete Bridge Management.
From Design to Service Life”, ASCE Press, American Society of Civil Engineers, Reston.

BRITO, de Jorge (2001), “Normalização de Processos na Inspecção de Pontes”,


Seminário sobre Segurança e Reabilitação das Pontes em Portugal, FEUP, Porto BRITO,
de Jorge (2001), “Metodologias de Inspecção”, Seminário de Inspecção e Manutenção de
Pontes (FUNDEC), Lisboa

CASTRO, E. K. (1994), " Desenvolvimento de metodologia para manutenção de


estruturas de concreto armado", Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília,
Brasília, DF, 185p, Dezembro.

V. Cóias (2009), Inspecções e Ensaios na Reabilitação de Edifícios, 2.a edição. Lisboa:


IST PRESS,

G. T. Ferraz, J. de Brito, V. P. de Freitas, e J. D. Silvestre (2015) «Sistemas de Gestão


Técnica Integrada de Edifícios: Inspecção e Reparação de Elementos Não Estruturais»,
Rev. ALCONPAT, vol. 5, n. 2, pp. 138–149.

M. do R. Veiga (2010) «Patologia e Reparação de Revestimentos de Paredes», em


Conservação e Reabilitação de Edifícios Recentes - Cadernos Edifícios n.o 5, 1.a edição.
Lisboa: LNEC, pp. 135–159.

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