Inovações na Artilharia Portuguesa
Inovações na Artilharia Portuguesa
i
EPÍGRAFE
ii
DEDICATÓRIA
iii
AGRADECIMENTOS
iv
RESUMO
v
ABSTRACT
vi
ÍNDICE GERAL
INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 1
vii
3.4.1. Calibre dos projéteis ............................................................................................. 27
4.2.2. Sobrevivência........................................................................................................ 37
5.2. AqObj.................................................................................................................... 46
CONCLUSÕES.................................................................................................................. 48
viii
ÍNDICE DE FIGURAS
ÍNDICE DE QUADROS
ix
ÍNDICE DE TABELAS
LISTA DE APÊNDICES
x
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÓNIMOS
A
AC Artilharia de Campanha
AF Apoio de Fogos
AM Academia Militar
AO Ambiente Operacional
AP Autopropulsado
APICM Antipersonnel Improved Conventional Munitions
AqObj Aquisição de Objetivos
B
BCM Bottom Charge Modules
BCS Bottom Charge System
bf bocas de fogo
C
CEDN Conceito Estratégico de Defesa Nacional
COLT Combat Observation/Lasing Team
CPE Circular Probable Error
D
DPICM Dual-Purpose Improved Conventional Munitions
E
EME Estado-Maior do Exército
ERC Extended Range Charge
ERCA Extended Range Cannon Artillery
EUA Estados Unidos da América
F
FA Forças Armadas
FIST Fire Support Team
xi
G
GAC Grupo de Artilharia de Campanha
GP Gestor de Projeto
GPEx Normas de Gestão de Projetos no Exército
GPS Global Positioning System
H
HE High Explosive
HTLM Hand-held Target Location Module
I
ICM Improved Conventional Munitions
J
JETS Joint Effects Targeting System
L
LPM Lei de Programação Militar
M
MC Manual de Campanha
MCS Modular Charge Systems
MMR Multi Mission Radar
N
NATO North Atlantic Treaty Organization
NBQ Nuclear Biológica e Química
NEP Normas de Execução Permanente
O
OAv Observador Avançado
OAF Oficial de Apoio de Fogos
OE Objetivo Específico
OG Objetivo Geral
xii
ONG Organização Não Governamental
P
PBX Plastic Bonded Explosive
PCT Posto Central de Tiro
PD Pergunta Derivada
PDE Publicação Doutrinária do Exército
PGK Precision Guidance Kit
PI Plano de Implementação
PP Pergunta de Partida
Q
QO Quadros Orgânicos
R
RAP Rocket Assisted Projectile
RDX Ciclotrimetilenotrinitramina
RLA Radar de Localização de Armas
RLAM Radar de Localização de Alvos Móveis
T
TC Training Circular
TCM Top Charge Modules
TCS Top Charge System
TNT Trinitrotolueno
TIA Trabalho de Investigação Aplicada
TOM Tiro Obus Minuto
U
UAV Unmanned Aerial Vehicle
xiii
INTRODUÇÃO
1
o campo de batalha a mais longas distâncias entrando assim na componente da AqObj.
Resultado da revolução tecnológica, mudou-se a forma de combater e por sua vez mudaram-
se também as necessidades de vigilância e AqObj. O uso de radares foi-se tornando
insuficiente para vigiar e detetar a ameaça no campo de batalha sendo agora complementados
por unmanned aerial vehicle (UAV) que permitem a visualização do campo de batalha em
tempo real. Fruto das capacidades de interoperabilidade que estes meios apresentam existe
facilidade em realizar pedidos de tiro, de forma automática, permitindo tempos de resposta
substancialmente mais curto.
Assim, este trabalho tem como Objetivo Geral (OG) identificar os requisitos da AC
moderna que melhor se adaptariam às necessidades e tipologia da AC portuguesa futura.
Como Objetivos Específicos (OE) é pretendido identificar os requisitos e tendências de
mercado para a componente das Armas e Munições de AC, identificar os requisitos e
tendências de mercado para a AqObj da AC, bem como identificar as tendências oferecidas
pelo mercado de defesa que melhor se adequariam à realidade da AC portuguesa do futuro.
Concorrente com o OG supracitado considera-se de extrema importância responder
de forma clara e sucinta à Pergunta de Partida (PP): “Que requisitos deverão possuir as
componentes das Armas e Munições e da AqObj do Sistema de AC portuguesa face às
necessidades e tipologia de missões do futuro?”.
Relativamente à estrutura do TIA, este é constituído pela introdução, cinco capítulos
e conclusão. Na introdução, vemos apresentado o tema do TIA bem como a motivação que
levou à escolha do tema bem como os objetivos a que a investigação se propõe. No capítulo
1, é dado ao leitor um conjunto de conhecimentos considerados pertinentes para a completa
compreensão do corpo do trabalho. No capítulo 2, encontra-se explicados o método e
estratégia de investigação bem como o modelo da análise utilizados neste trabalho, sendo
caracterizada a amostra. No capítulo 3, encontram-se explicadas as tendências e inovações
da AC relativamente aos sistemas de armas e às munições. No capítulo 4, são dissecadas as
tendências e inovações ao nível da AqObj para a AC. No capítulo 5, são expressos os
resultados obtidos por meio de inquérito aos Oficiais de Artilharia, versando as lacunas das
componentes das Armas e Munições e AqObj bem como os requisitos a ter em consideração
em futura aquisição de meios. Por último, na conclusão são realçados os aspetos abordados
anteriormente, nomeadamente a enunciação dos requisitos tidos como pertinentes para as
Armas e Munições e AqObj adequados à realidade da AC portuguesa do futuro.
2
CAPÍTULO 1 – REVISÃO DE LITERATURA
3
consequentemente, detém um conjunto de deveres para com os restantes membros assinantes
deste tratado. O Tratado do Atlântico Norte (1949), tratado sobre o qual é criada a NATO,
surge como aliança político-militar tendo por objetivo a salvaguarda da segurança e
liberdade dos países membro. Assim, fazendo jus ao Artigo 3º do Tratado supracitado,
Portugal tem o dever de “[manter] e [desenvolver], de maneira contínua e efetiva, pelos seus
próprios meios e mediante mútuo auxílio, a sua capacidade individual e coletiva para resistir
a um ataque armado.” Regendo-se por este Tratado, Portugal deve manter a sua capacidade
militar para em qualquer momento poder apoiar, segundo as cláusulas do mesmo, qualquer
país membro que requeira apoio. Assim a NATO por se fazer constituir por diversos países
com organizações distintas teve a necessidade de elaborar um conjunto de requisitos
mínimos das forças/meios dos estados-membros por forma a nivelar o sistema de forças e
melhor tirar partido das capacidades das forças constituintes (NATO, 1949).
Compreendendo os conceitos de AO e CEDN bem como as suas implicações,
podemos verificar a alteração do paradigma das operações militares da atualidade passando
agora as operações militares a decorrer sobretudo em meios urbanizados e consequentemente
com a permanência de civis não combatentes. Assim, houve necessidade de alterar o modo
de atuação de forma a prevenir a existência de danos colaterais (Gouveia, 2020). Devido à
sua volatilidade e ambiente em que as forças operam, um bom exemplo deste novo
paradigma será a Guerra Rússia-Ucrânia que tem vindo a afetar o panorama da segurança
internacional bem como os movimentos migratórios em massa vindos do sul do
Mediterrâneo e a ameaça terrorista proveniente do islamismo radical (Loureiro, 2022).
4
tornando complicado o avanço das tropas devido às péssimas condições de terreno causadas
pela formação de crateras pelo rebentamento das munições (Norris, 2000). Com a rápida
evolução da Artilharia e emergência de uma nova tipologia de arma: o carro de combate, a
necessidade de dotar a Artilharia de novas capacidades era cada vez mais premente, assim é
nesta época que começam a surgir as capacidades de anticarro e antiaérea (Norris, 2020). É
também nesta época que surgem melhoramentos como a ligação elástica que veio a permitir
maior cadência de fogo sobre o objetivo pois sem este componente a arma teria de ser
reapontada após cada disparo (Showalter & Royde-Smith, 2023). No entanto a precisão 1
continuava a ser uma problemática, o Capitão Erich Pulkowski foi então o responsável por
revolucionar este quesito criando um método matemático que permitia ajustar as pontarias,
para isto realizava tiro para um objetivo com coordenadas conhecidas e comparava esta
localização com a localização real dos impactos. Estas correções eram tidas em consideração
juntamente com as condições meteorológicas. Este método está na origem dos métodos ainda
hoje utilizados pelas forças NATO (Zabecki, 2015). E em termos de mobilidade, surgiu a
necessidade de sistemas de transporte mais eficientes, como camiões e tratores, que
permitiram uma maior flexibilidade no campo de batalha permitindo avançar e continuar a
apoiar o avanço da tropa (Norris, 2020).
Terminada a Guerra, surge a necessidade dos países se rearmarem e desta vez com
grande incidência na procura de armas anticarro, esta procura levou a diversas experiências
e inovações que viriam a ser usadas na Segunda Guerra Mundial. Guerra esta demarcada
pelos grandes movimentos de manobra facilitados pelo emprego dos carros de combate, o
que levou a grandes alterações na tática utilizada, as forças da frente eram agora compostas
por grande número de armas anticarro de modo a poder resistir aos avanços inimigos que
atacava com elevado número de carros de combate. A Artilharia continuou a evoluir e
desempenhou um papel crucial em muitos teatros de operações, tornou-se mais móvel e
flexível, com a introdução de novos sistemas de transporte, como os obuses autopropulsados,
contrastando fortemente com a Artilharia alemã que continuava a fazer uso de cavalos para
fazer deslocar as suas armas de Artilharia (Dennis, s/d). Devido à maior precisão e maior
mobilidade da Artilharia, o impacto que estas armas causaram originou uma forte
necessidade de reforçar a blindagem dos carros de combate que consequentemente levou à
necessidade de a Artilharia aumentar o calibre das suas armas anticarro que perdera a
capacidade de infligir dano devido aos pequenos calibres usados (Norris, 2020). Assim um
1
De modo a quantificar a precisão é utilizado o Circular Probable Error (CPE) que representa uma
circunferência num plano (x, y) cujo perímetro tem no seu interior o ponto de impacto de 50% dos projéteis.
5
sistema de Artilharia necessitava de um Posto Central de Tiro (PCT) para coordenar os
fogos, um veículo que permitisse mover as armas e conferir proteção contra os fogos
inimigos; aqui foi o ponto crucial de vantagem americana sobre a Artilharia alemã, as forças
americanas não só tentaram ter os melhores sistemas de armas, mas também extrair deles o
seu máximo potencial sendo que para tal aprimoraram o funcionamento do sistema.
Surgiram também novos sistemas de armas que, afirmam-se como os primeiros da era
moderna, estes tinham agora alcances superiores: cerca de 8000 metros para o French 75 de
75mm, 12 000 metros para o M2 105mm e a 14 000 metros para o M1 155mm. A função
primária da Artilharia era apoiar os batalhões de infantaria, para que se pudesse obter níveis
de eficiência o mais elevados possível as unidades de Artilharia eram atribuídas de forma
permanente a uma unidade de infantaria, podendo, no entanto, responder a pedidos de tiro
de outras unidades. Esta tática gerou a uma maior fluência na cooperação entre as unidades
e por sua vez uma melhor utilização das suas capacidades (Dennis, s/d).
Ao nível das munições também foram feitas inovações nomeadamente os sistemas
base bleed e Rocket Assisted Projectile (RAP) 2que vieram trazer um aumento de 30% a
40% aos alcances das munições, segundo o Market Forecast (2019). Aumentos estes que
caracterizam um alargamento dos alcances máximos atingidos para cerca de 70 km
contrastando fortemente com os 40 km que os melhores sistemas garantiam antes do
surgimento das munições com sistema base bleed. Com estes avanços tecnológicos surge a
necessidade de posicionar os sistemas de armas mais à retaguarda da área de operações
provocando, consequentemente, um incremento na profundidade do campo de batalha
havendo uma continua busca pela capacidade de standoff 3. No âmbito da AqObj, enquanto
na Primeira Guerra Mundial o papel de Observador Avançado (OAv) era desempenhado
pelos comandantes das unidades de Artilharia que faziam uso de torres juntos às armas para
observarem o tiro, na Segunda Guerra Mundial o uso dos aviões trouxe uma alteração ao
paradigma da Artilharia no campo de batalha, este papel começou a ser desempenhado por
aviões que detetavam o inimigo e orientavam as armas para o objetivo conseguindo com
apenas um observador regular o tiro de diversas unidades ao mesmo tempo (Dennis, s/d).
2
As munições dotadas com o sistema base bleed através da combustão de um determinado composto acoplado
à retaguarda do projétil a pressão negativa gerada irá ser reduzida bem como o atrito a que o mesmo está sujeito,
aumentando assim o seu alcance. Nestas munições, o projétil mantém o seu poder explosivo. Já as munições
RAP, têm a sua capacidade explosiva reduzida visto que metade do projétil é substituído por um motor rocket
sólido. Motor este que pela sua combustão irá aumentar a pressão gerada à retaguarda do projétil durante a fase
inicial do seu voo, não só eliminando o atrito como aumentando a velocidade e consequentemente o respetivo
alcance (Gourley, 2022).
3
Capacidade de infligir dano ou detetar o inimigo sem que este tenha capacidade de nos provocar dano ou
detetar.
6
Também os radares tiveram de sofrer melhoramentos para que conseguissem detetar e vigiar
o campo de batalha que se tem vindo a alongar. Para podermos entender a evolução dos
meios, um radar em uso pelas forças sul-coreanas Arthur-K que garantia um alcance de
deteção de 40 km prepara-se por ser substituído por um outro sistema, em desenvolvimento,
que promete atingir um alcance de 60 km (Jeong, 2017). Contrastando com este avanço
temos o radar COBRA desenvolvido pela Hensoldt e Thales tem o seu alcance de deteção
melhorado para uns impressionantes 100 km permitindo uma maior capacidade de standoff
para uma força que detenha na sua orgânica o uso de um radar COBRA (Hendsoldt, s/d).
7
se supletivamente as regras orçamentais dos programas plurianuais.” Pelo Art. 18º do
Capítulo I temos que, o Orçamento de Estado contempla as necessidades financeiras para a
execução do previsto na LPM para o ano a que se refere, no entanto prevê-se que, mediante
aprovação do Ministro da Defesa Nacional, poderá vir a ser excedido o encargo anual
designado a capacidade em questão desde que não exceda o valor do encargo total (Lei
Orgânica nº2/2019).
Os projetos do Exército surgem da identificação de uma capacidade a edificar e
seguem um modelo estruturado pelas Normas de Gestão de Projetos no Exército (GPEx) que
dividem o projeto em “cinco fases: Iniciação, Planeamento, Execução, Controlo e
Monitorização e Conclusão” (EME, 2015, p. 3-12). Tendo por base a GPEx, na fase
Iniciação, é definido o objetivo do projeto, requisitos e recursos estimados, bem como
identificação das entidades que poderão vir a constituir a equipa de trabalho e respetivo
Gestor de Projeto (GP); seguindo-se a fase Planeamento, que compreende em si a atribuição
do projeto ao GP através da sua nomeação assim como o refinamento do projeto iniciado na
fase anterior e definição detalhada de prazos e recursos financeiros para se atingir os
resultados propostos, sendo concluída com a elaboração do Plano de Implementação (PI); a
fase Execução, que constitui o núcleo do projeto correspondendo à execução das atividades
necessárias à condução do projeto bem como avaliação do progresso, podendo esta levar a
que sejam geradas atualizações ao PI; a fase Controlo e Monitorização, sendo provavelmente
uma das mais importantes, regula toda a condução do projeto garantindo que o desenrolar
das atividades seguem o PI impedindo que existam desvios a nível do objetivo, prazos ou
mesmo recursos financeiros e que a informação gerada é difundida a quem dela necessita,
permitindo que as atividades decorram de forma fluida; e por último a fase Conclusão, nesta
fase são encerrados os contratos de aquisições e concluídas todas as atividades do projeto,
sendo este oficialmente encerrado (EME, 2015).
1.4. Sistema de AC
8
documento português o “Sistema de AC é o conjunto dos meios de Artilharia que, actuando
de forma integrada e complementar, permitem bater eficazmente e em tempo oportuno os
objectivos” que concorrem para o sucesso da missão da força apoiada (EME, 2004, p. 3-4).
O Sistema de AC desdobra-se em três subsistemas: AqObj, Armas e Munições e
Comando, Controlo e Coordenação (EME, 2004). A AqObj é composta pelos meios que
permitem a obtenção de informação, precisa e em tempo oportuno, sobre os objetivos
garantindo a deteção, identificação e localização. Desta forma podemos comparar os meios
de AqObj como sendo os olhos da AC, para melhor cumprir a sua missão este subsistema
tem várias tipologias: por intermédio de um OAv e respetivo equipamento que acompanha
as forças de manobra na frente de combate; e/ou por diversos radares (de localização de
armas e localização de alvos móveis) que podem estar além da posição da AC ou na
retaguarda, tendo por objetivo complementar os esforços desenvolvidos pelos OAv (AM,
2020). A componente das Armas e Munições constitui-se pelas armas propriamente ditas e
toda a guarnição e meios necessários para as operar bem como as diferentes munições e
respetivos componentes. É esta a componente do Sistema de AC que efetivamente vai fazer
sentir o efeito no objetivo (EME, 2011). Para tal, um dos grandes requisitos impostos às
unidades de AC é a mobilidade das suas unidades ser no mínimo igual à da unidade apoiada
(AM, 2020). Assim, podemos comparar esta componente como sendo os músculos da AC.
Para que as duas componentes supracitadas funcionem de forma fluente mas também para
que a AC se articule de forma a melhor apoiar as forças necessita-se de Comando, Controlo
e Comunicação, sendo esta componente o cérebro da AC, que integra em si os órgãos
responsáveis pelo planeamento e coordenação do AF (DoD, 2016), pela comunicação que
constitui o suporte físico indispensável a uma ação de comando e controlo e também os
elementos responsáveis pela direção do tiro permitindo o emprego tático do poder de fogo
exercendo para tal o comando de uma ou mais unidades na seleção de objetivos,
concentração e distribuição dos fogos, bem como a atribuição de munições, sendo também
responsável por usar os métodos e técnicas necessários para converter as informações do
objetivo recebidas em comandos de tiro (DA, 2016). Neste trabalho será dado maior enfâse
aos subsistemas de AqObj e de Armas de Munições.
1.4.1. Armas
9
Lança Foguetes e Sistemas de Lança Mísseis” (EME, 2004, p. 6-1) permitem o cumprimento
da missão da AC. Para o presente trabalho teremos apenas em consideração as bocas de fogo
(bf) preconizando-se também o princípio de que estes meios devem ter mobilidade igual ou
superior à da força apoiada (EME, 2004). Por forma a melhor compreender a especificidade
de cada característica e suas implicações no desempenho dos sistemas de armas, é
preponderante a descrição da constituição das diferentes componentes das bf. Genericamente
as bf têm os seguintes componentes: massa recuante, reparo, ligação elástica, aparelhos de
pontaria, palamenta e documentação. Por sua vez, a massa recuante materializa-se pelo tubo
canhão e culatra, podendo estes obter diversas configurações (AM, 2020).
O tubo canhão deve ser fabricado de aço, que passa por diversos processos de
“forjamento, retificação e acabamento de superfícies, tratamentos térmicos e mecânicos,
verificações, etc” (AM; 2020, p. 2-19), fornecendo uma base adequada para alojar e disparar
a munição tendo que por isso respeitar certas características, que irão definir o
comportamento do tiro, como calibre, estriamento, comprimento do tubo 4 e robustez dos
sistemas de armas que compõem a câmara. O material deverá possuir resistência elástica
suficiente para resistir, sem adquirir deformações permanentes, à pressão exercida pela
deflagração da carga propulsora. As bf quanto ao calibre do tubo são divididas em: ligeiras
até 120mm; médias, dos 121mm até aos 160mm; pesadas; dos 161mm até aos 210mm e
superpesadas, superiores a 210mm. E o comprimento do tubo, o medido em calibres, é tanto
maior quanto o quociente entre o seu comprimento em milímetros e o calibre (AM, 2020).
O tubo canhão constitui-se pelos seguintes componentes: o tubo, órgãos de fechamento
posterior, órgãos de ligação ao reparo e freio de boca (não obrigatório). Por sua vez o tubo
subdivide-se em câmara de combustão, superfície de concordância e parte estriada (DA,
2016). A câmara de combustão pode ser cilíndrica ou troncocónica, sendo a primeira adotada
em “sistemas de armas que usam invólucro combustível” (AM, 2020) e a segunda nos
sistemas de armas que utilizam caixas de cartucho metálicas por forma a facilitar a sua
extração. Fazendo ligação para o início da parte estriada temos a superfície de concordância
composta “por várias superfícies troncocónicas e cilíndricas, das quais a mais importante é
o cone de forçamento” (AM, 2020, p. 3-2) tendo diversas funções, tais como: “assegurar a
regularidade da posição do projétil durante o carregamento” e “obrigar a cinta a uma
adaptação total às estrias de modo a obturar completamente a passagem dos gases para a
4
Medido em calibres, exemplo num sistema de armas de 155mm e com tubo de 52 calibres de
comprimento, o comprimento do tubo será 52 vezes 155mm.
10
frente do projétil” (AM, 2020, p. 3-2). Por fim a parte estriada que imprime ao projétil
velocidade de rotação que lhe irá garantir estabilidade durante o voo (DA, 2016). Importante
uma correta manutenção do tubo bem como uma criteriosa escolha da carga a usar de modo
a diminuir o desgaste do tubo e assim prolongar o seu tempo de vida útil e poder de fogo
pois quanto maior for o desgaste menor será a velocidade de saída do projétil à boca do cano
e consequentemente terá menor precisão e alcance (DA, 2016).
Os órgãos de fechamento posterior do tubo ou culatra destina-se a fechar
hermeticamente a câmara de combustão bem como permitir o carregamento das munições
pela retaguarda. Este sistema tem diversas vantagens em relação ao sistema de carregamento
pela boca sendo que permite por efeito do estriamento uma obturação da câmara quase
perfeita, facilita o processo de carregamento bem como a sua rapidez, permite também “um
melhor ajustamento do projétil na posição de carregamento do que resulta melhor precisão
do tiro.” (AM, 2020, p. 3-9). A culatra tem ainda a finalidade de permitir a correta
deflagração das cargas sem prejuízo da obturação, mantendo a segurança dos serventes bem
como a fácil extração dos cartuchos (quando utilizados caixas de cartucho metálicas). Para
tal a culatra subdivide-se em: culatra fixa, ligada ao tubo e o canal de carregamento; a culatra
móvel que tem por função fechar o canal de carregamento após o carregamento das
munições; aparelho de disparar, responsável pelo início da deflagração da carga propulsora;
órgãos de obturação, junta de sistemas de armas elásticos/plásticos, que se localiza entre a
culatra móvel e a parte posterior do tubo, permitindo uma melhor concordância entre os
sistemas de armas e consequentemente uma melhor obturação; “órgãos de comando e
manobra, de abertura e fechamento da culatra móvel, que em certos sistemas de armas,
podem ser automáticos, isto é; comandados pelo próprio tiro” (AM, 2020, p. 3-10); órgãos
de segurança, que impedem a abertura da culatra durante o disparo ou em caso de falha e
impedir a deflagração das cargas antes do fechamento da culatra; e órgãos de extração, nos
sistemas de armas que usam munições com caixa de cartucho metálico.
Os freios de boca, quando existem, são dispositivos à boca do tubo que possuem
aberturas laterais com a finalidade de canalizar os gases provenientes da deflagração da carga
propulsora e assim reduzir as vibrações do tubo e produzir uma força contrária à que resulta
da pressão dos gases sobre a culatra diminuindo assim a força do recuo (DA, 2016).
O reparo, dispositivo que suporta o tubo canhão permitindo apontá-lo
convenientemente, divide-se em parte móvel e parte fixa. A parte móvel do reparo é aquela
que guia o tubo canhão e os componentes a ele ligados durante o disparo, contém
mecanismos de elevação e direção para elevar e orientar azimutalmente o tubo. A parte fixa
11
do reparo alberga o suporte das pontarias bem como rodas ou lagartas e “órgãos de fixação
ao terreno nos reparos moveis, ou os órgãos de ligação à plataforma, nos reparos fixos.”
(AM, 2020, p. 3-22). A parte fixa do reparo pode ser rebocável ou autopropulsada. Os
sistemas de armas rebocados têm a vantagem de poderem ser lançados por meios aéreos ou
puxados pelos serventes em emergências, no entanto os autopropulsados fornecem proteção
à guarnição que os opera, têm capacidade de transportar munições junto da arma e permite
um deslocamento entre posições de forma muito mais rápida (Pike, s/d).
A ligação elástica é um dos elementos mais importantes, tendo a finalidade de
melhorar a absorção da energia resultante do recuo da massa recuante, amortecendo-a e
proporcionando uma entrada em bateria suave, permitindo ainda que assim se mantenha em
qualquer elevação ou mesmo em deslocamentos (AM, 2020).
Ao nível da mobilidade, denota-se que para os deslocamentos de AC, na atualidade,
tem por primazia a velocidade de deslocamento permitindo um continuo apoio das forças
apoiadas. A escolha entre sistemas de armas de rodas, lagartas ou rebocados depende das
necessidades específicas da missão, do ambiente operacional e das restrições orçamentárias
de cada país (Karpenko, 2023). Os sistemas de armas rebocados rapidamente caíram em
desuso devido à premente necessidade de fazer a AC acompanhar as unidades de manobra.
Sendo que devem ser consideradas as respetivas vantagens e desvantagens.
Os sistemas de armas de lagartas possuem um desempenho superior fora da estrada,
graças à sua melhor tração e capacidade de navegar em terrenos difíceis, incluindo terrenos
lamacentos, arenosos ou com neve, bem como superar obstáculos e subir ladeiras íngremes.
Essa capacidade de mobilidade permite que os sistemas de armas de lagartas tenham acesso
a áreas difíceis de alcançar, onde as rodas não conseguem chegar (Lye, 2019). Além disso,
a maior capacidade de carga útil dos sistemas de armas de lagartas permite que estes
transportem maiores quantidade de munições. São também geralmente mais estáveis para
disparar, já que os trilhos largos proporcionam uma plataforma de disparo mais estável e
reduzem o recuo da arma. Fornecem também uma maior proteção contra o fogo inimigo e
minas. No entanto, os sistemas de armas de lagartas são mais lentos e menos ágeis em relação
aos sistemas de armas de rodas, mais caros de produzir, manter e operar (Peck, 2020), sendo
mais suscetíveis de causar danos às infraestruturas e têm opções de transporte limitadas
(Unterseher, 2001).
Por outro lado, os sistemas de armas de rodas oferecem maior velocidade e
mobilidade em estradas pavimentadas e superfícies duras, além de serem mais económicos
de produzir, manter e operar (Lye, 2019; Peck, 2020). Estes causam também menos danos
12
às infraestruturas, são mais fáceis de transportar e têm um alcance operacional mais longo
graças à sua melhor eficiência de combustível. No entanto, sistemas de armas de rodas
possuem também algumas desvantagens importantes. Sendo que apresenta limitações
significativas em termos de desempenho fora das estradas não sendo tão capazes de navegar
em terrenos difíceis quanto os sistemas de armas de lagartas. Além disso, estes sistemas de
armas têm geralmente capacidades de carga útil mais baixas, o que significa que são capazes
de transportar menor quantidade de munições. Oferecem também menor proteção em relação
ao fogo inimigo e podendo ser mais vulneráveis a minas terrestres e dispositivos explosivos
improvisados (Unterseher, 2021).
1.4.2. Munições
13
completo, que se compõe por: escorva, “elemento que produz a chama necessária para iniciar
a combustão da carga propulsora” (EME, 2011, p. 2-1); carga propulsora, responsável pelo
movimento do projétil; projétil, “componente da munição destinado a produzir, sobre o
objetivo os efeitos desejados” (EME, 2011, p. 2-3); e a espoleta, que vai “provocar o
accionamento do projétil na área do objetivo” (EME, 2011, p. 2-5). Associados às munições
temos também alguns sistemas de propulsão adicional que complementam a potência gerada
e transmitida pela explosão das cargas, são exemplos desses sistemas o base bleed e o RAP
(Korsvold, 2020). Durante toda a trajetória do projétil pela resistência do ar é gerada uma
pressão negativa na base do mesmo que lhe causa atrito e portanto uma diminuição da
velocidade, fatores que irão implicar a perda de precisão e alcance do projétil, assim com a
tecnologia denominada base bleed pela base do projétil irá ser libertado calor e gás, pela
combustão lenta de um determinado composto, gerando uma pressão positiva que por sua
vez vai atenuar, ou eliminar, os efeitos da pressão negativa gerada pela resistência do ar que
envolve o projétil (Korsvold, 2020). Problemática desta tecnologia é o desenvolvimento de
um combustível de lenta combustão que gere pressão de forma eficiente, mantendo a
combustão ao longo da maior parte da trajetória do projétil (Pike, s/d). Por outro lado, foi
desenvolvido RAP que difere da tecnologia anteriormente citada principalmente porque esta
gera maior pressão à base do projétil aumentando assim a sua velocidade e
consequentemente o alcance. O RAP funciona pela inclusão de um pequeno motor foguete
alojado na base do projétil que tem a sua ignição momentos após a sua saída à boca do tubo.
(Pike, s/d).
14
[Link]. Observador Avançado
15
meios radares empregues na AqObj funcionam como OAv providenciando a deteção precisa
em tempo oportuno, identificação e localização de objetivos, bem como recolha de
informação acerca do objetivo ou outras informações pertinentes, permitindo o emprego de
fogos imediatos sobre objetivos específicos quando assim é requerido (DoD, 2016). Os
equipamentos que equipam estas unidades têm características muito próprias necessitando
de pessoal especializado para os operar. De seguida, por forma a melhor compreender as
suas vantagens e desvantagens, será enunciado o modo de emprego dos meios radar e UAV.
Os RLA atualmente empregues na proteção das forças devido às suas capacidades de aviso
prévio em caso de ameaça por armas de tiro indireto, apresentam, no entanto, graves lacunas
não acompanhando a tridimensionalidade do campo de batalha da atualidade. Estes radares
necessitam de ser orientados segundo um setor de pesquisa delimitado. Assim, visto que a
ameaça se revela em qualquer direção estes meios mostraram não conseguir cumprir a sua
tarefa base: a proteção da força. Para resolver estas lacunas o Exército americano propôs
duas soluções: utilização dos radares em simultâneo com o Radar Portátil de Curto Alcance
Contra Morteiros que eliminaria a limitação de observação apresentada pelos radares
utilizados ou a integração desta capacidade nos meios radar de Aviso Local da Artilharia
Antiaérea associando estes a sistemas de armas com poder de fogo suficiente para se
empenhar sobre ameaças balísticas (Peralta, 2012). Quanto aos RLAM operam na vigilância
de Áreas Designadas de Interesse, limitado pela incapacidade de identificar positivamente
as suas aquisições bem como da necessidade de linha de vista eletrónica para o objetivo estes
radares são usualmente empregues em paralelo com outros meios de AqObj por forma existir
uma dupla confirmação da aquisição (Peralta, 2012). Assim surgem os UAV, que podem ser
empenhados em conjunto com os radares supracitados por forma a confirmar as aquisições
de objetivos realizadas pelos OAv/radares e vice-versa. Os UAV poderão ser empenhados
em outras tipologias de tarefas como reconhecimento, patrulhamento, vigilância, ataque,
abastecimento e também atuar como repetidor estendendo as linhas de comunicação. Ao
nível da regulação do tiro de AC, quando um projétil atinge um ponto entre o OAv e o
objetivo torna-se difícil perceber a distância a que realmente se encontra do objetivo assim
outra grande vantagem do emprego dos UAV é a eliminação do problema da paralaxe pois
a perspetiva vertical fornecida em tempo real pelo UAV facilita o ajuste do tiro de AC
(Hambling, 2022).
16
CAPÍTULO 2 - METODOLOGIA
O presente trabalho tem como objetivo identificar os requisitos que, de entre novas
tendências oferecidas pelo mercado de defesa, melhor se adequariam à realidade da AC
portuguesa do futuro. Ao analisar estudos realizados sobre o futuro da AC foi verificada uma
grande abundância de trabalhos que versam a componente de Comando e Controlo e poucos
que perspetivassem acerca do futuro ao nível das Armas e Munições bem como da AqObj.
Assim a temática da investigação foi delimitada às componentes de Armas e Munições e
AqObj. Para tal procedeu-se à recolha de informações e dados, sobre as componentes das
Armas e Munições e AqObj, com base em análise documental com fonte em sites oficiais
das empresas de defesa, notícias de sites e revistas especializadas em assuntos de defesa,
entrevistas exploratórias e inquéritos. Na condução desta investigação foi utilizado um
método de abordagem dedutivo, método de procedimento comparativo com uma análise
quantitativa dos dados. Os dados foram tratados por forma a compreender as tendências
relativas às componentes Armas e Munições e AqObj.
Foram então realizados inquéritos para estabelecer a relação entre as lacunas
identificadas pelos Oficiais de Artilharia nas componentes de Armas e Munições e AqObj e
os requisitos considerados relevantes para a realidade da Artilharia de Campanha portuguesa
do futuro.
Assim a este trabalho de investigação foi associado o seguinte processo
metodológico.
• Foram recolhidos os dados técnicos, características físicas bem como as
capacidades dos sistemas de armas, munições, equipamentos óticos do OAv,
radares e UAV tendo por fonte os sites oficiais das empresas da defesa, revistas
17
militares especializadas e outros sites de notícias que abordam assuntos da defesa,
de modo a recolher os dados referentes aos diversos tipos de material estudado.
• Foram criados gráficos e tabelas que permitissem a visualização dos dados de
forma organizada bem como uma melhor leitura dos dados e consequentemente
facilitar a análise dos mesmos.
• Realizou-se um inquérito por questionário aos Oficiais de Artilharia para
identificar as lacunas e os requisitos que estes consideram necessários por forma
a melhorar o Sistema de AC portuguesa.
• Por fim, analisou-se a informação adquirida nas etapas anteriores por forma a
perspetivar quais serão os requisitos para os sistemas de AC que poderão constituir
uma boa aquisição de modo a substituir os sistemas existentes na orgânica atual.
De modo a responder aos objetivos gerados pela temática desta investigação foi
formulada uma Pergunta de Partida (PP) que tem na sua resposta a essência da investigação
do presente trabalho e Perguntas Derivadas (PD) das quais foi imprescindível fazer o
levantamento por forma a agilizar a presente investigação e melhor responder à PP:
PP: Que requisitos deverão possuir as componentes de AqObj e Armas e Munições
do Sistema de AC portuguesa face às necessidades e tipologia de missões do futuro?
PD1: Quais as novas tendências de investigação e desenvolvimento que o mercado
de defesa oferece em termos de meios da componente das Armas e Munições?
PD2: Quais as novas tendências de investigação e desenvolvimento que o mercado
de defesa oferece em termos de meios da componente da AqObj?
PD3: Das novas tendências oferecidas pelo mercado de defesa, quais os requisitos
que melhor se adequariam à realidade da AC portuguesa do futuro?
De modo a melhor proceder à elaboração do presente trabalho optou-se por ter como
guia um modelo de investigação que sintetiza em si o modelo de análise desejado bem como
os indicadores que permitem facilitar ao investigador a pesquisa de dados e a identificação
rápida dos meios que melhor darão acesso aos mesmos. O desenho de investigação para esta
investigação encontra-se representado pelo Quadro 1, que consta da página seguinte.
18
Quadro 1 – Desenho de Investigação
Sobrevivência Passivo/Ativo
Mobilidade
OE3: Identificar PD3: Das novas Armas e Sistemas de Tubo Canhão Análise
as tendências tendências Munições Armas Mobilidade documental
oferecidas pelo oferecidas pelo Proteção dos Inquéritos
mercado de mercado de serventes
defesa que defesa, quais os
melhor se requisitos que Munições Características
adequariam à melhor se
realidade da AC adequariam à
portuguesa do realidade da AC AqObj Meios de Tipologia
futuro. portuguesa do AqObj Sobrevivência
futuro?
19
2.3. Amostra
No presente trabalho houve a necessidade de selecionar amostras para cada uma das fases de
investigação. Para tal, ao nível dos sistemas de armas, será tida em consideração uma base de dados
com uma amostra A de 118 sistemas (Apêndice A), desde protótipos, obsoletos, em serviço ou em
desenvolvimento, que datam desde 1941 até 2026 (data prevista para entrada ao serviço do obus mais
recente abordado neste base de dados). De modo a facilitar a análise das características de sistemas de
armas mais referidos pelas revistas especializadas foi criada a amostra B (Apêndice B) que contém
apenas 25 sistemas de armas, sendo que estes estão também inseridos na amostragem A. Em relação
às Munições de AC (Apêndice C), a amostra constituída para a análise do mercado compõe-se por 30
munições de fabrico entre os anos 1972 e 2022. Esta amostra contempla uma seleção de munições
convencionais melhoradas (excluindo munições de tipo cluster5) e inteligentes oferecidas pelo
mercado e destacadas pelo seu emprego na Guerra Rússia-Ucrânia. Devido às lacunas da informação
obtida, resultantes das classificações de segurança das fábricas em relação às características das suas
munições/projéteis, os dados serão analisados tendo o projétil M107 155mm como referência para
comparação com os restantes projéteis oferecidos pelo mercado. Quando à componente da AqObj foi
tida em consideração uma amostra de cinco equipamentos de OAv (Apêndice D), 15 radares
(Apêndice E) bem como 21 UAV (Apêndice F).
Para a realização do inquérito, presente no Apêndice G, foram selecionados para constituir a
amostra em estudo aos Oficiais de Artilharia do Exército Português, delimitou-se a amostra apenas à
classe de Oficiais tendo em vista as preocupações técnico-táticas que lhes são inerentes, não tendo sido
considerado relevante o posto que ocupam. Assim desta amostra de 293 Oficiais, por limitações da
tecnologia, só foi possível fazer chegar o inquérito, de cariz voluntário, a 250 Oficiais, sendo este de
cariz voluntário, tendo sido recebidas 84 respostas, representando 34% dos inquiridos.
5
Tipologia de munições que ao ser lançadas fragmentam-se em múltiplas submunições que se dispersam por
uma ampla aérea de terreno. De uso proibido em Convenção da Nações Unidas devido aos seus efeitos
controversos, podendo gerar danos indiscriminadamente e não detonar imediatamente, representando um risco
para pessoal militar e civil.
20
CAPÍTULO 3 – ARMAS E MUNIÇÕES DE AC
Para analisar a evolução do calibre do tubo foi construída a Figura 1, que configura a
relação dos calibres com os anos. A amostra utilizada, catalogada em base de dados como
mostra o Apêndice A, é constituída por 118 sistemas de armas posteriores a 1941, década a
partir da qual a AC começa a adotar sistemas móveis. O período em estudo, para uma melhor
interpretação e análise foi dividido em quatro períodos de 21 anos cada.
Assim com base na Figura 1, é possível observar que existiu uma evolução
significativa dos calibres ao longo das últimas décadas, com uma clara convergência em
direção aos calibres médios. No primeiro intervalo, podemos verificar a existência de um
21
baixo número de sistemas de armas móveis, novidade recente na época, no entanto, com a
corrida às armas motivada pelo fim da 2ª Guerra Mundial, existiu um aumento do
desenvolvimento de novos sistemas de armas. Os sistemas de armas que surgiram
apresentam sobretudo calibres médios, sendo que esta tendência se intensifica nos períodos
seguintes.
Destaca-se ainda a aposta na utilização do calibre 155mm, como demonstra a Tabela
1 que tem sido amplamente utilizado na Guerra Rússia-Ucrânia e é padronizado pela NATO
(Segura, 2023). Além disso, é o calibre que as empresas de desenvolvimento de munições
têm adotado para o desenvolvimento de munições inteligentes.
Exemplos desta tendência são os países europeus (Polónia, Estónia entre outros) que
em resposta à Guerra Rússia-Ucrânia têm realizado aquisições de novos sistemas de armas
para reforçar as suas forças. De entre os sistemas de armas mais procurados destaca-se o K9
Thunder da Hanwha Defense (Adamowski, 2023). O Pzh 2000 também de 155mm,
fabricado pela KMW, foi adquirido, pela Alemanha, por forma a cobrir a lacuna criada nas
fileiras alemãs aquando do envio de material para apoio da Ucrânia (Siebold, 2023). A
Dinamarca iniciou o processo de aquisições do obus ATMOS da Elbit Systems após ter
enviado 19 CAESAR para as tropas ucranianas (Frantzman, 2023). Apesar de muitas das
aquisições se motivarem pela Guerra Rússia-Ucrânia, que tem levado muitos países a
procurar aprimorar os seus sistemas de AC, também tem havido interesse em aquisições de
sistemas de armas mais capazes, fundamentadas pelos planos de modernização das forças,
como por exemplo a aquisição de 18 obuses ATMOS por parte da Colômbia (Higuera, 2023)
ou o interesse das forças vietnamitas pelo K9 Thunder (Army Recognition, 2023).
Ao nível do desenvolvimento de novos sistemas de armas temos vários exemplos que
confirmam a aposta no calibre 155mm, como o ERCA (Extended Range Cannon Artillery)
da BAE Systems (Roque, 2022), o RCH 155 da KMW, o HX3 10x10 da Rheinmetall MAN
Military Vehicles ou o CAESAR Mk2 da Nexter Group (Eshel, 2022), havendo também
alguns fabricantes como a Namenska que ainda aposta no calibre 122mm com o SORA
122mm que ainda se encontra em fase de protótipo (Military Blog, 2023) ou a AM General
22
que aposta também em calibres mais ligeiros como 105mm como é exemplo o Hawkeye em
fase de testes pelo Exército Americano (Herderson, 2022).
23
também está diretamente relacionada ao comprimento do tubo, uma vez que, quanto mais
extenso for o tubo, maior a estabilidade do projétil durante o voo, o que resulta em maior
precisão (AM, 2020). Dessa forma, podemos inferir que um tubo mais longo não apenas
permite um maior alcance, mas também maior precisão, daí se estar a verificar o aumento
do comprimento dos tubos dos sistemas de armas, acompanhando a tendência de procura de
maior alcance para a AC por parte das empresas de defesa (Gouveia & Borges, 2023).
6
Poder destrutivo define-se pela capacidade de uma força em causar danos significativos ao inimigo. Assim a
cadência de tiro, juntamente com o alcance e a precisão do sistema de armas é um dos fatores representativos
do poder destrutivo da força equipada.
24
3.2. Mobilidade
Para a análise deste indicador, a amostra constitui-se por 118 sistemas de armas que
se categorizam em rebocados, rodas e lagartas. A análise da Figura 3, permite-nos verificar
um reduzido número de sistemas de armas móveis, no primeiro período, sendo que os
existentes eram maioritariamente rebocados.
Esta situação evoluiu para um paradigma bastante diferente no segundo período onde
vemos o aparecimento da adaptação dos chassis dos carros de combate às armas de AC,
criando os sistemas de armas de lagartas que privilegiavam o acompanhamento das forças
mecanizadas. Registou-se, ainda, a existência de alguns dos sistemas de armas rebocados,
tendência que virá a inverter-se, no terceiro período, quer pela sua baixa mobilidade quer
pela exigência de grande número de militares para os guarnecer. Um exemplo disto viria a
ser o Hawkeye que apesar de ser dotado de um tubo de calibre ligeiro (normalmente sistemas
de armas rebocados) encontra-se adaptado a um reparo de rodas (Army Technology, 2019).
25
Surgindo em quantidade considerável, no terceiro período, os sistemas de armas de rodas
que permitem uma maior manobrabilidade sem os inconvenientes das lagartas.
Assim enquanto os sistemas de armas de lagartas, mantêm-se constantes devido à sua
preferência para o acompanhamento das unidades mecanizadas que também fazem uso de
viaturas de lagartas, nos últimos anos existe uma grande tendência para os sistemas de armas
de rodas que se destacam largamente face às outras tipologias de sistema de tração.
Estes dois conceitos deverão ser abordados em conjunto, pois ambos se encontram
diretamente relacionados com a necessidade de reabastecimento. A autonomia é um dos
grandes fatores de mobilidade do sistema de armas visto que quanto maior a autonomia,
maior a flexibilidade do planeamento das posições a ocupar, permitindo aumentar o número
de posições ocupadas e assim aumentar a sobrevivência da bateria.
Tanto no mercado atual como em sistemas de armas mais antigos não é aparente a
existência de alguma tendência quer para autonomia maior, quer para dotações de munições
mais alargadas (ver Apêndice B). Ainda a referir que após análise de diversos modelos de
sistema de armas pode aferir-se que também não existe qualquer tipo de relação entre a
autonomia do sistema de armas e a respetiva dotação orgânica de munições. Contudo
existem alguns sistemas de armas que se destacam por ostentar grandes valores nestes
quesitos, exemplo disso é o ATMOS 2000 que em termos de autonomia apresenta valores
de cerca de 1000 km (Military Today, s/d) ou o caso do Diana e do Pzh 2000 que detêm uma
dotação orgânica de munições a rondar as 60 munições (Konstrukta Defence, s/d; KMW,
s/d). No entanto apesar dos sistemas de armas acima mencionados se destacarem
isoladamente em cada uma das referidas características, existe o G6-52 da Denel Land
Systems que estabelece um compromisso equilibrado entre a autonomia e a dotação orgânica
de munições, apresentando uma capacidade de 48 munições juntamente com uma autonomia
de 700 km (Army Guide, s/d) (ver Apêndice B).
A proteção dos serventes é uma constante preocupação sendo um dos motivos que
levou à quase extinção dos sistemas de armas rebocados, pois estes não oferecem qualquer
tipo de proteção para a guarnição e as viaturas que os transportam não são blindadas. Como
exposto no Apêndice B, nos últimos anos existe uma forte tendência para o fabrico de
sistemas de armas que permitem à guarnição operar no interior da viatura, protegida pela
26
blindagem da cabine. Ao nível da blindagem esta não sofreu grandes alterações continuando
na sua maioria a fornecer proteção contra fogo direto de armas de pequeno calibre bem como
de estilhaços. A cabine tendencialmente vem equipada com proteção Nuclear, Biológica e
Química (NBQ) e uma arma secundária montada na torre controlada de forma remota,
permitindo operar sem expor a guarnição às ameaças do campo de batalha.
3.4. Munições
7
RDX: base para outros explosivos de utilização militar, destacando-se o Composto B usado nas munições de AC,
resultando da mistura de TNT com RDX, formando um explosivo mais insensível (Pike, s/d), ou PBX.
8
Explosivo Insensível fabricado pela Nexter Munitions.
27
IMX 9. Este último criado, em resultado da extensiva pesquisa laboratorial realizada pela
BAE Systems, em 2010, e vem revolucionar o uso do explosivo na constituição dos projéteis
de AC. Este composto explosivo mostrou, em diversos testes, ser muito mais resistente ao
impacto, ao choque, à fricção, necessita de maior concentração do que o TNT e RDX para
explodir, sem reação a descargas electroestáticas e ao envelhecimento.
Foi também testado a nível térmico, mostrando elevada resistência a chamas, não
deflagrando nem detonando. Esta série de testes vem provar que este composto explosivo é
um dos substitutos de TNT (e outros) mais seguros, quer durante o manuseamento quer em
caso de acidente. Pela análise do Apêndice C, podemos perceber a crescente aposta em
explosivos insensíveis e o desuso do TNT. Desde 2016 que a maioria das munições passou
a utilizar o Composto B ou explosivos insensíveis, sendo que mesmo as munições mais
antigas passaram a utilizar esta tipologia de explosivo. Exemplo desta aposta é a evolução
do projétil HE M107 que nas suas primeiras versões fazia uso do TNT evoluindo, mais tarde,
para o uso do Composto B e mais recentemente para explosivos insensíveis semelhantes ao
IMX. Esta tendência traz maior segurança às guarnições que operam este tipo de projéteis e
permite, também, alterar a disposição dos meios no campo de batalha visto que as
características das munições que fazem uso desta tipologia de projétil permitem que as
viaturas ou depósitos de munições se localizem mais próximo dos restantes meios, sem
existir o risco de danos colaterais em caso de acidente ou ataque inimigo.
3.4.3. Guiamento
As munições de AC com guiamento inteligente são uma tecnologia avançada que tem
vindo a revolucionar o campo de batalha. Ao contrário das munições convencionais, que
dependem principalmente da precisão dos elementos de tiro e das condições atmosféricas
durante o disparo, as munições de Artilharia com guiamento inteligente possuem sensores
que lhes permitem ajustar automaticamente a trajetória em tempo real.
Na Figura 4 podemos ver que existe uma grande propensão para o emprego de
sistemas de guiamento de Semi Active Laser (50% da amostra). Apesar do uso de sensores
(Global Positioning System (GPS), laser ou infravermelho) para o seu guiamento ter vindo
a mostrar um grande incremento na precisão destas munições, sentiu-se a necessidade de
começar a duplicar estes sistemas, para que exista capacidade de cobrir as falhas do sistema
primário. A combinação GPS/Laser representa 20% da amostra e é a segunda tecnologia de
9
Explosivo Insensível fabricado pela BAE Systems.
28
guiamento mais usada, de que é exemplo a munição Vulcano da Leonardo Defense Systems.
A Vulcano tem como sistema primário de guiamento um sensor GPS e para colmatar
possíveis falhas consegue ser guiada por laser. Pela análise do Apêndice C podemos perceber
também que existe uma relação do sistema de guiamento aplicado à munição com a respetiva
precisão, sendo as munições guiadas por sensor GPS as que apresentam maior precisão, com
um CPE menor que cinco metros.
29
cargas TCM para tubos de 52 calibres. Ao nível da segurança, estas cargas destacam-se por
não existir uma orientação específica das cargas para inserção na câmara nem riscos
associados à troca acidental de TCM por BCM. Contudo com a evolução constante do campo
de batalha existe a necessidade de melhorias, surgiram as cargas 155mm IPC35 e 155mm
IPC36, da Nexter, (cargas de saco dentro de um invólucro combustível) que se destinam a
tubos de 39 calibres e 52 calibres (respetivamente), mas compatíveis com outras medidas.
Estas cargas apresentam uma opção mais barata que as TCM, quando a situação não exige a
utilização das MCS, dando um incremento de 5% a 8% de aumento às velocidades iniciais
que se traduzem em maiores alcances. Bem como a ERC (Extended Range Charge), carga
mais potente que promete um aumento médio de 15% da velocidade inicial mantendo os
níveis de desgaste do tubo baixos. Desbloqueando os grandes alcances, a General Dynamics
Ordnance & Tactical Systems está a testar a super-carga, uma carga única desenvolvida em
conjunto com o ERCA, de modo a ter alcances superiores a 70 km. Esta consiste num
invólucro rígido e apresenta facilidades logísticas e de manuseamento. Apesar destas
propriedades, a empresa considera que estas cargas não estão ainda prontas a ser empregues
no campo de batalha.
30
para uma mesma munição podemos esperar um comportamento diferente em distintos
sistemas de armas. Sendo que tendencialmente os alcances em tubos de 39 calibres são, de
modo geral, entre os 20 e os 39 km. Contrastando com os tubos de 52 calibres e superiores
que alcançam mais de 40 km. Para fazer aumentar o alcance as empresas de defesa fazem
uso de sistemas de propulsão adicional como por exemplo, base bleed, RAP ou Ramjet.
Características estas que são cada vez mais comuns nas munições de AC, existindo alguns
exemplos de munições como a M2000A1 HE da família ASSEGAI da Rheinmetall NIOA
que permitem o uso opcional do módulo de base bleed. Em desenvolvimento temos o sistema
Ramjet que revelou, em testes, chegar a distâncias de 80 km, no entanto é ambição da
Nammo e da Boeing que este projétil seja capaz de atingir até 150 km. Podemos então aferir
uma grande aposta em munições cujos projéteis alcancem distâncias superiores a 40 km.
3.5. Síntese
Podemos afirmar que ao nível dos sistemas de armas, é dada primazia a sistemas de
armas com calibre 155mm, um comprimento de tubo de 52 calibres, uma capacidade mínima
de executar tiro a 6 TOM, sendo que o reparo deve ser dotado de rodas e o sistema deve ser
operável a partir do interior da cabine. Ao nível das munições de AC, a tendência é para o
uso de munições com calibre de 155mm (escolha que se associa aos sistemas de armas), os
compostos explosivos que compõem os projéteis de AC são cada vez mais do tipo insensível,
para colmatar a necessidade de maiores alcances é frequente o uso de sistemas de propulsão
adicional bem como de cargas propulsoras maiores e mais potentes, e destaca-se, entre outras
inovações, a pré-fragmentação do corpo do projétil. Quanto ao guiamento, no caso de
munições inteligentes, verifica-se a duplicação de sistemas de guiamento tendo em vista uma
maior precisão do tiro e a redução do CPE para menos de cinco metros.
31
CAPÍTULO 4 – AQUISIÇÃO DE OBJETIVOS DA AC
4.1. OAv
Nas últimas décadas, o equipamento que o OAv dispunha para desempenhar a sua
função era pouco tecnológico, excetuando o equipamento individual comum a todos os
militares no campo de batalha, o OAv dispunha apenas cartas topográficas, uma bússola e
binóculos. Com o evoluir da tecnologia e o aumento dos alcances dos sistemas de armas, foi
surgindo a necessidade de melhores equipamentos para equipar o OAv, para que este fosse
capaz de cumprir a sua missão com a maior eficácia possível.
O desenvolvimento de equipamento para o OAv ao nível da AqObj assenta sobretudo
em equipamentos óticos. Da amostra estudada, Apêndice D, podemos retirar que os grandes
alcances, permitidos pelo poder de ampliação destes equipamentos, correspondem às
exigências da missão, sendo que os equipamentos com maior alcance são o Hand-held
Target Location Module (HTLM) pertencente ao Joint Effects Targeting System (JETS) 10,
da Leonardo DRS, e o CORAL-CR, da Elbit Systems, que conseguem detetar objetivos até
aos 10 e 11 km respetivamente. Contrastando com os equipamentos mais rudimentares que
10
Sistema que fornece ao OAv a capacidade de adquirir localizações precisas e de comunicar as mesmas de
forma instantânea para o PCT.
32
anteriormente equipavam os OAv, estes possuem diversas funcionalidades que permitem
não só um melhor desempenho, mas também uma maior cooperação com os órgãos de
comando do seu escalão. O JETS permite não só a localização e designação objetivos como
permite conectar o sistema à interface do comandante da unidade em que se integra,
permitindo ao comandante visualizar o perfil do campo de batalha, apoiando a sua decisão.
O que incrementa o contributo do OAv como conselheiro do comandante de companhia para
o AF. Estes equipamentos permitem ainda determinar distâncias e coordenadas precisas, a
orientação pelo Norte geográfico (diferente das bússolas convencionais que apontam o Norte
magnético e estão sujeitas às influências eletromagnéticas), fixar e acompanhar alvos
designados mantendo zoom progressivo, bem como realizar todas estas operações em
ambiente noturno. Equipamentos como o Sophie Ultima 11, da Thales, permitem o uso de
funcionalidades de simulação para treino das equipas OAv. Tal como os equipamentos
anteriormente utilizados estes são leves e fáceis de transportar permitindo que só um militar
seja capaz de operar o equipamento.
11
Equipamento ótico binocular concebido para capacitar o OAv para a localização de objetivos, quer durante
o dia quer durante a noite.
33
abandono dos sistemas radar em primazia dos sistemas UAV, sendo que a maioria dos
radares analisados foram desenvolvidos antes de 2007 e os sistemas UAV têm sido alvo de
grandes investimentos por parte das empresas de defesa com 90% dos sistemas a serem
fabricados após esse ano (Apêndice E e F). Os UAV têm desempenhado um papel cada vez
mais importante na AC. Estes dispositivos têm a capacidade de permitir reconhecimento e
vigilância em tempo real, identificar objetivos, localizar posições de Artilharia amigas e
inimigas e detetar movimentos do inimigo. Informações que obtidas em tempo real permitem
aos comandantes das unidades de Artilharia a tomada de decisões face às alterações de
situação do campo de batalha. Além destas funcionalidades os UAV podem ser utilizados
para monitorizar pontos de origem e/ou impacto dos projéteis de Artilharia assim como
proceder à avaliação de danos. No entanto existem também desvantagens no uso destes
equipamentos, sendo estes relativamente vulneráveis no respeitante à segurança cibernética
e a sua operação requer formação especializada. Contudo os seus benefícios são inegáveis e
fundamentais para uma maior eficiência das unidades de AC, como exemplo temos o caso
atual da Guerra Rússia-Ucrânia, revolucionado a AqObj.
A deteção de objetivos é uma capacidade crucial para a AC pois é através desta que
a AC adquire a identificação e localização dos seus objetivos. Neste âmbito são considerados
vários fatores como alcance, setores, autonomia, bem como a sobrevivência das secções que
operam os sistemas.
Neste tópico será analisada a deteção de objetivos por parte dos sistemas radar, sendo
que esta assenta em duas grandes características: os alcances e os setores. Quanto ao alcance
do RLA, podemos denotar diversas capacidades de deteção consoante o calibre do sistema
de armas sendo que por norma quanto maior o calibre maior o alcance a que o radar consegue
detetar o projétil.
A Figura 5 mostra-nos que a capacidade de deteção de projéteis de AC de calibre
médio está, para 50% dos casos, entre 19 e os 45 km ainda que o valor médio fique
estabelecido nos 37 km, contudo existe ainda registo de exceções como o radar AN/TPQ-
34
47, da Raytheon, que anuncia um alcance de 60 km destacando-se dos demais. Não obstante,
consegue detetar o projétil. consegue detetar o projétil. este foi descontinuado em 2005.
De acordo com a Figura 6, para os alcances de deteção para rocket, o AN/TPQ-47 tem
o lugar de destaque conseguindo detetar até aos 100 km, sendo que em 50% dos modelos a
capacidade de deteção é entre os 27 e os 80 km, apresentando ainda um valor médio de 50
km. De referir, o radar COBRA, da Hendsoldt, para o qual foi criado um pacote de melhorias
que dá um incremento de alcance até aos 100 km bem como outras características, como a
adição de uma segunda camada de pesquisa e a utilização de filtragem automática de
tempestade de areia em ambientes hostis, o que proporciona às secções equipadas com este
radar uma capacidade acrescida de cumprir a sua missão em condições adversas.
35
Saab, que prometem detetar cerca de 100 objetivos a cada minuto ou o ELM-2084, Israel
Aerospace Industries, que deteta até 200 objetivos por minuto.
[Link]. UAV
36
detenham a capacidade de encriptar as suas comunicações. Quanto a necessidades do campo
de batalha, como capacidade de descolagem em espaços confinados e proteção contra
inibidores de sinal. Existe uma tendência alargada a 90% da amostra para descolagem de
UAV sem necessidade de estruturas de lançamento sendo que apenas 24% de toda amostra
tem a capacidade de descolagem vertical, característica que torna facilitado o lançamento de
UAV em aéreas urbanizadas ou espaços confinados. Os modelos ThunderB e ThunderB-
VTOL, da BlueBird, de maior alcance, 2% da amostra, possuem proteção contra inibidores
de sinal GPS, vivendo hoje numa sociedade dominada pela tecnologia, esta capacidade
torna-se indispensável para garantir a continuidade da missão.
Podemos assim dizer que os UAV apresentam capacidades distintas dos restantes
meios de AqObj. Estes dispositivos revelam também diversas vantagens ao nível de
guarnição e segurança, sendo apenas necessários dois militares para operar os mesmos e em
termos de segurança, estes terão um nível superior de segurança visto durante o manuseio
do dispositivo permanecem a distâncias superiores (face aos meios radar ou equipamentos
óticos), na ordem das dezenas de quilómetros, do UAV.
4.2.2. Sobrevivência
37
deteção de frequência refletida por tudo o que o rodeia. Caso o radar tenha a antena
devidamente camuflada é praticamente invisível. Fator também importante para a
sobrevivência das secções radar é a capacidade de operação remota, apesar de existir pouca
aposta nesta característica, por exemplo as secções equipadas com o AN/TPQ 36 FireFinder
ou AN/TPQ 37 FireFinder, fabricados pela Raytheon, conseguem estar até 100 metros de
distância do radar, permitindo que em caso de ataque inimigo as secções estejam a uma
distância segura aumentando a probabilidade de sobrevivência. Assim se refletirmos sobre
a falta de automatismo dos radares, podemos encontrar motivos para haver pouca aposta
nestes meios. Os UAV, pelas suas dimensões e/ou alturas de voo, detêm uma capacidade
muito superior de sobrevivência visto que a sua deteção é praticamente impossível por meios
óticos e os meios radar de Artilharia Antiaérea ou MMR ainda apresentam capacidades
reduzidas para detetar objetivos desta natureza.
38
podemos afirmar que a interoperabilidade contribui de forma significativa para a
sobrevivência da força.
4.3. Síntese
39
CAPÍTULO 5 – NOVAS TENDÊNCIAS DE MERCADO APLICAVÉIS
NO FUTURO DA AC PORTUGUESA
5.1.1. Lacunas
No que concerne ao subsistema das Armas, Figura 8, 81% dos inquiridos revelam
elevada preocupação com os alcances dos sistemas de Armas do Exército Português. O
alcance dos sistemas de Armas utilizados pela AC portuguesa, M119LG, M109A5 AP e
M114A1, fica muito aquém dos requisitos NATO que estabelece um alcance mínimo de 40
km. Atualmente, a tendência de mercado neste quesito é influenciada tanto pelo tipo de
munições utilizados quanto pelo comprimento do tubo do sistema de armas. É evidente que
os sistemas de armas disponíveis no mercado, com comprimentos de tubo entre 50 e 60
calibres, possuem a capacidade de alcançar distâncias significativamente maiores em
comparação com os sistemas de armas utilizados pelo Exército Português, que possuem
comprimentos de tubo de 20, 23 e 39 calibres. Esta discrepância nos alcances pode ter um
impacto significativo nas capacidades operacionais e táticas da AC portuguesa,
especialmente quando comparada à de outros países NATO. É compreensível que se tenha
40
revelado uma preocupação expressiva, pois a limitação do alcance dos sistemas de armas
pode comprometer a efetividade das operações militares e diminuir significativamente a
capacidade de sobrevivência das unidades de AC.
41
manutenção/upgrades aos sistemas de armas bem como a compatibilidade dos mesmo com
munições inteligentes.
Ao nível das Munições, Figura 9, é sentido alguma inquietude pela generalidade da
amostra, 87%, quanto à falta de aposta nas munições inteligentes, seja que pela
incompatibilidade dos sistemas de armas ou pelo custo associado a estas munições, o
Exército Português não possui esta tipologia de munições. O mesmo acontece com a aposta
nas espoletas inteligentes e munições convencionais melhoradas, o que constitui uma falha
para 74% e 71% dos inquiridos, respetivamente. Destacando-se neste âmbito, a tendência
para o uso de espoletas do tipo PGK que permitem munições convencionais atingirem níveis
de precisão próximos de uma munição inteligente, constituindo uma solução mais
sustentável para a força, uma vez que, pelo seu custo/benefício, nem sempre é justificável o
uso de munições inteligentes. No mercado existe uma grande emergência de projéteis que
têm na sua constituição explosivos insensíveis, proporcionando uma maior segurança para
os serventes que as manuseiam. No caso português são ainda utilizados projéteis com TNT,
o que se revela uma preocupação para 16% da amostra. Já 7% perceciona como limitação o
reduzido crédito de munições adquiridas, quer sejam destinadas ao emprego operacional
quer ao treino das guarnições. Por último uma pequena parte da amostra, 3%, discorda que
as munições sejam uma limitação da AC portuguesa ou que o problema esteja na logística
associada.
42
podemos percecionar a elevada importância depositada na capacidade de bater objetivos a
distâncias superiores a 40 km, alinhando-se com a tendência fortemente demarcada pela
indústria que procura sistemas de armas com tubos cada vez mais longos e munições com
sistemas de propulsão adicional bem como cargas cada vez mais eficientes por forma a
atingir alcances cada vez maiores. Quanto ao calibre 155mm, padrão NATO, na sua maioria
a opinião dos inquiridos vai de encontro à tendência do mercado (53 votaram Importante (I)
ou Muito Importante (MI)) e apenas 10 inquiridos consideram Pouco Importante (PI) ou
Nada Importante (NI), opinião que poderá estar fundada na experiência destes militares com
sistemas de armas ligeiros como o M119LG. Destacou-se ainda a importância, dos sistemas
de armas possuírem cadências de tiro superiores a 6 TOM sendo tidos como valor médio dos
sistemas mais recentes. Quanto à dotação orgânica de munições, 48 dos inquiridos votaram
I ou MI, enquanto apenas 6 respondem PI, sendo que 22 dos inquiridos votaram
razoavelmente importante (RI). Ao nível da mobilidade considerando os resultados obtidos
considera-se que é dada grande importância à autonomia do sistema de armas, estando a
amostra entre RI e MI (17 + 24) com grande foco em I, 34 dos inquiridos. Quanto à
necessidade de autopropulsão, provavelmente motivada pelas diferentes experiências
operacionais dos inquiridos, temos 46 inquiridos a responder entre I e MI com os restantes,
30, a dividirem-se entre RI, PI e NI. Quanto à necessidade de que o sistema de tração seja
de rodas, a amostra encontra-se principalmente a responder RI ou I com 58 dos inquiridos
nesta situação.
50
40
30
20
10
0
> 40 km = 155mm > 6 TOM < Dot M un Autonomia Autopropulsão Rodas
43
com 68 resposta entre RI e I. Sendo que cerca de um terço dos inquiridos revela que apesar
do ênfase dado à proteção, o facto de a guarnição operar no exterior da cabine não
constituiria um fator limitante na avaliação de novos sistemas de armas. Ao nível da proteção
e segurança conferidas pela cabine, é demonstrada, com destaque, preocupação com a
presença de blindagens capazes de proteger a guarnição com 57 resposta em I e MI. Retira-
se também que relativamente à necessidade de proteção NBQ os inquiridos responderam de
forma equilibrada entre RI, I e MI, havendo apenas 8 inquiridos a desconsiderar esta
característica como preocupação. Assim podemos dizer que relativamente à blindagem as
necessidades sentidas vão de encontro à evolução do mercado de defesa, no entanto, a
proteção NBQ está muito presente no mercado sendo uma das tipologias que se encontra
praticamente sempre presente quer por predefinição ou por pacote de upgrade.
35
30
25
20
15
10
0
NBQ / Arma Defesa Blindagem Nº Serventes Operar no interior
Ao nível das munições, como na Figura 12, conseguimos perceber uma maior
preocupação nas características que privilegiam o efeito no objetivo, denominadamente
alcances, precisão e letalidade. O mercado de defesa procura a produção de projéteis cada
vez mais seguros de manusear, no entanto, cerca de 29 dos inquiridos atribui classificações
de NI, PI e RI, respostas que poderão estar influenciadas pelo desconhecimento destas
munições. Relativamente à letalidade, 47 I + MI, tal como acontece no mercado com a
procura de explosivos mais potentes ou a introdução da pré-fragmentação, também os
inquiridos afirmaram ter grande preocupação com a letalidade das suas munições. A esta
preocupação podemos associar a elevada precisão (55, I + MI) que se declara uma grande
necessidade e critério de compra ao nível das munições. Bem como o alcance segundo o
qual foram abordados os sistemas de propulsão adicional que 53 respostas I e PI face a 23
44
em RI e PI, revelam-se assim grandes preocupações neste âmbito. Nomeadamente, a
importância de se investir em munições que tenham na sua constituição projéteis com
compostos explosivos mais letais (47, I + MI) indo assim de encontro com a tendência
traçada pelo desenvolvimento da indústria. Ao nível das espoletas e projéteis inteligentes
bem como munições convencionais com espoletas inteligentes, existe uma grande parte dos
inquiridos que considera estas características sendo que 57 dos inquiridos respondem com I
ou MI, havendo, no entanto, mais ênfase para as munições inteligentes. Analisando a
tipologia de objetivos prevista pelos inquiridos para o emprego das munições de AC
conseguimos perceber alguma divergência de opiniões, havendo um equilíbrio entre aqueles
que consideram mais importante o emprego contra carros de combate e viaturas blindadas
(57, I + MI) e os que consideram prioritários os objetivos com baixo nível de proteção (56,
RI + I).
40
35
30
25
20
15
10
5
0
45
requisitos associados, sendo a resolução para esta tipologia de necessidade assente na
aquisição de projéteis e espoletas inteligentes bem como projéteis convencionais
melhorados. Não obstante existe a preocupação de que os projéteis detenham sistemas
auxiliares de propulsão permitindo um incremento aos alcances permitidos pelos sistemas
de armas.
5.2. AqObj
5.2.1. Lacunas
46
5.2.2. Opções de melhoria
Face às necessidades apontadas como importantes para uma AqObj mais capaz existe
a carência de equipamentos mais desenvolvidos. Após análise dos resultados do inquérito,
Figura 14, podemos inferir que os inquiridos manifestaram dois requisitos de elevada
importância para potenciar a AqObj, sendo eles a capacidade de deteção de objetivos a
distâncias superiores a 20 km (71, I + MI) e capacidade de interoperabilidade com os
restantes meios da força (65, I + MI). Quanto à capacidade de deteção de objetivos múltiplos,
podemos afirmar que se revela uma grande importância para os inquiridos com 72 resposta
I e MI. Ao nível dos setores de pesquisa e à sua necessidade de serem maiores que 90˚, 54
dos inquiridos respondem ser I ou MI enquanto os restantes dividem-se entre as respostas RI
e PI. A adaptabilidade a uma viatura não especifica temos 56 dos inquiridos a demonstrar I
ou MI enquanto 32 RI e os restantes PI. Já ao nível da fonte de alimentação e à necessidade
que estes meios devem ter de alimentação própria, os inquiridos dividem-se com 18 RI, 37
I e 19 MI.
70
60
50
40
30
20
10
0
> 20km Deteção Obj > 90˚ Adaptabilidade Alimentação Interoperabilidade
Viat Própria
47
CONCLUSÕES
49
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56
Apêndice A - Listagem Sistemas de Armas (Amostra A)
I
Designação Origem Ano Calibre Comprimento tubo Autonomia Tração
II
Designação Origem Ano Calibre Comprimento tubo Autonomia Tração
III
Apêndice B - Listagem Sistemas de Armas (Amostra B)
Designação Ano Fabricante Calibre Comprimento tubo Alcances TOM Dot Mun Tração Proteção Blindagem Guarnição
IV
Designação Ano Fabricante Calibre Comprimento tubo Alcances TOM Dot Mun Tração Proteção Blindagem Guarnição
V
Apêndice C - Listagem de Munições
Designação Origem Ano Fabricante Calibre Peso (Kg) Carga Explosiva (Kg) Composto Guiamento Propulsão Alcance (km) Objetivos Observações
Alvos pouco erro 0,5% da
155 mm HE Noruega 2016 Nammo 155 mm 42,5 9 TNT -------------- -------------- 24
protegidos distância
HB L52 - 32
Hollow base / L39 - 24 Alvos pouco
155 mm HE-ER Noruega 2016 Nammo 155 mm 44,4 9 TNT/Composto B -------------- --------------
Base Bleed BB L52 - 41 protegidos
L39 - 30
Explosivo
155 mm IM HE-ER Noruega 2016 Nammo 155 mm 44,4 10 -------------- -------------- -------------- -------------- --------------
insensível
Alvos em
Tula Design Semi Active CC + Viat
2K25 Krasnopol Rússia 1986 152/155 mm 51 6,5 ----------------- Base Bleed 20 movimento até
Bureau Laser Blindadas
36km/h
CC + Viat
FKP NII Semi Active Estimadas 3mun
30F75 Santimetr Rússia 1980 152 mm 41 10 ----------------- -------------- 18 Blindadas +
'Geodeziya' Laser para abater um alvo
Fortificações
CC + Viat
FKP NII Semi Active Estimadas 3mun
30F75 Santimetr M1 Rússia 1980 155 mm 40,9 12 ----------------- -------------- 20 Blindadas +
'Geodeziya' Laser para abater um alvo
Fortificações
Boeing Phantom
Boeing Ramjet 155 Noruega 2022 155 mm ----------------- ----------------- -------------- Ramjet 80 -------------- --------------
Works + Nammo
BAE Systems + Sensor Fuze (2 L52 - 35
Bonus França ------ 155 mm 44,6 6,5 (cada submunição) ----------------- Base Bleed Viat Blindadas Fire & Forget
Nexter Group submunições) L39 - 27
Explosivo
ER02A1 Espanha 2021 EXPAL 155 mm ---------- ----------------- -------------- Base Bleed 40 -------------- --------------
insensível
HE L15A1 EUA ------ Simmel Difesa 155 mm 43,5 11,3 TNT/Composto B -------------- -------------- -------------- -------------- --------------
Tula Design Semi Active CC + Viat
Krasnopol M2 Rússia 2006 155 mm 54 11 ----------------- Base Bleed 25
Bureau Laser Blindadas
LU 211 B-BB França ------ Nexter Group 155 mm 43,9 8,8 Composto B -------------- Base Bleed 40 -------------- --------------
LU 211 B-HB França ------ Nexter Group 155 mm 42,5 8,8 Composto B -------------- Hollow base 30 viat Blindadas --------------
LU 211 IM-BB França ------ Nexter Group 155 mm 43,9 8,8 XF 13333 -------------- Base Bleed 40 -------------- --------------
LU 211 IM-HB França ------ Nexter Group 155 mm 42,5 8,8 XF 13333 -------------- Hollow base 30 -------------- --------------
Base Bleed L52 - 40 Alvos pouco
M0121A1 IHE Austrália 2020 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- PBX (insensível) -------------- --------------
(opcional) L39 - 31 protegidos
Letalidade
Base Bleed L52 - 40 Alvos pouco
M0603A1 IHE PFF Austrália 2020 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- PBX (insensível) -------------- aumentada (pré-
(opcional) L39 - 32 protegidos
fragmentação)
General Dynamics
M107 EUA ------ 155 mm 43,2 6,6 TNT/Composto B -------------- -------------- 18,7 -------------- Baixo custo
Ordnance
Base Bleed L52 - 40 Alvos pouco
M2000A1 HE Austrália 2020 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- TNT -------------- --------------
(opcional) L39 - 30 protegidos
VI
Designação Origem Ano Fabricante Calibre Peso (kg) Carga Explosiva (kg) Composto Guiamento Propulsão Alcance (km) Objetivos Observações
Base Bleed + Alvos pouco
M2005 V-LAP Austrália 2017 Rheinmetall NIOA 155 mm ---------- ----------------- TNT -------------- 54 --------------
Rocket Assist protegidos
Alvos pouco
M401 Israel ------ Elbit Systems 155 mm ---------- 12 TNT -------------- Base Bleed 28-36 --------------
protegidos
Alvos pouco Super HE + Pré-
M454 Israel 2012 Elbit Systems 155 mm ---------- ----------------- ----------------- -------------- -------------- 22-28
protegidos fragmentação
Alvos pouco 200% mais eficaz
M481 Israel ------ Elbit Systems 155 mm ---------- 10,5 TNT -------------- -------------- 31
protegidos que a M107
Semi Active CC + Viat
M712 Copperhead EUA 1972 Lockheed Martin 155 mm ---------- ----------------- Composto B -------------- 16 --------------
Laser Blindadas
General Dynamics IMX previne
M795 EUA ------ 155 mm 46,7 10,8 TNT / IMX-101 -------------- 22,5 --------------
Ordnance detonação acidental
Raytheon Missiles L58 - 70 Erro menor que 2m
M982 Excalibur EUA 2007 & Defense + BAE 155 mm 48 22 ----------------- GPS -------------- L52 - 50 -------------- + All Weather +
Systems Bofor L39 - 40 GPS Jam resistent
General Dynamics
Ordnance + IR + radar (2 CC + Viat
SMArt 155 Alemanha 1998 155 mm 47 4,2 ----------------- -------------- 27,5 Fire & Forget
Tactical Systems + submunições) Blindadas
GIWS
Leonardo Defense GPS + Semi L52 - 50 Alvos pouco Erro menor que 5m
Vulcano BER Alemanha 2017 155 mm ---------- ----------------- ----------------- --------------
Systems Active Laser L39 - 36 protegidos + 90º fall
Leonardo Defense GPS + Semi L52 - 70 Alvos pouco
Vulcano GLR Alemanha 2017 155 mm ---------- ----------------- ----------------- -------------- --------------
Systems Active Laser L39 - 55 protegidos
General Dynamics Explosivo
XM1113 EUA 2022 155 mm ---------- ----------------- -------------- Rock Assisted -------------- -------------- --------------
Ordnance insensível
General Dynamics Explosivo
XM1122E1 EUA 2022 155 mm ---------- ----------------- -------------- -------------- -------------- -------------- --------------
Ordnance insensível
General Dynamics Explosivo
XM1128 EUA 2022 155 mm ---------- ----------------- -------------- Base Bleed 30 -------------- --------------
Ordnance insensível
VII
Apêndice D - Listagem de Equipamento Ótico para OAv
VIII
Apêndice E - Listagem de Meios Radar
Designação Ano Fabricante Tipologia Alcance (km) Setor Nº Objetivos Alimentação Entrada/Saída Pos Outras Capacidades
Viatura Dedicada +
AN/TPQ-53 2007 Lockheed Martin MMR mort 20 / art 34 / rocket 60 90º / 360º ------------------ 5min/2min Deteção de UAS + IFF
Gerador
AN/TPQ-50 ----- SRCTec RLA 15 360º ------------------ Viatura / Gerador / Bateria 20min/10min Precisão 50m
100 obj/min
Qualquer viatura capaz de
Arthur 2003 SAAB RLA mort 15 / art 20 / rocket 30 90º 8 projéteis em 2min/2min Baixa Assinatura
transportar a antena (3m)
simultâneo
270º (90º eletrónico
LIWIEC 2007 PIT RADWAR RLA ------------------------ ou 180º mecânico + ------------------ Viatura Dedicada ---------------------- ----------------------
90ºeletrónico)
AN/TPQ-37
1984 Raytheon RLA art 30 / rocket 50 90º ou 60º ER ------------------ HMMWV + Gerador 15min operação remota até 100m
Firefinder
AN/TPQ-49 ----- SRCTec RLA 10+ 360º ------------------ Viatura / Gerador / Bateria <20min ----------------------
AN/TPQ-47 2004 Raytheon RLA mort 30 / art 60 / rocket 100 / balistic 300 ---------------------- ------------------ HMMWV + Gerador ---------------------- cancelado em 2005
RADA Electronic
MHR 2018 RLA ------------------------ 90º ------------------ Gerador ---------------------- 3/4 sistemas vigilância hemisférica
Industries
Israel Aerospace
ELM-2084 MMR ----- MMR 100 120º / 50º elevação 200 obj/min Gerador ---------------------- erro de 0,3% + operação remota
Industries
MMR Prototype ----- SRCTec MMR 35 90º 100 HMMWV Precisão 30m
AN/TPQ-36
1970 Raytheon RLA art 14,5 / mort 18 / rocket 24 90º / 360º 10 HMMWV + Gerador 15min/5min operação remota até 100m
FireFinder
IX
Apêndice F - Listagem de UAV
Designação Origem Ano Fabricante Tempo de Voo (h) Dist Comunicação (km) Peso (kg) Camuflagem Observações
Aerostar Israel 2000 Aeronautics 12 250 LOS / BLOS Unlimited 240 -------------------------------------- --------------------------------------
Dominator Israel 2009 Aeronautics 20 250 LOS / BLOS Unlimited 1900 -------------------------------------- Carga até 373kg
FLYEYE Polónia 2013 WB Group 2,5 180 LOS 11 Silencioso Carga até 4kg
FT5 Polónia ------- WB Group 10 150 LOS 85 Encriptação das comunicações Waypoint Systems
JUMP 20 EUA 2014 AeroVironment 14 185 LOS 97,5 ------------------------------------- Descolagem Vertical + Carga até 13,6kg
Octoper Israel 2018 Aeronautics 1 elétrico / 4 híbrido 30 elétrico / 100 híbrido 25 Encriptação das comunicações Descolagem Vertical + Carga até 10kg
Orbiter 4 Israel 2017 Aeronautics 24 150 LOS / BLOS 55 ------------------------------------- Carga até 12kg
Baixa assinatura acústica, visual, Descolagem Vertical + GPS Jam protected + All
ThunderB-VTOL Israel BlueBird 12 150 35
térmica e radar Weather + 2 operadores
X
Apêndice G - Formulário de Inquérito
Sr. Oficial,
Este inquérito insere-se no âmbito do Trabalho de Investigação Aplicada subordinado ao
tema “Inovações e Tendências na Artilharia de Campanha: requisitos dos Sistemas de
Artilharia de Campanha português”. O inquérito tem como objetivo identificar, de acordo
com as novas tendências em Sistemas de Arma e de AqObj de Artilharia de Campanha, os
requisitos necessários para colmatar as lacunas existentes no Sistema de Artilharia de
Campanha do Exército Português.
Neste sentido torna-se importante obter respostas com base na experiência e na opinião de
profissionais nesta área por forma a dar uma maior credibilidade e validade a este trabalho.
O seu contributo será da maior importância para a consecução dos objetivos a que o trabalho
se propõe.
As respostas devem refletir a sua opinião de forma livre e sincera, pelo que, não existem
respostas certas ou erradas, sendo livre de não participar, em qualquer momento, se for essa
a sua vontade. As respostas são anónimas e confidenciais, e serão apenas do conhecimento
dos investigadores. Em momento algum, serão associados os seus dados de identificação ao
questionário.
As respostas serão tratadas em conjunto e nunca a título individual, sendo os dados utilizados
para fins de investigação científica.
O tempo para preenchimento: 7 minutos
Equipa de investigadores da Academia Militar:
• Autor: Aspirante de Artilharia Ricardo Magalhães Freitas
• Orientador: Major de Artilharia Humberto Miguel Rodrigues Gouveia
Para qualquer questão, por favor contacte: [Link]@[Link]
Obrigado pela sua colaboração.
Declaro que participo no estudo de forma voluntária.
Sim
Não
XI
Questão 2: Sistemas de Armas
De entre as características, abaixo mencionadas, selecione as que mais considera
limitadoras.
Baixa interoperabilidade com os restantes meios dentro dos GAC
Necessidade de guarnições numerosas
Alcances reduzidos
Pouca mobilidade
Baixo nível de proteção dos serventes durante manuseamento do obus
Outra opção…
Questão 3: Munições
De entre as características, abaixo mencionadas, selecione as que mais considera
limitadoras.
Projéteis pouco seguros que não seguem as tendências do mercado
Pouca/nenhuma aposta em munições inteligentes
Pouca/nenhuma aposta em espoletas inteligentes
Pouca/nenhuma aposta em munições convencionais melhoradas
Outra opção…
Questão 4: AqObj
De entre as características, abaixo mencionadas, selecione as que mais considera
limitadoras.
Baixa interoperabilidade com os restantes meios dentro dos GAC
Alcances reduzidos
Capacidade de adquirir múltiplos objetivos é reduzida
Elevada assinatura radar
Necessidade de viatura dedicada
Outra opção…
XII
Maior Autonomia do obus
Aposta em Sistemas de Armas autopropulsados
Sistema de Tração: Rodas
Proteção: NBQ e ou Arma de Defesa da Secção incorporada na viatura
Blindagem da cabine da viatura
Guarnição obus: Número de serventes reduzido
Guarnição obus: Operar no interior da cabine
Questão 6: Munições
Classifique segundo o grau de importância, sendo 1 (nada importante) e 5 (muito
importante), os requisitos para as munições a adquirir pelo Exército Português.
Composto Explosivo: + Seguro de Manusear
Composto Explosivo: + Letal
Aposta em Espoletas Inteligentes
Aposta em Projéteis Inteligentes
Aposta em Projéteis Convencionais com Espoletas Inteligentes e Projéteis
Inteligentes
Existência de sistemas auxiliares de Propulsão (BB, RAP, V-LAP)
Possibilidade de emprego contra CC e Viat Blindadas
Possibilidade de emprego contra Objetivos com pouca proteção
Precisão: Erro < 5m
Questão 7: AqObj
Classifique segundo o grau de importância, sendo 1 (nada importante) e 5 (muito
importante), os requisitos para meios de AqObj a adquirir pelo Exército Português.
Alcance > 20km
Capacidade de Detetar >nº de obj em simultâneo
Setor (Amplitude > 90º)
Adaptabilidade a viaturas já existentes na força
Necessidade de meios de alimentação próprios
Interoperabilidade com os restantes meios da força
XIII