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Inovações na Artilharia Portuguesa

Este trabalho investiga as inovações e tendências na artilharia de campanha portuguesa, focando nos requisitos para armas, munições e aquisição de objetivos. A pesquisa revela que os recursos atuais estão aquém das tendências de mercado, destacando a necessidade de sistemas de armas mais avançados e a integração de veículos aéreos não tripulados para melhorar a aquisição de objetivos. O estudo conclui que a interoperabilidade entre os sistemas é uma lacuna crítica a ser abordada.

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Inovações na Artilharia Portuguesa

Este trabalho investiga as inovações e tendências na artilharia de campanha portuguesa, focando nos requisitos para armas, munições e aquisição de objetivos. A pesquisa revela que os recursos atuais estão aquém das tendências de mercado, destacando a necessidade de sistemas de armas mais avançados e a integração de veículos aéreos não tripulados para melhorar a aquisição de objetivos. O estudo conclui que a interoperabilidade entre os sistemas é uma lacuna crítica a ser abordada.

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ACADEMIA MILITAR

Inovações e Tendências na Artilharia de Campanha: requisitos do


Sistema de Artilharia de Campanha português

Autor: Aspirante a Oficial de Artilharia Ricardo Magalhães Freitas

Orientador: Major de Artilharia Humberto Miguel Rodrigues Gouveia

Mestrado Integrado em Ciências Militares na Especialidade de Artilharia


Relatório Científico Final do Trabalho de Investigação Aplicada
Lisboa, maio de 2023
ACADEMIA MILITAR

Inovações e Tendências na Artilharia de Campanha: requisitos do


Sistema de Artilharia de Campanha português

Autor: Aspirante a Oficial de Artilharia Ricardo Magalhães Freitas

Orientador: Major de Artilharia Humberto Miguel Rodrigues Gouveia

Mestrado Integrado em Ciências Militares na Especialidade de Artilharia


Relatório Científico Final do Trabalho de Investigação Aplicada
Lisboa, maio de 2023

i
EPÍGRAFE

“I do not have to tell you who won the war.


You know, the artillery did.”
George S. Patton (1885-1945)

ii
DEDICATÓRIA

Família, namorada e amigos,


a vós que me acompanhastes neste longo percurso,
um muito obrigado!

iii
AGRADECIMENTOS

Ao longo da realização deste Trabalho de Investigação Aplicada foram vários aqueles


que de alguma forma contribuíram para a sua elaboração. Deste modo quero aqui deixar
expresso o meu apreço por tudo o que por mim fizeram por forma a tornar este trabalho
possível, nomeadamente:
Ao meu orientador, Major de Artilharia Humberto Gouveia, por toda a
disponibilidade, tempo e apoio dedicados ao desenvolvimento do presente trabalho, que
mesmo em momentos de maior carga laboral inerentes às suas funções esteve sempre
presente e pronto a ajudar. Com o seu método e rigor orientou-me para uma elaboração mais
cuidada deste trabalho.
Ao Tenente-Coronel de Infantaria Ricardo Camilo e Tenente-Coronel de Artilharia
Emanuel Sousa, pela ajuda na compreensão dos processos de edificação de capacidades e
aquisições em vigor no Exército Português.
Aos Oficiais de Artilharia inquiridos, pela sua disponibilidade e partilha do seu ponto
de vista sobre a temática.
À Academia Militar, instituição formadora dos Oficiais do Quadro Permanente por
me proporcionar as competências e conhecimentos necessários à minha formação e
elaboração do presente trabalho.
Aos meus familiares e amigos, pela sua presença, paciência, compreensão e apoio
prestados ao longo de todo este percurso académico.
À minha namorada, pela dedicação e constante apoio oferecidos, pelos momentos de
companheirismo e pela compreensão nos momentos de ausência.
E a todos os outros, que contribuíram de alguma forma para o sucesso deste trabalho.

iv
RESUMO

Este trabalho de investigação tem como tema as “Inovações e Tendências na


Artilharia de Campanha: requisitos do Sistema de Artilharia de Campanha português” e tem
como objetivo identificar as tendências do mercado de defesa para as componentes das
Armas e Munições e Aquisição de Objetivos, assim como os requisitos que se consideram
adequados à realidade portuguesa.
Para a elaboração da presente investigação foi adotado o método de abordagem
dedutivo e método de investigação comparativo com uma análise quantitativa dos dados,
tendo-se procedido à recolha de dados com base em análise documental com fonte em sites
oficiais das empresas de defesa, sites e revistas especializadas em assuntos de defesa,
entrevistas exploratórias e inquéritos. A análise das componentes das Armas e Munições e
Aquisição de Objetivos exigiu um estudo abrangente dos produtos da indústria da defesa,
seguido do tratamento de dados por forma a compreender a direção em que ruma o mercado
de defesa relativamente a estas duas componentes. De seguida, foram realizados inquéritos
para estabelecer a relação entre as lacunas sentidas pelos Oficiais de Artilharia nas
componentes de Armas e Munições e Aquisição de Objetivos e os requisitos considerados
relevantes para a realidade da Artilharia de Campanha portuguesa do futuro.
Pode concluir-se que os meios orgânicos se encontram muito aquém daquilo que são
as tendências de mercado. Ao nível das Armas, um potencial sistema de armas deverá ter
como requisitos, comprimento de tubo igual ou superior a 52 calibres, calibre de 155mm
bem como capacidade de ser operado por guarnições reduzidas, preferencialmente a partir
do interior da cabine. As Munições, devem apresentar letalidade aumentada, usar projéteis e
espoletas inteligentes tal como uso de sistemas de propulsão adicional ou pelo menos ter
capacidade para tal. Por último a Aquisição de Objetivos de modo a melhor corresponder às
necessidades da Artilharia de Campanha, deverá passar pela aquisição de Unmaned Aerial
Vehicles que permitem cumprir a missão de Aquisição de Objetivos bem como contribuir
para outras necessidades da Artilharia de Campanha. Concluiu-se também que todos estes
sistemas devem responder ao requisito de interoperabilidade com os restantes meios do
GAC, sendo esta das lacunas mais graves da Artilharia de Campanha portuguesa.
Palavras-Chave: Armas e Munições, Aquisição de Objetivos, Artilharia de Campanha,
Requisitos, Tendências, Lacunas

v
ABSTRACT

This research work focuses on "Innovations and Trends in Field Artillery:


Requirements of the Portuguese Field Artillery Systems" and aims to identify defense market
trends for the components of Weapons and Ammunition, and Target Acquisition, as well as
the requirements considered suitable for the Portuguese reality.
For the elaboration of this investigation, the deductive approach method and the
comparative research method were adopted, with a quantitative analysis of the data. Data
collection was based upon documentary analysis from official websites of defense
companies, specialized defense websites and magazines, exploratory interviews, and
surveys. The analysis of the Weapons and Ammunition components and Target Acquisition
required a comprehensive study of defense industry products, followed by data processing
in order to understand the direction in which the defense market is heading regarding these
two components. Subsequently, surveys were conducted to establish the relationship
between the gaps identified by Artillery Officers in the Weapons and Ammunition
components and Target Acquisition, and the requirements considered relevant for the future
reality of the Portuguese Field Artillery.
It can be concluded that organic resources are far short of market trends. Regarding
Weapons, a potential weapon system should have requirements such as a tube length of 52
or more calibers, a caliber of 155mm, and the ability to be operated by reduced crews,
preferably from inside the cabin. Ammunition should have increased lethality, use intelligent
projectiles and fuzes, as well as have the capability for additional propulsion systems. Lastly,
to better meet the needs of Field Artillery, Target Acquisition should involve the acquisition
of Unmanned Aerial Vehicles (UAVs) that enable the fulfillment of Target Acquisition
missions and contribute to other Field Artillery needs. It was also concluded that all these
systems must meet the interoperability requirement with the other components of the Field
Artillery Battalion, as this is one of the most serious gaps in Portuguese Field Artillery.

Keywords: Weapons and Ammunition, Target Acquisition, Field Artillery, Requirements,


Trends, Gaps

vi
ÍNDICE GERAL

INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1

CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA ........................................................... 3

1.1. Ambiente Operacional ............................................................................................ 3

1.2. Evolução da AC em Função das Alterações do Espaço de Batalha ....................... 4

1.3. Modelo de Aquisições do Exército ......................................................................... 7

1.4. Sistema de AC ........................................................................................................ 8

1.4.1. Armas ...................................................................................................................... 9

1.4.2. Munições ............................................................................................................... 13

1.4.3. Aquisição de Objetivos ......................................................................................... 14

[Link]. Observador Avançado........................................................................................... 15

[Link]. Outros Meios de Aquisição de Objetivos ............................................................. 15

CAPÍTULO 2 - METODOLOGIA .............................................................................. 17

2.1. Método e Estratégia de Investigação .................................................................... 17

2.2. Modelo de Análise ................................................................................................ 18

2.3. Amostra ................................................................................................................. 20

CAPÍTULO 3 – ARMAS E MUNIÇÕES DE AC ....................................................... 21

3.1. Tubo canhão .......................................................................................................... 21

3.1.1. Calibre do tubo...................................................................................................... 21

3.1.2. Comprimento do tubo ........................................................................................... 23

3.1.3. Cadência de tiro .................................................................................................... 24

3.2. Mobilidade ............................................................................................................ 25

3.2.1. Sistemas de Tração ............................................................................................... 25

3.2.2. Autonomia e Dotação Orgânica de Munições ...................................................... 26

3.3. Proteção dos Serventes ......................................................................................... 26

3.4. Munições ............................................................................................................... 27

vii
3.4.1. Calibre dos projéteis ............................................................................................. 27

3.4.2. Composto Explosivo ............................................................................................. 27

3.4.3. Guiamento ............................................................................................................. 28

3.4.4. Cargas propulsoras ................................................................................................ 29

3.4.5. Letalidade e Alcance ............................................................................................. 30

3.5. Síntese ................................................................................................................... 31

CAPÍTULO 4 – AQUISIÇÃO DE OBJETIVOS DA AC .......................................... 32

4.1. OAv ....................................................................................................................... 32

4.1.1. Equipamentos óticos ............................................................................................. 32

4.2. Tipologia de meios de AqObj ............................................................................... 33

4.2.1. Deteção de Objetivos ............................................................................................ 34

[Link]. Meios radar ............................................................................................................. 34

[Link]. UAV ....................................................................................................................... 36

4.2.2. Sobrevivência........................................................................................................ 37

4.2.3. Interoperabilidade com os restantes meios do GAC ............................................. 38

4.3. Síntese ................................................................................................................... 39

CAPÍTULO 5 – NOVAS TENDÊNCIAS DE MERCADO APLICAVÉIS NO


FUTURO DA AC PORTUGUESA .............................................................................. 40

5.1. Armas e Munições ................................................................................................ 40

5.1.1. Lacunas ................................................................................................................. 40

5.1.2. Opções de melhoria .............................................................................................. 42

5.2. AqObj.................................................................................................................... 46

5.2.1. Lacunas ................................................................................................................. 46

5.2.2. Opções de melhoria .............................................................................................. 47

CONCLUSÕES.................................................................................................................. 48

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 50

viii
ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 - Evolução do Calibre ........................................................................................... 21


Figura 2 - Evolução do Comprimento do tubo .................................................................... 23
Figura 3 - Evolução dos Sistemas de Tração ....................................................................... 25
Figura 4 - Relação dos Sistemas de Guiamento nas Munições Inteligentes ....................... 29
Figura 5 - Distribuição dos alcances de deteção de projéteis de AC de calibre médio ....... 35
Figura 6 - Distribuição dos alcances de deteção de Rockets ............................................... 35
Figura 7 - Relação entre autonomia de voo e modelos disponíveis .................................... 36
Figura 8 - Respostas à Questão 2, Lacunas do subsistema das Armas ................................ 41
Figura 9 - Respostas à Questão 3, Lacunas do subsistema das Munições .......................... 42
Figura 10 - Respostas à Questão 5, Requisitos de Melhoria para os Sistemas de Armas ... 43
Figura 11 - Respostas à Questão 5, Requisitos de Melhoria para os Sistemas de Armas
(Continuação) ............................................................................................................... 44
Figura 12 - Respostas à Questão 6, Requisitos de Melhoria para os Munições .................. 45
Figura 13 - Respostas à Questão 4, Lacunas do subsistema da Aquisição de Objetivos .... 46
Figura 14 - Respostas à Questão 7, Requisitos de Melhoria para a Aquisição de Objetivos
...................................................................................................................................... 47

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 1 - Desenho de Investigação ................................................................................... 19

ix
ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 - Distribuição dos Calibres Médios no intervalo [2006; 2027] ............................ 22


Tabela 2 - Comparação técnica dos sistemas de armas (amostra A) ...................................... I
Tabela 3 - Comparação técnica dos sistemas de armas (amostra A) ................................... IV
Tabela 4 - Comparação técnica das munições de AC ......................................................... VI
Tabela 5 - Comparação técnica dos equipamentos óticos para OAv ............................... VIII
Tabela 6 - Comparação técnica dos meios radar de AC ...................................................... IX
Tabela 7 - Comparação técnica de UAV .............................................................................. X

LISTA DE APÊNDICES

Apêndice A - Listagem Sistemas de Armas (Amostra A) ...................................................... I


Apêndice B - Listagem Sistemas de Armas (Amostra B) ................................................... IV
Apêndice C - Listagem de Munições .................................................................................. VI
Apêndice D - Listagem de Equipamento Ótico para OAv ............................................... VIII
Apêndice E - Listagem de Meios Radar .............................................................................. IX
Apêndice F - Listagem de UAV ........................................................................................... X
Apêndice G - Formulário de Inquérito ................................................................................ XI

x
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÓNIMOS

A
AC Artilharia de Campanha
AF Apoio de Fogos
AM Academia Militar
AO Ambiente Operacional
AP Autopropulsado
APICM Antipersonnel Improved Conventional Munitions
AqObj Aquisição de Objetivos

B
BCM Bottom Charge Modules
BCS Bottom Charge System
bf bocas de fogo

C
CEDN Conceito Estratégico de Defesa Nacional
COLT Combat Observation/Lasing Team
CPE Circular Probable Error

D
DPICM Dual-Purpose Improved Conventional Munitions

E
EME Estado-Maior do Exército
ERC Extended Range Charge
ERCA Extended Range Cannon Artillery
EUA Estados Unidos da América

F
FA Forças Armadas
FIST Fire Support Team

xi
G
GAC Grupo de Artilharia de Campanha
GP Gestor de Projeto
GPEx Normas de Gestão de Projetos no Exército
GPS Global Positioning System

H
HE High Explosive
HTLM Hand-held Target Location Module

I
ICM Improved Conventional Munitions

J
JETS Joint Effects Targeting System

L
LPM Lei de Programação Militar

M
MC Manual de Campanha
MCS Modular Charge Systems
MMR Multi Mission Radar

N
NATO North Atlantic Treaty Organization
NBQ Nuclear Biológica e Química
NEP Normas de Execução Permanente

O
OAv Observador Avançado
OAF Oficial de Apoio de Fogos
OE Objetivo Específico
OG Objetivo Geral

xii
ONG Organização Não Governamental

P
PBX Plastic Bonded Explosive
PCT Posto Central de Tiro
PD Pergunta Derivada
PDE Publicação Doutrinária do Exército
PGK Precision Guidance Kit
PI Plano de Implementação
PP Pergunta de Partida

Q
QO Quadros Orgânicos

R
RAP Rocket Assisted Projectile
RDX Ciclotrimetilenotrinitramina
RLA Radar de Localização de Armas
RLAM Radar de Localização de Alvos Móveis

T
TC Training Circular
TCM Top Charge Modules
TCS Top Charge System
TNT Trinitrotolueno
TIA Trabalho de Investigação Aplicada
TOM Tiro Obus Minuto

U
UAV Unmanned Aerial Vehicle

xiii
INTRODUÇÃO

O presente trabalho subordinado ao tema “Inovações e Tendências na Artilharia de


Campanha: requisitos do Sistema de Artilharia de Campanha português” surge após reflexão
acerca da situação geral do Exército Português e consequente futuro da AC portuguesa. Por
forma a melhor compreender o panorama atual da AC no Exército Português houve
necessidade de identificar as lacunas e necessidades que as unidades de AC, atualmente,
apresentam. Os sistemas de AC que incorporam os Grupos de Artilharia de Campanha
(GAC) portugueses tem vindo a sofrer uma redução da taxa de operacionalidade devido às
dificuldades no recrutamento que levam à falta de pessoal para guarnecer e operar os meios
bem como pela falta de sobresselentes para realizar a manutenção dos meios. Assim
pretende-se analisar os sistemas desenvolvidos ou em desenvolvimento pela indústria da
defesa ao nível da Aquisição de Objetivos (AqObj) e das Armas e Munições, as lacunas que
os atuais meios da AC portuguesa apresentam bem como de perceber quais os requisitos
necessários para que o sistema de AC providencie uma melhor capacidade de resposta tanto
apoio da força apoiada como na defesa das suas próprias posições.
Com uma breve pesquisa e análise dos desenvolvimentos no campo da AC podemos
perceber que existe um grande ênfase para o calibre 155mm (já usado por grande parte dos
países NATO), uma grande procura de sistemas automatizados que permitam ser operados
por guarnições reduzidas. O espectro da guerra da atualidade, onde a guerra é travada por
unidades altamente móveis e em campos de batalha muito extensos, levanta preocupações
que antes não se faziam sentir, há uma crescente necessidade de ter unidades de AC
altamente movéis capazes de acompanhar as unidades de manobra podendo assim exercer
um AF eficaz (Seminário de Artilharia, 2021). Sendo de elevada importância que seja
assegurada a proteção e segurança das guarnições enquanto operam, dando-se cada vez mais
primazia à guarnição operar a partir do interior. Aliada à necessidade de acompanhar a
manobra temos também a necessidade de cobrir uma área do campo de batalha cada vez
maior, o que leva à preferência por sistemas que apresentem tubos com comprimentos na
ordem dos 52 calibres bem como a procura de cargas propulsoras mais potentes permitindo
às unidades de AC maiores alcances. No âmbito munições existe também o desenvolvimento
de uma vasta panóplia de munições e espoletas inteligentes tal como munições
convencionais melhoradas. Com maiores alcances surge também a necessidade de observar

1
o campo de batalha a mais longas distâncias entrando assim na componente da AqObj.
Resultado da revolução tecnológica, mudou-se a forma de combater e por sua vez mudaram-
se também as necessidades de vigilância e AqObj. O uso de radares foi-se tornando
insuficiente para vigiar e detetar a ameaça no campo de batalha sendo agora complementados
por unmanned aerial vehicle (UAV) que permitem a visualização do campo de batalha em
tempo real. Fruto das capacidades de interoperabilidade que estes meios apresentam existe
facilidade em realizar pedidos de tiro, de forma automática, permitindo tempos de resposta
substancialmente mais curto.
Assim, este trabalho tem como Objetivo Geral (OG) identificar os requisitos da AC
moderna que melhor se adaptariam às necessidades e tipologia da AC portuguesa futura.
Como Objetivos Específicos (OE) é pretendido identificar os requisitos e tendências de
mercado para a componente das Armas e Munições de AC, identificar os requisitos e
tendências de mercado para a AqObj da AC, bem como identificar as tendências oferecidas
pelo mercado de defesa que melhor se adequariam à realidade da AC portuguesa do futuro.
Concorrente com o OG supracitado considera-se de extrema importância responder
de forma clara e sucinta à Pergunta de Partida (PP): “Que requisitos deverão possuir as
componentes das Armas e Munições e da AqObj do Sistema de AC portuguesa face às
necessidades e tipologia de missões do futuro?”.
Relativamente à estrutura do TIA, este é constituído pela introdução, cinco capítulos
e conclusão. Na introdução, vemos apresentado o tema do TIA bem como a motivação que
levou à escolha do tema bem como os objetivos a que a investigação se propõe. No capítulo
1, é dado ao leitor um conjunto de conhecimentos considerados pertinentes para a completa
compreensão do corpo do trabalho. No capítulo 2, encontra-se explicados o método e
estratégia de investigação bem como o modelo da análise utilizados neste trabalho, sendo
caracterizada a amostra. No capítulo 3, encontram-se explicadas as tendências e inovações
da AC relativamente aos sistemas de armas e às munições. No capítulo 4, são dissecadas as
tendências e inovações ao nível da AqObj para a AC. No capítulo 5, são expressos os
resultados obtidos por meio de inquérito aos Oficiais de Artilharia, versando as lacunas das
componentes das Armas e Munições e AqObj bem como os requisitos a ter em consideração
em futura aquisição de meios. Por último, na conclusão são realçados os aspetos abordados
anteriormente, nomeadamente a enunciação dos requisitos tidos como pertinentes para as
Armas e Munições e AqObj adequados à realidade da AC portuguesa do futuro.

2
CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA

O presente capítulo pretende apresentar, de forma clara e concisa, um leque de


conceitos que detêm elevada pertinência para uma melhor compreensão da problemática
versada neste trabalho. São estes conceitos o Ambiente Operacional (AO), evolução do
espaço de batalha, o modelo de aquisições do Exército e o Sistema de AC.

1.1. Ambiente Operacional

De acordo com a definição presente na PDE 3-00 Operações, o “ambiente operacional


é caracterizado por um conjunto de condições, circunstâncias e fatores influenciadores que
afetam o emprego de forças militares e influenciam as decisões do comandante”, sendo que
vai muito além do simples conhecer as forças opositoras e respetivo sistema de armas
“[incluindo] também o entendimento do ambiente físico, da governação, da tecnologia, dos
recursos locais e da cultura da população local” (EME, 2010, p. 1-1).
De modo a podermos definir o AO em que nos inserimos é preponderante ter em
consideração o Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN), os acordos e tratados por
Portugal assinados bem como as suas pressuposições, e também a situação de guerra vivida
na Europa.
O CEDN tem em consideração a inserção de Portugal nas diferentes dimensões em
que se insere: global, europeu, nacional e acordos/tratados por si assinados. Explanando as
interações de Portugal com o mundo caracteriza as vulnerabilidades e ameaças que advêm
de cada uma. A compreensão destas interações será preponderante para que possamos ter
um melhor e mais completo entendimento do AO. Por depender da interação de diversos
atores (por exemplo: ONG ou estados), decisões de âmbito político ou até mesmo de
catástrofes naturais, o AO apresenta uma elevada volatilidade, encontrando-se
consequentemente em constante mutação (Governo de Portugal, 2013). Na atualidade, este
conceito encontra-se em processo de revisão, no entanto, já em 2013 se preconizava a
definição de “missões prioritárias das Forças Armadas, a escala geopolítica das prioridades
do seu emprego e as capacidades necessárias” (Governo de Portugal, 2013) bem como a
necessidade de modernização dos equipamentos de acordo com as necessidades para a
prossecução das missões prioritárias. Assim pela sua inserção em tratados como a North
Atlantic Treaty Organization (NATO) da qual Portugal é país fundador e,

3
consequentemente, detém um conjunto de deveres para com os restantes membros assinantes
deste tratado. O Tratado do Atlântico Norte (1949), tratado sobre o qual é criada a NATO,
surge como aliança político-militar tendo por objetivo a salvaguarda da segurança e
liberdade dos países membro. Assim, fazendo jus ao Artigo 3º do Tratado supracitado,
Portugal tem o dever de “[manter] e [desenvolver], de maneira contínua e efetiva, pelos seus
próprios meios e mediante mútuo auxílio, a sua capacidade individual e coletiva para resistir
a um ataque armado.” Regendo-se por este Tratado, Portugal deve manter a sua capacidade
militar para em qualquer momento poder apoiar, segundo as cláusulas do mesmo, qualquer
país membro que requeira apoio. Assim a NATO por se fazer constituir por diversos países
com organizações distintas teve a necessidade de elaborar um conjunto de requisitos
mínimos das forças/meios dos estados-membros por forma a nivelar o sistema de forças e
melhor tirar partido das capacidades das forças constituintes (NATO, 1949).
Compreendendo os conceitos de AO e CEDN bem como as suas implicações,
podemos verificar a alteração do paradigma das operações militares da atualidade passando
agora as operações militares a decorrer sobretudo em meios urbanizados e consequentemente
com a permanência de civis não combatentes. Assim, houve necessidade de alterar o modo
de atuação de forma a prevenir a existência de danos colaterais (Gouveia, 2020). Devido à
sua volatilidade e ambiente em que as forças operam, um bom exemplo deste novo
paradigma será a Guerra Rússia-Ucrânia que tem vindo a afetar o panorama da segurança
internacional bem como os movimentos migratórios em massa vindos do sul do
Mediterrâneo e a ameaça terrorista proveniente do islamismo radical (Loureiro, 2022).

1.2. Evolução da AC em Função das Alterações do Espaço de Batalha

Recorrendo ao PDE 3-00 Operações podemos caracterizar o espaço de batalha como


sendo “o ambiente, fatores, e condições que o comandante tem de compreender para aplicar
com sucesso, o potencial de combate (...). Inclui o espaço aéreo, terrestre, marítimo e
espacial, forças amigas e inimigas (…)” (EME, 2010, p. B-6). Por depender de forças e das
suas capacidades torna-se difícil de definir objetivamente quanto à sua dimensão, no entanto
podemos deduzir o seu crescimento ao nível da profundidade causado pelo aumento
exponencial dos alcances dos sistemas de armas e radares usados no campo de batalha na
atualidade. Recuando na linha do tempo até à Primeira Guerra Mundial, onde o combate se
desenrolava por atrito das forças em trincheiras, as investidas das tropas aconteciam
precedidas de fogos de Artilharia, que causavam elevados níveis de destruição, muitas vezes

4
tornando complicado o avanço das tropas devido às péssimas condições de terreno causadas
pela formação de crateras pelo rebentamento das munições (Norris, 2000). Com a rápida
evolução da Artilharia e emergência de uma nova tipologia de arma: o carro de combate, a
necessidade de dotar a Artilharia de novas capacidades era cada vez mais premente, assim é
nesta época que começam a surgir as capacidades de anticarro e antiaérea (Norris, 2020). É
também nesta época que surgem melhoramentos como a ligação elástica que veio a permitir
maior cadência de fogo sobre o objetivo pois sem este componente a arma teria de ser
reapontada após cada disparo (Showalter & Royde-Smith, 2023). No entanto a precisão 1
continuava a ser uma problemática, o Capitão Erich Pulkowski foi então o responsável por
revolucionar este quesito criando um método matemático que permitia ajustar as pontarias,
para isto realizava tiro para um objetivo com coordenadas conhecidas e comparava esta
localização com a localização real dos impactos. Estas correções eram tidas em consideração
juntamente com as condições meteorológicas. Este método está na origem dos métodos ainda
hoje utilizados pelas forças NATO (Zabecki, 2015). E em termos de mobilidade, surgiu a
necessidade de sistemas de transporte mais eficientes, como camiões e tratores, que
permitiram uma maior flexibilidade no campo de batalha permitindo avançar e continuar a
apoiar o avanço da tropa (Norris, 2020).
Terminada a Guerra, surge a necessidade dos países se rearmarem e desta vez com
grande incidência na procura de armas anticarro, esta procura levou a diversas experiências
e inovações que viriam a ser usadas na Segunda Guerra Mundial. Guerra esta demarcada
pelos grandes movimentos de manobra facilitados pelo emprego dos carros de combate, o
que levou a grandes alterações na tática utilizada, as forças da frente eram agora compostas
por grande número de armas anticarro de modo a poder resistir aos avanços inimigos que
atacava com elevado número de carros de combate. A Artilharia continuou a evoluir e
desempenhou um papel crucial em muitos teatros de operações, tornou-se mais móvel e
flexível, com a introdução de novos sistemas de transporte, como os obuses autopropulsados,
contrastando fortemente com a Artilharia alemã que continuava a fazer uso de cavalos para
fazer deslocar as suas armas de Artilharia (Dennis, s/d). Devido à maior precisão e maior
mobilidade da Artilharia, o impacto que estas armas causaram originou uma forte
necessidade de reforçar a blindagem dos carros de combate que consequentemente levou à
necessidade de a Artilharia aumentar o calibre das suas armas anticarro que perdera a
capacidade de infligir dano devido aos pequenos calibres usados (Norris, 2020). Assim um

1
De modo a quantificar a precisão é utilizado o Circular Probable Error (CPE) que representa uma
circunferência num plano (x, y) cujo perímetro tem no seu interior o ponto de impacto de 50% dos projéteis.

5
sistema de Artilharia necessitava de um Posto Central de Tiro (PCT) para coordenar os
fogos, um veículo que permitisse mover as armas e conferir proteção contra os fogos
inimigos; aqui foi o ponto crucial de vantagem americana sobre a Artilharia alemã, as forças
americanas não só tentaram ter os melhores sistemas de armas, mas também extrair deles o
seu máximo potencial sendo que para tal aprimoraram o funcionamento do sistema.
Surgiram também novos sistemas de armas que, afirmam-se como os primeiros da era
moderna, estes tinham agora alcances superiores: cerca de 8000 metros para o French 75 de
75mm, 12 000 metros para o M2 105mm e a 14 000 metros para o M1 155mm. A função
primária da Artilharia era apoiar os batalhões de infantaria, para que se pudesse obter níveis
de eficiência o mais elevados possível as unidades de Artilharia eram atribuídas de forma
permanente a uma unidade de infantaria, podendo, no entanto, responder a pedidos de tiro
de outras unidades. Esta tática gerou a uma maior fluência na cooperação entre as unidades
e por sua vez uma melhor utilização das suas capacidades (Dennis, s/d).
Ao nível das munições também foram feitas inovações nomeadamente os sistemas
base bleed e Rocket Assisted Projectile (RAP) 2que vieram trazer um aumento de 30% a
40% aos alcances das munições, segundo o Market Forecast (2019). Aumentos estes que
caracterizam um alargamento dos alcances máximos atingidos para cerca de 70 km
contrastando fortemente com os 40 km que os melhores sistemas garantiam antes do
surgimento das munições com sistema base bleed. Com estes avanços tecnológicos surge a
necessidade de posicionar os sistemas de armas mais à retaguarda da área de operações
provocando, consequentemente, um incremento na profundidade do campo de batalha
havendo uma continua busca pela capacidade de standoff 3. No âmbito da AqObj, enquanto
na Primeira Guerra Mundial o papel de Observador Avançado (OAv) era desempenhado
pelos comandantes das unidades de Artilharia que faziam uso de torres juntos às armas para
observarem o tiro, na Segunda Guerra Mundial o uso dos aviões trouxe uma alteração ao
paradigma da Artilharia no campo de batalha, este papel começou a ser desempenhado por
aviões que detetavam o inimigo e orientavam as armas para o objetivo conseguindo com
apenas um observador regular o tiro de diversas unidades ao mesmo tempo (Dennis, s/d).

2
As munições dotadas com o sistema base bleed através da combustão de um determinado composto acoplado
à retaguarda do projétil a pressão negativa gerada irá ser reduzida bem como o atrito a que o mesmo está sujeito,
aumentando assim o seu alcance. Nestas munições, o projétil mantém o seu poder explosivo. Já as munições
RAP, têm a sua capacidade explosiva reduzida visto que metade do projétil é substituído por um motor rocket
sólido. Motor este que pela sua combustão irá aumentar a pressão gerada à retaguarda do projétil durante a fase
inicial do seu voo, não só eliminando o atrito como aumentando a velocidade e consequentemente o respetivo
alcance (Gourley, 2022).
3
Capacidade de infligir dano ou detetar o inimigo sem que este tenha capacidade de nos provocar dano ou
detetar.

6
Também os radares tiveram de sofrer melhoramentos para que conseguissem detetar e vigiar
o campo de batalha que se tem vindo a alongar. Para podermos entender a evolução dos
meios, um radar em uso pelas forças sul-coreanas Arthur-K que garantia um alcance de
deteção de 40 km prepara-se por ser substituído por um outro sistema, em desenvolvimento,
que promete atingir um alcance de 60 km (Jeong, 2017). Contrastando com este avanço
temos o radar COBRA desenvolvido pela Hensoldt e Thales tem o seu alcance de deteção
melhorado para uns impressionantes 100 km permitindo uma maior capacidade de standoff
para uma força que detenha na sua orgânica o uso de um radar COBRA (Hendsoldt, s/d).

1.3. Modelo de Aquisições do Exército

Para fazer face a tantas inovações surge a necessidade de aquisições, de modo a


colmatar as lacunas existentes. Assim, é essencial um sistema que normatize e regule as
aquisições do Exército (EME, 2015). Assim, é preponderante compreender como se
estrutura o processo de aquisições de armamento e equipamento por parte do Exército. Este
processo encontra-se subdividido em dois processos concorrentes: um processo a nível
financeiro que é conduzido tendo por base a Lei Orgânica nº2/2019 de 17 de junho que “tem
por objeto a programação do investimento público das Forças Armadas [FA] em matéria de
armamento e equipamento, com vista à modernização, operacionalização e sustentação do
sistema de forças, concretizado através da edificação das suas capacidades” de acordo com
o pressuposto pelo Art. 1º, Lei Orgânica nº2/2019 de 17 de junho; e o processo de gestão do
projeto de aquisição e montagem da respetiva equipa de trabalho.
Pelo exposto no Artigo 14º do Capítulo II da Lei Orgânica nº2/2019 de 17 de junho,
a Lei de Programação Militar (LPM) baseando-se na modernização e sustentação das FA é
vigente por um “período de três quadriénios”, tendo de ser revista no ano anterior ao qual se
pretende que comece a vigorar. A preparação da proposta de LPM é um processo complexo
onde se deve averiguar quais as capacidades e lacunas dos sistemas de armas das FA, nesta
proposta ficam expressas em função de cada capacidade as dotações e sua evolução
detalhada, resultantes dos projetos apresentados pelos diferentes ramos (Lei Orgânica
nº2/2019). A proposta de LPM é uma responsabilidade conjunta do Ministro de Defesa
Nacional, Chefe do Estado-Maior-General das FA e Chefes de Estado-Maior dos diferentes
ramos que após a sua conclusão remetem a mesma ao Conselho de Ministros que irá debater
sobre a sua aprovação (Lei Orgânica nº2/2019). De acordo com o Art. 18º do Capítulo III,
“às capacidades inscritas na presente lei, e em tudo aquilo que não as contrariem, aplicam -

7
se supletivamente as regras orçamentais dos programas plurianuais.” Pelo Art. 18º do
Capítulo I temos que, o Orçamento de Estado contempla as necessidades financeiras para a
execução do previsto na LPM para o ano a que se refere, no entanto prevê-se que, mediante
aprovação do Ministro da Defesa Nacional, poderá vir a ser excedido o encargo anual
designado a capacidade em questão desde que não exceda o valor do encargo total (Lei
Orgânica nº2/2019).
Os projetos do Exército surgem da identificação de uma capacidade a edificar e
seguem um modelo estruturado pelas Normas de Gestão de Projetos no Exército (GPEx) que
dividem o projeto em “cinco fases: Iniciação, Planeamento, Execução, Controlo e
Monitorização e Conclusão” (EME, 2015, p. 3-12). Tendo por base a GPEx, na fase
Iniciação, é definido o objetivo do projeto, requisitos e recursos estimados, bem como
identificação das entidades que poderão vir a constituir a equipa de trabalho e respetivo
Gestor de Projeto (GP); seguindo-se a fase Planeamento, que compreende em si a atribuição
do projeto ao GP através da sua nomeação assim como o refinamento do projeto iniciado na
fase anterior e definição detalhada de prazos e recursos financeiros para se atingir os
resultados propostos, sendo concluída com a elaboração do Plano de Implementação (PI); a
fase Execução, que constitui o núcleo do projeto correspondendo à execução das atividades
necessárias à condução do projeto bem como avaliação do progresso, podendo esta levar a
que sejam geradas atualizações ao PI; a fase Controlo e Monitorização, sendo provavelmente
uma das mais importantes, regula toda a condução do projeto garantindo que o desenrolar
das atividades seguem o PI impedindo que existam desvios a nível do objetivo, prazos ou
mesmo recursos financeiros e que a informação gerada é difundida a quem dela necessita,
permitindo que as atividades decorram de forma fluida; e por último a fase Conclusão, nesta
fase são encerrados os contratos de aquisições e concluídas todas as atividades do projeto,
sendo este oficialmente encerrado (EME, 2015).

1.4. Sistema de AC

Por ser o ponto fulcral do presente trabalho de investigação torna-se preponderante


explanar a constituição e modo de atuação do Sistema de AC. Os principais manuais tidos
em consideração para esta análise foram o MC 20-100 Manual Tática Artilharia de
Campanha (2004) e o TC 3-09.81 Field Artillery Manual Cannon Gunnery (2016), por serem
os documentos doutrinários do Exército Português e bem como da sua principal referência,
o Exército dos Estados Unidos da América (EUA), respetivamente. Como expresso no

8
documento português o “Sistema de AC é o conjunto dos meios de Artilharia que, actuando
de forma integrada e complementar, permitem bater eficazmente e em tempo oportuno os
objectivos” que concorrem para o sucesso da missão da força apoiada (EME, 2004, p. 3-4).
O Sistema de AC desdobra-se em três subsistemas: AqObj, Armas e Munições e
Comando, Controlo e Coordenação (EME, 2004). A AqObj é composta pelos meios que
permitem a obtenção de informação, precisa e em tempo oportuno, sobre os objetivos
garantindo a deteção, identificação e localização. Desta forma podemos comparar os meios
de AqObj como sendo os olhos da AC, para melhor cumprir a sua missão este subsistema
tem várias tipologias: por intermédio de um OAv e respetivo equipamento que acompanha
as forças de manobra na frente de combate; e/ou por diversos radares (de localização de
armas e localização de alvos móveis) que podem estar além da posição da AC ou na
retaguarda, tendo por objetivo complementar os esforços desenvolvidos pelos OAv (AM,
2020). A componente das Armas e Munições constitui-se pelas armas propriamente ditas e
toda a guarnição e meios necessários para as operar bem como as diferentes munições e
respetivos componentes. É esta a componente do Sistema de AC que efetivamente vai fazer
sentir o efeito no objetivo (EME, 2011). Para tal, um dos grandes requisitos impostos às
unidades de AC é a mobilidade das suas unidades ser no mínimo igual à da unidade apoiada
(AM, 2020). Assim, podemos comparar esta componente como sendo os músculos da AC.
Para que as duas componentes supracitadas funcionem de forma fluente mas também para
que a AC se articule de forma a melhor apoiar as forças necessita-se de Comando, Controlo
e Comunicação, sendo esta componente o cérebro da AC, que integra em si os órgãos
responsáveis pelo planeamento e coordenação do AF (DoD, 2016), pela comunicação que
constitui o suporte físico indispensável a uma ação de comando e controlo e também os
elementos responsáveis pela direção do tiro permitindo o emprego tático do poder de fogo
exercendo para tal o comando de uma ou mais unidades na seleção de objetivos,
concentração e distribuição dos fogos, bem como a atribuição de munições, sendo também
responsável por usar os métodos e técnicas necessários para converter as informações do
objetivo recebidas em comandos de tiro (DA, 2016). Neste trabalho será dado maior enfâse
aos subsistemas de AqObj e de Armas de Munições.

1.4.1. Armas

O subsistema das armas e munições representa os músculos do sistema da AC, que


“através do lançamento de projéteis, foguetes ou mísseis” por “Bocas de Fogo, Sistemas de

9
Lança Foguetes e Sistemas de Lança Mísseis” (EME, 2004, p. 6-1) permitem o cumprimento
da missão da AC. Para o presente trabalho teremos apenas em consideração as bocas de fogo
(bf) preconizando-se também o princípio de que estes meios devem ter mobilidade igual ou
superior à da força apoiada (EME, 2004). Por forma a melhor compreender a especificidade
de cada característica e suas implicações no desempenho dos sistemas de armas, é
preponderante a descrição da constituição das diferentes componentes das bf. Genericamente
as bf têm os seguintes componentes: massa recuante, reparo, ligação elástica, aparelhos de
pontaria, palamenta e documentação. Por sua vez, a massa recuante materializa-se pelo tubo
canhão e culatra, podendo estes obter diversas configurações (AM, 2020).
O tubo canhão deve ser fabricado de aço, que passa por diversos processos de
“forjamento, retificação e acabamento de superfícies, tratamentos térmicos e mecânicos,
verificações, etc” (AM; 2020, p. 2-19), fornecendo uma base adequada para alojar e disparar
a munição tendo que por isso respeitar certas características, que irão definir o
comportamento do tiro, como calibre, estriamento, comprimento do tubo 4 e robustez dos
sistemas de armas que compõem a câmara. O material deverá possuir resistência elástica
suficiente para resistir, sem adquirir deformações permanentes, à pressão exercida pela
deflagração da carga propulsora. As bf quanto ao calibre do tubo são divididas em: ligeiras
até 120mm; médias, dos 121mm até aos 160mm; pesadas; dos 161mm até aos 210mm e
superpesadas, superiores a 210mm. E o comprimento do tubo, o medido em calibres, é tanto
maior quanto o quociente entre o seu comprimento em milímetros e o calibre (AM, 2020).
O tubo canhão constitui-se pelos seguintes componentes: o tubo, órgãos de fechamento
posterior, órgãos de ligação ao reparo e freio de boca (não obrigatório). Por sua vez o tubo
subdivide-se em câmara de combustão, superfície de concordância e parte estriada (DA,
2016). A câmara de combustão pode ser cilíndrica ou troncocónica, sendo a primeira adotada
em “sistemas de armas que usam invólucro combustível” (AM, 2020) e a segunda nos
sistemas de armas que utilizam caixas de cartucho metálicas por forma a facilitar a sua
extração. Fazendo ligação para o início da parte estriada temos a superfície de concordância
composta “por várias superfícies troncocónicas e cilíndricas, das quais a mais importante é
o cone de forçamento” (AM, 2020, p. 3-2) tendo diversas funções, tais como: “assegurar a
regularidade da posição do projétil durante o carregamento” e “obrigar a cinta a uma
adaptação total às estrias de modo a obturar completamente a passagem dos gases para a

4
Medido em calibres, exemplo num sistema de armas de 155mm e com tubo de 52 calibres de
comprimento, o comprimento do tubo será 52 vezes 155mm.

10
frente do projétil” (AM, 2020, p. 3-2). Por fim a parte estriada que imprime ao projétil
velocidade de rotação que lhe irá garantir estabilidade durante o voo (DA, 2016). Importante
uma correta manutenção do tubo bem como uma criteriosa escolha da carga a usar de modo
a diminuir o desgaste do tubo e assim prolongar o seu tempo de vida útil e poder de fogo
pois quanto maior for o desgaste menor será a velocidade de saída do projétil à boca do cano
e consequentemente terá menor precisão e alcance (DA, 2016).
Os órgãos de fechamento posterior do tubo ou culatra destina-se a fechar
hermeticamente a câmara de combustão bem como permitir o carregamento das munições
pela retaguarda. Este sistema tem diversas vantagens em relação ao sistema de carregamento
pela boca sendo que permite por efeito do estriamento uma obturação da câmara quase
perfeita, facilita o processo de carregamento bem como a sua rapidez, permite também “um
melhor ajustamento do projétil na posição de carregamento do que resulta melhor precisão
do tiro.” (AM, 2020, p. 3-9). A culatra tem ainda a finalidade de permitir a correta
deflagração das cargas sem prejuízo da obturação, mantendo a segurança dos serventes bem
como a fácil extração dos cartuchos (quando utilizados caixas de cartucho metálicas). Para
tal a culatra subdivide-se em: culatra fixa, ligada ao tubo e o canal de carregamento; a culatra
móvel que tem por função fechar o canal de carregamento após o carregamento das
munições; aparelho de disparar, responsável pelo início da deflagração da carga propulsora;
órgãos de obturação, junta de sistemas de armas elásticos/plásticos, que se localiza entre a
culatra móvel e a parte posterior do tubo, permitindo uma melhor concordância entre os
sistemas de armas e consequentemente uma melhor obturação; “órgãos de comando e
manobra, de abertura e fechamento da culatra móvel, que em certos sistemas de armas,
podem ser automáticos, isto é; comandados pelo próprio tiro” (AM, 2020, p. 3-10); órgãos
de segurança, que impedem a abertura da culatra durante o disparo ou em caso de falha e
impedir a deflagração das cargas antes do fechamento da culatra; e órgãos de extração, nos
sistemas de armas que usam munições com caixa de cartucho metálico.
Os freios de boca, quando existem, são dispositivos à boca do tubo que possuem
aberturas laterais com a finalidade de canalizar os gases provenientes da deflagração da carga
propulsora e assim reduzir as vibrações do tubo e produzir uma força contrária à que resulta
da pressão dos gases sobre a culatra diminuindo assim a força do recuo (DA, 2016).
O reparo, dispositivo que suporta o tubo canhão permitindo apontá-lo
convenientemente, divide-se em parte móvel e parte fixa. A parte móvel do reparo é aquela
que guia o tubo canhão e os componentes a ele ligados durante o disparo, contém
mecanismos de elevação e direção para elevar e orientar azimutalmente o tubo. A parte fixa

11
do reparo alberga o suporte das pontarias bem como rodas ou lagartas e “órgãos de fixação
ao terreno nos reparos moveis, ou os órgãos de ligação à plataforma, nos reparos fixos.”
(AM, 2020, p. 3-22). A parte fixa do reparo pode ser rebocável ou autopropulsada. Os
sistemas de armas rebocados têm a vantagem de poderem ser lançados por meios aéreos ou
puxados pelos serventes em emergências, no entanto os autopropulsados fornecem proteção
à guarnição que os opera, têm capacidade de transportar munições junto da arma e permite
um deslocamento entre posições de forma muito mais rápida (Pike, s/d).
A ligação elástica é um dos elementos mais importantes, tendo a finalidade de
melhorar a absorção da energia resultante do recuo da massa recuante, amortecendo-a e
proporcionando uma entrada em bateria suave, permitindo ainda que assim se mantenha em
qualquer elevação ou mesmo em deslocamentos (AM, 2020).
Ao nível da mobilidade, denota-se que para os deslocamentos de AC, na atualidade,
tem por primazia a velocidade de deslocamento permitindo um continuo apoio das forças
apoiadas. A escolha entre sistemas de armas de rodas, lagartas ou rebocados depende das
necessidades específicas da missão, do ambiente operacional e das restrições orçamentárias
de cada país (Karpenko, 2023). Os sistemas de armas rebocados rapidamente caíram em
desuso devido à premente necessidade de fazer a AC acompanhar as unidades de manobra.
Sendo que devem ser consideradas as respetivas vantagens e desvantagens.
Os sistemas de armas de lagartas possuem um desempenho superior fora da estrada,
graças à sua melhor tração e capacidade de navegar em terrenos difíceis, incluindo terrenos
lamacentos, arenosos ou com neve, bem como superar obstáculos e subir ladeiras íngremes.
Essa capacidade de mobilidade permite que os sistemas de armas de lagartas tenham acesso
a áreas difíceis de alcançar, onde as rodas não conseguem chegar (Lye, 2019). Além disso,
a maior capacidade de carga útil dos sistemas de armas de lagartas permite que estes
transportem maiores quantidade de munições. São também geralmente mais estáveis para
disparar, já que os trilhos largos proporcionam uma plataforma de disparo mais estável e
reduzem o recuo da arma. Fornecem também uma maior proteção contra o fogo inimigo e
minas. No entanto, os sistemas de armas de lagartas são mais lentos e menos ágeis em relação
aos sistemas de armas de rodas, mais caros de produzir, manter e operar (Peck, 2020), sendo
mais suscetíveis de causar danos às infraestruturas e têm opções de transporte limitadas
(Unterseher, 2001).
Por outro lado, os sistemas de armas de rodas oferecem maior velocidade e
mobilidade em estradas pavimentadas e superfícies duras, além de serem mais económicos
de produzir, manter e operar (Lye, 2019; Peck, 2020). Estes causam também menos danos

12
às infraestruturas, são mais fáceis de transportar e têm um alcance operacional mais longo
graças à sua melhor eficiência de combustível. No entanto, sistemas de armas de rodas
possuem também algumas desvantagens importantes. Sendo que apresenta limitações
significativas em termos de desempenho fora das estradas não sendo tão capazes de navegar
em terrenos difíceis quanto os sistemas de armas de lagartas. Além disso, estes sistemas de
armas têm geralmente capacidades de carga útil mais baixas, o que significa que são capazes
de transportar menor quantidade de munições. Oferecem também menor proteção em relação
ao fogo inimigo e podendo ser mais vulneráveis a minas terrestres e dispositivos explosivos
improvisados (Unterseher, 2021).

1.4.2. Munições

De seguida, serão explanados os principais constituintes de uma munição de


Artilharia. As munições surgem, principalmente, em duas configurações distintas: as
semifixas, usadas em bf de menores calibres (por exemplo M119 105mm LG/30/m98); e de
carregamento separado, destinadas às bf de maiores calibres (por exemplo M114A1
155mm/23) (EME, 2011). A nível de carregamento nas munições semifixas existem três
componentes distintos: o projétil, a caixa de cartucho e a carga propulsora. A munição
completa, e pronta a carregar, constitui-se pela caixa de cartucho encaixada na base do
projétil, contendo no seu interior a carga propulsora que pode ser ajustada ao alcance
pretendido (AM, 2020). Já as munições de carregamento separado compõem-se pelo projétil
e carga propulsora. À semelhança da carga propulsora usada nas munições semifixas
também esta permite o seu ajustamento ao alcance necessário, para efetuar o carregamento
na arma: é introduzido o projétil no tubo do canhão e a carga propulsora é colocada
diretamente na câmara de combustão (AM, 2020). De seguida “a escorva, com o ignidor, é
introduzida no mecanismo de disparar do bloco da culatra após esta estar fechada e travada”
(EME, 2011, p. 1-5). As munições de Artilharia apresentam diversas classificações quanto
à finalidade: combate, destacando-se as high explosive (HE), as químicas (fumos ou gases),
iluminantes e munições convencionais melhoradas (ICM) que incluem as Antipersonnel
Improved Conventional Munitions (APICM) e as Dual-Purpose Improved Conventional
Munitions (DPICM) (DA, 2016); de exercício, idêntica à de combate no entanto inerte; salva,
contém o cartucho de pólvora mas sem projétil; e as simuladas, não se destinam aos sistemas
de tiro tendo como finalidade o treino de manuseamento (EME, 2011). Para compreender o
modo como estas munições são disparadas temos de analisar o que se designa por tiro

13
completo, que se compõe por: escorva, “elemento que produz a chama necessária para iniciar
a combustão da carga propulsora” (EME, 2011, p. 2-1); carga propulsora, responsável pelo
movimento do projétil; projétil, “componente da munição destinado a produzir, sobre o
objetivo os efeitos desejados” (EME, 2011, p. 2-3); e a espoleta, que vai “provocar o
accionamento do projétil na área do objetivo” (EME, 2011, p. 2-5). Associados às munições
temos também alguns sistemas de propulsão adicional que complementam a potência gerada
e transmitida pela explosão das cargas, são exemplos desses sistemas o base bleed e o RAP
(Korsvold, 2020). Durante toda a trajetória do projétil pela resistência do ar é gerada uma
pressão negativa na base do mesmo que lhe causa atrito e portanto uma diminuição da
velocidade, fatores que irão implicar a perda de precisão e alcance do projétil, assim com a
tecnologia denominada base bleed pela base do projétil irá ser libertado calor e gás, pela
combustão lenta de um determinado composto, gerando uma pressão positiva que por sua
vez vai atenuar, ou eliminar, os efeitos da pressão negativa gerada pela resistência do ar que
envolve o projétil (Korsvold, 2020). Problemática desta tecnologia é o desenvolvimento de
um combustível de lenta combustão que gere pressão de forma eficiente, mantendo a
combustão ao longo da maior parte da trajetória do projétil (Pike, s/d). Por outro lado, foi
desenvolvido RAP que difere da tecnologia anteriormente citada principalmente porque esta
gera maior pressão à base do projétil aumentando assim a sua velocidade e
consequentemente o alcance. O RAP funciona pela inclusão de um pequeno motor foguete
alojado na base do projétil que tem a sua ignição momentos após a sua saída à boca do tubo.
(Pike, s/d).

1.4.3. Aquisição de Objetivos

A AqObj é a deteção, identificação e localização de um ou mais objetivos de forma


precisa para permitir o emprego efetivo de armas bem como orientar outros meios de
pesquisa de notícias (DA, 2015). O Sistema de AC do Exército Português dispõe de unidades
vocacionadas para a pesquisa de informação no campo de batalha que são OAv,
observadores aéreos, postos de observação, meios radar, UAV, sensores (sísmicos e
acústicos), topografia e meteorologia (Peralta, 2012). O seu emprego visa não só a constante
observação do campo de batalha, mas também a rápida e eficiente comunicação de
informação aos escalões superiores em tempo oportuno, isto permite ao comandante ter uma
perspetiva da evolução do conflito mais atualizada (DA, 2015).

14
[Link]. Observador Avançado

Peça fundamental do sistema de AC, constitui em si a ligação da AC com a unidade


apoiada. O OAv tem por principal tarefa: “detetar, localizar e identificar objetivos
remuneradores a serem batidos” (AM, 2020, p. 7-2) uma vez identificados “o OAv efetua
um Pedido de Tiro e regula a execução desse mesmo tiro sobre o objetivo e controla outros
tiros que sejam executados para a sua zona de responsabilidade.” (AM, 2020, p. 7-2),
contribui assim para os olhos e ouvidos da AC no campo de batalha (DA, 2016). O OAv
representa ainda a AC junto dos comandantes das unidades apoiadas, sendo o seu dever dar
o devido aconselhamento em todas as matérias respeitantes ao AF do respetivo escalão
(DA,1991).
O OAv advém doutrinariamente das Fire Support Team (FIST) que se atribuem às
unidades de manobra de escalão Companhia/Esquadrão ou Pelotão sendo que o chefe de
equipa atua como Oficial de Apoio de Fogos (OAF) ao nível da Companhia e é o principal
conselheiro do comandante da unidade apoiada. A constituição destas equipas é flexível
dependendo da tipologia de unidade apoiada bem (DA, 1991). Na prática estas equipas não
se constituem, constando dos Quadros Orgânicos (QO) dos GAC as equipas OAv
materializadas por um oficial de AC, um sargento de AC e um condutor/radiotelefonista,
variando o número de equipas constituídas consoante a Brigada em que se inserem. (EME,
2014a; EME 2014b; EME, 2014c). De entre as equipas OAv
“há ainda a destacar as Equipas COLT (Combat Observation/Lasing Team), que são
equipas de observação de alta tecnologia e proporcionam à Artilharia de Campanha
(bem como a outros sistemas de armas) a capacidade de utilização de munições, que
na parte final da trajetória permitem o guiamento por designadores laser.” (EME,
2004, p. 5-9).

De salientar que apesar de acompanharem as unidades de manobra no teatro de


operações, os OAv por desempenharem funções de elevada importância não devem ser
empenhados em combate direto (EME, 2004) e “devem ter capacidade para aceder a outras
redes de comunicação, para além das que habitualmente lhes estão atribuídas, para efeitos
de coordenação” (EME, 2004, p. 10-14).

[Link]. Outros Meios de Aquisição de Objetivos

A AqObj, no entanto, não se encontra cingida ao emprego dos OAv, existindo


também a trabalhar para esta componente diversos meios como radares de localização de
alvos móveis (RLAM), radares de localização de armas (RLA) e UAV (AM, 2020). Os

15
meios radares empregues na AqObj funcionam como OAv providenciando a deteção precisa
em tempo oportuno, identificação e localização de objetivos, bem como recolha de
informação acerca do objetivo ou outras informações pertinentes, permitindo o emprego de
fogos imediatos sobre objetivos específicos quando assim é requerido (DoD, 2016). Os
equipamentos que equipam estas unidades têm características muito próprias necessitando
de pessoal especializado para os operar. De seguida, por forma a melhor compreender as
suas vantagens e desvantagens, será enunciado o modo de emprego dos meios radar e UAV.
Os RLA atualmente empregues na proteção das forças devido às suas capacidades de aviso
prévio em caso de ameaça por armas de tiro indireto, apresentam, no entanto, graves lacunas
não acompanhando a tridimensionalidade do campo de batalha da atualidade. Estes radares
necessitam de ser orientados segundo um setor de pesquisa delimitado. Assim, visto que a
ameaça se revela em qualquer direção estes meios mostraram não conseguir cumprir a sua
tarefa base: a proteção da força. Para resolver estas lacunas o Exército americano propôs
duas soluções: utilização dos radares em simultâneo com o Radar Portátil de Curto Alcance
Contra Morteiros que eliminaria a limitação de observação apresentada pelos radares
utilizados ou a integração desta capacidade nos meios radar de Aviso Local da Artilharia
Antiaérea associando estes a sistemas de armas com poder de fogo suficiente para se
empenhar sobre ameaças balísticas (Peralta, 2012). Quanto aos RLAM operam na vigilância
de Áreas Designadas de Interesse, limitado pela incapacidade de identificar positivamente
as suas aquisições bem como da necessidade de linha de vista eletrónica para o objetivo estes
radares são usualmente empregues em paralelo com outros meios de AqObj por forma existir
uma dupla confirmação da aquisição (Peralta, 2012). Assim surgem os UAV, que podem ser
empenhados em conjunto com os radares supracitados por forma a confirmar as aquisições
de objetivos realizadas pelos OAv/radares e vice-versa. Os UAV poderão ser empenhados
em outras tipologias de tarefas como reconhecimento, patrulhamento, vigilância, ataque,
abastecimento e também atuar como repetidor estendendo as linhas de comunicação. Ao
nível da regulação do tiro de AC, quando um projétil atinge um ponto entre o OAv e o
objetivo torna-se difícil perceber a distância a que realmente se encontra do objetivo assim
outra grande vantagem do emprego dos UAV é a eliminação do problema da paralaxe pois
a perspetiva vertical fornecida em tempo real pelo UAV facilita o ajuste do tiro de AC
(Hambling, 2022).

16
CAPÍTULO 2 - METODOLOGIA

Este capítulo irá versar sobre o método e estratégia de investigação, métodos e


técnicas de análise bem como de recolha de dados, usados para a elaboração do presente
trabalho. Refere-se ainda que no âmbito das normas que regem a redação, com objetivo de
uniformizar e regulamentar, para o presente trabalho foi utilizada a Norma de Execução
Permanente (NEP) 522/ 1ª de 2016 elaborada pela AM e a PDE 0-18-00 Abreviaturas
Militares de 2010.

2.1. Método e Estratégia de Investigação

O presente trabalho tem como objetivo identificar os requisitos que, de entre novas
tendências oferecidas pelo mercado de defesa, melhor se adequariam à realidade da AC
portuguesa do futuro. Ao analisar estudos realizados sobre o futuro da AC foi verificada uma
grande abundância de trabalhos que versam a componente de Comando e Controlo e poucos
que perspetivassem acerca do futuro ao nível das Armas e Munições bem como da AqObj.
Assim a temática da investigação foi delimitada às componentes de Armas e Munições e
AqObj. Para tal procedeu-se à recolha de informações e dados, sobre as componentes das
Armas e Munições e AqObj, com base em análise documental com fonte em sites oficiais
das empresas de defesa, notícias de sites e revistas especializadas em assuntos de defesa,
entrevistas exploratórias e inquéritos. Na condução desta investigação foi utilizado um
método de abordagem dedutivo, método de procedimento comparativo com uma análise
quantitativa dos dados. Os dados foram tratados por forma a compreender as tendências
relativas às componentes Armas e Munições e AqObj.
Foram então realizados inquéritos para estabelecer a relação entre as lacunas
identificadas pelos Oficiais de Artilharia nas componentes de Armas e Munições e AqObj e
os requisitos considerados relevantes para a realidade da Artilharia de Campanha portuguesa
do futuro.
Assim a este trabalho de investigação foi associado o seguinte processo
metodológico.
• Foram recolhidos os dados técnicos, características físicas bem como as
capacidades dos sistemas de armas, munições, equipamentos óticos do OAv,
radares e UAV tendo por fonte os sites oficiais das empresas da defesa, revistas

17
militares especializadas e outros sites de notícias que abordam assuntos da defesa,
de modo a recolher os dados referentes aos diversos tipos de material estudado.
• Foram criados gráficos e tabelas que permitissem a visualização dos dados de
forma organizada bem como uma melhor leitura dos dados e consequentemente
facilitar a análise dos mesmos.
• Realizou-se um inquérito por questionário aos Oficiais de Artilharia para
identificar as lacunas e os requisitos que estes consideram necessários por forma
a melhorar o Sistema de AC portuguesa.
• Por fim, analisou-se a informação adquirida nas etapas anteriores por forma a
perspetivar quais serão os requisitos para os sistemas de AC que poderão constituir
uma boa aquisição de modo a substituir os sistemas existentes na orgânica atual.

2.2. Modelo de Análise

De modo a responder aos objetivos gerados pela temática desta investigação foi
formulada uma Pergunta de Partida (PP) que tem na sua resposta a essência da investigação
do presente trabalho e Perguntas Derivadas (PD) das quais foi imprescindível fazer o
levantamento por forma a agilizar a presente investigação e melhor responder à PP:
PP: Que requisitos deverão possuir as componentes de AqObj e Armas e Munições
do Sistema de AC portuguesa face às necessidades e tipologia de missões do futuro?
PD1: Quais as novas tendências de investigação e desenvolvimento que o mercado
de defesa oferece em termos de meios da componente das Armas e Munições?
PD2: Quais as novas tendências de investigação e desenvolvimento que o mercado
de defesa oferece em termos de meios da componente da AqObj?
PD3: Das novas tendências oferecidas pelo mercado de defesa, quais os requisitos
que melhor se adequariam à realidade da AC portuguesa do futuro?
De modo a melhor proceder à elaboração do presente trabalho optou-se por ter como
guia um modelo de investigação que sintetiza em si o modelo de análise desejado bem como
os indicadores que permitem facilitar ao investigador a pesquisa de dados e a identificação
rápida dos meios que melhor darão acesso aos mesmos. O desenho de investigação para esta
investigação encontra-se representado pelo Quadro 1, que consta da página seguinte.

18
Quadro 1 – Desenho de Investigação

OG Identificar os requisitos da AC moderna que melhor se adaptariam às necessidades e


tipologia da AC portuguesa futura.

PP Que requisitos deverão possuir as componentes das Armas e Munições e da AqObj do


Sistema de AC portuguesa face às necessidades e tipologia de missões do futuro?

OE PD Conceitos Dimensões Indicadores Técnicas de


Recolha de
Dados
OE1: Identificar PD1: Quais as Sistemas de Tubo Canhão Comprimento em Análise
os requisitos e novas Armas AC calibres documental
tendências de tendências de Calibre
mercado para a investigação e Cadência de Tiro
componente das desenvolvimento
Armas e que o mercado Mobilidade Autonomia
Munições de de defesa Sistema de Tração
AC. oferece em Dotação orgânica de
termos de meios munições
da componente
das Armas e Proteção dos Blindagem
Munições? serventes Exposição da
guarnição

Munições Características Calibre


Composto Explosivo
Cargas propulsoras
Guiamento
Letalidade
Alcance

OE2: Identificar PD2: Quais as OAv Equipamentos Ampliação Análise


os requisitos e novas Óticos Alcance documental
tendências de tendências de Capacidade de
mercado para a investigação e Designação de
AqObj da AC. desenvolvimento Objetivos
que o mercado
de defesa
oferece em AqObj Tipologia RLA
termos de meios RLAM
da componente UAV
da AqObj?

Sobrevivência Passivo/Ativo
Mobilidade

OE3: Identificar PD3: Das novas Armas e Sistemas de Tubo Canhão Análise
as tendências tendências Munições Armas Mobilidade documental
oferecidas pelo oferecidas pelo Proteção dos Inquéritos
mercado de mercado de serventes
defesa que defesa, quais os
melhor se requisitos que Munições Características
adequariam à melhor se
realidade da AC adequariam à
portuguesa do realidade da AC AqObj Meios de Tipologia
futuro. portuguesa do AqObj Sobrevivência
futuro?

19
2.3. Amostra

No presente trabalho houve a necessidade de selecionar amostras para cada uma das fases de
investigação. Para tal, ao nível dos sistemas de armas, será tida em consideração uma base de dados
com uma amostra A de 118 sistemas (Apêndice A), desde protótipos, obsoletos, em serviço ou em
desenvolvimento, que datam desde 1941 até 2026 (data prevista para entrada ao serviço do obus mais
recente abordado neste base de dados). De modo a facilitar a análise das características de sistemas de
armas mais referidos pelas revistas especializadas foi criada a amostra B (Apêndice B) que contém
apenas 25 sistemas de armas, sendo que estes estão também inseridos na amostragem A. Em relação
às Munições de AC (Apêndice C), a amostra constituída para a análise do mercado compõe-se por 30
munições de fabrico entre os anos 1972 e 2022. Esta amostra contempla uma seleção de munições
convencionais melhoradas (excluindo munições de tipo cluster5) e inteligentes oferecidas pelo
mercado e destacadas pelo seu emprego na Guerra Rússia-Ucrânia. Devido às lacunas da informação
obtida, resultantes das classificações de segurança das fábricas em relação às características das suas
munições/projéteis, os dados serão analisados tendo o projétil M107 155mm como referência para
comparação com os restantes projéteis oferecidos pelo mercado. Quando à componente da AqObj foi
tida em consideração uma amostra de cinco equipamentos de OAv (Apêndice D), 15 radares
(Apêndice E) bem como 21 UAV (Apêndice F).
Para a realização do inquérito, presente no Apêndice G, foram selecionados para constituir a
amostra em estudo aos Oficiais de Artilharia do Exército Português, delimitou-se a amostra apenas à
classe de Oficiais tendo em vista as preocupações técnico-táticas que lhes são inerentes, não tendo sido
considerado relevante o posto que ocupam. Assim desta amostra de 293 Oficiais, por limitações da
tecnologia, só foi possível fazer chegar o inquérito, de cariz voluntário, a 250 Oficiais, sendo este de
cariz voluntário, tendo sido recebidas 84 respostas, representando 34% dos inquiridos.

5
Tipologia de munições que ao ser lançadas fragmentam-se em múltiplas submunições que se dispersam por
uma ampla aérea de terreno. De uso proibido em Convenção da Nações Unidas devido aos seus efeitos
controversos, podendo gerar danos indiscriminadamente e não detonar imediatamente, representando um risco
para pessoal militar e civil.

20
CAPÍTULO 3 – ARMAS E MUNIÇÕES DE AC

No presente capítulo serão identificadas as tendências de mercado de defesa no que


refere aos subsistemas de Armas e Munições de AC, tal como as características a ter em
atenção quando comparamos os diversos sistemas de armas e munições disponibilizados no
mercado.

3.1. Tubo canhão

O tubo canhão, como descrito anteriormente, é um dos principais componentes de


qualquer sistema de armas, responsável pela execução do tiro. Das diversas características
associadas ao tubo canhão salientam-se algumas pela sua influência no desempenho do tiro:
o calibre, o comprimento do tubo e a cadência de tiro. Assim, de seguida, ter-se-á em conta
estas características procurando relacioná-las com a procura no mercado de defesa.

3.1.1. Calibre do tubo

Para analisar a evolução do calibre do tubo foi construída a Figura 1, que configura a
relação dos calibres com os anos. A amostra utilizada, catalogada em base de dados como
mostra o Apêndice A, é constituída por 118 sistemas de armas posteriores a 1941, década a
partir da qual a AC começa a adotar sistemas móveis. O período em estudo, para uma melhor
interpretação e análise foi dividido em quatro períodos de 21 anos cada.

Figura 1 - Evolução do Calibre

Assim com base na Figura 1, é possível observar que existiu uma evolução
significativa dos calibres ao longo das últimas décadas, com uma clara convergência em
direção aos calibres médios. No primeiro intervalo, podemos verificar a existência de um

21
baixo número de sistemas de armas móveis, novidade recente na época, no entanto, com a
corrida às armas motivada pelo fim da 2ª Guerra Mundial, existiu um aumento do
desenvolvimento de novos sistemas de armas. Os sistemas de armas que surgiram
apresentam sobretudo calibres médios, sendo que esta tendência se intensifica nos períodos
seguintes.
Destaca-se ainda a aposta na utilização do calibre 155mm, como demonstra a Tabela
1 que tem sido amplamente utilizado na Guerra Rússia-Ucrânia e é padronizado pela NATO
(Segura, 2023). Além disso, é o calibre que as empresas de desenvolvimento de munições
têm adotado para o desenvolvimento de munições inteligentes.

Tabela 1 - Distribuição dos Calibres Médios no intervalo [2006; 2027]

Exemplos desta tendência são os países europeus (Polónia, Estónia entre outros) que
em resposta à Guerra Rússia-Ucrânia têm realizado aquisições de novos sistemas de armas
para reforçar as suas forças. De entre os sistemas de armas mais procurados destaca-se o K9
Thunder da Hanwha Defense (Adamowski, 2023). O Pzh 2000 também de 155mm,
fabricado pela KMW, foi adquirido, pela Alemanha, por forma a cobrir a lacuna criada nas
fileiras alemãs aquando do envio de material para apoio da Ucrânia (Siebold, 2023). A
Dinamarca iniciou o processo de aquisições do obus ATMOS da Elbit Systems após ter
enviado 19 CAESAR para as tropas ucranianas (Frantzman, 2023). Apesar de muitas das
aquisições se motivarem pela Guerra Rússia-Ucrânia, que tem levado muitos países a
procurar aprimorar os seus sistemas de AC, também tem havido interesse em aquisições de
sistemas de armas mais capazes, fundamentadas pelos planos de modernização das forças,
como por exemplo a aquisição de 18 obuses ATMOS por parte da Colômbia (Higuera, 2023)
ou o interesse das forças vietnamitas pelo K9 Thunder (Army Recognition, 2023).
Ao nível do desenvolvimento de novos sistemas de armas temos vários exemplos que
confirmam a aposta no calibre 155mm, como o ERCA (Extended Range Cannon Artillery)
da BAE Systems (Roque, 2022), o RCH 155 da KMW, o HX3 10x10 da Rheinmetall MAN
Military Vehicles ou o CAESAR Mk2 da Nexter Group (Eshel, 2022), havendo também
alguns fabricantes como a Namenska que ainda aposta no calibre 122mm com o SORA
122mm que ainda se encontra em fase de protótipo (Military Blog, 2023) ou a AM General

22
que aposta também em calibres mais ligeiros como 105mm como é exemplo o Hawkeye em
fase de testes pelo Exército Americano (Herderson, 2022).

3.1.2. Comprimento do tubo

Para a compreensão da evolução do comprimento do tubo, foi criada a Figura 2 que


nos apresenta o resultado da distribuição do comprimento do tubo pelos quatro períodos,
anteriormente descritos, enquanto os comprimentos do tubo foram agrupados em intervalos
de 10, sendo que os valores variam entre os 20 e os 60 calibres.

Figura 2 - Evolução do Comprimento do tubo

Analisando a Figura 2, verifica-se que no primeiro grupo a amostra apesar de


reduzida concentra-se sobretudo no primeiro patamar de calibres (20-29), enquanto nos dois
períodos que se lhe seguem existe uma maior aposta em sistemas de armas com tubos mais
compridos, notando ainda que no terceiro período praticamente desaparecem os sistemas de
armas com calibres inferiores a 29 calibres, desaparecimento motivado pela necessidade de
alcances maiores. Já o último período, que se estende até à atualidade, encontram-se
realçados dois grupos: os tubos com comprimentos entre 30 e 39 vezes o do calibre, onde se
inserem sobretudo sistemas de armas de origem asiática (ver Apêndice A); e o intervalo entre
50 e 60 calibres, onde podemos encontrar a maioria dos sistemas de armas produzidos na
atualidade, sendo a maioria de origem europeia (ver Apêndice A).
É possível ainda relacionar o comprimento do tubo com o alcance do projétil, uma
vez que um tubo mais longo permite uma maior velocidade de saída do projétil à boca do
tubo, proporcionando, consequentemente, disparos mais precisos a maiores distâncias
(Mizokami, 2018). O comprimento máximo do tubo de um obus, encontrava-se cifrado em
52 calibres, de que são exemplo 39 dos sistemas de armas analisados, até ao aparecimento
do programa ERCA que testa um tubo de 58 calibres (Judson, 2021). A precisão do tiro

23
também está diretamente relacionada ao comprimento do tubo, uma vez que, quanto mais
extenso for o tubo, maior a estabilidade do projétil durante o voo, o que resulta em maior
precisão (AM, 2020). Dessa forma, podemos inferir que um tubo mais longo não apenas
permite um maior alcance, mas também maior precisão, daí se estar a verificar o aumento
do comprimento dos tubos dos sistemas de armas, acompanhando a tendência de procura de
maior alcance para a AC por parte das empresas de defesa (Gouveia & Borges, 2023).

3.1.3. Cadência de tiro

Para proceder à análise deste indicador foi tido em consideração o Apêndice B,


construído com base nas tendências do mercado tendo como fonte diversas notícias de sites
e revistas especializadas em assuntos de defesa que relatam as preferências dos países
aquando das aquisições de novos sistemas de armas. Foram selecionados 25 sistemas de
armas com preferência por sistemas de armas de rodas ou lagartas e de calibres médios, ao
serviço ou desenvolvimento em países europeus e países NATO e ou em destaque em
conflitos armados dos últimos anos.
Na AC, a cadência de tiro, medida em TOM (Tiro Obus Minuto), representa o poder
destrutivo 6 da força equipada com o respetivo sistema de armas. A cadência de tiro dos
sistemas de armas da amostra usada para a análise deste indicador distribui-se entre 4 e 10
TOM, sendo o valor médio de 6 TOM. No entanto, pode-se verificar a existência de uma
tendência para o aumento das cadências de tiro dos sistemas de armas para valores superiores
a 6 TOM, aumento que é possível devido à eficiência dos sistemas automáticos de
carregamento e pontaria. Podemos aferir também que não existe um aumento significativo
da cadência de tiro pois ao incremento de alcances associam-se cargas propulsoras mais
potentes que por sua vez geram uma maior corrosão no tubo. Assim, é privilegiado o
fortalecimento do material que compõe o tubo de modo a não existirem ruturas do material
nem necessidade de reduzir a cadência de tiro. Destacando-se ainda o facto de alguns
sistemas de armas apresentarem cadências de tiro elevadas chegando aos 10 TOM como o
Sigma 155mm da Elbit Systems (Mavridis, 2022), o Hawkeye 105mm da AM General
(Army Technology, 2019) ou mesmo sistemas de armas mais antigos como o Pzh 2000 da
KMW (KMW, s/d).

6
Poder destrutivo define-se pela capacidade de uma força em causar danos significativos ao inimigo. Assim a
cadência de tiro, juntamente com o alcance e a precisão do sistema de armas é um dos fatores representativos
do poder destrutivo da força equipada.

24
3.2. Mobilidade

Para garantir um apoio eficaz e contínuo, é fundamental que os meios de AF possuam


capacidade igual ou superior à da força apoiada (EME, 2004). A busca constante por
inovações tem trazido importantes melhorias ao nível dos sistemas de mobilidade, sendo um
exemplo a crescente adoção de sistemas de armas autopropulsados. Esses sistemas de armas
possibilitam maior velocidade de deslocamento e maior manobrabilidade, fatores que,
juntos, contribuem para uma maior capacidade de apoio à força apoiada. Além disso, a
utilização desses sistemas de armas proporciona maior proteção e sobrevivência à guarnição,
graças à blindagem e rapidez na entrada e saída de posição, o que reduz a probabilidade de
deteção (AM, 2020).

3.2.1. Sistemas de Tração

Para a análise deste indicador, a amostra constitui-se por 118 sistemas de armas que
se categorizam em rebocados, rodas e lagartas. A análise da Figura 3, permite-nos verificar
um reduzido número de sistemas de armas móveis, no primeiro período, sendo que os
existentes eram maioritariamente rebocados.

Figura 3 - Evolução dos Sistemas de Tração

Esta situação evoluiu para um paradigma bastante diferente no segundo período onde
vemos o aparecimento da adaptação dos chassis dos carros de combate às armas de AC,
criando os sistemas de armas de lagartas que privilegiavam o acompanhamento das forças
mecanizadas. Registou-se, ainda, a existência de alguns dos sistemas de armas rebocados,
tendência que virá a inverter-se, no terceiro período, quer pela sua baixa mobilidade quer
pela exigência de grande número de militares para os guarnecer. Um exemplo disto viria a
ser o Hawkeye que apesar de ser dotado de um tubo de calibre ligeiro (normalmente sistemas
de armas rebocados) encontra-se adaptado a um reparo de rodas (Army Technology, 2019).

25
Surgindo em quantidade considerável, no terceiro período, os sistemas de armas de rodas
que permitem uma maior manobrabilidade sem os inconvenientes das lagartas.
Assim enquanto os sistemas de armas de lagartas, mantêm-se constantes devido à sua
preferência para o acompanhamento das unidades mecanizadas que também fazem uso de
viaturas de lagartas, nos últimos anos existe uma grande tendência para os sistemas de armas
de rodas que se destacam largamente face às outras tipologias de sistema de tração.

3.2.2. Autonomia e Dotação Orgânica de Munições

Estes dois conceitos deverão ser abordados em conjunto, pois ambos se encontram
diretamente relacionados com a necessidade de reabastecimento. A autonomia é um dos
grandes fatores de mobilidade do sistema de armas visto que quanto maior a autonomia,
maior a flexibilidade do planeamento das posições a ocupar, permitindo aumentar o número
de posições ocupadas e assim aumentar a sobrevivência da bateria.
Tanto no mercado atual como em sistemas de armas mais antigos não é aparente a
existência de alguma tendência quer para autonomia maior, quer para dotações de munições
mais alargadas (ver Apêndice B). Ainda a referir que após análise de diversos modelos de
sistema de armas pode aferir-se que também não existe qualquer tipo de relação entre a
autonomia do sistema de armas e a respetiva dotação orgânica de munições. Contudo
existem alguns sistemas de armas que se destacam por ostentar grandes valores nestes
quesitos, exemplo disso é o ATMOS 2000 que em termos de autonomia apresenta valores
de cerca de 1000 km (Military Today, s/d) ou o caso do Diana e do Pzh 2000 que detêm uma
dotação orgânica de munições a rondar as 60 munições (Konstrukta Defence, s/d; KMW,
s/d). No entanto apesar dos sistemas de armas acima mencionados se destacarem
isoladamente em cada uma das referidas características, existe o G6-52 da Denel Land
Systems que estabelece um compromisso equilibrado entre a autonomia e a dotação orgânica
de munições, apresentando uma capacidade de 48 munições juntamente com uma autonomia
de 700 km (Army Guide, s/d) (ver Apêndice B).

3.3. Proteção dos Serventes

A proteção dos serventes é uma constante preocupação sendo um dos motivos que
levou à quase extinção dos sistemas de armas rebocados, pois estes não oferecem qualquer
tipo de proteção para a guarnição e as viaturas que os transportam não são blindadas. Como
exposto no Apêndice B, nos últimos anos existe uma forte tendência para o fabrico de
sistemas de armas que permitem à guarnição operar no interior da viatura, protegida pela

26
blindagem da cabine. Ao nível da blindagem esta não sofreu grandes alterações continuando
na sua maioria a fornecer proteção contra fogo direto de armas de pequeno calibre bem como
de estilhaços. A cabine tendencialmente vem equipada com proteção Nuclear, Biológica e
Química (NBQ) e uma arma secundária montada na torre controlada de forma remota,
permitindo operar sem expor a guarnição às ameaças do campo de batalha.

3.4. Munições

As munições de AC têm na sua constituição projéteis de alta potência explosiva que


têm como finalidade bater objetivos a longas distâncias. A categorização destas munições é
determinada pelo calibre, o tipo de projétil, cargas propulsoras, guiamento (caso exista),
espoletas, letalidade e ainda segurança, havendo várias opções disponíveis no mercado.
Algumas munições possuem sistemas de orientação e controlo, como as munições guiadas e
inteligentes, que ampliam a precisão e eficácia no campo de batalha (Chand, 2019). A
importância das munições de AC é inegável, já que são fundamentais para o poder de fogo
e capacidade destrutiva em muitos conflitos militares, tornando-se assim um instrumento
indispensável em operações militares.

3.4.1. Calibre dos projéteis

Ao nível do calibre, tal como nos sistemas de armas, verifica-se um grande


desenvolvimento e aposta no calibre 155mm. A amostra analisada compõe-se sobretudo por
munições com calibre 155mm, representando 94% da amostra e mesmo as munições que se
apresentam com calibres diferentes de 155mm também são, geralmente, produzidas com este
calibre em versões para exportação (Apêndice C). Exemplo da 2k25 Krasnopol que, sendo
originária da Rússia, apresenta um calibre de 122mm, mas, no entanto, a empresa fabrica
também uma versão de 155mm com vista a exportação.

3.4.2. Composto Explosivo

Quanto ao composto explosivo encontrado no interior dos projéteis podemos


encontrar diversas opções desde TNT (Trinitrotolueno), RDX
(ciclotrimetilenotrinitramina) 7, PBX (Plastic Bonded Explosive), EIDS XF13 333 8 ou

7
RDX: base para outros explosivos de utilização militar, destacando-se o Composto B usado nas munições de AC,
resultando da mistura de TNT com RDX, formando um explosivo mais insensível (Pike, s/d), ou PBX.
8
Explosivo Insensível fabricado pela Nexter Munitions.

27
IMX 9. Este último criado, em resultado da extensiva pesquisa laboratorial realizada pela
BAE Systems, em 2010, e vem revolucionar o uso do explosivo na constituição dos projéteis
de AC. Este composto explosivo mostrou, em diversos testes, ser muito mais resistente ao
impacto, ao choque, à fricção, necessita de maior concentração do que o TNT e RDX para
explodir, sem reação a descargas electroestáticas e ao envelhecimento.
Foi também testado a nível térmico, mostrando elevada resistência a chamas, não
deflagrando nem detonando. Esta série de testes vem provar que este composto explosivo é
um dos substitutos de TNT (e outros) mais seguros, quer durante o manuseamento quer em
caso de acidente. Pela análise do Apêndice C, podemos perceber a crescente aposta em
explosivos insensíveis e o desuso do TNT. Desde 2016 que a maioria das munições passou
a utilizar o Composto B ou explosivos insensíveis, sendo que mesmo as munições mais
antigas passaram a utilizar esta tipologia de explosivo. Exemplo desta aposta é a evolução
do projétil HE M107 que nas suas primeiras versões fazia uso do TNT evoluindo, mais tarde,
para o uso do Composto B e mais recentemente para explosivos insensíveis semelhantes ao
IMX. Esta tendência traz maior segurança às guarnições que operam este tipo de projéteis e
permite, também, alterar a disposição dos meios no campo de batalha visto que as
características das munições que fazem uso desta tipologia de projétil permitem que as
viaturas ou depósitos de munições se localizem mais próximo dos restantes meios, sem
existir o risco de danos colaterais em caso de acidente ou ataque inimigo.

3.4.3. Guiamento

As munições de AC com guiamento inteligente são uma tecnologia avançada que tem
vindo a revolucionar o campo de batalha. Ao contrário das munições convencionais, que
dependem principalmente da precisão dos elementos de tiro e das condições atmosféricas
durante o disparo, as munições de Artilharia com guiamento inteligente possuem sensores
que lhes permitem ajustar automaticamente a trajetória em tempo real.
Na Figura 4 podemos ver que existe uma grande propensão para o emprego de
sistemas de guiamento de Semi Active Laser (50% da amostra). Apesar do uso de sensores
(Global Positioning System (GPS), laser ou infravermelho) para o seu guiamento ter vindo
a mostrar um grande incremento na precisão destas munições, sentiu-se a necessidade de
começar a duplicar estes sistemas, para que exista capacidade de cobrir as falhas do sistema
primário. A combinação GPS/Laser representa 20% da amostra e é a segunda tecnologia de

9
Explosivo Insensível fabricado pela BAE Systems.

28
guiamento mais usada, de que é exemplo a munição Vulcano da Leonardo Defense Systems.
A Vulcano tem como sistema primário de guiamento um sensor GPS e para colmatar
possíveis falhas consegue ser guiada por laser. Pela análise do Apêndice C podemos perceber
também que existe uma relação do sistema de guiamento aplicado à munição com a respetiva
precisão, sendo as munições guiadas por sensor GPS as que apresentam maior precisão, com
um CPE menor que cinco metros.

Figura 4 - Relação dos Sistemas de Guiamento nas Munições Inteligentes

No entanto, este tipo de munições tem um custo elevado, portanto as indústrias


começaram a pensar em formas de conseguir uma aproximação das munições convencionais
às vantagens das munições inteligentes. Como resultado foram desenvolvidas pela BAE
Systems as espoletas PGK (Precision Guidance Kit) que procuram providenciar um
incremento de precisão às munições convencionais mantendo um baixo custo. Estas
espoletas permitirem uma redução dos danos colaterais, usando munições convencionais,
não só pela capacidade de corrigir a trajetória durante o voo, mas também devido à
resistência que o sensor GPS tem a bloqueadores de sinal.

3.4.4. Cargas propulsoras

Com a necessidade de alcances cada vez maiores é necessário o desenvolvimento de


cargas maiores e melhores. O Modular Charge System (MCS) veio em substituição das
cargas convencionais como a M3A1 e M4A2, e divide-se em dois módulos: Top Charge
Modules (TCM) e Bottom Charge Modules (BCM), que abrangem todos os alcances
consoante o número de módulos utilizados. Posteriormente foi melhorado e dividido em
Bottom Charge System (BCS) que compreende uma ou duas cargas BCM e Top Charge
System (TCS) que vai de três a cinco cargas TCM para tubos de 39 calibres e de três a seis

29
cargas TCM para tubos de 52 calibres. Ao nível da segurança, estas cargas destacam-se por
não existir uma orientação específica das cargas para inserção na câmara nem riscos
associados à troca acidental de TCM por BCM. Contudo com a evolução constante do campo
de batalha existe a necessidade de melhorias, surgiram as cargas 155mm IPC35 e 155mm
IPC36, da Nexter, (cargas de saco dentro de um invólucro combustível) que se destinam a
tubos de 39 calibres e 52 calibres (respetivamente), mas compatíveis com outras medidas.
Estas cargas apresentam uma opção mais barata que as TCM, quando a situação não exige a
utilização das MCS, dando um incremento de 5% a 8% de aumento às velocidades iniciais
que se traduzem em maiores alcances. Bem como a ERC (Extended Range Charge), carga
mais potente que promete um aumento médio de 15% da velocidade inicial mantendo os
níveis de desgaste do tubo baixos. Desbloqueando os grandes alcances, a General Dynamics
Ordnance & Tactical Systems está a testar a super-carga, uma carga única desenvolvida em
conjunto com o ERCA, de modo a ter alcances superiores a 70 km. Esta consiste num
invólucro rígido e apresenta facilidades logísticas e de manuseamento. Apesar destas
propriedades, a empresa considera que estas cargas não estão ainda prontas a ser empregues
no campo de batalha.

3.4.5. Letalidade e Alcance

A letalidade das munições de AC traduz-se na sua eficácia em causar danos no


objetivo, dependendo de vários fatores como calibre da munição, composto explosivo,
espoleta/guiamento, alcance, precisão e fragmentação. Sendo uma medida avaliada pelo
número ou média de mortes/ferimentos causados por um determinado número de tiros.
Assim para analisar este indicador temos de considerar todos os indicadores analisados
previamente bem como outras características em desenvolvimento. Nomeadamente ao nível
da fragmentação, exemplo a M0603A1 IHE PFF da Rheinmetall ou a M454 da Elbit
Systems, ambas de 155mm, que trazem ao campo de batalha uma letalidade acrescida pela
pré-fragmentação do corpo do projétil. No caso da munição da Rheinmetall esta gera cerca
de 20 000 fragmentos, quatro vezes mais do que um projétil M107, e pelo efeito do composto
PBX4 estes fragmentos atingem velocidades três vezes superiores aos fragmentos do projétil
M107.
O alcance, tido como um dos fatores influenciadores da letalidade, visto que o uso de
sistemas de propulsão adicional implica a redução do composto explosivo no interior do
projétil, é um indicador que deve ser analisado em conjunto com os sistemas de armas pois

30
para uma mesma munição podemos esperar um comportamento diferente em distintos
sistemas de armas. Sendo que tendencialmente os alcances em tubos de 39 calibres são, de
modo geral, entre os 20 e os 39 km. Contrastando com os tubos de 52 calibres e superiores
que alcançam mais de 40 km. Para fazer aumentar o alcance as empresas de defesa fazem
uso de sistemas de propulsão adicional como por exemplo, base bleed, RAP ou Ramjet.
Características estas que são cada vez mais comuns nas munições de AC, existindo alguns
exemplos de munições como a M2000A1 HE da família ASSEGAI da Rheinmetall NIOA
que permitem o uso opcional do módulo de base bleed. Em desenvolvimento temos o sistema
Ramjet que revelou, em testes, chegar a distâncias de 80 km, no entanto é ambição da
Nammo e da Boeing que este projétil seja capaz de atingir até 150 km. Podemos então aferir
uma grande aposta em munições cujos projéteis alcancem distâncias superiores a 40 km.

3.5. Síntese

Podemos afirmar que ao nível dos sistemas de armas, é dada primazia a sistemas de
armas com calibre 155mm, um comprimento de tubo de 52 calibres, uma capacidade mínima
de executar tiro a 6 TOM, sendo que o reparo deve ser dotado de rodas e o sistema deve ser
operável a partir do interior da cabine. Ao nível das munições de AC, a tendência é para o
uso de munições com calibre de 155mm (escolha que se associa aos sistemas de armas), os
compostos explosivos que compõem os projéteis de AC são cada vez mais do tipo insensível,
para colmatar a necessidade de maiores alcances é frequente o uso de sistemas de propulsão
adicional bem como de cargas propulsoras maiores e mais potentes, e destaca-se, entre outras
inovações, a pré-fragmentação do corpo do projétil. Quanto ao guiamento, no caso de
munições inteligentes, verifica-se a duplicação de sistemas de guiamento tendo em vista uma
maior precisão do tiro e a redução do CPE para menos de cinco metros.

31
CAPÍTULO 4 – AQUISIÇÃO DE OBJETIVOS DA AC

No presente capítulo serão identificadas as tendências de mercado de defesa no que


refere ao subsistema de AqObj da AC, no que respeita às diversas tipologias de meios
utilizados bem como as suas características diferenciadoras.

4.1. OAv

O OAv é uma equipa que desempenha um papel fundamental na coordenação do AF


de uma unidade escalão companhia e na regulação do tiro de AC. É sua função vigiar o
terreno do campo de batalha, detetar, identificar e localizar objetivos, por vezes com recurso
à determinação de distâncias, bem como fazer essas informações chegarem aos PCT, na
forma de pedidos de tiro. A localização de objetivos por parte do OAv que poderá ser mais
ou menos precisa conforme os instrumentos utilizados. Assim, torna-se pertinente
compreender a evolução dos materiais e meios que podem equipar estes militares de modo
que consigam desempenhar o seu trabalho no campo de batalha de forma mais eficaz e
oportuna, aumentando consequentemente a eficiência do AF.

4.1.1. Equipamentos óticos

Nas últimas décadas, o equipamento que o OAv dispunha para desempenhar a sua
função era pouco tecnológico, excetuando o equipamento individual comum a todos os
militares no campo de batalha, o OAv dispunha apenas cartas topográficas, uma bússola e
binóculos. Com o evoluir da tecnologia e o aumento dos alcances dos sistemas de armas, foi
surgindo a necessidade de melhores equipamentos para equipar o OAv, para que este fosse
capaz de cumprir a sua missão com a maior eficácia possível.
O desenvolvimento de equipamento para o OAv ao nível da AqObj assenta sobretudo
em equipamentos óticos. Da amostra estudada, Apêndice D, podemos retirar que os grandes
alcances, permitidos pelo poder de ampliação destes equipamentos, correspondem às
exigências da missão, sendo que os equipamentos com maior alcance são o Hand-held
Target Location Module (HTLM) pertencente ao Joint Effects Targeting System (JETS) 10,
da Leonardo DRS, e o CORAL-CR, da Elbit Systems, que conseguem detetar objetivos até
aos 10 e 11 km respetivamente. Contrastando com os equipamentos mais rudimentares que

10
Sistema que fornece ao OAv a capacidade de adquirir localizações precisas e de comunicar as mesmas de
forma instantânea para o PCT.

32
anteriormente equipavam os OAv, estes possuem diversas funcionalidades que permitem
não só um melhor desempenho, mas também uma maior cooperação com os órgãos de
comando do seu escalão. O JETS permite não só a localização e designação objetivos como
permite conectar o sistema à interface do comandante da unidade em que se integra,
permitindo ao comandante visualizar o perfil do campo de batalha, apoiando a sua decisão.
O que incrementa o contributo do OAv como conselheiro do comandante de companhia para
o AF. Estes equipamentos permitem ainda determinar distâncias e coordenadas precisas, a
orientação pelo Norte geográfico (diferente das bússolas convencionais que apontam o Norte
magnético e estão sujeitas às influências eletromagnéticas), fixar e acompanhar alvos
designados mantendo zoom progressivo, bem como realizar todas estas operações em
ambiente noturno. Equipamentos como o Sophie Ultima 11, da Thales, permitem o uso de
funcionalidades de simulação para treino das equipas OAv. Tal como os equipamentos
anteriormente utilizados estes são leves e fáceis de transportar permitindo que só um militar
seja capaz de operar o equipamento.

4.2. Tipologia de meios de AqObj

Os meios radar de AC são essenciais para a deteção e localização das posições de


Artilharia do inimigo, assim como outros objetivos na profundidade do inimigo, permitindo
às nossas forças desencadear fogos de contrabateria. Tornam-se uma ferramenta importante
para a sobrevivência das forças no campo de batalha. Da análise do mercado, bem como da
análise de doutrina nomeadamente doutrina americana (considerada de referência para o
Exército Português), verificou-se reduzida menção aos RLAM, representando uma minoria
da amostra, 13%. Podemos assim inferir que esta tipologia de radar poderá ter caído em
desuso pelas unidades de AC passando a ser utilizados pelas unidades de manobra. Ainda de
referir que na sua maioria os RLA dedicados, exclusivamente à AC, são relativamente
antigos apesar de alguns modelos terem sofrido alguns melhoramentos ao longo do tempo.
Melhoramentos estes que trazem, em alguns casos, maior alcance para AqObj, noutros maior
probabilidade de sobrevivência devido a uma menor assinatura radar. No mercado começam
a surgir os Multi Mission Radar (MMR), geralmente com capacidades centradas na defesa
antiaérea, mas também com as capacidades de um RLA. Após analisar todo o espectro do
mercado de defesa ao nível de meios de AqObj podemos entender que começa a haver um

11
Equipamento ótico binocular concebido para capacitar o OAv para a localização de objetivos, quer durante
o dia quer durante a noite.

33
abandono dos sistemas radar em primazia dos sistemas UAV, sendo que a maioria dos
radares analisados foram desenvolvidos antes de 2007 e os sistemas UAV têm sido alvo de
grandes investimentos por parte das empresas de defesa com 90% dos sistemas a serem
fabricados após esse ano (Apêndice E e F). Os UAV têm desempenhado um papel cada vez
mais importante na AC. Estes dispositivos têm a capacidade de permitir reconhecimento e
vigilância em tempo real, identificar objetivos, localizar posições de Artilharia amigas e
inimigas e detetar movimentos do inimigo. Informações que obtidas em tempo real permitem
aos comandantes das unidades de Artilharia a tomada de decisões face às alterações de
situação do campo de batalha. Além destas funcionalidades os UAV podem ser utilizados
para monitorizar pontos de origem e/ou impacto dos projéteis de Artilharia assim como
proceder à avaliação de danos. No entanto existem também desvantagens no uso destes
equipamentos, sendo estes relativamente vulneráveis no respeitante à segurança cibernética
e a sua operação requer formação especializada. Contudo os seus benefícios são inegáveis e
fundamentais para uma maior eficiência das unidades de AC, como exemplo temos o caso
atual da Guerra Rússia-Ucrânia, revolucionado a AqObj.

4.2.1. Deteção de Objetivos

A deteção de objetivos é uma capacidade crucial para a AC pois é através desta que
a AC adquire a identificação e localização dos seus objetivos. Neste âmbito são considerados
vários fatores como alcance, setores, autonomia, bem como a sobrevivência das secções que
operam os sistemas.

[Link]. Meios radar

Neste tópico será analisada a deteção de objetivos por parte dos sistemas radar, sendo
que esta assenta em duas grandes características: os alcances e os setores. Quanto ao alcance
do RLA, podemos denotar diversas capacidades de deteção consoante o calibre do sistema
de armas sendo que por norma quanto maior o calibre maior o alcance a que o radar consegue
detetar o projétil.
A Figura 5 mostra-nos que a capacidade de deteção de projéteis de AC de calibre
médio está, para 50% dos casos, entre 19 e os 45 km ainda que o valor médio fique
estabelecido nos 37 km, contudo existe ainda registo de exceções como o radar AN/TPQ-

34
47, da Raytheon, que anuncia um alcance de 60 km destacando-se dos demais. Não obstante,
consegue detetar o projétil. consegue detetar o projétil. este foi descontinuado em 2005.

Figura 5 - Distribuição dos alcances de deteção de projéteis de AC de calibre médio

De acordo com a Figura 6, para os alcances de deteção para rocket, o AN/TPQ-47 tem
o lugar de destaque conseguindo detetar até aos 100 km, sendo que em 50% dos modelos a
capacidade de deteção é entre os 27 e os 80 km, apresentando ainda um valor médio de 50
km. De referir, o radar COBRA, da Hendsoldt, para o qual foi criado um pacote de melhorias
que dá um incremento de alcance até aos 100 km bem como outras características, como a
adição de uma segunda camada de pesquisa e a utilização de filtragem automática de
tempestade de areia em ambientes hostis, o que proporciona às secções equipadas com este
radar uma capacidade acrescida de cumprir a sua missão em condições adversas.

Figura 6 - Distribuição dos alcances de deteção de Rockets

Quanto ao setor de pesquisa, existe uma uniformidade relativamente aos setores de


90° sendo que os radares mais recentes apresentam setores muito mais alargados chegando
aos 360°. Existe, todavia, vantagens na utilização de setores mais estreitos como os setores
de 90° pois estes permitem tendencialmente uma maior precisão bem como uma menor
probabilidade da secção radar ser detetada. Ao nível da quantidade de objetivos que os
radares são capazes de detetar eficazmente é um dado pouco divulgado pelos fabricantes ou
sites especializados, no entanto podemos ter como referência o radar COBRA e o Arthur,

35
Saab, que prometem detetar cerca de 100 objetivos a cada minuto ou o ELM-2084, Israel
Aerospace Industries, que deteta até 200 objetivos por minuto.

[Link]. UAV

Ao nível do seu desempenho, os UAV apresentam dois indicadores associados:


autonomia de voo e o alcance (distância de comunicação). Quanto à autonomia de voo que
o dispositivo permite realizar sem retornar ao ponto inicial para trocar baterias, esta duração
é tendencialmente entre uma e quatro horas, como podemos observar na Figura 7. Sendo que
existem diversos modelos que vão exibindo capacidades de voo que vão desde as cinco horas
até às 24 horas, não existindo destaque para nenhum intervalo depois das quatro horas.

Figura 7 - Relação entre autonomia de voo e modelos disponíveis

Quanto ao alcance, este encontra-se relacionado com a capacidade do UAV


comunicar com a unidade de controlo, assim temos dois tipos de capacidade: aqueles que
necessitam de linha de vista entre a unidade de controlo e o UAV e os que conseguem
comunicar mesmo quando não existe linha de vista. Esta características pode-se relacionar
com a autonomia de voo pois pela análise do Apêndice F temos que os modelos que
apresentam maior distância de comunicação são também aqueles que têm autonomias de voo
superiores. Sendo que a amostra detém três modelos com capacidades de comunicação fora
da linha de vista, capacidade esta que é uma mais-valia em terrenos irregulares. Ao nível das
missões de voo, os UAV estudados permitem realizar uma panóplia bastante variada de
missões com visualização de imagem em tempo real, desde missões de reconhecimento
(úteis na escolha de posições a ocupar pelas unidades de AC), de vigilância do campo de
batalha, de targeting (contribuindo para a AqObj bem como para a regulação do tiro de AC),
em alguns capazes podem contribuir para o Comando e Controlo funcionando como
retransmissores de sinal. Contudo e apesar de em constante transmissão de sinal para a
unidade de controlo, dispositivos como os UAV da BlueBird prometem baixas assinaturas
acústica, visual, térmica e radar, tornando assim dispositivos seguros, ainda que apenas 10%

36
detenham a capacidade de encriptar as suas comunicações. Quanto a necessidades do campo
de batalha, como capacidade de descolagem em espaços confinados e proteção contra
inibidores de sinal. Existe uma tendência alargada a 90% da amostra para descolagem de
UAV sem necessidade de estruturas de lançamento sendo que apenas 24% de toda amostra
tem a capacidade de descolagem vertical, característica que torna facilitado o lançamento de
UAV em aéreas urbanizadas ou espaços confinados. Os modelos ThunderB e ThunderB-
VTOL, da BlueBird, de maior alcance, 2% da amostra, possuem proteção contra inibidores
de sinal GPS, vivendo hoje numa sociedade dominada pela tecnologia, esta capacidade
torna-se indispensável para garantir a continuidade da missão.
Podemos assim dizer que os UAV apresentam capacidades distintas dos restantes
meios de AqObj. Estes dispositivos revelam também diversas vantagens ao nível de
guarnição e segurança, sendo apenas necessários dois militares para operar os mesmos e em
termos de segurança, estes terão um nível superior de segurança visto durante o manuseio
do dispositivo permanecem a distâncias superiores (face aos meios radar ou equipamentos
óticos), na ordem das dezenas de quilómetros, do UAV.

4.2.2. Sobrevivência

A sobrevivência dos meios radar no campo de batalha tem diversos fatores a


considerar, desde a facilidade e velocidade de entrada e saída de posição, alimentação do
sistema até à sua assinatura radar. Da amostra analisada temos que 53% dos radares
apresenta necessidade de estar sempre alimentado através de gerador, 13% dispõe de vários
meios de alimentação enquanto 26% apresentam a vantagem de ser alimentados unicamente
por viatura dedicada. Radares com montagem em viatura dedicada são tendencialmente os
mais capazes de efetuar entradas e saídas de posição em tempos inferiores a cinco minutos.
Já aqueles com montagem assente em tripes (ou outros) apresentam tempos de 20 minutos,
que nos tempos atuais é um risco elevado para a sobrevivência da secção radar. A assinatura
radar reduzida ou tecnologia stealth, apresentada apenas por um modelo de radar da amostra
(Arthur), é uma das características mais importantes na indústria militar, que é a redução da
capacidade do inimigo detetar e identificar viaturas, radares ou qualquer outro meio capaz
de refletir ou emitir frequências. Ou seja, um meio radar com baixa assinatura radar é muito
mais difícil de detetar sendo que o inimigo precisa estar muito mais próximo para conseguir
detetar a emissão de frequências. Relativamente a esta capacidade, existe também o
desenvolvimento de radares passivos, que por não emitirem radiação, limitando-se a fazer a

37
deteção de frequência refletida por tudo o que o rodeia. Caso o radar tenha a antena
devidamente camuflada é praticamente invisível. Fator também importante para a
sobrevivência das secções radar é a capacidade de operação remota, apesar de existir pouca
aposta nesta característica, por exemplo as secções equipadas com o AN/TPQ 36 FireFinder
ou AN/TPQ 37 FireFinder, fabricados pela Raytheon, conseguem estar até 100 metros de
distância do radar, permitindo que em caso de ataque inimigo as secções estejam a uma
distância segura aumentando a probabilidade de sobrevivência. Assim se refletirmos sobre
a falta de automatismo dos radares, podemos encontrar motivos para haver pouca aposta
nestes meios. Os UAV, pelas suas dimensões e/ou alturas de voo, detêm uma capacidade
muito superior de sobrevivência visto que a sua deteção é praticamente impossível por meios
óticos e os meios radar de Artilharia Antiaérea ou MMR ainda apresentam capacidades
reduzidas para detetar objetivos desta natureza.

4.2.3. Interoperabilidade com os restantes meios do GAC

Com o evoluir da tecnologia, os meios ao dispor da AC começaram também a ser


cada vez mais tecnológicos, assim, e para que se possa fazer uso mais eficiência das suas
propriedades e automatismos existem características pertinentes que os meios detenham. A
característica mais importante é a capacidade de interoperabilidade dos meios do GAC, isto
é, a capacidade que os meios têm de produzir e enviar dados, de forma automática. Exemplo
o radar Arthur é capaz de detetar a trajetória de um projétil, determinar com precisão a
localização do seu ponto de impacto e ponto de origem, fazer imediatamente o pedido de
tiro de contrabateria, permitindo uma resposta rápida e eficaz. Ou o exemplo do ELM-2084
que sendo MMR consegue fazer o mesmo que o Arthur permitindo também a vigia do espaço
aéreo, contribuindo para a geração da imagem de situação aérea em tempo real. Por fim,
podemos afirmar que os radares mais recentes além de mais precisos na determinação de
pontos de impacto e de origem de projéteis são igualmente capazes de fazer essa informação
chegar rapidamente aos PCT acelerando o procedimento de fogo contrabateria.
Os UAV pela sua natureza são excelentes exemplos de meios de AqObj com
capacidades elevadas de interoperabilidade, já que toda a informação captada pelo UAV é
observada em tempo real e o operador consegue exportar digitalmente toda a informação
recolhida de modo a ser usada pelos órgãos que dela necessitarem. Permitindo ao GAC reagir
às alterações da situação do campo de batalha de forma célere e atempada. Desta forma,

38
podemos afirmar que a interoperabilidade contribui de forma significativa para a
sobrevivência da força.

4.3. Síntese

A AqObj vive períodos de dificuldade em acompanhar a evolução do subsistema das


Armas de Munições. Ao nível dos meios radar, podemos percecionar uma transição da
tipologia RLA para MMR, havendo assim a cooperação da AC com a Artilharia Antiaérea,
e a tendência para o abandono da aposta na tipologia RLAM. Contudo os meios presentes
no mercado apresentam alcances reduzidos face ao aumento de alcance dos sistemas de
armas, bem como capacidades de operar limitadas devido aos setores e janelas de irradiação
permitidas serem curtos. Considerando que a única medida que permite potenciar a
sobrevivência da secção é reduzir o setor e janela de irradiação, diminuindo por sua vez o
tempo em que estes meios estão a contribuir para o cumprimento da missão. Constata-se
ainda que com a tipologia MMR existe uma maior partilha de informação entre o radar e os
restantes meios do GAC, havendo a capacidade de emissão de pedidos de tiro sem que o
operador tenha de intervir no processo.
Ao nível do OAv, este encontra-se com equipamento cada vez mais promissor, sendo
que os equipamentos óticos mais recentes e em desenvolvimento apresentam elevadas
capacidades de extração da informação observada, permitindo que o OAv dê um maior
contributo para Comando e Controlo, bem como capacidade de designar objetivos a uma
maior distância, em condições adversas ou mesmo em ambiente noturno.
Contribuindo para a AqObj, e em largo uso na Guerra Rússia-Ucrânia, temos os UAV
que revolucionam esta componente, sendo estes os únicos meios que permitem satisfazer a
componente de AqObj desde a observação do campo de batalha, à designação de objetivos
e mesmo à regulação do tiro de AC. Tendo ainda outras funcionalidades muito úteis ao
cumprimento da missão da AC, como o reconhecimento e facilitar a comunicação. Apesar
de todas as suas características de destaque no que se refere à AqObj, estes dispositivos
falham na deteção da trajetória dos projéteis, sendo que o conhecimento do seu ponto de
origem é apenas conseguido pela visualização direta do momento de disparo, ficando assim
dependente dos reflexos oculares do operador.

39
CAPÍTULO 5 – NOVAS TENDÊNCIAS DE MERCADO APLICAVÉIS
NO FUTURO DA AC PORTUGUESA

De modo responder à PD3: “Das novas tendências oferecidas pelo mercado de


defesa, quais os requisitos que melhor se adequariam à realidade da AC portuguesa do
futuro?” e a compreender a realidade da AC portuguesa identificando as suas
fragilidades em termos dos subsistemas de Armas e Munições e Aquisição de Objetivos,
foram inquiridos os Oficiais de Artilharia do Exército Português (Apêndice G). Em resposta
à Questão 1 do inquérito, 90% dos inquiridos consideraram que os subsistemas de Armas e
Munições e Aquisição de Objetivos, do Exército Português, são desatualizados, não
cumprindo com os requisitos definidos pela NATO, o que reforça a pertinência do presente
estudo.

5.1. Armas e Munições

Aos inquiridos foi questionado, quais são as características consideradas como


limitadoras ao nível dos subsistemas de Armas e Munições de AC do Exército Português.
Assim as secções seguintes irão explicitar de forma breve as lacunas encontradas bem como
as respetivas opções de melhoria.

5.1.1. Lacunas

No que concerne ao subsistema das Armas, Figura 8, 81% dos inquiridos revelam
elevada preocupação com os alcances dos sistemas de Armas do Exército Português. O
alcance dos sistemas de Armas utilizados pela AC portuguesa, M119LG, M109A5 AP e
M114A1, fica muito aquém dos requisitos NATO que estabelece um alcance mínimo de 40
km. Atualmente, a tendência de mercado neste quesito é influenciada tanto pelo tipo de
munições utilizados quanto pelo comprimento do tubo do sistema de armas. É evidente que
os sistemas de armas disponíveis no mercado, com comprimentos de tubo entre 50 e 60
calibres, possuem a capacidade de alcançar distâncias significativamente maiores em
comparação com os sistemas de armas utilizados pelo Exército Português, que possuem
comprimentos de tubo de 20, 23 e 39 calibres. Esta discrepância nos alcances pode ter um
impacto significativo nas capacidades operacionais e táticas da AC portuguesa,
especialmente quando comparada à de outros países NATO. É compreensível que se tenha

40
revelado uma preocupação expressiva, pois a limitação do alcance dos sistemas de armas
pode comprometer a efetividade das operações militares e diminuir significativamente a
capacidade de sobrevivência das unidades de AC.

71% Baixa interoperabilidade com os restantes meios dentro dos GAC


36% Necessidade de guarnições numerosas
81% Alcances reduzidos
48% Pouca mobilidade
41% Baixo nível de proteção dos serventes durante manuseamento do obus
4% Falta de automatismo
7% Obsolescência
3% Outros

Figura 8 - Respostas à Questão 2, Lacunas do subsistema das Armas

Outra grande preocupação compartilhada por 71% dos inquiridos é a falta de


interoperabilidade entre os sistemas de armas e os restantes meios utilizados. Esta questão
levanta um obstáculo significativo para a transmissão rápida e fluída de dados, especialmente
no que concerne aos elementos de tiro. Assim esta limitação impede a comunicação eficiente
e integrada entre os diferentes componentes, dificultando a coordenação e sincronização das
operações da força. Com sistemas mais avançados estes dados podem ser calculados e
enviados automaticamente do PCT para as secções, agilizando o processo, permitindo obter
uma maior eficiência dos meios.
Outra limitação, não tão acentuada, preocupantes para 48% da amostra é a baixa
mobilidade com impacto direto a prontidão e flexibilidade táticas das suas unidades. O baixo
nível de proteção a que os serventes da AC portuguesa estão sujeitos aquando do
manuseamento dos sistemas de armas constitui preocupação para 41% da amostra. Uma vez
que em dois dos três sistemas de armas em uso no Exército Português, o M119LG e
M114A1, a blindagem é inexistente e em todos eles a guarnição opera exposta ao perigos do
campo de batalha. Situação esta que está em tendencial mutação, uma vez que na sua maioria
os sistemas de armas do mercado atual são desenvolvidos para que a guarnição não necessite
de abdicar da proteção da blindagem da cabine para operar o sistema. Associada também à
proteção, com 36% dos inquiridos a revelar a sua preocupação neste sentido, temos as
numerosas guarnições que os sistemas de armas em uso pelo Exército Português necessitam
para os operar, contrastando drasticamente com os sistemas de armas mais atuais que
privilegiam guarnições reduzidas, muitas vezes limitadas a dois militares. Preocupações
minoritárias, 3% dos inquiridos, mas que ainda assim receberam menção foram a falta de

41
manutenção/upgrades aos sistemas de armas bem como a compatibilidade dos mesmo com
munições inteligentes.
Ao nível das Munições, Figura 9, é sentido alguma inquietude pela generalidade da
amostra, 87%, quanto à falta de aposta nas munições inteligentes, seja que pela
incompatibilidade dos sistemas de armas ou pelo custo associado a estas munições, o
Exército Português não possui esta tipologia de munições. O mesmo acontece com a aposta
nas espoletas inteligentes e munições convencionais melhoradas, o que constitui uma falha
para 74% e 71% dos inquiridos, respetivamente. Destacando-se neste âmbito, a tendência
para o uso de espoletas do tipo PGK que permitem munições convencionais atingirem níveis
de precisão próximos de uma munição inteligente, constituindo uma solução mais
sustentável para a força, uma vez que, pelo seu custo/benefício, nem sempre é justificável o
uso de munições inteligentes. No mercado existe uma grande emergência de projéteis que
têm na sua constituição explosivos insensíveis, proporcionando uma maior segurança para
os serventes que as manuseiam. No caso português são ainda utilizados projéteis com TNT,
o que se revela uma preocupação para 16% da amostra. Já 7% perceciona como limitação o
reduzido crédito de munições adquiridas, quer sejam destinadas ao emprego operacional
quer ao treino das guarnições. Por último uma pequena parte da amostra, 3%, discorda que
as munições sejam uma limitação da AC portuguesa ou que o problema esteja na logística
associada.

16% Projéteis pouco seguros que não seguem as tendências de mercado


87% Pouca/nenhuma aposta em munições inteligentes
74% Pouca/nenhuma aposta em espoletas inteligentes
71% Pouca/nenhuma aposta em munições convencionais melhoradas
7% Crédito de munições reduzido
3% outros

Figura 9 - Respostas à Questão 3, Lacunas do subsistema das Munições

5.1.2. Opções de melhoria

Face às lacunas apresentadas, os inquiridos foram questionados relativamente à


necessidade de aquisição de sistemas que permitam corresponder tanto aos requisitos NATO
como às tendências de mercado ao nível da defesa, estabelecendo uma comparação entre os
requisitos tidos como relevantes para novos meios da AC portuguesa com as tendências e
inovações apresentadas pelo mercado de defesa. Assim, como observado na Figura 10

42
podemos percecionar a elevada importância depositada na capacidade de bater objetivos a
distâncias superiores a 40 km, alinhando-se com a tendência fortemente demarcada pela
indústria que procura sistemas de armas com tubos cada vez mais longos e munições com
sistemas de propulsão adicional bem como cargas cada vez mais eficientes por forma a
atingir alcances cada vez maiores. Quanto ao calibre 155mm, padrão NATO, na sua maioria
a opinião dos inquiridos vai de encontro à tendência do mercado (53 votaram Importante (I)
ou Muito Importante (MI)) e apenas 10 inquiridos consideram Pouco Importante (PI) ou
Nada Importante (NI), opinião que poderá estar fundada na experiência destes militares com
sistemas de armas ligeiros como o M119LG. Destacou-se ainda a importância, dos sistemas
de armas possuírem cadências de tiro superiores a 6 TOM sendo tidos como valor médio dos
sistemas mais recentes. Quanto à dotação orgânica de munições, 48 dos inquiridos votaram
I ou MI, enquanto apenas 6 respondem PI, sendo que 22 dos inquiridos votaram
razoavelmente importante (RI). Ao nível da mobilidade considerando os resultados obtidos
considera-se que é dada grande importância à autonomia do sistema de armas, estando a
amostra entre RI e MI (17 + 24) com grande foco em I, 34 dos inquiridos. Quanto à
necessidade de autopropulsão, provavelmente motivada pelas diferentes experiências
operacionais dos inquiridos, temos 46 inquiridos a responder entre I e MI com os restantes,
30, a dividirem-se entre RI, PI e NI. Quanto à necessidade de que o sistema de tração seja
de rodas, a amostra encontra-se principalmente a responder RI ou I com 58 dos inquiridos
nesta situação.

Nada Importante Pouco Importante Razoavelmente Importante Importante M uito Importante

50
40
30
20

10
0
> 40 km = 155mm > 6 TOM < Dot M un Autonomia Autopropulsão Rodas

Figura 10 - Respostas à Questão 5, Requisitos de Melhoria para os Sistemas de Armas

Quanto à proteção dos serventes bem como a composição da guarnição, os inquiridos


mostraram de forma evidente (Figura 11), tal como se encontra espelhado no mercado de
defesa, a necessidade premente de guarnições mais reduzidas, 52 respondem MI + I face aos
restantes 24 (NI + PI + RI) e capazes de operar o sistema de armas partir do interior da cabine

43
com 68 resposta entre RI e I. Sendo que cerca de um terço dos inquiridos revela que apesar
do ênfase dado à proteção, o facto de a guarnição operar no exterior da cabine não
constituiria um fator limitante na avaliação de novos sistemas de armas. Ao nível da proteção
e segurança conferidas pela cabine, é demonstrada, com destaque, preocupação com a
presença de blindagens capazes de proteger a guarnição com 57 resposta em I e MI. Retira-
se também que relativamente à necessidade de proteção NBQ os inquiridos responderam de
forma equilibrada entre RI, I e MI, havendo apenas 8 inquiridos a desconsiderar esta
característica como preocupação. Assim podemos dizer que relativamente à blindagem as
necessidades sentidas vão de encontro à evolução do mercado de defesa, no entanto, a
proteção NBQ está muito presente no mercado sendo uma das tipologias que se encontra
praticamente sempre presente quer por predefinição ou por pacote de upgrade.

Nada Importante Pouco Importante Razoavelmente Importante Importante M uito Importante

35

30

25

20

15

10

0
NBQ / Arma Defesa Blindagem Nº Serventes Operar no interior

Figura 11 - Respostas à Questão 5, Requisitos de Melhoria para os Sistemas de Armas (Continuação)

Ao nível das munições, como na Figura 12, conseguimos perceber uma maior
preocupação nas características que privilegiam o efeito no objetivo, denominadamente
alcances, precisão e letalidade. O mercado de defesa procura a produção de projéteis cada
vez mais seguros de manusear, no entanto, cerca de 29 dos inquiridos atribui classificações
de NI, PI e RI, respostas que poderão estar influenciadas pelo desconhecimento destas
munições. Relativamente à letalidade, 47 I + MI, tal como acontece no mercado com a
procura de explosivos mais potentes ou a introdução da pré-fragmentação, também os
inquiridos afirmaram ter grande preocupação com a letalidade das suas munições. A esta
preocupação podemos associar a elevada precisão (55, I + MI) que se declara uma grande
necessidade e critério de compra ao nível das munições. Bem como o alcance segundo o
qual foram abordados os sistemas de propulsão adicional que 53 respostas I e PI face a 23

44
em RI e PI, revelam-se assim grandes preocupações neste âmbito. Nomeadamente, a
importância de se investir em munições que tenham na sua constituição projéteis com
compostos explosivos mais letais (47, I + MI) indo assim de encontro com a tendência
traçada pelo desenvolvimento da indústria. Ao nível das espoletas e projéteis inteligentes
bem como munições convencionais com espoletas inteligentes, existe uma grande parte dos
inquiridos que considera estas características sendo que 57 dos inquiridos respondem com I
ou MI, havendo, no entanto, mais ênfase para as munições inteligentes. Analisando a
tipologia de objetivos prevista pelos inquiridos para o emprego das munições de AC
conseguimos perceber alguma divergência de opiniões, havendo um equilíbrio entre aqueles
que consideram mais importante o emprego contra carros de combate e viaturas blindadas
(57, I + MI) e os que consideram prioritários os objetivos com baixo nível de proteção (56,
RI + I).

Nada Importante Pouco Importante Razoavelmente Importante Importante M uito Importante

40
35
30
25
20
15
10
5
0

Figura 12 - Respostas à Questão 6, Requisitos de Melhoria para os Munições

Em suma quanto ao subsistema de Armas e Munições de AC, podemos afirmar que


na sua generalidade as necessidades sentidas pelos inquiridos vão de encontro aos avanços
e preocupações da indústria da defesa. Os requisitos que se destacam como prioritários para
o caso português são o alcance do sistema de armas superior a 40 km, cadências de tiro
superiores a 6 TOM, cabines das viaturas com blindagem para proteção da guarnição e o
requisito fulcral pela situação vivenciada pelo Exército Português na atualidade, necessidade
de baixo número de serventes para operar o sistema de armas devido à dificuldade de
recrutamento vivenciada. No âmbito das munições, que melhor satisfariam as necessidades
AC portuguesa, os inquiridos revelam grandes níveis de preocupação com a letalidade e

45
requisitos associados, sendo a resolução para esta tipologia de necessidade assente na
aquisição de projéteis e espoletas inteligentes bem como projéteis convencionais
melhorados. Não obstante existe a preocupação de que os projéteis detenham sistemas
auxiliares de propulsão permitindo um incremento aos alcances permitidos pelos sistemas
de armas.

5.2. AqObj

5.2.1. Lacunas

No domínio do subsistema de AqObj, Figura 13, há preocupação elevadíssima quanto


às suas capacidades de interoperabilidade, 81% dos inquiridos, capacidades estas que
poderão refletir-se na efetividade dos sistemas de armas. É também alvo de preocupação,
por parte de 58% dos inquiridos, os alcances de deteção reduzidos que a AqObj da AC
portuguesa detém, sendo que estes não acompanham as necessidades impostas pelo campo
de batalha. Existe também alguma preocupação com a capacidade de detetar grandes
quantidades de objetivos em simultâneo (49%), não esquecendo a elevada assinatura radar
que os meios radar detêm (36%), bem como a necessidade que a maioria dos meios apresenta
de ter uma viatura dedicada a si (28%), quer para deslocamento quer para fins de alimentação
do sistema. Lacunas estas que podem ser, perfeitamente, colmatadas pelo emprego de UAV
que irão permitir não só a vigilância de uma maior aérea e de forma mais detalhada assim
como uma maior capacidade de designar objetivos. Detendo ainda outras duas capacidades
essenciais para a AC, o reconhecimento para a escolha de posições a ocupar e a regulação
do tiro de AC. Preocupações minoritárias reveladas com 7%, foram a falta de automatismo
que os meios radar ao serviço no Exército Português apresentam bem como a sua
obsolescência, a pouca/nenhuma aposta feita na aquisição de UAV bem como os custos
imputados à componente de AqObj.

81% Baixa interoperabilidade com os restantes meios dentro dos GAC


58% Alcances reduzidos
49% Capacidade de adquirir múltiplos objetivos é reduzida
36% Elevada assinatura radar
28% Necessidade de viatura dedicada
7% Outros

Figura 13 - Respostas à Questão 4, Lacunas do subsistema da Aquisição de Objetivos

46
5.2.2. Opções de melhoria

Face às necessidades apontadas como importantes para uma AqObj mais capaz existe
a carência de equipamentos mais desenvolvidos. Após análise dos resultados do inquérito,
Figura 14, podemos inferir que os inquiridos manifestaram dois requisitos de elevada
importância para potenciar a AqObj, sendo eles a capacidade de deteção de objetivos a
distâncias superiores a 20 km (71, I + MI) e capacidade de interoperabilidade com os
restantes meios da força (65, I + MI). Quanto à capacidade de deteção de objetivos múltiplos,
podemos afirmar que se revela uma grande importância para os inquiridos com 72 resposta
I e MI. Ao nível dos setores de pesquisa e à sua necessidade de serem maiores que 90˚, 54
dos inquiridos respondem ser I ou MI enquanto os restantes dividem-se entre as respostas RI
e PI. A adaptabilidade a uma viatura não especifica temos 56 dos inquiridos a demonstrar I
ou MI enquanto 32 RI e os restantes PI. Já ao nível da fonte de alimentação e à necessidade
que estes meios devem ter de alimentação própria, os inquiridos dividem-se com 18 RI, 37
I e 19 MI.

Nada Importante Pouco Importante Razoavelmente Importante Importante M uito Importante

70
60
50
40
30
20
10
0
> 20km Deteção Obj > 90˚ Adaptabilidade Alimentação Interoperabilidade
Viat Própria

Figura 14 - Respostas à Questão 7, Requisitos de Melhoria para a Aquisição de Objetivos

Em síntese, em relação à AqObj revela-se enorme preocupação com a


interoperabilidade que os meios de AqObj devem ter com os restantes meios do GAC assim
como a capacidade de detetar objetivos a distâncias superiores a 20 km. Quanto aos setores
e capacidade de deteção de múltiplos objetivos estas não sendo as mais importantes são as
que se destacam em segundo lugar. Poderá também ser um fator privilegiado, no entanto não
decisivo, a capacidade que o radar tem para se adaptar a viaturas já existentes bem como
possuir fonte de alimentação própria.

47
CONCLUSÕES

O presente trabalho de investigação tem por objetivo identificar os requisitos que as


componentes de AqObj e Armas e Munições do Sistema de AC portuguesa deverão ter, face
às necessidades e tipologia de missões do futuro.
Face à crescente taxa de inoperacionalidade dos GAC portugueses, quer seja devido
à falta de sobresselentes para execução da manutenção, falta de guarnições para operar os
sistemas de armas ou à inadequabilidade dos meios tendo em consideração a realidade do
campo de batalha na atualidade. Esta investigação procurou perceber quais as tendências de
mercado de defesa ao nível dos subsistemas das Armas e Munições e AqObj, bem como
proceder à identificação das lacunas da AC portuguesa e consequentes possibilidades de
melhoria.
Pode ser afirmado que o mercado de defesa, ao nível das Armas e Munições sofreu
um avanço tecnológico enorme face à tipologia de sistemas de armas ou munições que
existiam aquando da aquisição dos meios que atualmente equipam as unidades de AC
portuguesas. O desenvolvimento de sistemas de armas está direcionado para que seja
possível bater objetivos a distâncias cada vez maiores, existindo também a preocupação de
compatibilidade de recursos padronizando o calibre 155mm. Quanto à mobilidade,
percebemos o abandono dos sistemas de armas rebocados privilegiando a utilização de
reparos de rodas, fator que permite a redução do número de serventes empenhados na secção,
bem como a possibilidade de operar os sistemas sob a proteção da cabine blindada da viatura.
Ao nível das munições, o mercado sofreu largas alterações desde os alcances permitidos à
tipologia de explosivos utilizados. Existe uma grande tendência para a procura de munições
com projéteis com explosivos insensíveis, a possibilidade do uso de sistemas auxiliares de
propulsão bem como de cargas propulsoras mais potentes com vista a potenciar maiores
alcances. Com os grandes alcances surge a preocupação com a precisão, para tal o mercado
oferece espoletas inteligentes que permitem a um projétil convencional obter precisões
próximas dos projéteis inteligentes. Já para os projéteis inteligentes a tendência é para o uso
duplicado de sistemas de guiamento por forma a permitir que, mesmo com condições
adversas, o projétil consiga atingir o objetivo pretendido. Quanto à AqObj, salienta-se
sobretudo a “cooperação”, ao nível da localização de armas, entre a AC e a Artilharia
Antiaérea, cujos radares passam a apresentar a valência de detetar e localizar não só
aeronaves, mas também os projéteis de AC. Destaca-se para a finalidade de AqObj e
48
regulação de tiro, o UAV que permite cumprir a missão com menor quantidade de recursos.
Este permite o reconhecimento de novas posições, vigilância do campo de batalha bem como
a regulação do tiro e avaliação de danos a distâncias muito superiores às permitidas pelos
radares, com a vantagem de necessitar apenas de dois militares para o operar. Apresentando
ainda uma larga capacidade de interoperabilidade com os restantes meios do GAC,
permitindo a partilha de dados de forma instantânea.
O OAv continua a exercer um papel fundamental para a AqObj. No mercado
encontramos equipamentos óticos muito superiores aos que foram, outrora, adquiridos pelo
Exército Português, sendo que estes apresentam capacidades de deteção a distâncias de 10
km, tendo a capacidade de fazer, também, a medição de distâncias bem com a designação
laser do objetivo. Outra capacidade inovadora é a possibilidade de operar em condições de
visibilidade reduzida.
Do inquérito realizado aos Oficiais de Artilharia, foi possível retirar que as principais
lacunas sentidas são ao nível dos alcances dos sistemas de armas, a baixa mobilidade, o baixo
nível de proteção dos serventes durante o manuseio do obus, bem como a necessidade de
guarnições numerosas. Ao nível das munições a falta de aposta em munições e espoletas
inteligentes constitui o fator mais limitador apontado. Já ao nível da AqObj manifestam-se
dificuldades com os alcances e capacidade de deteção de múltiplos objetivos. De modo geral
foi reportada a falta de interoperabilidade dos meios dentro dos GAC. Com recurso ao
inquérito, podemos, ainda, afirmar que os requisitos mais pertinentes para as Armas são a
capacidade de bater distâncias superiores a 40km, fazendo uso de sistemas de armas com
guarnições reduzidas assim como a possibilidade de ser operados no interior das suas
cabines. Ao nível das Munições, destacam-se a necessidade de aquisição de munições com
projéteis com níveis de letalidade aumentada bem como o uso de munições e espoletas
inteligentes, com possibilidade de fazer uso de sistemas de propulsão adicional para
incremento do seu alcance. Ao nível da AqObj, a interoperabilidade é de longe a capacidade
mais requerida, seguida da necessidade de adquirir objetivos a distâncias superiores a 20 km
assim recomenda-se a reforma das táticas e alterações aos QO por forma a incluir o uso
de UAV que permitem o emprego eficiente dos sistemas de armas e munições, detendo
ainda outras funcionalidades.
No desenvolvimento do presente trabalho foram sentidas grandes limitações ao nível
da obtenção de dados nos sites das empresas da defesa, dificuldades que limitaram a coleta
de dados e consequentemente poderá ter impactado a profundidade e abrangência da
investigação.

49
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56
Apêndice A - Listagem Sistemas de Armas (Amostra A)

Tabela 2 - Comparação técnica dos sistemas de armas (amostra A)

Designação Origem Ano Calibre Comprimento tubo Autonomia Tração

2A36 Giatsint-B União Soviética 1975 152 mm 54 calibres ------------ Rebocado

2A65 Msta-B União Soviética 1986 152 mm 54 calibres ------------ Rebocado

2S1 Gvosdika União Soviética 1971 122 mm -------------------- 500 km Lagartas

2S19 Msta-S União Soviética 1989 152 mm 47 calibres 500 km Lagartas

2S19M1-155 Msta-S Rússia 2006 155 mm 52 calibres 500 km Lagartas

2S3 Akatsiya União Soviética 1971 152 mm 27 calibres 500 km Lagartas

2S33 Msta-SM2 Rússia 2017 152 mm 60 calibres 500 km Lagartas

2S35 Koalitsiya-SV Rússia 2006 152 mm 52 calibres 500 km Lagartas

2S35-1 Koalitsiya-SV Rússia 2015 152 mm 52 calibres 500 km Rodas

2S43 Malva Rússia 2020 152 mm -------------------- 1000 km Rodas

2S5 Giatsint União Soviética 1976 152 mm 54 calibres 500 km Lagartas

2S7 Pion União Soviética 1976 203 mm -------------------- 500 km Lagartas

AH-4 China 2014 155 mm 39 calibres ------------ Rebocado

AHS Krab Polónia 2012 155 mm 51 calibres 650 km Lagartas

Aleksandar Sérvia 2017 155 mm 52 calibres 800 km Rodas

Archer Suécia 2013 155 mm 52 calibres 500 km Rodas

Arjun Catapult Índia 2014 130 mm 28 calibres 450 km Lagartas


Artillery Gun Module
Alemanha 2004 155 mm 52 calibres 480 km Lagartas
(AGM)
AS9 Huntsman Austrália 2021 155 mm 52 calibres 480 km Lagartas

AS90 Reino Unido 1993 155 mm 39 calibres 350 km Lagartas

ATAGS Índia 2019 155 mm 52 calibres ------------ Rebocado

ATMOS 2000 Israel 2006 155 mm 52 calibres 1000 km Rodas

ATROM Roménia 2003 155 mm 52 calibres 800 km Rodas

AU-F1 GCT França 1977 155 mm 40 calibres 500 km Lagartas

Bereg Rússia 2003 130 mm 54 calibres 650 km Rodas

Bogdana Ucrânia 2022 155 mm 52 calibres 1000 km Rodas

Boxer RCH 155 Alemanha 2014 155 mm 52 calibres 1000 km Rodas

CAESAR 6x6 França 2006 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

CAESAR 6x6 Mk2 Francês 2024-26 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

CAESAR 8x8 Francês 2019 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

D-20 União Soviética 1955 152 mm 26 calibres ------------ Rebocado

D-30 Rússia 1960 122 mm 38 calibres ------------ Rebocado

DANA Républica Checa 1981 152 mm 39 calibres 650 km Rodas

DANA M1 CZ Républica Checa 2017 152 mm 39 calibres 600 km Rodas

Danush Índia 2019 155 mm 45 calibres ------------ Rebocado

I
Designação Origem Ano Calibre Comprimento tubo Autonomia Tração

Diana Polónia + Eslováquia 2015 155 mm 52 calibres 650 km Lagartas

Dita Républica Checa 2021 155 mm 45 calibres 600 km Rodas

Donar Alemanha + EUA 2008 155 mm 52 calibres 500 km Lagartas

EVA Eslováquia 2015 155 mm 52 calibres 600 km Rodas


Reino Unido + Alemanha
FH-70 1980 155 mm 39 calibres ------------ Rebocado
+ Itália
FH-77 Suécia 1978 155 mm 38 calibres ------------ Rebocado

G6 Rhino África do Sul 1987 155 mm 45 calibres 700 km Rodas

G6-52 África do Sul 2003 155 mm 52 calibres 700 km Rodas

GC-45 Canada 1977 155 mm 45 calibres ------------ Rebocado

Hawkeye EUA 2016 105 mm 27 calibres 400 km Rodas

HX 3 10x10 Alemanhã 2024 155 mm 52 calibres 700 km Rodas

Jupiter III China 2006 122 mm 38 calibres 450 km Rodas

Jupiter IV China 2006 122 mm 45 calibres 450 km Rodas

Jupiter V China 2006 130 mm 58 calibres 450 km Rodas

K9 A2 Thunder Coreia do Sul 1999 155 mm 52 calibres 480 km Lagartas

KH-179 Coreia do Sul 1983 155 mm 39 calibres ------------ Rebocado

Khalifa Sudão 2013 122 mm 38 calibres 450 km Rodas

Kryl Polónia 2014 155 mm 52 calibres 500 km Rodas

L118 Reino Unido 1971 105 mm 37 calibres ------------ Rebocado

L119 Reino Unido 1980 105 mm 20 calibres ------------ Rebocado

M101 EUA 1941 105 mm 22,5 calibres ------------ Rebocado

M107 EUA 1962 175 mm 60 calibres 720 km Lagartas

M108 EUA 1962 105 mm 30 calibres 386 km Lagartas

M109 EUA 1963 155 mm 23 calibres 390 km Lagartas

M109 A7 EUA 2018 155 mm 39 calibres 322 km Lagartas

M109A6 Paladin EUA 1991 155 mm 39 calibres 350 km Lagartas

M110 EUA 1961 203 mm 25 calibres 520 km Lagartas

M119 EUA 1989 105 mm 20 calibres ------------ Rebocado

M1974 Coreia do Norte 1974 152 mm 26 calibres 400 km Lagartas

M1977 Coreia do Norte 1977 122 mm 38 calibres 400 km Lagartas

M1978 Koksan Coreia do Norte 1978 170 mm 300 km Lagartas

M198 EUA 1979 155 mm 39 calibres ------------ Rebocado

M1981 Coreia do Norte 1981 122 mm 52 calibres 450 km Lagartas

M1989 Coreia do Norte 1989 170 mm -------------------- 300 km Lagartas

M1992 Coreia do Sul 1992 130 mm -------------------- 450 km Lagartas

M-46 União Soviética 1954 130 mm 58 calibres ------------ Rebocado

M52T Turquia 1995 155 mm 39 calibres 500 km Lagartas

M777 Reino Unido + EUA 2005 155 mm 39 calibres ------------ Rebocado

Morana Républica Checa 2022 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

NORA B-52 Sérvia 2007 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

Palmaria Itália 1982 155 mm 39 calibres 500 km Lagartas

II
Designação Origem Ano Calibre Comprimento tubo Autonomia Tração

PCL-09 China 2009 122 mm 38 calibres 600 km Rodas

PCL-161 China 2021 122 mm 38 calibres 600 km Rodas

PCL-171 China 2020 122 mm 38 calibres 700 km Rodas

PCL-181 China 2019 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

PL-66 China 1966 152 mm 26 calibres ------------ Rebocado

PL-96 China 1996 122 mm 38 calibres ------------ Rebocado

PLL-01 China 1991 155 mm 45 calibres ------------ Rebocado

PLL-09 China 2009 122 mm 32 calibres 800 km Rodas

PLZ-05 China 2008 155 mm 52 calibres 550 km Lagartas

PLZ-07 China 2009 122 mm 32 calibres 500 km Lagartas

PLZ-07B China 2007 122 mm 38 calibres 500 km Lagartas

PLZ-45 China 1997 155 mm 45 calibres 550 km Lagartas

PLZ-45A4 China 2022 155 mm 45 calibres 500 km Lagartas

PLZ-52 China 2014 155 mm 52 calibres 550 km Lagartas

Porcupine Itália 2011 155 mm 39 calibres 800 km Rodas

Pzh2000 Alemanha 1998 155 mm 52 calibres 420 km Lagartas

Raad 1 Irão 1996 122 mm -------------------- 500 km Lagartas

RCH 155 Alemanha 2014 155 mm 52 calibres 700 km Rodas

Semser Israel + Cazaquistão 2008 122 mm 38 calibres 1000 km Lagartas

SH-1 China 2007 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

SH-11 China 2018 155 mm 39 calibres 800 km Rodas

SH-15 China 2019 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

SH-1A China 2017 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

SH-2 China 2020 122 mm 38 calibres 600 km Rodas

SH-3 China 2007 122 mm 32 calibres 500 km Lagartas

Sigma Israel 2021 155 mm 52 calibres 480 km Rodas

SORA Sérvia 2015 122 mm -------------------- 500 km Rodas

SSPH-1 Primus Singapura 2004 155 mm 39 calibres 350 km Lagartas

T-155 Firtina Turquia 2012 155 mm 52 calibres 400 km Lagartas

TAM VCA Argentina 1990 155 mm 39 calibres 550 km Lagartas

Trajan França 2011 155 mm 52 calibres ------------ Rebocado

TR-F1 França 1989 155 mm 40 calibres ------------ Rebocado

Type 19 Japão 2019 155 mm 52 calibres 800 km Rodas

Type 70-I China 1970 122 mm -------------------- 450 km Lagartas

Type 75 Japão 1975 155 mm 30 calibres 300 km Lagartas

Type 83 China 1983 152 mm 27 calibres 450 km Lagartas

Type 86 China 1986 122 mm 38 calibres ------------ Rebocado

Type 89 China 1999 122 mm 32 calibres 500 km Lagartas

Type 99 Japão 1999 155 mm 52 calibres 500 km Lagartas

XM1299/ERCA EUA 2019 155 mm 58 calibres 320 km Lagartas

Zuzana Eslováquia 1998 155 mm 45 calibres 750 km Rodas

Zuzana 2 Eslováquia 2021 155 mm 52 calibres 600 km Rodas

III
Apêndice B - Listagem Sistemas de Armas (Amostra B)

Tabela 3 - Comparação técnica dos sistemas de armas (amostra A)

Designação Ano Fabricante Calibre Comprimento tubo Alcances TOM Dot Mun Tração Proteção Blindagem Guarnição

30 km Standard NBQ + Arma


JSC Central Research 8 tom Pequenos calibres + 3 - Operado no
2S35-1 Koalitsiya-SV 2015 152 mm 52 calibres 40 km RAP 60-70mun Rodas secundária 12,7mm
Institute Burevestnik Full auto Fragmentos interior
50 km Precision controlo remoto
NBQ + Arma
30 km Standard 5 tom Pequenos calibres + 4 - Operado no
AHS Krab 2012 HSW 155 mm 51 calibres 40mun Lagartas Secundária 12,7mm
40 km RAP Full auto Fragmentos interior
controlo remoto
30 km Standard 6 tom Arma Secundária Pequenos calibres + 3 - Operado no
Aleksandar 2017 Yugoimport 155 mm 52 calibres 24mun Rodas
52 km VLAP Full Auto 12,7mm Fragmentos interior
34 km Bonus 20mun Auto Load + Reab NBQ + Arma Minas + Munição
8-9 tom 4 - Operado no
Archer 2013 BAE Systems 155 mm 52 calibres 40 km Standard 8min por pessoal Rodas secundária 12,7mm Perfurante +
Full auto interior
60 km Excalibur designado controlo remoto Estilhaços Art
30 km Standard 4-9 tom
Soltam / Elbit Pequenos calibres + 4 a 6 - Operado no
ATMOS 2000 2006 155 mm 52 calibres 41 km Extended Semi/ 32mun Rodas ----------------
Systems Fragmentos exterior
56 km RAP Full auto
4-6 tom
34 km Bonus Arma secundária Pequenos calibres + 6 - Operado no
CAESAR 6x6 2006 NEXTER Group 155 mm 52 calibres Semi 18mun Rodas
42 km RAP 12,7mm opcional Fragmentos exterior
Auto
Minas + Máximo
2024- 34 km Bonus 6 tom Arma secundária 5 a 6 - Operado no
CAESAR 6x6 Mk2 NEXTER Group 155 mm 52 calibres ---------------- Rodas 7,62mm Perfurante
26 42 km RAP Semi auto 12,7mm opcional exterior
+ Fragmentos
34 km Bonus 6-8 tom Minas + Máximo 3 full auto / 5 semi
Arma secundária
CAESAR 8x8 2019 NEXTER Group 155 mm 52 calibres 42 km RAP Semi/ 30-36mun Rodas 7,62mm Perfurante auto - Operado no
12,7mm opcional
55 km VLAP Full auto + Fragmentos exterior
5 tom NBQ + Arma Pequenos calibres + 4 - Operado no
Diana 2015 Konstrukta Defence 155 mm 52 calibres 41 km 62mun Lagartas
Full auto Secundária 12,7mm Fragmentos interior
NBQ + Arma
secundária
39 km Base Bleed 6 tom Pequenos calibres + 2 a 3 - Operado no
Dita 2021 Excalibur Army 155 mm 45 calibres 40mun Rodas 7,62mm/12,7mm
50 km Standard Full Auto Fragmentos interior
opcional controlo
remoto
NBQ + Arma
50 km Standard 10 tom 39mun + Ammo Pequenos calibres + 4 - Operado no
ERCA 2024 BAE Systems 155 mm 58 calibres Lagartas Secundária 12,7mm
70 km Extend Full auto Resupply Vehicle Fragmentos interior
controlo remoto
30 km Standard NBQ (Opcional) +
4 tom Pequenos calibres + 6 - Operado no
G6 Rhino 1987 Denel Land Systems 155 mm 45 calibres 39 km RAP 47mun Rodas Arma secundária
Semi auto Fragmentos interior
50 km Extended 12,7mm
Minas + Máximo
6 tom 48mun + Ammo NBQ + Arma 5 - Operado no
G6-52 2003 Denel Land Systems 155 mm 52 calibres 58 km VLAP Rodas 7,62mm Perfurante
Full Auto Resupply Semi Auto Secundária 7,62mm interior
+ Fragmentos

IV
Designação Ano Fabricante Calibre Comprimento tubo Alcances TOM Dot Mun Tração Proteção Blindagem Guarnição

AM General + 11,5 km Standard 8-10 tom Arma Secundária 3 - Operado no


Hawkeye 2016 105 mm 27 calibres ---------------- Rodas ----------------
Mandus Group 15 km RAP Full auto Opcional interior
Minas + Máximo
Rheinmetall MAN 40 km Base Bleed 8 tom Arma secundária 2 - Operado no
HX 3 10x10 2024 155 mm 52 calibres 40mun Rodas 7,62mm Perfurante
Military Vehicles 60 km VLAP Full auto 12,7mm opcional interior
+ Fragmentos
Minas Antipessoal
NBQ + Arma
30 km Standard 6-8 tom 48mun + K10 Ammo + 14,5mm 5 - Operado no
K9 A2 Thunder 1999 Hanwha Systems 155 mm 52 calibres Lagartas secundária controlo
40 km RAP Full auto Resupply Full Auto perfurantes + interior
remoto
Estilhaços Art
24 km Standard NBQ + Arma
4 tom 39mun + Reab M992 A3 Pequenos calibres + 4 a 5 - Operado no
M109 A7 2018 BAE Systems 155 mm 39 calibres 30 km RAP Lagartas secundária 12,7mm
Full auto Ammo carrier Fragmentos interior
40 km Excalibur controlo remoto
25 km Standard NBQ + Arma
4-5 tom 30mun + PCZ-45 com 5 - Operado no
PLZ-45 1997 NORINCO Group 155 mm 45 calibres 39 km Extended Lagartas secundária controlo ----------
Full auto esteira rolante interior
50 km RAP remoto
30 km Standard NBQ + Arma
8-10 tom Pequenos calibres + 4 a 5 - Operado no
PLZ-52 2014 NORINCO Group 155 mm 52 calibres 40 km Extended 30mun + PCZ-52 90mun Lagartas secundária controlo
Full auto Fragmentos interior
53 km RAP remoto
30 km Standard NBQ + Arma Reativa 5 - Operado no
10 tom 60mun + 12min para
Pzh2000 1998 KMW 155 mm 52 calibres 40 km Base Bleed Lagartas secundária c/ controlo All-round interior exceto
Full auto recargar pela traseira
54 km VLAP remoto Estilhaços Art apontador ML
Arma Secundária
40 km Standard 9 tom 2 - Operado no
RCH 155 2014 KMW 155 mm 52 calibres 30mun Rodas 12,7mm controlo ----------------
54 km VLAP Full auto interior
remoto
30 km Standard 8-10 tom 3 - Operado no
Sigma 2021 Elbit Systems 155 mm 52 calibres ---------------- Rodas NBQ ----------------
40 km RAP Full auto interior
Military Technical 6 tom 5 - Operado no
SORA 2015 122 mm -------------------- 15 km-21 km 40mun Rodas ---------------- -------------------
Institute Full Auto interior
Mitsubishi Heavy 30 km Standard Type 99 Ammo Resupply Arma secundária Pequenos calibres + 4 - Operado no
Type 99 1999 155 mm 52 calibres 6 tom Lagartas
Industries 38 km RAP Vehicle 12,7mm Fragmentos interior
5 - 6 tom NBQ + Arma Pequenos calibres + 4 - Operado no
Zuzana 2 2021 Konstrukta Defence 155 mm 52 calibres 41 km 40mun Rodas
Full auto Secundária 12,7mm Fragmentos interior

V
Apêndice C - Listagem de Munições

Tabela 4 - Comparação técnica das munições de AC

Designação Origem Ano Fabricante Calibre Peso (Kg) Carga Explosiva (Kg) Composto Guiamento Propulsão Alcance (km) Objetivos Observações
Alvos pouco erro 0,5% da
155 mm HE Noruega 2016 Nammo 155 mm 42,5 9 TNT -------------- -------------- 24
protegidos distância
HB L52 - 32
Hollow base / L39 - 24 Alvos pouco
155 mm HE-ER Noruega 2016 Nammo 155 mm 44,4 9 TNT/Composto B -------------- --------------
Base Bleed BB L52 - 41 protegidos
L39 - 30
Explosivo
155 mm IM HE-ER Noruega 2016 Nammo 155 mm 44,4 10 -------------- -------------- -------------- -------------- --------------
insensível
Alvos em
Tula Design Semi Active CC + Viat
2K25 Krasnopol Rússia 1986 152/155 mm 51 6,5 ----------------- Base Bleed 20 movimento até
Bureau Laser Blindadas
36km/h
CC + Viat
FKP NII Semi Active Estimadas 3mun
30F75 Santimetr Rússia 1980 152 mm 41 10 ----------------- -------------- 18 Blindadas +
'Geodeziya' Laser para abater um alvo
Fortificações
CC + Viat
FKP NII Semi Active Estimadas 3mun
30F75 Santimetr M1 Rússia 1980 155 mm 40,9 12 ----------------- -------------- 20 Blindadas +
'Geodeziya' Laser para abater um alvo
Fortificações
Boeing Phantom
Boeing Ramjet 155 Noruega 2022 155 mm ----------------- ----------------- -------------- Ramjet 80 -------------- --------------
Works + Nammo
BAE Systems + Sensor Fuze (2 L52 - 35
Bonus França ------ 155 mm 44,6 6,5 (cada submunição) ----------------- Base Bleed Viat Blindadas Fire & Forget
Nexter Group submunições) L39 - 27
Explosivo
ER02A1 Espanha 2021 EXPAL 155 mm ---------- ----------------- -------------- Base Bleed 40 -------------- --------------
insensível
HE L15A1 EUA ------ Simmel Difesa 155 mm 43,5 11,3 TNT/Composto B -------------- -------------- -------------- -------------- --------------
Tula Design Semi Active CC + Viat
Krasnopol M2 Rússia 2006 155 mm 54 11 ----------------- Base Bleed 25
Bureau Laser Blindadas
LU 211 B-BB França ------ Nexter Group 155 mm 43,9 8,8 Composto B -------------- Base Bleed 40 -------------- --------------

LU 211 B-HB França ------ Nexter Group 155 mm 42,5 8,8 Composto B -------------- Hollow base 30 viat Blindadas --------------

LU 211 IM-BB França ------ Nexter Group 155 mm 43,9 8,8 XF 13333 -------------- Base Bleed 40 -------------- --------------

LU 211 IM-HB França ------ Nexter Group 155 mm 42,5 8,8 XF 13333 -------------- Hollow base 30 -------------- --------------
Base Bleed L52 - 40 Alvos pouco
M0121A1 IHE Austrália 2020 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- PBX (insensível) -------------- --------------
(opcional) L39 - 31 protegidos
Letalidade
Base Bleed L52 - 40 Alvos pouco
M0603A1 IHE PFF Austrália 2020 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- PBX (insensível) -------------- aumentada (pré-
(opcional) L39 - 32 protegidos
fragmentação)
General Dynamics
M107 EUA ------ 155 mm 43,2 6,6 TNT/Composto B -------------- -------------- 18,7 -------------- Baixo custo
Ordnance
Base Bleed L52 - 40 Alvos pouco
M2000A1 HE Austrália 2020 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- TNT -------------- --------------
(opcional) L39 - 30 protegidos

VI
Designação Origem Ano Fabricante Calibre Peso (kg) Carga Explosiva (kg) Composto Guiamento Propulsão Alcance (km) Objetivos Observações
Base Bleed + Alvos pouco
M2005 V-LAP Austrália 2017 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- TNT -------------- 54 --------------
Rocket Assist protegidos
Alvos pouco
M401 Israel ------ Elbit Systems 155 mm ---------- 12 TNT -------------- Base Bleed 28-36 --------------
protegidos
Alvos pouco Super HE + Pré-
M454 Israel 2012 Elbit Systems 155 mm ---------- ----------------- ----------------- -------------- -------------- 22-28
protegidos fragmentação
Alvos pouco 200% mais eficaz
M481 Israel ------ Elbit Systems 155 mm ---------- 10,5 TNT -------------- -------------- 31
protegidos que a M107
Semi Active CC + Viat
M712 Copperhead EUA 1972 Lockheed Martin 155 mm ---------- ----------------- Composto B -------------- 16 --------------
Laser Blindadas
General Dynamics IMX previne
M795 EUA ------ 155 mm 46,7 10,8 TNT / IMX-101 -------------- 22,5 --------------
Ordnance detonação acidental
Raytheon Missiles L58 - 70 Erro menor que 2m
M982 Excalibur EUA 2007 & Defense + BAE 155 mm 48 22 ----------------- GPS -------------- L52 - 50 -------------- + All Weather +
Systems Bofor L39 - 40 GPS Jam resistent
General Dynamics
Ordnance + IR + radar (2 CC + Viat
SMArt 155 Alemanha 1998 155 mm 47 4,2 ----------------- -------------- 27,5 Fire & Forget
Tactical Systems + submunições) Blindadas
GIWS
Leonardo Defense GPS + Semi L52 - 50 Alvos pouco Erro menor que 5m
Vulcano BER Alemanha 2017 155 mm ---------- ----------------- ----------------- --------------
Systems Active Laser L39 - 36 protegidos + 90º fall
Leonardo Defense GPS + Semi L52 - 70 Alvos pouco
Vulcano GLR Alemanha 2017 155 mm ---------- ----------------- ----------------- -------------- --------------
Systems Active Laser L39 - 55 protegidos
General Dynamics Explosivo
XM1113 EUA 2022 155 mm ---------- ----------------- -------------- Rock Assisted -------------- -------------- --------------
Ordnance insensível
General Dynamics Explosivo
XM1122E1 EUA 2022 155 mm ---------- ----------------- -------------- -------------- -------------- -------------- --------------
Ordnance insensível
General Dynamics Explosivo
XM1128 EUA 2022 155 mm ---------- ----------------- -------------- Base Bleed 30 -------------- --------------
Ordnance insensível

VII
Apêndice D - Listagem de Equipamento Ótico para OAv

Tabela 5 - Comparação técnica dos equipamentos óticos para OAv

Designação Origem Fabricante Alcance (km)


HTML EUA Leonardo DRS 10
LMM EUA Leonardo DRS 5
PAVAM EUA Leonardo DRS -------------------------
AN/PED-1 LLDR EUA ------------------------- -------------------------
AN/PED-1 LLDR2 EUA ------------------------- 3 noite / 7 dia
Sophie Ultima França Thales 3 localizar / 6 detetar
CORAL-CR Israel Elbit Systems 11

VIII
Apêndice E - Listagem de Meios Radar

Tabela 6 - Comparação técnica dos meios radar de AC

Designação Ano Fabricante Tipologia Alcance (km) Setor Nº Objetivos Alimentação Entrada/Saída Pos Outras Capacidades

ZOOPARK-1M Tula Scientific 12 em


2000 RLA art méd 23 a 27 / art pes 32 a 45 / balistic 65 2,5º - 90º Viatura Dedicada 5min/5min opera por 8h
1L260 Research Institute simultâneo

Viatura Dedicada +
AN/TPQ-53 2007 Lockheed Martin MMR mort 20 / art 34 / rocket 60 90º / 360º ------------------ 5min/2min Deteção de UAS + IFF
Gerador

nivelamento eletrónico + pack ER


COBRA 2005 HENSOLDT RLA 40 90º 200 obj em 2min Viatura Dedicada 5min/2min
alcance até 100km

AN/TPQ-50 ----- SRCTec RLA 15 360º ------------------ Viatura / Gerador / Bateria 20min/10min Precisão 50m

100 obj/min
Qualquer viatura capaz de
Arthur 2003 SAAB RLA mort 15 / art 20 / rocket 30 90º 8 projéteis em 2min/2min Baixa Assinatura
transportar a antena (3m)
simultâneo
270º (90º eletrónico
LIWIEC 2007 PIT RADWAR RLA ------------------------ ou 180º mecânico + ------------------ Viatura Dedicada ---------------------- ----------------------
90ºeletrónico)
AN/TPQ-37
1984 Raytheon RLA art 30 / rocket 50 90º ou 60º ER ------------------ HMMWV + Gerador 15min operação remota até 100m
Firefinder

AN/TPQ-49 ----- SRCTec RLA 10+ 360º ------------------ Viatura / Gerador / Bateria <20min ----------------------

AN/TPQ-47 2004 Raytheon RLA mort 30 / art 60 / rocket 100 / balistic 300 ---------------------- ------------------ HMMWV + Gerador ---------------------- cancelado em 2005

apeados 18km / viat lig 24km / viat pes 30km /


RATAC S ----- SEL RLAM 360º ------------------ Gerador ---------------------- precisão 10m
colunas 38km

RADA Electronic
MHR 2018 RLA ------------------------ 90º ------------------ Gerador ---------------------- 3/4 sistemas vigilância hemisférica
Industries

Israel Aerospace
ELM-2084 MMR ----- MMR 100 120º / 50º elevação 200 obj/min Gerador ---------------------- erro de 0,3% + operação remota
Industries

Israel Aerospace Precisão 3m + 9kg apenas + operação


ELM-2112 V8 ----- RLAM 3-6,5 km Humanos / 6-13km Viaturas 90º ------------------ Gerador ----------------------
Industries remota

MMR Prototype ----- SRCTec MMR 35 90º 100 HMMWV Precisão 30m

AN/TPQ-36
1970 Raytheon RLA art 14,5 / mort 18 / rocket 24 90º / 360º 10 HMMWV + Gerador 15min/5min operação remota até 100m
FireFinder

IX
Apêndice F - Listagem de UAV

Tabela 7 - Comparação técnica de UAV

Designação Origem Ano Fabricante Tempo de Voo (h) Dist Comunicação (km) Peso (kg) Camuflagem Observações

Aerostar Israel 2000 Aeronautics 12 250 LOS / BLOS Unlimited 240 -------------------------------------- --------------------------------------

Dominator Israel 2009 Aeronautics 20 250 LOS / BLOS Unlimited 1900 -------------------------------------- Carga até 373kg

FLYEYE Polónia 2013 WB Group 2,5 180 LOS 11 Silencioso Carga até 4kg

FT5 Polónia ------- WB Group 10 150 LOS 85 Encriptação das comunicações Waypoint Systems

JUMP 20 EUA 2014 AeroVironment 14 185 LOS 97,5 ------------------------------------- Descolagem Vertical + Carga até 13,6kg

Octoper Israel 2018 Aeronautics 1 elétrico / 4 híbrido 30 elétrico / 100 híbrido 25 Encriptação das comunicações Descolagem Vertical + Carga até 10kg

Orbiter 1K Israel 2015 Aeronautics 2 50 13 ------------------------------------- --------------------------------------

Orbiter 2 Israel 2007 Aeronautics 3 50 LOS 13 ------------------------------------- --------------------------------------

Orbiter 3 Israel 2010 Aeronautics 6 50 LOS 32 ------------------------------------- Carga até 5,5kg

Orbiter 4 Israel 2017 Aeronautics 24 150 LOS / BLOS 55 ------------------------------------- Carga até 12kg

Puma 3 AE EUA 2007 AeroVironment 2,5 60 7 ------------------------------------- Descolagem Vertical


Puma LE EUA 2019 AeroVironment 5,5 60 12,2 ------------------------------------- Carga até 2,5kg + All weather

RAVEN B RQ-11 EUA 2002 AeroVironment 1 10 LOS 2,2 ------------------------------------- --------------------------------------


Silencioso, forma e padrão de voo
SHEPERD-MIL Espanha 2016 EXPAL 1 ------------------------------ Geolocalização de obj automática + 24/7
de um pássaro
Baixa assinatura acústica, visual,
SpyLite Israel 2011 BlueBird 4 50 9,5 Auto descolagem + All Weather + 2 operadores
térmica e radar
24/7 + All Weather + Waypoint System + Estrutura
Spy'Ranger 330 França 2020 Thales 3 30 15 -------------------------------------
de lançamento + capacidade de carga
24/7 + All Weather + Waypoint System + Estrutura
Spy'Ranger 550 França 2020 Thales 5 50 25 -------------------------------------
de lançamento + capacidade de carga
T 20 EUA 2009 AeroVironment 24 185 LOS / BLOS capabilities 102 ------------------------------------- Estrutura de Lançamento + Carga até 50 kg

Baixa assinatura acústica, visual, Descolagem Vertical + GPS Jam protected + All
ThunderB-VTOL Israel BlueBird 12 150 35
térmica e radar Weather + 2 operadores

Baixa assinatura acústica, visual, Descolagem Vertical + Ideal para espaços


WanderB-VTOL Israel 2019 BlueBird 2,5 50 14
térmica e radar confinados + All Weather + 2 operadores

X
Apêndice G - Formulário de Inquérito

Sr. Oficial,
Este inquérito insere-se no âmbito do Trabalho de Investigação Aplicada subordinado ao
tema “Inovações e Tendências na Artilharia de Campanha: requisitos dos Sistemas de
Artilharia de Campanha português”. O inquérito tem como objetivo identificar, de acordo
com as novas tendências em Sistemas de Arma e de AqObj de Artilharia de Campanha, os
requisitos necessários para colmatar as lacunas existentes no Sistema de Artilharia de
Campanha do Exército Português.
Neste sentido torna-se importante obter respostas com base na experiência e na opinião de
profissionais nesta área por forma a dar uma maior credibilidade e validade a este trabalho.
O seu contributo será da maior importância para a consecução dos objetivos a que o trabalho
se propõe.
As respostas devem refletir a sua opinião de forma livre e sincera, pelo que, não existem
respostas certas ou erradas, sendo livre de não participar, em qualquer momento, se for essa
a sua vontade. As respostas são anónimas e confidenciais, e serão apenas do conhecimento
dos investigadores. Em momento algum, serão associados os seus dados de identificação ao
questionário.
As respostas serão tratadas em conjunto e nunca a título individual, sendo os dados utilizados
para fins de investigação científica.
O tempo para preenchimento: 7 minutos
Equipa de investigadores da Academia Militar:
• Autor: Aspirante de Artilharia Ricardo Magalhães Freitas
• Orientador: Major de Artilharia Humberto Miguel Rodrigues Gouveia
Para qualquer questão, por favor contacte: [Link]@[Link]
Obrigado pela sua colaboração.
Declaro que participo no estudo de forma voluntária.
Sim
Não

Questão 1: Considera que os Sub-sistemas de Armas e Munições e AqObj do Sistema de


AC português são atuais e cumprem os requisitos definidos pela NATO?
Sim
Não

XI
Questão 2: Sistemas de Armas
De entre as características, abaixo mencionadas, selecione as que mais considera
limitadoras.
Baixa interoperabilidade com os restantes meios dentro dos GAC
Necessidade de guarnições numerosas
Alcances reduzidos
Pouca mobilidade
Baixo nível de proteção dos serventes durante manuseamento do obus
Outra opção…

Questão 3: Munições
De entre as características, abaixo mencionadas, selecione as que mais considera
limitadoras.
Projéteis pouco seguros que não seguem as tendências do mercado
Pouca/nenhuma aposta em munições inteligentes
Pouca/nenhuma aposta em espoletas inteligentes
Pouca/nenhuma aposta em munições convencionais melhoradas
Outra opção…

Questão 4: AqObj
De entre as características, abaixo mencionadas, selecione as que mais considera
limitadoras.
Baixa interoperabilidade com os restantes meios dentro dos GAC
Alcances reduzidos
Capacidade de adquirir múltiplos objetivos é reduzida
Elevada assinatura radar
Necessidade de viatura dedicada
Outra opção…

Questão 5: Sistemas de Armas


Classifique segundo o grau de importância, sendo 1(nada importante) e 5(muito importante),
os requisitos para um Sistema de Armas a adquirir pelo Exército Português.
Alcance > 40km
Calibre = 155mm
Cadência de Tiro > 6TOM
Maior Dotação Orgânica de Munição das Secções

XII
Maior Autonomia do obus
Aposta em Sistemas de Armas autopropulsados
Sistema de Tração: Rodas
Proteção: NBQ e ou Arma de Defesa da Secção incorporada na viatura
Blindagem da cabine da viatura
Guarnição obus: Número de serventes reduzido
Guarnição obus: Operar no interior da cabine

Questão 6: Munições
Classifique segundo o grau de importância, sendo 1 (nada importante) e 5 (muito
importante), os requisitos para as munições a adquirir pelo Exército Português.
Composto Explosivo: + Seguro de Manusear
Composto Explosivo: + Letal
Aposta em Espoletas Inteligentes
Aposta em Projéteis Inteligentes
Aposta em Projéteis Convencionais com Espoletas Inteligentes e Projéteis
Inteligentes
Existência de sistemas auxiliares de Propulsão (BB, RAP, V-LAP)
Possibilidade de emprego contra CC e Viat Blindadas
Possibilidade de emprego contra Objetivos com pouca proteção
Precisão: Erro < 5m

Questão 7: AqObj
Classifique segundo o grau de importância, sendo 1 (nada importante) e 5 (muito
importante), os requisitos para meios de AqObj a adquirir pelo Exército Português.
Alcance > 20km
Capacidade de Detetar >nº de obj em simultâneo
Setor (Amplitude > 90º)
Adaptabilidade a viaturas já existentes na força
Necessidade de meios de alimentação próprios
Interoperabilidade com os restantes meios da força

XIII

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