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Projeto de Receptor Supermouse Rx

O documento descreve o projeto e protótipo de um receptor para o Supermouse, visando um design com poucos componentes, baixo custo e bom desempenho. O receptor deve operar em AM e SSB nas bandas de 80 e 40 metros, com características como sensibilidade, seletividade e rejeição de interferências. O projeto utiliza o circuito integrado TDA1072, destacando a importância do acoplamento de impedâncias para otimizar o ganho e a recepção.

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Projeto de Receptor Supermouse Rx

O documento descreve o projeto e protótipo de um receptor para o Supermouse, visando um design com poucos componentes, baixo custo e bom desempenho. O receptor deve operar em AM e SSB nas bandas de 80 e 40 metros, com características como sensibilidade, seletividade e rejeição de interferências. O projeto utiliza o circuito integrado TDA1072, destacando a importância do acoplamento de impedâncias para otimizar o ganho e a recepção.

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SUPERMOUSE Rx – RECEPTOR ACOMPANHANTE

PARTE1: PROJETO E PROTÓTIPO

Operando o Supermouse, senti falta de um receptor que “casasse” com o peque-


no transmissor, porque ficou esquisita a recepção no HRO50, umas 100 vezes maior do
que ele. Daí surgiu a idéia de projetar um receptor que pudesse ser agregado ao Super-
mouse Tx, na forma de uma “linha separada” ou de um transceptor. Segue a descrição
do projeto e construção do protótipo.

As premissas seriam no mesmo escopo do Tx, ou seja:

Menor número de componentes;


Facilidade de obtenção dos materiais;
Custo baixo;
Facilidade de montagem;
Melhor desempenho possível dentro das restrições acima.

Como sempre, há compromisso: não se pode obter um receptor completo de


primeiríssima linha a preço de banana com meia dúzia de componentes. Mas também
em prol da simplicidade não compensa ter um desempenho tão ruim e tão poucos recur-
sos que tornem difíceis os comunicados.

O mínimo a ser conseguido seria:

• Recepção em AM e SSB para 80 e 40 metros;


• Ganho e ruído aceitáveis;
• Rejeição de interferências idem;
• Indicador de intensidade de sinal (S meter);
• Controle de ganho de RF;
• VFO integrado, de preferência com indicação digital;

Antes de atacar o projeto vamos fazer umas considerações sobre as característi-


cas mais importantes dos receptores em geral, do ponto de vista desempenho, bem como
as medições utilizadas para avaliação. Não pretendo fazer um tratado sobre o assunto,
mas creio que um pouco de teoria ajuda a realizar na prática. Se o colega não tem paci-
ência ou vocação para ir mais a fundo, poderá mesmo assim montar o receptor e obter
bons resultados.

Como o termo “decibel” aparece aqui com frequência, seria bom dar uma refres-
cada no que ele significa:
Decibel, ou dB, é uma medida de proporção relativa entre dois valores numéri-
cos, em geral ganho de potência elétrica ou sonora. Um valor em dB corresponde a 10
vezes o logaritmo na base 10 da proporção a representar:

X dB = 10 log (P1/P2)

O logaritmo na base 10 é a potência a que se eleva o número 10 para obter o


numero do qual se quer calcular o log.

Exemplo: se P1 for 100 vezes maior que P2, P1/P2=100. Sendo 100 igual a 10
elevado à potência 2, log100=2 e portanto X= 10 log (P1/P2) = 20dB.

Da mesma forma se a proporção P1/P2 for:


1 => 0dB
2 => 3dB
10 => 10dB
1.000 => 30dB
0,1 => -10dB
0,001 => -30dB
[Link] => 90dB

Note que para proporções menores que 1, normalmente representando atenua-


ção, o valor em dB é negativo.

Quando a proporção é entre tensões, define-se dB como = 20 log V1/V2. Desta


forma, o mesmo numero em dB representa a proporção entre tensões ou potências para
o mesmo valor de impedância de carga.
Por exemplo, um amplificador aplica 100W numa carga de 50 ohms com 1W de
entrada, também 50 ohms: o ganho será de 20dB quer se considere a potência ou a ten-
são:

10 log (100W / 1W) = 20dB


20 log (70,7V / 7,07V) = 20dB

Usa-se também o decibel como medida absoluta, nesse caso em proporção com
um determinado valor, agregando uma letra para diferenciar:
dBm = proporção em dB entre o valor medido e 1 milliwatt, p /ex: 30dBm=1W
A utilidade da medida em dB é que sendo logarítmica, pode representar com fa-
cilidade grandes variações de forma mais intuitiva, permitindo visualizar num mesmo
gráfico valores de microwatts até quilowatts. Além disso, as multiplicações tornam-se
somas, p/ ex: um pré-amplificador com ganho 20dB (100 vezes) seguido de um ampli-
ficador de ganho 3dB (2 vezes), terá no conjunto ganho de 20+3= 23dB (200 vezes).

Bom, vamos às medições de desempenho de receptores, que infelizmente não


obedecem a nenhum consenso: Fabricantes de equipamentos profissionais, de receptores
para radioamadores e de uso geral não se entendem muito bem sobre o que e como me-
dir para a comparação e avaliação de seus rádios. Vou citar aqui as práticas do pessoal
técnico da ARRL (Amateur Radio Relay League), a associação de radioamadores norte-
americanos, que publica regularmente as avaliações dos equipamentos do nosso hobby.
As características mais importantes de desempenho são:

1- Seletividade, ou Banda Passante:


É a capacidade do receptor em separar o sinal desejado dos demais sinais e
ruídos presentes na antena. Normalmente a separação é obtida inserindo-se
um filtro em algum estágio da amplificação, que deixam passar integralmen-
te a faixa desejada, eliminando todas as demais frequências.
É claro que no mundo real não existem filtros como esse, sempre há a atenu-
ação dentro da faixa e alguma passagem de sinais fora dela. Especifica-se
portanto a seletividade do filtro (e do receptor) como a atenuação em dB para
determinadas frequências acima e abaixo da frequência central, por ex: -6dB
para +/- 3kHz e -60dB para +/– 20kHz.

2- Sensibilidade:

É a capacidade do receptor em amplificar um sinal fraco de RF vindo da an-


tena até o nível adequado para acionar o alto-falante. Aparentemente depen-
deria apenas de incluir tantos estágios de ganho quantos necessários, mas o
problema é que o ruído elétrico gerado internamente nos semicondutores (ou
válvulas) acaba se sobrepondo ao sinal desejado.
Especifica-se então como sensibilidade o valor em microvolts de um sinal de
RF aplicado na entrada, que provoca uma relação sinal-ruído de 0dB obtido
na saída de áudio, ou seja, a potência média do ruído igual a potência do tom
de 1kHz.
Este valor também é chamado de “noise floor” (piso de ruído) ou Minimal
Discernible Signal (MDS, menor sinal perceptível), quando representado por
valores em dBm, p/ ex: -120dBm, que corresponde a
0,[Link].001W , ou 1 quatrilhonésimo de watt.
Em AM define-se a sensibilidade como o nível em uV do sinal modulado em
30% por um tom de 1kHz que resulta em saída de áudio 10dB acima do noi-
se floor.
A medida da sensibilidade depende da banda passante, porque o valor da
tensão de ruído aumenta com a largura da banda enquanto o tom de áudio
não se modifica com a dita cuja. O pessoal da ARRL usa 500Hz.

Nas bandas baixas de HF o noise floor tem importância relativa, porque o ru-
ído gerado pela atmosfera e interferências diversas costuma ser muito maior
que o ruído interno dos receptores. Muita sensibilidade em 80 e 40m deve
ser evitada porque prejudica outras características, como veremos adiante.

3- Faixa Dinâmica (dynamic range) por Bloqueio e IMD (Intermodulation Dis-


tortion)

São medidas de quanto um sinal fora da banda passante afeta a recepção: ao


receber um sinal fraco, uma estação forte em frequência próxima pode não
ser audível mas provocar a redução do sinal fraco, é o chamado bloqueio; ou
interagir com outro sinal forte e provocar o aparecimento de sinais audíveis
dentro da banda passante, neste caso por IMD.
Esta característica é de longe a mais difícil de ser obtida: Receptores com al-
ta rejeição de bloqueio e baixa IMD tendem a ser caros e complicados.

A dificuldade consiste em evitar que os estágios anteriores à filtragem final


saturem, por isso os filtros devem ficar o mais “próximos” possível da ante-
na, para que os estágios de ganho posteriores apenas amplifiquem os sinais
desejados. Mas na prática é impossível obter filtros que acompanhem a fre-
quência de recepção, daí o apelo aos receptores super-heterodinos que pri-
meiro convertem a frequência desejada para uma frequência intermediária
fixa, onde se aplicam os filtros. Mas aí aparece o problema de saturação dos
estágios anteriores à FI por sinais fora da banda passante, vejamos porque:

Sinais fortes detectados dentro da banda passante provocam a redução de ga-


nho dos estágios de RF e FI por ação do AGC (controle automático de ga-
nho), estabilizando o nível de áudio na saída. Mas para sinais fora da banda,
o AGC não atua, deixando alto o ganho dos estágios anteriores ao filtro en-
quanto se recebe um sinal fraco. Sem a ação do AGC, estes estágios saturam
com o sinal forte, reduzindo o ganho para o sinal fraco. Deste ponto de vista,
quanto menos pré-amplificação de RF e menor número de conversões me-
lhor, deixando a maior parte do ganho por conta da FI, após a filtragem.

Especifica-se a Faixa Dinâmica por Bloqueio como a relação em dB entre o


sinal fora da faixa que provoca atenuação de 1dB no sinal recebido e o “noi-
se floor”, anotando-se o afastamento em frequência. p/ex: 90dB para offset
de 50kHz.

A medida da Faixa Dinâmica por IMD é um tanto difícil de ser realizada e


não funciona bem para alguns tipos de receptores, portanto vamos considerar
somente por bloqueio, que de certa forma acompanha os resultados por IMD
e é suficiente para a avaliação do nosso SMRx.
Curiosamente os antigos rádios a válvula apresentam boa faixa dinâmica:
Devido à alta tensão nas placas em comparação com os sinais, elas suportam
níveis muito mais altos sem distorcer ou saturar.

4- Rejeição de imagem:
Problema típico dos superheterodinos, trata-se da entrada de sinais indesejá-
veis situados do “lado oposto” à frequência do oscilador local, com a mesma
diferença da frequência da FI.
Por ex: na recepção em 7,000MHz com FI de 455KHz, o oscilador local po-
derá estar em 7,455MHz. Um sinal em 7,910MHz terá a mesma diferença de
455KHz para o oscilador local e entrará na amplificação de FI com a mesma
amplitude do sinal desejado, a menos que seja atenuado por um filtro antes
do conversor, e este deverá acompanhar a frequência de recepção ou deixar
passar a faixa toda a ser recebida (7,000 a 7,300 no caso da banda de 40m),
atenuando fortemente as frequências da imagem (7,910 a 8,110 MHz).

Os receptores de comunicação mais antigos resolviam o problema conectan-


do mecanicamente em tandem os capacitores variáveis de sintonia de antena
e do oscilador local. Os modernos utilizam filtros fixos por banda, que são
comutados automaticamente.

Quanto menor for a frequência de FI em relação à frequência a ser recebida,


mais difícil fica a filtragem, devido a proximidade entre o sinal e a imagem.
Uma solução popular é adotar múltiplas conversões: se o sinal, digamos,
14Mhz for convertido primeiro para 3MHz e depois para 455kHz, a imagem
da 1ª conversão estará em 8MHz, bastante afastado do sinal desejado e por-
tanto mais fácil de filtrar, e a imagem da 2ª conversão estará também propor-
cionalmente afastada dos 3MHz, em 2,090MHz. Porem a dupla conversão
aumenta os problemas de bloqueio e IMD, por haver mais estágios de ganho
antes da filtragem final, passíveis de saturação e distorções.

Os receptores modernos resolveram o problema adotando FI de frequência


alta, próxima a 10MHz, possível devido aos filtros a cristal que conseguem
boa seletividade nessas frequências. No entanto as múltiplas conversões res-
surgiram recentemente nos rádios que utilizam filtros DSP (digital signal
processing), que voltaram a demandar FI baixa. Manter o desempenho com
varias conversões é um capítulo a parte, o que explica a complexidade e o
preço desses receptores.

Especifica-se a rejeição de imagem em dB , indicando a relação entre a am-


plitude de um sinal na frequência imagem e a de um sinal dentro da banda
que provoque a mesma saída de áudio. São típicos valores de -50dB ou mais.

5- Estabilidade
O oscilador local dos super-heterodinos é quem determina a estabilidade de
frequência do receptor. É bastante difícil conseguir osciladores variáveis LC
com estabilidade a longo prazo melhor do que algumas centenas de hertz,
principalmente em frequências mais altas, bem como dar a indicação precisa
no dial.
Os sintetizadores digitais, que usam um cristal de quartzo como referência,
resolveram este problema mas criaram um outro: a estabilidade a curto pra-
zo, que consiste de modulação em frequência ou fase. No caso dos recepto-
res este ruído provoca o aparecimento de sinais interferentes dentro da banda
passante quando um sinal forte fora da banda combina-se com o oscilador
local “ruidoso”, portanto convém obter a maior pureza espectral possível.
Não achei testes da ARRL para estabilidade e ruído de fase em receptores.

Osciladores LC acompanhados de um frequencímetro digital resolvem o


problema da indicação de frequência mas não o da estabilidade, obrigando o
operador a realizar correções periódicas se quiser se manter no mesmo lugar
do espectro.

O PROJETO

Analisando os projetos de receptores simples existentes na Internet feitos pelos


colegas daqui e do exterior, identifiquei um circuito integrado muito popular, o
TDA1072 da Phillips que apesar de não mais ser fabricado ainda é vendido em vários
sites na Internet.
Mesmo tendo sido projetado para recepção de broadcast em ondas médias, ele
tem especificação de sensibilidade bem interessante, mais que suficiente para dispensar
estágios adicionais. Andei escutando a recepção com o TDA1072 nas versões de sim-
ples e dupla conversão (utilizando um CI adicional) montados pelos colegas, e confesso
que não fiquei muito animado: No radio de conversão simples falta ganho e rejeição de
interferências, e no dupla sobra ruído gerado internamente. Mas se as especificações do
CI pelo manual parecem boas, o que estaria havendo?
Depois de muito quebrar a cabeça e experimentar, as conclusão é que deve-se
tomar cuidado com os níveis de impedância do TDA1072: A entrada de RF é da ordem
de 5k, da saída do conversor 500k e entrada de FI é 3k, bem diferentes do que se costu-
ma ter em projetos utilizando transistores discretos, e por isso não se pode aplicar solu-
ções e componentes comumente usados nos radinhos de onda média. Acertando o ca-
samento das impedâncias, o ganho resultou suficientemente alto para dispensar qualquer
amplificação além do TDA (que, como veremos adiante, já a tem demais).

FILTRO DE FI 455KhZ

Há no datasheet do TDA1072 (ver anexo) as especificações para o filtro de FI.


Tentei o melhorzinho, o no.4, com 3 ressoadores cerâmicos SFU455B e um transforma-
dor sintonizado. Acontece que os transformadores de FI ainda existentes por aí foram
projetados para amplificadores discretos, o secundário vai direto à base do transistor
onde a impedância é muito baixa. A relação de espiras em relação ao primário é de 30:1,
sendo que o datasheet do TDA recomenda 2:1 (descasamento de impedância de
15.000%). O efeito disso é baixar tremendamente o ganho da FI, além de saturar o está-
gio conversor e arruinar a faixa dinâmica.
Como não é fácil reenrolar aquele transformador microscópico, resolvi a parada
usando um divisor capacitivo no primário (C9 e C10, ver esquema), retirando o capaci-
tor interno de 150pF (basta quebrá-lo, é um tubinho cerâmico dentro de um rebaixo da
bobina). Também foi necessário isolar os níveis DC entre o conversor e a entrada da FI
por meio do capacitor C20.
Os filtros cerâmicos SFU455B, tais como o CI e os transformadores, também
são obsoletos, mas como estes, encontra-se facilmente no Ebay e até na Santa Ifigênia.
Mas não são os originais da Murata e sim chineses, e como seria de esperar, funcionam
mal: a banda passante é muito aberta e fora da frequência especificada.
Por sorte existe na praça uma família de filtros cerâmicos de 6 elementos e boa
qualidade, usados em rádios Kenwood e Yaesu, fornecidos por vários fabricantes a pre-
ço razoável. Adotei o LTM455GW, que demonstrou ter boa largura para AM (-6dB a
9kHz) e ainda permite uma recepção decente em SSB, se bem que ajudado por um tru-
que: um filtro passa baixos de áudio com o corte em 4.5kHz que atenua os sinais situa-
dos 4,5 e 9kHz abaixo da frequência recebida. Desta forma o receptor mantem a banda
passante de 4.5kHz mesmo com o filtro cerâmico de 9kHz. Em AM o filtro de áudio
não interfere, porque o cerâmico já atenua os sinais a partir de 4.5kHz acima e abaixo da
portadora.
Calculei o filtro de áudio com a ajuda do programa Filter Pro Desktop, disponí-
vel gratuito no site da Texas Instruments, usando os seguintes parâmetros:

Filtro ativo Chebyshev passa baixas de 3ª ordem, topologia Sallen-Key, 1dB de


ripple e 16dB de ganho na banda passante
Freq. de corte 6db: 4,5kHz
A simulação resultou em atenuação de -23dB em 9khz.

Para o elemento ativo do filtro aproveitei o pré amplificador do circuito integra-


do TDA1015, que também incorpora o amplificador de potência de áudio.

FILTROS DE RF

Adotei a conversão simples porque já existindo pré de RF no TDA1072 e ganho


mais do que suficiente, o conversor adicional iria prejudicar a faixa dinâmica e aumen-
tar o ruído, além da complicação extra. Em contrapartida a eliminação da imagem na
conversão simples exige filtro mais elaborado do que um circuito LC sintonizado.
Por outro lado, esse filtro tem a vantagem de atenuar, além da imagem, todos os
sinais fora da faixa de amador, diminuindo as chances de interferência ou dessessibili-
zação. De um modo geral, pode-se esperar um desempenho melhor com a conversão
simples desde que o filtro seja adequado.
Calculei os filtros de RF utilizando o ótimo programa ELSIE, que roda em Win-
dows e está disponível grátis no site da ARRL. Seguem os dados utilizados para o cál-
culo:

Filtro de 40m, Butterworth 3ª ordem, entrada capacitiva:


Freq. central: 7,200 MHz
Banda passante: 200kHz
Impedância de entrada: 50 ohms
Impedância de saída: 1000 ohms
Q dos indutores: 150
Q dos capacitores: 1000

Filtro de 80m, Butterworth 2ª ordem, entrada indutiva:


Freq. central: 3,700 MHz
Banda passante: 200kHz
Impedância de entrada: 50 ohms
Impedância de saída: 1000 ohms
Q dos indutores: 150
Q dos capacitores: 1000

Pela simulação no ELSIE a atenuação de imagem é 63dB em 40m e 47dB em


80m, razoável se considerarmos que não há emissoras fortes nas frequências da ima-
gem.
Aproveitando a alta impedância do pré-amplificador de RF do TDA1072, a
transformação de impedâncias de 1:20 dos filtros proporciona um ganho adicional de
13dB sem aumentar o nível de ruído, porque o filtro é passivo.
Notem que o filtro de 40m tem entrada capacitiva e o de 80 entrada indutiva,
permitindo que funcionem como um diplexador: o de 40 tem alta impedância em 80 e
vice-versa, portanto podem ser ligados em paralelo sem que um interfira no outro.
O pré de RF do TDA é um amplificador diferencial e tem 2 entradas idênticas
acessíveis (pinos 16 e 17) , que aproveitei para entrar separadamente com os sinais dos
filtros, sendo que cada um deles tem um circuito ressonante paralelo na saída, desaco-
plando a entrada do TDA para a frequência do outro. Desta forma, consegue-se a recep-
ção nas duas bandas sem necessidade de comutar os filtros e nenhum prejuízo quanto a
ganho, ruído ou banda passante.

VFO

Tenho observado a oferta de vários geradores de RF de baixo custo na Internet,


utilizando CI sintetizadores DDS (direct digital syntesis) da Analog Devices, AD9850 e
AD9851. A pureza espectral e estabilidade desses CIs é excelente, tanto que são usados
em vários receptores de comunicação atuais. Em nosso caso, pode-se usar o tradicional
oscilador com capacitor variável acoplado a um dial ou frequencímetro, mas dada a dis-
ponibilidade dos DDS creio que não compensa. Além disso o DDS alcança as duas ban-
das sem necessidade de comutação, e como não precisamos comutar os filtros de RF,
simplifica-se um bocado.
Como não encontrei um gerador DDS que tivesse todas as características desejá-
veis para operar como VFO, acabei fazendo um a partir do zero, o qual pretendo por à
venda futuramente no ebay. O protótipo que aparece nas fotos tem as seguintes especifi-
cações:

Frequência: 1 a 30MHz
Potência de saída: 10dBm (10mW)
Pureza espectral: melhor do que 90dB em toda a banda
Comutação de offsets de frequência para Tx/Rx e AM/SSB

Display: 16 caracteres + barra indicadora analógica com 32 elementos:


Smeter em Rx e Watts em Tx
Modo de sintonia: encoder rotativo
Seleção de dígito/faixa: botão acoplado ao encoder + giro
Memorização da ultima frequência antes do desligamento
Configuração em memória não-volatil:
Offset de frequência da FI quando em AM (-455kHz)
Offset de frequência quando em SSB (-451kHz)
Ajuste de escala da barra analógica independente para Rx e Tx

Para selecionar o dígito, aperte o knob para dentro e gire, o tracinho abaixo do
numero se desloca para a esquerda ou direita. Solte o knob e gire, a frequência muda a
partir do digito selecionado.
A idéia é que o VFO DDS possa ser usado tanto no receptor como no transmis-
sor, e no caso de transceptor, apenas um VFO atende aos dois.

RECEPÇÃO EM SSB

A injeção do oscilador de batimento em estágios de FI anteriores à detecção co-


mo nos antigos receptores a válvula dá mau resultado, porque a presença desse sinal
aciona o AGC que dessensibiliza o rádio, exigindo um controle crítico do nível de inje-
ção. O correto é aplicar o sinal de saída da FI num demodulador de produto, isolando o
sinal de batimento do detetor de amplitude que aciona o AGC. Mas o TDA1072 não dá
acesso ao sinal de FI, portanto para quem quiser recepção SSB o jeito é usar o
TDA1572, que é tão fácil (ou difícil) de conseguir quanto o seu irmão mais velho, e é
idêntico a ele, inclusive a pinagem: apenas tem dois pinos adicionais sendo um deles
ligado internamente à saída de FI. O TDA1072 poderá ser usado na mesma placa, mas o
rádio não receberá SSB.
O circuito integrado SA602 acumula as funções de oscilador de batimento e de-
modulador de produto, sendo a saída de áudio comutada entre ele e o detetor de AM
pela chave S1. A frequência do oscilador é determinada por L8.
O filtro cerâmico de FI um tanto largo não garante a separação de estações SSB
em uma faixa congestionada, mas serve perfeitamente em condições mais favoráveis,
com o bônus de receber as transmissões em alta fidelidade com a qualidade que elas
merecem.
A sintonia fixa do BFO somente permite receber uma das bandas laterais, mas
como em 40 e 80m só se usa LSB, isso não representa problema.
A recepção em SSB demanda AGC mais elaborado, daí os componentes C26 e
R10 que retardam a resposta a longo prazo do AGC, do tipo “hang” : Variações curtas
de intensidade devido ao QSB são compensadas rapidamente, mas um sinal forte reduz
o ganho por um tempo prolongado, resultando em recepção mais agradável em condi-
ções de ruído.

ATENUADOR DE RF

O ganho conseguido superou as expectativas, e numa banda ruidosa como os 80


metros o ruído de fundo na ausência de sinal realmente incomoda, principalmente em
SSB. Por essa razão incluí o controle de ganho P1 que aplica tensão positiva na malha
do AGC reduz o ganho em até 40dB, silenciando o receptor quando os sinais fortes o
permitem.
AMPLIFICADOR DE AUDIO

Utilizei no protótipo um alto-falante de computador com amplificação própria,


mas no esquema está incluído o integrado TDA1015 que fornece uns 4W, mais o con-
trole de volume, filtro de áudio e saída para fones, que serão incorporados na placa im-
pressa final.

MEDIDOR DE INTENSIDADE

O TDA1572 tem uma saída para medir a intensidade do sinal, que é a tensão do
AGC “bufferizada”, suficientemente linear (na verdade logarítmica) para construir um
Smeter calibrado. O VFO DDS possui um conversor analógico-digital que permite a
indicação em forma de barra no display. A barra pode indicar potência na transmissão e
intensidade de sinal na recepção, sendo possível a sua calibração pelo menu do VFO.
Calibrei para indicar meia escala com intensidade S9 (50uV na antena) e o controle de
ganho de RF a meio curso.

PROTÓTIPO

Foi montado sobre placa impressa, originalmente feita para complementar os


conversores bolados pelo Amer PY2DJW, que me presenteou com uma e foi de grande
valia. Mas como houve muitas modificações e acréscimos, tive de fazer uns “puxadi-
nhos” que acabaram resultando numa bela gambiarra, veja aí:
Não há como escapar de alguns ajustes: as bobinas dos filtros de RF foram ajus-
tadas para o máximo ganho em 7170kHz esticando-as (ou encolhendo) um pouco e de-
pois fixadas com cola. A bobina de FI foi ajustada para máximo ganho em 455kHz, e a
do oscilador de batimento para 459kHz.

No protótipo há uma mistura com SMDs para facilitar a montagem em gambiar-


ra, mas a placa final pretendo fazer face simples e somente componentes normais
“through hole”.

RESULTADO DAS MEDIÇÕES

Procurei reproduzir os procedimentos da ARRL para avaliação de receptores, os


detalhes são encontráveis no site deles.
Equipamentos utilizados: Gerador de sinais HP8640B, osciloscópio Tektronix
2235, voltímetro true rms HP3403C, gerador de áudio HP204C e analisador de espectro
Tektronix496, tudo coisa velha mas confiável. Seguem os resultados comparativos com
o receptor do Icom IC746pro, medidos com o mesmo processo e equipamentos:

Noise floor Banda passante Freq. teste


SM Rx -110dBm 9kHz 7200kHz
IC746PRO -120dBm 3.5kHz 7200kHz
Nota: As sensibilidades se equivalem se consideramos a diferença de largura de
banda.

Sensibilidade AM Banda passante


SM Rx -90dBm (10uV) 9kHz 7200kHz
IC746PRO -90dBm (10uV) 10kHz 7200kHz

Aten. da imagem Offset


SM Rx -55dB -910kHz 7200kHz
-45dB -910kHz 3700kHz
Nota: Os valores resultaram um pouco abaixo do esperado, provavelmente devi-
do ao acoplamento parasita entre as bobinas dos filtros.

IC746PRO -70dB +910kHz 7200kHz


-50dB -910kHz 3700kHz

Blocking Offset
SM Rx 80dB (3mV) -50kHz 7200kHz
IC746PRO 110dB (100mV) -50kHz 7200kHz

Variação de ganho de RF (atenuador no máximo ganho):


3dB entre 7100kHz e 7300kHz
5dB entre 3500 e 3700kHz

Banda passante do filtro de FI:


-6db 9kHz
-40dB 20kHz

Como era de se esperar, com algum cuidado consegue-se bom desempenho em


sensibilidade, imagem e ruído, muito próximos de um receptor de qualidade como o
IC746pro, mas faixa dinâmica é outra história: 30dB de diferença, o SMRx bloqueia
com 3mV na antena enquanto o 746pro só o faz com 100mV. Se você estiver numa
DXpedition com outros colegas próximos transmitindo na mesma banda, melhor não
usar o SMRx.
O TDA1572 teria melhor faixa dinâmica se não houvesse pré de RF e o ganho
fosse concentrado na FI, mas como foi feito para radinhos portáteis e automotivos que
quase não tem antena, acaba sendo meio fraco nesse quesito.
A favor do SMRx tem o fato de só apresentar resposta espúria na frequência
imagem, enquanto o IC746pro o faz em várias frequências, certamente devido às múlti-
plas conversões. E, claro, trata-se de um radio com poucas peças enquanto o Icom tem
milhares delas.

NO AR

A recepção é bastante agradável, com boa resposta de audio. Em SSB percebe-se


umas “rebarbas” bem agudas quando tem estações próximas, mas não chegam a atrapa-
lhar muito e espero reduzi-las com o filtro de áudio. O AGC funciona bastante bem,
idem o atenuador de RF. A sintonia com o encoder do VFO é um tanto estranha, seria
melhor um knob grande e resolução mais fina, mas rapidamente acostuma-se. A sele-
ção de dígito e de banda é bastante pratica, bem mais fácil do que trocar as gavetas do
HRO50. E a sensação de operar uma estação inteiramente construída por você mesmo
certamente é recompensadora.

Aguardem a parte2, com a placa impressa, caixa e instruções para montagem e


ajustes!

Em tempo: a linda ratinha do desenho chama-se Krakatoa Katy.


SUPERMOUSE Rx – RECEPTOR ACOMPANHANTE
PARTE2: MONTAGEM FINAL

Já que muitos colegas torceram o nariz para a montagem SMD, resolvi fazer o
Rx usando tecnologia dos anos setenta: circuitos analógicos e componentes normais em
placa impressa de face simples. Pode ser até mais fácil de montar, mas o “layout” da
placa deu MUITO trabalho! O problema foi conseguir um plano de terra razoável para
os circuitos de RF. Aliás, me parece impossível usar SMD em face simples, porque ao
contrario dos componentes “trough hole”, os SMD não permitem passar ligações entre
os pinos, resultando num monte de jumpers e plano de terra insuficiente. Ainda assim
tive de usar alguns jumpers para garantir a continuidade do plano de terra.

Para combinar com o Supermouse Tx, fiz a placa de modo a caber no mesmo
tamanho de caixa de alumíno, compondo uma “linha separada”.
É claro que pode-se montar um transceptor em uma única caixa, mas temos o
problema da fonte chaveada do Tx ficar sempre ligada e interferir na recepção. Poderia
modificar o Tx para desligar totalmente a fonte durante a recepção, mas os circuitos de
controle e VFO teriam de ser alimentados pela fonte linear do Rx, exigindo mais modi-
ficações que não estou a fim de fazer.
Para permitir o uso de um único VFO, a placa do Rx tem uma saída de RF que
pode ser usada para excitar o transmissor, desde que o VFO tenha a capacidade de des-
locar a frequência de FI durante a recepção. O DDS (direct digital syntesis) pode fazer
isso com facilidade, mas para um VFO analógico é praticamente impossível.
Para dizer a verdade, não combina muito o VFO digital com este receptor anti-
guinho, gostaria de ver os colegas usando nele um VFO analógico. Mas cuidado com a
estabilidade! Em AM não tem muita importância, mas em SSB...
Segundo o critério de fazer tudo em casa e não usar SMD, as bobinas do filtro de
entrada RF são enroladas à mão, e as bobinas de FI e do oscilador de batimento aprovei-
tadas dos antigos radinhos à pilha, que ainda existem por aí. Apenas é necessário arran-
car fora o capacitor cerâmico de sintonia, conforme já foi descrito na Parte1. Qualquer
bobina miniatura de 455KHz serve (atenção, existem as sub-miniatura, que não ser-
vem). Normalmente elas tem o núcleo pintado de amarelo, branco ou preto, é indiferen-
te porque só iremos usar o enrolamento primário, sem conexão ao tap central ou ao se-
cundário.

Uma opção interessante é fabricar a placa em casa, o que é possível utilizando a


famosa técnica do ferro de passar roupa:

1- Imprima o desenho [Link] em uma impressora laser, da forma mais


forte possível, em papel fotográfico liso;
2- Limpe a placa virgem com bom-bril até o cobre ficar brilhante;
3- Fixe o papel impresso sobre a placa com fita durex;
4- Esfregue com força o ferro de passar roupa bem quente sobre o papel, até
que todo o toner seja transferido para a placa;
5- Remova o papel com cuidado para não arrancar o toner do cobre.

É possível que você tenha de repetir este processo várias vezes, até pegar o jeito
e a transferência seja feita sem falhas.

6- Faça a corrosão usando solução de percloreto de ferro, movimentando sem-


pre a placa na bandeja para corroer por igual;
7- Lave bem e remova o toner com bom-bril deixando o cobre limpo;
8- Faça a furação usando brocas apropriadas em uma fresadora Dremel ou simi-
lar, usando os furos no cobre como guia;
9- Recorte a placa nas suas dimensões finais;
10- Transfira para o lado oposto da placa o desenho [Link] dos com-
ponentes usando o mesmo processo do ferro de passar, ajustando o melhor
possível a coincidência do desenho com os furos;
11- Aplique no lado do cobre uma camada bem fina de tinta automotiva spray
transparente. Existe na praça um verniz especial para este fim, que facilita a
soldagem, embora não proteja tão bem contra o manuseio.

A bonita placa do protótipo na foto abaixo foi fabricada pelo Cardoso PY2AZ
utilizando este processo. Se você não conseguir fazer uma, fale com ele!
A placa pode ser de fenolite, como no protótipo, ou de fibra de vidro. A de feno-
lite tem maior perigo de soltar as trilhas durante a solda, mas é mais fácil de furar e cor-
tar.
O desenho da placa final anexo tem algumas diferenças em relação ao protótipo:
alguns componentes foram acrescentados, algumas posições mudadas e o conector de
áudio J3 também não é o mesmo. O protótipo da foto foi gambiarrado para ficar de
acordo com o esquema atual, por isso tem uns resistores pendurados e ligações com
fios.
Note o detalhe das bobinas, foi necessário abrir um pouco para ajusta-las, ver o
procedimento de ajuste mais adiante. Mas não é crítico: o ajuste é desejável mas não
obrigatório, já que o circuito é bem tolerante a variações, afetando apenas o ganho ao
longo das faixas.

A idéia do filtro de áudio funcionou muito bem: Em AM o filtro cerâmico de


9KHz fica centrado em relação a portadora, resultando em banda passante de áudio de
4,5kHz, porque tem as duas bandas laterais. Em SSB, o oscilador do detetor de produto
fica posicionado na borda superior do filtro, a 4,5kHz acima do centro dele, portanto em
459,5kHz. Como já comentamos na Parte1, isso resulta numa largura de banda para
LSB de 9kHz, permitindo a passagem de estações logo abaixo do sinal sintonizado,
emitindo chiados e ruídos de frequência alta no áudio. A inclusão do filtro de áudio de
4.5kHz resolveu esse problema, permitindo uma recepção bem agradável nos dois mo-
dos. É claro que o filtro de áudio não vai “segurar” um sinal super forte logo abaixo do
sinal sintonizado, que ainda irá produzir ruídos e dessensibilizar o rádio por acionamen-
to do AGC, mas esta é uma situação um tanto rara e a solução adotada compensa pela
simplicidade: A alternativa “correta” seria usar outro filtro cerâmico mais estreito e co-
mutá-lo, que daria bem mais trabalho e custo do que o filtro ativo de áudio, para o qual
usei o pré-amplificador já existente no TDA1015 e mais meia dúzia de pecinhas co-
muns.
Mais simples ainda seria fazer o batimento no centro do filtro, em 455kHz, mas
isso deixa passar a banda lateral superior, o que demonstrou ser bem chato porque os
sinais interferentes são de baixa frequência, além de aumentar o ruído em 3dB (lembra
que o ruído depende da largura de banda?)
Tive algum problema com a estabilidade do oscilador de produto, resolvido com
a adoção de capacitores de mica prateada e NP0. No esquema tem a relação dos capaci-
tores que precisam ter variação zero com a temperatura (estes do oscilador) e baixa per-
da (no caso dos filtros de RF). Capacitores de mica prateada, cerâmicos NP0 e styroflex
reúnem as duas características e podem ser usados indiferentemente. Para os de maior
valor há na placa a previsão de montar dois em paralelo.
Outra modificação em relação ao projeto original foi que o ganho do filtro de
áudio resultou excessivo e instável, resolvido baixando o ganho do pré amplificador
com um resistor de shunt (R19). O filtro teve de ser recalculado segundo os novos pa-
râmetros abaixo:

Tipo chebyshev passa baixas de 3ª ordem, topologia Sallen-Key


1dB de ripple
6dB de ganho na banda passante
freq. de corte: 4,5kHz

O nível de injeção de sinal do VFO deve ser observado: pode provocar aumento
do ruído quando muito alto ou dessensibilizar o rádio se muito baixo. O melhor valor é
cerca de 0,3Vrms no pino 14 do TDA1572, para tanto incluí um atenuador de 10dB
(R5, R20 e R21), já que a saída do VFO DDS é de 1Vrms. Se alguém for usar um VFO
com potência diferente, deve modificar o divisor para obter o valor correto.
Apareceu um pepino, desses que você só percebe quando é tarde demais: A pla-
ca não entrava na caixa! Os conectores na parte traseira saem pra fora da placa, assim
como os potenciômetros de volume e ganho de RF na parte dianteira. Como a caixa tem
as paredes de frente e fundo fixas, e ainda tem as bordas de fixação da tampa pra atrapa-
lhar, a placa montada não entra. A solução foi abrir um rombo na parede traseira da cai-
xa, de modo a passar a placa com conectores e tudo: enfia-se a traseira da placa no bu-
raco, encaixa-se a parte dianteira nos furos, desloca-se a placa para a frente e fixa-se
com os parafusos. Ficou meio porco, mas resolveu.

O alto-falante foi montado na tampa da caixa, um oval de 2” x 3.5” do tipo usa-


do em TVs LCD, que tem desempenho muito bom apesar do tamanho. Forrei a tampa
com uns pedaços de plástico colados com fita dupla-face grossa, com a finalidade de
reduzir as ressonâncias da caixa.
Se você quiser alta fidelidade, pode ligar um falante externo no plugue do fone.

Botando pra funcionar

Em operação

Design minimalista
O furo na traseira

Montagem e conexões
A “Linha Separada”

Modificação de última hora:


Mesmo com os capacitores NP0, o oscilador do detetor de produto dá uma variação de
algumas dezenas de hertz a longo prazo e o ajuste é muito crítico. A modificação con-
siste em utilizar um ressoador cerâmico de 455KHz e “puxá-lo” para a frequência corre-
ta, uma vez que a estabilidade destes é pelo menos dez vezes melhor do que o oscilador
LC.
Usei um desses amarelinhos com 2 pinos (CRB455E), que são fáceis de achar na praça
e no ebay, em série com um capacitor “trimmer” e um capacitor fixo NP0.
O problema é que o capacitor série diminui a frequência de ressonância nominal em vez
de aumentar, e não dá para ajustar em 459,5kHz. Mas é fácil o ajuste para 450,5kHz,
posicionando o oscilador no “canto inferior” do filtro de 9kHz.
Para inverter o uso do filtro em SSB (usar a metade inferior em vez da superior), tive de
fazer o batimento por cima, levando o VFO acima da frequência de recepção. Funcio-
nou às maravilhas, indicando sempre no display a frequência exata em SSB depois de
ajustado.
Os ajustes abaixo foram modificados para a nova configuração, bem como os desenhos
anexos da placa e do esquema.
Ajustes
Para quem tem prática é possível ajustar o SMrx “na orelha”, sem nenhum tipo de ins-
trumento, mas um transceptor com display digital calibrado e um voltímetro ajudam
muito para quem quer tudo nos conformes:

Ligue o transceptor na antena, transmitindo em 3700kHz AM ou CW , baixa potência;


Conecte um resistor de 47 ohms em J1, junto com um pedaço curto de fio;
Ligue o voltímetro entre a saída de S Meter (pino 1 de CN1) e o terra, para ter mais
precisão que as barrinhas do display;
Sintonize o SMrx em 3700kHz em AM, ganho de RF na posição média;
Ajuste L1 para a máxima indicação do SMeter;
Ajuste L3 e L4 para obter a máxima indicação, afastando e aproximando as espiras na
extremidade. O ajuste é interativo, repita-o até obter o maior sinal;
Sintonize o transceptor e o SMrx em 7200kHz;
Ajuste L5, L6 e L7 de modo semelhante ao ajuste anterior;
Mude o SMrx para SSB, e ajuste TR1 para “beat zero”.
Note que este último ajuste vale para o VFO dds, que diminui a frequência de saída em
4,5kHz quando em SSB, sem mudar o display. Outro VFO que não faça isso automati-
camente deverá ser ajustado para 7195,5kHz.

Resumo das frequências no ajuste:

AM, 40 metros:
Display VFO: 7200kHz
Portadora do sinal: 7200kHz
Saida VFO: 7655kHz

LSB, 40 metros:
Display VFO: 7200kHz
Portadora suprimida: 7200kHz
Saida VFO: 7650,5kHz
Oscilador de batimento: 450,5kHz

AM, 80 metros:
Display VFO: 3700kHz
Portadora do sinal: 3700kHz
Saida VFO: 4155kHz

LSB, 80 metros:
Display VFO: 3700kHz
Portadora suprimida: 3700kHz
Saida VFO: 4150,5kHz
Oscilador do detetor de produto: 450,5kHz

Operação
Tendo poucos controles, o SMrx requer uma certa ginástica, porque o encoder do VFO
acumula várias funções:
- Apertando o knob e girando, escolhe-se o dígito;
- Soltando o knob e girando, muda a frequência a partir do dígito escolhido;
- Em LSB, para “clarificar” muda-se para o dígito para centenas ou dezenas de hertz e
ajusta-se para o melhor áudio.
Normalmente uso a sintonia de AM e SSB em kHz, e mudança de banda em 100 kHz.
A estabilidade do detetor de produto com o ressoador cerâmico é ótima, e como as
transmissões em SSB costumam ter precisão de frequência, dificilmente é necessário
clarificar e pode-se manter o dígito em kHz.
O AGC é um tanto rápido para SSB: O controle de ganho de RF deve ser reduzido até o
ponto em que o ruído de fundo fique em nível razoável.
Mesmo com o falante interno o áudio é bastante agradável e inteligível, com reforço de
médios e agudos, tanto em AM como em SSB.
A seletividade é boa, nem muito aberta, nem muito fechada. Com a faixa congestionada
em SSB (situação meio rara nos últimos tempos), realmente um sinal muito forte 5kHz
abaixo provoca algum ruído, mas não vi caso em que impedisse a recepção.

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