Fundamentos de Matemática: Lógica e Conjuntos
Fundamentos de Matemática: Lógica e Conjuntos
Matemática Elementar
Unidade I: Lógica, conjuntos e polinômios
1 Introdução à Lógica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.1 Cálculo Proposicional 5
1.2 Negação 6
1.3 Conectivo ∧ ou Conjunção 7
1.4 Conectivo ∨ ou disjunção 8
1.5 Condicional → 8
1.6 Condicional Dupla ↔ ou bicondicional 9
1.7 Tautologias 10
1.8 Relação de implicação 10
1.9 Relação de equivalência 11
1.10 Sentenças abertas, quantificadores 11
2 Tipos de demonstração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.1 Afirmações existenciais 13
2.2 Afirmações universais 14
2.3 Como negar uma proposição universal 15
2.4 Prova direta 17
2.5 Prova por contrapositiva 19
2.6 Prova por contradição/ redução ao absurdo 20
2.6.1 Prova por contradição para proposição universal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3 Teoria dos conjuntos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.1 Conjuntos 25
3.2 Elemento 25
3.3 Pertinência 26
3.4 Conjunto universo 26
3.5 Representação de conjuntos 27
3.6 Conjunto vazio 28
3.7 Conjuntos iguais 28
3.8 Subconjuntos 28
3.9 União 29
3.10 Interseção 30
3.11 Complementar 31
3.12 Conjuntos Numéricos 32
3.13 Conjunto dos números naturais 33
3.14 Conjunto dos números inteiros 33
3.14.1 Adição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.14.2 multiplicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.15 Conjunto dos números racionais 36
3.16 Números irracionais 37
3.17 Conjunto dos números reais 38
A Lógica pode ser entendida como a ciência que estuda os princípios e os métodos que permitem es-
tabelecer as condições de validade e invalidade dos argumentos. Esta teoria permite a construção dos
resultados em Matemática, através de axiomas (leis básicas) e regras de dedução que demonstramos
os teoremas.
2 Por exemplo, o Teorema de Pitágoras: Num triângulo retângulo o comprimento da hipotenusa
ao quadrado é igual a soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos.
a2 = b2 + c2
a
b
B c A
Este teorema é válido no plano, pois os Axiomas de Euclides são válidos na Geometria Plana.
Entretanto, pode não valer o Teorema de Pitágoras num contexto de geometria numa esfera, isto é,
é possível obter um triângulo desenhado sob uma esfera cuja a soma dos ângulos internos desse
triângulo é maior do que 180◦ . Portanto é importante conhecer as hipóteses para argumentar
resultados.
exatidão desta ciência. A parte da Lógica Matemática responsável em analisar estes conceitos é o
Cálculo Proposicional
Definição 1.1.1. Uma proposição ou um enunciado é qualquer sentença que afirma uma informa-
ção,a qual é necessariamente
(i) sendo oração, tem sujeito e predicado;
(ii) uma declaração não exclamativa, nem interrogativa;
(iii) tem um, e somente um, dos dois valores lógicos: ou é verdadeira , denotada por (V ), ou é
falsa, denotada por (F).
Definição 1.1.2. Uma proposição é simples se, e somente se, contiver uma única afirmação. Uma
proposição é composta quando for constituída por uma sequência finita de pelo menos duas
proposições simples.
1.2 Negação
Definição 1.2.1. Negação: Se o valor-verdade de uma proposição é (V ), quando acompanhado do
conectivo de negação, passará a ser (F).
Notação: ∼ (colocado antes da letra que traduz a proposição). Assim, ∼ p.
Para que ∼ p seja realmente uma proposição, devemos ser capazes de classificá-la em verdadeira
(V) ou falsa (F). Para isso vamos postular (decretar) o seguinte critério de classificação:
Este conectivo é um conectivo unário, enquanto os próximos são conectivos binários, pois ligam
duas proposições. Por exemplo:
(i) “Luís não recebeu o seu pagamento na data prevista.”
Seja P : Luís recebeu o seu pagamento na data prevista.
Simbolicamente, temos: ∼ P.
(ii) “Alfredo não gosta de trabalhar.” Seja T : Alfredo gosta de trabalhar.
Simbolicamente, temos: ∼ T .
Vejamos alguns exemplos matemáticos.
a) p: Nove é diferente de cinco, (9 6= 5).
∼ p: Nove é igual a cinco, (9 = 5).
b) p: Sete é maior que três, (7 > 3).
∼ p: Sete é menor ou igual a três, (7 ≤ 3).
c) p: Dois é um número inteiro, (2 ∈ Z).
∼ p: Dois não é um número inteiro, (2 6∈ Z).
Perceba que proposições compostas são composições de várias proposições simples conectadas
por elementos específicos: conetivos. Logo, para descobrir o valor verdade de uma proposição
composta, será necessário utilizar a Tabela verdade, onde trabalhamos as possibilidades dos valores
verdades das proposições envolvidas.
Por exemplo:
1. “Maria foi ao cinema e Marta, ao teatro.”
Sejam: C : Maria foi ao cinema.
T : Marta foi ao teatro.
Simbolicamente, temos: C ∧ T.
p q p∧q
V V V
V F F
F V F
F F F
Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma:
p: 2 > 0 (V)
10 Capítulo 1. Introdução à Lógica
q: 2 6= 1 (V)
então:
p ∧ q : 2 > 0 e 2 6= 1 (V).
Logo, exemplo se enquadra na primeira linha da tabela. Note que quando as proposições são
genéricas, precisamos partir para a tabela verdade.
Valor lógico de Disjunção: A proposição p ∨ q será verdadeira, se alguma das proposições for
verdadeira. A proposição p ∨ q será falsa, somente se ambas as proposições forem falsas.
Veja a seguir como fica a Tabela Verdade.
p q p∨q
V V V
V F V
F V V
F F F
Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma
p: 34 < 26 (F)
q: 22 < (−3)5 (F)
então:
p ∨ q: 34 < 26 ou 22 < (−3)5 (F).
Logo, exemplo se enquadra na última linha da tabela. Note que quando as proposições são genéricas,
precisamos partir para a tabela verdade.
1.5 Condicional →
Definição 1.5.1. Colocando o condicional → entre duas proposições p e q, obtemos uma nova
proposição, p → q, que se lê: se p, então q, p é condição suficiente para q, q é condição necessária
para p.
Por exemplo:
1.6 Condicional Dupla ↔ ou bicondicional 11
p q p→q
V V V
V F F
F V V
F F V
Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma
p: dois é divisor de quatro (2|4) (V)
q: quatro é divisor de vinte (4|20) (V)
p q: se dois é divisor de quatro, então quatro é divisor de vinte (2|4 → 4|20) (V) Logo, exemplo se
enquadra na primeira linha da tabela. Note que quando as proposições são genéricas, precisamos
partir para a tabela verdade.
p q p ←→ q
V V V
V F F
F V F
F F V
12 Capítulo 1. Introdução à Lógica
Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma
p: 4 ≤ 3 (F)
q: 4 ∗ 5 ≤ 3 ∗ 5 (F)
p ↔ q: 4 ≤ 3 ↔ 4 ∗ 5 ≤ 3 ∗ 5 (V).
Logo, exemplo se enquadra na última linha da tabela. Note que quando as proposições são
genéricas, precisamos partir para a tabela verdade.
1.7 Tautologias
Definição 1.7.1. Seja v uma proposição formada a partir de outras (p, q, r, ...) mediante o emprego
de conectivos (∨ ou ∧) ou de modificador (∼) ou de condicionais (→ ou ↔).
Dizemos que v é uma tautologia ou proposição logicamente verdadeira quando v tem o valor
lógico V (verdadeira) independentemente dos valores lógicos de p, q, etc.
Assim, a tabela verdade de uma tautologia apresenta só V na última coluna. Por exemplo, a
proposição ∼ (p ∧ q) ←→ (∼ p) ∨ (∼ q) é uma tautologia. Veja a tabela verdade a seguir.
V V F F V F F V
V F F V F V V V
F V V F F V V V
F F V V F V V V
hipótese ⇒ tese
Assim, demonstrar um teorema significa mostrar que não ocorre o caso de a hipótese ser verdadeira
e a tese ser falsa.
R Uma forma prática de verificar se temos uma relação de implicação é se temos uma tautologia,
isto é, relação de implicação é uma condicional que é também uma tautologia.
Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma.
1.9 Relação de equivalência 13
Exemplo 1.8.1. 2|4 ⇒ 2|4 ∗ 5 significa dizer que o condicional se 2 é divisor de 4, então 2 é divisor
de 4 ∗ 5 é verdadeiro.
p q p∧q p∧q → p
V V V V
V F F V
F V F V
F F F V
Observações:
1ł) Notemos que p equivale a q quando o condicional p ↔ q é verdadeiro.
2ł) Todo teorema cujo recíproco também é verdadeiro é uma equivalência.
hipótese ⇔ tese
R Uma forma prática de verificar se temos uma relação de equivalência é se temos uma tautologia,
isto é, relação de equivalência é uma bicondicional que é também uma tautologia.
variável.
Nos exemplos citados, temos:
a) x + 2 = 5 é verdadeira se trocarmos x por 3 e é falsa para qualquer outro valor dado a x;
b) x > −4 é falso, por exemplo, para x = −5;
c) y3 = 9y2 é verdadeiro se trocarmos y por exemplo por 0 (03 = 2 ∗ 02 ) e é falso para o valor de x
igual a 1.
Orações que contêm variáveis são chamadas funções proporcionais ou sentenças abertas. Tais
orações não são proposições, pois seu valor lógico (V ou F) é discutível, isto é, depende do valor
dado às variáveis.
Exemplo 1.10.1. 1. (∀x)(2x + 1 = 7), que se lê: qualquer que seja o número x, temos 2x + 1 = 7.
(F)
2. (∀y)(5y2 + 3 > 0), que se lê: para todo número y, temos 5y2 + 3 positivo. (V)
Por exemplo:
1. (∃x)(2x + 1 = 7), que se lê: existe um número x tal que 2x + 1 = 7. (V)
2. (∃y)(5y2 + 3 ≤ 0), que se lê: existe um número (real) y tal que 5y2 + 3 não positivo. (F)
2. Tipos de demonstração
∃x ∈ D (A(x))
é verdadeira, temos o método da explicitação, o método da construção e o método não construtivo.
O método da explicitação necessita exibir um termo x ∈ D tal que A(x) é verdadeira. O método
da construção é necessário construir um método ou algoritmo para explicitar um elemento x ∈ D
tal que A(x) é verdadeira. O método não construtivo usa fatos para garantir a existência de um
elemento x ∈ D tal que A(x) é verdadeira mas não explicita o elemento x.
Exemplo 2.1.1. Vamos verificar que a seguinte afirmação é verdadeira, usando método da explici-
tação:
“ Existe um número n inteiro par que pode ser escrito como a soma de dois primos, de duas formas
diferentes.”
Demonstração: Para verificar basta explicitar um número n com está propriedade. Conside-
ramos n = 10 e vemos que temos as escritas 10 = 3 + 7 e 10 = 5 + 5 logo 10 satisfaz a afirmação.
16 Capítulo 2. Tipos de demonstração
Exemplo 2.1.2. Vamos verificar que a seguinte afirmação é verdadeira, usando o método da
construção:
“Sejam r, s inteiros. Existe k ∈ Z, expressos por meio de r e s, tais que 22r + 18s = 2k.”
Demonstração: Devemos mostrar um método para construir o número k a partir dos números r
e s.
Para cada r, s dados, considere k = 11r + 9s. Vamos mostrar que este número k satisfaz a
propriedade:
2k = 2 · (11r + 9s) = 22r + 18s.
Exemplo 2.1.3. Vamos verificar que a seguinte afirmação é verdadeira, usando o método de não
construtivo:
“Em qualquer grupo de 13 pessoas, pelo menos duas nasceram no mesmo mês.”
Demonstração: Se cada pessoa fosse colocada em uma “gaveta” correspondente ao seu mês de
nascimento, teríamos 12 gavetas e assim alguma gaveta possuíria pelo duas pessoas, isto é, pelo
menos duas pessoas nasceram no mesmo mês. Este é uma aplicação do Princípio da Casa dos
Pombos. Logo não exibimos quais pessoas fazem aniversário no mesmo mês, só sabemos que estas
existem.
Exemplo 2.1.4. Para verficarmos a afirmação “ Toda equação com coeficientes reais de grau três
ax3 + bx2 + cx + d = 0
tem uma solução real.”, geralmente é feita de forma não construtiva, utilizando ferramentas do
Cálculo Diferencial e Integral, conhecido como o Teorema do Valor Intermediário. Neste caso, não
é exibida a solução em geral, mas esta existe.
∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))
Exemplo 2.2.1. Vamos verificar usando o método da exaustão que a afirmação a seguir é verdadeira:
“Seja n ∈ Z. Se n é par e 4 ≤ n ≤ 30, então n pode ser escrito como a soma de dois primos.”
Vamos verificar que os números pares entre 4,6,8,10,...,30 podem ser escrito como a soma de
2.3 Como negar uma proposição universal 17
dois primos: 2
4 = 2+2
6 = 3+3
8 = 3+5
10 = 5 + 5
12 = 5 + 7
14 = 7 + 7
16 = 5 + 11
18 = 5 + 13
20 = 7 + 13
22 = 11 + 11
24 = 11 + 13
26 = 13 + 13
28 = 11 + 17
30 = 13 + 17
∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))
Logo devemos exibir x ∈ D tal que ¬(P(x) −→ Q(x)) é verdadeira, isto é, que P(x) −→ Q(x) é falsa.
Usando a equivalência conhecida como Implicação Material
temos que devemos exibir x ∈ D tal que ¬P(x) ∨ Q(x) é falsa. A única opção é exibir x ∈ D tal que
¬P(x) é falso e Q(x) falso. Isto é, exibir x ∈ D tal que P(x) é verdadeira e Q(x) falso.
Resumindo: para mostrar que a afirmação universal dada é falsa, basta devemos exibir x ∈ D tal
que P(x) é verdadeira mas Q(x) é falsa. Este termo x é chamado de contra-exemplo.
O problema dessa demonstração é que nem sempre é simples encontrar o contra-exemplo.
onde
P(a,b): a2 = b2 (Hipótese)
Q(a,b): a = b (Tese)
Devemos mostrar que existem ∃a, b ∈ R tais que (P(a, b) −→ Q(a, b)) é falso. Logo basta dar
um contra-exemplo. Considere a = −1 e b = 1 então P(−1, 1) é Verdadeiro pois (−1)2 = 12 mas
Q(−1, 1) é Falso, pois 1 6= −1.
p(40) = 402 + 40 + 41
= 40(40 + 1) + 41
= 40 · 41 + 41
= 41(40 + 1)
= 41 · 41
logo não é primo, pois 41 divide p(40). Em 1772, Euler mostrou que a afirmação é verdadeira para
todos os números naturais menores do que 40.
Exemplo 2.3.3. A Conjectura de Euler (1769): “a4 + b4 + c4 = d 4 não tem solução no conjunto
dos números inteiros positivos.” A conjectura de Euler é falsa! Contra-exemplo construído por
Elkies em 1986:
958004 + 2175194 + 4145604 = 4224814
Exemplo 2.3.4. A conjectura (Último Teorema de Fermat) (1637): “ Não existem inteiros positivos
x, y, z e n, com n > 2 que satisfaça
xn + yn = zn . ”
é verdadeira ou falsa? Observe que quando n = 2, esta conjectura é o Teorema de Pitágoras para
entradas inteiras e é verdadeira. Basta exibir a terna pitágorica 32 + 42 = 52 .
A conjectura só foi provada como verdadeira em 1994 por Andrew Wiles, o que resultou
no recebimento do Prêmio Abel (2016). A história da demonstração deste fato e tentativas de
demonstrações está descrito no livro "O último teorema de Fermat"do autor Simon Singh.
Exemplo 2.3.5. Em 1742, o matemático prussiano Christian Goldbach enviou uma carta ao mate-
mático suíço Leonhard Euler com dois problemas, os quais ficaram conhecidos como Conjecturas
de Goldbach.
Conjectura de Goldbach (também conhecida como Conjectura Forte): “ Todo número par
maior que 2 pode ser representado pela soma de dois números primos.”
2.4 Prova direta 19
Versão Fraca da Conjectura: “Todo número ímpar maior que 7 pode ser expresso como soma
de três números primos ímpares."Por exemplo a conjectura forte pode ser verificada para alguns
valores, como por exemplo a seguir e esta conjectura foi testada para números pares muito altos, de
forma computacional, mas não para todos. 2
4 = 2+ 2
6=3+3
8=3+5
10 = 5 + 5
12 = 5 + 7
14 = 3 + 11
16 = 3 + 13
18 = 5 + 13
20 = 3 + 17
22 = 3 + 19
24 = 5 + 19
26 = 3 + 23
28 = 5 + 23
30 = 7 + 23
32 = 3 + 29
34 = 3 + 31
36 = 5 + 31
38 = 7 + 31
40 = 3 + 37
42 = 5 + 37
44 = 3 + 41
46 = 3 + 43
48 = 5 + 43
50 = 3 + 47
A Conjectura Forte se for verdadeira implica a conjectura Fraca. O matemático peruano Harald
Helfgott verificou a Conjectura Fraca é VERDADEIRA em 2013.
∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))
∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))
x = 2k.
Assim
x2 = (2k)2 = 4k2 = 2 · (2k2 ).
Seja m = 2k2 . Assim m é um número inteiro, pois Z é fechado em relação ao produto. Então x2 = 2m
com m ∈ Z, portanto x2 é par por definição, como queríamos mostrar.
Exemplo 2.4.2. Seja x um número inteiro. Se x é par, então y = x + 5 é impar. Verificar que a
afirmação é verdadeira de forma direta.
Demonstração: A proposição universal
∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))
Seja y = x + 5 para facilitar a notação. Seja x ∈ Z par. Então pela definição existe k ∈ Z tal que
x = 2k. Assim
y = x + 5 = 2k + 5 = 2k + 2 · 2 + 1 = 2(k + 2) + 1
Seja m = k + 2. Como Z é fechado em relação à soma, segue que k ∈ Z. Logo y = 2m + 1 com
m ∈ Z. Portanto y é ímpar.
Exemplo 2.4.3. Seja x um número inteiro. Então x2 + 2 tem a mesma paridade de x. Verificar de
forma direta, usando divisão de casos.
Demonstração: A proposição universal
∀x ∈ Z (Q(x))
onde
Px: x inteiro (Hipótese)
Qx: x2 + 2 tem mesma paridade de x. (Tese)
• Suponha que x é ímpar. Então pela definição existe n ∈ Z tal que x = 2n + 1 logo
∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))
∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))
onde
Px: x2 é par (Hipótese)
Qx: x é par (Tese)
x = 2k + 1.
Assim
x2 = (2k + 1)2 = 4k2 + 4k + 1 = 2 · (2k2 + 2k) + 1.
Seja m = 2k2 + 2k. Como Z é fechado em relação à soma e ao produto, segue que m ∈ Z. Logo
x2 = 2m + 1, com m ∈ Z, então x2 é ímpar, como queríamos mostrar.
Exemplo 2.5.2. Seja x um número inteiro. Se x é par, então y = x + 5 é impar. Verificar por
contrapositiva.
Demonstração: A proposição universal
∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))
22 Capítulo 2. Tipos de demonstração
onde
Px: x é par (Hipótese)
Qx: x + 5 é ímpar (Tese)
Nova Hipótese ¬Qx : x + 5 não é ímpar (y = x + 5 é par)
Nova Tese ¬Px : x não é par (x é ímpar)
Seja x ∈ Z. Suponha x + 5 é par. Então pela definição existe k ∈ Z tal que y = x + 5 = 2k. Assim
x = y − 5 = 2k − 5 = 2k − 2 · 3 + 1 = 2(k − 3) + 1
x = r·s
então r = 1 ou s = 1.
Definição 2.6.2. Um número x ∈ Z, n ≥ 2, é dito composto se existem r, s ∈ Z tais que
x = r·s
com r 6= 1 e s 6= 1.
Exemplo 2.6.1. a) 4 é composto
b) 2 é primo
c) 3 é primo
d) 1 não é primo
e) 12 é composto
2.6 Prova por contradição/ redução ao absurdo 23
f) 15 é composto
Observe que exemplos que NÃO demonstram a Afirmação 1, mas que ajudam a entender como
fazer a demonstração em geral.
• Se o conjunto dos primos fosse somente apenas P = {2, 3, 5}. Então o número x = 2 · 3 · 5 +
1 = 31 é primo e não pertence a esse conjunto.
• Se o conjunto dos primos fosse somente apenas P = {2, 3, 5, 7}. Então o número x =
2 · 3 · 5 · 7 + 1 é primo e x não pertence a esse conjunto.
• Se o conjunto dos primos fosse somente apenas P = {2, 3, 5, 7, 11}. Então o número x =
2 · 3 · 5 · 7 · 11 + 1 é primo e x não pertence a esse conjunto.
• Se P for finito (não podemos dizer qual seria essa quantidade, pois pode ser qualquer valor
n), faça o produto de todos estes primos e some mais 1, então este novo número será primo.
Exemplo 2.6.2. Verificar a Afirmação 1 por redução ao absurdo: “Existem infinitos números primos.
"
Demonstração: Suponha que existam finitos números primos. Logo o conjunto dos números
primos P é da forma {p1 , ..., pn }. Considere o número
x := p1 · p2 · ... · pn + 1.
x ∈ P = {p1 , ..., pn },
p2
2= ⇒
q2
p2 = 2 · q2 (I)
logo p2 é par. Pelo resultado anterior segue que p é par (2 é um fator na decomposição de p). Logo
existe k ∈ Z tal que p = 2 · k. Assim p2 = (2 · k)2 = 4k2 , isto é,
p2 = 4k2 (II)
Igualando (I) e (II), obtemos 4k2 = 2q2 ⇒ q2 = 2k2 . Portanto, q2 é par. Pelo resultado anterior,
q é par (2 é um fator na decomposição de q). Concluímos que p e q tem fator em comum (a saber, o
fator 2). Absurdo.
∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))
é verdadeira pela demonstração conhecida como prova por contradição. Observe que temos a
equivalência conhecida como Implicação Material
Assim podemos afirmar que P(x) −→ Q(x) é falsa é o mesmo que afirmar que ¬(P(x) −→ Q(x))
é verdadeira, o que equivale a afirmar que P(x) ∧ ¬Q(x) é verdadeira. Logo o passo a passo para a
demonstração por contradição ou redução ao absurdo é o seguinte:
1ž Passo: Suponha que existe x ∈ D tal que P(x) ∧ (¬Q(x)) é Verdadeira.
2ž Passo: Mostre que ¬P(x) é verdadeira.
2.6 Prova por contradição/ redução ao absurdo 25
∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))
onde
Px: x2 é ímpar (Hipótese)
Qx: x é ímpar (Tese)
Suponha que exista x ∈ Z tal que Px ∧ ¬Q(x) é verdadeira. Logo x não é ímpar, isto é, x é par e
então existe k ∈ Z tal que x = 2k. Assim, teríamos
Logo x2 é par (já usamos isso nos exemplos anteriores). Ou seja, P(x) é falso. Logo teríamos ao
mesmo tempo que P(x) verdadeiro e P(x) falso ao mesmo tempo. Um absurdo.
Exemplo 2.6.6. Se x é um número real então x2 + 2x + 3 6= (x + 1)2 − 5. Verificar que a afirmação
dada é verdadeira por contradição.
Demonstração: A proposição universal
∀x ∈ R (Q(x))
onde
Px: x ∈ R (Hipótese)
Qx: x2 + 2x + 3 6= (x + 1)2 − 5(Tese)
Deve-se afirmar: ∃x ∈ R (P(x) ∧ ¬Q(x)) é (V).
Suponha que exista x ∈ R tal que x2 + 2x + 3 = (x + 1)2 − 5. Assim
x2 + 2x + 3 = x2 + 2x + 1 − 5 = x2 + 2x − 4
∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))
onde
Px: x é par (Hipótese)
Qx: x + 5 é ímpar (Tese)
26 Capítulo 2. Tipos de demonstração
e
y não é ímpar.
Pela definição, como y é par, existe m ∈ Z tal que
x + 5 = y = 2m (II).
x = 2m − 5 = (2m − 6) + 1 = 2(m − 3) + 1.
Seja k = m − 3. Assim como Z é fechado em relação ao produto e à soma, segue que k ∈ Z. Assim
x = 2k + 1 com k inteiro. Portanto x é ímpar. Isto é uma contradição com (I). Absurdo.
Portanto, se x é par então x + 5 é ímpar.
3. Teoria dos conjuntos
Desde o desenvolvimento da teoria dos conjuntos, a história da matemática enfrentou uma das suas
mais significativas "crises"filosóficas. Esta crise foi desencadeada pelo surgimento do conceito
de infinitude, introduzido pelo matemático russo Georg Ferdinand Ludwig Philip Cantor no final
do século XIX. A Teoria dos Conjuntos investiga as propriedades dos conjuntos, as relações entre
eles, as relações entre os elementos e os próprios conjuntos. Ao explorarmos os conjuntos, torna-se
essencial o uso de símbolos matemáticos para representar situações específicas entre conjuntos e
elementos.
3.1 Conjuntos
Definição 3.1.1. Um conjunto é uma coleção qualquer de objetos.
Por exemplo:
1. Conjunto dos estados da região sul do Brasil.
2. Conjunto dos números primos.
3. Conjunto de todos os números reais tal que x − 3 = 17.
Em geral, um conjunto é denotado por uma letra maiúscula do alfabeto: A, B, C, ..., Z.
3.2 Elemento
Definição 3.2.1. Elemento é um dos componentes de um conjunto.
Por exemplo:
1. Santa Catarina é um elemento do conjunto dos estados da região sul do Brasil.
2. O número 2 é um elemento do conjunto dos números primos.
3. 10 é um elemento do conjunto dos números reais que satisfaz a equação x − 3 = 7.
Em geral, um elemento de um conjunto é denotado por uma letra minúscula do alfabeto: a, b, c, ...,
z.
28 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos
3.3 Pertinência
Definição 3.3.1. Pertinência é a característica associada a um elemento que faz parte de um
conjunto.
Por exemplo:
1. Mato Grosso pertence ao conjunto dos estados da região centro oeste do Brasil.
2. O número 3 pertence ao conjunto dos números primos.
Exemplo 3.3.1. Para dizer que 5 pertence ao conjunto dos números naturais, escrevemos 5 ∈ N.
Exemplo 3.3.2. Por exemplo, para dizer que -9 não é um número natural, ou que −9 não pertence
ao conjunto dos números naturais, escrevemos −9 6∈ N.
y
U
Conjunto Universo U
Por exemplo:
1. O conjunto das soluções reais da equação 2x + 1 = 4. Aqui o conjunto universo é o conjunto
de todos os números reais.
3.5 Representação de conjuntos 29
3
1
2
Exemplo 3.5.3. 1. A = {x | x é um número natural ímpar menor que 5}, logo A = {0, 1, 2, 3, 4}
2. B = {x ∈ R| x2 = 1}, logo B = {−1, 1}
3. C = {x| 2n + 1 = x, n ∈ N}, logo C = {1, 3, 5, 7, 9, ...}
Note que neste caso é necessário dizer a qual conjunto universo o elemento pertence. Se no
escrevermos B0 = {x ∈ N| x2 = 1}, então B0 = {1}. Os conjuntos B e B’ tem a mesma propriedade,
mas tomam seus elementos em conjuntos universo diferentes.
Definição 3.6.1. Conjunto vazio é um conjunto que não possui elementos. É representado por 0.
/
Por exemplo:
1. A = {x | x é um número natural ímpar menor que 0}, logo A = 0.
/
2. A = {x| x < 0 e x > 0}, logo A = 0.
/
3. A = {}, logo A = 0.
/
Dois conjuntos A e B são iguais quando todo elemento de A pertence a B e, reciprocamente, todo
elemento de B pertence a A. Em símbolos:
A = B ⇔ (∀x)(x ∈ A ⇔ x ∈ B)
3.8 Subconjuntos
Definição 3.8.1. Dados os conjuntos A e B, diz-se que A está contido em B, denotado por A ⊂ B, se
todos os elementos de A também estão em B.
Algumas vezes diremos que um conjunto A está propriamente contido em B quando o conjunto
B, além de conter os elementos de A, contém também outros elementos (veja figura a seguir). O
conjunto A é denominado subconjunto de B e o conjunto B é o super-conjunto que contém A.
3.9 União 31
3
B
1 2 A
1
2
Por exemplo:
1. B = {a, b, c, d, e} e D = {a, c, e}, então D ⊂ B
2. B = {1, 2, 3, 4, 5} e D = {x, v,t}, então D 6⊂ B.
3. A = {−1, 15} e D = {−1, 2, 3, 10, 15}, então A ⊂ D, pois −1 ∈ D e 15 ∈ D.
Assim se lê cada um dos dois símbolos: ⊂ Está contido em. Em caso contrário, indicaremos
por: 6⊂ Não está contido em Perceba pelos exemplos acima que A ⊂ B implica dizer que TODOS os
elementos de A estão em B, MAS não podemos afirmar o contrário.
Propriedades da inclusão
Sendo A, B e C três conjuntos arbitrários, valem as seguintes propriedades:
1ł) 0/ ⊂ A ( o conjunto vazio está contido em todos os conjuntos)
2ł) A ⊂ A (reflexiva)
3ł) (A ⊂ B e B ⊂ A) ⇒ A = B (anti simétrica)
4ł) (A ⊂ B e B ⊂ C) ⇒ A ⊂ C (transitiva)
Igualdade de conjuntos
Usando a definição de subconjuntos podemos dar uma nova maneira para verificar se dois conjuntos
são iguais. Nessa definição de igualdade de conjuntos está explícito que todo elemento de A é
elemento de B e vice-versa, isto é, A ⊂ B e B ⊂ A. Em símbolos, temos
A = B ⇔ (A ⊂ B e B ⊂ A).
3.9 União
Definição 3.9.1. Dados dois conjuntos A e B, chama-se reunião de A e B o conjunto formado pelos
elementos que pertencem a A ou a B.
A ∪ B = {x| x ∈ A ou x ∈ B}
B
A
3
1 3 5
2 4
A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5}
Por exemplo:
1. {a, b} ∪ {c, d} = {a, b, c, d}
2. {a, b} ∪ {a, c, d} = {a, b, c, d}
3. {1, 5, 9} ∪ {−5, −14, 10} = {−14, −5, 1, 5, 9, 10}
Note pelo exemplo anterior que na união não listamos o elemento duas vezes, mesmo que esteja em
ambos os conjuntos.
Propriedades da reunião
Sendo A, B e C conjuntos quaisquer, valem as seguintes propriedades:
1ł) A ∪ A = A (idempotente)
2ł) A ∪ 0/ = A (elemento neutro)
3ł) A ∪ B = B ∪ A (comutativa)
4ł) (A ∪ B) ∪C = A ∪ (B ∪C) (associativa)
Exemplo 3.9.1. Demonstrar que a união dos conjuntos A e B é igual à união dos conjuntos B e A,
ou seja,A ∪ B = B ∪ A.
3.10 Interseção
Definição 3.10.1. Dados dois conjuntos A e B, chama-se intersecção de A e B o conjunto formado
pelos elementos que pertencem a A e a B.
A ∩ B = {x| x ∈ A e x ∈ B}
O conjunto A ∩ B (lê-se A inter B) é formado pelos elementos que pertencem aos dois conjuntos
(A e B) simultaneamente.
3.11 Complementar 33
B
A
3 5
1 3
2 4
A ∩ B = {3}
Propriedades da interseção
Quando A ∩ B = 0,
/ isto é, quando os conjuntos A e B não têm elemento comum, A e B são
denominados conjuntos disjuntos.
Exemplo 3.10.1. Demonstrar que a interseção dos conjuntos A e B é igual à interseção dos conjuntos
B e A, ou seja, A ∩ B = B ∩ A.
3.11 Complementar
B U
A
B 3
4
5 1 2 A
1 2
Conjunto Universal U
CBA = {3, 4, 5}
Os pontos de reticência dão a ideia de infinidade, pois os conjuntos numéricos são infinitos.
Nesse conjunto são definidas duas operações fundamentais, a adição e a multiplicação, que
apresentam as seguintes propriedades:
Subconjuntos importantes.
1. Z+ = {0, 1, 2, 3, 4, ...}
2. Z− = {..., −4, −3, −2 − 1, }
3. Z∗ = {..., −4, −3, −2 − 1, 1, 2, 3, 4, ...}
No conjunto Z são definidas também as operações de adição e multiplicação que apresentam,
além de [A.1], [A.2], [A.3], [M.1], [M.2], [M.3] e [AM], a propriedade:
36 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos
A.4 simétrico ou oposto para a adição Para todo a ∈ Z existe −a ∈ Z tal que
a + (−a) = 0
3.14.1 Adição
Na adição em números inteiros:
1. Para números inteiros positivos, é realizada da mesma forma que a soma de números naturais.
Por exemplo, (+3) + (+4) = +7, o que representa a soma de dois créditos.
Por exemplo, (−2) + (−6) = −8, o que representa a soma de dois débitos.
3.14.2 multiplicação
Na multiplicação de números inteiros:
1. Quando multiplicamos dois números inteiros positivos é o mesmo que multiplicar em números
naturais, e como os números naturais são fechados em relação à multiplicação, então o produto de
dois inteiros positivos é um inteiro positivo.
2. Quando multiplicamos um número positivo por um número negativo, o resultado deve ser um
número negativo, pois estaremos somando várias vezes um mesmo número negativo.
Por exemplo, (+4) × (−2) = 4 × (−2) = (−2) + (−2) + (−2) + (−2) = −8. Da mesma forma,
(+4) × (−5) = 4 × (−5) = (−5) + (−5) + (−5) + (−5) = −20. Portanto, (+) × (−) = −.
Divisibilidade
Definição 3.14.2. Dizemos que um número inteiro a é divisível por um número inteiro b se existe um
número inteiro c tal que a = b · c. Neste caso, escrevemos b | a e dizemos que b é um divisor de a.
Caso contrário, dizemos que b não divide a e denotamos por b - a.
Definição 3.14.3. Dizemos que um número inteiro a é ímpar se não é divisível por 2. Logo podemos
escrever todo número inteiro ímpar como 2n + 1, para algum n ∈ Z.
Definição 3.14.4. Dizemos que um número inteiro a é par se é divisível por 2. Logo podemos
escrever todo número inteiro par como 2n, para algum n ∈ Z.
Definição 3.14.5. Dizemos que um número inteiro a é primo se é maior que 1 e seus únicos divisores
positivos são ±1, a e −a.
R Os primeiros números primos são: 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37, 41, 43, 47, 53, 59, 61, 67, 71, 73,
79, 83, 89 e 97.
Teorema 3.14.1 (Algoritmo da Divisão). Sejam a e b dois números inteiros, com b > 0. Então
existem números inteiros q e r tais que a = bq + r, onde 0 ≤ r < b.
Perceba que neste tipo de resultado, os números a e b são dados, mas devemos ser capazes de
encontrar o quociente e o resto.
Assim, dizemos que b|a se o resto da divisão é zero e b - a se o resto é diferente de zero.
Exemplo 3.14.5. 1. Note que 2|6, pois existe c = 3 tal que 6 = 2 · 3 + 0 (q = 3 e r = 0).
2. Note que 5|55, pois existe c = 11 tal que 55 = 5 · 11 + 0 q = 11 e r = 0).
3. Note que 4 - 7, pois 7 = 4 · 1 + 3 q = 1 e r = 3).
4. Note que 9 - −32, pois −32 = 9 · (−4) + 4 q = −4 e r = 4).
Definição 3.14.6. Um número primo é um número natural maior do que 1, cujos únicos divisores
são o 1 e ele próprio.
38 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos
Os primeiros números primos em ordem crescente são: 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37,
41, 43, 47...
Por exemplo, o número 20 não é primo, pois possui divisores diferentes de 1 e de 20. Os números
2, 4, 5 e 10 são divisores de 20. Perceba que ele pode ser expresso como um produto de dois ou mais
divisores:
20 = 2 ∗ 10 = 4 ∗ 5 = 2 ∗ 2 ∗ 5.
Teorema 3.14.2. Todo número natural n maior do que 1, não primo, pode ser decomposto como
produto de números primos. Essa decomposição é única, a menos da ordem dos fatores.
Teorema 3.14.3. Existem infinitos números primos
1◦ ) o número decimal tem uma quantidade finita de algarismos, diferentes de zero, isto é, é uma
1 27 3
decimal exata. Exemplos: = 0, 5, = 0, 027 e = 0, 75
2 1000 4
2◦ ) o número decimal tem uma quantidade infinita de algarismos que se repetem periodicamente,
isto é, é uma dízima periódica:
1 11
= 0, 333... e = 1, 8333... = 1, 83.
3 6
Quando a decimal é exata, podemos transformá-la em uma fração cujo numerador é o numeral
decimal sem a vírgula e cujo denominador é o algarismo 1 seguido de tantos zeros quantas forem as
casas decimais do número dado.
27
Exemplo 3.15.1. 1. 0, 27 =
100
3198
2. 3, 198 =
1000
715428
3. 71, 5428 =
10000
Por exemplo, o número PI (π = 3, 14159265...), que é o resultado da divisão entre uma circun-
ferência de um círculo e seu diâmetro).
Precisamos mesmo saber sobre números irracionais?
Pense na seguinte situação: desejamos construir uma rampa em formato triangular onde a
altura e a base formam um ângulo reto e suas medidas são 1 metro. Qual seria o comprimento da
rampa? A figura a seguir ilustra a situação
C
1 h
A 1 B
Usando
√ Pitágoras e chamando h o comprimento da rampa, temos que h2 = 12 + 12 = 2. Assim,
h = 2 que é um número irracional.
40 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos
Q⊂R
[a, b] = {x ∈ R| a ≤ x ≤ b}
[a, b) = {x ∈ R| a ≤ x < b}
(a, b] = {x ∈ R| a < x ≤ b}
Os números reais a e b são denominados, respectivamente, extremo inferior e extremo superior
do intervalo.
Por exemplo, vamos verificar os seguintes intervalos.
1. ]2, 5[= {x ∈ R| 2 < x < 5} é intervalo aberto.
−∞ ∞
−4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4 5
2. [−5, 5] = {x ∈ R| − 5 ≤ x ≤ 5} é intervalo fechado.
−∞ ∞
−5 −4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4 5
3. ] − 75 , 7] = {x ∈ R| − 75 < x ≤ 7} é intervalo fechado à esquerda.
− 75
−∞ ∞
−3 −2 −1 0 1 2 3 4 5 6 7
4. [−9, − 32 [= {x ∈ R| − 9 ≤ x < −π } é intervalo fechado à direita.
− 32
−∞ ∞
−10 −9 −8 −7 −6 −5 −4 −3 −2 −1 0
3.17 Conjunto dos números reais 41
4.1 Monômios
Definição 4.1.1. Um produto de números reais e variáveis, recebe o nome de monômio.
Por exemplo:
a) 3x2
b) −35t 7
c) 102a3
Note que todo monômio é composto por duas partes: o coeficiente numérico e a parte literal
(formada por letras).
No caso do exemplo anterior:
1. 3 é o coeficiente numérico e x2 a parte literal
2. −35 é o coeficiente numérico e t 7 a parte literal
3. 102 é o coeficiente numérico e a3 a parte literal
Por exemplo:
1. 2b + 3b = 5b
2. −5t + t = −4t
3. 12A − 7A + 10r + 1 = 5A + 10r + 1
3◦ passo: quando houver parte literal igual, devemos conservá-la e somar os expoentes. Ou
seja, devemos aplicar a propriedade da multiplicação de expoentes com bases iguais.
Por exemplo:
1. 2w ∗ 4w = 8w2
2. 7t ∗ 5a ∗ 3t 2 = 21t 3 ∗ 5a
3. 23 x ∗ 45 x = 15
8 2
x
p(x) = an xn + ... + a2 x2 + a1 x + a0
Por exemplo:
√ − 1 é um polinômio de grau 1.
1. 7x
2. 5x2 − 3x + 9 é um polinômio de grau 2.
3. 4x5 − 2x4 + 8x2 − x + π é um polinômio de grau 5.
.
A soma dos polinômios P(x) e Q(x) é:
4.6 Adição e Subtração 45
4.6.2 Subtração
Considere os polinômios
O objetivo é ir zerando sempre o primeiro termo. Para isso, iremos dividir o 1◦ termo do
dividendo pelo primeiro termo do divisor, isto é, x2 ÷ x = x. O resultado encontrado irá multiplicar
o polinômio x − 4, que é o divisor.
x ∗ (x − 4) = x2 − 4x.
O resultado desse produto deverá ser subtraído pelo polinômio 2x2 − 5x − 12 (dividendo).
48 Capítulo 4. Introdução aos Polinômios
−x ÷ x = −1
Multiplicamos este valor pelo divisor:
−1 ∗ (x − 4) = −x + 4
Novamente, o resultado desse produto deverá ser subtraído pelo polinômio que sobrou no
dividendo 3x − 12.
1 = 1 − 5 − 1 = −5.
2. Vamos calcular o resto da divisão de P(x) = x2 + 2x − 3 por B(x) = 2x − 1, usando o Teorema
do Resto. 2
Neste caso temos a = 2 e b = −1, logo o resto da divisão é P − (−1) = P 12 = 12 +
2
2 12 − 3 = 14 + 1 − 3 = 14 − 2 = − 72 .
2. Vamos mostrar que P(x) = x2 + 2x + 1 não é divisível por B(x) = x − 1, usando o Teorema de
D’Alembert.
Neste caso temos a = 1 e b = −1, logo P − (−1)
1 = P(1) = (1)2 + 2(1) + 1 = 1 + 2 + 1 = 4.
Logo, o polinômio P(x) não é divisível por B(x).
u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1
50 Capítulo 4. Introdução aos Polinômios
2◦ passo: Multiplique o coeficiente a1 por u e some a a2 . Coloque este resultado abaixo do coeficiente
a2 .
u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1 a1 u + a2
u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1 a1 u + a2 (a1 u + a2 ) · u + a3
4◦ passo: Repetir o argumento até preenchimento da entrada abaixo do coeficiente an , o qual chamamos
de r.
u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1 a1 u + a2 (a1 u + a2 )u + a3 ... ((((a1 u + a2 ) · u + a3 )u + a4 )... + an−1 )u + an−1 r
◦
5 passo: Assim o resultado da divisão é a1 x + (a1 u + a2 )xn−2 + ((a1 u + a2 ) · u + a3 )xn−3 + ... com
n−1
resto r.
Exemplo: Dividir o polinômio P(x) = x3 − 6x2 + 11x − 6 dividido por Q(x) = x − 2 ( aqui u = 2),
usando o método de Briot Ruffini.
1◦ Passo :
2 1 −6 11 −6
1
2◦ Passo :
2 1 −6 11 −6
1 1·2−6
2 1 −6 11 −6
1 −4
3◦ Passo :
2 1 −6 11 −6
1 −4 −4 · 2 + 11
2 1 −6 11 −6
1 −4 3
4.12 Expressões algébricas 51
4◦ Passo :
2 1 −6 11 −6
1 −4 3 3·2−6
2 1 −6 11 −6
1 −4 3 0
6+2×3
Exemplo 4.12.4. Simplifique a expressão: 5−2
6+2×3 6+6
= (resolvendo a multiplicação)
5−2 5−2
12
= (resolvendo a subtração)
3
=4
As operações são:
1. adição +
2. subtração −
3. multiplicação ∗
4. divisão ÷
4.15 Multiplicação
Definição 4.15.1. Na multiplicação devemos sempre multiplicar coeficiente por coeficiente e letra
por letra. Sendo que no caso das letras serem iguais, devemos manter a letra e somar seus expoentes,
e no caso das letras serem diferentes apenas fazemos a associação das duas letras.
4.16 Divisão
Definição 4.16.1. Na divisão devemos sempre dividir coeficiente por coeficiente e letra por letra.
Sendo que no caso das letras serem iguais, devemos manter a letra e subtrair seus expoentes, e no
caso das letras serem diferentes apenas fazemos a associação das duas letras.
[1] BONETTO, Giácomo Augusto; MUROLO, Afrânio Carlos. Fundamentos de matemática para
engenharias e tecnologias. São Paulo: Cengage Learning, 2018. 1 recurso online. ISBN
9788522126705.
[2] BARBOSA, Marcos Antonio. Introdução à lógica matemática para acadêmicos. Editora Inter-
saberes, 2017. 130 p. ISBN 9788559723250.
[4] BISPO, Carlos Alberto F; CASTANENHEIRA, Luiz B; SOUZA FILHO, Oswaldo Melo. In-
trodução à lógica matemática. São Paulo: Cengage Learning, 2013. 1 recurso online. ISBN
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[6] IEZZI, Gelson. Fundamentos de matemática elementar 3: trigonometria. 6. ed. São Paulo:
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[7] DEMANA, Franklin D. Pré-cálculo. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.