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Fundamentos de Matemática: Lógica e Conjuntos

O documento aborda os fundamentos da Matemática Elementar, incluindo Lógica, Teoria dos Conjuntos e Polinômios. Ele explora conceitos como proposições, conectivos lógicos, tipos de demonstração e operações com conjuntos e polinômios. O material é destinado a estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso e foi publicado em julho de 2023.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Fundamentos de Matemática: Lógica e Conjuntos

O documento aborda os fundamentos da Matemática Elementar, incluindo Lógica, Teoria dos Conjuntos e Polinômios. Ele explora conceitos como proposições, conectivos lógicos, tipos de demonstração e operações com conjuntos e polinômios. O material é destinado a estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso e foi publicado em julho de 2023.
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Fundamentos de

Matemática Elementar
Unidade I: Lógica, conjuntos e polinômios

Gilberto B. Almeida Filho


Stéfani C. Vieira
C URSO DE F UNDAMENTOS DE MATEMÁTICA E LEMENTAR , U NIVERSIDADE F EDERAL DE M ATO
G ROSSO

GILBERTO . FILHO @ UFMT. BR

Primeiro lançamento, Julho 2023


Sumário

1 Introdução à Lógica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1.1 Cálculo Proposicional 5
1.2 Negação 6
1.3 Conectivo ∧ ou Conjunção 7
1.4 Conectivo ∨ ou disjunção 8
1.5 Condicional → 8
1.6 Condicional Dupla ↔ ou bicondicional 9
1.7 Tautologias 10
1.8 Relação de implicação 10
1.9 Relação de equivalência 11
1.10 Sentenças abertas, quantificadores 11

2 Tipos de demonstração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.1 Afirmações existenciais 13
2.2 Afirmações universais 14
2.3 Como negar uma proposição universal 15
2.4 Prova direta 17
2.5 Prova por contrapositiva 19
2.6 Prova por contradição/ redução ao absurdo 20
2.6.1 Prova por contradição para proposição universal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3 Teoria dos conjuntos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.1 Conjuntos 25
3.2 Elemento 25
3.3 Pertinência 26
3.4 Conjunto universo 26
3.5 Representação de conjuntos 27
3.6 Conjunto vazio 28
3.7 Conjuntos iguais 28
3.8 Subconjuntos 28
3.9 União 29
3.10 Interseção 30
3.11 Complementar 31
3.12 Conjuntos Numéricos 32
3.13 Conjunto dos números naturais 33
3.14 Conjunto dos números inteiros 33
3.14.1 Adição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.14.2 multiplicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.15 Conjunto dos números racionais 36
3.16 Números irracionais 37
3.17 Conjunto dos números reais 38

4 Introdução aos Polinômios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41


4.1 Monômios 41
4.2 Adição e subtração de monômios 41
4.3 Multiplicação de monômios 41
4.4 Divisão de monômios 42
4.5 Introdução aos Polinômios 42
4.6 Adição e Subtração 42
4.6.1 Adição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
4.6.2 Subtração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
4.7 Multiplicação de polinômios 44
4.8 Produtos notáveis 45
4.9 Divisão de Polinômios 45
4.10 Teorema do resto e teorema de D’Alembert 47
4.11 Divisão de polinômios pelo método de Briot-Ruffini 47
5

4.12 Expressões algébricas 49


4.12.1 Revisão expressões numéricas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
4.13 Expressões algébricas 50
4.14 Adição e subtração 50
4.15 Multiplicação 50
4.16 Divisão 51
4.17 Operações com expressões racionais 51
1. Introdução à Lógica

A Lógica pode ser entendida como a ciência que estuda os princípios e os métodos que permitem es-
tabelecer as condições de validade e invalidade dos argumentos. Esta teoria permite a construção dos
resultados em Matemática, através de axiomas (leis básicas) e regras de dedução que demonstramos
os teoremas.
2 Por exemplo, o Teorema de Pitágoras: Num triângulo retângulo o comprimento da hipotenusa
ao quadrado é igual a soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos.

a2 = b2 + c2

a
b

B c A

Este teorema é válido no plano, pois os Axiomas de Euclides são válidos na Geometria Plana.
Entretanto, pode não valer o Teorema de Pitágoras num contexto de geometria numa esfera, isto é,
é possível obter um triângulo desenhado sob uma esfera cuja a soma dos ângulos internos desse
triângulo é maior do que 180◦ . Portanto é importante conhecer as hipóteses para argumentar
resultados.

1.1 Cálculo Proposicional


Com o objetivo de argumentar resultados, vamos estudar os conceitos das afirmações e quando estas
são verdadeiras ou falsas, e o que isto significa para evitar ambiguidades na Matemática, levando a
8 Capítulo 1. Introdução à Lógica

exatidão desta ciência. A parte da Lógica Matemática responsável em analisar estes conceitos é o
Cálculo Proposicional

Definição 1.1.1. Uma proposição ou um enunciado é qualquer sentença que afirma uma informa-
ção,a qual é necessariamente
(i) sendo oração, tem sujeito e predicado;
(ii) uma declaração não exclamativa, nem interrogativa;
(iii) tem um, e somente um, dos dois valores lógicos: ou é verdadeira , denotada por (V ), ou é
falsa, denotada por (F).

O valor-verdade de uma proposição é (V) ou (F).


Vejamos alguns exemplos.
(1) “sen(90◦ ) = 1.” Esta é uma proposição verdadeira.
(2) “Júpiter está a 110km de distância da Terra.” Esta é uma proposição falsa.
(3) “Venha aqui!” Esta não é uma proposição, pois não assume um valor-verdade. É apenas uma
sentença imperativa.
(4) “Meu deus!” Esta não é uma proposição. É apenas uma sentença exclamativa.
(5) “Se fizer sol, eu vou à praia.” Esta é uma proposição, pois pode ser verdadeira ou falsa.
Perceba que podemos enunciar várias afirmações em uma mesma sentença. Portanto, apresenta-
mos a seguinte definição.

Definição 1.1.2. Uma proposição é simples se, e somente se, contiver uma única afirmação. Uma
proposição é composta quando for constituída por uma sequência finita de pelo menos duas
proposições simples.

Vejamos como diferenciar proposições simples de proposições compostas.


(i) “sen(90◦ ) = 1.” Proposição SIMPLES.
(ii) “Júpiter está a 110km de distância da Terra.” Esta é uma proposição SIMPLES.
(iii) “Se fizer sol, eu vou à praia.” Esta é uma proposição COMPOSTA.
Vejamos alguns exemplos matemáticos.
a) p: Nove é diferente de cinco (9 6= 5), esta é uma proposição SIMPLES.
b) p: Sete é maior que três (7 > 3), esta é uma proposição SIMPLES.
c) p: Dois é um número inteiro (2 ∈ Z), esta é uma proposição SIMPLES.

1.2 Negação
Definição 1.2.1. Negação: Se o valor-verdade de uma proposição é (V ), quando acompanhado do
conectivo de negação, passará a ser (F).
Notação: ∼ (colocado antes da letra que traduz a proposição). Assim, ∼ p.

R Outra notação utilizada para negação é: ¬p

Para que ∼ p seja realmente uma proposição, devemos ser capazes de classificá-la em verdadeira
(V) ou falsa (F). Para isso vamos postular (decretar) o seguinte critério de classificação:

Valor lógico de Negação: A proposição ∼ p assume valor-verdade contrário ao valor-verdade de p.


1.3 Conectivo ∧ ou Conjunção 9

Este conectivo é um conectivo unário, enquanto os próximos são conectivos binários, pois ligam
duas proposições. Por exemplo:
(i) “Luís não recebeu o seu pagamento na data prevista.”
Seja P : Luís recebeu o seu pagamento na data prevista.
Simbolicamente, temos: ∼ P.
(ii) “Alfredo não gosta de trabalhar.” Seja T : Alfredo gosta de trabalhar.
Simbolicamente, temos: ∼ T .
Vejamos alguns exemplos matemáticos.
a) p: Nove é diferente de cinco, (9 6= 5).
∼ p: Nove é igual a cinco, (9 = 5).
b) p: Sete é maior que três, (7 > 3).
∼ p: Sete é menor ou igual a três, (7 ≤ 3).
c) p: Dois é um número inteiro, (2 ∈ Z).
∼ p: Dois não é um número inteiro, (2 6∈ Z).

Perceba que proposições compostas são composições de várias proposições simples conectadas
por elementos específicos: conetivos. Logo, para descobrir o valor verdade de uma proposição
composta, será necessário utilizar a Tabela verdade, onde trabalhamos as possibilidades dos valores
verdades das proposições envolvidas.

1.3 Conectivo ∧ ou Conjunção


Definição 1.3.1. Colocando o conectivo ∧ entre duas proposições p e q, obtemos uma nova proposi-
ção, p ∧ q, denominada conjunção das sentenças p e q.

Por exemplo:
1. “Maria foi ao cinema e Marta, ao teatro.”
Sejam: C : Maria foi ao cinema.
T : Marta foi ao teatro.
Simbolicamente, temos: C ∧ T.

Valor lógico de Conjunção: A conjunção p ∧ q é verdadeira se p e q são ambas verdadeiras; se ao


menos uma delas for falsa, então p ∧ q é falsa.
Veja a seguir como fica a Tabela Verdade.

p q p∧q
V V V
V F F
F V F
F F F

Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma:
p: 2 > 0 (V)
10 Capítulo 1. Introdução à Lógica

q: 2 6= 1 (V)
então:
p ∧ q : 2 > 0 e 2 6= 1 (V).
Logo, exemplo se enquadra na primeira linha da tabela. Note que quando as proposições são
genéricas, precisamos partir para a tabela verdade.

1.4 Conectivo ∨ ou disjunção


Definição 1.4.1. Colocando o conectivo ∨ entre duas proposições p e q, obtemos uma nova proposi-
ção, p ∨ q, denominada disjunção das sentenças p e q.

(i) “Maria foi ao cinema ou ao teatro.”


Considere o exemplo a seguir.
C : Maria foi ao cinema.
T : Maria foi ao teatro.
Simbolicamente, temos: C ∨ T.

Valor lógico de Disjunção: A proposição p ∨ q será verdadeira, se alguma das proposições for
verdadeira. A proposição p ∨ q será falsa, somente se ambas as proposições forem falsas.
Veja a seguir como fica a Tabela Verdade.

p q p∨q
V V V
V F V
F V V
F F F

Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma
p: 34 < 26 (F)
q: 22 < (−3)5 (F)
então:
p ∨ q: 34 < 26 ou 22 < (−3)5 (F).
Logo, exemplo se enquadra na última linha da tabela. Note que quando as proposições são genéricas,
precisamos partir para a tabela verdade.

1.5 Condicional →
Definição 1.5.1. Colocando o condicional → entre duas proposições p e q, obtemos uma nova
proposição, p → q, que se lê: se p, então q, p é condição suficiente para q, q é condição necessária
para p.

Por exemplo:
1.6 Condicional Dupla ↔ ou bicondicional 11

(i) “Se Fernando é inteligente, eu sou um gênio.


Não existe uma conexão real entre a antecedente e a consequente. Sejam F : Fernando é
inteligente.
E : eu sou um gênio.
No condicional p → q, a proposição p é chamada antecedente e q é chamada consequente.

Valor lógico do Condicional: O condicional p → q é falso somente quando p é verdadeira e q é


falsa; caso contrário, p → q é verdadeiro.
Veja a seguir como fica a Tabela Verdade.

p q p→q
V V V
V F F
F V V
F F V

Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma
p: dois é divisor de quatro (2|4) (V)
q: quatro é divisor de vinte (4|20) (V)
p q: se dois é divisor de quatro, então quatro é divisor de vinte (2|4 → 4|20) (V) Logo, exemplo se
enquadra na primeira linha da tabela. Note que quando as proposições são genéricas, precisamos
partir para a tabela verdade.

1.6 Condicional Dupla ↔ ou bicondicional


Definição 1.6.1. Colocando o conectivo ↔, chamado bicondicional, entre duas proposições p e q,
obtemos uma nova proposição, p ↔ q, que se lê: p se, e somente se, q, p é condição necessária e
suficiente para q, q é condição necessária e suficiente para p ou se p, então q e reciprocamente.

Vamos postular para o condicional p ↔ q o seguinte critério de classificação.

Valor lógico do bicondicional: O condicional ↔ é verdadeiro somente quando p e q são ambas


verdadeiras ou ambas falsas; se isso não acontecer, o condicional ↔ é falso.

Veja a seguir como fica a Tabela Verdade.

p q p ←→ q
V V V
V F F
F V F
F F V
12 Capítulo 1. Introdução à Lógica

Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma
p: 4 ≤ 3 (F)
q: 4 ∗ 5 ≤ 3 ∗ 5 (F)
p ↔ q: 4 ≤ 3 ↔ 4 ∗ 5 ≤ 3 ∗ 5 (V).
Logo, exemplo se enquadra na última linha da tabela. Note que quando as proposições são
genéricas, precisamos partir para a tabela verdade.

1.7 Tautologias
Definição 1.7.1. Seja v uma proposição formada a partir de outras (p, q, r, ...) mediante o emprego
de conectivos (∨ ou ∧) ou de modificador (∼) ou de condicionais (→ ou ↔).
Dizemos que v é uma tautologia ou proposição logicamente verdadeira quando v tem o valor
lógico V (verdadeira) independentemente dos valores lógicos de p, q, etc.
Assim, a tabela verdade de uma tautologia apresenta só V na última coluna. Por exemplo, a
proposição ∼ (p ∧ q) ←→ (∼ p) ∨ (∼ q) é uma tautologia. Veja a tabela verdade a seguir.

p q ∼p ∼q p∧q ∼ (p ∧ q) (∼ p) ∨ (∼ q) ∼ (p∧q) ←→ (∼ p)∨(∼ q)

V V F F V F F V
V F F V F V V V
F V V F F V V V
F F V V F V V V

1.8 Relação de implicação


Definição 1.8.1. Dadas as proposições p e q, dizemos que p implica q quando na tabela de p e
q não ocorre VF em nenhuma linha, isto é, quando não temos simultaneamente p verdadeira e q falsa.

Quando p implica q, indicamos p ⇒ q.


Observações:
1ł) Observamos que p implica q quando o condicional p → q é verdadeiro.
2ł) Todo teorema é uma implicação da forma

hipótese ⇒ tese

Assim, demonstrar um teorema significa mostrar que não ocorre o caso de a hipótese ser verdadeira
e a tese ser falsa.

R Uma forma prática de verificar se temos uma relação de implicação é se temos uma tautologia,
isto é, relação de implicação é uma condicional que é também uma tautologia.

Vejamos um exemplo onde as proposições não são genéricas e portanto podemos calcular o valor
verdade de cada uma.
1.9 Relação de equivalência 13

Exemplo 1.8.1. 2|4 ⇒ 2|4 ∗ 5 significa dizer que o condicional se 2 é divisor de 4, então 2 é divisor
de 4 ∗ 5 é verdadeiro.

Vamos verificar que a proposição p ∧ q ⇒ p é uma relação de implicação.

p q p∧q p∧q → p
V V V V
V F F V
F V F V
F F F V

1.9 Relação de equivalência


Definição 1.9.1. Dadas as proposições p e q, dizemos que p é equivalente a q quando p e q têm
tabelas-verdades iguais, isto é, quando p e q têm sempre o mesmo valor lógico. Quando p é equiva-
lente a q, indicamos: p ⇔ q.

Observações:
1ł) Notemos que p equivale a q quando o condicional p ↔ q é verdadeiro.
2ł) Todo teorema cujo recíproco também é verdadeiro é uma equivalência.

hipótese ⇔ tese

R Uma forma prática de verificar se temos uma relação de equivalência é se temos uma tautologia,
isto é, relação de equivalência é uma bicondicional que é também uma tautologia.

Vamos verificar que a proposição ((p → q) ∧ (q → p)) ↔ (p ↔ q) é uma relação de equivalência.

Aqui está a tabela verdade para as proposições lógicas fornecidas:

p q p→q q→ p p ↔ q (p → q) ∧ (q → p) ((p → q) ∧ (q → p)) ↔ (p ↔ q)


V V V V V V V
V F F V F F V
F V V F F F V
F F V V V V V

1.10 Sentenças abertas, quantificadores


Note que na matemática existem expressões como:
a)x + 2 = 5
b) x > −4
c)y3 = 9y2
que contêm variáveis e cujo valor lógico (verdadeira ou falso) vai depender do valor atribuído à
14 Capítulo 1. Introdução à Lógica

variável.
Nos exemplos citados, temos:
a) x + 2 = 5 é verdadeira se trocarmos x por 3 e é falsa para qualquer outro valor dado a x;
b) x > −4 é falso, por exemplo, para x = −5;
c) y3 = 9y2 é verdadeiro se trocarmos y por exemplo por 0 (03 = 2 ∗ 02 ) e é falso para o valor de x
igual a 1.

Orações que contêm variáveis são chamadas funções proporcionais ou sentenças abertas. Tais
orações não são proposições, pois seu valor lógico (V ou F) é discutível, isto é, depende do valor
dado às variáveis.

Há, entretanto, duas maneiras de transformar sentenças abertas em proposições:


1ł) atribuir valor às variáveis;
2ł) utilizar quantificadores.

Definição 1.10.1 (quantificador universal). O quantificador universal, usado para transformar


sentenças abertas em proposições, é indicado pelo símbolo ∀, que se lê: qualquer que seja, para
todo, para cada.

Exemplo 1.10.1. 1. (∀x)(2x + 1 = 7), que se lê: qualquer que seja o número x, temos 2x + 1 = 7.
(F)
2. (∀y)(5y2 + 3 > 0), que se lê: para todo número y, temos 5y2 + 3 positivo. (V)

Definição 1.10.2 (quantificador existencial). O quantificador existencial é indicado pelo símbolo ∃,


que se lê: existe, existe pelo menos um ou existe um.

Por exemplo:
1. (∃x)(2x + 1 = 7), que se lê: existe um número x tal que 2x + 1 = 7. (V)
2. (∃y)(5y2 + 3 ≤ 0), que se lê: existe um número (real) y tal que 5y2 + 3 não positivo. (F)
2. Tipos de demonstração

Os resultados na Matemática, conhecidos como teoremas, proposições, corolários e propriedades são


obtidos via demonstrações rigorosas a partir de definições e outros resultados já verificados através
da Lógica. Existem alguns tipos de demonstrações clássicas, as quais vamos apresentar aqui, a saber
• Prova direta;
• Prova por contrapositiva;
• Prova por redução ao absurdo;
• Prova por construção;
• Prova por métodos computacionais;
• Prova por indução.
Antes vamos apresentar como verificamos afirmações existenciais e afirmações universais.

2.1 Afirmações existenciais


Seja D um conjunto de termos. Para verificar que uma afirmação existencial do formato

∃x ∈ D (A(x))
é verdadeira, temos o método da explicitação, o método da construção e o método não construtivo.
O método da explicitação necessita exibir um termo x ∈ D tal que A(x) é verdadeira. O método
da construção é necessário construir um método ou algoritmo para explicitar um elemento x ∈ D
tal que A(x) é verdadeira. O método não construtivo usa fatos para garantir a existência de um
elemento x ∈ D tal que A(x) é verdadeira mas não explicita o elemento x.

Exemplo 2.1.1. Vamos verificar que a seguinte afirmação é verdadeira, usando método da explici-
tação:
“ Existe um número n inteiro par que pode ser escrito como a soma de dois primos, de duas formas
diferentes.”
Demonstração: Para verificar basta explicitar um número n com está propriedade. Conside-
ramos n = 10 e vemos que temos as escritas 10 = 3 + 7 e 10 = 5 + 5 logo 10 satisfaz a afirmação.
16 Capítulo 2. Tipos de demonstração

Portanto a afirmação dada é verdadeira.

Exemplo 2.1.2. Vamos verificar que a seguinte afirmação é verdadeira, usando o método da
construção:
“Sejam r, s inteiros. Existe k ∈ Z, expressos por meio de r e s, tais que 22r + 18s = 2k.”
Demonstração: Devemos mostrar um método para construir o número k a partir dos números r
e s.
Para cada r, s dados, considere k = 11r + 9s. Vamos mostrar que este número k satisfaz a
propriedade:
2k = 2 · (11r + 9s) = 22r + 18s.

Exemplo 2.1.3. Vamos verificar que a seguinte afirmação é verdadeira, usando o método de não
construtivo:
“Em qualquer grupo de 13 pessoas, pelo menos duas nasceram no mesmo mês.”
Demonstração: Se cada pessoa fosse colocada em uma “gaveta” correspondente ao seu mês de
nascimento, teríamos 12 gavetas e assim alguma gaveta possuíria pelo duas pessoas, isto é, pelo
menos duas pessoas nasceram no mesmo mês. Este é uma aplicação do Princípio da Casa dos
Pombos. Logo não exibimos quais pessoas fazem aniversário no mesmo mês, só sabemos que estas
existem.

Exemplo 2.1.4. Para verficarmos a afirmação “ Toda equação com coeficientes reais de grau três

ax3 + bx2 + cx + d = 0

tem uma solução real.”, geralmente é feita de forma não construtiva, utilizando ferramentas do
Cálculo Diferencial e Integral, conhecido como o Teorema do Valor Intermediário. Neste caso, não
é exibida a solução em geral, mas esta existe.

2.2 Afirmações universais


Seja D um conjunto de termos. Para verificar que uma afirmação universal do formato

∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))

é verdadeira, podemos usar o método da exaustão ou o método da representação genérica.


O método da exaustão é usado quando D é finito e devemos verificar que P(x) −→ Q(x) é
verdadeira para cada x ∈ D. O método da representação genérica é usado, em geral, quando D é
infinito e devemos escolher x ∈ D aleatório e depois verificar-se que a afirmação P(x) −→ Q(x) é
verdadeira. Neste caso a escolha de x é representada algebricamente para indicar o elemento genérico
mas depois de escolhido, este se torna específico.

Exemplo 2.2.1. Vamos verificar usando o método da exaustão que a afirmação a seguir é verdadeira:
“Seja n ∈ Z. Se n é par e 4 ≤ n ≤ 30, então n pode ser escrito como a soma de dois primos.”
Vamos verificar que os números pares entre 4,6,8,10,...,30 podem ser escrito como a soma de
2.3 Como negar uma proposição universal 17

dois primos: 2

4 = 2+2
6 = 3+3
8 = 3+5
10 = 5 + 5
12 = 5 + 7
14 = 7 + 7
16 = 5 + 11
18 = 5 + 13
20 = 7 + 13

22 = 11 + 11
24 = 11 + 13
26 = 13 + 13
28 = 11 + 17
30 = 13 + 17

2.3 Como negar uma proposição universal


Seja D um conjunto de termos. Para verificar que uma afirmação

∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))

é FALSA, vamos usar a equivalência

¬(∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x)) ≡ ∃x ∈ D(¬(P(x) −→ Q(x)))

Logo devemos exibir x ∈ D tal que ¬(P(x) −→ Q(x)) é verdadeira, isto é, que P(x) −→ Q(x) é falsa.
Usando a equivalência conhecida como Implicação Material

P(x) −→ Q(x) ≡ ¬P(x) ∨ Q(x)

temos que devemos exibir x ∈ D tal que ¬P(x) ∨ Q(x) é falsa. A única opção é exibir x ∈ D tal que
¬P(x) é falso e Q(x) falso. Isto é, exibir x ∈ D tal que P(x) é verdadeira e Q(x) falso.
Resumindo: para mostrar que a afirmação universal dada é falsa, basta devemos exibir x ∈ D tal
que P(x) é verdadeira mas Q(x) é falsa. Este termo x é chamado de contra-exemplo.
O problema dessa demonstração é que nem sempre é simples encontrar o contra-exemplo.

Exemplo 2.3.1. Vamos verificar que a seguinte afirmação é falsa: “ Sejam a, b ∈ R. Se a2 = b2


então a = b.”
18 Capítulo 2. Tipos de demonstração

Demonstração: Escrevemos a Proposição Universal

∀a, b ∈ R (P(a, b) −→ Q(a, b))

onde
P(a,b): a2 = b2 (Hipótese)
Q(a,b): a = b (Tese)

Devemos mostrar que existem ∃a, b ∈ R tais que (P(a, b) −→ Q(a, b)) é falso. Logo basta dar
um contra-exemplo. Considere a = −1 e b = 1 então P(−1, 1) é Verdadeiro pois (−1)2 = 12 mas
Q(−1, 1) é Falso, pois 1 6= −1.

Exemplo 2.3.2. Seja n ∈ N e p(n) = n2 + n + 41. A proposição


“p(n) é primo para todo n ∈ N.”
é Verdadeira ou Falsa?

Esta afirmação é falsa! Basta exibir um contra-exemplo

p(40) = 402 + 40 + 41
= 40(40 + 1) + 41
= 40 · 41 + 41
= 41(40 + 1)
= 41 · 41

logo não é primo, pois 41 divide p(40). Em 1772, Euler mostrou que a afirmação é verdadeira para
todos os números naturais menores do que 40.

Exemplo 2.3.3. A Conjectura de Euler (1769): “a4 + b4 + c4 = d 4 não tem solução no conjunto
dos números inteiros positivos.” A conjectura de Euler é falsa! Contra-exemplo construído por
Elkies em 1986:
958004 + 2175194 + 4145604 = 4224814

Exemplo 2.3.4. A conjectura (Último Teorema de Fermat) (1637): “ Não existem inteiros positivos
x, y, z e n, com n > 2 que satisfaça
xn + yn = zn . ”
é verdadeira ou falsa? Observe que quando n = 2, esta conjectura é o Teorema de Pitágoras para
entradas inteiras e é verdadeira. Basta exibir a terna pitágorica 32 + 42 = 52 .
A conjectura só foi provada como verdadeira em 1994 por Andrew Wiles, o que resultou
no recebimento do Prêmio Abel (2016). A história da demonstração deste fato e tentativas de
demonstrações está descrito no livro "O último teorema de Fermat"do autor Simon Singh.

Exemplo 2.3.5. Em 1742, o matemático prussiano Christian Goldbach enviou uma carta ao mate-
mático suíço Leonhard Euler com dois problemas, os quais ficaram conhecidos como Conjecturas
de Goldbach.
Conjectura de Goldbach (também conhecida como Conjectura Forte): “ Todo número par
maior que 2 pode ser representado pela soma de dois números primos.”
2.4 Prova direta 19

Versão Fraca da Conjectura: “Todo número ímpar maior que 7 pode ser expresso como soma
de três números primos ímpares."Por exemplo a conjectura forte pode ser verificada para alguns
valores, como por exemplo a seguir e esta conjectura foi testada para números pares muito altos, de
forma computacional, mas não para todos. 2

4 = 2+ 2
6=3+3
8=3+5
10 = 5 + 5
12 = 5 + 7
14 = 3 + 11
16 = 3 + 13
18 = 5 + 13
20 = 3 + 17
22 = 3 + 19
24 = 5 + 19
26 = 3 + 23
28 = 5 + 23
30 = 7 + 23
32 = 3 + 29
34 = 3 + 31
36 = 5 + 31
38 = 7 + 31
40 = 3 + 37
42 = 5 + 37
44 = 3 + 41
46 = 3 + 43
48 = 5 + 43
50 = 3 + 47

A Conjectura Forte se for verdadeira implica a conjectura Fraca. O matemático peruano Harald
Helfgott verificou a Conjectura Fraca é VERDADEIRA em 2013.

2.4 Prova direta


Seja D um conjunto de termos. Para verificar que uma afirmação

∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))

é verdadeira de forma direta, seguimos os passos a seguir, usando a representação genérica:


0ž Passo: Deve-se escolher x ∈ D genérico.
1ž Passo: Suponha que P(x) é Verdadeiro.
2ž Passo: Mostre que Q(x) é verdadeiro a partir do fato que P(x) é verdadeiro.
Os erros comuns nas demonstrações são:
• argumentar usando exemplos;
• usar a mesma letra para representar coisas diferentes;
20 Capítulo 2. Tipos de demonstração

• alegar a verdade sem dar a razão adequada;


• assumir como verdadeiro o que deve ser provado. Isto é, usar a tese para provar a tese.
Exemplo 2.4.1. Seja x ∈ Z. Se x é par então x2 é par. Verificar que a afirmação é verdadera de
forma direta.
Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))

onde Px: x é par (Hipótese)


Qx: x2 é par (Tese)
Seja x ∈ Z. Suponha que x é par. Então existe k ∈ Z tal que

x = 2k.

Assim
x2 = (2k)2 = 4k2 = 2 · (2k2 ).
Seja m = 2k2 . Assim m é um número inteiro, pois Z é fechado em relação ao produto. Então x2 = 2m
com m ∈ Z, portanto x2 é par por definição, como queríamos mostrar. 
Exemplo 2.4.2. Seja x um número inteiro. Se x é par, então y = x + 5 é impar. Verificar que a
afirmação é verdadeira de forma direta.
Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))

onde Px: x é par (Hipótese)


Qx: x + 5 é ímpar (Tese)

Seja y = x + 5 para facilitar a notação. Seja x ∈ Z par. Então pela definição existe k ∈ Z tal que
x = 2k. Assim
y = x + 5 = 2k + 5 = 2k + 2 · 2 + 1 = 2(k + 2) + 1
Seja m = k + 2. Como Z é fechado em relação à soma, segue que k ∈ Z. Logo y = 2m + 1 com
m ∈ Z. Portanto y é ímpar. 
Exemplo 2.4.3. Seja x um número inteiro. Então x2 + 2 tem a mesma paridade de x. Verificar de
forma direta, usando divisão de casos.
Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ Z (Q(x))

onde
Px: x inteiro (Hipótese)
Qx: x2 + 2 tem mesma paridade de x. (Tese)

Seja x ∈ Z. Vamos dividir em dois casos: x par ou x ímpar.


• Suponha que x é par. Então pela definição existe k ∈ Z tal que x = 2k logo x2 + 2 = 4k2 + 2 =
2(2k2 + 1). Seja m = 2k2 + 1. Como Z é fechado em relação ao produto e à soma, segue que
m ∈ Z. Logo x2 + 2 = 2m com m ∈ Z, isto é, x2 + 2 é par. Portanto Q(x) é Verdadeiro.
2.5 Prova por contrapositiva 21

• Suponha que x é ímpar. Então pela definição existe n ∈ Z tal que x = 2n + 1 logo

x2 + 2 = (2n + 1)2 + 2 = 4n2 + 4n + 1 + 2 = 2(2n2 + 2n) + 3 = 2(2n2 + 2n + 1) + 1.

Seja l = 2n2 + 2n + 1. Como Z é fechado em relação ao produto e à soma, segue que l ∈ Z.


Logo x2 + 2 = 2l + 1, com l ∈ Z, isto é, x2 + 2 é ímpar. Logo Q(x) é Verdadeiro.

2.5 Prova por contrapositiva


Seja D um conjunto de termos. Para verificar que uma afirmação

∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))

é verdadeira por contrapositiva, devemos seguir os seguintes passos.


1ž Passo: Construa a Nova Hipótese ¬Qx
2ž Passo: Construa a Nova Tese ¬Px
3ž Passo: Prova de maneira direta a condicional: ∀x ∈ D (¬Qx −→ ¬Px)
Temos algumas vantagens e desvantagens da demonstração por contrapositiva. Uma das vanta-
gens é a fácilidade de já conhecermos o final da demonstração que é negação da hipótese. Outra
vantagem neste tipo de demonstração é o fato de não ser necessário a negação da afirmação. A
desvantagem de demonstração por contrapositiva é que esta só pode ser usada para afirmações com
quantificadores existenciais ou universais.
Exemplo 2.5.1. Seja x é um número inteiro. Se x2 é par, então x é par. Verifique por contrapositiva.

Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))

onde
Px: x2 é par (Hipótese)
Qx: x é par (Tese)

Contrapositiva: ¬Qx −→ ¬Px


Nova Hipótese ¬Qx : x não é par (x é ímpar)
Nova Tese ¬Px : x2 não é par (x2 é ímpar).
Suponha que p é ímpar. Então existe k ∈ Z tal que

x = 2k + 1.

Assim
x2 = (2k + 1)2 = 4k2 + 4k + 1 = 2 · (2k2 + 2k) + 1.
Seja m = 2k2 + 2k. Como Z é fechado em relação à soma e ao produto, segue que m ∈ Z. Logo
x2 = 2m + 1, com m ∈ Z, então x2 é ímpar, como queríamos mostrar. 
Exemplo 2.5.2. Seja x um número inteiro. Se x é par, então y = x + 5 é impar. Verificar por
contrapositiva.
Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))
22 Capítulo 2. Tipos de demonstração

onde
Px: x é par (Hipótese)
Qx: x + 5 é ímpar (Tese)
Nova Hipótese ¬Qx : x + 5 não é ímpar (y = x + 5 é par)
Nova Tese ¬Px : x não é par (x é ímpar)
Seja x ∈ Z. Suponha x + 5 é par. Então pela definição existe k ∈ Z tal que y = x + 5 = 2k. Assim

x = y − 5 = 2k − 5 = 2k − 2 · 3 + 1 = 2(k − 3) + 1

Seja m = k − 3. Como Z é fechado em relação à soma, segue que k ∈ Z. Logo x = 2m + 1 com


m ∈ Z. Portanto x é ímpar. 

2.6 Prova por contradição/ redução ao absurdo


A prova por contradição também chamada de redução ao absurdo é muito usada para verificar
teoremas de existência, do método não construtiva.
Apresentamos a seguir como mostrar que uma afirmação A é verdadeira por contradição.
1ž Passo: Suponha que A é Falsa.
2ž Passo: Mostre uma contradição lógica.
3ž Passo: Conclua que A é verdadeira
As vantagens a prova por contradição é o fato que termina assim que é encontrada uma contradição.
Uma desvantagem dessa demonstração por contradição é o fato de a negação da afirmação pode ser
complexa. Outra desvantagem é que pode ser mais difícil achar o caminho da prova.

Algumas afirmações clássicas que podem ser verificadas por contradição:


1. Existem infinitos números primos. Esta afirmação foi feira pelo matemático Euclides cerca de
300 AC. √
2. O número 2 não é um número racional.
3. O conjunto dos números reais é não enumerável. Esta afirmação é conhecida como “Diagonal
de Cantor”.
Para mostrar a Afirmação 1, vamos relembrar as definções de número primo e número composto.
Definição 2.6.1. Um número x ∈ Z, n ≥ 2, é dito primo se para todo r, s ∈ Z tais que

x = r·s

então r = 1 ou s = 1.
Definição 2.6.2. Um número x ∈ Z, n ≥ 2, é dito composto se existem r, s ∈ Z tais que

x = r·s

com r 6= 1 e s 6= 1.
Exemplo 2.6.1. a) 4 é composto
b) 2 é primo
c) 3 é primo
d) 1 não é primo
e) 12 é composto
2.6 Prova por contradição/ redução ao absurdo 23

f) 15 é composto
Observe que exemplos que NÃO demonstram a Afirmação 1, mas que ajudam a entender como
fazer a demonstração em geral.
• Se o conjunto dos primos fosse somente apenas P = {2, 3, 5}. Então o número x = 2 · 3 · 5 +
1 = 31 é primo e não pertence a esse conjunto.
• Se o conjunto dos primos fosse somente apenas P = {2, 3, 5, 7}. Então o número x =
2 · 3 · 5 · 7 + 1 é primo e x não pertence a esse conjunto.
• Se o conjunto dos primos fosse somente apenas P = {2, 3, 5, 7, 11}. Então o número x =
2 · 3 · 5 · 7 · 11 + 1 é primo e x não pertence a esse conjunto.
• Se P for finito (não podemos dizer qual seria essa quantidade, pois pode ser qualquer valor
n), faça o produto de todos estes primos e some mais 1, então este novo número será primo.
Exemplo 2.6.2. Verificar a Afirmação 1 por redução ao absurdo: “Existem infinitos números primos.
"
Demonstração: Suponha que existam finitos números primos. Logo o conjunto dos números
primos P é da forma {p1 , ..., pn }. Considere o número

x := p1 · p2 · ... · pn + 1.

Observe que x ∈ N e x 6= p1 , x 6= p2 ,..., x 6= pn .


Vamos mostrar que x é primo. Se x não fosse primo, então existiria um primo pi que divide x.
Portanto teríamos que existe m ∈ N tal que

x = m · pi ⇒ p1 · p2 · ... · pi−1 · pi · pi+1 · ... · pn + 1 = m · pi

⇒ pi · (p1 · p2 · ... · pi−1 · pi+1 · ... · pn − m) = −1


então pi dividiria −1. Um absurdo. Logo x é primo, isto é,

x ∈ P = {p1 , ..., pn },

o que contradiz a hipótese de P ser finito. 


Para verificar a Afirmação 2, vamos deixar claro as definições de máximo divisor comum e
frações irredutíveis.
Definição 2.6.3. Sejam x, y ∈ Z. O máximo divisor comum entre x e y é o maior divisor positivo
comum do número x e do número y. Notação: MDC(x,y) .
Exemplo 2.6.3. MDC(2, 4) = 2 e MDC(2, 3) = 1
Definição 2.6.4. Se MDC(p, q) = 1 então p e q não tem fatores primos em comum e dizemos que p
e q são primos entre si. Quando a fração qp , satisfaz MDC(p, q) = 1, dizemos que ela é uma fração
irredutível.
Convencionamos a escrever as as frações com numerador e denominador sendo primos entre si.
3
Por exemplo, a fração não é irredutível pois MDC(3, 6) = 3 6= 1, e escrevemos
6
3 1
=
6 2
24 Capítulo 2. Tipos de demonstração

Exemplo 2.6.4. Verificar por contradição:“ 2 não é um número racional.”

Demonstração: Suponha que 2 seja racional. Então existem p, q ∈ Z e q 6= 0 tais que
√ p
2=
q
p
e p, q não tem fatores em comum (a fração q é irredutível). Assim

p2
2= ⇒
q2

p2 = 2 · q2 (I)
logo p2 é par. Pelo resultado anterior segue que p é par (2 é um fator na decomposição de p). Logo
existe k ∈ Z tal que p = 2 · k. Assim p2 = (2 · k)2 = 4k2 , isto é,

p2 = 4k2 (II)

Igualando (I) e (II), obtemos 4k2 = 2q2 ⇒ q2 = 2k2 . Portanto, q2 é par. Pelo resultado anterior,
q é par (2 é um fator na decomposição de q). Concluímos que p e q tem fator em comum (a saber, o
fator 2). Absurdo. 

2.6.1 Prova por contradição para proposição universal


Vamos mostrar que uma afirmação

∀x ∈ D (P(x) −→ Q(x))

é verdadeira pela demonstração conhecida como prova por contradição. Observe que temos a
equivalência conhecida como Implicação Material

P(x) −→ Q(x) ≡ ¬P(x) ∨ Q(x)

fazendo a negação, obtemos a equivalência

¬(P(x) −→ Q(x)) ≡ ¬(¬P(x) ∨ Q(x))

Usando a Lei de Morgan, obtemos que

¬(P(x) −→ Q(x)) ≡ ¬(¬P(x)) ∧ ¬Q(x)

e aplicando a Dupla Negação, obtemos que

¬(P(x) −→ Q(x)) ≡ P(x) ∧ ¬Q(x)

Assim podemos afirmar que P(x) −→ Q(x) é falsa é o mesmo que afirmar que ¬(P(x) −→ Q(x))
é verdadeira, o que equivale a afirmar que P(x) ∧ ¬Q(x) é verdadeira. Logo o passo a passo para a
demonstração por contradição ou redução ao absurdo é o seguinte:
1ž Passo: Suponha que existe x ∈ D tal que P(x) ∧ (¬Q(x)) é Verdadeira.
2ž Passo: Mostre que ¬P(x) é verdadeira.
2.6 Prova por contradição/ redução ao absurdo 25

3ž Passo: Conclua a contradição lógica: P(x) ∧ (¬Px) verdadeira.


Exemplo 2.6.5. Se x é um número inteiro e seu quadrado é ímpar, então x também é ímpar. Verificar
por contradição.

Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))

onde
Px: x2 é ímpar (Hipótese)
Qx: x é ímpar (Tese)

Deve-se afirmar: ∃x ∈ Z (P(x) ∧ ¬Q(x)).

Suponha que exista x ∈ Z tal que Px ∧ ¬Q(x) é verdadeira. Logo x não é ímpar, isto é, x é par e
então existe k ∈ Z tal que x = 2k. Assim, teríamos

x2 = (2k)2 = 4k2 = 2(2k2 ).

Logo x2 é par (já usamos isso nos exemplos anteriores). Ou seja, P(x) é falso. Logo teríamos ao
mesmo tempo que P(x) verdadeiro e P(x) falso ao mesmo tempo. Um absurdo. 
Exemplo 2.6.6. Se x é um número real então x2 + 2x + 3 6= (x + 1)2 − 5. Verificar que a afirmação
dada é verdadeira por contradição.
Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ R (Q(x))

onde
Px: x ∈ R (Hipótese)
Qx: x2 + 2x + 3 6= (x + 1)2 − 5(Tese)
Deve-se afirmar: ∃x ∈ R (P(x) ∧ ¬Q(x)) é (V).
Suponha que exista x ∈ R tal que x2 + 2x + 3 = (x + 1)2 − 5. Assim

x2 + 2x + 3 = x2 + 2x + 1 − 5 = x2 + 2x − 4

logo 3 = −4, um absurdo. Portanto, Qx é verdadeiro sempre para todo x ∈ R. 


Exemplo 2.6.7. Seja x um número inteiro. Se x é par, então y = x + 5 é impar. Verificar que a
afimação é verdadeira por contradição.

Demonstração: A proposição universal

∀x ∈ Z (P(x) −→ Q(x))

onde
Px: x é par (Hipótese)
Qx: x + 5 é ímpar (Tese)
26 Capítulo 2. Tipos de demonstração

Só usamos y = x + 5 para facilitar a notação.


Deve-se afirmar: ∃x ∈ Z (P(x) ∧ ¬Q(x)) é (V).
Suponha que exista x ∈ Z tal que P(x) é verdadeiro e ¬Q(x) é verdadeiro. Logo

x é um inteiro par (I)

e
y não é ímpar.
Pela definição, como y é par, existe m ∈ Z tal que

x + 5 = y = 2m (II).

Usando (II) então obtemos

x = 2m − 5 = (2m − 6) + 1 = 2(m − 3) + 1.

Seja k = m − 3. Assim como Z é fechado em relação ao produto e à soma, segue que k ∈ Z. Assim
x = 2k + 1 com k inteiro. Portanto x é ímpar. Isto é uma contradição com (I). Absurdo.
Portanto, se x é par então x + 5 é ímpar. 
3. Teoria dos conjuntos

Desde o desenvolvimento da teoria dos conjuntos, a história da matemática enfrentou uma das suas
mais significativas "crises"filosóficas. Esta crise foi desencadeada pelo surgimento do conceito
de infinitude, introduzido pelo matemático russo Georg Ferdinand Ludwig Philip Cantor no final
do século XIX. A Teoria dos Conjuntos investiga as propriedades dos conjuntos, as relações entre
eles, as relações entre os elementos e os próprios conjuntos. Ao explorarmos os conjuntos, torna-se
essencial o uso de símbolos matemáticos para representar situações específicas entre conjuntos e
elementos.

3.1 Conjuntos
Definição 3.1.1. Um conjunto é uma coleção qualquer de objetos.

Por exemplo:
1. Conjunto dos estados da região sul do Brasil.
2. Conjunto dos números primos.
3. Conjunto de todos os números reais tal que x − 3 = 17.
Em geral, um conjunto é denotado por uma letra maiúscula do alfabeto: A, B, C, ..., Z.

3.2 Elemento
Definição 3.2.1. Elemento é um dos componentes de um conjunto.

Por exemplo:
1. Santa Catarina é um elemento do conjunto dos estados da região sul do Brasil.
2. O número 2 é um elemento do conjunto dos números primos.
3. 10 é um elemento do conjunto dos números reais que satisfaz a equação x − 3 = 7.
Em geral, um elemento de um conjunto é denotado por uma letra minúscula do alfabeto: a, b, c, ...,
z.
28 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos

3.3 Pertinência
Definição 3.3.1. Pertinência é a característica associada a um elemento que faz parte de um
conjunto.

Por exemplo:
1. Mato Grosso pertence ao conjunto dos estados da região centro oeste do Brasil.
2. O número 3 pertence ao conjunto dos números primos.

R Símbolo de pertinência: Se um elemento pertence a um conjunto, utilizamos o símbolo ∈ que


se lê: "pertence".

Na figura abaixo ilustramos a noção de pertinência, temos que a ∈ A, c ∈ A, mas b 6∈ A.


os pontos vermelhos pertencem a A

os pontos azuis não pertencem a A


A

Exemplo 3.3.1. Para dizer que 5 pertence ao conjunto dos números naturais, escrevemos 5 ∈ N.

Para representar a negação da pertinência, simbolizamos com a símbolo 6∈.

Exemplo 3.3.2. Por exemplo, para dizer que -9 não é um número natural, ou que −9 não pertence
ao conjunto dos números naturais, escrevemos −9 6∈ N.

3.4 Conjunto universo


Definição 3.4.1. É um conjunto que contém todos os elementos do contexto no qual estamos
trabalhando e também contém todos os conjuntos desse contexto. O conjunto universo é geralmente
representado por uma letra U.

y
U
Conjunto Universo U

Por exemplo:
1. O conjunto das soluções reais da equação 2x + 1 = 4. Aqui o conjunto universo é o conjunto
de todos os números reais.
3.5 Representação de conjuntos 29

É fundamental definirmos o conjunto universo que estamos considerando quando o conjunto se


relaciona a cálculos matemáticos. Por exemplo, se U é o conjunto dos números naturais, então a
equação 3x + 7 = 5 não tem solução. Porém, se U é o conjunto dos números reais, então a equação
3x + 7 = 5 tem solução.

3.5 Representação de conjuntos


Um conjunto pode ser representado de três maneiras distintas: extensão, compreensão e propriedade.
Vejamos, a seguir, a característica de cada um deles.

Representação por extensão


A descrição de um conjunto por extensão ocorre quando o número de seus elementos é finito e é
relativamente pequeno, possibilitando a enumeração direta de todos os elementos. Nesse caso, os
elementos são listados entre chaves e separados por vírgulas.

3
1
2

representação de A por extensão, A = {1, 2, 3}

Exemplo 3.5.1. Vejamos alguns exemplos:


1. Conjunto das vogais: A = {a, e, i, o, u}.
2. Conjunto dos Números Naturais maiores que 2 e menores que 7: B = {3, 4, 5, 6}.
3. O conjunto dos números naturais, N = {0, 1, 2, 3, ....}
4. Conjunto dos Números Naturais maiores que 0 e menores ou iguais a 500:
C = {1, 2, 3, 4, 5, ..., 499, 500}.
Note que podemos ter 3 tipos de conjuntos: um conjunto com uma quantidade pequena de
elementos (item 1 e 2), um conjunto com uma quantidade grande de elementos e usamos o símbolo
"..."como no item 4 e um conjunto com uma quantidade infinita de elementos e usamos o símbolo
"..."como no item 3.
Representação por propriedade
Um conjunto é representado por propriedade (ou compreensão) quando é enunciada uma ou mais
propriedade característica dos seus elementos.
Exemplo 3.5.2. 1. A = {letras do alfabeto }
2. B = {a é uma vogal}
3. C = {x é primo}
4. D = {x é um número natural par}

R Geralmente a forma de escrever um conjunto por uma propriedade é da seguinte forma.

{elemento ∈ con junto universo| descrição da propriedade}


30 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos

Ainda podemos descrever um conjunto através de propriedades como a seguir:

Exemplo 3.5.3. 1. A = {x | x é um número natural ímpar menor que 5}, logo A = {0, 1, 2, 3, 4}
2. B = {x ∈ R| x2 = 1}, logo B = {−1, 1}
3. C = {x| 2n + 1 = x, n ∈ N}, logo C = {1, 3, 5, 7, 9, ...}
Note que neste caso é necessário dizer a qual conjunto universo o elemento pertence. Se no
escrevermos B0 = {x ∈ N| x2 = 1}, então B0 = {1}. Os conjuntos B e B’ tem a mesma propriedade,
mas tomam seus elementos em conjuntos universo diferentes.

3.6 Conjunto vazio

Definição 3.6.1. Conjunto vazio é um conjunto que não possui elementos. É representado por 0.
/

Por exemplo:
1. A = {x | x é um número natural ímpar menor que 0}, logo A = 0.
/
2. A = {x| x < 0 e x > 0}, logo A = 0.
/
3. A = {}, logo A = 0.
/

3.7 Conjuntos iguais

Dois conjuntos A e B são iguais quando todo elemento de A pertence a B e, reciprocamente, todo
elemento de B pertence a A. Em símbolos:

A = B ⇔ (∀x)(x ∈ A ⇔ x ∈ B)

Exemplo 3.7.1. Veja a seguir os exemplos.


1. {a, b, c, d} = {d, c, b, a}
2. {1, 3, 5, 7, 9, ...} = {x| x é inteiro, positivo e ímpar}
3. {x| 2x + 1 = 5} = {2}

3.8 Subconjuntos

Definição 3.8.1. Dados os conjuntos A e B, diz-se que A está contido em B, denotado por A ⊂ B, se
todos os elementos de A também estão em B.

Algumas vezes diremos que um conjunto A está propriamente contido em B quando o conjunto
B, além de conter os elementos de A, contém também outros elementos (veja figura a seguir). O
conjunto A é denominado subconjunto de B e o conjunto B é o super-conjunto que contém A.
3.9 União 31

3
B

1 2 A
1
2

Por exemplo:
1. B = {a, b, c, d, e} e D = {a, c, e}, então D ⊂ B
2. B = {1, 2, 3, 4, 5} e D = {x, v,t}, então D 6⊂ B.
3. A = {−1, 15} e D = {−1, 2, 3, 10, 15}, então A ⊂ D, pois −1 ∈ D e 15 ∈ D.
Assim se lê cada um dos dois símbolos: ⊂ Está contido em. Em caso contrário, indicaremos
por: 6⊂ Não está contido em Perceba pelos exemplos acima que A ⊂ B implica dizer que TODOS os
elementos de A estão em B, MAS não podemos afirmar o contrário.

Propriedades da inclusão
Sendo A, B e C três conjuntos arbitrários, valem as seguintes propriedades:
1ł) 0/ ⊂ A ( o conjunto vazio está contido em todos os conjuntos)
2ł) A ⊂ A (reflexiva)
3ł) (A ⊂ B e B ⊂ A) ⇒ A = B (anti simétrica)
4ł) (A ⊂ B e B ⊂ C) ⇒ A ⊂ C (transitiva)

Igualdade de conjuntos
Usando a definição de subconjuntos podemos dar uma nova maneira para verificar se dois conjuntos
são iguais. Nessa definição de igualdade de conjuntos está explícito que todo elemento de A é
elemento de B e vice-versa, isto é, A ⊂ B e B ⊂ A. Em símbolos, temos

A = B ⇔ (A ⊂ B e B ⊂ A).

Assim, para provarmos que A = B, devemos provar que A ⊂ B e B ⊂ A.

3.9 União
Definição 3.9.1. Dados dois conjuntos A e B, chama-se reunião de A e B o conjunto formado pelos
elementos que pertencem a A ou a B.

A ∪ B = {x| x ∈ A ou x ∈ B}

O conjunto A ∪ B (lê-se A reunião B ou A ∪ B) é formado pelos elementos que pertencem a pelo


menos um dos conjuntos A e B.
32 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos

B
A
3
1 3 5

2 4

A ∪ B = {1, 2, 3, 4, 5}
Por exemplo:
1. {a, b} ∪ {c, d} = {a, b, c, d}
2. {a, b} ∪ {a, c, d} = {a, b, c, d}
3. {1, 5, 9} ∪ {−5, −14, 10} = {−14, −5, 1, 5, 9, 10}
Note pelo exemplo anterior que na união não listamos o elemento duas vezes, mesmo que esteja em
ambos os conjuntos.

Propriedades da reunião
Sendo A, B e C conjuntos quaisquer, valem as seguintes propriedades:
1ł) A ∪ A = A (idempotente)
2ł) A ∪ 0/ = A (elemento neutro)
3ł) A ∪ B = B ∪ A (comutativa)
4ł) (A ∪ B) ∪C = A ∪ (B ∪C) (associativa)

Exemplo 3.9.1. Demonstrar que a união dos conjuntos A e B é igual à união dos conjuntos B e A,
ou seja,A ∪ B = B ∪ A.

Demonstração. Para mostrar que A ∪ B = B ∪ A, devemos mostrar que todo elemento em A ∪ B


também está em B ∪ A, e vice-versa. Seja x um elemento em A ∪ B. Isso significa que x está em
A ou x está em B (ou ambos). Se x está em A, então x também está em B ∪ A, pois B ∪ A contém
todos os elementos de A, além de quaisquer elementos adicionais em B. Da mesma forma, se x
está em B, então x também está em A ∪ B, pois A ∪ B contém todos os elementos de B, além de
quaisquer elementos adicionais em A. Portanto, concluímos que A ∪ B está contido em B ∪ A e B ∪ A
está contido em A ∪ B, e assim A ∪ B = B ∪ A. 

3.10 Interseção
Definição 3.10.1. Dados dois conjuntos A e B, chama-se intersecção de A e B o conjunto formado
pelos elementos que pertencem a A e a B.

A ∩ B = {x| x ∈ A e x ∈ B}

O conjunto A ∩ B (lê-se A inter B) é formado pelos elementos que pertencem aos dois conjuntos
(A e B) simultaneamente.
3.11 Complementar 33

B
A
3 5
1 3
2 4

A ∩ B = {3}

Vejamos alguns exemplos.


1. {a, b} ∩ {c, d} = 0/
2. {a, b} ∩ {a, c, d} = {a}
3. {−14, 1, 5, 9, 10} ∩ {−5 − 14, 1, 10} = {−14, 1, 10}
4. {−3, −2, −1, 0, 1} ∩ {−7, −2, −1} = {−2, −1}
5. {M, D, T, s, u} ∩ {O, M, E, S, u, d} = {M, u}
6. {2, 3, ♣, ♠} ∩ {♠, ♣} = {♠, ♣}

Propriedades da interseção

Sendo A, B e C conjuntos quaisquer, valem as seguintes propriedades:


1ł) A ∩ A = A (idempotente)
2ł) A ∩ 0/ = 0/
3ł) A ∩ B = B ∩ A (comutativa)
4ł) (A ∩ B) ∩C = A ∩ (B ∩C) (associativa)

Quando A ∩ B = 0,
/ isto é, quando os conjuntos A e B não têm elemento comum, A e B são
denominados conjuntos disjuntos.

Exemplo 3.10.1. Demonstrar que a interseção dos conjuntos A e B é igual à interseção dos conjuntos
B e A, ou seja, A ∩ B = B ∩ A.

Demonstração. Para mostrar que A ∩ B = B ∩ A, devemos mostrar que todo elemento em A ∩ B


também está em B ∩ A, e vice-versa. Seja x um elemento em A ∩ B. Isso significa que x está em A e
x está em B. Portanto, x está em B e x está em A, e assim x está em B ∩ A. Da mesma forma, se x
está em B ∩ A, então x está em B e x está em A, e portanto x está em A ∩ B. Portanto, concluímos
que A ∩ B está contido em B ∩ A e B ∩ A está contido em A ∩ B, e assim A ∩ B = B ∩ A. 

3.11 Complementar

Definição 3.11.1. Dados os conjuntos A e B de um Universo U qualquer. Definimos a diferença de


B por A, notação B − A, como o conjunto de todos os pontos que estão em B e não estão em A.
34 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos

B U
A

Na figura acima a região verde indica B − A.


Por exemplo:
1. Seja o conjunto Universo U contendo o conjunto B = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e o conjunto A = {1, 3},
dizemos que de B por A é o conjunto {0, 2, 4, 5}.
Definição 3.11.2. Dados os conjuntos A e B de um Universo U qualquer, com A ⊂ B. Chamamos
complementar de A em relação a B o conjunto formado pelos elementos de B que não pertencem a A
e indicamos por CBA

B 3
4
5 1 2 A
1 2

Conjunto Universal U
CBA = {3, 4, 5}

Vejamos o exemplo da figura acima.


1. Considere um conjunto Universo U contendo o conjunto B = {1, 2, 3, 4, 5} e o conjunto
A = {1, 2}, então o complementar de A em relação a B é {3, 4, 5}.
Exemplo 3.11.1. Demonstrar que o complemento do complemento de um conjunto A em um universo
U é igual a A, ou seja, (Ac )c = A. Para facilitar use a notação CUA = Ac
Demonstração. Seja x um elemento em A. Então, x não está em Ac , o que significa que x está em
(Ac )c . Portanto, todo elemento em A está em (Ac )c , o que implica que A está contido em (Ac )c .
Agora, seja y um elemento em (Ac )c . Isso significa que y não está em Ac , o que por sua vez implica
que y está em A. Assim, todo elemento em (Ac )c está em A, o que implica que (Ac )c está contido
em A. Portanto, concluímos que A está contido em (Ac )c e (Ac )c está contido em A, o que implica
que (Ac )c = A. 

3.12 Conjuntos Numéricos


Os números surgiram da necessidade de contagem do ser humano e, à medida que a sociedade
evoluiu, os números também evoluíram, sendo organizados em conjuntos. A compreensão dos
3.13 Conjunto dos números naturais 35

conjuntos numéricos deriva do entendimento básico de um conjunto. Nesse contexto, os conjuntos


numéricos são definidos como agrupamentos de números que compartilham características seme-
lhantes. Neste texto, exploraremos a concepção desses conjuntos, visando compreender os elementos
que os constituem.
Temos, então, os seguintes conjuntos numéricos:
1. Conjunto dos números Naturais (N).
2. Conjunto dos números Inteiros (Z).
3. Conjunto dos números Racionais (Q).
4. Conjunto dos números Reais (R).

3.13 Conjunto dos números naturais


Definição 3.13.1. O conjunto dos números naturais é representado pela letra maiúscula N, este
conjunto abrange todos os números N = {0, 1, 2, 3, 4, ...} positivos, incluindo o zero. Então este
conjunto forma uma sucessão infinita, na qual dizemos que o 2 é o sucessor do 1, o 3 é o sucessor
do 2, e assim por diante. Dessa forma, o n + 1 é o sucessor de n.

N = {0, 1, 2, 3, 4, ..., n, n + 1, ...}

Os pontos de reticência dão a ideia de infinidade, pois os conjuntos numéricos são infinitos.
Nesse conjunto são definidas duas operações fundamentais, a adição e a multiplicação, que
apresentam as seguintes propriedades:

Propriedades 3.13.1. Veja as seguintes propriedades.


A.1) associativa da adição (a + b) + c = a + (b + c) para todos a, b, c ∈ N.
A.2) comutativa da adição a + b = b + a para todos a, b ∈ N.
A.3) elemento neutro da adição a + 0 = a para todo a ∈ N.
M.1) associativa da multiplicação (ab)c = a(bc) para todos a, b, c ∈ N.
M.2) comutativa da multiplicação ab = ba para todos a, b ∈ N.
M.3) elemento neutro da multiplicação a1 = a para todos a, b ∈ N.
AM) distributiva da multiplicação relativamente à adição
a(b + c) = ab + ac para todo a ∈ N.

3.14 Conjunto dos números inteiros


Definição 3.14.1. Representado pela letra Z„ o conjunto dos Números Inteiros é formado por todos
os números que pertencem ao conjunto dos Números Naturais mais os seus respectivos opostos
negativos.
Z = {..., −4, −3, −2 − 1, 0, 1, 2, 3, 4, ...}

Subconjuntos importantes.
1. Z+ = {0, 1, 2, 3, 4, ...}
2. Z− = {..., −4, −3, −2 − 1, }
3. Z∗ = {..., −4, −3, −2 − 1, 1, 2, 3, 4, ...}
No conjunto Z são definidas também as operações de adição e multiplicação que apresentam,
além de [A.1], [A.2], [A.3], [M.1], [M.2], [M.3] e [AM], a propriedade:
36 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos

A.4 simétrico ou oposto para a adição Para todo a ∈ Z existe −a ∈ Z tal que

a + (−a) = 0

Devido à propriedade [A.4], podemos definir em a operação de subtração, estabelecendo que


a + (−b) = a − b para todos a, b ∈ Z

Exemplo 3.14.1. Observe os sinais das operações.


1. 11 − 8 = 3
2. −5 − 9 = −14
3. 12 − 33 = −11

3.14.1 Adição
Na adição em números inteiros:

1. Para números inteiros positivos, é realizada da mesma forma que a soma de números naturais.

Por exemplo, (+3) + (+4) = +7, o que representa a soma de dois créditos.

2. Para números inteiros negativos, é realizada adicionando os números naturais e atribuindo o


sinal -", indicando débitos.

Por exemplo, (−2) + (−6) = −8, o que representa a soma de dois débitos.

3.14.2 multiplicação
Na multiplicação de números inteiros:

1. Quando multiplicamos dois números inteiros positivos é o mesmo que multiplicar em números
naturais, e como os números naturais são fechados em relação à multiplicação, então o produto de
dois inteiros positivos é um inteiro positivo.

Por exemplo, (+5) × (+2) = (+2) + (+2) + (+2) + (+2) + (+2) = 2 + 2 + 2 + 2 + 2 = 10 =


5 × 2. Da mesma forma, 4 × 5 = 5 + 5 + 5 + 5 = 20. Portanto, (+) × (+) = +.

2. Quando multiplicamos um número positivo por um número negativo, o resultado deve ser um
número negativo, pois estaremos somando várias vezes um mesmo número negativo.

Por exemplo, (+4) × (−2) = 4 × (−2) = (−2) + (−2) + (−2) + (−2) = −8. Da mesma forma,
(+4) × (−5) = 4 × (−5) = (−5) + (−5) + (−5) + (−5) = −20. Portanto, (+) × (−) = −.

3. Quando multiplicamos um número negativo por um número negativo, o resultado será um


número positivo para manter r a propriedade distributiva da multiplicação em relação à adição, a
associativa por exemplo.
3.14 Conjunto dos números inteiros 37

Divisibilidade
Definição 3.14.2. Dizemos que um número inteiro a é divisível por um número inteiro b se existe um
número inteiro c tal que a = b · c. Neste caso, escrevemos b | a e dizemos que b é um divisor de a.
Caso contrário, dizemos que b não divide a e denotamos por b - a.

Exemplo 3.14.2. Vejamos alguns exemplos.


1. Note que 2|6, pois existe c = 3 tal que 6 = 2 · 3.
2. Note que 5|55, pois existe c = 11 tal que 55 = 5 · 11.
3. Note que 4 - 7, pois não existe c ∈ Z tal que 7 = 4 · c.
4. Note que 9 - −32, pois não existe c ∈ Z tal que −32 = 9 · c.

R Se b | a, também dizemos que a é um múltiplo de b e que b é um fator de a.

Definição 3.14.3. Dizemos que um número inteiro a é ímpar se não é divisível por 2. Logo podemos
escrever todo número inteiro ímpar como 2n + 1, para algum n ∈ Z.

Exemplo 3.14.3. Vejamos alguns exemplos.


a) 3 = 2 · 1 + 1
b) 25 = 2 · 12 + 1

Definição 3.14.4. Dizemos que um número inteiro a é par se é divisível por 2. Logo podemos
escrever todo número inteiro par como 2n, para algum n ∈ Z.

Exemplo 3.14.4. Vejamos alguns exemplos.


a) 4 = 2 · 2
b) 28 = 2 · 14

Definição 3.14.5. Dizemos que um número inteiro a é primo se é maior que 1 e seus únicos divisores
positivos são ±1, a e −a.

R Os primeiros números primos são: 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37, 41, 43, 47, 53, 59, 61, 67, 71, 73,
79, 83, 89 e 97.

Teorema 3.14.1 (Algoritmo da Divisão). Sejam a e b dois números inteiros, com b > 0. Então
existem números inteiros q e r tais que a = bq + r, onde 0 ≤ r < b.

Perceba que neste tipo de resultado, os números a e b são dados, mas devemos ser capazes de
encontrar o quociente e o resto.
Assim, dizemos que b|a se o resto da divisão é zero e b - a se o resto é diferente de zero.

Exemplo 3.14.5. 1. Note que 2|6, pois existe c = 3 tal que 6 = 2 · 3 + 0 (q = 3 e r = 0).
2. Note que 5|55, pois existe c = 11 tal que 55 = 5 · 11 + 0 q = 11 e r = 0).
3. Note que 4 - 7, pois 7 = 4 · 1 + 3 q = 1 e r = 3).
4. Note que 9 - −32, pois −32 = 9 · (−4) + 4 q = −4 e r = 4).

Definição 3.14.6. Um número primo é um número natural maior do que 1, cujos únicos divisores
são o 1 e ele próprio.
38 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos

Os primeiros números primos em ordem crescente são: 2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23, 29, 31, 37,
41, 43, 47...
Por exemplo, o número 20 não é primo, pois possui divisores diferentes de 1 e de 20. Os números
2, 4, 5 e 10 são divisores de 20. Perceba que ele pode ser expresso como um produto de dois ou mais
divisores:
20 = 2 ∗ 10 = 4 ∗ 5 = 2 ∗ 2 ∗ 5.
Teorema 3.14.2. Todo número natural n maior do que 1, não primo, pode ser decomposto como
produto de números primos. Essa decomposição é única, a menos da ordem dos fatores.
Teorema 3.14.3. Existem infinitos números primos

3.15 Conjunto dos números racionais


Considere a seguinte situação: medir a quantidade de maçãs em uma cesta usando a unidade de
medida ’dúzia’ significa determinar quantas dúzias de maçãs há na cesta. Assim, se a cesta contém
90 maçãs, então 90 ÷ 12 é a quantidade de dúzias de laranjas na cesta. Portanto, 90 ÷ 12 = 7 + 1/2
significa que há 7 dúzias e 1/2 de uma dúzia; ou, de forma equivalente, 100 laranjas correspondem
a 7 dúzias mais 6 maçãs.
Definição 3.15.1. Representado pela letra Q, o conjunto dos Números Racionais engloba os números
inteiros Z, os números decimais finitos e os números decimais infinitos periódicos, ou seja, todos
aqueles que podemos escrever na forma ab , com b 6= 0.
na o
Q= | a ∈ Z e b ∈ Z∗
b
A seguir apresentamos propriedades muito úteis para operar números racionais.
a c
Propriedades 3.15.1. Sejam , ∈ Q.
b d
a c
1ł) igualdade: = ⇔ ad = bc
b d
a c ad + bc
2ł) adição: + =
b d bd
a c ac
3ł) multiplicação: ∗ = bd
b d
a
a d ad
4ł) divisão: bc = ∗ =
b c bc
d

No conjunto dos racionais destacamos os subconjuntos:


Q+ (conjunto dos racionais não negativos);
Q− (conjunto dos racionais não positivos);
Q∗ (conjunto dos racionais não nulos).
Por exemplo:
2 5 2 ∗ 4 + 5 ∗ 3 23
1. + = =
3 4 3∗4 12
−4 9 (−4) ∗ 2 + 9 ∗ 7 55
2. + = =
7 2 7∗2 14
5 13 5 ∗ 6 − 3 ∗ 13 −9
3. − = =
3 6 3∗6 18
3.16 Números irracionais 39
2 5 2 ∗ 5 10
4. ∗ = =
3 6 3 ∗ 6 18
Representação decimal
a
Notamos que todo número racional pode ser representado por um número decimal. Passa-se
b
a
um número racional para a forma de número decimal dividindo o inteiro a pelo inteiro b. Na
b
passagem de uma notação para outra podem ocorrer dois casos:

1◦ ) o número decimal tem uma quantidade finita de algarismos, diferentes de zero, isto é, é uma
1 27 3
decimal exata. Exemplos: = 0, 5, = 0, 027 e = 0, 75
2 1000 4
2◦ ) o número decimal tem uma quantidade infinita de algarismos que se repetem periodicamente,
isto é, é uma dízima periódica:
1 11
= 0, 333... e = 1, 8333... = 1, 83.
3 6
Quando a decimal é exata, podemos transformá-la em uma fração cujo numerador é o numeral
decimal sem a vírgula e cujo denominador é o algarismo 1 seguido de tantos zeros quantas forem as
casas decimais do número dado.
27
Exemplo 3.15.1. 1. 0, 27 =
100
3198
2. 3, 198 =
1000
715428
3. 71, 5428 =
10000

3.16 Números irracionais


Definição 3.16.1. São todos os números decimais infinitos não-periódicos.

Por exemplo, o número PI (π = 3, 14159265...), que é o resultado da divisão entre uma circun-
ferência de um círculo e seu diâmetro).
Precisamos mesmo saber sobre números irracionais?
Pense na seguinte situação: desejamos construir uma rampa em formato triangular onde a
altura e a base formam um ângulo reto e suas medidas são 1 metro. Qual seria o comprimento da
rampa? A figura a seguir ilustra a situação
C

1 h

A 1 B
Usando
√ Pitágoras e chamando h o comprimento da rampa, temos que h2 = 12 + 12 = 2. Assim,
h = 2 que é um número irracional.
40 Capítulo 3. Teoria dos conjuntos

3.17 Conjunto dos números reais


Definição 3.17.1. Chama-se conjunto dos números reais símbolo R aquele formado por todos os
números com representação decimal, isto é, as decimais exatas ou periódicas (que são números
racionais) e as decimais não exatas e não periódicas (que são números irracionais).
Dessa forma, todo número racional é número real, ou seja:

Q⊂R

Destacamos em R três outros subconjuntos:


R+ (conjunto dos reais não negativos);
R− (conjunto dos reais negativos);
R∗ (conjunto dos reais não nulos).

Intervalos Dados dois números reais a e b, com a 6= b, definimos:


1) intervalo aberto de extremos a e b é o conjunto

(a, b) = {x ∈ R| a < x < b}

2) intervalo fechado de extremos a e b é o conjunto

[a, b] = {x ∈ R| a ≤ x ≤ b}

3) intervalo fechado à esquerda (ou aberto à direita) de extremos a e b é o conjunto

[a, b) = {x ∈ R| a ≤ x < b}

4) intervalo fechado à direita (ou aberto à esquerda) de extremos a e b é o conjunto

(a, b] = {x ∈ R| a < x ≤ b}
Os números reais a e b são denominados, respectivamente, extremo inferior e extremo superior
do intervalo.
Por exemplo, vamos verificar os seguintes intervalos.
1. ]2, 5[= {x ∈ R| 2 < x < 5} é intervalo aberto.
−∞ ∞
−4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4 5
2. [−5, 5] = {x ∈ R| − 5 ≤ x ≤ 5} é intervalo fechado.
−∞ ∞
−5 −4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4 5
3. ] − 75 , 7] = {x ∈ R| − 75 < x ≤ 7} é intervalo fechado à esquerda.
− 75
−∞ ∞
−3 −2 −1 0 1 2 3 4 5 6 7
4. [−9, − 32 [= {x ∈ R| − 9 ≤ x < −π } é intervalo fechado à direita.
− 32
−∞ ∞
−10 −9 −8 −7 −6 −5 −4 −3 −2 −1 0
3.17 Conjunto dos números reais 41

Por exemplo I = [−3, 2] e J = (0, 4].


I ∪J
I J
−∞ ∞
−4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4
I ∩J
I J
−∞ ∞
−4 −3 −2 −1 0 1 2 3 4
Note que a representação visual de cada intervalo usamos “bola aberta” para intervalo aberto
( condicionado ao uso do símbolo < ou >) e usamos “bola fechada” para intervalo fechado (
condicionado ao uso do símbolo ≤ ou ≥)

R Note que o conjunto {1, 3} é diferente do intervalo [1, 3].

Intervalos infinitos Também consideramos intervalos lineares os intervalos infinitos assim


definidos:
1◦ ) ] − ∞, a[= {x ∈ R| x < a}
2◦ ) ] − ∞, a] = {x ∈ R| x ≤ a}
3◦ ) ]b, ∞[= {x ∈ R| b < x}
4◦ ) [b, ∞[= {x ∈ R| b ≤ x}
4. Introdução aos Polinômios

4.1 Monômios
Definição 4.1.1. Um produto de números reais e variáveis, recebe o nome de monômio.

Por exemplo:
a) 3x2
b) −35t 7
c) 102a3
Note que todo monômio é composto por duas partes: o coeficiente numérico e a parte literal
(formada por letras).
No caso do exemplo anterior:
1. 3 é o coeficiente numérico e x2 a parte literal
2. −35 é o coeficiente numérico e t 7 a parte literal
3. 102 é o coeficiente numérico e a3 a parte literal

4.2 Adição e subtração de monômios


Definição 4.2.1. Somente podemos somar ou subtrair monômios semelhantes e para isso conserva-
mos a parte literal comum e adicionamos ou subtraímos os coeficientes numéricos.

Por exemplo:
1. 2b + 3b = 5b
2. −5t + t = −4t
3. 12A − 7A + 10r + 1 = 5A + 10r + 1

4.3 Multiplicação de monômios


Ao multiplicar monômios, devemos seguir os seguintes passos:
1◦ passo: realizar a regra de sinal, quando necessário.
2◦ passo: multiplicar os coeficientes numéricos.
44 Capítulo 4. Introdução aos Polinômios

3◦ passo: quando houver parte literal igual, devemos conservá-la e somar os expoentes. Ou
seja, devemos aplicar a propriedade da multiplicação de expoentes com bases iguais.
Por exemplo:
1. 2w ∗ 4w = 8w2
2. 7t ∗ 5a ∗ 3t 2 = 21t 3 ∗ 5a
3. 23 x ∗ 45 x = 15
8 2
x

4.4 Divisão de monômios


Ao dividir monômios, devemos seguir os seguintes passos:
1◦ passo: realizar a regra de sinal, quando necessário.
2◦ passo: dividir os coeficientes numéricos.
3◦ passo: quando houver parte literal igual, devemos conservá-la e diminuir os expoentes. Ou
seja, devemos aplicar a propriedade da divisão de bases iguais,
Por exemplo:
1. 4x5 ÷ 2x2 = 2x3
15a2 3
2. 6
= 4
5a a

4.5 Introdução aos Polinômios


Definição 4.5.1. Polinômio é uma expressão algébrica de dois ou mais termos. Da seguinte forma.

p(x) = an xn + ... + a2 x2 + a1 x + a0

onde os termos an , an−1 , ..., a1 , a0 ∈ R são chamados de coeficientes do polinômio, o termo an 6= 0 é


chamado coeficiente líder e n ∈ N é chamado de grau do polinômio, denotado por gr(p)=n.

Por exemplo:
√ − 1 é um polinômio de grau 1.
1. 7x
2. 5x2 − 3x + 9 é um polinômio de grau 2.
3. 4x5 − 2x4 + 8x2 − x + π é um polinômio de grau 5.

4.6 Adição e Subtração


4.6.1 Adição
Considere os polinômios

P(x) = 3x3 + 5x2 − 2x + 4

Q(x) = 2x3 − 4x2 + 3x − 7

.
A soma dos polinômios P(x) e Q(x) é:
4.6 Adição e Subtração 45

P(x) + Q(x) = (3x3 + 5x2 − 2x + 4) + (2x3 − 4x2 + 3x − 7)

Agrupando os termos semelhantes, obtemos:

P(x) + Q(x) = (3x3 + 2x3 ) + (5x2 − 4x2 ) + (−2x + 3x) + (4 − 7)

Simplificando cada termo, temos:

P(x) + Q(x) = 5x3 + x2 + x − 3

Portanto, a soma dos polinômios P(x) e Q(x) é:

P(x) + Q(x) = 5x3 + x2 + x − 3

Exemplo 4.6.1. (−2x2 + 5x − 2) + (−3x3 + 2x − 1)


Removendo os parênteses, temos:
−2x2 + 5x − 2 − 3x3 + 2x − 1.
Devemos lembrar que somente podemos somar ou subtrair os termos semelhantes, assim:
−3x3 − 2x2 + 7x − 3.

4.6.2 Subtração
Considere os polinômios

P(x) = 4x3 + 3x2 − x + 6

Q(x) = 2x3 − 5x2 + 4x − 2

A subtração dos polinômios P(x) e Q(x) é:

P(x) − Q(x) = (4x3 + 3x2 − x + 6) − (2x3 − 5x2 + 4x − 2)

Distribuindo o sinal de subtração, obtemos:

P(x) − Q(x) = 4x3 + 3x2 − x + 6 − 2x3 + 5x2 − 4x + 2

Agrupando os termos semelhantes, temos:

P(x) − Q(x) = (4x3 − 2x3 ) + (3x2 + 5x2 ) + (−x − 4x) + (6 + 2)


46 Capítulo 4. Introdução aos Polinômios

Simplificando cada termo, obtemos:

P(x) − Q(x) = 2x3 + 8x2 − 5x + 8


Portanto, a subtração dos polinômios P(x) e Q(x) é:

P(x) − Q(x) = 2x3 + 8x2 − 5x + 8


Exemplo 4.6.2. (−2x2 + 5x − 2) − (−3x3 + 2x − 1)
Para remover os parênteses, devemos lembrar que a operação de subtração faz propriedade
distributiva com todos os termos do segundo parênteses, assim:
−2x2 + 5x − 2 + 3x3 − 2x + 1.
Novamente, devemos lembrar que somente podemos somar ou subtrair os termos semelhantes,
assim: 3x3 − 2x2 + 3x − 1.

4.7 Multiplicação de polinômios


Para efetuarmos a multiplicação de um polinômio por outro polinômio devemos utilizar a proprie-
dade distributiva.

Uma outra forma que podemos fazer a multiplicação é a seguinte.


Definição 4.7.1. Considere os polinômios p = an xn + ... + a1 x + a0 e q = bm xm + ... + b1 x + b0 .
Então o produto p ∗ q é dado pela fórmula
m+n
p ∗ q = cm+n xm+n + ... + c1 x + c0 = ∑ ci x i
i=0

onde ci = ∑ir=0 ar ∗ bi−r


4.8 Produtos notáveis 47

Por exemplo: (3x2 + x + 2)(4x − 5) = (4 ∗ 3)x3 + (3 ∗ (−5) + 1 ∗ 4)x2 + (1 ∗ (−5) + 2 ∗ 4)x − 10 =


12x3 − 11x2 + 3x − 10

4.8 Produtos notáveis


A seguir destacamos algumas das vantagem dos Produtos notáveis.
• Simplificação de Cálculos: Produtos notáveis permitem simplificar expressões algébricas
complexas de maneira rápida e eficiente.
• Facilidade na Resolução de Equações: O uso de produtos notáveis facilita a resolução de
equações algébricas.
• Desenvolvimento do Raciocínio Algébrico: Trabalhar com produtos notáveis ajuda no desen-
volvimento do raciocínio algébrico e na habilidade de reconhecer padrões, habilidades que
são úteis em todas as áreas da matemática.
Alguns produtos notáveis.
Sejam u e v números reais, variáveis ou expressões algébricas.
1. Produto de uma soma e uma diferença:(u + v)(u − v) = u2 − v2
2. Quadrado de uma soma de dois termos: (u + v)2 = u2 + 2uv + v2
3. Quadrado de uma diferença de dois termos: (u − v)2 = u2 − 2uv + v2
4. Cubo de uma soma de dois termos: (u + v)3 = u3 + 3u2 v + 3uv2 + v3
5. Cubo de uma diferença de dois termos: (u − v)3 = u3 − 3u2 v + 3uv2 − v3

4.9 Divisão de Polinômios


Definição 4.9.1. A divisão de polinômios é composta por dividendo, divisor, quociente e resto, assim
como a divisão de números naturais, mas no caso da divisão de polinômio por polinômio, cada
termo é formado por mais de um monômio.
Na divisão do polinômio p(x) pelo polinômio f (x) existe um polinômio quociente q(x) e o
polinômio resto r(x) tais que
p(x) = f (x)q(x) + r(x)
onde 0 ≤ gr(r) < gr( f ) ou r(x) = 0.
Acompanhe o exemplo resolvido pelo método da chave:
(x2 − 5x − 13) ÷ (x − 4)
Inicialmente, devemos escrevê-lo na seguinte forma:

O objetivo é ir zerando sempre o primeiro termo. Para isso, iremos dividir o 1◦ termo do
dividendo pelo primeiro termo do divisor, isto é, x2 ÷ x = x. O resultado encontrado irá multiplicar
o polinômio x − 4, que é o divisor.

x ∗ (x − 4) = x2 − 4x.
O resultado desse produto deverá ser subtraído pelo polinômio 2x2 − 5x − 12 (dividendo).
48 Capítulo 4. Introdução aos Polinômios

Juntando os termos semelhantes e abaixando o −13:


Agora, considerando o polinômio −x − 13, iremos repetir o processo, dividindo −x por x.

−x ÷ x = −1
Multiplicamos este valor pelo divisor:

−1 ∗ (x − 4) = −x + 4
Novamente, o resultado desse produto deverá ser subtraído pelo polinômio que sobrou no
dividendo 3x − 12.

Removendo os parênteses e fazendo a regra de sinais:


Assim, (x2 − 5x − 13) = (x − 4)(x − 1) − 17 e o resto é −17.
4.10 Teorema do resto e teorema de D’Alembert 49

4.10 Teorema do resto e teorema de D’Alembert


Teorema 4.10.1 (Teorema do Resto). Seja a 6= 0. O resto da divisão de um polinômio P(x) pelo
binômio ax + b é igual ao valor numérico P − ba .
Exemplos:
1. Vamos calcular o resto da divisão de P(x) = x2 + 5x − 1 por B(x) = x + 1, usando o Teorema
do Resto.
Neste caso temos a = 1 e b = 1, logo o resto da divisão é P − 11 = P(−1) = (−1)2 + 5(−1) −


1 = 1 − 5 − 1 = −5.
2. Vamos calcular o resto da divisão de P(x) = x2 + 2x − 3 por B(x) = 2x − 1, usando o Teorema
do Resto.   2
Neste caso temos a = 2 e b = −1, logo o resto da divisão é P − (−1) = P 12 = 12 +

2
2 12 − 3 = 14 + 1 − 3 = 14 − 2 = − 72 .


O teorema a seguir é um caso particular do Teorema do Resto.


Teorema 4.10.2 (Teorema de D’Alembert). Seja a 6= 0. O polinômio P(x) é divisível pelo binômio
b

ax + b se, e somente se, P − a = 0.
Exemplos:
1. Vamos mostrar que P(x) = x2 + 2x + 1 é divisível por B(x) = x + 1, usando o Teorema de
D’Alembert.
Neste caso temos a = 1 e b = 1, logo P − 11 = P(−1) = (−1)2 + 2(−1) + 1 = 1 − 2 + 1 = 0.


2. Vamos mostrar que P(x) = x2 + 2x + 1 não é divisível por B(x) = x − 1, usando o Teorema de
D’Alembert.  
Neste caso temos a = 1 e b = −1, logo P − (−1)
1 = P(1) = (1)2 + 2(1) + 1 = 1 + 2 + 1 = 4.
Logo, o polinômio P(x) não é divisível por B(x).

4.11 Divisão de polinômios pelo método de Briot-Ruffini


O método de Briot-Ruffini é um algoritmo para encontrar o quociente e o resto da divisão de
polinômios de certo formato. Vamos dividir o polinômio P(x) = a1 xn + a2 xn−1 + ... + an−1 x + an
pelo polinômio Q(x) = x − u, onde u ∈ R.
1◦ passo: Repita o coeficiente a1 na linha abaixo

u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1
50 Capítulo 4. Introdução aos Polinômios

2◦ passo: Multiplique o coeficiente a1 por u e some a a2 . Coloque este resultado abaixo do coeficiente
a2 .

u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1 a1 u + a2

3◦ passo: Multiplique o coeficiente a1 u + a2 por u e soma a3 . Coloque este resultado abaixo do


coeficiente a3 .

u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1 a1 u + a2 (a1 u + a2 ) · u + a3

4◦ passo: Repetir o argumento até preenchimento da entrada abaixo do coeficiente an , o qual chamamos
de r.

u a1 a2 a3 ... an−1 an
a1 a1 u + a2 (a1 u + a2 )u + a3 ... ((((a1 u + a2 ) · u + a3 )u + a4 )... + an−1 )u + an−1 r

5 passo: Assim o resultado da divisão é a1 x + (a1 u + a2 )xn−2 + ((a1 u + a2 ) · u + a3 )xn−3 + ... com
n−1

resto r.

Exemplo: Dividir o polinômio P(x) = x3 − 6x2 + 11x − 6 dividido por Q(x) = x − 2 ( aqui u = 2),
usando o método de Briot Ruffini.

1◦ Passo :

2 1 −6 11 −6
1
2◦ Passo :

2 1 −6 11 −6
1 1·2−6

2 1 −6 11 −6
1 −4

3◦ Passo :

2 1 −6 11 −6
1 −4 −4 · 2 + 11

2 1 −6 11 −6
1 −4 3
4.12 Expressões algébricas 51

4◦ Passo :

2 1 −6 11 −6
1 −4 3 3·2−6

2 1 −6 11 −6
1 −4 3 0

Logo o quociente da divisão é x2 − 4x + 3 e o resto é zero.

4.12 Expressões algébricas


4.12.1 Revisão expressões numéricas
Primeiramente, precisamos nos atentar à ordem de prioridade dos símbolos e, depois, à ordem
das operações entre esses símbolos. Resolver expressões numéricas exige cuidado, pois há uma
sequência específica a ser seguida:
Primeiro, resolvemos as operações que estão dentro dos parênteses ().
Em seguida, resolvemos as operações que estão entre colchetes [].
Finalmente, resolvemos as operações que estão entre chaves {}.
Na resolução de expressões numéricas, é comum haver dúvidas sobre qual operação deve ser
realizada primeiro. Para isso, é necessário entender a ordem correta a ser seguida:
1. Primeiramente, resolvemos as operações de radiciação e potenciação. Se ambas aparecem
simultaneamente em uma expressão algébrica, calculamos na ordem em que surgirem.
2. Após encontrar todas as potências e radicais, as próximas operações em ordem de prioridade
são a multiplicação e a divisão. Essas operações, que têm o mesmo grau de prioridade, devem ser
calculadas na ordem em que aparecem na expressão.
3. Na ausência de multiplicação e divisão, procedemos com a adição e subtração dos termos.
Se ambas as operações estiverem presentes, devemos calculá-las na ordem em que aparecem até
obtermos o resultado final.

Exemplo 4.12.1. Simplifique a expressão: 3 + 5 × 2

3 + 5 × 2 = 3 + 10 (multiplicação antes da adição)


= 13

Exemplo 4.12.2. Simplifique a expressão: (4 + 3) × 2

(4 + 3) × 2 = 7 × 2 (resolvendo primeiro os parênteses)


= 14

Exemplo 4.12.3. Simplifique a expressão: 8 ÷ 2(2 + 2)


52 Capítulo 4. Introdução aos Polinômios

8 ÷ 2(2 + 2) = 8 ÷ 2(4) (resolvendo os parênteses)


= 8÷2×4 (multiplicação e divisão da esquerda para a direita)
= 4×4
= 16

6+2×3
Exemplo 4.12.4. Simplifique a expressão: 5−2

6+2×3 6+6
= (resolvendo a multiplicação)
5−2 5−2
12
= (resolvendo a subtração)
3
=4

4.13 Expressões algébricas


Definição 4.13.1. Expressões algébricas são expressões matemáticas que envolvem letras, números
e operações.

As operações são:
1. adição +
2. subtração −
3. multiplicação ∗
4. divisão ÷

4.14 Adição e subtração


Definição 4.14.1. Podemos somar ou subtrair somente letras iguais e com mesmo expoente.

Como por exemplo:


1. 2x + x = (2 + 1)x = 3x;
2. 3(x + 4y − 2) = 3x + 3 ∗ 4y − 3 ∗ 2 = 3x + 12y − 6
3. A + 2B − 4A + 3B = (1 − 4)A + (2 + 3)B = −3A + 5B

4.15 Multiplicação
Definição 4.15.1. Na multiplicação devemos sempre multiplicar coeficiente por coeficiente e letra
por letra. Sendo que no caso das letras serem iguais, devemos manter a letra e somar seus expoentes,
e no caso das letras serem diferentes apenas fazemos a associação das duas letras.

Como mostram os seguintes exemplos:


1. x ∗ x = x1+1 = x2
2. x ∗ 2y = (1 ∗ 2)xy = 2xy;
3. 3x ∗ 2x2 y = (3 ∗ 2)x1+2 y = 6x3 y;
4.16 Divisão 53

4.16 Divisão
Definição 4.16.1. Na divisão devemos sempre dividir coeficiente por coeficiente e letra por letra.
Sendo que no caso das letras serem iguais, devemos manter a letra e subtrair seus expoentes, e no
caso das letras serem diferentes apenas fazemos a associação das duas letras.

Como mostram os seguintes exemplos:


1. xx = x1−1 = x0 = 1, para x 6= 0
2. xx2 = 1x , para x 6= 0
(x+3)(x−1) x+3
3. (x−1)(2x−9) = 2x−9 , para x 6= 1.

4.17 Operações com expressões racionais


u
Sabemos que duas frações são iguais, v = wt , somente quando u = t e v = w. Temos as seguintes
propriedades.
1. xy + uv = xv+uy
yv
2. xy − uv = xv−uy
yv
3. xy ∗ uv = xu
yv
x
y xv
4. u = yu
v
Bibliografia

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