CAT e PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
É a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), um documento emitido para
reconhecer um acidente de trabalho.
Dia do Acidente:
Art. 23 da Lei 8.213/91 - Considera-se como dia do acidente, no caso de doença
profissional ou do trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o
exercício da atividade habitual, ou o dia da segregação compulsória, ou o dia em
que for realizado o diagnóstico, valendo para este efeito o que ocorrer primeiro.
Prazo para a CAT?
Lei 8.213/91 - Art. 22. A empresa ou o empregador doméstico deverão comunicar
o acidente do trabalho à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao
da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob
pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do salário de
contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada
pela Previdência Social.
O Empregador que não informar o acidente de trabalho dentro do prazo legal estará
sujeita à aplicação de multa. (conforme disposto nos Artigos 286 e 336 do Decreto
3.048/99).
Quem pode COMUNICAR?
O Empregador é quem deve Comunicar, mas, se não fizer o registro da CAT poderá:
Lei 8.213/91:
Art. 22, § 2º da Lei 8.213/91 - Na falta de comunicação por parte da empresa,
podem formalizá-la o próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical
competente, o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública, não
prevalecendo nestes casos o prazo previsto neste artigo.
§ 3º A comunicação a que se refere o § 2º não exime a empresa de
responsabilidade pela falta do cumprimento do disposto neste artigo.
Todos estes poderão efetivar a qualquer tempo o registro da CAT junto à Previdência
Social, o que não exclui a possibilidade da aplicação da multa à empresa.
Quando COMUNICAR?
▪ CAT inicial decorrente de acidente de trabalho típico, trajeto, doença profissional,
do trabalho ou óbito imediato;
▪ CAT de reabertura será utilizada para casos de afastamento por agravamento de
lesão de acidente do trabalho ou de doença profissional ou do trabalho, que já tinha
uma CAT inicial;
▪ CAT de comunicação de óbito, será emitida exclusivamente para casos de
falecimento decorrente de acidente ou doença profissional ou do trabalho, após o
registro da CAT inicial. Nunca será emitida direto, ainda que o segurado venha
falecer imediatamente ao acidente.
Como fazer a COMUNICAÇÃO?
ON-LINE.
O INSS disponibiliza um aplicativo que permite o Registro da CAT, desde que
preenchidos TODOS os campos obrigatórios.
O aplicativo, possibilita gerar o formulário da CAT em branco para ser preenchido de
forma manual.
[Link]
Documentos Necessários:
É exigido pelas agências do INSS, no mínimo um documento de identificação com foto e
o número do CPF (CNH).
Para qualquer dos casos indicados acima, deverão ser emitidas quatro vias sendo:
▪ 1ª via ao INSS
▪ 2ª via ao segurado ou dependente
▪ 3ª via do sindicato de classe do trabalhador
▪ 4ª via à empresa.
Atestado Médico:
Caso a área de informações referente ao atestado médico do formulário não esteja
preenchida e assinada pelo médico assistente, deverá ser apresentado o atestado
médico, desde que nele conste a devida descrição do local/data/hora de atendimento
bem como o diagnóstico com o CID e o período provável para o tratamento, contendo
assinatura, o número do Conselho Regional de Medicina (CRM) e o carimbo do médico
responsável pelo atendimento, seja particular, de convênio ou do SUS.
PRESCRIÇÃO TRABALHISTA
ACIDENTE DE TRABALHO
Art 7º, XXIX CFRB - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de
trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e
rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;
Súmula nº 230 do STF (1.963):
"A prescrição da ação de acidente do trabalho conta-se do exame pericial que
comprovar a enfermidade ou verificar a natureza da incapacidade".
Súmula nº 278 do STJ (2.003):
"O termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização, é a data em que
o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral."
Jurisprudência:
ACIDENTE DO TRABALHO - DOENÇA OCUPACIONAL – PRESCRIÇÃO – TERMO
[Link].
A doutrina e a jurisprudência trabalhistas reconhecem, com base no princípio da
actio nata, que a prescrição começa a fluir do instante em que o empregado toma
conhecimento da violação do direito, ou seja, exatamente no dia preciso em que
ele se torna exigível.
Logo, é a partir deste momento que resta possibilitada a instauração de ação
para postular a observância dos dispositivos de norma que regule a pretensão,
desde que observados os limites prescricionais estabelecidos no artigo 7º, XXIX,
da Constituição Federal.
Nesse passo, cabe verificar o momento exato em que o empregado acometido de
incapacidade decorrente de doença do trabalho ou profissional teve o seu direito
violado e, consequentemente, sua pretensão reparatória exercitável.
O momento da violação do direito no caso das pretensões decorrentes das
doenças ocupacionais mostra-se uma questão um pouco dificultosa, que suscita
controvérsias. No entanto, tal questão já conta com posicionamento
sedimentado no STF e no STJ.
A Suprema Corte, em 1963, editou a Súmula nº 230, que dispõe:
"A prescrição da ação de acidente do trabalho conta-
se do exame pericial que comprovar a enfermidade
ou verificar a natureza da incapacidade".
O STJ, em 2003, adotou a Súmula nº 278, que prevê:
"O termo inicial do prazo prescricional, na ação de
indenização, é a data em que o segurado teve ciência
inequívoca da incapacidade laboral."
Observa-se, portanto, que a referida súmula do STJ, refere-se, corretamente, à
"ciência inequívoca da incapacidade" e não à ciência da doença, até porque a
reparação será avaliada não pela doença ou acidente considerados em si
mesmo, mas a partir dos seus efeitos danosos, da incapacidade total ou parcial
do empregado ou até mesmo da cura da doença.
Portanto, o termo a quo da contagem do prazo prescricional se
inicia pela cessação do benefício do auxílio-doença acidentário.
Somente a partir de referida cessação é que se terá a consolidação
do dano, seja ele pela concessão da aposentadoria; pela
reabilitação do autor ao trabalho ou pela própria cura da doença.
A extensão do dano, pois, somente poderá ser medida após o término do
benefício do auxílio-doença acidentário.
Neste sentido, a Egrégia SBDI-1 vem sedimentando seu entendimento, conforme
se depreende dos seguintes precedentes, verbis:
No presente caso, o Tribunal Regional, soberano da definição do quadro fático-
probatório (Súmula/TST nº 126), deixou consignado de maneira explícita que
"Durante o gozo do auxílio-doença o autor ainda tinha expectativa de
convalescência plena, não se podendo ter essa data como prazo inicial da
prescrição" e que, "tendo-se como marco inicial a data em que o INSS concedeu
alta ao reclamante".
Portanto, correta a decisão regional no sentido de que a data da ciência da lesão
ocorreu em 07/12/2009, nos termos da Súmula nº 378 do STJ. Incólumes,
portanto, os artigos 7º, XXIX, da CF/88 e 206, §3º, V, do CC.
Assinale-se que a ação não se encontra prescrita mesmo se considerado o atual
posicionamento desta Corte no sentido de que incide a prescrição trabalhista
para as lesões ocorridas após a promulgação da Emenda Constitucional nº
45/2004.
Com efeito, a SBDI-1 do TST, ao julgar o Processo nº E-RR-2700-
23.2006.5.10.0005, em 22/5/2014, de relatoria do Ministro Aloysio Corrêa da
Veiga (DEJT em 22/8/2014), em sua composição completa, decidiu que o marco
prescricional será a data da ciência inequívoca da lesão e que a prescrição
trabalhista é aplicável para as ações em que se pleiteia o pagamento de
indenização por danos morais e materiais decorrentes de acidente do trabalho
quando a lesão ocorreu após a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº
45/2004. Por outro lado, se a lesão houver ocorrido antes da vigência da
Emenda Constitucional nº 45/2004, a prescrição aplicável será a prevista no
Código Civil.
Na hipótese dos autos, como vimos, a ciência inequívoca da lesão ocorreu após
a vigência da Emenda Constitucional nº 45/2004. Desse modo, aplica-se o prazo
prescricional trabalhista previsto no artigo 7º, inciso XXIX, da Constituição
Federal. Sendo assim, consolidada a lesão em 07/12/2009 e ajuizada a ação em
05/03/2010, tem-se que esta foi protocolada dentro do prazo prescricional. Não
conheço.
Orgão Judicante: 7ª Turma- Relator: Renato de Lacerda Paiva Julgamento:
12/08/2020 Publicação: 21/08/2020.
PROCESSO Nº TST-RR-372-47.2010.5.04.0232