EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO NO BRASIL:
UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO
DOI: 10.37702/[Link].2024.5327
Autores: EMILY HALEY GOMES FIRMINO, INGRID HELOISA DA SILVA ALVES
Resumo: A eficiência energética consiste no uso racional deste recurso e está diretamente
relacionada com o desenvolvimento sustentável. Instituições de ensino são centros responsáveis pela
transmissão de conhecimento científico e de informações, e, dessa forma, podem fornecer exemplos
práticos de sustentabilidade para a comunidade interna e externa. Esse trabalho tem o objetivo de
verificar como o tema eficiência energética tem sido tratado e aplicado em instituições de ensino e
quais os impactos que essa discussão tem causado na própria instituição, em seus usuários e na
sociedade. Para isso, foi realizado um levantamento de artigos científicos publicados em revistas
desde 2023, que apresentem exemplos de abordagens de análise, implementação e conscientização,
além de possíveis melhorias sugeridas e aplicadas para contribuir com a eficiência energética em
instituições de ensino e com o debate sobre a sustentabilidade. Pode-se perceber as diferentes
abordagens utilizadas para discutir eficiência energética, algumas atuando no ensino, outras na
pesquisa e outras na extensão ou aplicação prática. A disseminação de informações sobre eficiência
energética nesse meio contribui para um ambiente de aprendizado participativo, promove o estímulo
do ensino sobre educação ambiental, além de incentivar os usuários das instalações a adotarem
práticas sustentáveis, como o uso racional de energia.
Palavras-chave: sustentabilidade, gestão de energia, energia limpa, instituição de ensino.
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM INSTITUIÇÕES DE ENSINO NO BRASIL:
UM ESTUDO BIBLIOGRÁFICO
1 INTRODUÇÃO
A utilização da energia tem apresentado papel fundamental no desenvolvimento e
prosperidade da humanidade. Contudo, nas últimas décadas, a preocupação com a
sustentabilidade na sua produção e no seu consumo tem sido evidentes (WEISE;
HORNBURG, 2015). Isso pode ser observado pelos Objetivos de Desenvolvimento
Sustentável (ODS) estabelecidos para a Agenda 2030 pelos estados-membros da
Organização das Nações Unidas (ONU), como por exemplo o ODS 7, de energia limpa e
acessível, e o ODS 11, cidades e comunidades sustentáveis (NAÇÕES UNIDAS BRASIL,
2024).
Tendo em vista o aumento crescente da demanda de energia aliado aos desafios
relacionados à produção para atender a essa demanda, a busca pela eficiência energética
tem se mostrado estratégia fundamental. Os setores da sociedade têm procurado formas
de explorar racionalmente os recursos e aumentar o uso de energias renováveis e limpas,
que são consideradas inesgotáveis e que não emitem gases de efeito estufa,
respectivamente. Isso também se traduz em uma maior segurança energética, ou seja, no
adequado atendimento dessa demanda (ALVES, 2023).
A eficiência energética consiste na obtenção de um serviço utilizando menos
energia, ou seja, o uso racional do recurso (COSTA, ANDRADE JÚNIOR, 2021). Seu
alcance depende de medidas de melhoria de produtos e processos envolvidos tanto na
produção quanto na demanda (IEA, 2014). Pode ser promovida tanto por fatores técnicos,
como melhoria na tecnologia, quanto a fatores não técnicos, relacionados a alterações na
gestão organizacional e no comportamento (WORLD ENERGY COUNCIL, 2010). A
aplicação dos conhecimentos da engenharia, economia e administração na análise de
sistemas energéticos permite a promoção da eficiência energética (MARQUES; HADDAD;
GUARDIA, 2007).
De acordo com Kruger et. al (2011), instituições de ensino são centros responsáveis
pela transmissão de conhecimento científico e de informações. Nesse sentido, pode
fornecer exemplos práticos de sustentabilidade para a comunidade interna e externa. A
discussão sobre eficiência energética nessas instituições é essencial para contribuir com a
conscientização e disseminação do conhecimento sobre o tema. Isso pode ser proposto
por meio de atividades de ensino, pesquisa e extensão, realizadas tanto em sala de aula
como através da implementação de programas de eficiência energética em suas
instalações. A aplicação, nesse caso, traz benefícios adicionais, como redução de custos
com o consumo de energia. Deve se observar que nesses locais há um elevado consumo
devido a iluminação, utilização de equipamentos de informática e climatização (AREAM,
2013).
Essa preocupação é relevante principalmente quando se trata de instituições
públicas de ensino, que sofrem frequentemente com cortes orçamentários que
comprometem seu funcionamento (MARTINS; RIBEIRO; PAULISTA, 2015; IFCE, 2022). A
implementação da eficiência energética pode contribuir para o equilíbrio das contas
públicas e com a sustentabilidade organizacional, uma vez que impacta na esfera social,
econômica e ambiental (D’ALBUQUERQUE; SILVA; GOMES, 2017).
Dessa forma, é importante que seja realizada uma avaliação de como o tema
eficiência energética tem sido tratado e aplicado em instituições de ensino e quais os
impactos que essa discussão tem causado na própria instituição, em seus usuários e na
sociedade. Assim, o objetivo deste artigo é realizar um levantamento de artigos científicos
que apresentem exemplos de abordagens de análise, implementação e conscientização,
além de possíveis melhorias sugeridas e aplicadas para contribuir com a eficiência
energética em instituições de ensino. Isso possibilita nortear trabalhos atuais e futuros,
fornecendo informações e oportunidades de atuação para cooperar com uma sociedade
mais consciente e ativa com relação ao seu papel na sustentabilidade.
2 PROGRAMAS NACIONAIS DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
A crise do petróleo, ocorrida na década de 70, motivou muitas das medidas de
eficiência energética aplicadas ao redor do mundo. A partir dessa crise, diversos países
industrializados se empenharam para captar recursos financeiros para financiar atividades
e projetos voltados para eficiência energética (SOUZA; GUERRA; KRUGGER, 2011).
O Brasil se tornou referência internacional relacionado a programas de eficiência
energética devido a sua coerência de programas nacionais que combinam adesão
voluntária com legislação compulsória (SOUZA et al., 2009). Visando promover a eficiência
energética, há diversos programas com iniciativas voltadas para incentivar o uso racional
de energia e minimizar o desperdício, sendo fundamental para o desenvolvimento
sustentável do país, com impacto não somente ambiental, mas também social e econômico.
A Figura 1 apresenta uma linha do tempo com as principais iniciativas nacionais.
Figura 1 - Linha do tempo de criação de iniciativas de eficiência energética
Fonte: Autoria própria
Uma das iniciativas pioneiras voltada para combater a crise do petróleo foi o
Programa Nacional de Álcool (Proálcool), lançado em 1975. De acordo com Nascimento
(2015), esse programa surgiu em decorrência da busca pela diversificação das fontes
energéticas e tinha como foco principal a substituição da gasolina pelo álcool.
Ressaltando a importância de implementar políticas que incentivassem a eficiência
energética e reduzir o consumo excessivo de energia, o governo brasileiro criou em 1984
o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE). Coordenado pelo Instituto Nacional de
Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), o PBE tem como objetivo instruir os
consumidores sobre informações relevantes dos produtos, considerando características de
desempenho dos mesmos, e avaliar o consumo de energia dos equipamentos (GOMES et
al., 2019). Por meio da melhoria contínua, o PBE visa otimizar o processo de qualidade dos
equipamentos eletrodomésticos, atuando através de etiquetas informativas sobre a
eficiência energética dos produtos, possibilitando que os consumidores possam optar por
produtos com maior eficiência, resultando assim na economia dos custos de energia
(SOUZA et al., 2009).
Em 1985, foi criado o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica
(PROCEL), destinado a combater o desperdício de energia e a promover ações de
eficiência energética nas áreas da economia (NASCIMENTO, 2015). O PROCEL utiliza
recursos da Eletrobrás, empresa que executa o programa, da Reserva Global de Reversão
(RGB) e de fundos internacionais para destinar a projetos de eficiência energética. Com
isso, são desenvolvidos subprogramas que se destacam nas áreas de iluminação pública,
gestão energética, desenvolvimento tecnológico e outros segmentos que incentivam a
adoção de projetos com a mesma finalidade (SOUZA et al., 2009). Após a criação do
PROCEL, foram introduzidos outros programas como o PROCEL NA INDÚSTRIA, o
PROCEL – EDIFICA e o SELO PROCEL, que tem como finalidade sinalizar os produtos
que são considerados eficientes, diferenciando índices de eficiência energética
categoricamente (PROCEL, 2011).
Outro programa existente é o Programa Nacional da Racionalização do Uso dos
Derivados do Petróleo e do Gás Natural (CONPET), uma iniciativa do Ministério de Minas
e Energia (MME) e coordenada pelos representantes do Governo Federal. O CONPET foi
criado com o intuito de promover a utilização racional de fontes de energia não renováveis
em diversos setores, a fim de disseminar o uso do gás natural como combustível, reduzir o
consumo do diesel, além de introduzir uma educação sustentável e consciente no uso dos
recursos naturais (POVEDA, 2007).
Além de muitos programas, existem leis e decretos que reforçam o apoio a
introdução de medidas para a racionalização de energia e a melhoria do uso das fontes
energéticas. A Lei n° 9.478 de 6 de agosto de 1997, que instituiu o Conselho Nacional de
Política Energética (CNPE), define em seu artigo 1º a proteção do meio ambiente e a
conservação da energia como um dos princípios estabelecidos. O CNPE também tem como
atribuição a promoção do aproveitamento de recursos energéticos do país, de forma
racional e eficaz (NASCIMENTO, 2015).
A Lei n° 10.295, de 17 de outubro de 2001, conhecida popularmente de “Lei da
Eficiência Energética”, tinha como objetivo inicial a preservação ambiental e estabelecer o
controle na destinação de insumos energéticos. Por meio do decreto n°4.059/2001 passou
a ser responsável pelos indicadores máximos ou mínimos de eficiência energética em
aparelhos fabricados ou distribuídos no Brasil (BRASIL, 2001).
A Lei nº 11.465, de 28 de março de 2007, foi criada a fim de exigir que
concessionárias de energia invistam parte da receita em eficiência energética e pesquisa
científica. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é responsável por fiscalizar
essas ações para reduzir o consumo de energia e promover tecnologias eficientes (BRASIL,
2007).
No que diz respeito a busca e implementação da eficiência energética em instituições
de ensino de forma mais específica, uma iniciativa interessante foi realizada pela Agência
Regional da Energia e Ambiente da Região Autónoma da Madeira (AREAM), que
desenvolveu um guia para as escolas disseminando estratégias para melhoria da eficiência
energética em suas instalações, de modo a contribuir para a redução do custo de energia
e redução de impactos ambientais (AREAM, 2013).
Tendo conhecimento de muitos programas e leis que promovem à eficiência
energética, fica evidente o apoio e o incentivo nacional para a propagação dessas medidas
e sua importância para o meio ambiente e a sociedade. Instituições, sejam de qualquer
setor, que participam e implementam essas iniciativas, além de regularizar a atuação junto
aos órgãos legisladores e fiscalizadores, promovem melhorias em seus processos e
produtos, redução de custos e desperdícios, economia de tempo e, de forma direta ou
indireta, conscientização sobre sustentabilidade.
3 METODOLOGIA
Para o atendimento do objetivo proposto neste trabalho, foi realizado um
levantamento bibliográfico sobre o estudo e aplicação da eficiência energética em
instituições de ensino no Brasil. A pesquisa bibliográfica consiste em investigar as
publicações que tratam de determinado objeto de estudo, permitindo a avaliação do estado
da arte. Possibilita a verificação dos resultados de obras já publicadas e a construção de
novas possibilidades de pesquisa para atualizar o tema (SOUSA; OLIVEIRA; ALVES,
2021).
A revisão bibliográfica é o primeiro passo de uma pesquisa científica (SOUSA,
OLIVEIRA, ALVES, 2021) e se baseia em outras produções, como artigos e livros, que
apresentam conhecimentos relevantes sobre o tema (GONÇALVES, 2020). Essa
investigação é realizada como forma de catalogar os trabalhos realizados, permitindo uma
comparação e análise com um novo enfoque e possibilitando, inclusive, obter novos
resultados (GIL, 2002).
O presente trabalho foi dividido em quatro etapas principais, realizado conforme o
ilustrado na Figura 2. Na primeira etapa foi definido o tema principal, eficiência energética,
e sua aplicação, instituições de ensino.
Figura 2 - Etapas de execução do trabalho
Fonte: Autoria própria
A segunda etapa consistiu na procura por material bibliográfico dentro do tema
proposto. A busca foi realizada na base de dados Google Acadêmico utilizando as
seguintes combinações de palavras como palavras-chave: “eficiência energética na escola”
e “eficiência energética na universidade”.
Como critério de inclusão, foram avaliados apenas os artigos publicados em revistas
científicas desde o ano de 2023 até atualmente. O objetivo desse critério foi identificar as
pesquisas que têm sido desenvolvidas no último ano e com isso observar o andamento e a
atualização da discussão sobre esse tema. Também foram estabelecidos critérios de
exclusão, considerando apenas os artigos que correspondiam ao tema e aplicação objeto
de estudo, ou seja, eficiência energética em instituições de ensino. Além disso, foi
selecionada uma amostra de quatro artigos por palavra-chave, seguindo a ordem de
relevância definida pelo Google Acadêmico. Assim, a busca resultou em 8 artigos
envolvendo diferentes abordagens de estudo e aplicação da eficiência energética em
instituições de ensino.
Foram selecionados artigos lançados desde 2023 para garantir que a análise dos
estudos sobre eficiência energética esteja alinhada com metodologias recentes. Esse
método em pesquisas bibliográficas é essencial para assegurar a relevância e a precisão
das informações, considerando que descobertas científicas e tecnológicas avançam
rapidamente, e os estudos mais atuais refletem as práticas, teorias e dados mais novos,
permitindo que as pesquisas se baseiem em evidências atualizadas. Além disso, os estudos
mais recentes costumam abordar as limitações das pesquisas anteriores, oferecendo uma
compreensão mais completa e avançada do tema.
A etapa seguinte foi a realização da leitura dos artigos encontrados, buscando
responder as seguintes perguntas: qual o tipo de instituição de ensino foi aplicado o estudo?
quais foram as medidas propostas para contribuir com a discussão da eficiência
energética? Quais foram os impactos da pesquisa para a instituição e sociedade?
Dessa forma, foi realizada uma análise qualitativa dos artigos, em busca de detalhes
a respeito da metodologia utilizada e resultados obtidos, de modo a exemplificar a forma
como a eficiência energética tem sido tratada na teoria e prática nas instituições de ensino.
Com isso, foi possível identificar lacunas e possibilidades de trabalhos futuros dentro desse
assunto, resultando na última etapa de desenvolvimento deste trabalho.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram executadas as etapas de desenvolvimento deste trabalho e aplicados os
critérios para seleção dos artigos científicos, conforme estabelecido na metodologia. Os
títulos dos trabalhos consultados, autores e ano de publicação estão listados no Quadro 1.
Quadro 1 - Lista de artigos consultados com autor e ano de publicação
Título do artigo Autores e ano de publicação
Análise da aplicação de políticas setoriais voltadas Colombo, Trigoso e Benedito, 2023.
à eficiência energética e à geração distribuída na
Universidade Federal do ABC
Avaliação da eficiência energética, econômica e Ucker et al., 2023.
ambiental da substituição de lâmpadas
fluorescentes por LED em uma Instituição de
ensino – um estudo de caso
Extensão universitária na pandemia: tecnologias Souza et al., 2023.
digitais para o ensino de eficiência energética e
proteção climática
Estudo de viabilidade para substituição de Gonçalves et al., 2023.
monitores com tecnologia CRT e LCD por LED
Análise de eficiência energética em luminárias Souza et al., 2023.
Proposta de eficiência energética para a escola Pangoni e Barbosa, 2023.
técnica SENAI de Ribas do Rio Pardo - MS
Metodologias ativas: uma prática no ensino da Carvalho et al., 2023.
eficiência energética
Building automation using programmable logic Freitas et al., 2023.
controllers to contribute to energy efficiency in an
academic unit at UEA
Fonte: Autoria própria
Entre os artigos presentes na amostra considerada, percebeu-se que a maioria dos
estudos foram voltados para universidades (50%), mas também esteve presente em
institutos ou escolas técnicas (37%) e, em menor proporção, colegial (13%), conforme
ilustrado na Figura 3. Isso demonstra que pode estar ocorrendo uma menor ênfase às
iniciativas de implementação e conscientização da eficiência energética nesse nível de
ensino e instituição, o que pode comprometer com o desenvolvimento da mentalidade
sustentável desde os primeiros anos de estudo.
Figura 3 - Tipos de instituição de ensino objeto de estudo nos artigos consultados
colegial
13%
universidade
50%
instituto ou
escola
técnica
37%
Fonte: Autoria própria
Enquanto alguns dos artigos consultados foram desenvolvidos com o objetivo de
implementar ou simular a implementação de políticas de eficiência energética em
instituições de ensino, outros foram voltados para conscientização e aumento de
entendimento da comunidade sobre o tema. Com relação as metodologias aplicadas,
percebeu-se que foram variadas, apresentando estudos de caso, pesquisa de opinião,
coleta de dados, simulação, aplicação de metodologias ativas no ensino, entre outras
formas de execução e análise.
Ucker et al. (2023) avaliaram em uma instituição técnica de ensino a influência das
lâmpadas utilizadas para a eficiência energética, econômica e ambiental. Foi realizada uma
comparação de lâmpadas LED com lâmpadas fluorescentes, observando que enquanto as
lâmpadas LED apresentavam maior eficiência, a iluminância diminuía, porém no caso
estudado não foi necessário aumentar o número de lâmpadas uma vez que não afetou as
necessidades das instalações. Além disso, ressaltou o impacto prejudicial da radiação
ultravioleta emitida pelas lâmpadas fluorescentes e a preocupação com o descarte, uma
vez que nestas há a presença de mercúrio. Com base na estimativa de uso mensal,
verificou-se que a utilização de lâmpadas LED promoveria uma economia de 43,75% no
consumo de energia e 35,17% no custo de manutenção em relação ao uso de lâmpadas
fluorescentes.
Um estudo similar foi desenvolvido por Colombo, Trigoso e Benedito (2023). Estes
analisaram, através de dados e simulações analíticas e computacionais, a aplicação de
políticas de eficiência energética em uma universidade, como o uso de geração distribuída
fotovoltaica e a implementação do retrofit do sistema de iluminação, que consiste na
substituição das lâmpadas fluorescentes por LED. A utilização da geração distribuída
resultou em uma economia com energia de 9,75% e a aplicação das lâmpadas LED uma
economia de energia de 47,05%, resultando, como consequência, em uma economia
financeira significativa. Segundo os autores, os resultados econômicos obtidos podem
incentivar outras instituições de ensino a aplicarem as medidas propostas.
Souza et al. (2023) buscaram avaliar, através de um equipamento denominado Start
Source e do software Source, o consumo de energia no uso de uma lâmpada fluorescente
e de uma lâmpada LED em um laboratório de uma universidade, observando que as
lâmpadas de LED permitiram uma economia no consumo de eletricidade, assim como no
seu custo que nesse caso chegou a 56% em relação ao uso de lâmpadas fluorescentes.
Essa iniciativa, ressaltam os autores, além de diminuir o consumo de energia elétrica
contribui com a sustentabilidade uma vez que a menor necessidade de energia elétrica
reduz a emissão de dióxido de carbono.
Gonçalves et al. (2023) verificaram o impacto da substituição de monitores CRT e
LCD por LED em uma universidade. Para isso, foi realizado um levantamento a quantidade
de monitores de cada tecnologia e o consumo mensal equivalente, observando que com a
substituição por LED resulta em uma economia de 28,08% do custo com eletricidade. Foi
verificada também a viabilidade econômica da substituição desses monitores, que não foi
alcançada para o objeto de estudo considerando a vida útil prevista desses aparelhos e o
valor necessário de investimento. Foi proposto que, à medida que seja necessária a
substituição dos aparelhos, priorizar o da tecnologia LED e assim ir realizando essa
permuta para uma tecnologia mais sustentável. Os benefícios da tecnologia LED em
monitores foram destacados na Figura 4, presente no artigo.
Figura 4 - Características da tecnologia LED
Fonte: Gonçalves et al., 2023.
A pesquisa realizada por Pangoni e Barbosa (2023) foi promovida em uma escola
técnica e profissionalizante e focou na otimização de sistemas de ar-condicionado para
reduzir o consumo de energia. Os pesquisadores identificaram que os aparelhos de ar-
condicionado estavam superdimensionados, causando desconforto térmico e consumo
excessivo. Recalculando a carga térmica e substituindo os equipamentos por modelos mais
eficientes, conseguiram reduzir a carga térmica em 43,28% e o consumo mensal de energia
em mais de 30%. A pesquisa aumentou a conscientização sobre sustentabilidade, gerou
economia de custos e melhorou a infraestrutura. O impacto do programa se estende à
sociedade, promovendo a conservação de energia e a adoção de práticas sustentáveis,
servindo como exemplo para outras instituições.
Freitas et al. (2023) em sua análise de consumo de energia elétrica em uma
universidade revelou um aumento considerável durante o segundo semestre letivo em
comparação com o primeiro. Foi identificado que a iluminação e a climatização das salas
de aula, que são acionadas de forma manual, podem levar a um uso inapropriado de
energia. Um estudo realizado com estudantes e professores indicou que a maioria está
preocupada com o desperdício de energia e apoia a implementação de sistemas mais
eficientes. Foi desenvolvido um modelo inicial de sistema de gestão de energia que utiliza
CLP, IHM e a assistente de voz Alexa, integrando um controle inteligente e sensores de
presença para otimizar o consumo de energia e melhorar a eficiência energética nas salas
de aula. Este estudo contribuiu para a redução de despesas, aumentou a conscientização
sobre eficiência energética e inovou a gestão de eletricidade. Além de promover práticas
mais sustentáveis, também incentivou a adoção de tecnologias inovadoras.
No artigo desenvolvido por Carvalho et al. (2023) foi discutido o uso de metodologias
ativas no ensino da eficiência energética, aplicando a metodologia com a utilização de
problemas reais do mercado de trabalho na disciplina de Fontes Alternativas e Eficiência
Energética do curso técnico integrado de Eletrotécnica de um instituto federal,
argumentando que elas são mais eficazes do que métodos tradicionais. Esse estudo
destaca exemplos de como essas abordagens foram aplicadas em sala de aula, através de
estudos de caso e projetos práticos envolvendo pesquisa de informações adicionais sobre
eficiência energética, acesso a sites educacionais e compartilhamento de materiais de
estudo, resultando em maior engajamento dos alunos, participação nas aulas e
desenvolvimento de habilidades práticas. Eles enfatizam a importância de conectar o
ensino com desafios do mundo real e concluem que as metodologias ativas melhoram a
compreensão e a motivação dos alunos.
Na pesquisa de Souza et al. (2023), realizada por alunos de uma universidade, foi
aplicada em duas escolas da rede pública, em turmas de sexto e sétimo ano, com o intuito
de conscientizar os estudantes sobre a importância do uso racional de energia e da
proteção climática. Foi implementado um minicurso utilizando a plataforma Google for
Education, com aulas síncronas via Google Meet e utilizando materiais como cartilhas e um
jogo digital sobre energia e emissões. Os alunos foram convidados a refletir sobre os temas
estudados e propor ações para reduzir o consumo de energia em suas casas ou escolas.
Essas medidas contribuíram para um ambiente de aprendizado participativo, onde fica
perceptível a importância da parceria universidade e escola, promovendo o ensino de
diversos temas, como a educação ambiental. Resultou, assim, em um maior interesse dos
alunos e uma melhor compreensão dos temas abordados, além de incentivar os alunos a
adotarem práticas sustentáveis, como o uso racional de energia.
Como pode ser observado na Figura 5, foram propostas diferentes formas de lidar
com o assunto.
Figura 5 - Principais medidas de eficiência energética propostas nos artigos consultados
Execução de
Implementação de
Utilização de minicurso
monitores LED
controladores e 11%
11%
tecnologias
inteligentes
11%
Aplicação de
Implementação de
energias
lâmpadas LED
alternativas
34%
11%
Utilização de
metodologias
ativas no ensino Otimização de sistema de ar
11% condicionado…
Fonte: Autoria própria
Com base nos trabalhos mencionados, pode-se perceber as diferentes abordagens
utilizadas para discutir eficiência energética em instituições de ensino, algumas atuando no
ensino, outras na pesquisa e outras na extensão ou aplicação prática. A principal iniciativa
tratada na amostra de artigos considerada foi a de atuar na iluminação das instituições,
ressaltando a tecnologia LED como forma de contribuir para a sustentabilidade em suas
esferas econômicas, ambiental e social.
De qualquer forma, todas iniciativas possibilitam, como impacto positivo, o aumento
de conscientização dos usuários das instalações e a disseminação de conhecimento sobre
eficiência energética. É importante que estudos similares, envolvendo ensino, pesquisa e
extensão, continuem sendo desenvolvidos para que a sociedade compreenda cada vez
mais do que se trata a eficiência energética e como cada um pode contribuir para um mundo
sustentável. As instituições de ensino, nesse sentido, apresentam papel fundamental de ser
uma ponte para tornar acessível o conhecimento e a conscientização.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Dado o exposto, pode-se concluir que a busca pela eficiência é fundamental em
qualquer cenário, pois além de otimizar os recursos disponíveis, resulta na redução do
desperdício de energia. Dessa forma, aderir e incentivar a busca pela eficiência energética,
implementando medidas sustentáveis, são ações cruciais para garantir a disponibilidade de
recursos naturais, além de promover melhorias na economia e garantir qualidade de vida
através da redução do consumo de energia.
Nesse eixo, uma medida relevante a ser adotada é promover a discussão sobre
eficiência energética nas instituições de ensino, disseminando, assim, informações acerca
do assunto e proporcionando uma troca mútua de ideias e propostas para contribuir com a
redução do uso excessivo de energia nestas instituições, diminuindo o impacto ambiental
e ampliando a conscientização dos alunos, funcionários e sociedade quanto a suas
responsabilidades sociais.
Conforme analisado nesse trabalho, os estudos sobre leis e incentivos de programas
nacionais de eficiência energética servem para validar a importância da implementação de
medidas sustentáveis no meio social e traz à tona os benefícios evidentes ao inserirmos
essas medidas em instituições de ensino. A disseminação de informações sobre eficiência
energética nesse meio contribui para um ambiente de aprendizado participativo, promove
o estímulo do ensino sobre educação ambiental, além de incentivar os usuários das
instalações a adotarem práticas sustentáveis, como o uso racional de energia. É importante
que essas iniciativas continuem a envolver atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Com relação a possibilidades de trabalhos futuros, observou-se, com a análise da
amostra dos artigos científicos consultados, que é importante direcionar os estudos de
eficiência energética não só para as universidades, mas também para institutos técnicos,
escolas e colégios, com atividades e análises adequadas a cada nível. Além disso, é
importante que as instituições percebam a importância de implementar de fato as medidas
propostas e com isso ter acesso real a seus benefícios ambientais e econômicos. Um maior
debate e disseminação de informação para a comunidade externa também é um
significativo fator de conscientização, podendo, para isso, disponibilizar cursos, palestras e
outras atividades.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará,
campus Quixadá, pelo fornecimento de meios para execução desse estudo. Agradecemos
também ao Grupo de Pesquisa em Engenharia de Produção e Gestão – GEProG.
REFERÊNCIAS
ALVES, Íngrid Heloisa da Silva. SOARES, Jéssica Bárbara da Silva. Fundamentos da
energia mecânica hidráulica e sua aplicação. Fortaleza: EDIFCE, 2023
AREAM – Agência Regional da Energia e Ambiente da Região Autônoma da Madeira. Guia
para a Eficiência Energética e a Qualidade do Ar Interior na Escola. 2013. 48 p.
BRASIL. Lei nº 10.295, de 17 de outubro de 2001. Dispõe sobre política nacional de
conservação e uso racional de energia. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil,
Brasília, DF, 18 out. 2001. Seção 1, p. 1.
BRASIL. Lei nº 11.465, de 28 de março de 2007. Altera os incisos I e III do caput do art.
1o da Lei no 9.991, de 24 de julho de 2000, prorrogando, até 31 de dezembro de 2010, a
obrigação de as concessionárias e permissionárias de serviços públicos de distribuição de
energia elétrica aplicarem, no mínimo, 0,50% (cinquenta centésimos por cento) de sua
receita operacional líquida em programas de eficiência energética no uso final. Diário Oficial
[da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 28 mar 2007. Seção 1, p. 1.
CARVALHO, Roseanne Santos de et al. Metodologias ativas: uma prática no ensino da
eficiência energética. Revista Expressão Científica (REC), v. 8, n. 1, p. 76-87, 2023.
COLOMBO, João Vitor Silva; TRIGOSO, Federico Bernardino Morante; BENEDITO,
Ricardo da Silva. Análise da aplicação de políticas setoriais voltadas à eficiência energética
e à geração distribuída na Universidade Federal do ABC. Revista Tecnologia e
Sociedade, v. 19, n. 55, p. 1-20, 2023.
COSTA, Juliana dos Santos; ANDRADE JUNIOR, Luiz Mauricio Lopes de. Eficiência
energética aplicada ao consumo de eletricidade: Um estudo de revisão bibliográfica.
Research, Society and Development, v. 10, n. 4, p. e26210414085-e26210414085, 2021.
D'ALBUQUERQUE, Marcos Alexandre Nunes; DA SILVA, Ricardo Moreira; GOMES, Maria
de Lourdes Barreto. Eficiência energética em uma edificação pública: uma análise das
possibilidades. Sistemas & Gestão, v. 12, n. 4, p. 462-470, 2017.
FREITAS, Lucas Souza de et al. Building automation using programmable logic controllers
to contribute to energy efficiency in an academic unit at UEA: Automação predial utilizando
controladores lógicos programáveis para contribuir com a eficiência energética em uma
unidade acadêmica da UEA. Concilium, v. 23, n. 6, p. 232-243, 2023.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GOMES, Adjeferson Custódio et al. Programa brasileiro de etiquetagem: breve panorama.
2019. Disponível em: <
[Link] Acesso em 2 jun.
2024.
GONÇALVES, Jonas Rodrigo. Como elaborar uma resenha de um artigo acadêmico ou
científico. Revista JRG de Estudos Acadêmicos. Ano III, Vol. III, n.7, jul.-dez., p.95-107,
2020.
GONÇALVES, Júnior et al. Estudo de viabilidade para substituição de monitores com
tecnologia CRT e LCD por LED. Revista Acta Ambiental Catarinense, v. 20, n. 1, p. 01-
10, 2023.
IEA – INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Capturing the Multiple Benefits of Energy
Efficiency. Paris: IEA, 2014.
IFCE. Conif emite nota sobre corte orçamentário nos recursos da Rede Federal. 2022.
Disponível em: < [Link]
nos-recursos-da-rede-federal>. Acesso em 17 maio 2024.
KRUGER, Silvana Dalmutt et al. Gestão ambiental em Instituição de Ensino Superior-Uma
análise da aderência de uma instituição de ensino superior comunitária aos objetivos da
agenda ambiental na administração pública (A3P). Revista Gestão Universitária na
América Latina-GUAL, v. 4, n. 3, p. 44-62, 2011.
LIMA, Gabriela Marcomini. Fontes alternativas de energia. Londrina: Editora e
Distribuidora Educacional S.A., 2017. 192 p.
MARQUES, Milton César Silva. HADDAD, Jamil. GUARDIA, Eduardo Crestana. Eficiência
energética: teoria & prática. Universidade Federal de Itajubá: FUPAI, 2007.244 p.
MARTINS, Igor Gonçalves; RIBEIRO, José Renato; PAULISTA, Paulo Henrique. Aplicação
de Ferramentas da Qualidade para Redução de Desperdício de Energia em uma Instituição
Pública Federal. Revista Científic@ Universitas, v. 3, n. 2, 2015.
NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Sobre o nosso trabalho para alcançar os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável no Brasil. [s/d]. Disponível em: <[Link]
br/sdgs>. Acesso em 17 maio 2024.
NASCIMENTO, RODRIGO L. Política de eficiência energética no Brasil. Brasília:
Consultoria Legislativa, 2015. Disponível em: <
[Link]
Acesso em 02 jun. 2024.
PANGONI, Fabricio; BARBOSA, Andrea Teresa Riccio. Proposta de eficiência energética
para a escola técnica SENAI de Ribas do Rio Pardo-MS. Latin American Journal of
Energy Research, v. 10, n. 1, p. 33-45, 2023.
POVEDA, Mentor. Eficiencia energética: recurso no aprovechado. OLADE. Quito, 2007.
Disponível em: < [Link] Acesso
em 2 jun. 2024.
SOUSA, Angélica Silva de; OLIVEIRA, Guilherme Saramago de; ALVES, Laís Hilário. A
pesquisa bibliográfica: princípios e fundamentos. Cadernos da FUCAMP, v. 20, n. 43,
2021.
SOUZA, Andréa de; GUERRA, Jorge Carlos Correa; KRUGER, Eduardo Leite. Os
programas brasileiros em eficiência energética como agentes de reposicionamento do setor
elétrico. Revista Tecnologia e Sociedade, v. 7, n. 12, p. 1-7, 2011.
SOUZA, Caique Movio Pereira de et al. Análise de eficiência energética em
luminárias. Revista Sinergia, v. 24, n. 1, 2023.
SOUZA, Hamilton Moss de et al. Reflexões sobre os principais programas em eficiência
energética existentes no Brasil. Revista Brasileira de energia, v. 15, n. 1, p. 1o, 2009.
SOUZA, Ruana Tomaz de et al. Extensão universitária na pandemia: tecnologias digitais
para o ensino de eficiência energética e proteção climática. Educação e Pesquisa, v. 49,
p. 1-21, 2023.
UCKER, Fernando et al. Avaliação da eficiência energética, econômica e ambiental da
substituição de lâmpadas fluorescentes por led em uma instituição de ensino–um estudo
de caso. Enciclopedia Biosfera, v. 20, n. 46, p. 45-58, 2023.
WORLD ENERGY COUNCIL - WEC. Energy efficiency: a recipe for success. London.
2010.
ENERGY EFFICIENCY IN EDUCATIONAL INSTITUTIONS IN BRAZIL: A
LITERATURE REVIEW
Abstract: Energy efficiency involves the rational use of this resource and is directly related
to sustainable development. Educational institutions are centers responsible for the
transmission of scientific knowledge and information, and, as such, can provide practical
examples of sustainability to both internal and external communities. This study aims to
examine how the topic of energy efficiency has been addressed and applied in educational
institutions and the impacts this discussion has had on the institutions themselves, their
users, and society. To achieve this, a survey of scientific articles published in journals since
2023 was conducted, presenting examples of analysis approaches, implementation, and
awareness, as well as potential improvements suggested and applied to contribute to energy
efficiency in educational institutions and the sustainability debate. It is evident that different
approaches are used to discuss energy efficiency, some focusing on teaching, others on
research, and still others on extension or practical application. The dissemination of
information about energy efficiency in this environment contributes to a participatory learning
atmosphere, promotes the teaching of environmental education, and encourages facility
users to adopt sustainable practices, such as the rational use of energy.
Keywords: sustainability, energy management, clean energy, educational institution.