Evaporação e Evapotranspiração na Hidrologia
Evaporação e Evapotranspiração na Hidrologia
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5 EVAPORAÇÃO E EVAPOTRANSPIRAÇÃO
Do ponto de vista prático e correspondendo àquilo que de facto se pode medir, o que nos
interessa é o excedente da evaporação sobre a condensação. Assim, chamaremos evaporação ao
excedente da transformação líquido → vapor em relação à situação oposta.
A evaporação que se verifica a partir do solo nu depende de um certo número de factores entre
os quais os mais importantes são o estado de humidade do solo, o tipo de solo e a localização da
toalha freática. Se o solo se encontra saturado, a evaporação que lhe corresponde é próxima da
evaporação a partir duma superfície líquida, sugerindo-se multiplicar esta última por 0.9 para se
obter a evaporação a partir do solo.
À medida que o solo vai perdendo a humidade, a água remanescente vai sendo retida com
intensidade crescente por forças de capilaridade e adsorção, dependendo do tipo de solo. A
evaporação torna-se geralmente desprezável depois de se terem evaporado os primeiros 10-15
mm. Se a toalha freática estiver suficientemente alta para que a água possa atingir a superfície do
solo por capilaridade, a evaporação a partir do solo é elevada e semelhante à situação do solo
saturado.
5.1.3 Transpiração
Transpiração é a água perdida pelas plantas através dos estomas (poros) das folhas por
evaporação para a atmosfera. Esta água é substituida pela que a planta vai buscar ao solo através
das raízes.
Numa região em que o solo está revestido de vegetação, é praticamente impossível analisar em
separado a transpiração das plantas e a evaporação a partir do solo, linhas de água e lagoas. Os
dois processos tomados em conjunto designam-se por evapotranspiração.
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Pode-se ficar com uma ideia da importância destes fenómenos considerando o exemplo da
albufeira dos Pequenos Libombos, construida, como se sabe, para reforçar o abastecimento de
água à cidade de Maputo.
Considerando que a albufeira tem uma superfície inundada com uma área média de cerca de 30
km2 e que a evaporação anual na albufeira é de cerca de 1700 mm, então o volume evaporado
anualmente em média é de
Do ponto de vista para a utilização da água para o homem, a evaporação constitui uma perda que
interessa minimizar. Várias vias tem vindo a ser consideradas para este efeito:
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Considere-se o recepiente fechado representado na figura 5.1 e que contém uma certa
quantidade de água a uma dada temperatura. A situação é estável o que se manifesta pelo nível
constante da água. Isto significa que o número de moléculas de água que passa para a fase de
vapor é, em média ao longo de um intervalo de tempo curto, igual ao número de moléculas que
passa da fase de vapor para a fase líquida. Diz-se então que o ar está saturado e não pode conter
mais vapor de água.
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Admitamos agora que no recipiente da figura 5.1 se fez inicialmente o vácuo e depois se
introduziu uma certa quantidade de água. Verifica-se que a água começa imediatamente a
vaporizar. Isto deve-se ao facto de que a força estabilizante das moléculas no seio do líquido,
que é a atracção molecular, é insuficiente para contrariar a forca de repulsão devido a energia
cinética das moléculas. Como é sabido, as moléculas de vapor de água dispõem de maior
energia cinética do que as moléculas de água no estado líquido. Por outro lado, na fase inicial da
vaporização, há muito poucas moléculas gazosas e a pressão de vapor de água é baixa.
Figura 5.1 – Processo físico da evaporação
À medida que a vaporização da água se vai processando, aumenta a pressão de vapor, aumentam
as colisões entre moléculas gasosas e algumas destas, ficando com energia cinética reduzida,
voltam ao estado líquido. A certa altura atinge-se a estabilidade: a evaporação cessa e a pressão
do vapor mantem-se constante. A pressão do vapor não saturado designa-se por e.
Designa-se por tensão do vapor saturado ew a pressão do vapor quando o espaço já não
comporta mais vapor de água. ew aumenta com a temperatura como é fácil de constatar
experimentalmente. Com efeito, se no recipiente fechado onde a evaporação cessou se produzir
um aquecimento, a evaporação reinicia-se e a pressão do vapor aumenta. Isto deve-se ao facto
do aumento da temperatura conduzir a uma aumento da energia cinética das moléculas da água.
A tabela 5.1, adaptada de FAO 1977, dá os valores da tensão do vapor em função da temperatura
do ar, com pressão atmosférica normal.
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a) a radiação solar, que é a principal fonte da energia necessária para a vaporização das
moléculas de água. Por sua vez, a radiação solar é uma função da latitude, dia do ano, hora do
dia e nebulosidade. Outras fontes de energia podem dar um importante contributo local para a
evaporação, por exemplo a entrada num lago de água quente proveniente da refrigeração duma
central térmica.
b) as temperaturas do ar e da água, a pressão atmosférica e a humidade. Todos estes
factores influenciam o défice de saturação. Ora a evaporação é obviamente uma função
crescente do défice de saturação.
c) o vento. Numa situação sem vento, o vapor de água concentrado numa camada da atmosfera
muito próxima da superfície livre da água, camada que se designa por camada evaporante,
atinge o estado de saturação e a evaporação cessa. Para que a evaporação continue, é necessário
que essa camada já saturada seja removida e substituida por ar não saturado. Esse é o papel
desempenhado pelo vento.
A Lei de Dalton, apresentada em princípios do século XIX, diz que a evaporação E varia
linearmente com o défice de saturação do ar [ew(Th) - e(Ts)]:
E = a [ ew(Th) – e(Ts) ]
em que a é uma constante, e é a tensão do vapor não saturado (mbar), ew é a tensão do vapor
saturado (mbar), Th é a temperatura média da camada evaporante, chamada temperatura
húmida (oC) e Ts é a temperatura do ar ambiente, chamada temperatura seca (oC).
A medição directa da tensão do vapor e não é fácil pelo que ela é obtida por via indirecta através
de medição nas estações meteorológicas da humidade relativa U, definida por:
U = e/ew
E = a [ew(Th) - e(Ts)]
Por cada grama de água evaporado, é necessário um número l de calorias, em que l é o calor
latente de vaporização = 590 cal./g. O calor retirado ao líquido pela evaporação seria então:
Qe = ρlE
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A temperatura da camada superficial da água vai baixando até que se atinge o equilíbrio entre a
quantidade de calor Qe que o líquido gasta na evaporação e a quantidade de calor Qh que o meio
ambiente comunica ao líquido.
Qh = b (Ts-Th)
E = cQh = c'(Ts-Th)
Como a tabela 5.1 fornece valores de ew para a pressão atmosférica normal, p = 1000 mbar, a
expressão acima foi modificada para outros valores de p:
p
[ew(Th) - e(Ts)] = A (Ts-Th)
1000
p
e(Ts) = ew(Th) - A (Ts-Th)
1000
U = e/ew = e(Ts)/ew(Ts)
1 p
U = [ ew ( T h ) - A( T s - T h )] (Fórmula do psicrómetro)
ew ( T s ) 1000
Assim, para se determinar U, usa-se um aparelho designado por psicrómetro (figura 5.2) que é
composto por dois termómetros: o termómetro seco, que mede a temperatura do ar ambiente, Ts,
e o termómetro húmido que mede a temperatura da camada evaporante, Th. O termómetro
húmido tem o depósito de mercúrio envolvido por um pano que se mantém constantemente
húmido por ligação com um depósito de água. Obtidos Ts e Th, p é lido num barómetro e ew(Th)
e ew(Ts) são obtidos através da tabela 5.1.
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O factor A chama-se constante do psicrómetro e
depende do tipo e da colocação do aparelho:
Note-se que foi considerada apenas a troca convectiva do calor, Qh, entre o meio ambiente e o
psicrómetro. Como adiante se verá, verifica-se sempre também troca de calor por radiação.
Pode-se evitar a recepção de radiação da atmosfera (de ondas curtas) colocando o psicrómetro
num abrigo. Para evitar a emissão de radiação (de ondas longas) pelo próprio psicrómetro, seria
necessário utilizar um tipo de psicrómetro com 'cortina polida'. A maioria dos psicrómetros em
Moçambique não tem uma tal protecção, razão pela qual se deve contar com um erro de
medição de cerca de 5% para valores normais de humidade.
5.2.1 Introdução
Para a determinação da evaporação em superfícies líquidas existem vários métodos, dos quais os
mais importantes são:
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Este método pode ser utilizado em lagos e albufeiras. A equação do balanço hídrico em termos
de volumes de água escreve-se:
E = I + P - O - ΔS - G,
Desde que todos os termos do 2º membro da igualdade se possam medir com precisão, o método
fornece bons resultados. Normalmente, o termo mais difícil de obter é G (infiltração e
escoamento subterrâneo). Sempre que se estime que G possa tomar valores da mesma ordem de
grandeza que a evaporação, o método do balanço hídrico não deve ser utilizado pois o erro
relativo com que a evaporação é estimada é grande.
Surgem também, por vezes, problemas de ordem prática: nas albufeiras de Cahora- Bassa,
Massingir e Corumana, o regolfo das albufeiras chega à fronteira pelo que uma estação de
medição do volume afluente I teria de ser instalada já num país vizinho com todas as
dificuldades que isso implica. Assim, nessas albufeiras a evaporação é estimada por outros
métodos e o balanço hídrico é utilizado para calcular o volume afluente.
Assim como o balanço hídrico exprime a equação da continuidade aplicada ao volume de água
contido num domínio, o balanço energético exprime a equação da continuidade aplicada à
quantidade de energia num domínio como um lago ou uma albufeira.
• radiação solar
• energia armazenada
• troca de energia entre a água e a atmosfera
• troca de energia entre a água e a terra
• energia gasta na evaporação.
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Considere-se então a figura 5.3 e as seguintes grandezas expressas em cal/cm2: Qs, Qsr, Qlw, Qh,
Qe, Qv e ΔQ. A equação do balanço energético para a água para um dado intervalo de tempo
escreve-se:
Qs - Qsr - Qlw - Qh - Qe + Qv = ΔQ
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Qs é a radiação solar incidente ou radiação global. A quantidade de energia solar que atinge o
topo da atmosfera terrestre chama-se constante solar e designa-se por I0. A tabela 5.2 dá os
valores de I0 em função da latitude e do mês (Dunne e Leopold, 1978). Qs é uma fracção de I0
que, após atravessar a atmosfera, incide sobre a superfície da água e é composta na sua quase
totalidade por radiações com comprimentos de onda entre 0.3 e 3 μm.
Tabela 5.2 Radiação solar média recebida num plano horizontal no limite superior da
atmosfera, I0 (cal/cm2/dia).
Latitude Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
70N - 65 255 540 800 1000 870 670 400 140 5 -
60N 75 205 400 655 860 975 925 750 500 275 110 55
50N 200 350 540 750 910 985 950 820 620 430 155 175
40N 355 490 650 820 880 985 960 870 740 550 395 325
30N 500 620 750 870 945 975 955 900 795 670 540 365
20N 640 725 820 895 930 930 930 900 850 760 660 610
10N 755 820 870 895 885 870 870 885 880 830 770 730
0 855 885 895 870 820 790 795 840 880 885 860 840
10S 930 930 885 810 730 685 705 770 845 900 920 930
20S 985 940 855 740 630 570 595 680 790 900 965 990
30S 1015 930 800 640 505 445 465 575 725 870 985 1030
40S 1020 895 715 525 375 305 335 450 630 810 960 1045
50S 1000 835 620 400 240 175 200 315 505 735 950 1040
A fórmula de Angström é:
n
Qs = I0 (a + b )
N
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n é medido diariamente através dum
heliógrafo (figura 5.4). Este aparelho é
constituido por uma esfera de vidro óptico que
concentra os raios solares sobre uma banda de
papel fotosensível. Quando o sol brilha, a
temperatura no foco é suficiente para
carbonizar o papel o que não acontece com
tempo nublado. O comprimento total de papel
carbonizado indica o número de horas de sol
nesse dia. O Instituto Nacional de
Meteorologia (INAM) dispõe dum grande
número de estações equipadas com heliógrafo.
A partir dos registos de n é possível, por
exemplo, obter valores médios da insolação
em dados períodos do ano.
Figura 5.4 – Heliógrafo
O número máximo possível de horas de insolação num certo intervalo de tempo, N, é função da
latitude e da época do ano. A tabela 5.3 dá os valores mensais de N.
A n/N chama-se insolação relativa. Considera-se que o seu valor é elevado se for superior a 0.8
(céu limpo); é baixo se for inferior a 0.6 (céu pouco nublado).
Latitude Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
50N 265 280 366 415 480 490 495 450 380 330 274 252
40N 303 300 370 400 445 450 455 425 375 345 300 290
30N 324 314 370 388 425 420 430 410 370 353 320 316
20N 341 324 370 378 407 400 410 400 366 360 335 338
10N 360 327 370 370 390 380 390 385 366 366 352 356
0 375 340 375 363 375 363 375 375 363 375 363 375
10S 388 350 378 355 363 346 360 364 360 380 378 396
20S 410 360 378 350 346 328 340 344 360 388 393 414
30S 430 370 380 342 330 306 328 345 360 404 410 435
40S 466 380 385 334 310 280 302 330 360 415 432 463
50S 490 403 387 320 276 242 266 315 356 427 465 508
A tabela 5.4 dá alguns valores dos parâmetros a e b apresentados por diversos autores. Para
Moçambique recomenda-se usar os parâmetros segundo Glover et al (1958).
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Local a b Fonte
Mundo 0.23 0.48 Black et al. (1954)
Mundo 0.29 cos(latit.) 0.52 Glover et al.(1958)
Camberra 0.25 0.54 Penman (1948)
África Ocid. 0.12-0.26 *) 0.39-0.50*) Davies (1966)
*
) varia com o mês
A fórmula de Black é:
Qsr é a radiação solar reflectida. É uma fracção pequena da radiação solar incidente. A parte
que é reflectida depende da superfície sobre a qual a radiação incide. Essa característica de
reflectividade duma superfície chama-se albedo, a. Qsr é dada por
Qsr = a Qs
Normalmente, considera-se para a água um valor entre 0.05 e 0.10, sendo o valor mais usual
0.06.
Qlw é a radiação de ondas longas ("long wave radiation"). Esta é a forma pela qual a Terra irradia
para a atmosfera o calor acumulado.
Parte desta radiação é absorvida pela atmosfera (pelo vapor de água, nuvens e dióxido de
carbono) e enviada novamente para a Terra. Como é muito difícil medir esta radiação, tem-se
procurado desenvolver expressões que a relacionem com variáveis medidas à superfície da
Terra, das quais a mais influente é a temperatura.
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em que
σ = constante de Stefan-Boltzmann = 1.17*10-7 cal/cm2 K4 dia;
Ts = temperatura da superfície da terra (K);
T2 = temperatura do ar a 2 metros do solo (K);
e2 = tensão do vapor a 2 metros do solo (mbar);
C = nebulosidade, em décimos;
a = constante dependente do tipo de nuvens: 0.25 para nuvens altas, 0.6 para
nuvens médias, 0.9 para nuvens baixas;
c, d = coeficientes empíricos que variam conforme o local (ver tabela 5.6).
Se não se dispuser de dados para o tipo de nuvens, pode-se tomar a = 0.8 ou, em alternativa,
substituir o factor (1 - aC) por (0.1 + 0.9 n/N) em que n/N é a insolação relativa. Para c e d
podem tomar-se os valores médios de 0.53 e 0.052 respectivamente.
Também aqui se pode substituir (1 - aC) por (0.1 + 0.9 n/N). Segundo Dunne e Leopold (1978),
os erros destas equações excedem frequentemente ± 25% em valores diários mas reduzem-se a ±
15-20% para valores mensais.
A radiação útil pode ser medida directamente utilizando um radiómetro mas esse equipamento
apenas existe num número restrito de estações meteorológicas.
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Viu-se já que a evaporação, ao provocar um abaixamento da temperatura, origina trocas de calor
entre a superfície evaporante e a atmosfera. A relação entre a quantidade de calor transferida por
trocas turbulentes com a atmosfera, Qh, e a quantidade de calor gasta na evaporação, Qe, é dada
pelo coeficiente de Bowen, R.
A energia gasta na evaporação, Qe, é igual ao produto da massa evaporada pelo calor latente da
vaporização (l = 590 cal./g). Qe pode ser expresso por unidade de área.
Porque Qh = b(Th-Ts)
Qe = ρ l E = a'[ew(Th) - e(Ts)]
Qh p Th -Ts
R= =A
Qe 1000 ew ( T h ) - e( T s )
Note-se que numa situação de equilíbrio, quando não há radiação, seria Qh = -Qe e R = -1, como
se viu ao deduzir a fórmula do psicrómetro. A definição e as grandezas das variáveis que
intervêm no cálculo de R são as mesmas da referida fórmula do psicrómetro.
A energia aduzida, Qv, representa a quantidade de calor transportada pelas massas de água que
entram ou saem do lago. Qv é calculado a partir da massa m e da temperatura T do caudal
afluente (ou efluente) em relação a uma temperatura arbitrada de referência (normalmente 0 C).
Como o calor específico da água, c, é, para as temperaturas normais, igual a 1 cal./g./C, a
energia aduzida será:
em que Vaf é o volume da água que entra (se sai, toma-se V negativo), T a temperatura dessa
água e T0 a temperatura de referência. Dividindo Qv pela área do lago, obtem-se o seu valor em
cal/cm2.
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[Link] Cálculo do balanço energético
Como o que nos interessa é calcular E (altura de evaporação), pode-se reescrever a equação do
balanço energético:
Qs - Qsr - Qlw - Qh - Qe + Qv = ΔQ
Qe + Qh = Qs - Qsr - Qlw + Qv - ΔQ
Qe(1+R) = Qs - Qsr - Qlw + Qv - ΔQ
Q + Q v - Q
Qe = n
1+ R
Porque Qe = ρlE:
Q n + Q v - Q
E=
l(1 + R)
O método do balanço energético aplicado a períodos de um mês com medição cuidadosa das
várias grandezas pode conduzir a estimativas da evaporação com uma precisão de 5 a 10%.
Trata-se, porém, dum processo muito dispendioso. Quando se utilizam equações empíricas, com
períodos mensais, o erro andará na ordem de 10-20% o que é aceitável para aplicações práticas.
O vento é um dos factores que exerce grande influência na evaporação. Então, por generalização
da lei de Dalton, pode escrever-se:
E = C f(u) [ew(Th)-e(Ts)]
em que C é uma constante a determinar localmente, f(u) é uma função da velocidade do vento.
C e f(u) têm de ser calibrados através dum outro método (balanço hídrico ou balanço
energético). Dunne e Leopold (1978) apresentam um método simples para essa calibração em
pequenos lagos e reservatórios, admitindo que:
f(u) = u2,
Fazendo medições de u2, Th e Ts e das variações de nível do lago apenas devido à evaporação
(i.e. subtraindo os efeitos dos escoamentos afluente e efluente), o gráfico de Δh (cm/dia) versus
u2[ew (Th)-e(Ts)] dá aproximadamente uma recta cujo declive é C. Com u2 em m/s, ew e e em
mbar, Viessman et al. (1977) sugerem que C pode ser calculado por:
C = 0.0146/A0.05,
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Penman desenvolveu o método para um lago tal que seja aceitável dizer que:
ΔQ - Qv = 0
Se não houvesse energia aduzida, conviria tomar intervalos de tempo relativemente curtos (7 -
10 dias), para que ΔQ 0. Se houvesse energia aduzida, significaria que ΔQ = Qv, pois
mudanças na energia acumulada no lago devem-se apenas ao calor aduzido pelas massas de
água que entram ou saem do lago. Assim, a água evaporada é substituida pela mesma
quantidade de água à mesma temperatura (ou por outra combinação volume-temperatura que
apresente a adução da mesma quantidade de calor).
Qn = Qh + Qe = Qe (1 + R) (cal/cm2),
N = E (1 + R),
em que N = Qn/ρl
Esta equação traduz o facto óbvio de que, não havendo variações na energia armazenada, a
radiação útil é distribuida pela radiação necessária para a evaporação e pela radiação transferida
para a atmosfera por trocas turbulentas.
Penman considerou:
( )- ( )
= dew ew T h ew T s
dT s Th -Ts
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Qh H Th -Ts
R= = =A
Qe E ew ( T h ) - e( T s )
H A ew ( T h ) - ew ( T s ) A ( ) - e( T s )
R= = = (1 - ew T s )
E ew ( T h ) - e( T s ) ew ( T h ) - e( T s )
Ea = C f(u) [ew(Ts)-e(Ts)]
O valor de C f(u) pode calcular-se com várias fórmulas empíricas. Penman propôs:
em que
ou
Ea = (0.13 + 0.14 u2) [ew(Ts) - e(Ts)]
Thornthwaite e Holzman desenvolveram uma fórmula mais sofisticada, com uma base física,
analizando o processo de transporte turbulento:
a 2 uz
C f(u)=
P z
[ ln( ) ]2
z0
em que
ρa = densidade do ar (g./cm3);
ε = ratio entre os pesos moleculares do vapor de água e do ar (= 0.622);
κ = constante de Von Kármán (= 0.41);
uz = velocidade do vento à altura z (m./s.);
z0 = rugosidade da superfície (para água cerca de 0.05 cm, se não há vento).
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Da termodinámica e da meteorologia sabe-se que:
P P kg g
a = = 0.3484 * ( 3 ) = 0.3484 * 10-3 ( 3 )
RT T m cm
com P em mbar e T em K.
3.64 uz
Ea = [ ( ) - e( T s )]
2 ew T s
Ts z
[ ln( )]
zo
em que
Então:
E a = ew ( T s ) - e( T s )
E ew ( T h ) - e( T s )
H A
= (1 - E a )
E E
N
+ Ea
E= A
+1
A
que é a fórmula de Penman para P = 1,000 mbar.
é o parâmetro adimensional de Penman, dado na tabela 5.7.
A
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T (C) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50
Δ/A 0.67 0.90 1.23 1.61 2.14 2.77 3.57 4.575.70 7.10 8.77
A fórmula de Penman é válida para P = 1,000 mbar. Para P 1,000 basta substituir na fórmula A
P +
por A' = A . é calculado para uma temperatura T= T h T s .
1000 A 2
Para além dos métodos analíticos referidos nos pontos anteriores, a evaporação pode ser medida
directamente. Os instrumentos mais usados para esse efeito são o evaporímetro ou atmómetro e
a tina evaporimétrica.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-20
2023
A figura 5.5 representa dois tipos de evaporímetros frequentemente usados: "Black Bellani" e o
"Piche". O "Black Bellani" segue a definição dada para a evaporação latente. Tem uma placa de
porcelana porosa e negra, com 7.5 cm de diâmetro, permanente humidecida através do seu
contacto com um recipiente que é alimentado por um reservatório graduado. É possível ler
diariamente no reservatório a altura da água evaporada através da placa porosa.
O evaporímetro "Piche" utiliza um disco de papel poroso (papel de filtro) em lugar da placa
negra. O disco está preso por uma mola a um tubo graduado com água que mantem o disco
permanentemente humidecido. A perda de água evaporada através do disco pode ser lida
diariamente no tubo graduado. Em Moçambique, apenas se tem utilizado o evaporímetro
"Piche".
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-21
2023
De todas elas, a mais frequentemente utilizada nos países ocidentais é a tina de classe A que é
também a utilizada em Moçambique.
A tina GGI-3000 é uma tina enterrada no solo, tem uma forma composta cilídrico-cónica, com
uma área à superfície de 3,000 cm2 (D = 61.8 cm.) e uma altura da parte cilídrica de 0.60 m.
A tina Symons é também uma tina enterrada, cilíndrica, com 1.83 m. (6 pés) de diâmetro e 0.61
m. de profundidade.
Figura 5.6 – Tina evaporimétrica
Também a tina Colorada é uma tina enterrada, de secção quadrada, com 0.914 m. de lado (3 pés)
e 0.457 m. de profundidade.
A tina de classe A do USWB está representada na figura 5.6. Trata-se de um tanque circular,
construido em chapa de aço galvanizado, assente sobre um estrado de madeira, com as
dimensões constantes da figura. O nível da água na tina deve ser sempre mantido a uma
distância de 5 a 7.5 cm do bordo superior da tina.
- Tinas enterradas
- as tinas enterradas (com a boca aproximadamente ao nível da superfície do
terreno) recolhem muito lixo;
- quaisquer perdas de água (devido a um furo na chapa) não se detectam facilmente;
- as trocas de calor através das paredes da tina dependem do solo circundante e das
suas condições de humidade.
b) Tinas flutuantes
- a tina flutuante pode receber ou perder água devido à ondulação;
- a sua operação é difícil.
No entanto, a experiência indica ser preferível a utilização de tinas colocadas acima do solo,
como a tina de classe A do USWB.
A medição da evaporação numa tina é feita normalmente uma vez por dia, sendo o processo de
medição o seguinte:
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-22
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- instala-se na tina uma escala graduada à qual fica ligado um estilete móvel. O zero
da escala corresponde à posição em que a ponta do estilete toca na superfície da
água;
- após o período em que se registou a evaporação (um dia), a superfície da água terá
baixado. Esse abaixamento é medido deslocando o estilete até a ponta tocar
novamente na superfície da água e lendo o deslocamento na escala graduada.
Essa altura é a altura da evaporação;
- caso nessa altura se tenha registado precipitação, é preciso somar à altura
determinada anteriormente o valor da precipitação. Note-se que, neste caso, pode
acontecer que a superfície da água esteja acima e não abaixo do nível de
referência.
Como se disse anteriormente, a evaporação medida numa tina evaporimétrica simula melhor a
realidade da evaporação a partir duma superfície líquida do que a medição num evaporímetro
como o “Piche”, sendo por isso preferível utilizar dados de tina, sempre que possível. Como
principais dificuldades à utilização da tina podem apontar-se:
Em relação a este último aspecto, usa-se por vezes uma rede metálica a cobrir a tina. Esta
solução traz, porém, o inconveniente de alterar o valor da radiação recebida pela tina.
- a radiação que a tina recebe pela superfície lateral e pelo fundo é uma proporção
muito mais elevada da radiação recebida pela superfície líquida do que no caso
dum lago;
- a evaporação numa superfície líquida cria o chamado “efeito de oásis” (efeito
local de diminuição da temperatura e aumento da humidade relativa). Se a
camada saturada que se forma é removida pelo vento, o processo de evaporação
recomeça. A remoção da camada saturada acontece muito mais facilmente na
tina do que num lago em virtude da pequena dimensão da superfície da tina;
- os bordos da tina criam uma turbulência adicional, aumentando o efeito do vento
na remoção da camada saturada;
- devido ao pequeno volume de água que a tina contem, a temperatura da água na
tina é homogénea, não existindo a estratificação térmica característica dos lagos
e albufeiras.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-23
2023
Todos estes factores induzem a que a evaporação na tina seja bastante superior à evaporação que
se verifica no lago. Por este motivo, a evaporação medida na tina deve ser multiplicada por um
coeficiente de redução para se obter a evaporação num lago ou albufeira. Este coeficiente é
chamado de “coeficiente de tina” e é inferior à unidade. Pode-se aferir o valor do coeficiente da
tina (que varia conforme o local e a época do ano) se se dispuser de algum outro método preciso
para a determinação da evaporação como, por exemplo, o método do balanço energético.
Ainda não foi feita (1996) nenhuma aferição em Moçambique. Sugere-se por isso a adopção do
valor médio de 0.7para o coeficiente da tina, valor comummente adoptado para a tina de classe
“A” em zonas onde tal coeficiente não foi determinado.
Segundo dados de Loureiro (1984), existiam em Moçambique 132 estações dispondo de tina
evaporimétrica ou evaporimetro “Piche” ou ambos, com a seguinte distribuição:
122 estações pertenciam ao INAM e 10 à DNA. Tomadas em conjunto, elas conduziam a uma
densidade de 5,900 Km2/estação, o que se pode considerar uma densidade bastante baixa.
Devido ao pequeno número de estações dotados de tina (50), há todo o interesse de tentar
correlacionar os dados de tina com os de evaporimetro para se poder estimar a evaporação de
superfícies líquidas a partir da evaporação latente medida pelo evaporimétro. A correlação teria
de ser estabelecida usando as estações comuns (dispondo de tina + evaporimetro). Tal estudo foi
realizado por Carvalho e Loureiro (1974) mas usando poucas estações (9) e dispondo de poucos
anos de dados comuns (4 a 6). Obtiveram-se coeficientes de correlação iguais ou superiores a
0.7 em 7 dos 9 casos. Interessa, portanto, retomar e estender o estudo realizado.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-24
2023
Os seres vivos transpiram, ie, perdem água por evaporação a partir de poros microscópicos
situados na pele ou nas folhas. A transpiração é um processo quantitativamente importante
quando se considera a abundância geral da vegetação.
O sistema de raízes duma planta absorve água do solo, a maior parte da qual não é utilizada pela
planta, perdendo-se para a atmosfera através dos poros nas folhas.
No que respeita ao teor da humidade do solo, verifica-se que a transpiração duma planta vai
decrescendo com o teor de humidade do solo a partir da situação de capacidade de campo e
cessa quase totalmente quando se atinge o ponto de emurchecimento.
A capacidade de campo é o teor de humidade dum solo inicialmente saturado após ter cessado
a percolação, correspondendo à quantidade de água que fica retido no solo contra a acção da
gravidade.
5.5 EVAPOTRANSPIRAÇÃO
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-25
2023
A evapotranspiração potencial é a evapotranspiração que se registaria se não houvesse carência
de água. Neste caso a transpiração das plantas atinge o seu valor máximo. A evapotranspiração
potencial então depende de:
Tal como para a evaporação, também se usam métodos analíticos e medições para determinar a
evapotranspiração potencial. No entanto, devido a maior complexidade do fénomeno da
evapotranspiração, verifica-se um maior recurso a métodos semi-empíricos.
O método do balanço energético referido em 5.2.3 pode também ser utilizado para a
determinação da evapotranspiração potencial. A equação do balanço energético para uma
superfície revestida de vegetação e para um dado intervalo de tempo escreve-se:
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-26
2023
em que
Qs = radiação solar incidente;
Qsr = radiação solar reflectida; Qsr = aQs em que a é o albedo;
Qlw = radiação de ondas longas;
Qh = calor transferido por trocas turbulentas;
Qet = energia gasta na evapotranspiração;
Qv = energia aduzida ao solo e plantas; é habitualmente desprezável;
ΔQ = variação da energia armazenada no solo e vegetação; pode-se considerar
nula para períodos de tempo não inferiores a 1 dia.
Dividindo por ρl, obtemos ETp = N/(1+R), com ETp = Qet/ρl e N = Qn/ρl.
Tabela 5.8 Valores médios diários de albedo para diversos tipos de cobertura do solo
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-27
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No caso das culturas, as variações dos valores do albedo resultam da variação do poder
reflectivo durante o período vegetativo das culturas.
Para o cálculo do valor da evaporação isotérmica Ea pode-se utilizar a fórmula de Van Bavel:
3.64 uz
Ea = 2
(1 - U) ew ( T s )
Ts z
[ ln( )]
zo
em que
Ea = evapotranspiração isotérmica (cm/dia);
Ts = temperatura do ar (K);
uz = velocidade de vento (km/dia) medida a uma altura z acima da vegetação.
Normalmente, a medição faz-se 2 m acima do solo;
zo = rugosidade da superfície. Toma-se zo 0.1 da altura da vegetação;
U = humidade relativa (adimensional);
ew = tensão do vapor saturado (mbar).
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-28
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Nesta equação não se tem em conta a variação do armazenamento de água no solo pelo que estes
lisímetros devem ser usados quanto esta variação for pequena.
Os lisímetros dos tipos b) e c) medem a variação do peso registado o que equivale a uma
variação do volume de água armazenada no solo, entrando seguidamente com a equação do
balanço hídrico:
Através da irrigação, o solo é mantido em condições próxima da saturação, pelo que o valor
determinado corresponde a evapotranspiração potencial. Os lisímetros são instrumentos pouco
práticos e apenas são utilizados normalmente em grandes explorações agrícolas e centros de
investigação.
Embora a tina meça a evaporação duma superfície líquida, é possível usar os seus valores para
estimar a evapotranspiração potencial multiplicando-os por determinados factores de correcção.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-29
2023
A tabela 5.9 (adaptada a partir de FAO, 1977) apresenta esses factores de correcção em função
da colocação da tina no terreno, humidade relativa e velocidade média diária do vento. Os
coeficientes apresentados variam de 0.35 a 0.85.
Tabela 5.9 Coeficiente de tina evaporimétrica classe "A" para diferentes coberturas do
solo, diferentes valores de humidade média relativa e velocidade média do
vento.
Tina evaporimétriva Caso A: Tina num terreno com Caso B: Tina num terreno
classe "A" uma cultura verde de pequeno porte inculto e seco *)
Humidade média Baixa Média Elevada Baixa Média Elevada
relativa (%) < 40 40-70 > 70 < 40 40-70 > 70
Velocidade média Extensão da cultura Extensão do terreno
diária do vento a barlavento da inculto a barlavento
(km/dia) tina (m) da tina (m)
1 0.55 0.65 0.75 1 0.7 0.8 0.85
Fraco (<175) 10 0.65 0.75 0.85 10 0.6 0.7 0.8
100 0.7 0.8 0.85 100 0.55 0.65 0.75
1000 0.75 0.85 0.85 1000 0.5 0.6 0.7
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-30
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O método de Thornthwaite é um método semi-empírico que foi derivado por correlação entre
temperaturas do ar e evapotranspiração potencial a partir dum grande número de medições das
mesmas. O procedimento é o seguinte:
ETp,φ = K ETp,0,
Latitude Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
60N 0.54 0.67 0.97 1.19 1.33 1.56 1.55 1.331.07 0.84 0.58 0.48
50N 0.71 0.84 0.98 1.14 1.28 1.36 1.33 1.211.06 0.90 0.76 0.68
40N 0.80 0.89 0.99 1.10 1.20 1.25 1.23 1.151.04 0.93 0.83 0.78
30N 0.87 0.93 1.00 1.07 1.14 1.17 1.16 1.111.03 0.96 0.89 0.85
20N 0.92 0.96 1.00 1.05 1.09 1.11 1.10 1.071.02 0.98 0.93 0.91
10N 0.97 0.98 1.00 1.03 1.05 1.06 1.05 1.041.02 0.99 0.97 0.96
0 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.00 1.001.00 1.00 1.00 1.00
10S 1.05 1.04 1.02 0.99 0.97 0.96 0.97 0.981.00 1.03 1.05 1.06
20S 1.10 1.07 1.02 0.98 0.93 0.91 0.92 0.961.00 1.05 1.09 1.11
30S 1.16 1.11 1.03 0.96 0.89 0.85 0.87 0.931.00 1.07 1.14 1.17
40S 1.23 1.15 1.04 0.93 0.83 0.78 0.80 0.890.99 1.10 1.20 1.25
50S 1.33 1.19 1.05 0.89 0.75 0.68 0.70 0.820.97 1.13 1.27 1.36
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-31
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O método de Blaney - Criddle foi desenvolvido para a região ocidental dos Estados Unidos e
depois foi sendo aplicada a outras regiões áridas no mundo, registando-se resultados favoráveis.
em que
Tabela 5.11 Valor médio diário (em percentagem, p, do número total anual de horas de
insolação) para diferentes latitudes.
Norte Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
Latitude
Sul *) Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Jan. [Link]. Abr. Mai. Jun.
60 0.15 0.20 0.26 0.32 0.38 0.41 0.40 0.340.28 0.22 0.17 0.13
58 0.16 0.21 0.26 0.32 0.37 0.40 0.39 0.340.28 0.23 0.18 0.15
56 0.17 0.21 0.26 0.32 0.36 0.39 0.38 0.330.28 0.23 0.18 0.16
54 0.18 0.22 0.26 0.31 0.36 0.38 0.37 0.330.28 0.23 0.19 0.17
52 0.19 0.22 0.27 0.31 0.35 0.37 0.36 0.330.28 0.24 0.20 0.17
50 0.19 0.23 0.27 0.31 0.34 0.36 0.35 0.320.28 0.24 0.20 0.18
48 0.20 0.23 0.27 0.31 0.34 0.36 0.35 0.320.28 0.24 0.21 0.19
46 0.20 0.23 0.27 0.30 0.34 0.35 0.34 0.320.28 0.24 0.21 0.20
44 0.21 0.24 0.27 0.30 0.33 0.35 0.34 0.310.28 0.25 0.22 0.20
42 0.21 0.24 0.27 0.30 0.33 0.34 0.33 0.310.28 0.25 0.22 0.21
40 0.22 0.24 0.27 0.30 0.32 0.34 0.33 0.310.28 0.25 0.22 0.21
35 0.23 0.25 0.27 0.29 0.31 0.32 0.32 0.300.28 0.25 0.23 0.22
30 0.24 0.25 0.27 0.29 0.31 0.32 0.31 0.300.28 0.26 0.24 0.23
25 0.24 0.26 0.27 0.29 0.30 0.31 0.31 0.290.28 0.26 0.25 0.24
20 0.25 0.26 0.27 0.28 0.29 0.30 0.30 0.290.28 0.26 0.25 0.25
15 0.26 0.26 0.27 0.28 0.29 0.29 0.29 0.280.28 0.27 0.26 0.25
10 0.26 0.27 0.27 0.28 0.28 0.29 0.29 0.280.28 0.27 0.26 0.26
5 0.27 0.27 0.27 0.28 0.28 0.28 0.28 0.280.28 0.27 0.27 0.27
0 0.27 0.27 0.27 0.27 0.27 0.27 0.27 0.270.27 0.27 0.27 0.27
*
) Latitude de hemisfério Sul: desfasar de 6 meses, como indicado.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-32
2023
A figura 5.8 permite obter directamente o valor de ETp a partir do conhecimento de p (0.46 T +
8).
Quer o método de Thornthwaite quer o método de Blaney - Criddle foram derivados para
condições específicas que, quando não verificadas, podem originar erros grosseiros.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-33
2023
5.6 DETERMINAÇÃO DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO EFECTIVA
Em casos especiais ainda pode-se aplicar o método do balanço hídrico ou o método do balanço
energético.
No que diz respeito ao método de balanço energético, pode-se referir que foram recentemente
desenvolvidos métodos para determinar a evapotranspiração efectiva a partir de imagens de
satélite. Trata-se porém dum método bastante dispendioso por necessitar dum grande número de
imagens.
em que
P = precipitação;
ETe = evapotranspiração efectiva;
Q = escoamento superficial;
R = recarga da água subterrânea;
ΔSs = variação do armazenamento superficial;
ΔSso = variação do armazenamento no solo.
A fracção da humidade do solo utilizável pelas plantas designa-se por nu = nw - n0, em que nw e
n0 são respectivamente o teor da humidade do solo e o teor de humidade no ponto de
emurchecimento. nu é um valor adimensional (fracção). Se se multiplicar pela profundidade do
solo atingida pelas raízes, esse valor passa a se expresso em altura de água, Nu.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-34
2023
ETe = ETp se P ETp
ETe = P - ΔSso se P < ETp (Obs: note-se que ΔSso < 0)
SH = P - ETp - ΔSso
até Sso = Nr (Nr é a capacidade de campo, expressa em altura, sendo o limite superior de Sso). A
tabela 5.12 apresenta alguns valores característicos da capacidade de campo, nr, e o ponto de
emurchecimento, n0, para vários solos.
Neste caso não há escoamento nem recarga da água subterrânea. Numa sucessão de i períodos
com défice hídrico, ΔSso é calculado do seguinte modo:
i
L(i) = [P(j) - ET p (j)] L(i) < 0
j=1
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-35
2023
A aplicação sequencial ao longo do tempo do método de Thornthwaite - Mather (também
chamado de método do balanço sequencial) permite assim calcular a evapotranspiração efectiva.
A comparação das duas figuras mostra que a ETe se aproxima de ETp em zonas de precipitação
elevada, afastando-se bastante dela e assemelhando-se aos valores de precipitação em zonas de
baixa precipitação como o interior da Província de Gaza e o sul da Província de Tete.
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-36
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-37
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Figure 5-16 - Evapotrans;piração potencial calculada em Moçambique
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-38
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Figure 5-17 - Evapotranspiraçao efectiva, calculada pelo método de Thornthwaite-Mather
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-39
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EXERCÍCIOS
2. Calcule o valor médio da radiação global em Maputo em Maio, sabendo que n/N = 0.70
e C = 0.35
Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set
P(mm) 87 105 142 232 195 136 76 66 38 18 13 46
ETp (mm) 96 135 146 160 142 91 62 29 18 22 34 68
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Evaporação e evapotranspiração 5-5-40
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