Aniversário e Lua de Mel de Bella e Edward
Aniversário e Lua de Mel de Bella e Edward
Edward entrou no caminho que levava até a casa mais devagar do que normalmente
fazia. Isso bastou para me alertar de que alguma coisa nos aguardava na casa, mas
mesmo que ele tivesse passado em alta velocidade pelas árvores como costumava fazer,
eu não acho que a grande faixa que atravessava a casa iria me surpreender.
Na verdade, foi maravilhoso. Edward me deu a única experiência humana que eu queria
mais do que qualquer coisa – e tem me dado desde então, algumas vezes diversas vezes
por dia. Senti um calor espalhar por todo meu corpo com a memória do que tínhamos
feito um pouco antes de deixarmos Paris...
"Eu não consigo acreditar que já faça um mês", eu suspirei, tentando fechar a mala.
Edward afastou minha mão e a fechou com facilidade.
"Nós podemos voltar quantas vezes você quiser", ele prometeu, me puxando para entre
seus braços. "A Europa não vai a lugar nenhum".
"Não é exatamente da Europa que vou sentir falta", eu disse me aninhando. "Mas vou
sentir falta de nós, assim, do jeito que estamos agora. ..Eu não quero que isso mude".
"Não vai mudar", ele falou, "se você pensa que vou ser capaz de tirar minhas mãos de
você, você só pode estar louca". E como que para enfatizar o que disse, suas mãos
deslizaram mais para baixo, cobrindo minha bunda. Seu membro enrijecido pressionou
contra o meu quadril e eu falei seu nome num gemido.
"Mesmo quando eu não for mais humana?", perguntei sem fôlego enquanto ele me
levava de volta para a cama. Ele empurrou a mala para o lado e de repente eu estava em
seu lugar.
"Mesmo assim". Seus lábios roçaram minha clavícula, à mostra pela blusa que eu
usava. "Especialmente quando", suas mãos acariciavam minha pele. "Você não pode
imaginar as coisas que quero fazer com você".
Soltei uma risada trêmula enquanto remexia atrapalhada com a barra da sua pólo. "Eu
não sou tão inocente assim. Eu acho que consigo imaginar algumas delas".
A camiseta aterrissou de forma audível no chão. Seus fortes dedos facilmente rasgaram
minha blusa em duas.
"Você precisa fazer isso?", eu perguntei, minha voz comicamente fraca quando seus
lábios envolveram meu mamilo.
"Você não se importa realmente", ele murmurou, e eu estava ocupada demais tocando
nele para discutir. A ondulação de músculos embaixo de sua pele me distraiu
completamente, e ele se aproveitou disso, desabotoando habilmente minha jeans e a
retirando, levando junto minha calcinha. Apenas três semanas atrás eu ainda ficava
envergonhada por estar tão exposta na frente de toda a perfeição que ele representava.
Agora eu estava finalmente me acostumando com isso – ficar exposta, quero dizer. Eu
nunca serei imune à sua beleza.
Suas mãos estavam em todos os lugares ao mesmo tempo – meus seios, meu quadril,
minhas coxas. Eu lutava para respirar com cada lenta, gelada carícia. Ele fazia minha
pele formigar. Eu lutava para encontrar presença de espírito suficiente para mover
minhas mãos até a sua cintura baixando o jeans pelo seu [Link] percorri as linhas
macias de seu exposto osso pélvico, excitada com a perspectiva de onde aquela linha
levava. Sua resposta foi um baixo ronronar em minha orelha, que apenas serviu para
me fazer quere-lo mais.
Seus lábios roçaram meu pescoço e então encontraram minha boca. O seu gosto em
minha língua foi suficiente para me impedir de notar quando ele se livrou de sua calça.
Eu só percebi quando senti seu enrijecido membro nu pressionando contra mim. Eu
arfei com o choque.
"Não precisa", foi a minha resposta enquanto pressionava meu corpo contra o dele
mais uma vez. "Eu gostei".
Ele gemeu baixinho, me abraçando, permitindo que a cabeça de sua ereção deslizasse
tentadoramente contra meu centro.
"Edward", eu suspirei, envolvendo sua cintura com minhas pernas, "por favor...".
Normalmente, nesse momento, ele me caçoaria por causa da minha impaciência. Desta
vez – pelo menos – ele parecia estar tão impaciente quanto eu. Ele deslizou para dentro
de mim com uma suave estocada. Esse era o meu momento favorito de quando fazíamos
amor, o momento da última conclusão e aquela primeira explosão de prazer. Eu me
agarrei ao seu corpo, tão duro e gelado, o que tornava tão estranhamente excitante,
enquanto ele estocava para dentro e para fora. Ele se movia em um ritmo contínuo
enlouquecedor, perfeitamente controlado e perfeitamente calculado para me fazer perder
os sentidos. Era mais do que eu podia agüentar, o fogo me consumindo por dentro
conforme ele gradualmente aumentou a velocidade de seus movimentos, até o ponto em
que gritei e apertei meus dedos em suas costas. Meus músculos contraíram com força
em volta dele, sentindo cada centímetro dele, e eu me perdi. Seu gemido em minha
orelha foi tudo o que ouvi conforme enquanto chegava ao clímax.
"Jesus, Bella", ele respirou, quase não conseguindo suportar seu peso sobre meu corpo.
"Você é demais".
"Você também é", eu respondi enquanto lutava para recuperar o fôlego.
Ele acariciou minha garganta com a ponta do nariz e sua pele gelada contra a minha
causou uma sensação maravilhosa, já que eu estava pegando fogo.
"Droga", eu murmurei, lembrando da minha blusa rasgada, "agora vou ter que tirar
algo da mala".
Eu podia admitir isso agora – eu estava feliz pelas experiências que ele tinha me
proporcionado, feliz por não ter apressado a transformação, e mais feliz ainda por ele
estar ao meu lado.
Quando saímos do carro eu percebi que não queria evitar a festa que eu sabia que
encontraria preparada dentro da casa. Eu não me importava de estar completando
dezenove anos hoje. De alguma forma, os números deixaram de ter tanta importância,
desde que Edward estivesse feliz e eu pudesse ter uma eternidade ao seu lado.
"Você não se importa?", ele perguntou, sua mão acariciando a parte mais baixa de
minhas costas quando paramos na porta.
"Não", eu sorri. "Eu acho que é uma boa hora para começar a celebrar".
A família inteira, até mesmo Rosalie, estava esperando na sala para nos receber. Eu
escutei diversas exclamações de "sejam bem vindos" e "feliz aniversário" enquanto
Alice se apressou para me dar um abraço.
Eu ri. "A lua-de-mel foi maravilhosa, e sim, nós trouxemos presentes – mas não sou eu
quem deveria estar fazendo essa pergunta?".
A risada de Emmett trovejou ao meu lado, mais próxima do que eu esperava. "O que,
todo aquele tempo com o Edward não foi presente suficiente?".
A mexida de sobrancelhas que Emmett deu me disse exatamente ao que ele estava se
referindo, e eu corei; Edward rosnou ligeiramente ao meu lado.
"Deixe-a em paz, Emmett.", ele disse, cruzando os braços sobre o peito em uma postura
ameaçadora.
Emmett riu, despreocupado. "Percebi que finalmente perder a virgindade não te relaxou
nada. Você precisa continuar tentando, Bella".
Alice me levou até uma cadeira na ponta da mesa. Os outros ficaram de pé em volta da
mesa, e eu comecei a me sentir como o prato principal de um banquete. Tudo que estava
faltando era uma bandeja prata e uma maçã enfiada na minha boca. Edward se
posicionou atrás de mim, colocando sua mão atrás do meu pescoço, e eu relaxei
instantaneamente.
"Ah, sério agora. O que mais eu poderia precisar?", eu gemi espantada enquanto a pilha
de presentes era colocada na minha frente. Os presentes de casamento já tinham sido
suficientes. Obviamente, nós não precisávamos dos eletrodomésticos, mobília e
utensílios de cozinha que geralmente eram dados como presente de casamento, mas isso
não havia impedido a Alice de nos cadastrar em diversas lojas, para meu profundo
constrangimento.
"Não seja boba, Bella, é seu aniversário", Alice argumentou. "A questão não é o que
você precisa; é sobre o que você quer".
"Apesar de que alguns são sobre o que você irá precisar quando desempacotarmos todas
as suas coisas", Emmett acrescentou antes que eu pudesse protestar.
No final das contas, Emmett estava certo. Dois dos presentes eram prateleiras para os
meus incontáveis livros e um guarda-roupa – um adorável guarda-roupa antigo, mais
especificamente – que eu precisaria para as minhas roupas, já que o armário do Edward
estava quase cheio de roupas equivalentes a um século.
Carlisle e Esme nos deram um presente simples, uma cópia moldurada da nossa foto de
casamento. Olhando para ela, eu achei que finalmente parecia que eu pertencia a seu
lado. Não querendo dizer que eu não continuava a ser ridiculamente comum perto da
sua beleza divina, mas era como se a felicidade dele radiasse para mim. Como se o amor
do Edward me tornasse bonita.
Os lábios de Edward tocaram a parte de trás da minha orelha como se ele tivesse lido
meus pensamentos. "A câmera não te faz justiça", ele murmurou.
"A coisa mais linda que eu já vi na vida foi você no dia do nosso casamento", ele disse
enquanto virava a cabeça para me dar um beijo na testa. Eu derreti. Ele merecia muito
mais do que eu podia oferecer, e mesmo assim ele já tinha me proporcionado
tanto...Pelo menos eu tinha sido capaz de lhe dar um casamento. E agora estava feliz por
não ter pressionado para fugirmos quando podia ouvir a alegria em sua voz com a
lembrança.
"Já chega, vocês dois", Alice se intrometeu. "Chegou a hora do grande evento".
As luzes apagaram abruptamente, e eu fiquei tensa. Aquilo não era um bom sinal,
conhecendo a Alice. Mas ela simplesmente apareceu através da porta da cozinha,
carregando um pequeno bolo, aceso com velas. "Para sempre 19", estava escrito na
cobertura. Eu tive que rir.
Alice o colocou caprichosamente na minha frente, longe o bastante para que fosse
impossível que eu queimasse alguma coisa.
"Faça um pedido", ela exigiu. Eu pensei sobre isso. Eu tinha tudo que sempre quis. Se
eu apenas pudesse fazer o Edward tão feliz...
Eu desejo que eu possa dar ao Edward todas as experiências humanas que ele está me
proporcionando.
-2-
Mal pude conter meu susto. Era o Edward, mas um Edward como eu nunca tinha visto
antes. Eu o olhei de cima à baixo. Seu cabelo era o mesmo...sua face não era. Corada
por causa do vento que girava ao nosso redor, sua pele estava mais escura como eu
jamais havia visto, e sua face era mais arredondada, mais jovem, macia, e seus olhos.
Eles dançavam na luz, um verde desconcertante. Talvez seu pode de deslumbrar não
pertencia às suas habilidades como vampiro afinal...
E então eu entendi. Esse Edward não era um vampiro. Ele era humano. E aqui...aqui
era o passado. O passado do Edward.
Sua voz me tirou do meu torpor. Ele parecia desconfortável, e eu percebi que estava
encarando. Pensei rapidamente. Se de alguma forma eu tivesse voltado no tempo, então
eu precisaria de alguma ajuda para me cuidar por aqui. Eu não tinha um lugar para ficar,
nem roupas, dinheiro, comida – uma situação muito precária. Esse alguém fosse me
ajudar, bem que poderia ser o Edward – por quê que estaria nessa época e lugar se não
para vê-lo, de qualquer maneira?
"Para onde você está indo? Talvez eu possa ajuda-la a chegar lá".
"Hum...talvez 'perdida' não seja a palavra certa. Eu não tenho para onde ir".
Eu vi vestígios de um sorriso nos cantos de sua boca. "Você não mora em Chicago?".
"Não", eu respondo, decidindo ficar o mais perto da verdade possível, assim seria
menos provável eu me confundir. "Eu sou de Washington".
Ele franziu a testa da maneira quando desaprova alguma coisa. "E você está aqui
desacompanhada? Você não tem ninguém para tomar conta de você?".
"Eu não pretendia vir até aqui, exatamente", eu disse, evitando os detalhes que
certamente me colocariam em um hospício. "Mas eu não tenho nenhum outro lugar para
ir, também".
"Edward?", uma voz feminina chamou do outro lado da rua. Eu olhei para lá e vi uma
linda mulher com cabelos e olhos iguais aos do Edward vindo na nossa direção, olhando
confusapara Edward e para mim, sem dúvida perplexa com as minhas roupas e o meu
cabelo solto. "Há algum problema?".
"Eu apenas estava perguntando a essa jovem dama se ela precisava de assistência",
Edward respondeu. "Parece que ela não tem um lugar para ir".
"E você se apresentou à ela?", sua mãe perguntou, usando o mesmo sorriso malicioso
que eu já tinha visto tantas vezes no rosto do Edward.
Edward corou – cor cobriu sua face de verdade, tão facilmente como era comigo. Eu
lutei para esconder minha surpresa. Como eu poderia lidar com o fato de estar vendo
esse Edward humano?
"Eu ainda não cheguei nessa parte", ele murmurou antes de se virar na minha direção.
"Me perdoe. Meu nome é Edward Masen e esta é minha mãe".
"Como vai", eu disse formalmente com um educado aceno de cabeça. "Eu sou Bella
Swan".
"Bella, você disse?" a Sra. Masen falou. "Esse é o seu nome inteiro?"
"Bem, é mesmo um nome muito bonito. Você gostaria de nos acompanhar até em casa
para tomar chá? Talvez possamos te ajudar de alguma maneira".
Eu tentativamente peguei o outro braço do Edward, que ele havia oferecido, e sorri em
resposta. "Mesmo assim, vocês são bem mais gentis que a maioria". Eu duvido que
muitas pessoas iriam querer ajudar uma garota estranhamente vestida e praticamente
sem teto no meio de Chicago, não importando a década.
Edward e sua mãe me guiaram por várias quadras e viraram em um canto, apenas para
seguir por mais três quadras depois disso. A caminhada foi silenciosa, e eu me senti
deslocada, mas usei esse tempo para pensar no que diria à eles. Eu já tinha falado que
era de Washington. Eu precisava lhes dar um motivo para justificar o porque estava aqui
agora e porque eu não tinha um lugar para ficar. Talvez eu pudesse dizer que era órfã, já
que era verdade que eu não tinha pais – eles não existiam nessa época. A história ficou
mais fácil a partir desse ponto. Eu fiquei órfã há três anos atrás. Meus pais eram de
famílias pequenas e eu não tinha nenhum parente vivo, pelo que sabia. Por causa da
minha idade, eu não fui mandado a um orfanato. Eu tinha achado emprego com uma
costureira viúva, que me pagava com um quarto e comida, mas ela tinha falecido
recentemente e eu vim para o leste, à procura de um novo emprego.
No momento em que viramos num pequeno caminho para a casa deles, eu estava
satisfeita com a história que tinha inventado para eu mesma.
A casa dos Masen era linda, uma construção de tijoloscom vigas brancas. A Sra. Masen
entrou na frente e Edward me levou até a sala de estar. Eu acabei sentando em um sofá
verde claro enquanto Edward sentou em uma poltrona que ficava ali perto. Seus olhos
me observavam cuidadosamente, curiosamente, e eu tive que desviar o olhar. Era
desconcertante, para não dizer outra coisa, vê-lo desse jeito, e incrivelmente estranho
conhece-lo e estar ciente de que ele não conhecia nada a meu respeito.
A Sra. Masen voltou um momento depois com uma bandeja carregada com todas as
coisas necessárias para o chá. "Sua casa é muito bonita", eu disse enquanto ela me
preparava uma xícara.
"Obrigada", ela respondeu, enchendo as outras duas xícaras. "Ela foi construída logo
depois do grande incêndio".
Ela me perguntou como eu gostaria do meu chá, e depois de acrescentar creme e açúcar,
ela sentou e me olhou, e seu olhar era tão penetrante quanto o de seu filho. "Por que
você não nos conta como veio parar aqui, Srta. Swan?".
Eu tomei um grande gole do meu chá e comecei a minha história. Era difícil manter
contato visual com eles, difícil enganá-los, mas que outra escolha eu tinha?
"Sinto muito pelos seus pais", Sra. Masen disse quando terminei. "Me perdoe, mas
posso perguntar sobre sua maneira de se vestir?".
"Oh, bem, é mais fácil viajar desse jeito", eu menti. "Poucas pessoas incomodam
quando se está vestida como um homem".
A Sra. Masen balançou a cabeça afirmativamente. "Deve ser difícil para uma jovem
dama viajar sozinha esses dias".
"Bom", a Sra, Masen disse, "ficaremos felizes em te oferecer um lugar para ficar até que
você encontre um novo emprego".
"Obrigada", eu disse, carregando minha voz com o máximo de gratidão possível. "Eu
nem sei como retribuir pela sua gentileza".
"Não tem necessidade de se desculpar. Eu acho que tenho alguma coisa adequada para
você. Suba comigo. Edward, você ajeita o quarto de hóspedes?".
"É claro", ele respondeu. Sua voz me surpreendeu mais uma vez.
Eu a segui pela escada principal até um quarto que pressupus fosse o quarto dela. Ela
caminhou até um guarda-roupa e retirou um longo vestido azul, o qual segurou para que
eu pudesse ver.
"Isso vai servir muito bem, você não acha? A cor combina com sua aparência. Você
pode experimentar mais tarde. Eu vou tentar achar mais algumas coisas para você, para
dormir e coisas do tipo".
-3-
E apesar do ambiente agradável, apesar do vestido de manga comprida que cobria cada
parte do meu corpo, eu sentia frio no corpo inteiro.
Como isso era possível? Como podia em um momento eu estar fazendo um pedido no
meu bolo de aniversário, e no momento seguinte estar em pé no meio de Chicago, quase
um século atrás?
"Eu não quis dizer tão literalmente", resmunguei comigo mesma, cobrindo meu rosto
com as mãos. Isso era impossível. Tudo bem, eu tinha visto um monte de coisas
impossíveis desde que conheci o Edward, mas viajar no tempo? E através de um pedido
no bolo de aniversário, ainda por cima!
Isso era mesmo real? Podia ser real? Certamente eu tinha apenas caído e estava
alucinando tudo isso como resultado de uma concussão. Talvez eu fosse completamente
esquizofrênica e estivesse imaginando tudo... embora esse pensamento fosse tão ruim
quanto tudo isso ser real.
Tentar pensar nisso tudo me deu dor de cabeça, então eu desisti. Pelo jeito não havia
nada que eu pudesse fazer para mudar a situação, portanto eu não tinha outra alternativa
a não ser deixar as coisas acontecerem.
Ele estava lá, com os ombros curvados levemente, corado com vida. Seus olhos intensos
quando encontraram os meus.
"Vim ver se estava tudo bem – você esteve chorando?", ele perguntou enquanto eu
limpava rapidamente as lágrimas da minha bochecha.
"Ah, sim, mas não foi nada. Estou bem", eu menti. Seus olhos estreitaram e eu sabia que
ele conseguia ver através da mentira.
"Posso fazer alguma coisa?", ele perguntou, e eu reprimi um suspiro de alívio porque
ele não pediu uma explicação.
"Obrigada, mas não", eu disse, presa por seus olhos. Eram os mesmos olhos que sempre
pareciam conseguir ver através de mim e, no entanto, eram tão diferentes... "Não tem
nada que possa ser feito".
"Eu lamento escutar isso", Edward disse, parado na soleira da porta incomodado.
"Talvez acompanhar-me em uma missão melhoraria seu humor? Parece que minha mãe
esqueceu um ingrediente crucial para o jantar de hoje".
"Vou esperar lá embaixo", ele disse, me deixando para encarar desamparada o meu
reflexo no espelho da penteadeira. Eu estava usando as roupas certas agora, mas parecia
que nenhuma das mulheres daqui usavam o cabelo solto, e eu não conseguiria prender o
meu. Eu suspirei, frustrada, e ia começar a mexer nervosamente nas mechas soltas, mas
um brilho causado pela luz contra meu dedo me fez parar.
Minha aliança, junto com o anel de noivado que eu não quis deixar de usar, brilhou no
meu dedo anelar. Uma onda de pânico me tomou. Aquele anel pertenceu à mãe do
Edward – a mulher que tinha acabado de me acolher. Será que ela tinha visto o anel? E
o Edward? Certamente eles iriam pensar que eu era uma ladra se me vissem usando ele.
Retirei os dois anéis apressadamente, sentindo uma pontada de tristeza com a perda.
Edward tinha colocado esses anéis nos meus dedos e se comprometido comigo pela
eternidade. Eu odiei quebrar esse comprometimento, mesmo que no sentido figurado.
Depois disso, o estado do meu cabelo não me importava tanto. Eu o deixei solto e fui
encontrar com o Edward na sala de estar.
"Para onde vamos?", eu perguntei. Ele me ofereceu seu braço e eu o peguei hesitante.
"Ao mercado, naturalmente", ele disse, me guiando para fora da casa e descendo a rua
na direção que tínhamos vindo de manhã. "Nós precisamos de aipo, aparentemente".
"Aipo", eu repeti, abruptamente perplexa pelo fato de que esse Edward comia. Me bati
mentalmente. É claro que ele comia – ele era humano. "Você gosta de aipo?".
"Não muito", ele disse confuso. Eu percebi que ele estava tentando adivinhar o que eu
estava pensando. Algumas coisas não mudaram, evidentemente. "Você gosta?".
"Não", disse, corando com o assunto ridículo daquela conversa. Boa, Bella.
"Sou indiferente", eu disse, tentando parar de corar, como se isso adiantasse. "O que
você gosta de comer então?".
Edward sorriu. "Honestamente, sou uma gosto de tudo que tenha açúcar".
Eu ri e tentei relacionar esse fato com o meu Edward. Ele disse que eu tinha um cheiro
floral...doce. Imaginei que gosto teria um leão da montanha para ele, e se muita coisa
tinha realmente mudado. Até agora, me parecia que esse Edward era o mesmo em
diversas maneiras, tirando a dieta e funções corporais. Isso me assustava, talvez mais do
que necessário...provavelmente porque eu já estava me apaixonando por esse Edward.
De alguma forma isso parecia errado, como se eu estivesse traindo o meu Edward...e no
entanto era a mesma pessoa...
"E você?", ele perguntou enquanto passávamos pelo local onde ele havia me
encontrado.
Eu lutei para lembrar sobre o que estávamos discutindo. "Massa", eu disse. "Qualquer
tipo de massa".
Edward sorriu. "Algumas vezes assustadoramente perceptiva. Ela sempre parece saber
exatamente o que se passa na minha cabeça, não importa o quanto eu tente esconder
dela".
"Como o que?", eu perguntei, ansiosa para faze-lo continuar falando. Ele virou para me
olhar, sua pele brilhando com o sol – mas do jeito humano. Seus lábios inclinaram para
cima e eu imaginei o quão macio eles seriam.
"Ela soube assim que comecei a pensar que eu queria lutar na Guerra. Ela vem fazendo
tudo o que pode para me manter aqui desde então. Mas assim que eu fizer 18 anos,
provavelmente serei recrutado, e então ela não terá escolha".
Eu mordi meu lábio, pensando na ironia da guerra terminar antes dele completar 18
anos - e também, se as coisas acontecessem como devia ser, que ele seria um vampiro
antes de fazer 18 anos.
"Por que você quer lutar?", eu perguntei, reprimindo meu medo. Não pela sua segurança
– eu sabia que ele não iria. Mas medo de perdê-lo, sem ter um jeito de voltar para o
futuro...
"Quando essa guerra acabar", ele disse sério, parando e me forçando a virar, "os homens
que lutaram serão os mais honrados do país. Eu não quero ficar para trás e dar a
impressão de que sou covarde, ou que alguém diga que eu não agüentaria".
Esse não era o Edward que eu conhecia. Ou era? Talvez esse fosse apenas outro aspecto
que eu julgava ser seu complexo de martírio. E lembrei o que ele me disse uma vez, de
como ele tinha enchido a cabeça com idéias de ser soldado...
Eu sempre fui aquele garoto...eu não pensava em nada a não ser na glória idealizada
da guerra que era a perspectiva vendida na época...mas se eu tivesse te encontrado, eu
não tenho a mínima dúvida de como eu teria procedido. Eu era aquele garoto, que teria
– assim que descobrisse que você era o que eu estava procurando – ajoelhado e
tentaria fazer com que você dissesse sim. Eu iria quere-la eternamente, mesmo quando
a palavra ainda não tinha o mesmo significado que hoje.
"Mas e se você não voltar?", eu me peguei perguntando, sentindo falta do meu Edward
mais do que nunca. "Milhões de homens estão morrendo por lá. Você prefere morrer a
ser chamado de fraco? Não existe nada que você realmente queira fazer?".
Ele balançou os ombros. "Eu nunca soube realmente o que queria", ele disse. "Mas eu
quero fazer alguma coisa com a minha vida".
"Eu acho que você vai", eu disse, apertando o braço que ele me ofereceu novamente.
"Espero que você esteja certa", ele disse com um sorriso. "Bem, chegamos".
Eu percebi que estávamos numa área muito mais cheia, e enquanto eu olhava em volta,
eu vi o que era o "mercado". Era um enorme mercado ao ar livre com aparentemente
infinitas bancas vendendo vegetais, frutas, grãos, e produtos não-alimentícios também –
uma banca de carpintaria vendendo vários móveis, uma velha senhora vendendo itens
de tricô...
"Todas essas pessoas estão aqui todos os dias?", eu perguntei maravilhada, sendo
puxada pelo Edward conforme ele andava através das bancas.
"Algumas", ele disse, parando para inspecionar uma banca que consistia em diversas
caixas de vegetais em uma carroça. Ele balançou a cabeça para si mesmo e continuou.
"Alguns só vem aqui ocasionalmente, para procurar fregueses. A maioria dos artesões
tem suas próprias lojas".
Edward riu. "Tenho certeza que você perdeu muita coisa lá no meio do nada".
Ao invés disso, uma mão quente apertou meu ombro delicadamente, e eu tive que abrir
meus olhos para a realidade mais uma vez.
"Bella? Qual o problema?", ele perguntou, olhando da minha expressão de agonia para a
mesa que eu agarrava como suporte. Seus olhos passaram pelos anéis e voltaram a me
olhar. "Você...deixou alguém para trás, não deixou? Em Washington?".
Eu engoli forçadamente. "M-mais ou menos. Não estava em meu controle. Não havia
nada que eu pudesse fazer...".
"Você estava apaixonada?", ele perguntou suavemente, permitindo que eu desviasse o
olhar.
"Sim", eu suspirei.
Ele apertou meu ombro. "Sinto muito. Eu queria...queria que tivesse alguma coisa que
eu pudesse fazer...".
"Obrigada", eu disse, colocando minha mão sobre a dele no meu ombro. "Vamos voltar
para casa, sim?".
"Claro", ele concordou, pegando minha mão. Não falamos mais desse assunto.
POV Do Edward
-4-54
As velas apagaram, e inesperadamente Bella não estava mais sentada em sua cadeira.
O pânico foi instantâneo. Impossível eu simplesmente não a ter visto – escuridão não
era um obstáculo para meus olhos. Apenas um traço de seu cheiro pairava no ar, e o
silêncio era esmagador sem as batidas de seu coração.
"O que aconteceu?", falei com a voz áspera, olhando para os rostos desnorteados da
minha família. "Onde ela está?".
"Como isso aconteceu?", Alice perguntou suavemente, virando para Carlisle. "Ninguém
poderia ter levado ela – nós teríamos sentido o cheiro. E a Bella obviamente não pode
ter saído escondida...".
Eu também olhei mudamente para Carlisle, rezando por respostas. Como era possível
minha esposa simplesmente...desaparecer?
"Eu não sei", ele disse inutilmente. "Os Volturi, possivelmente...talvez eles tenham um
poder que não conhecemos...".
Eu interrompi. "O poder de fazer alguém desaparece no ar? Não, não pode ser os
Volturi...".
"Então quem mais?", Rosalie falou, mas eu balancei a cabeça, me negando a acreditar.
Se os Volturi estivesses com ela...
"Vou fazer algumas ligações", Carlisle disse, indo para seu escritório. "Não entre em
pânico".
"Não entre em pânico, ele diz", eu resmunguei comigo mesmo. "Minha esposa
desapareceu no ar e eu não devo ficar apavorado?".
Jasper colocou uma mão no meu ombro, segurando forte o bastante para que eu não
pudesse tirá-la, e mandou uma onda de calma através de mim. "Você não vai trazê-la de
volta nesse estado. Você tem que manter a cabeça no lugar", ele argumentou enquanto
eu o encarava.
Eu me virei na direção da Alice para perguntar se ela podia ver alguma coisa, mas parei
abruptamente enquanto uma visão aparecia em minha mente...
Era impossível não notá-la. Sua blusa brilhante e calça estranha se destacavam dentre
a cor parda dos vestidos convencionais das outras mulheres na rua. O que chamou
minha atenção, entretanto, foi a expressão em seu rosto. Eu nunca tinha visto ninguém
parecendo tão perdido, ou tão vivo. O contraste atiçou minha curiosidade. Eu queria
conhecê-la.
Ela piscou como se tivesse saído de um transe. "Na verdade, estou um pouco perdida".
"Edward? Edward, o que foi?" Alice perguntou, balançando a mão na frente do meu
rosto para chamar a minha atenção. Eu pisquei.
"Eu acho que acabei de ter uma visão" eu disse, imaginando porque diabos eu veria
aquilo na minha mente.
"Bom, talvez ela esteja lá mesmo" Alice balançou os ombros, repentinamente calma.
"Não" eu disse imediatamente, tentando me acostumar com a idéia. "Ela não pode estar
em 1918. Como ela poderia chegar lá?".
Alice balançou os ombros de novo. "Sei lá. Mas isso explicaria porque não consigo vê-
la. Todo o seu futuro está no passado agora".
"Não é possível" eu disse mais uma vez, com menos força. "Ela não pode estar no
passado".
"Onde mais ela poderia estar então? Devido as circunstâncias, eu acho que é a única
explicação lógica. Mesmo que isso desafie as leis da física".
Tudo bem. Eu podia lidar com isso. Talvez não estivesse remotamente dentro das
possibilidades da realidade, mas eu devia estar acostumado a desafiar as leis da
natureza. Eu fazia isso todo dia. Mas desde quando a Bella tinha aparecido na minha
vida, eu me sentia cada vez mais humano, e agora...agora eu não estava preparado para
lidar com uma coisa dessas. Por mais que eu tentasse me recompor, o pânico continuava
voltando.
"Tudo bem. Então ela está no passado. Como eu a trago de volta?" eu perguntei,
beirando o desespero, mas o resto da minha família me olhou com pena, sem respostas.
O pânico aumentou.
Por que, por que isso estava acontecendo? Qual força poderia ter mandado a Bella de
volta no tempo, e com qual propósito, e o mais importante, por que agora? Não fazia
sentido, e não haviam respostas a serem dadas.
"Por que você a convidou para ficar conosco?" perguntei a minha mãe. Eu não estava
aborrecido, eu estava contente, e eu sabia que minha mãe podia perceber isso, apesar
que tentei esconder. Mas eu não entendia. "Ela é uma completa estranha".
"Ela é perfeitamente confiável. Eu acho que ela pode tomar conta de si, na verdade,
mas tinha alguma coisa sobre ela. Algo que a torna única, apesar de eu não conseguir
dizer o que. E eu vi o jeito que você a olhou", ela acrescentou presunçosamente. "Você
nunca prestou tanta atenção a nenhuma jovem dama como fez hoje".
"Isso é ridículo", eu disse, apesar de sentir meu rosto queimando. "Me parece um
súbito ato de confiança abrigar uma estranha só porque você acha que seu filho se
sente atraído por ela".
"Talvez", ela disse com um sorriso enigmático. "Mas os meus instintos nunca falham".
"Nunca diga nunca", eu resmunguei, embora não pudesse discutir. Seus instintos eram
mais precisos que qualquer instrumento científico, e pelo que parecia ele, tinham
alguma coisa guardada para mim.
Eu abri os olhos, desorientado. Aquela era a lembrança mais clara que eu já tive da
minha mãe, mas de alguma forma, pareceu que eu sempre tive essa lembrança...mesmo
que eu soubesse que ela era nova para mim.
"Edward, não parece que os Vouturi tiveram alguma coisa a ver com essa situação. Eu
sinto muito, eu não tenho nenhuma resposta para te dar. Eu nunca soube que algo
parecido com isso tenha acontecido antes".
"Eu fico...vendo coisas, Carlisle", eu respondi, auto o suficiente para ele me escutar da
casa. "Como lembranças, exceto que são lembranças que eu nunca tive. Elas são da
minha vida humana, e a Bella está nelas. Alice acha...ela acha que a Bella de algum
jeito voltou no tempo".
"Faz tanto sentido quanto as outras coisas" ele respondeu. "Eu não sei o que podemos
fazer, mas vou continuar contatando velhos amigos. Talvez alguém saiba mais a
respeito".
"E se eu nunca mais a tiver de volta?", eu perguntei, sufocando com meu medo. "E se
-?".
"Esses pensamentos não vão ajudar. Tenha fé, Edward. E fique focado nessas
lembranças. Se ela estiver mesmo no passado, você vai poder vigiá-la".
Ele estava certo, eu sabia. Eu podia apenas esperar ela voltar, se ela pudesse voltar, e
observá-la. eu iria observá-la fielmente, então, até que ela voltasse para mim...porque
ela iria. Ela tinha que voltar. Nós passamos por muitos obstáculos para sermos
separados agora.
Eu sentei na frente da árvore que tinha ficado encostado e fechei os olhos novamente,
procurando através das lembranças. Conhecendo a Bella, a levando para casa,
conversando com minha mãe...e então surgiram novas lembranças. Eu a levei no
mercado, e ela parecia estar feliz...mas então ela parou na frente dos anéis e uma
expressão de agonia atravessou seu rosto...
Sua garganta flexionou conforme ela engoliu. Eu queria esticar meu braço e tocar seu
pescoço pálido, mas forcei minha mão a permanecer parada. "M-mais ou menos. Não
estava em meu controle. Não havia nada que eu pudesse fazer...".
"Você estava apaixonada?", eu perguntei, sabendo a resposta antes dela falar; estava
escrito em seu rosto. Uma estranha sensação de desespero se espalhou por mim. Se seu
coração tivesse dono...
"Sim", ela suspirou, me olhando com seus olhos tristes. Eu desejei poder confortá-la...
Eu pensei sobre a expressão em seu rosto, sabendo que ela estava falando sobre mim
como o alguém que ela tinha deixado para trás...eu vi todo o seu medo e tristeza. E eu
senti duas formas de emoção – o desejo que o meu eu do passado tinha de confortá-la, e
a vontade que o meu eu do presente tinha de tocá-la...
E então apareceu uma ansiedade que eu não conseguiu entender. O meu eu humano já
estava apaixonado por ela, eu sabia disso – eu a amaria em qualquer época e
circunstância – e o meu e humano queria ser amado em resposta. E no entanto, eu senti
um estranho receio que exatamente isso fosse acontecer...talvez ela não fosse querer
voltar para mim. Talvez depois de estar comigo como um humano, ela não iria mais
querer o que eu agora tinha a lhe oferecer...
Não, eu disse para mim mesmo. Bella sente o mesmo. Não importará para ela o que eu
sou. Mas eu não conseguia apagar essa dúvida.
Eu senti uma mão no meu ombro e abri os olhos. Eu vi a Alice e lhe lancei um olhar
esperançoso e questionador.
Ela balançou a cabeça. "Não, eu ainda não vi nada. Mas eu tenho uma teoria".
"Sim, mas eu fiquei imaginando porque naquele momento. E então me ocorreu que um
pouco antes eu falei para ela fazer um pedido".
"Um pedido?", eu falei cético. "Você acha que ela desejou ir para 1918?".
Alice revirou os olhos. "Eu duvido que tenha sido tão específico, mas tem uma razão
para ser supostamente cuidadoso com o que se deseja. Seja o que for que ela tenha
pedido deve a ter levado para lá. É a única resposta que consigo pensar".
"É loucura", eu disse. "Mas tudo que aconteceu hoje também é. Até mesmo essas novas
lembranças...elas estão vindo mais rápidas do que poderiam estar acontecendo".
Alice deu de ombros. "Nada disse faz sentido, Edward. Por que isso seria diferente?".
Eu assenti, mas suspirei, e a Alice sentou ao meu lado, talvez sentindo meu humor.
"Estou com medo, Alice", eu admiti, "Isso tem o potencial de terminar em desastre de
tantas formas, e eu não posso fazer nada".
Alice colocou seu braço em volta de mim em um meio abraço. "Você só tem que
confiar que o seu eu do passado vai tomar conta dela".
"Eu confio", eu disse com um pequeno riso. "Isso é o que mais me assusta".
-5-
Depois que voltamos do mercado, me encontrei sentada na sala com o Edward e sua
mãe, esperando o pai dele chegar do trabalho. Sua mãe estava tricotando o que parecia
ser uma meia. Eu não conseguia acompanhar o que ela estava fazendo; coisas que
exigiam coordenação mão-olho não eram meu forte usualmente. Eu tentei ler um livro
que havia retirado da pequena biblioteca, mas não conseguia me concentrar no texto.
Meus olhos e pensamentos constantemente viravam para o Edward, que estava sentado
na minha frente, lendo também. Ele parecia não ter problema para se concentrar.
Eu escutei um ruído do lado de fora e olhei ao mesmo tempo em que os outros dois.
"Esse deve ser seu pai", Sra. Masen murmurou, e eu percebi que o som era de um
motor. Um motor antigo. Meu Edward ficaria horrorizado com a barulheira que ele
fazia.
Os olhos de Elizabeth desviaram para mim, e ela me ofereceu um sorriso afetuoso antes
de olhar mais uma vez para a entrada da frente. Nenhum dos dois diria algo, mas eu
sabia que o Edward e sua mãe estavam nervosos para me apresentar à ele. Imaginei
como ele iria lidar com a aparição de uma estranha qualquer em sua casa. Edward nunca
me falou muito dele, além de que ele era advogado; eu não acho que ele lembrasse de
muita coisa.
A porta da frente abriu, e Edward e sua mãe levantaram. Eu os imitei, insegura. Qual
seria a etiqueta apropriada para apresentação nessa época? Por que eu tinha passado
tanto tempo lendo sobre o Período Regencial¹ e pulei esse período de tempo crucial? Eu
queria me chutar, mas provavelmente acabaria danificando a mobília da sala.
Passos alcançaram a entrada, e eu tive meu primeiro vislumbre do pai do Edward. Ele
tinha cabelo castanho claro e olhos castanhos, um tanto comum, na verdade, mas seu
rosto era agradável e gentil. Ele era novo ainda, mas rugas tinham começado a aparecer
em sua testa e em volta de sua boca, e seu cabelo era grisalho nas têmporas. Uma
entrada sugeria que ele estava ficando careca também. Eu podia ver que ele tinha sido
muito bonito nos seus vinte anos, e eu esperava que sua aparência bondosa combinasse
com sua personalidade.
"Edward, querido", Elizabeth disse, dando um passo a frente para colocar a mão no meu
ombro. "Essa é Bella Swan. Ela vai ficar uns tempos conosco".
"Prazer em conhecê-lo, senhor", eu disse convencionalmente, fazendo um movimento
estranho entre um aceno e uma reverência. Ele assentiu de volta educadamente e eu vi
seus olhos irem para o Edward, de volta para mim e finalmente para sua esposa.
Ela o tirou da sala antes mesmo de terminar sua frase, e eu voltei a sentar aliviada. Eu
não queria saber o que ele iria dizer sobre o fato de sua esposa ter abrigado uma garota
que encontrou na rua.
Edward sorriu para mim, ainda em pé. "Não se preocupe. Minha mãe decide tudo nessa
casa, e meu pai tende a aceitar qualquer coisa que ela queira". Seu sorriso se tornou
mais suave, mais afetuoso enquanto ele olhou na direção da porta pela qual seus pais
saíram.
"Você quer conversar sobre aquilo, Bella?", Edward perguntou. Eu o olhei e encontrei
seus olhos me estudando atentamente, e demorei um momento para perceber sobre o
que ele estava falando.
"Mais tarde", eu disse, esperando que ele entendesse. Ele olhou na direção da cozinha
novamente e assentiu.
"Perfeito", eu disse aliviada. Isso ia me ajudar a ganhar tempo para inventar a minha
história. Eu obviamente não podia lhe contar a verdade, ou nada parecido. Eu podia até
imaginar sua reação. "Bem, Edward, acontece que eu deixei você para trás, 90 anos no
futuro. Nós somos loucamente apaixonados e acabamos de nos casar. Oh, e mencionei
que você é um vampiro e que vai me transformar em uma também?". Isso iria funcionar
muito bem para me mandar a um hospício, eu tinha certeza. Talvez Carlisle pudesse me
ajudar a escapar...
Com esse pensamento duas coisas simultaneamente fizeram sentido na minha mente.
Carlisle estava aqui, nessa época e lugar – e ele já era um vampiro. Se eu conseguisse
encontrá-lo, eu poderia lhe contar tudo...ele poderia me achar louca no começo, mas eu
sabia coisas sobre seu passado que uma mera louca não conheceria. Ele teria que
acreditar em mim. E então, talvez, ele pudesse me ajudar, de alguma forma. Ia ser
maravilhoso, no mínimo, conversar com alguém sobre isso.
Ia ser complicado chegar até Carlisle, porém. Ele trabalharia durante a noite, para evitar
a luz do sol, e quem sabe onde ele estaria trabalhando...ia ser complicado sair de casa a
noite sem que ninguém soubesse. Mas se eu conseguisse, eu poderia encontrar o
caminho de volta...
Um sino interrompeu meus planos, e eu notei que Edward ainda estava me observando
cuidadosamente. Eu lhe ofereci o que foi provavelmente um sorriso pouco convincente.
"Vocês tem um sino para o jantar?", eu disse, esperando fazer com que o Edward
esquecesse sobre o que quer que estivesse especulando. Eu conhecia aquele olhar, e
normalmente significava que ele tinha percebido algo.
Ele sorriu, mas eu tive a impressão que minha tentativa havia falhado. "Nós geralmente
estamos espalhados pela casa nos horários das refeições. É o jeito mais fácil de nos
reunir à mesa".
"Oh", eu disse fracamente, deixando que ele me guiasse até a sala de jantar. Seus pais já
estavam sentados, e o Edward puxou uma cadeira para mim em um dos lados da mesa
retangular. Seus pais estavam sentados em casa uma das pontas, e o Edward se sentou
na minha frente.
"Eu espero que não se importe, Bella, mas não fazemos as coisas de maneira formal por
aqui", a mãe de Edward falou, me passando um prato com o que parecia ser frango.
"De maneira alguma", eu disse, me servindo conforme os outros se serviam dos demais
pratos. Era um grande alívio, na verdade. "Eu não estou acostumada com formalidades.
Eu iria certamente fazer papel de boba".
Eu percebi que estava sendo honesta demais, como sempre, e calei minha boca, mas
todos riram.
"Melhor ainda, então", o pai de Edward falou, me passando um prato com talharim. "Eu
tendo a fazer papel de bobo também".
Eu não poderia deixar de retribuir seu sorriso amável, e peguei o Edward observando
com interesse. Eu desejei, não pela primeira vez, que eu tivesse o poder de ler mentes
do meu Edward. Especialmente para usar contra ele.
"Então, Bella", seu pai disse, "minha esposa me disse que você veio de Washington. O
que a trás até Chicago?".
"Só estou procurando por um novo começo", eu menti. "Não tinha mais nada que me
prendesse a Washington".
"Eu estou surpreso por você não ter ido para um lugar mais glamuroso. Por que não a
ensolarada Califórnia?", ele respondeu zombeteiramente, mas eu sabia que ele queria
uma resposta séria para a sua pergunta.
"Eu não me dou bem com sol". De novo, eu menti, mas esperava que minha pele pálida
fosse convencê-los. "E eu não sou realmente uma garota glamurosa. Eu prefiro
apenas...me misturar".
"Eu prefiro, também", Edward murmurou, tão suave que eu quase não escutei, mas
quando olhei para ele do outro lado da mesa, eu soube que ele falou apenas para que eu
escutasse. Havia algo novo em seus olhos quando eles encontraram os meus.
"Pronta para a nossa caminhada?", ele perguntou. Sua ansiedade era o que eu pensava
que era?
Ele me guiou através das ruas surpreendentemente agradáveis. O sol tinha começado a
se pôr, e as pessoas idosas estavam sentadas do lado de fora de suas casas, enquanto as
crianças brincavam nas ruas. Eu supus que estivéssemos numa parte nobre de Chicago,
aonde crime e tristeza não eram tão aparentes.
"Você não precisa me contar se não quiser", Edward disse, seus olhos mirando o
horizonte. "Eu apenas pensei...que ajudaria".
Eu balancei a cabeça concordando. Talvez fosse ajudar, mesmo que fosse só para aliviar
minha dor... "Nós éramos namorados", eu comecei, relatando a história que tinha
inventado durante o jantar. "Nós sempre planejamos nos casar, mas seus pais não me
aprovavam. Eles queriam alguém mais... sofisticada para seu filho. Então eles o
mandaram para uma escola particular, o forçando a me abandonar. Ele achou que tudo
ficaria bem... ele disse que iria para garantir que tivéssemos a melhor vida possível
juntos. Meus pais morreram enquanto ele estava lá...eu tive que começar a trabalhar, e
essa definitivamente não era o tipo de mulher que os pais dele aceitariam. Quando ele
voltou para casa, ele estava acompanhado de uma linda loira. Nós nunca mais nos
falamos".
Edward me espantou, pegando minha mãe e apertando gentilmente. "Sinto muito, Bella.
Mas ele não te merecia".
"Por que você acha isso?", eu perguntei, surpresa com o formigamento que tomou conta
da palma da minha mão com o seu toque.
"Ele devia ter lutado por você". Sua voz era baixa, determinada. "Eu teria".
Senti o rubor se espalhando por meu rosto e virei minha cabeça para o outro lado,
indecisa. Isso estava acontecendo tão rápido, e eu não sabia se era correto.
"Qual era o nome dele?", ele perguntou logo depois, provavelmente tentando quebrar a
tensão com uma pergunta simples. Eu procurei por um nome.
Eu imaginei se ele sabia o quão pertinente eram suas palavras. "Eu sei disso agora", foi
o que consegui falar.
"É", ele respondeu, me lançando um olhar estranho. Eu sabia que ele queria respostas,
mas eu não podia lhe dar nenhuma.
"Bem, é bom saber disso", eu disse alegremente, me virando. Ele viu através de mim,
como de costume, mas não pediu uma explicação. Eu agradeci aos céus que esse
Edward era menos intrometido que o outro.
"Está escurecendo", ele suspirou, nos virando para outra direção. "Vamos para casa".
Ele estava insatisfeito comigo, é claro. Eu queria poder confiar nele; eu desejava contar
tudo para ele e escutá-lo dizer que tudo ficaria bem. Isso era impossível, entretanto,
então me contentei em pegar seu braço e seguir em silêncio.
...
-6-
Eu subi para dormir cedo e apaguei as luzes, esperando que isso fizesse todos
acreditarem que eu já estava dormindo. Pareceram séculos antes da Sra. Masen
finalmente subir para dormir. Seu marido e filho tinham passado pela porta do meu
quarto há uma hora atrás, mas ela parecia ter um estoque infinito de energia.
Eu parei na sala, escutando por qualquer sinal de passos me seguindo. Meus olhos
pousaram na mesa, aonde o jornal de hoje estava, descartado. Eu o peguei, curiosa para
ver a data. Ainda não tinha idéia de quando, exatamente, era.
19 de julho, 1918. Eu engoli e vislumbrei as matérias. Notícias sobre a guerra. Pelo que
o artigo dizia, parecia que a guerra estava virando a nosso favor nesse momento. Czar
Nicholas IItinha sido morto dias atrás. Eu balancei a cabeça, maravilhada com o que
estava vendo. Como eu podia estar vivendo nesse período?
"O que você está fazendo acordada?", uma voz suave perguntou, me assustando e
fazendo com que derrubasse o jornal. Me virei e encontrei os olhos desconfiados do
Edward.
"Eu fui até seu quarto. Sua cama está feita, e você ainda está vestida. Não parece nem
que você tentou dormir".
"Eu arrumei a cama e me vesti quando levantei", eu tentei, mas ele revirou os olhos para
mim.
Ele se aproximou, fazendo meu coração disparar nervosamente. "Por quê?", ele exigiu.
Seus olhos percorreram meu rosto, avaliando. "Você está doente, Isabella?".
Sacudi a cabeça. "Não, é claro que não. Acontece que a pessoa com quem precisa falar é
um médico, mas esse não é o motivo".
Edward inclinou a cabeça, dando mais um passo a frente, me prendendo entre ele e a
mesa. "É ele? Jacob?".
Eu quase ri. Eu tinha lhe dado motivo para ter ciúmes do Jacob nessa época também.
Muito boa, Bella. "Não, eu nem sei onde ele está agora". Era a verdade.
"Quem você vai ver, então?". Seus olhos me fizeram congelar onde estava.
"Um velho amigo da família". Não importa que velho se referia mais a sua verdadeira
idade do que a sua condição de amigo da família... "Talvez ele possa me ajudar".
O rosto de Edward relaxou levemente, mas ele não se afastou. "Você não pode ir
sozinha, especialmente a essa hora. Por que você não vai durante o dia, de qualquer
maneira?".
"Eu não sei aonde ele mora", eu disse honestamente. "Mas eu sei que ele trabalha
durante a noite no hospital. Essa é a única hora que posso encontrá-lo. Eu tenho que ir".
Ele cruzou os braços, e percebi que ele também ainda estava vestido. Será que ele tinha
esperado que eu fosse tentar sair escondida?
"Eu espero do lado de fora, então, mas eu vou com você. Você não vai passear pelas
ruas de Chicago a essa hora sozinha".
Edward ergueu uma sobrancelha. "Se você realmente vai visitar um amigo da família,
eu não sei porque não podemos lhes dizer a verdade".
Ele ficou perto, às vezes colocando a mão na minha cinturaenquanto passávamos pelas
áreas mais suspeitas. Por duas vezes, ele teve que me corrigir quando tentei virar na
direção errada, e eu corei nas duas. Eu provei que precisava de assistência afinal, o que
iria apenas servir para encorajá-lo.
"Seu nome é Carlisle". Eu esperei que essa resposta fosse satisfazê-lo, mas, é claro, que
não satisfez.
"Ele foi o médico da nossa cidade por uns tempos". Ou ele será, no mínimo. "Ele não
gostou da vida do interior, então ele voltou para a cidade".
Edward crispou seus lábios."E como você soube que ele estava aqui?".
"Certo", ele resmungou. "E o que a faz ter tanta certeza que ele está nesse hospital?".
Nós estávamos parados em frente ao edifício agora.
"Estou supondo", eu admiti. Supondo que ele vá estar no hospital mais próximo de
você.
"Espero que tenha acertado", Edward disse, me seguindo através da porta dupla.
Eu estava surpresa com o interior do hospital. Não era nada parecido com um hospital
moderno – sem corredores com fileiras de quartos, sem sala de espera, sem cheiro de
medicamentos. O cheiro era pior, como decomposição. Eu foquei em respirar pela boca
enquanto procurava alguém que pudesse me ajudar.
Eu avistei uma enfermeira do outro lado da sala, e fui rapidamente em sua direção.
Edward seguiu silenciosamente. Eu devia ter pedido que ele esperasse na entrada, mas
queria sua presença reconfortante.
"Com licença", eu disse antes que ela saísse apressada. "Estou procurando o Dr. Cullen,
ele está aqui?".
Ela me olhou desconfiada, então olhou para o Edward, que estava logo atrás de mim.
"Lá em cima", ela disse ativamente, apontando uma entrada atrás dela.
Ele concordou com a cabeça enquanto caminhei em direção da escada um tanto quanto
escura e subi até o próximo andar. Foi fácil reconhecer Carlisle. Ele não tinha mudado
nada, mas isso era esperado. Quando ele virou, fazendo anotações, eu vi a diferença,
entretanto. Esse Carlisle parecia triste...solitário. Nesse momento, ele não tinha
ninguém, eu percebi. Mas isso iria mudar logo. Ou era o esperado.
"Dr. Cullen", eu disse, hesitando levemente enquanto me aproximava. Ele olhou, apenas
curioso, mas eu não sei porque esperei ver algum tipo de reconhecimento em seus olhos.
"Meu nome é Bella Swan, e eu preciso falar com você. Em particular, se for possível".
Se ele estava intrigado, não demonstrou. "Muito bem", ele disse. "Por aqui".
Ele me levou até uma sala da área principal, um pouco maior que um depósito. Carlisle
ascendeu a luz e eu percebi que era aonde eles guardavam os medicamentos.
"Como posso te ajudar?", ele perguntou com seu tom profissional. Eu engoli meu
nervosismo e disparei.
Sua reação foi uma que eu conhecia bem, uma que já tinha visto no rosto do Edward, no
hospital depois que ele me salvou da van do Tyler: ceticismo praticado.
"Um vampiro", eu disse, me preparando para repetir sua história, da maneira que o
Edward tinha me contado. "Você nasceu na metade do século XVII em Londres. Seu
pai era pastor. Ele te fez assumir suas incursões quando você tinha idade suficiente,
procurando por demônios. Você era esperto; você realmente achou um vampiro de
verdade, mas não poderia estar preparado para isso. Você liderou uma incursão, e o
vampiro atacou. Ele te mordeu. Você sabia que estava contaminado e que seu pai iria
matá-lo se descobrisse. Você se escondeu num porão por três dias em dor agonizante,
até que sua transformação estava completa. Devo continuar?".
"Não precisa", ele disse, curioso mas cauteloso. "Como você sabe tudo isso?".
"Eu sei porque te conheço – não agora, mas noventa anos no futuro, onde estava até
hoje de manhã. De alguma forma, eu voltei no tempo... e você é a única pessoa que
conheço nessa época que poderia me entender. Que iria até acreditar em mim".
Com um suspiro aliviado, eu comecei a explicar. "No futuro, você tem um clã completo,
uma família, na verdade. Quatro que você transformou e dois que acharam você, e todos
compartilham da sua dieta. O primeiro que você transformou foi o Edward. Ele vai
morrer de gripe espanhola, que vai chegar em Chicago ainda esse ano... eu não sei em
qual mês, mas eu sei que ele ainda está vivo, e humano, agora".
"Oh...hmm...eu acho que ainda não é chamada assim. É uma epidemia...uma pandemia,
eu acho, de gripe que vai se espalhar pelo mundo. Eu não sei ao certo – não sei muito
sobre isso – mas foi provavelmente a pior epidemia desde a peste bubônica...".
"Eu sou casada com ele", eu disse, sentindo o peso inexistente no meu dedo. "Nós
tínhamos acabado de voltar da nossa lua de mel quando isso aconteceu. Ele ia me
transformar...agora pode nunca acontecer".
"Ele tem um controle extraordinário", eu disse, cheia de orgulho do meu vampiro. "Ele
não acha isso, mas ele tem. Ele nunca me machucou... apesar do meu sangue o atrair
mais do que qualquer outro...".
Ele franziu a testa. "E você voltou no tempo...para o Edward? Como um humano?".
"Sim", eu suspirei. "A última coisa que fiz antes disso acontecer foi fazer um pedido –
era o meu aniversário, eu estava apagando as velas do meu bolo. Então eu abri meus
olhos, e estava aqui".
"Bem, se for realmente assim que cheguei aqui...como eu volto?", eu perguntei, sabendo
que ele não teria uma resposta.
Carlisle franziu a testa. "Você poderia tentar algumas coisas, suponho, ver se algo
funciona. Você podia tentar fazer outro pedido. Ou talvez realizar o que você já fez. E
se isso não funcionar... você faz o melhor que puder".
Eu engoli. "Estou com medo. Eu não conheço essa época – não seu como agir, não
tenho um lugar para ficar...a família do Edward me abrigou, mas e se eles me pedirem
para partir?".
Carlisle colocou uma mão no meu ombro. "Se esse é o mesmo Edward por quem você
se apaixonou, então você deve ter fé de que ele não vai deixar nada de mau lhe
acontecer. Mas", ele continuou, puxando seu bloco de papel e escrevendo alguma coisa
nele, "aqui está meu endereço, se você precisar de algo. Você não está sozinha".
"De nada", ele sorriu afetuosamente. "Eu realmente tenho uma família no futuro?".
Eu fique surpresa com a pergunta. Carlisle parecia tão esperançoso, tão...jovem. Era
estranho. "Sim", eu disse. "Você quer saber a respeito?".
Ele hesitou. "Sim, desesperadamente. Mas eu acho que é melhor eu não saber".
Eu assenti. "Tudo bem, então, Edward está me esperando. Acho melhor eu ir, antes que
ele fique preocupado".
"Ele está aqui com você?". Carlisle abriu a porta e fez um gesto indicando que eu saísse.
"Sim", eu suspirei. "Eu tentei sair escondida, mas ele me viu. Ele não queria me deixar
vir sozinha. Muito cavalheiro para seu próprio bem".
"Talvez outra hora, quando eu souber o que você contou para ele. Não quero estragar
sua história".
"Você não precisa de um lugar para ficar", Edward disse, andando perto de mim como
se esperasse que agressores surgissem a qualquer momento. Típico Edward. Se ele
apenas soubesse os tipos de perigo que já enfrentei...
"Mas eu não posso ficar com a sua família para sempre", eu argumentei. "Eu não quero
abusar da gentileza deles".
Edward balançou os ombros, com a cabeça abaixada. Ele parecia tão...tímido. "Eu sinto
como se te conhecesse desde sempre".
"Eu sinto o mesmo", eu admiti. Eu não estava apenas me referindo ao futuro, mas ao dia
que tinha passado com ele também. Esse era o Edward, um pouco diferente mas
essencialmente o mesmo, e eu estava lentamente percebendo que não podia evitar amá-
lo. "Mas isso tudo meio que me assusta...".
Edward segurou minha mão com a sua quente. "Eu não quero que você tenha medo".
Meu coração doeu por causa de outra época, uma clareira ensolarada e atormentados
olhos dourados... eu apertei sua mão. "Eu vou tentar não ter".
-7-
... "Eu sou casada com ele", ela contou a Carlisle. Ela parecia tão perdida. "Nós
tínhamos acabado de voltar da nossa lua de mel quando isso aconteceu. Ele ia me
transformar... agora pode nunca acontecer".
"Ele tem um controle extraordinário", ela disse. Seus olhos cintilaram na luz fraca.
"Ele não acha isso, mas ele tem. Ele nunca me machucou...apesar do meu sangue o
atrair mais do que qualquer outro...".
Eu suspirei. Ela tinha sumido a menos de uma hora – o que eu não conseguia entender,
porque ela já estava há quase doze horas na minha época – mas eu sentia sua falta
terrivelmente. Talvez o sentimento fosse pior por não saber – não saber se ela iria voltar
um dia, se eu teria que observá-la através das minhas lembranças até que... até que ela
ou o meu eu humano morressem, eu suportaria isso?
"E o seu pedido?", Carlisle perguntou a Bella, que mordeu o lábio inferior como fazia
quando estava ansiosa.
Então era isso. Tão simples, e mesmo assim com conseqüências tão grandes. Ela era tão
tola. Como se eu precisasse de algo além dela...mas eu suponho que ela nos veria como
desiguais até quando fosse uma de nós...se ela um dia se tornar uma de nós.
"A maioria", eu suspirei. "Você realmente acha que ela pode voltar para essa época?".
"Eu acho que ela voltará, assim que o desejo for realizado. Você terá que ser paciente.
Tente apreciar isso – era o que ela pretendia".
"Eu sinto o mesmo", ela me disse. "Mas isso tudo meio que me assusta".
Sua mão era macia na minha. "Eu não quero que você tenha medo".
Meu eu do passado não notou nada errado, mas eu reconheci a tristeza nos olhos dela
quando eu disse aquelas palavras. Eu imaginei se ela lembrava como tinha
respondido...ela estava com tanto medo porque queria ficar comigo, e nenhum de nós
dois acreditava que ela poderia...
Durante os próximos dias, eu fui procurar emprego. Se eu estava presa nessa época, era
importante eu conseguir me sustentar. E se eu não estivesse, ainda precisava parecer que
eu estava.
"O que há de errado com fábricas? Muita gente respeitável trabalha nelas".
Edward revirou os olhos. "Não estou sendo esnobe, Bella. Trabalho em fábrica é
exaustivo e perigoso, e você terá que trabalhar do amanhecer até o anoitecer. Eu não
quero isso para você, e tenho a impressão que você também não quer isso".
Eu bufei, nada digno de uma dama. "E você acha que minhas chances são quais? Quem
iria me querer?".
"Eu iria", Edward disse, se mostrando confiante mas incapaz de esconder a hesitação
traidora em seus olhos.
"Isso é um sim?" Edward perguntou, andando no mesmo ritmo que eu, seus olhos
cheios de malícia.
Procurar emprego era muito, muito mais difícil em 1918, afinal. Basicamente, minhas
opções eram costurar, cozinhar e limpar. Apesar de eu alegar ter trabalhado com uma
costureira, eu realmente não conseguia costurar mais que um botão, então não ia
adiantar. Eu disse ao Edward que estava cansada de costurar para viver, então o fato de
eu negligenciar essa opção não pareceria suspeito. Eu tentei me candidatar para alguns
trabalhos como cozinheira, mas todos me disseram que eu era "muito jovem" ou "muito
qualificada". Edward teve que me explicar isso.
"Eu suponho que esse não seja o caso em Washington, mas muitos empregadores
tentam preencher vagas como essa com negros. Eles podem pagá-los menos".
"Posso te convencer a desistir agora?", Edward perguntou ao final do terceiro dia. Nós
andávamos lentamente de volta para a sua casa,suados pelo calor e umidade depois de
andar diversas quadras pela cidade.
"Sim, acho que provavelmente pode", eu suspirei, empurrando meu cabelo solto para
longe do meu rosto. Sua mãe tinha me ensinado como prendê-lo adequadamente, para o
meu alívio, mas meu cabelo freqüentemente escapava para me deixar louca.
Ele ergueu uma sobrancelha, incrédulo. "Para evitar que você arrumasse problemas. E
foi bom eu ter vindo! Você tropeçou quatro vezes hoje, e se eu não tivesse te segurado
na última vez, você teria rachado a cabeça".
Edward começou a rir. "Esqueci de mencionar o corte com papel? E o jarro de água que
você quebrou? E o carro que quase passou por cima de você? Você é como um ímã para
problemas!".
Mais uma vez, as semelhanças entre esse Edward e o meu me espantaram, Suas mentes
funcionavam exatamente da mesma maneira, pelo que parecia, até na escolha das
palavras. E mesmo assim, esse Edward era tão despreocupado, confiá já lamentava um
pouco por ele, sabendo o sofrimento que ele aturaria se as coisas acontecessem do jeito
que devia ser.
"O que foi, Bella?", ele interrompeu meus pensamentos. "Eu te perdi".
"Apenas envergonhada por ter minha falta de jeito tão eloqüentemente detalhada", eu
menti. Sua boca comprimiu; ele sabia que eu estava mentindo. Eu cortei futuros
questionamentos.
Eu não pude evitar sorrir em resposta. "Hmm, entendo isso. Eu não acho que seja uma
coisa ruim, porém".
Eu engoli, sentindo o calor de seu intenso olhar. "Isso...não seria ruim também".
"Verdade?", seu rosto inteiro ascendeu com esperança. "Porque estou falando sério,
Bella. Eu nunca pensei que conheceria alguém cuja companhia eu gostasse mais do que
a minha, mas esses últimos dias...quanto mais te conheço, mais quero estar perto de
você".
Eu então percebi, enquanto ele pegava meu rosto entre suas mãos tentativamente, que
esse era um Edward sem nada o segurando. Esse Edward não tinha que lutar contra seus
desejos contraditórios todos os momentos do dia; ele tinha tudo para oferecer, e nada do
que me proteger. Seria assim que nosso relacionamento teria sido, se... mas talvez fosse
ser desse jeito, depois que ele me transformasse...talvez ele fosse esse Edward confiante
e intento por quem eu estava tão embriagada agora.
Esse Edward era quente, e seus lábios pareciam cetim. Sua boca se moveu gentilmente,
castamente contra a minha antes dele se afastar. Suas mãos caíram ao seu lado.
"Me desculpe – eu sei que é um pouco cedo para isso, mas eu apenas...".
"Está tudo bem", eu interrompi, pegando sua mão. "Eu não me importei".
No entanto, meu corpo chamava por esse, encantado com as possibilidades que sempre
estiveram fora de alcance antes. Eu queria sentir o Edward me amar sem restrição.
"Bella?", sua voz parou meus pensamentos. "Tem um baile amanhã. Você gostaria de ir
comigo?".
Eu estremeci. Por que eles sempre queriam que eu dançasse? "Um, bem, eu iria Edward,
mas eu não tenho o que vestir, e eu realmente não sei dançar".
"Vamos, é tudo uma questão de liderança. E vamos encontrar algo para você vestir. Por
favor?".
"Tá bom, mas você não pode deixar mais ninguém dançar comigo. Eu provavelmente
iria machucar alguém seriamente".
Eu suspirei e me virei pela milionésima vez naquela noite. O que meu Edward estava
fazendo agora? Ele sabia onde eu estava? Ele estava em pânico? Eu desejei à Deus que
ele não desistisse enquanto não me achasse...que ele não tentasse novamente o que
tentou depois que pulei daquele penhasco...não, certamente ele não iria. Certamente ele
iria esperar que eu voltasse.
Eu fechei os olhos contra esses pensamentos. De algum jeito, isso tudo acabaria bem.
Eu só não conseguia me sentir muito confiante no momento.
Apenas não tropece no corredor, eu disse a mim mesma enquanto jogava as cobertas
para o lado. Eu saí furtivamente do meu quarto, fechando a porta o mais
silenciosamente possível. Cinco passos depois, eu estava na porta do Edward. Bater
faria muito barulho, então eu entrei, ouvindo um clique mínimo quando a porta fechou
atrás de mim.
Ele acordou quase imediatamente, olhando para mim, sonolento. "Bella? O que
houve?".
"Eu só – sinto saudades de casa", eu lhe disse. Era a única maneira que conseguia
pensar em lhe dizer a verdade sem me entregar.
"É claro, venha aqui". Ele levantou as cobertas para que eu deitasse na cama. Eu deitei,
penetrando no calor reconfortante enquanto ele se aconchegava contra mim. Seus braços
me envolveram fortemente, e não foi tão difícil dormir depois disso.
-8-
Eu fiquei deitada o observando por mais tempo que devia, mas estava fascinada pelas
pequenas coisas que nunca pude observar antes. O jeito que seus cílios tocavam sua
bochecha, da mesma cor de seu cabelo...o jeito que sua respiração saia em sopros
suaves, quase como um ronco...o jeito como suas pálpebras mexiam enquanto ele
sonhava.
Eu queria beijá-lo, para descobrir quais sons ele fazia ao acordar, se ele iria me abraçar
forte enquanto tentava voltar a dormir. Mas esse era um limite que eu não estava
preparada para atravessar, então me livrei do seu abraço e sai furtivamente do quarto.
Elizabeth Masen estava lá, arrumando flores num vaso em cima da pequena mesa
encostada na parede. Eu paralisei quando ela virou para me olhar.
Ela finalmente sorriu, dando um risinho. "Isso pode parecer muito estranho para você,
Bella, mas eu confio no meu filho. Eu sei que criei um cavalheiro que não ousaria fazer
nada inapropriado com uma jovem dama antes do casamento. Eu também sei que ele
não escolheria alguém que não fosse absolutamente respeitável, então também confio
em você, Bella".
Eu corei. Meus pais significantemente mais modernos não reagiriam tão bem quanto ela
– porém, sempre existiram regras duplas em se tratando de filhos e filhas – e eu não
sabia o que dizer. "O-obrigada".
"Imagina", ela disse, retornando às suas flores. "Edward me disse que vai sair com você
hoje à noite. Deixei uma coisa na sua cama que acho que irá servir. Por que você não
experimenta e vem me mostrar? Nós podemos fazer algumas alterações se for
necessário".
"Tudo bem", eu concordei, ainda tremendo um pouco de alívio. Eu jurava que ela iria
me chamar de meretriz e me expulsar de sua casa.
O vestido que encontrei deixado na cama desarrumada era adorável, um vintage clássico
– exceto que não era um clássico nessa época. Era um vestido creme vivo até o
tornozelo,com caimento folgado como os vestidos nos filmes...As mangas até o
cotovelo eram enfeitadas com renda delicada, a mesma renda que decorava o corpete. O
tecido macio de cetim era amarrado dos dois lados, como se para segurar o vestido
longe do chão. Era...absolutamente lindo.
Tirei minha camisola e experimentei o vestido. Ele era macio sobre meu corpo, e era tão
confortável. Eu teria que dizer a Alice que queria vestir à moda de 1918 o tempo todo...
Eu virei para me olhar no espelho que tinha no quarto. O vestido mostrava apenas uma
sutil dica do contorno do meu corpo, apertado apenas o suficiente para revelar que eu
tinha quadris e seios. Era sexy, não do jeito moderno, mas de um jeito que eu sabia que
o meu Edward iria achar atraente...e esse Edward provavelmente iria também.
Eu tentativamente reabri a porta do meu quarto e espiei o corredor. A Sra. Masen tinha
desaparecido, então fui furtivamente até a porta do seu quarto, preocupada que o
Edward fosse ver. Estava aberta, e ela estava sentada na penteadeira que tinha no
quarto.
"Ah, Bella, ficou adorável em você", ela disse, virando para me olhar. Ela levantou
abruptamente e andou ao meu redor, franzindo pensativamente. "Precisaremos subir a
barra só um pouquinho, mas lhe serviu bem".
"Oh, você não precisa fazer isso", eu gaguejei. "Quero dizer, esse não é seu vestido? Se
você subir a barra...".
Eu mordi meu lábio. "Você já fez tanto por mim. Não quero te causar mais problemas".
Para o Edward...não era exatamente o porque de eu ter vindo para cá em primeiro lugar?
"Agora", ela disse, e eu percebi que ela retirou uma caixa de alfinetes. Eu estremeci.
Com minha sorte, a caixa iria cair e metade deles iriam acabar espetados na minha pele.
"Vamos marcar o vestido para que eu possa começar a trabalhar".
Após o almoço, meras três horas depois, ela me devolveu o vestido. Me maravilhei com
a costura bem feita da barra, melhor do que qualquer coisa que eu jamais teria feito.
No final, deixei que ela arrumasse meu cabelo sem reclamar. Em menos tempo do que
eu imaginaria possível, ela o tinha prendido em um arranjo elegante – eu não sabia
nomear, mas era perfeito.
"Você está animada para esta noite?", a Sra. Masen perguntou enquanto se preparava
para aplicar maquiagem no meu rosto.
"Eu acho", respondi. "Eu ainda não sei o que esperar realmente".
Dessa vez suas sobrancelhas ergueram. Seus olhos verdes cintilaram com especulação.
"É mais do que um simples baile, eu suponho. É um dos eventos mais importantes da
cidade. Um dos nossos conhecidos oferece essa festa anualmente. Meu marido e eu
geralmente vamos, mas temos outro compromisso hoje a noite com seus sócios de
trabalho. Eu nem consigo dizer o quão surpresa fiquei quando o Edward disse que
pretendia ir... geralmente ele faria tudo que pudesse para evitar ir".
Ela ajoelhou na minha frente com o que parecia ser uma pintura para boca – não poderia
chamar batom, pois não estava num bastão – e então ela notou minha expressão.
"Ah, não se preocupe Bella. É só um bando de pessoas da elite da sociedade que não
tem nada melhor para fazer do que se arrumar e dar festas. Não vale a pena
impressioná-los – é apenas mais fácil lidar com eles se você fizer isso. Apenas se divirta
essa noite".
Eu sorri severamente enquanto ela se aproximou com um pincel úmido com a pintura de
boca. "Vou tentar".
Depois de empurrar meus pés nos sapatos que eram muito pequenos – e de salto, lógico
– e vestir as luvas creme que iam até o pulso e combinavam com o vestido, eu deixei a
Elizabeth me ajudar a descer as escadas para encontrar o Edward.
Eu o vi antes dele escutar nossa aproximação. Ele estava elegantemente vestido, sentado
no seu piano, mas sem tocar. Ao invés disso, ele estava inquieto como um menino. Meu
coração doeu um pouco com a visão.
Quando ele virou para me ver, eu recebi o efeito completo do seu traje – um traje a rigor
completo, quase igual ao que o Edward usou quando me levou ao baile da escola. Seu
cabelo estava penteado caprichosamente e grudado a sua cabeçacom...algum tipo de
substância. Gel? Eu não tinha como saber. Mas ele parecia um perfeito cavalheiro saído
do início do século XX. Assim como ele era na realidade.
Encontrei seus olhos ansiosos enquanto ele me admirava e um sorriso se espalhou por
seu rosto. "Ótimo trabalho, mãe", ele disse sem desviar o olhar. Até eu tinha que
admitir, o efeito final era intrigante. Com meus lábios pintados de vermelho e o ruge nas
minhas bochechas, eu realmente senti como se pertencesse a essa época.
"Você parece um sonho", ele disse, se aproximando. "Eu queria poder parar o tempo e
te manter assim para sempre".
Eu quase ri, era tão irônico. Se ele apenas soubesse que seu eu do futuro podia fazer
justamente isso – ou que um dia ele iria tentar de tudo para evitar isso.
Mas eu consegui manter um sorriso grudado no meu rosto e o agradeci. "Você está
muito bonito também".
"Você está com tanto medo assim das minhas habilidades como motorista?", ele
perguntou, abrindo a porta do passageiro.
"Não. Bem, eu espero que você mantenha uma velocidade razoável", eu disse,
imaginando se a inclinação do Edward para velocidade tinha sido presente na sua vida
humana. "Mas os seus pais não vão precisar dele hoje?".
Ele balançou a cabeça enquanto me erguia cuidadosamente para o assento. "Não, meus
pais são os anfitriões do jantar de hoje".
Eu o observei andar até o outro lado do carro e subir no lado do motorista. Quando ele
ligou a ignição, a imagem dele me atingiu, forte – em seu traje antigo, dirigindo seu
carro antigo... Edward nunca pareceu tanto um epítome de 1918. Eu gostei disso,
percebi. Todo aquele tempo discutindo que eu não era aquela garota...mas talvez eu
fosse, nessa época e lugar. Talvez eu fosse mais antiga do que pensava.
"Os Benedicts", Edward respondeu. Algo no seu tom provocou uma resposta.
"Você não gosta deles", eu adivinhei. Eu imaginei o porque estávamos indo a essa festa,
então.
"Não, não, eles são legais", Edward suspirou, me olhando de canto de olho. "Mas...bem,
é melhor te avisar agora. Eles tem uma...filha superzelosa. Eu costumo fazer tudo que
posso para evitá-la".
Meu reflexo era revirar os olhos, mas me segurei. É claro, garotas em todas as épocas
eram atraídas pelo meu Edward...eu não deveria me surpreender. E não devia ficar com
ciúmes ou insegura também, eu me lembrei quando sentimentos antigos tentaram voltar
à tona. Quantas vezes o Edward me disse que nunca amou ninguém antes de mim?
Nunca nem sentiu uma faísca de interesse. E certamente ele não iria ligar para uma
garota que se atirava nele constantemente. Esse não era mesmo o tipo do Edward.
Eu decidi caçoá-lo por isso. "Então, você resolveu me levar com você dessa vez como
um escudo humano".
"Não!", Edward gritou, rapidamente defendido. "Até ontem eu tinha a intenção de ficar
em casa, como sempre, mas eu pensei que poderia ser agradável ir pelo menos uma vez
com alguém cuja companhia eu realmente aprecio".
Eu não pude negar a torrente de felicidade que seguiram suas palavras. "Bem, mesmo
assim, vou estar preparada para afastar as outras garotas. Sua virtude não pode ficar
desprotegida".
Ele riu sonora e livremente. "Por mais que eu fosse apreciar isso, você, Srta. Swan, é a
última pessoa que deveria estar protegendo minha virtude". A indireta sugestiva em sua
voz fez minhas pernas tremerem.
"E por que você diz isso?", eu perguntei, observando o canto de sua boca se erguer em
um irresistível sorriso malicioso.
"Porque, Bella, você é a única mulher por quem eu ficaria muito tentado em jogar
minha virtude fora".
Eu olhei boquiaberta para ele. A afirmação dificilmente era chocante para meus
sentimentos – eu fiquei mais que feliz em roubar a virtude do meu Edward, inúmeras
vezes – mas eu nunca esperei ouvir isso desse Edward. Evidentemente, eu subestimei o
poder de seus hormônios humanos.
Ele me olhou e seu sorriso sumiu. "Sinto muito, eu te ofendi, não é mesmo? Eu não
devia ter dito isso. Foi inapropriado".
E ali estava ele novamente, o cavalheiro. Meu largo sorriso foi inevitável. "Não, você
não me ofendeu. Apenas me surpreendeu, foi isso. Talvez sua virtude não precise de
tanta proteção quanto imaginei".
Ele riu e virou em uma longa entrada para carros – eu percebi que estávamos indo até
uma enorme casa, uma que definitivamente não seria encontrada na Chicago moderna
hoje. Uma fila de carros estava parada na entrada onde casais primorosamente vestidos
saíam em flashes de cor.
"Não Bella, acho melhor você pegar a espada e o escudo. Minha virtude está
definitivamente precisando da sua assistência".
Ele sorriu para mim, indo lentamente para a fila de carros, mas repentinamente fiquei
nervosa. "Acho melhor você lembrar da sua promessa. Não deixe mais ninguém dançar
comigo".
-9-
A casa dos Benedict era ainda mais encantadora por dentro do que era por fora,
embora tudo – desde os lustres de cristal até os espessos tapetes – gritasse dinheiro.
Algumas partes eram lindas; outras eram meramente ostentosas.
"O que você está pensando?", Edward murmurou no meu ouvido enquanto me agarrei
em seu braço e andávamos pelo saguão.
Eu engoli. "Estou pensando que vou passar muita vergonha no decorrer da noite, se bem
me conheço".
"Boa sorte", eu bufei, mas internamente estava contente. Com Edward ao meu lado, eu
me senti mais confiante...era sempre assim.
O sorriso continuou em seu rosto enquanto ele me guiou até uma grande entrada que
levava a uma longa galeria– um enorme salão, na verdade, já cheio de pessoas. Um
casal elegantemente vestido estava parado na entrada, sorrisos estampados em seus
rostos. Os anfitriões, eu percebi. Ela usava um vestido branco puro, brilhando com
contas de prata. Ele usava preto e branco padrão. Se eles não fossem levemente
envelhecidos, ambos com cabelo e olhos escuros, eles pareceriam com um catálogo de
revista.
Fiquei surpresa por notar nada além de cordialidade enquanto ela se virou na minha
direção esperançosamente. Na verdade, eu esperava o tipo de mãe que acreditava que
sua filha merecia tudo que quisesse e que faria qualquer coisa para conseguir isso para
ela. Evidentemente, ela sabia melhor ou ignorava as vontades de sua filha. Ou Edward
estava exagerando, mas eu duvidava disso. Ele era muito cavalheiro para criticar o
comportamento de uma mulher a menos que fosse honestamente deplorável.
"Essa é Bella Swan. Ela vai ficar conosco esse verão", Edward disse. O desapontamento
que senti foi uma surpresa. Será que eu esperava que ele declarasse seu amor eterno por
mim? Eu não sabia o que éramos ainda...é claro que ele não iria me apresentar como
nada além de uma hóspede. "Bella", ele continuou, "me permita lhe apresentar John e
Claire Benedict".
"É um prazer conhecê-los", eu disse, tentando parecer entusiasmada. Eles pareciam ser
perfeitamente legais – ele fazendo a vontade de sua esposa sem reclamar, ela oferecendo
um sorriso de boas vindas – mas meus nervos ainda me controlavam.
Disfarçadamente, olhei para o Edward enquanto nos afastávamos. Seu rosto parecia um
pouco tenso.
"Deixe-me adivinhar", eu disse, em vão reprimindo um sorriso. "É ela a pessoa que
preciso afastar com um graveto?".
Edward suspirou. "Infelizmente sim. Mas quem sabe podemos evitar...ah, droga. Deixa
pra lá".
Eu nunca tinha escutado esse Edward xingar para nada, então estava preparada para o
pior quando segui seu olhar até a jovem mulher nos aproximando. E era ruim. É claro,
ela era deslumbrante – cabelo escuro brilhoso e olhos puxados um pouco para cima
apenas o suficiente para lhes dar uma aparência exótica. Eu suspirei. Se pelo menos
fosse uma loira – eu podia lidar com loiras. Mas eu não estava acostumada com
competição entre morenas.
Edward me olhou rapidamente, seu olhar estranhamente avaliador, antes de se virar para
ela. "Sim, achei que a Bella fosse gostar de vir". Ele decidiu enfatizar meu nome
colocando sua mão sobre a minha enquanto falava. Os olhos de Rebecca estreitaram
conforme observavam nossas mãos, e eu decidi colocar o ponto final, por assim dizer.
"Sim, ele temeu que eu estivesse ficando entediada – meu Edward é tão atencioso, não é
mesmo?", eu falei animadamente com falsa inocência, apreciando o espanto em seus
olhos. Meu Edward...ele era meu Edward, mesmo que eu tenha pensado na versão
vampiro do Edward com essa denominação...ele era meu em qualquer encarnação, eu
percebi, porque debaixo das sutis mudanças ele era o mesmo essencialmente. Somente
Edward.
"Ah, claro, quanta gentileza dele", Rebecca disse categoricamente, incapaz de introduzir
a quantidade certa de cortesia em sua voz. Ela me lançou um olhar sombrio antes de
olhar através dos cílios para o Edward. Que truque sujo era esse – um que eu conhecia
muito bem.
"Você pelo menos irá reservar uma dança para mim, Edward?", ela perguntou. Eu olhei
por cima de seu ombro para ver um grupo de garotas nos olhando curiosamente – suas
amigas, supus.
"Receio não ter nenhuma sobrando", ele respondeu, infalivelmente educado, mas pude
ouvir o aviso em seu tom. Eu reconhecia bem aquele tom – o tom que ele usava comigo
quando eu atravessava algum limite do seu delicado controle...então ele sempre foi
mandão...
"Não, obrigado. Tem mais algumas pessoas que gostaria de apresentar à Bella", Edward
disse. Parecia que sua paciência estava se esgotando; eu apertei seu braço em uma
tentativa de acalmá-lo.
E finalmente, ela foi embora. Suas amigas a receberam como um pássaro retornando ao
bando, e elas imediatamente saíram rindo nervosamente.
"Tem mesmo mais pessoas que você quer que eu conheça?", eu perguntei um pouco
apreensiva, apesar de ter minhas suspeitas.
"Não", ele admitiu, sorrindo. "Eu só não queria jogar cartas. Você se saiu
brilhantemente bem, por falar nisso. Eu acho que vou te promover a guarda em tempo
integral da virtude do seu Edward".
Eu corei, tentando ler seus olhos. Ele parecia gostar do pronome possessivo, então eu
não recuei. "Eu acho que esse é um trabalho que gostaria de aceitar. Qual a forma de
pagamento?".
"Humm". Seus olhos dançaram em resposta a minha paquera, o que em resposta fez
borboletas voarem no meu estômago. Eu não me sentia tão tonta desde...desde minha
noite de núpcias. A lembrança era sombria, mas eu tentei esconder isso. "Eu acho que a
forma de pagamento é negociável. Por que não começamos com minha afeição infinita e
seguimos daí?".
"Não sei...", eu fingi considerar. "Eu acho que vou precisar da sua afeição infinita e da
sua devoção eterna".
"Fechado", ele sorriu, e a seriedade oculta em seus olhos me fez tremer. Eu sabia que
ele estava falando sério, e isso me assustou e excitou ao mesmo tempo. Certamente, eu
já tinha me apaixonado por esse Edward...mas me apaixonar mais só parecia motivo
para mais sofrimento quando eu o deixasse...
Enquanto eu evitava seu olhar, eu percebi abruptamente que nós estávamos parados no
mesmo lugar por diversos longos momentos enquanto a festa continuava ao nosso redor
– grupos de pessoas rodeavam o salão, conversando, rindo, fumando, sendo jovens e
felizes. Eu tentei trazer minha mente de volta ao presente, para longe do marido que
deveria estar sentindo a minha falta e se preocupando comigo nesse exato instante.
"Então", eu disse, forçando um sorriso, "o que fazemos agora?".
Ele percebeu minha mudança de humor; eu vi seu rosto desanimar. Eu não sabia como
explicar que não era culpa dele, então não tentei.
"Bom, o jantar vai ser servido em breve, e depois disso, o baile vai começar".
Me esforcei para parecer animada. "E nós vamos continuar parados aqui até lá?".
"Não, por mais que fosse gostar disso, nós provavelmente devemos circular", ele
suspirou, olhando as pessoas a nossa volta. "Essa é a parte que eu preferiria pular".
"Eu sinto o mesmo, mas não acho que devo te encorajar a evitar suas obrigações
sociais", eu disse.
"Edward, nos apresente sua amiga", o garoto disse, soltando uma baforada de fumaça do
seu cigarro. Os outros ficaram nos olhando, claramente especulando.
Edward franziu as sobrancelhas. "Essa é a Bella", foi tudo o que ele disse.
O garoto sorriu maliciosamente. "Ora, Edward, não seja tão rude. Sou Norman
Bouchard", ele me disse, estendendo sua mão. Percebendo o desconforto do Edward, eu
não a peguei.
"Fascinante", eu murmurei, supondo que esse arranjo não tinha dado muito certo.
Edward, com um olhar zangado, finalmente abriu a boca para falar.
"Detesto encerrar essa reunião, mas nós temos mais algumas apresentações para fazer.
Te vejo mais tarde".
"O que foi aquilo?", eu perguntei, observando seu perfil – seu maxilar estava rígido com
tensão. Uma expressão tão familiar.
"Norman Bouchard não é...um cavalheiro", Edward disse com os dentes cerrados. "Na
verdade, ele adora seduzir mulheres e ostentar sobre isso depois".
Eu não pude evitar sorrir quando percebi o porque Edward estava tão desconcertado.
"Aww, Edward – não se preocupe. Sou muito esperta para cair nos truques dele".
Edward virou para me encarar, lutando para manter sua carranca, mas um sorriso estava
escapando pelos cantos de sua boca. "Sim, posso ver você fazendo muito estrago nele
antes. Mas isso não significa que eu tenho que ficar parado e o vendo te olhar cheio de
cobiça".
"É claro que é", eu caçoei. "Mas eu realmente não me importo – eu acho meigo".
Ele soltou um suspiro muito incomum e seus olhos me perfuraram. "Eu não sei
exatamente o que pensar de você, Bella. Existem momentos como esses quando penso
que você possa sentir o mesmo que eu – e outros momentos são como se você estivesse
milhas longe, como se estivesse sonhando com outra pessoa...".
Me senti horrível. Como eu tinha dado motivos para esse Edward duvidar de mim
também? Com um suspiro próprio, me aproximei dele, espantada como sempre com o
calor de seu corpo tão próximo. "Edward, eu prometo, estou por inteira com você".
"Por inteira?". Sua voz estava calma, mas seus olhos eram esperançosos.
"Por inteira", eu repeti. "É claro, não é fácil deixar o passado para trás completamente –
mas com você...é onde eu quero estar". Não era mentira, mas apenas uma meia verdade
– eu queria estar com o Edward. Mas meu coração não conseguia decidir qual Edward
era – e nem conseguia combinar os dois, como devia ser.
"Você realmente está falando sério?", ele demandou. "Você não está apenas dizendo
isso...".
"Eu não mentiria sobre isso", interrompi. Meu coração acelerou com seu sorriso – eu
nunca cansaria de ver esse sorriso, a covinha na sua bochecha esquerda e o jeito que
seus olhos enrugavam nos cantos. O mesmo sorriso que ele iria dar pela eternidade.
E me sentia mais preparada – não apenas para o resto da noite, mas para o meu tempo
aqui. "Sim. Vamos".
-10-
"Me conte sobre a sua escola", eu disse, nosso recente encontro com Norman despertou
minha curiosidade. "Onde é? Há quanto tempo você estuda lá?".
Edward riu do meu amontoado de perguntas. "É uma escola na Pensilvânia que prepara
os alunos para a universidade – eu já estou lá há cinco anos. Meu pai quer que eu estude
Direito, como ele; tenho certeza que ele já está tentando mexer seus pauzinhos para que
eu entre em Harvard, mesmo que eu ainda tenha um ano de estudos".
Algo no seu tom de voz dava a entender desagrado. "E você não quer ser advogado?",
eu supus, ainda ciscando meu jantar. Era um jantar mais refinado do que eu estava
acostumada, e eu estava um pouco perturbada pelo fato de não saber exatamente o que
estava comendo...mas eu não queria parecer rude por evitá-lo.
"Eu acho que seria uma profissão tolerável, mas nunca me chamou muita atenção",
Edward respondeu. Ele soou relaxado o suficiente, mas imaginei se ele já tinha
conversado sobre isso com alguém antes.
Eu revirei os olhos, lutando contra a vontade de espetá-lo com meu garfo. Isso seria tão
indigno de uma dama. "Além disso. A Guerra não durará eternamente".
Franzindo a testa, Edward ficou pensativo. "Eu não sei. Nunca pensei sobre isso, na
verdade. Eu gosto de música...mas isso não é bem uma profissão, é?".
"Poderia ser", eu encorajei. "Se você quisesse. Você poderia ser o próximo grande
compositor".
Edward sorriu. "Muitos dos grandes compositores eram miseráveis. Suas vidas eram
bem escandalosas, também – como eu poderia fazer isso com a minha futura esposa e
filhos?".
Eu forcei um sorriso, sabendo que ele nunca teria essa vida. "Talvez você pudesse
mudar esse modelo e se tornar um compositor comportado. Tenho certeza que sua
família te apoiaria alegremente".
Oh, essa era uma pergunta ardilosa. "Se eu o amasse, sim". Eu fiz isso descer com um
gole de água.
"Humm", Edward refletiu, também tomando algo. "Por qual tipo de homem você
poderia se apaixonar, então?".
Outra pergunta ardilosa. Quão sério ele levaria minha resposta? Julgando por seu olhar,
eu teria que ser bem cuidadosa. "Bem...", comecei, "eu gostaria de alguém gentil, mas
com princípios fortes...alguém que sempre tivesse meu bem estar como prioridade.
Alguém com quem eu pudesse conversar facilmente, mas que também me sentisse
confortável quando ficássemos em silêncio...alguém que me amasse
incondicionalmente", eu terminei. Sim, isso serviria como resposta, Tudo se aplicava ao
Edward – aos dois Edwards.
Fui salva de escutar sua resposta pela chegada dos criados para retirar o prato principal.
Eu resolvi olhar ao redor do salão, e logo me arrependi – meus olhos encontraram os de
Norman Bouchard, que me ofereceu um sorriso malicioso. Eu me virei de volta para o
Edward.
"É aquilo que te contei", Edward respondeu, mas eu sabia que tinha mais. Seu maxilar
estava tenso.
"Você não quer me contar porque é assim tão ruim, ou você só está com medo de
ofender meus delicados sentimentos femininos?".
A carranca do Edward aumentou e ele comeu mais uma garfada de sua comida,
esquivando-se. "É só que...ele costumava levar garotas para o nosso quarto. E eu devia
ter denunciado, ou tentado impedi-lo, mas...".
Senti vontade de rir. Só mesmo o Edward se sentiria culpado por não ter impedido seu
colega de quarto de ter relações secretascom participantes dispostas. "Ele encontraria
um jeito não importando o que você fizesse, Edward. Você apenas tornaria sua vida
miserável se resolvesse ir contra ele, imagino. Ele parece ser do tipo vingativo".
Seu rosto relaxou – ele parecia tão aliviado. "Então você não acha que sou – que sou...".
"Um co-conspiratorem uma série de façanhas covardes? Não Edward, não acho", eu
disse, incapaz de conter a risada no final.
Ele de fato revirou os olhos para mim, enquanto eu lutei contra a vontade de fazer isso a
noite inteira. "Isso é engraçado para você".
"Um pouco", admiti timidamente. "Mas eu disse que gostava de fortes princípios, não
disse?".
Eu percebi que ele entendeu o que eu queria dizer mas não podia. Seu sorriso em
resposta era radiante. "O próximo prato será o último, sabe", Edward disse, mudando de
assunto habilmente. "Então o baile irá começar".
Meu gemido foi embaraçosamente alto. Eu corei conforme vários rostos viraram para
me olhar. Quando eles estavam novamente ocupados com outra coisa, eu bati no braço
do Edward – ele estava se acabando de rir.
Ele sorriu. "Se eu tiver meu jeito, você vai pisar no meu pé a noite inteira".
No final, nós de fato dançamos, e pareceu durar a noite toda. Edward fez o que pôde
comigo, e ele sabia dançar muito bem...mas evidentemente só mesmo um vampiro podia
lidar com minha falta de coordenação, porque o Edward teria vários dedos machucados
mais tarde.
"Isso é tão horrível quanto você imaginava?", Edward perguntou num sussurro, me
abraçando forte enquanto girávamos pelo salão de baile dos Benedict ao som de uma
música lenta.
"Não muito", eu sorri, presa por seu olhar. Eu ainda não conseguia me acostumar com o
verde intenso de seus olhos, em como eles me atraiam com a mesma facilidade que seus
olhos âmbar sempre tiveram.
"Difícil de agradar", Edward suspirou, seus dedos apertando levemente o meu quadril.
"Suponho que terei que me esforçar mais para te impressionar".
"Para o que eu quero, sim, eu acho que tenho que impressionar mais um pouco", ele
insistiu. Eu estava com medo de entender exatamente o que ele quis dizer com isso,
então não perguntei, e ele não insistiu no assunto.
Ele riu. "Suponho que deveria te levar para casa antes que você durma aqui na pista de
dança", ele disse, se afastando relutantemente, embora seus braços permaneceram em
volta da minha cintura para me amparar.
"Provavelmente seja uma boa idéia", eu murmurei, deixando que ele me guiasse para
fora do salão quente. O Sr. e a Sra. Benedict já estavam na porta, se despedindo dos
convidados. Eu me forcei a me recompor o suficiente para fazer os cumprimentos
usuais. Eles não nos seguraram por muito tempo, e logo estávamos andando até o carro.
Bem, Edward estava andando; eu estava cambaleando.
Ele precisou me erguer para dentro do carro. Quando ele entrou, me puxou para seu
lado, e eu cochilei no seu ombro enquanto íamos para casa.
Eu acordei com um balanço estranho, e após limpar minha visão, eu percebi que o
Edward estava me carregando para dentro da casa.
Edward entrou no meu quarto e me sentou delicadamente na cama. Eu lutei para ficar
sentada.
"Você precisa de ajuda? Posso chamar minha mãe", ele ofereceu, retirando as luvas das
minhas mãos.
Eu sorri. "Não, não, não a acorde. Mas você me ajuda a retirar os grampos do meu
cabelo? Eu não acredito que consiga achar todos eles...".
Ele riu. "Tudo bem". Ele ligou um dos candeeiros da parede e voltou para o meu lado,
franzindo a testa enquanto olhava meu cabelo. "Meu Deus, o que minha mãe fez com
ele?".
Eu bufei. "Esse é o preço para fazer uma garota como eu ficar bonita".
"Só você parece achar isso", eu disse com um suspiro que rapidamente se transformou
em bocejo. "Talvez isso signifique algo".
"Talvez", ele concordou suavemente. Sua mão pousou no meu ombro enquanto ele
procurava pelos grampos escondidos na parte de trás.
Nós ficamos em silêncio enquanto ele terminava; eu apreciei a sensação de seus dedos
roçando meu couro cabeludo, meu pescoço. O calor de seus dedos era estranho, mas
inegavelmente agradável...ainda parecia o Edward me tocando, até as faíscas que fluíam
por nossas peles.
"Pronto", ele murmurou quando libertou a última parte do meu cabelo. Eu suspirei de
alívio.
"Obrigada".
"Fico feliz por você ter ido comigo essa noite", ele disse calmamente. Os dedos que
estavam no meu cabelo se deslocaram para acariciar a pele sensível atrás da minha
orelha. Eu gemi de prazer, e seus movimentos pararam.
"Estou feliz, também", consegui dizer, olhando para cima em seus olhos escuros –
cheios de desejo. Eu engoli pesadamente.
"Devia deixar você dormir agora", ele sussurrou, retirando sua mão por completo.
Eu queria pedir para que ele ficasse, mas eu sabia o que podia acontecer se ele aceitasse,
e isso teria conseqüências, "Tá bom".
"Boa noite, Bella", ele suspirou. Ele se abaixou e me beijou castamente, mas eu o
segurei, o beijando em resposta. Abri minha boca contra a dele, o suficiente para ele
entender o que eu queria. Nossas línguas deslizaram juntas sensualmente, quentes e
ávidas. Eu gemi, e ele se afastou abruptamente como resposta.
"É melhor eu ir...antes que faça algo que ambos iremos lamentar".
Ele sorriu melancolicamente, hesitando no vão da porta. "Boa noite", ele disse
novamente.
CAPÍTULO 11
Ainda não tinha completado um dia inteiro desde o desaparecimento da Bella, mas pelas minhas
lembranças, eu tinha certeza de que ela estava no passado há pelo menos uma semana. Eu só podia ter
esperanças de que a estranha diferença de tempo significava tê-la junto a mim mais rápido. Outro
pensamento qualquer era...insuportável.
Meu eu do passado estava aproveitando a situação ao máximo...não que eu o culpasse. Eu já não tinha
dito antes que eu teria feito de tudo para que ela fosse minha, se a tivesse encontrado naquela época? E
o meu eu do passado estava provando que eu estava certo; pensamentos sobre a guerra tinham
abandonado sua cabeça, apesar que ele ainda fingia...agora, tudo que ele pensava era em proporcionar
uma casa e uma vida para a Bella. Eu não conseguia mais ficar com ciúmes...eu conhecia esses
sentimentos. Esses eram meus sentimentos. Mas o medo sempre permanecia. Se eu tivesse êxito com a
Bella no passado, se eu evitasse a epidemia de gripe e conseguisse casar com ela como eu queria...será
que a veria de novo?
Eu deixei as lembranças tomarem conta de mim...nosso primeiro beijo no calor do verão, misturando
com o nosso beijo depois da clareira...sensações diferentes, mas ambas irresistíveis. Ambas Bella. Eu
suspirei, lutando contra o desejo que as novas lembranças despertaram em mim. Minha Bella...o que eu
não daria para abraçá-la agora, para sentir a maciez sob meus dedos...
"Eu quero levá-la à festa dos Benedict", eu disse a minha mãe, resistindo meu embaraço. Ela conhecia
tão bem quanto eu minha aversão para tais festas sociais; ela podia facilmente adivinhar minha
motivação – meu desejo de agradar a Bella, de impressioná-la, de conquistar seu coração...
"Bem, não posso dizer que estou completamente surpresa", ela respondeu, sorrindo sabiamente. "Ela já
concordou em ir?".
"Eu vou cuidar dela por você, então", ela disse. "Ela será a mais bela do baile".
...Eu acordei no meio da noite. Ela estava lá com sua camisola branca pura, como um anjo ou um
fantasma, vinda para me levar rapidamente embora.
"Sinto saudades de casa", ela me disse. Eu a peguei em meus braços, contente por qualquer desculpa
para ficar próximo assim dela, feliz em imaginar uma vida que eu pudesse me deitar assim ao seu lado
toda noite...mas sua tristeza me assombrou. O desejo em seus olhos não era meu por completo. Ela
ainda pensava em outra pessoa...seu Jacob? Me senti enjoado com esse pensamento...
Não...eu sabia melhor. Não era o Jacob. Ela sentia minha falta; eu tinha que acreditar nisso, ou iria ficar
louco. Ela estava claramente correspondendo aos sentimentos do meu eu do passado, mas porquê? Era
por estar sentindo falta do meu eu do presente? Ou ela sentia o mesmo impulso que eu sentia em ambos
os tempos, a necessidade de tê-la, em qualquer contexto, qualquer forma. Ela sentia o mesmo a meu
respeito? Ela podia amar meu eu humano e meu eu vampiro igualmente, incondicionalmente?
Ela podia voltar para mim aqui quando meu eu humano do passado podia oferecer muito mais
oportunidades para ela?
Edward? Era a Rosalie dessa vez, se aproximando devagar. Eu acenei com a cabeça, a reconhecendo e
ao mesmo tempo lhe dando permissão para se aproximar. Minha família estava cautelosa comigo
durante as horas que ela tinha partido, e eu não tinha ajudado muito recusando me mover do meu lugar
na floresta, onde eu a observava.
"Você está cagando de medo, não está?", ela disse enquanto sentava ao meu lado. Eu sorri com sua falta
de sutileza.
"Sim", ela concordou lentamente. "Se fosse o Emmett...eu teria medo que ele não conseguisse voltar
para mim. Ou que ele iria me amar mais, se eu fosse humana...se eu pudesse lhe dar filhos, uma
família".
"Eu não devia estar preocupado?". As inseguranças vieram à tona facilmente, agora que ela tinha sido a
primeira a dar voz a elas. "Se você tivesse a chance da vida que você sempre quis, com o Emmett e tudo
mais, você não a aproveitaria?".
Rosalie deu de ombros. "Se isso fosse possível, talvez. Mas se eu estivesse na situação da Bella, eu acho
que não. Eu não mudaria nenhuma das circunstâncias que me levaram a conhecer o Emmett. Eu não
arriscaria deixá-lo passar uma eternidade sozinho; tenho certeza que ele faria a mesma coisa. E tenho
certeza que a Bella faria, também. Além do mais, a Bella não é do tipo que se acomoda e tem uma
família. Isso é muito comum para ela".
Eu sorri comigo mesmo. "Seria notável ela fazer a escolha mais segura pelo menos uma vez".
"Você não quer que ela fique lá, quer?", Rosalie perguntou, conhecendo minha tendência para auto-
sacrifício.
"Não...não, nós chegamos muito longe para que eu passe uma eternidade sem ela agora".
Rosalie deu uma palmada no meu ombro em um gesto típico do Emmett. "Dê um tempo para a
preocupação, Edward. Você só irá se dar uma dor de cabeça".
Eu a observei partir, me sentindo apenas moderadamente melhor. Sua tranqüilização ajudou, mas o que
isso podia fazer contra as imagens que continuavam a inundar minha cabeça?
"Eu não sei exatamente o que pensar de você, Bella. Existem momentos como esses quando penso que
você possa sentir o mesmo que eu – e outros momentos são como se você estivesse milhas longe, como
se estivesse sonhando com outra pessoa...".
Alguém como o Jacob. Como seu antigo amor. Será que ela se agarraria a essas lembranças para
sempre, sonhando continuamente com alguém que não a merece? Eu podia fazer melhor. Eu podia ser
bom para ela.
"Por inteira", ela disse. "É claro, não é fácil deixar o passado para trás completamente – mas com
você...é aonde eu quero estar".
"Você realmente está falando sério?", eu demandei, imaginando se ela não estava apenas tentando
poupar meus óbvios sentimentos por ela. "Você não está apenas dizendo isso...".
"Eu não mentiria sobre isso", ela disse, tão sinceramente que eu tive que acreditar...e a alegria que veio
junto com essa convicção era poderosa.
Eu iria casar com essa garota. Eu estava absolutamente determinado. Eu ia fazê-la tão feliz que seu
antigo amor não seria mais do que um sonho ruim, esquecido ao acordar...
O que ela quis dizer? Eu revisei suas palavras várias vezes. Aquilo foi duplo sentido? Eu imaginei um
ponto estranho de ênfase cada vez que ela falava com meu eu do passado, apontando para nós dois...ou
ela foi completamente honesta? Ela queria estar em 1918? Ela estava pronta para abandonar o que
aconteceu nesse tempo, os nossos planos para o futuro?
Eu gemi alto. Se eu apenas tivesse respostas! Eu daria tudo para falar com a Bella, para saber com
certeza o que ela queria. Saber me permitiria decidir meu próximo ato. Eu esperaria pacientemente se
eu pudesse ter certeza de que ela queria voltar para mim. Eu esperaria eternamente por ela. Mas se ela
nunca fosse voltar...
"Suponho que deveria te levar para casa antes que você durma aqui na pista de dança", eu disse para a
garota quase cochilando nos meus braços. Ela era adorável com sono, um pequeno bicoextra nos seus
lábios cheios e vermelhos. Seus olhos escuros eram inacreditavelmente afetuosos conforme ela olhava
para mim.
Ela dormiu no carro, e eu apreciei a sensação do seu corpo contra o meu, suas curvas macias e sua pele
quente sob meus dedos. Eu tive que continuar lembrando que ela estava de boa vontade nos meus
braços...eu não conseguia escapar da preocupação de que estava me aproveitando, ou da culpa por a
estar desejando. Ela merecia mais do que isso...
Não querendo acordá-la, a carreguei para dentro. Ela acordou, protestando fracamente, mas eu nem
pensei em colocar ela no chão. Carregando-a desse jeito, estilo noiva, com ela nesse vestido, fez meu
coração inchar com alegria e esperança. Algum dia, quem sabe, iríamos estar assim, mas eu iria carregá-
la para dentro da nossa própria casa, e para um quarto que dividiríamos...Seria completamente
apropriado, naquela situação, remover o vestido do seu corpo, tocá-la como eu tão desejava...
Eu afastei essas fantasias assim que entrei em seu quarto. Hora de ser um cavalheiro, e eu iria tratá-la
com todo o respeito que ela merecia.
Me ajude a tirar os grampos do cabelo, ela pediu. Eu não podia estar mais feliz; o desejo de percorrer
minhas mãos por suas densas e sedosas mechas tinha me perseguido desde a primeira vez que a vi.
Qualquer desculpa para tocar, para sentir...
Todos os grampos estavam livres, mas eu não conseguia parar de tocar...seu cabelo era tão macio
quanto eu pensava. Eu conseguia imaginá-lo espalhado abaixo dela no travesseiro; eu sonhava em
enterrar minhas mãos nele enquanto me movia acima dela, beijando sua boca macia, abraçando seu
corpo tão perto quanto tinha feito hoje, enquanto dançávamos...
"Fico feliz por você ter ido comigo essa noite", eu disse, encontrando um pedaço de pele para acariciar.
"Estou feliz, também", ela disse. Seus olhos eram tão inocentes. Era hora de partir.
Mas primeiro...um beijo. Um beijo seria aceitável, não seria? Ela não se importou da primeira vez. Então
toquei meus lábios aos seus, cuidadoso para não atravessar nenhuma linha invisível, e ela provou ser a
tentação encarnada, me oferecendo um beijo quente e de boca aberta...o tipo de beijo que amantes
compartilham embaixo dos lençóis...o tipo de beijo que me faria acordar no meio da noite por algum
tempo...
Eu me afastei por necessidade, se não fizesse isso, eu continuaria a pressionar para mais, e agora não
era o momento.
Eu a deixei relutantemente, e espero não ter imaginado coisas quando vi a mesma relutância em seu
rosto...
As lembranças eram recentes o suficiente para me atormentar, para trazer imagens de noites quentes
na Itália e aqueles mesmos beijos apaixonados...exceto que eu nunca senti a mesma liberdade que eu
sentia naquela lancinante lembrança. Estar tão perdido nela...que sentimento extraordinário...eu queria
experimentá-lo sob uma nova forma como o meu eu atual, e várias vezes...
... "Como foi a festa?", minha mãe perguntou, sorrindo. "Vocês chegaram bem tarde".
"Foi maravilhosa", eu admiti, me virando para a janela aberta de onde eu conseguia ver crianças
brincando na rua. Bella tinha saído, para visitar seu amigo, o médico; dessa vez, ela recusou minha
companhia. Eu tentei não permitir que isso me incomodasse.
"Eu provavelmente dancei tempo demais com ela", eu disse, sabendo que minha mãe não se contentaria
com a simples resposta que eu tinha dado. "Ela estava exausta quando chegamos em casa. Mas eu não
consegui me conter. E não consegui me forçar a deixar seu lado a noite inteira. Vão fofocar. Mas eu não
ligo".
Eu me virei para olhá-la, avaliando seu sorriso contorcido. "Que foi? Eu sempre soube que você se
apaixonaria por ela. Estava escrito no seu rosto na primeira vez que o vi falando com ela".
"Eu quero me casar com ela", eu disse apreensivo. Meu pai não ia gostar disso. Eu não devia me casar
até depois da faculdade de direito, e eu definitivamente não devia casar com uma garota sem família,
sem dinheiro e contatos. Mas de alguma maneira, a desaprovação do meu pai não me assustava mais
como antes. Eu iria arriscar isso por ela.
"Mia uma vez, não estou surpresa", minha mãe sorriu. "As coisas darão certo, de alguma forma. Algum
dia. Eu posso ver isso".
Eu franzi a testa. Eu não duvidava da minha mãe, mas eu definitivamente não gostei do jeito que ela
expressou isso...
CAPÍTULO 12
Eu segui as instruções que a mãe do Edward tinha me dado para o endereço que o Carlisle me entregou.
Depois de passar a noite passada acordada, pensando em todas as possíveis conseqüências de começar
um relacionamento com esse Edward, e depois pensando em todas as possíveis conseqüências no futuro
que eu tinha vindo, eu percebi que era muito para a minha cabeça. Eu precisava de uma voz da razão,
uma pessoa lógica e sensível para conversar sobre isso. E felizmente, a única pessoa que sabia da minha
situação era justamente assim.
Carlisle tinha uma casa clássica da cidade perto do hospital. Eu sorri com os tijolos em ordem e jardim
bem cuidado. Esme teria adorado.
A porta abriu antes que eu pudesse levantar a mão para bater, e Carlisle me recebeu com um sorriso.
"Obrigada", eu murmurei, passando por ele para entrar. A porta fechou levemente atrás dele.
Ele gesticulou para a passagem à direita. "A sala de estar é por ali".
A sala era clara e espaçosa, assim como a casa deles em Forks, mas a mobília era muito mais dispersa.
Tinha um sofá azul de aparência confortável, perfeito para descansar, e uma mesa de centro grande que
tinha livros espalhados por ela. Numa parede tinha uma grande lareira, e na outra tinha grandes janelas.
"Obrigado", ele respondeu, sentando na outra ponta, virado na minha direção. "O que a traz aqui,
Bella?".
Nervosamente, alisei minha blusa. "As coisas estão ficando... sérias, com o Edward. Eu acho. Ontem a
noite ele ficou dando indiretas sobre casamento. E, bem, isso em si não é uma coisa ruim, mas... estou
preocupada. Quero dizer, tudo está acontecendo tão rápido e eu já estou aqui no passado do Edward
onde não deveria estar – e se eu realmente estragar tudo e ele nunca ficar doente e virar um vampiro?
Porque aí eu nunca iria conhecê-lo e eu não iria fazer o pedido que me trouxe aqui, e então nada disso
aconteceria em primeiro lugar e – e estou confusa".
Carlisle escutou pacientemente enquanto eu divaguei e agora sorria. "Você está definitivamente em um
dilema, não está? Eu queria ter algumas respostas definitivas para você – como você pode imaginar,
entretanto, sua situação é um tanto inédita. Estive pensando sobre isso, porém, e tenho uma teoria que
talvez te ajude".
Eu me agarrei a isso como a um barco salva-vidas no Titanic. "Qualquer coisa é melhor que o que tenho".
Sorrindo, Carlisle concordou. "Me parece que você não pode fisicamente fazer nada que tornaria
impossível para você estar aqui. Como você disse, se você mudar algo aqui que mude o seu futuro de
uma maneira drástica, isso te impede de vir aqui – sendo assim anulando tudo. E se tudo for anulado,
para o que você volta? Tudo simplesmente reinicia? Isso não me parece possível".
Eu franzi a testa. "Isso faz sentido, mas... o que acontece, então? Se eu tentar fazer algo que mudaria
muita coisa, alguma força invisível simplesmente me impede...?".
Carlisle de fato deu de ombros – eu nunca o vi fazer um gesto tão indigno. "Talvez isso signifique que
não importa o que você faça, as coisas vão acontecer do jeito que tem de acontecer".
Eu concordei lentamente. "Espero que você esteja certo... você precisa estar certo, porque eu não
posso... eu não posso estar presa aqui. Eu não posso viver minha vida aqui, não importa o quanto eu
amo o Edward desse tempo, porque eu tenho que voltar para o meu Edward... eu tenho a chance da
eternidade com ele, e eu sinto tanto a falta dele, que está me matando...".
Carlisle me surpreendeu colocando uma mão no meu ombro. "Tenha fé, Bella. Claramente, seu amor é
extraordinário – você não teria chegado tão longe apenas para perdê-lo agora".
"Você está certo", eu murmurei, esfregando meu rosto para deixá-lo com algum semblante de
normalidade. "É só muito difícil não estar apavorada no momento".
"Eu sei", Carlisle disse com simpatia. "Eu nem imagino como reagiria estando – quanto no passado aqui é
para você, Bella?".
"Não", eu balancei minha cabeça. "A não ser que você possa me seguir por aí e me avisar quando eu
fizer ou disser alguma coisa incorreta. Estou me atrapalhando".
Carlisle aproveitou esse momento para olhar pela janela. "O sol está se pondo", ele comentou. "Vou
precisar ir para o hospital em breve. Você chegará em casa em segurança sozinha?".
"Não é longe", eu o assegurei. "Tenho certeza que o Edward estará esperando impacientemente,
também. Ele não gostou quando não o deixei vir comigo nessa visita".
Carlisle sorriu. "Com medo de ter competição, tenho certeza. É melhor você ir tranqüilizá-lo".
"Certo", eu revirei os olhos. "Não quero que ele fique inseguro pelo menos uma vez".
Carlisle me acompanhou até a porta, embora ainda tivesse muita luz solar para ele me levar para fora.
Eu não estava particularmente preocupada. Apesar de eu estar bem ciente que Chicago era um lugar
perigoso, mesmo em 1918, perigos humanos pareciam insignificantes quando comparados com os
perigos sobrenaturais que eu já tinha sido exposta.
A caminhada para casa foi realmente bem agradável, observando o sol se pondo atrás das casas
enquanto homens, mulheres e crianças apressavam-se para casa para a noite. Eu cheguei até a esquina
da rua – minha rua agora, suponho – sem incidentes.
"Bella!". A voz era jovial, mas mesmo assim me deu arrepios na espinha. Eu olhei do outro lado da rua e
vi Norman Bouchard, sorrindo como se fôssemos velhos amigos. Meu rosto mudou automaticamente
para uma careta antes que eu pudesse evitar.
"Olá, Sr. Bouchard", eu disse, mas não parei de andar. Eu já tinha visto aquele olhar antes em outros
homens, e eu não gostava nada dele.
Norman atravessou a rua correndo, ofendido, e me alcançou facilmente. Eu me encolhi quando ouvi sua
respiração próxima do meu ouvido.
"Por que tão formal, Bella?", ele perguntou enquanto recuperava o fôlego. "Não somos amigos?".
"Mal somos conhecidos", eu falei por entre os dentes, andando mais rápido. Agora faltavam duas casas.
Se eu pudesse chegar lá... certamente ele não tentaria nada em frente da casa... "E considerando a sua
reputação, eu não tenho certeza se quero ser até isso".
De repente, fui puxada para trás quando seu braço pegou o meu. "Ora, Bella, vamos. Certamente você
não deu ouvidos às fofocas. Eu não sou tão repugnante quanto elas me fazem parecer".
Eu olhei para cima e para baixo na rua, esperando ver alguém que pudesse me ajudar ou pelo menos
assustá-lo. "Os contos que seu antigo colega de quarto tem para contar dificilmente são fofocas. Me
solte, por favor".
Norman riu levemente, seus olhos cinzas cintilando. "Ah, Edward. O que ele esteve dizendo, com seu
padrão moral elevado? Que eu sou um farrista que não presta e se aproveita de pobres jovens
mulheres?". Ele estalou sua língua condescendentemente. "O que o Edward não entende é que eu sei
como tratar uma dama". Ele se aproximou mais enquanto continuava. "Eu sei como fazê-la feliz, deixá-
la... satisfeita. Duvido que isso seja algo que o querido Edward irá entender um dia".
O jovem homem estava distraído o suficiente, se gabando, que eu consegui soltar o meu braço naquele
momento e descer a rua correndo. Inércia fez com que ele cambaleasse para frente antes que ele
pudesse me seguir.
"Bella!", ele gritou atrás de mim, seus passos altos na calçada enquanto me seguia. "Não fique brava. Eu
apenas quero lhe dar o que uma linda mulher como você merece".
Eu bufei. Apenas alguns passos longe agora. "Eu sei o que você pensa que mereço, e acredite em mim,
eu não quero!", eu gritei por cima do ombro antes de abrir violentamente o portão em frente da casa dos
Masen. Eu o fechei com força com a mesma rapidez e corri para a varanda... onde o Edward estava me
esperando.
Aliviada, me joguei em seus braços. Não é que eu não agüentava ser assediada; era só... ser assediada
em 1918. Coisas desse tipo não deveriam ser tão... explícitas nessa época, e quando elas eram,
provavelmente não era um bom sinal.
Edward apertou seus braços em volta da minha cintura, e eu percebi que seus olhos estavam furiosos –
bem parecidos com como estavam naquela noite em Port Angeles, a noite que ele salvou a minha vida e
eu percebi que estava apaixonada por ele.
"Você está bem?", ele me perguntou calmamente, seus olhos focando intensamente em mim. Eu
concordei com a cabeça, sem fala.
"Edward!", Norman gritou alto do portão. Eu virei o suficiente para ver um enorme sorriso em seu rosto.
"Bella e eu estávamos apenas discutindo o melhor jeito de agradar uma mulher. É melhor você cuidar
bem das suas necessidades, ou ela vai procurar satisfação em outro lugar".
"Eu ouvi o final da sua conversa", Edward disse irritado. "E é uma que você não terá novamente".
Norman apenas riu enquanto virou para ir embora. "Isso nós vamos ver!".
Vários momentos tensos de silêncio seguiram sua partida. Edward não relaxou seu aperto, e eu nem
sonhava em pedir que ele fizesse isso.
"Eu estava prestes a sair para te procurar", ele disse finalmente. Fiquei aliviada em ver seus ombros
relaxarem. "Estava escurecendo... eu estava preocupado. Com bons motivos, evidentemente".
Eu sorri um pouco, bem menos assustada agora que estava com ele. "Eu não acho que você realmente
precisa se preocupar. Norman é um saco, mas eu não acho que ele sairia muito da linha".
O olhar zangado do Edward aumentou. "Você não o conhece. Ele é absolutamente inexorável – ele nunca
pára até que consiga o que quer. O desafio apenas torna as coisas mais divertidas para ele".
Isso me lembrou de uma criatura bem pior, outro que adorava um desafio. "Eu tive piores, Edward. Não
se preocupe".
"Como se eu pudesse simplesmente parar de me preocupar com você", Edward revirou os olhos. "Você e
eu sabemos o tipo de problemas que você pode se meter em circunstâncias normais. Eu só posso
imaginar o que acontece quando alguém está determinado a causar esse problema por você".
"Eu me saio muito bem", eu bufei, me afastando dele. "De verdade, Edward, eu não quero que você
esquente com isso".
Edward me apressou para entrar na casa. "Eu não esquento", ele adicionou defensivamente. Sua mãe,
que estava passando pelo corredor, sorriu.
"É claro que esquenta, querido. Agora deixe a Bella se lavar antes do jantar".
Edward lançou um olhar sombrio para sua mãe enquanto eu escapei escada acima, rindo. Quando estava
fora de vista, deixei meu sorriso sumir. O que eu ia fazer a respeito do Norman Bouchard?
Tempo Presente
Ver o rosto marcado de lágrimas da Bella nas lembranças de Carlisle me fez sofrer e me encheu de
alegria ao mesmo tempo. Eu odiava qualquer coisa que a causava tristeza, qualquer coisa que a causava
dor... mas agora eu sabia. Eu tinha visto suas lágrimas, ouvido o desejo em sua voz.
"Espero que você esteja certo... você precisa estar certo, porque eu não posso... eu não posso estar
presa aqui. Eu não posso viver minha vida aqui, não importa o quanto eu amo o Edward desse tempo,
porque eu tenho que voltar para o meu Edward... eu tenho a chance da eternidade com ele, e eu sinto
tanto a falta dele, que está me matando...".
Ela ainda me amava; ela sentia a minha falta como eu a dela. Isso era tudo que eu precisava ouvir. Ainda
não seria fácil observá-la dançarpelo passado, de imaginar se ela poderia voltar para mim um dia... mas
saber que ela queria voltar fazia com que a espera fosse possível.
CAPÍTULO 13
Os dias que seguiram passaram rápida e calmamente. Julho se transformou em Agosto sem muitos
acontecimentos. Eu não encontrei com o Norman de novo – eu não tinha certeza se ele tinha desistido ou
se apenas não teve a oportunidade de me atormentar. Esses dias, eu apenas saí de casa com o Edward
para pequenas coisas. Não teve mais grandes festas, e eu não tinha razão para sair sozinha.
Nós nunca conversávamos sobre a mudança no nosso relacionamento, mas ela sempre aparecia nos
toques casuais e nas incontáveis horas que passávamos juntos. Uma parte minha queria algo mais; outra
parte estava contente em estar perto dele sem se preocupar constantemente.
O dia 3 de Agosto estava provando ser o dia mais quente do ano até agora. Eu estava lendo na sala de
visitas, onde todas as janelas estavam abertas. Elizabeth tinha desaparecido; eu supus que ela estivesse
procurando sua forma de alívio contra o calor. Não fiquei surpresa quando o Edward entrou na sala, com
as mangas da camisa arregaçadas até o cotovelo, com uma expressão infeliz. Ele se jogou ao meu lado,
deixando suas pernas penduradas no braço do sofá e colocando a cabeça no meu colo. Eu olhei para a
sua expressão de sofrimento com diversão.
"Não é tão ruim assim, Edward", eu disse, marcando minha página antes de deixar o livro de lado.
"É sim!", ele gemeu, fechando os olhos. Eu estava fascinada com o suor em sua testa...meu Edward não
suava, eu supunha. Esse aqui fazia isso parecer...sexy.
"O que você propõe que eu faça a respeito disso?", eu perguntei divertida.
"Eu não sei", ele resmungou, pensando sobre isso. Seus olhos abriram subitamente um momento depois,
me surpreendendo. "Venha nadar comigo".
"Fora da cidade", ele disse ansiosamente, sentando tão rápido que deve ter ficado zonzo. "Nós temos
uma casa de férias – não fomos lá esse ano porque meu pai está muito ocupado com o trabalho – e lá
tem um maravilhoso riacho; é perfeito para nadar".
A idéia era tentadora. Eu estava toda suada – saias longas eram tão incômodas – e o pensamento de
água gelada era quase irresistível.
"Eu não tenho o que usar", eu apontei, apesar de saber que ia perder essa batalha. "E como vamos
chegar lá?".
Edward revirou os olhos. "Eu vou alugar um cavalo e uma charrete. E vamos nadar com nossa roupa de
baixo. Ninguém irá nos ver, e eu prometo, vou ser um perfeito cavalheiro. Vamos, Bella...por favor?".
Meu cérebro estava girando, vacilando entre pensamentos do estrago que eu podia fazer com um cavalo
e o que iria acontecer quando minha fina roupa íntima molhasse, mas tudo o que registrei foram seus
olhos esperançosos.
Ele praticamente brilhou com seu triunfo. "Espere aqui!", ele exclamou.
Eu retornei ao meu livro, sabendo muito bem que o comportamento calmo do Edward podia esconder
uma quantidade ridícula de entusiasmo por baixo. Quem sabia o que ele estava fazendo agora?
Cinco minutos e três páginas depois, ele voltou com uma sacola carregada pendurada no ombro. Eu
ergui uma sobrancelha. "O que é tudo isso?".
"Comida, toalhas", ele sorriu. "Você sabe, suprimentos. Está pronta para ir?".
Eu o segui duvidosamente – eu ainda não tinha certeza no que estava me metendo, mas eu nunca podia
recusar algo que o Edward queria.
Nós andamos por várias quadras quentes torturantes até um grande estábulo. A visão de vários cavalos
e diferentes carruagens era desconcertante para mim – o carro arcaico estava dentro das coisas que eu
entendia, mas isso? Eu não sei porque estava tão surpresa. Carros ainda eram relativamente novos
nessa época, é claro, e somente os ricos seriam capazes de pagar esse tipo de transporte.
Mesmo assim, era uma experiência surreal o Edward me ajudar a subir na charrete e me acompanhar
após pagar o proprietário. Edward conduziu os cavalos para fora do estábulo e para a rua com perfeita
facilidade; é claro, Edward era um motorista perfeito, não importando o veículo.
Certamente era um alívio sair da cidade. Conforme as casas se distanciavam mais e as ruas de pedra
viravam de terra, o vento aberto dos campos era muito mais aparente, e incrivelmente agradável.
"Faz tanto calor assim em Washington?", Edward perguntou, seu humor de mais cedo tinha claramente
melhorado.
"Não", eu sorri, de repente sentindo falta da umidade geladade casa. "O sol quase nunca sai. Chove
muito".
"Eu costumava achar isso também", eu ri, relembrando minhas infelizes visitas na infância. "Mas você se
acostuma".
"Você sente falta de lá, não sente?", ele disse, lançando um olhar avaliador na minha expressão.
Eu moldei com cuidado minha resposta. "Eu sinto falta da vida que eu tinha, antes dos meus pais
morrerem". Antes de eu voltar no tempo. "Eu sinto falta de ter uma casa e uma família. Mas o lugar
geográfico não é tão importante para mim".
Edward não sorriu novamente; ao invés disso, seus olhos estavam sérios, e eles falavam muito. "Você
sabe que a sua casa pode ser conosco, certo?", ele disse, se inclinando na minha direção. "Você nunca
precisará ficar sozinha de novo. Eu iria...".
Eu coloquei minha mão sobre a sua mais próxima que segurava a rédea. "Obrigada", eu disse,
interrompendo qualquer coisa que ele estivesse pronto para dizer que levaria essa conversa bem além
da minha zona de conforto. "Eu fico grata".
Eu sabia que a minha resposta não o tinha satisfeito, mas ele não disse mais nada. Nós ficamos em
silêncio, e eu olhava através dos campos – esses eram campos cultivados, de plantas altas que eu não
reconhecia. Parecia ser algum tipo de grão. Os talos dourados ondulavam com o vento, e isso era
incrivelmente tranqüilizador. Não tinha nem uma alma por perto; eu imaginei que estava quente demais
para as pessoas se movimentarem. Era como flutuar em um sonho.
A voz do Edward me tirou do meu transe. Ele gritou um comando para os dois cavalos, e nós viramos à
esquerda em uma entrada estreita e alinhada de árvores. Isso me deu um forte senso de déjà-vu.
"Não foi longe", eu observei. A viagem toda durou uma hora no máximo. Seria bem mais curta com um
veículo motorizado.
"Meu pai não gosta de ficar longe da cidade. Ele tem alguns clientes exigentes dos quais não pode ficar
muito longe".
As árvores se separaram para revelar uma ampla clareira, rodeada pela floresta. No centro da clareira
estava a linda casa maciça de dois andares em estilo vitoriano, com uma varanda por todo o seu redor.
Julgando pelo número de janelas, eu supunha que o segundo andar tinha pelo menos cinco quartos.
Parecia com um lugar onde os Cullen morariam...eu imaginei se o Edward percebia o quão pouco sua
vida tinha mudado.
"O que você acha?", ele perguntou do meu lado, observando minha reação. Eu sorri.
"Sim, minha mãe gosta de entreter. É claro, ela gostaria muito mais se ela tivesse pessoas melhores
para entreter, mas quem pede esmola não pode reclamar, certo?".
Eu dei de ombros, mas ele não viu – ele já tinha descido e estava vindo para o meu lado me ajudar a
descer. Ele me tirou com facilidade da charrete e se virou para os cavalos. Eu observei fascinada
enquanto ele facilmente os desatrelou e os amarrou na varanda.
"Ainda tem um estábulo lá atrás, mas eu acho que está trancado", ele explicou, terminando.
"Normalmente nós mandamos criados antes para preparar o lugar".
Eu balancei a cabeça concordando, como se isso fosse muito normal. Edward pegou o embrulho que
tinha trazido e pegou minha mão, me guiando até a parte de trás da casa.
"O riacho é um pouco mais à frente, na floresta", ele me disse, a excitação aumentando em sua voz. "Eu
nadava lá o tempo todo quando era menino, mas não muito recentemente. Parecia muito indigno".
Ele me olhou com um largo sorriso inclinado. "Eu não me importo em ser indigno com você. Eu não
consigo evitar me sentir como...como se você me aceitaria incondicionalmente".
"Eu aceitaria", eu confessei, sorrindo com o seu olhar tímido. "E você faria o mesmo, não faria?".
"Sem questionar", ele respondeu, me guiando cuidadosamente por meio das árvores. Ele estava muito
consciente do chão embaixo de nós, me ajudando a passar por qualquer lugar perigosoe afastando
folhagens enquanto seguíamos o som de água corrente. Mais uma vez, a sensação de déjà-vu quando
lembrei de outro dia quando Edward me guiou através da floresta. Um sentimento de presságio tomou
conta de mim. Esse dia seria tão fundamental para o nosso relacionamento quanto aquele dia na clareira
tinha sido. Eu não revelaria meus segredos – não podia me dar a esse luxo – mas podia muito bem
revelar meus sentimentos. E isso mudaria tudo.
"Chegamos", Edward disse quando o riacho apareceu. A luz do sol infiltrava-se pela sombra das árvores,
refletindo a água em deslumbrantes luzes reluzentes. O córrego era muito largo, mas não parecia ser
muito fundo. Eu tinha esperanças de que estaria segura em águas tão rasas, mas eu era uma maravilha
em se tratando de acidentes.
Eu olhei para o Edward e vi que ele já tinha desprendido seu suspensório e estava tirando sua camisa.
Meu cérebro me disse para olhar para o outro lado, mas meus olhos não obedeceram, e ele me pegou o
encarando.
"Vou ficar de costas até que você entre na água", ele prometeu, distraído, enquanto desabotoava suas
calças. Eu estava entorpecida demais para falar, então me virei e comecei a desabotoar meu vestido.
Edward pulou na água enquanto eu o retirava. Eu o pendurei no galho de uma árvore para não sujá-lo de
lama e me virei tentativamente na direção da água. Isso não era uma boa idéia. Minha camisa e roupa
íntima ficariam bastante transparentes quando molhassem, e como o Edward reagiria a isso?
Isso realmente importava? Esse era o Edward, e eu era a Bella. O que estava acontecendo entre nós era
inevitável; não se importava com conveniência. Eu suspirei e pulei atrás dele.
A água estava horrivelmente gelada para um dia tão quente, e eu ainda estava me acostumando quando
emergi, cuspindo. Edward estava esperando para jogar água em mim, lançando um sorrindo
absolutamente diabólico. Quando me recuperei do espanto, eu o molhei também, com um olhar
zangado.
"Isso não foi muito educado", eu reclamei. "Você podia ter pelo menos esperado eu me recuperar".
Ele jogou mais um jato de água na minha direção, rindo. "Ser um cavalheiro o tempo todo não é muito
divertido".
Brincar na água com o Edward era a coisa mais fácil e natural do mundo. Ele parecia se deleitar me
atormentado – me agarrando embaixo da água, me assustando, me perseguindo embaixo da água. Eu
deixava porque o sorriso em seu rosto me agradava muito. Eu queria o fazer sorrir para sempre. Eu iria,
prometi a mim mesma.
Depois do que pareceram horas, nós dois nos cansamos das brincadeiras na água gelada. O sol não
estava mais diretamente acima de nós, começando a descer para a linha das árvores. Eu sabia que o dia
logo terminaria, e eu não queria que terminasse. Eu podia ficar nesse lugar encantado com o Edward por
dias sem querer mais nada.
Ele nadou do meu lado, e eu podia dizer pelo mesmo olhar relutante em seu rosto que ele estava
pensando a mesma coisa.
"Nós provavelmente não podemos ficar por mais tempo", ele disse, pegando uma das minhas mãos
enrugadas. "Eu não quero que você pegue um resfriado".
"Certo", eu suspirei. Eu não achava que isso fosse acontecer, mas discutir provavelmente não adiantaria
muito. "Nós devíamos fazer isso de novo. Foi divertido".
Edward deu um sorriso radiante como resposta. "Foi mesmo; fazia anos que eu não me sentia tão
despreocupado".
Com um sorriso prolongado para mim, ele finalmente virou e escalou para fora do riacho. Eu estava
fascinada pela visão da água escorrendo por suas costas levemente musculosa. Ele virou e minha
distração mudou para as gotas no seu peito, seguindo o curso da gravidade pelo seu torso, até a roupa
íntima que grudava na sua pele...e deixava absolutamente nada para a imaginação...
Eu desviei os olhos, corando. Ele fingiu não perceber isso e ofereceu sua mão para me ajudar a subir a
margem escorregadia.
Eu soube o exato momento quando o Edward percebeu o quanto de mim ele podia ver. Sua mão apertou
ao redor da minha e seu pescoço corou enquanto seus olhos percorreram meu corpo. Ele imediatamente
desviou o olhar, mas eu sabia que o estrago estava feito.
Infelizmente, seus esforços em não me olhar o distraíram de me retirar em segurança da água. Meu pé
escorregou no declive enlameado, e eu tombei no Edward, nos derrubando no chão.
Nós dois permanecemos absolutamente parados enquanto nos recuperávamos do choque, mas a
consciênciaentre nós era inevitável. Nossos peitos arfavam como em alguma cena de um romance
obsceno, nossas respirações irregulares. Eu podia sentir cada detalhe de seu corpo embaixo do meu, e
eu sabia que ele também devia sentir o meu. Não tinha como ele não sentir meus mamilos endurecendo
contra seu peito ou a disposição do meu quadril sobre a sua crescente ereção.
"Bella...". O som era sufocado, áspero pela falta de ar, e isso me excitou.
Abruptamente ele nos virou, me pressionando contra a grama. Eu vi um breve lampejo de desejo em
seus olhos antes dos seus lábios cobrirem os meus, quentes, apaixonados e frenéticos. Esse era um beijo
de total abandono, irrestrito – sua língua e dentes iam aonde queriam, devastando minha boca,
machucando meus lábios com sua força. A única coisa que eu podia pedir nesse momento era para ele
não parar.
Ele moveu sua boca para o meu pescoço, sugando, lambendo o rastro de água que tinha lá. Ao mesmo
tempo, suas mãos percorreram meu corpo – nunca se atrevendo o suficiente para ultrapassar algum
limite, mas passando por minhas curvas respeitosamente. Eu me perguntei se ele tinha sequer
percebido que eu tinha aberto minhas pernas ou que seu quadril estava movendo incessantemente
contra o meu. Independentemente disso, eu estava desesperadamente excitada, e se não conseguisse
algum tipo de alívio, eu explodiria.
Meus dedos entrelaçaram no seu cabelo molhado e eu gemi seu nome. Por alguma razão, isso desfez o
feitiço. Ele saltou para longe de mim tão rápido quanto tinha se lançado em cima de mim. Eu observei
quando ele balançou a cabeça furiosamente e depois enterrou o rosto nas mãos.
"Me desculpe Bella, eu não posso", ele disse fracamente, se recusando a me olhar. Eu sentei e me ajeitei
para ficar mais apresentável, sentindo o tão familiar desapontamento e rejeição que eu senti
antes...antes ter tomado essa decisão com o Edward do meu tempo.
"Por quê?", eu perguntei com a voz áspera. Eu já imaginava o que porque, mas isso não aliviava o desejo
que meu corpo sentia por ele.
Seus olhos encontraram os meus com luz cintilando neles igual ao dossel acima de nós, implorando para
que eu entendesse. "Eu te amo muito, Bella. Eu quero fazer o que é certo".
Engoli com dificuldade. Ai estava, espalhado entre nós como o conteúdo de uma bolsa revirada. Como eu
podia recusar corresponder à sua proposta?
Eu estendi a mão para tocar a linha tensa do seu maxilar, apreciando a pele tentadoramente macia. "Eu
te amo, Edward".
Eu pude sentir a tensão deixar seu corpo enquanto se aproximava, próximo o suficiente para apertar
minhas mãos nas suas enquanto ele brilhava com esperança e excitação. "Diga que vai me esperar,
Bella", ele implorou, sem deixar escapatórias. "Eu vou largar a escola, arrumar um emprego – vou me
estabilizar para poder cuidar de você. Diga que vai esperar Bella, por favor. Diga que casará comigo um
dia".
Eu o encarei, atordoada pelo rumo que as coisas tinham tomado e ainda assim completamente
apaixonada. Aqui estava aquele garoto novamente, aquele que ele tinha me contado – aquele que iria
largar qualquer plano que fizera para garantir nosso futuro juntos. Eu não sabia quais seriam as
conseqüências da minha resposta, mas eu sabia que tinha que confiar nos conselhos de Carlisle, de ter
esperança – e eu sabia que nunca, jamais poderia dizer as palavras que partiriam o coração do Edward.
Essa afirmação era a única maneira que eu tinha de lhe dizer a verdade – que, apesar de que talvez seja
impossível de casar com ele nessa época, eu o esperaria no futuro, e eu iria tentar o meu máximo para
lhe dar tudo que quisesse.
Entusiasmado feito um menino, ele pegou meu rosto entre suas mãos e me beijou firmemente. Ele sorriu
de orelha a orelha enquanto se afastava. "Ah Bella. Você me fez tão feliz".
"Estou feliz também", eu disse honestamente; eu estava feliz por vê-lo feliz, e estava segura de que
tinha feito a coisa certa.
"Vamos ficar aqui essa noite", ele sugeriu, se jogando para trás na grama. "Minha mãe sabe onde
estamos, e eu não tenho que devolver os cavalos até amanhã cedo".
Eu não consegui resistir à oportunidade de caçoá-lo. "Pensei que você queria fazer a coisa certa comigo?
Sendo um cavalheiro?".
Sua expressão imediatamente ficou horrorizada e ofendida. "Não quis dizer...é claro que eu não...".
Eu ri e cutuquei seu lado. "Relaxa, eu estava apenas me divertindo às suas custas. Eu sei o quão virtuoso
você é".
Edward corou, sorrindo timidamente, "Eu apenas não estou pronto para te dividir com o resto do mundo
ainda".
"Perfeitamente compreensível", eu concordei, me deitando ao seu lado. "Eu nunca quero dividir você.
Apesar disso ser terrivelmente inadequado. Eu não quero que seus pais tenham a impressão errada".
Edward balançou a cabeça, entrelaçando minha mão com a sua. "Eles me conhecem".
Ficamos deitados na grama até o final da tarde, deixando que o sol nos secasse. Eventualmente nos
vestimos e entramos na casa vazia, cortesia de uma chave reserva enterrada num vaso de flor. Nós
beliscamos o monte de comida que ele havia trazido em perfeito contentamento, e pela hora que
escureceu nós estávamos tão cansados das atividades e emoções do dia que caímos numa cama juntos.
Edward estava dormindo em segundos, e eu permaneci acordada por alguns minutos, escutando sua
respiração regular e seu coração batendo embaixo da minha orelha.
Se isso fosse um pouco parecido com o que meu Edward sentia com a minha humanidade, eu acho que
finalmente entendi.
CAPÍTULO 14
Depois disso, o nosso noivado permaneceu como nosso pequeno segredo por quase duas semanas. Nós
não estávamos escondendo-o intencionalmente, exatamente, mas o Edward me confidenciou – depois de
muita importunação – que seu pai não ficaria satisfeito.
"Não é por sua causa, de jeito nenhum", ele disse imediatamente, tentando me tranqüilizar. "Meu pai
colocou na cabeça desde que nasci que eu iria para uma grande faculdade e seria um advogado como
ele. Até agora, não tinha nada mais importante do que a aprovação dos meus pais, então nunca discuti.
Eu não acho que ele vá gostar... mas agora que sei o que quero, nada vai me deter".
"Você sabe que eu esperaria, certo? Se você quisesse ir para a escola. Eu não quero causar nenhum
problema na sua família...".
Edward simplesmente riu e me beijou. "Eu aprecio isso, mas não posso esperar tanto tempo por você.
Não se preocupe com meu pai; eu lido com ele. E minha mãe vai ficar emocionada".
Eu não tinha dúvidas que sua mãe ficaria feliz; mesmo que só pelo fato do Edward ter desistido da idéia
de ir para a Guerra em uma aventura heróica. Todo dia, ela contava as notícias obedientemente – com
alívio crescente. Os Aliados tinham acabado de ganhar uma longa batalha contra os Alemães, a Segunda
Batalha do Marne, se eu lembrava corretamente das minhas aulas de história. Agor a eles estavam na
ofensiva. O rumo da Guerra aparentava muito bem estar mudando, o que parecia confortar a todos.
Apenas eu tinha o privilégio de saber que a Guerra terminaria em Novembro.
Fora isso, as coisas basicamente permaneceram como eram durante esse tempo. Eu continuava
passando a maioria do meu tempo com o Edward, embora eu tentasse ajudar Elizabeth com a casa o
máximo possível – não era fácil, considerando que eles tinham uma criada e uma cozinheira, mas eu
tentava. Edward encontrava mais e mais desculpas para irmos a lugares sozinhos, na maioria das vezes
apenas para roubar beijos entusiasmados. Entre Edward e a umidade ridícula do Centro-Oeste, minha
cabeça estava constantemente rodando.
Só no meio de Agosto, quando o pai do Edward mencionou durante o jantar que ele devia estar fazendo
as malas para retornar à escola, que as coisas finalmente começaram a dar errado.
"Você sabe que eles te querem de volta uma semana antes das aulas começarem. Isso não te deixa com
muito tempo", ele continuou, sem notar que meu rosto ficou repentinamente pálido e que o Edward ficou
paralisado.
Edward engoliu com dificuldade o que estava mastigando e encontrou brevemente meus olhos antes de
responder.
"Na verdade pai, sobre isso... eu decidi que não quero voltar para a escola".
Eu podia ver o maxilar do Sr. Edward apertar de raiva e Edward se preparando para a confrontação, mas
eu repentinamente me senti como uma estranha espectadora enquanto uma realização horrível me
ocorreu.
Se ele embarcasse de volta para a escola como era esperado que fizesse, ele não estaria na cidade. Ele
poderia nunca pegar a doença. Ele não seria levado para o hospital de Carlisle. Ele não seria
transformado.
Eu estava paralisada com a terrível e repugnante compreensão que o futuro estava por um fio. Meus
instintos foram em milhares de direções diferentes. De um lado estava o impulso de proteger o Edward a
qualquer custo... do outro estava a necessidade de proteger meu futuro a qualquer custo. O que eu
podia fazer?
"Talvez devêssemos discutir isso no meu escritório", eu ouvi o Sr. Masen dizer enquanto se levantou da
mesa, os talheres tinindo contra seu prato.
Edward levantou silenciosamente para seguir. Eu não ia saber que ele estava nervoso se ele não tivesse
apertado forte minha mão antes de seguir seu pai para fora do cômodo.
"Não se preocupe", Elizabeth disse, me olhando por entre os cílios. Meu rosto deve ter indicado minha
angustia. "Eles estão apenas agindo como pai e filho".
Eu concordei fracamente. Minha mente ainda estava girando, e eu precisava ficar sozinha para pensar.
Rapidamente pedi licença para sair da mesa e corri para o meu quarto. O que eu realmente queria era
conversar com alguém – Carlisle, talvez – mas estava muito tarde para sair sozinha. A última coisa que
eu queria agora era outro encontro com alguém do tipo de Norman Bouchard.
O que eu devia fazer? O que aconteceria se eu convencesse o Edward a deixar Chicago? Ele podia evitar
a doença completamente... nós poderíamos casar e ter filhos e envelhecer... mas então ele iria morrer
antes mesmo de eu ter a chance de conhecê-lo... e então como eu ia fazer o pedido que me trouxe aqui?
E qual era a garantia de que tudo aconteceria assim? Eu podia poupar o Edward da epidemia em
Chicago, apenas para ele contraí-la em outro lugar... longe de Carlisle, que podia salvá-lo...
Como eu podia arriscar o destino desse Edward e o meu Edward do futuro? Talvez eu tivesse que deixar
as coisas acontecerem como era para ser. Mas se eu ficasse de lado e não fizesse nada quando eu sabia
o que estava chegando, isso seria o mesmo que condenar o Edward à maldição que eu sabia que ele
sempre amaldiçoou? O que ele ia querer?
Talvez fosse realmente impossível para eu mudar alguma coisa. Qualquer coisa que impedisse o Edward
de virar um vampiro mudaria o meu futuro de um jeito que evitaria que eu existisse no passado. Se eu
não conhecesse o Edward em 2005, eu certamente não faria um pedido num bolo de aniversário em
2006 que me mandaria para 1918.
E quem podia dizer que eu conseguiria convencer o Edward a deixar Chicago? Ele possivelmente era
mais teimoso do que eu.
Não importava o que eu fizesse, consequências desastrosas eram possíveis. Quer eu destrua meu futuro
ou as coisas continuassem exatamente as mesmas e eu observasse o Edward passar por momentos
horríveis... isso iria doer.
Talvez isso signifique que não importa o que você faça, as coisas vão acontecer do jeito que tem que
acontecer, a voz de Carlisle ecoou em minha cabeça. E talvez ele estivesse certo. Talvez não tivesse
como eu mudar o rumo natural das coisas, e talvez eu não devesse tentar.
Uma leve batida soou na minha porta, a inconfundível assinatura de Edward. "Entre", eu disse.
Ele entrou, fechando suavemente a porta atrás dele, e depois se esparramou exausto ao meu lado na
minha cama como se isso fosse um hábito antigo. Isso estava virando um hábito, percebi, observando a
visão familiar dele cobrindo os olhos com o braço, como ele fazia quando tinha acabado de passar por
uma provação irritante.
"O que aconteceu?", eu perguntei, esticando o braço para passar meus dedos por seu cabelo. O que
sempre me surpreendeu era que o seu cabelo era tão macio enquanto vampiro como era agora, como
humano. Apenas o calor que emanava de seu couro cabeludo era diferente.
Edward abaixou seu braço e sorriu para mim. "Foi bom o suficiente. Ele não vai me fazer voltar para a
escola, mas ele insiste que eu tente trabalhar em uma firma de advocacia, com a esperança que eu
mude de idéia. Está tudo bem; eu já ia arrumar um emprego mesmo. Agora eu sei aonde vou estar
trabalhando".
Eu franzi a testa para o seu sorriso forçado. "Mas isso não é o que você quer".
Sua resposta foi tirar minha mão do seu cabelo e beijá-la. Meu coração falhou no meu peito, tão
desajeitado quanto eu. "Não se preocupe com isso, Bella. Talvez não seja o que eu quero fazer, mas eu
apenas tenho que fazer isso tempo suficiente para satisfazer meu pai. E contanto que eu possa ver seu
rosto no final do dia, não ligo para o que eu estiver fazendo".
Eu podia apenas suspirar sonhadoramente e me inclinar para roçar meus lábios contra os dele. Uma
declaração como essa só podia ser recompensada com um beijo.
Ele sorriu enquanto eu me afastava, segurando minha mão com força. "Viu, isso é tudo que preciso. Você
não tem ideia de como estou aliviado. Eu sou um covarde abominável às vezes, sabe – eu estive
evitando essa conversa por tanto tempo porque estava apavorado que ele fosse me fazer partir". Seu
rosto caiu, seus olhos encobertos com algo que eu reconhecia, aquela sensação de pavor e medo que
acompanha querer tanto uma pessoa, que alguém vive com medo de ter aquela pessoa afastada de si.
"Nós fugiríamos juntos se ele tivesse feito isso", eu ofereci, meio que brincando, tentando aliviar a
tensão. "Se você pudesse arrumar uma maneira de trazer o bacon para casa, eu podia cozinhá-lo".
Ele riu. "Acho que me preocupei à toa. Besteira minha. Eu acho que posso lidar com qualquer coisa,
desde que você esteja comigo".
Eu sorri de volta enquanto realizei que eu estava pensando sobre isso da maneira errada. Edward estava
certo. Nós fomos feitos um para o outro, e ficar juntos era nossa melhor aposta. Não ia ajudar tentar
mandar o Edward embora. Eu podia apenas ficar ao seu lado e tentar fazê-lo feliz pelo tanto de tempo
que eu tivesse com ele.
"Para que é esse sorriso?", ele perguntou, esticando o braço para roçar seus dedos pelo meu maxilar.
"Hmm. Posso me acostumar com isso", ele brincou, pegando minha mão novamente. Eu gostava do jeito
que ele brincava preguiçosamente com meus dedos – sem pensar, sem receios de me quebrar. Quando
eu fosse vampira... mas agora não era hora para pensar nisso. Ele ia ver no meu rosto, e eu não queria
que ele pensasse que alguma parte de mim não estava com ele.
"Bella...", Edward começou tentativamente, apesar que um sinal de malícia estava em seus olhos, "você
ficaria terrivelmente ofendida se eu tentasse entrar escondido no seu quarto essa noite?".
Eu ri alto, imaginando o que estava passando na cabeça dele. "Você não acha que isso ia causar um
escândalo?".
Sorrindo suavemente, ele respondeu. "Eu acho que arriscaria isso pela oportunidade de segurá-la em
meus braços. Apenas para dormir, eu prometo".
Eu deslizei para deitar ao seu lado, o encarando. "Apenas para dormir? Não sei não. Eu não conseguiria
ficar sem pelo menos um beijo ou dois".
Edward fingiu um suspiro irritado. "Se esse é o preço que tenho que pagar... eu acho que vou ter que dar
o que você quer".
"Definitivamente", ele prometeu, se inclinando para me beijar rapidamente. Eu o observei partir com um
sorriso; era fácil se distrair observando-o, estudando o jeito que ele se movia, a vida em todos os seus
passos.
Conforme prometera, Edward retornou depois que seus pais foram dormir. Ele estava com um jeito
adorável de meninoem sua camisa de dormir e shorts enquanto entrava embaixo das cobertas ao meu
lado. Eu enrosquei minhas pernas com as dele com prazer enquanto ele se aproximava mais, colocando
um braço em volta da minha cintura.
"Você está quente", ele suspirou alegremente, roçando seu nariz no cabelo em meu ombro.
"Seus pés estão gelados", eu respondi, ainda sorrindo. Eles nem de perto eram tão gelados como eu
estava acostumada.
"Logo vamos poder fazer isso toda noite", ele disse; eu não podia ver seu rosto, mas podia senti-lo
sorrindo.
"Vamos poder fazer um pouco mais que isso", eu apontei, satisfeita quando ele ficou tenso contra mim.
"Bella!".
"Desculpa", eu reprimi uma risada, apertando seu braço em um pedido de desculpa. "Você fica tão lindo
quando está com vergonha".
"Ah, é mesmo?", ele disse divertidamente enquanto me prendia embaixo dele. "Eu acho que seria muito
mais lindo se você fosse a envergonhada".
"Você acha que consegue me envergonhar?", eu ri dissimuladamente, apesar de pressentir que ele ia
fazer eu engolir minhas palavras. Edward não tinha talento maior do que me enfeitiçar em submissão,
em qualquer época.
"Eu sei que consigo", ele disse, seu hálito quente percorrendo por meu rosto. Meus lábios formigaram
quando encontrei com seus olhos, cintilando sombriamente no escuro, reluzindo apenas com a luz da
lua. Era quase como ter o meu vampiro de volta, vendo aquele olhar predatório em seu rosto com aquele
sorriso presunçoso.
"Tá bom", eu cedi, envolvendo seu pescoço com meus braços. "Você ganhou".
Ele sorriu seu triunfo e alegremente me beijou até eu ficar sem fôlego.
CAPÍTULO 15
O medo estava claro nos olhos de Bella quando ela correu para meus braços. Eu não conseguia acreditar
que tinha deixado isso acontecer. Eu nunca deveria tê-la deixado sair sozinha, nunca deveria ter
apresentado ela a Norman. Pelo que eu sabia, ele nunca tinha forçado a barra com uma mulher, mas eu
não duvidava que ele fosse capaz. Ele nunca iria colocar as mãos na minha Bella, nunca. Nem que eu
tivesse que vigiá-la todos os segundos do dia...
Eu andei impacientemente de um lado para o outro por entre as árvores que eu não tinha deixado desde
o desaparecimento de Bella horas atrás. Pelas minhas contas, uma semana tinha passado em 1918...eu
não sabia porque os dias pareciam passar em horas para mim, mas não era particularmente confortador.
Significava que todo minuto era cheio de novos possíveis perigos para Bella...e eu não podia fazer nada
sobre eles.
Meu eu do passado a amava tanto quanto eu, isso era certeza – até as memórias das emoções eram
suficientes para me deixar sem fôlego às vezes. Eu a defenderia furiosamente...mas eu era humano
naquela época, assim como ela, e ambos éramos tão vulneráveis. Como eu poderia protegê-la quando
era tão fraco? E a pior parte era que a minha versão humana era como todos os humanos – ingênuo e
em negação. Eu não acreditava que algo pudesse acontecer comigo, eu acreditava que era forte o
bastante – e eu estava tão errado.
"Edward, querido, você não pode manter a Bella trancada em casa para sempre", minha mãe me
repreendeu, me forçando a descer as escadas. "Saia com ela, a distraia".
Eu paralisei antes de entrar na sala de estar, a observando. Ela estava lendo um livro, tentando
aproveitar a pouca brisa que entrava pelas janelas. Eu observei a linha de suor escorrer por seu pescoço
macio; a visão me inundou de calor, e de repente eu precisava desesperadamente de alívio...
Eu tinha que rir de mim mesmo, dominado pelos típicos hormônios humanos. Eu nunca tinha me
interessado desse jeito por nenhuma garota antes, e eu estava ficando cada vez mais confuso. A
ingenuidade era...revigorante, de certa forma.
Nadar. Eu bufei. Eu tinha disfarçado isso para a minha mãe como sendo uma maneira de distrair a Bella,
como ela queria, mas na verdade era uma desculpa para vê-la semi nua, quer eu quisesse admitir isso
para mim mesmo ou não. Funcionou também, mas é claro que funcionaria. Bella nunca foi uma pessoa
contida, mesmo pelas restrições de sua época...ela podia causar todo tipo de danos na minha.
Deus, será que ela iria tão longe com o meu eu do passado? Enterrei meu rosto em minhas mãos e
balancei a cabeça. É claro que ela iria, se eu quisesse. E eu definitivamente queria. Eu não tinha certeza
de como me sentia a respeito disso – é claro, eu podia sentir o intenso desejo que meu eu do passado
sentia por ela, a necessidade de alguma gratificação – mas eu não sabia como poderia olhar a Bella com
meu eu do passado em um ato tão íntimo...
"Essas são suas lembranças", eu lembrei a mim mesmo em voz alta, tentando colocar isso na cabeça.
"Ela está com você, então é ridículo ficar com ciúmes".
"Não brinca, Sherlock", Emmett gritou da casa. Eu rosnei em frustração; como não percebi o quanto
estava falando alto?
Eu suspirei e me joguei ao lado da minha árvore de sempre. Talvez eu devesse apenas desistir de
processar tudo isso e me entregar a meu papel de espectador. Não era como se eu realmente pudesse
mudar alguma coisa que estava acontecendo no passado, então bem que eu podia tentar ficar calmo
sobre tudo isso, e talvez apreciar isso.
Eu podia sentir meus olhos arregalando enquanto ela saia da água. Sua camisa de algodão grudou no
seu corpo como se fosse uma segunda pele, contornando as curvas perfeitas de seus seios e quadril. Eu
podia ver claramente a mancha escura dos seus mamilos, a sombra do cabelo entre suas pernas. Parecia
que ela estava nua – não que eu reclamaria se ela estivesse.
Eu desviei meus olhos dela, mas o estrago estava feito. Eu nunca mais seria capaz de apagar essa
imagem da minha mente. Bella era...perfeita. Tudo o que uma mulher devia ser – macia, com curvas e
viçosa. Minha mente foi sem permissão para pensamentos de nossos corpos nus pressionados um contra
o outro, para a sensação de sua pelo quente e macia contra a minha...
No meio desse exato pensamento, senti a Bella trombando em mim, e de repente eu estava no chão,
com ela inteira me pressionando, como eu tinha imaginado.
Era muito para aguentar. Olhando nos seus olhos, eu podia ver exatamente o que eu queria – desejo.
Nossas pernas nuas estavam entrelaçadas; suas mãos estavam no meu peito. O corpo dela se mexia
sutilmente cada vez que ela respirava, e aquele pequeno atrito me deixou louco. E o quadril dela estava
perigosamente quente acima do meu. Se estivéssemos nus, precisaria somente de um pequeno
movimento para...
"Bella", eu gemi, de repente em ação. Puro instinto fez com que eu a prendesse embaixo de mim e
pressionasse minha boca contra a dela; eu não achava que seria capaz de parar. Ainda bem que ela
pareceu não se importar – seus lábios macios responderam urgentemente enquanto seus dedos fincaram
no meu couro cabeludo e seu corpo se erguia para encontrar o meu. Eu gemi intensamente quando
nossas línguas se enroscaram. Nunca senti algo tão bom.
Segui um rastro de água que descia por seu pescoço com minha língua, tão similar à linha de suor que
me cativou mais cedo. Minhas mãos foram para seu quadril e coxas, acariciando tudo que podia, apesar
que eu não me atrevia tocar os lugares que me tentavam mais – seus seios macios ou o lugar quente
entre suas pernas contra o qual meu quadril se mexia incessantemente...
Essa era Bella, minha Bella, e eu estava rolando com ela no chão como um animal. Ela merecia mais que
isso. Eu tinha que lhe oferecer mais.
Ela soltou uma lamúria como protesto, mas eu não podia olhar para ela até que conseguisse me
controlar. "Me desculpe Bella, eu não posso", eu lhe disse, desejando que pudesse me casar com ela
nesse instante e torná-la minha, de novo e de novo.
"Por quê?". Sua voz estava magoada, e me chutei mentalmente. Eu não devia ter deixado as coisas irem
tão longe.
Seus olhos estavam arregalados, tão profundos e ilimitados como o céu de noite, enquanto me olhava.
Eu esperei sem fôlego, apavorado. Certamente eu não tinha entendido tudo errado entre nós?
Sua mão alcançou meu rosto, dispersando meus receios. "Eu te amo, Edward".
Meu peito se encheu de alegria; parecia que ia explodir. De repente um brilhante e lindo futuro
estendeu-se a minha frente em milhões de possibilidades coloridas, e eu estava impotente para não
alcançá-lo. Eu apertei suas mãos como se isso fosse fazê-la ficar comigo para sempre.
"Diga que vai me esperar, Bella", eu implorei, observando seu rosto surpreso cuidadosamente por uma
reação. "Eu vou largar a escola, arrumar um emprego – vou me estabilizar para poder cuidar de você.
Diga que vai esperar Bella, por favor. Diga que casará comigo um dia".
Se a espera por sua primeira resposta foi difícil, a espera por essa era dolorosa.
Eu encarei, atordoado, a floresta escura, lutando para encaixar a lembrança no lugar certo.
Eventualmente, minhas emoções se organizaram em um inesperado sentimento de gratidão. Bella
estava fazendo tudo isso porque me amava – naquela época e agora. Eu sabia o quanto tinha lhe
custado casar comigo na nossa época, para abandonar tudo que ela tinha esperado ter. Agora ela estava
me dando o que eu sempre quis, na época em que mais significou.
Apesar de não poder durar – e ela devia saber disso – ela estava dando ao meu eu do passado toda a
felicidade possível antes da minha vida virar para sempre na direção da escuridão. Ela estava me dando
a vida humana que sempre quis...e eu estava agradecido.
Alice me convenceu a fazer uma pausa da minha "perseguição das lembranças", como ela chamava,
para caçar. Eu não tinha me alimentado desde a metade da lua de mel, quando paramos na
Romênia...Bella achou que seria engraçado visitar a terra do Drácula. Eu ri com a memória dela usando
aquelas presas de plástico ridículas que eles vendem aos turistas.
"Se é assim que você vai ficar quando for vampira, eu acho que precisamos reconsiderar".
Ela foi me dar um soco no ombro, mas depois parou, pensando melhor. "Eu sabia que devia ter te
deixado no altar", ela zombou.
Eu suspirei, correndo sem rumo e sem prestar muita atenção à caça. Quando eu me permitia pensar
livremente, ficava muito aparente o quanto eu realmente sentia a falta da Bella. Ela sumiu não tinha
nem vinte e quatro horas, mas parecia uma eternidade com as novas lembranças enchendo minha
cabeça constantemente. Quantas horas mais até ela estar comigo de novo?
Eu forcei meu corpo o mais rápido possível, correndo pela manhã. Quando eu finalmente parei, estava a
horas de casa. Aproveitei a oportunidade para caçar, para bloquear tudo a não ser meus instintos. Foi
um alívio bem-vindo. E quando voltei a razão, tentei continuar a ignorar as lembranças enquanto corria
de volta – mas elas voavam rapidamente por minha mente como pequenos beija-flores, sempre
presentes no meu subconsciente. Estava tudo bem; o passado estava um tanto calmo.
Quando cheguei em casa, percebi que o exercício tinha ajudado. Minha mente parecia mais vazia; eu
podia enfrentar o passado novamente.
... "Você precisa de um anel", eu disse, examinando sua mão esquerda sem enfeitesque eu segurava
com a minha. Seus dedos envolveram minha mão, apertando levemente.
Bella balançou a cabeça, sorrindo, mas era um sorriso distante, como se ela estivesse lembrando algo
que a divertia, algo do qual eu não estava a par. "Isso não é importante".
"É claro que é", eu franzi as sobrancelhas. "Eu quero que o mundo inteiro saiba que você é minha".
"Eu sei que sou sua", Bella disse, me beijando suavemente. "Isso é o que importa". ...
... "Você pediu a ela, não pediu?" Os olhos de minha mãe me observavam sabiamente.
"Sim. É claro que pedi. Como poderia arriscar deixá-la escapar de mim?".
"Seu pai não vai gostar disso. Você sabe que ele tem planos para você".
"Meu pai não tem que gostar. Não é ele que tem que viver seus planos. O que você acha disso?".
Elizabeth Masen sorriu gentilmente. "Eu acho que ela é exatamente o que você precisa. Estou feliz por
você. Mas eu não invejo você ter que contar ao seu pai". ...
... "Edward, o que diabos deu em você? Largar a escola? E a universidade, a faculdade de Direito? O que
você acha que vai fazer com a sua vida sem um tipo de educação? Trabalhar numa fábrica?".
Meu pai andava furiosamente de um lado para o outro, atrás de sua mesa, enquanto falava. Eu estava
sentado na cadeira do outro lado dela, esperando ele acabar.
"Vou trabalhar aonde tiver que trabalhar", eu respondi. "Pai...eu não sei o que quero fazer exatamente.
Mas tenho certeza absoluta que não quero ser advogado. E tenho certeza que não quero esperar anos
para casar com a Bella".
Meu pai finalmente parou de andar, me olhando incrédulo. "Você...pretende casar com ela?".
"Eu pedi, e ela aceitou. Você não é contra, é? Eu achei que você gostava dela".
Ele esfregou sua testa cansadamente. "Eu gosto dela. Mas isso não muda o fato que ela não tem família,
nada no nome dela –".
"Não, não, é claro que não é, é só que...você é jovem, Edward. Você não tem idéia dos tipos de desafio
que a vida pode trazer. Você devia pensar com cuidado sobre o quão bem equipado você está para
encarar esses desafios, sobre o tipo de mulher que quer ao seu lado".
"Mas eu pensei", argumentei. "Nunca pensei nessas coisas até ela aparecer e me fazer querer levar
minha vida a sério ao invés de meramente seguir com o plano estabelecido".
Meu pai se largou na cadeira de sua mesa, um sinal claro de concessão. "Você consegue ser tão teimoso
quanto sua mãe quando coloca uma coisa na cabeça, então não vou me importar em discutir mais com
você. Mas você fará pelo menos um acordo comigo?".
"Talvez", eu disse cautelosamente, observando meu pai batucar os dedos na madeira escura de sua
mesa. Ele só fazia isso quando estava planejando alguma coisa.
"Não tome nenhuma decisão final agora. Tente trabalhar numa firma de advocacia, veja se gosta. Tenho
certeza que um dos meus amigos ficaria feliz de te empregar como um tipo de auxiliar. Você pode
descobrir que gosta disso. E se você gostar, você pode voltar para a escola".
"E quanto a Bella?", perguntei. Ela era minha principal preocupação; todo o resto não importava.
"Bella pode ficar aqui o tempo que quiser, é claro. Não vamos colocá-la na rua".
Eu fiquei sentado em silêncio, espantado. Sempre imaginei o que estava fazendo em Chicago em
setembro de 1918 quando eu devia estar na escola. Eu nunca tinha sido capaz de encontrar uma
resposta em minhas memórias...e agora eu sabia. Eu estava lá por causa da Bella.
No fim, eu só podia rir. Imaginei se ela percebia que estava fazendo nosso destino com cada segundo
que ficava no passado.
CAPÍTULO 16
Enquanto Setembro avançava, Edward finalmente encontrou emprego. Demorou um tempo – auxiliares
ganhavam bem menos do que Edward estava disposto a aceitar como salário, e no final, precisou o pai
dele cobrar alguns favores e oferecer mais alguns em troca para alguém oferecer um emprego à Edward.
Eu podia notar que ele não estava nada satisfeito com a situação. Apesar de ele nunca mencionar isso,
eu sabia que se aborrecia com a idéia de dever algo a alguém. Ele já estava arrepiado por ter de seguir
os passos do pai.
"... E a pior parte," ele continuou a falar irritado enquanto eu o observava remexer sua gravata em sua
primeira manhã no emprego, "é que eu não vou ganhar o tanto que ganharia fazendo outra coisa, e
mesmo assim tenho que ser grato pela 'oportunidade' porque é apenas um favor".
Eu lutei valentemente para manter uma expressão séria, porque ele podia me ver pelo espelho, sentada
na cama atrás dele – mas eventualmente ele notou que eu estava sacudindo de rir e franziu a testa – o
que só me fez rir mais.
"Ah, Edward", eu levantei e fui até ele, alisando seu colete. "É só um emprego, lembra? É só até você
satisfazer seu pai, não para sempre. E o mais importante, vou esperar por você. Você não precisa ganhar
todo o dinheiro do mundo para que possa se apressar a me levar ao altar. Eu ainda estarei aqui".
Meu discurso de incentivo obteve o resultado esperado – a boca do Edward se repuxou em seu sorriso
involuntário, e senti seus ombros relaxarem sob minhas mãos.
"Talvez você possa esperar", ele disse, "mas não tenho certeza se eu posso".
"Você apenas terá que lembrar que a paciência é uma virtude", eu disse, ficando na ponta dos pés para
beijá-lo. "E eu sou, afinal de contas, a guardiã da sua virtude. É melhor você me escutar".
Edward bufou, apesar de manter nossos corpos próximos. "Estou começando a achar que você é a pior
guardiã possível que eu poderia encontrar para a minha virtude. Eu me encontro comprometido em toda
situação".
"Sujo, mal lavado", eu disse sucintamente, apontando para ele e em seguida para mim. "Agora, eu
acredito que você tem aproximadamente vinte minutos. É melhor se apressar".
Ele relutantemente se afastou e colocou o paletó sobre seus ombros. Vestido como um apropriado
homem de negócios, ele parecia devastadoramente bonito. Suas calças e paletó azul-marinho
destacavam-se em contraste perfeito com seu cabelo cor de bronze; um colete listrado enfatizava seu
torso magro e sólido; e a gravata era como uma fita no lindo pacote esperando para ser aberto. Eu não
estava mais entusiasmada com sua partida do que ele.
"Te vejo quando chegar em casa", ele suspirou, me beijando uma última vez.
"Estou ansiosa por isso", eu disse enquanto o seguia até a porta da entrada. Ele me lançou um sorriso
por cima do ombro antes de sair para a rua.
Enquanto os homens estavam fora, Elizabeth tentou me ensinar a tricotar. Isso era incrivelmente
doméstico, e eu não tinha certeza se realmente gostava. Eu nunca fui muito boa em domesticação.
"Não se preocupe, isso não foi uma coisa natural para mim também", Elizabeth disse, lutando para não
rir do emaranhado que eu fiz da minha lã. De algum jeito eu formei uma pilha de nós no meu colo ao
invés de uma fileira de pontos como era suposto que eu fizesse.
"Eu nunca fui muito boa nesse tipo de coisa", eu suspirei, flexionando meus dedos cansados que
passaram horas segurando uma agulha. "Você sabe, coisas astutas. Tudo que sei fazer realmente é
cozinhar".
"Bem, essa é a importante", Elizabeth riu. "Edward não vai se importar se você não conseguir remendar
suas meias se estiver bem alimentado".
Eu me atrapalhei para falar com meu espanto, para o qual ela sorriu gentilmente. "Sim Bella, eu sei.
Edward me contou que queria casar com você – mas mesmo que não tivesse contado, eu saberia. Eu
consigo ler meu filho como um livro aberto. E é por isso que sei que você é exatamente o que ele
precisa. Estou feliz por saber que ele terá você cuidando dele".
Minha garganta estava muito apertada, fazendo com que respirar ficasse difícil. Será que ela sentiria a
mesma coisa se soubesse ao que eu estava condenando o Edward o deixando ficar na cidade? "Eu
espero – eu espero conseguir", eu disse finalmente, pegando minha pilha de tricô fracassado.
"Eu sei que conseguirá", Elizabeth respondeu, dando tapinhas na minha mão. "Eu não quero dizer bem
fisicamente...ele é um garoto, então eu duvido que ele vá esquecer de comer. Mas ele se perde tanto em
sua própria cabeça às vezes que ele perde a figura maior de vista. E eu acho que você é a garota para
fazê-lo ver".
Meu sorriso foi um pouco lacrimoso, mas eu não pude evitar. Essa mulher era melhor do que eu poderia
sonhar que a mãe do Edward fosse, e ela estava sendo tão gentil comigo. Ia ser tão doloroso dizer adeus
a ela.
"Não precisa me agradecer por nada", Elizabeth disse. Ela esticou o braço e pegou meu projeto
torturado. "Eu acho melhor desistirmos desse aqui".
Eu concordei sinceramente.
Quando Edward chegou em casa, a expressão em seu rosto sugeria que ele tinha acabado de voltar de
uma zona de guerra. Ele estava exausto, e um pouco rabugento. Eu não me importava realmente;
comparado com um dos humores do meu Edward, esse Edward era simplesmente fofo.
Edward não pediu permissão antes de entrar escondido no meu quarto aquela noite, e eu não podia
culpá-lo. Seria ridículo, dada sua óbvia exaustão e a carranca em seu rosto, acusá-lo de qualquer
intenção impura.
"Foi mesmo tão ruim?" eu perguntei quando ele deitou a cabeça no meu ombro. Percorri meus dedos por
seu cabelo despreocupadamente; isso sempre o relaxava.
"Suponho que poderia ter sido bem pior" Edward suspirou. "Eu não devia reclamar. Mas o trabalho é tão
tedioso, e fico sempre fazendo serviços e recebendo ordens, pelo que parece. Eu preferia estar fazendo
trabalho manual que desperdiçando poder mental nesse absurdo".
"Imobiliária" Edward disse insipidamente. "Terrivelmente chato. Eu deveria ter exigido algo na área
criminal. Pelo menos lá teria boas histórias".
"Você daria um advogado de acusação terrivelmente virtuoso" eu ri, imaginando Edward fazendo um
papel em Law and Order. Nenhum júri teria chance contra seus poderes de persuasão.
"Eu discutiria, mas estou cansado demais" Edward suspirou, enterrando seu rosto no meu pescoço. "Não
posso apenas me esconder na sua cama para sempre?".
"Poderia, mas tenha a impressão que alguém iria pensar em te procurar aqui. Especialmente se eu
ficasse com você".
"Hmm..." Ele já estava quase dormindo. Eu beijei sua testa e o abracei apertado; a necessidade de
protegê-lo, de cuidar dele, surgiu forte dentro de mim. Ele era tão vulnerável, da maneira humana e das
maneiras que aborreciam meu Edward também, apesar que ele tentava escondê-las bem mais. Me
ocorreu que eu nunca fiz o tanto que poderia para proteger meu Edward – não de ameaças externas,
mas de si mesmo. Se eu voltasse...quando eu voltasse, isso iria muda. Eu cuidaria dele como ele
precisava, como ele merecia.
Os dias passaram voando enquanto eu caí numa rotina fácil. Edward me dava um beijo de despedida
toda manhã e ia trabalhar. Eu fazia tudo que podia para ajudar na casa – por mais que Elizabeth
insistisse que não era necessário, e por mais que Edward dissesse que seu pai não tinha nada contra
mim, eu ainda me sentia um estorvo, e eu não queria dar a nenhum deles um motivo para mudarem de
idéia a meu respeito. Então eu ajudava na cozinha e na limpeza, apesar de que Elizabeth tentava me
convencer continuamente de que as criadas davam conta do trabalho. Eu fazia serviços, ajudava no
jardim, e até continuava me esforçando com a costura e o tricô, embora não tenha melhorado muito.
Hoje era dia 12 de Setembro. Um dia antes do meu aniversário, não que o meu aniversário significasse
alguma coisa nessa época. Tinha se passado apenas dois meses desde que eu celebrei meu aniversário
no meu tempo. Eu ainda não sabia porque meu pedido significou me mandar para o dia 17 de Julho,
entre todos os dias, mas eu tinha desistido de questionar isso.
Eu estava indo até a loja de tecido para buscar linha. As ruas estavam cheias hoje; era o dia mais fresco
desde o dia em que cheguei. Eu não podia culpá-los por querer sair.
Dentro da loja tudo estava quieto. Tinha outras duas mulheres fazendo compras juntas, olhando sedas
delicadas. Eu fui até a prateleira com fileiras de linha do outro lado da loja, olhando as variações de
cores. Eu não tinha certeza de qual pegar.
Eu estava debatendo entre duas tonalidades de amarelo para combinar com o tecido na qual seria usada
quando senti o distinto arrepio que alguém estava me observando. Olhando por cima do meu ombro, eu
vi a última pessoa que queria encontrar hoje se aproximando com um sorriso nada menos que selvagem.
"Bella, eu estava começando a perder as esperanças de um dia te ver de novo", Norman disse, se
colocando ao meu lado. Eu dei um passo para trás; ele fazia minha pele formigar desagradavelmente.
"Eu estava ocupada com o Edward", eu disse intencionalmente, cruzando os braços protetoramente
sobre meu peito.
"Ah sim, Edward", Norman sorriu sombriamente. "Eu ouvi que ele decidiu largar a escola, que ele aceitou
um trabalho como auxiliar. Quão indigno. Você não quer alguém mais refinado? Uma garota como você
merece um homem de verdade".
Eu bufei em sua cara de desprezo. "Eu tenho um homem de verdade, obrigada. Falando nisso, você não
deveria estar na escola agora, levando às escondidas no seu quarto garotas jovens inocentes?".
"Eu já acabei", Norman respondeu tranquilamente. "Eu estava um ano na frente do Edward. Agora não
tente me dizer que o pequeno Edward está satisfazendo todas as suas necessidades".
"Nada a respeito do Edward é pequeno", eu disse irritada. "E estou perfeitamente satisfeita".
Norman se encostou contra as prateleiras com os braços cruzados, tentando sorrir preguiçosamente –
mas pareceu mais com um sorriso malicioso. "Tem certeza, Srta. Swan? Ele te faz gritar? Porque se não,
ele está fazendo algo errado".
Meu temperamento estava aflorando, e eu sabia que estava me aventurando em território perigoso, mas
ele me provocou. "Ele está fazendo certo", eu sibilei. "E se você não me deixar em paz, eu juro que vou
te chutar aonde te fará gritar".
Isso não teve o resultado esperado. Ao invés de fugir de mim, ele riu alto. "Então você deixou o Edward
subir sua saia, deixou? Eu imagino o que os pais dele iriam dizer se soubessem disso".
Eu não podia muito bem admitir que eu na verdade nunca tinha feito sexo com esse Edward quando
tinha acabado de defender sua proeza, mas sua ameaça me abalou.
"Ah, mas eu devia informá-los", Norman disse inocentemente. "Eles devem saber o tipo de garota que o
filho deles está se associando".
Eu estreitei meus olhos, fechando minhas mãos em punhos. Senti meus ductos lacrimais reagindo, como
sempre faziam quando eu estava com raiva. "Eles nunca acreditariam em você ao invés de no Edward".
"Não se preocupe, Bella. Eu posso ser bem persuasivo quando preciso ser. Eu fiz minha pesquisa, Bella.
Eu sei que você não tem família, não tem amigos. Quando eles te colocarem na rua, talvez você
reconsidere sua atitude a meu respeito".
Com essa ameaça final, ele me deixou sozinha. Eu esperei até que ele saísse tranquilamente da loja
antes de me virar para a linha esquecida, lágrimas escorrendo por minhas bochechas. Ele não podia me
tocar, eu disse a mim mesma. Eu iria explicar o que aconteceu para o Edward, e ele entenderia.
Elizabeth iria acreditar em nós, não no Norman. E Elizabeth podia convencer o pai do Edward. Não tinha
com o que me preocupar, nada mesmo.
Mas isso ainda não impediu que minhas mãos tremessem um pouco quando fui pegar um dos carretéis,
sem prestar a menor atenção a qual tonalidade tinha agarrado.
Edward cutucou meu lado, me tirando do meu torpor. "Qual o problema?", ele perguntou, tirando o livro
que eu não estava lendo das minhas mãos. "Você esteve distante a noite toda".
"Ah, er...bem...eu tive um encontro desagradável hoje", eu admiti, sabendo que era inútil resistir a ele.
Ele iria me persuadir a contar de um jeito ou de outro.
"Norman Bouchard", eu suspirei, observando suas mãos formarem punhos automaticamente. Seu
pescoço tinha ficado vermelho; eu me preocupei que ele fosse se machucar – ou machucar alguém.
"O que ele falou para você?" Edward exigiu. "Ele... ele investiu contra você novamente? Porque eu
juro...".
"Foi apenas o habitual", eu o cortei. "Ele tentou insinuar mais uma vez que eu não estava... você sabe,
satisfeita, e eu... bem, eu estava brava, então eu meio que insinuei que... que você estava... me
satisfazendo". Indiretas eram um saco.
As bochechas do Edward ficaram rosadas, mas parecia que um pouco da sua raiva tinha diminuído. "E
como ele reagiu a isso?".
"Você não está preocupado?", eu perguntei, buscando tranquilização. Edward na verdade revirou os
olhos para mim.
"Bella, meus pais te amam e confiam em mim. Não tem nada com o que se preocupar. Mesmo se nós
tivéssemos... digo, estamos noivos. Não que eu aprovaria isso", ele gaguejou, "mas se nós vamos nos
casar de qualquer forma, isso não seria bem um escândalo... agora eu suponho que você realmente
precisará de um anel".
Eu olhei boquiaberta para Edward, mas ele já tinha começado a murmurar cálculos para si mesmo sobre
seus pagamentos e quando ele seria capaz de me comprar um anel decente. Eu suspirei e peguei meu
livro de volta. Deixe para o Edward usar uma situação ruim como desculpa para ser ainda mais...
matrimonial.
Eu teria que dizer ao meu Edward que ele não tinha mudado nem um pouco.
CAPÍTULO 17
Meu aniversário passou sem acontecimentos, o que... era confuso, no mínimo. Eu não me atrevi contar a
mais ninguém que dia era – a última coisa que eu precisava era de outra comemoração fracassada. Eu
me preocupava que o meu aniversário fosse o catalisador que me mandaria de volta ao meu tempo –
que os dois meses, aproximadamente, era todo o tempo que eu tinha ganhado para cumprir o pedido.
Mas as horas passaram normalmente, uma após a outra, e eu ainda estava em 1918, ainda vivendo a
vida que tinha estabelecido. Agora era meia-noite; o corpo quente do Edward estava curvado em volta
do meu, um braço sobre minha cintura, e nada tinha acontecido.
Um medo que corroia me deixou acordada até as primeiras horas do dia. Percebi que eu tinha apostado
todas as minhas fichas na pequena esperança que era o meu aniversário. Se esse dia em particular não
me mandaria de volta, o que iria? Eu voltaria quando meu pedido fosse completado... e quanto tempo
isso demoraria? Ou seria completamente incapaz de voltar, independente do que acontecesse?
Eu sabia que era muito provável o Edward ficar doente com a chegada da epidemia, e se ele ficasse...
bem, obviamente, eu teria que garantir que Carlisle o transformasse. Eu não podia deixá-lo morrer; isso
me destruiria. Mas assim que ele virasse um vampiro, eu não poderia ficar com ele... ele seria um recém-
criado, com toda a instabilidade que o Edward estivera me avisando. Ele não seria capaz nem de ficar
perto de mim. E se eu não conseguisse voltar para o meu tempo... para onde eu iria?
Eu finalmente adormeci com esses pensamentos circulando em minha mente, e eu sonhei que estava
perdida no escuro, sem conseguir encontrar o caminho de casa. Eu ficava chamando pelo Edward, mas
ele nunca veio.
Eu acordei para mais escuridão, mas Edward estava lá, me sacudindo levemente. "Bella? Você está
acordada?".
"Você estava me chamando enquanto dormia", ele explicou enquanto cobria minha bochecha com sua
mão quente. "Você está bem?".
"Foi apenas um sonho ruim", eu respondi, me aconchegando nele. Seu calor era reconfortante. "Estou
bem agora".
"Você parecia tão assustada", Edward sussurrou, afagando meu cabelo de forma tranquilizadora. "Me
senti tão impotente; não gostei disso".
"Desculpe", eu sorri. "Acho que você vai ter que encontrar um jeito de entrar nos meus sonhos e me
resgatar do meu subconsciente".
Edward riu. "Certo. Como se um dia eu fosse conseguir entrar na mente das pessoas".
Eu acho que fui um pouco prestativa demais hoje. Elizabeth não se importava de eu passar muito tempo
na cozinha se eu realmente quisesse, mas a cozinheira se importava com minha subordinação – e por eu
derrubar tudo. Eu derrubava muito. Então me mandaram comprar maçãs, agora que era época,
basicamente para me fazer me sentir útil. O plano da torta de maçã era supérfluo comparado ao bolo já
assando no forno.
Tirando o meu medo de encontrar o Norman – quase certo que eu terminaria lhe dando um chute na
virilha, e isso não era muito coisa de uma dama – era um lindo dia. O vendedor, um homem de meia
idade, sorriu calorosamente para mim enquanto eu examinava a seleção, escolhendo as melhores
maçãs.
Eu estava quase terminando quando aconteceu um alvoroço atrás de mim. Eu me virei, vendo um monte
de pessoas em volta de um homem caído no chão. Quando percebi o que estava testemunhando
exatamente, eu congelei no meu lugar, derrubando uma esquecida maçã vermelha no chão sujo.
A pele do homem estava pegajosa e ele estava suando, claramente doente. Ele estava se esforçando
para levantar, mas parecia estar muito fraco. Dois homens estavam tentando ajudá-lo, mas ele parecia
prestes a perder a consciência.
Parecia com a gripe. E eu sabia que a gripe desse ano não seria comum; seria devastadora.
Assim que cheguei em casa, percebi que exagerei um pouco. Talvez o que eu vi era meramente um
homem doente com uma gripe perfeitamente normal. Poderia não ser a epidemia que eu estava
esperando, afinal de contas. E tudo estava perfeitamente normal na casa dos Masen. Elizabeth estava
em sua mesa, arrumando a correspondência, o que quer que isso signifique. E ambos os Edward, Sr. e
Jr., logo estariam em casa. Tudo estava como deveria ser.
Quando Edward finalmente chegou em casa, ele estava assustadoramente animado. Ele prontamente
me arrastou da sala, e me levou até seu quarto. Ponderei as possibilidades; sua virtude estava ficando
inquieta novamente?
"Eu tenho uma coisa para você", ele disse animado enquanto fechava a porta após entrarmos. Sentei
cautelosamente em sua cama, examinando suas bochechas coradas e olhos brilhantes.
"Tudo bem", suspirei. Não iria estragar sua diversão, não dessa vez. "Estou pronta".
Ele colocou a mão no bolso do paletó enquanto ajoelhava. Eu lutei contra a vontade de enterrar meu
rosto em minhas mãos e bloquear essa imagem. Ele realmente iria me pedir em casamento de novo?
Ah, mas ele ia. A pequena caixa em sua mão me atormentou enquanto ele olhava esperançoso em meus
olhos.
"Isabella Swan, isso tornará oficial", ele disse, incapaz de tirar o sorriso do rosto. Que eterno romântico
ele era. "Eu juro, te amarei para o resto da minha vida. Você quer se casar comigo?".
Sua vida seria bem mais longa do que ele imaginava, mas mesmo assim, eu sabia que as palavras eram
absolutamente verdadeiras. Meu coração ficou apertado.
Edward abriu a pequena caixa, revelando um pequeno anel aninhado no forro de pano. Era dourado, e
muito menor que o anel de sua mãe – uma safira redonda com um minúsculo diamante em cada lado. Eu
sorri. Ele trabalhou tanto para comprar esse anel.
Ele recompensou minha tolerância com seu sorriso torto, e colocou o anel alegremente na minha mão
esquerda. O novo peso no meu dedo era confortante; eu me sentia estranha sem os primeiros anéis que
o Edward tinha colocado no meu dedo.
"É muito bonito", comentei divertida com a expressão exorbitantemente satisfeita em seu rosto. "O que
te fez escolher uma safira?". Não tinha como ele saber que era a pedra do meu signo.
Edward deu de ombros. "Ela só me fez lembrar de você. Ela parece que está cheia de pensamentos
escondidos e mistérios... e é linda, é claro".
Ele se levantou e sentou comigo na cama. Seu braço envolveu minha cintura e ele descansou seu queixo
no meu ombro enquanto inspecionava minha mão recentemente enfeitada. "Estive pensando", ele
murmurou. Seu hálito roçou minha orelha, me fazendo tremer. "Se eu conseguir convencer meu pai a me
deixar arrumar um emprego melhor nos próximos meses, nós podemos talvez casar em um ano. Se eu
economizar apropriadamente".
Meu coração partiu por ele. Como poderia dizer a ele que ele não tinha mais um ano? Que nenhum dos
sonhos fortemente expresso em suas palavras poderia se tornar realidade?
Coloquei um sorriso falso no rosto antes de beijá-lo, ferozmente, tentando lhe dizer sem palavras o
quanto sentia muito. Ele confundiu meu desespero com entusiasmo, respondendo com abandono. Não
me importei; eu gostava da sensação de seus dedos cravando em minhas costas e de sua língua
deslizando contra a minha.
A badalada metálica do sino do jantar quebrou o momento. Nos afastamos relutantemente, ambos com o
rosto corado e sem fôlego.
"Eu acho que ela fez isso de propósito", Edward disse pesarosamente, afastando o cabelo que tinha
desprendido do meu coque enquanto nos beijávamos.
"Podemos retomar isso mais tarde", eu disse, o fazendo sorrir de modo malicioso.
De mãos dadas, descemos para jantar. Os pais dele já estavam sentados, e olharam quando entramos.
Os olhos de Elizabeth fitaram minha mão esquerda, mas ainda bem que ela não levantou correndo para
pegar minha mão, como eu quase estava esperando. Ela apenas me lançou um sorriso afetuoso
enquanto o Edward puxava minha cadeira para que eu sentasse.
Segui-se a conversa sem importância de sempre – Elizabeth perguntou como tinha sido o dia de seu
marido e do filho, como a esposa e mãe devotada que era. Edward não parou de sorrir durante todo o
jantar, mas seu pai não pareceu perceber. Na verdade, seu pai parecia um pouco desatento o tempo
inteiro. Eu o olhei mais atentamente e percebi que ele estava suando. Mas estava meio calor. Não podia
ser nada.
Aparentemente, eu não fui a única a perceber isso. Elizabeth estava olhando para ele com uma
expressão preocupada, e Edward já tinha percebido também.
O Sr. Edward Masen estava com os olhos lacrimejantes e turvos. "Bem, bem. Só um pouco indisposto, eu
acho".
"Talvez devesse se deitar", Elizabeth sugeriu, tocando sua testa com as costas da mão. "Você está febril,
querido".
"Pode estar certa", ele suspirou. "Sim, acho que vou me deitar um pouco...".
Ele levantou de modo trêmulo da mesa e vagou quase incertamente para fora da sala. Eu desviei os
olhos para Edward e Elizabeth, que estavam com expressões de preocupação idênticas.
"Talvez eu deva ir cuidar dele", Elizabeth disse, colocando de lado seu guardanapo. Ela moveu-se
calmamente da mesa, mas era fácil ver o pânico em seus olhos. O pânico que estava se espalhando
rapidamente pelo meu corpo. Eu olhei para o Edward, que agora me olhava.
"E se chegar aqui?", eu terminei, já chegando àquela conclusão. "Eu vi uma pessoa desmaiar hoje no
mercado. Ele estava muito fraco para ficar em pé...".
Sua garganta ficou tensa enquanto ele engolia com dificuldade. "Eu acho que você deve deixar a cidade
por uns tempos, Bella. Não quero arriscar você pegando isso".
"Não sem você", eu argumentei, sabendo que ele nunca deixaria seus pais nesse momento.
"Não posso – sou necessário aqui, Bella". Seus olhos imploravam comigo, mas eu não podia dar o que ele
queria dessa vez.
"Se você ficar, então significa que também sou necessária aqui. Não vou te deixar agora. E me importo
com seus pais também – sou parte dessa família, não sou? Eu não vou fugir agora".
Edward suspirou, sua expressão era de dor. "Sabia que você não ia concordar, mas tinha que perguntar
mesmo assim. Mas Bella, se lhe acontecer alguma coisa...".
"Quieto agora", eu disse, pegando sua mão do outro lado da mesa. "Vamos passar por isso juntos". Eu
lhe dei um sorriso tranquilizador que eu não sentia, mas seus ombros relaxaram de qualquer maneira.
Talvez eu tenha me tornado uma mentirosa melhor desde que vim para o passado.
Eu não queria nada mais que me atirar em seus braços e chorar, mas dessa vez eu tinha que ser a forte
e abnegada. Edward não poderia saber o quão ruim isso iria ficar, e eu não podia deixar meus medos me
dominarem. Existia a possibilidade que todos nós sucumbíssemos à gripe – eu não tinha garantias que
também não seria vítima. Mas eu tinha que fazer o meu melhor para cuidar do Edward agora; poderia
me preocupar comigo mais tarde.
CAPÍTULO 18
Edward e eu ficamos na sala a noite inteira, escutando a tosse seca e densa do seu pai no andar de
cima. A preocupação se instalou como um peso morto no meu estômago, dificultando que eu respirasse
apropriadamente. Edward segurava com força minha mão na sua, apertando muito meus dedos, mas eu
nunca pedi para que ele largasse.
Elizabeth estava fazendo a cozinheira trabalhar em dobro preparando sopa e chá, apesar das duas coisas
não estarem ajudando muito. A criada subia e descia afobada a escada com compressas frias e o que
mais fosse pedido. Eu gostaria de ajudar, mas minha falta de jeito excessiva não tinha me dado muito
preparo para lidar com doenças... e não parecia ter muito o que fazer, de qualquer maneira. Nós só
podíamos esperar, e isso era lancinante.
Eu podia dizer pelas ocasionais aparições de Elizabeth que estava ruim, muito ruim. Seu rosto estava
contraído e preocupado – apavorado, mais aproximadamente. Isso deixou o Edward assustado, eu podia
dizer, e eu queria assegurá-lo que tudo ficaria bem – mas eu não queria mentir para ele. Melhor que ele
enfrentasse a verdade agora e sofresse menos depois.
"Ele está delirando muito", ela nos contou, limpando a testa com as costas da mão. "Mas ele fica
chamando por você, Edward. Vá vê-lo agora. Acho melhor eu chamar o médico...".
Edward relutantemente soltou minha mão e subiu as escadas. Ele estava todo tenso de medo. Imaginei o
que seu pai diria a ele, isso se ele estivesse coerente.
Enquanto isso, Elizabeth caminhou até o telefone na sala de estar e começou a discar. Eu até sugeriria
que ela ligasse para o Carlisle, mas ele estava no hospital, e eu não sabia o número do telefone de lá.
Porém eu duvidava que o Carlisle pudesse fazer muita coisa, por mais que fosse um médico brilhante. A
doença avançava rápido demais.
O médico concordou em vir imediatamente. Evidentemente, ele tinha lidado com ligações desse tipo o
dia todo, e eu não invejava seu trabalho no contexto atual. Depois de desligar o telefone, ela se sentou
ao meu lado no sofá, onde Edward ficou a noite inteira. Eu não sabia o que possivelmente poderia dizer a
ela que seria reconfortante de algum jeito, então sentamos em silêncio. Seus olhos estavam atordoados,
olhando vidrados para algo que eu não conseguia ver, e eu duvidava que ela tinha percebido que eu
estava ali.
Aproximadamente dez minutos depois, Edward desceu. Seu rosto estava pálido e horrorizado; eu queria
correr até ele, mas na sua condição, eu achei melhor esperar ele vir até mim. Assim que Elizabeth
percebeu que ele tinha retornado, ela se apressou em subir as escadas e voltar para ficar ao lado do seu
marido.
"Edward?", eu peguei sua mão novamente quando ele retornou a seu lugar ao meu lado. Eu vi o leve
traço de lágrimas no seu rosto, e meu estômago apertou dolorosamente. Eu nunca tinha visto o Edward
chorar e nunca queria ver também.
"Foi horrível", ele disse com a voz baixa e áspera, evitando meus olhos. "Ele mal sabia onde estava, eu
podia dizer, e depois ele começou a tossir sangue... sangue, Bella. Ele me disse adeus. Eu acho... eu
acho que ele está morrendo".
Então ele se virou na minha direção, e eu instantaneamente o abracei enquanto ele desabou contra
mim. Silenciosamente ele sacudiu com soluços fortes, e eu podia sentir suas lágrimas penetrando o
tecido sobre meu ombro. Isso era a pior coisa do mundo. Nunca me senti tão impotente antes, nunca me
senti tão inconsolável com uma única visão. Isso era pior que o Edward me deixando, pior do que vi em
seus olhos quando chorei a noite inteira pelo Jacob... essa era a dor do Edward, e eu não podia fazer
nada a não ser abraçá-lo.
Eu pensei nas vezes que o Edward me viu chorar, as coisas que ele fez para me acalmar, e tentei igualar
isso ao melhor das minhas habilidades. Eu sei que não fiz tão bem quanto o Edward enquanto passava
meus dedos por seu cabelo e acariciava suas costas em pequenos círculos. Não era possível que o
murmúrio baixo da minha voz, enquanto eu sussurrava as coisas típicas para ele, era tão calmante
quanto o timbre musical das palavras do meu Edward... mas eu fiz o meu melhor, e eventualmente ele
ficou quieto em meus braços.
"Me desculpe, Bella", ele suspirou por fim, se afastando. "Eu devia ser forte...".
"Besteira", balancei a cabeça, não deixando que ele saísse do meu abraço por completo. "Você não
precisa ser forte comigo".
Ele suspirou, sem sorrir, mas seus olhos eram suaves. "Você é minha força, Bella. Eu sei que seria
melhor se você estivesse longe de tudo isso, mas... estou contente por você estar comigo, independente
disso".
Ele me beijou gentilmente – tão gentilmente que por um momento pensei que era o meu Edward me
segurando como uma estatueta de vidro – e então ele me puxou, me segurando contra seu peito. Eu
estava contente por estar aqui, contente por deixar o Edward ter o que precisasse nesse momento. Eu
não me mexi novamente até que a campainha tocou.
Era o mínimo que podia fazer para me sentir útil, mas Edward me seguiu mesmo assim, ficando perto
protetoramente.
Um homem baixo e calvo, que parecia ter uns cinquenta anos, estava parado do outro lado da porta.
Óculos pousavam em seu nariz e ele segurava uma mala preta de medicamentos em uma das mãos. Eu
quase ri – ele era igualzinho àqueles médicos antigos de cidade fazendo uma consulta em casa.
"Sim, claro, por aqui", eu disse, o levando até as escadas. Edward fechou a porta quando ele entrou e
nos seguiu, mas ele se movia desatento, como se não soubesse exatamente onde deveria estar. Eu
conhecia o sentimento.
"Aqui", gesticulei indicando a porta fechada do quarto dos Masen. Ele bateu e entrou; achei melhor levar
o Edward de volta para baixo, para longe de mais alguma visão dolorosa.
"Odeio isso", ele resmungou quando estávamos parados no saguão. "A espera. Eu queria poder pelo
menos fazer alguma coisa".
"Eu sei", disse com simpatia. "Também me sinto assim. Talvez você deva tentar dormir. Está tarde, e
você teve um longo dia. Deve estar exausto. Vou ficar acordada – te acordo caso aconteça algo".
"Não", ele balançou a cabeça. "Estou muito ansioso para dormir. Mas você devia dormir, Bella. Você está
com olheiras".
Seus dedos traçaram a mancha escura enquanto seus olhos estudavam meu rosto com preocupação.
"Como se eu pudesse te deixar acordado sozinho e esquentando", eu zombei, forçando um sorriso pela
milionésima vez naquele dia.
"Acho que voltamos a esperar então", Edward suspirou, me puxando de volta a sala de estar.
Envolvidos no sofá, nós esperamos por horas. Eventualmente o médico desceu as escadas e saiu
sozinho. O sono irresistível às vezes me forçava a cochilar levemente, mas eu acordava a cada poucos
minutos, descobrindo que os ponteiros do relógio mal tinham movido.
Lá pelas três horas da manhã, fui sacudida de volta à consciência pela voz de Elizabeth chamando
freneticamente pelo Edward. Eu lutei para levantar e permitir ao Edward liberdade para se mexer. Ele
estava quase fora da sala antes que eu estivesse inteiramente consciente, e subi as escadas atrás dele.
Edward e sua mãe estavam dentro do quarto de seu pai. Eu não conseguia ver nada através da fresta
deixada na porta, mas podia escutar a respiração pesada e forçada de seu pai, a tosse curta e seca... e
acho que consegui ouvir o som doloroso e devastador de quando a respiração parou.
Cai fracamente contra a parede quando escutei o choro agonizado e cortante de Elizabeth. Isso era
horrível. Comparado a esse momento, eu ficaria grata em ficar mais uma vez fora da batalha contra os
recém-criados. Eu assistiria o Edward lutar contra cem vampiros, correria por aquela praça em Volterra
por mil vezes, a ter que enfrentar esse momento de ver a história desenrolar exatamente do jeito que eu
conhecia e ver outros sofrerem. Eu era completamente incapaz de ajudar, incapaz de ser o conforto que
Edward e Elizabeth iriam precisar.
Eles saíram juntos um momento depois. Edward guiava sua mãe com um braço em volta dela; ela
parecia perturbada demais para ficar em pé. Enquanto ela chorava inconsolavelmente, Edward estava
branco como a morte, abalado além das lágrimas. Senti meus próprios olhos lacrimejarem
involuntariamente.
"O que posso fazer?", perguntei de modo trêmulo, mantendo minha voz suave como se uma palavra
muito alta faria com que um deles desabasse.
"Diga aos criados", Edward respondeu suavemente por sua mãe. Eu não tinha certeza se ela tinha me
escutado. "Eles vão começar a arranjar as coisas".
Eu não hesitei em consentir. Por mais que eu quisesse oferecer conforto ao Edward, eu sabia que sua
mãe e ele precisavam um do outro agora, precisavam dividir o pesar de perder uma pessoa que amavam
profundamente. Meu papel era tornar isso o mais fácil possível.
As três criadas da casa estavam sentadas juntas na cozinha, conversando rapidamente em sussurros.
Elas pararam abruptamente quando me ouviram entrar, os olhos cheios de expectativas. Eu estremeci.
"O Sr. Masen... ele faleceu", eu soltei, não sabendo como dar a notícia. "Eu não sei o que devo fazer...".
A cozinheira, Mary, levantou e me conduziu para fora da cozinha. "Vamos ligar no escritório do médico-
legista. Você toma conta da patroa e do Edward".
Eu não sabia o que podia possivelmente fazer, mas voltei cautelosamente para a sala de estar, de
qualquer forma, onde Edward ainda estava tentando consolar sua mãe. Partiu meu coração vê-la desse
jeito. Ela parecia tão perdida, como se não soubesse como viver agora que a parte central de sua vida
tinha desaparecido.
Edward me olhou desamparadamente, mas eu não tinha respostas para ele. Quando ele esticou o braço
pedindo por minha mão, eu a ofereci alegremente e não a larguei por um longo tempo.
Algum tempo depois, um homem chegou com uma carroça para levar o corpo. Um enterro normal seria
impossível sob essas circunstâncias – devido à rapidez que a doença se espalhava, era imperativo
descartar os restos mortais imediatamente, por mais difícil que isso fosse para os sobreviventes da
família.
Depois dessa provação, Edward e eu convencemos Elizabeth a descansar um pouco no quarto vago que
a criada tinha preparado. As criadas esperaram até que ela estivesse acomodada para começarem a
tirar as roupas de cama do quarto principal; me perguntei se elas iriam fervê-las ou queimá-las.
Edward e eu fomos para a cama separadamente, mas essa noite, eu fui até seu quarto. Eu não tinha
certeza se ele ia me querer por perto, se preferiria se isolar em seu luto, mas eu arriscaria.
As luzes estavam apagadas em seu quarto, mas ele nem tinha trocado de roupa para dormir ainda. Ao
invés disso, ele estava sentado na beira da cama, a cabeça entre as mãos, quase tão imóvel quanto o
vampiro que se tornaria.
Fechei a porta suavemente ao entrar e me aproximei. Quando minhas pernas encostaram nas dele,
finalmente ele olhou para cima. Um instante depois, seus braços me envolveram fortemente, me
segurando pela base das costas enquanto sua bochecha pressionava no meu estômago. Minhas mãos
foram para seu cabelo; toque era a única maneira que eu sabia que podia confortá-lo.
"Por que isso está acontecendo?". Sua voz estava cortada. "Apenas há doze horas atrás, a vida parecia
perfeita. E agora...".
Eu formulei as palavras com cuidado na minha cabeça, esperando que elas fizessem sentido para ele
como faziam para mim. "Eu acho que às vezes, o destino tem algo maior planejado do que a maioria de
nós consegue ver, e às vezes essas coisas que parecem tão injustas e tão erradas podem servir a um
propósito maior".
Os dedos do Edward flexionaram e apertaram minha pele em um gesto que não entendi. Eu podia sentir
seus lábios mexendo contra minha camisola enquanto ele murmurava, "Eu não gosto muito da ideia de
ser um brinquedo nas mãos do destino".
"Não, eu também não gosto", eu concordei. Eu não gostava nem um pouco do que o destino tinha me
confiado nesse momento. Mas se ele tinha me mandado aqui para o Edward, eu alegremente faria
qualquer coisa ao meu alcance para ajudá-lo. "Mas eu gosto de pensar que o destino nunca nos força a
fazer a coisa errada. Nós temos poder sobre nossas escolhas, pelo menos".
"E se não tiver uma escolha a ser feita?", Edward perguntou, me olhando desesperadamente. "E então?".
Eu sorri tristemente. "O que quero dizer é que... não importa quão ruim sejam as coisas e não importa o
que nos seja tomado, nós podemos nos consolar com o fato que fizemos o melhor que podíamos".
"Isso é quase um consolo". Ele me soltou com um suspiro. "Você ficaria comigo essa noite?".
Esperei por ele embaixo das cobertas enquanto ele tirava sua camisa e calças, e veio para a cama
apenas de shorts. Sua audácia me intrigou, mas não o questionei quando ele me apertou fortemente
contra seu peito. Me ocorreu que o sentimento de perda talvez o deixasse com medo do que mais ele
poderia perder, e simpatizei com esse medo.
Na minha mente, escutei a melodia delicada da canção de ninar do Edward, a cantiga que tantas vezes
me fez adormecer. Inspirada, comecei a cantarolar. Minha voz parecia pesarosamente inadequada, mas
Edward não pareceu se importar. Enquanto a música se perdia na escuridão, ele gradualmente entrou
em um sono tranquilo, relaxando seu aperto em mim. Era o máximo que eu podia fazer por ele.
CAPÍTULO 19
Eu acordei tarde no dia seguinte; o quarto estava claro com o sol da tarde. Por um momento eu não me
mexi, aconchegada e confortável como estava na curva do braço do Edward. Seu peito se movimentava
abaixo de mim, erguendo-se suavemente com cada respiração, e seu coração batia fortemente. Naquele
momento, o sentindo quente e saudável ao meu lado, nada parecia tão ruim.
Quando levantei minha cabeça, eu vi que ele estava acordado, me observando. Eu ofereci um leve
sorriso enquanto estudava rigorosamente seus olhos verdes, querendo guardar a tonalidade exata na
minha memória.
Edward tinha outras idéias. Ele pegou meu rosto entre suas mãos e me puxou para um beijo urgente.
Pela primeira vez, ignorei minha regra do hálito matinal – ele tinha minhas falhas humanas também,
afinal de contas – e movimentei meus lábios ansiosamente contra os dele.
Ele nos rolou, me prendendo embaixo dele conforme seu beijo foi aumentando de intensidade, sua
língua entrando em minha boca. Nossa respiração se misturou calorosamente enquanto seu corpo se
movia contra o meu, e eu correspondia desamparadamente. Meu corpo agia com as agudas demandas
do meu coração, que reconhecia no Edward seu verdadeiro par.
Eventualmente ele se afastou para respirar, os olhos muito brilhantes, e seus polegares continuaram a
acariciar a linha do meu maxilar. "Sinto muito – eu precisava te sentir aqui", ele respirou. Seus dedos se
entrelaçaram no meu cabelo, livre de sua prisão usual de grampos.
"Não se desculpe por isso", eu sussurrei em resposta. "Fui feita para ser o que você precisar".
"Então é assim que você faz isso tão facilmente", ele sorriu, massageando meu couro cabeludo
suavemente. Era difícil não ronronar em deleite.
"Eu amo você". Parecia ser a única coisa apropriada a ser dizer no momento, e mesmo assim, não era
nem de longe suficiente.
Ele suspirou em contentamento e sorriu enquanto acariciava minha bochecha com a ponta do nariz.
"Você não faz idéia de como essas três palavras me fazem sentir. É como se nada pudesse estar
completamente errado enquanto você me amar".
Nós ficamos deitados aconchegado um no outro por mais alguns minutos antes de eu achar que
deveríamos levantar.
"Talvez eu devesse ver como sua mãe está", sugeri. Eu não sabia por quanto tempo os sintomas da gripe
levavam para aparecer, mas se ela era a próxima...
"Ela iria gostar disso", Edward concordou. "Eu me preocupo com ela... ela parecia tão perdida ontem a
noite. Eu não sei como ela vai se recuperar. Eu não sei como vou lidar com tudo isso, para dizer a
verdade... tem os negócios do meu pai para considerar, todas suas obrigações...".
"Ei, ei", eu o acalmei, retirando seu cabelo da testa. "Não se estresse. Você só pode fazer uma coisa de
cada vez, então não adianta se preocupar com isso antes da hora certa. Por agora, vamos nos preocupar
com as necessidades básicas. Nós perdemos o café da manha e o almoço, pelo que parece. Vou verificar
como sua mãe está e encontrar algo que possamos comer".
Ele riu, um som trêmulo de alívio e tranquilização. "Você é um milagre, Bella. Como consegui um dia
viver sem você?".
"Esse é um dos maiores mistérios do mundo, eu suponho", eu caçoei, saindo de seu abraço e vestindo
meu robe. "Você se troque e se lave. Te encontro lá embaixo".
"Claro".
Me troquei rapidamente e depois fui espiar dentro do quarto que Elizabeth tinha usado. Ela ainda estava
dormindo, seu rosto esboçando a exaustão da noite anterior. Decidi deixá-la descansar um pouco mais.
Eu lembrava, do tempo que o Edward tinha me deixado, como a inconsciência podia ser reconfortante
quando o mundo não era um lugar agradável.
Lá na cozinha, encontrei Mary debruçada em cima de uma tigela de batatas que ela estava tentando
descascar.
"Você chegou a dormiu um pouco?", eu perguntei, retirando com cuidado a faca dela, antes que ela
sofresse um acidente caso cochilasse.
"Não muito", ela admitiu. Enquanto todos as criadas obedeciam a um código de formalidade estrita com
a família, eu era tratada com um pouco menos, o que não me incomodava exatamente.
"Você devia ir dormir um pouco. A Sra. Masen ainda nem está acordada. Eu posso cozinhar por você.
Você não tem utilidade exausta desse jeito".
Mary hesitou por um momento antes de levantar depressa da cadeira. "Ah, obrigada. Tenho que admitir
que duvidei de você no começo. Mas estou contente que você está aqui agora".
"Obrigada... eu acho", eu murmurei enquanto ela se apressou em sair do cômodo. Deixada sozinha na
estranha cozinha, eu fiz o melhor que pude com o que tinha. Eu quase coloquei fogo na casa ligando o
fogo, e eu queimei algumas coisas tentando me ajustar a cozinhar em cima das chamas.
"Você está cozinhando?", ele notou com surpresa. "Onde está a Mary?".
"Eu a mandei dormir. Temo que esteja preso com meus dotes culinários por hoje", o informei, lhe
entregando um prato de batatas fritas. "Desculpa, tenho recursos limitados".
Depois de deixar o Edward com um prato de comida, eu preparei uma bandeja para levar à Elizabeth,
junto com um bule de chá. Por alguma razão, chá parecia ser a bebida mundial do conforto.
Quando entrei no quarto pela segunda vez, ela se mexeu, piscando contra a luminosidade da tarde. Ela
não disse nada, mas sorriu agradecida quando coloquei a bandeja na mesa de cabeceira.
"Eu não tenho certeza se você vai gostar da comida", eu disse nervosamente, insegura e agindo de
maneira cuidadosa ao sentar na beirada da cama. "Eu cozinhei para que Mary pudesse dormir um
pouco...mas espero que esteja boa. Se você precisar ou quiser algo, por favor me avise. Eu quero
ajudar".
Elizabeth sorriu – mas ele não atingiu seus olhos – e deu tapinhas na minha mão. "Você é uma boa
menina. Eu acho...eu gostaria de ficar um pouco sozinha hoje. É difícil para mim aceitar o que – o que
aconteceu. Eu sei que nem preciso pedir, mas você cuidaria do Edward? Eu não acho que consigo ser o
que ele precisa nesse momento...mas você pode".
"Eu farei o meu máximo", eu prometi, sentindo lágrimas formarem em meus olhos.
"Obrigada". Sua voz estava ofegante com uma mistura de esforço e alívio.
Quando voltei para baixo, eu vi que o Edward já tinha terminado de comer e tinha saído. Faminta de
repente, eu tirei um minuto para me alimentar antes de sair procurando-o pela casa.
Ele não estava em nenhum dos cômodos principais, ou em seu quarto. Eventualmente, eu o encontrei no
escritório de seu pai, arrumando os conteúdos das gavetas da mesa. Seus olhos estavam atormentados
quando ele olhou para cima quando me escutou entrar.
"Os criados cuidaram de tudo urgente, mas todas suas coisas... eu não entendo metade desses papéis.
Seu testamento, suas contas bancárias... eu não sei onde está nenhuma dessas informações".
Eu me aproximei cuidadosamente, não querendo desarrumar nenhuma das pilhas que ele criou ao seu
redor, e estiquei minha mão para tocar seu rosto. Ele fechou os olhos e suspirou.
"Lembra do que falei? Uma coisa de cada vez", eu disse, olhando para a bagunça ao redor. "Nós vamos
fazer o que pudermos com o que entendermos e vamos encontrar alguém para nos ajudar com o que
não entendermos. Talvez Car- Dr. Cullen possa nos ajudar. Ele entenderia algumas coisas de finanças,
pelo menos".
Nós passamos o resto do dia no chão do escritório, olhando papéis e livros de contabilidade e tudo o
mais que estava ali. Em certo ponto, nós achamos o testamento de seu pai e a informação sobre as
contas bancárias, o que foi um alívio para o Edward, sabendo que ele e sua mãe teriam como se
sustentar. Vez e outra nós achávamos outros objetos, sem relação com negócios – o cachimbo de seu
pai, um estranho elefante deformado que o Edward tentou entalhar quando criança depois deles terem
visitado o circo. Eu escutei as histórias do Edward sobre esses itens com extasiada atenção – enquanto
isso fazia parte do processo de luto para ele, eu estava sugando conhecimento sobre sua infância.
Quando terminamos, eu senti como se tivesse sido apresentada a um Edward totalmente novo...mais
uma vez.
Mary acordou para cozinhar um jantar tardio, ainda bem. Embora Edward tivesse elogiado minha
comida, eu não imaginava que alguém sabia bem o que pensar dos meus pratos. Comida do futuro, eu
chamava assim. Coisas que eles nunca tinham sido apresentados. Eu levei outra bandeja para Elizabeth
e a encontrei basicamente igual a como estava mais cedo. Imaginei se ela voltaria ao seu normal,
calorosa e animada, um dia... e depois me ocorreu que ela não teria tempo de se recuperar desse
sofrimento. Com esse pensamento, eu não consegui evitar que as lágrimas fluíssem. Ainda bem que o
Edward tinha uma boa razão para confundir minha aflição, e me abraçou sem fazer perguntas.
O dia seguinte seguiu sem grandes mudanças. Edward e eu passamos a manhã terminando as coisas no
escritório. Nós decidimos deixar tudo que não sabíamos o que fazer para outro dia, e depois do almoço
fomos descansar na sala de estar. Elizabeth finalmente saiu de seu quarto e se juntou a nós por um curto
período, mas ela não disse muita coisa. Na maior parte, ela olhou para o nada, apesar dela segurar um
livro na sua frente, e depois do jantar, ela se recolheu novamente.
Edward parecia estar melhor, mas eu não conseguia relaxar completamente. Eu sabia que era apenas a
calma antes da tempestade.
Na manhã seguinte, eu acordei com o Edward levantando da cama. Eu estiquei o braço em sua direção,
tentada em puxá-lo de volta para mim.
"Eu vou ver como minha mãe está essa manhã", Edward explicou, apertando minha mão. "Eu sinto
como...se devesse estar fazendo mais por ela".
"Não Edward, não se sinta culpado", argumentei imediatamente. A tendência do Edward de se culpar por
tudo era certamente um de seus traços inatos. "Eu não acho que tenha algo que qualquer pessoa possa
fazer. Ela só precisa de tempo".
"Eu sei", ele reconheceu tristemente. "Eu só posso imaginar como seria se...bem, eu não posso imaginar.
Talvez esse seja o objetivo".
"Não estou te entendendo", admiti, sentando para assistir sua aflição. Eu gostava do movimento
desajeitado dele colocando sua camisa e o ato engraçado de equilíbrio enquanto ele colocava as calças.
Ele mordeu o lábio e seu olhar caiu intensamente em mim. "Estou falando sobre perder a pessoa que
amamos. Eu não sei como seguiria em frente...".
"Oh". Foi quase um sopro de ar. "Eu sei o que você quer dizer".
Ele terminou com os botões e sorriu quase saudosamente para mim. "Te vejo lá embaixo quando estiver
pronta". Ele inclinou sobre a cama para me beijar. Eu o segurei por mais tempo do que ele pretendia
ficar, pressionando meus lábios firmemente contra os dele. Eu precisava que ele sentisse o quanto o
amava; parecia especialmente importante hoje por algum motivo.
Quando ele se afastou, estava sorrindo. "Se toda manhã puder ser desse jeito, nunca vou reclamar".
Eu o vi partir com uma sensação apreensiva, mas me livrei disso, sabendo que me sentiria melhor
quando estivesse com ele novamente. Eu desci da cama como sempre e peguei meu robe. Eu mal o
tinha amarrado quando a voz do Edward chamou por mim, seu tom agudo e frenético.
Sabendo na boca do estômago o que estava vindo, eu corri em direção ao som. Edward estava no quarto
de sua mãe, debruçado sobre ela. De alguma forma, ela não tinha acordado com o grito do Edward, e eu
percebi com horror que ela estava corada e encharcada de suor. Eu olhei para o Edward, afetada
dolorosamente pelo nítido pânico em seu rosto.
"Eu não sei o que fazer por ela", ele falou com a voz baixa e áspera. Eu vi a compreensão em seus olhos
que ela estava sofrendo a mesma doença que tinha matado seu pai, a compreensão que ela poderia
morrer também. Eu queria abraçá-lo, mas agora não era o momento.
Edward assentiu, tentando parecer calmo, embora eu soubesse que ele não estivesse. "O hospital. Certo,
essa é uma boa idéia. Eu vou...vou chamar as criadas para me ajudarem a levá-la até o carro para que
você termine de se arrumar".
Eu concordei e fui até meu quarto vestir com dificuldade meu vestido de costume. Meus dedos estavam
tremendo e era difícil fechar os botões, mas de alguma maneira eu consegui. Antes de sair, eu verifiquei
os bolsos, me certificando que os anéis que vieram comigo do futuro ainda estavam ali. Eu não queria
arriscar perdê-los nesse tempo.
"Bella!", Edward correu na minha direção assim que apareci. "Mary também está doente. Hannah está
ajudando ela...você pode ir até elas? Vou levar minha mãe para fora...".
"Claro", eu concordei, já descendo as escadas correndo. Meu estomago remexia com meu pânico. No
meu medo por Edward e sua família, eu nunca considerei que as criadas pudessem ficar doentes
também. Eu senti lágrimas escaparem pela mulher com quem eu tinha formado uma certa amizade, mas
não havia tempo para tomar conhecimento da dor.
Lá embaixo no quarto da Mary, a arrumadeira Hannah tinha sentado a Mary e a estava enrolando num
xale. Os pobres olhos da cozinheira estavam vidrados de febre.
"Nós precisamos levá-la até o carro para levá-la ao hospital junto com a Sra. Masen", eu disse enquanto
me espremia para entrar no pequeno quarto. "Você consegue me ajudar a carregá-la?".
Foi preciso um manejo difícil, e Mary estava sem condições de ajudar, mas nós conseguimos meio guiar,
meio carregar ela até o carro, onde o Edward tinha enrolado sua mãe no banco traseiro. Ele estava
inquieto do lado de fora no lado do motorista.
Assim que colocamos Mary no banco traseiro, eu pulei no banco do passageiro. Edward já tinha ligado o
veículo, pronto para partir, e nós saímos em direção ao hospital. O carro não corria o bastante para o
gosto do Edward, e nós éramos obstruídos ocasionalmente por carroças puxadas a cavalo e por
enlutados aflitos. A cidade estava claramente em pânico, e era muito mais aterrorizador que qualquer
suposto mostro que eu tinha enfrentado. Pelo menos vampiros podiam matar de maneira rápida e
indolor.
Do lado de fora do hospital tinha uma multidão – pessoas saudáveis, pelo que parecia. Eu percebi,
conforme algumas delas imploravam com um homem bloqueando a porta, que eles estavam tentando
entrar para visitar seus entes queridos.
"Sinto muito, está simplesmente cheio demais", o homem dizia, balançando a cabeça. "Nós estamos
ficando sem camas; não tem espaço para todo mundo ficar parado atrapalhando!".
"Espere aqui", Edward gritou por causa do barulho da multidão antes de sair do carro. Eu o observei
andar por entre as pessoas, o perdendo por um momento antes dele aparecer novamente lá na frente.
Ele falou rápida e calmamente com o homem na porta e lhe foi permitida passagem. Minutos depois, ele
voltou com um jovem médico de cabelo cor de areia. Eu fui instruída a esperar do lado de fora mais uma
vez enquanto o Edward carregava sua mãe e o médico carregava Mary. Nenhuma das duas tinha forças
para andar. Era de partir o coração ver o Edward lutar contra o peso; ele era muito mais fraco do que eu
estava acostumada, e isso só enfatizava sua vulnerabilidade.
A multidão se separou quase que imediatamente quando perceberam que mais pessoas doentes
estavam sendo carregadas. Alguns cobriram os rostos com suas mangas, como se isso fosse impedir que
eles pegassem a doença também. Eu não sabia porque eles achavam que estar dentro do hospital com
centenas de pessoas doentes seria seguro.
Edward voltou vários longos minutos depois sozinhos, com o rosto calmo e vazio. Eu o olhei com
preocupação.
"Eles não permitem que ninguém fique com ela", ele disse sem parecer acreditar. "Eu posso voltar para
vê-la uma vez por dia, mas é só isso. E se – e se ela...".
"Eu sinto muito Edward", eu sussurrei, jogando meus braços ao seu redor. "Mas ela é forte. Ela vai
aguentar por você".
"Eu espero que você esteja certa", ele disse derrotado no meu ombro. "Eu não posso perdê-la também".
Enquanto nos abraçamos no pequeno banco dianteiro do carro, eu o acompanhei lágrima por lágrima.
CAPÍTULO 20
Se eu soubesse exatamente como mexer no carro antigo, eu teria insistido em dirigir de volta para casa.
No momento, eu não tinha certeza sobre o estado emocional do Edward. Ele não tinha dito uma palavra
desde que tínhamos saído do hospital.
Contudo, chegamos inteiros em casa. Edward se movia devagar, como se estivesse em transe. Eu andei
cautelosamente atrás dele enquanto entrávamos na casa, e ele subiu as escadas. Eu não tinha certeza
se ele queria que eu fosse junto, mas o segui até seu quarto de qualquer maneira. Imediatamente, ele
sentou na cama e enterrou o rosto nas mãos como fazia toda vez que estava chateado.
"Edward?".
Quando ele me olhou, seus olhos estavam assombrados. "Estou com medo, Bella".
Essa admissão abriu a comporta entre nós. Eu fui até ele sem pensar, passando meus braços em volta
do seu tronco enquanto caia ao seu lado na cama. "Eu sei. Também estou com medo".
Ele me abraçou tão forte que estava difícil respirar, mas eu o apertei mais forte mesmo assim, passando
minhas mãos por suas costas em um gesto que era um pouco agitado demais para ser tranquilizador.
"Nós ainda temos um ao outro, Edward. Vai ficar tudo bem". Eu tive que pensar muitos anos no futuro
para tornar essa afirmação verdadeira.
"E se não ficar?". Seus lábios roçaram meu pescoço, aonde ele enterrou sua cabeça, enquanto ele falava.
"Eu não posso perder você também...só o pensamento já é insuportável. E se alguma coisa acontecer
comigo? Quem vai cuidar de você?".
"Shh", eu o silenciei, passando meus dedos por seu cabelo desarrumado. Ele nem teve tempo de penteá-
lo essa manhã. Eu não conseguia pensar em deixa-lo agora. Talvez eu conseguisse voltar para o meu
Edward, mas ele teria que esperar oitenta e sete anos para me alcançar. Não parecia justo que ele
tivesse que experimentar os longos anos de solidão...mas nada disso um dia foi justo com ele.
"Não pense nisso", eu lhe disse. "Não podemos nos preocupar com coisas que não podemos controlar.
Isso vai nos deixar loucos".
"Eu sei que você está certa, mas eu não consigo evitar", ele disse desolado. Ele se afastou apenas o
suficiente para me olhar nos olhos. "Não consigo parar de pensar nisso".
"Então não pense", eu disse impulsivamente, segurando seu rosto entre minhas mãos, me forçando a
continuar olhando nos seus olhos cheios de dor. "Apenas sinta. Foque no aqui e agora".
E o beijei do jeito que sempre tentei beija-lo e falhei no meu tempo – jogando toda minha força, todo
meu pensamento, todas as minhas emoções nessa experiência.
Ele correspondeu prontamente, enterrando suas mãos no meu cabelo que ainda estava solto. Sua boca
abriu sob a minha, quente e condescendente. Eu entrelacei minha língua com a dele, mesmo enquanto
ele me empurrava para deitar na cama. Seu corpo se acomodou em cima do meu, um peso quente que
nos pressionava juntos. Eu podia sentir ele por inteiro, desde suas coxas até seu peito, se encaixando a
mim como uma peça de quebra-cabeça.
Suas mãos, pela primeira vez, começaram a passar ansiosas pelo meu corpo, deslizando pelos meus
lados, traçando em volta dos meus seios. Ele se afastou da minha boca, ofegando.
"Bella – eu – isso está...?".
"Não pare", eu disse simplesmente. Eu podia ser a eloquente pelo menos uma vez. Para enfatizar minha
fala, eu trouxe sua boca de volta a minha para outro beijo desesperado. Eu não iria parar por nada no
mundo; eu tinha decidido. Se meu tempo com esse Edward humano estava se esgotando, eu iria
aproveitar o máximo que podia.
Seus lábios se moveram até meu maxilar, acariciando a linha dos meus lábios até minha orelha, e ele
finalmente se atreveu a tocar meus seios. Eu gemi automaticamente enquanto seus polegares passaram
pelos meus mamilos enrijecidos. Ele gemeu, o som esvoaçando num ar quente contra minha pele. Eu
queria sentir isso de novo e de novo. Eu queria que a sensação de todo suspiro, todo gemido, ficasse
comigo para sempre. Eu queria conhecer cada centímetro dele e gravar isso na minha memória por toda
a eternidade.
Eu acariciei seu rosto enquanto continuamos a nos beijar, traçando todo ângulo. Meus dedos trilharam
até seu pescoço longo, pausando sobre sua pulsação que disparava como a minha. Eu sorri
involuntariamente e continuei até a linha macia da sua clavícula, seus ombros fortes, a extensão plana
do seu peito. Eu movi minhas mãos até os botões de sua camisa e os abri um por um, o mais rápido que
consegui com meus dedos trêmulos. Era como a primeira vez tudo de novo.
Seus olhos perfuraram intensamente nos meus quando abri o último botão; eles queimavam de desejo.
Eu coloquei minhas mãos em sua pele quente e macia, percorrendo seu peito e abdômen, e ele arfou,
um som alto no quarto que antes estava silencioso. Era tão diferente do que eu conhecia, tão...inocente,
de um jeito. Pela primeira vez, eu realmente me senti como a tentadora que ele tinha me acusado de
ser.
Edward respondeu colocando a mão no meu tornozelo, apoiando seu peso com a outra. Seus dedos
roçaram tentadoramente a pele esticada de lá, e eu entendi naquele momento porque tornozelos um dia
foram considerados eróticos – eles inegavelmente eram. Ele subiu mais a mão, até minha panturrilha,
levando o vestido junto com ele. Minha respiração estava saindo entrecortada na hora que seu toque fez
cócegas atrás do meu joelho. Ele me deu um olhar questionador enquanto subia a mão pela parte
externa da minha coxa, finalmente roçando meu quadril. Você tem certeza? seus olhos perguntaram.
Como resposta, comecei a abrir a fileira de botões da frente do meu corpete. Eu senti como se estivesse
fazendo um tipo de strip-tease muito, muito fora de moda; ele assistiu totalmente fascinado enquanto a
camisa que estava por baixo foi lentamente aparecendo.
Eu sentei nos meus joelhos quando terminei e ergui meus braços no indicador universal que ele podia
tirar o meu vestido. Seu rosto estava tenso e iluminado de excitação, seus dedos tremiam quando ele
começou a puxar minha saia para cima. O material amontoou em suas mãos quando chegou no meu
quadril, e então começou a subir lentamente por meu torso, e finalmente por sobre minha cabeça. Eu
prontamente libertei meus braços.
O vestido caiu no chão com um whoosh, e Edward me olhou intensamente. Eu não sabia o que ele achou
tão cativante – ele já tinha me visto assim antes – mas eu aproveitei alegremente a oportunidade de
estudar a parte superior de seu corpo. Ele era menos musculoso que meu Edward, mas ainda assim
indescritivelmente bonito – só que agora apenas da maneira humana.
Eu estiquei os braços para tirar a camisa de seus ombros. Quando seus braços ficaram livres, ele me
puxou contra si. O calor de seu corpo penetrou pela fina camisa enquanto seus lábios roçavam
suavemente meus ombros e clavícula. Suas mãos queimavam contra minhas costas.
Eu suspirei de prazer enquanto explorava sua pele nua, desfrutando o flexionar de seus músculos
embaixo dos meus dedos. Ele era tão...vivo.
"Bella", ele respirou sobre minha pele como uma oração. Seus dedos dançavam sobre a barra da camisa,
e eu o deixei remover isso também. Por baixo, eu usava somente a calcinha um tanto complicada da
época; meus seios estavam despidos, expostos a sua visão. Espanto e fascinação passaram por seu
rosto, sua expressão de garoto enquanto encarava abertamente. Para ajuda-lo, eu trouxe uma de suas
mãos ao meu seio. Edward encontrou meus olhos nervosamente antes de cobri-lo gentilmente,
explorando a pele macia como se fosse uma ilha inexplorada. Minha pele queimava sob o toque
delicado. Eu senti um desejo imenso quando ele passou o polegar sobre meu mamilo. Eu precisava de
mais, e logo.
"Você é tão macia", ele maravilhou-se calmamente, percorrendo suas mãos até meu abdômen.
Eu podia ver em seus olhos que ele não sabia muito bem o que fazer em seguida, e para resolver seu
problema, eu movi novamente para entre seus braços. Nós dois arfamos com o toque de nossos peitos
nus, e nossos lábios se encontraram em puro instinto. Mais uma vez, eu me perdi. Eu respirei seu cheiro,
sabão perfumado misturado com suor e água-de-colônia. Isso encheu minha cabeça.
Suas mãos se moviam sem destino sobre minhas costas, e eu sabia que teria que guia-lo agora, por mais
que a perspectiva me assustasse. Eu movi minhas mãos entre nossos corpos para abrir o botão de suas
calças. No processo, eu acidentalmente esbarrei sobre sua ereção, e seu quadril se afastou em surpresa.
Eu coloquei minha mão mais determinadamente sobre a protuberância para ver como ele reagiria. Seu
sobressalto preencheu minha boca. Eu voltei ao botão e o abri. Antes de ir ao zíper, me afastei para olhar
em seus olhos – deslumbrados e ansiosos. Eu vi sua garganta flexionar ao engolir quando o barulho do
zíper abrindo encheu o quarto. Ele se libertou das calças incertamente, corando profundamente quando
o volume de seus shorts ficou a mostra. Eu virei meu rosto em seu ombro e beijei a pele macia, tentando
aliviar um pouco a pressão.
"Não tem do que se envergonhar", eu sussurrei. Senti seus dedos repousarem sobre minha bochecha,
acariciando amorosamente. Eu sorri.
"Você pode fazer o que quiser", eu adicionei enquanto deitava, puxando seu braço para traze-lo comigo.
Eu queria tranqüiliza-lo se possível, para permitir que ele aproveitasse isso plenamente. "Eu quero que
você me toque".
Sua língua apareceu para molhar seus lábios, e eu senti uma nova onda de desejo. Ele olhou
rapidamente para a minha última peça de roupa. "Posso?".
"Por favor", respondi, o observando desfazer as fitas nos lados da minha calcinha. Ele puxou a roupa de
baixo, me deixando exposta ao seu olhar. Novamente, sua garganta flexionou enquanto ele engolia
fortemente. Ele tentativamente colocou uma mão na parte interna da minha coxa e a moveu para cima.
Eu mal podia respirar enquanto esperava para ver se ele me tocaria onde eu mais queria que ele
tocasse. Ele tocou, acariciando tentativamente a pele sensível. O calor era surpreendente e maravilhoso.
Eu não tinha certeza se era melhor do que o toque frio que eu conhecia, mas decidi que não importava.
Desde que fosse do Edward.
Ele obviamente não sabia aonde tocar. Eu movi minha mãe e guiei cuidadosamente seus dedos até o
meu clitóris. "Bem aqui", eu sussurrei, já estremecendo com o primeiro toque. Ele acariciou gentilmente
o local, observando com fogo nos olhos enquanto eu gemia e tremia em prazer conforme o calor
aumentava em minha virilha. O jeito que ele me olhava era mais prazeroso do que qualquer outra coisa.
Seu rosto mostrava pura cobiça, desejo, necessidade. E eu retribuía inteiramente.
Eu tive o breve aviso dele lambendo seu lábio inferior em concentração antes de seus dedos curiosos
descerem mais e procurarem a minha abertura. Eu ofeguei quando um dedo me penetrou, remexendo
experimentalmente. Eu gemi por mais, mas ele parou abruptamente. Talvez fosse algo que ele viu nos
meus olhos vidrados, ou talvez um outro pensamento tenha ocorrido a ele. Qualquer fosse a razão, ele
moveu seu corpo sobre o meu e me beijou novamente, profunda e urgentemente. Eu me agarrei a ele,
deliciando-me com a sensação de estar nua em seus braços.
Apesar de não saber para o que ele estava preparado, eu comecei a desfazer os laços da sua roupa de
baixo mesmo assim. A impaciência estava ganhando da cautela. Edward a retirou quando eu terminei.
Eu não pude resistir espiar a sua ereção, elevada e corada. Meu corpo formigou com a expectativa de tê-
lo dentro de mim.
Ele me olhou com hesitação de novo, o rosto corado de vergonha. "Bella, tem mais alguma coisa que eu
deva...fazer por você? Eu não sei realmente como...como cuidar de uma mulher", ele falou
nervosamente.
Eu balancei minha cabeça rapidamente, sorrindo no que eu esperava ser uma maneira tranqüilizadora.
"Não, você foi maravilhoso. Vem aqui".
Ele moveu lentamente pelo meu corpo, parando quando estávamos cara a cara. Eu capturei seus lábios
com os meus, ainda sorrindo, e o puxei insistente para mais perto com minhas mãos na base de suas
costas. Sua ereção roçou meu sexo, e nós dois arfamos. Nossos olhos se fixaram e ele moveu-se para
frente dolorosamente devagar. Eu senti centímetro por deliciosamente quente centímetro, queimando
dentro de mim enquanto ele gemeu alto em êxtase.
"Bella, Bella...", ele murmurou continuamente quando começou a se mover. Seus braços me envolveram
e me seguraram contra seu peito, e eu o agarrei com meus braços em volta de seus ombros e minhas
coxas contra seu quadril. Ele se mexia cuidadosamente. Eu podia dizer que ele estava tentando ser um
cavalheiro, mesmo nesse momento.
"Apenas se solte", eu insisti, levantando meu quadril para encontrar o dele. "Se solte, Edward".
Me beijando forte, ele abafou seu gemido contra minha boca quando começou a estocar mais rápido. Eu
acariciei sua língua com a minha e me entreguei ao sentimento também. Eu nunca me senti tão livre
comigo mesma antes. A chama fluía por mim, atiçada pela quente fricção, pelos sons que nossos corpos
faziam juntos, e pelos beijos frenéticos dele.
Seus braços começaram a estremecer embaixo de mim, e eu sabia que ele estava tão perto quanto eu.
Seus movimentos estavam irregulares, frenéticos, fortes. E quando ele atingiu um ponto bem fundo
dentro de mim, eu me deixei levar. O fogo queimava por tudo, desde meus dedos do pé curvados até o
formigamento no meu couro cabeludo. Apertando desamparadamente em volta dele, eu gritei em
grande alegria – triunfante, até.
Ele reagiu maravilhosamente, derrubando seu peso sobre mim enquanto estocava o mais fundo que
conseguia e alcançou seu próprio estremecido clímax. Eu saboreei a visão de seus olhos se fechando e o
formato de sua boca quando ele soltou seu próprio grito. Ele deitou sua cabeça em meu ombro. Seu
cabelo estava colado em sua testa de suor.
Nós ficamos desse jeito, ainda completamente entrelaçados, até que nossa respiração e nossos
batimentos cardíacos retornassem a um ritmo regular. Eu pensei que ele tinha caído no sono antes dele
finalmente abrir os olhos e erguer a cabeça, sorrindo pesarosamente para mim.
Eu deveria saber que a culpa estava vindo. Eu balancei minha cabeça intensamente. "Edward, eu te
amo. Isso é tudo que me importa".
"E como eu te amo", ele suspirou, seu sorriso se tornando saudoso, e então astuto. "Suponho, agora que
já aconteceu, não iria importar fazer de novo".
Eu ri. "Eu acho que nós dois precisamos de um tempo para nos recuperar primeiro".
"Mas no geral", ele sorriu, e depois nos rolou, me puxando para seu peito, "eu acho que devemos fazer
de novo. E de novo, e de novo, e de novo...".
Nós acabamos fazendo de novo. Nós emergimos para comer e para fingir que éramos adultos
respeitáveis, mas naquela noite, nós fomos nos deitar mais cedo. Edward tomou coragem para
experimentar algumas coisas novas. Ele usou sua boca em mim – ele corou e gaguejou, tentando
expressar seu desejo de fazer isso, mas eu acho que ele se tranqüilizou com a minha reação mais que
favorável. E ele me deixou afaga-lo até outro orgasmo, apesar de ficar envergonhado com isso, eu pude
dizer. Evidentemente, era um ato muito sórdido para uma dama decente executar.
E, é claro, nós fizemos amor novamente, nos mexendo juntos noite afora, pele deslizando contra lençóis
já que nossos corpos estavam embaixo das cobertas. Se isso não era um conforto para ele, pelo menos
era uma distração que eu estava feliz em prover. Eu não podia sinceramente dizer a ele que nós
ficaríamos bem ou que eu seria capaz de ficar com ele. Conforto físico era a melhor coisa mais próxima,
e se esses fossem seus últimos dias – como humano, pelo menos – eu queria que eles fossem o mais
serenos possíveis, se não exatamente felizes.
CAPÍTULO 21
Eu acordei sozinha na manhã seguinte, ainda enrolada nos lençóis, ainda completamente nua. Num
momento de desorientação eu comecei a tatear a cama procurando pelo Edward até que vi o bilhete
dobrado em seu travesseiro.
Bella,
Fui visitar minha mãe. Eles só deixam entrar parentes próximos durante uma hora por dia; achei que
você preferiria dormir que ficar me esperando. Voltarei às onze horas.
Eu te amo,
Edward
P.S. Acordar ao seu lado essa manhã foi divino. Foi quase impossível partir.
Eu sorri comigo mesma e dobrei o bilhete novamente. Eu esperava encontra-lo feliz assim quando ele
voltasse, que a condição de sua mãe não tivesse piorado. Eventualmente, eu me arrastei pra fora da
cama, me lavei e me troquei. Eu estava me sentindo preguiçosa, satisfeita e tonta hoje. Talvez fosse
errado me sentir feliz em uma hora como essa, mas...como eu não estaria?
Desci até a cozinha e comecei a cozinhar. Eu duvidava que o Edward tinha comido algo antes de sair,
sem a Mary para cozinhar. Eu imaginava como ela estaria também, se o Edward conseguiria vê-la.
Eu estava quase terminando quando a porta da frente abriu e fechou novamente. A voz do Edward me
chamou.
"Na cozinha!", eu gritei na direção do saguão. Ele apareceu segundos depois no batente da cozinha.
Seus altos passos humanos o procederam, revigorantes. Ele sorriu quando viu a comida.
"Você é um presente de Deus, Bella", ele disse, andando até onde eu estava parada na frente do fogão e
me envolvendo com seus braços por trás. Seu queixo se apoiou facilmente em meu ombro.
"Como está sua mãe?", eu não achava que ele estaria tão feliz assim se ela não tivesse melhorado, e eu
estava certa.
"Ela está muito melhor", ele disse. Alívio fluía em sua voz. "Sua febre abaixou o suficiente para ela estar
lúcida. Ela perguntou o tempo inteiro sobre nós. Está preocupada que não estamos comendo direito aqui.
Eu acho que ela pode se recuperar, Bella".
Eu não olhei para ele com medo de ver a esperança em seus olhos. Eu não podia arriscar esmagá-la.
"Que notícia maravilhosa. Eu te disse que ela era forte", eu disse, colocando em minha voz o máximo de
otimismo que conseguia.
"Eu acho que tudo pode acabar bem", ele suspirou. "Eu posso voltar a trabalhar em breve, e
então...então podemos começar nossa vida juntos apropriadamente".
Eu queria chorar, mas isso não era uma opção. "A comida está pronta", eu disse para distraí-lo.
Edward me contou tudo sobre a visita à sua mãe enquanto comíamos. Eu queria que ele estivesse certo,
que Elizabeth sobrevivesse, mas eu também sabia por meio de Carlisle que ela agüentou mais que seu
marido, tentando cuidar de seu filho...e isso significava que ela não estava quase fora de perigo.
"Você viu a Mary?", eu perguntei, precisando mudar de assunto mais uma vez. Eu não sabia quanto
tempo conseguiria fingir para o Edward.
"Ela está ao lado da minha mãe", ele disse e sua expressão caiu. "Ela não está tão bem".
Eu não sabia que tinha espaço para mais tristeza, mas de algum modo ela se espremeu para dentro.
"Tudo é tão horrível", eu murmurei.
"Eu sei", ele disse suavemente. "Mas lembra o que você disse – nós ainda temos um ao outro".
"Certo. Isso é o que importa", eu concordei, forçando outro sorriso. De fato, nós tínhamos um ao outro –
e com esperança, quando tudo isso acabasse, eu voltaria para o meu Edward. Mas ele não teria o mesmo
luxo, e eu me sentia horrivelmente culpada, mesmo que não tivesse nada que eu pudesse fazer para
mudar isso.
Eu limpei a garganta, tentando afastar o momento constrangedor. "Então, o que você gostaria de fazer
hoje?".
"Na verdade", ele sorriu marotamente, "eu estava pensando em tirar um cochilo. Ainda estou cansado
por causa da noite passada".
Se eu achava que tinha passado a fase de corar, eu me provei errada. "Eu certamente não quero
atrapalhar ainda mais o seu sono".
Ele riu. "Ah, mas eu definitivamente quero que você faça isso".
Eu fiz um show revirando meus olhos e levantei para lavar os pratos. "Porque você não vai lá pra cima e
começa o seu cochilo? Talvez se você já estiver dormindo quando eu te acompanhar, você ficará menos
tentado em deixar eu atrapalhar".
"Muito bem", ele riu, empurrando sua cadeira para longe da mesa para levantar. "Mas não me culpe se
eu não conseguir dormir sem você lá".
Eu sorri até escutar seus passos na escada, caso ele virasse e visse minha expressão caindo. Mas
enquanto eu lavava a louça, eu usei os poucos preciosos momentos sozinha para deixar minhas lágrimas
caírem. Por que eu tive que vir aqui? Por que eu tinha que ver essas pessoas que eu me apeguei ficarem
doentes e desaparecerem? Por que eu tinha que vê-lo sofrer? Ver a esperança desaparecer de seus olhos
com cada novo golpe, apenas para resilientemente reaparecer mais uma vez? Por que o destino tinha
me forçado a isso?
Mas conforme eu pensava nesses dois meses que passei no passado, eu não podia lamentá-los. Tinha
sido me dada uma oportunidade impossível – participar de uma parte da vida do Edward que eu achei
que nunca conheceria. Sem a estranha conseqüência do meu pedido, eu nunca teria tido a chance de
conhecer seus verdadeiros pais, nunca ouviria sua mãe falar de mim com aprovação. Nunca saberia que
ele odeia aspargo ou que ele tinha um carinho pelo gato do vizinho. Eu nunca saberia que ele sente
cócegas nas costelas ou que seus olhos realmente eram um verde extraordinário. E eu certamente não
saberia que o vampiro ainda era bem parecido com o garoto.
Realizei que sem essa jornada, eu nunca saberia que eu amava o Edward em qualquer forma, em
qualquer tempo, em qualquer lugar. Eu não teria a quente asseguração fundo no meu peito que minha
transformação em vampira não podia mudar seus sentimentos por mim...porque não podia mudar minha
essência.
Não podia tirar a alma que eu bem sabia, agora mais do que nunca, que o Edward tinha – e também não
tiraria a minha.
Meu pedido não tinha sido para dar ao Edward o tipo de experiências que ele tinha me dado, mas eu
finalmente entendi que eu fui trazida com uma lição a aprender.
A epifania me encheu com um senso de calma, de paz. Apesar de não poder salvar o Edward do que
estava por vir sem causar danos irreparáveis ao meu próprio futuro, eu podia voltar com um novo
entendimento para o meu Edward. Eu podia entrar na eternidade com os olhos bem abertos e tentar
preencher cada um dos dias do Edward com conforto, paz e alegria.
De repente, me senti forte o suficiente. Eu faria qualquer coisa que me fosse requerido nos próximos
dias, porque era importante. Era tudo para ele.
Eu sequei minhas mãos, lavei meu rosto, e subi para me juntar ao Edward.
Verdadeiro ao seu aviso, ele ainda estava acordado, mesmo que por pouco. Seu sorriso era caloroso e
sonolento quando deslizei para debaixo das cobertas ao seu lado. O peso de seus braços ao meu redor
era como uma âncora que não permitia que eu me afastasse demais da terra firme.
Exausta pelo turbilhão de emoções, eu adormeci facilmente em seu calor, com seu cheiro preenchendo
minha cabeça e sua pulsação em meus ouvidos.
Eu sonhei que estava com o meu Edward vampiro novamente, de volta na minha pequena cama na casa
do Charlie. Seus olhos estavam vermelhos no sonho, mas isso não me incomodou. Meu subconsciente
me disse que havia uma boa razão.
"Eu senti sua falta!", eu gritei, o abraçando. Ele riu, percorrendo seus dedos por meu cabelo.
"Igualmente".
"Por que toda a mobília sumiu?", eu perguntei, confusa quando não vi o formato familiar da minha
cadeira de balanço e mesa.
"Bella boba. Você está sonhando. Essas coisas não são importantes. Foque nos detalhes que você tem".
"Eu não entendo". Eu estava frustrada. Nós já devíamos estar nos beijando.
"Olhe com atenção pra mim, Bella", ele murmurou, subindo e descendo suas mãos por meus braços, por
cima da manga comprida...manga que pertencia ao vestido de 1918 que eu por alguma razão ainda
usava. Eu olhei de novo para seus olhos vermelhos e depois para seu corpo. Eu entendi o problema. Ele
estava vestido conforme 1918 também, em suspensórios, mangas enroladas até o cotovelo. Eu franzi a
testa. "A Alice te fantasiou?".
"Está quase na hora, Bella", ele disse, ignorando meu comentário. "Eu preciso que você esteja
preparada".
"Não vai ser fácil, mas você precisa fazer isso, Bella. Para assegurar nosso futuro juntos".
"Fazer o que?", eu perguntei desesperadamente, agarrando seus ombros. Ele não estava fazendo
sentido.
"Edward, eu não sei o que você está pedindo!". Meus olhos começaram a lacrimejar de frustração.
Ele segurou meu rosto entre suas mãos, olhando intensamente em meus olhos. "Você sabe. E lembre-se,
você precisa!".
Edward me puxou para ele, me beijando firmemente. Seus lábios pareciam estranhamente quentes, mas
eu não tive tempo de examinar isso.
"Por favor...". Sua respiração foi como um sussurro em meu rosto, e então eu acordei, arfando.
O quarto estava claro com a luz do sol de fim de tarde, e eu acordei sozinha novamente. A ausência do
Edward após o sonho me deixou apreensiva. O que ele quis dizer com assegurar nosso futuro? O que ele
queria que eu fizesse? E por que ele tinha os olhos vermelhos de um vampiro que bebeu sangue
humano? Não tinha motivo...a não ser se ele fosse um recém-criado, que...
...Que era exatamente o que ele era. Ele estava certo; eu sabia, mas não consegui decifrar no sonho. Ele
estava usando as roupas dessa época e tinha os olhos vermelhos porque ele tinha acabado de ser
transformado. E...ele queria que eu fizesse isso acontecer. Essa era a única conclusão possível.
Eu não sabia se meu sonho era realmente uma mensagem do Edward ou meramente meu próprio
subconsciente tentando me conduzir, mas qualquer fosse o caso, era a única orientação que eu tinha, e
que me dizia que eu tinha que estar preparada para deixar o Edward ir.
Um barulho do outro lado da porta chamou minha atenção de volta para a realidade. Eu pulei para fora
da cama e sai para o corredor, lutando contra um sentimento de pavor o caminho todo.
Eu encontrei o Edward no meio da escada, caído contra a parede. Suor estava aglomerado em sua testa,
sua pele estava corada, seus olhos estavam fechados. Eu coloquei uma mão trêmula em sua testa, a
encontrando quente e úmida. Seus olhos abriram e encontraram os meus, e eles estavam aterrorizados.
"Não", eu sufoquei sem controlar. Seja forte, Bella. Ele precisa de você.
"Quieto", eu respirei tremulamente. "Vai ficar tudo bem. Eu vou cuidar de você. Espere aqui. Vou
procurar ajuda".
Eu senti seus olhos em mim enquanto eu corri escada abaixo até o telefone. Ainda era luz do dia. Carlisle
ainda não estaria no hospital.
Eu peguei o fone e disquei para a única pessoa que podia me ajudar agora.
CAPÍTULO 22
Tinha sido três semanas de trabalho e economia, e depois implorando à minha mãe para me emprestar o
restante, mas eu tinha conseguido. Eu finalmente tinha dinheiro suficiente para colocar um anel no dedo
da Bella. Não era muito, mas eu sabia que ela não se importaria, e além disso, eu compraria um melhor
para ela um dia. Esse era sobre tornar oficial. Fazê-la minha aos olhos do mundo.
A pequena joalheria não parecia muito boa, mas um amigo do trabalho a tinha recomendado, e estava
em seu alcance de preço.
O vendedor, um homem de cabelo escuro na casa dos trinta anos e com um bigode que enrolava nas
pontas, sorriu quando entrei. Não era realmente um sorriso amigável; ao contrário, era um sorriso de
alguém que tinha acabado de olhar para um alvo.
"Em como posso te ajudar hoje, jovem?", ele perguntou. "Procurando por um presente especial para sua
namorada, talvez?".
A idéia me divertiu. Minha namorada. Bella era muito mais que isso. "Estou procurando por um anel de
noivado, na verdade".
"Ah", ele sorriu com ar de quem conhece as coisas, como se eu tivesse acabado de compartilhar um
segredo. "Nós temos uma ótima seleção de anéis", ele continuou, retirando de um estojo uma bandeja
para que eu olhasse. "Veja se tem algum que você goste aqui".
Tinha diamantes, fileiras e fileiras de diamantes de diferentes formas e tamanhos, diferentes arranjos de
tiras, mas nenhum deles era bem certo. Bella não era um diamante, alguma coisinha brilhante e bonita
para esfregar nos narizes dos outros durante festas e receber 'ohhhs' e "ahhhs'. Ela era algo muito
melhor.
Sua expressão registrou surpresa, mas ele não falou nada; ao invés disso ele pegou outra bandeja.
"Talvez um desses te agrade mais".
Essa continha mais diamantes, mas também tinha outras pedras – configurações de rubis, pérolas,
opalas...todos pareciam muito extravagantes ou muito...de menina para a Bella. Ela era uma mulher que
merecia um anel de mulher.
Quando meus olhos pousaram no de safira, praticamente escondido do lado, eu sabia que era aquele.
Profundo e elegante, pequeno mas poderoso...era bem Bella.
Sua aceitação do anel foi tão risivelmente fácil que eu quase me senti ofendido...quase. Mas eu podia ver
em seus olhos o que meu eu humano não queria reconhecer – o medo, a culpa, a tristeza. Mesmo eu ter
permanecido ditosamente sem conhecimento no passado, Bella sabia o que estava chegando, e ela não
se atreveria arruinar minhas últimas lembranças humanas discutindo sobre anéis e casamentos. Eu
estava agradecido por isso, porque naquelas lembranças, eu estava ditosamente feliz. Quase tão feliz
quanto estive quando vi a Bella caminhando ao meu encontro até o altar.
Me perguntei se ela tinha alguma idéia do quão perto do fim estava. Eu tinha acordado como um
vampiro em 29 de setembro. Nove dias, incluindo a transformação, segundo meus melhores cálculos, a
não ser que ela mudasse algo no passado. Mas ela podia? Se eu não fosse transformado no momento
preciso, será que eu estaria sentado aqui revivendo lembranças agora? Isso era...impossível. Mais
impossível que vampiros e lobisomens ou viagens no tempo induzidas por pedidos.
Eu nunca tinha visto meu pai doente antes. Ele tinha estado saudável todos os dias de sua vida, pelo que
eu sabia. Minha mãe estava assustada; eu podia ver isso toda vez que ia verificar como eles estavam.
Bella estava sempre ali, segurando minha mão, mas eu sabia que ela se sentia tão inútil quanto eu.
"...ele fica chamando por você..." A voz da minha mãe ficou em segundo plano enquanto eu pensava em
subir as escadas e entrar naquele quarto, mas eu me forcei a fazer isso de algum modo. Ele estava
incrivelmente pálido, branco como os lençóis embaixo dele, mas ele forçou um sorriso para mim.
"Pai..."
"Edward, eu quero me...desculpar". Uma tosse. "Nós sempre pensamos que sabemos como a vida de
nossos filhos deve ser". Outra tosse. "Faça o que te faz feliz, Edward. Não desperdice um único momento
que você tem com ela".
"Por favor, Pai", eu disse, tentando aliviar o momento. "Amanhã você vai estar se sentindo de volta ao
normal e vai imediatamente voltar a me dizer o que fazer".
Sua risada se transformou em uma tosse longa. Ele segurou um lenço em sua boca, abafando o horrível
som seco. Quando ele afastou sua mãe, o pano estava manchado de sangue. Eu só podia encarar
horrorizado.
"Essa não é uma gripe ordinária de verão, Edward. Você devia...se preparar para o pior".
Eu me senti doente por completo com o quão facilmente meu pai discutia sua própria morte. Ele estava
sério, e eu queria que isso fosse uma piada.
"Cuide de sua mãe", ele continuou. "E se segure na Bella. Nada nunca te motivou como ela motiva.
Elizabeth estava certa...ela é exatamente o que você precisa".
Eu engoli pelo calombo na minha garganta e lágrimas arderam em meus olhos. "Pai...eu..."
Ele sorriu; isso parecia um esforço. "Pode ir agora, filho. Você não precisa ficar e me escutar tossir".
Eu realizei com horror que ele estava tentando me poupar a dor de vê-lo morrer, e então eu tive que
fugir. Isso era impossível. Ele era jovem. Ele era saudável. Impossível.
Essa era uma estranha lembrança de se reviver. Desde quando fui transformado, eu lutei para lembrar
como era chorar. Agora, enquanto eu experenciava novamente cair nos braços da Bella em pesar, eu
podia sentir as lágrimas rolando e a maravilhosa sensação de alívio e limpeza que vinha junto com elas.
Eu sentia...tranquilidade. Por tanto tempo, eu tinha sido deixado no escuro, me perguntando como meus
pais tinham sido, como eu interagia com eles...as memórias que ficaram nunca foram suficientes para
responder por completo essas perguntas, e eu tinha sido impossibilitado de lamentar o que tinha perdido
– como podia lamentar por pessoas que eu não conhecia?
Agora eu podia confirmar coisas que tinham me falado ou que eu tinha adivinhado antes – que minha
mãe era bondosa e perceptiva e que me amava muito. Que meu pai aprovava minhas escolhas. Que eu
era feliz e amado.
E agora eu tinha o benefício de saber que eles amavam minha Bella. Eu esperava que eles estivessem
orgulhosos agora em ver que eu tentei fazer o melhor dessa vida que tinha sido me dada, e que eu
encontrei uma forma de redenção no amor.
"Eu acho que às vezes, o destino tem algo maior planejado do que a maioria de nós consegue ver, e às
vezes essas coisas que parecem tão injustas e tão erradas podem servir a um propósito maior".
Meu eu do passado não tinha sentido o verdadeiro significado de suas palavras, mas eu tinha. Eu tinha
perdido muita coisa quando a gripe espanhola tinha atacado – minha família, meus sonhos – mas
eventualmente eu tinha ganhado algo muito maior. Ela. E pela primeira vez, vendo minha antiga
mortalidade, eu me sentia afortunado em trocar uma vida humana por uma eternidade com a mulher
que eu amava.
Estava cada vez mais difícil permanecer nas lembranças dolorosas, mas eu permaneci, determinado em
observar a Bella até que eu a tivesse de volta em meus braços. E ela me surpreendeu. Minha Bella tinha
um enorme e amoroso coração, e ela se apegava fácil às pessoas. Eu sabia que minha família não era
uma exceção, e eu imaginava, conforme eles fossem morrendo, que eu precisaria consolá-la. Mas ela
nunca desabou. Era ela que me consolava, que me acalmava, que cuidava da minha mãe, até cozinhava
quando as criadas precisavam dormir. Eu me enchi de orgulho a vendo tão forte e capaz, tão...crescida.
E ainda assim isso veio com uma apreensão, me forçando a imaginar o que tinha inspirado essa força...e
eu tive que admitir que eu queria que ela precisasse de mim em momentos difíceis.
Logo minhas lembranças se tornaram sombrias mais uma vez. O cuidado de Bella tinha feito maravilhas
para melhorar meu estado de espírito desde a morte do meu pai, mas tudo virou de cabeça para baixo
quando eu entrei no quarto da minha mãe e a encontrei no mesmo estado de quando meu pai tinha
morrido.
Eu nunca tinha sentido tanto medo em toda minha vida. Eu odiava ter que deixar minha mãe sozinha no
hospital, mas os médicos não me deram escolha. Eu só podia me voltar à Bella mais uma vez, apesar de
me sentir culpado em colocar tanto do meu fardo nela. Eu não podia evitar. Ela era tudo que eu tinha, e
eu precisava de sua força.
"...não pense", ela disse. "Apenas sinta. Foque no aqui e agora".
E seus lábios me fizeram esquecer tudo. Eu sabia que devia parar; eu tinha prometido que a trataria do
jeito que ela merecia. Mas ela estava me oferecendo tudo, e eu não queria parar de sentir o que os seus
beijos quentes me davam.
Eu estava nervoso. Meu conhecimento a respeito desse ato intimo era incrivelmente limitado – eu
simplesmente sabia o básico sobre qual parte ia aonde. Eu sempre evitava escutar sobre isso quando os
garotos da escola brincavam e riam sobre suas experiências. Meu pai tinha me dito que não era nada
que eu precisava saber a respeito antes da minha noite de núpcias, então ele tinha evitado me
explicar...e agora ele nunca explicaria.
Bella parecia saber o suficiente por nós dois, mas eu não perguntei como. Se ela tivesse estado com
outra pessoa antes eu não queria saber, e eu não sabia se tinha uma maneira de saber. Isso era uma das
coisas que eu nunca tinha aprendido. O que importava é que ela era minha agora, nos meus braços e
usando meu anel, e ela me amava o suficiente para ficar comigo nessa hora terrível.
Seu corpo era a coisa mais bonita que eu já coloquei os olhos, mais bonita que qualquer Deusa grega,
mais bonita que qualquer mestre italiano já tinha pintado. Eu podia olhar sua pele por horas, traçar as
curvas macias de seus seios e quadril, me deliciar com sua forma trêmula.
Ela me mostrou onde tocá-la, e eu senti um desejo poderoso com a visão de sua reação, sua boca aberta
enquanto ela arfava e o arquear de suas costas. Meu dedo escorregou para dentro de sua abertura, e a
sensação de sua pele ao meu redor me levou além do ponto de esperar. Eu precisava estar com ela tão
desesperadamente, mas eu não sabia como dar voz a esse desejo.
Ela parecia saber isso mesmo sem ser dito, e de algum modo, mesmo com minha falta de jeito e
vergonha, eu ainda me encontrei em seus braços, dentro dela, na maior e mais divina sensação que eu
já conheci.
As imagens na minha mente eram tão vívidas, tão recentes que eu me surpreendi em não estar suando
com a intensidade. Quão ingênuo eu era, e tão sortudo. Tinha sido tudo que eu poderia querer ou
precisar para me perder completamente nela, movendo, tocando, beijando sem pensar.
Eu estava com inveja do meu passado. Eu a queria comigo agora; eu queria poder me sentir daquele
jeito com ela. Experenciar tudo pela primeira vez com ela ao invés de testemunhar isso por meio dos
pensamentos sórdidos de outros.
Por mais que eu tentasse, eu não podia fundir as novas lembranças que filtravam em minha mente com
meu próprio passado. Eu não podia me sentir como a pessoa que estava tendo aquelas experiências
quando eu estava aqui as vendo pela primeira vez.
Eu sabia que não me sentiria certo novamente até que a Bella estivesse comigo, onde eu podia vê-la e
tocá-la e falar com ela. Eu precisava de respostas vindas de seus lábios. Eu precisava da sua
asseguração. Eu precisava mais do que nunca saber quais eram seus pensamentos e sentimentos.
Mas eu não conseguia afastar o medo aborrecedor que ela não voltaria em condições de me prover
essas coisas.
CAPÍTULO 23
Carlisle não podia vir por mais duas horas por causa do sol. Edward ainda estava forte o suficiente para ir
para a cama com a minha ajuda, apesar que ele tropeçou. Eu o coloquei na cama, e me doía ver o seu
corpo tremendo.
"Você devia ir", ele sufocou. "Você pode ficar doente também. Vá para a casa do campo..."
"É muito tarde para isso", eu murmurei, passando a mão por seu cabelo úmido. "Além disso, não posso
te deixar agora. Meu amigo Carlisle está vindo para nos ajudar. Ele vai me ajudar a te levar ao hospital".
"Hospital...e depois você vai", ele insistiu. Sua mão apertou a minha com uma força surpreendente.
"Não", eu disse, balançando a cabeça. "Carlisle vai convencê-los a me deixar ficar. Eu não vou partir até
que seja absolutamente necessário".
"Você é tão teimosa", ele suspirou, fechando os olhos cansado. "Não tem senso de autopreservação".
"Apenas aceite isso", eu disse com um pequeno sorriso. "Me deixe fazer o que preciso".
Eventualmente, ele caiu em um sono inquieto. Eu fiquei ao seu lado, colocando alternativamente um
pano molhado com água fria em sua testa e enrolando meu corpo ao dele para tentar amenizar seus
calafrios. Logo após o pôr-do-sol, Carlisle apareceu no batente da porta. Ele entrou sozinho na casa. Era
reconfortante, de uma maneira estranha, ter um vampiro por perto com todas as suas peculiaridades de
vampiro. Isso me lembrava de casa.
"Eu arranjei uma cama para ele ao lado de sua mãe. Ela vai ficar arrasada. Ela conversou horas comigo
noite passada sobre ele quando ela descobriu que eu te conhecia".
Outra rachadura se formou no meu coração. "Você me disse, no futuro, que ela se esgotou tentando
cuidar dele. Que ela podia ter sobrevivido, se não tivesse tentado cuidar dele também".
"Não posso dizer que esteja surpreso" Carlisle disse. "Ele é tudo pelo que ela está vivendo nesse
momento. Ela não tem muita escolha. Lutar por ele é lutar por ela mesma. Eu acho que você pode
entender isso".
"É claro", eu respirei. "É só que...é tão difícil assistir, e não fazer nada".
"Eu sei" Carlisle concordou pesaroso. "Mas nós fazemos o que podemos. Vamos levar o Edward até o
carro, está bem?".
Não tinha realmente um "nós" nisso. Carlisle o levantou da cama com a mesma facilidade que teria para
levantar um travesseiro. Edward parecia tão pequeno e frágil nos braços de Carlisle, e ele estremeceu
violentamente com o toque frio. Eu finalmente comecei a chorar. Era assim que o Edward tinha se
sentido, me vendo machucada no chão do estúdio de balé? Tão impotente, incapaz de proteger a única
pessoa que mais importava.
Carlisle colocou o Edward no banco de trás,e eu me juntei a ele, colocando sua cabeça em meu colo. Ele
estava meio acordado agora mas não totalmente consciente. Ele resmungava coisas sem sentido e
agarrava os panos da minha saia. Tentei evitar que minhas lágrimas o tocassem.
"Carlisle?"
"Por que isso acontece tão rápido?" eu perguntei. Apenas horas atrás, ele estava feliz, nós estávamos
paquerando e brincando como se tudo estivesse normal. E agora...agora eu não estava certa de que ele
soubesse meu nome.
"Não posso te dizer com certeza" Carlisle respondeu. "A doença causa pneumonia. Sangrando nos
pulmões. É isso que mata tão rápido. Mas porque chega tão de repente, eu não sei dizer. É
simplesmente...uma doença muito agressiva".
Carlisle suspirou. "Se ele se manter alerta, talvez. Mas se ele continuar nesse estado...eu duvido que ele
saberá o que está acontecendo".
"Se e quando a hora chegar for aparente que ele não sobreviverá sem a minha ajuda, então sim, eu irei
transformá-lo",
O hospital estava muito mais quieto que no dia anterior...tinha passado realmente apenas um dia desde
que trouxemos Elizabeth? Tudo estava acontecendo tão rápido, era difícil acompanhar.
Carlisle carregou o Edward para dentro, sem se importar com a maca que uma enfermeira ofereceu
pegar. Eu me arrastei atrás dele, serpenteando por meio do monte de camas que enchiam o piso térreo.
Deduzi que o segundo andar estaria bem parecido. Era um péssimo ambiente. Claramente, os médicos e
enfermeiros não conseguiam acompanhar os pacientes – o cheiro de sangue, suor e comadres
negligenciadas enchia o ar, o tornando sufocante. Eu respirei pela boca, lutando para ignorar o mau
cheiro.
Contra a parede mais afastada, eu vi a cama da Elizabeth. Seu cabelo bronze se destacava facilmente
contra a roupa de cama branca. A cama provisória a seu lado estava vazia, esperando por Edward. E ela
estava acordada para nos ver trazê-lo.
"Edward!" ela estava muito fraca para gritar muito alto, mas a dor era evidente em sua voz.
"Sinto muito" eu disse a ela, lágrimas ainda caindo por meu rosto, enquanto Carlisle colocava Edward em
sua cama e o cobria com os cobertores providenciados.
"Não é culpa sua" ela disse, seus olhos grudados na forma trêmula de Edward.
"Nós faremos tudo possível por ele" Carlisle prometeu. De algum lugar, ele retirou um estetoscópio e
estava agora escutando os pulmões do Edward.
"Tem alguma chance de eu poder ficar?" eu perguntei a ele. Eu não pretendia particularmente sair do
meu lugar entre as camas do Edward e da Elizabeth, não importa o que dissessem.
"Obrigada" eu respirei.
Carlisle teve que sair para fazer suas rondas mas de algum modo ele me arrumou uma cadeira primeiro
– ela mal cabia entre as camas – e os suprimentos necessários para cuidar do Edward e da Elizabeth. Em
troca de poder ficar, eles ficariam sob minha responsabilidade. As enfermeiras ficaram contentes, se
nada mais, por terem dois pacientes a menos para se preocuparem, e elas acharam de algum modo
romântico a garota que recusava deixar seu noivo que estava morrendo. Se elas entendessem alguma
coisa, elas saberiam que não tinha nada de romântico nisso – eu simplesmente não podia estar em outro
lugar quando o Edward estava sofrendo. Não tinha escolha quanto a isso.
Eu fiquei acordada por toda a longa noite, cuidando deles da melhor maneira que podia. Os dois
dormiram na maior parte, e eu só podia manter panos frios em suas testas para tentar abaixar suas
febres. Elizabeth acordava ocasionalmente, e eu lhe dava água – a única coisa que o médico sempre me
recomendava para gripe – mas o Edward nunca saia de seu estado febril.
Quando acordei escassas horas depois, encontrei Elizabeth pairando sobre a cama do Edward, tentando
convencê-lo a beber algo. Ele apenas cuspia em resposta, lutando em suas ilusões induzidas pela febre.
"Eu te diria que você devia estar descansado, mas eu sei que você não meu ouviria" eu disse. Elizabeth
me olhou com um sorriso implacável. Seu rosto estava tão abatido, isso me dava vontade de chorar.
"Ele é meu filho" ela disse simplesmente. "Se ele sobreviver, qualquer coisa que aconteça comigo é um
preço aceitável".
"Descanse agora" eu sugeri. "Pelo menos enquanto estou acordada? Ele não iria querer que você se
esforçasse desse jeito. O preço não seria aceitável para ele".
"Você está certa" ela concordou relutante, me entregando o copo com água. "Embora eu odeie esse
sentimento de que não existe nada que eu possa fazer. É mais fácil quando eu estou fazendo...alguma
coisa".
Eu a ajudei a voltar para sua própria cama; ela se moveu tremulamente. "Eu sei como se sente.
Infelizmente, parece que não há muito que possamos fazer sobre isso".
"O pior tipo de problema" Elizabeth suspirou enquanto deitava em seu travesseiro. "Você vai me
acordar? Se qualquer coisa..."
Em certa hora da tarde, Edward voltou à realidade, apenas por um curto tempo. Foi o suficiente para que
ele me procurasse, para sorrir para mim enquanto eu debruçava sobre sua cama.
Eu tentei força um pouco de sopa em sua boca enquanto respondia. "Quase vinte e quatro horas".
"Bella...você devia ir para casa...descansar. Eu não vou permitir que você acabe deitada no hospital
também". O vendo tentar ser protetor enquanto estava claramente indefeso fez meu estômago se
contorcer desagradavelmente.
Edward suspirou. "Se eu não sobreviver, Bella, eu preciso saber que você estará a salvo". Seus olhos
imploraram comigo; eu desviei.
"O cofre, na casa", ele interrompeu, agarrando minha mão para me impedir de silenciá-lo com sopa; sua
palma estava suada. "A combinação é 8-1-7-5, por favor, prometa que vai lembrar. Eu deixei o máximo
de dinheiro que consegui..."
"Shh", eu insisti. "Eu vou lembrar, prometo. Por favor, Edward. Eu não quero pensar nisso agora"
"Bella...nós ainda vamos nos casar um dia..." ele murmurou. Seus olhos estavam vidrados, e eu sabia
que o estava perdendo mais uma vez. "Numa linda clareira..."
Minhas lágrimas caíram, muito quentes, na minha mão. "Sim, Edward. Nós vamos. Eu te prometo".
Ele não falou novamente, mais uma vez sob o efeito da febre. Eu sentei impotente ao seu lado, sabendo
que nada que eu fizesse tornaria esse sofrimento mais fácil. Então eu chorei. Era aceitável aqui, entre
dois pacientes dormindo, ainda segurando sua mão. Edward não me veria desse jeito; não importava se
eu deixasse as emoções saírem do único jeito que sabiam.
Eu pulei quando senti uma mão quente cobrir a minha reconfortantemente. Eu levantei a cabeça e vi
Elizabeth acordada e me olhando com compreensão.
"Meu filho está morrendo" ela disse. Se tivesse sido uma pergunta, talvez eu insistiria para ela ter
esperança, que todos eles tinham uma chance. Mas não foi uma pergunta; ela sabia a verdade tão bem
quanto eu, e isso estava evidente em seus olhos.
"Quando eu te vi pela primeira vez" ela explicou cuidadosamente, "eu notei duas coisas. A primeira foi
que você amava meu filho. O olhar no seu rosto não podia ser confundido com outra coisa. E a segunda
foi que você usava meu anel de noivado. Eu podia ter pensado que você era uma ladra, se eu não
tivesse o anel no meu próprio dedo".
"Oh" eu respirei, meu coração acelerado nervosamente. Eu tinha conseguido esconder tão bem quem
era do Edward, mas Elizabeth sabia que eu tinha um segredo o tempo todo.
"Eu só podia imaginar um jeito de você ter o mesmo anel – que meu filho tinha lhe dado, depois que eu
tivesse morrido...no futuro".
"Você não precisa dizer nada" ela continuou. "Provavelmente é melhor que você não explique. Mas o seu
amigo – o médico. Aquele estranho. Você o conhece da sua época, não é? E é ele que pode manter meu
filho vivo"
Eu confirmei com a cabeça lentamente, espantada. Foi assim que Edward se sentiu com minha fácil
reação ao mundo dos vampiros? Eu não podia acreditar que Elizabeth estava conversando comigo sobre
viagem no tempo como se fosse um tópico comum como o tempo.
"Que bom" ela suspirou, fechando mais uma vez os olhos. "Enquanto ele for salvo, eu posso descansar
sossegada"
CAPÍTULO 24
Carlisle voltou depois do pôr-do-sol e veio direto até nós, verificando como Edward e Elizabeth estavam.
"Não é maravilhoso" Carlisle suspirou enquanto removia seu estetoscópio. "A condição do Edward parece
não ter mudado quase nada, mas a Sra. Masen...seus pulmões estão piores. Parece que eles têm mais
fluido do que ontem. E sua febre aumentou".
"Eu acho que ela desistiu" eu disse a ele. Seus olhos estavam pesarosos mas resignados, e de um
marrom mais escuro. Ele obviamente não teve tempo para caçar ultimamente.
"Isso é muito freqüente" ele disse. "Pelo que ela perdeu e continua a perder, eu posso imaginar como
isso seria mais fácil".
Por um momento, ele pareceu estar falando por experiência própria, e imaginei se ele estava
relembrando seus primeiros dias como vampiro, como ele tentou se destruir sem sucesso. Mais uma vez,
eu admirei a força de caráter que o impeliu a continuar vivendo, a ajudar os outros, a suportar mais de
duzentos anos de solidão. Por mais que me condoesse pela perda da vida humana do Edward, uma parte
minha estava contente que ele em breve estaria com Carlisle. Ninguém tão bom como Carlisle merecia
ficar sozinho por tanto tempo.
"Você considerou deixar o hospital um pouco?" Carlisle sugeriu. "Você não ajudará ninguém se
desgastando".
Eu balancei a cabeça. "Eu não posso, Carlisle". Eu já havia tido essa discussão antes. "Como posso ir
para casa deitar, sabendo que ele está aqui e que posso perdê-lo a qualquer momento?".
"Você podia pelo menos considerar sair por poucos instantes para conseguir alguma comida decente",
ele disse pesarosamente. "O que eles tem aqui cheira tão mal que eu fico relutante em dar aos
pacientes"
Dei uma risada tremula. "Vou considerar isso". Mas nós dois sabíamos que eu não iria sair.
Com Carlisle de volta eu relaxei um pouco, e consegui dormir de novo. Eu acordei várias vezes durante a
noite, meu corpo doendo de rigidez por causa da cadeira dura. Eu esticava os nós e logo o sono me
encontrava novamente. Eu estava tão cansada que isso era inevitável.
Perto de amanhecer, um estranho e rápido som me impediu de voltar a dormir. Eu olhei em volta
procurando o causador até realizar que era Elizabeth. Sua respiração era o som, conforme o fluido em
seus pulmões atrapalhava a circulação de ar. Eu estremeci quando vi a expressão dolorida em seus
olhos.
Sua cabeça chacoalhou e ela lutou para falar. "Não tem nada a ser feito agora".
O conhecimento de que ela estava absolutamente certa se instalou em meus ombros como um chumbo.
O dia seguinte não trouxe melhoras. A pele de Edward ficou ainda mais quente, apesar do constante
cuidado que eu tentava dar a ele. Eu sempre soube que ele provavelmente não seria capaz de resistir à
doença, que talvez não era para ele a superar, mas eu não estava nada preparada para ele ir piorando
diante de meus olhos.
Eu também tentei cuidar de Elizabeth, mas ela continuamente me afastava. "Cuide do Edward", ela
insistia repetidamente. Eu queria insistir para que ela não desistisse, mas como eu podia discutir com o
amor de uma mãe?
Eu tinha me largado no chão para descansar por um momento, encostando minha cabeça ao lado da
cama de Edward, quando escutei Elizabeth mais uma vez lutando para falar.
"Dr. Cullen..."
Eu paralisei, sem olhar para cima. Eu queria escutar o que ela ia falar a Carlisle, e algum instinto me
avisou para não interromper.
"Sra. Masen?"
"Salve ele!". Foi o mais forte que sua voz tinha sido o dia inteiro, mas qualquer pessoa podia ouvir o que
isso tinha custado a ela.
A voz de Carlisle não pareceria agitada para alguém que não estivesse acostumado em ouvi-la. "Eu farei
tudo que estiver em meu poder" ele disse a ela.
"Você deve! Você deve fazer tudo que estiver em seu poder. O que outros não podem fazer, é isso que
você deve fazer por meu Edward"
Eu agarrei a beirada da cama, sabendo pela primeira vez exatamente quanto tempo eu tinha. Carlisle
tinha me dito que Elizabeth morreu menos de uma hora depois de fazer sua demanda. Ela tinha perdido
a consciência e não se recuperou mais. Depois que ela morresse, ele ia levar Edward do hospital.
"Não, não acho que tenha. Eu vou fazer minhas rondas. Voltarei o mais rápido possível"
"Tá bom". Eu queria pedir para que ele ficasse; eu estava com medo de ficar sozinha para encarar a
morte iminente de Elizabeth. Eu só podia ter esperança que ele fosse voltar antes desse momento.
Eu achei que o tempo passaria rápido, do jeito que passa quando um evento temido se aproxima, mas
cada minuto pareceu ser uma hora, preenchida com os sons de sofrimento.
Quando ela arfou em busca de ar repentinamente, eu senti como se meu coração tivesse parado. Eu
disse o nome de Carlisle em voz alta, esperando que ele ouvisse de onde estivesse. Ele levou um minuto
para voltar, para se esquivar seja do que estivesse fazendo. Quando ele chegou, limitado a um passo
humano, tudo já tinha acabado.
Carlisle debruçou sobre ela, verificando o pulso. Quando ele não encontrou batimentos, virou para
encarar meu rosto marcado pelas lágrimas e colocou uma mão no meu ombro.
"Sinto muito" ele murmurou. "Eu tenho que levá-la ao necrotério agora. Então...então eu voltarei para
buscar o Edward"
Eu concordei com a cabeça. Era assim que tinha que ser. Eu já não lutava mais contra isso. Eu observei
enquanto Carlisle levou a cama e depois me voltei para Edward. Eu o estudei atentamente agora,
sabendo que era apenas uma questão de tempo antes que fosse mordido e começasse a se transformar
no Edward que eu conheceria em 2005. Seu rosto estava corado, traços de vermelho alto em suas
bochechas. Seu rosto era tão macio, apenas escondendo o maxilar definido e as altas maçãs do rosto
que a transformação revelaria. Doce como um querubim agora, logo seria um anjo caído.
Carlisle retornou um pouco mais hesitante do que quando partiu. "Bella? Você acha que consegue
chegar na minha casa sozinha?"
"Sim" eu balancei a cabeça. Depois disso, eu não ligava muito para o perigo representado pelas ruas
escuras. Como eu podia sobreviver a essa provação apenas para morrer na rua?
Carlisle empurrou a cama do Edward para onde tinha levado a de sua mãe. Me doía fisicamente vê-lo
partir, mas eu levantei do chão e segui para a saída. Eu vi pelo canto do olho enfermeiras me olhando
com simpatia, mas permaneci com a cabeça abaixada. Era mais fácil desse jeito.
Eu estava a menos de dez passos da porta quando uma mão surgiu de uma das camas e segurou a barra
da minha saia. Eu me assustei. As histéricas alucinações das vítimas da febre podiam chegar a todos os
tipos de insanidade. Eu tive um tipo diferente de espanto, no entanto, quando olhei e percebi que
reconhecia aquele rosto, pálido e cansado como estava.
"Norman!"
"Bella". Sua voz estava áspera. Ele parecia péssimo. Seu cabelo loiro parecia castanho, molhado como
estava de suor, e sua respiração falhava, parecida com a de Elizabeth em suas horas finais. Eu
estremeci. Independente de gostar ou não de Norman, eu não desejaria esse destino para ele.
"Pelo jeito como a tratei. Pelas coisas que disse. Por tentar arruinar sua felicidade. Sinto muito".
"Eu te perdôo" eu finalmente disse. Ele não tinha feito mal algum no final...se ele acabaria fazendo ou
não, eu não podia dizer com certeza. Mas não tinha motivo em guardar ressentimentos agora que tudo
tinha mudado.
"Obrigado", ele suspirou, fechando os olhos e soltando minha saia. Então eu saí. Talvez eu tivesse ficado
mais por piedade em outro momento...mas Edward e Carlisle estavam esperando.
Do lado de fora, as ruas estavam quietas como um túmulo. Eu não estava surpresa. Qualquer pessoa que
já não estiva doente ficaria melhor se mantendo longe do caminho do perigo. Eu corri pela escuridão.
Passe por algumas pessoas, algumas doentes, outras não, mas ninguém me incomodou. Eu estava
agradecida; eu não podia agüentar muito mais nessa noite.
Carlisle me encontrou na porta da frente e me apressou para dentro da casa. Eu escutei um gemido
vindo de lá de cima e estremeci.
"Eu já fiz", Carlisle explicou. "Eu fiquei...com medo que ele não agüentasse tempo suficiente até que
você chegasse. Eu não queria correr nenhum risco. Além disso, provavelmente foi mais seguro você não
estar presente"
Carlisle me guiou para subir as escadas até um dos quartos normalmente desocupados. Edward estava
em cima das cobertas, retorcendo-se de dor. Seus dedos apertavam a cama abaixo dele, seu corpo
estava tenso com o esforço de conter seus gritos. Eu corri, tropeçando, para seu lado. Eu supus que
Carlisle permaneceu no quarto, mas eu não tinha certeza.
"Edward? Edward, vai ficar tudo bem", eu prometi, com medo de tocá-lo, caso lhe causasse mais dor.
"Dr. Cullen vai cuidar de você"
Seus olhos abriram rápido para encontrar os meus, seus lábios tremiam. "B-Bella?". Ele mal falou meu
nome e o som se transformou em um grito de tortura. Seus olhos não continham nada além de dor e
medo, e eu desejei que tivesse encontrado uma maneira de avisá-lo, de prepará-lo, de deixá-lo saber
que isso tudo valeria a pena no final.
"Sim, Edward, estou aqui", eu disse, tocando tentativamente seu rosto. Ele não se afastou, e sim se
pressionou contra minha mão.
"Es-estou...morrendo?"
"Não", eu disse rapidamente. "Não, apenas mudando. A dor vai passar, e você vai ficar bem"
CAPÍTULO 25
Eu dormia e acordava, deitada ao lado de Edward na cama. Eu não conseguia dormir por muito tempo –
apesar de estar mais confortável do que na cadeira do hospital, os gritos ocasionais do Edward me
acordavam. Ele nunca gritava por completo, lutando para conter os sons, mas eu tinha o pressentimento
de que era apenas uma questão de tempo.
Carlisle era atencioso o bastante para me trazer comida, suficiente para alimentar várias pessoas, mas
eu era agradecida por cada mordida. Tinha sido há vários dias que eu tinha comido mais do que um
belisco aqui e outro ali. Ainda assim, era difícil me sentir confortável ou contente quando Edward estava
sentindo tanta dor.
Será que ele me odiaria por isso? Eu não o culparia se ele odiasse – sua dor claramente era lancinante, e
a visão dela causava uma dor cruel em meu peito. Eu trocaria de lugar com ele alegremente se isso
pudesse salvar sua vida, mas é claro, isso nunca seria tão fácil. E eu sabia o que ele iria pensar de si
mesmo assim que soubesse no que tinha se transformado...mais um motivo para ele me ressentir. Eu
podia facilmente estar arruinando tudo.
Eu tentei imaginar o que ele diria se eu pudesse lhe perguntar, mas eu não conseguia pensar em
nada...e eu odiava esse desamparo. De certo eu deveria saber o que meu próprio marido iria querer. Se
ele iria preferir morrer à virar um vampiro...se ele iria me amaldiçoar por não evitar tudo isso...eu queria
que o meu suspense terminasse. Eu queria estar com ele, mesmo se ele fosse me desdenhar no instante
seguinte.
"O que está te incomodando, Bella?" Eu pulei, assustada. Eu não tinha ouvido o Carlisle entrar no quarto;
normalmente ele fazia um pequeno barulho para anunciar sua presença. Evidentemente, o tormento em
minha cabeça estava estampado em meu rosto.
"Você acha que ele vai me odiar por isso? Ele sempre se desprezou por causa do que é...e se ele não
puder me perdoar por voltar no tempo, sabendo o que iria acontecer, e não fazer nada para evitar isso?"
Carlisle sentou na cadeira ao lado da cama, franzindo a testa pensativamente. "Bella, eu vaguei por essa
terra por mais de duzentos anos agora, e embora me falte talvez experiência própria, eu acredito que
posso dizer com segurança por meio de observação que a maioria das pessoas faria qualquer coisa para
manter o tipo de amor que você demonstra ter pelo jovem Edward. Talvez Edward venha a odiar o que é
– mas eu não acredito que ele se importará muito quando isso o levar até você"
"Você sentiria o mesmo?" eu perguntei desesperadamente.
Carlisle balançou os ombros. "Eu aceitei o que sou – mas tenha em mente que eu já sou mais velho do
que seu Edward será quando você o conhecer no futuro. Eu não me importo com minha vida. Não é
exatamente o que eu desejaria, mas eu aceitei minhas limitações...e eu tenho esperança. Eu espero que
um dia, meu trabalho seja recompensado. Que um dia, eu terei mais do que uma razão para continuar
vivendo, mas também uma razão para aproveitar a vida"
"Você terá", eu prometi a ele, como sempre inspirada pela história de Carlisle. Eu esperava que Edward
encontrasse uma paz assim um dia, mesmo que ele não pudesse me perdoar imediatamente pela minha
parte em seu destino.
Vinte e quatro horas passaram, e ele continuou a lutar contra sua dor, para contê-la, apesar de ele não
aparentar ter um motivo racional para fazer isso. Eu podia dizer que ele não me reconhecia mais – talvez
ele tentasse não gritar simplesmente para ter algo em que se concentrar que não fosse a dor.
Eu fiz o meu melhor para acalmá-lo com água fresca, com medo de sair de seu lado. Eu comi mais uma
vez, e adormeci aconchegada a seu lado. Quando quase 48 horas tinham passado, eu acordei com um
grito agudo e uma dor no meu braço. Eu percebi que Edward estava apertando meu pulso como se sua
vida dependesse disso, seus dedos extraordinária e perigosamente apertados em volta dos ossos
pequenos. Entretanto eu não podia pedir a ele para soltar. Eu esperei ele relaxar um pouco, e ele
finalmente aliviou seu aperto.
Eu mal suportava ver isso, mas eu não podia sair. Seus olhos permaneceram arregalados, sem ver e
moldurados com terror. Os tendões em seu pescoço e braços apareciam conforme ele lutava contra o
veneno percorrendo por seu corpo. Suas unhas causavam buracos na colcha abaixo dele.
Minha essência mais pura protestava contra vê-lo desse jeito, mas eu não podia negar uma parte minha
pequena e assustada que observava isso com medo por mim mesma. Eu sabia agora, sem dúvida
alguma, o que eu iria experenciar caso Edward cumprisse sua palavra e me transformasse. Eu tinha
provas no pior sentido de tudo que Edward me avisou – como eu iria sentir uma dor tão profunda que eu
desejaria pela morte antes de tudo acabar.
Eu estava preparada? Tudo dentro de mim encolhia-se para longe da idéia de tanta dor, mas quando eu
lembrava de meus motivos – pelo Edward – o medo era domado de um leopardo feroz para um gatinho
que arranhava. Era mais do que suportável. Eu podia sobreviver tamanha dor por uma eternidade com a
pessoa que fazia meu mundo girar.
O último dia foi, de longe, o pior. Edward gritava continuamente, ficando rouco mas nunca parando.
Carlisle me disse que seus órgãos internos parariam agora, e isso iria lhe causar uma dor lancinante.
Eu me aproveitei dessas últimas e longas horas, deitando perto dele, sentindo seu calor desaparecendo
conforme o fluxo de sangue diminuía, ouvindo sua respiração irregular e a intensidade de seus
batimentos cardíacos enquanto ele lutava contra seu corpo doente. Mesmo sabendo exatamente como
ele seria após a transformação, mesmo sabendo que eu o amaria com a mesma intensidade, meu
coração partiu ao ver as mudanças em progresso, em saber que sua doce inocência de garoto nunca
retornaria.
Carlisle voltou para o quarto quando o sol começou a se pôr no terceiro dia.
"Você precisará sair, Bella" ele me disse lamentavelmente. "Seus batimentos cardíacos estão ficando
perigosamente lentos. Sua transformação acabará em aproximadamente uma ou duas horas, e eu tenho
certeza que você sabe o que vai acontecer se você estiver aqui quando ele acordar"
"Sim...sim, é claro" eu respondi atordoada. Na verdade, eu nem tinha pensado nisso. Eu sabia que esse
momento chegaria, mas nunca tinha pensado sobre isso. E agora? Agora que meu tempo com o Edward
tinha claramente terminado, o que eu faria? Para onde eu iria? Eu não tinha mais um lugar para ficar; eu
não tinha dinheiro, nada...
"Tudo vai acontecer como deveria" Carlisle me prometeu, lendo minha expressão preocupada. Ele me
entregou um bolo de notas. "Se você não conseguir retornar a sua época, isso lhe amparará por vários
meses, no mínimo. Mas eu acredito que você vai encontrar seu caminho de volta, onde você pertence"
"Obrigada" Eu não protestei em pegar o dinheiro. Eu poderia muito bem precisar dele, e eu não tinha
certeza se tinha as habilidades de sobrevivência necessárias para essa época. "E obrigada por tudo que
fez, Carlisle"
"É claro" ele respondeu com um aceno. "Eu deveria estar agradecendo a você, eu acho"
"Se – se ele lembrar de mim, quando acordar, diga que eu o amo. Que eu sempre amarei"
"Obrigada" Eu me virei para o Edward, que permaneceu absorto a conversa. Eu pressionei meus lábios
na pele já endurecida de sua bochecha. "Espere por mim" eu sussurrei antes de lhe dar mais um último
beijo em seus lábios.
"Se você ainda estiver aqui daqui há uma semana, me ligue" ele disse. "Nós vamos...vamos pensar em
alguma coisa".
"Tudo bem" eu concordei, saindo tentativamente pela porta da frente. "Eu acho...se você não tiver
notícias minhas, isso é adeus"
"Um até logo" ele contradisse, sorrindo. "Nós vamos nos ver novamente, de um jeito ou de outro"
Eu senti que seus olhos continuaram a me seguir enquanto eu andava na rua. Somente quando eu
estava fora do alcance de visão da casa que as lágrimas começaram a cair. Edward...meu Edward.
Humano ou vampiro, ele sempre seria meu, mas o final feliz sempre parecia estar a um passo fora de
alcance. Nós estávamos tão felizes antes disso tudo, recém-saídos da nossa lua de mel, a beira de uma
nova e iluminada eternidade...e agora tudo tinha sido jogado na sombra novamente, ainda mais doloroso
pelo fato de que ele estava fora de alcance para mim – tanto nessa época, como no futuro para o qual eu
não conseguia achar meu caminho de volta.
Eu deixei meus pés guiarem o caminho; meus olhos estavam cegos com lágrimas, e minha mente estava
absorta. Eu vaguei perdida na minha aflição. Minha cena de pesar era nada fora do comum nessa época,
nessa cidade, e ninguém se aproximou de mim ou me incomodou.
Algum tempo depois – podia ter passado minutos, horas ou dias, pelo que eu estive prestando atenção –
minhas lágrimas acabaram e eu parei no meio da rua.
E eu olhei em volta, e percebi que já estive aqui antes. Na primeira vez, estava bem movimentado, cheio
de fregueses e trabalhadores. Estava muito mais deserto hoje, apenas com as ocasionais pessoas se
apressando para chegar a outro local; ninguém estava parado como eu. Contudo, eu reconheci os
prédios, a visão exata a minha volta. Eu estava no local exato de quando cheguei nessa época, o local
onde eu tinha me virado e encontrado o Edward me olhando de volta.
Seria o destino que me trouxe aqui? Será que meu subconsciente decidiu retornar a esse lugar? Ou tudo
não passava de coincidência eu voltar ao lugar de onde tinha começado?
Isso realmente importava? Não importa onde eu fosse nessa época, isso nunca me levaria de volta a
2006, para a Forks que eu conhecia, para o meu Edward, para a vida que eu deixei para trás e estava
desesperada para retornar. Não existia nada nem ninguém que pudesse me ajudar agora.
Eu fechei meus olhos e sonhei com mãos frias em meu rosto e lábios gentis, com uma voz de veludo e
um sorriso torto. Esse pensamento apenas me fez sofrer mais, atormentada pelo que eu não tinha.
Eu queria poder voltar para a minha época. Eu queria poder voltar para minha própria vida.
E então eu abri meus olhos.
CAPÍTULO 26
Eu não esperava que nada tivesse mudado. Eu assumi que abriria os olhos para o mesmo horizonte de
Chicago para o qual estivera olhando o tempo todo. E mesmo assim, quando abri meus olhos dessa vez,
eu não estava em Chicago. Eu estava em um cômodo, um cômodo muito familiar, com uma mesa longa
que tinha ao seu redor oito cadeiras.
A mesa de jantar dos Cullen. E eu estava sentada em sua ponta, no mesmo lugar de onde partira.
Eu pulei da cadeira antes da idéia registrar por completo e sai correndo para a sala de estar. "Edward!"
gritei. "Edward!"
Antes que pudesse começar a temer que ele tivesse partido na minha ausência, ele apareceu na minha
frente, desarrumado, tenso e lindo. Eu me atirei em seus braços ao mesmo tempo em que ele me pegou,
me apertando contra seu peito onde eu estava feliz em ficar.
"Oh, Edward! Edward, eu tive tanto medo; eu não sabia o que fazer, o que você iria querer..." eu
tagarelei, mais uma vez reduzida às lágrimas enquanto enterrava minha cabeça em seu ombro. Ele não
parecia estar escutando muita coisa, apenas murmurava continuamente, "Graças a Deus, graças a
Deus..."
Em segundos, o cômodo se encheu com a família Cullen. Eu escutei a todos, seus gritos de alívio, seus
toques de cumprimento em meus braços – talvez eles tivessem me abraçado, se o Edward tivesse
mostrado alguma intenção de me soltar. Por enquanto, eu estava muito absorta para prestar atenção
neles.
"Vamos dar a eles algum tempo, sim?" eu escutei a voz do Carlisle se sobrepor ao falatório, fazendo a
sala ficar em silêncio instantaneamente. Essa foi a deixa para Edward me levar para o andar de cima,
para o quarto que há muito tempo tinha se tornado tanto meu como dele.
"Você voltou" ele suspirou em meu cabelo enquanto abria a porta e a fechou com os pés quando
entramos. "Você voltou para mim..."
"Eu estava com tanto medo de não conseguir," eu funguei, contente por estar em seus braços pelo
tempo que ele quisesse. "Eu não sabia como..."
"Como você voltou?" ele perguntou quando finalmente me colocou sentada na beirada da cama. Ele não
se afastou muito, permanecendo ao meu lado. "Eu não consegui ver essa parte."
"Eu fiz outro pedido," eu disse, incapaz de tirar meus olhos de seu rosto. "Eu acho que foi por causa
disso...ou talvez meu tempo lá simplesmente acabou e o pedido que fiz desencadeou alguma coisa...eu
não sei. Num momento eu estava lá, e no outro, eu estava de volta a sala de jantar...O que você quer
dizer com 'não consegui ver essa parte'?"
Ele não parecia capaz de deixar de me tocar e seus dedos percorriam meu rosto, meu pescoço. "Cada
momento que você esteve no passado, novas lembranças formaram – não substituindo as originais, mas
criando uma nova camada. Eu vi tudo até o momento em que peguei a gripe...e então tudo ficou
escuro."
Minha respiração ficou presa na garganta. "Então você sabe tudo que aconteceu."
"Sim" ele balançou a cabeça lentamente. Eu esperei por mais, mas ele não disse nada, e seus olhos não
entregaram nada.
"Como...como você se sente com tudo isso?" eu perguntei, insegura. Parecia que ele ainda me queria,
que ainda me amava, mas eu estava com medo de aceitar algo como certo.
Ele franziu a testa em pensamento, me olhando com olhos dourados. "Me sinto...em conflito. Agradecido.
Enciumado. Amedrontado."
Balancei minha cabeça sem acreditar. "Você achou que eu fosse querer ficar? Edward...eu te amo. Por
inteiro – passado, presente e futuro. O que eu quero não mudou nada. Eu não vou aceitar nada menos
que uma eternidade com você."
Seus olhos voltaram a me encarar esperançosos. "Eu só...eu não podia evitar temer que você me
preferisse humano. Que você fosse querer a vida e a família que eu não posso te oferecer agora, ou que
você achasse...preferível fisicamente..."
Eu ri alto de alívio. Ele não me odiava; ele ficou aqui assolado por suas inseguranças. "Ah, vampiro bobo.
Você não sabe que não mudou nada?"
"Eu espero que tenham ocorrido algumas mudanças em 90 anos" ele disse perversamente.
"Algumas" eu concordei enquanto me aproximava, "mas todas as coisas importantes continuam iguais.
Você realmente achou que eu largaria tudo que tenho aqui tão facilmente? Que tudo que passamos para
chegar até aqui seria em vão?"
"Eu não sabia o que pensar" ele admitiu. Seus dedos percorreram gentilmente por meus cabelos. "Eu
não tinha como te perguntar."
"Sinto muito" eu suspirei, encostando minha cabeça em seu ombro. "Deve ter sido horrível para você,
ver tudo aquilo durante meses sem saber..."
"Na verdade," ele emendou, "para mim foram apenas alguns dias."
Eu pisquei, olhando em seus olhos divertidos. "Mas eu estive no passado por mais de dois meses."
"Pelos meus cálculos, cada dia que você ficou fora durou uma hora para mim. Você sumiu por um pouco
menos de três dias."
"Eu acho que sim" ele suspirou, me puxando contra ele. "Eu não poderia assistir aquilo por meses..."
"Foi tão ruim assim?" eu perguntei, apertando meus braços o mais forte que pude ao seu redor.
Ele hesitou. "Eu não sei como descrever. Eu estava...com ciúmes de mim mesmo. Eu estava vendo
minhas próprias lembranças, mas elas eram todas novas pra mim – eu não senti como se já tivesse
experenciado essas coisas e as estivesse revivendo. Pareceu que eu as estava experenciando por meio
de outra pessoa...e quando eu vi meu eu do passado se apaixonando por você, te beijando, te
tocando...eu queria que fosse eu, apesar de tecnicamente...ser eu."
"Está tudo bem" ele disse. "Agora que sei como se sente, o que você estava pensando...não estou mais
com medo."
"Que você me odiasse por não mudar o passado quando tive a chance. De não ter te salvado de ficar
doente e se tornar um vampiro..."
Ele beijou minha testa, sorrindo. "Quem é o bobo agora? Você não sabe que nunca me convenceria a
mudar meus planos? Além do mais, eu não queria que nada mudasse. Eu devia ter te contado isso há
muito tempo, mas sua presença em minha vida mudou tudo. Eu estou feliz por ter sido transformado,
apenas pela chance de poder te conhecer...e agora, saber que eu estava sendo preservado para o tempo
em que poderia estar com você novamente...isso completa o quebra-cabeça perfeitamente."
"Estou surpresa por não ter mudado nada...eu estava com medo de voltar e encontrar todo meu futuro
destruído."
"Você mudou coisas de pequenas formas" ele disse. "A história está sutilmente diferente, mas apenas do
meu lado. Eu não me lembrava de muita coisa depois da transformação, apenas do seu rosto e que eu
tinha te amado. Carlisle foi muito cuidadoso em deixar pensamentos sobre você longe de sua mente,
para não me mostrar o futuro. Quando conheci você, depois que o desejo por seu sangue tinha diminuído
um pouco, eu percebi que você tinha o mesmo rosto da pessoa que eu amei...eu não sabia o que pensar
disso. Isso me deu mais motivos do que nunca para tentar ficar longe de você – como eu poderia te
envolver no meu mundo? Quando eu cedi a tentação, eu não ousei dizer nada – era loucura suficiente
você me aceitar pelo que eu era. Eu não podia te contar que tinha te conhecido em 1918."
Eu franzi a testa. "Mas então, você não deveria ter entendido o que aconteceu quando eu desapareci?"
Edward sacudiu os ombros. "É ai que as coisas ficam confusas, porque eu ainda tinha lembranças
sobrepondo as de até o momento que você retorna. Mas eu ainda estava muito preocupado – eu podia
saber onde você estava, mas eu não tinha como saber com certeza que você estaria segura ou que você
voltaria."
"Estou feliz por ter voltado" eu murmurei, tentando me afundar mais em seu abraço. "Não me arrependo
da experiência – aprendi tanta coisa. Mas foi assustador, não saber o que iria acontecer comigo ou se eu
poderia mudar as coisas."
"Você não está nem um pouco triste?" ele perguntou. Ele segurou minha mão esquerda e olhou
significativamente para o anel de noivado de safira que ainda estava no meu dedo.
"Não, não por mim" eu respondi enquanto movia o anel para minha mão direita e tirava os outros anéis
do meu bolso, os colocando de volta em seu lugar apropriado. "Estou triste por não poder lhe dar o que
você queria de imediato – estou triste que você teve que me esperar por tanto tempo. Mas mesmo
assim, estar no passado apenas me fez amá-lo mais, vendo o tanto da sua humanidade ainda presente,
mesmo depois de tudo que você passou. Eu entendo muito mais coisas agora, e eu estou pronta. Estou
pronta para a eternidade com você."
"Eu te amo" ele suspirou, roçando seus lábios por minhas mãos – as duas usando seus anéis. Então ele
colocou suas mãos em cada lado do meu rosto e beijou meus lábios. Eu derreti, me entregando
alegremente a sensação familiar. Era bom beija-lo novamente sem segredos ou medos martelando em
minha cabeça. Agora éramos somente eu e Edward, como devia ser.
"Não pare" eu resmunguei enquanto ele se afastava, apertando seus ombros. "Se passou tanto tempo
para mim. Eu quero senti-lo aqui comigo."
"Eu não quero parar" ele respirou. Seus olhos eram como caramelo derretido conforme ele acariciava
minha face, me olhando como se quisesse memorizar meu rosto. "Até três dias sem você parecem
muitos."
Nós caímos como um na cama enquanto nossos lábios se encontraram outra vez. Eu saboreei seu hálito
gelado e sua pele impecável e macia conforme nos beijávamos sensualmente, ambos sendo levados pelo
momento como folhagens levadas pelo curso do rio. Seu corpo pairava forte e pesado sobre mim,
protetor e possessivo.
Eu coloquei minhas mãos sob sua camisa enquanto meus lábios grudavam aos dele. Seu gemido suave
de prazer fez minha pele formigar. "Me toque" eu implorei, percorrendo minhas mãos pela pele de
mármore de suas costas.
Suas mãos atenderam meu pedido, mergulhando sob minha saia e alisando minhas coxas. Seu toque
gelado em minha pele parecia com um regresso ao lar. Eu quase chorei.
"Mais, por favor" eu suspirei, arqueando meu corpo contra o seu. "Tire isso."
Edward me surpreendeu ao me levantar até que eu estivesse sentada, e se moveu rapidamente para
trás de mim para desabotoar meu vestido. Ele abriu a roupa lentamente e depois a escorregou
cuidadosamente por meus ombros, deixando um rastro de beijos suaves conforme fazia isso. Eu me
larguei contra ele, tonta de desejo, e seus braços me envolveram por trás.
"Você tem alguma idéia do que te despir enquanto você está vestindo essas roupas faz comigo?" ele
falou em minha orelha. "Eu me sinto como um adolescente atrapalhado de novo."
"Você se saiu muito bem como um adolescente atrapalhado." Eu comentei, minha respiração acelerando
conforme seus dedos percorriam um pedaço do meu colo que foi revelado pela minha roupa íntima.
"Estou realmente agradecido, sabe," ele disse enquanto voltava a ficar de frente para mim. "Por tudo
que você me proporcionou ao voltar no tempo." Seus olhos estavam ilimitados, gentis e sinceros. Eu não
pude deixar de tocar seu rosto, acariciando a forte linha de seu maxilar.
"Eu te amo tanto" eu disse, as palavras transbordando espontaneamente. "Eu não acho que te digo isso
o suficiente. É tão óbvio para mim."
Ele me puxou novamente para seus braços, roçando seus lábios contra os meus, por meu rosto e meu
pescoço. "Ah, minha Isabella" ele murmurou, ainda fazendo nossos corpos ficarem mais juntos. "Como
eu poderia viver um dia sequer sem você?"
Me agarrei a ele, deixando com que ele me levantasse para retirar o vestido de meu quadril. Eu
aproveitei o momento para abrir os botões de sua camisa. Foi uma doce sensação desliza-la por seus
ombros e colocar minhas mãos na vasta extensão de pele que agora estava exposta. Ele suspirou em
profundo contentamento, ainda distribuindo seus beijos viciantes por meus ombros.
Ele parecia ler todos os meus desejos como um livro, assim como a minha impaciência. Eu não
conseguia evitar isso – eu tinha ficado quase três meses sem ele, meses de constante ansiedade, e eu
queria me perder nele agora, queria recuperar aquela sensação de felicidade e paz completa que
aparecia ao fazer amor com o Edward.
Cuidadosamente, ele levantou minha camisa, expondo meus seios ao seu olhar. Ele me tocou com
reverência, tão gentil e aplicadamente traçando a curva de meus seios com seus dedos longos e
graciosos. Eu tremi, entorpecida em sensação. Eu senti ele se afastar de mim, e quando abri meus olhos,
vi que ele tinha retirado suas roupas. Me deliciei com essa visão dele, perfeição demais para olhos
mortais. Talvez quando eu fosse como ele, conseguisse aprecia-lo mais – mas duvidava disso.
Eu estiquei meus braços em sua direção, e ele voltou para mim, juntando nossos corpos. Eu estremeci
com o toque eletrizante de nossas peles, sentindo correntes de prazer percorrendo por mim com o
simples contato. Certamente ninguém nunca tinha se sentido desse jeito; certamente ninguém nunca
tinha tido uma conexão assim com outra pessoa antes...
Nossos olhos se encontraram, e então ele me deitou na cama, pressionando novamente seu corpo contra
o meu. Eu esperei sem fôlego enquanto suas mãos deslizavam por meu corpo, mal tocando meus seios e
minha cintura antes de pararem nas tiras da minha roupa de baixo. Ele as desfez com facilidade, com
graciosos movimentos rápidos de seus dedos e ele retirou a vestimenta, nos deixando ambos nus.
Seu quadril ficou entre minhas coxas, seus olhos o tempo todo nos meus, dizendo tudo que
simplesmente não existiam palavras para dizer. Eu senti sua mão subir por minha coxa e depois ir para o
meio das minhas pernas, partindo meus lábios e acariciando delicadamente.
Eu gemi seu nome e agarrei seus ombros. Seus olhos encontraram os meus, e isso foi o bastante para
ele saber que eu estava pronta. Meu nome saiu de seus lindos lábios quando ele me penetrou, e eu gemi
desamparadamente em resposta.
Era tão bom tê-lo novamente dentro de mim, sentir até meus ossos que ele era meu e que seria para
sempre assim. Eu quase podia ver os anos que viriam, uma eternidade de felicidade plena.
Edward se afastou, e então deslizou para dentro de mim novamente lenta e torturantemente. Seus
braços pareciam tremer com o esforço de se controlar, e apesar de que fazer amor com o Edward ainda
era a melhor coisa que eu já tinha sentido, eu estava ansiosa para o momento em que ele não precisaria
mais se reprimir comigo.
Ele se moveu mais uma vez para dentro de mim, e eu perdi a habilidade de focar qualquer coisa a não
ser seus olhos em chamas e na sensação varrendo sob minha pele. Ele era tão lindo que sempre me
tirava o fôlego – a maneira que seu maxilar apertava, seus dedos agarrando os lençóis, sua respiração
desnecessária irregular, seus olhos fechando de prazer...e eu tinha o privilégio de saber que era a única
a vê-lo desse jeito, a única que sempre veria.
E as coisas que ele me fazia sentir eram sem comparação. Conforme nossos corpos se moviam juntos,
calor chamuscava por meus nervos, por meu sangue, e eu não conseguia ter o suficiente. Isso me
deixava tonta, fazia minha cabeça girar, e eu tinha que segurar forte em Edward para continuar
flutuando.
Edward começou a se mover mais rápido quando percebeu que eu estava me aproximando do clímax, e
eu tentei absorver tudo – o atrito insuportável na região onde estávamos unidos, sua pele fria relando na
minha, sua respiração em meu pescoço quando colocou sua cabeça em meu ombro, seus lábios roçando
minha pele conforme ele sussurrava meu nome. Ele mudou o ângulo o suficiente para que quando se
movesse tocasse meu clitóris, e essa pequena mudança foi tudo que precisou para eu alcançar o clímax.
O calor e o prazer se libertaram, inundando meu corpo como um rio rompendo uma represa. Cada nervo
e músculo reagiu, compartilhando a felicidade plena, e conforme eu contrai ao redor do Edward, ele
gritou meu nome e me acompanhou.
Nós ainda estávamos tremendo quando ele saiu de cima de mim e me puxou para seus braços. Minha
mente estava enevoada, mas ele de algum modo pensou em puxar as cobertas para nos cobrir – apesar
de que eu percebi que ele tinha feito alguns buracos no lençol abaixo de nós. Eu bocejei profundamente
contra minha vontade enquanto me aconchegava no abraço de Edward, e meus olhos se fecharam
involuntariamente. Eu o senti rir.
"Você não dormiu apropriadamente por vários dias, não é mesmo? Você devia descansar agora."
"Mmm...mas os outros vão querer saber o que aconteceu...e ainda tem mais coisa para conversar..."
Apesar dos meus protestos, eu senti que já estava adormecendo.
Pela primeira vez, ele não ficou tenso por eu tocar no assunto. "Assim que você estiver pronta."
"Não vai demorar muito," eu prometi para ele e para mim mesma. "Apenas preciso fazer algumas coisas
primeiro..."
"Então também estarei pronto," ele disse, dando um beijo no topo da minha cabeça.
Essa era a promessa mais linda que ele já tinha me feito, e eu sabia que ele iria cumprir.
CAPÍTULO 27 – EPÍLOGO
"O que está te fazendo sorrir desse jeito?" Edward perguntou quando sai do banheiro da nossa nova casa
no norte do Canadá. Nós nos mudamos há dois dias e ainda estávamos nos acomodando. Charlie e
Renee achavam que tínhamos ido para a universidade. Eu já tinha dito adeus a eles.
"Minha menstruação começou", eu disse a ele, corando. Menstruação era um tópico que tendíamos a
evitar – era desconfortável em vários níveis.
Edward ergueu uma sobrancelha. "Você nunca considerou isso como uma causa para celebrar antes."
Torci minhas mãos, sem jeito. "Isso, uh...isso significa que não estou grávida."
Compreensão passou por sua expressão antes dela ficar indecifrável. "Ah. Entendo."
Eu fiquei parada inquieta na soleira da porta, olhando para ele sentado em nossa cama. "Você está
triste?", eu finalmente perguntei. Eu tinha medo que isso seria uma decepção para ele.
"Triste que você não está grávida? Não, eu tenho que dizer que também estou aliviado. Eu não consigo
imaginar dois vampiros tentando criar uma criança humana. Mas suponho que esteja triste pelo que
nunca poderei te dar."
Me forcei a me mover, diminuindo a distância entre nós. "Você sabe que tudo que preciso para ser feliz é
você."
Ele sorriu, esticando o braço para colocar a mão em minha face. "Eu não consigo imaginar como isso seja
possível, mas vou acreditar na sua palavra."
"Vampiro bobo" eu suspirei. "Você não sabe que é tudo o que eu quero e mais um pouco?"
Ele me ofereceu um sorriso torto. "Continue dizendo isso. Tenho certeza que vai entrar na minha cabeça
um dia."
"Edward", eu choraminguei.
Ele ergueu os braços em derrota. "Eu só não quero que você tenha arrependimentos", ele explicou
pacientemente.
"Estou completamente segura", prometi. "Por favor, Edward. Ficar esperando só está me deixando
ansiosa."
"Muito bem", ele concordou com a cabeça antes de se esticar ao meu lado na cama. "Carlisle vai ficar
escutando do lado de fora, apenas no caso..."
"Não estou preocupada" eu interrompi, esticando o braço para tocar seu rosto uma última vez antes de
meu mundo mudar por completo. "Eu te amo."
Ele me beijou suavemente, e não pude evitar relaxar por completo. "Minha pequena Bella corajosa.
Estou contente por poder ficar com você."
Seus lábios pressionaram os meus mais uma vez antes de moverem para pairar sobre minha garganta.
Meu coração bateu mais forte quando ele deu um beijo gentil no meu pescoço, santificando o ato, e
então seus dentes romperam minha pele.
A dor diminuía lentamente, persistindo em meus ossos pelo que pareceu uma eternidade. Quando todas
as dores sumiram, tudo o que ficou foi uma estranha sensação de vazio. Demorei alguns instantes para
perceber que eu não estava respirando, e me esforcei para fazer meus pulmões funcionarem. Parecia
que eu tinha esquecido como viver desde que a dor tinha começado.
Depois que isso foi realizado, eu tentei me lembrar quem eu era. Essa tarefa era mais difícil. Finalmente
me lembrei. Bella Swan. Mas isso também não estava muito certo...isso tinha mudado antes de...antes
de...
E então uma voz me chamou, uma voz tão linda que era teria rastejado pelo inferno apenas para ouvi-la
dizer meu nome.
Por aquela voz, eu forcei meus olhos a se abrirem. E então eu vi o rosto que a acompanhava, o tipo de
rosto pelo qual eu teria lançado milhares de navios. Ele sorriu, e tudo se encaixou.
Eu conhecia esse homem debruçado sobre mim. Ele era Edward Cullen, e eu o amava. Essa era a razão
de eu não ser mais a Bella Swan...eu era Bella Cullen, e ele tinha me prometido a eternidade.
"Edward", eu respirei.
Eu me afastei para olhá-lo mais uma vez, para estudar o rosto que percebi nunca ter realmente
conhecido antes. Meus olhos humanos não foram poderosos o suficiente para capturar sua beleza
extraordinária. Ele também estava me estudando.
"Eu estou muito diferente?" eu perguntei com esperança. Eu não imaginava que aconteceria uma
transformação radical – não tinha como eu um dia ficar tão bonita quanto Rosalie, Alice ou Esme – mas
eu esperava pelo menos ficar a altura de ficar ao lado de Edward. O vendo agora, eu duvidava que isso
fosse o caso.
"Não," ele balançou a cabeça. "Não, você parece com a minha linda Bella. Venha ver", ele disse, me
puxando para levantar da cama. Eu fui com ele até o longo espelho da porta do armário e vi que ele
estava certo. Eu não tinha mudado muito – os mesmos traços estavam ali na minha frente. Apenas com
mais ângulos, um pouco mais realçados.
"Você está mais encantadora do que nunca", ele me disse, afastando o cabelo do meu pescoço para
depositar um beijo ali. Eu o observei, fascinada com a imagem de seus lábios em minha pele, e
espantada com os sentimentos percorrendo por mim – nunca foi assim quando eu era humana.
Eu me perguntei se os outros estariam em casa, e depois realizei que seria capaz de escutá-los agora,
caso estivessem.
"Sim, os outros acharam que iríamos querer um pouco de privacidade. Eles não estão longe, no entanto,
caso você..."
Eu me virei e o interrompi colando minha boca a sua. Nós dois gememos conforme o beijo se aprofundou
e eu o empurrei de volta para a cama.
"É melhor eles não voltarem por uns dias", eu disse contra seus lábios.