UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE DIREITO
TIAGO RAUL TIAGO
DA (IM) POSSIBILIDADE DOS HERDEIROS EXERCEREM A
IMPUGNAÇÃO PAULIANA OU REQUEREREM A
DECLARAÇÃO DE NULIDADE CONTRA AS ALIENAÇÕES
PRATICADAS PELO AUTOR DA SUCESSÃO SOBRE OS BENS
REFERENTES Á LEGITIMA
NAMPULA
2025
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE DIREITO
TIAGO RAUL TIAGO
DA (IM) POSSIBILIDADE DOS HERDEIROS EXERCEREM A
IMPUGNAÇÃO PAULIANA OU REQUEREREM A
DECLARAÇÃO DE NULIDADE CONTRA AS ALIENAÇÕES
PRATICADAS PELO AUTOR DA SUCESSÃO SOBRE OS BENS
REFERENTES Á LEGITIMA
Projecto de monografia a ser submetido a
Comissão Científica da Faculdade de
Direito da Universidade Católica de
Moçambique o qual tem como proposta
de supervisor: Dr. Olvanio Mutiniua
NAMPULA
2025
Lista de abreviaturas
Art. – Artigo
Al. – Alínea
Cap. – Capítulo
CRM - Constituição da República de Moçambique
Ed. – Edição
Ex.- Exemplo
OB. CIT – Obra Citada
Pág. – Página
Ss – Seguintes
CC – Código Civil
Dir. – obr.
Dir. – sucess
LT – Lei de Trabalho
CFR – Confira
N° - Número
N°s- Números
Arts – Artigos
Índice
Lista de abreviaturas........................................................................................................................3
INTRODUÇÃO...............................................................................................................................1
DELIMITAÇÃO DO TEMA..........................................................................................................3
PROBLEMATIZAÇÃO..................................................................................................................3
HIPÓTESES....................................................................................................................................4
JUSTIFICATIVA............................................................................................................................5
OBJETIVOS....................................................................................................................................6
Objetivos Geral................................................................................................................................6
Objetivos Específicos......................................................................................................................6
METODOLÓGICA.........................................................................................................................6
Quanto a abordagem........................................................................................................................7
Quanto aos procedimentos...............................................................................................................8
Técnica de recolha de dados............................................................................................................8
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...................................................................................................9
ABERTURA DA SUCESSÃO......................................................................................................11
Herança e sua Administração........................................................................................................12
Aceitação e Renuncia da Herança.................................................................................................14
Cessão da Herança.........................................................................................................................16
Impugnação pauliana face à Herança............................................................................................17
Âmbito de aplicação......................................................................................................................18
Requisitos para a impugnação pauliana.........................................................................................19
REQUISITOS GERAIS.................................................................................................................19
Existência de um crédito................................................................................................................19
Existência de prejuízo....................................................................................................................20
Má fé como condição de impugnação dos atos onerosos..............................................................20
Cronograma das actividades..........................................................................................................21
Orçamento......................................................................................................................................21
Referências Bibliográficas.............................................................................................................22
INTRODUÇÃO
O presente projecto de monografia tem como tema “Da (im) possibilidade dos
herdeiros exercerem a impugnação pauliana ou requererem a declaração de nulidade contra as
alienações praticadas pelo autor da sucessão sobre os bens referentes á legitima” que se
circunscreve no curso de Direito, especificamente no ramo de Direito Privado, nas disciplinas de
Direito das Sucessões e Direito das Obrigações. A sucessão é o chamamento de uma ou mais
pessoas à titularidade das relações jurídicas patrimoniais de uma pessoa falecida e a consequente
devolução dos bens que a esta pertenciam, ou seja, é quando uma pessoa passa a ocupar a
posição que anteriormente era ocupada por outra. Segundo o legislador no artigo 1 da Lei n.º
23/2019 de 23 de Dezembro, (Lei das sucessões). A sucessão hereditária é um instituto
fundamental do direito civil que assegura a continuidade das relações patrimoniais após a morte
de uma pessoa. Dentro deste contexto, a legitima representa a fração do patrimônio do falecido
que a lei reserva obrigatoriamente aos herdeiros necessários, como os descendentes, ascendentes
e o cônjuge. Trata-se, portanto, de uma limitação à liberdade de disposição do autor da herança,
que não pode dispor livremente de todo o seu patrimônio em prejuízo da quota legitima desses
herdeiros. Assim, qualquer acto que reduza ou comprometida indevidamente essa parte protegida
há herança desperta questionamentos quanto à sua validade.
Portanto, na prática, é comum que o autor da herança realize alienações de bens
durante sua vida seja por doação disfarçada, venda simulada ou outros negócios jurídicos com o
intuito de reduzir o patrimônio a ser transmitido aos herdeiros necessários. Nesse caso surge o
conflito entre o direito de propriedade e autonomia privada do autor da sucessão, de um lado, e o
direito à legitima dos herdeiros, questiona-se se os herdeiros, ainda em vida do disponente ou
mesmo após o falecimento deste, podem lançar mão de instrumentos jurídicos como a
impugnação pauliana ou a ação de nulidade, para resguardar sua legitima. Essa impugnação
pauliana, tradicionalmente utilizada pelos credores para anular atos fraudulentos do devedor,
suscita dúvidas quanto à sua aplicabilidade no âmbito sucessório.
A questão que se impõe é, portanto, se essa expectativa é suficiente do direito para
legitimar os herdeiros a impugnar alienações lesivas realizadas em vida pelo futuro de cujus. O
mesmo raciocínio se aplica à ação de declaração de nulidade, cujo cabimento dependera da
verificação de vícios de consentimentos ou da violação de normas de ordem pública. Assim,
suscita-se o seguinte problema: Diante da proteção conferida pela lei a legitima dos herdeiros
legitimarias, podem estes intentar uma accão de impugnação pauliana ou de declaração de
nulidade para invalidar as alienações feitas pelo autor da herança quando tais actos impliquem
uma lesão efectiva a legitima?
Importa salientar que, para a elaboração do projeto obedecerá a uma metodologia
para alcançar os objetivos do projeto. O projeto seguirá, de acordo com os métodos que melhor
se enquadram com o tema em análise, tendo como base as regras de elaboração de trabalhos
científicos da UCM-FADIR e autores que abordam sobre questões metodológicas. O presente
projeto será usado uma pesquisa qualitativa devido a natureza do tema que aborda uma questão
social, de direito, cujos resultados não são mensuráveis, mas sim atribuídos qualidades. Portanto,
será usado o método indutivo, pois este é mais aplicável no direito, e parte do geral para o
particular. Quanto aos procedimentos técnicos, serão utilizadas as pesquisas bibliográficas e as
legislações, isto porque a opção por este instrumento é por ser adequado para a coleta de dados
necessários para a elaboração do trabalho. Portanto, o presente projeto de monografia se encontra
estruturado da seguinte maneira: Tema, Introdução, Delimitação, Problematização, Hipóteses,
Justificativa, Objectivos gerais/específicos, Metodologia, Fundamentação teórica, Cronograma e
Orçamento, Estrutura do trabalho (Monografia)
1. DELIMITAÇÃO DO TEMA
O projecto de monografia circunscreve-se no curso de Direito, especificamente no
ramo de Direito Privado, nas disciplinas de Direito das Sucessões e Direito das Obrigações.
Quanto a delimitação do espaço, o projecto tem como área de estudo o território Moçambicano, e
irá se fazer análise das Leis que regem a (im) possibilidade dos herdeiros exercerem a
impugnação pauliana ou requererem a declaração de nulidade contra as alienações praticadas
pelo autor da sucessão sobre os bens referentes á legitima de acordo com as regras de aplicação
das normas no espaço. Quanto ao tempo, o tema do projecto propõe-se acompanhar a evolução
histórica desde 1975.
2. PROBLEMATIZAÇÃO
A sucessão é o chamamento de uma ou mais pessoas à titularidade das relações
jurídicas patrimoniais de uma pessoa falecida e a consequente devolução dos bens que a esta
pertenciam, ou seja, é quando uma pessoa passa a ocupar a posição que anteriormente era
ocupada por outra1. Segundo o legislador no artigo 1 da Lei n.º 23/2019 de 23 de Dezembro, (Lei
das sucessões).
A sucessão hereditária é um instituto fundamental do direito civil que assegura a
continuidade das relações patrimoniais após a morte de uma pessoa. Dentro deste contexto, a
legitima representa a fração do patrimônio do falecido que a lei reserva obrigatoriamente aos
herdeiros necessários, como os descendentes, ascendentes e o cônjuge. Trata-se, portanto, de
uma limitação à liberdade de disposição do autor da herança, que não pode dispor livremente de
todo o seu patrimônio em prejuízo da quota legitima desses herdeiros. Assim, qualquer acto que
reduza ou comprometida indevidamente essa parte protegida há herança desperta
questionamentos quanto à sua validade.
Entretanto, na prática, é comum que o autor da herança realize alienações de bens
durante sua vida seja por doação disfarçada, venda simulada ou outros negócios jurídicos com o
intuito de reduzir o patrimônio a ser transmitido aos herdeiros necessários. Nesse caso surge o
conflito entre o direito de propriedade e autonomia privada do autor da sucessão, de um lado, e o
1
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 23/2019 de 23 de Dezembro, Lei das sucessões, in Boletim da
República, I Série n.º 247.
direito à legitima dos herdeiros, questiona-se se os herdeiros, ainda em vida do disponente ou
mesmo após o falecimento deste, podem lançar mão de instrumentos jurídicos como a
impugnação pauliana ou a ação de nulidade, para resguardar sua legitima. Essa impugnação
pauliana, tradicionalmente utilizada pelos credores para anular atos fraudulentos do devedor,
suscita dúvidas quanto à sua aplicabilidade no âmbito sucessório. Isso porque os herdeiros, antes
da abertura da sucessão, não são propriamente credores do autor da herança, mas apenas titulares
de uma expetativa de direito.
A questão que se impõe é, portanto, se essa expectativa é suficiente do direito para
legitimar os herdeiros a impugnar alienações lesivas realizadas em vida pelo futuro de cujus. O
mesmo raciocínio se aplica à ação de declaração de nulidade, cujo cabimento dependera da
verificação de vícios de consentimentos ou da violação de normas de ordem pública.
Atendendo a essa situação diante desse quadro contextual, suscita-se o seguinte
problema: Diante da proteção conferida pela lei à legitima dos herdeiros necessários, podem
estes intentar ação de impugnação pauliana ou de declaração de nulidade para invalidar as
alienações feitas pelo autor da herança, quando tais actos implicarem lesão à parte legitima
do patrimônio sucessório?
3. HIPÓTESES
Hipótese 1:
Após o falecimento do autor da herança, os herdeiros podem exercer a impugnação pauliana ou
requerer a declaração de nulidade das alienações que este praticou em vida, desde que se prove
que tais actos tiveram como objetivo fraudar ou lesar a legitima.
Hipótese 2:
Os actos de alienação realizados pelo autor da herança podem ser declarados nulos quando se
comprove que se trata de doações disfarçadas, simulações ou fraudes à lei, com o intuito de
prejudicar os herdeiros necessários.
Hipóteses 3:
Mesmo quando a alienação for formalmente valida, os herdeiros podem requerer a redução das
liberdades doações que excedam a quota disponível do autor da herança, de forma a restabelecer
a legitima.
Hipóteses 4:
Em situações excepcionais, em que se demonstre fraude evidente e prejuízo iminente ao futuro
de direito hereditário, é possível admitir a impugnação pauliana de forma subsidiaria ou por
analogia, mesmo antes da morte, para prevenir a frustração da legitima.
4. JUSTIFICATIVA
Relevância Pessoal
O tema desperta interesse pessoal por refletir uma questão profundamente ligada à
justiça patrimonial dentro das relações familiares. Como pesquisador e estudante de Direito,
percebo que muitas vezes os conflitos sucessórios nascem da ausência de limites claros entre o
direito de propriedade do autor da herança e o direito de expectativa dos herdeiros necessários.
Esse dilema provoca situações de injustiça, sobretudo quando alienações realizadas em vida pelo
autor da sucessão acabam por privar os herdeiros de sua legitima, rompendo o equilíbrio familiar
e jurídico que a lei pretende proteger. Permite compreender, de forma mais profunda, como o
direito moçambicano equilibra a liberdade individual de dispor de bens e a proteção dos
interesses familiares.
Relevância Social
Socialmente, o tema é de grande relevância, pois os conflitos sucessórios afetam
diretamente a estabilidade familiar e o equilíbrio social. Em Moçambique, é frequente a
ocorrência de litígios entre herdeiros após o falecimento do autor da herança, muitas vezes
motivados por alienações de bens realizadas em vida sem respeito a legitima. Esses conflitos
podem gerar rupturas familiares, desigualdades econômicas e tensões sociais que enfraquecem a
coesão das comunidades. O estudo contribui para promover uma cultura de Responsabilidade
patrimonial e de justiça familiar.
Relevância Acadêmica
Em termos acadêmicos, o tema apresenta relevância pela escassez de estudos
aprofundados no ordenamento jurídico moçambicano sobre a possibilidade de os herdeiros
exercerem a impugnação pauliana ou requererem a nulidade de aplicações feitas pelo autor da
herança. Apesar da Lei das sucessões prever a proteção da legitima e os mecanismos de anulação
de atos fraudulentos, a aplicação desses institutos ao contexto sucessório ainda é pouco
explorado na doutrina nacional. A pesquisa contribui, assim, para o avanço do conhecimento
jurídico, oferecendo uma análise crítica e sistematizada sobre a interligação entre o direito das
sucessões e o direito das obrigações.
5. OBJETIVOS
5.1. Objetivos Geral
Analisar a (im) possibilidade jurídica dos herdeiros promoverem ação de impugnação
pauliana ou declaração de nulidade em face das alienações realizadas pelo autor da
sucessão sobre bens que integram a legitima, à luz do Direito Civil e Sucessório bem
como da jurisprudência e doutrinas aplicáveis.
5.2. Objetivos Específicos
Examinar o conceito e finalidade da legitima no direito das sucessões, destacando sua
natureza de proteção patrimonial dos herdeiros necessários.
Identificar os pressupostos da impugnação pauliana e da ação de nulidade, analisando em
que medida tais instrumentos podem ser manejados pelos herdeiros.
Estudar as limitações impostas ao poder de disposição do autor da herança sobre bens
que compõem a legitima.
6. METODOLÓGICA
O presente trabalho científico (Projecto de Monografia) obedecerá a uma
metodologia para alcançar os objectivos. Nesta fase, serão apresentadas as propostas
metodológicas que o presente trabalho seguirá, de acordo com os métodos que melhor se
enquadram com o tema em análise, tendo como base as regras de elaboração de trabalhos
científicos da UCM-FADIR e autores que abordam sobre questões metodológicas.
6.1. Quanto a abordagem
Relativamente aos tipos de pesquisas, encontramos dois principais tipos, que são:
a pesquisa quantitativa e qualitativa. Os métodos qualitativos como os métodos quantitativos são
usados de forma a alcançar os objectivos propostos no projecto mas se aplicam em circunstâncias
diferentes.
Os métodos qualitativos descrevem uma relação entre o objectivo e os resultados
que não podem ser interpretados através de números, nomeando-se como uma pesquisa
descritiva. Todas as interpretações dos fenómenos são analisadas indutivamente 2. Este tipo de
metodologia é empregado com mais frequência em pesquisas de natureza social e cultural com
análise de fenómenos complexos e específicos.
A pesquisa qualitativa é aquela que compreende actividades ou investigação que
podem ser denominadas específicas, ou seja, a abordagem de cunho qualitativo, trabalha os
dados buscando seu significado tendo como base a percepção do fenómeno dentro do seu
contexto. Já na quantitativa é caracterizada pelo emprego de quantificação, tanto nas
modalidades de recolha de informações quanto no tratamento delas por meio de técnicas
estatísticas. O diferencial dos resultados da pesquisa qualitativa, da pesquisa quantitativa é que a
quantitativa podem ser quantificados3.
Para o presente trabalho será usado uma pesquisa qualitativa devido a natureza do
tema que aborda uma questão social, de direito, cujos resultados não são mensuráveis mas sim
atribuídos qualidades. Portanto, será usado o método indutivo, pois este é mais aplicável no
direito, e parte do geral para o particular4.
2
FERNANDES L. A. Gomes, J. M. M. Relatório de Pesquisa nas Ciências Sociais: Características e Modalidades
de investigação, ConTexto Editor, Porto Alegre, V. 3, n. 4, 2003.
3
RUAS, J. Manual de Metodologias de Investigação Como Fazer Propostas de Investigação, Monografias,
Dissertações e Teses, Escolar Editora, Maputo, 2017, p.142.
4
MARCONI, M., & Lakatos, Fundamentos de metodologia científica, Editora Atlas S.A., São Paulo, 2003, p.221.
6.2. Quanto aos procedimentos
Constituem etapas mais concretas da investigação, com finalidade mais restrita em
termos de explicação geral dos fenómenos menos abstractos. Pressupõem uma atitude concreta
em relação ao fenómeno e estão limitadas a um domínio particular5.
Dentre os métodos quanto aos procedimentos, os que serão mais evidenciados no
presente projecto de monografia são históricos, em que será feita uma abordagem histórica da
evolução do direito objecto de estudo; -comparativos onde será feito um estudo de direito
comparado de tais direitos em outros ordenamentos jurídicos, avaliação de como estes
ordenamentos jurídicos solucionaram estes problemas; e por fim, monográfico ou estudo de caso
em que será dado enfoque em um caso de estudo centralizado ou delimitado6.
6.3. Técnica de recolha de dados
Procedimentos técnicos adoptados em pesquisa científica. Refere-se a qual técnica
utilizar para obter os resultados previstos e imprevistos no projecto7.
Consideradas como um conjunto de preceitos ou processos de que se serve uma
ciência, são, também, a habilidade para usar esses preceitos ou normas, na obtenção de seus
propósitos. Correspondem, portanto, à parte prática de colecta de dados. Apresentam duas
grandes divisões: documentação indirecta, abrangendo a pesquisa documental e a bibliográfica;
documentação directa, que envolve inquérito, entrevista, observação direita, sociometria, teste8.
Para o presente projecto de monografia será utilizado a documentação indirecta, dando mais
enfoque a pesquisa documental e bibliográfica.
Quanto aos procedimentos técnicos, serão utilizadas as pesquisas bibliográficas
que normalmente são baseadas em manuais físicos bem como electrónicos, artigos científicos,
sites de internet, e Pdf. E sem dúvidas consultar as legislações, isto porque a opção por este
5
Idem
6
Idem
7
GOBBI, Beatriz Christo; Manual de Monografia ESAB 2012 / Escola Superior Aberta do Brasil – Vila Velha, ES,
2012. Disponível em [Link] content/uploads/pdf/manual_monografia_esab_2011_2012.pdf.
Acessado em: 08/10/2025.
8
Marconi, M., & Lakatos, Ob. Cit., p.222.
instrumento é por ser adequado para a colecta de dados necessários para a elaboração do
trabalho.
7. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
7.1. Da (im) possibilidade dos herdeiros exercerem a impugnação pauliana ou
requererem a declaração de nulidade contra as alienações praticadas pelo autor da
sucessão sobre os bens referentes á legitima
A sucessão é o chamamento de uma ou mais pessoas à titularidade das relações
jurídicas patrimoniais de uma pessoa falecida e a consequente devolução dos bens que a esta
pertenciam, ou seja, é quando uma pessoa passa a ocupar a posição que anteriormente era
ocupada por outra9. Segundo o legislador nos termos do artigo 1 da Lei n.º 23/2019 de 23 de
Dezembro, (Lei das sucessões).
A sucessão hereditária é um instituto fundamental do direito civil que assegura a
continuidade das relações patrimoniais após a morte de uma pessoa. Dentro deste contexto, a
legitima representa a fração do patrimônio do falecido que a lei reserva obrigatoriamente aos
herdeiros necessários, como os descendentes, ascendentes e o cônjuge. Trata-se, portanto, de
uma limitação à liberdade de disposição do autor da herança, que não pode dispor livremente de
todo o seu patrimônio em prejuízo da quota legitima desses herdeiros. Assim, qualquer acto que
reduza ou comprometida indevidamente essa parte protegida há herança desperta
questionamentos quanto à sua validade.
Assim, tendo em conta as situações em que o autor da herança coloca em
disposição o seu património com intuito de dispor a uma terceira pessoa que não seja um dos
herdeiros, poderão estes intentar uma acção de nulidade do negocio ou invocar a impugnação
pauliana com base nos artigos 605 e 610 ambos do Código Civil 10. É neste panorama que surgem
os meios de conservação da garantia geral (605 e ss, CC), em sede de tutela preventiva,
traduzindo-se nas faculdades de direito substantivo concedidas aos credores para prevenirem ou
eliminarem afectações negativas realizadas pelo devedor no seu património com vista à
9
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 23/2019 de 23 de Dezembro, Lei das sucessões, in Boletim da
República, I Série n.º 247.
10
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n.° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n.° 22 869, de 4 de Setembro de 1967.
reconstituição da garantia patrimonial dos credores, nomeadamente, a declaração de nulidade e a
impugnação pauliana11.
Entretanto, poderá o herdeiro ou herdeiros intentar a impugnação pauliana 12, como
um meio de reacção pessoal, relativo, e sempre de exercício judicial? Tendo em conta que a
impugnação pauliana é a faculdade que a lei concede aos credores de atacarem judicialmente
certos actos que afectam a consistência do crédito, celebrados pelos devedores em seu prejuízo,
com o intuito de assegurar o pleno cumprimento das obrigações livremente assumidas e de
preservar ao máximo a garantia patrimonial, sendo admissível tanto quanto à primeira alienação
realizada pelo devedor a um terceiro, como às alienações subsequentes efetuadas pelo adquirente
dos bens a outros sujeitos (613.º, CC) paulianas de segundo grau caducando no prazo de cinco
anos a contar da data do acto impugnável (618.º, CC)13.
Em todos esses casos, a sucessão tem uma característica especial: ela só opera em
relação a uma determinada relação jurídica 14. É num determinado direito de propriedade, é num
determinado direito de crédito ou num determinado débito que um indivíduo novo vem a suceder
ao antigo titular, e, por essa razão, diz-se que esses são casos de sucessão a título particular.
A sucessão a título particular dá-se por acto inter vivos ou mortis causa. Ocorre a
sucessão particular por acto inter vivos, nos exemplos mencionados. Há sucessão particular
mortis causa, quando alguém deixa, por sua morte, um determinado bem ou direito. a certa
pessoa. Quando se diz: deixo a minha casa na rua tal, a fulano de tal, neste caso em que se
subtrai do património uma relação jurídica determinada, uma propriedade, e se transfere a certo
indivíduo, opera-se também uma sucessão a título particular.
Para os casos de sucessão a título particular mortis causa. o Direito tem um nome
próprio: chama-os legados. Legados são casos de sucessão particular mortis causa tal como
numa compra e venda, numa doação, numa cessão de crédito.
11
OLIVEIRA, Maria Luís Campos de, Impugnação pauliana e o processo de insolvência: Efeitos da procedência
da acção de impugnação pauliana no contexto da insolvência do devedor, Dissertação (Mestrado em Direito),
Faculdade de Direito, Escola do Porto, 2023.
12
Idem
13
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n.° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n.° 22 869, de 4 de Setembro de 1967.
14
DANTAS, San Tiago, Direitos da Familia e das Sucessões, 2ª Edicao, Editora Forense, 1991, P. 444.
Sucessão a título universal - há, porém, um caso de sucessão muito mais
importante para o estudo do que o caso de sucessão a título particular é o que se chama sucessão
a titulo universal. O que caracteriza a sucessão a título universal é que nela, ao invés de se mudar
o titular de uma relação jurídica, muda-se o titular de todo um patrimônio. Toma-se o patrimônio
no seu conjunto, na sua inteireza, transferindo-se este patrimônio a um novo titular15.
A sucessão a título universal só pode ocorrer mortis causa. No Direito Civil
actual, não existe caso algum de sucessão universal por ato entre vivos. O conceito de sucessão
universal leva a investigar outro: o conceito àe patrimônio.
Tem-se de patrimônio uma noção vulgar muito satisfatória para a instrução
comum, mas, dentro dos conceitos jurídicos, precisa-se procurar uma definição mais técnica de
patrimõnio. Elas são muitas. Vários autores têm se esforçado por precisar o conceito.
8. ABERTURA DA SUCESSÃO
A sucessão causa mortis se abre com a morte do autor da herança 16. No momento
exato do falecimento, que figura na certidão de óbito, há a abertura da sucessão, transmitindo-se
automaticamente a herança aos herdeiros legítimos e testamentários do de cujus. A transmissão
da herança ocorre quer os herdeiros tenham ou não ciência do falecimento.
A existência da pessoa natural termina com a sua morte (art. 68 do CC) 17. Como
não se pode conceber direito subjetivo sem titular, a titularidade dos direitos do de cujus deve ser
transmitida, desde o preciso instante de sua morte, a seus sucessores a título universal. Caso
contrário, o património do falecido ficaria sem dono durante algum tempo, o que, como já se
disse, é inconcebível.
Nesse contexto, é necessário fixar o momento exacto do falecimento, pois é a lei
vigente ao tempo da abertura da sucessão, ou seja, a lei do dia da morte, que vai regular a
sucessão e a legitimação para suceder. Isso significa que é no momento do falecimento que o
herdeiro é chamado a suceder, devendo ostentar, nesse exacto momento, a condição de herdeiro,
15
DANTAS, San Tiago, Direitos da Familia e das Sucessões, 2ª Edicao, Editora Forense, 1991, P. 444.
16
ZANINI, Leonardo Estevam de Assis, Direito das Sucessões, Editora Foco, 2021.
17
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n.° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n.° 22 869, de 4 de Setembro de 1967.
que será regulada pela lei então em vigor. Aliás, se lei posterior retirar, por exemplo, a
capacidade sucessória do herdeiro, nenhum efeito se produz, visto que a sucessão já está aberta 18.
Não se confunde a abertura da sucessão com a abertura do inventário. São
momentos distintos. A abertura da sucessão ocorre no momento da morte (extinção da pessoa
natural), enquanto a abertura do inventário sucede quando se ajuíza referida acção. A massa
patrimonial deixada pelo autor da herança é denominada espólio, que não passa de uma
universalidade de bens, desprovida de personalidade jurídica.
Outrossim, o herdeiro que sobrevive ao de cujus, ainda que por um instante, faz
sua a herança por aquela deixada. Os bens do falecido vão se incorporar ao património de seu
sucessor, ainda que o sucessor tenha tido sobrevida de apenas uma fracção de segundo. Por isso é
importante a determinação da ordem cronológica dos falecimentos 19. Caso não seja possível a
verificação dessa ordem, presume-se a comoriência, isto é, que os diversos herdeiros morreram
simultaneamente. Daí que a herança será distribuída como se, na época de sua abertura, não
existissem as diversas pessoas que pereceram na mesma ocasião.
Ademais, vale consignar que as disposições do direito das sucessões são
aplicáveis apenas às pessoas físicas. Em relação às pessoas jurídicas, em caso de extinção, cabe a
utilização das regras especiais referentes à sua extinção, que não guardam relação com o direito
das sucessões.
9. Herança e sua Administração
Embora, com frequência, seja empregado o termo sucessão como sinónimo de
herança, já vimos que é necessária a distinção. A sucessão refere-se ao ato de suceder, que pode
ocorrer por ato ou fato entre vivos ou por causa da morte20.
O termo herança é exclusivo do direito que ora estudamos. Daí entender-se
herança como o conjunto de direitos e obrigações que se transmite, em razão da morte, a uma
pessoa, ou a um conjunto de pessoas, que sobreviveram ao falecido.
18
ZANINI, Leonardo Estevam de Assis, Direito das Sucessões, Editora Foco, 2021.
19
Idem
20
VENOSA, Sílvio de Salvo, Direito Civil e Direito das Sucessões, Volume 7, 11ª Edição, Editora Atlas, São Paulo,
2011, P. 6.
A herança e aquilo que se pode chamar o património sucessível. Não é a mesma
coisa a herança e o património, porque, quando se considera o património de uma pessoa viva,
incluem-se numerosas relações jurídicas apreciáveis economicamente que, na hora da
transformação do património em herança, têm de ser excluídas: são as relações jurídicas de
conteúdo econômico, porém estabelecidas intuitu personae, com vistas apenas à pessoa do
titular21.
A expressão de cujus está consagrada para referir-se ao morto, de quem se trata da
sucessão (retirada da frase latina de cujus sucessione agitur). Já nos referimos ao termo espólio
como o conjunto de direitos e deveres pertencentes à pessoa falecida, ao de cujus, ao tratarmos
dos grupos com personificação anómala. O espólio é visto como uma simples massa patrimonial
que permanece coesa até a atribuição dos quinhões hereditários aos herdeiros. O termo espólio é
usado sob o prisma processual, sendo o inventariante quem o representa em juízo22.
Destarte, a herança entra no conceito de patrimônio. Deve ser vista como o
património do de cujus. Definimos o patrimônio como o conjunto de direitos reais e
obrigacionais, ativos e passivos, pertencentes a uma pessoa. Portanto, a herança é o património
da pessoa falecida, ou seja, do autor da herança.
O património transmissível, portanto, contém bens materiais ou imateriais, mas
sempre coisas avaliáveis economicamente. Os direitos e deveres meramente pessoais, como a
tutela, a curatela, os cargos públicos, extinguem-se com a morte, assim como os direitos
personalíssimos.
A compreensão da herança é de uma universalidade. O herdeiro recebe a herança
toda ou uma quota-fração dela, sem determinação de bens, o que ocorrerá somente na partilha. O
herdeiro pode ganhar essa condição por estar colocado na ordem de vocação hereditária ou por
ter sido aquinhoado com uma fração da herança por testamento. A figura do legatário só pode
derivar do testamento. O legatário recebe coisa ou coisas determinadas do monte hereditário. Por
21
DANTAS, San Tiago, Direitos da Familia e das Sucessões, 2ª Edicao, Editora Forense, 1991, P. 459.
22
VENOSA, Sílvio de Salvo, Direito Civil e Direito das Sucessões, Volume 7, 11ª Edição, Editora Atlas, São Paulo,
2011, P. 7.
isso o herdeiro é sucessor universal do de cujus; o legatário é sucessor singular, como
estudaremos23.
Interessa notar que, com a morte do sujeito, desaparece o titular do patrimônio.
No entanto, por uma necessidade prática, o patrimônio permanece íntegro, sob a denominação de
espólio, como vimos. A unidade patrimonial, até a atribuição aos herdeiros e legatários,
permanece como uma unidade teleológica. Isto é, 0 património permanece íntegro, objetivando,
tendo por finalidade facilitar a futura divisão ou transmissão integral a um só herdeiro. Portanto,
o espólio é uma criação jurídica. Daí referirmo-nos a ele como uma entidade com personalidade
anómala.
Durante o período em que a herança tem existência, o patrimônio hereditário
Possui o caráter de indiviso, como consequência da universalidade que é. Cada herdeiro se porta
como condômino da herança. Embora a herança seja uma unidade abstrata, ideal, que pode até
mesmo Prescindir da existência de bens materiais, não se deve acreditar, de plano, que seja
indivisível24.
Quando existem vários herdeiros chamados aa suceder o de cujus, divide-se entre
eles em partes ideias, fraccionarias, de metade, um terço, um quarto. Desse modo. A unidade da
universalidade concilia-se com a coexistência de vários herdeiros, porque cada um deles tem
direito a uma quota-parte ou porção ideal da universalidade. A ideia é de condomínio, como já
dito. Disso decorrem muitas consequências, como se pode prever. Cada um dos herdeiros é
potencialmente proprietário do todo, embora seu direito seja limitado pela fracção ideal.
10. Aceitação e Renúncia da Herança
A aquisição dos bens postos à disposição do chamado opera-se mediante a
aceitação deste. A aceitação é um direito potestativo, podendo o chamado exercê-lo ou não,
livremente. Mesmo no caso em que (aparentemente) a aquisição se opera sem aceitação quando
funciona o direito de acrescer na realidade a aceitação é sempre prévia em relação à aquisição. A
aceitação do quinhão hereditário originário, estendendo-se, potencialmente, por força do título de
23
VENOSA, Sílvio de Salvo, Direito Civil e Direito das Sucessões, Volume 7, 11ª Edição, Editora Atlas, São Paulo,
2011, P.p. 7 – 8.
24
VENOSA, Sílvio de Salvo, Ob. Cit.
vocação, à totalidade da herança (ou do bem, no caso de legado) compreende a parte que vem
acrescer25.
Juridicamente a aceitação da herança é um direito potestativo, acto jurídico
unilateral e não reptício. São-lhe aplicáveis, com algumas modificações, os princípios gerais do
negócio jurídico quanto à capacidade, vícios da vontade.
A lei n.º 23/2019 de 23 de Dezembro (Lei das Sucessões) determina nos termos
do artigo 33 que o domínio e posse dos bens da herança adquirem-se pela aceitação,
independentemente da sua apreensão material. Os efeitos da aceitação retrotraem-se ao momento
da abertura da sucessão26.
A aceitação pode ser expressa ou tácita, pura e simples, ou benefício de
inventário. Assim, nos termos do artigo 39 da Lei das Sucessões, determina as formas de
aceitação da herança. A aceitação é expressa quando, em documento escrito, o chamado declara
aceitar a herança, ou assuma o título de herdeiro com a intenção de a adquirir. E é tácita quando
resulta de factos concludentes (sobre os factos concludentes27.
Note-se, porém, que os actos de administração praticados pelo sucessível não
implicam aceitação tácita da herança (artigo 39/3). Com efeito, os herdeiros podem tentar
preservar os bens, sem ainda tomarem decisão quanto à aceitação.
Portanto, o legislador estabelece que o direito de aceitar a herança caduca ao fim
de 10 anos, contados desde que o sucessível tem conhecimento de haver sido a ela chamado 28.
No caso de instituição sob condição suspensiva, o prazo conta-se a partir do conhecimento da
verificação da condição; no caso de substituição fideicomissária, a partir do conhecimento da
morte do fiduciário ou da extinção da pessoa coletiva.
Entretanto, além da figura de aceitação da herança temos também a figura de
repúdio da herança. O repúdio é o ato pelo qual o chamado responde negativamente ao
25
CAMPOS, Diogo Leite de, Lições de Direito da Família e das Sucessões, 2ª Edição, Almedina Editora, 2001, P.
577.
26
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 23/2019, de 23 de Dezembro, Lei das Sucessões, in Boletim da
República I série n.º 247.
27
CAMPOS, Diogo Leite de, Lições de Direito da Família e das Sucessões, 2ª Edição, Almedina Editora, 2001, P.
578.
28
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 23/2019, de 23 de Dezembro, Lei das Sucessões, in Boletim da
República I série n.º 247.
chamamento, declarando que rejeita os bens colocados à sua disposição. O repúdio é um direito
potestativo, com eficácia retroativa em relação ao momento da abertura da sucessão. Isso permite
que o chamado subsequente, que aceite, seja considerado herdeiro desde o momento da abertura
da sucessão, data em relação à qual se reportam os efeitos da aceitação29.
No entanto, conforme o art. 46 da Lei das Sucessões o repúdio da herança será
feito por escritura pública se houver bens imóveis que integram a herança. Fora do caso previsto
no número 1 do presente artigo, o repúdio poderá efetuar-se por documento particular. Assim,
quanto a figura de aceitação da herança, assim como, o repúdio é irrevogável com base nos
artigos 44 e 49 ambos da lei das sucessões.
11. Cessão da Herança
A cessão de direitos hereditários é um negócio jurídicos bilaterais inter-vivos,
exigindo-se a manifestação de vontade isenta de vícios e a perfeita identificação das partes que o
celebraram. Somente pode ser realizado pelo herdeiro legítimo ou testamentário depois da
abertura da sucessão30. Admite-se a cessão de toda a herança, hipótese em que o cedente é
herdeiro único, ou de parte da herança. Pode ainda ter por objeto todo o quinhão hereditário ou
apenas parte dele. O herdeiro pode efetuar a cessão de forma gratuita ou onerosa. A cessão
importa em alienação, equiparando-se a cessão gratuita à doação e a cessão onerosa à compra e
venda, de modo que são aplicáveis, por analogia, as normas que regem referidos contratos.
A cessão da quota hereditária, pelo co-herdeiro, a pessoa estranha à sucessão
ficará inviabilizada se outro co-herdeiro a quiser, tanto por tanto. É que se aplicam aos co-
herdeiros as normas relativas ao pacto de preferência 31. Assim sendo, o co-herdeiro não poderá
ceder a sua quota hereditária a pessoa estranha à sucessão, se outro herdeiro a quiser, tanto por
tanto. Isso significa que se for oferecido o mesmo valor e idêntica condição de pagamento, outro
co-herdeiro tem preferência na aquisição da quota hereditária que está sendo cedida a terceiro.
Tendo em conta o art. 414 do Código Civil32.
29
CAMPOS, Diogo Leite de, Lições de Direito da Família e das Sucessões, 2ª Edição, Almedina Editora, 2001, P.
579.
30
ZANINI, Leonardo Estevam de Assis, Direito das Sucessões, Editora Foco, 2021.
31
ZANINI, Leonardo Estevam de Assis, Direito das Sucessões, Editora Foco, 2021.
32
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n.° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n.° 22 869, de 4 de Setembro de 1967.
12. Impugnação pauliana face à Herança
A impugnação pauliana é um instrumento jurídico previsto no
ordenamento moçambicano na qual visa proteger os credores contra actos fraudulentos
praticados pelo devedor com a intenção de prejudicar a satisfação do crédito. Nos termos do
artigo 610.o do código civil, essa ação permite que sejam anulados os negócios jurídicos
realizados com intuito de fraudar credores. 33 Ou seja, ação pauliana é meio de defesa do
credito contra os atos fraudulentos do devedor, onde a sua finalidade é tornar ineficaz, em
relação ao credor, o negócio jurídico que reduza o patrimônio do devedor, impedindo a
satisfação da obrigação.34
No contexto sucessório, a impugnação pauliana esta pode ser utilizada
contra herdeiros ou terceiros que receberam bens do espólio em fraude aos credores do
falecido. Isso ocorre quando, por exemplo, o de cujus em vida aliena bens do seu patrimônio
ou realiza doações que acabam por reduzir a quota parte legitima da herança. Outrossim pode
ser aplicável quando, após a morte, herdeiros realizam partilhas ou atos de disposição com o
intuito de frustrar os credores espólio do falecido.
Quando o de cujus pratica negócios simulados vide o artigo 240 o. do
código civil ou fraudulentos, como doações disfarçadas de vendas ou alienações de bens,
com intuito de beneficiar terceiros e reduzir o patrimônio que seria transmitido aos herdeiros,
esses atos podem ser anulados pela impugnação pauliana. 35 Esta afirma que os herdeiros, na
qualidade de credores da herança legitima, têm legitimidade ativa para propor a ação
pauliana, desde que provem a fraude e o prejuízo à sua parte legitima. Assim, a função da
ação é restaurar o equilíbrio patrimonial da herança, tornando ineficazes os atos que
desvirtuam a partilha legitimam.
Conforme João Cura Mariano36, podem ser objeto de impugnação pauliana
todos os atos que envolvam diminuição da garantia patrimonial do credor comum que nao sejam
33
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n.° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n.° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
34
GOMES Orlando, Obrigações. 18 ed. Rio de janeiro: forense, 2002, p. 361.
35
DINIZ Maria Helena, Direito das Obrigações.
36
MARIANO Cura João, Impugnação pauliana, 2a edição revista e aumentada, almeida, 2008, p. 107.
de natureza pessoal. Para além dos atos de natureza pessoal, existem ainda outras atuações que
pela sua natureza nao podem ser objeto de impugnação. É o caso ações naturais37
13. Âmbito de aplicação
Impõe-se uma análise de quais os precisos atos suscetíveis de impugnação
pauliana, nos termos do artigo 610. o estes atos são todos aqueles que envolvam a diminuição da
garantia patrimonial do crédito e não sejam de natureza pessoal. 38 Essas operações tendo podem
consistir na redução do ativo como um aumento do passivo, como é o caso das alienações
propriamente ditas, as renunciais e garantias outros direitos de que o devedor seja titular e a
assunção de dívidas.39
Os atos a impugnar podem ser celebrados por quem seja co-titular de um
bem, não sendo este co-devedor nem responsável pela eventual fraude que o credor invoca.
Desta forma, se o comproprietário alienante, não sendo ele próprio co-devedor nem responsável
pela fraude, não pode ser responsável pela dívida do seu consorte, assim, como co-adquirente de
boa-fé não pose sofrer pela má fé do adquirente.40
Conclui-se então que o credor, quanto a atos de alienação em que o
devedor seja co-proprietario, pode impugnar a alienação da quota do devedor, caso se verifiquem
os requisitos gerais do instituto, uma vez que essa quota responde pelas dívidas do devedor. Por
outro lado, não irá impugnar a alienação relativamente à totalidade do bem, uma vez que este não
responde integralmente por tais dívidas.
14. Requisitos para a impugnação pauliana
De maneira a que o credor possa conservar a sua garantia patrimonial e
prevalecer os seus direitos sobre os adquirentes dos bens do devedor, é necessário que se
preencha determinados requisitos. Estes requisitos apresentam-se como circunstâncias que vêm
37
VARELA Antunes, Das obrigações Geral, v. II p. 446 – o autor salienta o facto de no direito romano clássico
distinguir-se três meios distintos de reação do credor contra actos do devedor que pudessem prejudicar: a ação
pauliana poenalis, o interdictum fraudatorium e a in integrum restitutio ob fraudem, sendo esses três instrumentos
vieram a ser fundidos num so acto.
38
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n.° 47 344, de 25 de Novembro de 1966, que aprova o novo
Código Civil, in Portaria n.° 22 869, de 4 de Setembro de 1967
39
ALMEIDA Costa, Direito das Obrigações, p. 858.
40
MARTINEZ Romano Pedro e PEDRO Fuzeta da Ponte, Garantias de cumprimentos, 5.a edição, almeida, p. 34.
justificar que o legislador admita este instituto, concedendo a faculdade ao credor de impugnar
atos que envolvam a diminuição da sua garantia patrimonial.
Assim, nos termos do artigo 610.o e seguintes a impugnação pauliana apresenta os seguintes
pressuposto.41
a) Existência de um crédito;
b) A realização pelo devedor de um ato que envolva diminuição de garantia patrimonial do
crédito, desde que não seja de natureza pessoal;
c) Ser o crédito anterior ao ato, ou sendo posterior, ter sido o ato realizado dolosamente com
fim de impedir a satisfação do direito do futuro credor;
d) Que o ato seja de natureza gratuita ou, sendo oneroso, ocorra ma fé tanto do alienante
como adquirente; e
e) Que resulte do ato a impossibilidade de o credor obter a satisfação integrar do crédito ou
o agravamento dessa impossibilidade.
15. REQUISITOS GERAIS
Existência de um crédito
Para que a impugnação seja admitida, é fundamental a existência de um
crédito para justificar a sua utilização. Porém será necessário que esse crédito seja anterior ao ato
a impugnar. Tal justifica-se pelo facto de os credores só expectarem executar os bens que
existam no patrimônio do devedor quando foi constituída a dívida e outros que mais tarde
venham a integrar. Da mesma forma, constituirá uma ameaça ao comércio jurídico a
possibilidade de impugnar um ato que fosse anterior à constituição do crédito do credor
impugnante.42
Todavia, este pressuposto não constitui regra geral, uma vez que também poderá ser impugnado
um ato anterior ao credito, se se provar que esse ato foi realizado dolosamente com o fim de
impedir a satisfação do credito do futuro credor, conforme estabelece a última parte da alínea a)
do artigo 610.o código civil.
41
LUIS Manuel Teles Leitao, Direito das Obrigações, V. II, 2011, 8a edição, Almeida.
42
COSTA Almeida, Direito das Obrigações, p. 861.
Existência de prejuízo
A impugnação pauliana pressupõe que estejam em causa atos que tragam
consequências negativas no patrimônio do devedor, quer pela diminuição do seu ativo, quer pelo
aumento do passivo (no caso da assunção de uma dívida de outrem, por exemplo). Na verdade,
não fosse o ato impugnado prejudicar o credor, não faria sentido a existência deste instituto.
Como descreve ANTUNES VARELA43
O acto, começa o artigo 610.o, por dizer, há-de envolver diminuição da garantia patrimonial do
crédito. Diminuição de garantia que pode traduzir-se tanto numa perda ou decréscimo do ativo
(a doação de um imóvel), como num aumento do passivo (por ex., assunção da dívida de outrem,
financiamento de debito alheio), visto por qualquer dessas vias se poder diminuir o conjunto de
valores penhoráveis que, nos termos do artigo 601.o respondem pelo cumprimento da obrigação.
Má fé como condição de impugnação dos atos onerosos
Estabelece o artigo 612.o que o ato oneroso só estará sujeito à impugnação
pauliana se o devedor e o terceiro tiverem agido de má fé. Se o ato for gratuito, a impugnação
procede, ainda que um e outro agissem de boa-fé. A punibilidade da ação fraudulenta por parte
do devedor enquanto fundamento da ação pauliana tem vindo a perder lugar para a utilização
deste instituto como mecanismo de proteção de garantia geral do direito de crédito. 44 O facto de
existir um princípio da autonomia da vontade tendo como consequência uma livre iniciativa dos
particulares, trouxe a necessidade de prever instrumentos que assegurassem o efetivo
cumprimento das obrigações a garantir o respeito pelo referido princípio
16. Cronograma das actividades
Actividades
Escolha de Tema
Revisão de literatura
43
Das obrigações em geral, [Link], p. 447.
44
MARTINEZ Romano Pedro e PEDRO Fuzeta da Ponte, Garantias de cumprimentos, 5.a edição, almeida, p. 34.
Submissão a Comissão Científica da UCM
– FADIR
Recolha de dados
Analise dos dados e Interpretação
Apresentação do relatório e trabalho final
17. Orçamento
Material/Necessidade Custos
Transporte (4 meses) 1500
Caneta e caderno de anotações 400
Taxa de submissão de Monografia 9000
Serviço de Internet (4 meses) 1000
Margem de segurança para possíveis despesas imprevistas 1200
Total: 13.100
Referências Bibliográficas
Legislação:
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Decreto-Lei n.° 47 344, de 25 de Novembro de
1966, que aprova o novo Código Civil, in Portaria n.° 22 869, de 4 de Setembro de 1967.
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 23/2019, de 23 de Dezembro, Lei das
Sucessões, in Boletim da República I série n.º 247.
Doutrina:
FERNANDES L. A. Gomes, J. M. M. Relatório de Pesquisa nas Ciências Sociais:
Características e Modalidades de investigação, ConTexto Editor, Porto Alegre, V. 3, n.
4, 2003.
RUAS, J. Manual de Metodologias de Investigação Como Fazer Propostas de
Investigação, Monografias, Dissertações e Teses, Escolar Editora, Maputo, 2017.
MARCONI, M., & Lakatos, Fundamentos de metodologia científica, Editora Atlas S.A.,
São Paulo, 2003.
GOBBI, Beatriz Christo; Manual de Monografia ESAB 2012 / Escola Superior Aberta
do Brasil – Vila Velha, ES, 2012. Disponível em [Link]
content/uploads/pdf/manual_monografia_esab_2011_2012.pdf. Acessado em:
08/10/2025.
OLIVEIRA, Maria Luís Campos de, Impugnação pauliana e o processo de insolvência:
Efeitos da procedência da acção de impugnação pauliana no contexto da insolvência
do devedor, Dissertação (Mestrado em Direito), Faculdade de Direito, Escola do Porto,
2023.
ZANINI, Leonardo Estevam de Assis, Direito das Sucessões, Editora Foco, 2021.
VENOSA, Sílvio de Salvo, Direito Civil e Direito das Sucessões, Volume 7, 11ª Edição,
Editora Atlas, São Paulo, 2011.
DANTAS, San Tiago, Direitos da Familia e das Sucessões, 2ª Edicao, Editora Forense,
1991.
CAMPOS, Diogo Leite de, Lições de Direito da Família e das Sucessões, 2ª Edição,
Almedina Editora, 2001.
1