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Extensão Rural em Moçambique: Planejamento e Desafios

O documento analisa o programa de extensão rural em Moçambique, destacando sua importância para o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar. A pesquisa foca na planificação, monitoria e avaliação dos programas, identificando resultados positivos e desafios enfrentados. A metodologia inclui uma abordagem qualitativa e análise de fontes documentais, com ênfase em programas como SUSTENTA e PRONEA.
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Extensão Rural em Moçambique: Planejamento e Desafios

O documento analisa o programa de extensão rural em Moçambique, destacando sua importância para o desenvolvimento agrícola e a segurança alimentar. A pesquisa foca na planificação, monitoria e avaliação dos programas, identificando resultados positivos e desafios enfrentados. A metodologia inclui uma abordagem qualitativa e análise de fontes documentais, com ênfase em programas como SUSTENTA e PRONEA.
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Ana da Conceição Niconte

Anabela Lino Niuare


Carlos Fernando Malene
Chacur Jussubo Omar Mizinho
Dickissone Alfredo Magadzique
Jamal Salimo Jamal
Liston Luís José Hortensilio
Tomás Mendonça Zacarias

Programa de extensão rural

Universidade Rovuma
Namaita
2024
Ana da Conceição Niconte

Anabela Lino Niuare

Carlos Fernando Malene

Chacur Jussubo Omar Mizinho

Dickissone Alfredo Magadzique

Jamal Salimo Jamal

Liston Luís José Hortensilio

Tomás Mendonça Zacarias

Programa de extensão rural


(Lec. Engenharia agronómica e desenvolvimento rural)

Trabalho de caracter avaliativo a ser


apresentado no departamento de ciências
alimentares e agrarias, da cadeira de
Extensão rural.
Sub orientação do Msc. Engo: Dalmildo
Agostinho MÁQUINA

Universidade Rovuma
Namaita
2024
Introdução

A agricultura é a base da economia moçambicana, representando uma fonte de


subsistência para mais de 70% da população, sobretudo em zonas rurais (Mucavele,
2021). Neste contexto, a extensão rural constitui um instrumento estratégico para
promover a transferência de tecnologias, apoiar a adoção de boas práticas agrícolas,
fortalecer a organização dos produtores e impulsionar a segurança alimentar e
nutricional.

Nos últimos anos, o Governo de Moçambique, através do Ministério da Agricultura e


Desenvolvimento Rural (MADER), tem investido em programas nacionais como o
Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário 2030 (PEDSA II) e o
SUSTENTA, que reforçam a centralidade dos serviços de extensão rural para o
desenvolvimento sustentável (MADER, 2023).

A planificação em extensão agrária consiste na descrição metódica de


como deverá ser organizado um conjunto de actividades e acções que
serão executadas em um dado período de tempo, visando alcançar
objetivos determinados, em função de um público-alvo previamente
definido. A Planificação da extensão agrária é um momento de
reflexão sobre as melhores alternativas de acção em um dado
contexto rural especifica. É necessário buscar descobrir as melhores
alternativas, avaliar suas consequências, convencer todos os
envolvidos de sua importância e viabilidade e possuir capacidade
técnica e operacional de executá-las da melhor maneira possível.

Para De Souza (s/d), uma boa planificação precisa ser ainda dinâmica
e flexível de modo a admitir correções e aperfeiçoamento das
propostas e metas, assim como deve ser possível ajustá-lo, no caso
de pequenas mudanças no contexto mais geral (grandes
transformações exigiriam um novo).
Objectivos

Geral:

Estudar o programa de extensão rural em Moçambique, com enfase nos processos de


planificação, monitoria e avaliação, de modo a compreender seus resultados e desafios
para o desenvolvimento agrícola.

Objectivos específicos:

 Analisar os mecanismos de planificação utilizados nos programas de extensão rural


em Moçambique;
 Identificar as práticas de monitoria e os instrumentos aplicados na execução das
actividades de extensão rural;
 Avaliar os resultados e os principais desafios enfrentados no processo de
implementação da extensão rural para o desenvolvimento agrícola.
1.1.1. Metodologia

O presente estudo adotou uma abordagem qualitativa e documental, centrada na análise


de programas de extensão rural implementados em Moçambique entre 2018 e 2025.
Optou-se por esta abordagem por permitir compreender de forma detalhada os
processos de planificação, monitoria e avaliação, bem como identificar boas práticas,
desafios e oportunidades de melhoria.

1.1.2. Tipo de estudo

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, baseado na revisão de literatura


científica recente, relatórios de organismos internacionais, dissertações, teses e
documentos oficiais do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER)
e parceiros internacionais (FAO, IFAD, Banco Mundial, JICA, USAID). Este tipo de
estudo permite a síntese crítica de experiências e evidências documentadas, sem
intervenção direta no terreno.

1.1.3. Fontes de dados


Foram analisadas um total de 13 fontes publicadas entre 2018 e 2025, distribuídas da
seguinte forma:

 Artigos científicos: 4 (30,76%)

 Outros (relatórios, livros, documentos oficiais): 9 (69,24%)

Estas fontes permitiram construir uma visão abrangente sobre os programas de extensão
rural, os seus mecanismos de planificação, monitoria e avaliação, bem como os desafios
enfrentados.

1.1.4. Procedimentos

A análise seguiu os seguintes procedimentos:

 Recolha e seleção de documentos: identificação de materiais publicados entre 2018


e 2025, relevantes para os programas de extensão rural.
 Leitura crítica e codificação: identificação de informação sobre planificação,
monitoria e avaliação, bem como indicadores, metodologias de acompanhamento e
resultados reportados.
 Síntese e interpretação: comparação entre programas e instituições, identificação de
tendências, lacunas e melhores práticas.
 Triangulação: cruzamento de dados provenientes de relatórios oficiais, artigos
científicos, dissertações e teses, garantindo fiabilidade e consistência da análise.

Limitações

 O estudo baseia-se exclusivamente em documentos secundários, não incluindo


pesquisa de campo direta;
 Algumas informações específicas de programas provinciais podem não estar
totalmente atualizadas;
 A análise depende da disponibilidade de dados públicos e de relatórios de parceiros,
podendo existir variações na qualidade e detalhamento da informação.
2. Revisão Bibliográfica
2.1. Conceito e importância de programa de extensão rural

O planeamento em extensão rural consiste na descrição metódica de


como deverá ser organizado um conjunto de ações a serem
executadas em um dado período de tempo, visando alcançar
objetivos determinados, em função de um público pré-definido.

O programa de extensão rural é essencial para o desenvolvimento


agrícola e social das comunidades rurais, actuando como ponte entre
pesquisa científica e os produtores. Ele promove a transferência de
tecnologias e conhecimentos adaptados à realidade local,
aumentando a produtividade, diversificando actividades e
fortalecimento a segurança alimentar. Alem disso, capacita
agricultores, fortalece a organização comunitária e incentiva a
tomada de decisões informadas. A extensão rural também contribui
para a implementação de políticas publicas de desenvolvimento
agrícola e redução das desigualdades rurais, promovendo práticas
sustentáveis e melhorias nas condições de vida (Silva & Souza, 2018).

Programas de extensão rural em Moçambique


Os programas de extensão rural em Moçambique ganharam relevância estratégica,
destacando-se sobretudo o SUSTENTA, o PRONEA, o SISNE/SUE e iniciativas de
parceiros internacionais.

Sustenta
O SUSTENTA é um programa de desenvolvimento rural sustentável que integra
extensão agrícola, inclusão produtiva e gestão ambiental. Entre 2019 e 2024, o
programa foi implementado em várias províncias, beneficiando milhares de
agricultores, com enfoque em culturas estratégicas como milho, feijão, hortícolas e
frutícolas (World Bank, 2019; World Bank, 2023).

O programa utiliza pacotes tecnológicos adaptados às regiões agroecológicas, incluindo


recomendações de fertilização, irrigação, controlo integrado de pragas e sementes
melhoradas. O SUSTENTA apresenta um forte sistema de monitoria, com indicadores
de output (número de agricultores assistidos, sessões de campo realizadas) e de outcome
(adopção de tecnologias, aumento de produtividade e rendimento).
Pronea
Embora a implementação inicial do PRONEA seja anterior a 2018, os seus resultados
continuam a fornecer lições importantes. O programa focou-se na formação de
extensionistas, na cobertura de pequenos produtores e na promoção de sistemas
participativos de aprendizagem. Avaliações recentes indicam melhorias na capacidade
institucional e na adopção de práticas agrícolas sustentáveis, embora a medição de
impactos a longo prazo ainda apresente desafios (IFAD, 2018; JICA, 2024).

SISNE/SUE
O Sistema Nacional de Extensão (SISNE) e o Serviço Unificado de Extensão (SUE)
têm como objectivo coordenar e padronizar a extensão rural em todo o território
nacional. Entre 2018 e 2025, estes sistemas consolidaram estruturas de gestão,
distribuição de recursos humanos e alinhamento com políticas nacionais, garantindo que
os extensionistas estejam disponíveis nas zonas mais carenciadas e que a informação
técnica seja coerente com os pacotes tecnológicos recomendados (Direcção Nacional de
Extensão Agrária, s.d.; República de Moçambique, 2022).

2.2. Mecanismos de planificação utilizados nos programas de extensão rural em


Moçambique

A planificação é um componente central nos programas de extensão rural, pois organiza


acções, define metas e orienta o uso eficiente dos recursos. O Planeamento é um
momento de reflexão sobre as melhores alternativas de ação em um dado contexto. É
necessário descobrir as melhores alternativas, avaliar suas consequências, convencer
todos os envolvidos de sua importância e viabilidade e possuir capacidade técnica e
operacional de executá-las da melhor maneira possível (SOUZA, 1997, p.19).

Um bom planeamento precisa ser ainda dinâmico e flexível de modo a admitir correções
e aperfeiçoamento das propostas e metas, assim como deve ser possível ajustá-lo, no
caso de pequenas mudanças no contexto mais geral (grandes transformações exigiriam
um novo planeamento). O planeamento pode ser dividido em três etapas:
a). Diagnóstico da realidade;
b). Elaboração do Plano de Trabalho e/ou Projeto;
c). Avaliação dos resultados.
a). Diagnóstico da realidade

O diagnóstico em extensão rural é o ponto de partida do planeamento. Ele busca


compreender profundamente a realidade local, identificando problemas, causas e
potencialidades. Para isso, delimita- se o público-alvo e a área de actuação, define- se a
finalidade do diagnóstico (plano geral ou projecto especifico) e realiza- se a colecta e
análise de informações sociais, económicas, culturais, produtiva e ambientais (World
Bank, 2019; JICA, 2024).

O processo deve ser participativo, envolvendo agricultores e extensionistas, o que


aumenta o engajamento da comunidade. Uma metodologia eficaz é o diagnóstico rápido
e participativo (DRP), que integra diferentes perspectivas e favorece soluções
sustentáveis.

b). Elaboração do Plano de Trabalho e/ou Projeto

O Plano de Trabalho consiste na descrição, de maneira organizada e


metódica, de todas as ações passíveis de serem previstas e
planejadas, desenvolvidas por uma pessoa ou equipe. Utiliza como
base o diagnóstico da realidade previamente realizado. Um plano de
trabalho pode envolver um ou mais projetos específicos, e outras
atividades isoladas de atendimento, capacitação técnica e gerência
do público, assim como as ações de capacitação da própria equipa ou
técnico.

Na elaboração de um Plano de Trabalho (e também de um Projeto),


este é dividido em partes, que embora devam estar interligadas,
formando um todo coerente, são organizadas em uma sequência
lógica que denominamos de ordem dos elementos da programação.
Estes elementos são:
 Público (Caracterização, Problema ou necessidade e
potencialidades);
 Objetivo (geral e específicos);
 Conteúdo (ações prioritárias e metas);
 Método (formas de comunicação e aprendizagem, sejam
individuais, grupais);
 Cronograma de atividades (distribuição temporal das actividades);
 Apoio e recurso (humanos, materiais, institucionais, parceiros).

O público e o objetivo são classificados como elementos que


comandam a ação, pois deles dependem os demais. É em função
destes elementos que os outros são definidos. Isto não significa que
uns elementos são mais importantes do que os outros. Todos têm
igual importância no sucesso da implantação do plano ou projeto.
Apenas programamos uns antes dos outros, porque o conteúdo e
método, por exemplo, dependem do público e do objectivo, sendo
programados em função destes.

c). Avaliação dos resultados


O planeamento deve prever como serão avaliados os resultados do
trabalho ao fim de determinado período. É preferível que esta
avaliação seja composta de avaliações parciais a cada etapa do
trabalho, visando ajustar o Plano de Trabalho. Por outro lado, não
deve ser muito frequente, pois sendo um momento formal em que se
interrompe o trabalho e se realiza uma reflexão sobre a mesma, é
necessário um tempo razoável para que os resultados possam ser
avaliados de modo objectivo. Existem dois tipos de avaliação tais
como: parcial e global. Para estas avaliações devem ser previstos
instrumentos específicos, como a avaliação oral ou escrita ao final (ou
durante) de uma actividade metodológica; o registro das demandas
geradas a partir das acções, para esclarecer detalhes ou adequação
às condições específicas, visando à adoção e o registro das mudanças
de comportamento e/ou adoção de tecnologias que foram
efetivamente alcançados (FAO, 2019; JICA, 2024).

Em extensão rural um princípio básico a ser obedecido é que não se


deve colocar a avaliação como se o público tivesse sendo avaliado,
pois pode inibir as pessoas. Deve-se propor a avaliação em termos de
que o instrutor é que está sendo avaliado.

3. Práticas de monitoria e os instrumentos aplicados na execução das actividades


de extensão rural

A monitoria corresponde ao acompanhamento sistemático e continuo


das actividades previstas no plano de trabalho. Ela assegura que o
que foi planejado realmente esteja sendo executado e permite
identificar falhas, corrigir rumos e melhorar a eficiência do processo
de extensão (República de Moçambique, 2022; World Bank, 2023).

3.1. Práticas de monitoria

As práticas de monitoria em extensão rural estão directamente


ligadas aos métodos de trabalho do extensionista, que podem incluir:

a) Métodos individuais

 Visitas técnicas e entrevistas com agricultores;


 Observação directa das actividades produtivas no campo;
 Registos do desempenho individual de cada produtor.

b) Métodos grupais

Cursos, palestras, dias de campo, reuniões comunitárias, seminários.


Permitem verificar se os conteúdos foram compreendidos e se há
participação colectiva, facilitando a troca de experiências entre
agricultores e extensionistas.

c) Métodos massais

Uso de radio, televisões, cartazes, jornais e campanhas, servem para


alcançar maior número de pessoas em pouco tempo. A monitoria
pode ser feita através da observação do alcance, retorno ou procura
de informações adicionais.
Os instrumentos aplicados na monitoria, envolve: cronograma da
actividades, relatórios de execução, registos de participantes
(demanda), diagnóstico rápido participativo, observação directa e
feedback.

Importância da monitoria na extensão rural

A monitoria em extensão rural é importante porque assegura que o


plano de trabalho seja executado de forma eficaz, permitindo
identificar falhas e corrigi-las em tempo oportuno. Também fortalece
a participação da comunidade, aumentando o engajamento e a
confiança dos agricultores no processo. Alem disso, gera informações
uteis, como registos de participação e demanda que servem se base
para avaliação dos resultados. Por fim, possibilita o aperfeiçoamento
metodológico, ajustando os métodos às necessidades reais do público
e garantindo maior impacto das ações (Santos, 1996).

3. Resultados e os principais desafios enfrentados no processo de implementação


da extensão rural para o desenvolvimento agrícola

Resultados

Os programas de extensão rural em Moçambique têm produzido


impactos positivos, ainda que de forma desigual entre regiões e
grupos de produtores. Entre os principais resultados destacam-se:

Aumento do acesso a serviços de extensão:

A expansão do SUSTENTA e a consolidação do SISNE/SUE permitiram


ampliar a cobertura dos serviços de extensão, levando assistência
técnica a milhares de pequenos produtores em zonas rurais.

Adoção de tecnologias agrícolas:

Houve maior disseminação de sementes melhoradas, técnicas de


irrigação, fertilização equilibrada e controlo integrado de pragas, o
que contribuiu para o aumento da produtividade em culturas
estratégicas como milho, feijão, hortícolas e fruteiras.
Fortalecimento da organização comunitária:

Programas como o PRONEA estimularam a criação de associações de


agricultores e grupos de produtores, fortalecendo a participação
coletiva e o acesso a mercados.

Capacitação de extensionistas e produtores:

Foram realizadas formações regulares, dias de campo e


demonstrações participativas, aumentando o nível de conhecimento
técnico tanto dos extensionistas quanto dos produtores assistidos.

Melhorias na segurança alimentar e geração de renda:

Relatórios do Banco Mundial (2019; 2023) e do MADER (2022)


apontam que famílias beneficiárias do SUSTENTA registaram melhor
acesso a alimentos, diversificação de culturas e incremento nos
rendimentos agrícolas.

Principais desafios

Apesar dos avanços, a implementação da extensão rural em


Moçambique enfrenta diversos desafios estruturais, institucionais e
operacionais:

Limitações de recursos humanos e financeiros

O número de extensionistas ainda é insuficiente para cobrir toda a


população agrícola. Em média, um extensionista atende mais de 800
produtores, o que compromete a qualidade da assistência.

Infraestruturas e logística deficientes

A falta de meios de transporte, equipamentos e infraestruturas de


apoio (postos de extensão, armazéns, centros de demonstração)
dificulta o alcance de comunidades rurais remotas.

Fragilidades no sistema de monitoria e avaliação


Muitos programas carecem de indicadores claros, mecanismos
sistemáticos de recolha de dados e avaliação de impacto a longo
prazo, o que reduz a capacidade de medir a efetividade das ações.

Baixa adoção sustentável de tecnologias

Apesar da introdução de pacotes tecnológicos, alguns produtores têm


dificuldades em mantê-los devido a custos elevados, falta de insumos
no mercado local e práticas culturais enraizadas.

Coordenação interinstitucional limitada

Existe sobreposição de iniciativas entre o Governo e parceiros


internacionais (FAO, IFAD, USAID, JICA), o que gera dispersão de
recursos e reduz a eficiência dos programas.

Vulnerabilidade a choques externos

Fatores como mudanças climáticas, insegurança em algumas regiões


do centro e norte do país, e flutuações de preços de insumos
agrícolas limitam o impacto sustentável da extensão rural.

Participação comunitária desigual

Em alguns casos, mulheres e jovens agricultores ainda enfrentam


barreiras de acesso aos programas, seja por desigualdade de género,
seja por limitações de recursos ou de mobilização.

Conclusão

Os programas de extensão rural em Moçambique assumem um papel


estratégico no desenvolvimento agrícola, constituindo-se como ponte
entre a pesquisa científica, a formulação de políticas públicas e a
prática produtiva das comunidades rurais. Através de iniciativas como
o SUSTENTA, o PRONEA e o SISNE/SUE, o país tem conseguido
ampliar a cobertura da assistência técnica, promover a adoção de
tecnologias adaptadas às condições locais, fortalecer associações de
produtores e contribuir para a melhoria da segurança alimentar e
nutricional.

Apesar dos progressos alcançados, persistem desafios significativos


que limitam o pleno impacto da extensão rural. Entre eles destacam-
se: a insuficiência de recursos humanos e financeiros, dificuldades de
monitoria e avaliação de resultados, baixa sustentabilidade da adoção
tecnológica, bem como a vulnerabilidade a choques climáticos e
socioeconómicos. Além disso, a desigualdade no acesso aos serviços,
principalmente por parte de mulheres e jovens agricultores, continua
a ser uma barreira para a inclusão produtiva.

Portanto, a consolidação da extensão rural em Moçambique exige


maior investimento governamental e internacional, fortalecimento da
capacidade institucional do MADER, integração de parceiros de
desenvolvimento e incorporação de abordagens participativas que
valorizem o conhecimento local. A extensão rural deve ser
compreendida não apenas como um serviço técnico, mas como um
instrumento de transformação social e económica, capaz de
impulsionar a produtividade agrícola, reduzir desigualdades e
promover o desenvolvimento rural sustentável.
Referencias bibliográficas

DE SOUZA, J. (1997). Planejamento de programas de extensão rural.


2. ed. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa.

DE SOUZA, J. (s/d). Planejamento em extensão rural: princípios e


práticas. Viçosa: UFV.

FAO – Food and Agriculture Organization of the United Nations.


(2019). Agricultural Extension and Advisory Services: Guidelines for
Development. Rome: FAO.

IFAD – International Fund for Agricultural Development. (2018).


Republic of Mozambique: Country Programme Evaluation. Rome:
IFAD.

JICA – Japan International Cooperation Agency. (2024). Evaluation


Report: Support to Agricultural Extension Services in Mozambique.
Tokyo: JICA.

MADER – Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. (2023).


Plano Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário (PEDSA II)
2021–2030. Maputo: MADER.

MUCAVELE, F. G. (2021). O papel da agricultura no desenvolvimento


socioeconómico de Moçambique. Maputo: Universidade Eduardo
Mondlane.

República de Moçambique. (2022). Relatório Anual de Desempenho


do Sector Agrário. Maputo: Ministério da Agricultura e
Desenvolvimento Rural.

SANTOS, E. R. (1996). Extensão Rural: métodos e técnicas de


monitoria e avaliação. São Paulo: Editora Atlas.

SILVA, P. R., & Souza, J. (2018). Extensão rural e desenvolvimento


agrícola: teoria e prática. Belo Horizonte: Editora UFMG.

World Bank. (2019). Mozambique – Agriculture and Rural


Transformation Project (SUSTENTA). Washington, DC: World Bank.
World Bank. (2023). Implementation Completion Report: Mozambique
SUSTENTA Programme. Washington, DC: World Bank.

Direcção Nacional de Extensão Agrária. (s.d.). Manual de Extensão


Rural em Moçambique. Maputo: MADER.

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