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Mistagogia da Eucaristia na Liturgia

O documento aborda a importância da mistagogia na Eucaristia, enfatizando que a liturgia é a continuidade da obra de salvação de Cristo e deve ser vivida ativamente pelos fiéis. A formação litúrgica é essencial para recuperar a capacidade simbólica e a compreensão dos ritos, que são fundamentais para a experiência religiosa. A celebração dos sacramentos deve ser vista como um encontro real com Deus, onde a participação consciente e ativa dos fiéis é crucial.
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Mistagogia da Eucaristia na Liturgia

O documento aborda a importância da mistagogia na Eucaristia, enfatizando que a liturgia é a continuidade da obra de salvação de Cristo e deve ser vivida ativamente pelos fiéis. A formação litúrgica é essencial para recuperar a capacidade simbólica e a compreensão dos ritos, que são fundamentais para a experiência religiosa. A celebração dos sacramentos deve ser vista como um encontro real com Deus, onde a participação consciente e ativa dos fiéis é crucial.
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A IGMR como itinerário

mistagógico da
Eucaristia

“Desejei ardentemente comer esta páscoa


convosco antes de sofrer.” Lc 22,15
 Mistagogia: introdução (iniciação) nos mistérios
 Mist + agogia: mistério + guiar / introduzir /
conduzir

Cristãos não nascem, se fazem”. Tertuliano


 8. Se de alguma forma tivéssemos chegado a Jerusalém depois de Pentecostes e tivéssemos
sentido o desejo não apenas de obter informações sobre Jesus de Nazaré, mas o desejo de ainda
poder encontrá-lo, não teríamos outra possibilidade senão a de buscar sua discípulos para que
pudéssemos ouvir suas palavras e ver seus gestos, mais vivos do que nunca. Não teríamos outra
possibilidade de um verdadeiro encontro com ele a não ser pela comunidade que celebra. Por
isso a Igreja sempre guardou como seu tesouro mais precioso o mandamento do Senhor: “Fazei
isto em memória de mim”.
 9. Desde o início a Igreja estava ciente de que não se tratava de uma representação, por mais
sagrada que seja, da Ceia do Senhor. Não teria sentido, e ninguém poderia pensar em “encenar” –
especialmente diante dos olhos de Maria, a Mãe do Senhor – aquele momento mais alto da vida
do Mestre. Desde o início, a Igreja captou, iluminada pelo Espírito Santo, aquilo que era visível
em Jesus, aquilo que se via com os olhos e se tocava com as mãos, suas palavras e seus gestos,
a concretude do Verbo encarnado — tudo d’Ele passou para a celebração dos sacramentos. S. Leao
Magno
Por que os os ritos são importantes? Qual é o lugar
deles em nossa fé cristã?

A Liturgia é a história da salvação em ato por meio do sacrifício (eucaristia) e dos


sacramentos. IGMR16
A liturgia, portanto, é ação que dá continuidade e realiza as ações históricas do Cristo
redentor. Ela realiza a obra de salvação porque Cristo está presente na Igreja, de modo
especial nas ações litúrgicas e, ao mesmo tempo, Ele associa a si a Igreja na obra de
santificação e glorificação. SC7 IGMR19
A liturgia é, pois, configurada como o exercício do sacerdócio de Cristo mediante sinais
sensíveis. Ela é ação que realiza a salvação no tempo e forma ritual por constituir-se de
signa sensibilia. Esta linguagem ligada à sensibilidade não só significa, mas realiza a
santificação dos fiéis. É, portanto, esta capacidade de realização da salvação que torna a
ação litúrgica fundamento da fé. IGMR 20
Do modelo de assistência para o
modelo de participação
 A participação ativa exige colocar no centro da liturgia uma “ação comum”, na qual todo o pov
participa, com diversos graus de ministerialidade (presidência, ministérios, fiéis...): todo
celebram, somente um preside e alguns exercitam um ministério particular.
 SC 48. É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem nest
mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas o compreendam bem por meio do
ritos e orações, participem na ação sagrada, consciente, ativa e piedosamente; sejam instruído
pela palavra de Deus; alimentem-se à mesa do Corpo do Senhor; dêem graças a Deus; aprendam
oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele,
hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador (38), progridam na unidade com Deus
entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos.
RECUPERAR A FORÇA SIMBÓLICA DA AÇÃO RITUAL NA
EUCARISTIA
 34. Nisto se coloca a questão decisiva da formação litúrgica. Romano Guardini diz:
“Aqui também é indicada a primeira tarefa prática: levados por essa
transformação interior de nosso tempo, devemos aprender de novo a nos
relacionar religiosamente como seres plenamente humanos”. [8] É isso que a
Liturgia torna possível. Para isso devemos ser formados. Guardini não hesita em
declarar que sem formação litúrgica “então as reformas rituais e textuais não
ajudarão muito”. [9] Acho que dois aspectos podem ser distinguidos: a formação
para a liturgia e a formação pela liturgia. A primeira depende da segunda, que é
essencial.
44. Guardini escreve: “Aqui se delineia a primeira tarefa do trabalho de formação litúrgica: o homem
deve tornar-se novamente capaz de símbolos”. [13] Esta é uma responsabilidade de todos, tanto dos
ministros ordenados como dos fiéis. A tarefa não é fácil porque o homem moderno se tornou
analfabeto, não consegue mais ler símbolos; é quase como se nem sequer se suspeitasse de sua
existência.
Isso acontece também com o símbolo do nosso corpo. Nosso corpo é um símbolo porque é uma união
íntima de alma e corpo; é a visibilidade da alma espiritual na ordem corpórea; e nisso consiste a
singularidade humana, a especificidade da pessoa irredutível a qualquer outra forma de ser vivo.
Nossa abertura ao transcendente, a Deus, é constitutiva de nós. Não reconhecer isso nos leva
inevitavelmente não apenas a não conhecer a Deus, mas também a não conhecer a nós mesmos. Basta
olhar para a forma paradoxal como o corpo é tratado, ora cuidado de forma quase obsessiva, inspirado
no mito da eterna juventude, ora reduzindo o corpo a uma materialidade à qual é negado toda
dignidade.
O fato é que não se pode dar valor ao corpo partindo apenas do próprio corpo. Todo símbolo é ao
mesmo tempo poderoso e frágil. Se não for respeitado, se não for tratado pelo que é, se despedaça,
perde sua força, torna-se insignificante. [...] Trata-se antes de recuperar a capacidade de usar e
compreender os símbolos da Liturgia. Não devemos perder a esperança porque esta dimensão em nós,
como acabei de dizer, é constitutiva; e apesar dos males do materialismo e do espiritualismo - ambos
negações da unidade da alma e do corpo - ela está sempre pronta para ressurgir, como toda verdade.
 45. Então, a pergunta que quero fazer é como podemos nos tornar novamente
capazes de símbolos? Como podemos de novo saber lê-los e poder vivê-los?
Sabemos bem que a celebração dos sacramentos, pela graça de Deus, é eficaz
em si mesma (ex opere operato), mas isso não garante o pleno engajamento das
pessoas sem uma forma adequada de se colocarem em relação à linguagem da a
celebração. Uma “leitura” simbólica não é um conhecimento mental, nem a
aquisição de conceitos, mas sim uma experiência viva.
 46. Acima de tudo, devemos readquirir a confiança na criação. Quero dizer que as
coisas – os sacramentos “são feitos” de coisas – vêm de Deus. A Ele se orientam, e por
Ele foram assumidos, e assumidos de modo particular na Encarnação, para que se
tornem instrumentos de salvação, veículos do Espírito, canais de graça. Nisto fica claro
quão vasta é a distância entre esta visão e uma visão materialista ou espiritualista. Se
as coisas criadas são uma parte tão fundamental e essencial da ação sacramental que
traz nossa salvação, então devemos nos organizar em sua presença com um olhar
renovado, não superficial, respeitoso e agradecido. Desde o início, as coisas criadas
contêm a semente da graça santificante dos sacramentos.
Para Guardini, reconhecer que a forma ritual é uma forma viva significa,
portanto, reconhecer o caráter sensível que caracteriza a ação litúrgica. O
conhecimento, antes de ser um ato intelectual é um ato vital. “O nosso
conhecer é o nosso viver”. Os sentidos podem captar bem mais que
puramente dados materiais, captam também o espírito vivente, o espírito
encarnado enquanto ele se exprime. Nesse sentido, os órgãos da
sensibilidade humana são fundamentais, pois eles nos abrem ao fenômeno
como “lugar do aparecer” da realidade mais profunda e não como lugar da
aparência. O mundo fenomênico é a epifania do objeto real.
A liturgia pois, não é composta de elementos abstratos, mas tudo nela é
forma passível de ser contemplada, palavra perceptível e realidade tátil e
ação na qual se entra agindo. Visão e movimento são as pedras angulares
da forma ritual.
A experiência religiosa não acontece num estado puro, mas realiza-se por
meio do símbolo. Este é predisposto à ação quando entra no fenômeno
religioso que é o rito.
 Tal experiência torna-se um desafio, como constata R. Guardini, dada a incapacidade
simbólica do homem moderno, com a consequente oposição entre espiritual e material,
identificando mística com a interioridade e a liturgia com a exterioridade. Sem dúvida, é
preciso ir além desta visão dualista da realidade, superando o binômio sujeito/objeto –
exterior/interior, além da concepção de “adaequatio intellectus ad rem”, e reconhecer
no fenômeno da experiência a possibilidade de revelação da original unidade entre sujeito
e objeto. A ação, ou seja, a experiência, remetendo à intenção do agente (interioridade),
constitui o lugar da original unidade entre interioridade e exterioridade.

Guardini constata que na época moderna símbolo (e, portanto, encarnação) foi eliminado
e no lugar do “espiritual” aos poucos predominou o abstrato, o conceito. Também a arte
perdeu espaço e deixou de ser valorizada como elevação da vida, não havendo mais a
“formação cultural” viva, a modelação da corporeidade por parte do espírito e a revelação
do espírito no corpo. Cf. GUARDINI, Formazione liturgica, 61-63.
24. Se faltasse o espanto pelo mistério pascal que
se faz presente na concretude dos sinais
sacramentais, poderíamos realmente correr o risco
de ser impermeáveis ao oceano de graça que
inunda cada celebração. Os esforços, embora
Assombro diante louváveis, para melhorar a qualidade da
do Mistério celebração não são suficientes, nem é um apelo à
interioridade: mesmo esta última corre o risco de
Pascal: parte ser reduzida a uma subjetividade vazia se não
acolher a revelação do mistério cristão. O encontro
essencial do ato com Deus não é fruto de uma busca interior
individual por Ele, mas é um evento doado:
litúrgico podemos encontrar Deus através do fato novo da
encarnação que na Última Ceia vai ao extremo de
desejar se tornar nosso alimento. Como pode
acontecer-nos a infelicidade de nos distanciarmos
do fascínio da beleza deste dom?
RITOS INICIAIS

O Sacerdote paramentado (Sacerdos paratus)... Ordo Missae de 1570/1962


Reunido o povo (populo congregato)... Ordo Missae 1970/2002 n. 1
Canto de Entrada: abrir a celebração, promover a união da assembleia; introduzir no
mistério do tempo litúrgico ou da festa; acompanhar a procissão do sacerdote e dos
ministros. IG 47
Sinal da cruz/Saudação: convocação da assembleia é ato de graça, não parte de
iniciativa humana, mas procede de Deus. IGMR 50
Monição de entrada: breves palavras que o presidente, o diácono ou um ministro leigo
introduz os fieis na missa do dia. São palavras livres inseridas na ação litúrgica. Esta
admoestação não é uma homilia.
 Ato penitencial: constituída a assembleia, o povo se volta para seu Senhor,
reconhece seu pecado e se prepara para acolher o dom de Deus realizando
seus mistérios. Pastores e fieis rezam o Confiteor ao mesmo tempo,
reconhecendo-se pecadores uns diante dos outros. Não descuidar da breve
pausa de silêncio antes do Confiteor. IGMR 51
 Glória: elemento festivo para os domingos (exceção do tempo do Advento e
Quaresma), solenidades e festas e celebrações particulares feitas com
solenidade. Não descuidar da fidelidade ao texto da Tradição. IGMR 53
 Coleta: expressa o caráter da celebração, recolhe as intenções, oração
dirigida ao Pai, com conclusão trinitária. É antecedida por um silêncio no qual
os fiéis formulam interiormente suas intenções. Exprime a índole da
celebração. IGMR 54

 LITURGIA DA PALAVRA
 Escutadas na liturgia, as leituras visam ajudar-nos a reconhecer aquele que se
faz presente no “partir o pão”, a iluminar, cada vez que são proclamadas, um
aspecto particular do mistério que se está celebrando.
 Na missa, os episódios da Bíblia, não são somente narrados, mas vividos; a
memória torna-se realidade e presença. Não somos apenas escutadores da
Palavra, mas interlocutores e atores nela.
 A Palavra na Liturgia produz efeitos para além de qualquer explicação
humana, ao modo dos sacramentos que produzem aquilo que significam.
 “Vós que participais dos divinos mistérios, quando recebeis o corpo do Senhor
o conservais com todo cuidado e grande veneração a fim de que nenhuma
partícula caia por terra e nada se perca do pão consagrado. Sois convictos de
que é uma culpa deixar cair os fragmentos per desatenção. Se para receber o
seu corpo dois tão atentos, e é justo que assim se proceda, saibais que
menosprezar a Palavra de Deus não é culpa menor do que descuidar do seu
corpo”. Orígenes
 Dois modos de preparar uma reflexão: 1- escolher um tema com base nos
conhecimentos próprios, preparar um texto, e rezar pedindo a Deus de
infundir o Espírito nas palavras a serem proclamas. 2- Modo profético:
primeiro orar pedindo a Deus a revelação da palavra que Ele deseja fazer
ressoar para o seu povo. Depois, ler comentários, consultar anotações
pessoais, os padres da Igreja, os poetas. Desse modo, não é mais a Palavra de
Deus que está a serviço da sua cultura, mas a sua cultura a serviço da Palavra
de Deus.
 Unidade da Liturgia da Palavra – Deus fala e o povo responde rezando IGMR 55
 O silêncio: IGMR 56
 Não trocar as leituras bíblicas por textos não bíblicos IGMR 57
 Evangelho: ponto alto da Liturgia da Palavra
 Ministerialidade: IGMR 59
 Leituras sempre do ambão IGMR 58
 Salmo responsorial: de preferência será cantado, ao menos no que se refere ao refrão do
povo.
 Homilia: compete ao sacerdote. Sugestão de silêncio. IGMR 66
 Oração Universal: exercendo sua função
sacerdotal, o povo eleva preces a Deus para a
salvação de todos. Normalmente são estas a
série de intenções: pelas necessidades da
Igreja, pelos poderes públicos e salvação de
todo o mundo, pelos que sofrem qualquer
dificuldade, pela comunidade local. Em
situações particulares, podem se ater a
circunstâncias específicas. IGMR 69-70
 O polo de ação da liturgia da Palavra é o
ambão ou mesa da Palavra. Deve ser uma
estrutura estável, dele são proferidos somente
as leituras, o salmo e o precônio pascal;
também se podem proferir a homilia e as
intenções da oração universal ou oração dos
fiéis. A dignidade do ambão exige que a ele
suba somente o ministro da Palavra. IG 309.

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 LITURGIA EUCARÍSTICA
 O conteúdo do pão partido é a cruz de Je
seu sacrifício de obediência por amor ao Pai
não tivéssemos a Última Ceia, isto é, se
tivéssemos a antecipação ritual de sua mo
O pão jamais teríamos podido compreender com
realização de sua condenação à morte pod
ter sido de fato a ato de adoração perf
repartido e a agradável ao Pai, o único ato verdadeiro
adoração, a única verdadeira liturgia. Ape
cruz algumas horas depois da Ceia, os apóst
poderiam ter visto na cruz de Jesus, se pudes
suportar o peso dela, o que significava para J
dizer “corpo oferecido”, “sangue derramado
disto que fazemos memória em cada Eucari
O que celebramos na Quando o Ressuscitado volta dos mortos
Eucaristia ? partir o pão para os discípulos de Emaús e
seus discípulos que voltaram a pescar peix
não pessoas no mar da Galiléia, aquele gest
partir o pão abre os olhos. Cura-os da cegu
infligida pelo horror da cruz e torna-os cap
de “ver” o Ressuscitado, de crer na Ressurrei
DD7
“Este é o cálice da nova e eterna
Aliança que será entregue por vós”.
Lc 22,20

Jesus, na última Ceia supera a


tristeza, e continua amando os
seus até o fim (Jo 13,1). Ele toma
a sua morte em antecipação, a faz
presente no vinho oferecido, o qual
torna-se seu sangue derramado, e
a transforma em sacrifício de
Aliança para o bem de todos.

Trata-se da transformação da
morte em meio de comunhão e de
Aliança.
Eucaristia: sacrifício de ação de graças

Jesus rende graças ao Pai numa situação de


fome: 5 pães e dois peixes (Jo 6,11); numa No caso de Lázaro e na última ceia, a ação de
situação de desilusão: quando sua pregação graças é antecipada, ou seja, vem antes da
foi rejeitada pelos “sábios e inteligentes” (Mt vitória sobre a morte. Podemos dizer que
11, 25); numa situação de luto: diante do Jesus ressuscitou porque transformou a sua
sepulcro do amigo Lázaro, Jesus disse: “Pai, morte em sacrifício de aliança e de ação de
vos rendo graças por ter me escutado” (Jo graças.
11,41).
 É o Cristo total, cabeça e corpo, que pronuncia as palavras da
consagração. Então, eu também, no coração, as pronuncio com
Ele. “Naquilo que oferece, a Igreja oferta a si mesma”. No Na Missa,
plano existencial, mais perfeitamente alguém se oferece ao Pai
com Cristo, mais realmente oferece ao Pai Cristo.
 A oferta do corpo de Cristo deve ser acompanhada da oferta do
devemos ser,
próprio corpo. Dois corpos estão sobre o altar: o corpo real e o
corpo místico que é a Igreja. Nossa oferta e aquela da Igreja sem ao mesmo
a de Jesus não seria nada. Mas também a de Jesus, sem a aquela
da Igreja, não seria suficiente para a redenção passiva, ou seja,
para receber a salvação, mesmo sendo suficiente para a redenção tempo,
ativa, ou seja, para procurar a salvação.
 Corpo indica a vida da pessoa na sua totalidade. Sangue indica a sacerdote e
morte, sendo morte tudo aquilo que prepara e antecipa a morte:
humilhações, insucessos, limitações de saúde...
vítima.
A Celebração Eucarística não é uma espécie de encenação da última Ceia.
Missa é a ritualização, de forma sacramental, daquilo que fez o Senhor,
noite em que ia ser entregue. “Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício
ceia pascal, que tornam continuamente presente na Igreja o sacrifício da cr
quando o sacerdote, representante do Cristo Senhor, realiza aquilo mesmo q
o Senhor fez e entregou aos discípulos para que o fizessem em sua memór
Cristo, na verdade, tomou o pão e o cálice, deu graças, partiu o pão e de
a seus discípulos dizendo: Tomai, comei, bebei; isto é o meu Corpo; este
cálice do meu Sangue. Fazei isto em memória de mim. Por isso a Igr
dispôs toda a celebração da liturgia eucarística em partes que correspondem
A Última Ceia palavras e gestos de Cristo. De fato:

e a Eucaristia  1) Na preparação dos dons levam-se ao altar o pão e o vinho com água, i
é, aqueles elementos que Cristo tomou em suas mãos.
da Igreja  2) Na Oração eucarística rendem-se graças a Deus por toda a obra
salvação e as oferendas tornam-se Corpo e Sangue de Cristo (deu graças).

 3) Pela fração do pão e pela Comunhão os fiéis, embora muitos, recebe


Corpo e o Sangue do Senhor de um só pão e de um só cálice, do mesmo mo
como os Apóstolos, das mãos do próprio Cristo” (partiu o pão e o deu a
seus discípulos) (IGMR 72).
 As palavras e gestos de Jesus transformam a última
ceia em profecia da cruz. As expressões “corpo
entregue” e “sangue derramado” remetem
claramente ao evento do calvário.
 Na Última Ceia os discípulos não estão diante apenas
de uma notícia sobre os eventos que sucederão no
calvário, tais eventos já estão em ato presentes na
ceia, e portanto, os discípulos já o vivenciam.
 Jesus antecipa simbolicamente a sua morte e faz
com que seus discípulos participem de seus frutos.
Enquanto o calvário é uma experiência pessoal de
Jesus, a ceia, por sua vez, é a ponte dos discípulos
com o calvário, pois na ceia os discípulos vivem o
calvário.
 A Eucaristia é a forma da cruz, por causa de sua
correspondência ritual e ontológica com a última
Ceia.
O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o
Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo
decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja,
sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de
piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade (36), banquete pascal em
que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor
da glória futura. SC 47 Cf. IGMR72
 Duas epicleses: uma sobre as ofertas e
outra sobre a assembleia
 “O cálice de bênção que abençoamos não
é comunhão com o sangue de Cristo? O
pão que partimos, não é comunhão com o
Um aspecto da corpo de Cristo? Já que há um único pão,
Oração Eucarística: nós, embora muitos, somos um só corpo,
visto que todos participamos desse único
da comunhão no pão.” 1 Cor 10, 16-17
 Participando do mesmo pão os cristãos
Corpo e Sangue de tornam-se o que já são pelo batismo: um
Cristo à unidade do só corpo, pelo fato que participam do
único pão repartido, ou seja, Cristo.
corpo eclesial  Esta doutrina é presente na anáfora
alexandrina e bizantina de São Basílio
Magno (da qual se inspira nossa Oração
Eucarística III) e nas catequeses dos
Padres, como por exemplo, Agostinho.
Vós sois o corpo de Cristo e
os seus membros. Se, pois,
sois o corpo de Cristo e seus
membros, é o vosso símbolo
que encontra-se sobre o
altar e que recebeis. Àquilo
que sois, respondeis
“Amém” e esta resposta
revela a vossa adesão [...]
Sejais membros do corpo de
Cristo, para que o amém
que pronunciais seja
verdadeiro.
Agostinho Sermão 278
Não deixar eclipsar a dimensão sacrifical, a dimensão de
convívio e a dinâmica escatológica da eucaristia, fechando-
se em um “intimismo” exagerado com Jesus, o que seria um
contrassenso à própria Eucaristia.
Preparação das oferendas

 Orientações litúrgico-pastorais

1. Valorizar a procissão com as oferendas do pão e do vinho. Na procissão podem ser trazidos o
pão (âmbula com as hóstias), a galheta com o vinho e demais doações à Igreja e aos
necessitados. IGMR 73
2. O canto da apresentação das oferendas acompanha a procissão. Ele é facultativo, podendo
em algumas ocasiões o presidente rezar ou cantar as orações próprias e a assembleia
participar rezando ou cantando: “Bendito seja Deus para sempre!”, ou outro refrão similar.
3. Não descuidar da centralidade do altar como lugar de ação da liturgia eucarística: visível,
despojado e central. “Na ornamentação do altar observe-se moderação. No Advento se
ornamente o altar com flores com moderação tal, que convenha à índole do tempo, sem,
contudo, antecipar aquela plena alegria do Natal do Senhor. No tempo da Quaresma é
proibido ornamentar com flores o altar. Excetuam-se, porém, o domingo Laetare (IV na
Quaresma), solenidades e festas. IG 305 / Sobre a ornamentação: IGMR 303 - 308
Oração Eucarística

1. Estrutura da Oração: IGMR 78


2. A oração eucarística é uma oração presidencial. No Brasil, a assembleia toma parte nesta oração com
as aclamações. Um solista aclama e a assembleia repete, ou na própria aclamação do solista a
assembleia toma parte em conjunto.
3. A condução da oração eucarística pelo presidente da celebração está ligada à sua característica de
memorial: é a evocação de algo que aconteceu, mas que agora se faz presente e real na celebração. É
uma narrativa que dever ser ouvida com reverência e acolhida no coração.
4. Utilizar as diversas orações eucarísticas que foram propostas pelo Missal de Paulo VI. É uma riqueza
que as equipes de liturgia devem conhecer e propor ao celebrante algumas sugestões por ocasiões
específicas. Durante a oração eucarística não se recitam outras orações nem se executam cantos
estranhos ao rito (por exemplo: refrãos de adoração). Vale o mesmo princípio que desaconselha a
execução de fundos musicais, sobretudo no momento da narrativa da instituição e da “elevação” das
espécies consagradas. Trata-se de não desviar o foco da narrativa.
5. Privilegiar o canto solene do Amém conclusivo da oração eucarística, como expressão de conformação
com a oferta realizada.
Rito da Comunhão
Orientações litúrgico-pastorais

 A terceira edição do Missal Romano retoma a importância de que as hóstias


consumidas na missa sejam aquelas consagradas na própria celebração, a fim de
manifestar, mais claramente, a participação no sacrifício celebrado atualmente. Não é
possível isolar o ato de comungar do conjunto da liturgia eucarística. É do pão e vinho
trazidos na procissão das oferendas, sobre os quais se pronunciou a ação de graças e
foram oferecidos em oblação ao Pai, que serão repartidos e oferecidos como alimento
para o Povo de Deus. Por isso, é preciso fazer todo o esforço possível para garantir aos
fiéis a possibilidade de comungar do Corpo do Senhor, oferecido na mesma celebração,
deixando a reserva eucarística para a finalidade a que se destina, a comunhão aos
enfermos e o culto eucarístico. IGMR 85
omunhão sob as duas espécies IGMR 281 - 287

Ela “realiza mais plenamente o seu aspecto de sinal. [...] Manifesta-se mais perfeitamente o sinal do
banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna
Aliança no Sangue do Senhor, assim como a relação entre o banquete eucarístico e o banquete
escatológico no reino do Pai” (Eucaristicum Mysterium 32).

Por isso as comunidades devem se esforçar para organizar a comunhão sob as duas espécies,
retomando as orientações do Missal Romano e as da CNBB, sobre a ampliação do uso da Comunhão
sob as duas espécies. Eis algumas, dentre tantas, as ocasiões aconselháveis: quando há missa de
batismo de adulto, crisma ou admissão na comunhão da Igreja; na ordenação de diácono; na primeira
profissão religiosa e na renovação da mesma, bem como na profissão perpétua quando feitas durante
a missa; na missa de instituição de ministérios, de envio de missionários leigos e quando se dá na
missa qualquer missão eclesiástica; nos exercícios espirituais e nas reuniões pastorais; nas missas de
jubileu de sacerdócio, de casamento ou de profissão religiosa; na primeira missa de um neo-
sacerdote; e por fim na ocasião de celebrações particularmente expressivas do sentido da comunidade
cristã reunida em torno do altar.
 Um dos melhores critérios para a escolha do canto de comunhão é inspirar-se no evangelho ou
mistério do dia, garantindo a unidade entre as duas mesas (Palavra e Eucaristia). Cantos de
adoração ao Santíssimo, cantos temáticos ou de cunho individualista, não expressam a densidade
desse momento. O canto encerra-se no momento da conclusão da distribuição da comunhão.
IGMR 86

 Privilegie-se o silêncio, após a distribuição da comunhão, como momento de oração pessoal para
glorificar e bendizer a Deus e expressão de intimidade pessoal e comunitária com o mistério.

 “Deve ser desaprovado o uso de distribuir, contrariamente às prescrições dos livros litúrgicos, à
maneira de comunhão, durante a celebração da santa missa, ou antes dela, hóstias não
consagradas ou qualquer outro material comestível. De fato, tal uso não se concilia com a
tradição do rito romano e traz consigo o risco de gerar confusão entre os fiéis quanto à doutrina
eucarística da Igreja. Se em alguns lugares vigora, por concessão, o costume particular de benzer
o pão e distribui-lo após a Missa, seja feita com grande cuidado uma correta catequese sobre esse
gesto. Por outro lado, não se introduzam costumes semelhantes, nem jamais se utilizem para tal
escopo hóstias não consagradas” (RS 96).
A comunhão na mão deve manifestar, tanto como a comunhão recebida na boca, o respeito pela presença
real de Cristo na Eucaristia. Portanto deve-se vigiar para que pequenos fragmentos do pão eucarístico não
se percam.
O fiel que receber a comunhão na mão a leve-a à boca na presença do ministro, antes de regressar ao seu
lugar.
Orientações sobre a forma da comunhão: IGMR 160-164
 Obrigado pela atenção!

Pe. Geraldo Dias Buziani


Mariana MG

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