Diversidade e Inclusão: Direitos da Criança
Diversidade e Inclusão: Direitos da Criança
Ricardo
Torques
CNU - Diversidade e Inclusão na
Sociedade - 2024 (Pós-Edital)
Autor:
Ricardo Torques
23 de Janeiro de 2024
Sumário
Regras Mínimas da ONU para a Proteção dos Jovens Privados de Liberdade .............................................. 15
Regras Mínimas da ONU para Administração da Justiça da Infância e Juventude (Regras de Beijing) .......... 22
Diretrizes das Nações Unidas para a Prevenção da Delinquência Juvenil (Diretrizes de Riad)....................... 28
Prevenção ......................................................................................................................................................... 47
2 - Prevenção Especial.................................................................................................................................. 48
Resumo .............................................................................................................................................................. 91
Boa aula!
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necessárias em razão dos múltiplos pacotes que compreendem o edital. A fim de garantir que nossos alunos
não sofram prejuízos, recomendamos que dediquem tempo ao estudo de apenas uma das aulas, caso estas
apresentem conteúdo equivalente nos pacotes de seus cursos. Essa abordagem visa otimizar o tempo
dedicado aos estudos, assegurando, ao mesmo tempo, a integridade do conteúdo programático. Essa
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desculpas pelo inconveniente, mas trata-se de organização necessária para atender todos os alunos. Contem
conosco em nosso fórum de dúvidas para esclarecer qualquer questionamento relacionado ao conteúdo das
matérias.
Passamos:
Em nosso ordenamento jurídico foi inserida pela Constituição de 1988 - nos arts. 227 e 228 – e expandida
com a edição do Estatuto da Criança e do Adolescente e com a internalização da Convenção Internacional
sobre o Direito das Crianças.
A doutrina da situação irregular foi oficializada pelo Código de Menores de 1979, mas, implicitamente, esteve
presente desde o Código de Menores de 1927. Confira:
vítimas de maus-tratos;
O CÓDIGO DE
sujeitos a perigo moral por se encontrarem em ambientes ou atividades
MENORES
contrárias aos bons costumes;
APLICAVA-SE A
A aplicação do Código de Menores se dava apenas aos menores “problemáticos”, restringia-se ao “binômio
carência-delinquência”, agindo na consequência e não nas causas.
Além disso, outra característica relevante da doutrina da situação irregular é a concentração das atividades
centralizadas na figura do “Juiz de Menores”.
Não havia preocupação com a manutenção de vínculos familiares. O entendimento predominante era no
sentido de que as crianças e adolescentes que necessitavam de proteção do Código de Menores chegaram
a tal ponto devido à falência da família.
Como consequência, conforme ensina a doutrina, havia uma dificuldade muito grande no desenvolvimento
de políticas públicas na doutrina da situação irregular.
Os direitos previstos no caput do art. 227 devem ser assegurados: a) com absoluta prioridade; e b) em
consideração do fato de que as crianças são pessoas em desenvolvimento. Justifica-se, assim, a normativa
específica na parte final da CF.
Em sintonia, o ECA fixa uma série de políticas públicas a serem desenvolvidas por todos os entes federativos,
mas principalmente pelo município, que está mais próximo da realidade de cada comunidade, em respeito
ao princípio da municipalização que impera no ECA.
O Juiz da Infância e da Juventude mantém apenas competência judicante. Destaca-se a atuação do Ministério
Público atuando como agente de transformação social.
Para fins de prova, devemos memorizar esse quadro comparativo, de autoria de Leoberto Narciso Brancher1:
Pelo caráter, tem-se que a proteção à criança e ao adolescente no Código de Menores era encarada como
caridade. No ECA, asseguramos os direitos das crianças e dos adolescentes como política pública, como
dever de o Estado.
Pelo fundamento passamos de um caráter tão somente assistencial, no qual os menores se apresentam
como objeto de tutela jurídica, para o reconhecimento no ECA de que eles são sujeitos de direitos.
Pela questão da centralidade e da competência, há uma mudança importante, pautada pelo princípio da
municipalização. Retira-se do Poder Judiciário, da União e dos Estados o papel de destaque, que é transferido
aos municípios. A administração municipal, porque mais próxima da realidade da comunidade, tem melhores
condições para assumir de forma efetiva esse papel de centralidade e, em razão disso, agrega um volume
significativo de competência.
No que diz respeito à tomada de decisões em matéria de infância e juventude, o ECA, em substituição a
uma política centralizadora, adota um sistema democrático e participativo, que traz toda a comunidade e
organizações à mesa de discussão para fixação de políticas públicas e implemento das ações. Temos um
1
BRANCHER, Leoberto Narciso. Organização e gestão do sistema de garantias de direitos da infância e da juventude. Encontros
pela justiça na educação. Brasília: Fundescola/MEC, 2000, p. 126.
modelo de cogestão pela sociedade civil. O ECA está organizado em forma de rede, ao contrário do Código
de Menores que possuía organização piramidal e hierárquica.
De acordo com o art. 24, XV, da CF, é competência legislativa concorrente entre União e Estados e Distrito
Federal disciplinar a proteção à infância, o que resultou no Estatuto da Criança e do Adolescente, norma
geral de nosso ordenamento afeto à matéria.
Essa proteção diferenciada, atualmente em nosso ordenamento, se dá desde a gestação até maioridade.
a previsão da licença à gestante, sem prejuízo do salário, por até 120 dias, conforme o art. 7º,
XVIII, da CF;
entre os objetivos da previdência social está, conforme o art. 201, II, da CF, a proteção à
maternidade e especialmente à gestante;
a previsão de estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto,
conforme o art. 10, I, b, dos ADCT;
entre os objetivos da assistência social, consta do art. 203, I, da CF, especial proteção à
maternidade, à infância e à adolescência.
Além disso, temos no art. 208, da CF, o dever de o Estado prover a educação, outro direito social básico.
Esse direito compreende não apenas prover a educação básica, universalizar o ensino médio, mas também
conceder atendimento em creche e pré-escola nos primeiros 5 anos de idade.
No que diz respeito ao Estado: o art. 208, I, da CF, afirma que prover a educação é dever do Estado,
especialmente a educação básica dos 4 a 17 anos. Que será gratuita e obrigatória. O art. 208, §3º, da CF, fixa
que o Poder Público deve recensear os educandos no ensino fundamental, fazer chamada e zelar pela
frequência.
No que diz respeito aos pais: o art. 1.637, I, do CC, estabelece entre outras responsabilidades, conduzir a
educação dos filhos. O ECA, no art. 22, prevê que aos pais compete a educação dos seus filhos, devendo
matriculá-lo na rede regular de ensino, conforme prevê o art. 55.
A sociedade por sua vez, por intermédio do Conselho Tutelar, irá fiscalizar a frequência às aulas, conforme
estabelece o art. 56, II, do ECA.
O STF foi questionado quanto à possibilidade do ensino domiciliar e chegou à conclusão de que não há
impedimento para o ensino domiciliar. Exige-se, contudo, regulamentação para permitir efetivo controle da
qualidade do ensino em casa e atendimento às diretrizes pedagógicas hoje fixadas na Lei de Diretrizes e
Bases da Educação.
Não existe direito público subjetivo do aluno ou de sua família ao ensino domiciliar,
inexistente na legislação brasileira.
Outra discussão relevante travada no âmbito dos Tribunais Superiores diz respeito à aplicação da reserva do
possível em relação a direitos da criança e do adolescente que devem ser assegurados com absoluta
prioridade.
Em linha gerais, a reserva do possível decorre da limitação dos recursos disponíveis diante das necessidades
infinitas a serem supridas. Trata-se de uma regra prática: devido à existência de bens escassos que não
podem ser usufruídos por todos, exige-se do Estado processo de escolha.
Poderia o Estado deixar de promover a educação sob alegação de que em razão da reserva
do possível, faz-se necessário prover outro direito?
O direito educação faz parte do conjunto de bens e interesses indispensáveis a uma vida digna, é um direito
social mínimo. O mínimo existencial não abrange a mera sobrevivência, envolve direitos socioculturais (tal
como a educação) que garantam vida digna. Em razão disso, o STF já entendeu que:
Agora, vamos explorar, na parte relativa à ordem social, as regras constitucionais sobre proteção à infância.
O art. 226 constitui norma de proteção a família que é reconhecida como base da sociedade. O conceito de
família foi ampliado, sendo reconhecida a união estável e a família monoparental.
2
AgRg no AREsp 790.767, DJe 14/12/2015.
3
AgRg no AREsp 790.767, DJe 14/12/2015.
Posteriormente o STF, no julgamento da ADI 4.277 e da ADPF 132, reconheceu como constitucional a união
estável entre pessoas do mesmo sexo e o STJ, no julgamento do REsp 1.183.378/RS declarou não haver
óbices legais a celebração de casamento entre pessoas do mesmo sexo. Havendo, inclusive, uma resolução
do CNJ (Resolução 175/2013) tratando da matéria.
Esse entendimento permite concluir que a paternidade socioafetiva não afasta a responsabilidade do pai
biológico. Assim, o pai biológico deverá arcar com as despesas do filho mesmo que ele tenha sido criado e
mantenha laços de afetividade com outra pessoa que reconhece como pai.
Para chegar a essa conclusão, o STF adotou o entendimento de que devemos respeitar situações de
pluriparentalidade (ou dupla paternidade).
Sigamos!
O art. 227 traz um rol de direitos fundamentais dos adolescentes e fixa o princípio da prioridade absoluta.
Significa dizer que os direitos declinados no art. 227 devem ser assegurados, com absoluta prioridade, pela
família, pela sociedade e pelo Estado, todos atuando de forma conjunta.
Assim...
direito ao respeito
direito à liberdade
direito à convivência familiar e comunitária
devem resguardá-los de... toda forma de negligência
toda forma de discriminação
toda forma de exploração
toda forma de violência, crueldade e opressão
O Texto Constitucional prevê ampla assistência às crianças e aos adolescentes, mediante políticas públicas,
com a observância de dois preceitos:
Além disso, de acordo com a CF, as leis infraconstitucionais que estabelecerem regras específicas de proteção
às crianças e aos adolescentes deverão observar:
No RE 482.6114, o Min. Celso de Mello, destacando a importância desse dispositivo para o Texto
Constitucional, assevera que os direitos das crianças e dos adolescentes se enquadram na categoria dos
direitos humanos de segunda dimensão. Nesse contexto, impõem ao Estado dever de prestação positiva,
4
RE 482.611, rel. min. Celso de Mello, decisão monocrática, DJE de 7/4/2010.
consistente em um facere. Essa atuação positiva do Estado não pode ser deixada de lado, sob pena de a
Constituição perder a eficácia. Não se admite, portanto, que o Estado, sob alegação de conveniência e de
oportunidade não observe as regras descritas no dispositivo acima citado.
Já o art. 228 refere-se à inimputabilidade penal, que é considerada, por parte da doutrina, como um direito
fundamental e, em razão disso, uma cláusula pétrea, o que impediria qualquer redução da maioridade penal.
O art. 229 destaca a responsabilidade dos pais em relação às crianças e aos adolescentes, os quais devem
assistir, criar e educar os filhos menores. Conforme a doutrina, esse dispositivo enuncia o princípio da
solidariedade entre ascendentes e descentes.
Vamos, portanto, dar ênfase aos principais pontos da matéria, abrangendo, com segurança, os assuntos que
podem ser cobrados em prova.
O documento caracteriza-se por elencar 10 princípios que devem ser seguidos pelos estados membros da
ONU na tutela dos direitos das crianças e dos adolescentes.
Para fins de prova, você deve, ao menos, saber reconhecer os princípios tutelados do documento:
A Convenção considera como premissa o fato de que as crianças necessitam de cuidados e assistência
especiais ao longo da infância, em razão da imaturidade física e mental.
O texto da Convenção no artigo 1º conceitua como criança todas as pessoas menores de 18 anos,
respeitando eventuais regramentos internos que permitem a maioridade antes.
A Convenção sobre os Direitos das Crianças não traz qualquer distinção entre criança e adolescente. O ECA,
considera como criança a pessoa até 12 anos incompletos e, adolescentes pessoas entre 12 anos e 18 anos
incompletos. Logo, toda vez que texto estiver mencionando criança, devemos pensar tanto nas crianças
propriamente, como nos adolescentes menores de 18 anos.
O art. 2º visa proteger a criança de todas as formas de discriminação ou castigo. Não deve haver distinções
de raça, de cor, sexo, crença, idioma, origem nacional, deficiência física entre outras
PRINCÍPIOS BASILARES
princípio do maior
princípio da proteção
interesse da criança
No que tange aos direitos sociais, econômicos e culturais faz-se uma ressalva: a implementação desses
direitos (de segunda dimensão - exige atuação dos Estados) será progressiva, guardando referência com o
Pacto Internacional dos Direitos Sociais, Econômicos e Culturais.
1 - Direitos Albergados
A partir do artigo 6º, a Convenção passa a tratar dos direitos humanos das crianças em espécie, destacando
o direito à vida (artigo 6º), à integridade física e moral (artigo 19), à privacidade e à honra (artigo16), à
imagem, à igualdade, à liberdade (artigo 37), ao direito de expressão (artigos. 12 e 13), de manifestação de
pensamento (artigo 14), entre outros.
• liberdade de expressão;
• liberdade de pensamento, de crença e consciência;
• liberdade de associação;
• direito à informação;
• proteção especial às crianças portadoras de necessidades especiais;
• direito à saúde;
• previdência social;
• direito à educação; e
• direito ao lazer.
Deste extenso rol de direitos prescritos ao longo da Convenção vamos tratar dos mais importantes para a
sua prova.
O tratamento do direito à vida não se restringe somente à sobrevivência, mas ao seu adequado
desenvolvimento. Assim, todo tratamento dispensado às crianças deve observar a sua condição peculiar
de pessoa em desenvolvimento, o que implica a criação de direitos especiais e de medidas protetivas.
A separação dos pais só deve ocorrer para atender o melhor interesse da criança e sempre será determinada
pelas autoridades competentes.
2.2 - Liberdades
Quanto à liberdade, a Convenção assegura diversos direitos como a liberdade expressão, que poderá ser
restringida de forma excepcional.
A convenção assegura, já no artigo 15, inclusive, a liberdade de associação e de reunião, desde que pacíficas,
com as restrições em regra impostas às demais pessoas ou grupo de pessoas.
Cumpre destacar desse direito previsto no artigo 28 da Convenção a previsão de que o ensino primário
deverá ser obrigatório e gratuito. O ensino secundário, por sua vez, deverá ser estimulado, inclusive na
modalidade profissionalizante, com vistas à colocação no mercado de trabalho. Quanto ao ensino superior,
deverão os Estados-parte torná-lo, na medida do possível, acessível a todos.
De acordo com o artigo 32 da Convenção, as crianças devem ser protegidas das relações de trabalho
perigosas, insalubres ou que possam interferir em sua educação. Para tanto, os Estados-parte deverão
estabelecer limites mínimos para admissão em determinados empregos; fixar regras apropriadas dos
horários e condições de emprego; e estabelecer penalidades e sanções para quem violar os dispositivos de
proteção ao trabalho do menor.
3 - Protocolos Facultativos
O documento comporta 45 artigos. Desse rol, vamos destacar as informações mais relevantes.
1 - Âmbito de aplicação
A transferência ou retenção serão considerados ilícitos quando houver violação do direito da guarda.
Direito de guarda - compreenderá os direitos relativos aos cuidados com a pessoa da criança, e, em
particular, o direito de decidir sobre o lugar da sua residência;
Direito de visita - compreenderá o direito de levar uma criança, por um período limitado de tempo, para um
lugar diferente daquele onde ela habitualmente reside.
Importante registrar, ainda que, de acordo com o texto da Convenção a proteção cessará aos 16 anos de
idade.
• respeitar os direitos;
• garantir a segurança;
• promover o bem-estar físico e mental dos adolescentes.
Evidentemente que ao praticar um ato infracional, o adolescente deve se sujeitar à aplicação de medidas
socioeducativas, que imporão responsabilidade e restringirão direitos. De toda forma, dentro dessa
realidade peculiar, os direitos, a segurança e o bem-estar físico e mental do menor devem ser respeitados.
A restrição de liberdade é medida excepcional, que somente poderá ser aplicada por decisão judicial. Deve
ser feito todo esforço para abolir, na medida do possível, a prisão de jovens.
De acordo com a norma internacional, as regras devem ser aplicadas com imparcialidade, a todos que
possuírem menos de 18 anos, caso possam ser responsabilizados pela prática de atos infracionais.
Em nosso ordenamento, norma nacional (ECA), podem ser responsabilizados pela prática de atos infracionais
os adolescentes, ou seja, aqueles que tiverem em 12 e 18 anos incompletos.
Ainda no que diz respeito à aplicação, o item 16 da Regras prevê que se deve levar em consideração as
condições econômicas, sociais e culturais dos Estados. Não é possível aplicar as regras de forma igual para
todos os Estados em vista os diversos graus de desenvolvimento de cada país.
Veremos, nesse tópico, algumas regras que são aplicáveis aos adolescentes que estão internados
preventivamente, ou seja, antes de uma decisão com trânsito em julgado.
Destacam-se:
Registros
Todos os documentos gerados ao longo do procedimento infracional e relativos aos adolescentes devem
constar do processo de apuração de ato infracional, cujo acesso será restrito às pessoas interessadas no
processo (trâmite sigiloso).
Os pais ou responsáveis pelo adolescente internado devem ser notificados dessas informações.
Ingressos no sistema prisional, os adolescentes devem receber cópia das normas da instituição de privação
de liberdade, com destaque para os seus direitos e deveres, com linguagem adequada. Além disso, deve
constar do documento o endereço de autoridades competentes (tais como os contatos da Defensoria e do
Ministério Público) para apresentar reclamações. Para os jovens analfabetos ou que não possam
compreender o idioma de forma escrita, a informação deve ser comunicada de maneira que possa ser
completamente compreendida.
O transporte dos menores correrá às custas da administração. Além disso, esses traslados, quando
necessários, devem ser adequados (com ventilação e luz adequadas, em condições salubres e dignas).
Ademais, a transferência deve ser motivada (veda-se a transferência arbitrária).
Classificação e Colocação
Após o ingresso, o adolescente será entrevistado e, em seguida, será elaborado relatório psicológico,
social e médico que identifique quaisquer fatores relevantes quanto ao tipo de tratamento e programa de
educação e de formação requeridos. Além disso, a partir desse relatório será elaborado um plano de
tratamento individualizado, especificando os objetivos das ações a serem desenvolvidas, a duração e os
meios, além das etapas e prazos com que os objetivos deverão ser prosseguidos.
A partir dessa análise, as informações levantadas serão utilizadas para categorizar os grupos de
adolescentes internados, conforme necessidades de atendimento.
Não é admissível manter, no mesmo estabelecimento, adolescentes internados e adultos presos, exceto
se compuserem a mesma família. Excecionalmente, se benéfico para a ressocialização, admite-se o convívio
entre adultos presos e adolescentes internados.
Quanto aos estabelecimentos, eles devem ser construídos em condições adequadas, em instalações
pequenas a fim de permitir o tratamento individualizado e que facilite o acesso e o contato com as famílias.
Os dormitórios devem ser constituídos para pequenos grupos ou quartos individuais, tendo em conta os
padrões locais.
As instalações sanitárias devem ser de um nível adequado e localizadas de forma a permitir que cada
menor possa satisfazer as suas necessidades físicas com privacidade e de um modo limpo e decente.
Além de permitir aos adolescentes o uso de objetos pessoais, os estabelecimentos devem contar com
locais adequados para guarda desses objetos. Eventuais objetos confiscados devem ser guardados em local
seguro, com realização de inventário e manutenção adequada para devolução, salvo o dinheiro ou os objetos
que seja enviado ao exterior de forma autorizada.
Os estabelecimentos devem assegurar que cada menor tenha roupa pessoal adequada ao clima e
suficiente para manter em bom estado de saúde e que, de modo algum, seja degradante ou humilhante. Se
possível devem usar próprias roupas principalmente quando autorizados a sair.
O direito à educação deve ser assegurado, adaptado às necessidades e capacidades e com vistas à
preparação da reinserção na sociedade.
Sempre que possível, este ensino deverá ser feito fora do estabelecimento, através de programas
integrados ao sistema de ensino público para que, quando sejam postos em liberdade, os jovens possam
continuar seus estudos sem dificuldade.
Os diplomas ou certificados de educação concedidos aos jovens durante a detenção não devem indicar
que o jovem esteve internado.
Os adolescentes devem ter direito a receber formação profissional que os prepare para um futuro
emprego, isso facilita a reinserção do jovem na sociedade e diminui as chances do cometimento de novas
infrações.
Os menores devem poder escolher o tipo de trabalho que desejam executar, dentro da realidade da
instituição.
Se possível, o trabalho remunerado deve ser franqueado ao adolescente internado que deseje trabalhar.
Recreio
Aos adolescentes internados deve ser assegurado diariamente exercício ao ar livre em espaço próprio.
Religião
Aos adolescentes devem ser asseguradas condições e estrutura para professar a própria religião, assim
como o direito de não participar de cultos religiosos e de recusar livremente o ensino, a assessoria e a
doutrinação religiosa, ou seja, trata-se de uma garantia e, portanto, não deve ser obrigatória.
Cuidados Médicos
A família, o tutor ou qualquer outra pessoa designada tem o direito de ser informado do estado de saúde
do adolescente infrator.
Aos adolescentes internados, deve-se assegurar a comunicação com o mundo exterior, constituindo parte
integrante do processo educativo. Deve ser permitida a comunicação com a família e amigos por intermédio
de visitas internas e liberação para vistas externas.
Todos os adolescentes têm o direito de receber visitas regulares e frequentes, em princípio uma vez por
semana e não menos que uma vez por mês, em circunstâncias que respeitem a sua necessidade de
privacidade, contato e comunicação sem restrição com a família e o advogado de defesa. As visitas e contato
com o mundo exterior ajudam na manutenção dos vínculos principalmente os familiares e facilitam a
recolocação desse jovem na sociedade.
Todos os adolescentes possuem o direito de se comunicar por escrito ou por telefone, pelo menos duas
vezes por semana, com a pessoa da sua escolha, a menos que estejam legalmente proibidos. Todo
adolescente terá direito a receber correspondência.
O uso da força somente é admissível em casos excepcionais, quando outros métodos de controle se
revelarem inoperantes, e só nos termos explicitamente autorizados e especificados na legislação.
Normalmente o uso da força só é permitido para a segurança do próprio adolescente ou dos outros internos.
O porte e uso de armas deve ser proibido em qualquer estabelecimento onde estejam detidos menores.
Processos Disciplinares
Medidas e processos disciplinares devem ser compatíveis com o respeito à dignidade do adolescente e
com os objetivos fundamentais do tratamento institucional.
São proibidas medidas disciplinares que se traduzam em tratamento cruel, desumano ou degradante.
Castigos corporais, recolhimento em cela escura, isolamento, solitária, ou qualquer outro castigo que possa
comprometer a saúde física ou mental do interno são vedados. A redução de alimentação e a restrição ou
proibição de contato com os membros da família são proibidas, sejam quais forem as razões.
O trabalho deve sempre ser visto como um instrumento educativo e um meio de promover o autorrespeito
do adolescente preparando-o para retorno ao convívio social e nunca deve ser imposto como castigo.
Os adolescentes não poderão ser castigados mais de uma vez pela mesma infração. Os castigos coletivos
devem ser proibidos.
a) conduta tipificada como infração. Por isso os adolescentes devem receber as regras da instituição no seu
ingresso;
Nenhum adolescente será castigado, sem que tenha sido devidamente informado da infração que o
acusam, e sem que tenha a oportunidade de se defender, incluído o direito de apelar a uma autoridade
competente imparcial.
Inspeção e queixas
As autoridades, que não pertençam à administração do centro, poderão fazer inspeções regulares e sem
prévio aviso nas instituições de internação, cujas conclusões constarão de relatório. No Brasil as defensorias
e membros do Ministério Público fazem inspeções nas instituições de internação.
Aos adolescentes internados deve ser assegurado o direito de informar e representar irregularidades à
direção.
Regresso à Comunidade
Os adolescentes devem ser auxiliados para o retorno ao convívio social, com liberações antecipadas e
períodos de estágio.
Pessoal
Os servidores que atuam perante as instituições de internação devem ter qualificação e formação
específicas de acordo com as respectivas áreas de atuação.
Encerramos a análise das principais regras relativas à Proteção dos Jovens Privados de Liberdade pela ONU.
Não há necessidade de memorização. Se esse assunto for ventilado em uma das questões, certamente irá
explorar a contextualização da matéria de acordo com o nosso ordenamento interno.
Se você cotejar essas regras com a disciplina constante do ECA e com a legislação específica – notadamente
a Lei do SINASE – notará que o nosso ordenamento jurídico está de acordo com a diretiva internacional.
De toda forma é fundamental a leitura dos itens que destacamos acima, pois representam o cerne desse
extenso diploma internacional.
A tônica do documento é tratar da prática dos atos infracionais, especialmente o respeito aos direitos das
crianças e adolescente envolvidos na prática de atos infracionais.
De acordo com a doutrina especializada, temos uma ampliação da proteção conferida pela Convenção sobre
os Direitos das Crianças.
Orientações Fundamentais
A atuação dos Estados na Infância e Juventude deve ser voltada para promoção do bem-estar da criança
e do adolescente e de sua família.
A atuação do Poder Público deve levar em consideração que as crianças e adolescentes são mais
vulneráveis à um comportamento desviado e por isso devem estimular o desenvolvimento pessoal e a
educação.
A Justiça da Infância e da Juventude deve ser parte integrante do processo de desenvolvimento nacional
de cada país.
As regras de Beijing aplicam-se aos jovens infratores com imparcialidade e sem discriminações de
qualquer natureza.
Os Estados Membros aplicarão as definições seguintes, de forma compatível com seus respectivos
sistemas e conceitos jurídicos:
Jovem é toda criança ou adolescente que, de acordo com o sistema jurídico respectivo, pode responder por
uma infração de forma diferente do adulto.
Infração é todo comportamento (ação ou omissão) penalizado com a lei, de acordo com o respectivo sistema
jurídico.
Jovem Infrator é aquele a quem se tenha imputado o cometimento de uma infração ou que seja considerado
culpado do cometimento de uma infração.
As regras mínimas foram formuladas buscando a possibilidade de aplicação em diferentes sistemas legais.
Trata-se de um piso mínimo para qualquer sistema.
As regras são aplicáveis também aos “delitos situacionais” previstos em diversas legislações nacionais.
Delitos situacionais são a prática de atos concretos que não seriam puníveis se fossem praticados por adultos
Com exemplo podemos citar a falta às aulas.
a) Aos jovens compreendidos nos procedimentos relativos à atenção à criança e ao adolescente e a seu bem-
estar;
Responsabilidade penal
Os Estados que adotarem a penalização comum para jovens não podem fixar uma idade precoce para
maioridade penal. Essa fixação deve considerar a maturidade emocional, mental e intelectual. É preciso
verificar se aquela criança ou adolescente pode ser considerada responsável por seu comportamento
antissocial.
a) bem-estar do adolescente;
Devem ser asseguradas aos adolescentes, quando envolver a atuação jurisdicional, as garantias
processuais básicas em todas as etapas do processo, como a presunção de inocência, o direito de ser
informado das acusações, o direito de não responder, o direito à assistência judiciária, o direito à presença
dos pais ou tutores, o direito de confrontar testemunhas e de interrogá-las e o direito de apelação ante uma
autoridade superior.
Proteção da intimidade
Os processos que tramitam perante a Vara de Infância e Juventude devem preservar o direito à intimidade.
Visa evitar a estigmatização do adolescente.
Cláusula de salvaguarda
Nenhuma disposição das presentes regras poderá ser interpretada no sentido de excluir ou restringir a
aplicação dessas regras e de outros instrumentos normativos, voltados à proteção da infância e juventude.
Primeiro contato
Uma vez apreendido, os pais ou responsáveis pelo adolescente serão imediatamente comunicados.
A autoridade competente deve analisar o caso o mais breve possível, a fim de colocar o jovem em
liberdade, dado que a restrição à liberdade na forma preventiva (antes da condenação) é a exceção.
A remissão é o instituto não formal por excelência. Sempre que encaminhar o adolescente para atuar em
instituições da comunidade deverá haver consentimento do adolescente e dos pais ou representantes. Exige-
se, ainda, o controle judicial de tais remissões. Estudaremos o instituto da remissão em aulas posteriores.
Medidas extrajudiciais que envolvem a retirada de processo penal são praticadas com frequência nos
sistemas legais e podem ser usadas em qualquer fase do processo.
Especialização policial
Haverá formação de polícia especializada, com instrução e capacidade especial, a fim de atender aos
propósitos da Justiça da infância e juventude.
Prisão preventiva
A internação preventiva constitui último recurso e deve ocorrer pelo menor prazo possível.
Sempre que possível, a internação preventiva será substituída por medidas alternativas, como a estrita
supervisão, custódia intensiva ou colocação junto a uma família ou instituição.
Os adolescentes internados provisoriamente gozarão de todos os direitos e garantias previstos nas Regras
Mínimas aprovadas pela ONU aplicáveis aos presos adultos.
Todo adolescente infrator, se o fato praticado não resultar em remissão, será apresentado ao Juiz da
Infância e Juventude, para desencadeamento do processo de apuração de ato infracional.
O adolescente tem direito a defesa técnica ao longo de todo o processo, seja por intermédio de advogado
seja pela assistência judiciária gratuita.
Os pais terão direito a participar dos procedimentos judiciais. A autoridade competente pode requerer a
presença dos pais assim como pode negar a participação deles sempre no interesse do adolescente.
Com exceção de infrações de natureza leve, será elaborado relatório de investigação completa sobre o
meio social e as circunstâncias de vida do jovem e as condições em que se deu a prática da infração.
Admissão da restrição à liberdade de modo excepcional e apenas após cuidadoso estudo do caso.
Admissão da restrição à liberdade na prática de atos infracionais de natureza grave, com violência contra
a pessoa, ou no caso de reincidência de infrações de natureza grave. Além disso, deve ser verificado no caso
concreto que não há outra medida apropriada.
A variedade de medidas socioeducativas tem por finalidade permitir a adequação ao caso concreto e dar
flexibilidade ao juiz da infância e juventude, evitando ao máximo a institucionalização.
A internação será sempre uma medida de último recurso e pelo menor período possível.
Deve-se buscar a celeridade no trâmite de processos que envolvam interesses de crianças e adolescente,
evitando demoras desnecessárias.
Registros
Os registros de adolescentes infratores serão de caráter estritamente confidencial e não poderão ser
consultados por terceiros. Só terão acesso aos arquivos as pessoas que participam diretamente da
tramitação do caso ou outras pessoas devidamente autorizadas.
Os antecedentes infracionais não serão utilizados em processos de adultos em casos subsequentes que
envolvam o mesmo infrator.
O quadro de servidores da Justiça da Infância e da Juventude deverá refletir as diversas características dos
adolescentes que entram em contato com o sistema. Deve haver diversidade entre os servidores.
O Juiz da Infância e Juventude pode modificar a aplicação de medidas caso considere adequado e desde
que pautados nos princípios norteadores da matéria. A flexibilização é muito importante já que as decisões
tomadas irão influenciar a vida do infrator por longo período.
Deve ser assegurado aos adolescentes a assistência necessária, bem assim o ensino, capacitação
profissional e emprego, com vistas à reabilitação.
Assegurar proteção, educação e formação profissional para permitir que o jovem desempenhe um papel
construtivo e produtivo na sociedade.
Deve ser despendida especial atenção aos adolescentes internados, sem que se faça distinção entre eles.
Deve ser garantido aos adolescentes de ambos os sexos tratamento equitativo.
Aplicação das Regras Mínimas para o Tratamento dos Prisioneiros, aprovadas pelas Nações Unidas
Serão aplicáveis naquilo que for pertinente, inclusive para aqueles que foram internados
preventivamente.
A liberdade condicional deve ser utilizada na maior medida e o mais cedo possível.
Sistemas semi-institucionais
O Poder Público deve desenvolver pesquisas voltadas para a avaliação, organização e fomento de políticas
públicas.
Além disso, devem ser revisadas e avaliadas as tendências, os problemas e as causas que levam o jovem
ao cometimento de infração, para o desenvolvimento de políticas corretas.
O êxito na prevenção da delinquência juvenil requer esforço conjunto de toda sociedade. Políticas públicas
devem ser desenvolvidas desde o período compreendido como primeira infância.
As diretrizes devem ser interpretadas e aplicadas à luz da normativa internacional, notadamente a DUDH,
Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, Pacto Internacional de Direitos Civis e
Políticos, a Declaração Universal dos Direitos das Crianças (DUDC) e Convenção sobre o Direito das Crianças.
As diretrizes deverão ser aplicadas no contexto das condições econômicas, sociais e culturais
predominantes em cada um dos Estados Membros.
Os planos gerais de prevenção devem compreender análises, definição do campo de atuação dos órgãos
e instituições, coordenação adequada, desenvolvimento de políticas e de estratégias, adoção de métodos,
Neste processo, deve ser dada atenção especial às políticas de prevenção que favoreçam à socialização e
à integração de crianças e adolescentes.
Família
Constitui eixo central das políticas, a preservação da integridade da família. A família é o ente encarregado
da integração social primária da criança e deve receber ajuda de toda sociedade.
O crescimento de crianças e adolescentes deve ocorrer no bojo da família. Os governos devem adotar
políticas de assistência para as famílias que necessitem de apoio tornando o ambiente familiar estável e
firme.
Se não for possível a manutenção da criança junto à família de origem, deve-se recorrer a outras
modalidades de situação familiar como o acolhimento e a adoção.
Deve-se conceder atenção especial às crianças de famílias afetadas por problemas originados por
mudanças rápidas e desiguais no âmbito econômico, social e cultural.
Buscar manter a família unida, sem a separação de filhos dos pais, a não ser situações de absoluta
impossibilidade.
Educação
Entre as regras relativas aos sistemas de educação destaca-se: respeito à identidade própria e
características culturais; desenvolvimento da personalidade, aptidões e capacidades; participação ativa de
crianças e adolescentes no processo educativo; integração da escola na comunidade; incentivo ao respeito
a opiniões e culturas diferentes; e informação. Deve-se evitar medidas disciplinares severas, sobretudo
castigos físicos.
No processo educativo, as crianças e adolescentes devem ser informados sobre o ordenamento jurídico,
seus direitos e obrigações.
Deve ser despendida atenção especial aos jovens em situação de risco social.
Adoção de políticas e estratégias educacionais com vistas à prevenção do uso indevido de álcool, drogas
e outras substâncias por parte dos jovens.
O poder público deve buscar alta qualificação e capacidade de professores e estruturação das entidades
de ensino.
As escolas deverão fomentar a adoção de políticas e normas equitativas e justas; os estudantes estarão
representados nos órgãos da administração escolar e nos de adoção de decisões e participarão nos assuntos
e procedimentos disciplinares.
Comunidade5
Meios de Comunicação6
Os meios de comunicação deverão certificar-se de que a criança tem acesso à informação e aos materiais
procedentes de diversas fontes nacionais e internacionais. Além de difundir a existência de serviços e
oportunidades destinados ao jovem. Devem ter consciência de sua função, responsabilidade e sua influência
entre os jovens.
Os organismos governamentais deverão dar a máxima prioridade aos planos e programas dedicados aos
jovens, especialmente para atender a assistência médica, saúde mental, nutrição, moradia.
Os governos deverão promulgar e aplicar leis e procedimentos especiais para estimular e proteger os
direitos e o bem-estar de todos os jovens.
Deverá ser promulgada e aplicada uma legislação que proíba a vitimização, os maus-tratos e a exploração
das crianças e dos jovens.
5
Análise apenas das linhas gerais, pois o restante escapa à possibilidade de cobrança em prova.
6
Análise apenas das linhas gerais, pois o restante escapa à possibilidade de cobrança em prova.
Nenhuma criança ou jovem deverá ser objeto de medidas severas ou degradantes de correção ou castigo
no lar, na escola ou em qualquer outra instituição.
Deverão ser adotadas e aplicadas leis que regulamentem e controlem o acesso das crianças e jovens às
armas de qualquer tipo.
Deverá ser promulgada uma legislação pela qual seja garantido que todo ato que não seja considerado
um delito, nem seja punido quando cometido por um adulto, não seja considerado um delito, nem objeto
de punição quando for cometido por um jovem.
Os servidores da polícia deverão ser capacitados para atender às necessidades especiais dos jovens.
DISPOSIÇÕES DO ECA
Vamos tratar de alguns artigos do ECA.
Que o ECA trata a respeito dos direitos das crianças e dos adolescentes todos sabíamos. Para a prova,
entretanto, você deve saber que a ideia de “proteção integral” remete a algo a mais!
O art. 2º do ECA estabelece os conceitos de criança e de adolescente. O ECA não adota o critério psicológico
para distinguir criança de adolescente, adota o critério de idade.
Assim...
CRIANÇA ADOLESCENTE
• de 0 a 12 anos • de 12 a 18 anos
incompletos incompletos
Completados 18 anos, o adolescente passa a ser um adulto, regido pela legislação civil, não mais merecendo
proteção do ECA. Essa é a regra!
Pergunta-se:
Pela literalidade do ECA, a resposta ao questionamento acima é positiva. Conforme o art. 2º, parágrafo único,
“aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade”. Por
exemplo, o art. 121, §5º, do ECA, ao disciplinar a medida socioeducativa de internação prevê a possibilidade
de o jovem, já maior de idade, permanecer custodiado até os 21 anos.
O princípio da prioridade absoluta está previsto tanto na Constituição, no art. 227, caput, como no ECA, no
art. 4º.
Segundo o referido princípio, constitui dever da família, da sociedade e do Estado em ação conjunta
assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência
familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.
Em face disso, o art. 4º, do ECA, parágrafo único, traz exemplos de como realizar o princípio da prioridade
absoluta. Vejamos:
Lembre-se que atender o disposto neste princípio é obrigação do Estado, da família e de toda sociedade.
O referido princípio caminha junto com o princípio da prioridade absoluta e informa o respeito
que se deve ter em relação aos direitos fundamentais das crianças e adolescentes. Ademais,
esse princípio é qualificado pela necessidade de mínima assistência ao menor.
Nesse contexto, o art. 3º, do ECA, reforça que crianças e adolescentes gozam de todos os
direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, com a obrigação de que sejam asseguradas
oportunidades e facilidades para lhes propiciar o desenvolvimento físico, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e de dignidade.
Além disso, em respeito à dignidade das crianças e adolescentes, estabelece o art. 5º algumas vedações
importantes, a fim de que não sejam submetidos à negligência, à discriminação, à exploração, à violência, à
crueldade e à opressão. Como forma de evitar tais atos, há a previsão de crimes, sanções civis e
administrativas para quem violar, por ação ou omissão, a dignidade das crianças e adolescentes.
Cumpre destacar, ainda, que a Lei nº 13.257/2016 acrescentou o parágrafo único ao art. 3º, do ECA, para
prever que os direitos que serão estudados ao longo do Estatuto são aplicados a todas as crianças e
adolescentes sem qualquer discriminação.
DIREITOS FUNDAMENTAIS
Em relação aos Direitos Fundamentais, o ECA distribui o assunto em 5 pontos:
direito à
direito à educação, à
profissionalização e à
cultura e ao lazer
proteção no trabalho
Vamos lá!
O direito à vida e à saúde são inerentes à condição humana. Em relação às crianças e aos adolescentes
confere-se um tratamento privilegiado, em razão das peculiaridades da fase de sua existência.
A efetivação desses direitos, de acordo com o art. 7º, do ECA, deve ocorrer por intermédio de políticas
públicas para o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas. Direito à vida atualmente não
significa sobrevivência e sim direito a viver com dignidade e o direito à saúde vai além de cuidados médicos,
envolve, por exemplo, preocupação com a alimentação das crianças e adolescentes. Confira a redação literal:
A Lei nº 13.257/2016 recebeu a denominação de Marco Legislativo da Primeira Infância, com a fixação de
princípios e diretrizes que ampliaram a rede de atenção à gestante. Vamos estudar essa legislação ainda
nessa aula.
Para fins de prova, nos interessa algumas informações específicas. Nota-se um esforço da legislação em
desenvolver programas e políticas de atendimento adequadas à proteção da gestação. Lembre-se:
A mãe terá direito de escolher, nos últimos 3 MESES da gestação, o local onde será
realizado o parto.
O Poder Público deverá atuar a fim de garantir os direitos das gestantes perante a rede
pública de saúde, atuará também em posição interventiva nos contratos de emprego,
preservará o direito das gestantes que estiverem em restrição de liberdade.
Recentemente o STJ tem decidido que as mães que estão cumprindo pena privativa de liberdade de forma
preventiva ou cautelar e possuem filhos menores de 12 anos devem ter sua prisão convertida em prisão
domiciliar de forma geral, salvo em casos excepcionais e com a devida fundamentação específica.
O ECA prevê atendimento integral à saúde da criança e do adolescente pelo SUS, por intermédio de
atendimento especializado, abrangendo:
A defensoria Pública e o Ministério Público devem atuar para garantir a observância dos direitos aqui
previstos, seja de forma individual seja de forma coletiva por meio da Ação Civil Pública.
O art. 12 do ECA prevê uma regra importante. Caso a criança ou adolescente necessite de internação médica,
um dos pais ou o responsável terá direito a permanecer, em tempo integral, com a criança ou adolescente,
inclusive em unidades de terapia intensiva. Fique atento essa regra não se aplica apenas à criança na primeira
infância (nos primeiros 6 anos de vida), mas a todos os tutelados pelo ECA (ou seja, menores de 18 anos).
O art. 13 confere um dever a todos. A criança e o adolescente podem sofrer violência no âmbito
domiciliar ou em qualquer outro local como escolas, igrejas, creches etc. Portanto, não importa
o local ou quem seja o agressor verificada situação de castigo físico, tratamento cruel,
degradante ou maus tratos, DEVE haver comunicação ao Conselho Tutelar. O artigo 13 caput
é muito explorado em questões de concurso.
A nova Lei Henry Borel trouxe a previsão do dever de comunicação da violência doméstica e familiar contra
crianças e adolescentes praticada em local público ou privado e para garantir este dever criminalizou a
omissão.
Vamos estudar, nesse tópico, os arts. 15 a 18-B do ECA. Novamente temos um rol de direitos que são
assegurados em razão da condição de pessoa em desenvolvimento.
Sabemos que não há previsão de direitos absolutos em nosso ordenamento jurídico. O ECA permite, de
forma excepcional, a privação da liberdade do adolescente, desde que observadas as hipóteses legais. Deve
haver prisão em flagrante ou ordem escrita e fundamentada de autoridade judicial competente para ocorrer
privação de liberdade sob pena de cometimento de crime previsto no art. 230 do ECA.
participar da vida
familiar e participar da vida buscar refúgio,
comunitária, sem política auxílio e orientação
discriminação
Esses direitos estão arrolados no art. 16, do ECA, tratando-se de rol meramente exemplificativo.
Veja, ainda, a redação dos arts. 17 e 18, do ECA, que também possuem uma redação enunciativa de direitos,
cuja leitura é o suficiente para responder as questões de concurso. Fique atento pois a literalidade do art. 17
também é bastante explorada pelos examinadores.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral
da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da
autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de
qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
O STJ entende que havendo colisão entre o direito à informação ou liberdade de impressa e a dignidade da
criança ou adolescente esta irá prevalecer sendo vedado a divulgação de imagens vexatórias de crianças e
adolescentes.
O ECA trata do direito à educação de crianças e adolescentes, com destaque para a vedação ao uso do castigo
físico ou de tratamento cruel ou degradante, em termos de correção e disciplina.
Esse tema está disciplinado nos arts. 18-A e 18-B do ECA, que foram inseridos no Estatuto pela Lei nº
13.010/2014, denominada de Lei da Palmada. O tema sofreu recente mudança legislativa com a Lei
14.344/2022. A vedação ao uso do castigo físico, tratamento cruel ou degradante não se aplica apenas aos
pais ou responsáveis e sim a qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou proteger crianças ou
adolescentes, inclusive aos agentes públicos responsáveis pelas medidas socioeducativas.
Esse diploma fixou alguns conceitos, os quais devemos conhecer para a nossa prova. Esse também é um
tema muito explorado, por isso muita atenção!
• sofrimento físico; ou
• lesão
• humilhe
• ameace gravemente
• ridicularize
A partir desses conceitos, o ECA criou um sistema voltado para orientação e tratamento de situações de
castigo físico e tratamento cruel ou degradantes.
Caso seja identificada a prática de algumas das situações acima contra crianças ou adolescentes será
determinado:
Aqui teremos o encaminhamento dos próprios responsáveis pelo castigo físico ou pelo
tratamento cruel ou degradante. A finalidade é romper com a prática por intermédio de
um processo de conscientização.
advertência
Essas medidas estão fixadas, por sua vez, no art. 18-B, do ECA e serão aplicadas pelo Conselho tutelar sem
prejuízo de outras formas de proteção previstas em outros dispositivos legais.
O direito à convivência familiar e comunitária abrange os arts. 19 a 52 do ECA e trata de uma parte relevante
da matéria. A relevância decorre não apenas do fato de que o conteúdo é mais extenso, mas também em
razão dos assuntos que são estudados nesta parte da matéria.
Devemos partir do princípio de que a família natural tem preferência legal para criar e educar a criança e o
adolescente. Mas o que é família natural?
Família natural é aquela formada pelos pais ou qualquer um deles e seus descendentes.
Assim, a retirada da criança ou adolescente de sua família natural ocorrerá em situações excepcionais, por
decisão judicial devidamente motivada, garantindo-se o contraditório e a ampla defesa. E deve ter como
critério o melhor interesse da criança.
A retirada se dá para entidade de acolhimento familiar ou institucional, e deve ter caráter provisório e com
brevidade. Com o ECA, abandona-se a ideia de acolhimento em abrigo, para se falar em acolhimento
institucional.
A retirada da criança ou adolescente da família natural decorre de medida protetiva aplicada pelo juiz, a
qual ocorre por meio da emissão de uma guia de acolhimento (individualizada), diante da qual a entidade
produzirá um plano individualizado de ações, com a indicação das necessidades da criança e das ações
previstas para viabilizar o retorno da criança à família natural e enviará relatórios regulares, no prazo e três
meses, relatando a evolução do acolhimento.
Com base nesses relatórios interdisciplinares, o juiz decide se a criança deve continuar no programa de
acolhimento familiar ou institucional, deve retornar à família natural ou extensa ou deve proceder à
colocação em família substituta.
Sendo assim, fique atento: toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento
familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 3 (três) meses.
Você não pode confundir esse prazo, que se refere aos programas de acolhimento familiar ou institucional,
com o prazo lá do art. 94, XIV, que nós ainda vamos ver. O prazo do art. 94, que é de seis meses, se refere à
reavaliação periódica dos casos dos adolescentes sujeitos à programa de internação.
Fique tranquilo, ainda vamos ver isso tudo. Por agora, o importante é vocês não confundam a reavaliação
que se opera nos programas de acolhimento familiar ou institucional, que é de três meses, com a reavaliação
que se opera nos programas de internação, que é de seis meses. Ok?
3 meses 6 meses
A reintegração consiste no retorno da criança ou do adolescente à família natural ou extensa, deve ser o
objetivo perseguido pelos profissionais envolvidos. Como vimos, a manutenção da criança em sua família
natural terá preferência sempre que possível.
O acolhimento institucional, por sua vez, consiste em deixar as crianças sob o cuidado do Estado, nas
unidades institucionais de acolhimento.
Ainda em relação à convivência familiar, em alteração recente no ECA, foi conferido o direito de convivência
com os pais que estejam privados de liberdade, veja que a preferência pela família natural não cessa nem
nestes casos. A convivência será promovida por intermédio de visitas periódicas a serem promovidas por
quem detiver a responsabilidade direta pela criança e ocorrerá independentemente de autorização judicial.
Caso a adolescente acolhida institucionalmente tenha filhos, a eles será assegurado o direito à convivência
familiar com a mãe durante o período do acolhimento.
Ainda no âmbito das novidades, precisamos dar atenção ao art. 19-A e art. 19-B, que foram acrescidos ao
ECA pela Lei 13.509/2017.
Os dispositivos foram criados para facilitar a entrega para adoção de crianças quando a mãe manifesta
interesse em entregar o filho para adoção.
Assim, quando a mãe demonstrar interesse em entregar o filho para adoção, haverá encaminhamento da
mãe para a Vara de Infância e Juventude para que seja acompanhada e ouvida pela equipe técnica auxiliar.
Essa equipe, formada por profissionais de diversas áreas, elaborará um relatório que irá subsidiar a decisão
judicial de destituição do poder familiar.
Antes, entretanto, de decidir pela destituição é necessário buscar por familiares da criança, que tenham
interesse e condições de cuidá-la. Primeiro, busca-se a possibilidade de deixar a criança sob os cuidados do
pai. Caso não haja pai registral ou esse também não tenha interesses ou condições, serão buscados familiares
próximos, como tios, avós etc. Esses parentes paternos ou maternos que possuem vínculo de afinidade com
a criança ou adolescente são denominados de família extensa.
De todo modo, como a ordem é simplificar o procedimento de colocação em família substituta, a busca pela
família extensa deverá ser empreendida pelo prazo de 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias.
O §4º trata da situação de não localização do pai ou de família extensa. A extinção do poder familiar neste
momento é de constitucionalidade duvidosa, segundo a doutrina, e pouco coerente quando analisada de
forma conjunta com outros dispositivos do estatuto inclusive do mesmo artigo. A melhor interpretação do
§4º é que a criança será encaminhada para a guarda provisória e ao fim do estágio de convivência haverá o
pedido de adoção com o procedimento de destituição do poder familiar.
O §6º tratada situação em que foi localizado o pai ou membros da família extensa. Se não houver a
confirmação em audiência da intenção de exercer o poder familiar o juiz suspenderá o poder familiar da mãe
e encaminhará a criança para guarda provisória.
A criança encaminhada para a guarda provisória iniciará o convívio com os pretensos adotantes (estágio de
convivência). Com o fim do estágio de convivência, inicia-se o prazo de 15 dias para que o pedido de adoção
seja formalizado perante a Vara da Infância e Juventude.
A desistência é admitida até a publicação da sentença que decreta a perda do poder familiar. Nesse caso,
em razão das circunstâncias, a família será acompanhada pelo prazo de 180 dias.
O §10 também encontra críticas pela exiguidade do prazo. Lembre-se de que a busca pela família extensa
possui prazo de até 90 dias, logo o prazo de 30 dias para colocação do recém-nascido para adoção parece
ser muito exíguo.
No art. 19-B temos a figura do “programa de apadrinhamento”. Esse programa tem por objetivo
viabilizar, na medida do possível, a convivência familiar e comunitária de criança ou de adolescentes que
estejam acolhidos. O apadrinhamento tem como finalidade propiciar relacionamento familiar e engajar a
sociedade nos cuidados das crianças e adolescentes. Trata-se de política pública a ser desenvolvida pelo
Poder Executivo ou pela sociedade civil.
Podem ser padrinhos ou madrinhas pessoas maiores de 18 (dezoito) anos não inscritas
nos cadastros de adoção.
Como podemos perceber, o apadrinhamento envolve a formação de um referencial afetivo na vida da criança
e do adolescente.
Sigamos!
Os arts. 20 a 23 do ECA arrolam algumas regras muito importantes que, com frequência, são cobradas em
prova. Assim, vamos destacar aquilo que você não pode esquecer para a prova!
• Os filhos tidos dentro ou fora do casamento ou por adoção têm os mesmos direitos.
• O poder familiar é exercício em igualdade de condições pelos pais.
• Os pais têm o dever de sustento, guarda e educação.
• Os pais possuem direitos iguais e deveres e responsabilidades compartilhados no
cuidado e na educação dos filhos.
• A falta de recursos, por si só, não é impeditivo para o exercício do poder familiar.
• A condenação criminal não gera perda automática do poder familiar, a não ser que o
crime doloso praticado esteja sujeito à pena de reclusão e seja contra outrem
igualmente titular do mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou outro descendente.
O poder familiar é o conjunto de direitos e deveres dos pais em relação aos filhos menores. A mudança de
nomenclatura de "pátrio poder" para "poder familiar" demonstra a intenção de igualdade de condições entre
os pais e mães.
O art. 22 trata do conteúdo do poder familiar, trata-se de rol exemplificativo. O não cumprimento das
determinações judiciais prevista no artigo podem ensejar a perda ou suspensão do poder familiar.
O STJ entende ser possível a indenização por dano moral por abandono afetivo (descumprimento dos
deveres previstos no poder familiar) desde que demonstrado o nexo causal entre a omissão parental e o
dano causado.
Devemos lembrar que a preferência é a manutenção da criança e do adolescente em sua família natural
portanto, é preciso mais que carência material para determinar a perda ou suspensão do poder familiar.
• (i) Doloso
• (ii) Sujeito à pena de reclusão
• (iii) Contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar OU contra filho ou filha OU
contra outro descendente.
acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência, com vagas no mesmo
estabelecimento que seus irmãos.
Destaco o inciso V, alterado pela Lei 13.845/2019, o qual prevê que será garantido à criança e ao adolescente
acesso à escola pública e gratuita, próxima da residência e, aqui reside a novidade, em mesmo
estabelecimento que seus irmãos frequentem. Fique atento a essa mudança!
Ainda em relação ao direito à educação, o ECA estabelece que é dever do Estado garantir:
ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na
idade própria;
acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a
capacidade de cada um;
O ensino fundamental é obrigatório e gratuito, constituindo direito público subjetivo de todas as crianças e
adolescentes, sob pena de responsabilização da autoridade competente. Em relação ao ensino médio, fixa-
se o dever de implementá-lo progressivamente de forma obrigatória a todos.
Período Integral - O STJ decidiu que o Estado não é obrigado a fornecer vagas de período integral para
todos os alunos.
Reserva do Possível - de acordo como STJ o ente deverá demonstrar a efetiva inviabilidade orçamentária
não sendo suficiente a mera alegação. Ainda que não seja possível, por exemplo, a construção de uma creche
o Estado deverá suprir a necessidade de vagas fazendo convênios com outros Municípios ou com entidade
particular, pois de acordo com o STF direito fundamental garantido constitucionalmente deve ser cumprido,
não se permitindo a alegação de Reserva do Possível para se furtar da obrigação.
Em relação aos pais, fixa o ECA que eles têm o dever de matricular os filhos no ensino regular. Além disso, se
no ambiente escolar forem identificadas situações de maus-tratos, faltas injustificadas, evasão escolar ou
repetência, tais informações serão repassadas ao Conselho Tutelar.
O descumprimento do dever jurídico de matricular o filho na escola pode caracterizar crime de abandono de
intelectual previsto no art. 246 do CP.
No que diz respeito à cultura, valores culturais, artísticos e históricos serão levados em consideração no
processo educativo. Além disso, o Poder Público deverá implementar políticas públicas na área cultural.
Essa lei trouxe importantes modificações no âmbito do direito penal e no direito da criança e do adolescente.
A Lei trouxe uma obrigação para as instituições sociais pública e privadas que recebam verbas pública e
atuem com crianças e adolescente. Essas instituições deverão exigir certidões de antecedentes criminais
antes de contratar seus colaboradores e devem exigir a atualização dessas certidões a cada 6 meses.
O parágrafo único do novo artigo foi mais amplo na exigência quando estivermos falando de
estabelecimentos educacionais e similares. Serão obrigados a manter fichas cadastrais e certidões de
antecedentes criminais atualizadas de todos os seus colaboradores ainda que não recebam verba pública.
Art. 59-A. As instituições sociais públicas ou privadas que desenvolvam atividades com crianças
e adolescentes e que recebam recursos públicos deverão exigir e manter certidões de
antecedentes criminais de todos os seus colaboradores, as quais deverão ser atualizadas a cada
6 (seis) meses.
Além disso, a nova legislação tratou de um tema muito importante quando tratamos de educação: Bullying
e Cyberbullying.
A lei 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática ( Bullying ). A lei define bullying
como qualquer ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação
evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou
agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes
envolvidas.
A noção de bullying não se restringe apenas a crianças e adolescentes, mas se aplica a qualquer tipo de
relação social sempre que houver desequilíbrio de poder entre os envolvidos. Apesar disso, é mais comum
que o bullying ocorra entre crianças e adolescentes. O bullying hoje é apontado como uma das causas de
evasão escolar.
O bullying pode acontecer mediantes atos de intimidação, humilhação ou discriminação. O artigo 2º da Lei
13.185/2015 traz uma lista de alguns desses atos.
➢ ataques físicos;
➢ insultos pessoais;
➢ comentários sistemáticos e apelidos pejorativos;
➢ ameaças por quaisquer meios;
➢ grafites depreciativos;
➢ expressões preconceituosas;
➢ isolamento social consciente e premeditado;
➢ pilhérias.
O bullying pode acontecer até mesmo por meio da rede mundial de computadores, quando então é
conhecido como cyberbullying. Nesse caso, à depreciação em redes sociais, à incitação à violência e à
adulteração de fotos e dados pessoais, por exemplo ocorrerá por meio de instrumentos virtuais.
A Lei 14.811/2024 inseriu o artigo 146-A ao Código Penal tornando crime a intimidação sistemática (Bullying)
e o cyberbullying. A nova legislação tem sofrido algumas críticas por não ter sido muito técnica mas isso
vocês estudarão na matéria direito penal. Para nós o importante é saber que essas condutas são
consideradas crimes.
Parágrafo único. Se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de rede social, de
aplicativos, de jogos on-line ou por qualquer outro meio ou ambiente digital, ou transmitida em
tempo real:
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir crime
mais grave.
Vamos seguir em frente, agora, com a análise do último grupo de direitos fundamentais abordados pelo ECA.
O ECA trata da profissionalização e da proteção ao trabalho dos adolescentes. Sabe-se que a Constituição
veda qualquer forma de trabalho, ainda que na condição de aprendiz, antes dos 14 anos de idade.
formação técnico-profissional
APRENDIZAGEM ministrada segundo as diretrizes e bases
da legislação de educação em vigor.
O art. 63, por sua vez, trata dos princípios que orientam a aprendizagem.
PRINCÍPIOS
bolsa de aprendizagem
Na sequência, o ECA estabelece algumas vedações em relação ao trabalho do menor, seja ele realizado como
trabalho a partir dos 16 anos, seja como aprendiz:
Por fim, o ECA trata do trabalho educativo que constitui programa social voltado para a capacitação do
adolescente, com vistas ao exercício de atividade regular remunerada.
Segundo o ECA:
PREVENÇÃO
1 - Disposições Gerais
O art. 70, do ECA destaca a tônica do ECA: a proteção aos direitos das crianças e dos adolescentes. Isso
ocorre porque o ECA dispensa tratamento diferenciado às crianças e adolescentes em face da condição
peculiar de pessoa em desenvolvimento. Trata-se de um dever específico de proteção.
O artigo 70-A do ECA prevê a atuação da União, Estados, Distrito Federal e Municípios na elaboração de
políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso de castigo físico ou de tratamento cruel
ou degradante e difundir formas não violentas de educação de crianças e de adolescentes.
Faltou comentar, ainda, sobre o parágrafo único do art. 70-A, que trata de crianças e adolescente com
deficiência. Para elas o atendimento deverá ser prioritário em face das demais crianças e adolescentes, dada
a dupla situação de vulnerabilidade.
O art. 70-B, ainda dentro do tema relativo aos castigos físicos e tratamento cruel, estabelece que todos os
que lidam com crianças e adolescentes devem contar com um quadro de servidores/funcionários
capacitados a reconhecer os maus-tratos, perceba que inclui entidades privadas ligadas ao lazer, cultura ou
esportes, por exemplo.
O artigo 23 da Lei Henry Borel trouxe a previsão do dever de comunicação da violência doméstica e familiar
contra crianças e adolescentes praticada em local público ou privado.
A lei é mais abrangente que o ECA prevê que qualquer pessoa tem a obrigação de comunicação quando se
tratar de violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente.
E mais, para garantir a observância deste dever a lei criminalizou a omissão. O art. 26 da lei tem pena bem
maior que a omissão de socorro prevista no Código Penal.
2 - Prevenção Especial
Art. 74. O poder público, através do órgão competente, regulará as diversões e espetáculos
públicos, informando sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem,
locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada.
Art. 75. Toda criança ou adolescente terá acesso às diversões e espetáculos públicos
classificados como adequados à sua faixa etária.
Art. 76. As emissoras de rádio e televisão somente exibirão, no horário recomendado para
o público infanto juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas, culturais e
informativas.
Parágrafo único. NENHUM espetáculo será apresentado ou anunciado sem aviso de sua
classificação, antes de sua transmissão, apresentação ou exibição.
Parágrafo único. As fitas a que alude este artigo deverão exibir, no invólucro, informação
sobre a natureza da obra e a faixa etária a que se destinam.
Parágrafo único. As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens
pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca.
O STJ entende que o dever imposto neste artigo envolve também os transportadores e distribuidores de
revistas e publicações garantindo assim a máxima eficácia das normas protetivas.
A vedação aqui prevista é absoluta, não importando se a criança ou o adolescente está acompanhado dos
pais ou responsáveis.
Em relação aos produtos e serviços, o ECA reserva dois dispositivos. O primeiro deles estabelece a proibição
de venda à criança e ao adolescente de alguns produtos e o outro estabelece critérios para a hospedagem.
A venda de armas e munições está prevista como crime no art. 242 do ECA e no art. 16 do Estatuto do
desarmamento e a venda de fogos de artifício no art. 244 do ECA.
A venda de bebida alcoólica era considerada apenas contravenção penal vez que não estava incluída no art.
243 do ECA. Em 2015 a Lei 13.106 fez a inclusão da bebida alcoólica no rol do artigo citado tornando sua
venda a criança ou adolescente crime.
Como regra, menores de 16 anos não podem viajar para fora da comarca a não ser que estejam
acompanhados dos pais/responsável ou estiverem portando autorização judicial.
Existem, contudo, exceções! Existem situações em que o menor de 16 anos poderá viajar dentro do território
nacional sem estar acompanhado dos pais/responsáveis ou autorização judicial. Essas hipóteses estão
declinadas no §1º do art. 83 do ECA:
Por exemplo, nada impede que uma criança de 10 anos ou um adolescente de 15 anos viaje
de uma cidade vizinha para outra, desde que dentro do mesmo Estado. Se forem cidades
vizinhas, mas de Estados diferentes (ou seja, em divisas de Estados) não será admitida a
viagem.
Admite-se a viagem desacompanhada ou sem autorização judicial no caso de translado entre cidades que
estejam na mesma região metropolitana.
Por exemplo, nada impede que uma criança de 11 anos de idade se desloque de uma cidade
para outra, desde que integrem a mesma região metropolitana. Nesse caso, não há
necessidade de que essas cidades sejam vizinhas, mas devem integrar a mesma região
metropolitana.
Admite-se a viagem sem estar acompanhada de pais ou responsável ou sem portar autorização judicial
quando o menor de 16 anos estiver acompanhado de ascendentes ou colateral maior (até o 3ª grau), desde
que comprove, mediante apresentação de documentos, a relação de parentesco.
Admite-se a viagem sem estar acompanhada de pais ou responsável ou sem portar autorização judicial
quando o menor de 16 anos estiver acompanhado pessoa maior de idade desde que esteja portando
autorização fornecida pelo pai, ou pela mãe ou por responsável. Fique atento, aqui não se exige
reconhecimento de firma em cartório.
E o maior de 16 anos e menor de 18? Como fica a questão de viagens dentro do território
nacional?
Para os adolescentes que estiverem entre 16 e 18 anos não há qualquer restrição para viajar dentro do
território nacional. Podem se locomover de um ponto a outro do país, sem estarem acompanhados de pais
ou responsáveis ou sem autorização judicial. Lembre-se de que, nesse caso, são considerados pela nossa
legislação civil como relativamente incapazes, ou seja, possuem maior grau de discernimento pelo que a lei
não exigiu maiores formalidades para essas viagens.
• acompanhada de pais/responsável; ou
• mediante autorização judicial (com validade de 2 anos).
• translado em comarcas vizinhas (a lei fala em contígua), desde que se trate de mesma
unidade da Federação;
• translado entre cidades que estejam na mesma região metropolitana;
• translado acompanhado de ascendentes ou colateral maior (até o 3ª grau), desde que
comprove, mediante apresentação de documentos, a relação de parentesco; ou
• translado acompanhado pessoa maior de idade desde que esteja portando autorização
fornecida pelo pai, ou pela mãe ou por responsável.
Agora, passemos às regras de viagens para o exterior, que são aplicáveis a menores de 18, aplicam-se,
portanto, tanto para as crianças como para os adolescentes de qualquer idade.
Para viagens ao exterior, o procedimento é diverso. De acordo com o ECA, a autorização judicial para viagens
de crianças e de adolescentes será dispensável apenas em duas situações:
Em tais situações será necessário ingressar com procedimento junto à Vara da Infância e Juventude a fim de
suprir judicialmente a falta de manifestação. O magistrado verificará se é, de fato, justificável a escusa do
outro pai.
Assim...
3 - Política de Atendimento
I - municipalização do atendimento;
VIII - especialização e formação continuada dos profissionais que trabalham nas diferentes
áreas da atenção à primeira infância, incluindo os conhecimentos sobre direitos da criança
e sobre desenvolvimento infantil;
EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA
EM REGIME DE PROTEÇÃO
SOCIOEDUCATIVA
semiliberdade
internação
Quanto ao acolhimento em entidade, a Lei nº 13.257/2016 trouxe uma alteração ao incluir o § 7º no art. 92,
do ECA. Quando se tratar de criança de 0 a 3 anos em acolhimento institucional, dar-se-á especial atenção
à atuação de educadores de referência estáveis e qualitativamente significativos, às rotinas específicas e ao
atendimento das necessidades básicas, incluindo as de afeto como prioritárias.
Na sequência, o ECA estabelece uma série de obrigações destinadas às entidades de internação. Entre as
medidas socioeducativas, a de internação é mais drástica, conforme estudaremos na próxima aula. Tais
entidades devem respeitar uma série de obrigações. Vejamos:
Essas entidades serão fiscalizadas pelo Poder Judiciário, pelo Ministério Público e pelos Conselhos Tutelares,
conforme explicita o art. 95 do ECA. Embora não conste do rol previsto pelo estatuto a Defensoria Pública
também deve atuar na fiscalização.
ENTIDADES NÃO
ENTIDADES GOVERNAMENTAIS
GOVERNAMENTAIS
advertência advertência
Se houver reiteração nas infrações poderá ser determinada, pela autoridade judiciária, em processo regular,
a suspensão das atividades ou a dissolução da entidade, ouvido o Ministério Público.
Disposições Gerais
As medidas de proteção serão aplicáveis todas as vezes que os direitos de crianças e adolescentes não
estiverem sendo respeitados, seja por ação ou por omissão dos genitores, dos responsáveis ou do Estado.
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
Dada a natureza peculiar que se confere ao tratamento de crianças, embora pratiquem atos
infracionais, a estas não serão aplicadas medidas socioeducativas, mas tão somente
medidas de proteção.
Mesmo aos adolescentes, embora sejam responsabilizados pelos atos infracionais praticados,
será observado um processo diferenciado, denominado de ação socioeducativa, de
titularidade do Ministério Público. Nesse procedimento haverá a apuração da autoria e materialidade dos
fatos praticados e, caso sejam confirmados, haverá aplicação de uma das medidas socioeducativas.
O art. 104, por sua vez, reitera o dispositivo constitucional que afirma que os menores de 18 anos são
inimputáveis. É importante citar que se considera praticado o ato infracional (momento em que se afere a
idade do agente) no momento da ação ou da omissão (Teoria da Atividade) ainda que o resultado ocorra em
outro momento.
Direitos Individuais
Os direitos individuais garantidos pelo ECA são muito semelhantes aos garantidos pela Constituição Federal
aos presos comuns, com as devidas peculiaridades. Veja que não se fala em flagrante delito e sim flagrante
de ato infracional, por exemplo.
A internação provisória (antes da sentença), que somente poderá ser decretada por
decisão judicial fundamentada, será pelo prazo improrrogável de 45 dias.
Quanto a internação provisória o prazo de 45 dias é considerado improrrogável pelo STJ e caso seja
extrapolado acarreta constrangimento ilegal e o adolescente deve ser posto imediatamente em liberdade
(normalmente utiliza-se o HC).
Segundo o STJ, a autoridade judiciária não pode decretar a internação provisória apenas baseada na
gravidade abstrata do delito. Esse entendimento foi sumulado pelo tribunal. Veja a Súmula 492 do STJ:
Súmula 492 do STJ O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente.
É preciso verificar, no caso concreto, a necessidade de medida tão extrema. Além disso o tribunal superior
também afirma que é preciso verificar a possibilidade de aplicação de medida de internação ao final do
procedimento, caso contrário não haverá justificativa para a medida de forma provisória.
Quando o adolescente apreendido estiver portando documento civil válido e não houver dúvidas fundadas
sobre sua identidade ou quanto idoneidade do documento apresentado não se fará identificação
compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais.
Garantias Processuais
Em relação às garantias processuais é importante que você memorize que a privação de liberdade observará
o devido processo legal, especialmente:
O STJ preocupado com a observância do devido processo legal no processo que apura ato infracional editou
duas súmulas.
A primeira afirma ser obrigatória a oitiva do adolescente que descumpre a medida anteriormente imposta
antes da decretação da regressão da medida socioeducativa, já que pode haver algum fato que justifique o
descumprimento.
A Regressão ocorre quando há mudança de um regime menos severo para um mais severo. Veremos mais
adiante que uma das possibilidades para se decretar a internação é o descumprimento de medidas mais
leves anteriormente impostas, para que isso ocorra o adolescente deverá ser ouvido.
Súmula nº 265 STJ -“É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a
regressão da medida socioeducativa.”
A segunda afirma ser nula a desistência de outras provas diante da confissão do adolescente infrator.
Alguns juízes decretavam a medida socioeducativa com fundamento exclusivo na confissão o que
viola flagrantemente o devido processo legal por cerceamento de defesa. O adolescente não deve
apenas ser ouvido deve ter a oportunidade de influenciar a decisão do magistrado e de se defender
de forma efetiva.
Súmula nº 342 STJ -“No procedimento para aplicação de medida socioeducativa, é nula
a desistência de outras provas em face da confissão do adolescente.”
Disposições Gerais
São medidas jurídicas aplicadas aos adolescentes que praticarem atos infracionais por meio de uma ação
socioeducativa promovida pelo Ministério Público e que deve ser processada perante a Vara da Infância e
Juventude.
Pelo princípio da brevidade, devemos compreender que as medidas restritivas de liberdade devem ser
aplicadas pelo tempo estritamente necessário para a ressocialização do adolescente. Mais uma vez o
objetivo da medida socioeducativa não é retributivo, ou seja, não tem o objetivo de punir e sim de
ressocializar.
O princípio da excepcionalidade informa que as medidas socioeducativas restritivas somente devem ser
aplicadas se, uma vez caracterizada dentro das hipóteses legais, as medidas de meio aberto demonstrem-se
ineficazes.
Por fim, a aplicação das medidas socioeducativas restritivas deve observar o princípio segundo o qual os
adolescentes são considerados pessoas em desenvolvimento, de modo que devem ser tratados de acordo
com sua condição durante a restrição de liberdade, e não como detentos.
De acordo com o ECA, a definição da medida a ser aplicada ao adolescente deverá levar em consideração
três fatores:
• capacidade de cumpri-la
• circunstâncias
• gravidade da infração
É a medida socioeducativa mais branda e poderá ser aplicada com base em prova da
materialidade e de indícios de autoria. Portanto, NÃO É NECESSÁRIA A PROVA DA
AUTORIA PARA APLICAÇÃO DA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE ADVERTÊNCIA. É
ADVERTÊNCIA importante compreender a desnecessidade de a autoria restar plenamente comprovada
para aplicação da medida.
A advertência consiste tão somente em uma admoestação verbal que parte do juiz.
Registre-se, entretanto, que atos infracionais mais graves, como o roubo, embora
gerem danos, a reparação desse não será suficiente, em razão da gravidade da
OBRIGAÇÃO DE conduta. De toda forma, a aplicação dependerá sempre da análise do caso concreto,
REPARAR O haja vista os objetivos pedagógicos das medidas socioeducativas.
DANO
A obrigação é imposta ao adolescente e não a seus pais, não se aplica aqui as regras
de responsabilidade civil (pais respondendo pelos filhos).
Prazo máximo:
Não há previsão do prazo máximo na legislação, assim o STJ aplica o prazo máximo da internação que é de
3 anos.
O art. 121, §5º dispõe sobre a possibilidade de o indivíduo cumprir medida até os 21 anos nos casos de
internação. O §2º do art. 120 estende a regra para a medida de semiliberdade. Será que esta regra poderia
ser aplicada para a medida de liberdade assistida?
Não há previsão legal, mas jurisprudência do STF e do STJ afirma ser possível o cumprimento da liberdade
assistida até os 21 anos, vez que não há fundamento lógico ou jurídico que justifique a diferença de
tratamento. Veja abaixo a súmula editada pelo STJ:
Regime de Semiliberdade
A semiliberdade consiste em um acompanhamento mais severo, uma vez que o adolescente permanecerá
custodiado em entidades institucionais próprias, ou seja, terá sua liberdade reduzida.
Durante o dia, o adolescente executará atividades normais na comunidade, como estudar e trabalhar. À
noite deve se recolher à unidade de internação.
De todo modo, esse regramento não é fixo, pois há a possibilidade de serem avaliadas, junto à equipe
técnica da instituição de semiliberdade, alternativas diversas, como custódia durante o dia ou, inclusive,
passar a noite junto à família.
• são obrigatórias
ATIVIDADES
EXTERNAS • independem de autorização
judicial
Quanto ao prazo máximo, a medida socioeducativa de semiliberdade deverá ser aplicada por prazo a ser
determinado pelo juiz da infância e juventude. De todo modo, ela não poderá ultrapassar o prazo de 3 anos,
devendo ser reavaliada a cada 6 meses pelo juiz da infância e juventude. A regra de liberação compulsória
aos 21 anos também se aplica a semiliberdade conforme entendimento do STF e do STJ.
Internação
Princípios:
Princípio da brevidade – medida de internação deve ser aplicada por curto espaço de tempo. O ECA prevê
como prazo máximo 3 anos e determina que a autoridade judiciária reavalie a situação a cada 6 meses para
se possível substituir a medida por outra menos gravosa ou até encerrar o cumprimento, isso significa que o
comportamento do autor do ato infracional irá influenciar no alcance deste princípio.
Princípio da Excepcionalidade – a internação só se justifica quando não houver outra medida mais branda
que se mostre adequada.
É possível a realização de atividades externas, contudo, estas são acompanhadas por educadores. Ademais,
é possível ao magistrado, a depender da situação, vedá-las.
Pergunta-se:
Dada a excepcionalidade da medida, a internação somente poderá aplicar aplicada numa das três hipóteses
previstas no art. 122 do ECA, qual seja:
§ 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo NÃO poderá ser superior
a 3 (TRÊS) MESES, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal.
Primeiramente é importante compreender que o legislador definiu, em rol taxativo, quando será aplicada a
medida da internação. Ele fez isso porque a medida socioeducativa de internação constitui uma medida séria
e grave. Em relação às demais medidas, o juiz da infância e juventude terá liberdade para aplicá-las de acordo
com as circunstâncias do caso concreto e com base na avaliação efetuada pela equipe técnica da Vara de
Infância.
Além disso, a medida a ser aplicada no inc. III ganha um adjetivo: a sanção. Quando, por reiterado
descumprimento da medida socioeducativa de meio aberto ou de semiliberdade, é possível que o juiz
determine a internação-sanção pelo prazo máximo de 3 meses, conforme disciplina o art. 122, §1, do ECA.
A medida de internação-sanção é peculiar e será aplicada pelo juiz da execução, que aquele que acompanha
o cumprimento da medida e não o que sentenciou e aplicou a medida, em caso de reiterado descumprimento
da medida socioeducativa que está sendo acompanhada.
Desse modo:
Novamente vamos falar que não basta avaliar a gravidade do crime abstratamente.
A gravidade do ato infracional análogo ao de tráfico de entorpecentes não pode ser o suficiente para
fundamentar a decisão de internação do adolescente infrator é preciso verificar no caso concreto a
ocorrência de algumas das hipóteses do art.122 para a decretação da internação como por exemplo a
reiteração, vejamos o entendimento sumulado do STJ:
Súmula nº 492 STJ - O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente.
Súmula nº 265 STJ -“É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a
regressão da medida socioeducativa.”
O ECA arrola um extenso dispositivo no qual trata dos direitos que devem ser assegurados aos adolescentes
em cumprimento de medida socioeducativa de semiliberdade ou de internação. Vejamos:
receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim o deseje;
manter a posse de seus objetos pessoais e dispor de local seguro para guardá-los,
recebendo comprovante daqueles porventura depositados em poder da entidade;
Por fim, quanto ao direito de visitas, entende-se que é possível a suspensão temporária desse direito,
quando houver motivos sérios e fundados de que tais visitas são prejudiciais ao adolescente. Para a
suspensão do direito de visitas é necessária a decisão judicial.
Remissão
A remissão constitui uma forma de perdão ou redução do rigor das penalidades do ECA e será concedida
por iniciativa do Ministério Público. Esse instituto poderá ser aplicado antes de iniciar o procedimento ou
no curso do processo.
Antes do processo, a remissão será concedida com exclusão do processo, a depender das circunstâncias e
do fato no contexto social. Nesse caso, a remissão será homologada por sentença pelo Juiz da Infância e
Juventude.
No curso do processo, a remissão será concedida como forma de suspensão ou de exclusão do processo e
depende de sentença.
forma de perdão ou
iniciativa do MP
redução dos rigores do Eca
Não implica em reconhecimento ou
comprovação de responsabilidade
semiliberdade
pode haver aplicação de medida
socieducativa, exceto:
Remissão internação
A medida deve ser aplicada sempre pelo
juiz.
A medida aplicada por força de remissão deverá ser aplicada pelo juiz depois da concordância do adolescente
e de seu defensor, o membro do Ministério Público oferece a proposta, mas a aplicação da medida
socioeducativa é de competência exclusiva do magistrado. Veja o teor da súmula 108 do STJ:
CONSELHO TUTELAR
O Conselho é um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar
pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente.
Os Conselhos são instituídos no âmbito municipal. O ECA determina a instituição de pelo menos um
Conselho Tutelar por município, composto de cinco membros, escolhidos pela população local para
mandato de quatro anos, permitida recondução, mediante novos processos de escolha.
REQUISITOS PARA
COMPOR O CONSELHO
A função de conselheiro constitui serviço público relevante e estabelecerá presunção de idoneidade moral.
Quanto ao processo de escolha dos conselheiros, veja o art. 139, do ECA, cuja leitura é o suficiente.
Art. 139. O processo para a escolha dos membros do Conselho Tutelar será estabelecido
em lei municipal e realizado sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos
da Criança e do Adolescente, e a fiscalização do Ministério Público.
Art. 140. São impedidos de servir no mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e
descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e
sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado.
ACESSO À JUSTIÇA
1 - Disposições Gerais
O acesso à Justiça de crianças e adolescente deve ser garantido pelos diversos órgãos com atuação no Poder
Judiciário. Como regra, a assistência judiciária gratuita será prestada pelo defensor público aos que dela
necessitarem (vulneráveis), como existem localidades com deficiência de estrutura por vezes há necessidade
de nomeação de advogado (advogado dativo) para assumir a defesa do hipossuficiente.
Com intuito de assegurar o acesso à Justiça, direito fundamental garantido pela Constituição Federal, o ECA
assegura a isenção de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé.
MENORES DE 16 representados
Se, em um processo, for verificada criança ou adolescente sem representantes legais ou na hipótese de os
interesses da criança colidirem com os dos pais ou representantes legais, assegura-se a nomeação de curador
especial. A curadoria especial será exercida pela Defensoria Pública.
O art. 143, por sua vez, determina que os atos judiciais, policiais e administrativos que envolvam crianças e
adolescentes são reservados, e não podem ser divulgados com amplo acesso. Em razão disso, se algum
interessado em processo no qual houver criança ou adolescente necessitar de cópia ou certidão do processo
deverá requerer diretamente ao juiz que irá analisar o interesse e justificativa do requerimento.
Essa restrição à divulgação aplica-se, inclusive, às notícias, não se pode identificar crianças e adolescentes
em reportagens. O STJ entende que a violação do direito de imagem, claramente priorizado pelo ECA, gera
dano moral para a criança ou adolescente identificado.
A primeira regra se aplica quando a criança está na companhia dos pais ou responsáveis porque se a
criança ou o adolescente NÃO estiver na companhia de seus pais ou responsáveis adotaremos a segunda
regra.
Assim, a competência sempre será fixada de acordo com o local onde está a criança ou adolescente.
Percebe que o artigo fala dos pais ou responsável, o STJ editou uma súmula incluindo o detentor da guarda.
Veja:
Aplica-se, no melhor interesse da criança e do adolescente, o Princípio do juízo imediato que afirma, segundo
o STJ, que a competência para apreciar e julgar medidas, ações e procedimentos que tutelam interesses,
direitos e garantias positivados no ECA é determinada pelo lugar onde a criança ou o adolescente exerce,
com regularidade, seu direito à convivência familiar e comunitária.
▪ nos casos de ato infracional, será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão, observadas
as regras de conexão, continência e prevenção;
Nesse caso, não será relevante o local em que o adolescente foi apreendido ou o local de domicílio a
competência será firmada pelo local onde o ato infracional foi cometido.
Temos, ainda, duas outras regras específicas relativas à competência que devemos ficar atentos: execução
de medidas e transmissão simultânea de rádio ou TV que atinja duas ou mais comarcas.
Já vimos que o adolescente que comete ato infracional responderá diante da justiça da criança e adolescente
do local da sua ação ou da omissão.
Se a ele for aplicada uma medida socioeducativa onde deverá ser cumprida?
Aplicada medida socioeducativa e sendo o domicílio do adolescente diferente do local onde praticou o ato
infracional ela deve ser cumprida no local de seu domicílio para garantir a proximidade de sua família,
devemos lembrar que a criança e o adolescente possuem o direito a convivência familiar.
No caso de transmissão simultânea de rádio ou TV que atinja duas ou mais comarcas a competência será da
sede estadual da emissora ou rede, abrangendo todas as transmissoras e retransmissoras do Estado.
Nesse caso, as regras de competência a serem observadas são as prevista no Código de Processo Penal.
Como veremos não há previsão no ECA de competência da Vara da Infância e Juventude para o julgamento
desses crimes quando a criança e o adolescente forem vítimas e não autores.
O ECA traz um extenso rol exemplificativo de competências, cuja memorização é fundamental. São casos de
competência material. Veja:
representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de ato infracional atribuído a
adolescente;
Logo...
COMPETÊNCIA MATERIAL
• atos infracionais
• remissão (com suspensão ou exclusão do processo)
• adoção
• ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao
adolescente
• apuração de irregularidade em entidade de atendimento
• penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção
• análise dos procedimentos afetos ao Conselho Tutelar
Essas são as principais hipóteses de competência do Juiz da Infância e Juventude. Contudo, caso a criança
esteja exposta a situação de risco, também será da competência do Juiz da Infância e Juventude as seguintes
matérias:
ações de alimentos;
Essas hipóteses, em regra, tramitam perante o Juízo de família. Contudo, caso verificada hipótese de risco à
criança por ação ou omissão do Estado, sociedade ou dos pais e, até mesmo, em razão da conduta da criança
a competência desloca-se para o Juiz da Infância e Juventude. É possível verificar outras competências
espalhadas pelo estatuto, por exemplo expedir autorização para viagem, por isso podemos afirmar que o rol
do artigo 148 não é exaustivo.
No art. 149 do ECA, temos um rol de atribuições do Juiz da Infância e Juventude no que diz respeito à
concessão de alvarás, por meio de portarias ou autorizações.
O ECA fixa em tópico próprio um rol de interesses individuais, difusos e coletivos que devem ser assegurados
às crianças e adolescentes. Esse rol constitui embasamento para pleitos judiciais na defesa dos direitos das
crianças e adolescentes.
ensino obrigatório;
Em relação à competência territorial para tratar das ações que envolvem as matérias acima, fixa-se a
competência no foro em que ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão.
1. Ministério Público
2. entes federativos (União, estados e municípios)
3. associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins
institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos no ECA, se houver prévia autorização
estatutária.
Como o Ministério Público possui organização estadual e federal, admite-se a formação de litisconsórcio
entre o MPU e os MPEs para a defesa dos direitos da criança e do adolescente.
Além disso, o Ministério Público poderá ser chamado a assumir o polo, caso haja desistência da ação por
outros legitimados, em razão da indisponibilidade dos direitos tutelados.
LEI 13.431/2017
Vamos analisar neste tópico, a Lei 13.431/2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança
e do adolescente vítima ou testemunha de violência. A ideia da lei é simples: conceder um tratamento
diferenciado à criança ou ao adolescente que é vítima ou testemunha de violência.
Embora ao longo do texto, falemos em crianças e adolescente, destaque-se, desde já, que o art. 3º, parágrafo
único, prevê que a Lei será facultativamente aplicada aos jovens, vale dizer, àqueles entre 18 e 21 anos de
idade.
A Lei Henry Borel ampliou as formas de violência acrescentando a violência patrimonial no inciso V no artigo
4º da Lei 13.431/2017.
• física
A LEI 13.431/2017 TUTELA • psicológica
DIREITOS DAS
• sexual
CRIANÇAS/ADOLESCENTES
EM CASO DE VIOLÊNCIA • institucional
• patrimonial
A violência física é aquela ofensiva à integridade física ou corporal ou a que causa sofrimento físico.
Essa situação é uma das mais amplas, tanto que a própria lei tomou o cuidado de listar
várias hipóteses de discriminação, depreciação ou desrespeito contra menores. Entre elas,
destaca-se o bullying (ou intimidação sistemática) que envolve a violência física ou
psicológica praticada de forma intencional e repetida a causar dor e angústia, o qual coloca
a vítima em situação de inferioridade e subordinação frente aos demais indivíduos do
grupo.
A Lei 14.811/2024 inseriu o artigo 146-A ao Código Penal tornando crime a intimidação
sistemática (Bullying) e o cyberbullying. A nova legislação tem sofrido algumas críticas por
não ter sido muito técnica mas isso vocês estudarão na matéria direito penal. Para nós o
importante é saber que essas condutas são consideradas crimes.
Pena - reclusão, de 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa, se a conduta não constituir
crime mais grave.
2ª – alienação parental; e
A violência sexual compreende o abuso sexual, a exploração sexual para fins comerciais e o tráfico de
pessoas.
A violência patrimonial envolve documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos.
cabe aos órgãos envolvidos adotar procedimentos com o objetivo de buscar a revelação
espontânea da violência, que deverá ser confirmada em juízo.
Talvez o ponto mais importante dessa legislação seja a escuta especializadas e o depoimento especial.
Escuta especializada
A escuta especializada é compreendida como procedimento de entrevista sobre uma situação de violência.
Não é um instrumento judicial, mas um primeiro contato feito, por exemplo pelo Conselho Tutelar, pelas
entidades de acolhimento institucional, por intermédio do qual pretende-se que o menor revele de forma
espontânea a situação de violência.
A escuta especializada será realizada de forma que não haja contato, mesmo que visual, com o suposto
agressor ou autor, a fim de evitar constrangimentos na criança/adolescente. Além disso, deverá ocorrer em
local apropriado e acolhedor.
Depoimento especial
O depoimento especial, definido no art. 8º, é procedimento de oitiva de criança ou de adolescente vítima
ou testemunha de violência, perante o juízo ou perante o delegado de polícia. Tal como vimos acima, evita-
se o contato com o suposto agressor e busca-se local apropriado e acolhedor.
Por se tratar de meio de prova e em razão da criança/adolescente necessitar de proteção especial, são
estabelecidas algumas regras:
No processo judicial regular, podemos ter diversas oitivas da vítima: perante a autoridade policial,
perante o órgão do Ministério Público em alguns casos e perante o juízo. Para proteger a criança ou
adolescente evitando que retomem sucessivas vezes esses momentos traumáticos, adota-se único
depoimento.
o depoimento especial, sempre que possível, será colhido em sede de produção antecipada de
provas;
b) violência sexual.
Nos demais, casos ficará a critério da autoridade judicial, a partir de requerimento das partes
envolvidas no processo.
Por se tratar de meio de prova é necessário que o acusado ou réu possa se defender, mesmo que não
possa presenciar a tomada do depoimento.
Crimes
Para encerrarmos o conteúdo teórico pertinente dessa lei, vale a pena analisar o art. 24, que tipifica um
crime específico: violação a sigilo processual. Veja:
Art. 24. Violar sigilo processual, permitindo que depoimento de criança ou adolescente
seja assistido por pessoa estranha ao processo, sem autorização judicial e sem o
consentimento do depoente ou de seu representante legal.
Primeiramente, cumpre observar que essa tipificação se restringe ao depoimento especial, não alcançando
a escuta especializada. Assim, se uma pessoa que não faça parte da relação jurídico-processual, sem
autorização judicial ou consentimento do depoente, assistir ao depoimento da criança ou adolescente aquele
que permitiu terá praticado crime apenado com reclusão de um a quatro anos, mais aplicação de multa.
A nova lei já em seu artigo 1º explica seu objetivo prevenir e enfrentar a violência doméstica e familiar
contra a criança e o adolescente. Para isso reforça a necessidade de observância da constituição e de
legislações internacionais. Além disso, informa diversas alterações em diferentes legislações.
O artigo 2º da lei define o que seria a violência doméstica e familiar contra a criança e o adolescente.
III - em qualquer relação doméstica e familiar na qual o agressor conviva ou tenha convivido
com a vítima, independentemente de coabitação.
Parágrafo único. Para a caracterização da violência prevista no caput deste artigo, deverão
ser observadas as definições estabelecidas na Lei nº 13.431, de 4 de abril de 2017.
O inciso I trata da relação doméstica e o inciso II trata da relação familiar. O inciso III completa as informações
afirmando que não se exige a coabitação do autor e da vítima para que se configure a relação doméstica ou
familiar.
A Lei Henry Borel ao tratar da violência remete o leitor para a Lei 13.431/2017 que estabelece o sistema de
garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência que acabamos de estudar.
O artigo 3º da Lei afirma que a violência doméstica e familiar contra a criança e adolescente é forma de
violação de direitos humanos.
O artigo 15 da lei Henry Borel trata das providências que o juiz deverá observar ao receber pedido em favor
de criança e adolescente. A lei prevê prazo de 24 horas para a tomada de providência e entre elas estão o
deferimento de medidas protetivas de urgência.
Aqui novamente há similaridade com a Lei Maria da Penha. O delegado ao receber a comunicação de crime
no âmbito da violência doméstica e familiar deve pesquisar se o agressor possui arma legitimamente
registrada em seu nome comunicando ao juiz que deverá determinar a apreensão imediata da arma de fogo.
1- Ministério Público
2- Autoridade Policial
3- Conselheiro Tutelar
4- Pessoa que atue em favor da criança e do adolescente.
A lei não prevê a possibilidade de o juiz decretar as medidas de ofício. Certamente a omissão trará
divergência no âmbito doutrinário.
A decretação das medidas não depende de oitiva das partes ou do membro do Ministério Público que deverá
ser comunicado.
As medidas poderão ser aplicadas de forma cumulativa ou isolada e o juiz poderá rever as concedidas ou
decretar novas medidas quando necessário, neste caso deverá ouvir o Ministério Público.
O artigo 20 da nova lei traz um rol de medidas protetivas que obrigam o agressor e o artigo 21 um rol de
medidas protetivas de urgência à vítima.
As medidas protetivas seguem o sistema das medidas cautelares demandam a presença do perigo da demora
e da aparência do bom direito.
Como já falamos ao longo dessa aula há muitas semelhanças da nova lei ora estudada com a Lei Maria da
Penha e aqui no artigo 17 precisamos fazer uma nova comparação para chegarmos conclusão de que a prisão
preventiva NÃO poderá ser decretada de ofício pelo juiz.
O artigo 20 da lei Maria da Penha também prevê a possibilidade de prisão preventiva do agressor porém no
seu texto traz a previsão de decretação de ofício gerando divergência na doutrina sobre esta possibilidade.
Parte da doutrina entende que se trata de uma lei especial e assim não precisa obedecer a regra prevista na
lei geral que veda a decretação de prisão de ofício.
Outra parcela da doutrina, hoje majoritária, entende que a Lei Maria da Penha apenas replicou o artigo da
lei geral que sofreu modificação posterior pela Lei 12.403/2011 vedando a decretação de ofício na fase
investigatória e depois da Lei 13.964/2019 que trouxe a mesma vedação para a fase processual, assim o
artigo 20 não possui conteúdo especial em relação a legislação geral ele apenas não foi lembrado quando
das modificações implementadas na lei geral (CPP).
Na Lei Henry Borel não haverá possibilidade de divergência, o legislador do artigo 17 retirou o termo "de
ofício" do texto legal não restando qualquer dúvida acerca do assunto.
A possibilidade de prisão preventiva em crime que envolvam violência doméstica e familiar contra criança e
adolescente já estava previsto no Código de Processo Penal.
Analisando a Lei Maria da Penha, o STJ entende que o simples descumprimento da medida protetiva não é
suficiente para decretar a prisão preventiva é preciso conjugar a ocorrência do art. 313 III com alguma das
hipóteses do art. 312 do CPP.
Outro entendimento relevante do STJ quanto a matéria é sobre a prática de contravenção penal no contexto
da violência doméstica e familiar ser considerada motivo idôneo para a decretação de prisão preventiva. O
art. 313 III fala de crime e não de contravenção penal assim o STJ entende que seria ofensa ao princípio da
legalidade estrita ampliar para as contravenções penais.
Quanto às Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor, o rol do artigo 20 é meramente
exemplificativo.
Por exemplo, a medida prevista no parágrafo único do art. 152 da LEP, alterado pela própria Lei Henry Borel.
O juiz da execução penal poderá impor ao agressor encarcerado a obrigação de comparecer a programas de
recuperação e reeducação.
IV - a vedação de contato com a vítima, com seus familiares, com testemunhas e com
noticiantes ou denunciantes, por qualquer meio de comunicação;
As Medidas Protetivas de Urgência à Vítima também se trata de rol exemplificativo como se pode
depreender do §2º do artigo.
Art. 21. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas, determinar:
Quero fazer uma observação quanto a ação cautelar de antecipação de provas prevista no §1º do artigo 21.
Como vimos a oitiva da criança e do adolescente deve preferencialmente ocorrer apenas uma vez, assim
havendo a ação a oitiva será feita sob o crivo do contraditório gerando efeitos de prova evitando que a
criança e o adolescente precise ser revitimizado reiteradamente.
A Lei Henry Borel trouxe a previsão do dever de comunicação da violência doméstica e familiar contra
crianças e adolescentes praticada em local público ou privado.
E para garantir a observância deste dever a lei criminalizou a omissão. O art. 26 da nova lei tem pena bem
maior que a omissão de socorro prevista no Código Penal.
ESTATUTO DA JUVENTUDE
Esse primeiro dispositivo é um dos mais importantes para fins do nosso estudo, pois traz sobre o que
disciplina a lei e a quem se aplica.
Art. 1º Esta Lei institui o Estatuto da Juventude e dispõe sobre os direitos dos jovens, os
princípios e diretrizes das políticas públicas de juventude e o Sistema Nacional de
Juventude - SINAJUVE.
§ 1º Para os efeitos desta Lei, são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15
(quinze) e 29 (vinte e nove) anos de idade.
§ 2º Aos adolescentes com idade entre 15 (quinze) e 18 (dezoito) anos aplica-se a Lei no
8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente, e,
EXCEPCIONALMENTE, este Estatuto, quando não conflitar com as normas de proteção
integral do adolescente.
pessoa entre 15 e
JOVENS
29 anos de idade
Ou seja, o Estatuto da Juventude só deve ser aplicado aos adolescentes de forma excepcional e naquilo que
acrescentar aos direitos previstos no ECA.
Aqui, fica estabelecido que o jovem tem direito à participação social e política seja na formulação, seja na
execução ou seja na avaliação das políticas públicas voltadas para a juventude.
Os direitos à cidadania, à participação social e política e à representação juvenil são promovidos por meio
do que a lei chama de participação juvenil, o que, nos termos legais, se entende pelo(a):
• Inclusão do jovem nos espaços públicos e comunitários a partir da sua concepção como pessoa ativa,
livre, responsável e digna de ocupar uma posição central nos processos políticos e sociais;
• Envolvimento ativo dos jovens em ações de políticas públicas que tenham por objetivo seu próprio
benefício, o de suas comunidades, cidades e regiões e o do País;
• Participação individual e coletiva do jovem em ações que contemplem a defesa dos direitos da
juventude ou de temas afetos aos jovens; e
• Efetiva inclusão dos jovens nos espaços públicos de decisão com direito a voz e voto.
Segundo o Estatuto, o jovem terá direito não só à educação, mas a uma educação de qualidade, com a
garantia de educação básica, obrigatória e gratuita, inclusive para aqueles que a ela não tiveram acesso na
idade adequada.
O Estatuto, ainda, se preocupa com a educação em situações específicas, como é o caso da educação dos
jovens indígenas, dos jovens com surdez, dos jovens com deficiência de um modo geral e dos jovens do
campo.
No que se refere à educação superior, o Estatuto se preocupa em destacar o tema da inclusão e o das
políticas afirmativas, além de estabelecer que o poder público deve promover programas de expansão da
oferta de educação superior nas instituições públicas, de expansão do financiamento estudantil e de
expansão das bolsas de estudos em instituições privadas, dentro da mesma ótica inclusiva (prevalência para
jovens com deficiência, negros, indígenas e alunos oriundos da escola pública).
Já tendo falado sobre educação básica e educação superior, o Estatuto fecha as disposições específicas sobre
educação falando sobre a educação profissional e tecnológica. Segundo o art. 9º, da Lei, a educação técnica
deve ser articulada com os diferentes níveis e modalidades de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia,
sempre observando a legislação vigente.
Pontos de destaque:
Do mesmo modo, no que se refere aos direitos à diversidade e à igualdade, primeiro o Estatuto vem dizendo
no que consistem esses direitos, para depois dar um comando ao poder público estabelecendo como efetivá-
los.
Pontos de destaque:
Seguindo o mesmo modelo, aqui, o Estatuto primeiro dispõe que o jovem tem direito à saúde, para, depois,
determinar como esse direito será efetivado (apenas para destacar, diferentemente do que se refere aos
capítulos anteriores, neste o legislador não fala em “medidas”, mas em “diretrizes”).
Pontos de destaque:
• O direito à saúde deve ser considerado em suas várias dimensões: prevenção, promoção, proteção
e recuperação;
• O acesso universal e gratuito ao SUS deve respeitar as especificidades do jovem;
• Garantia da inclusão de temas relativos ao consumo de álcool, tabaco e outras drogas, à saúde
sexual e reprodutiva, com enfoque de gênero e dos direitos sexuais e reprodutivos nos projetos
pedagógicos dos diversos níveis de ensino;
• Impacto da gravidez PLANEJADA ou NÃO (lembrando que a Lei n. 13.798, de 2019, introduziu no
ECA o art. 8º-A instituindo a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência);
No que se refere ao direito à cultura, o Estatuto primeiro estabelece esse direito, depois, aponta as
competências do poder público e, por fim, se aprofunda na questão do acesso a salas de cinema, cineclubes,
teatros, espetáculos musicais e circenses, eventos educativos, esportivos, de lazer e entretenimento
mediante pagamento da metade do preço do ingresso cobrado (o que inclui normas específicas sobre a CIE
– Carteira de Identificação Estudantil – e questões orçamentárias e tributárias).
Pontos de destaque:
• O acesso do jovem aos locais e eventos culturais, mediante preços reduzidos, deve ser proporcionado
em âmbito NACIONAL;
• O Estatuto fala na expressão “CULTURA CAMPONESA”, ao se referir ao jovem do campo;
• Ao jovem com deficiência deve ser garantida a ACESSIBILIDADE e as ADAPTAÇÕES RAZOÁVEIS;
Pontos de destaque:
• Requisitos para a fruição do benefício do pagamento de METADE do preço do ingresso para o acesso
a eventos culturais:
• Ser jovem (até 29 anos)
• Pertencer a família de baixa renda OU ser estudante, na forma do regulamento
• Abrangência do acesso: TODO o território nacional;
• Acesso a quê? Salas de cinema, cineclubes, teatros, espetáculos musicais e circenses, eventos
educativos, esportivos, de lazer e de entretenimento promovidos por QUAISQUER entidades e
realizados em estabelecimentos PÚBLICOS ou PARTICULARES;
• Quem é estudante? Aquele regularmente matriculado nos níveis e modalidades de educação e ensino
previstos no Título V da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 - Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional;
• Como se comprova a condição de estudante? Mediante apresentação da Carteira de Identificação
Estudantil – CIE;
• Em que momento se apresenta a CIE? No MOMENTO da AQUISIÇÃO do ingresso E na PORTARIA do
local de realização do evento;
• Quem pode expedir a CIE? A CIE será expedida PREFERENCIALMENTE pela Associação Nacional de
Pós-Graduandos, pela União Nacional dos Estudantes, pela União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas e por entidades estudantis estaduais e municipais a elas filiadas;
• Qual é a validade da CIE? A CIE terá validade até o dia 31 de março do ano subsequente à data de
sua expedição;
• Quem pode fiscalizar e aplicar sanções? Todos os entes federados;
• Existem hipóteses em que não se aplica o benefício? Sim (pelo menos, havia). Os benefícios previstos
neste artigo NÃO incidiram sobre os eventos esportivos de que tratavam as Leis nos 12.663, de 5 de
junho de 2012, e 12.780, de 9 de janeiro de 2013. Foram eles:
▪ Copa das Confederações FIFA 2013;
Nos mesmos moldes do que vem sendo apresentado sobre o Estatuto, até agora, a Lei, ao tratar do direito
à comunicação e à liberdade de expressão, primeiro estabelece o direito, para, depois, trazer as medidas que
devem ser tomadas pelo poder público para concretizá-lo. Aqui não há pontos de destaque. A redação da lei
é bem simples e vai direto ao ponto. Minha sugestão é de que vocês deem apenas uma lida atenta nos
dispositivos.
Pontos de destaque:
• Segundo a Lei de Incentivo ao Esporte (Lei n. 11.438/06), três são as principais modalidades de
desporto para o poder público (art. 2º): (i) o desporto educacional; (ii) o desporto de participação; e
(iii) o desporto de rendimento;
• Para o Estatuto da Juventude, o jovem tem direito à prática desportiva destinada a seu pleno
desenvolvimento, com PRIORIDADE para o desporto de PARTICIPAÇÃO;
• E o que é desporto de participação? O desporto de participação é aquele que compreende as
modalidades esportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração dos praticantes
na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente;
• O direito à prática desportiva dos ADOLESCENTES (e NÃO dos jovens) deverá considerar sua
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento;
• Enquanto o desporto de participação deve ser a prioridade, deve ser VALORIZADO o desporto e o
paradesporto EDUCACIONAL;
• TODAS as escolas deverão buscar pelo menos UM local apropriado para a prática de atividades
POLIESPORTIVAS.
O Estatuto da Juventude, como já dito, sofreu uma forte influência dos movimentos de 2013. E a previsão de
direitos ao território e à mobilidade são decorrência disso. Expressões como “passe livre”, “catraca livre”,
“não são só R$ 0,20 centavos”, estão todas ligadas, de alguma forma, à insatisfação do grupo “jovens” com
a mobilidade, de um modo geral.
Pontos de destaque:
O Estatuto trata, também, do direito à sustentabilidade e ao meio ambiente (arts. 35 e 36). O destaque, aqui,
fica por conta de o art. 34 trazer o único dever que o Estatuto estabelece para o jovem, o dever de defender
e preservar o meio ambiente.
Pontos de destaque:
• O jovem tem o DEVER de defender e preservar o meio ambiente para a presente e as futuras
gerações (único dever que o Estatuto estabelece para o jovem);
• O Estado promoverá, em TODOS os níveis de ensino, a educação ambiental voltada para a
preservação do meio ambiente e a sustentabilidade, de acordo com a Política Nacional do Meio
Ambiente
Pondo fim ao extenso rol de direitos dos jovens, o Estatuto aborda o direito à segurança pública e ao acesso
à Justiça. Seguindo os moldes do que foi exposto até o presente, o legislador primeiro estabelece o direito
e, depois, traz as obrigações do poder público (aqui chamadas de diretrizes).
Pontos de destaque:
1) A lei fala em União, Estados, Distrito Federal, Municípios e ações não governamentais;
2) O art. 38 estabelece uma prioridade para as ações voltadas para os jovens em situação de risco,
de vulnerabilidade social e egressos do sistema penitenciário;
3) No que se refere ao jovem com deficiência, a lei fala em promoção do efetivo acesso dos jovens
com deficiência à justiça em igualdade de condições com as demais pessoas, inclusive mediante
a provisão de adaptações processuais adequadas a sua idade.
RESUMO
Para finalizar o estudo da matéria, trazemos um resumo dos principais aspectos estudados ao longo da aula.
Sugerimos que esse resumo seja estudado sempre previamente ao início da aula seguinte, como forma de
“refrescar” a memória. Além disso, segundo a organização de estudos de vocês, a cada ciclo de estudos é
fundamental retomar esses resumos. Caso encontrem dificuldade em compreender alguma informação, não
deixem de retornar à aula.
MUDANÇA NA BASE PRINCIPIOLÓGICA: da doutrina da situação irregular para a doutrina da proteção integral.
CÓDIGO DE MENORES
• ao menor privado de condições essenciais à sua subsistência, saúde e instrução obrigatória, em razão
da falta, ação ou omissão dos pais ou responsável;
• às vítimas de maus-tratos;
• aos sujeitos a perigo moral por se encontrarem em ambientes ou atividades contrárias aos bons
costumes;
• ao autor de infração penal; e
• aos menores que apresentassem “desvio de conduta, em virtude de grave inadaptação familiar ou
comunitária”.
“binômio carência-delinquência”, agindo na consequência e não nas causas que levam à carência ou à
delinquência.
prática segregatória.
CF + ECA
rompimento de paradigma.
Esses direitos devem ser assegurados: a) com absoluta prioridade; e b) em consideração do fato de que as
crianças são pessoas em desenvolvimento.
o ECA fixa uma série de políticas públicas a serem desenvolvidas por todos os entes federativos, mas
principalmente pelo município, que está mais próximo da realidade de cada comunidade, em respeito ao
princípio da municipalização que impera no ECA.
Normas Constitucionais
direito à educação
direito ao lazer
direito à profissionalização
direito à cultura
direito à dignidade
direito ao respeito
direito à liberdade
PRECEITOS:
idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho na condição de aprendiz e do trabalho regular
somente após completar 16 anos (7º, XXXIII).
estímulo do Poder Público, por intermédio de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, ao
acolhimento sob a forma de guarda de crianças ou adolescentes órfãos ou abandonados.
• Aprovada em novembro de 1959 pela Assembleia Geral da ONU e fiscalizados pela UNICEF.
• Documento declaratório, de cunho programático
• Princípios:
Princípio da Proteção
• não-discriminação seja pela condição de criança, seja em razão do sexo, etnia, condição social etc.;
• direito à vida;
• garantia à máxima sobrevivência e desenvolvimento;
• direito ao imediato registro;
• desde o momento que nasce, direito:
o a um nome;
o a uma nacionalidade;
o a conhecer seus pais; e
o de ser cuidada pelos pais.
• direito à preservação da imagem;
• direito à convivência familiar;
• liberdade de manifestação;
• ampla defesa e contraditório;
• liberdade de expressão;
• liberdade de pensamento, de crença e consciência;
• liberdade de associação;
• direito à informação;
• proteção especial às crianças portadoras de necessidades especiais;
• direito à saúde;
• previdência social;
• direito à educação; e
• direito ao lazer.
• Protocolos facultativos
• Garantir o retorno imediato da criança que foram transferidas ou retidas ilicitamente em Estado diverso do Estado de
nacionalidade; e
• Assegurar o respeito aos direitos dos direitos de guarda e de visita
• Perspectivas Fundamentais
O sistema infracional deve: respeitar os direitos e garantir a segurança;
A restrição de liberdade é medida excepcional, que somente poderá ser aplicada por decisão judicial.
Privação de liberdade no curso do processo é medida excetiva e deve durar o mínimo possível.
Adolescentes internados provisoriamente devem ser mantidos em local separado dos adolescentes cujo
processo já tramitou.
Deve ser assegurada, aos adolescentes internados provisoriamente, a defesa técnica, contratada ou
gratuita.
Se possível, devem ter oportunidade de exercer trabalho remunerado, continuar com os estudos e com a
formação profissional.
As instituições devem assegurar o acesso e a guarda de materiais recreativos, desde que compatíveis com
a medida restritiva.
As informações levantadas serão utilizadas para categorizar os grupos de adolescentes internados,
conforme necessidades de atendimento.
Não é admissível manter, no mesmo estabelecimento, adolescentes internados e adultos presos, exceto
se compuserem a mesma família.
Além de permitir aos adolescentes o uso de objetos pessoais, os estabelecimentos devem contar com
locais adequados para guarda desses objetos.
Sempre que possível, este ensino deverá ser feito fora do estabelecimento.
Os diplomas ou certificados de educação concedidos aos jovens durante a detenção não devem indicar
que o jovem esteve internado.
• Recreio
Aos adolescentes internados deve ser assegurado diariamente exercício ao ar livre em espaço próprio.
• Cuidados Médicos
A família, o tutor ou qualquer outra pessoa designada tem o direito de ser informado do estado de saúde
do adolescente infrator.
Deverá ser concedida a possibilidade de assistir ao funeral ou de visitar um parente gravemente doente.
Todos os adolescentes têm o direito de receber visitas regulares e frequentes, em princípio uma vez por
semana e não menos que uma vez por mês.
Todos os adolescentes possuem o direito de se comunicar por escrito ou por telefone, pelo menos duas
vezes por semana, com a pessoa da sua escolha, a menos que estejam legalmente proibidos de o fazer.
O uso da força somente é admissível em casos excepcionais, quando outros métodos de controle tiverem
se revelado inoperantes, e só nos termos explicitamente autorizados e especificados na legislação.
O porte e uso de armas deve ser proibido em qualquer estabelecimento onde estejam detidos menores.
• Processos Disciplinares
Medidas e processos disciplinares devem contribuir para a segurança e para uma vida comunitária
ordenada e devem ser compatíveis com o respeito à dignidade do adolescente e com os objetivos
fundamentais do tratamento institucional.
São proibidas medidas disciplinares que se traduzam em tratamento cruel, desumano ou degradante.
Castigos corporais, recolhimento em cela escura, isolamento, solitária, ou qualquer outro castigo que possa
comprometer a saúde física ou mental do interno são vedados.
A redução de alimentação e a restrição ou proibição de contato com os membros da família são proibidas,
sejam quais forem as razões.
Os adolescentes não poderão ser castigados mais de uma vez pela mesma infração. Os castigos coletivos
devem ser proibidos.
Nenhum adolescente será castigado sem que tenha sido devidamente informado da infração que o
acusam.
• Inspeção e queixas
As autoridades, que não pertençam à administração do centro, poderão fazer inspeções regulares e sem
prévio aviso.
Aos adolescentes internados deve ser assegurado o direito de informar e representar irregularidades à
direção.
• Regresso à Comunidade
Os adolescentes devem ser auxiliados para o retorno ao convívio social, com liberações antecipadas e
períodos de estágio.
• Pessoal
Os servidores que atuam perante as instituições de internação devem ter qualificação e formação
específicas de acordo com as respectivas áreas de atuação.
A seleção de servidores deve ser cuidadosa e a remuneração deve ser adequada à complexidade das
atividades desempenhadas.
Trata da prática dos atos infracionais e das regras processuais para aplicação das medidas socioeducativas.
• Princípios Gerais
As crianças e adolescentes são mais vulneráveis à um comportamento desviado e por isso o Estado deve
estimular o desenvolvimento pessoal e a educação.
A Justiça da Infância e da Juventude deve ser parte integrante do processo de desenvolvimento nacional
de cada país.
As regras de Beijing aplicam-se aos jovens infratores com imparcialidade e sem discriminações de
qualquer natureza.
As regras são aplicáveis àqueles que possam ser processados por realizar qualquer ato concreto que não
seria punível se fosse praticado por adultos. São os “delitos situacionais”.
a) Aos jovens compreendidos nos procedimentos relativos à atenção à criança e ao adolescente e a seu bem-
estar;
• Responsabilidade penal
Os Estados que adotarem a penalização comum para jovens não podem fixar uma idade precoce para
maioridade penal.
Bem-estar do adolescente;
Devem ser asseguradas aos adolescentes as garantias processuais básicas em todas as etapas do processo.
• Proteção da intimidade
Os processos que tramitam perante a Vara de Infância e Juventude devem preservar o direito à intimidade.
• Cláusula de salvaguarda
Nenhuma disposição das presentes regras poderá ser interpretada no sentido de excluir ou restringir a
aplicação dessas regras e de outros instrumentos normativos, voltados à proteção da infância e juventude.
• Investigação e processamento
Uma vez apreendido, os pais ou responsáveis pelo adolescente serão imediatamente comunicados.
A autoridade competente deve analisar o caso o mais breve possível, a fim de colocar o jovem em
liberdade, dado que a restrição à liberdade na forma preventiva é a exceção.
A remissão é o instituto não formal por excelência e quando tem por finalidade encaminhar o adolescente
para atuar em instituições da comunidade, deverá haver o consentimento do adolescente e dos pais ou
representantes. Exige-se, ainda, o controle judicial de tais remissões.
• Especialização policial
Haverá formação de polícia especializada, com instrução e capacidade especial, a fim de atender aos
propósitos da administração da Justiça na infância e juventude.
• Prisão preventiva
Se o fato praticado não resultar em remissão o adolescente deverá ser apresentado ao Juiz da Infância e
Juventude.
Direito a defesa técnica seja por advogado seja pela assistência judiciária gratuita.
Com exceção de infrações de natureza leve, será elaborado relatório de investigação completa sobre o
meio social e as circunstâncias de vida do jovem e as condições em que se deu a prática da infração.
Admissão da restrição à liberdade de modo excepcional e apenas após cuidadoso estudo do caso.
Admissão da restrição à liberdade na prática de atos infracionais de natureza grave, com violência contra
a pessoa, ou no caso de reincidência de infrações de natureza grave
A internação será sempre uma medida de último recurso e pelo menor período possível.
Deve-se buscar a celeridade no trâmite de processos que envolvam interesses de crianças e adolescente.
• Registros
Caráter estritamente confidencial e não poderão ser consultados por terceiros. Só terão acesso as pessoas
que participam diretamente da tramitação do caso ou outras pessoas devidamente autorizadas.
O quadro de servidores da Justiça da Infância e da Juventude deverá refletir as diversas características dos
adolescentes que entram em contato com o sistema.
O Juiz da Infância e Juventude pode modificar a aplicação de medidas caso considere adequado e desde
que pautados nos princípios norteadores da matéria.
Deve ser assegurado aos adolescentes a assistência necessária, bem assim o ensino, capacitação
profissional e emprego, com vistas à reabilitação.
• Tratamento Institucional
• Objetivos do tratamento institucional
Assegurar proteção, educação e formação profissional para permitir-lhes que desempenhem um papel
construtivo e produtivo na sociedade.
Deve ser despendida especial atenção aos adolescentes internados, sem nenhuma distinção.
• Aplicação das Regras Mínimas para o Tratamento dos Prisioneiros, aprovadas pelas Nações Unidas
Serão aplicáveis naquilo que for pertinente, inclusive para aqueles que foram internados
preventivamente.
A liberdade condicional deve ser utilizada na maior medida e o mais cedo possível.
• Sistemas semi-institucionais
• Princípios fundamentais
Deve-se evitar a criminalização e penalização de crianças e adolescentes quando não causar prejuízos.
• Prevenção Geral
Devem compreender análises, definição do campo de atuação dos órgãos e instituições, coordenação
adequada, desenvolvimento de políticas e de estratégias, adoção de métodos, participação da comunidade,
cooperação entre os governos nacionais, regionais e locais, participação do setor privado, dos jovens e de
pessoas especializadas nos mais diferentes níveis.
• Processos de socialização
• Família
Se não for possível a manutenção da criança junto à família de origem, deve-se recorrer a outras
modalidades de situação familiar como o acolhimento e a adoção.
Deve-se conceder atenção especial às crianças de famílias afetadas por problemas originados por
mudanças rápidas e desiguais no âmbito econômico, social e cultural.
• Educação
Entre as regras relativas aos sistemas de educação destaca-se: respeito à identidade própria e
características culturais; desenvolvimento da personalidade, aptidões e capacidades; participação ativa de
crianças e adolescentes no processo educativo; integração da escola na comunidade; incentivo ao respeito
a opiniões e culturas diferentes; e informação.
No processo educativo, as crianças e adolescentes devem ser informados sobre o ordenamento jurídico,
seus direitos e obrigações.
Deve ser despendida atenção especial aos jovens em situação de risco social.
Adoção de políticas e estratégias educacionais com vistas à prevenção do uso indevido de álcool, drogas
e outras substâncias por parte dos jovens.
O poder público deve buscar alta qualificação e capacidade de professores e estruturação das entidades
de ensino.
Os estudantes estarão representados nos órgãos da administração escolar e nos de adoção de decisões e
participarão nos assuntos e procedimentos disciplinares.
• Comunidade
• Política social
Máxima prioridade aos planos e programas dedicados aos jovens, especialmente para atender a
assistência médica, saúde mental, nutrição, moradia.
Promulgação e aplicação de leis e procedimentos especiais para fomentar e proteger os direitos e o bem-
estar de todos os jovens.
Nenhuma criança ou jovem deverá ser objeto de medidas severas ou degradantes de correção ou castigo
no lar, na escola ou em qualquer outra instituição.
Garantir que todo ato que não seja considerado um delito, nem seja punido quando cometido por um
adulto, não seja considerado um delito, nem objeto de punição quando for cometido por um jovem.
Os servidores da polícia deverão ser capacitados para atender às necessidades especiais dos jovens.
Tanto a criança como o adolescente são sujeitos de direitos que recebem tratamento especial devido à
condição de pessoa em desenvolvimento.
O art. 2º, parágrafo único, do ECA, não se aplica às relações civis, em face do regramento posterior pelo
Código Civil de 2002, que reduziu a maioridade civil para os 18 anos.
Essa corrente, a prevalecer nas provas de concurso público, sugere a distinção entre as esferas cíveis e
penais. Em relação aos aspectos cíveis, com a superveniência do CC/02, não mais se aplica o ECA aos maiores
de 18. Contudo, em relação aos aspectos infracionais, aplica-se o art. 2º, parágrafo único, cujo exemplo mais
claro é o art. 121, §5º, do ECA, que prevê liberação compulsória aos 21 anos de idade.
• Princípios Basilares
Princípio da prioridade absoluta - constitui dever da família, da sociedade e do Estado em ação conjunta
assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade todos os direitos.
Todo o ordenamento jurídico deve garantir a proteção integral das crianças e adolescentes.
Direitos assegurados
• vida
• saúde
• alimentação
• educação
• esporte
• lazer
• profissionalização
• cultura
• dignidade
• respeito
• liberdade
Princípio da não discriminação - os direitos são aplicados a todas as crianças e adolescentes sem qualquer
discriminação.
• Interpretação do ECA
A efetivação desses direitos, de acordo com o art. 7º, do ECA, deve ocorrer por intermédio de políticas
públicas para o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas.
Quanto a gestante:
A mãe terá direito de escolher, nos últimos 3 MESES da gestação, o local onde será realizado o parto.
O Poder Público deverá atuar a fim de garantir os direitos das gestantes perante a rede pública de saúde,
atuará também em posição interventiva nos contratos de emprego, preservará o direito das gestantes que
estiverem em restrição de liberdade.
Além de promover os direitos das gestantes e parturientes, o Estado deverá coibir práticas
discriminatórias e violadoras dos direitos das gestantes.
Todos os cuidados com a identificação do recém-nascido devem ser observados para evitar uma troca,
devemos lembrar que o direito à identidade é considerado um direito da personalidade.
A realização de exames, como o teste do pezinho, facilita a identificação de doenças futuras que podem
ser tratadas de forma preventiva.
A declaração de nascimento é muito importante, a certidão de nascimento daquela criança será feita a
partir desta declaração.
O recém-nascido deve estar em contato com mãe durante todo o tempo de internação.
O último inciso foi acrescentado pela Lei 13.436/2017, os hospitais e demais estabelecimentos devem se
preocupar em estimular e orientar as mães quanto ao aleitamento materno.
controle das condições dos hospitais, notadamente em relação às situações de tratamento degradante
ou desumano.
Outros direitos
Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos
contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva
localidade, sem prejuízo de outras providências legais
É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias.
É obrigatória a aplicação a todas as crianças, nos seus primeiros dezoito meses de vida, de protocolo ou
outro instrumento construído com a finalidade de facilitar a detecção, em consulta pediátrica de
acompanhamento da criança, de risco para o seu desenvolvimento psíquico.
Liberdade
Respeito
• preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e
objetos pessoais
• CASTIGO FÍSICO: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a
criança ou o adolescente que resulte em:
o sofrimento físico; ou
o lesão
• TRATAMENTO CRUEL OU DEGRADANTE: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança
ou ao adolescente que:
o humilhe
o ameace gravemente
o ridicularize
o Direito à Convivência Familiar e Comunitária
Família natural têm preferência legal para criar e educar a criança e o adolescente.
A retirada da família natural ocorrerá em situações excepcionais, por decisão judicial devidamente
motivada, garantindo-se o contraditório e a ampla defesa.
Direito de convivência com os pais que estejam privados de liberdade, independentemente de autorização
judicial.
Garantida a convivência integral da criança com a mãe adolescente que estiver em acolhimento
institucional.
A gestante ou mãe que manifeste interesse em entregar seu filho para adoção, antes ou logo após o
nascimento, será encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude.
A desistência é admitida até a publicação da sentença que decreta a perda do poder familiar.
Programa de apadrinhamento
• Os filhos tidos dentro ou fora do casamento ou por adoção têm os mesmos direitos.
• O poder familiar é exercício em igualdade de condições pelos pais.
• Os pais têm o dever de sustento, guarda e educação.
• Os pais possuem direitos iguais e deveres e responsabilidades compartilhados no cuidado e na
educação dos filhos.
• A falta de recursos, por si só, não é impeditivo para o exercício do poder familiar.
• A condenação criminal não gera perda automática do poder familiar, a não ser que o crime doloso
praticado esteja sujeito à pena de reclusão e seja contra outrem igualmente titular do mesmo poder
familiar ou contra filho, filha ou outro descendente.
o Famílias
Família natural - a comunidade formada pelos pais ou qualquer um deles e seus descendentes
Família extensa ou ampliada - formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente
convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade.
acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência, com vagas no mesmo estabelecimento que
seus irmãos.
ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade
própria;
acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de
cada um;
Princípios
• noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte
• Integração com os órgãos e entidades (poder judiciário, MP, defensoria, conselhos tutelares,
conselhos e ongs).
• Famílias com crianças e adolescentes com deficiência terão prioridade de atendimento nas
ações e políticas públicas de prevenção e proteção
• o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, dos conteúdos relativos à
prevenção, à identificação e à resposta à violência doméstica e familiar.
Prevenção geral
• direito à informação
• direito à cultura
• direito ao lazer
• direito aos esportes
• direito à diversão
• direito de participar de espetáculos
• direito a produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento
Prevenção Especial
• O Poder Público regulará as diversões e espetáculos públicos (definindo natureza, faixas etárias, locais
e horários inadequados de apresentação). Essas normas devem ser cumpridas e divulgadas pelas
empresas que trabalhem com diversão e espetáculos.
• Crianças menores de dez anos somente poderão ingressar e permanecer nos locais de apresentação
ou exibição quando acompanhadas dos pais ou responsável.
• Rádios e TVs somente exibirão, no horário recomendado para o público infanto-juvenil, programas
com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas. Todos os espetáculos conterão o
anúncio da faixa etária indicativa.
• Empresas que explorem a venda ou aluguel de fitas de programação em vídeo cuidarão para que não
haja venda ou locação em desacordo com a classificação atribuída pelo órgão competente.
• Revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes
deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo.
• Revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter ilustrações alusivas
a bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, e deverão respeitar os valores éticos e sociais da
pessoa e da família.
• Casas de jogos cuidarão para que não seja permitida a entrada e a permanência de crianças e
adolescentes no local, afixando aviso para orientação do público.
➢ Produtos e Serviços
▪ Regra - proibida
▪ Exceção - quando autorizadas pelos pais/responsáveis
▪ Acompanhada de pais/responsável; ou
▪ Mediante autorização judicial (com validade de 2 anos).
o Situações excepcionais em relação aos quais não se exige acompanhamento dos pais/responsável ou
autorização judicial:
▪ Translado em comarcas vizinhas (a lei fala em contígua), desde que se trate de mesma
unidade da Federação;
▪ Translado entre cidades que estejam na mesma região metropolitana;
▪ Translado acompanhado de ascendentes ou colateral maior (até o 3º grau), desde que
comprove, mediante apresentação de documentos, a relação de parentesco; ou
▪ Translado acompanhado pessoa maior de idade desde que esteja portando autorização
fornecida pelo pai, ou pela mãe ou por responsável.
Política de atendimento
• Ato infracional
• Conduta prevista como crime ou contravenção penal quando praticada por criança ou adolescente.
• São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos
➢ Crianças
• Praticam atos infracionais.
• São aplicadas apenas medidas de proteção.
➢ Adolescentes
• Praticam atos infracionais
• São aplicadas medidas socioeducativas e medidas de proteção.
Direitos Individuais
• A privação de liberdade é excepcional. Logo, somente poderá ocorrer em caso de decisão escrita e
fundamentada da autoridade judiciária.
• Ao ser apreendido, o adolescente tem o direito de conhecer a identificação daqueles que o
apreenderam e de ser informado quanto aos seus direitos.
• Quando o adolescente for apreendido deve-se comunicar imediatamente a autoridade judiciária e a
família (ou pessoa indicada pelo adolescente).
• A internação provisória, que somente poderá ser decretada por decisão judicial fundamentada, será
pelo prazo improrrogável de 45 dias.
Garantias Processuais
Em relação às garantias processuais é importante que você memorize que a privação de liberdade observará
o devido processo legal, especialmente:
Medidas Socioeducativas
• São medidas jurídicas aplicadas aos adolescentes que praticarem atos infracionais por meio de uma
ação socioeducativa
• Podem ser classificadas em dois grupos: as restritivas de liberdade e as medidas de meio aberto.
Princípio da brevidade - as medidas restritivas de liberdade devem ser aplicadas pelo tempo
estritamente necessário para a ressocialização do adolescente.
Princípio da excepcionalidade - informa que as medidas socioeducativas restritivas somente devem ser
aplicadas se, uma vez caracterizada dentro das hipóteses legais, as medidas de meio aberto demonstrem-se
ineficazes.
Por fim, a aplicação das medidas socioeducativas restritivas deve observar o princípio segundo o qual
os adolescentes são considerados pessoas em desenvolvimento, de modo que devem ser tratados de acordo
com sua condição durante a restrição de liberdade, e não como detentos.
Fatores a serem considerados pelo juiz da vara da infância e juventude na aplicação de medidas
socioeducativas
• Capacidade de cumpri-la
• Circunstâncias
• Gravidade da infração
➢ Advertência - É a medida socioeducativa mais branda e poderá ser aplicada com base em prova da
materialidade e de indícios de autoria.
• Portanto, NÃO É NECESSÁRIA A PROVA DA AUTORIA PARA APLICAÇÃO DA MEDIDA
SOCIOEDUCATIVA DE ADVERTÊNCIA.
• É importante compreender a desnecessidade de a autoria restar plenamente comprovada
para aplicação da medida. A advertência consiste tão somente em uma admoestação verbal
que parte do juiz.
➢ Obrigação de reparar o dano - Será adotada a obrigação de reparar danos, quando da conduta do
adolescente decorrer reflexos patrimoniais. Registre-se, entretanto, que atos infracionais mais graves, como
o roubo, embora gerem danos, a reparação desse não será suficiente, em razão da gravidade da conduta. De
toda forma, a aplicação dependerá sempre da análise do caso concreto, haja vista os objetivos pedagógicos
das medidas socioeducativas. A obrigação é imposta ao adolescente e não a seus pais, não se aplica aqui as
regras de responsabilidade civil.
➢ Liberdade assistida - A liberdade assistida constitui a última alternativa antes da aplicação das
medidas restritivas de liberdade.
• Consiste no acompanhamento, na orientação e no apoio ao adolescente por meio de um educador.
• Do mesmo modo terá duração mínima de 6 meses e caracteriza-se pelo acompanhamento mais
próximo do socioeducando.
• Haverá a nomeação de um orientador a quem incumbe:
• Promover socialmente o adolescente e sua família (programa oficial ou comunitário de auxílio e
assistência social);
• Supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar;
• Diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de inserção no mercado de trabalho; e
• Apresentar relatório do caso.
➢ Regime de Semiliberdade - acompanhamento mais severo, uma vez que o adolescente permanecerá
custodiado em entidades institucionais próprias.
• Durante o dia, o adolescente executará atividades normais na comunidade, como estudar e trabalhar.
À noite deve se recolher à unidade de internação.
• A fixação de atividades externas, é obrigatório e independe de autorização judicial,
• Prazo Máximo -3 anos
• Reavaliação - a cada 6 meses
Princípio da brevidade – medida de internação deve ser aplicada por curto espaço de tempo. O ECA
prevê como prazo máximo 3 anos e determina que a autoridade judiciária reavalie a situação a cada 6 meses
para se possível substituir a medida por outra menos gravosa ou até encerrar o cumprimento, isso significa
que o comportamento do autor do ato infracional irá influenciar no alcance deste princípio.
Princípio da Excepcionalidade – a internação só se justifica quando não houver outra medida que se
mostre adequada.
➢ Internação
• Máximo de 3 anos
• Ato infracional praticado com grave ameaça ou violência à pessoa
• Reiteração no cometimento de infrações graves
• Pelo máximo de 3 meses (internação-sanção) - descumprimento reiterado e injustificável de medida
anteriormente aplicada
Deverá ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, em local distinto daquele destinado ao
abrigo, obedecida rigorosa separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração.
• Suspensão temporária
• depende de decisão judicial
• ocorrerá quando houver indícios sérios e suficientes de que tais visitas são prejudiciais ao adolescente
custodiado
Remissão
• A remissão constitui uma forma de perdão ou redução do rigor das penalidades do ECA e será
concedida por iniciativa do Ministério Público. Esse instituto poderá ser aplicado antes de iniciar o
procedimento ou no curso do processo.
• Antes do início do processo, a remissão será concedida com exclusão do processo, a depender das
circunstâncias e do fato no contexto social. Nesse caso, a remissão será homologada por sentença
pelo Juiz da Infância e Juventude.
• No curso do processo, a remissão será concedida como forma de suspensão ou de exclusão do
processo e depende de sentença.
Conselho Tutelar
Acesso à Justiça
• Deve ser garantido pelos diversos órgãos com atuação no poder judiciário
• Como regra, a assistência judiciária gratuita será prestada pelo defensor público
• O ECA assegura a isenção de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé.
Capacidade processual.
• MENORES DE 16 - representados
• ENTRE 16 E 18 ANOS - Assistidos
• Competência Territorial
▪ do domicílio dos pais ou responsável;
▪ do lugar onde se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável;
▪ nos casos de ato infracional, será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão,
observadas as regras de conexão, continência e prevenção;
▪ EXECUÇÃO DE MEDIDA - Competência da residência dos pais/responsável ou do local onde
estiver acolhida a criança.
▪ TRANSMISSÃO SIMULTÂNEA DE RÁDIO OU TV QUE ATINGIR MAIS DE UMA COMARCA -
Competência da sede estadual da emissora ou rede, abrangendo todas as transmissoras e
retransmissoras do Estado.
• Competência Material
▪ atos infracionais
▪ remissão (com suspensão ou exclusão do processo)
▪ adoção
▪ ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao
adolescente
▪ apuração de irregularidade em entidade de atendimento
▪ penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção
▪ análise dos procedimentos afetos ao Conselho Tutelar
A Lei 13.431/2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou
testemunha de violência.
Normatiza e organiza o sistema de garantia dos direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha
de violência.
• A violência física é aquela ofensiva à integridade física ou corporal ou a que causa sofrimento físico.
• A violência psicológica é constatada em três situações
▪ discriminação, depreciação ou desrespeito que comprometa o seu desenvolvimento
psíquico ou emocional;
▪ alienação parental; e
▪ conduta que exponha criança/adolescente, direta ou indiretamente, a crime violento contra
membro da família ou da rede de apoio do menor de 18 anos.
• A violência sexual envolve o constrangimento de crianças ou de adolescentes a praticar ou presenciar
conjunção carnal ou ato libidinoso, incluindo a exposição do corpo em imagens e vídeos.
• A violência institucional, por último, é aquela praticada por instituição pública ou conveniada.
A criança e o adolescente vítima ou testemunha de violência têm direito a pleitear, por meio de seu
representante legal, medidas protetivas contra o autor da violência.
O ECA e a Lei Maria da Penha serão aplicados de forma subsidiária em casos omissos.
Escuta especializada - procedimento de entrevista sobre uma situação de violência pela criança ou pelo
adolescente perante a rede de proteção. NÃO tem o escopo (a finalidade) de produzir provas. O fim da escuta
especializada é o de proteção social e o de provimento de cuidados à criança ou ao adolescente vítima ou
testemunha de violência.
O depoimento especial, sempre que possível, será colhido em sede de produção antecipada de provas.
Instaura-se procedimento cautelar obrigatório em duas situações:
Ministério Público
Autoridade Policial
Conselheiro Tutelar
o Medidas protetivas.
não depende de oitiva das partes ou do membro do Ministério Público que deverá ser comunicado.
possibilidade de decretação de prisão preventiva do agressor para o cumprimento das medidas protetivas.
Não se aplica quando o afastamento do agressor for determinado pela autoridade policial.
a vedação de contato com a vítima, com seus familiares, com testemunhas e com noticiantes ou
denunciantes.
a inclusão da vítima e de sua família natural, ampliada ou substituta nos atendimentos a que têm direito
nos órgãos de assistência social.
no caso da impossibilidade de afastamento do lar do agressor ou de prisão, a remessa do caso para o juízo
competente.
a realização da matrícula em instituição de educação mais próxima de seu domicílio ou do local de trabalho
de seu responsável legal, ou sua transferência para instituição congênere, independentemente da existência
de vaga.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final desse extenso conteúdo. Como vocês puderam ver, as normas internas e externas de
proteção da criança e do adolescente são muitas!
Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou disponível no fórum no Curso e
por e-mail.
Ricardo Torques
[Link]@[Link]
@proftorques
QUESTÕES COMENTADAS
CESPE
1. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É dever do Estado assegurar a oferta de ensino gratuito, durante o turno noturno, adequado às condições
do adolescente trabalhador.
Comentários
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na
idade própria;
(...)
Comentários
A alternativa A está incorreta. A revista pessoal não é permitida de forma indiscriminada nem para adultos
imagina para crianças e adolescentes.
A alternativa B está incorreta. Não se pode resolver um problema violando os direitos fundamentais das
pessoas.
A alternativa C está incorreta. Como vimos, há sim violação a direitos fundamentais como intimidade e
privacidade, por exemplo.
A alternativa D está incorreta. Não é permitido principalmente de forma indiscriminada. Para uma revista
pessoal em adultos a jurisprudência entende que é necessário causa provável de alguma irregularidade.
A alternativa E está correta. O art. 232 do ECA prevê como crime submeter criança ou adolescente a vexame
ou constrangimento.
Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a
vexame ou a constrangimento:
Comentários
A assertiva está correta. Veja o que afirma o parágrafo único do art. 53 do ECA.
(...)
Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico,
bem como participar da definição das propostas educacionais.
4. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É permitido ao adolescente em capacitação educativa realizar atividade regular remunerada bem como
obter participação na venda dos produtos do seu trabalho.
Comentários
A assertiva está correta. Desde que observadas a idade mínima e as demais regras previstas não há óbice
para a atividade remunerado no adolescente.
5. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É permitido ao adolescente o trabalho noturno até às 23 horas, de forma a garantir o seu descanso e
frequência escolar diurna.
Comentários
Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola
técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho:
I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte;
III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico,
moral e social;
6. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É justificável a ausência escolar do adolescente que trabalhe em local e horário não compatíveis com a escola.
Comentários
A assertiva está incorreta. De acordo com o art. 67 do ECA o trabalho do adolescente deve ser realizado em
horário e local que permitam sua frequência escolar.
7. (CEBRASPE/ADAPAR - 2021) José, Ana e Maria, com 10, 12 e 14 anos de idade, respectivamente,
trabalham na colheita de tangerinas e laranjas em uma fazenda onde seu pai é empregado e recebe por
cota de produção familiar. O pai colhe vinte caixas por dia e os filhos, doze caixas cada um. Durante o
período de aulas, os filhos só trabalham em um turno, o que diminui bastante a produção, mas a família
recebe os benefícios do Programa Bolsa Família para complementar a renda. Eles mantêm um padrão
satisfatório, todos se alimentam bem, se vestem adequadamente e possuem alguma forma de lazer. O
trabalho de toda a família é uma tradição mantida há várias gerações.
Considerando essa situação hipotética e as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a
opção correta acerca de trabalho infantil.
A) Crianças como José podem exercer trabalho na condição de regime familiar em razão de o trabalho
assumir um papel pedagógico e moralizador, pois decorre do exercício do poder familiar.
B) José, Ana e Maria estão em situação de trabalho infantil, visto que a qualificação para o trabalho infantil,
inclusive em regime familiar, é proibida antes dos quatorze anos; somente a partir dessa idade é permitida
na condição de aprendiz.
C) A adolescentes como Maria, que exerce trabalho na condição de regime familiar, devem ser
obrigatoriamente assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários existentes para todos os
adolescentes.
D) Nessa situação, considera-se trabalho infantil somente o trabalho exercido por José e por Ana.
E) O trabalho exercido por José, Ana e Maria não é considerado trabalho infantil, pois todos frequentam a
escola e tem uma vida satisfatória, além de ser uma tradição mantida há várias gerações.
Comentários
A alternativa B está correta. Como vimos a própria Constituição Federal veda o trabalho ao menor de 14
anos, não há previsão de exceções.
A alternativa C está incorreta. Maris poderia apenas exercer trabalho na condição de aprendiz.
8. (CEBRASPE/ADAPAR - 2021) João, com 12 anos de idade, e José, com 14 anos de idade, trabalham
na lavoura de arroz na pequena propriedade da família desde quando ainda eram crianças de tenra idade.
Seu pai, Antônio, trabalha em sistema de integração com a indústria, por meio do qual recebe as sementes
e o financiamento para a compra de insumos. Antônio reconhece que o trabalho exercido pelos filhos é
cansativo, mas necessário para que consiga pagar os financiamentos, e afirma que prioriza que todos vão
à escola regularmente e sejam bem alimentados.
Tendo como referência a situação hipotética apresentada e o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale
opção correta, acerca do trabalho infantil.
A) Na infância e na juventude, o trabalho na condição de regime familiar, como a de João e José, desde que
associado ao ensino formal, deve ser estimulado, com vistas à formação integral do ser humano.
B) É permitido o trabalho de crianças e adolescentes aprendizes na zona rural, quando isso for necessário
para sua subsistência ou de seus pais, avós ou irmãos, como um tipo de atividade que tem caráter de ajuda,
formativa e enobrecedora.
C) O trabalho da criança na condição de aprendiz assume um papel pedagógico e moralizador, haja vista
caracterizar-se como uma maneira de socialização e formação dos futuros trabalhadores.
D) A situação de João e José é regular, pois, no ambiente rural, é permitido o uso da mão de obra infantil
para a realização de atividades laborais em propriedades agrícolas.
E) É permitido a adolescentes como José trabalho em regime familiar, mesmo não configurando vínculo
empregatício, desde que atenda às restrições de idade, jornada e de atividades previstas em lei.
Comentários
A alternativa A está incorreta. Não há previsão na lei de incentivo a trabalho em condição familiar.
A alternativa D está incorreta. A situação é irregular. João não pode trabalhar como aprendiz, pois não tem
a idade mínima.
A alternativa E está correta. José, por ter 14 anos, poderia trabalhar, desde que observadas todas as regras
impostas pela legislação.
Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola
técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho:
I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte;
III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico,
moral e social;
Comentários
A questão foi anulada pela banca examinadora. A afirmativa foi mal redigida. A idade mínima para trabalhar
como aprendiz é 14 anos, mas o adolescente a partir dos 16 anos poderá trabalhar de forma regular desde
que observadas as restrições legais.
10. (CESPE/SEED-PR - 2021) Julgue os itens a seguir, com base nas disposições do Estatuto da Criança e
do Adolescente a respeito de maus-tratos, reiteração de faltas injustificadas à escola, evasão escolar e
elevados níveis de repetência de alunos.
I O descumprimento da obrigação de comunicar ao conselho tutelar os casos suspeitos de maus-tratos de
crianças e adolescentes pode configurar infração administrativa punível com multa.
II O dirigente de estabelecimento de ensino fundamental deve comunicar ao conselho tutelar faltas
reiteradas e injustificadas de estudante, assim que percebê-las, a fim de esgotar os meios para que o aluno
retorne à sala de aula a tempo de aproveitar o ano letivo.
III A não comunicação, ao conselho tutelar, de elevados níveis de repetência de estudantes de uma escola
de ensino fundamental não enseja sanção para os dirigentes desse estabelecimento de ensino.
IV A mera suspeita da ocorrência de maus-tratos contra criança ou adolescente gera a obrigatoriedade de
comunicação do fato ao conselho tutelar, porém, quando os maus-tratos são efetivamente confirmados, a
autoridade a ser comunicada é o Ministério Público.
Estão certos apenas os itens
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
Comentários
O item I está correto. De acordo com o caput do art. 245 do Estatuto da Criança e do Adolescente:
O item II está incorreto. A assertiva disse mais que a lei. Veja a previsão do art. 56 do Eca:
O item III está correto. Não há previsão de sanção no Eca para essa omissão.
O item IV está incorreto. A comunicação deve ser feita ao conselho Tutelar da localidade em caso de suspeita
ou confirmação dos maus tratos conforme art. 13 do Eca:
11. (CESPE/TJ-PR - 2019) A atual doutrina da proteção integral, que rege o direito da criança e do
adolescente, reconhece crianças e adolescentes como
a) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, mas que devem ser responsabilizados pela própria
situação de irregularidade.
b) sujeitos de direito, devendo o Estado, a família e a sociedade lhes assegurar direitos fundamentais.
c) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, sendo o Estado o principal responsável por lhes
assegurar direitos.
d) sujeitos de direito que devem ser responsabilizados pela própria situação de irregularidade.
Comentários
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. De acordo com o caput do art. 4º do Estatuto da
Criança e do Adolescente:
A alternativa A e C estão incorretas. O Código de Menores (Lei nº 6.697/79) tratava crianças e adolescentes
como objeto de proteção. O Estatuto, por sua vez, trata-os como sujeitos de direito, numa clara mudança: a
substituição da doutrina da situação irregular pela doutrina da proteção integral.
A alternativa D está incorreta. O termo situação irregular é próprio da doutrina da situação irregular que não
foi adotado pelo ECA como já estudado em aulas anteriores. Para o Eca haverá responsabilidade do Estado,
Família e sociedade em caso de situação de risco de criança ou adolescente.
12. (CESPE/SLU DF - 2019) Com base nas legislações que regem as políticas de saúde, de assistência
social e previdência social, julgue o item a seguir, considerando que as siglas PNAS, SUAS e LOAS referem-
se, respectivamente, à Política Nacional de Assistência Social, ao Sistema Único de Assistência Social e à
Lei Orgânica de Assistência Social.
Os centros de referência especializados de assistência social (CREAS) devem imputar máxima prioridade ao
atendimento de crianças entre zero a seis anos de idade com suspeita de terem sofrido violência física.
Comentários
A assertiva está correta. O art. §2º do art. 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê que atendimento
prioritário a crianças na faixa etária da primeira infância que compreende o período que vai do nascimento
aos 6 anos de idade.
13. (CEBRASPE/PC SE - 2021) João, 18 anos de idade, estava em um bar quando percebeu a presença
de dois desafetos, Diego, de 19 anos de idade, e Pedrinho, de 16 anos de idade. Os dois se aproximaram
de João e realizaram disparos de arma de fogo, que o atingiram na cabeça, no pescoço, no tórax e no
abdome. João não resistiu e faleceu no local. Diego foi preso e encaminhado à delegacia circunscricional
mais próxima; Pedrinho conseguiu fugir. Em seu depoimento, Diego relatou que ambos não tinham
intenção de matar a vítima, e que os tiros haviam sido disparados a distância, após verificarem que João
havia sacado uma pistola e apontado em direção à dupla. Ao exame necroscópico da vítima, foram
observados, na região temporal (cabeça), uma zona de tatuagem, e, na região cervical (pescoço), o sinal
de Werkgaertner.
Considerando a situação hipotética relatada, julgue o item a seguir.
Se for encontrado, Pedrinho poderá ser encaminhado para internação em estabelecimento educacional.
Comentários
A assertiva está correta. O ECA prevê a possibilidade de internação provisória, ou seja, realizada antes da
sentença pelo prazo máximo de 45 dias e demonstrada necessidade imperiosa da medida.
Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo PRAZO MÁXIMO DE
QUARENTA E CINCO DIAS.
14. (CEBRASPE/DPE-RO - 2022) De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, é princípio que
rege a aplicação das medidas de proteção
A) oitiva facultativa do menor, a qual deve ocorrer na presença dos pais ou do responsável do menor.
B) responsabilidade parental como foco da intervenção, para que os pais assumam seus deveres com o
menor.
C) responsabilidade subsidiária do poder público, se houver falta, omissão ou abuso dos pais.
D) intervenção máxima do ente público ou privado para verificar se há necessidade de proteção do menor.
E) intervenção precoce da autoridade, priorizando-se o menor e o seu afastamento da família natural.
Comentários
A questão versa sobre o art. 100 do ECA, vamos verificar o conteúdo do artigo e depois comentaremos as
assertivas.
Parágrafo único. São também princípios que regem a aplicação das medidas:
III - responsabilidade primária e solidária do poder público: a plena efetivação dos direitos
assegurados a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal, salvo nos
casos por esta expressamente ressalvados, é de responsabilidade primária e solidária das
3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização do atendimento e da
possibilidade da execução de programas por entidades não governamentais;
A alternativa A está incorreta. De acordo com o inciso XII do parágrafo único do art. 100 do ECA a oitiva é
obrigatória e não facultativa como afirmado.
A alternativa B está correta. É a previsão do inciso IX do parágrafo único do art. 100 do ECA.
A alternativa C está incorreta. Nos termos do inciso III do parágrafo único do art. 100 do ECA verificamos
que a responsabilidade do Poder Público é primária e solidária e não subsidiária como afirmado.
A alternativa D está incorreta. O inciso VII do parágrafo único do art. 100 do ECA prevê a intervenção mínima
e não máxima como afirmado.
A alternativa E está incorreta. O afastamento do lar não está previsto na intervenção precoce.
15. (CEBRASPE/DP-DF - 2022) Acerca das medidas de proteção à criança e ao adolescente, julgue o item
a seguir.
As medidas de proteção à criança e ao adolescente devem ser balizadas pela máxima intervenção das
autoridades e das instituições na sua rotina.
Comentários
A assertiva está incorreta. O inciso VII do parágrafo único do art. 100 do ECA prevê a intervenção mínima e
não máxima como afirmado.
16. (CEBRASPE/DPE RO - 2022) Com relação às medidas socioeducativas, o ECA determina que pode
ser aplicada, desde que haja prova da materialidade e indícios suficientes da autoria,
A) a obrigação de reparar o dano.
B) a liberdade assistida.
C) a prestação de serviços à comunidade.
D) a internação em estabelecimento educacional.
E) a advertência.
Comentários
A alternativa E está correta. A advertência é a medida socioeducativa mais branda e poderá ser aplicada
com base em prova da materialidade e de indícios de autoria. Portanto, NÃO É NECESSÁRIA A PROVA DA
AUTORIA PARA APLICAÇÃO DA MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE ADVERTÊNCIA.
Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 pressupõe a
existência de provas suficientes da autoria e da materialidade da infração, RESSALVADA
A HIPÓTESE DE REMISSÃO, nos termos do art. 127.
Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova da
materialidade e indícios suficientes da autoria.
Quanto as demais alternativas, o caput do art. 114 do ECA exige provas suficientes da autoria e da
materialidade da infração para as medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 do ECA, perceba que são
as medidas prevista na questão.
Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar
ao adolescente as seguintes medidas:
I - advertência;
IV - liberdade assistida;
17. (CEBRASPE/TJ RJ - 2021) Pedro tem 15 anos de idade e, por ter cometido ato infracional, está
cumprindo medida socioeducativa determinada pelo Poder Judiciário. Considerando essa situação bem
como o estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assinale a opção correta.
A) O ato infracional cometido por Pedro pode ser noticiado, desde que ele seja identificado pelas iniciais do
seu nome ou por apelido.
B) A audiência de apresentação de Pedro pode ter se dado por meio de condução coercitiva.
C) Se o juiz tivesse determinado a internação de Pedro, este poderia cumpri-la de forma temporária em
estabelecimento prisional.
D) Pedro poderá optar pelo trabalho em horário escolar desde que seja para acelerar o cumprimento da
medida socioeducativa.
E) No caso de definição de privação de liberdade, Pedro poderia receber visitas diárias dos seus familiares
mediante apresentação de bom comportamento.
Comentários
A alternativa A está incorreta. A divulgação das iniciais é vedada pelo Art. 143 do ECA.
Art. 143. E VEDADA a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam
respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional.
Parágrafo único. Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou
adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco,
residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome.
A alternativa B está correta. De acordo com o art. 187 do ECA é possível a condução coercitiva neste caso.
Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, NÃO poderá ser
cumprida em estabelecimento prisional.
A alternativa D está incorreta. A frequência escolar não pode ser prejudicada. Veja o parágrafo único do Art.
117 do ECA que trata da medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade.
A alternativa E está incorreta. O art. 124 do ECA prevê os direitos do adolescente privado de liberdade. Entre
os direitos previstos está o de receber visitas porém a frequência será semanal e não diária como afirmado.
18. (CEBRASPE/DP-DF - 2022) Acerca das medidas de proteção à criança e ao adolescente, julgue o item
a seguir.
Na hipótese de violação dos direitos da criança e do adolescente, compete à justiça da infância e da
juventude conhecer pedidos de guarda ou tutela.
Comentários
A assertiva está correta. O parágrafo único do art. 148 do ECA prevê algumas competências da Justiça da
Infância e Juventude caso verificada hipótese de risco à criança por ação ou omissão do Estado, sociedade
ou dos pais. Entre elas está a concessão de guarda e tutela.
19. (CESPE/TJ-AM - 2019) Angélica, de vinte e cinco anos de idade, deu à luz gêmeos em uma
maternidade pública, e, durante sua internação manifestou à assistente social Joana, que a acompanhava,
o interesse em entregar seus filhos recém-nascidos à adoção, em razão de já ter Pedro, com seis anos de
idade, passar por situação socioeconômica precária e carecer de apoio familiar, visto que tinha uma
relação difícil com seu companheiro e pai das três crianças, Alan, de quarenta e cinco anos de idade, que
cumpria, havia dois meses, pena de dois anos pelo crime de furto e não havia recebido bem a notícia da
gravidez. Angélica também relatou a Joana que morava em um cômodo cedido pela vizinha, mas que
precisava desocupar em noventa dias o imóvel.
A partir dessa situação hipotética, julgue o item seguinte, considerando os dispositivos do Estatuto da
Criança e do Adolescente.
Como Angélica manifestou interesse em entregar seus filhos recém-nascidos para adoção, o que é um direito
seu, os gêmeos deverão ser obrigatoriamente encaminhados à Justiça da Infância e da Juventude.
Comentários
A assertiva está incorreta. Nesse caso, Angélica (mãe) é que deverá ser encaminhada à Justiça da Infância e
da Juventude, como prevê o art. 13, §1º do ECA: “As gestantes ou mães que manifestem interesse em
entregar seus filhos para adoção serão obrigatoriamente encaminhadas, sem constrangimento, à Justiça da
Infância e da Juventude.”
20. (CEBRASPE/DPE-RO - 2022) No tocante às violências contra crianças e adolescentes, julgue os itens
a seguir.
I. Os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão estabelecer, no âmbito do seu sistema de
atendimento socioeducativo, procedimentos relacionados à atenção à vulnerabilidade indireta dos demais
membros da família decorrente da situação de violência, realizando a solicitação, quando necessário, de
inclusão de suas famílias nas políticas, nos programas e nos serviços existentes para esse fim.
II. A violência sexual abrange abuso sexual, exploração sexual comercial e tráfico de pessoas.
III. Define-se exploração sexual comercial como toda ação que se utiliza da criança ou do adolescente para
fins sexuais, seja para a conjunção carnal, seja para outro ato libidinoso, realizada de modo presencial ou por
meio eletrônico, para estimulação sexual do agente ou de terceiro.
Assinale a opção correta.
A) Apenas o item I está certo.
B) Apenas o item II está certo.
C) Apenas os itens I e III estão certos.
D) Apenas os itens II e III estão certos.
E) Todos os itens estão certos.
Comentários
O item I está incorreto. Na política de atendimento na área de assistência social a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios poderão estabelecer tais procedimentos. Veja o inciso II do art. 19 da Lei
13.431/2017.
O item II está correto. O inciso III do art. 4º da Lei 13.431/2017 traz as definições, veja:
III - violência sexual, entendida como qualquer conduta que constranja a criança ou o
adolescente a praticar ou presenciar conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso,
inclusive exposição do corpo em foto ou vídeo por meio eletrônico ou não, que
compreenda:
a) abuso sexual, entendido como toda ação que se utiliza da criança ou do adolescente
para fins sexuais, seja conjunção carnal ou outro ato libidinoso, realizado de modo
presencial ou por meio eletrônico, para estimulação sexual do agente ou de terceiro;
O item III está incorreto. A assertiva mistura elementos de abuso sexual e exploração sexual comercial,
conforme se percebe dos conceitos transcritos acima.
21. (CEBRASPE/DPE-RO - 2022) Considerando as disposições da Lei n.º 13.431/2017, que estabelece o
sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência, assinale a
opção correta.
A) A criança e o adolescente gozam dos direitos fundamentais à pessoa humana, sendo-lhes asseguradas a
proteção integral e as oportunidades para viver sem violência e preservar sua saúde física e mental e seu
desenvolvimento moral, intelectual e social.
B) Escuta especializada é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de
violência, realizado perante autoridade policial ou judiciária.
C) Devido ao sigilo profissional, o depoimento especial não poderá ser gravado em áudio e vídeo.
D) Depoimento especial é o procedimento de entrevista sobre situação de violência com criança ou
adolescente, perante órgão da rede de proteção.
E) A escuta especializada seguirá o rito cautelar de antecipação de prova.
Comentários
A alternativa C está incorreta. De acordo com o inciso VI do art. 12 da Lei 13.431/2017 o depoimento especial
será gravado em áudio e vídeo.
A alternativa E está incorreta. O rito cautelar se aplica para o depoimento especial e não para a escuta
especializada.
22. (CEBRASPE/TJ RJ - 2021) Nos termos da Lei n.º 13.431/2017, em caso de criança vítima de violência,
o depoimento especial desta deverá
A) ser realizado, sempre que possível, uma única vez, em sede de produção antecipada de prova judicial.
B) apresentar como primeiro procedimento a leitura da denúncia, no caso de violência sexual.
C) apresentar como primeiro procedimento a leitura da denúncia, no caso de violência física.
D) ser realizado em local apropriado e acolhedor, sendo vedada a gravação em áudio.
E) ser realizado em local apropriado e acolhedor, sendo vedada a gravação em vídeo.
Comentários
A alternativa A está correta. A assertiva traz a previsão do art. 11 da Lei n.º 13.431/2017.
Art. 11. O depoimento especial reger-se-á por protocolos e, sempre que possível, será
realizado uma única vez, em sede de produção antecipada de prova judicial, garantida a
ampla defesa do investigado.
A alternativa B está incorreta. A leitura da denúncia e de outras peças é vedada pelo art. 12 I da lei
13.341/2017.
A alternativa C está incorreta. A lei veda a leitura da denúncia sem fazer este tipo de distinção. Lembre-se
que o depoimento especial será utilizado para crianças menores de 7 anos e no caso de violência sexual.
As alternativas D e E estão incorretas. O depoimento especial será gravado em áudio e vídeo conforme a
previsão do inciso VI do art. 12 da Lei 13.431/2017.
LISTA DE QUESTÕES
CESPE
1. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É dever do Estado assegurar a oferta de ensino gratuito, durante o turno noturno, adequado às condições
do adolescente trabalhador.
2. (CEBRASPE/SEED PR - 2021) A pedido da direção de determinada escola da rede de ensino estadual
e com a autorização do conselho escolar e da associação de pais e mestres, com a intenção de coibir o
ingresso de armas e drogas na escola, servidores da escola têm revistado, quase sempre, todos os alunos,
indiscriminadamente, abrangendo revista pessoal e de bolsas, pastas e mochilas, tanto na ocasião da
entrada dos alunos na escola quanto a qualquer momento, mesmo com os alunos já em sala de aula.
De acordo com as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente, a referida conduta dos servidores no
ambiente escolar é
A) permitida, uma vez que, consentida pela escola, pelas famílias e pela comunidade, pode reduzir
drasticamente os índices de violência tanto dentro quanto fora do recinto escolar, o que beneficia toda a
comunidade.
B) uma prática aparentemente abusiva, mas necessária à segurança coletiva, pois a sensação de desconforto
causada aos alunos é transitória, enquanto a solução para o problema da violência na escola é efetiva.
C) uma prática arbitrária do Estado, porém que se justifica em prol do interesse coletivo de segurança, na
medida em que não atinge qualquer direito ou garantia constitucional.
D) permitida, desde que todos os alunos sejam tratados indiscriminadamente de modo igual, sem se
submeter eventual aluno suspeito a situação constrangedora ou vexatória perante os demais estudantes.
E) uma prática que pode caracterizar crime, pois submete os alunos que estão sob a autoridade, guarda e
vigilância da escola a vexame e constrangimento.
3. (CEBRASPE/SEDUC AL - 2021) O Estatuto da Criança e do adolescente (ECA) garante a esse público
o direito à educação, com vistas ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da
cidadania e qualificação para o trabalho. A esse respeito, julgue o item subsequente.
O ECA garante aos pais o direito de participarem da proposta pedagógica da escola de seus filhos.
4. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É permitido ao adolescente em capacitação educativa realizar atividade regular remunerada bem como
obter participação na venda dos produtos do seu trabalho.
5. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É permitido ao adolescente o trabalho noturno até às 23 horas, de forma a garantir o seu descanso e
frequência escolar diurna.
6. (CEBRASPE/FUB - 2022) Com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), julgue o item a
seguir.
É justificável a ausência escolar do adolescente que trabalhe em local e horário não compatíveis com a escola.
7. (CEBRASPE/ADAPAR - 2021) José, Ana e Maria, com 10, 12 e 14 anos de idade, respectivamente,
trabalham na colheita de tangerinas e laranjas em uma fazenda onde seu pai é empregado e recebe por
cota de produção familiar. O pai colhe vinte caixas por dia e os filhos, doze caixas cada um. Durante o
período de aulas, os filhos só trabalham em um turno, o que diminui bastante a produção, mas a família
recebe os benefícios do Programa Bolsa Família para complementar a renda. Eles mantêm um padrão
satisfatório, todos se alimentam bem, se vestem adequadamente e possuem alguma forma de lazer. O
trabalho de toda a família é uma tradição mantida há várias gerações.
Considerando essa situação hipotética e as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a
opção correta acerca de trabalho infantil.
A) Crianças como José podem exercer trabalho na condição de regime familiar em razão de o trabalho
assumir um papel pedagógico e moralizador, pois decorre do exercício do poder familiar.
B) José, Ana e Maria estão em situação de trabalho infantil, visto que a qualificação para o trabalho infantil,
inclusive em regime familiar, é proibida antes dos quatorze anos; somente a partir dessa idade é permitida
na condição de aprendiz.
C) A adolescentes como Maria, que exerce trabalho na condição de regime familiar, devem ser
obrigatoriamente assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários existentes para todos os
adolescentes.
D) Nessa situação, considera-se trabalho infantil somente o trabalho exercido por José e por Ana.
E) O trabalho exercido por José, Ana e Maria não é considerado trabalho infantil, pois todos frequentam a
escola e tem uma vida satisfatória, além de ser uma tradição mantida há várias gerações.
8. (CEBRASPE/ADAPAR - 2021) João, com 12 anos de idade, e José, com 14 anos de idade, trabalham
na lavoura de arroz na pequena propriedade da família desde quando ainda eram crianças de tenra idade.
Seu pai, Antônio, trabalha em sistema de integração com a indústria, por meio do qual recebe as sementes
e o financiamento para a compra de insumos. Antônio reconhece que o trabalho exercido pelos filhos é
cansativo, mas necessário para que consiga pagar os financiamentos, e afirma que prioriza que todos vão
à escola regularmente e sejam bem alimentados.
Tendo como referência a situação hipotética apresentada e o Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale
opção correta, acerca do trabalho infantil.
A) Na infância e na juventude, o trabalho na condição de regime familiar, como a de João e José, desde que
associado ao ensino formal, deve ser estimulado, com vistas à formação integral do ser humano.
B) É permitido o trabalho de crianças e adolescentes aprendizes na zona rural, quando isso for necessário
para sua subsistência ou de seus pais, avós ou irmãos, como um tipo de atividade que tem caráter de ajuda,
formativa e enobrecedora.
C) O trabalho da criança na condição de aprendiz assume um papel pedagógico e moralizador, haja vista
caracterizar-se como uma maneira de socialização e formação dos futuros trabalhadores.
D) A situação de João e José é regular, pois, no ambiente rural, é permitido o uso da mão de obra infantil
para a realização de atividades laborais em propriedades agrícolas.
E) É permitido a adolescentes como José trabalho em regime familiar, mesmo não configurando vínculo
empregatício, desde que atenda às restrições de idade, jornada e de atividades previstas em lei.
9. (CEBRASPE/SEDUC AL - 2021) O Estatuto da Criança e do adolescente (ECA) garante a esse público
o direito à educação, com vistas ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da
cidadania e qualificação para o trabalho. A esse respeito, julgue o item subsequente.
Adolescentes só poderão trabalhar a partir dos 14 anos se estiverem na condição de aprendiz.
10. (CESPE/SEED-PR - 2021) Julgue os itens a seguir, com base nas disposições do Estatuto da Criança e
do Adolescente a respeito de maus-tratos, reiteração de faltas injustificadas à escola, evasão escolar e
elevados níveis de repetência de alunos.
I O descumprimento da obrigação de comunicar ao conselho tutelar os casos suspeitos de maus-tratos de
crianças e adolescentes pode configurar infração administrativa punível com multa.
II O dirigente de estabelecimento de ensino fundamental deve comunicar ao conselho tutelar faltas
reiteradas e injustificadas de estudante, assim que percebê-las, a fim de esgotar os meios para que o aluno
retorne à sala de aula a tempo de aproveitar o ano letivo.
III A não comunicação, ao conselho tutelar, de elevados níveis de repetência de estudantes de uma escola
de ensino fundamental não enseja sanção para os dirigentes desse estabelecimento de ensino. IV A mera
suspeita da ocorrência de maus-tratos contra criança ou adolescente gera a obrigatoriedade de comunicação
do fato ao conselho tutelar, porém, quando os maus-tratos são efetivamente confirmados, a autoridade a
ser comunicada é o Ministério Público.
Estão certos apenas os itens
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
11. (CESPE/TJ-PR - 2019) A atual doutrina da proteção integral, que rege o direito da criança e do
adolescente, reconhece crianças e adolescentes como
a) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, mas que devem ser responsabilizados pela própria
situação de irregularidade.
b) sujeitos de direito, devendo o Estado, a família e a sociedade lhes assegurar direitos fundamentais.
c) objetos de proteção do Estado e de medidas judiciais, sendo o Estado o principal responsável por lhes
assegurar direitos.
d) sujeitos de direito que devem ser responsabilizados pela própria situação de irregularidade.
12. (CESPE/SLU DF - 2019) Com base nas legislações que regem as políticas de saúde, de assistência
social e previdência social, julgue o item a seguir, considerando que as siglas PNAS, SUAS e LOAS referem-
se, respectivamente, à Política Nacional de Assistência Social, ao Sistema Único de Assistência Social e à
Lei Orgânica de Assistência Social.
Os centros de referência especializados de assistência social (CREAS) devem imputar máxima prioridade ao
atendimento de crianças entre zero a seis anos de idade com suspeita de terem sofrido violência física.
13. (CEBRASPE/PC SE - 2021) João, 18 anos de idade, estava em um bar quando percebeu a presença
de dois desafetos, Diego, de 19 anos de idade, e Pedrinho, de 16 anos de idade. Os dois se aproximaram
de João e realizaram disparos de arma de fogo, que o atingiram na cabeça, no pescoço, no tórax e no
abdome. João não resistiu e faleceu no local. Diego foi preso e encaminhado à delegacia circunscricional
mais próxima; Pedrinho conseguiu fugir. Em seu depoimento, Diego relatou que ambos não tinham
intenção de matar a vítima, e que os tiros haviam sido disparados a distância, após verificarem que João
havia sacado uma pistola e apontado em direção à dupla. Ao exame necroscópico da vítima, foram
observados, na região temporal (cabeça), uma zona de tatuagem, e, na região cervical (pescoço), o sinal
de Werkgaertner.
Considerando a situação hipotética relatada, julgue o item a seguir.
Se for encontrado, Pedrinho poderá ser encaminhado para internação em estabelecimento educacional.
14. (CEBRASPE/DPE-RO - 2022) De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, é princípio que
rege a aplicação das medidas de proteção
A) oitiva facultativa do menor, a qual deve ocorrer na presença dos pais ou do responsável do menor.
B) responsabilidade parental como foco da intervenção, para que os pais assumam seus deveres com o
menor.
C) responsabilidade subsidiária do poder público, se houver falta, omissão ou abuso dos pais.
D) intervenção máxima do ente público ou privado para verificar se há necessidade de proteção do menor.
E) intervenção precoce da autoridade, priorizando-se o menor e o seu afastamento da família natural.
15. (CEBRASPE/DP-DF - 2022) Acerca das medidas de proteção à criança e ao adolescente, julgue o item
a seguir.
As medidas de proteção à criança e ao adolescente devem ser balizadas pela máxima intervenção das
autoridades e das instituições na sua rotina.
16. (CEBRASPE/DPE RO - 2022) Com relação às medidas socioeducativas, o ECA determina que pode
ser aplicada, desde que haja prova da materialidade e indícios suficientes da autoria,
A) a obrigação de reparar o dano.
B) a liberdade assistida.
C) a prestação de serviços à comunidade.
D) a internação em estabelecimento educacional.
E) a advertência.
17. (CEBRASPE/TJ RJ - 2021) Pedro tem 15 anos de idade e, por ter cometido ato infracional, está
cumprindo medida socioeducativa determinada pelo Poder Judiciário. Considerando essa situação bem
como o estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assinale a opção correta.
A) O ato infracional cometido por Pedro pode ser noticiado, desde que ele seja identificado pelas iniciais do
seu nome ou por apelido.
B) A audiência de apresentação de Pedro pode ter se dado por meio de condução coercitiva.
C) Se o juiz tivesse determinado a internação de Pedro, este poderia cumpri-la de forma temporária em
estabelecimento prisional.
D) Pedro poderá optar pelo trabalho em horário escolar desde que seja para acelerar o cumprimento da
medida socioeducativa.
E) No caso de definição de privação de liberdade, Pedro poderia receber visitas diárias dos seus familiares
mediante apresentação de bom comportamento.
18. (CEBRASPE/DP-DF - 2022) Acerca das medidas de proteção à criança e ao adolescente, julgue o item
a seguir.
Na hipótese de violação dos direitos da criança e do adolescente, compete à justiça da infância e da
juventude conhecer pedidos de guarda ou tutela.
19. (CESPE/TJ-AM - 2019) Angélica, de vinte e cinco anos de idade, deu à luz gêmeos em uma
maternidade pública, e, durante sua internação manifestou à assistente social Joana, que a acompanhava,
o interesse em entregar seus filhos recém-nascidos à adoção, em razão de já ter Pedro, com seis anos de
idade, passar por situação socioeconômica precária e carecer de apoio familiar, visto que tinha uma
relação difícil com seu companheiro e pai das três crianças, Alan, de quarenta e cinco anos de idade, que
cumpria, havia dois meses, pena de dois anos pelo crime de furto e não havia recebido bem a notícia da
gravidez. Angélica também relatou a Joana que morava em um cômodo cedido pela vizinha, mas que
precisava desocupar em noventa dias o imóvel.
A partir dessa situação hipotética, julgue o item seguinte, considerando os dispositivos do Estatuto da
Criança e do Adolescente.
Como Angélica manifestou interesse em entregar seus filhos recém-nascidos para adoção, o que é um direito
seu, os gêmeos deverão ser obrigatoriamente encaminhados à Justiça da Infância e da Juventude.
20. (CEBRASPE/DPE-RO - 2022) No tocante às violências contra crianças e adolescentes, julgue os itens
a seguir.
I. Os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão estabelecer, no âmbito do seu sistema de
atendimento socioeducativo, procedimentos relacionados à atenção à vulnerabilidade indireta dos demais
membros da família decorrente da situação de violência, realizando a solicitação, quando necessário, de
inclusão de suas famílias nas políticas, nos programas e nos serviços existentes para esse fim.
II. A violência sexual abrange abuso sexual, exploração sexual comercial e tráfico de pessoas.
III. Define-se exploração sexual comercial como toda ação que se utiliza da criança ou do adolescente para
fins sexuais, seja para a conjunção carnal, seja para outro ato libidinoso, realizada de modo presencial ou por
meio eletrônico, para estimulação sexual do agente ou de terceiro.
Assinale a opção correta.
A) Apenas o item I está certo.
B) Apenas o item II está certo.
C) Apenas os itens I e III estão certos.
D) Apenas os itens II e III estão certos.
E) Todos os itens estão certos.
Comentários
O item I está incorreto. Na política de atendimento na área de assistência social a União, os Estados, o Distrito
Federal e os Municípios poderão estabelecer tais procedimentos. Veja o inciso II do art. 19 da Lei
13.431/2017.
O item II está correto. O inciso III do art. 4º da Lei 13.431/2017 traz as definições, veja:
III - violência sexual, entendida como qualquer conduta que constranja a criança ou o
adolescente a praticar ou presenciar conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso,
inclusive exposição do corpo em foto ou vídeo por meio eletrônico ou não, que
compreenda:
a) abuso sexual, entendido como toda ação que se utiliza da criança ou do adolescente
para fins sexuais, seja conjunção carnal ou outro ato libidinoso, realizado de modo
presencial ou por meio eletrônico, para estimulação sexual do agente ou de terceiro;
O item III está incorreto. A assertiva mistura elementos de abuso sexual e exploração sexual comercial,
conforme se percebe dos conceitos transcritos acima.
21. (CEBRASPE/DPE-RO - 2022) Considerando as disposições da Lei n.º 13.431/2017, que estabelece o
sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência, assinale a
opção correta.
A) A criança e o adolescente gozam dos direitos fundamentais à pessoa humana, sendo-lhes asseguradas a
proteção integral e as oportunidades para viver sem violência e preservar sua saúde física e mental e seu
desenvolvimento moral, intelectual e social.
B) Escuta especializada é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente vítima ou testemunha de
violência, realizado perante autoridade policial ou judiciária.
C) Devido ao sigilo profissional, o depoimento especial não poderá ser gravado em áudio e vídeo.
D) Depoimento especial é o procedimento de entrevista sobre situação de violência com criança ou
adolescente, perante órgão da rede de proteção.
E) A escuta especializada seguirá o rito cautelar de antecipação de prova.
Comentários
A alternativa C está incorreta. De acordo com o inciso VI do art. 12 da Lei 13.431/2017 o depoimento especial
será gravado em áudio e vídeo.
A alternativa E está incorreta. O rito cautelar se aplica para o depoimento especial e não para a escuta
especializada.
22. (CEBRASPE/TJ RJ - 2021) Nos termos da Lei n.º 13.431/2017, em caso de criança vítima de violência,
o depoimento especial desta deverá
A) ser realizado, sempre que possível, uma única vez, em sede de produção antecipada de prova judicial.
B) apresentar como primeiro procedimento a leitura da denúncia, no caso de violência sexual.
C) apresentar como primeiro procedimento a leitura da denúncia, no caso de violência física.
GABARITO
1. CORRETA 9. ANULADA 17. B
2. E 10. B 18. CORRETA
3. CORRETA 11. B 19. INCORRETA
4. CORRETA 12. CORRETA 20. B
5. INCORRETA 13. CORRETA 21. A
6. INCORRETA 14. B 22. A
7. B 15. INCORRETA
8. E 16. E