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A Aurora Silenciosa de Eldareth

Após um longo período de paz conhecido como A Aurora Silenciosa, Eldareth se reergueu sob a liderança de Vareon, abandonando a monarquia em favor de um governo representativo. A memória da princesa Elaris se tornou um símbolo de coragem e esperança, lembrando que a verdadeira realeza reside na bravura do povo. Com o tempo, a história de Eldareth se perpetuou, mostrando que o poder de um império está no coração dos que acreditam na luz do amanhecer.

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A Aurora Silenciosa de Eldareth

Após um longo período de paz conhecido como A Aurora Silenciosa, Eldareth se reergueu sob a liderança de Vareon, abandonando a monarquia em favor de um governo representativo. A memória da princesa Elaris se tornou um símbolo de coragem e esperança, lembrando que a verdadeira realeza reside na bravura do povo. Com o tempo, a história de Eldareth se perpetuou, mostrando que o poder de um império está no coração dos que acreditam na luz do amanhecer.

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Parte 5 de 5 — O Alvorecer de Eldareth

Passaram-se muitos anos desde o dia em que o céu de Eldareth ardeu pela última vez.
As crônicas chamariam aquele tempo de A Aurora Silenciosa, pois nenhum trovão, nenhuma
espada, nenhum grito de guerra ecoou nas terras do reino por uma geração inteira. O vento que
outrora trazia o cheiro de cinza agora soprava o perfume de campos oridos, e o rio Arvann, antes
turvo e sombrio, voltou a correr claro como vidro sob o sol nascente.

O corpo da princesa Elaris fora sepultado no alto da colina do norte, onde outrora erguia-se a torre
de vigia do bastião. Sobre sua tumba simples — um bloco de mármore sem ornamentos —
repousava apenas a espada dourada de Kael Dorn, agora coberta de musgo e tempo. Nenhuma
inscrição foi gravada, pois os homens entenderam que certos nomes não precisam ser lembrados
pela pedra, mas pelo eco do que deixaram no coração dos vivos.

A cidade, destruída pelo cerco, foi reconstruída lentamente. As muralhas não voltaram a ser
erguidas com a mesma grandiosidade de outrora; os templos foram abertos para o céu, e o ouro das
antigas coroas foi fundido em sinos, para que a lembrança dos reis se misturasse ao som da vida
cotidiana.

Vareon, o velho comandante, tornou-se o primeiro regente do novo conselho. Sob sua liderança,
Eldareth abandonou os títulos de nobreza e instituiu um governo de voto e palavra, onde cada
aldeia enviava um representante às assembleias. O trono do rei foi deixado vazio — não por falta de
herdeiro, mas por respeito àquela que escolhera não reinar.

Os cronistas contam que, em certas madrugadas, quando o sol ainda não rompeu o horizonte, uma
luz tênue percorre os campos ao norte, e por um instante a sombra das montanhas parece curvar-se
em reverência. O povo diz que é Elaris caminhando entre os ventos, assegurando que o equilíbrio
entre noite e dia jamais se perca novamente.

Com o tempo, uma nova geração cresceu sem conhecer o som da guerra. As crianças corriam pelas
praças, onde antes haviam ardido piras funerárias; os ferreiros forjavam arados em lugar de espadas;
e os bardos cantavam não os feitos de reis, mas as histórias dos humildes que haviam sustentado o
reino quando tudo parecia perdido.

E, no entanto, a memória da sombra nunca desapareceu por completo. Os anciãos diziam que, em
cada pôr do sol, uma centelha de Thaur ainda habitava a linha do horizonte, guardando o equilíbrio
entre luz e treva. Não como inimigo, mas como guardião da fronteira entre o que é visto e o que é
lembrado.

Certo dia, muitos invernos depois, uma jovem pastora encontrou nas margens do Arvann uma pedra
polida, dourada como o sol. Quando a tocou, sentiu um calor leve percorrer-lhe os dedos e, por um
instante, ouviu um sussurro distante:

“A luz não pertence aos reis, mas àqueles que a carregam sem perceber.”

Ela guardou a pedra e, naquela noite, contou a história ao seu avô, que apenas sorriu.
— Então a chama ainda vive — disse ele. — Que os deuses a mantenham acesa.

E assim, geração após geração, o nome de Elaris de Eldareth tornou-se menos uma lembrança e
mais um símbolo — o de que a verdadeira realeza não está no sangue, mas na coragem de enfrentar
a própria sombra.
fl
Nas eras seguintes, quando novos impérios surgiram e caíram, quando a escrita mudou e as
fronteiras se perderam, ainda havia quem, ao amanhecer, se voltasse para o leste e murmurasse uma
antiga prece:

“Enquanto o Sol nascer sobre as cinzas,


Eldareth viverá.”

E, nesse murmúrio, o mundo seguia seu curso — entre luz e treva, entre morte e renascimento —,
sustentado pelo sacrifício de uma princesa que compreendeu o que os reis jamais entenderam:
que o poder de um império não está em suas muralhas, mas no coração daqueles que ainda creem na
aurora.

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