TERAPIAS HORMONAIS E NÃO HORMONAIS NA MENOPAUSA:
INDICAÇÕES, RISCOS E BENEFÍCIOS
OBJETIVOS DA ATIVIDADE
O objetivo deste relatório é realizar uma análise abrangente das terapias
hormonais e não hormonais disponíveis para o manejo dos sintomas da menopausa.
Serão abordadas as indicações clínicas para cada tipo de terapia, os potenciais riscos
e os comprovados benefícios, visando fornecer um panorama atualizado que auxilie
na tomada de decisão informada para a mulher climatérica e os profissionais de
saúde.
INTRODUÇÃO
A menopausa é um marco fisiológico na vida da mulher, caracterizada pela
cessação permanente das menstruações devido à perda da função folicular ovariana,
resultando na diminuição drástica dos níveis de estrogênio. Essa transição hormonal
pode desencadear uma série de sintomas vasomotores (ondas de calor, suores
noturnos), psicológicos (distúrbios do sono, ansiedade, depressão), urogenitais
(ressecamento vaginal, disúria, disfunção sexual) e musculoesqueléticos (perda de
massa óssea). O manejo desses sintomas e a prevenção de condições crônicas
associadas à deficiência estrogênica são cruciais para a qualidade de vida da mulher.
Para isso, diversas opções terapêuticas, tanto hormonais quanto não hormonais,
estão disponíveis, cada uma com suas indicações específicas, perfil de riscos e
benefícios que devem ser cuidadosamente avaliados.
DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES
A elaboração deste relatório baseou-se em uma pesquisa bibliográfica extensiva,
utilizando bases de dados como PubMed, Scielo e Google Scholar. Os termos de
busca incluíram "terapia hormonal menopausa", "THM", "terapias não hormonais
menopausa", "indicadores menopausa", "riscos e benefícios THM" e "manejo
sintomas menopausa". Foram priorizados artigos de revisão sistemática, ensaios
clínicos randomizados, diretrizes de sociedades médicas e consensos internacionais
publicados nos últimos anos, a fim de garantir a atualização das informações sobre as
práticas clínicas recomendadas. A coleta de dados focou nas formulações das
terapias, mecanismos de ação, principais indicações, contraindicações, evidências
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sobre eficácia, perfil de segurança e possíveis efeitos adversos, comparando as
diferentes abordagens terapêuticas.
Os principais tipos de terapias para menopausa e seus aspectos serão
detalhados:
TERAPIAS HORMONAIS DA MENOPAUSA (THM)
A THM consiste na reposição de estrogênios, isolados ou combinados com
progestagênios, para aliviar os sintomas da deficiência estrogênica.
• Indicações: Alívio de sintomas vasomotores moderados a graves, prevenção e
tratamento da osteoporose pós-menopausa, tratamento da síndrome geniturinária da
menopausa (SGM) e, em casos selecionados, para prevenção primária de doenças
cardiovasculares em mulheres jovens na menopausa (< 60 anos ou < 10 anos de
menopausa).
• Tipos:
• Estrogênio isolado: Indicado para mulheres histerectomizadas.
• Estrogênio + Progestagênio: Indicado para mulheres com útero intacto para
proteger o endométrio da hiperplasia.
• Vias de administração: Oral, transdérmica (adesivo, gel, spray), vaginal (creme,
anel, óvulo).
• Benefícios: Redução eficaz dos fogachos e suores noturnos, melhora da
qualidade do sono e do humor, prevenção da osteoporose e fraturas, melhora da SGM
e da função sexual.
• Riscos: Aumento do risco de tromboembolismo venoso (TEV), câncer de mama
(especialmente com THM combinada de longa duração), acidente vascular cerebral
(AVC) e doença da vesícula biliar. Esses riscos são dependentes da dose, via de
administração, duração do uso e idade de início.
• Contraindicações: Câncer de mama (história pessoal ou atual), câncer de
endométrio, sangramento vaginal não diagnosticado, doença tromboembólica ativa ou
prévia, doença hepática grave.
TERAPIAS NÃO HORMONAIS
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Incluem opções farmacológicas e não farmacológicas para o alívio de sintomas
da menopausa.
• Indicações: Mulheres com contraindicações à THM, que preferem evitar
hormônios, ou que apresentam sintomas leves a moderados.
• Farmacológicas:
• ISRS/IRSN (Antidepressivos): Baixas doses de paroxetina, venlafaxina,
desvenlafaxina para sintomas vasomotores e distúrbios de humor.
• Gabapentina: Eficaz para fogachos, especialmente noturnos.
• Ospemifeno: Modulador Seletivo do Receptor de Estrogênio (SERM) para
tratamento de dispareunia moderada a grave.
• Fezolinetante: Antagonista do receptor de neuroquinina 3 (NK3), um novo
tratamento para sintomas vasomotores.
• Não Farmacológicas:
• Modificações no estilo de vida: Dieta balanceada, exercícios físicos regulares,
cessação do tabagismo, limitação do consumo de álcool e cafeína.
• Técnicas de relaxamento: Yoga, meditação, acupuntura.
• Fitoestrogênios/Suplementos: Isoflavonas de soja, black cohosh (eficácia
variável e limitada).
• Hidratantes e lubrificantes vaginais: Para alívio da SGM.
• Benefícios: Alívio dos sintomas vasomotores e psicológicos sem os riscos
associados à THM. Melhora da qualidade de vida geral e bem-estar.
• Riscos: Efeitos colaterais específicos de cada medicamento (ex: náuseas,
tontura com ISRS/IRSN), interações medicamentosas. Fitoestrogênios têm eficácia
limitada e dados de segurança de longo prazo menos robustos.
A descrição dessas terapias visa fornecer um comparativo detalhado para
auxiliar na decisão terapêutica.
RESULTADOS
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A revisão da literatura demonstrou que tanto as terapias hormonais quanto as
não hormonais possuem um papel fundamental no manejo dos sintomas da
menopausa, com distintos perfis de eficácia e segurança. A THM é a opção mais
eficaz para o alívio dos sintomas vasomotores moderados a graves e para a
prevenção da osteoporose, especialmente quando iniciada em mulheres mais jovens
(período de janela de oportunidade). Contudo, seus benefícios devem ser ponderados
frente aos riscos potenciais, como o aumento do risco de tromboembolismo e câncer
de mama, particularmente com uso prolongado e em populações específicas. As
terapias não hormonais, por sua vez, oferecem alternativas válidas para mulheres com
contraindicações à THM ou que optam por abordagens não hormonais, sendo
eficazes para sintomas específicos e com um perfil de segurança geralmente mais
favorável. A escolha da terapia ideal depende de uma avaliação individualizada,
considerando a idade da mulher, tempo desde a menopausa, histórico médico pessoal
e familiar, gravidade dos sintomas e preferências da paciente.
DISCUSSÃO
A decisão sobre a terapia mais adequada para o manejo da menopausa é
complexa e deve ser resultado de uma discussão compartilhada entre a mulher e seu
médico. A THM permanece como o tratamento mais eficaz para sintomas
vasomotores e atrofia geniturinária, além de ser a principal terapia para prevenção de
osteoporose em mulheres de alto risco na menopausa precoce. A "janela de
oportunidade" sugere que os benefícios da THM superam os riscos quando iniciada
próxima à menopausa (< 10 anos ou < 60 anos de idade). Contudo, o receio dos riscos
de TEV e câncer de mama levou muitas mulheres e médicos a buscarem alternativas.
As terapias não hormonais, incluindo medicamentos como ISRS/IRSN e gabapentina,
e as modificações no estilo de vida, são opções importantes para muitas mulheres,
especialmente aquelas com sintomas leves a moderados ou com contraindicações à
THM. Novas opções, como o fezolinetante, prometem expandir o arsenal terapêutico
não hormonal com alta eficácia. É crucial que a educação sobre os riscos e benefícios
de todas as opções seja clara e transparente, permitindo que a mulher faça uma
escolha informada que esteja alinhada com seus valores e expectativas de saúde.
CONCLUSÃO
O manejo da menopausa requer uma abordagem individualizada e
multifacetada. As terapias hormonais da menopausa (THM) são altamente eficazes
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para o alívio dos sintomas vasomotores e a prevenção da osteoporose, mas exigem
uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios em cada caso. As terapias não
hormonais oferecem alternativas valiosas, tanto farmacológicas quanto baseadas em
estilo de vida, para mulheres com contraindicações ou preferências pessoais. A
comunicação aberta entre paciente e médico sobre todas as opções disponíveis,
considerando o perfil clínico, as comorbidades e as expectativas da mulher, é
essencial para otimizar o tratamento e promover a saúde e o bem-estar durante a
menopausa.
REFERÊNCIAS
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Atenção Básica. Saúde da mulher: atenção à saúde da mulher no climatério e
menopausa. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. (Cadernos de Atenção Básica,
n. 40).
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da Associação Médica Brasileira, v. 66, supl. 1, p. S21-S26, 2020.
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Terapia Hormonal na Menopausa. São Paulo: SOBRAC, 2020. Disponível em:
[Inserir URL, se houver]. Acesso em: [data de acesso].
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