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Morfofisiologia do Esôfago: Estrutura e Função

O esôfago é um tubo muscular de aproximadamente 25 cm que transporta alimentos da faringe para o estômago, apresentando três constrições principais. Sua morfofisiologia inclui diferentes tipos de músculo ao longo de seu comprimento e é irrigado por várias artérias, com drenagem venosa e linfática específicas. A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum que afeta a qualidade de vida, com prevalência variando entre 8% e 33% globalmente, sendo influenciada por fatores como obesidade e tabagismo.
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Morfofisiologia do Esôfago: Estrutura e Função

O esôfago é um tubo muscular de aproximadamente 25 cm que transporta alimentos da faringe para o estômago, apresentando três constrições principais. Sua morfofisiologia inclui diferentes tipos de músculo ao longo de seu comprimento e é irrigado por várias artérias, com drenagem venosa e linfática específicas. A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum que afeta a qualidade de vida, com prevalência variando entre 8% e 33% globalmente, sendo influenciada por fatores como obesidade e tabagismo.
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Revisar a morfofisiologia do esôfago

Moore – O esôfago é um tubo muscular com aproximadamente 25 cm de


comprimento e diâmetro médio de 2 cm, que conduz alimento da
faringe para o estômago. Segue a curva da coluna vertebral ao descer
através do pescoço e do mediastino – a divisão mediana da cavidade
torácica
O esôfago normalmente tem três constrições, locais onde fica mais
estreito, são elas:
•Constrição cervical (esfíncter superior do esôfago): início na junção
faringoesofágica, a aproximadamente 15 cm dos dentes incisivos;
causada pela parte cricofaríngea do músculo constritor inferior da
faringe. Observada anteroposteriormente
•Constrição broncoaórtica (torácica): onde ocorre primeiro o
cruzamento do arco da aorta, a 22,5 cm dos dentes incisivos, e depois o
cruzamento pelo brônquio principal esquerdo, a 27,5 cm dos dentes
incisivos; em vistas laterais
•Constrição diafragmática:onde atravessa o hiato esofágico do
diafragma, a aproximadamente 40 cm dos dentes incisivos

Composto por músculo: musculatura circular interna + longitudinal externa. Tipos de músculo: 1/3 superior: músculo estriado voluntário
(ajuda na deglutição). 1/3 médio: mistura estriado + liso. 1/3 inferior: músculo liso (controlado pelo sistema nervoso autônomo).
Img = Sobotta
Parte Torácica: O hiato esofágico é uma abertura no diafragma, o músculo que separa o peito da
barriga e ajuda na respiração, permite que o esôfago passe do tórax para a barriga. Fixado pelo
ligamento frenicoesofágico, que permite o movimento independente do diafragma e do esôfago
durante a respiração e a deglutição
Ele fica um pouco à esquerda do centro do corpo, na altura da décima vértebra torácica (T10),
e é por onde o esôfago entra no abdômen para se ligar ao estômago.
Termina entrando no estômago no óstio cárdico do estômaga, à esquerda da linha mediana, no
nível da 7a cartilagem costal esquerda e da vértebra T XI
Parte Abdominal: Pequena (≈ 1,25 cm), em formato de trompete. Vai do hiato esofágico →
óstio cárdico do estômago, coberta por peritônio, em continuidade com o estômago.
A junção esofagogástrica é o ponto onde o esôfago
se conecta ao estômago, situada ao nível da
vértebra T11. A linha Z marca a transição abrupta
entre os revestimentos internos: do epitélio
pavimentoso do esôfago para o epitélio colunar do
estômago, sendo um marco fundamental na
endoscopia.
O esfíncter esofágico inferior não é uma estrutura
anatômica isolada, mas um mecanismo funcional
formado por fibras musculares do esôfago e pelo
diafragma, responsável por evitar o refluxo do
conteúdo gástrico para o esôfago..
Irrigação arterial
Parte cervical: ramos das artérias tireoideas inferiores.
Parte torácica: artérias brônquicas e ramos diretos da aorta
torácica.
Parte abdominal: artéria gástrica esquerda (tronco celíaco) e
artéria frênica inferior esquerda.
Drenagem venosa
Parte cervical e abdominal: acompanha as artérias
correspondentes.
Parte torácica: drena para as veias ázigo e hemiázigo.
Região inferior: comunicação importante entre o sistema porta
(via veia gástrica esquerda) e o sistema sistêmico (via veia ázigo).
!! Forma a anastomose porto-sistêmica, ponto crítico para
surgimento de varizes esofágicas na hipertensão portal.

Drenagem linfática Parte cervical: linfonodos cervicais profundos. Parte torácica: linfonodos mediastinais superiores e posteriores.
 Parte abdominal: linfonodos gástricos esquerdos → celíacos.
✅ Inervação: Plexo esofágico, formado por: Troncos vagais (parassimpático). Fibras simpáticas (nervos esplâncnicos torácicos). Funções: Coordena
o peristaltismo (movimento do alimento). Controla o esfíncter esofágico inferior (impede refluxo).
Terço superior: músculo estriado voluntário → inervado por fibras motoras somáticas do nervo vago (componente motor voluntário). Terço médio: mistura de músculo estriado e liso → recebe dupla inervação
(somática + autonômica). Terço inferior: músculo liso → inervado exclusivamente pelo sistema nervoso autônomo (plexo esofágico → parassimpático via nervo vago + simpático via nervos esplâncnicos).
Fisiologia – Seeley
Peristalse são ondas coordenadas de contração muscular
que movem o bolo ao longo do trato digestório.
O músculo circular à frente do bolo alimentar relaxa,
preparando o caminho.O músculo circular atrás do bolo
contrai-se fortemente, empurrando o alimento para frente.
Cada onda peristáltica leva cerca de 10 segundos para
percorrer todo o esôfago. No intestino delgado, as ondas
peristálticas são mais curtas e localizadas.

Peristalse no esôfago proximal e distal: Primária: iniciada voluntariamente pela deglutição. Secundária: ocorre para limpar o esôfago de qualquer conteúdo
residual ou refluxo gástrico, sendo estimulada por distensão.
! A peristalse no terço distal depende da ação coordenada de neurotransmissores excitatórios e inibitórios, que provocam contrações musculares sequenciais.
Controle nervoso e muscular: O esôfago proximal recebe inervação somática, permitindo controle voluntário. O esôfago distal é controlado pelo sistema
nervoso autônomo via nervo vago. ! O equilíbrio entre neurotransmissores, como acetilcolina (excitatório) e óxido nítrico (NO) (inibitório), modula as
contrações e relaxamentos do músculo liso distal.
Esfíncter Esofágico Superior (EES): Composto por músculo estriado. Controlado pelo nervo laríngeo recorrente e plexo faríngeo. Fecha o lúmen esofágico e
ajuda a iniciar a propulsão do bolo alimentar.
Esfíncter Esofágico Inferior (EEI): Localizado na junção esôfago-estômago. Composto por músculo liso, mantém uma zona tônica de alta pressão, agindo
como uma barreira contra o refluxo. Relaxa quase completamente durante a deglutição para permitir a passagem do alimento ao estômago. Também relaxa
temporariamente em situações fisiológicas, como eructação (arrotos) e vômito. O tônus do EEI é regulado por:
Nervo vago. Acetilcolina (estimula contração) Óxido Nítrico (NO) (estimula relaxamento). A estrutura do pilar do diafragma ao redor do hiato esofágico
contribui para a pressão e integridade do EEI.
Histologia – Seeley
Camadas do Tubo Digestório O tubo digestório, do esôfago ao ânus, apresenta quatro túnicas (camadas) dispostas de dentro para fora:
Mucosa // Submucosa // Muscular // Serosa ou Adventícia
 1. Mucosa (camada mais interna): É a interface com o alimento, forma glândulas intestinais e criptas por invaginação do epitélio. Contém mecanorreceptores
(detectam pressão/distensão → reflexos peristálticos) e quimiorreceptores (detectam composição química do alimento).
 Possui três subcamadas: Epitélio Função: absorção e secreção e seu tipo varia conforme a região: Epitélio pavimentoso estratificado úmido → boca, orofaringe, esôfago
e canal anal (resistência ao atrito). Epitélio simples cilíndrico → restante do tubo (especializado em
absorção/secreção).
Lâmina própria: Tecido conectivo frouxo, rico em vasos e células imunes.
Muscular da mucosa: Fina camada de músculo liso que move levemente a mucosa, auxiliando no
contato com o alimento e secreção das glândulas.
2. Submucosa: Camada de tecido conectivo denso, que contém: Vasos sanguíneos, Vasos linfáticos,
Glândulas (em algumas regiões), Plexo submucoso (Meissner) → rede nervosa controla secreção das
glândulas e fluxo sanguíneo local. Presente em quase todo tubo digestório, exceto no esôfago e
estômago, onde é ausente.
3. Muscular: Composta por duas camadas principais de músculo liso: Interna: circular Externa:
longitudinal Exceções: Parte superior do esôfago → músculo estriado (controle voluntário da
deglutição). Estômago → possui três camadas (longitudinal, circular e oblíqua). Função: responsável
pela motilidade (peristalse e movimentos segmentares). Contém o plexo mioentérico (Auerbach): Rede
nervosa controla a motilidade intestinal. Possui células intersticiais marca-passo, que geram ritmos
elétricos básicos → contrações rítmicas do tubo. Disfunção dessas células → redução da motilidade.
4. Serosa ou Adventícia Serosa (peritônio visceral): Quando o órgão está dentro da cavidade
peritoneal. Composta por tecido conectivo + epitélio simples pavimentoso (mesotélio). Adventícia:
Quando o órgão está fora do peritônio (ex.: esôfago e órgãos retroperitoneais). Camada de tecido
conectivo que se mistura com estruturas adjacentes.
EPIDEMIOLOGIA: ARTIGO
Doença do refluxo gastroesofágico - uma revisão da literatura – 2021, Bortoli e colaboradores.
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é a doença esofágica mais comum encontrada na prática médica, sendo responsável por significativos danos à qualidade de vida do
paciente. No Brasil, cerca de 12% da população é afetada pela doença. No século passado, a DRGE deixou de ser uma doença de raro diagnóstico para uma das doenças mais
frequentemente diagnosticadas em pacientes do mundo ocidental
Apesar disso, estudos mostram que há uma maior prevalência (cerca de 10 a 20%) da DRGE nos países ocidentais, principalmente na Europa Ocidental e na América do Norte,
enquanto na Ásia a prevalência é menor.
Aliado a isso, tornou-se evidente alguns fatores de risco, como tabagismo, obesidade, e uso de anti-inflamatórios não esteroidais. Há de se considerar que estes fatores de risco,
sendo comuns, faz com que haja um aumento dos casos de DRGE. Entretanto, o aumento da prevalência também pode ser explicado devido aos avanços dos métodos diagnósticos e
do melhor entendimento das características da doença
Na população pediátrica, a DRGE possui uma prevalência entre 7 a 20%. Ademais, existem dois tipos de fatores de risco que devem ser considerados para as crianças: os
biológicos (como doenças crônicas, fatores genéticos, infecções por parasitas e prematuridade) e psicossocial (baixa renda, estimulação física e verbal, agressão física como
punição, pais com distúrbios psiquiátricos e abuso de álcool de drogas pelos familiares)

DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (DRGE) EM LACTENTES: DE DEFINIÇÕES ATÉ O TRATAMENTO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA – 2025, Tristão e colaboradores.
Em prematuros, o desenvolvimento inadequado da junção pode predispor ao RGE e DRGE . Bebês prematuros ou com condições congênitas são particularmente vulneráveis a eventos de
refluxo devido à imaturidade funcional e anatômica do sistema gastroesofágico.
estudos sugerem que a DRGE é relativamente frequente devido a fatores como alimentação frequente, posição supina e imaturidade do esfíncter esofágico inferior.
A prevalência de DRGE é especialmente elevada em bebês com condições neurológicas subjacentes, como encefalopatia hipóxico-isquêmica e hemorragia intraventricular, que podem
impactar os mecanismos de proteção contra o refluxo e agravar os sintomas – ver melhorEm relação à UTIN, a DRGE também está associada à morbidade significativa. Por exemplo, em bebês
com displasia broncopulmonar, condição que afeta cerca de 30% dos neonatos de peso extremamente baixo ao nascer, o esforço respiratório elevado, associado ao aumento da pressão intra-
abdominal, pode predispor a eventos de refluxo.
OUTRO ARTIGO:. Estima-se que a prevalência mundial da DRGE varie entre 8% e 33%, o que resulta em um gasto anual de 9 a 10 bilhões de dólares somente nos Estados Unidos. A DRGE
afeta cerca de 20% dos adultos nas sociedades ocidentais, mas a prevalência pode ser ainda maior devido ao fácil acesso a inibidores ácidos vendidos sem receita médica. Os homens apresentam
um discreto aumento na prevalência em comparação com as mulheres. Por outro lado, as mulheres, apesar de terem uma prevalência um pouco menor, são mais sintomáticas quando a
DRGE está presente. Os homens também têm maior incidência de esofagite erosiva e esôfago de Barrett com sintomas de DRGE a longo prazo em comparação com as mulheres
ETIOLOGIA – Gastroenterologia essencial – Dani e Passos
A etiologia da DRGE é multifatorial. Tanto os sintomas quanto as lesões teciduais resultam do contato da mucosa com o conteúdo gástrico refluxado, decorrentes
de falha em uma ou mais das seguintes defesas do esôfago: barreira antirrefluxo, mecanismos de depuração intraluminal e resistência intrínseca do epitélio

Uma zona de alta pressão localizada entre o estômago intra-abdominal e o esôfago


intratorácico é responsável pela prevenção da passagem do fluxo retrógrado dos conteúdos
estomacais para o esôfago.
Esta zona de alta pressão é criada por contribuições do esfíncter esofágico inferior (EEI) e o
diafragma crural. O EEI é um segmento de 4 cm de músculo circular no esôfago distal que é
tonicamente fechado por causa das propriedades miogênicas intrínsecas (não dependentes de
estímulo neural) deste segmento especializado. O diafragma crural aumenta o LES durante
momentos de aumento da demanda, como esforço ou tosse, o que aumenta a pressão intra-
abdominal. o diafragma deveria se inserir no tendão sem pausa, mas ocorre o buraco do
esôfago formando o hiato. esse hiato é circundado por musculo crural, que o auxilia a criar uma
das constrições do esôfago, colaborando para a zona de alta pressão juntamente com o EEI
!Um LES defeituoso com pressão basal reduzida é um mecanismo para o desenvolvimento de
DRGE) O relaxamento transitório do esfíncter esofágico inferior (TLESR) representa o
mecanis-mo principal através do qual ocorre DRGE.!
>> O refluxo gastroesofágico também requer um gradiente de pressão positivo entre o estômago
e a zona de alta pressão. Esforço e obesidade são exemplos de condições que aumentam a
pressão abdominal e contribuem para um risco de GERD.
¡ O O deslocamento da junção cardioesofágica para cima do diafragma crural, como ocorre na hérnia hiatal, enfraquece a barreira antirrefluxo ao retirar
a ajuda diafragmática, aumentar a diferença de pressão entre estômago e esôfago e criar uma bolsa de ácido próxima ao esôfago, elevando a exposição
ácida e favorecendo a DRGE.
ETIOLOGIA: aumento do relaxamento transitório do Esfíncter Esofágico Inferior (EEI), hipotonia do EEI, ruptura da junção gastroesofágica decorrente
da hérnia hiatal, peristaltismo inadequado do esôfago, lesão da mucosa esofagiana, baixa produção de saliva, entre outros fatores que podem desencadear
DRGE (RODRÍGUEZ DE SANTIAGO E, et al., 2021)
FISIOPATOLOGIA: . DANI e PASSOS
1. Barreira Antirrefluxo: Papel central
2. EEI (esfíncter esofágico inferior) + fibras crurais do diafragma formam a principal barreira mecânica.
Em condições normais: EEI mantém pressão basal elevada (10-30 mmHg) para impedir refluxo. Relaxa somente na deglutição.
Na DRGE: Relaxamento Transitório do EEI (RTEEI) → relaxamento não relacionado à deglutição → principal mecanismo da doença. Hipotonia do EEI →
pressão basal baixa (<10 mmHg), incapaz de manter fechamento → refluxo frequente.
Por que isso ocorre? Excesso de mediadores relaxantes (NO, VIP). Hormônio CCK (pós-refeição gordurosa) reduz tônus para facilitar digestão → favorece
refluxo. Alterações anatômicas (hérnia hiatal): EEI perde suporte do diafragma → tônus cai.
3. Alterações Anatômicas e Mecânicas
Comprimento do EEI menor ou porção intra-abdominal curta → menor área submetida à pressão abdominal positiva → menos resistência ao refluxo. Hérnia
hiatal: Estômago migra para o tórax → separa EEI do diafragma → destrói sinergia → barreira fica fraca. Forma “saco herniário” → conteúdo ácido acumulado
pode refluir de forma mais fácil.
Fatores que Aumentam a Pressão Gástrica Distensão gástrica → após refeições volumosas ou excesso de gás → aumenta pressão intragástrica. Retardo no
esvaziamento gástrico: Gastroparesia (ex.: diabetes) ou pós-cirurgia gástrica. Obstrução pilórica → aumenta gradiente de pressão abdome/tórax → refluxo
facilitado.
🔹 4. Clareamento Esofágico (Depuração) Remove ácido através: Peristaltismo → empurra refluxo de volta ao estômago. Saliva + bicarbonato → neutralizam
ácido residual. Na DRGE: Peristaltismo ineficaz (distúrbios motores como esclerodermia, CREST). Hipossalivação (síndrome de Sjögren, medicamentos). À
noite: Gravidade ausente + menor salivação → maior exposição ácida → piora noturna.
🔹 5. Defesa da Mucosa Esofágica Estruturalmente frágil comparada ao estômago: Epitélio pavimentoso estratificado → não resiste à acidez. Barreiras: Pré-
epitelial: muco + bicarbonato (fraca). Epitelial: junções firmes + tampões intracelulares. Pós-epitelial: fluxo sanguíneo → oxigênio + reparo. Quando o ácido
quebra essas barreiras → aumenta permeabilidade → lesão → esofagite.
🔹 6. Componente Duodeno-Gástrico
Refluxo de bile + enzimas pancreáticas junto ao ácido → agrava lesão. Sais biliares aumentam permeabilidade epitelial. Explica por que alguns pacientes têm
esofagite grave mesmo com pouco ácido.
🔹 7. Manifestações Extraesofágicas
Mecanismo reflexo: Acidificação do esôfago → estimula nervo vago → tosse, broncoespasmo. Contato direto: Material refluído atinge laringe, traqueia →
granulomas, estenoses.

FISIOPATOLOGIA ARTIGO: Patogênese da doença do refluxo gastroesofágico induzida por pepsina com ferramentas diagnósticas avançadas e implicações
terapêuticas – Chong Li e et al. 2025
Ativação da Pepsina e Condições do Ph A pepsina é uma protease
gástrica ativada em pH ácido (ativo em 2,0), inativa acima de 6,5, mas
estável até pH 8,0, podendo ser reativada em novos episódios de refluxo.
Durante o refluxo ácido, a pepsina entra em contato com a mucosa
esofágica, aumentando o potencial de lesão.
Dano à Barreira Epitelial: O epitélio esofágico tem uma barreira
formada por muco, bicarbonato e junções intercelulares firmes (como
a E-caderina, proteína de adesão que mantém as células unidas). A
pepsina, junto com o ácido, ativa vias intracelulares: ERK1/2 → c-Jun
→ aumento de MMP-7. MMPs (especialmente MMP-1 e MMP-7)
degradam E-caderina, rompendo as junções celulares. Resultado:
Dilatação do espaço intercelular (DIS) → maior permeabilidade,
passagem de íons e ativação de receptores → sensação de azia.
Processos Inflamatórios e Lesão Celular O epitélio lesionado secreta
citocinas inflamatórias: IL-1, IL-6, IL-8, IL-10 e TNF-α. Essas citocinas
atraem linfócitos T e neutrófilos, gerando inflamação crônica, estresse
oxidativo e proliferação celular. A pepsina também penetra nas
células, causando: Acidificação intracelular. Formação de ROS
(espécies reativas de oxigênio). Dano mitocondrial → morte celular.
Consequências Clínicas e Extraesofágicas A destruição da barreira e a
inflamação aumentam a sensibilidade da mucosa, perpetuando sintomas de azia e dor. Em exposições repetidas, isso pode levar a esofagite, Barrett e risco de
adenocarcinoma. Parte da pepsina pode alcançar o trato respiratório por microaspiração, permanecer estável e reativar em pH ácido, explicando manifestações
como tosse crônica e laringite.

Tratado de gastroenterologia –
O refluxo gastroesofágico reduz a resistência do epitélio esofágico, causando dilatação do espaço intercelular e, em alguns casos, erosões na mucosa. Quando
não há erosões, caracteriza-se a forma não erosiva da doença. A dilatação do espaço intercelular é uma das alterações mais precoces e ocorre tanto na forma
erosiva quanto na não erosiva, podendo gerar ou perpetuar sintomas, mesmo em pacientes tratados com inibidores da bomba de prótons (IBP). A gravidade
da esofagite depende da duração, do tempo de exposição ácida e do pH do conteúdo refluído.

Na etiopatogenia da DRGE, o refluxo ácido é o mais comum, mas o refluxo não ácido (ou fracamente
ácido) tem ganhado importância, especialmente nos sintomas tosse, pigarro e globus em pacientes tratados
com IBP.
A DRGE é classificada em duas formas, conforme a presença ou ausência de erosões ao exame
endoscópico:
 Doença do refluxo não erosiva (DRGE-NE):
É a forma mais frequente, caracterizada por sintomas de refluxo sem erosões endoscópicas. A presença de
edema e eritema isoladamente não define DRGE-NE. O diagnóstico é clínico, podendo requerer teste
terapêutico com IBP, sobretudo em pacientes com menos de 45 anos.
 Doença do refluxo erosiva (DRGE-E):
Apresentação clássica, com sintomas típicos e erosões ao exame endoscópico, porém não é altamente
específica. A classificação de Los Angeles é a mais utilizada para graduar a esofagite

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: Goldman


✅ Sintomas Clássicos
Pirose: sensação de queimação retroesternal, ascendente em
direção ao pescoço, geralmente após refeições, em decúbito
supino ou lateral direito.
Regurgitação: retorno do conteúdo gástrico (ácido ou
amargo) até a faringe.
É comum os pacientes referirem alívio dos sintomas com uso
de antiácidos, o que reforça a suspeita clínica.
✅ Sintomas Atípicos
Dor torácica não cardíaca: principal manifestação atípica.
Ocorre pelo estímulo de quimiorreceptores da mucosa pelo
refluxato, com transmissão via nervo vago, o mesmo que
conduz impulsos cardíacos. Essa convergência explica por que
a dor pode mimetizar uma angina, dificultando a diferenciação sem investigação.
 Disfagia (dificuldade para engolir) e odinofagia (dor ao engolir), geralmente associadas a inflamação grave, estenose ou complicações.
✅ Manifestações Extraesofágicas: Ocorrem pelo contato direto do refluxo com estruturas superiores ou pela ativação de reflexos vagais. São
divididas em:
 Pulmonares/Respiratórias: Tosse crônica e asma (associadas a microaspiração e reflexo vagal). Bronquite, aspiração recorrente e, em longo
prazo, fibrose pulmonar.
 Otorrinolaringológicas: Rouquidão, pigarro, globus faríngeo (sensação de bolo na garganta), roncos, alterações das cordas vocais. Laringite
crônica, sinusite e erosões dentárias (pela exposição repetida ao ácido).
✅ Sintomas de Alarme: Sinais que indicam complicações graves e necessidade de investigação endoscópica imediata:Disfagia progressiva, odinofagia persistente,
hemorragia digestiva, anemia e emagrecimento involuntário. Podem estar associados a esofagite grave, estenose, esôfago de Barrett ou adenocarcinoma esofágico.
✅ Classificação Clínica
 DRGE Erosiva (DRGE-E): Sintomas típicos com erosões visíveis na endoscopia (forma clássica).
 DRGE Não Erosiva (DRGE-NE): Forma mais frequente. Sintomas típicos sem erosões endoscópicas. Achados como edema ou eritema isolados
não confirmam o diagnóstico. Pode ser confirmada por teste terapêutico com IBP ou monitoramento funcional.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS PEDIATRICAS: DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (DRGE) EM LACTENTES: DE DEFINIÇÕES ATÉ O TRATAMENTO:
UMA REVISÃO SISTEMÁTICA. 2025, TRISTÃO E ET AL

✅ Mais Frequentes
Regurgitação ou vômitos recorrentes → sintoma predominante, principalmente em lactentes. Irritabilidade intensa (por dor e desconforto).
Recusa alimentar → muitas vezes associada à dor ao engolir (esofagite). Tosse persistente e sibilância leve (início de complicações respiratórias).
✅ Menos Frequentes (Mas Presentes)
Otite média recorrente e otalgia (por refluxo atingindo vias aéreas superiores). Laringite crônica, estridor, roncos.
Globus faríngeo (sensação de bolo na garganta) – mais raro em lactentes, mas descrito. Comportamentos associados: choro contínuo, distúrbio do sono,
agitação.
✅ Complicações Graves
Esofagite erosiva → dor intensa, risco de sangramento. Atraso no crescimento e ganho de peso inadequado → decorrente de recusa alimentar e má absorção.
Pneumonia aspirativa (urgência médica). Apneia → pode causar hipóxia cerebral e levar a déficits no desenvolvimento neurológico. Broncoespasmo e
doença pulmonar crônica (em casos prolongados).
✅ Relevância Diagnóstica: A maioria dos sintomas é inespecífica e pode ocorrer em outras condições (ex.: alergia à proteína do leite de vaca – APLV).
A associação com manifestações respiratórias e otorrinolaringológicas reforça a suspeita, mas requer confirmação com exames (pHmetria,
impedanciometria) ou teste terapêutico. A coexistência com APLV ocorre em 16% a 56% dos casos com sintomas persistentes
COMPLICAÇÕES: GASTROLOGIA ESSENCIAL, DANI E PASSOS 2ED
ESOFAGITE EROSIVA: O grupo mais facilmente identificável e com alterações fisiopatológicas mais claras é o dos
portadores de esofagite erosiva.
A visualização endoscópica de erosões esofágicas confirma o diagnóstico de DRGE. Apesar disso, ainda devem ser
considerados diagnósticos diferenciais, como lesão esofágica induzida por comprimidos e esofagite eosinofílica, entre
outros.
A- múltiplas erosões no revestimento escamoso do esôfago; uma zona metaplásica (esôfago de Barrett, discutido
adiante); e mucosa gástrica distal.
ESTENOSE PÉPTICA: A estenose péptica é uma complicação da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE)
que se caracteriza pelo estreitamento do esôfago causado pela formação de tecido cicatricial na parede do esôfago.
Esse tecido cicatricial surge como resposta à inflamação crônica provocada pelo refluxo constante do suco gástrico
ácido para o esôfago. A incidência de estenose péptica caiu muito após a introdução dos IBP. Não existem fatores que
possam predizer sobre a tendência evolutiva para estenose esofágica, pois a gravidade da DRGE não se associa com essa tendência. A DRGE é responsável por
70% das estenoses esofágicas.
Refluxo ácido: Na DRGE, o conteúdo ácido do estômago sobe para o esôfago devido a uma falha do esfíncter esofágico inferior, que normalmente impede esse
retorno. -> Inflamação da mucosa: O contato repetido do ácido com a mucosa do esôfago provoca irritação e inflamação (esofagite). -> Formação de cicatriz:
Quando a inflamação é intensa ou prolongada, o tecido danificado tenta se regenerar, mas esse processo pode formar fibrose, que é um tecido cicatricial rígido.
->Estreitamento do esôfago: A fibrose causa o estreitamento da luz esofágica (o canal por onde o alimento passa), dificultando a passagem dos alimentos.
O sintoma mais comum da estenose péptica é a disfagia — dificuldade para engolir alimentos sólidos, que pode progredir para dificuldade até com líquidos.
Outros sintomas que podem acompanhar:
Sensação de alimento preso na garganta ou no peito. Regurgitação dos alimentos. Perda de peso, se a alimentação ficar prejudicada.
Importante destacar que cerca de 30% dos pacientes com estenose podem não apresentar sintomas clássicos de refluxo, como azia ou queimação.
Imagem – gastroenterologia e hepatologia de Harrison
ESÔFAGO DE BARRET - O esôfago de Barrett é uma condição em que o
revestimento normal do esôfago, formado por células escamosas, é substituído por
um epitélio colunar típico do intestino, processo chamado metaplasia intestinal.
Essa alteração ocorre, na maioria das vezes, como consequência da Doença do
Refluxo Gastroesofágico (DRGE) de longa duração.
No exame histopatológico, geralmente se observa uma forma incompleta de
metaplasia intestinal no tecido do esôfago de Barrett.
A principal preocupação com essa condição é que as células alteradas têm maior
risco de desenvolver mutações genéticas que podem levar ao adenocarcinoma
esofágico, um tipo de câncer.
O esôfago de Barrett é mais comum em homens brancos na faixa dos 50 a 60
anos, sendo menos frequente em mulheres, negros e asiáticos. Estima-se que 6 a
12% dos pacientes submetidos à endoscopia por sintomas de refluxo apresentem
essa condição.
DRGE em pacientes com esôfago de Barrett
Pacientes com esôfago de Barrett apresentam alterações fisiológicas que agravam
a DRGE:
A motilidade do esôfago costuma estar prejudicada, com contrações peristálticas
mais fracas e maior frequência de contrações anormais, o que dificulta o
clareamento do refluxo ácido, aumentando o tempo de contato do ácido com o
esô[Link] mais de 90% dos casos, há alterações no esfíncter esofágico inferior,
como hipotonia e redução do comprimento intra-abdominal, além da presença
frequente de hérnia hiatal. Esses fatores favorecem o refluxo, inclusive durante a noite. Estudos com pHmetria prolongada mostram que o refluxo ácido nesses
pacientes é mais intenso e duradouro do que em quem tem DRGE sem Barrett. Além do ácido, o refluxo de bile e suco pancreático também contribui para o
desenvolvimento do esôfago de Barrett.
Quadro clínico
Pacientes com esôfago de Barrett geralmente têm uma história longa de sintomas como pirose, regurgitação e disfagia. Há também maior associação com outras
complicações da DRGE, como estenose, úlceras e sangramentos.
Porém, quando o esôfago de Barrett se desenvolve, os sintomas podem melhorar porque o epitélio alterado é mais resistente ao ácido, tornando o paciente
oligossintomático.
Diagnóstico O diagnóstico do esôfago de Barrett é baseado em:
Endoscopia digestiva, que mostra o epitélio colunar no esôfago distal. Exame histopatológico, que confirma a presença de metaplasia intestinal incompleta.
Classificação importante: Segmento longo (≥ 3 cm de metaplasia intestinal). Segmento curto (< 3 cm). Tecido cárdico com metaplasia intestinal, que não está
relacionado à DRGE, mas sim à infecção por Helicobacter pylori e não aumenta o risco de câncer.
O risco de transformação maligna está bem estabelecido apenas no segmento longo.
DIAGNÓSTICO: Goldman-Cecil
LACTENTES E CRIANÇAS: Diagnóstico do
RGE/DRGE em lactentes e crianças
Baseia-se principalmente na história clínica
relatada pelos pais e no exame físico pelo pediatra.
Exames complementares geralmente não são
necessários, pois não são mais confiáveis que a
anamnese e o exame físico.
Quando solicitar exames? Sintomas atípicos ///
Sinais de alerta //// Suspeita de complicações ///
Falha no tratamento inicial
Exames possíveis:
pHmetria esofágica //// Esofagografia contrastada
//// Cintigrafia nuclear //// Endoscopia com biópsia (em casos selecionados)
Tratamento
A maioria melhora com medidas conservadoras, sem necessidade de medicamentos.
Mudanças na alimentação (lactentes): Reduzir volume das mamadeiras. // Oferecer porções menores com maior frequência // Espessantes reduzem
regurgitação, mas não o índice de refluxo e podem causar ganho de peso excessivo
Posição corporal: Decúbito ventral ou lateral esquerdo só quando acordado, após as refeições Em crianças maiores: elevar cabeceira do leito, manter posição
ereta
Medicamentos: Somente se refluxo patológico for comprovado Antiácidos: uso frequente e fácil acesso Antagonistas H2 e IBP: para refluxo persistente
Procineticos (ex.: metoclopramida, betanecol): não recomendados devido a efeitos colaterais
DIAGNÓSTICO: A identificação dos sintomas cardinais da DRGE (pirose e regurgitação) permite um diagnóstico presuntivo da DRGE sem outros exames.
✅ pHmetria Esofágica Prolongada
Exame ambulatorial que mede o pH dentro do esôfago por 24h para identificar refluxo ácido (pH <
4). Detecta: Somente refluxo ácido gastroesofágico e sua relação com sintomas.
Cateter fino com sensor de pH é introduzido pelo nariz até 5 cm acima do EEI e conectado a gravador
portátil. Paciente mantém atividades normais, anotando refeições, sintomas e posição corporal.
Duração de 24h podendo chegar a 48h
Quanto maior o tempo com pH < 4, número/duração de episódios e correlação com sintomas,
maior a chance de DRGE.
Valores gerais: Normal: <4% do tempo com pH <4. Alterado: >6% sugere DRGE.
Limitações da pHmetria: Mede apenas refluxo ácido → não detecta refluxo não ácido (biliar,
alcalino) nem gasoso. Pode apresentar falsos negativos (pacientes com lesão endoscópica podem ter
pH normal).
 Resultados
variam de um
exame para outro
(baixa

reprodutibilidade).
Não avalia sensibilidade da mucosa, que também influencia
sintomas.
✅ Impedância/pHmetria: Método mais moderno que
combina pHmetria com sensores de impedância elétrica,
permitindo avaliar refluxos ácidos e não ácidos.
Detecta: Tipo de refluxo: ácido, fracamente ácido, alcalino.
Composição: líquido, gasoso ou misto. Alcance proximal e
tempo de clareamento esofágico.
Realizado de forma similar à pHmetria, mas com cateter que
possui múltiplos sensores de impedância.
Analisa a presença de refluxo independente do pH e sua
correlação com sintomas, útil em pacientes refratários aos
IBPs.
A principal indicação da impedância/pHmetria é na avaliação
de pacientes com sintomas típicos ou extraesofágicos
atribuídos à DRGE, que não responderam de forma completa ao tratamento com inibidores de bomba protônica.
 Endoscopia digestiva alta: O paciente recebe um anestésico local (spray) na cavidade oral. É administrado um sedativo venoso para maior conforto do paciente
e seus sinais vitais são monitorados durante todo o perí[Link] efeito da anestesia, o endoscópio flexível é introduzido pela boca geralmente até o duodeno.
um longo e fino tubo flexível, que possui uma câmera na sua extremidade.
 É o exame de escolha para avaliar lesões na mucosa do esôfago causadas pelo refluxo gastroesofágico. Permite: Visualização direta do esôfago, estômago e
duodeno. Biópsia para análise histológica. É indicado para:
 Descartar outras doenças ou complicações, principalmente quando há sinais de alarme: Disfagia (dificuldade para engolir); Emagrecimento inexplicado;
Hemorragia digestiva
 Pesquisar esôfago de Barrett (metaplasia intestinal no esôfago) em pacientes com sintomas crônicos.
 Avaliar gravidade da esofagite. Orientar conduta terapêutica e estimar cronicidade do processo.
Limitações da Endoscopia: As classificações endoscópicas detectam erosões e úlceras, mas não identificam alterações mínimas como: Friabilidade, Edema,
Hiperemia. → Essas alterações aumentam a sensibilidade, mas reduzem a especificidade.
✅ Achados histológicos típicos na DRGE Alterações reacionais: Alongamento das papilas da lâmina
própria; Hiperplasia da camada basal do epitélio Inflamação: Neutrófilos e eosinófilos no epitélio Células
em balão: citoplasma claro, relacionadas ao aumento da permeabilidade celular. Dilatação dos espaços
intercelulares (primeira lesão detectável na DRGE, mas sem alta especificidade).
📌 Essas mudanças indicam descamação acelerada do epitélio e exposição de terminações nervosas →
explicando a pirose (sensação de queimação).
✅ Por que fazer biópsia? Diagnóstico diferencial com esofagite eosinofílica (inflamação com
predomínio de eosinófilos, que pode simular DRGE). Avaliar metaplasia (Barrett) e risco de
displasia/câncer.
✅ Limitações do exame histológico A dilatação dos espaços intercelulares é sensível, mas não
específica (pode ocorrer em pessoas assintomáticas). A análise é demorada e não se aplica na prática
clínica de
rotina.
EXAMES RADIOLÓGICOS:
Esofagograma com bário: O paciente engole um líquido com bário (que aparece no raio-X). Fazemos várias radiografias
acompanhando o esôfago.
Ver se existe hérnia hiatal (quando parte do estômago sobe pelo diafragma). Detectar estenoses (estreitamentos) e anéis
(estruturas que apertam o esôfago).
Limitações: Não é bom para confirmar DRGE, pois só mostra inflamação (esofagite) quando está muito grave. 📌 Resumo: É
um exame mais para ver estruturas anatômicas alteradas do que para confirmar refluxo.

Cintilografia: O paciente ingere alimento marcado com tecnécio-99m (uma substância radioativa leve). Depois, uma câmera
especial segue esse alimento no trato digestivo. Detectar refluxo, mesmo que ele não seja ácido (por exemplo, em quem usa
remédio que corta o ácido do estômago)Por isso é útil em:
Pacientes gastrectomizados (sem produção ácida normal). Anemia perniciosa (pouco ácido). Uso de inibidores da secreção
(IBP).
Limitação: Tem baixa sensibilidade (pode não detectar todos os episódios)
quando comparada à pHmetria
Teste de Bernstein-Baker (Provocativo): Determinar se os sintomas (ex.: pirose) são causados por refluxo ácido. Introduz-se ácido clorídrico 0,1 N no esôfago
para reproduzir os sintomas; em seguida, infunde-se solução salina como placebo. Critério de positividade: Sintomas ocorrem apenas com a infusão de
ácido. Importância: Alta especificidade, mas hoje pouco utilizado porque a pHmetria é mais sensível. Indicações: Quando pHmetria não está disponível ou
quando sintomas são raros e não ocorreram durante a monitorização.

✅ Manometria Esofágica Exame que avalia pressão e coordenação das contrações do


esôfago, além do tônus do esfíncter esofágico inferior (EEI).
Preparação: O paciente deve estar em jejum de 6 a 8 horas. Em geral, não é necessária
sedação (o exame é rápido e bem tolerado). Uma sonda fina e flexível com sensores de
pressão é introduzida pelo nariz até o estômago, passando pelo esôfago. Esses sensores
registram a pressão ao longo do esôfago e do esfíncter esofágico inferior (EEI).
Avaliação funcional: O paciente realiza pequenas deglutições de água durante o exame.
Cada deglutição gera ondas de contração no esôfago que são registradas pelos sensores. O
exame analisa: Pressão basal do EEI (tônus em repouso). Relaxamento do EEI após
deglutição. Peristaltismo do corpo esofágico (força e coordenação das contrações).
Duração: Geralmente dura 20 a 30 minutos. Após o exame, a sonda é retirada e o
paciente pode retomar suas atividades normais.
Não diagnostica DRGE, mas é fundamental para:
Avaliar gravidade, mostrando EEI hipotônico e dismotilidade. Diagnóstico diferencial em sintomas como disfagia e regurgitação (ex.: acalasia, esclerodermia,
distúrbios motores). Indicação cirúrgica: é obrigatório antes da cirurgia antirrefluxo, para evitar falha do procedimento. Por que não é exame de escolha para
DRGE? Porque não mede episódios de refluxo, apenas analisa a função motora do esôfago.
✅ Bilitec Sistema que utiliza análise óptica para detectar bilirrubina, identificando refluxo biliar (não ácido) no esôfago. A pHmetria só identifica refluxo
ácido. O Bilitec é útil em casos de sintomas persistentes mesmo com uso de IBP (quando se suspeita de refluxo biliar como causa). Indicação
principal: Pacientes refratários ao tratamento convencional ou com suspeita de refluxo misto (ácido + biliar).
Preparação do paciente: Jejum de 6 a 8 horas antes do exame. Suspender medicamentos que interferem na motilidade ou secreção gástrica, se orientado pelo
médico. Um cateter fino com fibra óptica é inserido pelo nariz e posicionado poucos centímetros acima do EEI (semelhante à pHmetria).Esse cateter
está conectado a um sensor que mede a absorção luminosa em comprimento de onda específico para bilirrubina (cerca de 450 nm).
Monitorização: O paciente permanece com o dispositivo por 18 a 24 horas, realizando atividades normais (trabalho, alimentação, sono). O sensor registra
episódios de refluxo biliar (presença de bilirrubina no esôfago) durante esse período.
Interpretação dos dados: Após a retirada do cateter, os dados são analisados em software específico. O exame considera tempo total de exposição à bile,
número e duração dos episódios.
TRATAMENTO DE FARMACOLÓGICO: Goldman e Gilman
O tratamento da DRGE tem por objetivo a resolução completa dos sintomas e a cura da esofagite. Os IBP são
claramente mais eficazes que os antagonistas dos receptores H2 para alcançar esse objetivo.
Inibidores da bomba de prótons (IBP) → Goodman e Gilman
Os fármacos IBP diminuem a produção diária de ácido (basal e estimulada) em 80 a 95%
IBP estão disponíveis para uso clínico : omeprazol ; esomeprazol ; lansoprazol ; dexlansoprazol ; rabeprazol;
pantoprazol
Profármaco + Meio ácido = Os IBPs (como omeprazol) não são ativos quando ingeridos. Precisam chegar a um
ambiente ácido (nos canalículos secretores das células parietais) para se ativarem.
Absorção e ativação: São absorvidos no intestino, entram na corrente sanguínea e chegam às células parietais
do estô[Link] canalículos secretores (onde há pH muito ácido), sofrem uma transformação química →
formam sulfenamida tetracíclica, que é a forma ativa.
Ação na bomba de prótons: A sulfenamida ativa se liga de forma covalente à enzima H+,K+-ATPase
(bomba de prótons) em grupos sulfidrila da cisteína. Essa ligação é irreversível, ou seja, a bomba é inativada
permanentemente.
Consequência: Sem bomba, não há secreção de H+ para o lúmen gástrico, bloqueando a etapa final da
produção de ácido. Por isso, os IBPs reduzem tanto a secreção basal quanto a estimulada (por histamina, gastrina ou acetilcolina).
A bomba só volta a funcionar quando a célula produz novas H+,K+-ATPases e as insere na membrana — isso leva 24 a 48 horas.
Depois do jejum, o corpo produz muitas bombas → tomar o IBP antes da primeira refeição potencializa o efeito.
 Como o ácido destruiria o fármaco antes de chegar ao intestino, eles vêm em comprimidos com revestimento entérico ou em mistura com

bicarbonato.
A função da célula parietal
A célula parietal é a responsável por produzir o ácido clorídrico (HCl) no estômago. Para liberar ácido, ela usa uma bomba chamada H+,K+-ATPase (bomba
de prótons) que troca H⁺ por K⁺, utilizando energia do ATP. Essa bomba está na membrana canalicular, voltada para o lúmen do estômago. O ácido é essencial
para digestão, mas em excesso pode causar gastrite, úlcera, DRGE.
Como a célula parietal é ativada? Ela recebe três principais estímulos para ligar a bomba: Histamina (da célula ECL) Gastrina (da célula G) Acetilcolina
(ACh) (do nervo vago)
Esses estímulos ligam receptores na membrana da célula parietal e disparam vias intracelulares que resultam na ativação da bomba.
2.1. Via da Histamina Histamina liga-se ao receptor H₂. Esse receptor ativa a proteína Gs, que estimula a enzima adenilato ciclase. A adenilato ciclase converte
ATP em AMPc (adenosina monofosfato cíclico). O AMPc ativa a proteína quinase A (PKA). A PKA fosforila proteínas que ativam e movimentam as bombas
H+,K+-ATPase para a membrana → secreção de H⁺.
2.2. Via da Gastrina e da ACh
Gastrina liga-se ao receptor CCK₂. Acetilcolina liga-se ao receptor M₃. Ambos ativam a proteína Gq, que estimula a fosfolipase C. Essa enzima gera IP₃ (inositol
trifosfato), que libera cálcio (Ca²⁺) do retículo endoplasmático. O aumento do Ca²⁺ intracelular ativa proteínas que estimulam a bomba de prótons.
➡ Assim, temos duas vias de ativação: AMPc (via histamina) -> Ca²⁺ (via gastrina e ACh)
E quem inibe essa secreção?
Prostaglandinas (PGE₂ e PGI₂) → ligam-se ao receptor EP₃ na célula parietal. Esse receptor ativa a proteína Gi, que inibe a adenilato ciclase → menos AMPc →
menos ativação da bomba. Além disso, as prostaglandinas aumentam a produção de muco e bicarbonato, formando uma barreira protetora na mucosa.
➡ Por isso AINEs (anti-inflamatórios) são perigosos para o estômago:
Eles bloqueiam a produção de prostaglandinas → sem proteção → mais ácido → risco de úlcera.
4. Como os fármacos agem?
4.1. IBPs (Inibidores da Bomba de Prótons) Ex.: omeprazol, esomeprazol, pantoprazol. São pró-fármacos que se ativam no ambiente ácido do canalículo.
Quando ativados, viram uma sulfênamida reativa, que liga-se covalentemente à bomba H+,K+-ATPase → inativação irreversível. Resultado: Bloqueio
completo da secreção, tanto basal quanto estimulada. Efeito dura 24–48h, mesmo com meia-vida curta (porque só volta após a célula produzir novas bombas).
4.2. Antagonistas H₂ Ex.: cimetidina, ranitidina. Bloqueiam receptores H₂ → menos AMPc → menor ativação da bomba. Menos potentes que os IBPs, porque só
bloqueiam a via da histamina.
4.3. Misoprostol
 É um análogo sintético da prostaglandina E₁ (PGE₁).

 Liga-se ao receptor EP₃ → reduz secreção de ácido e aumenta muco e bicarbonato.

 Usado para prevenir úlceras induzidas por AINEs.

 Também pode induzir contrações uterinas (cuidado em gestantes).

4.4. Sucralfato
 É um composto que, em ambiente ácido, vira uma pasta viscosa que cobre as lesões da mucosa, protegendo contra ácido e pepsina.

 Não reduz a secreção, mas protege mecanicamente.

4.5. Carbenoxolona
 Derivado de planta (glicirrizina do alcaçuz).

 Aumenta a secreção de muco e bicarbonato, ajudando na proteção da mucosa.

 Pouco usado hoje.

5. Analogia para memorizar


 Histamina, Gastrina e ACh são interruptores diferentes que ligam a mesma luz (a bomba).

 AMPc e Ca²⁺ são os fios elétricos que levam o sinal para acender a luz.

 Prostaglandinas são o freio natural (reduzem a intensidade da luz).

 IBPs desligam a energia geral da casa → nada funciona (bloqueio final).

 Antagonistas H₂ desligam só um fio (o da histamina).

 Misoprostol é como reforçar o freio natural.

 Sucralfato é como colar uma película protetora no vidro.

 Carbenoxolona aumenta o “revestimento protetor” da parede.


Antagonistas dos receptores H2 → Goodman e Gilman
✅ Secreção Ácida e Papel dos Antagonistas H₂
Estimulação da secreção gástrica: Acetilcolina (ACh), histamina e gastrina ativam receptores nas células parietais.
Histamina → Receptor H₂ (GPCR, via Gs → AMPc → PKA) ACh e Gastrina → Receptores acoplados a Gq → IP₃ → Ca²⁺
Essas vias aumentam a atividade da H⁺/K⁺-ATPase (bomba de prótons), que secreta H⁺ no lúmen gástrico.
Bloqueiam competitivamente e reversivelmente os receptores H₂ → impedem a ação da histamina → reduzem a produção de ácido gástrico. Especificidade:
apenas H₂ (não afetam H₁).
Consequência: Reduzem secreção basal e noturna (~70%), mas não bloqueiam totalmente (menos potentes que IBPs). Início de ação lento (~45 min), por isso
antiácidos são melhores para alívio imediato.
✅ Principais fármacos: Cimetidina (mais antiga, inibe várias CYP450 → interações importantes com varfarina, fenitoína, clopidogrel). Ranitidina (interage
menos, ~10% da afinidade da cimetidina). Famotidina e Nizatidina (mais seguras).
✅ Uso clínico: Útil para DRGE leve (doses baixas) e cicatrização de úlceras (tomar à noite para reduzir secreção noturna). Menos eficaz que IBP para casos
graves.
✅ Interações e efeitos: Cimetidina: inibe CYP1A2, 2C9, 2D6 → ↑ risco de toxicidade de vários fármacos.
4 antagonistas estão disponíveis : cimetidina; ranitidina; famotidina; nizatidina
Prostaglandinas → Karen
A prostaglandina E2, produzida pela mucosa gástrica, inibe a secreção de ácido e
estimula a secreção de muco e bicarbonato (efeito citoprotetor)
Misoprostol é um análogo da prostaglandina E1
Antiácidos → Karen
Reage com o ácido gástrico para formar sal e água
Antiácidos comumente usados são combinações de sais de alumínio e magnésio,
como hidróxido de alumínio e hidróxido de magnésio [Mg(OH)2]
O carbonato de cálcio (CaCO3) reage com o HCl formando dióxido de carbono
(CO2) e cloreto de cálcio (CaCl2) e é também uma prepara- ção comumente usada
A absorção sistêmica do bicarbonato de sódio [NaHCO3] pode produzir alcalose
metabólica transitória por isso, esse antiácido não é recomendado para uso
prolongado
Procinéticos → Dani e Passos As alterações fisiopatológicas responsáveis pela DRGE podem ser corrigidas pro drogas que aumentassem a pressão do EEI,
melhorassem o peristaltismo do esôfago e o esvaziamento gástrico. Porém, os medicamentos procinéticos atuais não corrigem essas alterações são
eficientes apenas quando usados em pacientes com sintomas dispépticos associadosA metoclopramida não é considerada boa escolha no tratamento
da DRGE ela atua no SNC, causando efeitos colaterais como sonolência, irritabilidade, tremores e discinesia A domperidona, antagonista da dopamina
apenas em nível periférico, é útil mas se observa hiperprolactinemia em 10 a 15% dos seus usuários crônicos A cisaprida foi retirada por induzir
arritmias cardíacas
Novas drogas → Karen BACLOFENO é um agonista dos receptores B do GABA (ácido gama-aminobutírico) seu mecanismo de ação está associada à
supressão dos relaxamentos transitórios do EEI seu uso mostrou redução do número de episódios de refluxo mas há muitos efeitos colaterais
o é um protótipo para desenvolver novas drogas anti-RTEEI

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