Rinite
Prof. Bernardo | Maria Eduarda Lopes – MEDUESPI 41
REVISÃO DA ANATOMIA
- Epitélio colunar ciliado vibrátil. Os cílios batem sempre em direção ao óstio natural, posterior
• Nesses cílios existem células caliciformes e células inflamatórias (primeira barreira imunológica)
- Tem-se também o ciclo nasal, que dura em torno de 2-6 h, onde há o equilíbrio entre o parassimpático
(vasodilatação, secreção e aumento do batimento ciliar) e simpático (vasoconstrição e diminuição do batimento ciliar), sendo
que em alguns momentos, um sistema pode se sobrepor ao outro.
• Nesse caso, o parassimpático produz mais secreção e entupimento nasal, devido à alta vascularização das
conchas e obstruindo (periódica, uma hora um lado, outro hora o outro).
- Existe também o reflexo naso-pulmonar. Quando você se deita de lado, aquele lado entope. Vai haver uma
dilatação dos vasos da região submucosa das conchas nasais inferiores.
CONCEITO
- Rinite é a inflamação do revestimento nasal
- Pode ser expressa através da congestão nasal, prurido, espirro, rinorreia, hiposmia.
CLASSIFICAÇÃO
- Infecciosas e não infecciosas
- A mais comum são as infecciosas, geralmente viral, mas pode ser bacteriana
→ Lembrando: uma rinite viral pode evoluir para uma rinossinusite bacteriana
- De acordo com a etiologia, temos as infecciosas (virais, bacterianas e outros), alérgicas, ocupacional, induzida por
drogas, idiopáticas, elementos irritativos, alimentos, emocional, atrófica e a RENA (Rinite Eosinofílica Não Alérgica)
• A mais prevalente é a viral (resfriado), mas tem período autolimitado
• A segunda mais prevalente é a alérgica.
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS
Difícil de excluir só com videoendoscopia. Isso é importante para aumentar o grau de suspeição. Se uma pessoa
chegar com uma história de obstrução crônica, é importante pensar nesses diagnósticos.
RINITE ALÉRGICA
- Inflamação da mucosa nasal mediada por uma hipersensibilidade a um alérgeno (tipo 1), IgE mediado
• A pessoa tem uma atopia, uma alergia a um alérgeno. Entra em contato, é sensibilizado, no 2º contato,
apresenta sintomatologia da rinite alérgica (prurido, obstrução nasal, espirros, rinorreia e perda do olfato)
CLASSIFICADA EM:
1. INTERMITENTE: <4 dias por semana ou <4 semanas
2. PERSISTENTE: >4 dias por semana e >4semanas
3. LEVE: sono normal, atividades normais (esporte, lazer, trabalho, escola), sintomas não incomodam
4. MODERADA – GRAVE: sono e atividades comprometidos, sintomas geram incômodo
→ Das rinites não infecciosas, 60-70% são alérgicas. Não alérgicas: 30-40%.
- Rinite Alérgica está presente em 1/3 da população americana.
• No Brasil, 25% em adultos e 12% em crianças, porque o adulto já tem o sistema imunológico maduro
• Mais comum rinite em grandes centros, devido a relação rinite-poluição (partículas de diesel estimulam
produção de IgE)
- Na pessoa sem alergia, predomina o linfócito [Link] pessoa com atopia, predomina linfócito Th2. Entretanto,
a pessoa pode ter uma predisposição genética a alergia e não ser alérgico, vai depender da exposição aos
agentes causadores
COMO SE DÁ A ALERGIA? Inicialmente, a pessoa tem a predisposição para ter alergia e é submetida ao
primeiro contato, a sensibilização. O alérgeno é capturado pelas células apresentadoras de antígeno e
apresentado aos linfócitos Th2. Aí, o linfócito th2 sob ação das interleucinas 4 e 13, transforma em linfócito B,
se diferencia em plasmócito e esse plasmócito vai produzir imunoglobulinas do tipo E, específicas para aquele
alérgeno (produção monoclonal), as quais irão ficar circulando no sangue e vão se fixar na membrana dos
mastócitos, células primordiais na reação alérgica. Quando o mastócito entrar em contato com o alérgeno,
libera os mediadores químicos (citocinas, grânulos de histamina, cininas, triptase etc. --> mediadores pré-
formados). Esses mediadores vão atuar na via das cicloxigenases e lipoxigenases --> transformar ácido
araquidônico em leucotrienos e prostaglandinas (mediadores pós formados). A reação costuma ser imediata
porque já existe mediadores pré-formados.
EFEITOS DA HISTAMINA: coceira, vasodilatação, obstrução, espirros e coriza
1) FASE IMEDIATA: mastócitos e histamina, levando à vermelhidão dos olhos, conjuntivites, coceira, obstrução,
espirros, coriza. Sulco nasal alérgico: resultado da coceira do nariz
2) FASE TARDIA: o eosinófilo, por ação de interleucinas e do fator de necrose tumoral dá uma expressão de
proteínas na parece dos vasos, abraçando o eosinófilo para a parede dos vasos, outras interleucinas, 4 e 13,
aumentam a expressão de V-CAM E ICAM, receptores dos eosinófilos na parede dos vasos, ocasionando a diapedese
e o eosinófilo libera substâncias pré-formadas e vão formando novas.
• Entre as substâncias temos a proteína básica maior, proteína eosinofílica principalmente e por via do
ácido araquidônico, formaria novos leucotrienos. E liberam também citocinas que perpetuam o
processo, às vezes 4 e 5 perpetuam o processo tanto na fase imediata quanto tardia.
3) FASE TARDIA: 4 a 6 h depois - pessoas não conseguem determinar o que causou
• Eosinófilo faz diapedese por meio de receptores do endotélio (CAM) --> Liberação de mediadores pré-
formados e pós formados.
• Modulado pelo SNA, pela hiperreatividade.
• Lembrando que as “CAMs" são receptores do Rinovírus também, então a pessoa que tem alergia vai ter
uma predisposição a rinite infecciosa viral.
- Então, mastócitos juntamente com os eosinófilos e por meio do sistema autônomo, o indivíduo vai
desenvolver o quadro de rinite.
O QUE DESENCADEIA OU AGRAVA A RINITE?
- Pelo de animal (proteína do pelo): Às vezes as pessoas falam que o jabuti melhora a rinite, no entanto,
qualquer animal sem pelo é preventivo
- Tabaco / fumo: irritam a cartilagem;
- Drogas: aspirina;
- Ácaro (principal agente no Brasil): Se acumula em tapete, cama, bicho de pelúcia, quarto mal ventilado...
- Pólen: maior agente na Europa;
- Poluição;
• O trabalho: relação entre a Rinite X Poluição, mostra que incrivelmente, São Paulo tem menos rinite do que
Salvador (ainda pouco explicado esse resultado)
- Insetos;
A RINITE É COMO UMA ASMA NA VIA AÉREA SUPERIOR.
DIAGNÓSTICO DA RINITE
- É clínico + prick test
• Por meio da entrevista, se analisa a história da doença, intensidade, frequência, ambiente, fatores agravantes,
antecedentes familiares, prática de esporte, como é a casa, o quarto, impacto na qualidade de vida; e visualização
dos sinais e sintomas
• Se quiser maior precisão pode-se fazer pelo rast 🡪 chega-se ao IgE específico para aquele paciente e acompanha o
tratamento
- Sintomas imediatos: espirros, congestão, rinorreia, prurido nasal, cefaleia, alterações oculares, hiposmia,
sintomas auditivos
- Idade de início geralmente: adolescência (raro começar na infância)
- Antecedentes: doenças atópicas, tabagismo, intervenções cirúrgicas prévias, rinossinusites / otites de
repetição, atividades recreativas
- Outros recursos diagnósticos:
• Videoendoscopia com o nasoendoscópico
• Fazer a rinoscopia anterior
• Pode lançar mão de exames de imagem
o Rx de cavum
o Rx de fossa nasal
o TC (para ver se há alguma coisa associada, como sinusite, tumor)
• Avaliação complementar
• Biópsia: quando se estiver pensando em algum microrganismo (bactéria, protozoário, fungo)
→ Fecha o diagnóstico pela clínica, mas para saber se a rinite é alérgica, somente pelo prick test
EXAME FÍSICO: o indivíduo com rinite alérgica vai ter um esbranquiçamento da mucosa nasal, mucosa bem
pálida, quase azulada
• Olheiras;
• Pode ter também uma prega no dorso nasal, devido ao prurido e termina fazendo uma ruga;
• Pode ter a linha de Dennie Morgan, devido à vasoconstrição perto dos olhos, levando a formação de
uma “olheira”, principalmente em crianças.
• Em crianças: alterações dento-faciais importantes, devido à respiração mais bucal. Estas pessoas
podem ter uma face alongada.
EXAMES COMPLEMENTARES:
- IgE total: inespecífica, pode estar alta em muitas doenças. O ideal é analisar a IgE específica para o alérgeno.
Nesse caso, a gente faz o RAST (RadioAllergoSorbent Test), um exame de radioimunoensaio. O aparelho analisa
a quantidade de imunoglobulina para o determinado alérgeno, permitindo uma classificação da alergia.
- Prick Teste: rápido, barato e não invasivo. Compra um kit com vários alérgenos, mergulha umas agulhas nos
concentrados de alérgenos e coloca na face anterior do antebraço, perfura um pouquinho, epicutâneo, analiso
a enduração, liberação de histamina que caracteriza coceira e vermelhidão. Se for fazer, evitar tomar
antialérgico por até 15 dias antes do teste
- Citológico nasal: dá uma olhada na lâmina para ver eosinófilos, mas também é inespecífico
- Outras formas de diagnósticos: videoendoscopia, Rinoscopia anterior, raio x e tomografia, biópsia nasal
(quando se suspeita de outras etiologias, não de alérgica)
COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS A RINITE ALÉRGICA:
- IVAS de repetição: há a expressão do ICAM-1: é também um receptor para 90% dos rinovírus
- Asma: mesma doença da rinite só que em sítios diferentes
• É um fator de risco, na rinite pode ter asma
- Obstrução nasal: pessoas com correção ortodôntica foram examinadas notou-se a presença desse sintoma 🡪
presente em mais de 50%
• Pólipo Nasal: nas mais graves
- Alterações no desenvolvimento craniofaciais: como em crianças com respiração bucal
- Sinusite de repetição
- Otite Média: o tubo que liga o ouvido ao nariz também tem um epitélio respiratório (o epitélio pode estar acometido e
obstruído, posteriormente edemaciar e levar a alterações na orelha média)
• Secretora
o Varia muito, mas alguns dizem que não, outros dizem que sim
o Mas se você tem alteração no nariz provavelmente terá na tuba auditiva
o Faz muito sentido, devido à comunicação entre a orelha média
- Impacto na qualidade de vida: relacionado aos sintomas. A rinite pode atrapalhar mais que a asma na:
• Performance física
• Dor
• Percepção geral na saúde: rinite tem um impacto maior
TRATAMENTO CLÍNICO:
1. Tratamento para pessoas com rinite alérgica
• 1º: casa arejada, quarto arejado, evitar espanar a casa para evitar que o alérgeno (ácaro principalmente)
fique suspenso no ar, usar pano úmido;
• Evitar animais de pelúcia;
• Evitar cigarro;
• Fazer prática esportiva (em ambientes abertos é melhor);
• Evitar perfumes com cheiro muito intenso;
• Evitar contato com animais com pelo;
• Lavar o nariz: para tirar o alérgeno, se você não tirar o alérgeno, ele pode ser impelido para trás (ele pode
ficar ali horas, sendo o gatilho da reação alérgica). Lavando, tira-se ele dali, tendendo a estimular menos, assim
melhora-se mais rápido os sintomas.
2. Higiene Ambiental
• Mais relacionado a casa (quarto principalmente),
trabalho
• Colocar uma capa antialérgica no colchão,
cabeceira
• A higiene ambiental vai impedir o contato do
antígeno com o mastócito, dessa forma não
desencadeando uma reação alérgica
→ Deve haver uma adesão ao tratamento, não o
realizando somente uma vez ou outra, uma vez
que a rinite não tem cura, mas controle
3. Medicamentos sintomáticos:
• Anti-histamínicos
• Anticolinérgicos
• Descongestionantes
- Haverá a liberação, haverá o alérgeno, haverá a reação alérgica, entretanto, irá competir com os receptores
químicos neoformados.
- O ANTI-HISTAMÍNICO é muito bom, pois além dele
competir e bloquear os receptores da histamina, ele
também vai inibir a expressão do ICAM, diminuindo as IVAS
de repetição que a pessoa tem
• É muito bom para criança
• Há vários anti-histamínicos de 1ª e 2ª geração
• Quanto mais novo menos sedação ele provocará,
menos ele passará a barreira hemato-encefálica
• Hoje em dia há:
o Desloratadina
o Azelastina
o Terfenadina
o Fenoxifenadina (alegra)
o Cetirizina
→ Os anti-histamínicos controlam rinites não alérgicas?
Sim principalmente os que tem “D”, como o Alegra D, Hepasteu D, Benegrip. Eles têm um
vasoconstritor sistêmico que vai diminuir principalmente a obstrução nasal.
Dá uma vasoconstrição e vai melhorar a respiração, mas ele também está associado a insônias,
arritmias, sudorese. Algumas pessoas têm uma sensibilidade que não podem tomar ou é o caso de
uma pessoa mais idosa
Os DESCONGESTIONANTES são muito importantes em associação com os anti-histamínicos. Entretanto, os tópicos
só são prescritos no máximo 5 dias e a pessoa deve estar consciente do efeito rebote. Ele melhora durante algumas
horas e depois ele dá uma vasodilatação rebote, entupindo o nariz. A tendência dele é colocar cada vez mais, até
chegar a uma tolerância, acomplexia (existe uma irresponsividade da musculatura do vaso a esses medicamentos,
ficando acoplético, ele não funciona, não responde mais ao vasoconstritor).
• Aminas: Efedrina
• Imidazólicos: nafazolina
→ O ideal é usar o descongestionante sistêmico (pseudoefedrina), mas pode haver alguns efeitos colaterais.
- CORTICOESTERÓIDES
• Muito bom para Vias Aéreas Superiores (VAS)
• É uma droga intracelular, agindo no núcleo, diminuindo a permeabilidade vascular, diminuindo a liberação
de secreção, diminuindo a ação dos gânglios
• É um medicamento preventivo: agem impedindo a produção de histamina e tem os efeitos da imagem
abaixo. Agem após algumas semanas
Mas não se pode tomar corticoide
sistêmico por muito tempo, os efeitos
colaterais já conhecidos. Pode-se usar em
casos graves.
Lançou-se mão do corticoide tópico.
Estão disponíveis para uso:
▪ Pratosodex
▪ Brometasona
▪ Fluquisonase
▪ Dramil
▪ Nasonex (Mometasonna)
▪ Avamys (Fluticasona): tem uma potência
corticoterápica alta compatível com a
brometasona (nasonex)
▪ Minadis
▪ Ciclosonida
Foram feitos estudos e verificou-se que estes
corticoides tópicos não interferem no nível de
corticosteroide sérico, praticamente sem efeito
colateral sistêmico. Pode-se usar por meses. Eles
estabilizam a membrana dos mastócitos,
impedindo a produção desses mediadores, dessas
células inflamatórias.
- O gráfico mostra a beclometasona que é um
corticoide tópico e o placebo, mostrando que
quase não houve diferença. Apesar de que a
beclometasona a potência do corticosteroide é
alta e é muito absorvido. Já o tópico você usa,
deglute, mas não tem uma absorção importante
como os outros têm. Logo a segurança da
beclometasona é muito grande
- Algumas pessoas têm como queixa principal
não a obstrução ou prurido, mas a secreção
OBS: além do prurido nasal, obstrução e
secreção, os pacientes podem manifestar esses
sintomas no palato, garganta, olho
- Pode-se usar o brometo de ipratrópio (atrovent) que é um anticolinérgico que vai bloquear os receptores
muscarínicos e diminui a secreção nasal
- Não existe mais o atrovent nasal
- Era bom para esses casos de rinites vasomotoras que tinham muita secreção escorrendo, por exemplo
• Há os estabilizadores de membrana, como o
Cromoglicato dissódico (Rilan)
o Tem uma potência antialérgica muito baixa
o Melhor que placebo, pior que beclometasona;
o Indicado para Bebês ou quem tem contraindicações
para corticóides.
• OBS: os corticóides tópicos (spray) só podem ser
usados depois dos 2 aos 6 anos: a butesonida
(budecort);
- Aqui há um gráfico comparando a escala dos
sintomas com o uso do tratamento
• Placebo com os sintomas lá em cima
• Cromoglicato dissódico: sintomas
medianos
• Beclometason: sintomas lá embaixo
• Logo, pode-se concluir que o spray nasal é
muito bom para o tratamento
OBS: A medicação é usada no tratamento para
crise, mas para fazer a manutenção desse
tratamento o ideal é você fazer as orientações
do início, evitando o contato com o alérgeno
(sem dúvida é o melhor)
4. Imunoterapia:
- Em situações em que não tem como evitar o contato com o alérgeno ou tem preguiça de usar essa corticoterapia
por muito tempo ou se você quer tentar resolver logo esse problema, se você tem tempo para resolver o problema,
cansado de tentar resolver o problema, pode-se partir para a Imunoterapia
• Para fazer a imunoterapia tem que ter:
o Relevância da alergia (incomoda bastante)
o Falha na terapia medicamentosa
o Recusa no tempo prolongado de tratamento
o Ter sensibilidade comprovada por IgE mediada: por prick test (apenas qualifica a alergia, diz se é ou não
é) ou RAST (preferencial porque ele vai medir a queda do nível de IgE, quantificando a alergia, dizendo se a
pessoa está muito alérgica, mais ou menos, pouco etc.)
• A imunoterapia consiste na aplicação, injetando em pequenas doses esse alérgeno intradérmico com o
intuito de dessensibilizar o seu organismo. Hoje em dia não é obrigado ser intradérmico, pode ser por VO
(sublingual), mas ainda é muito caro
o Sem falar que é para um alérgeno, se você for alérgeno a 10 coisas terá que tomar 10 injeções imunoterápicas
o as injeções devem ser mensais durante dois anos, limitando seu uso, pq deve ser uma pessoa com paciência,
com condição financeira e ainda corre o risco de não funcionar
• A imunoterapia vai impedir a formação de IgE e que continue a reação alérgica
→ Pode-se usar os scores de sinais e sintomas para
quantificar a severidade da rinite. É usado mais para
quando se quer ver a evolução do quadro da pessoa,
mais em ambulatórios só de rinites etc.
- Os sintomas mais leves devem ser tratados com anti-
histamínicos orais ou tópicos ou descongestionantes e a
higiene ambiental
- Sintomas um pouco mais severos já se associa com
corticoide tópico (meia dose ou uma dose se os sintomas
forem um pouco mais severos)
- Geralmente, quando a pessoa vai ao consultório, é porque a situação não é leve
- Em casos mais graves há a associação de todos: higiene ambiental, corticoide tópico, anti-histamínico e corticoide
sistêmico, aí vem aquela história de corticoide de depósito (diprospan), beta trinta é tiro e queda fica 2 ou 3 dias
sem ter nada, mas não se pode ficar usando isso direto, senão dá outros problemas como: glaucoma, insuficiência
adrenal, osteoporose, pressão alta, diabetogênese etc
TRATAMENTO CIRÚRGICO:
- Se os medicamentos não funcionarem, a imunoterapia não deu certo e você está bastante incomodado com a
obstrução, somente, pode-se lançar mão de alguns procedimentos cirúrgicos (para diminuir o tamanho da concha e
melhorar a respiração), como:
- Turbinectomia inferiores Retirada parcial dos cornetos
- Turbinoplastia - Não pode retirar completamente, senão ocorreria um turbilhonamento do ar
- Luxação da concha inferior
- Criocirurgia: queimar internamente para ver se ela murcha;
- Infiltrar corticoide (não mais usado);
- Eletrocauterizar;
- Pode-se corrigir um desvio de septo associado;
- Esse procedimento só serve para obstrução nasal, a coceira continua, o escorrimento continua, a perda de olfato
continua;
RINITE INFECCIOSA
VIRAL: no exame físico a pessoa vai ter uma mucosa bem avermelhada, contrário a rinite alérgica;
BACTERIANA: causadas por gonococos;
• Pessoas que possuem pneumococos/ staphylococus aureus;
• Geralmente estão associadas a uma sinusite.
• Difteria, escarlatina.
RINITES CRÔNICAS
ESPECÍFICAS:
- Causadas por:
• Leishmaniose: mais comum no meio norte/nordeste do Brasil;
• Bacilo de hansen;
• Blastomicose;
• Paracoccidioidomicose;
- Se for verificado um nariz todo ferido, com lesão de aspecto granulomatoso e uma perfuração septal deve-se
desconfiar de leishmaniose
- Para dar o diagnóstico faz-se uma biópsia, tira-se um pedaço e manda para estudo
- Pode-se fazer uma associação com testes sorológicos para os patógenos que você esteja pensando
- Tuberculose é muito raro em nariz, é mais comum em laringe
INESPECÍFICAS:
- Mais associados a sinusites do que a rinites em si
- Fibrose cística
- Síndrome de Young
- Discinesia Ciliar
RINITES VASOMOTORAS (idiopáticas)
- Há uma hiper-reatividade a uma determinada substância, como por exemplo a capsaicina (presente na pimenta,
pimenta do reino principalmente).
- Quem come pimenta começa a ter uma obstrução nasal, uma rinorreia intensa
- Esses casos têm uma predominância do parassimpático
- Caso bom para uso do atrovent, mas se não tiver pode-se usar o corticoide tópico
- O tratamento dessas rinites para a alérgica não muda muito
RINITE EOSINOFÍLICA NÃO ALÉRGICA (RENA)
- É eosinofílica porque está repleta de eosinófilos, mas não tem alergia, então prick test vai dar negativo
- No citológico nasal detecta-se bastante eosinófilos
- Teste alérgico negativo
- Manifestação dos sintomas de obstrução nasal, principalmente espirros em salva (10-15 espirros quando acorda)
- São mais comuns de manhã
- Em pessoas mais jovens
- 25% dos pacientes podem ter polipose
- Intolerância a AAS
RINITE HORMONAL
- Está presente na grávida
• Comum a grávida aparecer no consultório com queixas de nariz entupido, porque existe a Mimetização Gravítica
• Há um aumento de 30-40% do volume circulante sanguíneo. Esse volume se reflete principalmente na fossa nasal,
manifestando-se na forma de congestão nasal, devido ao aumento de líquidos e da presença exagerada de estrógeno
- Presente no período menstrual também
- Uso de contraceptivos orais pode ter processos alérgicos e confunde-se com a rinite hormonal pq obstrui o nariz
também
- Hipotireoidismo: pode dar mixedema
- Diabéticos
RINITE DO ESPORTISTA DO FUNDISTA
- As pessoas que passam horas correndo acabam tendo um volume circulante de catecolaminas e de adrenalina
muito alto, então logo quando ele termina e descansa há o efeito rebote
• Passou muito tempo sob o domínio do simpático e depois de um tempo vai agir o parassimpático
RINITE GUSTATIVA
- Não deixa de ser uma rinite vasomotora e é por hiper-reatividade de uma substância, levando principalmente a
presença de rinorreia
• Tratamento: anticolinérgicos tópicos (brometo de ipatrópio)
RINITE MEDICAMENTOSA
- Pessoas que usam muito vasoconstritor tópicos (neosoro, afren, otrevina, privina, aturgil)
- As pessoas usam essa medicação demasiadamente levando a intolerância com o tempo
• A medicação não vai mais conseguir funcionar por conta da hiper responsividade do vasoconstritor na mucosa e leva a
destruição do epitélio respiratório que tem na mucosa nasal normal, destruindo os cílios praticamente, levando a rinite
medicamentosa
- Nesse estágio a pessoa não responde mais ao tratamento sistêmico ou corticóide tópico, geralmente tem que ir
para a cirurgia (turbinectomia: retirada parcial da porção inferior das conchas)
- Alguns agentes sistêmicos podem dar rinites medicamentosas como:
o aspirina
o álcool
o cigarro
o agentes anti-hipertensivos
RINITE EMOCIONAL
- Situações de estresse, estimulação autonômica parassimpática, quadro de somatização
-Tratamento: exercício e lazer
RINITES CRÔNICAS
- Além das específicas já faladas tem-se principalmente a Rinite Atrófica que pode ser de duas formas:
• Iatrogênica (secundária): tirar demais a concha, tira-se o aerofólio interno do nariz fazendo com que esse ar
turbilhonado entre no nariz resseque a mucosa e gere crostra e mal cheiro
• Ozenosa:
o Por algum motivo uma bactéria chamada klebisiella ozenae contamina o indivíduo (fossa nasal) e
leva a uma destruição das conchas, levando a formação de crostra infecciosa e um extremo mal
cheiro
o Não tem cura. Dá-se antibiótico, mas sem melhorar
o Há uma destruição das conchas
o Só há um jeito: como o problema é a crostra, então deve-se evitar a crostra
▪ Evita-se a crostra fazendo uma película em volta da mucosa que é feita com um tipo de mel
(mel karo, por exemplo)
▪ Forma-se uma película, impedindo que o ar resseque a mucosa
▪ Dessa forma a pessoa consegue viver razoavelmente bem durante muito tempo
Qual a diferença entre turbinectomia e turbinoplastia
• Turbinectomia: faz-se um corte transversal
• Turbinoplastia: seria uma cirurgia plástica na concha, abre-se a concha, tira-se o
osso dentro e depois fecha-se de novo
• Na prática mesmo faz-se uma turbinectomia