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Algarismos Significativos em Medidas

O documento aborda algarismos significativos e a precisão em medições, diferenciando números exatos de inexatos e discutindo métodos para relatar incertezas. Apresenta regras para identificar algarismos significativos e suas aplicações na aritmética, além de discutir a relação entre precisão e exatidão. O texto enfatiza a importância de considerar a incerteza nas medições e como isso afeta a interpretação dos dados obtidos.
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Algarismos Significativos em Medidas

O documento aborda algarismos significativos e a precisão em medições, diferenciando números exatos de inexatos e discutindo métodos para relatar incertezas. Apresenta regras para identificar algarismos significativos e suas aplicações na aritmética, além de discutir a relação entre precisão e exatidão. O texto enfatiza a importância de considerar a incerteza nas medições e como isso afeta a interpretação dos dados obtidos.
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Algarismos Significativos

Abrantes Araújo Silva Filho

2021-01-26

Resumo
Discute a questão dos algarismos significativos e a precisão dos números obtidos
por mensuração. Diferencia números exatos dos inexatos e discute os métodos para
o relato da incerteza em medições. Detalhamento das regras para identificação de
algarismos significativos, incluindo regras para a aritmética e arredondamento de
algarismos significativos. Discussão sobre precisão e exatidão de medidas.

Sumário
1 Introdução 3

2 Números exatos e inexatos 3

3 Informando o grau de incerteza 5


3.1 O que são algarismos significativos? . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
3.2 Medindo com algarismos significativos . . . . . . . . . . . . . . . 5
3.3 Instrumentos digitais e algarismos significativos . . . . . . . . . . 10
3.4 Expressando a incerteza de forma relativa . . . . . . . . . . . . . 11

4 Regras para os algarismos significativos 12


4.1 Resumo das regras para os algarismos significativos . . . . . . . . 18

5 Aritmética com algarismos significativos 18


5.1 Multiplicação e divisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
5.2 Adição e subtração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
5.3 Multiplicação/divisão com adição/subtração . . . . . . . . . . . . 21
5.4 Operações envolvendo números exatos . . . . . . . . . . . . . . . 22
5.5 Arredondamento de algarismos significativos . . . . . . . . . . . . 23

1
6 Precisão e exatidão 24
6.1 O que é precisão? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
6.2 O que é exatidão? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
6.3 Relação entre exatidão e precisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
6.4 Algarismos significativos: precisão ou exatidão? . . . . . . . . . . 30

A Ordens de grandeza 31

B Bibliografia 35

C Licença 36

2
1 Introdução
A última coisa que o mundo precisa é de outro texto ou tutorial a respeito de alga-
rismos significativos. Então aqui vai o meu…
Até recentemente a idéia de algarismos significativos era um total absurdo para
mim. Eu entendo que 3,4 × 4,358 = 14,8172, não 15 (que é a resposta correta
quando se leva em conta os algarismos significativos). Eu não conseguia entender
a lógica disso. Esse número foi arredondado? Se foi arredondado, por que não
arredondar para 14,82, que é um número mais “preciso”1 ? Ou então, no máximo,
para 14,8?
Meu raciocínio sempre foi que quanto mais preciso o número for, melhor, por
isso eu deveria escrever qualquer número com a maior quantidade possível de alga-
rismos. Claro que químicos, físicos e demais cientistas experimentais, pessoas que
de fato fazem experiências e trabalhos reais em laboratório, simplesmente davam
risada desse meu entendimento e, nas minhas costas, comentavam sussurando e
balançando negativamente a cabeça: “coitado, tão iludido…” Eu era um ignorante
e nem sabia.
Onde está a ilusão? Está em considerar que a exatidão2 e o rigor da matemá-
tica se aplicam à incerteza do laboratório ou da vida real. São coisas absolutamente
distintas. Se estou pensando puramente na matemática, nos números isolados de
qualquer contexto, é cristalino que 3,4 × 4,358 = 14,8172. Mas quando eu passo
a compreender que o 3,4 foi obtido medindo-se a massa de um sólido e que repre-
senta 3,4 g, existe um grau de incerteza nessa medida: a balança poderia ter regis-
trado 3,3 g, 3,5 g, ou outro número próximo. O fato é que a medida é incerta (e
nada me garante que se eu pesar repetidas vezes o mesmo sólido obterei sempre o
mesmo valor).
Os algarismos significativos são um meio de considerar, registrar e trabalhar
com a incerteza dos números obtidos por alguma medição na vida real.

2 Números exatos e inexatos


Para entender os algarismos significativos (também chamados de dígitos significati-
vos ou de significant figures) é importante considerar que existem duas “categorias”
informais de números: os números exatos e os números inexatos.
Os números exatos são absolutamente corretos, não contém nenhum erro e ne-
nhuma incerteza. São os números com os quais a matemática lida: eles existem por
si mesmos e seu valor é conhecido com certeza absoluta mesmo que sejam irraci-
onais (por exemplo: π = 3,141592653589793238462… é um número exato). Os
1
A precisão de uma medida será definida e explicada posteriormente. No momento considere o sentido
comum, leigo, de um número preciso: aquele com muitas casas decimais.
2
A exatidão de uma medida também será definida e explicada posteriormente.

3
números exatos não são obtidos através de medidas realizadas com algum instru-
mento.
Os principais números exatos são:
• Contagens: números obtidos por contagem são exatos. Por exemplo: 4 pes-
soas, 10 dedos ou 6 átomos são números exatos.
• Definições: números que são definidos ou que representam fatores de con-
versão são exatos. Por exemplo: 1 m = 100 cm, 1 pol = 2,54 cm ou 1 m3 =
1000 L são exatos.
• Constantes: constantes matemáticas ou físicas, como π ou e, são exatas. A
velocidade da luz no vácuo é um caso interessante: foi medida e calculada
de modo impreciso durante séculos mas atualmente ela é uma quantidade
definida (c = 299 792 458 m s−1 ) e assim é também exata.
Note que números racionais podem ser exatos se o numerador e o denominador
também forem exatos, por exemplo: a razão 2/5 é exata se representar 2 carros para
cada 5 pessoas.
Os números inexatos não são considerados absolutamente corretos, eles sem-
pre têm uma incerteza e um erro associado. Os números inexatos são obtidos atra-
vés de medidas com algum instrumento (régua, balança, termômetro, pipeta etc.)
e, portanto, nunca serão absolutamente precisos pois essas medidas dependem:
• Das limitações dos instrumentos de medida;
• Da habilidade e da experiência da pessoa que está medindo;
• Irregularidades ou extremos do objeto que está sendo medido; e
• Outros fatores que podem afetar o instrumento de medida, a pessoa que está
medindo ou o próprio objeto. Por exemplo: medir o comprimento de uma
barra de ferro sob sol escaldante pode resultar em um valor ligeiramente di-
ferente do que sob frio intenso, devido a dilatação térmica; o registro do vo-
lume de um líquido em uma pipeta pode ser mais preciso pela manhã (quando
quem fez a medida está alerta e descansado) do que no final da tarde (quando
a pessoa já está cansada).
O importante é perceber que todos os números obtidos através de algum instru-
mento de medida são inexatos e, portanto, praticamente todas as observações cien-
tíficas em laboratório ou que dependem de medir alguma coisa na vida real também
são inexatas. Sempre há um erro ou incerteza associada.
2,0 g
Se a densidade de uma certa substância é d = = 0,4 g ml−1 , essa den-
5,0 ml
sidade não é exata, tem um erro/incerteza, pois tanto a medida da massa quanto a
medida do volume são inexatos.
É preciso informar também o grau de incerteza dessa medida. E como informar
o grau de incerteza em uma medida? Através dos algarismos significativos!

4
3 Informando o grau de incerteza
3.1 O que são algarismos significativos?
Até aqui você já sabe que algarismos significativos são um meio de considerar, rela-
tar e trabalhar com a incerteza em números inexatos. OK, mas… o que eles são de
fato? Como eu olho para um número obtido por uma medida qualquer, por exem-
plo, 3,47 cm, e descubro se esses algarismos são significativos ou não? Qual é a
incerteza nesse 3,47 cm?
Em primeiro lugar vamos definir claramente o que são os algarismos significa-
tivos:

Algarismos significativos:

Os algarismos significativos em uma medida consistem de todos os algaris-


mos certos (que foram medidos com precisão, sem erros, que foram me-
didos com certza), mais o primeiro algarismo incerto (que foi estimado,
medido com imprecisão, que contém algum erro associado). Em resumo:
em uma medida, todos os algarismos são certos, exceto o último, que é esti-
mado.

A melhor maneira de enteder os algarismos significativos é na prática. Vamos


medir algumas coisas!

3.2 Medindo com algarismos significativos


Considere a medida do volume de um determinado líquido com o uso de uma pro-
veta com capacidade de 500 ml, conforme demonstrado na Figura 1 e Figura 2.

Figura 1: Proveta com o volume a ser medido

5
Figura 2: Detalhe da medida do volume

A primeira coisa que precisamos fazer é verificar a escala de medida. No caso


dessa proveta em particular, cada marca da escala corresponde a 5 ml (verifique isso
na Figura 2).
A segunda coisa a fazer é determinar os algarismos que não têm incerteza.
Note que o volume do líquido é maior do que 255 ml e menor do que 260 ml, ou
seja, eu tenho certeza que o volume medido do líquido tem os algarismos “25X”
ml: os algarismos 2 e 5 eu tenho certeza, mas o algarismo X eu ainda não sei qual é
(esse é o algarismo incerto, com erro, a ser estimado).
A terceira coisa que temos que fazer agora é estimar o valor do algarismo in-
certo. Para isso usamos uma regra informal: o algarismo desconhecido deve ser
estimado em aproximadamente 1/10 (um décimo, 0,1) ou em 1/5 (um quinto, 0,2)
da menor divisão da escala.
Usando a regra de aproximar em 1/5 da menor divisão da escala, temos o se-
guinte:

1 5 ml
5 ml × = = 1 ml (1)
5 5
A Equação 1 nos diz que devemos fazer a aproximação para o 1 ml mais próximo.
Então, olhando com atenção a Figura 2, eu vou estimar que o volume do líquido
seja de 257 ml. Esses são os algarismos significativos dessa medida: são todos os
algarismos que eu tenho certeza (os algarismos 2 e 5) mais o primeiro algarismo
incerto (o algarismo 7).
Esse volume de 257 ml é exato? Obviamente que não! Outra pessoa poderia
medir o mesmo volume e achar que é 256 ml; um terceiro ainda poderia achar que
é de 258 ml. Note também um problema na medida: apesar do líquido estar na
horizontal, a medida parece ser menor do lado esquerdo da marca da escala do que
do lado direito. A mesa não estava nivelada? A proveta estava torta? As marcas da
escala estavam erradas?
Esse tipo de incerteza ocorre para qualquer número obtido através de instru-
mentos de medida na vida real.

6
E se eu utilizasse a regra de aproximar em 1/10 da menor divisão da escala, o
que eu obteria? Bem, nesse caso teríamos o seguinte:

1 5 ml
5 ml × = = 0,5 ml (2)
10 10
A Equação 2 nos diz que devemos fazer a aproximação para o 0,5 ml mais pró-
ximo, o que parece que já é muito além da precisão dessa proveta. Mas, insistindo,
vou olhar novamente para a Figura 2 e estimar agora que o volume seja de 257,5 ml.3
E agora, quais são os algarismos significativos de 257,5 ml? são todos os algaris-
mos que eu tenho certeza (os algarismos 2 e 5) mais o PRIMEIRO algarismo
incerto (o algarismo 7). O algarismo 5 depois da vírgula é o SEGUNDO algarismo
incerto, portanto então ele NÃO É significativo.
Como eu só posso relatar a medida usando os algarismos significativos, eu não
posso relatar o volume como 257,5 ml: se nem do algarismo 7 eu tenho certeza,
quanto mais do algarismo 5 depois da vírgula (o instrumento de medida não tem essa
precisão toda)! O volume correto a ser relatado é de 258 ml (depois de aplicadas as
regras de arredondamento que serão discutidas aditante).
Agora preste atenção ao seguinte:

A incerteza está no último algarismo significativo:

Como o último algarismo significativo é o primeiro algarismo incerto, é exa-


tamente esse algaristmo que nos dá a incerteza da medida. Geralmente
entende-se que há uma incerteza de uma unidade no último algarismo sig-
nificativo, por exemplo:

• 257 ml: representa 257 ± 1 ml

• 2,68 s: representa 2,68 ± 0,01 s

• 504 km: representa 504 ± 1 km

• 0,5435 g: representa 0,5435 ± 0,0001 g

No caso do volume na proveta, nossa primeira estimativa resultou em 257 ml,


e a segunda resultou em 258 ml. Mas quando levamos em conta a incerteza imis-
cuída no último algarismo significativo, sabemos que essas medidas representam
257 ± 1 ml e 258 ± 1 ml, ou seja: elas são a mesma medida dentro da margem de
incerteza do instrumento utilizado (a proveta).
E agora a pergunta mais importante: qual é o verdadeiro volume do líquido?
Ninguém sabe! O que nós temos são essas estimativas, com um determinado grau
de erro e incerteza. O volume real, exato, o matematicamente correto, não é co-
nhecido. Nós podemos obter mais precisão na medida do volume utilizando um
3
Também poderia ter estimado em 257,0 ml ou em 258,0 ml.

7
instrumento melhor (uma bureta, por exemplo), mas o problema de dizer o valor
real do volume permanece: teremos a estimativa incerta da bureta (melhor do que
a estimativa fornecida para proveta) mas que ainda assim não representa o valor
verdadeiro, real, do volume. O cientista tem que aprender a reconhecer e aceitar
essa limitação, e a utilizar algarismos significativos para lidar com a incerteza em
seu trabalho.
Vamos ver mais alguns exemplos de medidas, mas agora sem o passo-a-passo
ilustrado com a proveta.
Considere o termômetro mostrado na Figura 3. Qual a temperatura estimada
em °C?

Figura 3: Medida da temperatura

Considerando que cada marca da escala corresponde a 1 °C e utilizando a regra


de estimar dentro de 1/10 dessa menor divisão, eu estimo que a temperatura é de
27,9 °C. Nesse caso os algarismos que se têm certeza são o 2 e o 7, e o primeiro
algarismo estimado é o 9. Todos eles são significativos e representam 27,9 ± 0,1 °C.
Outra pessoa poderia ter estimado a temperatura em 28,0 °C e, nesse caso, os
algarismos que se têm certeza são o 2 e o 8, e o primeiro algarismo estimado é 0.
Todos eles são significativos e representam 28,0 ± 0,1 °C.
Note que as duas medidas estão dentro da margem de incerteza e, portanto,
representam a mesma temperatura. O que diferencia uma da outra é o erro no útimo
dígito significativo, que precisou ser estimado.
Se você disser que a temperatura é 27,9 °C ou disser que é 28,0 °C, estará cor-
reto (esse termômetro permite medir uma temperatura com 3 algarismos significa-
tivos).
O que você não pode fazer é dizer que a temperatura é de 27,90 °C ou de
28,00 °C, pois esse termômetro não permite estimar valores com erros de ±0,01 °C
(esse termômetro não permite medir uma temperatura com quatro algarismos sig-
nificativos).
Considere a medida da temperatura em um termômetro um pouco mais preciso,
um termômetro clínico mostrado na Figura 4. Qual a temperatura estimada em °C?

8
Figura 4: Medida da temperatura em termômetro clínico

Como a menor divisão da escala é de 0,1 °C, tentando aproximar dentro de 1/10
eu estimo que a temperatura seja de 36,95 °C (a coluna de mercúrio está mais ou
menos no meio do caminho entre o 36,9 °C e 37,0 °C).
Quais são os algarismos conhecidos com certeza? Os algarismos 3, 6 e 9. Qual
o primeiro algarismo estimado? O algarismo 5. Então a temperatura 36,95 °C está
expressa com quatro algarismos significativos: três são certos e um é incerto (o úl-
timo).
Nesse termômetro clínico a temperatura de 36,95 °C pode ser entendida como
36,95 ± 0,01 °C. Ou, sendo um pouco mais conservador, poderia interpretar como
36,95 ± 0,03 °C. O grau exato de incerteza, nesse caso específico, não é tão impor-
tante quando saber que a incerteza está no último algarismo significativo.
Esse exemplo é interessante para a discussão de um aspecto importante: até
que ponto a diferença dentre 36,90 °C, 36,95 °C ou 37,00 °C é importante na me-
dicina? Essa diferença é absolutamente desprezível na prática. O que os médicos
precisam saber é se a temperatura está mais para 36,0 °C do que para 37,0 °C, e se
a temperatura do paciente está aumentando ou diminuindo com o tempo.
Desse modo, na prática, existe uma regra muito importante: não faça medições
com mais algarismos significativos do que você precisa. Os instrumentos são
mais caros, mais delicados e talvez mais sensíveis à fatores externos que causarão
imprecisão nas medidas.
Use seu julgamento para determinar o grau de precisão necessária em seu tra-
balho e utilize um instrumento que forneça a precisão requerida para a resolução do
problema em questão, nem mais, nem menos4 .
4
É claro que em algumas situações talvez seja perfeitamente possível utilizar um instrumento mais
preciso do que o necessário. Essa é apenas uma regra geral a ser considerada no dia a dia, não precisa ser
levada a ferro e fogo.

9
Um último exemplo rápido: eu estimo o comprimento do plástico escuro que
está sendo medido na Figura 5 em 4,24 cm. Qual sua estimativa?

Figura 5: Medida do comprimento do plástico escuro

3.3 Instrumentos digitais e algarismos significativos


Todas as medições exemplificadas na seção anterior foram realizadas com o uso de
instrumentos analógicos e você teve que estimar o último algarismo significativo.
E no caso de instrumentos digitais, onde a medida é informada diretamente e você
não precisa estimar nada?
Mesmo com o uso de instrumentos digitais, o princípio é o mesmo: o último al-
garismo exibido é o primeiro algarismo incerto e, portanto, os instrumentos digitais
também exibem o resultado em algarismos significativos.
Considere o exemplo ilustrado na Figura 6:

Figura 6: Massa de um conjunto de parafuso e porcas

10
A balança informou 17,9 g. É uma leitura com três algarismos significativos (o
1 e o 7 são certos, e o 9 é estimado). Se o manual da balança não informar nada
a respeito de sua margem de erro, utilizamos a regra usual e consideramos que o
resultado é 17,9 ± 0,1 g.
Geralmente os fabricantes incluem nos manuais de instruções as margens de
erro de cada aparelho. Alguns gravam essa informação no próprio instrumento,
seja ele analógico ou digital (Figura 7):

Figura 7: Pipeta com erro de ±0,03 ml.

Fonte: [Link] <[Link]

3.4 Expressando a incerteza de forma relativa


Até o momento vimos duas formas de expressar a incerteza de uma medida:
• Algarismos significativos: relatamos a medida que fizemos, sabendo que o
último algarismo tem um erro associado, por exemplo: 132 mmHg; e
• Margem de erro absoluta: geralmente indicada pelo próprio fabricante do
aparelho (ver Figura 7), por exemplo: 14,32 ± 0,03 ml.
Apesar de menos utilizada, existe também uma terceira maneira de expressar a
incerteza de uma medida:
• Margem de erro relativa: indica a proporção de incerteza em uma medida,
por exemplo: 5,0 kg ± 8%.
O cálculo da incerteza relativa é baseado na incerteza absoluta do instrumento
de medida, conforme a Equação 3:

Erro absoluto
Erro relativo = × 100 (3)
Valor medido
Por exemplo, se uma balança tem erro absoluto de ±0,4 kg e a massa do objeto
foi medida em 5,0 kg, a margem de erro relativa é de:

0,4 kg
Erro relativo = × 100 = 8% (4)
5,0 kg

11
4 Regras para os algarismos significativos
Já deve estar bem claro para você agora que quanto mais algarismos significativos
uma medida tem, mais precisa ela é. Por isso uma habilidade importante é saber
identificar quantos algarismos significativos existem em alguma medida.
Suponha que você e mais três colegas mediram, separadamente, a espessura
de um cartão de crédito. Das quatro medidas obtidas abaixo, identifique quantos
algarismos significativos existem em cada uma e determine qual foi a medida mais
precisa (só continue a leitura depois de realizar esse exercício!):
1. Você: 1,4 mm
2. Huguinho: 0,13 cm
3. Zezinho: 0,015 dm
4. Luizinho: 0,0014 m
Obviamente está mais do que claro que a medida mais precisa foi a do Luizinho,
com quatro casas decimais depois da vírgula e, assim, cinco algarismos significati-
vos, correto? Não. Todas as medidas acima tem apenas dois algarismos significati-
vos e, assim, têm a mesma precisão e o mesmo erro. Todas representam a mesma
medida (1,4 ± 0,1 mm), mas estão expressas em magnitudes (unidades) diferentes.
Nem sempre a ordem de magnitude de uma medida importa para sua preci-
são; nem sempre a quantidade de casas decimais importa para a precisão. Existem
diversas regras para identificar e registrar a quantidade de algarismos significati-
vos. Essas regras devem ser sempre observadas pois são utilizadas amplamente no
mundo científico.
As regras para algarismos significativos são apresentadas a seguir, cada regra
com exemplos ilustrativos. Certifique-se de que entendeu completamente esses
exemplos.

Regra 1: todo algarismo diferente de zero é significativo

Essa regra é bem simples e direta. Alguns exemplos:

• 1432 m tem 4 algarismos significativos;


• 34,1 μm tem 3 algarismos significativos;
• 234 ml tem 3 algarismos significativos;
• 348,14 g tem 5 algarismos significativos.

12
Regra 2: zeros aprisionados são significativos

Zeros aprisionados são zeros que estão entre algarismos diferentes de zero.
Todo zero aprisionado é significativo, por exemplo:

• 405 ml tem 3 algarismos significativos;


• 34,01 cm tem 4 algarismos significativos;
• 50 014 m tem 5 algarismos significativos.

Regra 3: zeros no começo dos números não são significativos

Zeros que estão no começo dos números (zeros à esquerda, leading zeros)
nunca são significativos. Eles só existem para indicar a posição do ponto
decimal e não contam como algarismos significativos. Por exemplo:

• 0,02 g tem 1 algarismo significativo;


• 0,0026 mm tem 2 algarismos significativos;
• 0,9 m tem 1 algarismo significativo;
• 0,00000904 km tem 3 algarismos significativos (904).

Talvez seja mais fácil compreender a Regra 3 pensando na magnitude da unidade


de medida, não no número de casas decimais após a vírgula. Para alguns exemplos
do quadro acima temos:
• O número 0,02 g só tem 1 algarismo significativo pois está sendo medido em
centésimos de g e, nessa ordem de grandeza, só há 2 centésimos de g. Os
zeros à esquerda só servem para demarcar a posição da vírgula;
• O número 0,0026 mm tem somente 2 algarismos significativos porque esse
número está sendo medido em décimos de milésimos e, nessa ordem de gran-
deza, só há 26 décimos de milésimos. Os outros zeros à esquerda só existem
para indicar a posição da vírgula;
• O número 0,00000904 km tem somente 3 algarismos significativos pois está
sendo medido em centésimos de milionésimos de km e, nessa ordem de gran-
deza, foram medidos 904 centésimos de milionésimos de km. Os outros zeros
só demarcam a posição da vírgula.
Alguns dos exemplos acima são artificiais (ninguém mede distâncias em centé-
simos de milionésimos de km) mas ilustram a regra de que zeros no começo dos
números (zeros à esquerda) nunca são significativos. Uma lista com as principais
ordens de grandeza utilizadas está disponível para consulta no Apêndice A5 .
5
Consulte esse apêndice se tiver dificuldade para entender unidades muito pequenas (como centési-
mos de milionésimos) ou muito grandes (como sextilhões).

13
A Regra 3, discutida anteriormente, lida com os zeros no começo dos números
(zeros à esquerda, leading zeros), e é relativamente simples: eles não são significati-
vos.
Para os zeros no final dos números (zeros à direita, trailing zeros) a situação é
mais complicada: eles podem ser significativos ou não. Para tratar essa dificuldade
são necessárias duas regras, discutidas a seguir. Preste muita atenção aos zeros no
final dos números e saiba identificar se são significativos ou não.
Vamos começar pela regra mais fácil, que lida com zeros à direita no caso do
número ter um ponto decimal (por exemplo: 12,30 mm ou 0,0200 ml).

Regra 4: se o número tem um ponto decimal, os zeros no final desse


número são significativos

Zeros que estão no final dos números (zeros à direita, trailing zeros) são sig-
nificativos se, e somente se, o número tem um ponto decimal (vírgula). Por
exemplo:

• 1500,00 ml tem 6 algarismos significativos;


• 0,023 g tem 2 algarismos significativos (não há zeros no final);
• 0,200 m tem 3 algarismos significativos (200);
• 0,02000 m tem 4 algarismos significativos (2000);
• 3,0 cm tem 2 algarismos significativos;
• 3,020 cm tem 4 algarismos significativos;
• 4,00 MHz tem 3 algarismos significativos;
• 21,3200 g tem 6 algarismos significativos.

Por que os zeros no final de números que têm casas decimais são significativos?
Para nos informar exatamente o quão precisa uma medida é.
Imagine a seguinte situação: você tem uma ótima balança analítica com margem
de erro de apenas ±0,0001 g. Se você relatar a massa de um objeto como 21,32 g
(com apenas quatro algarismos significativos), todos vão entender que o erro de sua
medida é de ±0,01 g, um erro 100 vezes maior do que ele realmente é6 . Relatar
o resultado como 21,3200 g torna claro que a medida é precisa até seis algarismos
significativos e, assim, o erro é de apenas ±0,0001 g.
Imagine uma outra situação: você tem uma balança não tão precisa, capaz de
determinar a massa em até centésimos de grama (assim o erro é de ±0,01 g). Se
você utilizar essa balança para verificar um objeto cuja massa seja de 0,0019 g, o que
a balança vai retornar? Incríveis 0,00 g (a balança não tem sensibilidade suficiente,
para medir adequadamente você precisa de uma balança melhor).
E agora uma pergunta muito interessante: quantos algarismos significativos uma
medida de 0,00 g tem? Nenhum? Dois? Três?
6
Lembre-se da regra geral para imprecisão de medidas: se a margem de erro exata não é especificada,
geralmente considera-se que há uma incerteza de uma unidade no último algarismo significativo.

14
Por incrível que pareça a quantidade de algarismos significativos em medidas
do tipo 0,00 g gera uma discussão acalorada entre cientistas7 , e as respostas são as
mais variadas possíveis8 :
1. Nenhum: os que argumentam que não há nenhum algarismo significativo as-
sim o fazem com base na Regra 3: “zeros no começo (leading zeros) não são
significativos”. Se, ao determinar a massa de um objeto, a balança retornou
0,00 g, eu sei que ela não teve sensibilidade suficiente e sei também que o
objeto não tem massa nula e, portanto, a massa é menor ainda. Assim, es-
ses zeros apenas indicam a posição do ponto decimal e não têm significado
nenhum, não são significativos.
2. Dois: os que argumentam que há dois algarismos significativos assim o fazem
com base na Regra 4: “se o número tem um ponto decimal, os zeros no final
desse número são significativos”.
3. Três: os que argumentam que há três algarismos significativos dizem que o
primeiro zero é significativo porque indica, com certeza, que a massa é menor
do que 1 g; o segundo zero é significativo porque indica, com certeza, que a
massa é menor do que 0,1 g; e o terceiro zero é significativo porque indica
que, nem estimando para centésimos de grama, foi possível detectar a massa.
Sem querer entrar em detalhes nem em briga de cientistas, se você leu algu-
mas das discussões indicadas na Nota de Rodapé n.º 7, viu que existem argumentos
razoavelmente bons para argumentar a favor de uma ou outra opção.
Particularmente meu entendimento é de que em medidas como 0,00 g não há
nenhum algarismo significativo: esses zeros são leading zeros e não contribuem para
a precisão da medida. Basta pensar o seguinte: se eu medisse em uma balança de
maior sensibilidade eu poderia ter obtido 0,0019 g, uma medida com dois algaris-
mos significativos. Então os zeros iniciais servem apenas para marcar o local da casa
decimal e não tem maior significância.
Ora… eu não posso alterar meu entendimento das regras de algarismos signifi-
cativos só porque eu fui desleixado e burro o suficiente para executar um péssimo
trabalho de laboratório e usar um instrumento sem a precisão necessária. A culpa é
minha, não das regras sobre algarismos significativos.
7
Se tiver interesse em ver a “briga” entre cientistas, consulte:
• <[Link]
• <[Link]
• <[Link]
• <[Link]
• <[Link]

8
O que não deixa de ser irônico pois algo que foi pensado para informar uma estimativa de erro, alguma
coisa incerta, alguma coisa aproximada, levou os cientistas à discussões acaloradas sobre a exatidão dos
algarismos significativos.

15
Agora vamos considerar a situação na qual há zeros no final dos números, mas
não há nenhum ponto decimal, como em 120 kg, 5000 km ou 600 s.

Regra 5: se o número não tem um ponto decimal, os zeros no final desse


número são ambíguos e considerados não significativos

Zeros que estão no final dos números (zeros à direita, trailing zeros), em
números que não têm um ponto decimal, são ambíguos e a princípio não
temos como saber se são significativos ou não. Para evitar a ambugüidade
considera-se que não são significativos. Por exemplo:

• 400 ml tem 1 algarismo significativo;


• 22 000 mm tem 2 algarismos significativos;
• 3550 km tem 3 algarismos significativos;
• 130 kg tem 2 algarismos significativos.

Essa regra precisa de um detalhamento maior. Por que os zeros à direita, em


números inteiros, são ambíguos? Considere o valor 3200 km. Você não tem mais
nenhuma informação sobre como essa distância foi aferida. Surgem então as se-
guintes possibilidades:
a) Se a distância foi aferida com uma precisão de ±1 km, então a distância real
está entre 3199 km e 3201 km. Nessa situação os dois algarismos zero seriam
significativos;
b) Se a distância foi aferida com uma precisão de ±10 km, então a distância real
está entre 3190 km e 3210 km. Nessa situação o último algarismo zero (o da
ordem das unidades) não seria significativo, e o penútimo algarismo zero (o
da ordem das dezenas) seria significativo; ou
c) Se a distância foi aferida com uma precisão de ±100 km, então a distância
real está entre 3100 km e 3300 km. Nessa situação nenhum dos algarismos
zero seriam significativos.
Um número isolado como 3200 km, sem nenhuma outra informação a respeito
da margem de erro, pode ter dois, três ou quatro algarismos significativos. Para
evitar essa ambigüidade a regra é considerar que tais zeros não são significativos e
estão ali somente para indicar a ordem de grandeza da medida. Por isso que em
3200 km só existem dois algarismos significativos.
Algumas pessoas utilizam uma “gambiarra” para tentar indicar qual dos zeros
é significativo, usando vírgulas ou traços. Por exemplo:
• 3300 km: o traço marca o último zero significativo, assim essa medida tem
três algarismos significativos;
• 3300 km: o traço marca o último zero significativo, assim essa medida tem
quatro algarismos significativos; ou

16
• 3300, km: uma vírgula sem casas decimais posteriores também indicaria que
todos os zeros são significativos e esse número teria quatro algarismos signi-
ficativos.
Minha opinião aqui é clara: não use nenhuma dessas gambiarras e atenha-se à
regra: zeros no final de números inteiros não são significativos.
Mas e se a aferição foi relmente feita com alta precisão, com zeros significativos
no final dos números inteiros? Então, nesse caso, devemos usar notação científica
para escrever sem ambigüidade. Veja a próxima regra.

Regra 6: em notação científica, todos os algarismos da mantissa são sig-


nificativos; a quantidade de zeros do expoente não é significativa

Um número em notação científica é aquele que segua a forma geral

± m × 10±n (5)

onde 1 ≤ |m ∈ R| < 10, e n ∈ Z. O coeficiente m é conhecido por


significando ou mantissa, e todos os seus algarismos são considerados sig-
nificativos. O expoente de base 10 só indica a grandeza do número e não é
considerado significativo. Por exemplo:

• 4,30 × 106 μg tem 3 algarisms significativos. Na forma inteira esse


número é escrito como 4 300 000 μg e seria ambíguo. Com a nota-
ção científica sabemos que há três algarismos significativos, então a
incerteza é de ±10 000 μg;

• 3,2 × 103 km tem 2 algarismos significativos. Na forma inteira esse


número é escrito como 3200 km e seria ambíguo. Com a notação ci-
entífica sabemos que só há dois algarismos significativos, então a in-
certeza é de ±100 km;

• 3,20 × 103 km tem 3 algarismos significativos. Na forma inteira esse


número é escrito como 3200 km e seria ambíguo. Com a notação ci-
entífica sabemos que só há três algarismos significativos, então a in-
certeza é de ±10 km;

• 3,200 × 103 km tem 4 algarismos significativos. Na forma inteira


esse número é escrito como 3200 km e seria ambíguo. Com a no-
tação científica sabemos que só há quatro algarismos significativos,
então a incerteza é de ±1 km.

Cuidado com notação científica escrita de modo errado: 0,023 × 105 mm não
tem quatro algarismos significativos! Depois que você reescreer o número na nota-
ção científica correta, conforme a Equação 5, você obterá 2,3 × 103 mm e verá que
só há dois algarismos significativos.

17
Outro cuidado a ser tomado é no momento de transcrever um número para a
notação científica: devemos manter a quantidade de algarismos significativos exis-
tentes. Por exemplo: ao escrever 0,0019 g (que só tem dois algarismos significati-
vos) em notação científica, devemos escrever 1,9 × 10−3 g (também com dois al-
garismos significativos); ao transcrever 0,00190 g (três algarismos significativos),
devemos escrever 1,90 × 10−3 g (três algarismos significativos).
A última regra para algarismos significativos lida com os números exatos e é bem
simples:

Regra 7: números exatos têm uma quantidade infinita de algarismos sig-


nificativos
Todo número exato (ver Seção 2) tem uma quantidade infinita de algarismos
significativos; os números exatos não são limitantes em cálculos envolvendo
números inexatos.

4.1 Resumo das regras para os algarismos significativos


Regras para algarismos significativos

1. Todo algarismo diferente de zero é significativo;

2. Zeros aprisionados são significativos;

3. Zeros no começo dos números (leading zeros) não são significativos;

4. Se o número tem um ponto decimal, os zeros no final desse número


(trailing zeros) são significativos;

5. Se o número não tem um ponto decimal, os zeros no final desse nú-


mero (trailing zeros) são ambíguos e considerados não significativos;

6. Em notação científica, todos os algarismos da mantissa são significa-


tivos; a quantidade de zeros do expoente não é significativa; e

7. Números exatos têm uma quantidade infinita de algarismos significa-


tivos.

5 Aritmética com algarismos significativos


Assim como existem regras para determinarmos quais são os algarismos significati-
vos em um número, também existem regras para relatar corretamente a quantidade
de algarismos significativos de números que foram resultado de alguma operação
matemática, como adição, subtração ou multiplicação.

18
Em geral a regra é simples: a quantidade de algarismos significativos em um
resultado calculado deve ser igual à menor quantidade de algarismos significativos
dos números originais.
Esta seção explica e ilustra essa regra e, também, as regras que devemos utilizar
no arredondamento desses resultados calculados.

5.1 Multiplicação e divisão


As operações de multiplicação e divisão envolvendo números inexatos seguem uma
regra básica:

Multiplicação e divisão com algarismos significativos

O resultado deve ser arredondado de forma que tenha a mesma quantidade


de algarismos significativos que o elemento com a menor quantidade de
algarismos significativos.

Suponha que precisamos calcular a área de um terreno retangular cujas medidas


são: 60,3 m de comprimento e 8,7 m de largura. Teríamos então o seguinte cálculo
(a quantidade de algarismos significativos está indicada abaixo de cada número):

60,3 m × 8,7 m = 524,61 m2 ≈ 520 m2 (6)


| {z } | {z } | {z } | {z }
3 alg. sig. 2 alg. sig. 5 alg. sig. 2 alg. sig.

O resultado “matemático” da multiplicação tem cinco algarismos significati-


vos, mas um dos fatores do produto só tem dois algarismos significativos. Esse
fator, o que tem a menor quantidade de algarismos significativos, limita a precisão
do resultado. Nessa situação o resultado deve ser aproximado para a menor quanti-
dade de algarismos significativos dos fatores: dois algarismos. Por isso o resultado
correto é expresso como 520 m2 (somente dois algarismos significativos). As regras
para arredondamento serão discutidas adiante.
Exemplificando um cálculo de divisão: sabe-se que 5,670 × 103 kg de chumbo
ocupam um volume de 5,00 × 102 m3 . Qual a densidade do chumbo?

5,670 × 103 kg ÷ 5,00 × 102 m3 = 11,34 kg m−3 ≈ 11,3 kg m−3 (7)


| {z } | {z } | {z } | {z }
4 alg. sig. 3 alg. sig. 4 alg. sig. 3 alg. sig.

Algumas vezes a incerteza em uma das medidas é tão grande que o resultado
final é relativamente distante do matemático. Qual o volume de uma caixa com
dimensões 25,35 cm, 5,350 cm e 10 cm? Como uma das medidas tem apenas um
algarismo significativo, temos:

25,35 cm × 5,350 cm × 10 cm = 1356,225 cm3 ≈ 1000 cm3 (8)


| {z } | {z } | {z } | {z } | {z }
4 alg. sig. 4 alg. sig. 1 alg. sig. 7 alg. sig. 1 alg. sig.

19
Ao realizar as contas é importante que você só arredonde o resultado final, man-
tendo o máximo de casas decimais possíveis nos resultados intermediários. Isso di-
minui a propagação de erros por arredondamento durante os cálculos. A regra é
simples: só arredonde o resultado final.

5.2 Adição e subtração


As operações de adição e subtração envolvendo números inexatos seguem a seguinte
regra geral:

Adição e subtração com algarismos significativos

O resultado deve ser arredondado para a posição do último algarismo em


comum em todos os elementos (o algarismo mais à direita).

Suponha que queremos somar as massas de duas substâncias, uma com 25,1 g
e a outra com 132,3562 g. Pela regra acima temos que (a seta indica a posição do
último algarismo em comum nas parcelas adicionadas):


132,3562 g
+ 25,1 g (9)
= 157,4562 g
≈ 157,5 g
Como o último algarismo em comum nas duas parcelas da adição está na or-
dem dos décimos de g, então o resultado final também deve ser arredondado para
décimos de g.
Note a diferença com a regra da multiplicação/divisão: lá o que vale é a menor
quantidade de algarismos significativos; aqui o que vale é o último algarismo em
comum. Uma das parcelas da adição só tem três algarismos significativos (25,1 g)
mas mesmo assim o resultado final está expresso com quatro algarismos significati-
vos (157,5 g).
Considere este outro exemplo (a seta indica a posição do último algarismo em
comum nas parcelas):


6,95 kg
− 2,206 kg
(10)
+ 12 kg
= 16,744 kg
≈ 17 kg
Como o último algarismo em comum estava na ordem das unidades de kg, o
resultado final também deve ser arredondado para unidades de kg.

20
5.3 Multiplicação/divisão com adição/subtração
Em operações aritméticas que combinam multiplicações (e/ou divisões) com adi-
ções (e/ou subtrações), comumente chamadas de operações mistas, a regra a ser
seguida é:

Operações mistas com algarismos significativos

Os resultados intermediários não devem ser arredondados mas a quantidade


de algarismos significativos deve ser monitorada e levada em conta no mo-
mento de arredondamento final.

O modo mais fácil de entender essa regra é através de exemplos9 . Imagine que
queremos realizar a seguinte operação:

6,78 m × 5,903 m × (5,489 m − 5,01 m) = ? (11)


Para resolver a Equação 11 passo a passo temos que, primeiro, realizar a subtra-
ção conforme o seguinte:


5,489 m
(12)
− 5,01 m
= 0,479 m
Note que na Equação 12, agora, não arredondamos o resultado da subtração
pois esse resultado será utilizado na multiplicação. O que fizemos foi colocar um
pequeno traço indicando quais são os algarismos significativos desse resultado inter-
mediário (apenas dois, pelas regras da adição/subtração), para não nos perdermos
no próximo passo.
O próximo passo é realizar a multiplicação, monitorando quantos algarismos
significativos o resultado intermediário da subtração tem:

6,78 m × 5,903 m × 0.479 m = 19,17070086 m3 ≈ 19 m3 (13)


| {z } | {z } | {z } | {z } | {z }
3 alg. sig. 4 alg. sig. 2 alg. sig. 10 alg. sig. 2 alg. sig.

O resultado intermediário da subtração entrou na multiplicação com todos os


algarismos (para evitar erros de arredondamento), mas nós só consideramos para
efeito do resultado final seus dois algarismos significativos. Por isso a resposta final
só tem dois algarismos significativos.
Fazendo isso estamos mantendo a maior quantidade possível de algarismos nos
cálculos intermediários e, ao mesmo tempo, monitorando quantos algarismos sig-
nificativos a resposta final deve conter.
9
Os exemplos ilustrados na Equação 11 e na Equação 14 foram produzidos por Nicole Mabante e
publicados em um vídeo no YouTube intitulado Multi-step Calculations with Significat Figures <https://
[Link]/watch?v=pledqbQjWRA>.

21
Considere agora o seguinte cálculo:

19,667 cm2 − (5,4 cm × 0,916 cm) = ? (14)


Resolvendo primeiro a multiplicação, temos que:

5,4 cm × 0,916 cm = 4.9464 cm2 (15)


| {z } | {z } | {z }
2 alg. sig. 3 alg. sig. 2 alg. sig.

Não arredondamos o resultado da Equação 15 pois ele será utilizado no pró-


ximo passo, a subtração. O que fizemos foi colocar um pequeno traço indicando
que só podemos considerar dois algarismos significativos nesse resultado interme-
diário (pelas regras da multiplicação/divisão). O próximo passo agora é realizar a
subtração:


19,667 cm2
− 4,9464 cm2 (16)
= 14,7206 cm2
≈ 14,7 cm2
Perceba que utilizamos todos os algarismos do resultado intermediário da mul-
tiplicação, mas marcamos com um traço os algarismos significativos. Assim, pela
regra da adição/subtração, a seta indica a posição do último algarismo significativo
em comum nas parcelas e o arredondamento final deve levar isso em consideração.

5.4 Operações envolvendo números exatos


Números exatos têm uma quantidade infinita de algarismos significativos, assim
eles nunca são limitantes nas operações aritméticas. Basta seguir as regras normais
de multiplicação/divisão e de adição/subtração, sem considerar os números exatos
como limitantes.
Considere o seguinte exemplo: sabendo-se que 1 pol = 2,54 cm, quantos cen-
tímetros uma medida de 3,49736 pol tem?

2,54 cm
3,49736 pol × = 8,8832944 cm ≈ 8,88329 cm (17)
| {z } 1 pol | {z } | {z }
6 alg. sig. | {z } 8 alg. sig. 6 alg. sig.
∞ alg. sig.

Na conversão de polegadas para centímetros ilustrada acima, a medida da pole-


gada tinha seis algarismos significativos. Apesar de utilizarmos somente três alga-
rismos na conversão (2,54 cm), como os números exatos têm infinitos algarismos
significativos, o fator limitante é a própria medida da polegada. Por isso o resultado
final também foi expresso com seis algarismos significativos.

22
5.5 Arredondamento de algarismos significativos
Ao arredondar os algarismos significativos, as seguintes regras devem ser observa-
das:

Arredondamento para algarismos significativos

1. Se o algarismo a ser eliminado é maior do que 5, o último algarismo


que permanece deve ser arredondado para cima. Por exemplo: ao ar-
redondar 34.37 para três algarismos significativos, o resultado é 34.4;

2. Se o algarismo a ser eliminado é menor do que 5, o último algarismo


que permanece não deve ser alterado. Por exemplo: ao arredondar
19.498 para dois algarismos significativos, o resultado é 19;

3. Se o algarismo a ser eliminado é igual a 5 e se qualquer um dos alga-


rismos seguintes é diferente de zero, o último algarismo que perma-
nece deve ser arredondado para cima. Por exemplo: ao arredondar
67.35002 para três algarismos significativos, o resultado é 67.4; e

4. Se o algarismo a ser eliminado é igual a 5 e se todos os outros algaris-


mos seguintes forem zeros, o último algarismo que permanece deve
ser arredondado para o algarismo par mais próximo. Por exemplo:

• Ao arredondar 534.5 para três algarismos significativos, o re-


sultado será 534 (o último algarismo não foi alterado pois já é
par); e
• Ao arredondar 533.5 para três algarismos significativos, o re-
sultado será 534 (o último algarismo foi arredondado para o par
mais próximo).

As três primeiras regras de arredondamento são bem intuitivas e não precisam


de maiores detalhes.
A quarta regra é um pouco menos intuitiva: arredondar para o algarismo par
mais próximo. Por quê? A razão para seguir essa regra é evitar viés no arredon-
damento: em metade das vezes o arredondamento será feito para cima e, na outra
metade das vezes, o arredondamento será feito para baixo.
Até que ponto a não observância da quarta regra de arredondamento realmente
causa viés considerável nos números eu não sei. Mas é a maneira usual de arredon-
dar ao se trabalhar com algarismos significativos.

23
6 Precisão e exatidão
Durante todo esse texto eu utilizei os termos “precisão” e “exatidão” de modo
informal, apelando ao sentido e entendimento do senso comum. Está na hora de
definir formalmente esses termos e responder duas perguntas: qual a relação en-
tre precisão e exatidão? Os algarismos significativos relacionam-se à precisão ou à
exatidão?

6.1 O que é precisão?


Até agora eu o levei a acreditar que “precisão” tem alguma coisa a ver com a quan-
tidade de algarismos ou casas decimais de uma medida. Assim a medida 23,45 cm
seria mais “precisa” do que 23,6 cm. Bem… eu menti e te enganei. De propósito.
Sem nenhum escrúpulo. Por maldade mesmo. Desculpa?
Em minha defesa só posso alegar que apesar desse não ser o sentido correto do
termo “precisão”, é o sentido usual, corriqueiro. Ninguém vai te censurar10 por
isso.
Formalmente, precisão é a capacidade de um instrumento de medida informar
sempre o mesmo resultado, sob as mesmas condições. Precisão não tem relação
nenhuma com a quantidade de algarismos ou casas decimais mas, sim, com a capa-
cidade de repetibilidade do instrumento.
Considere que precisamos medir a massa de um conjunto formado por um pa-
rafuso e duas porcas de formato diferente. Vamos realizar seis aferições da massa
desse conjunto na mesma balança (que tem uma margem de erro de ±0,1 g), alte-
rando o conjunto a cada aferição (mas de modo que a massa total não se altere), e
vamos ver o que a balança informa. Veja os resultados nas seis figuras a seguir:

Figura 8: Primeira aferição, conjunto montado: 17,9 g

10
Nem eu!

24
Figura 9: Segunda aferição, conjunto montado em outra posição: 17,9 g

Figura 10: Terceira aferição, conjunto montado em pé: 17,9 g

Figura 11: Quarta aferição, conjunto desmontado: 17,9 g

25
Figura 12: Quinta aferição, conjunto parcialmente montado: 17,9 g

Figura 13: Sexta aferição, conjunto parcialmente montado de outro jeito: 17,9 g

O que todas as seis aferições do conjunto de parafuso e porcas têm em comum?


o mesmo resultado: 17,9 g. Essa balança, apesar de ter uma margem de erro razo-
avelmente grande (±0,1 g), é extremamente precisa. Todas as aferições fornece-
ram o mesmo resultado, sem variação nenhuma.
Isso é o que se entende por precisão: a capacidade do instrumento de sempre
fornecer o mesmo resultado sob mesmas condições11 .
Perceba que precisão, formalmente, não tem relação nenhuma com a quanti-
dade de casas decimais do resultado. A balança utilizada só mede com até uma casa
decimal e, mesmo assim, é um instrumento com alta precisão, tem alta repetibili-
dade. Se a balança tivesse fornecido como resultado 17,8 g, 18,2 g, 17,5 g, 17,9 g,
18,7 g e 17,6 g, ela teria pouca precisão.
11
E eu ainda trapaceei um pouco, montando e desmontando o conjunto em posições variadas, alterando
assim as condições de uma aferição à outra (mas mantendo a mesma massa).

26
6.2 O que é exatidão?
O termo exatidão é um pouco menos confuso, mas um pouco mais abstrato: exati-
dão é a capacidade do instrumento de se aproximar do valor real, matematicamente
exato e desconhecido, do que está sendo medido.
Voltando ao exemplo do parafuso e porcas: apesar de ter alta precisão, a me-
dida de 17,9 g tem alta exatidão também? Essa é realmente a massa do conjunto de
parafuso e porcas?
Infelizmente não é possível saber com certeza. Se a massa exata desconhe-
cida do conjunto realmente for 17,9 g ou um valor próximo (18,0127954351… g ou
17,9124678234… g), então a balança, além de precisa, seria extremamente exata.
O problema está em saber o valor matematicamente verdadeiro da massa do
conjunto para julgar se a balança é exata ou não! A princípio não temos como saber
e geralmente confiamos que os fabricantes foram zelosos para garantir que os ins-
trumentos tenham alto grau de exatidão. Na prática nós temos fé que os resultados
são exatos, mas ter certeza absoluta é impossível12 .
Mesmo uma balança extremamente precisa pode ter algum defeito e relatar os
resultados sempre com algum desvio para mais ou para menos.

6.3 Relação entre exatidão e precisão


Exatidão e precisão são coisas diferentes mas relacionadas quando se trata de medir
alguma coisa e expressar essa medida em algarismos significativos.
Dependendo da qualidade de seu instrumento de medida (e da habilidade do
operador) as seguintes situações extremas são possíveis:
• Alta exatidão e alta precisão;
• Baixa exatidão e alta precisão;
• Baixa exatidão e baixa precisão; e
• Alta exatidão e baixa precisão.
O jeito mais fácil de visualizar essas possibilidades é fazendo uma analogia com
um alvo de tiro ao alvo.
Nas figuras a seguir o alvo representa todos os valores que possam resultar da
aferição de alguma coisa com um instrumento. O centro do alvo representa o valor
matematicamente verdadeiro (e desconhecido) da medida.
Os alvos representam cada uma das possibilidades extremas acima.
12
Quem disse que ciência e fé não se misturam? :^)

27
Figura 14: O centro (em azul) representa o valor verdadeiro e desconhecido

A Figura 15 representa um instrumento com alta exatidão (os resultados se apro-


ximam do valor real) e alta precisão (os resultados variam pouco entre as diferentes
aferições):

Figura 15: Instrumento com alta exatidão e alta precisão

28
A Figura 16 representa um instrumento com baixa exatidão (os resultados estão
longe do valor real) e alta precisão (os resultados variam pouco entre as diferentes
aferições):

Figura 16: Instrumento com baixa exatidão e alta precisão

A Figura 17 representa um instrumento com baixa exatidão (os resultados estão


longe do valor real) e baixa precisão (os resultados variam bastante entre as diferen-
tes aferições):

Figura 17: Instrumento com baixa exatidão e baixa precisão

29
A Figura 18 representa um instrumento com alta exatidão (os resultados estão
próximos do valor real) e baixa precisão (os resultados variam bastante entre as di-
ferentes aferições):

Figura 18: Instrumento com alta exatidão e baixa precisão

Por que o instrumento ilustrado na Figura 18, apesar de baixa precisão, tem
alta exatidão? Porque, em média, os resultados tendem a se aproximar do valor
verdadeiro.

6.4 Algarismos significativos: precisão ou exatidão?


A última questão13 a ser considerada é a seguinte: quando nos preocupamos em
expressar o resultado de uma medição (feita com algum instrumento) em algarismos
significativos, estamos preocupados com a precisão ou com a exatidão da medida?
Eu espero que tenha ficado claro para você que é com a precisão das medidas,
não com a exatidão. Quando eu meço alguma coisa com uma régua tento ser o mais
“preciso” possível, tento estimar sempre o mesmo valor.
Mas nada me garante que o fabricante, ao marcar a escala na régua, não tenha
cometido um erro no espaçamento das marcas de milímetros e, ao invés do espa-
çamento ser de 1 mm, não esteja a 0,5 mm, o que faria a medida ser o dobro do
que realmente é: eu posso estar sendo altamente preciso mas, se o instrumento está
errado, a exatidão se perde.
13
O tema de precisão e exatidão das medidas tem muito mais detalhes do que o que seria possível tratar
neste texto introdutório. Existem nuances como a variação intra e inter-instrumentos, a variação intra e
inter-operadores, diferenças entre repetibilidade e reprodutibilidade e uma babel de outros termos que
são utilizados mais ou menos indiscriminadamente e que causam uma confusão danada (como acurária,
sensibilidade e outros).

30
A Ordens de grandeza
Este apêndice traz algumas das principais ordens de grandeze (ou magnitude) das
unidades de medida comumente utilizadas na literatura científica. As Tabelas 1 e 2
listam as grandezas de base 10 maiores e menores do que 1, respectivamente. A Ta-
bela 4 lista as grandezas com base 2. As unidades que possuem prefixos e símbolos
padronizados no Sistema Internacional de Unidades (SI) estão indicadas (e também
resumidas na Tabela 3). Para maiores informações, consulte o Bureau Internacional
de Pesos e Medidas <[Link]

Tabela 1: Grandezas de base 10 maiores do que a unidade

Fator Prefixo Símbolo Número Nome


26
10 - - 100 000 000 000 000 000 000 000 000 Centena de septilhão
1025 - - 10 000 000 000 000 000 000 000 000 Dezena de septilhão
1024 yotta Y 1 000 000 000 000 000 000 000 000 Septilhão
1023 - - 100 000 000 000 000 000 000 000 Centena de sextilhão
1022 - - 10 000 000 000 000 000 000 000 Dezena de sextilhão
1021 zetta Z 1 000 000 000 000 000 000 000 Sextilhão
1020 - - 100 000 000 000 000 000 000 Centena de quintilhão
1019 - - 10 000 000 000 000 000 000 Dezena de quintilhão
1018 exa E 1 000 000 000 000 000 000 Quintilhão
1017 - - 100 000 000 000 000 000 Centena de quatrilhão
1016 - - 10 000 000 000 000 000 Dezena de quatrilhão
1015 peta P 1 000 000 000 000 000 Quatrilhão
1014 - - 100 000 000 000 000 Centena de trilhão
1013 - - 10 000 000 000 000 Dezena de trilhão
1012 tera T 1 000 000 000 000 Trilhão
1011 - - 100 000 000 000 Centena de bilhão
1010 - - 10 000 000 000 Dezena de bilhão
109 giga G 1 000 000 000 Bilhão
108 - - 100 000 000 Centena de milhão
107 - - 10 000 000 Dezena de milhão
106 mega M 1 000 000 Milhão
105 - - 100 000 Centena de milhar
104 - - 10 000 Dezena de milhar
103 kilo k 1000 Milhar
102 hecto h 100 Centena
101 deca da 10 Dezena
100 - - 1 Unidade

É possível continuar nomeando as ordens de grandeza, indefinidamente, uti-


lizando o mesmo padrão da Tabela 1: octilhão (1027 ), nonilhão (1030 ), decilhão
(1033 ), undecilhão (1036 ), duodecilhão (1039 ) e assim por diante.

31
Tabela 2: Grandezas de base 10 menores do que a unidade

Fator Prefixo Símbolo Número Nome


0
10 - - 1 Unidade
10−1 deci d 0,1 Décimo
10−2 centi c 0,01 Centésimo
10−3 mili m 0,001 Milésimo
10−4 - - 0,0001 Décimo de milésimo
10−5 - - 0,000 01 Centésimo de milésimo
10−6 micro μ 0,000 001 Milionésimo
10−7 - - 0,000 000 1 Décimo de milionésimo
10−8 - - 0,000 000 01 Centésimo de milionésimo
10−9 nano n 0,000 000 001 Bilionésimo
10−10 - - 0,000 000 000 1 Décimo de bilionésimo
10−11 - - 0,000 000 000 01 Centésimo de bilionésimo
10−12 pico p 0,000 000 000 001 Trilionésimo
10−13 - - 0,000 000 000 000 1 Décimo de trilionésimo
10−14 - - 0,000 000 000 000 01 Centésimo de trilionésimo
10−15 femto f 0,000 000 000 000 001 Quatrilionésimo
10−16 - - 0,000 000 000 000 000 1 Décimo de quatrilionésimo
10−17 - - 0,000 000 000 000 000 01 Centésimo de quatrilionésimo
10−18 atto a 0,000 000 000 000 000 001 Quintilionésimo
10−19 - - 0,000 000 000 000 000 000 1 Décimo de quintilionésimo
10−20 - - 0,000 000 000 000 000 000 01 Centésimo de quintilionésimo
10−21 zepto z 0,000 000 000 000 000 000 001 Sextilionésimo
10−22 - - 0,000 000 000 000 000 000 000 1 Décimo de sextilionésimo
10−23 - - 0,000 000 000 000 000 000 000 01 Centésimo de sextilionésimo
10−24 yocto y 0,000 000 000 000 000 000 000 001 Septilionésimo
10−25 - - 0,000 000 000 000 000 000 000 000 1 Décimo de septilionésimo
10−26 - - 0,000 000 000 000 000 000 000 000 01 Centésimo de septilionésimo

É possível continuar nomeando as ordens de grandeza, indefinidamente, utili-


zando o mesmo padrão da Tabela 2: octilionésimo (10−27 ), nonilionésimo (10−30 ),
decilionésimo (10−33 ), undecilionésimo (10−36 ), duodecilionésimo (10−39 ) e as-
sim por diante14 .
A Tabela 3 resume as unidades que estão padronizadas no SI.
14
Claro que para unidades muito grandes, acima de duodecilhão (1039 ), ou unidades muito pequenas,
abaixo de duodecilionésimos (10−39 ), talvez seja necessário pedir ajuda a um bom professor de português
para saber o nome correto! Por isso as unidades constumam ser escritas diretamente em notação científica:
é muito mais difícil ter a noção da ordem de grandeza de, digamos, 832 centésimos de milionésimos, do
que de 8,32 × 10−6 .

32
Tabela 3: Resumo de ordens de grandeza padronizadas no SI

Fator Prefixo Símbolo Nome


1024 yotta Y Septilhão
1021 zetta Z Sextilhão
1018 exa E Quintilhão
1015 peta P Quatrilhão
1012 tera T Trilhão
109 giga G Bilhão
106 mega M Milhão
103 kilo k Milhar
102 hecto h Centena
101 deca da Dezena
100 - - Unidade
10−1 deci d Décimo
10−2 centi c Centésimo
10−3 mili m Milésimo
10−6 micro μ Milionésimo
10−9 nano n Bilionésimo
10−12 pico p Trilionésimo
10−15 femto f Quatrilionésimo
10−18 atto a Quintilionésimo
10−21 zepto z Sextilionésimo
10−24 yocto y Septilionésimo

É importante observer que os prefixos e símbolos das ordens de grandeza do


SI ilustrados nas tabelas anteriores referem-se estritamente à potências de base
10. Elas não devem ser utilizadas quando estamos trabalhando com potências de
base 2 (como comumente utilizado na computação). Por exemplo: 1 kbit representa
1000 bit, e não 1024 bit; 2 GB representa 2000 MB, e não 2048 MB.
Quando estamos nos referindo especificamente à potências de base 2 temos que
usar prefixos e símbolos específicos, mostrados na Tabela 4. Apesar de ainda não
serem muito comuns, pois foram desenvolvidos há poucos anos, é a maneira correta
de expressar potências de base 2.

33
Tabela 4: Ordens de grandeza para potências de base 2

Fator Prefixo Símbolo


20 - -
210 kibi Ki
220 mebi Mi
230 gibi Gi
240 tebi Ti
250 pebi Pi
260 exbi Ei
270 zebi Zi
280 yobi Yi

Se as potências forem de base 2, ao invés de dizer 480 MB (Megabyte), o correto


é dizer 480 MiB (Mebibyte); ao invés de dizer 25 TB (Terabyte) o correto é dizer
25 TiB (Tebibyte).
A lógica para esses prefixos binários é a seguinte: se na base 10 o prefixo é
“mega”, na base 2 o “ga” é substituído por “bi” (binário) resultando em “mebi”;
o “giga” é substituído por “gibi”, o “peta” por “pebi” e assim por diante. As duas
primeiras letras do prefixo são mantidas, mas as últimas são substituídas por “bi”
para indicar que é um prefixo binário.

34
B Bibliografia
Para saber mais, consulte:
• LibreTexts: Introductory Chemistry
• OpenStax College Physics
• LibreTexts: The Basics of GOB Chemistry
• A Short Guide to Significant Figures
• Maths First Significant Figures
• MIT Significant Figures
• Columbia Significat Figures
• Columbia Rounding
• USNA Significant Figures
• TAMU Significant Figures
• Bellevue Significant Figures
• OCC Significant Figures in Scientific Measurements and Calculations
• Uky Significant Figures Rules
• Flinders Significant Figures
• Wikipedia Significant Figures
• Breve Guia para Algarismos Significativos

35
C Licença
Exceto se explicitamente detalhado em alguma parte específica, este documento é
distribuído sob uma licença Creative Commons Attribution-ShareAlike 4.0 Inter-
national (CC BY-SA 4.0):

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