Ambientes Virtuais de
Aprendizagem (AVA)
Apresentação
Utilize o Assistente Pedagógico para enriquecer sua aprendizagem!
Com o avanço da tecnologia, os recursos digitais não se restringem mais a campos específicos. A
educação não poderia ficar distante dessa realidade e, para apoiar os processos de ensino-
aprendizagem, foram desenvolvidos os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs). Eles servem
tanto para a educação presencial quanto para aquela que ocorre a distância. No entanto, cada
recurso precisa ser devidamente analisado para que seu uso intencional pedagógico seja efetivo.
Isso vale tanto para as tecnologias mais comuns (o giz, provavelmente, não será o recurso mais
adequado para escrever em um caderno, por exemplo) quanto para as tecnologias digitais (um AVA
que serve para uma realidade pode não servir para outra).
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar informações básicas, mas indispensáveis a
respeito dos AVAs: conceito, quais os mais utilizados atualmente, e como eles podem apoiar tanto a
educação a distância quanto a presencial.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
• Reconhecer um ambiente virtual de aprendizagem.
• Identificar diferentes AVAs utilizados na EaD.
• Demonstrar o uso do AVA Moodle na EaD.
Infográfico
Utilize o Assistente Pedagógico para enriquecer sua aprendizagem!
Cada AVA tem características próprias, e cada docente pode utilizá-lo de uma forma diferente para
trabalhar seu conteúdo ou desenvolver as competências com seus alunos. Por isso, é necessário
refletir sobre uma série de critérios para escolher o AVA adequado. Quer saber quais são esses
critérios?
Veja o Infográfico a seguir e entenda o modelo SECTIONS utilizado para a escolha de um AVA.
Aponte a câmera para o
código e acesse o link do
conteúdo ou clique no
código para acessar.
Conteúdo do Livro
Utilize o Assistente Pedagógico para enriquecer sua aprendizagem!
Utilizar um AVA não é uma tarefa tão simples, por isso, você terá aqui algumas informações básicas
sobre o assunto. Durante a leitura do capítulo, você estudará fundamentos da educação a distância
(EaD) voltados aos ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs). E por que começar com a EaD?
Porque, embora ela não tenha surgido com a internet e com as novas tecnologias de informação e
de comunicação, ela se concretizou e, junto com ela, vieram os AVAs.
A leitura do capítulo Ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs), da obra Introdução a educação a
distância - EaD, fornecerá subsídios para você compreender o que é um AVA, conhecer os mais
utilizados e verificar alguns exemplos de uso do Moodle – o AVA mais utilizado no Brasil.
Boa leitura.
INTRODUÇÃO À
EDUCAÇÃO A
DISTÂNCIA - EAD
Edison Trombeta de Oliveira
Ambientes virtuais
de aprendizagem (AVA)
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer o ambiente virtual de aprendizagem.
Identificar diferentes AVAs utilizados na educação a distância (EaD).
Demonstrar o uso do AVA Moodle na EaD.
Introdução
Neste capítulo, você estudará aspectos da educação a distância (EaD)
voltados aos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA). A EaD é uma
modalidade de ensino que não surgiu com o advento da internet e das
Tecnologias de Informação e Comunicação, entretanto, foi com esses
marcos históricos que ela se fortaleceu, podendo fazer parte dos processos
de ensino e de aprendizagem não como um segmento apartado da
educação formal, mas como um complemento a ela, especialmente na
educação superior. Desta forma, compreender os AVA é fundamental para
pensar a EaD atualmente, embora, de forma alguma, se possa reduzir a
EaD à tecnologia, já que os processos pedagógicos e o uso intencional
educativo dessas ferramentas formam a base de toda a prática.
Assim, neste capítulo, primeiro você verá o que é um AVA, depois
estará apto a identificar alguns dos mais comuns utilizados na EaD e,
por fim, conhecerá alguns exemplos de uso do AVA Moodle – o mais
utilizado no Brasil – na educação.
O conceito de ambiente virtual
de aprendizagem
Você certamente estudou, ao menos o ensino fundamental e médio, de forma
presencial. Assim, já conhece um ambiente de aprendizagem: a sala de aula.
2 Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
Observe que a sala de aula presencial é um ambiente de aprendizagem,
mas não é virtual. O termo Ambiente Virtual de Aprendizagem é composto
por três palavras principais: é um “ambiente”, ou seja, um lócus que rodeia,
cerca ou envolve e constitui o meio onde algo se dá; é “virtual”, tanto no sen-
tido de algo criado pelos meios eletrônicos quanto no daquilo que existe em
potência (LEVY, 1996); e é “de aprendizagem”, já que serve a uma finalidade
educacional com a intenção de desenvolver no aluno alguma competência
ou fazer com que ele atinja determinado objetivo pedagógico por meio de
um processo intencional didático. Em síntese, AVA é como uma sala de aula
na qual a mediação didática e a interação ocorrem utilizando-se de meios
telemáticos como computadores, celulares, páginas da internet, entre outros.
Pensando na EaD como um processo de ensino e de aprendizagem no
qual professor e alunos estão separados em termos de localização e de tempo,
e a mediação ocorre com a utilização de tecnologias e métodos adequados
a essa modalidade de educação, o AVA torna-se um elemento estruturante
dela. Mas não é a simples seleção e aplicação de um AVA que fará com que
a EaD de determinada instituição tenha sucesso: ele precisa ser escolhido,
adaptado, organizado e utilizado com intencionalidade pedagógica, por meio
de uma equipe formada para tal atividade, incluindo os próprios professores,
mas contando também com designers instrucionais, profissionais de arte e
de tecnologia, etc.
De forma geral, os AVAs têm como objetivo a facilitação das atividades
didático-pedagógicas para o processo de ensino e aprendizagem apoiado por
tecnologias. Trata-se de um espaço na internet no qual se centraliza uma série
de ferramentas para uso dessas atividades, com possibilidades diversas de
exposição de conteúdos, formatos variados de práticas de ensino, recursos
tecnológicos (chats, fóruns, e-mails, etc.) e possibilidades de avaliação (NU-
NES, 2011). É comum que permitam aos docentes o controle de acesso dos
alunos, bem como de suas notas.
Os AVAs favorecem a criação de um local educativo digital para a interação,
de forma a não dar ao aluno a sensação de estar isolado. Ele pode, é claro,
interagir com o conteúdo disponibilizado, mas principalmente com o professor
e com os demais estudantes. Entretanto, a seleção de determinado AVA, das
ferramentas a serem utilizadas e mesmo do tipo de uso intencional pedagógico
que será adotado deve passar por uma análise do contexto.
Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) 3
A análise de contexto para a escolha de um AVA, suas ferramentas e seus usos, precisa
levar em conta uma série de fatores. De acordo com Bates (2015), algumas delas são:
público-alvo (quais são os aspectos tecnológicos disponíveis aos seus alunos, como
velocidade de conexão, tipo de dispositivo, bem como aspectos humanos, como
nível de fluência tecnológica deles e por quanto tempo costumam ficar conectados);
elementos técnicos do AVA em si, como ergonomia, design e usabilidade do am-
biente e de suas ferramentas;
quesitos pedagógicos como o tipo e a quantidade de material a ser disponibilizado
aos alunos, a frequência e o formato de atividades e avaliações;
fatores institucionais como a disponibilidade de recursos humanos e financeiros
para implementação, desenvolvimento, armazenamento, adaptação e design pe-
dagógico, além do custo do licenciamento e da hospedagem do próprio ambiente
virtual de aprendizagem, se for o caso.
Em geral, as concepções de aprendizagem presentes nos AVAs são voltadas
ao construtivismo (com foco na interação e no aprender com o meio) ou ao
conectivismo (na qual o foco, além do ser humano, também está na tecnologia
e no conhecimento nela presente). No entanto, ressalta-se novamente que o
diferencial do AVA é o uso intencional pedagógico que se faz dele. Pouco
importa em qual base teórica um AVA é construído se o design pedagógico
fomentar seu uso apenas como um repositório de conteúdo. A seleção e a
utilização das ferramentas de um AVA precisam estimular a visão de apren-
dizagem da instituição e a autonomia do aluno em direção à construção do
conhecimento de forma motivada e interativa.
Alguns autores fazem uma categorização dos tipos de AVA por “ondas”. A
primeira onda é de ambientes centrados em ferramentas; a segunda é voltada
aos conteúdos; a terceira foca em atividades; e a quarta tem ênfase na perso-
nalização do processo de ensino-aprendizagem (FILATRO; PICONEZ, 2012).
No entanto, nos últimos tempos, o que se tem visto é um salto de “ambientes”
para “ecossistemas” virtuais de aprendizagem (VEIGA et al., 2016), nos quais
podem ser centralizados todos os instrumentos e ferramentas que a instituição
deseja colocar à disposição dos alunos, sem obrigatoriamente deixá-la presa a
uma marca única. Estes ecossistemas, considerados AVA de última geração,
conseguem transpor para uma linguagem comum diversos tipos de dados e
colocá-los da mesma maneira amigável ao usuário, principalmente por meio
do acoplamento de recursos diversos disponíveis na internet. O que não muda,
4 Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
entretanto, é a necessidade de existir um ser humano com formação adequada
para selecionar os melhores recursos e aplicá-los com intencionalidade peda-
gógica no contexto educacional da instituição.
Alguns AVAs utilizados atualmente
Filatro e Piconez (2012) indicam que a maioria dos AVA utilizados no Brasil
ainda se encontra na primeira onda, cujo foco está nas ferramentas e em torno
de um sistema de gerenciamento de aprendizagem. Na obra, as autoras, inclu-
sive, exemplificam esta onda citando ambientes como Blackboard, Moodle,
Tidia-Ae e Teleduc. Por similitude, o AVA Canvas, lançado mais recentemente
que os demais citados, também está nesta categoria.
De forma geral, os ambientes têm um funcionamento bastante parecido:
trata-se de um grande espaço no qual podem ser organizadas “salas” (cursos,
disciplinas) diferentes. Dentro de cada uma dessas “salas” os tipos de ferra-
menta e a visualização delas também são muito semelhantes. São encontrados
recursos como: módulos ou abas para organização da disponibilização dos
materiais; páginas de conteúdos; arquivos hospedados diretamente no AVA
para download e para leitura online ou offline; fóruns e espaços de interação;
questionários e tarefas para perguntas objetivas, de resposta escrita no AVA
ou envio de arquivo; glossário; pastas para organização dos conteúdos; links
para sites externos; wiki ou outra forma de construção coletiva de textos.
Já que as ferramentas são parecidas e o seu uso intencional pedagógico
é que precisa ser bastante planejado, os próximos parágrafos apresentação
brevemente alguns dos principais AVAs para que você possa identificá-los. Por
ser um fator tecnológico no processo de educação a distância, é relativamente
comum que novos ambientes surjam e outros caiam em desuso. Entretanto,
os que serão explanados na sequência constam nesta lista ou por serem os
mais utilizados na educação brasileira contemporânea ou por terem alguma
importância na história recente da EaD brasileira.
Blackboard
É um AVA comercial utilizado em várias partes do mundo. Oferece o ambiente
virtual de aprendizagem propriamente dito (software para ser implementado
a fim de gerenciar as ferramentas utilizadas nos processos de ensino-aprendi-
zagem) e mais algumas soluções educacionais em certos nichos específicos,
Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) 5
como ensino fundamental, médio, superior, corporativo, governamental, etc.
A sede da empresa que lançou e mantém o AVA fica nos Estados Unidos, e
seu uso no Brasil está focado principalmente em instituições privadas.
O ambiente disponibiliza uma série de ferramentas para uso educacional
(avisos, mensagens e fóruns), além dos meios para publicação de diversos
tipos de mídias. Há também ferramentas para a gestão da aprendizagem do
aluno, como um tipo de boletim, e também uma maneira automatizada de se
entrar em contato com determinados grupos de estudantes, como aqueles que
estão há certo tempo sem acessar o AVA, ou os que obtiveram nota inferior
a um padrão determinado.
Teleduc
Um AVA brasileiro desenvolvido na Universidade Estadual de Campinas (Uni-
camp), mais especificamente em seu Núcleo de Informática Aplicada à Educação
do Instituto de Computação. Sua utilização iniciou em 1998, mas caiu em desuso
nos últimos anos e a própria Unicamp reduziu fortemente sua utilização a partir
de 2018. É um ambiente simples e flexível, com estrutura e suporte tecnológico
para a implementação de diferentes cenários de aprendizagem.
Oferece ferramentas de fóruns, chat, e-mail, bem como formatos variados
para a entrega do conteúdo, como vídeos e textos. Há um campo para geren-
ciamento de notas, e é possível analisar as interações nos fóruns por meio de
gráficos que mostram com quem os alunos mais entram em contato, além da
frequência de comunicação, por exemplo.
Tidia-Ae
É também um AVA brasileiro, desenvolvido junto ao programa de tecnologia
da informação para o desenvolvimento da internet avançada (Tidia) para apoio
ao aprendizado eletrônico (Ae), com financiamento da Fundação de Amparo
à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O ambiente possui parceria com
um projeto cujo núcleo básico foi utilizado para desenvolver a plataforma e as
mídias colaborativas, mas, atualmente, também é pouco utilizado.
Trata-se de um ambiente que compila três grandes grupos de ferramentas:
de administração, de coordenação e de comunicação, de forma que suas
funcionalidades permitem que os usuários possam criar cursos, gerenciá-los e
colaborar na execução de trabalhos, tarefas, pesquisas e projetos, dependendo
do perfil atribuído.
6 Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
Canvas
É um AVA lançado em 2011 pela Instructure Inc., empresa com sede nos Estados
Unidos. Está disponível em um modelo freemium, ou seja, há uma versão total-
mente gratuita, livre e aberta, com determinadas funcionalidades que podem
ser adaptadas e adequadas de acordo com as necessidades de cada instituição.
No entanto, há também uma versão na qual se paga pela hospedagem na nuvem
da Instructure, com mais ferramentas, mídias e possibilidades de uso do que a
versão gratuita. A versão paga tem a vantagem de funcionar na nuvem da Ins-
tructure, ou seja, não requer uma instalação local em um servidor da instituição
que o adotar e, assim, mantém-se sempre atualizado sem que sejam necessárias
paradas programadas ou interrupções na disponibilidade do sistema aos usuários.
Oferece ferramentas semelhantes aos demais ambientes, como fóruns,
tarefas, testes, módulo de notas, além de meios de entrega de conteúdo também
parecidos, possibilitando a utilização de textos, vídeos, animações, softwares
e games. Diferencia-se, entretanto, por permitir uma integração nata com
ferramentas de colaboração externas e por possuir módulos de integração com
aplicativos de diversas áreas e com variados tipos de conteúdo, sendo tudo
facilmente integrável, sem a necessidade de um profissional de tecnologia da
informação (TI) a cada necessidade.
Moodle
Foi criado em 2001 e, por ser de código aberto, livre e gratuito, está em constante
desenvolvimento por meio de uma comunidade mundial, que contribui para a
atualização permanente da ferramenta. São profissionais de TI, desenvolvedores,
professores, pesquisadores e designers instrucionais que compartilham infor-
mações a respeito do AVA, que pode ser configurado para atender a contextos
educacionais variados. Possibilita atividades voltadas à colaboração e à comuni-
cação, e permite a integração com diversas mídias e ferramentas externas, bem
como aos sistemas das instituições, como o de controle acadêmico ou de gestão
da vida escolar do estudante. É, ainda, a mais utilizada no Brasil e no mundo.
Moodle é, na realidade, a sigla para Modular Object Oriented Distance
Learning, que, traduzindo livremente, seria algo como “aprendizagem a dis-
tância orientada por objetos modulares”. Modular é um ponto forte deste
ambiente: possui uma estrutura modular, que permite um fácil intercâmbio
entre cursos dentro do mesmo AVA, entre diferentes instalações de Moodle e
até mesmo entre Moodle e outros ambientes que possam ser utilizados pelas
instituições de ensino.
Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) 7
Exemplos de uso do Moodle
Tendo em vista que o Moodle ainda é o AVA mais comum no Brasil, além
do fato de ele ser gratuito e de código aberto, ele será mais explorado neste
capítulo. Qualquer pessoa ou instituição pode adotar este ambiente, o que
o torna bastante acessível também para uso particular, por exemplo, se um
professor da educação presencial quiser um AVA para apoiar suas ativi-
dades sem que sua instituição seja obrigada a comprar a licença de uso. É
interessante destacar, entretanto, que está disponibilização depende de um
servidor para hospedagem e de certo conhecimento técnico para instalação
e manutenção.
Por isso, nesta parte do capítulo serão apresentados dois tipos principais de uso do
Moodle: um como ambiente principal de aprendizagem, para cursos a distância, por
exemplo; e outro como lócus de apoio às práticas presenciais, para atividades híbridas
ou que utilizem a internet apenas como apoio no desenvolvimento de algumas ativi-
dades. É possível utilizar o mesmo ambiente para mais de uma finalidade, exatamente
porque a qualidade não está na ferramenta em si, mas sim, como você já viu, no uso
intencional pedagógico que se faz dela.
Moodle no ensino presencial
O Moodle pode ser utilizado facilmente de diversas formas no ensino presen-
cial. A mais simples, é claro, é utilizá-lo como um tipo de repositório para a
disponibilização de materiais ou interações simples. Por exemplo, na exigência,
durante as aulas presenciais, da leitura prévia de algum texto, para discussão
na sala de aula. O Moodle oferece modos de organização desses materiais,
visualmente, por meio de “módulos temáticos” por “abas”. Em cada uma
dessas opções, é possível ainda — a) disponibilizar o conteúdo diretamente
no Moodle, de forma que, ao clicar, o aluno faz o download do material; b)
inserir um link para um material externo, como um arquivo na nuvem ou um
site externo; c) organizar em pastas e, dentro delas, utilizar uma das duas
opções anteriores.
8 Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
Mesmo sendo muito semelhante, um uso alternativo da plataforma é o de,
ao explicar temas em sala de aula, utilizar textos, vídeos e outros recursos
oferecidos dentro do repositório do Moodle. Neste sentido, as opções de
disponibilização de conteúdo citadas anteriormente permanecem válidas e
pode-se utilizar o ambiente destas maneiras.
Entre os usos mais simples, é possível também utilizar o ambiente para
algum tipo de interação. O fórum pode ser aplicado em apoio ao que ocorre
presencialmente em sala de aula, com a finalidade de aprofundar discussões
ocorridas ou realizar outras sobre temas diversos de interesse da disciplina
ou do curso presencial.
Outras formas de colaboração, além do fórum, também podem ser fo-
mentadas, por meio de ferramentas como Wiki, Chat e mensagens. Wiki é
uma página na qual determinados integrantes conseguem, ao mesmo tempo
e colaborativamente, inserir conteúdos dos mais diversos formatos, como
textos, vídeos, links, etc. É uma ferramenta simples para a escrita e a edição
de textos em grupo, de forma cooperativa. Chat e mensagens são formas mais
conhecidas de interação. A primeira é um bate-papo em tempo real, que pode
ser mediado ou não, e a segunda é como um e-mail interno do Moodle, que
possibilita o envio e a resposta de mensagens diversas para um integrante ou
para um grupo de integrantes, incluindo anexos.
A ferramenta tarefa possui, igualmente, grande valia para gerenciar a
entrega e o recebimento de atividades, que podem ser avaliativas ou não. Ela
possibilita o envio individual de diversos tipos de arquivos a partir de um
enunciado que pode estar no Moodle. É possível dar devolutivas, como notas
e feedbacks, diretamente pelo ambiente.
Um exemplo de uso integrado do Moodle é na disciplina “Ambientes
Virtuais de Aprendizagem apoiados por recursos Web. Novos Desafios. Novas
Competências” da Pós-Graduação em Educação, da Faculdade de Educação
da Universidade de São Paulo (USP). Nela, todas essas funcionalidades
anteriormente citadas foram aplicadas e, além disso, houve também um
diagnóstico ao início da disciplina, sobre a fluência de cada um dos alunos
em AVA, bem como uma autoavaliação ao final, sobre quais competências
cada um dos estudantes da disciplina acredita ter desenvolvido durante seu
semestre de duração.
É claro que estas são opções simples de uso do Moodle, quando utilizadas
individualmente. De maneira integrada, elas apoiam de forma bastante com-
pleta e complexa as atividades presenciais – sempre na dependência de como
o docente decide e consegue utilizá-las. Entretanto, o Moodle também apoia a
aplicação de metodologias mais inovadoras, como a sala de aula invertida. Sob
Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) 9
esta perspectiva, o papel do professor deixa de ser o de detentor dos saberes
para passar a ser o de mediador da construção do conhecimento, por meio de
estratégias que demonstrem como os conteúdos e as competências têm a ver
com a vida dos alunos e suas motivações. Pensando na sala de aula como ponto
fixo para atividades práticas e debates, há uma fase anterior na abordagem
da sala de aula invertida, que envolve a aprendizagem autônoma realizada
individualmente pelo estudante, seguida de uma fase de diagnóstico dessa
aprendizagem prévia. É aqui que o Moodle pode ser utilizado: para capturar
se e como os alunos aprenderam os conteúdos previamente solicitados, para
organizar o conteúdo. “Os resultados dessa avaliação, quando registrados
na plataforma, permitem ao professor acessá-los e conhecer quais foram os
pontos críticos do material estudado e que devem ser retomados em sala de
aula [...]” (VALENTE, 2014, p. 90).
Enfim, há diversas possibilidades de uso do Moodle na educação presencial.
Precisa, antes de m ais nada, que o professor conheça o ambiente, o utilize
e o teste para, depois, pensar em como fazer ouso pedagógico em contextos
de ensino e de aprendizagem específicos. Devem ser articulados os conheci-
mentos da tecnologia ou do recurso em si com os de didática e da matéria ou
disciplina a ser trabalhada.
Moodle na educação a distância
Todas as funcionalidades citadas do Moodle, como o apoio da educação
presencial, também podem ser utilizadas de acordo com o modelo educa-
cional da instituição e com a intencionalidade pedagógica do docente e do
designer instrucional. São utilizadas possibilidades como a disponibilização
de conteúdos nas mais diversas mídias, de forma direta ou organizados em
pastas, fóruns, wikis, mensagens e tarefas, entre outras estratégias que inte-
gram o Moodle com ferramentas externas, permitindo, assim, novos tipos de
colaboração, acesso a livros e capítulos, de atividades práticas e de recursos
interativos dos mais diversos tipos.
Uma das principais diferenças entre o uso do Moodle na EaD e sua
utilização como apoio ao ensino presencial é na concepção de “aula”. Para
a educação presencial, na qual o Moodle pode ser uma forma de apoio às
atividades, uma aula ainda é um processo de ensino e de aprendizagem que
ocorre presencialmente, com alunos e professores no mesmo lugar e ao
mesmo tempo, com duração aproximada de 50 minutos – e é esta atividade
que o Moodle pode apoiar. Na EaD, a aula é uma seleção intencional de
conteúdos, dispostos em mídias e ferramentas variadas, voltadas a atingir
10 Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA)
determinado objetivo pedagógico ou desenvolver certa competência em
certo período, de forma que o AVA, neste caso, o Moodle, é o local onde o
curso e as atividades se desenvolvem.
Uma série de instituições de EaD adota o Moodle como principal ambiente
para os seus processos de ensino e de aprendizagem. Uma delas, de acordo
com Rios et al. (2016), é a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita
Filho” (Unesp), por meio do seu Núcleo de Educação a Distância (NEaD).
A instituição adota o Moodle porque, além de conseguir dar um bom
uso pedagógico às suas ferramentas nativas, é o AVA com maior facilidade
e possibilidade de adequação para que seja acessível para pessoas com de-
ficiência, uma marca dos cursos ofertados. Ao acessar o AVA da Unesp, o
estudante escolhe qual tipo de visualização quer (com audiodescrição, com
Libras ou sem recurso assistivo) e depois encontra a sala virtual na qual tem
acesso aos conteúdos do curso em que está matriculado, podendo, portanto,
enviar atividades que demandem avaliação, participar das ações propostas no
decorrer da disciplina e ainda interagir com colegas e tutores.
No caso dos cursos de especialização da instituição, por exemplo, há
conteúdos disponibilizados semanalmente em um quantitativo de páginas
de leitura e de minutos de vídeo coerente com a carga horária da disciplina.
Atividades avaliativas também ocorrem no Moodle, e a correção fica a cargo
dos tutores. Parte da nota necessária para aprovação em cada matéria vem de
provas presenciais – até 2017, ainda era necessário que a nota das atividades
presenciais fosse preponderante com relação às ocorridas por meio do AVA;
depois do Decreto 9.057, de 2017, essa exigência não vigora mais.
Em síntese, o uso do Moodle na EaD também depende da intencionali-
dade educacional que se pretende conferir ao AVA. Depende, é claro, das
exigências da instituição, e das necessidades dos alunos. Assim, o docente
deve utilizar o Moodle com foco no desenvolvimento de competências ou
nos objetivos pedagógicos. O desenho instrucional deve ser sempre pensado
neste sentido.
Ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) 11
BATES, A W. Teaching in a digital age: guidelines for designing teaching and learning.
Vancouver: Tony Bates Associates, 2015.
FILATRO, A.; PICONEZ, S. C. B. Evolução dos sistemas para educação a distância. In:
MACIEL, C. (Org.). Ambientes virtuais de aprendizagem. Cuiabá: EdUFMT, 2012. p. 59-90.
LEVY, P. O que é o virtual? São Paulo: Ed. 34, 1996.
NUNES, J. S. Novas perspectivas para um ambiente virtual de aprendizagem: o docente
como protagonista do processo. In: BARROS, D. M. V. et al. (Org.). Educação e tecnologias:
reflexão, inovação e práticas. Lisboa: Universidade Aberta de Portugal, 2001. p. 316-329.
Disponível em: <[Link]
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RIOS, G. A. et al. Audiodescrição e inclusão na educação a distância: experiência do
núcleo de educação a distância da UNESP. Journal of Research in Special Educational
Needs, v. 16, n. 1, p. 236-240, 2016. Disponível em: <[Link]
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VALENTE, J. A. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de
aula invertida. Educar em Revista, Curitiba, n. spe 4, p. 79-97, 2014. Disponível em: <http://
[Link]/[Link]?script=sci_arttext&pid=S0104-40602014000800079&lng=p
t&nrm=iso>. Acesso em: 08 ago. 2018.
VEIGA, W. et. al. Ecossistema par ao domínio educacional: modelo baseado em serviços
Web. 2016. Disponível em: <[Link]
pdf>. Acesso em: 09 ago. 2018.
Dica do Professor
Há elementos intrínsecos do AVA, os quais precisam ser conhecidos para utilizá-los, mas, também,
há aportes teóricos que discutem, de forma mais geral, o trabalho com tecnologias. Uma dessas
abordagens é o TPACK - Conhecimento Pedagógico dos Conteúdos Tecnológicos.
Acompanhe a Dica do Professor e entenda como o TPACK é formado e os cuidados que o aluno
deve ter com o AVA.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Exercícios
1) A educação com tecnologias tem um forte instrumento para uso intencional pedagógico: o
ambiente virtual de aprendizagem. Como caracterizar um AVA?
A) Um espaço no qual o processo de ensino-aprendizagem e a interação ocorrem por meio de
recursos telemáticos como computadores, internet, celulares, entre outros.
B) Uma sala de aula ou qualquer outro espaço, físico ou não, no qual um professor ensina algo a
um estudante ou a um grupo deles.
C) Um lócus de interação descomprometida dos alunos, de forma que eles possam ter acesso a
conteúdos educacionais em qualquer lugar a qualquer tempo.
D) Um software que pode ser instalado em diversas máquinas, como computadores e celulares, o
qual promove a aprendizagem.
E) Um site construído com a finalidade única de inscrever professores para que esses recebam
formação de designers instrucionais.
2) Diversos ambientes virtuais de aprendizagem foram desenvolvidos exclusivamente para fins
educacionais, enquanto outros sites da internet podem ser utilizados como fonte para o
estudo, dirigido ou individual. Selecione, entre as alternativas a seguir, aquelas que têm
apenas AVAs desenvolvidos com foco na educação.
A) Canvas, Moodle, Google Scholar, Teleduc.
B) Canvas, Moodle, Teleduc, Blackboard.
C) Canvas, Moodle, Google Scholar, Blackboard.
D) ResearchGate, Moodle, Google Scholar, Teleduc.
E) ResearchGate, Moodle, Google Scholar, Blackboard.
3) O Moodle é um dos AVAs mais utilizados no mundo, por ser gratuito e aberto e, ainda, por
possibilitar uma série de utilizações personalizadas. Selecione a alternativa que contém
ferramentas do Moodle para uso pedagógico tanto na educação a distância quanto na
presencial.
A) Tarefa, fórum e Wiki.
B) Tarefa, fórum e nuvem.
C) Tarefa, Wiki e simulações.
D) Tarefa, fórum e caça-palavras.
E) Tarefa, Wiki e biblioteca virtual.
4) Pode-se utilizar o Moodle de diversas formas na educação a distância e na presencial.
Selecione, entre as alternativas a seguir, aquela que contém uma forma adequada de uso do
Moodle como apoio às atividades presenciais.
A) Organizar e fomentar discussões e debates, inéditos ou complementares aos presenciais, por
meio da ferramenta pasta.
B) Gerenciar a entrega e o recebimento de atividades, avaliativas ou não, por meio da
ferramenta tarefa.
C) Fornecer materiais, como textos e vídeos, para o aprofundamento de conteúdos discutidos
presencialmente por meio da ferramenta sala de aula invertida.
D) Arquivar e gerenciar materiais para leitura, de produção própria ou não, da turma presencial,
por meio da ferramenta Wiki.
E) Proporcionar a construção coletiva de conhecimento em complementação às atividades
presenciais por meio da ferramenta download.
5) Para a educação a distância, o uso de ambientes virtuais de aprendizagem é indispensável.
Isso porque o AVA se torna o lócus principal da construção de conhecimento. Nesse sentido,
como podemos definir aula para o contexto da EaD?
A) Um processo educacional no qual alunos e professores estão juntos, no mesmo lugar físico e
ao mesmo tempo.
B) Uma organização de conteúdos que possibilite aprendizagem em 50 minutos com o apoio de
alguma tecnologia, como o Moodle.
C) Uma seleção de mídias e de recursos didáticos preparados especificamente para esse fim
durante 50 minutos.
D) Uma forma de ensino e de aprendizagem com alunos e professores no mesmo espaço físico,
mas em tempos diferentes.
E) Uma seleção de conteúdos, organizados e dispostos em diversas mídias e ferramentas, a fim
de atingir um objetivo pedagógico ou desenvolver uma competência em um certo período.
Na prática
Utilize o Assistente Pedagógico para enriquecer sua aprendizagem!
Como escolher um AVA e como utilizá-lo? É necessário conhecer a fundamentação pedagógica do
seu uso, as suas características técnicas e qual o tema a ser ensinado.
Acompanhe neste Na Prática, quais os usos mais comuns das ferramentas do Moodle.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba mais
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Os ambientes virtuais de aprendizagem, participação e
interação, ou sobre o muito a caminhar
Como há uma série de informações que precisam ser levadas em consideração na escolha e no uso
de um AVA, os materiais anteriores focaram nesses quesitos. Mas o próximo trata de forma mais
direta do assunto, cuja coautoria é de um dos maiores especialistas da área no Brasil, Cristiano
Maciel. Arraste no final da pagina e leia o artigo.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
A organização do ambiente virtual de aprendizagem na EaD: o
ponto de vista dos estudantes
Este artigo objetiva discutir a organização didática do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) a
partir do ponto de vista dos estudantes e compreender as singularidades dos processos de
interação nesse contexto. Os dados foram construídos com base em um questionário aplicado com
estudantes de diferentes cursos de um polo da Educação a Distância.
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Aplicação dos estilos de aprendizagem em ambientes virtuais
Pesquisas indicam que há formas diferentes de aprendizagem - os chamados estilos de
aprendizagem. Assim, os alunos precisam de estímulos diversos para atingir objetivos pedagógicos.
Já pensou como o AVA pode ajudar nesse processo? É sobre isso que a professora Daniela Melaré
fala neste vídeo.
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