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Fraude e Gestão de Riscos Empresariais

O gerenciamento de riscos é essencial para mitigar fraudes, que representam um risco contínuo para as organizações. O documento aborda a verificação qualitativa e quantitativa dos riscos, sua priorização e a relação entre fraudes e gestão de riscos. Ao final, os aprendizados incluem descrever a verificação de riscos e estabelecer um plano de gerenciamento eficaz.

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Fraude e Gestão de Riscos Empresariais

O gerenciamento de riscos é essencial para mitigar fraudes, que representam um risco contínuo para as organizações. O documento aborda a verificação qualitativa e quantitativa dos riscos, sua priorização e a relação entre fraudes e gestão de riscos. Ao final, os aprendizados incluem descrever a verificação de riscos e estabelecer um plano de gerenciamento eficaz.

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Fraude X Riscos

Apresentação
O gerenciamento de riscos, mesmo tendo como propósito a diminuição ou a eliminação das
chances de riscos negativos, não é suficiente para anular todas elas, principalmente as chances de
fraudes. Nesse sentido, é fundamental que seja feita a avaliação e a análise de todos os riscos, a fim
de priorizá-los e dar o devido tratamento àqueles considerados mais importantes e impactantes
para os objetivos da organização.

Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar a verificação qualitativa e quantitativa dos
riscos, sua priorização e a relação entre a fraude e o contexto da gestão de riscos.

Bons estudos.

Bons estudos.

Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

• Descrever a verificação qualitativa e quantitativa dos riscos.


• Definir a priorização dos riscos.
• Relacionar a fraude e o contexto do gerenciamento de riscos.
Desafio
A fraude é uma ação ou omissão, ilícita e desonesta, na tentativa de enganar alguém ou alguma
instituição. Ela é intencional e visa ganho ilícito para o fraudador. A fraude é um risco que coloca as
atividades de todas as organizações, de qualquer tipo, sob exposição contínua, podendo ser
cometida por um indivíduo ou pela organização como um todo.

Para este Desafio, considere a existência de uma grande empresa, com muitos funcionários, que
vem sofrendo constantemente com vários tipos de fraudes. Sua tarefa, aqui, é definir um plano a
fim colocar em prática um programa de gerenciamento de riscos, levando em conta, no mínimo, as
três fases citadas. Você deve indicar a ordem correta entre as fases e descrever brevemente o que
consiste cada uma, para, então, informar seu plano de atividades.
Infográfico
As atividades envolvidas pela verificação quantitativa e qualitativa de riscos têm o propósito de
aumentar o entendimento da organização sobre fatores de risco enfrentados por ela. Veja, no
Infográfico a seguir, a ilustração sobre a verificação qualitativa e quantitativa dos riscos.
Conteúdo do livro
O gerenciamento de riscos envolve um processo extremamente importante para proteger qualquer
tipo de organização, devendo ser aplicado de maneira contínua e permanente. Mesmo tendo como
propósito diminuir ou eliminar as chances de riscos que trazem impactos negativos, uma boa gestão
ainda não é suficiente para anular todas as chances dos riscos ocorrerem ou, ainda, da organização
sofrer com o surgimento de fraudes nos mais diversos processos e áreas.

No capítulo Fraude X Riscos, da obra, Gerenciamento de riscos, você entenderá a importância de


analisar e avaliar todos fatores de riscos, a fim de priorizá-los, para que seja dado o tratamento
adequado àqueles que forem considerados mais importantes e com maior potencial de impacto
para os objetivos da organização. Você estudará, aqui, a verificação qualitativa e quantitativa dos
riscos, a priorização destes e a relação entre a fraude e o contexto da gestão de riscos.
GERENCIAMENTO
DE RISCOS

Jeanine dos Santos


Barreto
Revisão técnica:
Gisele Lozada
Graduada em Administração de Empresas
Especialista em Controladoria e Finanças

F838g Fraporti, Simone.


Gerenciamento de riscos / Simone Fraporti, Jeanine
Barreto ; [revisão técnica: Gisele Lozada]. – Porto Alegre :
SAGAH, 2018.
166 p. ; 22,5 cm

ISBN 978-85-9502-334-5

1. Administração. 2. Gestão de riscos. I. Barreto, Jeanine.


II. Título.

CDU 658.88

Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin – CRB 10/2147


Fraude versus riscos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Descrever a verificação qualitativa e quantitativa dos riscos.


„„ Definir a priorização dos riscos.
„„ Relacionar a fraude e o contexto do gerenciamento de riscos.

Introdução
O gerenciamento de riscos, mesmo tendo como propósito a diminuição
ou a eliminação das chances de riscos negativos, não é suficiente para
anular todas as chances de riscos, principalmente de fraudes. Nesse
sentido, é fundamental que seja feita a avaliação e a análise de todos
os riscos, a fim de priorizá-los e dar o devido tratamento àqueles que
forem considerados mais importantes e impactantes para os objetivos
da organização.
Neste capítulo, você irá estudar a verificação qualitativa e quantitativa
dos riscos, a priorização dos riscos e a relação entre a fraude e o contexto
da gestão de riscos.

Verificação qualitativa e quantitativa dos riscos


A verificação quantitativa e qualitativa dos riscos é o conjunto de atividades
que serve para aumentar o entendimento dos fatores de risco enfrentados pela
organização, permitindo a decisão sobre quais riscos devem ser tratados. A
atividade de verificação de riscos deve ser documentada de forma detalhada,
permitindo revisões e auditoria (BRASIL, 2013).
Verificar os riscos de forma qualitativa e quantitativa torna possível
determinar o nível dos riscos, do ponto de vista individual e também em
comparação com os demais, o que visa permitir a priorização dos riscos,
destacando aqueles que são os principais riscos positivos e negativos, a fim
86 Fraude versus riscos

de que se evite assumir riscos que possam trazer grandes prejuízos ou perder
oportunidades em potencial.
É importante frisar que a verificação qualitativa e quantitativa deve per-
correr toda a listagem de fatores de risco da organização. Cada fator de risco
deve ser valorado, baseando-se em critérios que são definidos pela equipe de
gestão de riscos. Essa avaliação sempre é iniciada pela forma qualitativa, para
que depois se avance para a avaliação quantitativa de cada risco.
A verificação dos riscos compreende a definição de probabilidades de
concretização para cada fator de risco e do impacto que as suas consequências
podem ter sobre os objetivos da organização como um todo. A probabilidade
de concretização de um fator de risco está associada às causas desse fator; já
o impacto gerado sobre os objetivos da organização está associado às con-
sequências ou efeitos do fator de risco. Um fator de risco pode estar ligado a
várias causas, e a sua concretização pode estar ligada a vários efeitos. Cada
efeito gerado por um risco pode trazer impactos diferentes para a organização,
e cada causa pode evidenciar várias probabilidades de um risco se concreti-
zar. As incertezas decorrem da falta de informação sobre o resultado de um
acontecimento ou de uma decisão. É importante saber que sempre existirão
incertezas em relação à cada risco, pois não se sabe se elas vão se concretizar
ou não. Então, é importante que elas sejam todas identificadas e fiquem
documentadas. Na Figura 1, você pode observar um esquema da análise de
probabilidades e impactos.
Fraude versus riscos 87

Figura 1. Esquema da análise de probabilidade e impacto.

A verificação dos riscos deve servir para identificar se existem controles


na organização que sejam capazes de reduzir a probabilidade de concretização
de um risco e prevenir os seus efeitos, para o caso de riscos negativos, ou
estimular a probabilidade e aumentar os efeitos, no caso de riscos positivos.
Inicialmente, o gerenciamento de riscos deve formar um entendimento
qualitativo acerca dos objetivos estratégicos da organização e quais seriam
os impactos dos eventos de riscos sobre cada um deles. Essa seria uma ava-
liação para definir em que nível a organização fica exposta, quando um fator
de risco se concretiza (INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA
CORPORATIVA, 2007).
A avaliação qualitativa vai possibilitar a análise de cada risco de acordo com
variáveis que são definidas previamente, como a probabilidade de concretização
ou o impacto capaz de causar, a vulnerabilidade, a velocidade de propagação
88 Fraude versus riscos

dos efeitos e o tempo de exposição da organização ou persistência do impacto.


Essa abordagem é mais fácil de ser aplicada, pois se baseia fortemente na
intuição e no empirismo, podendo inclusive servir para valorar riscos com
impactos intangíveis, como a reputação. Normalmente, impede avaliações do
tipo custo x benefício e apresenta resultados imprecisos. Algumas técnicas
de avaliação qualitativas incluem as pesquisas, os workshops e a avaliação
de cenários qualitativos.

Além da probabilidade e do impacto, existem outros aspectos que podem ser consi-
derados no momento de avaliar um risco:
„„ Vulnerabilidade: quanto uma organização está preparada para a concretização
de um risco, considerando a existência de uma resposta a ele e a sua agilidade
na resposta.
„„ Velocidade: qual a velocidade em que o risco se concretiza, ou seja, se ele acontece
de surpresa ou gradualmente.
„„ Exposição: por quanto tempo e em que grau a organização fica exposta ao risco.

Quando estiver terminada essa atividade de relacionar os fatores de risco


com a estratégia da organização, a avaliação qualitativa deve ser transformada
em uma avaliação quantitativa, que vai auxiliar no planejamento da empresa.
A abordagem quantitativa precisa de valores numéricos e mais precisos
para acontecer, servindo para avaliar a probabilidade ou o impacto gerado
daqueles riscos que foram identificados na análise qualitativa, como aqueles
que possuem maior probabilidade de concretização e de gerar maior impacto,
por exemplo. Essa análise vai permitir avaliações do tipo custo x benefício e,
também, a alocação de capital com base em dados válidos. Ela requer mais
tempo para ser feita, mas apresenta resultados mais precisos, dependendo do
grau de validade dos dados de entrada para os cálculos.
Essa atividade de planejamento envolve o detalhamento, no mínimo, de
todas as receitas e despesas organizacionais, os custos, os investimentos e o
fluxo de caixa estimado. Será necessário considerar muitas variáveis econô-
micas, como a tendência do mercado e das variáveis econômicas que afetam a
organização. É preciso que o processo de gerenciamento de riscos seja capaz de
quantificar as incertezas que podem estar envolvidas na fase de planejamento
para projetar os resultados da organização em cenários econômicos diferentes.
Fraude versus riscos 89

O impacto financeiro causado pelos fatores de risco na organização pode


ser aferido de forma quantitativa por meio de uma técnica que se chama
planejamento sob incerteza ou técnica de cenários. Para que essa técnica
seja aplicada, é preciso que a organização (INSTITUTO BRASILEIRO DE
GOVERNANÇA CORPORATIVA, 2007):

„„ utilize alguma ferramenta ou metodologia que viabilize fazer simulações


de cenários;
„„ tenha capacidade de formular cenários com as principais variáveis que
afetam o negócio.

A formulação de cenários diferentes requer pessoas capacitadas e com


conhecimento em cada área estratégica da organização, pois ele deve ser
detalhado, expressando o que cada elemento utilizado significa.

Cada área estratégica da empresa deve contar com profissionais capacitados para
construir cenários, prevendo o que pode acontecer com a organização na possibilidade
de concretização de algum fator de risco.
„„ Área comercial: pode prever vendas maiores ou menores.
„„ Área financeira: pode prever variações para as variáveis econômicas e para o grau
de inadimplência dos clientes.
„„ Área de compras: pode prever ações para faltas de estoque no caso de greve
de fornecedores.
„„ Área de recursos humanos: pode prever como trabalhar com um contingente
maior ou menor de funcionários.

É interessante que, após serem traçados os cenários de cada área estraté-


gica, sejam associadas à cada um deles as probabilidades que existem para
que eles se confirmem. Isso vai auxiliar a quantificar os riscos e a estimar a
possibilidade existente de que qualquer uma das métricas de desempenho da
empresa fique abaixo do esperado.
90 Fraude versus riscos

A análise qualitativa dos riscos é subjetiva, ao passo que a análise quantitativa é objetiva.
A análise qualitativa é feita depois de identificados os riscos, por meio da sua priorização,
de modo subjetivo, para uma análise posterior utilizando a probabilidade de o risco se
concretizar, e o impacto que ele pode causar. Na avaliação qualitativa também serão
determinados os riscos que deverão ser avaliados quantitativamente, para que então
seja construído um planejamento de resposta aos riscos.
A análise quantitativa é feita por meio de uma análise numérica dos efeitos dos riscos
na organização, definindo sua exposição a eles. Normalmente, são feitas análises de
cenários, por pessoal de todas as áreas da empresa, simulando aqueles riscos que
podem trazer mais impacto e possuem maior probabilidade de acontecer.

Portanto, você pode entender o motivo pelo qual o gerenciamento de riscos


que integra todas as áreas é tão importante, uma vez que prejuízos grandes
podem ser evitados partindo-se de expectativas criadas por especialistas que,
ao vislumbrar a sua concretização, conseguem desviar o rumo dos aconteci-
mentos. Dessa forma, a organização ganha em autoconhecimento, em tomadas
de decisões mais rápidas e efetivas, na redução de perdas significativas e no
aumento do aproveitamento de ganhos, e todos esses elementos geram valor
para a organização.

Priorização dos riscos


A priorização dos riscos serve para determinar o nível de cada fator de risco,
de forma individual ou em comparação com os demais riscos. Dessa forma,
será possível hierarquizar os principais riscos negativos e positivos, a fim de
fazer o seu gerenciamento dentro dos limites estabelecidos pela organização
e, também, evitar que sejam assumidos riscos maiores do que a organiza-
ção pode suportar e que sejam desperdiçadas oportunidades em potencial
(FRANCO, 2017).
Essa hierarquização deve resultar em uma listagem de todos os princi-
pais riscos que são enfrentados pela organização, refletindo qual o nível de
aceitação da organização quanto a seus riscos e sua capacidade de modificar
seus objetivos em prol de correr tais riscos, o que pode ser definido como o
perfil de riscos. O perfil de riscos deverá considerar aspectos que vão além da
Fraude versus riscos 91

probabilidade de concretização e do impacto gerado, como a vulnerabilidade


a que a organização está submetida e a velocidade de progressão do risco.

O perfil de riscos envolve:


„„ Apetite ao risco: que significa a quantidade de exposição ao risco que é aceitável
para a organização, enquanto busca atingir seus objetivos.
„„ Tolerância ao risco: que significa o nível de variabilidade na realização das metas
e objetivos predefinidos, que é aceitável pela organização.

O perfil dos riscos que são enfrentados pela organização devem ser docu-
mentados de forma detalhada, para que facilite o bom andamento da atividade
seguinte que consiste na comunicação dos riscos a todos os interessados e
também na elaboração de um plano para o tratamento dos riscos.
Uma boa prática para a avaliação e a priorização dos riscos consiste em
duas fases (FRANCO, 2017):

„„ Primeira fase: consiste em ordenar os riscos, seguindo no mínimo


dois aspectos, que são a probabilidade de concretização e o tamanho
do impacto gerado, conseguidos por meio da matriz de probabilidade
x impacto. Os níveis de riscos vão ser o resultado das áreas em que a
probabilidade e o impacto se cruzam na matriz, podendo, por exemplo,
ser chamados de baixíssimo, baixo, médio, alto, altíssimo. Outra nomen-
clatura poderá ser utilizada, a critério da equipe de gestão de riscos da
organização, mas é importante saber que, quanto mais escalas ou níveis
existirem na matriz de risco (MR), maior será a precisão da resposta
da avaliação do risco. Como todas as organizações são diferentes, as
escalas da matriz devem ser personalizadas para que se adaptem à
cultura, ao negócio e ao tamanho da organização.
„„ Segunda fase: consiste em aperfeiçoar a avaliação inicial pela inclusão
de outros aspectos para complementar a matriz de probabilidade x
impacto, como a velocidade de propagação do impacto, a persistência
ou a durabilidade do impacto e a diferença entre a situação existente e
a situação desejada. Uma outra maneira de executar a segunda fase, é
fazer a priorização dos riscos dentro de um mesmo grupo da MR, de
92 Fraude versus riscos

acordo com o tipo de efeito que pode gerar. Por exemplo, avaliar todos
os riscos considerados muito altos e priorizar, em ordem, aqueles que
impactam o financeiro da organização, a segurança dos empregados,
o ambiente de trabalho e a reputação da empresa, pois essa foi a ordem
ideal definida pela equipe de gestão de riscos da empresa.

A MR ou matriz de probabilidade x impacto é uma importante ferramenta que permite


visualizar, de forma simples e clara, a classificação e a priorização dos riscos de uma
organização.
Conheça melhor a MR acessando o link a seguir (UNIVERSO PROJETO, 2013):

[Link]

Para alguns riscos mais específicos, principalmente aqueles que envol-


vem prejuízos ou ganhos financeiros, pode ser preferível aplicar avaliações
individuais. O importante é saber que cada organização deve definir quais
são os seus riscos e também quais são os níveis de risco que são considerados
suportáveis, para cada um dos objetivos organizacionais. Observe, na Figura 2,
um exemplo de MR.

Figura 2. Exemplo de MR.


Fonte: Franco (2017, p. 50).
Fraude versus riscos 93

A avaliação e a priorização dos riscos devem considerar a integração de


todas as áreas, por isso todos os envolvidos nesse processo devem utilizar o
mesmo modelo, definido como padrão pela própria organização. Desse modo,
os riscos que forem enfrentados por áreas específicas, poderão ser comparados
e priorizados entre todas elas.
Normalmente, quando um risco é avaliado na visão de uma área, sob os
aspectos de probabilidade e risco, e ele é comparado com o mesmo risco na
visão da organização como um todo, as probabilidades não sofrem alteração,
mas os níveis de impacto, sim (ESCOLA NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA, 2014).
As organizações podem aumentar o seu desempenho quando concentram
seus esforços nos riscos que são definidos como de mais alta prioridade. Uma
priorização eficiente vai precisar de uma identificação correta dos fatores de
riscos, mas vai possibilitar o bom gerenciamento das atitudes que deverão ser
tomadas em relação a cada risco concretizado.

Fraude no contexto do gerenciamento de riscos


A fraude é um risco que coloca as atividades de todas as organizações, sejam
elas privadas ou públicas, grandes ou pequenas, sob exposição contínua. Mesmo
que o gerenciamento de riscos de uma organização seja bem estruturado e
sistemático, traduzindo eficiência e eficácia, será difícil garantir que os riscos
de fraude serão totalmente eliminados.
Dentro de uma organização, a fraude se associa aos demais tipos de risco, e
também às áreas da organização. A fraude pode, por exemplo, estar envolvida
com questões de ordem estratégica, operacional, financeira, tecnológica, ou
seja, ela não configura um tipo de risco isolado. Mesmo assim, esse tipo de
risco pode ser mitigado por meio de um programa de identificação e prevenção
de atos de fraude.

A fraude é uma ação ilícita, desonesta, que busca enganar alguém. Ela consiste em
um ato ou em uma omissão, sempre intencional, que é feito para prejudicar alguém
ou, ainda, para levar ganhos ilícitos ao fraudador.
94 Fraude versus riscos

No mundo corporativo, as fraudes podem ser executadas de acordo com


as formas apresentadas a seguir (BRASILIANO, 2015).

„„ Por um indivíduo: com o objetivo de auferir ganhos para si próprio


em detrimento das outras pessoas. Algumas fraudes, que são práticas
comuns de empregados, são o ato de assinar o cartão-ponto em data
na qual esteve ausente no serviço, inserir uma despesa de viagem para
aumentar seu reembolso, apresentar atestado médico falso.
„„ Pela organização: com o objetivo de auferir um ganho para a corporação
em si. Algumas práticas comuns são a falsificação de documentação
comprobatória para vencer licitações e a manipulação do fluxo de caixa.

O risco de fraude é impossível de ser eliminado quando se trata de seres


humanos, mas ele pode ser diminuído de forma considerável se a organização
decidir adotar um programa de envolvimento dos empregados, identificação e
prevenção das ações de fraude, em um movimento de trabalho pelos próprios
integrantes da empresa.
Para isso, é preciso que as organizações, por meio da sua gestão, entendam
que o risco de fraude existe e convive diariamente com o ambiente corporativo.
Isso deve ser dito porque, ainda nos dias de hoje, não são poucos os casos de
empresas e de indivíduos que são atingidos por fraudes, ao demonstrarem
ingenuidade e confiança demasiada em alguém.
Todas as pessoas que estão envolvidas com uma organização são respon-
sáveis e devem ser atuantes em um processo de prevenção de fraudes, mas
ele deve ser colocado em prática pela gestão da empresa, que tem o papel
de criar um ambiente apropriado para que as pessoas se informem sobre a
importância de combater as fraudes e, dessa forma, possam fortalecer ainda
mais seu gerenciamento de riscos.
Muitas vezes, a principal alavanca para as fraudes e outras atividades ilícitas
dentro de uma organização envolve a falta de comprometimento com valores
éticos e morais, com boas práticas de gestão e, também, com fundamentos de
governança corporativa, vindas da administração da empresa, o que passa a
servir de exemplo para os demais.
Por isso é preciso que a organização se dedique à criação de um programa,
que envolva fornecedores, funcionários, clientes e todos aqueles que participam
ou são atingidos pelas suas atividades, de alguma forma, para que colaborem
no processo de suspeitar, identificar e tratar possíveis atitudes relacionadas
a fraudes e ilicitudes. Veja, na Figura 3, um esquema de gerenciamento de
fraudes.
Fraude versus riscos 95

Figura 3. Princípios de um gerenciamento de fraudes.

O programa de gerenciamento de riscos e fraudes deve seguir, minima-


mente, os seguintes princípios (MACHADO; GARTNER, 2017):

„„ Informação ou conscientização: consiste na propagação das políticas e


dos regulamentos de ética e integridade que a organização respeita. Esse
processo pode acontecer em palestras, reuniões ou oficinas de trabalho
em grupo, mas é importante que seja contínuo, para que os envolvidos
entendam que o gerenciamento de fraudes não é um acontecimento
isolado, mas uma prática da empresa. É essencial conscientizar a todos,
principalmente os gestores que devem servir de exemplo de conduta por
todos os empregados e demais interessados na atividade da organização.
„„ Identificação ou detecção: envolve a atividade de avaliação do nível
de exposição da organização ao risco de fraude, à identificação das
vulnerabilidades em todas as atividades e processos pelos quais passa
o negócio da empresa e, também, ao monitoramento dos controles
internos e externos que são usados pela organização como respostas
a fraudes e ilicitudes. Esse princípio envolve também a criação de
um canal de denúncias independente e receptivo, para o qual todas as
pessoas envolvidas se sintam à vontade para delatar acontecimentos
ou ações, que entendam ser ilicitudes, e que possam atingir, de alguma
forma, os objetivos da organização, indo de encontro a sua cultura.
96 Fraude versus riscos

„„ Tratamento ou resposta: a maneira pela qual a organização vai fazer o


seu gerenciamento de riscos de fraude e quais serão as respostas dadas
a partir da identificação de uma fraude, deve ser clara e transparente
para todos as partes interessadas. Ainda devem ser apresentadas, para
todos, as penalidades que serão dadas àquele que fraudar a organização,
atingindo-a de qualquer forma.

Para que uma fraude aconteça, normalmente são necessários três elementos,
que são a motivação, a oportunidade e a racionalização, como demonstrado
na Figura 4.

Figura 4. Triângulo da fraude.

„„ Motivação: é o que impulsiona o fraudador a agir, podendo ser por


razões emocionais, como a vingança, a pressão familiar ou social ou
por razões financeiras, como os problemas de dívidas.
„„ Oportunidade: é o que acontece quando o ambiente não possui ge-
renciamento de riscos a fraudes. O fraudador age porque sabe que vai
haver impunidade.
Fraude versus riscos 97

„„ Racionalização: é o que acontece quando as pessoas enxergam um


motivo para se desculpar por cometer a fraude, como receber um salário
baixo ou não ser reconhecido na empresa.

É importante enfatizar que, para que um programa de gerenciamento de


riscos e fraude seja efetivo, não pode existir nenhum tipo de flexibilização.
Não deve existir nenhum tipo de fraude que possa ser desconsiderado, nem
algum fraudador que possa ser perdoado. Não se podem perdoar fraudes
materiais, por apresentarem prejuízo pequeno, nem altos gestores, pelo seu
cargo de gestão. Todos os fraudadores devem ser punidos para que a empresa
torne claro para todos que não tolera atos ilícitos e que mantém, acima de
tudo, uma cultura de respeito à ética.

1. A verificação de riscos envolve a à qual; as estratégias; qual área


avaliação _____, que formam um serão colocadas em prática.
conjunto de atividades que servem 2. No contexto do gerenciamento
para que a organização entenda de riscos, com relação aos
_____ está exposta, para decidir aspectos de vulnerabilidade,
quais devem ser _____ e em _____. velocidade e exposição, é
Assinale a alternativa que correto afirmar que:
melhor completa a frase. a) vulnerabilidade envolve
a) e a identificação de riscos; o a preparação da empresa
cenário ao qual; eliminados; para enfrentar o risco e a sua
quanto tempo. agilidade para responder a ele.
b) para a eliminação de riscos; b) exposição envolve a opção
mais sobre a concorrência a da empresa em querer ou
que; os prazos de exposição; não correr um risco.
qual velocidade. c) exposição indica o tempo
c) qualitativa e quantitativa de que a empresa tem para
riscos; os fatores de risco aos identificar todos os seus riscos.
quais; tratados; qual ordem. d) vulnerabilidade indica quanto
d) contínua do perfil de riscos; de prejuízo uma empresa
o impacto dos riscos a teve com a concretização
que; aceitos; qual área. de um risco positivo.
e) dos riscos a serem mitigados; e) velocidade indica que
como fazer a gestão de riscos o risco é prioritário.
98 Fraude versus riscos

3. Quais são as fases da avaliação e 4. O que é fraude?


priorização dos riscos? a) É uma ação de probidade
a) A primeira fase ordena os riscos de um funcionário que visa
por probabilidade e impacto; aumentar o lucro da empresa.
e a segunda fase ordena os b) É a omissão de uma pessoa,
riscos em ordem alfabética. visando o enriquecimento
b) A primeira fase consiste em de outra pessoa, nunca
ordenar os riscos em ordem o seu próprio.
de quantidade; e a segunda c) É a ação lícita de alguém
fase ordena os riscos pelo que visa ganho ilícito.
impacto financeiro gerado. d) É uma ação ou uma omissão
c) A primeira fase identifica intencional ilícita, desonesta,
os riscos impossíveis de que visa enganar alguém ou
serem tratados; e a segunda alguma instituição, configura
fase identifica os riscos que um risco que coloca as
podem ser tratados. organizações em risco constante.
d) A primeira fase ordena os e) É a omissão de alguém, visando
riscos em ordem alfabética de o prejuízo de si mesmo, para
impacto (alto, baixo, médio); obter o lucro para outra pessoa.
e a segunda fase ordena os 5. Qual(is) o(s) tipo(s) de fraude(s) que
riscos de acordo com o período pode(m) ser perdoada(s)?
de resposta da empresa a) Fraudes materiais que
a eles (imediato, próximo tragam prejuízo pequeno.
semestre, próximo ano). b) Nenhum tipo de fraude deve
e) A primeira fase consiste na ser perdoado e nenhum
ordenação dos riscos por fraudador deve escapar
probabilidade e impacto; sem a devida punição.
e a segunda fase consiste c) Fraudes gerenciais, que
em adicionar aspectos para afetem poucos funcionários.
a avaliação e priorização, d) Fraudes de funcionários que
incluindo aspectos como tragam lucro para a empresa.
velocidade de propagação e) Fraudes que tenham
do impacto e duração do causado a demissão de um
impacto. funcionário incompetente.
Fraude versus riscos 99

BRASIL. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Gestão


Pública. Departamento de Inovação e Melhoria da Gestão. Gerência do Programa
GesPública. Projeto de desenvolvimento do guia de orientação para o gerenciamento
de riscos. Brasília, DF, 2013.
BRASILIANO, A. C. R. Gestão de risco de fraude. São Paulo: Sicurezza, 2015.
ESCOLA NACIONAL DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Gerência de projetos: teoria e
prática. Brasília, DF: ENAP, 2014.
FRANCO, F. Governança e gestão de riscos em organizações públicas. Brasília, DF:
Mackenzie, 2017. Disponível em: <[Link]
governanca_e_gestao_de_riscos_em_organizacoes_publicas_apostila.pdf>. Acesso
em: 12 jan. 2018.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Guia de orientação para
gerenciamento de riscos corporativos. São Paulo: IBGC, 2007.
MACHADO, M. R. R.; GARTNER, I. R. Triângulo de fraudes de Cressey (1953) e teoria da
agência: estudo aplicado a instituições bancárias brasileiras. Revista Contemporânea
de Contabilidade, Florianópolis, v. 14, n. 32, 2017. Disponível em: <[Link]
[Link]/[Link]/contabilidade/article/view/44527>. Acesso em: 12 jan. 2018.
UNIVERSO PROJETO. Definições de probabilidade e impacto dos riscos. [S.l.], 2013. Dis-
ponível em: <[Link]
-e-impacto/>. Acesso em: 12 jan. 2018.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
Dica do professor
O gerenciamento de riscos, mesmo quando praticado de forma estruturada e organizada, visando
diminuir ou eliminar as chances de riscos negativos, não é suficiente para evitar fraudes. A fraude é
um risco que coloca as atividades de todas as organizações, de qualquer tipo, sob exposição
contínua.

Nesta Dica do Professor, você vai aprender sobre a análise de fraudes e a gestão de riscos.

Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Exercícios

Assinale a alternativa que melhor completa a frase a seguir:


1)
A verificação de riscos envolve a avaliação __________, que formam um conjunto de
atividades que servem para que a organização entenda __________ está exposta, para decidir
quais devem ser _____________ e em ___________.

A) e a identificação de riscos; o cenário ao qual; eliminados; quanto tempo.

B) para a eliminação de riscos; mais sobre a concorrência a que; os prazos de exposição; qual
velocidade.

C) qualitativa e quantitativa de riscos; os fatores de risco aos quais; tratados; qual ordem.

D) contínua do perfil de riscos; o impacto dos riscos a que; aceitos; qual área.

E) dos riscos a serem mitigados; como fazer a gestão de riscos à qual; as estratégias; qual área
serão colocadas em prática.

No contexto do gerenciamento de riscos, com relação aos aspectos de vulnerabilidade,


2) velocidade e exposição, é correto afirmar que:

A) A vulnerabilidade é o aspecto que envolve a preparação da empresa para enfrentar o risco, e


a agilidade para responder a ele.

B) A exposição envolve a opção da empresa em querer ou não correr um risco.

C) A exposição indica o tempo que a empresa tem para identificar todos os seus riscos.

D) A vulnerabilidade indica quanto prejuízo uma empresa teve com a concretização de um risco
positivo.

E) A velocidade indica que o risco é prioritário.

Quais são as fases da avaliação e da priorização dos riscos?


3)
A) A primeira fase consiste em ordenar os riscos por probabilidade e impacto. A segunda, ordena
os riscos em ordem alfabética.
B) A primeira fase consiste em ordenar os riscos em ordem de quantidade. A segunda, ordena os
riscos pelo impacto financeiro gerado.

C) A primeira fase consiste em identificar os riscos impossíveis de serem tratados. A segunda,


identifica os riscos que podem ser tratados.

D) A primeira fase consiste em ordenar os riscos em ordem alfabética, por nível de impacto
– alto, baixo, médio. A segunda, ordena os riscos de acordo com o período de resposta da
empresa – imediato, próximo semestre, próximo ano.

E) A primeira fase consiste em ordenar os riscos por probabilidade e impacto. A segunda, em


adicionar aspectos para a avaliação e priorização, como velocidade de propagação do impacto
e a sua duração.

O que é fraude?
4)
A) É uma ação de probidade de um funcionário, que visa aumentar o lucro da empresa.

B) É uma omissão de uma pessoa, visando o enriquecimento de outra, nunca o próprio.

C) É uma ação lícita de alguém, que visa ganho ilícito.

D) É uma ação ou omissão intencional ilícita, desonesta, que visa enganar alguém ou alguma
instituição. Ela configura um risco que coloca as organizações sob exposição contínua.

E) É uma omissão de alguém, visando o prejuízo de si mesmo para obter o lucro para outra
pessoa.

Qual o tipo de fraude que pode ser perdoada?


5)
A) Fraudes materiais que tragam prejuízo pequeno.

B) Nenhum tipo de fraude deve ser perdoada, e nenhum fraudador deve escapar sem a devida
punição.

C) Fraudes gerenciais, que afetem poucos funcionários.

D) Fraudes de funcionários que tragam lucro para a empresa.

E) Fraudes que tenham causado a demissão de um funcionário incompetente.


Na prática
Uma loja de confecções infantil chamada VestiDinho, preocupada em executar a atividade de
governança de forma satisfatória, implantou o gerenciamento de riscos. Apesar disso, continuou
com problemas de vendas não concretizadas, perda de clientes para a concorrência e de
funcionários para outros estabelecimentos. Pa que fosse verificado o problema, a diretoria da loja
chamou um consultor na área de gestão de riscos.

O consultor, após investigar como havia sido feita a implantação do gerenciamento de riscos na
loja, chamou o diretor e lhe explicou que, apesar de os fatores de risco terem sido identificados e
de haver planejamento de resposta para cada um deles, não havia sido feita uma avaliação
qualitativa e quantitativa que determinasse uma priorização para os riscos que deveriam ser
atendidos antes por serem mais críticos.

Um dos problemas que chamou a atenção do consultor foi que havia preocupação com o marketing
da loja em detrimento de manter pagamento dos funcionários em dia. Ele explicou à gerência que
existem fatores de riscos que até podem configurar obrigações da empresa, mas que um descuido e
o não cumprimento de uma obrigação passa a ser uma ameaça. Em contrapartida, o cumprimento
de deveres pode trazer o aproveitamento de boas oportunidades.

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Apenas com a ordenação do tratamento dos riscos, levando em conta o impacto gerado e a
probabilidade de acontecer, já pode ser notada uma grande diferença no funcionamento da loja
VestiDinho: os funcionários sentem-se satisfeitos e valorizados, os clientes estão sendo fidelizados,
a propaganda da loja está na internet e na TV, e já é possível trabalhar com promoções, na tentativa
de conseguir clientes fidelizados pela concorrência.
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:

Neste vídeo, você aprenderá um pouco mais sobre fraudes no


ambiente corporativo.

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Este matéria mostra como diminuir risco de fraude nas


corporações.

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O principal objetivo da Gestão de Riscos é avaliar as incertezas


do Projeto

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