January - February 2005 77
CONTROL BIOLOGICAL
Seleção de Isolados de Beauveria bassiana Para o Controle Biológico da
Broca-do-Café, Hypothenemus hampei (Ferrari) (Coleoptera: Scolytidae)
PEDRO M.O.J. NEVES 1 E EDSON HIROSE 2
1
Depto. Agronomia, Universidade Estadual de Londrina, C. postal 6001, 86051-970, Londrina PR, pedroneves@[Link]
2
Depto. Zoologia, Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Biológicas, 81531-990, Centro Politécnico
Curitiba, PR
Neotropical Entomology 34(1):077-082 (2005)
Beauveria bassiana Strains Selection for Biological Control of the Coffee Berry Borer, Hypothenemus
hampei (Ferrari) (Coleoptera: Scolytidae)
ABSTRACT - Hypothenemus hampei (Ferrari) (Coffee Berry Borer) is one of the most important coffee
pests. Its control is carried out mainly using synthetic chemical products, which contaminate the
environment, food and farmers. The entomopathogenic fungus Beauveria bassiana is a natural enemy
of coffee berry borer and presents potential for biological control. With the objective to select strains of
B. bassiana for the management of H. hampei, the virulence of 61 strains, from diverse hosts and
geographic regions, were tested. The selection was carried out in two phases: in the first phase 11
strains, with confirmed mortality above 60%, were selected. In the second phase, for the 11 preselected
strains, we determined: LC50, sporulation rate (confirmed mortality/total mortality) and conidia production
on H. hampei cadavers. The CG425 strain presented the greater total and confirmed mortality, highest
sporulation rate and CL50 = 2.5 x 106 conidia/ml and CB102 strain, presented highest conidia production
on insects, 11.6 x 106 conidia/insect. These isolates present height potential to be used in biological
control programs of coffee berry borer with B. bassiana.
KEY WORDS: Coffee crop, entomopathogenic fungi, IPM
RESUMO - A broca-do-café, Hypothenemus hampei (Ferrari), é uma das mais importantes pragas do
cafeeiro. Seu controle é realizado, na maioria das vezes, utilizando-se produtos químicos sintéticos que
contaminam o meio ambiente, os alimentos e os agricultores. O fungo Beauveria bassiana é um agente
natural de controle dessa praga e apresenta potencial para o controle biológico. Assim, com o objetivo
de selecionar isolados de B. bassiana para o controle da broca-do-café avaliou-se a virulência de 61
isolados, originários de diversos hospedeiros e regiões geográficas. A seleção foi realizada em duas
fases: na primeira fase selecionaram-se 11 isolados com mortalidade confirmada acima de 60%. Na
segunda fase determinou-se para os 11 isolados pré-selecionados, a CL50, taxa de esporulação
(mortalidade confirmada/mortalidade total) e a produção de conídios em H. hampei. O isolado CG425
apresentou maior mortalidade total corrigida e confirmada, maior taxa de esporulação e CL50 = 2,5 x 106
conídios/ml e o isolado CB102, apresentou maior produção de conídios sobre os cadáveres, 11,6 x 106
conídios/adulto. Esses isolados apresentam potencial para serem utilizados em programas de controle
biológico da broca-do-café com B. bassiana.
PALAVRAS-CHAVE: Cafeeiro, fungo entomopatogênico, MIP
Estima-se que a broca-do-café Hypohtenemus hampei problemas ambientais, contaminação dos alimentos e
(Ferrari) provoque danos da ordem de 500 milhões de dólares agricultores.
em todo o mundo. O controle da praga baseia-se no uso de Entre os diferentes agentes naturais de controle da broca
inseticidas, principalmente o endosulfam, mas a sua utilização está o fungo Beauveria bassiana que foi observado em
intensiva e repetida leva ao desenvolvimento de resistência muitos países atacando H. hampei (Murphy & Moore 1990).
do inseto ao produto (Brun et al. 1989) além de causar No Brasil, ocorre enzooticamente (baixa prevalência) em
78 Seleção de Isolados de Beauveria bassiana Para o Controle Biológico da Broca-do-Café ... Neves & Hirose
diversas regiões do país (Alves 1998), sendo considerado o a necessidade de manutenção diária com relação à umidade
mais eficiente agente de controle microbiano desse inseto (UR > 95%).
praga (La Rosa et al. 1997). Para alimentar e abrigar as brocas durante o bioensaio, 1h
Estudos em laboratório e em campo indicam que esse após a pulverização foi colocado um tubo plástico (0,4 cm de
fungo tem potencial para ser utilizado desde que exista diâmetro x 1cm de comprimento), recheado com pó de semente
suficiente quantidade de inóculo para induzir o processo de de café moído em partículas de 600 µm. Essa técnica, utilizada
doença (Fernandes et al. 1985, La Rosa 2000). Na Colômbia, por Hirose (2000), torna o processo de avaliação mais rápido
são relatadas taxas de infecção da broca-do-café em campo e preciso, recuperando 100% das brocas utilizadas nos
por B. bassiana variando de 20% a 90% (Bustillo 1995). Vários bioensaios.
autores têm demonstrado a capacidade infectiva da B.
bassiana e seu potencial como agente de controle da broca- Seleção Inicial. Os 61 isolados foram testados em grupos de
do-café (Jiménez-Gómez 1992, González-Garcia et al. 1993, La sete a dez. As suspensões de cada isolado foram padronizadas
Rosa et al. 1997). com o auxílio de um hemacitômetro (Neubauer), em 2,5 x 107
No entanto, para o desenvolvimento de um programa de conídios/ml. Essa concentração foi escolhida com base nos
controle microbiano a seleção de isolados de fungos dados médios de CL50 obtidos por Jiménez-Gómez (1992),
entomopatogênicos é de extrema importância e deve ser a González-Garcia et al. (1993) e La Rosa et al. (1997) em estudos
etapa inicial. A grande variabilidade genética dos fungos para o controle biológico da broca com B. bassiana.
deve ser explorada para que sejam utilizados isolados mais Foram testadas 36 brocas/isolado, colocadas em seis
adaptados ao inseto e conseqüentemente mais virulentos tubos (6 brocas/tubo) e pulverizadas com a suspensão padrão
(Alves 1998). Assim, este estudo teve por objetivo comparar (0,1 ml suspensão/tubo). A avaliação foi realizada seis dias
a virulência de diferentes isolados e selecionar os mais após a inoculação, sendo os insetos mortos transferidos para
eficientes para controle da broca-do-café, H. hampei. câmara úmida, para confirmação da mortalidade pelo patógeno.
Determinou-se a porcentagem de mortalidade total (MT),
Material e Métodos mortalidade corrigida (MCA) em relação à testemunha pela
formula de Abbott (1925) e mortalidade confirmada (MC)
Os insetos utilizados foram obtidos da criação em frutos (porcentagem dos insetos nos quais ocorreu conidiogênese
de café maduro, seguindo metodologia descrita por Hirose & do fungo). Os isolados que apresentaram mortalidade
Neves (2002). Os isolados utilizados foram provenientes da confirmada acima de 60%, foram pré-selecionados.
coleção do Laboratório de Controle Microbiano de Insetos/
UEL obtidos de diferentes instituições de ensino e pesquisa Determinação de Concentração Letal (CL50). Para determinar
(EMBRAPA/Cenargen, Instituto Biológico de São Paulo, a CL50 dos isolados previamente selecionados, grupos de 32
Unioeste, ESALQ) e de coletas a campo. insetos foram pulverizados nas concentrações de 104, 105,
106, 107 e 108 conídios/ml. Essas concentrações foram
Padronização dos Isolados e Insetos. Para reativar a virulência baseadas em dados médios de CL50 obtida por Jiménez-Gómez
dos isolados, seguiram-se os procedimentos do Centro (1992), González-Garcia et al. (1993) e La Rosa et al. (1997).
Nacional de Investigaciones de Café – Colômbia (CENICAFÉ) Cada grupo de 32 insetos foi distribuído em quatro tubos
(Vélez et al. 1997) inoculando-se insetos sadios com cada um contendo oito insetos/tubo (4 repetições/isolado). A
dos 61 isolados e após a conidiogênese sobre o inseto, cada mortalidade total foi avaliada cinco dias após a inoculação, e
isolado foi cultivado em meio SDAY, e os conídios recolhidos a mortalidade confirmada após cinco dias em câmara úmida.
e armazenados a -4 ± 2oC. Foram determinadas a MT, MC e a taxa de esporulação
Para os bioensaios de seleção foram utilizados conídios (mortalidade confirmada/total).
de segunda repicagem multiplicados em meio SDAY, a partir
dos conídios previamente armazenados. As suspensões foram Determinação da Produção de Conídios sobre Cadáveres da
preparadas em água estéril + 0,02% Tween 20. A viabilidade Broca. Brocas foram pulverizadas com cada isolado na
dos conídios foi determinada em meio agar/água, com leitura concentração de 108 conídios/ml, os insetos mortos foram
após 24h, sendo descartados os isolados que apresentaram colocados em câmara úmida e ao apresentarem plena
porcentagem de germinação inferior a 90%. conidiogênese pelo fungo (cinco dias após a morte), foram
Os insetos para os bioensaios foram coletados da criação, transferidos, em grupos de 10 cadáveres, para cinco tubos
soltos sobre folhas de papel e considerados sadios os que (repetições) e os conídios suspendidos em 10 ml água estéril
caminharam ativamente aderidos ao papel. Para reduzir o + 0,02% Tween 20. O número de conídios foi determinado
estresse no manuseio, as brocas foram succionadas com o auxilio de um hemacitômetro (Neubauer). Calculou-se
diretamente para os tubos de bioensaio (8,4 cm de altura x 2,4 o Aumento Potencial de Produção de conídios (APP)
cm de largura) (Hirose 2000). dividindo-se a produção nos diferentes isolados pela menor
A suspensão de conídios foi pulverizada diretamente nos produção.
tubos de dieta, sobre as brocas, com o auxílio de um Todos os procedimentos de multiplicação dos isolados
pulverizador “Pasche” “size 3” para micropintura (pressão de B. bassiana, bioensaio de virulência e conidiogênese nos
de 25 lb/pol2). Os recipientes para o bioensaio foram tampados cadáveres foram conduzidos em câmara ambiental
com frascos de antibiótico (10 ml), contendo água e fechados (temperatura 25 ± 5oC; UR 95 ± 5%; fotofase: 12h). Nas
com algodão. A vedação impediu a fuga dos insetos e reduziu testemunhas de todos os bioensaios somente foi aplicada
January - February 2005 Neotropical Entomology 34(1) 79
água estéril + 0,02% Tween 20. fase. Assim, os isolados CB102, CB066, CB097-EMCAPA249,
CG082, CG425, 447, CG481, CG026, CG424, CG432 e CG155
Análise Estatística. O delineamento foi inteiramente foram pré-selecionados para uma avaliação mais apurada.
casualizado, para todos os experimentos. Na primeira fase de
seleção optou-se pela análise gráfica dos resultados. Na Determinação de CL50. A concentração 104 conídios/ml não
segunda fase, para a determinação das CL50 dos isolados, as foi considerada na análise dos dados, visto que o percentual
mortalidades foram submetidos a análise de Probit utilizando- de mortalidade de brocas obtido nessa concentração foi muito
se o programa Polo-PC e análise de variância (ANOVA) com baixo. Pela análise de Probit, os isolados CB066, CG082, 447,
regressão polinomial. Os dados de mortalidade corrigida e CG155, CG424 e CG026, não se adequaram ao modelo, por ter
confirmada dentro de cada concentração e a produção de ocorrido um χ2 significativo e elevada heterogeneidade dos
conídios dos isolados foram submetidos a ANOVA, e as dados. Os isolados que se ajustaram ao modelo não
médias comparadas pelo teste de Tukey (P < 0,1). demonstraram diferenças significativas entre as CL50 pela
sobreposição dos intervalos de confiança. Assim, optou-se
Resultados e Discussão por uma análise de variância com teste de comparação de
médias das mortalidades em cada concentração, com
Seleção Inicial. Os isolados CG068, CG076, CG150, CG152, regressão polinomial para determinar a equação de dose/
UEL052 e CG079, UEL002 foram descartados antes do início resposta dos diferentes isolados e calcular as CL50.
dos bioensaios por apresentarem baixa esporulação nas As CL50 dos isolados testados, calculadas pela equação
placas de meio de cultura. Para os isolados testados os de regressão polinomial, variaram de 2,5 x 106 (CG425) a 62,8
valores de mortalidade corrigida variaram de 81,3% a 3,7% e x 106 (CB026) conídios/ml (Tabela 1). La Rosa et. al (1997),
mortalidade confirmada de 83,3% a 3,3%. Jiménez-Gómez selecionando isolados de B. bassiana, obtiveram CL50
(1992) e La Rosa et al. (1997) verificaram variação na variando de 2,2 a 45,5 x 106 conídios/ml entre os isolados.
mortalidade corrigida entre 100% e 20%, testando isolados Utilizando a análise de regressão polinomial os valores das
de B. bassiana para a broca-do-café. CL50 estimadas (Tabela 1) foram similares aos obtidos por
Na fase de screening é possível descartar materiais pouco Probit. As maiores discrepâncias foram observadas nas CL50
virulentos e com baixa capacidade de penetração e para os isolados que não se ajustaram ao modelo de Probit
germinação (Moino Jr. 1998). Assim, nesta primeira etapa (CB066, CG082, 447, CG155, CG424 e CG026), talvez porque a
optou-se pela seleção baseada na mortalidade confirmada faixa de concentrações testadas não tenha sido a ideal.
(> 60%), eliminando-se os isolados com baixa esporulação. As curvas de mortalidade corrigida pela equação de
A escolha da mortalidade confirmada como parâmetro de regressão polinomial mostram, para alguns isolados, que o
seleção, baseou-se no fato de que os fungos diferem dos aumento na concentração de conídios não correspondeu a
agroquímicos quanto ao modo de ação. Devido à capacidade aumento na mortalidade, até determinados níveis. Isso
de aumento da densidade do patógeno pela transmissão provavelmente ocorreu pela variação na intensidade dos
horizontal, há repetições do ciclo da doença na população fatores de virulência dos diferentes isolados, e dos
hospedeira (Hajek & St. Leger 1994). Em culturas perenes mecanismos de defesa do inseto-alvo. O fungo ao atravessar
como o café esse aspecto é mais relevante pois favorece a a cutícula e invadir a hemocele, pode causar a morte do
manutenção do inóculo no campo. O nível de 60% de hospedeiro de forma indireta, pela exaustão de nutrientes e
mortalidade confirmada foi estabelecido considerando-se que quebras fisiológicas/bioquímicas, e/ou de forma direta, por
deveriam ser utilizados entre 10 e 15 isolados na segunda metabólicos secundários (toxinas) liberados pelo patógeno.
Tabela 1. Equação de regressão, coeficiente de determinação (R2), concentração letal (CL50) (conídios/ml) para isolados
de B. bassiana na broca-do-café, H. hampei.
Iso lad o Equação de regressão R2 CL 50 (x 10 6)
CG425 y = 25,28 * logx - 111,85 0,97 2,5
CB066 y = 25,19 * logx - 122,67 0,95 7,2
CB097 y = 21,99 * logx - 101,93 0,96 8,1
CG432 y = 20,62 * logx - 95,75 1,00 11,7
CB102 y = 17,14 * logx - 73,16 0,94 15,4
CG082 y = 10,33 * (logx) 2 - 110,87 * logx +312,93 1,00 15,9
CG481 y = 15,94 * logx - 122,67 0,90 16,9
ESALQ447 y = 11,97 * (logx) 2 - 132,35 * logx + 378,74 1,00 19,5
CG155 y = 3,48 * (logx) 2 - 29,28 * logx + 74,88 0,93 35,9
CG424 y = 7,66 * (logx) 2 - 83,03 * logx + 238,69 1,00 39,7
CG026 y = 9,73 * (logx) 2 - 111,14 * logx + 325,21 0,99 62,8
80 Seleção de Isolados de Beauveria bassiana Para o Controle Biológico da Broca-do-Café ... Neves & Hirose
Para muitos fungos a realidade está provavelmente na o isolado CG425 apresentou maior mortalidade confirmada,
combinação desses fatores (Hajek & St. Leger 1994, Charnley em todas as concentrações (Tabela 3).
1997). A combinação e a intensidade dos fatores de virulência Além das características dos isolados que definem sua
de cada isolado são provavelmente responsáveis por não virulência, um outro fator que afetou a taxa de conidiogênese
ocorrer aumento na mortalidade proporcional ao aumento da (mortalidade confirmada/total) foi a concentração da
concentração de conídios aplicada. Assim, devido ao suspensão. Observou-se uma relação positiva entre a
complexo mecanismo de ação e à variabilidade de um isolado concentração de conídios da suspensão e a taxa de
para outro, numa leitura pontual (5-6 dias) para a avaliação conidiogênese. Isso pode ser explicado, considerando-se que
da mortalidade os dados nem sempre são lineares, dificultando quando uma maior quantidade de conídios germinou, a
a análise através de modelos de dose/resposta. invasão e colonização do corpo do inseto foi mais rápida e
Com as diferentes análises realizadas, utilizando a eficiente, dificultando a proliferação de outros
mortalidade corrigida, verificou-se a melhor performance geral microorganismos competidores que poderiam prejudicar a
dos isolados CG425, CG082, CB066, CB097 (Tabela 2). Também esporulação do fungo. Nas baixas concentrações a morte do
Tabela 2. Porcentagem de mortalidade corrigida (média ± EP), da broca-do-café, H. hampei, provocada pelos isolados de
B. bassiana nas diferentes concentrações.
Concentração da suspensão (conídios/ml)
Isolados 5
10 (n = 32) 10 6 (n = 32) ns* 10 7 (n = 32) 10 8 (n = 32)
CG425 19,3 ± 9,51 ab 31,2 ± 13,85 68,0 ± 10,88 a 91,3 ± 1,95 a
CG082 17,0 ± 4,30 ab 18,6 ± 9,85 43,7 ± 16,12 ab 86,6 ± 5,25 ab
ESALQ447 1 5 ,7 ± 4 ,0 0 ab 16,9 ± 4,88 37,2 ± 12,33 ab 86,3 ± 12,97 a
CB066 6,7 ± 9,43 b 28,2 ± 15,54 43,7 ± 20,60 ab 85,5 ± 5,66 ab
CB097 13,3 ± 9,32 ab 23,8 ± 15,81 49,0 ± 6,75 ab 78,2 ± 10,96 ab
CG432 7,4 ± 4,83 ab 29,0 ± 14,89 46,4 ± 21,79 ab 70,3 ± 17,62 ab
CG155 24,0 ± 6,12 b 27,2 ± 8,56 28,0 ± 11,65 b 69,0 ± 8,68 ab
CG481 20,6 ± 12,9 ab 24,0 ± 8,38 40,6 ± 20,96 ab 68,2 ± 9,12 ab
CB102 17,9 ± 6,85 ab 23,0 ± 5,19 44,1 ± 21,01 ab 68,0 ± 18,08 ab
CG424 14,5 ± 4,88 ab 17,7 ± 14,88 31,3 ± 7,20 b 65,1 ± 16,03 b
CG026 13,0 ± 5,46 ab 13,1 ± 9,49 23,6 ± 10,20 b 62,7 ± 5,69 b
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem entre si a 10% de significância pelo teste de Tukey.
*ns = não significativo
Tabela 3. Porcentagem de mortalidade confirmada (média ± EP), da broca-do-café, [Link], provocada pelos isolados de
B. bassiana, nas diferentes concentrações.
Concentração da suspensão (conídios/ml)
Isolados 5
10 (n = 32) ns* 10 6 (n = 32) 10 7 (n = 32) 10 8 (n = 32)
CG425 5,5 ± 6,93 18,0 ± 2,99 a 53,9 ± 13,59 a 82,8 ± 7,86 a
ESALQ447 2,1 ± 2,95 6,2 ± 2,55 abc 27,8 ± 13,75 ab 77,1 ± 19,15 ab
CB097 3,5 ± 2,60 4,2 ± 3,90 bc 21,5 ± 9,67 ab 64,2 ± 14,49 ab
CB066 4,7 ± 1,80 14,1 ± 9,72 ab 35,2 ± 19,16 ab 62,5 ± 11,97 ab
CG424 2,3 ± 1,56 6,2 ± 4,42 abc 26,6 ± 5,41 ab 60,2 ± 11,23 ab
CB102 0,8 ± 1,56 7,8 ± 4,03 abc 30,5 ± 10,33 ab 58,6 ± 14,96 ab
CG082 0,0 ± 0,00 1,6 ± 3,13 c 28,1 ± 6,25 ab 59,4 ± 11,97 ab
CG432 3,1 ± 2,55 13,3 ± 12,60 ab 31,2 ± 22,96 ab 59,4 ± 19,93 ab
CG026 1,6 ± 3,13 3,1 ± 2,55 bc 15,6 ± 11,12 b 54,7 ± 4,03 b
CG155 2,6 ± 3,13 3,9 ± 2,99 bc 10,7 ± 5,54 b 52,1 ± 5,10 b
CG481 0,8 ± 1,56 4,7 ± 5,41 bc 25,0 ± 19,60 ab 51,6 ± 14,55 b
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem entre si a 10% de significância pelo teste de Tukey.
*ns = não significativo
January - February 2005 Neotropical Entomology 34(1) 81
inseto ocorreu provavelmente antes de o fungo colonizar programa de controle analisando as variáveis observadas, é
todo o inseto, dificultando seu desenvolvimento. interessante utilizar de um grupo ou mistura de isolados, de
No caso do isolado CG425, mesmo na concentração 105 forma a ampliar os limites de tolerância aos fatores adversos,
conídios/ml a mortalidade confirmada de 5,5% representou permitindo maior manutenção de inóculo e ampliando as
28,3% da mortalidade corrigida, provavelmente por chances de sucesso do controle.
características intrínsecas que definem sua virulência, e que A relevância da virulência do isolado é clara. Contudo,
contribuem para a manutenção e o aumento do inóculo num alta esporulação e o potencial epizoótico podem ter igual ou
sistema perene como o café. maior importância em um produto comercial (Charney 1997).
Nesse sentido, Poprawski et al. (1988), avaliando diferenças
Conidiogênese de B. bassiana Sobre os Cadáveres de Broca. isoenzimáticas entre populações de B. bassiana atacando o
Os isolados com melhor desempenho na produção de gorgulho Sitona sp. em alfafa, concluíram que as populações
conídios sobre os cadáveres foram CB102, CG432 (Tabela 4). com maior heterogeneidade apresentam maior capacidade
Maior virulência, nem sempre se traduz em maior produção adaptativa. Assim, um grupo de isolados selecionados por
de conídios, mostrando a variação nas “habilidades” de cada meio de critérios mínimos de mortalidade mas com habilidades
isolado, sobre a broca-do-café. Assim, o isolado CG425 diferenciadas de sobrevivência e disseminação, podem ter
apresentou maior mortalidade confirmada, o que poderia mais sucesso na implantação da doença no campo do que
representar maior número de focos de disseminação, mas um único isolado.
menor produção de conídios por foco. Em contrapartida, o Pode-se, portanto, concluir que os isolados CG432, CB066,
isolado CB102 apresentaria a desvantagem de menor número CB 97, CB102, CG424, CG481, ESALQ447, selecionados neste
de focos de disseminação, mas a vantagem de elevada estudo, poderão ser utilizados em produtos comerciais ou
produção de conídios. experimentais para o controle da broca-do-café por serem
A dispersão dos propágulos infectivos viáveis (conídios) mais virulentos e com maior potencial de produção de conídios
para um novo hospedeiro representa a fase mais critica do sobre os insetos mortos.
ciclo das relações patógeno hospedeiro devido à ação
deletéria de alguns fatores abióticos, como a temperatura, Agradecimentos
umidade e radiação. Edginton et al. (2000) observaram que
conídios de B. bassiana são completamente desativados após À CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal
1h de exposição à luz solar. Assim, maior número de conídios de Nivel Superior) pelo apoio a esta pesquisa.
produzidos por cadáver compensaria, parcialmente, a elevada Ao Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento
probabilidade de a maioria não sobreviver para infectar novo do Café pelo financimento deste estudo.
hospedeiro (Hajek & St. Leger 1994).
Assim, na definição do isolado mais recomendado em um Literatura Citada
Abbott, W.S. 1925. A method of computing the effectiveness of
Tabela 4. Número de conídios de B. bassiana produzidos an insecticide. J. Econ. Entomol. 18: 265-267.
(média ± EP) e aumento potencial de produção de conídios
dos diferentes isolados em cadáveres da broca-do-café, H. Alves, S.B. 1998. Fungos entomopatogênicos, p. 289-381. In
hampei. S.B. Alves (ed.), Controle microbiano de insetos. Piracicaba,
Número de conídios/broca x FEALQ, 1163p.
Isolados APP1
106 (média ± EP) (n = 50)
Brun, L.O., C. Marcillaud, V. Gaudichon & D. Scukling. 1989.
CB102 11,6 ± 1,65 a 6,2 Endosulfan resistance in Hypothenemus hampei
CG432 9,8 ± 2,85 ab 5,2 (Coleoptera: Scolytidae) in New Caledonia. J. Econ. Entomol.
CG026 8,8 ± 1,25 ab 4,7 82: 1311-1316.
ESALQ 447 8,8 ± 0,41 ab 4,7
Bustillo, A.E. 1995. Utilizacion del control biológico clássico en
CG424 8,7 ± 1,56 ab 4,6 un programa de manejo integrado: El caso de la broca del
CB97 8,5 ± 2,48 b 4,5 café Hypothenemus hampei, en Colombia, p.143-148. In
CG481 7,8 ± 2,26 bc 4,2 Manejo Integrado de Plagas. Curso Internacional. Instituto
Agropecuário, Santa Fé de Bogotá, Colômbia, 232p.
CB066 5,0 ± 0,97 cd 2,6
CG425 3,6 ± 1,04 de 1,9 Charley, A.K. 1997. Entomopathogenic fungi and their role in
CG082 2,6 ± 0,40 de 1,4 pest control, p. 185-201. In D. Wicklow & M. Soderstrom
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CG155 1,9 ± 0,85 e ----
Heidelberg, Springer-Verlag, 453p.
Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si a 10%
de significância pelo teste de Tukey. Edginton, S., H. Segura, W. De La Rosa & T. Williams. 2000.
1
Aumento Potencial de Produção = conídios produzidos pelo Photoprotection of Beauveria bassiana: Testing simple
isolado x /conídos produzidos pelo isolado CG 155 formulations for control of the coffee berry borer. Int. J.
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