INSTITUTO POLITÉCNICO DE TECNOLOGIA E EMPREENDEDORISMO
CADEIRA: MODELO VOCACIONAL
CURSO: TÉCNICO DE ENFERMAGEM GERAL (TEG)
TEMA: HOMEOSTASE
FORMANDOS: FORMADORA:
CRISTINA ALBERTO IDAIA
LIZETE CHAMADO
RELIA JORGE
SHÉLZIA DÉRCIO
VALÉRIA VALENTE
Maputo, Março de 2025
ÍNDICE
1 CAPÍTULO I ............................................................................................................. 3
1.1 Introdução .......................................................................................................... 3
2 CAPÍTULO II ........................................................................................................... 4
2.1 Desenvolvimento ............................................................................................... 4
3 CAPÍTULO III ........................................................................................................ 10
3.1 Conclusão......................................................................................................... 10
3.2 Referências Bibliográficas ............................................................................... 11
1 CAPÍTULO I
1.1 Introdução
Neste presente trabalho vamos abordar sobre a homeostase ou homeostasia como
tendência à manutenção das condições internas de um organismo sempre dentro de
parâmetros normais ou fisiológicos. A homeostase é um processo de autorregulação por
meio do qual sistemas biológicos tendem a manter sua estabilidade para se ajustarem a
condições ótimas de sobrevivência.
2 CAPÍTULO II
2.1 Desenvolvimento
DEFINIÇÕES DE HOMEOSTASE
Conceituar ou definir homeostase não é uma tarefa fácil como pode parecer a princípio.
O termo permite aos autores expor suas visões, normalmente voltadas para as áreas de
seu conhecimento ou interesse. Assim sendo, pode-se dizer que o termo homeostase,
apesar de dar sempre a idéia de equilíbrio ou estabilidade, pode permitir diferentes
interpretações e conceituações conforme se observa nas transcrições de dicionários e
alguns autores que relacionamos abaixo.
De acordo com o dicionário Michaelis
Homeostase – tendência à estabilidade do meio interno do organismo. Propriedade auto-
reguladora de um sistema ou organismo que permite manter o estado de equilíbrio de suas
variáveis essenciais ou de seu meio ambiente.
Homeostasia – lei dos equilíbrios internos que rege a composição e as reações físico-
químicas que se passam no organismo e que, graças a mecanismos reguladores, são mais
ou menos constantes. É o que acontece com o teor, no sangue, de água, sais, oxigênio,
açúcar, proteínas e graxos, o mesmo se verificando com a reserva alcalina do sangue e
temperatura interna.
De acordo com o dicionário Priberam
Homeostasia – propriedade auto-reguladora de um sistema ou organismo que lhe permite
manter o seu estado de equilíbrio; tendência para a estabilidade no meio interno de um
ser vivo.
Enciclopédia Encarta (2000)
Homeostase é o processo através do qual um organismo mantém as condições internas
constantes necessárias para a vida. Aplica-se ao conjunto de processos que previnem
flutuações na fisiologia de um organismo, e denomina também a regulação de variações
nos diversos ecossistemas, ou do universo como um todo.
Segundo Odum (1972)
Homeostasia é o termo empregado para significar a tendência de os sistemas biológicos
resistirem a mudanças e permanecerem em estado de equilíbrio.
Segundo Dajoz (1973)
Hemeostase – quanto mais complexos os ecossistemas, maior tendência apresentam à
estabilidade, isto é, a uma independência cada vez mais acentuada com relação às
perturbações de origem externa. Esta tendência à estabilidade chama-se homeostasia"
Segundo Hurtubia (1980)
Homeostase – tendência de os sistemas biológicos a resistir a alterações e permanecer em
estado de equilíbrio dinâmico.
De acordo com Carvalho (1981)
Homeostase – é um conjunto de fenômenos que têm lugar e interferem nos ecossistemas,
ou mesmo em certos organismos, corrige desvios, elimina excessos, controlando forças
antagônicas, introduzindo por vezes fatores novos, procurando sempre manter o conjunto
em equilíbrio e funcionamento correto e normal. Os mecanismos homeostáticos são
“feedbacks” dos ecossistemas.
A homeostasia é também um processo de auto-regulagem, pelo qual os sistemas
biológicos, como células e organismos, trabalham para a manutenção da estabilidade do
ecossistema pelo ajuste das condições necessárias para um ótimo de sobrevivência. A
compilação de todos esses conceitos leva a certeza de que o termo homeostase designa
todo o conjunto de ações reflexas que o organismo animal adota com o objetivo principal
de manter o equilíbrio necessário à vida. Embora o conceito de homeostase signifique
que o meio interno está equilibrado, não quer dizer que o meio interno esteja
absolutamente constante. A maioria das variáveis fisiológicas oscilam em torno de um
valor fixo, e assim, a homeostase representa mais propriamente um equilíbrio dinâmico.
Mais recentemente, a homeostase vem ainda sendo apresentada como passível de divisão
em 3 sub- áreas de maior interesse:
Homeostase Ecológica;
Homeostase Biológica;
Homeostase do ser humano.
Homeostase ecológica
Na sua hipótese de Gaia, James Lovelock afirma que toda a massa de matéria viva da
Terra, ou de qualquer outro planeta com vida, funciona como um vasto organismo que
ativamente modifica o seu planeta para produzir o ambiente que melhor serve as suas
necessidades. Sob este ponto de vista, o planeta inteiro mantém homeostase. Se um
sistema deste tipo ocorre ou não na Terra é ainda assunto de debate. Contudo, alguns
mecanismos homeostáticos relativamente simples são aceitos na generalidade. Por
exemplo, quando os níveis atmosféricos de dióxido de carbono sobem, as plantas crescem
mais e removem o dióxido de carbono da atmosfera. Quando a luz solar é intensa e a
temperatura atmosférica sobe, o fitoplâncton da superfície oceânica prolifera e produz
mais dimetilo de enxofre, que age como núcleo de condensação de nuvens conduzindo à
produção de mais nuvens, a o aumento do albedo (poder difusor de uma superfície; fração
da luz incidente que é difundida pela superfície) do planeta e à redução da temperatura
atmosférica.
Homeostase biológica
A homeostase é uma das características fundamentais dos seres vivos que permite a
manutenção do ambiente interno dentro de limites toleráveis. O ambiente interno de um
organismo vivo corresponde basicamente aos seus fluidos corporais, onde se incluem o
plasma sanguíneo, a linfa, e vários outros fluidos inter e intracelulares. A manutenção de
condições estáveis nestes fluidos é essencial para os seres vivos, uma vez que a ausência
de tais condições é prejudicial ao material genético. . Diante de uma determinada variação
do meio externo, um dado organismo pode ser conformista ou regulador. Os organismos
considerados reguladores tentarão manter os parâmetros a um nível constante,
independentemente da variação no ambiente externo. Os conformistas permitem que o
ambiente externo determine um novo parâmetro. Por exemplo, os animais endotérmicos
(reguladores) mantêm uma temperatura corporal constante, enquanto que os animais
ectotérmicos (conformistas) exibem uma grande variação deste parâmetro.
Homeostase no corpo humano
A capacidade de sustentar a vida está dependência da constância dos fluidos do corpo
humano, e que poderá ser afetada por uma série de fatores, como a temperatura, a
salinidade, o pH, ou as concentrações de nutrientes, como a glicose, gases como o
oxigênio, e resíduos, como o dióxido de carbono e a uréia. Estes fatores em desequilíbrio
(pela falta ou pelo excesso) podem afetar a ocorrência de reações químicas essenciais para
a manutenção do corpo vivo. Para manter os mecanismos fisiológicos é necessário manter
todas esses fatores dentro dos limites desejáveis.
Exemplos de mecanismos regulatórios
Como base para a adaptação, os organismos mais evoluídos farão uso principalmente de
dois recursos básicos:
o sistema nervoso, atuando basicamente no controle, e o sistema endócrino, atuando
principalmente na sinalização. Estes recursos permitirão que o organismo animal se
adapte às novas condições determinadas pelo meio ambiente, sempre no sentido de
manter constantes as suas condições internas permitindo ajustes no seu metabolismo e
mantê-lo compatível com sua sobrevivência.
Controle da osmolaridade
Alguns mecanismos são bem conhecidos, como a regulação da osmolaridade plasmática.
É sabido que a transpiração e a micção “ajudar” o corpo a manter seus níveis de água e
de eletrolíticos dentro de suas faixas consideradas fisiológicas ou normais, tanto nos
animais domésticos quanto nos selvagens. Nas situações em que ocorrer o aumento da
osmolaridade plasmática os osmoreceptores hipotalâmicos perceberão a variação e farão
com o que o hipotálamo secrete o ADH (hormônio antidiurético) evitando a perda de
água, além de acionar mecanismos que trarão a sensação da sede. Após a ingestão da água
a osmolaridade plasmática volta a níveis “normais”, a diurese permite a eliminação dos
sais e o organismo retorna ao equilíbrio, ou seja, à homeostase. Neste aspecto, alguns
animais apresentam mecanismos muito interessantes para manutenção da osmolaridade
dentro dos níveis que são compatíveis com a vida. Como exemplo, algumas aves marinhas
que vivem muito longe da continente, e, portanto sem acesso a água doce, são obrigados
a consumir a água do mar, e para eliminar o excesso de sais possuem “glândulas
excretoras de sal” localizadas proximamente às narinas e aos olhos, e desta forma mantêm
regulados os níveis de sais na sua circulação.
Regulação térmica
Por influência do hipotálamo, os músculos esqueléticos tremem para produzir calor
quando a temperatura corporal é muito baixa. Quando a temperatura é muito alta o suor
arrefece o corpo por evaporação. Para que isto aconteça é necessário que os
termorreceptores do organismo sinalizem para o hipotálamo a variação da temperatura
corpórea para baixo ou para cima. Outra forma de gerar calor envolve o metabolismo de
gordura.
Regulação da Glicemia
O pâncreas produz insulina e glucagon para regular a concentração de açúcar no sangue
(glicemia). Quando ocorre aumento da concentração de glicose no sangue a insulina entra
em com sua ação
hipoglicemiante, e quando ocorre queda na concentração da glicose é a vez do glucagon
atuar com sua ação hiperglicemiante. As ações destes hormônios permitem manter a
concentração de glicose dentro dos limites que chamamos fisiológicos, ou seja, mantém
a homeostase da glicose. Também neste caso, será necessário que os receptores do
organismo sinalizem a alteração na concentração sanguínea de açúcares.
Regulação do CO2
O Co2 é o produto final de muitas rotas de metabolismo essenciais para o organismo, no
entanto é tóxico para o mesmo, e precisa ser removido para garantir a sobrevivência do
animal. O órgão responsável pela eliminação do CO2 é o pulmão que se encarrega de
fazer trocas com o meio ambiente, absorvendo o oxigênio rico no ar atmosférico e
devolvendo o CO2. O controle desse processo fica por conta do sistema nervoso que age
central e perifericamente aumentando ou diminuindo a freqüência respiratória para
garantir maior ou menor perda de Co2 e absorção de O2. Os receptores periféricos (seios
aórticos e carotídeos) e os receptores centrais (bulbares) têm papel preponderante para
essa regulação que permite a homeostase.
Controle Hídrico
Os rins excretam uréia e regulam as concentrações de água e de uma grande variedade de
íons. Alem de outros mecanismos, os rins tem a capacidade de responder ao ADH
(hormônio antidiurético) produzido pelo hipotálamo, que evita a perda de água e
desidratação do organismo. Nas situações em que houver aumento da osmolaridade
plasmática (maior concentração de sais), baseado num princípio de emergência de água,
o organismo produz o ADH para impedir a perda de água e as complicações decorrentes
do excesso de sais no organismo. Quando o animal faz a ingestão da água, os
osmorreceptores sensíveis à variação da osmolaridade plasmática percebem a mudança
ocorrida e informam ao hipotálamo para que este diminua o ADH e a diurese volte ao
normal. Este equilíbrio conseguido é que chamamos de Homeostase.
O papel do sistema circulatório
O aparelho circulatório é vital para a conservação da homeostase. Ele proporciona
metabólitos aos tecidos e elimina os produtos não-utilizados e também participa na
regulação da temperatura e no sistema imunológico.
Deve ser lembrado que os níveis de substâncias no sangue estarão sob o controle de outros
sistemas ou órgãos, como exemplo:
O aparelho respiratório (pulmões) e o sistema nervoso regulam o nível de dióxido
de carbono;
O fígado e o pâncreas controlam a produção, o consumo e as reservas de glicose;
Os rins são responsáveis pela concentração de hidrogênio, sódio, potássio e íons
fosfato.
As glândulas endócrinas, por sua vez, controlam os níveis de hormônios no
sangue.
O papel do hipotálamo
O hipotálamo recebe informações dos sistemas nervoso e endócrino e faz integração de
todos estes sinais de modo a tornar possível o controle das várias funções do organismo,
como por exemplo:
Termorregulação;
Equilíbrio de energia;
Regulação dos fluidos corporais;
Comportamento (por exemplo, o hipotálamo é responsável pela sensação de sede
e fome).
3 CAPÍTULO III
3.1 Conclusão
Neste presente trabalho podemos concluir que a cada momento em que houver uma
tendência a um desequilíbrio, os mecanismos de homeostase se apresentarão para garantir
a regulação, ou retorno à normalidade. Isso vale, entre tantas outras, para a regulação do
pH corporal assim como para a termorregulação e a circulação. Os princípios da
homeostase estarão sempre sendo apresentados e discutidos na medida em que você
avança nos estudos da disciplina de Fisiologia e você perceberá que manter a homeostase
é manter o equilíbrio necessário à vida. A homeostase é um sistema integrado do
organismo que mantém estabilidade das funções de entrada, metabolização e excreção.
Homeostase nem sempre pode ser considerada como um equilibrío do organismo e sim
como um estado de estabilidade dinâmico do organismo.
3.2 Referências Bibliográficas
AIRES, M.M. Fisiologia. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. 1352p.
CURI, R. & ARAÚJO FILHO, J. P. Fisiologia básica. Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 2009. 857 p.
GOLDBERG, S. C. Clinical Phisiology made ridiculously simple. Miami:
MedMaster, ed.2.2014.153 p.
GUYTON, A.C. & HALL, J.E., Tratado de fisiologia médica. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, Ed.9, 1997. 1116p.
PRESTON, M.D. Acid-base, and electrolytes made ridiculously simple.
Miami:MedMaster, ed.2. 2011. 146p.
SILVERTHORN, D.U. Fisiologia humana. Uma abordagem integrada. Porto
Alegre: Artmed, 2010. 992p.