Psicologia e Saúde em Debate
ISSN-e 2446-922X
Estudo Teórico
TERAPIA POR CONTENSÃO
INDUZIDA NA PARALISIA
CEREBRAL HEMIPARÉTICA
DOI: 10.22289/2446-922X.V4N1A6
Lunara de Oliveira Santos e Silva1
Mariane Fernandes Ribeiro
RESUMO
Avaliar a influência da terapia por contensão induzida (TCI) na paralisia cerebral hemipáretica.
Para esta pesquisa foi realizada uma revisão de literatura. Portanto, a busca dos artigos
ocorreu nas bases de dados SciELO, LILACS, PubMed, Bireme, PEDro, durante os meses de
fevereiro a julho do ano de 2017, com as palavras-chave “terapia por contenção induzida”,
“paralisia cerebral”, “hemiparesia” combinados entre si, e os seus correspondentes na língua
inglesa, entre os anos de 2000 á 2016. Foram encontrados 72 artigos, sendo que após
criteriosa avaliação, 52 foram excluídos por não se enquadrarem na temática deste artigo.
Restaram 20 artigos, destes, 8 foram incluídos para análise de estudo, por estarem
relacionados à técnica de TCI na paralisia cerebral. Os artigos incluídos no quadro de análise
utilizaram instrumentos de medidas que foram analisados de forma específica para descrever
os resultados da eficácia da técnica. A partir da compreensão das pesquisas, os estudos
mostraram-se eficazes ao empregar a TCI em indivíduos com paralisia cerebral, embora seja
uma técnica recente e pouca explorada, apresenta resultados satisfatórios com relação à
funcionalidade do MS parético, tanto de forma isolada, quanto associada a outras técnicas
terapêuticas. Constatou-se que, dentre os benefícios da TCI, quanto mais precocemente
empregar-se o tratamento, melhores serão os resultados. No entanto, nota-se que há a
necessidade de se realizar mais estudos, visando compreender melhor a utilização da técnica
em indivíduos com PC.
Palavras-chaves: Terapia por Contensão Induzida; Paralisia Cerebral; Hemiparesia.
1
Endereço eletrônico de contato: lunaradeoliveirasantos@[Link]
Recebido em 01/11/2017. Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 14/11/2017.
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ABSTRACT
To evaluate the influence of induced contention therapy on hemiparetic cerebral palsy. A
literature review was performed. The search of the articles occurred in the databases of
SciELO, LILACS, PubMed, Bireme, PEDro, during the months of February to July of the year
of 2017, with the keywords "induced restraint therapy", "cerebral palsy", "hemiparesis "and
their correspondents in the english language, between the years of 2000 and 2016. It was
found 72 articles, and after a careful evaluation, 52 were excluded, since they presented the
technique in other pathologies. It remained 20 articles, and of these, only 8 were included for
study analysis, as it presented the technique in cerebral palsy. The 8 articles included in the
analysis framework used measurement instruments that were specifically analyzed to describe
the effective results of the technique. Based on the understanding of the research, the study
proved to be effective when using the TCI technique in individuals with cerebral palsy, although
it is a recent and little explored technique, presents satisfactory results regarding the
functionality of the paresis MS, either alone or associated with other therapeutic techniques. It
was found that the earlier the treatment is used, the better the results. However, there is a
need for further studies, in order to better understand the use of the technique in individuals
with CP.
Keywords: Induced Congestion Therapy; Cerebral Palsy; Hemiparesis.
1 INTRODUÇÃO
A Paralisia Cerebral (PC) também chamada de Encefalopatia Crônica Não
Progressiva da Infância (ECNPI) é definida pela má formação cerebral ou à lesão não
progressiva do cérebro em desenvolvimento. Este episódio lesivo pode resultar no período
pré, peri ou pós-natal, podendo gerar um grupo de afecções do sistema nervoso central, isto
é, alterações do movimento, postura e da função motora, podendo ocasionar limitações nas
atividades realizadas no cotidiano. Essas desordens motoras características da PC
geralmente são acompanhadas de alterações sensitivas, perceptivas, cognitivas,
comunicativas e comportamentais. (Arakaki, Cardoso, Thinen, Imamura & Battistella, 2016)
A expectativa de vida dos indivíduos com PC tem aumentado nos últimos anos,
apesar da gravidade causar grande impacto à sobrevida.
Em países subdesenvolvidos a incidência é de aproximadamente 7 a cada 1.000
nascidos vivos. No Brasil, estima-se cerca de 30.000 a 40.000 novos casos por ano. (Martins,
Santos & Castagna, 2015).
O diagnóstico de PC inclui atraso no desenvolvimento motor, persistência de reflexos
primitivos, ausência de reflexos normais, e ausência do desenvolvimento dos reflexos
protetores (Dantas, Collet, Moura & Torquato, 2010). A Paralisia Cerebral frequentemente
está associada a um grupo de distúrbios do desenvolvimento, por isso é necessária uma
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abordagem multidisciplinar na avaliação e tratamento desses indivíduos (Baleotti, Gritti &
Silva, 2014; DeLuca, Echols, Law & Ramey, 2006).
A PC pode ser classificada de acordo com a localização anatômica, etiologia e a
gravidade da lesão neurológica (Martins, et al., 2015). Neste sentido, um dos mais
predominantes tipos de PC destaca-se a hemiparesia, definida como o comprometimento do
hemicorpo contralateral a lesão, causando perda de força muscular. Dessa forma, podem
vivenciar dificuldades e frustrações na tentativa do uso do membro superior (MS) afetado
(Santos, 2016).
Esse tipo de PC pode levar ao desuso do MS afetado e assim intervir na execução
de tarefas bimanuais e funcionais em atividades do cotidiano. A maioria das crianças
hemiparéticas exibe um bom desenvolvimento global, porém, muitas vezes, existe a
dificuldade de comportamento ou de compreensão (Martins, et al., 2015).
Recentemente, novas técnicas terapêuticas vêm evidenciando resultados no
tratamento de indivíduos hemiparéticos. Uma das técnicas utilizadas para a recuperação da
função do MS páretico é a Terapia de Contenção Induzida ou “Constraint-induced Movement
Therapy” (CIMT), conhecida também no Brasil como Terapia de Restrição (TR), Terapia de
Restrição e Indução do Movimento (TRIM) ou Terapia de Uso Forçado (TUF). Esta tem como
objetivo recuperar a função do MS, induzindo o paciente a manusear o MS afetado na
realização de AVDs (Assis, Massaro, Chamlian, Silva & Ota, 2007; Miranda GBN & Melo,
2013).
Trata-se de um protocolo terapêutico que consiste em três importantes intervenções:
treinamento intensivo orientado à tarefa, métodos de transferência e restrição da extremidade
menos afetada. O principal aspecto da TCI é a combinação desses componentes de
tratamento de maneira sistematizada e adaptada para induzir o paciente a utilizar o MS mais
afetado por muitas horas diárias. Os pacientes são submetidos a atividades motoras
repetitivas utilizando o MS parético, enquanto o membro não parético é retido por um
dispositivo de contensão (luva, tipoia) por 90% do dia em que permanecer acordado (Anjos,
Pacheco, Santos & Santos, 2016; Garcia, Knabben, Pereira & Ovando, 2012; Morris, Taub &
Mark, 2006).
A técnica original da TCI consiste em intervenção de duas a três semanas, com
restrição do MS não afetado durante 90% do dia em que permanece acordado, e treino do
MS afetado por 6 horas diárias de prática supervisionada (Santos, 2016).
Tal terapia objetiva a reorganização de zonas de representação cortical, pois o uso
aumentado do membro durante esta terapia faz com que a área encefálica seja estimulada,
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dessa maneira aumenta o desempenho cortical e melhora a funcionalidade motora, com
reversão do desuso aprendido (Palavro & Schuster, 2013).
O protocolo de treino intensivo possui duas abordagens específicas, o shaping, que
se caracteriza por repetição de partes da tarefa funcional, e consiste em atividades com grau
progressivo de dificuldade, visto que são realizadas de forma repetitiva e cronometradas em
pequenas etapas, o task-practice que se refere à prática de tarefas funcionais completas, e
consiste em tarefas do dia-a-dia, tais como: abrir e fechar a porta, lavar e secar as mãos,
apagar e acender a luz etc ( Boylsein, Rittman, Gubrium, Behrman & Davis, 2015; Matuti,
Marques, Magesto, Garcia & Oliveira, 2016).
As considerações da TCI teveram início com estudos pré-clínicos em primatas, que
se baseia na superação da teoria do desuso “learned nonuse”, pela qual os macacos
retornaram a usar o MS parético nas atividades após a contensão do MS não-parético,
superando o desuso aprendido. Este fenômeno comportamental de desuso foi descrito por
Taub (Arakaki, et al., 2016; Santos, 2016) A primeira demanda dos efeitos da TCI em seres
humanos foi mencionada por Kullok, em 1980 que aplicou o protocolo de treinamento de 6
horas por dia e a contenção do MS não parético em 90 % do dia que permanecer acordado,
por 14 dias consecutivos (Anjos, et al., 2016).
A técnica baseia-se na superação da teoria do não uso aprendido, ou seja, após uma
lesão encefálica, o paciente que apresenta dificuldade no uso do MS afetado aprenderá
rapidamente, fazendo o uso apenas da extremidade não afetada, e a TCI tem grande
importância ao proporcionar estímulos para que o paciente não use o membro sadio em suas
atividades, dessa forma é capaz de melhorar a função da extremidade acometida (Anjos, et
al., 2016).
Atualmente a TCI tem apresentando uma técnica terapêutica eficiente no tratamento
de indivíduos com PC, pois não envolve medicamentos ou efeitos colaterais, porém, em
crianças com paralisia cerebral ainda é muito recente, havendo poucos estudos que
comprovem os resultados da técnica. Além disso, há a necessidade de se aprofundar nos
estudos, visando esclarecer a duração dos efeitos, idade e características do paciente para
que se beneficie do tratamento, auxiliar na escolha do melhor protocolo a ser utilizado e
analisar os benéficos da técnica isolada ou com outras técnicas terapêuticas (Assis, et al.,
2007).
Contudo, a TCI tem por objetivo melhorar a mobilidade dos membros acometidos
pela Paralisia Cerebral Hemiparética (PC-H), com isso há concessão de maior independência
ao paciente no que diz respeito às atividades diárias, a fim de que haja melhora na qualidade
de vida do paciente. Boylstein et al. (2015), e Annunciato et al. (2001) argumentam que os
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estímulos aplicados pelo terapeuta durante a TCI são fundamentais para a recuperação.
Através da motivação e da aplicação das sequências de repetição adequadas aos limites do
paciente, pode-se obter a melhora funcional.
O objetivo deste estudo foi pesquisar na literatura evidências do uso, bem como
avaliar a influência da terapia por contensão induzida em indivíduos com paralisia cerebral
hemiparética.
2 MÉTODOS
Foi realizada uma revisão de literatura durante os meses de fevereiro a julho do ano
de 2017, com base de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-
Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), PubMed, Bireme, Centro de
Fisioterapia Baseada em Evidências no The George Institute For Global Health (PEDro). Os
descritores utilizados na pesquisa foram “Terapia por Contensão Induzida”, “Paralisia
Cerebral”, “Hemiparesia”, bem como os seus correspondentes em inglês, “Induced
Congestion Therapy”, “Cerebral Palsy”, “Hemiparesis”.
Os critérios de inclusão foram: ano de publicação entre 2000 e 2016 e estudos de
casos clínicos que analisaram a efetividade da TCI na função do MS parético de forma isolada
e estudos que comparavam outras técnicas terapêuticas juntamente com a TCI. E como
critérios de exclusão, não foram utilizados os artigos que apresentassem a técnica como forma
de tratamento em outros tipos de patologias como AVC (Acidente Vascular Cerebral) e TCE
(Traumatismo Craniano Encefálico).
3 RESULTADOS
Foram encontrados 72 artigos na busca bibliográfica, dos quais 8 contemplaram os
critérios de inclusão e exclusão. Os oito artigos foram analisados em correlação ao ano de
publicação, objetivo, metodologia, instrumento de medida, resultado e conclusão, conforme
apresentado no quadro 1.
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Autor/ Objetivo Metodologia Instrumento de Conclusão
Ano medida
Baleotti et Avaliar os efeitos Criança de 4 anos de Pediatric Upper O protocolo de
al., 2014 de um protocolo de idade. Intervenção Extremity Motor intervenção
intervenção por três horas Activity Log (PMAL) e utilizado neste
modificado da TCI diárias, durante dez analisados por meio estudo, foi eficaz
na qualidade do dias, restrição do MS de média aritmética. no tratamento da
movimento e na não acometido por criança
frequência do uso oito horas diárias. hemiparética
do MS acometido
em criança com
PC-H.
Assis et al., Relatar os efeitos Criança de 11 anos. Wolf Motor Function Este relato de
2007 terapêuticos da TR Submetido ao Test (WMFT)Action caso sugere que
em uma criança protocolo modificado Research Arm Test a TR pode ser
com PC-H de 2 semanas da (ARAT) e Motor um tratamento
espástica com TR, por 3 horas da Activity Log(MAL) eficaz para a
diminuição da prática das tarefas melhora
função no MS adaptadas, funcional do MS
direito. associado a prática parético de
domiciliar crianças com
PC.
Garcia et Avaliar os efeitos Dois Adolescentes Teenager Moto Activity Apresentou
al., 2012 da TCI em dois com PCH, sendo do Log (TMAL) e o Wolf efeitos positivos
adolescentes, com sexo masculino e Motor Function Test da TCI em
PC-H. feminino de 12 e 14 (WMFT). adolescentes
anos. Aplicação de com PCH
TCI por três horas
diárias durante três
semanas
Sung et al., Determinar a 31 pacientes, 18 Teste de caixa e TUF parece ser
2005 eficácia da terapia foram submetidos bloqueio (BBT), um método
de uso forçado TUF (idade média Erhardt Developmental terapêutico
(TUF) no aumento 33,2 meses) e 13 ao Prehension eficaz para
da função da grupo de controle Assessment (EDPA) e melhorar a
extremidade (43,2 meses). O The Functional função da
superior em grupo TUF usou Independence extremidade
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crianças com PC- gesso sintético como Measure for Children superior em
H. restrição do MS (WeeFIM) crianças com
afetado por 6 PCH.
semanas e programa
de reabilitação
funcional e TO
funcional para MS e
o grupo controle foi
submetido a
reabilitação
convencional
Zafer et al., Determinar a 20 crianças com Teste de qualidade das A abordagem da
2006 eficácia da terapia idade entre 1,5 e 12 habilidades do MS CIMT é melhor
de movimento anos, foram divididas (QUEST) foi utilizado para o estado
induzido por em dois grupos: para para avaliação de linha funcional da
restrições em CIMT e terapia de base e pós- criança com PC,
comparação com a bimanual. A terapia tratamento em comparação
terapia bimanual aplicada foi de 2 a terapia
para melhorar o horas de treinamento bimanual.
estado funcional diário por 6 dias
em crianças com durante 2 semanas.
PC-H.
Pierce et al., Avaliar os a eficácia Adolescente de 12 Wolf Motor Function Este estudo
2002 da TCI quando anos. O protocolo de Test (WMFT) recomenda que a
comparado com a tratamento foi de 3 TCI possa ser
Terapia semanas de TCI que eficaz na
Ocupacional (TO), consiste em seis melhoria das
mais prática sessões de 2 horas de deficiências da
domestica em terapia ocupacional, extremidade
adolescente com mais pratica superior e
PC. doméstica. funcionam nessa
população
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Goldon et Delinear a 37 crianças entre 4 e Teste de movimento A terapia
al., 2005 metodologia por 14 anos. Restrição da unimanuais de Jebsen- modificada é
CIMT modificada extremidade com um Taylor. Avaliação da tolerada pela
para crianças com sling e a criança assistência da mão maioria das
PC-H e descrever realizou atividades (AHA), Escala de crianças, porém é
considerações unimanuais com a alcance de metas necessárias
importantes que extremidade (GAS), Teste de novas
precisa ser feita ao comprometida por 6 qualidade das modificações
testar essa horas diárias, durante habilidades do MS para aprimorar
intervenção em 10 dias. (QUEST) componentes
crianças. específicos da
intervenção que
são mais efetivos
antes de aplica-
los a crianças
com maior
probabilidade de
se beneficiarem.
Paula et al., Verificar a 23 pacientes, crianças Pediatric Motor Activity A TCI mostrou-se
2014 efetividade do e adolescentes com Log (PMAL) Tween eficaz quanto ao
protocolo média de idade de Motor Activity Log aumento da
modificado da TCI 9,45 anos. (TMAL) Pediatric Arm função do MS
pediátrica quanto ao Período de três Functional Test (PAFT), afetado em
aumento da função semanas, duas horas Inventory New Motor pacientes com
do MS afetado em diárias de treino and Programs PC-H espástica.
pacientes com PC-H intensivo e restrição (INMAP).
espásticos. de 24 horas por dia no
MS não afetado.
Quadro 1. Análise descritiva dos resultados.
4 DISCUSSÃO
Os artigos abordados nesta revisão que tiveram como principal objetivo verificar a
eficácia da TCI na reabilitação de pessoas com PC hemiparética, sendo que alguns
analisaram a técnica da TCI com protocolo modificado e adaptado à realidade de cada
paciente, visando melhores resultados (Baleotti, et al., 2014; Gordon et al., 2005; Paula et al.,
2016). Outros artigos realizaram a comparação da TCI com outras terapias como: TO (Terapia
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Ocupacional) e a terapia bimanual, destacando-se que em ambos estudos a utilização da TCI
apresentou resultados mais relevantes em relação as demais técnicas (Pierce et al., 2002;
Zafer, et al., 2016).
Todos os artigos analisados utilizaram uma grande variedade de instrumentos de
medidas para coleta de dados, os quais foram realizados e analisados antes, durante e após
o tratamento. Com isso, pode-se destacar que o uso destes instrumentos é indispensável na
avaliação dos pacientes, visto que através deles serão obtidos os resultados, e,
posteriormente a realização da técnica, que busca a eficácia da TCI em crianças com
hemiparesia (Assis et al., 2007; Baleotti et al., 2014; Garcia et al., 2012; Gordon [Link]., 2005;
Paula et al., 2016; Pierce et al., 2002; Sung et al., 2005; Zafer et al., 2016). Vale ressaltar que
os instrumentos utilizados apresentam grande relevância na prática clínica, podendo auxiliar
o terapeuta na avaliação, além de mensurar a evolução do paciente em relação à estratégia
de intervenção adotada.
Dentre os achados desta revisão, três artigos empregaram a escala de Wolf Motor
Function Test (WMFT) utilizada para avaliar medidas de tempo com auxílio de um cronômetro
para então mensurar a evolução funcional do MS parético na realização das atividades.
Ambos estudos apresentaram diminuição de tempo e aumento da agilidade para a execução
das tarefas, demonstrando assim eficácia da TCI após intervenção, favorecendo estímulos
para o paciente (Assis et al., 2007; Miranda et al., 2013; Pierce et al., 2002).
Outros três artigos utilizaram o Pediatric Upper Extremity Motor Activity Log (PMAL),
Teenager Moto Activity Log (TMAL) e Motor Activity Log (MAL), que se tratam de questionários
que objetivam detectar o desempenho em atividades de vida diária. Observou-se que houve
melhora na qualidade, aumento da frequência e espontaneidade do uso do MS parético na
realização das atividades. Com relação aos resultados coletados antes e pós-tratamento
(Baleotti et al., 2014; Garcia et al., 2012; Paula et al., 2016). Assis et al (2007), aplicou também
em seu estudo Action Research Arm Test (ARAT) teste utilizado para avaliar grau de
movimento. Dessa forma, foi observado que houve melhora na agilidade do movimento,
melhora na coordenação motora, aumento da frequência e qualidade de movimento.
Outra escala utilizada foi a Pediatric Arm Functional Test (PAFT), para mensurar
qualidade de movimento, e é composta por tarefas unilaterais e bilaterais que avaliam o
desempenho do paciente quanto ao uso espontâneo do MS afetado e sua habilidade
funcional. No mesmo estudo, utilizou-se também a Inventory New Motor and Programs
(INMAP) que permite registro de padrões motores e atividades funcionais durante suas
atividades espontâneas. Como resultados, observou- se melhora na qualidade e frequência
dos movimentos em suas habilidades funcionais, aumento do uso espontâneo nas tarefas
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unilaterais e bilaterais e aquisição de novos programas motores. Adolescentes apresentaram
resultados a partir do 3º e 4º dia atingido platô no 11º e 12º dia (Paula et al., 2016).
Sung et al (2005), relatou que antes do tratamento não houve diferença significativa
entre os grupos terapia de uso forçado (TUF) e grupo controle, utilizando os Teste de função
da mão em teste de caixa e bloqueio (BBT) desenvolvido para avaliar a função manual,
ajustando os números de blocos deslocados de um lado para outro. Utilizaram o Erhardt
Developmental Prehension Assessment (EDPA) para medir a funcionalidade do MS na
realização de apreensão de objetos e The Functional Independence Measure for Children
(WeeFIM), para avaliar a dependência e independência do paciente. Antes do tratamento não
houve diferença entre os grupos, após 6 semanas, o grupo TUF mostrou melhores resultados
no MS parético em comparação com o grupo controle.
Dois artigos utilizaram como avaliação o QUEST que é um teste de qualidade das
habilidades do MS para avaliação de linha de base e pós-tratamento (Gordon et al., 2005;
Zafer et al., 2016). Teste de movimento unimanuais de Jebsen-Taylor que aborda um
cronograma de tarefas motoras, avaliação da assistência da mão (AHA), é um instrumento de
avaliação funcional da mão para aplicação das atividades, escala de alcance de metas (GAS)
utilizada como um método de avaliação dos resultados obtidos na terapia familiar, em
programa de intervenção de apoio orientado para a família. Ambos os testes obtiveram
melhora significativa na função do MS parético pós-intervenção da TCI, resultados que se
mantiveram por 6 meses (Gordon et al., 2005; Zafer et al., 2016).
Verificou-se que um protocolo de TCI adaptado à realidade do paciente e aplicado
precocemente gera aumento na qualidade e frequência de uso do MS afetado, caracterizando
um protocolo de intervenção eficaz em indivíduos com hemiparesia. A TCI em adolescentes,
considerada tardiamente, pode apresentar resultados positivos, porém devem ser realizados
ensaios clínicos para confirmar a eficácia da técnica nesse grupo de pacientes (Garcia et al.,
2012).
Adotando-se o protocolo modificado para acompanhar a rotina diária da criança,
obtém-se um resultado de melhora na qualidade e espontaneidade do uso do membro afetado
em tarefas bimanuais. A aplicação da técnica é considerada um método de intervenção
terapêutica eficaz, porém são necessárias novas pesquisas para determinar os efeitos em
longo prazo (Sung et al., 2005). Portanto, observa-se que o estudo defende a opinião de fazer
o uso da restrição ao longo das atividades de vida diária para favorecer a mobilidade.
Quando foram comparadas a TCI com a terapia bimanual, a TCI proporcionou
resultados superiores e sua abordagem é considerada melhor para o estado funcional da
criança (Zafer et al., 2016). A aplicação da TCI em um adolescente de 12 anos, expõe
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resultados que sugerem que a TCI pode ser útil para o tratamento o tratamento da
hemiparesia, a terapia obteve bons resultados para aplicação em adolescentes (Pierce et al.,
2002), o que para outros pode ser considerado tardio.
Em sua maioria, os artigos estudados utilizaram a aplicação da TCI em crianças
(Assis et al., 2007; Baleotti et al., 2014; Gordon et al., 2005; Paula et al., 2016; Sung et al.,
2005; Zafer et al., 2016). Mas também houve estudos com aplicação da técnica em
adolescentes (Paula et al., 2016; Pierce et al., 2002; Sung et al., 2005). Comparando-se a
realização da TCI precoce e tardiamente, nota-se que a aplicação da técnica o quanto antes,
favorece resultados, tornando-os exitosos. Considerando os resultados obtidos, a melhora da
qualidade do movimento esteve presente em todos os artigos estudados (Assis et al., 2007;
Baleotti et al., 2014; Garcia et al., 2012; Gordon et al., 2005; Paula et al., 2016; Pierce et al.,
2002; Sung et al., 2005; Zafer et al., 2016).
É importante relatar a limitação observada neste estudo, pois a TCI é uma técnica
recente e há poucos artigos que comprovam sua eficácia na função do MS parético,
principalmente em crianças com PC. Foram encontrados vários artigos relacionados à TCI,
porém referente a outras lesões encefálicas que não se adapta ao que seria proposto na
pesquisa.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista os estudos abordados nesta pesquisa, é possível concluir que a TCI
em indivíduos com PC, apesar de ser uma técnica recente e pouca explorada, apresenta
ótimos resultados na funcionalidade do MS parético, tanto de forma isolada ou associada a
outras técnicas terapêuticas. Constatou-se que quanto mais precoce empregar o tratamento,
melhores serão os resultados.
Na maioria dos artigos foram utilizados importantes instrumentos de medidas para
análise de forma especifica, com a intenção de avaliar a evolução e os resultados do
tratamento, o que poderá favorecer o acompanhamento também na prática clínica.
No entanto, destaca-se a necessidade de realizar sempre mais estudos, visando
compreender melhor a utilização da técnica em indivíduos com PC. Devido ao avanço
tecnológico e científico, faz-se necessário a incessante busca de conhecimento e de práticas
inovadores de tratamento na área em que a Fisioterapia abrange.
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