Depressão
e suicídio
Marc
Sumário
Conceito Geral 3
TDM 5
Distimia 20
TDDH 23
Abuso de Psicofármacos 27
Comportamento suicida 28
Conceitos
importantes.
Humor
É o estado emocional basal de
cada pessoa.
Afeto
É como o indivíduo expressa
suas emoções diante de algo.
A oscilação de humor é
considerada normal, porém,
quando acontece de forma
exagerada, intensa ou duradoura,
de forma a causar prejuízo, é
preciso considerar a existência de
transtorno.
“Humor é como a estação do ano, afeto é como o clima do dia”
Classificação
Transtornos depressivos, segundo o DSM:
Transtorno Depressivo Maior (incluindo
episódio depressivo maior);
Transtorno Depressivo Persistente
(distimia);
Transtorno Disruptivo da Desregulação
do humor;
Transtorno Disfórico Pré-menstrual;
Transtorno Depressivo Induzido por
substância/medicamento;
Transtorno Depressivo devido a outra
condição médica;
Outro transtorno depressivo
especificado;
Transtorno depressivo não especificado.
Transtorno Depressivo
Maior - TDM
Conceito:
Trantorno que afeta o humor, a
capacidade de sentir prazer e a
energia.
Causa sofrimento ao paciente,
prejudica a capacidade de
executar as tarefas do cotidiano
e cumprir com as
responsabilidades, resultando em
um quadro conhecido como
“prejuízo funcional”
Fatores de Risco
2 a 3 vezes mais Experiências
comum em Traumáticas na
mulheres. infância ou
Pode ser mais recentes.
prevalente em Desemprego,
pessoas com divórcio, luto,
temperamento problemas
negativo conjugais/afetivos
(neuroticismo) graves
Idades avançadas Condições médicas
Familiares de 1º crônicas ou
grau de individuos incapacitantes, ex::
com TDM tem 2 a câncer e doenças
4x maior risco. cardiovasculares.
Fatores de Proteção
Suporte familiar e rede de apoio.
Maior escolaridade
Vida laboral ativa
Atividades físicas regulares
Crenças religiosas ou espirituais
Inserção social
Resiliência
Saúde Mental
Critérios
Diagnósticos
A: 5 ou + critérios principais + acesórios
B: Sofrimento significativo ou prejuízo
no funcional, social, profissional, etc.
C: Os sintomas não podem ser
atribuídos a uso de substâncias ou
condições médicas
D: Não há melhor explicação por
transtornos psicóticos ou
semelhantes.
E: Nunca houve episódio
maníaco/hipomaníaco.
Estratificação
Episódio Depressivo Leve:
Manutenção da rotina inalterada,
apesar de sofrimento e piora
discreta de rendimento.
Episódio Depressivo Moderado:
Dificuldade em manter rotina, com
prejuízos evidentes em sua
funcionalidade. Podem existir
sintomas psicóticos.
Episódio Depressivo Grave:
Incapacidade de manter rotina,
grande sofrimento e queda de
performance global, desleixo com
aparência e cuidados, e possíveis
sintomas psicóticos.
Episódio depressivo único
Evolução do
TDM
Um episódio depressivo tem seu pico
da incidência: Antes dos 40 anos.
Apresenta altas taxas de recorrência,
especialmente em casos mais graves.
Após o 2º episódio de depressão, a
chance de novos episódios chega a
80%. Transtorno Depressivo Maior
Caso um novo episódio ocorra em
intervalo menor de 2 meses, a
depressão passa a ser chamada de
depressão recorrente.
TDM e Suicídio
O suicídio é uma possibilidade
permanente durante os episódios de
TDM.
Maior fator de risco:
História prévia de tentativas ou
ameaças de suicídio
Maioria dos suicídios completados não
é precedida por tentativas frustradas.
Outras características:
Homem
Solteiro ou vive sozinho
Ter sentimentos proeminentes de
desesperança
Ter personalidade borderline.
Tratamento
do TDM
Não Farmacológico
Psicoterapia cognitivo-comportamental:
Pode ser a única intervenção necessária
em casos leves.
Importante alternativa para o manejo de
pacientes deprimidos. Possui maiores taxas
de remissão do que a farmacoterapia
isolada
A realização de atividades físicas regulares
também pode ser considerada 1ª linha de
tratamento
Farmacológico
A combinação de antidepressivos com
psicoterapia apresenta melhores resultados.
Inibidores de Recaptação da Serotonina -
ISRS
1ª linha de tratamento
Aumentam a disponibilidade de serotonina
na fenda sináptica, tem baixa interação
farmacológica e boa tolerância
Efeitos adversos: Náusea, diarreia, insônia,
perda da libido e anorgasmia
Exemplos: Citalopram, escitalopram,
fluoxetina, paroxetina e sertralina
Inibidores de Recaptação da Serotonina e
Noradrenalina - IRSN - Duais
Também de 1ª linha de tratamento, porém menos
acessíveis. Apresentam as mesmas indicações.
Hepatotoxidade relatada ao uso de duloxetina
Não devem ser associdados aos ISRS
Ex: Venlafaxina, Desvenlafaxina, Duloxetina
Antidepressivos atípicos
Mecanismo de ação não baseado na
recaptação de serotonina,
Diversos mecanismos de ação
Podem ser encarados como 1ª ou 2ª linha
Antidepressivos tricíclicos
Bloqueiam a recaptação de
serotonina e da noradrenalina, que
se acumulam progressivamente na
fenda sináptica, promovendo
efeitos terapêuticos.
Apesar de eficazes, apresentam
mais efeitos colaterais, sua
metabolização é mais complexa e
com maior risco de interações
medicamentosas.
São considerados medicações de
2ª linha
Duração do tratamento
Tratamento feito em 3
fases:
Aguda (3 meses -
diminuição ou remissão
dos sintomas)
Continuação (6 meses -
estabilização ou remissão
de sintomas residuais)
Manutenção (6-24
meses - prevenção de
recaídas e manutenção
da funcionalidade).
Indicação de manutenção do tratamento por tempo
indeterminado
Situações especiais
Depressão refratária ao tratamento
Podem ser combinadas
diferentes classes de
antidepressivos em doses altas.
Combinação mais conhecida:
Venlafaxina e mirtazapina.
Outros fármacos: O anestésico
cetamina e seu derivado
escetamina, antipsicóticos,
estabilizadores do humor,
psicoestimulantes, hormônios
tireoidianos, entre outros.
Situações especiais
Internação psiquiátrica
Adotada em casos extremos
Risco elevado e iminente de suicídio
(ideação, planejamento, acesso aos
meios)
Intensa agressividade contra terceiros,
Elevado risco de dano patrimonial
Risco contra à ordem pública
Geralmente associado a sintomas
psicóticos e/ou consumo de
entorpecentes
Blues Puerperal
Atinge até 75% das puérperas.
Alterações de humor, sendo comum
na 1ª semana.
As manifestações leves, como tristeza,
insegurança e ansiedade, duram
menos de 14 dias.
Os sintomas são relacionados a
mudanças hormonais e
sociofamiliares, maior
responsabilidade e piora do sono.
Suporte e orientação são essenciais.
O DSM-5 sugere esse diagnóstico até
4 semanas após o parto, outros até 6
meses.
Transtorno Depressivo
Persistente - Distimia
“Doença do mau humor”. O
humor é afetado de maneira
crônica, com sintomatologia
leve.
É mais comum em mulheres
Suas principais diferenças para
o TDM são a duração - acima de
2 anos, e a mudança de
personalidade.
O tempo de duração é de 2 anos
ou mais.
1 a 5% da população é afetada.
Critérios Durante os 2 anos, não
Diagnósticos houve 2 meses seguidos
sem sintomas.
Humor deprimido na
Durante os 2 anos, não
maior parte do dia, na
houve 2 meses seguidos
maioria dos dias, por pelo Há sofrimento
sem sintomas.
menos 2 anos. significativo ou prejuízo
funcional.
Presença de pelo menos 2 sintomas:
Alteração do apetite (reduzido ou
aumentado); Pode haver episódios
Alteração do sono (insônia ou hipersonia);
Não explicado por
Baixa energia ou fadiga;
depressivos maiores substâncias, condições
Baixa autoestima; sobrepostos (dupla médicas ou outros
Dificuldade de concentração ou tomada depressão). transtornos psiquiátricos.
de decisões;
Sentimentos de desesperança.
Tratamento
do distimia
Não Farmacológico
Psicoterapia cognitivo-comportamental e
psicoterapia interpessoal, além da prática de
atividades físicas deve ser utilizada
Farmacológico
O uso de antidepressivos é indicado, mesmo
que as manifestações possam parecer
“menos graves”.
Transtorno Disruptivo da
Desregulação do Humor
Comum em crianças na clínica
psiquiátrica, predominantemente no
sexo masculino.
Diferencia-se do transtorno bipolar
pela idade de ocorrência - 7 a 18 anos.
Associado à marcada perturbação na
família da criança e nas relações com
os pares, bem como no desempenho
escolar, além de dificuldades em
interação e sociabilidade.
Critérios
Diagnósticos
Segundo o DSM, os critérios
diagóstivos são os seguintes:
O transtorno não coexiste com o
Transtorno Opositor Desafiador,
Transtorno Explosivo Intermitente e
Transtorno Bipolar, o diagnóstico
diferencial requer atenção especial.
Outros
Transtornos
Transtorno Disfórico Pré-Menstrual - TDPM
Alterações de humor e ansiedade relacionados ao ciclo
menstrual, de início na fase pré-menstrual e alívio pós-
menstruação.
Mais grave que a síndrome pré-menstrual, afeta
significativamente a vida social ou ocupacional;
Devem estar presentes em ≥ 5 sintomas, incluindo
oscilações de humor, irritabilidade, depressão ou
ansiedade.
Prevalência do transtorno é de 3 a 8% das mulheres
menstruadas e cessa após a menopausa.
Medicamentos
Outros associados
Transtornos
Depressão associada a enfermidade e secundária.
Pode estar relacionada à enfermidade ou ao
medicamento de tratamento da enfermidade
Se suspeita clínica de depressão iatrogênica, é
necessário realizar a substituição empírica da
medicação por alternativa.
ISRS são as melhores opções em caso de
impossibilidade de substituição, e Doenças
antidepressivos tricíclicos são associadas
contraindicados para pacientes com alguns
problemas cardíacos.
Abuso de Psicofármacos
A literatura relaciona o aumento dos índices
de dependência a psicofármacos a 3
motivos:
1. Aumento do diagnóstico de
transtornos psiquiátricos na população;
2. Surgimento de novos medicamentos
no mercado farmacêutico;
3. Utilização dos psicofármacos já
existentes para novas indicações
terapêuticas
Especialmente os Benzodiazepínicos, mas
não somente eles, requerem um
acompanhamento atento e ajustes de dose
“Um para dormir, um para sorrir, outro cautelosos.
para trabalhar”
Comportamento suicida
Ato deliberado e intencional de tirar a
vida.
Inclui a presença de pensamentos de
morte, plano suicida, tentativa ou ao
próprio suicídio
4ª Principal causa de morte entre 15 e 29
anos.
Homens apresentam taxas 3x mais
frequentes, embora mulheres
apresentem maior índice de ideação e
tentativas.
Apresenta maior risco entre pessoas com
transtornos psiquiátricos relacionados ao
humor, ansiedade e esquizofrenia.
Fatores Associados
Tentativa prévia Gênero feminino
(principal fator) Casamento
Morar sozinho Presença de
Isolamento social crianças em casa
Sentimentos como Gravidez
desesperança, Habilidade no
desamparo, enfrentamento de
inutilidade e situações
ambivalência. Rede de suporte.
Situações Resiliência
estressantes ao Religiosidade
longo da vida
Luto
Histórico de
abuso/negligência
Prevenção ao
comportamento suicida
4 estratégias:
Limitar acesso aos métodos letais
(pesticidas, medicamentos e armas de
fogo, locais elevados, etc).
Orientar a mídia a uma cobertura
responsável em relação ao suicídio,
promovendo difusão de informações de
relevância social sobre o tema;
Promover habilidades socioemocionais na
população jovem.
Identificação e abordagem precoce de
pessoas em sofrimento mental.
Manejo do paciente suicida
Principal objetivo: Proteção à vida.
Identificar histórico médico pregresso, motivações métodos e meios
empregados
Um prolongamento do tempo de observação no pronto-atendimento pode ser
útil para melhor avaliação e conduta.
Em seguida, deve ser estimado o risco:
Se paciente de baixo/médio risco, que
aceite tratamento e com bom suporte
familiar, pode ser liberado mediante
orientação e vigilância.
Pacientes de alto risco, com ideação
mantida, sem suporte familiar e sem
acesso adequado a tratamento devem
ser encaminhados para internação
psiquiátrica.
Nas primeiras semanas após uma
tentativa de suicídio, existe um risco
consideravelmente aumentado para a
ocorrência de novas tentativas
Obrigado