Introdução
Neste presente trabalho irei falar da evolução constitucional da republica de Moçambique,
definir o que é uma constituição, falar da constituição de 1975 ,sua estrutura , o que visava ,suas
características, como ela foi formada, Esta Constituição sofreu seis alterações pontuais,
designadamente: em 1976, em 1977, em
1978, em 1982, em 1984 e em 1986. Destas, merece algum realce a alteração de 1978 que
incidiu maioritariamente sobre os órgãos do Estado (sua organização, competências, entre
outros).Fazer uma analise da constituição de 1990 ,e falar de como Moçambique passou de um
estado mono partidário ,para um estado multipartidário, a constituição de 1990 trouxe consigo o
estado de direito e liberdades e direitos fundamentais. Fazer uma analise da constituição de 2004
e dizer que esta é a última Constituição de Moçambique, fruto da revogação constitucional de
1990 que foi aprovada no dia 16 de Junho de [Link] sobre as alteraões de 2018 e de 2023.
Objectivo geral
Analisar a evolução constitucional de Moçambique e saber qual foi o processo de evolução da
constituição da republica de Moçambique.
Objectivos específicos
Analisar a constituição de 1975 e suas respectivas alterações.
Analisar a constituição de 1990 e falar como Moçambique passou a ser um estado de direito
democrático.
Falar sobre a constituição de 2004 e suas respectivas alterações , a de 2018 e a de 2023.
O que é uma Constituição?
A Constituição é a lei fundamental de um determinado Estado. Pois, aí estão consagrados e
protegidos os direitos e garantias fundamentais do cidadão. Também estão estabelecidas as
regras de organização e funcionamento dos órgãos estatuais bem como princípios
fundamentais válidos nesse Estado.
EVOLUÇÃO CONSTITUCIONAL NA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
A primeira Constituição de Moçambique entrou em vigor em simultâneo com a proclamação
da independência nacional em 25 de Junho de 1975. Nesta altura, a competência para
proceder a revisão constitucional fora atribuída ao Comité Central da Frelimo até a criação da
Assembleia com poderes constituintes, que ocorreu em 1978. Considerando a importância
da constituição como a “lei-mãe” do Estado moçambicano, e daí a necessidade do seu
conhecimento pelos cidadãos, de seguida é feita uma breve menção sobre a evolução
constitucional de Moçambique.
Constituição de 1975
Esta constituição tinha como um dos objectivos fundamentais a eliminação das estruturas de
opressão e exploração coloniais... e a luta contínua contra o colonialismo e o imperialismo.
Foi instalada na República Popular de Moçambique (RPM), em que adoptou-se o regime
político socialista e uma economia marcadamente intervencionista, onde o Estado procurava
evitar a acumulação do poderio económico e garantir uma melhor redistribuição da riqueza.
O sistema político era caracterizado pela existência de um partido único e a FRELIMO
assumia o papel de dirigente. Eram abundantes as fórmulas ideológicas - proclamatórias e de
apelo das massas, compressão acentuada das liberdades públicas em moldes autoritários,
recusa de separação de poderes a nível da organização política e o primado formal da
Assembleia Popular Nacional.
Esta Constituição sofreu seis alterações pontuais, designadamente: em 1976, em 1977, em
1978, em 1982, em 1984 e em 1986. Destas, merece algum realce a alteração de 1978 que
incidiu maioritariamente sobre os órgãos do Estado (sua organização, competências, entre
outros), retirou o poder de modificar a Constituição do Comité Central da Frelimo e retirou a
competência legislativa do Conselho de Ministro (uma vez criada a Assembleia Popular que
teria estas competências) e a de 1986 que fora motivada pela institucionalização das funções
do Presidente da Assembleia Popular e de Primeiro-Ministro, criados pela 5ª Sessão do
Comité Central do Partido Frelimo.
O Estado moçambicano tem origem na Luta de Libertação Nacional conduzida pela Frente de
Libertação de Moçambique, ou seja, tem origem no Poder gerado e desenvolvido pela Frente.
Sendo a Frente uma organização político-militar própria para conduzir a guerra, primava
precisamente pelo alto nível de organização, de disciplina, de eficiência, entre outras
características.
Foi através do poder oriundo destas circunstâncias que proclama-se a Independência e funda˗
se o Estado Moçambicano. Um Estado assente no poder unitário, na continuidade e
desenvolvimento daquele poder nascido da Luta de Libertação Nacional. Esta é a essência da
Constituição de 1975.
A implementação do conceito de poder unitário tinha levado á concentração no Presidente do
Partido Frelimo, das funções de Chefe do Estado, Chefe do Governo, Presidente da
Assembleia Popular e Comandante-em-Chefe das Forças de Defesa e Segurança.
Na revisão da Constituição operada pela Lei N° 4/86, de 25 de Julho, de entre outras, as
seguintes alterações de vulto: 1- A Assembleia Popular passava a eleger, de entre os
Deputados, o seu Presidente, competindo a este convocar e presidir às suas sessões; 2-
Introduziu-se o cargo de Primeiro-Ministro que passava a presidir ao Conselho de Ministros,
sendo ele, portanto, o Chefe do Governo. Esta desacumulação de funções, sem constituir
ainda uma verdadeira separação de poderes, abria, contudo, caminho para uma relativa
afirmação das instituições ao nível do topo da pirâmide.
A Constituição de 1975 tinha setenta e três (73) artigos e comparado com as constituições de
1990 e 2004, este documento não possuía denominações para os artigos.
Constituição de 1990
A Constituição de 1990, que introduziu o Estado de Direito Democrático, foi adoptada pela
Assembleia Popular, ainda num sistema de partido único, em que a Frelimo dirige o Estado
por definição constitucional. Neste aspecto importante não há diferença substancial em
relação à Constituição de 1975 (MONDLANE, 2013).
A revisão constitucional ocorrida em 1990 trouxe alterações muito profundas em
praticamente todos os campos da vida do país. Com a Constituição de 1990, introduz-se
formalmente o Estado de Direito Democrático, pondo-se termino ao sistema assente no poder
unitário do Estado.
A separação dos poderes; os direitos e liberdades individuais; a liberdade de criação de
partidos políticos; o sufrágio universal, periódico, directo, secreto e pessoal, para a eleição
dos órgãos de soberania; a independência do poder judicial e a liberdade de imprensa, são
alguns dos pilares fundacionais da nova ordem democrática. Esta é também a base e são os
pressupostos, para a existência de instituições relevantes do ponto de vista de um Estado de
Direito Democrático.
Esta Constituição foi elaborada no contexto das negociações da paz que culminaram com a
assinatura do Acordo Geral de Paz. Ocorre a passagem de um sistema mono partidário para a
democracia multipartidária, e tendo o cidadão como figura central relativamente ao Estado.A
CRM de 1990 sofreu três alterações pontuais, designadamente: duas em 1992 e uma em
1996. Destas merece especial realce a alteração de 1996 que surge da necessidade de se
introduzir princípios e disposições sobre o Poder Local no texto da Constituição, verificando-
se desse modo a descentralização do poder através da criação de órgãos locais com
competências e poderes de decisão próprios, entre outras (superação do princípio da unidade
do poder).
Constituição de 2004
Esta é a última Constituição de Moçambique, fruto da revogação constitucional de 1990. Fora
aprovada no dia 16 de Novembro de 2004. Não se verifica com esta nova Constituição uma
ruptura com o regime da CRM de 1990, mas sim, disposições que procuram reforçar e
solidificar o regime de Estado de Direito e Democrático trazido em 1990, através de melhores
especificações e aprofundamentos em disposições já existentes e também pela criação de
novas figuras, princípios e direitos, elevação de alguns institutos e princípios já existentes na
legislação ordinária à categoria constitucional.
Um aspecto muito importante de distinção desta constituição das anteriores é o “consenso” na
sua aprovação, uma vez que ela surge da discussão não só dos cidadãos, como também da
Assembleia da República representada por diferentes partidos políticos (o que não se
verificou nas anteriores).
A nova CRM começa por inovar positivamente logo no aspecto formal, dando nova ordem de
sequência aos assuntos tratados e tratando em cada artigo um assunto concreto e antecedido
de um título que facilita a sua localização (o que não acontecia nas Constituições anteriores).
Apresenta o seu texto dividido em 17 títulos, totalizando 306 artigos, diferentemente da CRM
de 1990, que tinha 6 títulos e 206 artigos no total.
Características:
Logo no capítulo I do título primeiro referente aos princípios fundamentais, podemos
destacar para além da maior ênfase dada à descrição do Estado moçambicano como
de justiça social, democrático, entre outros aspectos de um Estado de Direito, a
referência constitucional sobre o reconhecimento do pluralismo jurídico, o incentivo
no uso das línguas veiculares da nossa sociedade, entre outros:
No âmbito da nacionalidade, destaca-se o facto de o homem estrangeiro poder
adquirir nacionalidade moçambicana pelo casamento (antes só permitido para a
mulher estrangeira);
Os direitos e deveres fundamentais dos cidadãos para além de serem reforçados,
ganham maior abrangência. Pode-se citar exemplo de alguns direitos/deveres antes
sem tratamento constitucional: direitos dos portadores de deficiência, os deveres para
com o semelhante e para com a comunidade, os direitos da criança, as restrições no
uso da informática, o direito de acção popular, o direito dos consumidores;
Para além do pluralismo jurídico, a importância da autoridade tradicional na
sociedade moçambicana passa a ter reconhecimento constitucional. Pode-se ainda
mencionar a terceira idade, os portadores de deficiência, o ambiente e a qualidade de
vida como novos temas tratados pela Constituição;
O capítulo VI do título IV que se dedica ao tratamento do sistema financeiro e fiscal
em Moçambique comporta um tema que antes não tinha tratamento constitucional;
É criado um novo órgão político, o Conselho de Estado e um novo órgão de
representação democrática, as Assembleias Provinciais. As garantias dos cidadãos
relativamente a actuação da Administração Pública são reforçadas com a criação do
Provedor da Justiça. Surge igualmente o Conselho Superior da Magistratura Judicial
Administrativa. A Administração Pública e os princípios que norteiam a sua actuação
também passam a gozar de tratamento constitucional, assim como a Polícia de
Moçambique e o Ministério Público;
O tratamento dado às disposições relativas aos tribunais no título IX da CRM é mais
pormenorizado. Merece destaque o tratamento mais aprofundado que é dispensado às
disposições relativas ao Tribunal Administrativo (na CRM de 1990 ocupava apenas 2
artigos);
No título XV é tratado com cuidado as garantias constitucionais em caso de estado de
sítio e estado de emergência. A revisão constitucional encontra agora limites tanto
matérias quanto temporais, procurando-se com as primeiras salvaguardar as linhas
bases que definem o Estado moçambicano, como por exemplo: a forma republicana
do Estado, o sistema eleitoral e o tipo de sufrágio eleitoral, o pluralismo político, os
direitos, liberdades e garantias fundamentais. A restrição temporal é de 5 anos após a
última revisão (salvo deliberação extraordinária de ¾ da Assembleia da República),procurando
se com isto os aspectos positivos trazidos com a estabilidade e solidificação das instituição.
Constituição de 2018
A revisão de 2018 teve o propósito de adaptar a Constituição às realidades políticas,
administrativas e sociais emergentes, aprofundar a democracia participativa e promover
descentralização e reforço institucional.
Aqui ficam alguns dos principais destaques:
Organização do Estado / descentralização: Introdução de maior autonomia para órgãos
de governação provincial, distrital e autarquias locais.
Estado unitário : A Constituição revista mantém Moçambique como Estado unitário (não
federal), mas enfatiza os princípios de descentralização e subsidiariedade.
Sistema eleitoral e cargos autárquicos / provinciais: Alterações nos critérios de eleição,
competências, e nas formas de designação dos órgãos locais.
Direitos, liberdades e garantias: Algumas revisões em artigos relativos a direitos
fundamentais, com ajustes e clarificações (por exemplo, nos domínios da nacionalidade, direito
ao ambiente, participação cívica).
Relação com o direito internacional: O texto constitucional reconhece tratados e
convenções internacionais válidos e lhes confere status no ordenamento interno.
Princípio da legalidade e supremacia da Constituição: A Constituição reafirma que o
Estado se subordina à Constituição, que as normas constitucionais prevalecem sobre as demais
normas.
Outros ajustes: Algumas normas procedimentais, correções materiais, ajustes técnicos e
redações mais claras.
Importante: a versão consolidada da Constituição com as alterações de 2018 é frequentemente
chamada de “Constituição 2018” nos meios jurídicos moçambicanos (embora seja uma versão
alterada da Constituição de 2004).
Constituição de 2023
Alteração de 2023 (Lei n.º 11/2023) — o que mudou
A Lei n.º 11/2023, de 23 de Agosto, introduziu uma alteração específica ao número 3 do artigo
311 da Constituição.
Antes da modificação, o nº 3 do artigo 311 (na redação resultante da revisão de 2018) tinha um
texto. A lei de 2023 altera esse texto, passando a nova formulação (o boletim oficial publica o
novo redator).
A lei expressa que a revisão pontual foi aprovada à luz dos artigos constitucionais que regulam o
processo de revisão (artigos 299 e 301 da Constituição) e nos termos do número 2 do artigo 178
(alínea a)) da Constituição.
O teor exato da nova redação do nº 3 do artigo 311 é publicado no Boletim da República com a
lei.
Conclusão
Para concluir ,podemos perceber que a constituição da republica de Moçambique ,passou por
varias mudanças ,como a constituição de 1975 ,que mudou em 1990 ,passando a ser um estado
de direito democrático e multipartidário ,e em 2004 onde se verificou o reforço dos princípios
trazidos pela constituição de 1990 ,e vale dizer que em 2018 houve uma outra alteração da
constituição de [Link] alteração visava reforçar a separação de poderes e o principio de que
Moçambique é um estado unitário e não federal , e em 2023 houve uma revisão da mesma
constituição ,que visava alterar a Lei n.º 11/2023, de 23 de Agosto ,numero [Link] perceber
que em Moçambique o processo constitucional ainda esta em desenvolvimento.
Referencias bibliográficas
A constituição de 1975.
A constituição de 1990.
A constituição de 2004.
A constituição de 2018.
A lei n.º 11/2023, de 23 de Agosto, Boletim da republica numero1,1̊ serie,
Quarta˗Feira,25,06,[Link],G ., Chico Júnior ,M. L.,Samuel, J., e outros.
(2010).Constitucionalismo Moçambicano,2ª ed. Maputo. Editora konrad.