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Análise do Princípio Multiplicativo em Livros Didáticos

A pesquisa analisa as abordagens de livros didáticos de Matemática dos Anos Finais do Ensino Fundamental sobre o Princípio Fundamental da Contagem, motivada pela impossibilidade de realizar intervenções em sala de aula devido à pandemia de Covid-19. Foram examinadas quatro coleções de livros utilizados na Rede Pública do Espírito Santo, com suporte de documentos oficiais como a BNCC. A análise revelou a necessidade de maior atenção dos autores na abordagem do Princípio Multiplicativo, desde sua definição até sua relação com outros conteúdos.

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Júlio César
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Análise do Princípio Multiplicativo em Livros Didáticos

A pesquisa analisa as abordagens de livros didáticos de Matemática dos Anos Finais do Ensino Fundamental sobre o Princípio Fundamental da Contagem, motivada pela impossibilidade de realizar intervenções em sala de aula devido à pandemia de Covid-19. Foram examinadas quatro coleções de livros utilizados na Rede Pública do Espírito Santo, com suporte de documentos oficiais como a BNCC. A análise revelou a necessidade de maior atenção dos autores na abordagem do Princípio Multiplicativo, desde sua definição até sua relação com outros conteúdos.

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INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA

ALEX MÜLLER AMORIM

O ENSINO DO PRINCÍPIO MULTIPLICATIVO NOS ANOS FINAIS DO


ENSINO FUNDAMENTAL: UMA ANÁLISE DAS PROPOSTAS APRESENTADAS
PELOS LIVROS DE DIDÁTICOS

Vitória
2021
ALEX MÜLLER AMORIM

O ENSINO DO PRINCÍPIO MULTIPLICATIVO NOS ANOS FINAIS DO


ENSINO FUNDAMENTAL: UMA ANÁLISE DAS PROPOSTAS APRESENTADAS
PELOS LIVROS DE DIDÁTICOS

Trabalho apresentado ao Instituto Federal de


Educação, Ciências e Tecnologia do Espírito Santo,
Campus Vitória, como requisito para obtenção do título
de Licenciando em Matemática

Orientador: Prof. Dr. Alexandre Krüger Zocolotti

Vitória
2021

Orientador: Prof.______________________

Co-orientador: Prof.____________________
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)
(Biblioteca Nilo Peçanha do Instituto Federal do Espírito Santo)

A524e Amorim, Alex Müller.


O ensino do princípio multiplicativo nos anos finais do ensino
fundamental : uma análise das propostas apresentadas pelos livros
didáticos / Alex Müller Amorim. – 2021.
066 f. : il. ; 30 cm.

Orientador: Alexandre Krüger Zocolotti.

Monografia (graduação) – Instituto Federal do Espírito Santo,


Coordenadoria do Curso Superior de Licenciatura em Matemática.
Vitória, 2021.

1. Matemática – Estudo e ensino. 2. Livros didáticos - Análise. 3.


Multiplicação. 4. Avaliação. 5. Matemática (Ensino fundamental) - Estudo
e ensino. I. Zocolotti, Alexandre Krüger. II. Instituto Federal do Espírito
Santo. III. Título.
CDD 21 – 510.07
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por me iluminar em todos os momentos da minha vida.

Aos meus pais Pedro Paulo Souza Amorim e Rejane da Silva Amorim, pelo incentivo
em melhorar cada dia mais.

Ao meu irmão Adriano da Silva Amorim, por estar ao meu lado sempre que precisei.

À minha esposa Hybla Miotto Nascimento Amorim, por enfrentar todas as dificuldades
ao meu lado, compreender minha ausência e me apoiar.

À Elisa Miotto Amorim, filha que tanto amo e não tenho palavras pra agradecer.

Aos meus familiares, por me ajudar na formação do meu caráter e pessoa, obrigado
por apoiarem minha caminhada!

Aos meus amigos, pela ajuda durante a caminhada, algumas pessoas são tão
especiais que acabam sendo irmãos de curso, tais como, Flávia Gavinho!

Ao meu orientador Prof. Alexandre Krüger Zocolotti, por me ajudar nesta empreitada
com seu apoio e suporte ao longo de toda minha jornada.

A todas as pessoas que me auxiliaram direta ou indiretamente na realização desta


minha pesquisa!
5 Para que não bebam, e se esqueçam do estatuto, e pervertam o juízo de todos os aflitos.
6 Dai bebida forte aos que perecem, e o vinho aos amargosos de espírito,
7 Para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e da sua miséria não se lembrem mais.
8 Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos que vão perecendo.
9 Abre a tua boca, julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos necessitados.
Provérvios(31,5-9)
RESUMO
A opção de realizar análise de livros didáticos surge com o advento da Pandemia de
Covid-19, nossa proposta inicial era uma intervenção em sala de aula com alunos do
mesmo público, porém com a publicação do decreto do Governo do Estado do Espírito
Santo - Decreto nº 4593-R, de 13 de março de 2020, na qual dispõe o funcionamento
das atividades durante o período da Pandemia, determinou o fechamento das escolas,
para atividades presenciais, com isso, ficamos impossibilitados de seguir com nossa
ideia, então a presente pesquisa tem por objetivo analisar as abordagens utilizadas
por livros didáticos de Matemática dos Anos Finais do Ensino Fundamental para a
discussão do Princípio Fundamental da Contagem para atingir o objetivo separamos
quatro coleções de Ensino Fundamental – Anos Finais que são utilizadas na Rede
Pública do Estado do Espírito Santo, também foi analisado o manual do professor
fornecido em cada coleção, destacamos que toda análise foi feita com versão digital
do livro, pois os livros estavam emprestados para os alunos durante a vigência do
decreto. Como suporte da nossa análise selecionamos alguns documentos oficiais,
como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de Matemática dos anos inicias e
finais do Ensino Fundamental, Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Definição
de Critérios para Avaliação dos Livros Didáticos” MEC/FAE/Unesco. Esse documento
auxiliado pelo nosso referencial teórico permitiu que nossa coleta dados que fosse
categorizada facilitando nossa análise. A análise nos livros didáticos revelou uma
necessidade de maior atenção dos autores e órgãos públicos no tratamento do
Princípio Multiplicativo nos anos iniciais, desde sua definição até o envolvimento dos
conceitos com outros conteúdos e sua relação com os blocos temáticos de Números
e Operações e Tratamento da Informação.

Palavras-chave: Análise. Livro Didático. Princípio Multiplicativo. Ensino Fundamental.


Anos Finais.
ABSTRACT

The choice of analyzing textbooks took place with the arisen of Coronavirus Pandemic.
Our initial proposal was an intervention in the classroom with students, however the
Government of the estate Espírito Santo issued a decree - Decree nº 4593 -R, March
13th, 2020 - determining the interruption of school activities, consequently we were
unable to proceed with the original idea. Therefore, the present research aims to
inspect the approach used on Mathematic textbooks from elementary School to
discuss the Fundamental Principle of Counting. To achieve the goal, four different
collections from public schools were used, also the teacher’s guide provided by each
collection, all analysis was done with the digital version of the book, that was provided
to students throughout the decree. As a support for the analysis, there were selected
some official documents, such as the National Mathematical Curriculum Parameters
of the early and final years of Elementary School, the National Common Curricular
Base (BNCC) and the Definition of Criteria for the Evaluation of Textbooks MEC / FAE
/ UNESCO. These documents formed the basis for our common theoretical framework,
allowing the data collection to be categorized, facilitating our work. To sum up, the
analysis in the textbooks revealed the need for more attention from the authors on the
treatment of the Multiplicative Principle in the elementary school, from its definition to
the development of concepts with other contents and its relationship with thematic
blocks of numbers, operations and how Information is conducted.

Keywords: Analysis. Textbook. Multiplicative Principle. Elementary School. Final


Years.
LISTAS DE FIGURAS

Figura 1 - Organização do pensamento por Bigode 40

Figura 2 - Ideia de combinação pela multiplicação 41

Figura 3 - Disposição Retangular 41

Figura 4 - Exemplo - 26 42

Figura 5 - Metodologia 43

Figura 6 - Primeiro Contato 43

Figura 7 - Exercício 46 43

Figura 8 - Exercício 51 44

Figura 9 - Exercício 50 44

Figura 10 - Raciocínio Lógico 45

Figura 11 - Associação com multiplicação 45

Figura 12 - Curiosidade 46

Figura 13 - Números naturais e possibilidades 46

Figura 14 - Caderno de Atividades - 29 47

Figura 15 - Caderno de Atividades – 30 47

Figura 16 - Exercício 40 48

Figura 17 - Resolução por meio de tabela 50

Figura 18 - Resolução utilizando árvore de possibilidades 50

Figura 19 - Definição do PFC 51

Figura 20 - Exercício 35 51

Figura 21 - Exercício “comum” 53

Figura 22 - Confeccionando um jogo 53

Figura 23 - Atividades 54
Figura 24 - Uso da multiplicação 54

Figura 25 - Representação por meio da árvore de possibilidades 55

Figura 26 - Habilidade Sexto Ano 57

Figura 27 - Escolha de Sorvete 57

Figura 28 - A combinação como uma multiplicação 57

Figura 29 - Método didático 58

Figura 30 - Escolhendo o método para resolução 58

Figura 31 - Exemplo viável para multiplicação 58

Figura 32 - Exemplo de Exercício – Sexto Ano 59

Figura 33 - Habilidade utilizada pelo autor 59

Figura 34 - A organização retangular utilizada no raciocínio combinatório 60

Figura 35 - Exemplo de atividade – Oitavo Ano 60


LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AC Análise Combinatória
BNCC Base Nacional Comum Curricular

CNLD Comissão Nacional do Livro Didático

Colted Comissão do Livro Técnico e Livro Didático

DCN Diretrizes Curriculares Nacionais

FNDE Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação

Ifes Instituto Federal do Espírito Santo

INL Instituto Nacional do Livro

LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira

MEC Ministério da Educação

PCN Parâmetros Curriculares Nacionais


PFC Princípio Fundamental da Contagem
PNE Plano Nacional de Educação
PNLD Plano Nacional do Livro e Material Didático
Plidef Programa do Livro Didático para o Ensino Fundamental
PUC-SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
OMS Organização Mundial de Saúde
UEL Universidade Estadual de Londrina
UFPE Universidade Federal de Pernambuco
Unesp Universidade Estadual “Júlio de Mesquita Filho”
Usaid Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional
USP Universidade de São Paulo
LISTA DE TABELAS E QUADROS

Quadro 1 - Revisão de Literatura 18


Quadro 2 - Árvore de possibilidades 26
Quadro 3 - Habilidades EF – Anos Finais 38
Quadro 4 - Categorias de Análise 39
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 12

2. REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................... 16

3 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................19

3.1 Princípio Fundamental da Contagem.............................................................. 19

3.2 A BNCC e os Problemas de Contagem.......................................................... 23

4 METODOLOGIA ........................................................................................... 27

4.1) O público-alvo e o tipo de pesquisa................................................................ 27

4.2) O processo de escolha das obras................................................................... 29

4.3) O processo de criação das categorias de análise das obras..........................30

5 ANÁLISE DE LIVRO....................................................................................... 33

5.1 Identificando os autores e suas coleções....................................................... 37

5.2 Critérios de Análise....................................................................................... 38

5.2.1 Coleção 1...................................................................................................... 39

5.2.2 Coleção 2....................................................................................................... 43

5.2.3 Coleção 3...................................................................................................... 52

5.2.4 Coleção 4...................................................................................................... 56

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................... 61

REFERÊNCIAS............................................................................................. 64
12

1 INTRODUÇÃO

Ao longo da minha jornada acadêmica como aluno e estagiário de Matemática,


sempre vi diversos colegas com dificuldades a respeito da Análise Combinatória.
Muitos a consideravam como uma disciplina chata ou um desafio para alunos, pois os
problemas surgem ao longo do curso como uma disciplina de pegadinha e uso de
fórmulas. Ao analisarmos alguns estudos recentes sobre Análise Combinatória (AC)
percebemos que pode ser considerado um dos ramos da matemática onde os alunos
costumam apresentar dificuldades, por isso, planejamos ao longo do texto uma
análise de livros didáticos de duas coleções de autores diferentes do conteúdo para
minimizar/auxiliar na formação do raciocínio combinatório utilizando o Princípio
Fundamental da Contagem (PFC).

1.1 Memorial

Minha motivação para fazer este trabalho surgiu ainda quando criança onde ao assistir
filmes de ficção no qual o protagonista desenvolvia todo um cálculo para conseguir
ganhar dinheiro em cassinos. Para mim, essa Matemática parecia envolvente. Com o
passar do tempo descobri que aquela Matemática presente do filme fazia parte do
conteúdo de AC.

Entretanto, meu primeiro contato com esse conteúdo não pareceu nada com o a
matemática presente naqueles filmes: era um cálculo que não apresentava emoção,
parecia conta por conta, com uso de fórmulas e aliás, durante o Ensino Médio, um
conteúdo que causa maior apreensão, para os meus colegas e para mim foi a Análise
Combinatória.

Durante as aulas do Ensino Médio, a AC apresentava desdobramentos que pareciam


vazios de significado, raramente, via meu professor discutir algum conceito. Por
exemplo: Os conceitos de permutação, arranjo, combinação e outros, não nos foram
apresentados fazendo com que as operações realizadas para a resolução de fizeram
com que nós, alunos, entendêssemos que o conteúdo só havia utilidade ao
trabalharmos com jogos e misturas de palavras.
13

Essa minha concepção começou a mudar já como licenciando em Matemática, cursei


a disciplina de AC e estou descobrindo significados que deveriam ser apresentados
no Ensino Médio.

Anos mais tarde, me vi de novo envolvido com a Análise Combinatória, agora já como
aluno da Licenciatura em Matemática, pois apesar do que já foi exposto sobre o
envolvimento fiquei muito mais curioso com a disciplina numa aula de Fundamentos
da Matemática II, debati com colegas de curso sobre os erros de ordenação, restrições
e sobre o uso do princípio multiplicativo.

Esse debate foi motivado pela professora durante a resolução de uma questão de, no
qual um grupo de pessoas deveriam se organizar de forma que 3 pessoas seriam o
Presidente, Vice-Presidente e o Secretário e durante a resolução do exercício a
professora utilizou a fórmula de Combinação e ao questionarmos sobre o uso daquela
fórmula, ela respondeu que eram pessoas e sempre que uma questão se tratar de
grupo de pessoas deve-se utilizar combinação. Muitas dúvidas a respeito da questão
foram levantadas em sala de aula sobre o uso da fórmula e acabamos percebendo
que a fórmula foi utilizada, por causa da repetição que deveria ser excluída, porém
uma parte da turma havia resolvido o problema através do princípio multiplicativo
excluindo as repetições.

O debate me fez enxergar como os livros didáticos abordam a construção/organização


do Princípio Fundamental da Contagem e como isso pode auxiliar os alunos dos anos
finais, então, tento responder “Como a resolução de problemas auxilia o livro didático
no ensino do Princípio Multiplicativo” restringindo a pergunta à análise de duas
coleções de livros didáticos de dois autores diferentes.

1.2 Questão Norteadora e Objetivos

Como colocado anteriormente, o PFC ocupa posição de destaque quando tratamos


de Análise Combinatória, pensando, principalmente, no cenário do Ensino Médio em
nosso País.
14

Entretanto, documentos oficiais, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC)


preconizam que o estudo do PFC seja iniciado no Ensino Fundamental, desde as suas
primeiras séries.

Essa diretriz, trouxe, para nós, uma inquietação: será que o PFC está sendo
trabalhado nos anos finais do Ensino Fundamental? Caso esteja sendo ensinado,
como tem sido conduzido tal processo?

A princípio, essa era a temática que havíamos nos propostos a investigar. Porém, o
advento da Pandemia do Covid-19, registrado nos anos de 2020 e 2021, período
durante o qual este trabalho foi produzido, nos impediu de implementá-la.

Com tal limitação, nos vimos obrigados a repensar o trabalho. Como o tema nos era
“caro”, entendemos que deveríamos seguir com ele. Entre idas e vindas, surgiu a
seguinte ideia: se estamos impossibilitados de acessar a sala de aula, por que não
investigar o tema em algum dos materiais usados na mesma?

Ainda que não fosse inicial, a alternativa pensada, ao menos, nos permitiria continuar
a trabalho com o mesmo tema. Aceita a ideia, a escolha do material nos pareceu
obvia: vamos pesquisar em livros didáticos de Matemática dos anos finais do ensino
Fundamental.

Com a escolha do material a ser pesquisado, elaboramos a questão que orientou essa
pesquisa: “Como o Princípio Fundamental da Contagem é apresentado/
trabalhado em livros didáticos de Matemática dos anos finais do Ensino
Fundamental? ”

Colocada a pergunta, para respondê-la, elaboramos o Objetivo Geral desta pesquisa:


" Analisar as abordagens utilizadas por livros didáticos de Matemática dos anos
finais do Ensino Fundamental para a discussão do Princípio Fundamental da
Contagem. ”

A trajetória para tentar responder à questão norteadora e, consequentemente, nos


aproximarmos do objetivo geral proposto, foi definida a partir dos seguintes objetivos
específicos:
15

- Elaborar critérios para a seleção dos livros a serem analisados;

- Elaborar critérios para a análise dos livros selecionados;

- Analisar os livros selecionados.

1.3. Justificativa

Utilizamos como ferramenta de busca o site do Google Acadêmico para analisar a


relevância do tema deste trabalho, fizemos uma busca por trabalhos semelhantes. Os
descritores utilizados foram: “Princípio Multiplicativo”, “Análise de livros” e “Análise de
livros didáticos e o Princípio Fundamental da Contagem”.

Dessa forma, utilizando o descritor “Princípio Fundamental da Contagem” no Google


Acadêmico foram encontrados cerca de 18.000 resultados, um número considerável
de trabalhos, mas que abrange diversas áreas de pesquisas, tais como, Formação de
Professor, Resolução de Problemas e na Educação Inclusiva.

Ao pesquisarmos o descritor “Análise de livros” no também Google Acadêmico


encontramos aproximadamente 933.300 resultados, sendo um número expressivo de
pesquisa e destacando que a formação do raciocínio combinatório é uma
preocupação para os educadores.

Já para o descritor “Análise de livros didáticos e o Princípio Fundamental da


Contagem” no Google Acadêmico foram encontrados cerca 7.300 resultados,
encontramos um número elevado de trabalhos sobre o tema mostrando um receio dos
pesquisadores do cenário educacional com a formação dos professores.
16

2. REVISÃO DE LITERATURA

Neste capítulo apresentamos trabalhos que contribuíram para o início do nosso


estudo. Os trabalhos selecionados foram escolhidos com base no objetivo proposto,
dessa forma, podemos dividir a revisão de literatura em duas partes: a primeira parte
sendo autores que ajudaram a formar nossa compreensão do PFC e Análise dos
Livros Didáticos.

O trabalho da autora Silva (2016) intitulada de "A COMBINATÓRIA: abordagem em


documentos oficiais, em resultados de pesquisas e em livros didáticos do Ensino
Fundamental" com o objetivo de analisar a abordagem da Combinatória em
orientações curriculares de documentos oficiais, em resultados de pesquisas e em
livros didáticos do Ensino Fundamental e se há consonância entre as abordagens.

A autora apresenta uma pesquisa de análise documental em que caracteriza sua


pesquisa como qualitativa e quantitativa, quando seu trabalho é analisado do ponto
de vista dos procedimentos de coletas de dados. Inicialmente foram selecionados
documentos oficiais para a Educação Básica, sendo Parâmetros Curriculares
Nacionais e os Parâmetros Curriculares para a Educação Básica de Pernambuco.

Em relação aos livros didáticos foram selecionadas coleções aprovadas pelos PNLD
de 2013 e 2014 e também que atenderam o critério de maior e menor adesão,
segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Foram
selecionadas quatro coleções dos anos inicias do Ensino Fundamental e duas
coleções dos anos finais do Ensino Fundamental.

Em suas conclusões, a autora identificou que ao analisar Ensino Fundamental nos


Parâmetros Curriculares Nacionais e nos Parâmetros Curriculares para a Educação
Básica de Pernambuco para a disciplina de matemática, o conteúdo de Análise
Combinatória é inserido dentro do campo Números e Operações e também no
Tratamento da Informação, através de situações de contagem. Ela percebeu que as
situações abordadas envolvem são sobre os conteúdos de produto cartesiano,
arranjo, combinação e permutação para todos os ciclos da Educação Básica.

Quanto aos livros didáticos dos anos finais apresentam problema de sistematização e
esgotamento de possibilidades nos problemas diferente dos livros dos anos iniciais,
17

contudo as coleções não apresentam todos os aspectos do trabalho com a


Combinatória, apesar de apresentarem as contribuições das orientações curriculares.

Outro trabalho utilizado como base neste capítulo foi o texto Niwa (2011) que tem
como título “Uma justificativa para se ensinar Análise Combinatória a partir do
Princípio Fundamental da Contagem”, seu trabalho tem como objetivo propor uma
abordagem do ensino de Análise Combinatória possuindo como base o PFC.

Niwa (2011) propõe que seu foco será centrado no PFC, pois assim, a compreensão
dos outros temas como arranjo, permutação e combinação será mais clara ao aluno.

É utilizado como metodologia análise de exercícios baseadas nos princípios da Teoria


Antropológica do Didático de Chevallard. O alvo da análise é identificar as tarefas a
serem realizadas, possíveis técnicas de resolução e em qual discurso teórico-
tecnológico elas foram fundamentas.

O texto traz uma análise de atividades que envolvem os conceitos de arranjo,


permutação e combinação onde o conceito essencial para a resolução destes
problemas é o PFC.

Dessa forma, conclui justificando que uma abordagem diferente do tradicional, ou


seja, não baseada no uso de fórmulas, definições e exercícios de aplicação, faz com
o raciocínio lógico-dedutivo dos discentes sejam desenvolvidos. Acredita também que
o professor deve pautar o ensino a partir do PFC.

Para analisar sobre Livro Didático selecionamos o trabalho Amaral-Schio e Mazzi


(2020) intitulado de “Diferentes tipos de raciocínio na Geometria dos Livros Didáticos
de Matemática”. O trabalho teve como objetivo compreender como diferentes tipos de
raciocínio se apresentam em 21 livros didáticos aprovados pelo PNLD.

Eles destacam os raciocínios dedutivo, indutivo, abdutivo e analógico onde cada


raciocínio possui suas características próprias e importância no ensino e na
aprendizagem da Matemática. Também informam que a característica da pesquisa é
qualitativa com abordagem assumida e exibem a fonte de dados utilizada.
18

Em sua conclusão, os autores indicam que nem todos os livros apresentam os quatro
tipos de raciocínio apresentados dando uma ênfase nas abordagens dedutiva e
indutiva, em relação aos outros tipos. Eles também apontam que nenhuma coleção
analisada cria uma conexão entre os diferentes raciocínios, assim como não
defendem a importância de seus usos.

Separamos estes trabalhos, pois conforme o quadro abaixo entendemos que essas
pesquisas podem contribuir para nossa pesquisa no (s) seguinte (s) quesito (s):

Quadro 1 – Revisão de Literatura

Autor(es) Contribuição

Trabalho 1 Silva (2016) Combinatória e Análise de livros didáticos

Abordagem referente aos demais conteúdos a


Trabalho 2 Niwa (2011)
partir do Princípio Multiplicativo.

Tipos de Raciocínio em análise de livros


Trabalho 3 Amaral-Schio e Mazzi (2020) didáticos

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)


19

3 REFERENCIAL TEÓRICO

Este capítulo está organizado em duas seções: no primeiro capítulo


abordaremos uma discussão sobre o PFC. Já no segundo capítulo deste trabalho
serão abordadas sobre como a BNCC aborda a disciplina de AC com ênfase no PFC
e suas vertentes.

3.1 Princípio Fundamental da Contagem

O que é AC?

De maneira mais geral, podemos dizer que a Análise Combinatória é a parte


da Matemática que analisa estruturas e relações discretas.
Dois tipos de problemas que ocorrem frequentemente em Análise
Combinatória são:
1) Demonstrar a existência de subconjuntos de elementos de um
conjunto finito dado e que satisfazem certas condições;
2) Contar ou classificar os subconjuntos de um conjunto finito e que
satisfazem certas condições dadas. (Morgado,1991, p. 1)

Normalmente, na Educação Básica, os problemas de contagem, ligados à Análise


Combinatória, podem ser resolvidos levando em considerando dois princípios
“básicos”: o Princípio Aditivo e o Princípio Multiplicativo.

✔ Princípio Aditivo

Situação 1

Uma pessoa foi a Lanchonete XYZ que possui, em seu cardápio, quatro diferentes
tipos lanches quentes e três diferentes lanches frios. Sabendo que essa pessoa
escolherá apenas um lanche, quantas opções ela terá para fazer a sua escolha?

Na verdade, a questão pode ser resumida da seguinte forma: de quantos modos uma
pessoa pode escolher um lanche, sabendo que existem sete diferentes opções
disponíveis? Colocada desta forma, a resposta da questão está no corpo da própria
pergunta: Sete!

Nesse caso, cabe entender como se chega ao valor sete. A “obviedade” da resposta
– oras, basta somar três e quatro – esconde algo mais profundo...
20

De acordo com aquilo se convencionou chamar de “Teoria dos Conjuntos”, dados dois
conjuntos A e B, com números de elementos, respectivamente, 𝑛(𝐴) e 𝑛(𝐵), o número
de elementos do conjunto união de A com B - 𝑛(𝐴 ∪ 𝐵) – é dado por

𝑛(𝐴 ∪ 𝐵) = 𝑛(𝐴) + 𝑛(𝐵) − 𝑛(𝐴 ∩ 𝐵)

com 𝑛(𝐴 ∩ 𝐵) representado o número de elementos comuns aos dois conjuntos.


Naturalmente, caso A e B não possuam elementos comuns, ocasião em que são
chamados de “Disjuntos”, temos 𝑛(𝐴 ∩ 𝐵) = 0 e 𝑛(𝐴 ∪ 𝐵) = 𝑛(𝐴) + 𝑛(𝐵).

Retornando à questão dos lanches, podemos dizer que os lanches quentes formam
um conjunto 𝑄 tal que 𝑛(𝑄) = 4, enquanto os lanches frios formam outro conjunto 𝐹
tal que 𝑛(𝐹) = 3. Como 𝑄 e 𝐹 são disjuntos – um lanche quente não pode ser frio e
nem um lanche frio pode ser quente – temos que

𝑛(𝑄 ∪ 𝐹) = 𝑛(𝑄) + 𝑛(𝐹)

𝑛(𝑄 ∪ 𝐹) = 4 + 3

𝑛(𝑄 ∪ 𝐹) = 7

A construção que fizemos tem por fim criar um contexto que sirva de base para o que
iremos enunciar a seguir:

“Se uma decisão A pode ser tomada de 𝑛 formas e uma decisão B, independente de
A, de outras 𝑚 formas distintas, então o número de formas de se tomar uma, e apenas
uma, dentre as duas decisões, é igual a 𝑚 + 𝑛”.

✔ Princípio Multiplicativo

Mais uma vez recorreremos à ideia de apresentar situações hipotéticas para criarmos
um ambiente que consideramos propício para uma enunciação futura.
21

Situação 2

De volta à Lanchonete XYZ (e com mais fome), a mesma pessoa, dessa vez,
escolherá dois sanduíches: um frio e outro quente. De quantos modos ela poderá fazer
a sua escolha?

Denominando os sanduíches quentes de 𝑄1, 𝑄2 , 𝑄3 e 𝑄4 , e os frios de 𝐹1 , 𝐹2 e 𝐹3 , as


possíveis escolhas são:

(𝑄1 , 𝐹1 ) (𝑄1 , 𝐹2 ) (𝑄1 , 𝐹3 )


(𝑄2 , 𝐹1 ) (𝑄2 , 𝐹2 ) (𝑄2 , 𝐹3 )
(𝑄3 , 𝐹1 ) (𝑄3 , 𝐹2 ) (𝑄3 , 𝐹3 )
(𝑄4 , 𝐹1 ) (𝑄4 , 𝐹2 ) (𝑄4 , 𝐹3 )

Como cada um dos quatro sanduiches quentes foi combinado com cada um dos três
sanduíches frios, podemos concluir que o resultado final (12) é oriundo do produto
entre os números de sanduiches de cada tipo.

Destacamos também que a ordem em que os sanduíches são escolhidos, nesse caso,
não faz diferença, uma vez que se tratam de tipos diferentes.

Situação 3

Ontem, a mesma pessoa recebeu uma mensagem da Lanchonete XYZ solicitando


sua participação em uma pesquisa:

“Estamos revendo nosso cardápio e, por isso, gostaríamos que você nos informasse,
em ordem de preferência, quais os nossos dois sanduíches quentes que mais lhe
agradam. Obrigado!”.

Supondo que a pessoa resolva participar da pesquisa, quantas diferentes respostas


poderá enviar?

Denominando os sanduíches quentes de 𝑄1 , 𝑄2 , 𝑄3 e 𝑄4 , as possíveis respostas são:


22

(𝑄1 , 𝑄2 ) (𝑄1 , 𝑄3 ) (𝑄1 , 𝑄4 )


(𝑄2 , 𝑄1 ) (𝑄2 , 𝑄3 ) (𝑄2 , 𝑄4 )
(𝑄3 , 𝑄1 ) (𝑄3 , 𝑄2 ) (𝑄3 , 𝑄4 )
(𝑄4 , 𝑄1 ) (𝑄4 , 𝑄2 ) (𝑄4 , 𝑄3 )

Note que cada um dos quatro sanduiches quentes foi combinado com cada um dos
outros três sanduíches quentes. Isso nos permite que o resultado final (12) é oriundo
do produto entre o número de sanduiches quente e o número de sanduíches quentes
que sobram após a primeira escolha.

Nesse caso, a ordem em que os sanduíches são escolhidos faz diferença por se tratar
de algo ligado à preferência.

Um olhar restrito apenas ao resultado final pode levar a uma conclusão errônea: os
problemas são iguais (inclusive, são resolvidos da mesma forma!). Entretanto, a
observação atenta revela um detalhe relevante: enquanto no exemplo 2, as três
opções de escolha de sanduíches frios são as mesmas, independente do sanduiche
quente escolhido, no exemplo 3, as três opções de escolha do segundo sanduíche
quente variam conforme a escolha do primeiro sanduíche quente. Ou seja: ainda que
a operação e os resultados sejam os mesmos, os problemas não são iguais.

Esses dois problemas ilustram as duas partes em se dividem o Princípio Multiplicativo,


sendo a primeira parte:

O princípio fundamental da contagem (parte A)


Consideremos 𝑟 conjuntos
𝐴 = {𝑎1 , 𝑎2 , ⋯ , 𝑎𝑛1 }; #𝐴 = 𝑛1
𝐵 = {𝑏1 , 𝑏2 , ⋯ , 𝑏𝑛2 }; #𝐵 = 𝑛2

𝑍 = {𝑧1 , 𝑧2 , ⋯ , 𝑧𝑛𝑟 }; #𝑍 = 𝑛𝑟
Então o número de 𝑟-uplas ordenadas (sequências de 𝑟 elementos) do tipo
(𝑎𝑖 , 𝑏𝑗 , ⋯ , 𝑧𝑝 )
Em que 𝑎𝑖 ∈ 𝐴, 𝑏𝑗 ∈ 𝐵, ⋯ , 𝑧𝑝 ∈ 𝑍 é
𝑛1 ∙ 𝑛2 ∙ ⋯ ∙ 𝑛𝑟
(HAZZAN, 2004, p. 5)

Já a segunda parte:

O princípio fundamental da contagem (parte B)


23

Consideremos um conjunto 𝐴 com 𝑚 (𝑚 ≥ 2) elementos. Então o número de


𝑟-uplas ordenadas (sequências com 𝑟 elementos) formadas com elementos
distintos dois a dois de 𝐴 é
𝑚 ∙ (𝑚 − 1) ∙ (𝑚 − 2) ∙ ⋯ ∙ (𝑚 − (𝑟 − 1))
(HAZZAN, 2004, p. 7)

Ao longo deste texto, quando usarmos a expressão “Princípio Multiplicativo”, “PFC”


ou “Princípio Fundamental da Contagem” entendemos que são sinônimos e
estaremos nos referindo às duas partes supracitados.

3.2 A BNCC e os Problemas de Contagem

Homologada pela Portaria nº 1.570, de 20 de dezembro de 2017, a BNCC

é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e


progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem
desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de
modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e
desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de
Educação (PNE). (BRASIL, 2017, p. 7)

De acordo com a citação, a BNCC, após a sua homologação, passa a ser uma norma.
Assim sendo, entendemos que esta deverá ser seguida por todas as instituições
promotoras da Educação Básica (escolas), independentemente de sua localização ou
mantenedor (Setor Público ou Privado).

Ainda sobre isso, cabe destacar que se trata de documento restrito à Educação
Escolar, sendo esta entendida como o disposto na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996).

Construída a partir das orientações contidas nas Diretrizes Curriculares Nacionais da


Educação Básica (DCN) no que diz respeito da ‘formação humana integral e à
construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva’ (BRASIL, 2017, p. 25), a
BNCC, como pode ser encontrado em sua introdução, passou a ser a referência
nacional para a formulação dos currículos de todos os sistemas e redes escolares.

Na BNCC e ao longo da Educação Básica toda mobilização de conhecimento, valores


e atitudes são definidos através de competências gerias que servem para garantir as
aprendizagens essenciais aos estudantes pelo âmbito pedagógico, direitos de
aprendizagem e desenvolvimento. O documento está estruturado de modo para que
as competências e habilidades possam ser desenvolvidas pelos alunos a medida em
24

que avançam de etapa de escolaridade. A competência possui conceito originários


dos artigos 32 e 35 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Lei nº. 9.394/1996,
onde descreve sobre o ensino fundamental obrigatório e a formação básica do
cidadão. As habilidades são adequadas para cada componente curricular e
necessárias para assegurar que o desenvolvimento das competências. E a
progressão das atividades devem ser “Ano a ano se baseia na compreensão e
utilização de novas ferramentas e também na complexidade das situações-problema
propostas, cuja resolução exige a execução de mais etapas ou noções de unidades
temáticas distintas”. (BRASIL, 2020, p. 275)

Apesar do foco do nosso trabalho ser o grupo de alunos que estejam cursando Ensino
Fundamental – Anos Finais, temos que levar em conta que o desenvolvimento das
habilidades pelos alunos surge das experiências e os conhecimentos já vivenciados e
na criação de situações de aspectos quantitativos e qualitativos da realidade.

Dentre algumas competências gerais servem para valorizar e utilizar os


conhecimentos históricos sobre o mundo físico, social, cultural e digital colaborando
para construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, exercitando
curiosidade intelectual e recorrer à abordagem das ciências, formular, resolver
problemas e criar soluções, valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e
culturais, compreender utilizar e criar tecnologias digitais, agir pessoalmente e
coletivamente com autonomia, responsabilidade tomando decisões em princípios
éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários e outros.

Existe um conjunto de ideias que são consideradas fundamentais para o


desenvolvimento do pensamento matemático e da formulação de habilidades,
também é importante que o estudante compreenda o sentido de equivalência, ordem,
proporcionalidade, variação e interdependência. Esse conjunto de ideias são divididas
dentro de cinco Unidades Temáticas, sendo: Números, Álgebra, Geometria,
Grandezas e medidas e Probabilidade e Estatística.

Para o desenvolvimento do pensamento numérico auxiliado ao conhecimento de


quantificar objetos e interpretação de dados em quantidades foi desenvolvida a
unidade temática de Números. Já a unidade temática Álgebra é de utilidade para o
25

desenvolvimento do pensamento algébrico, sendo por sua vez, responsável pela


compreensão, representação e análise de relações de grandezas.

Outro campo de estudo que é a Geometria onde propõe o estudo de um vasto conjunto
de procedimentos, modelos e técnicas na resolução de problemas do mundo físico e
de variadas áreas do conhecimento. Para integração de diversas áreas de
conhecimentos que possuem relações de grandezas é proposto o estudo da unidade
temática Grandezas e medidas. Assim como a unidade temática de Geometria, essa
unidade temática também auxilia na integração da Matemática com a outras áreas de
conhecimento, contribuindo com a formação do pensamento geométrico e algébrico.

Na unidade temática de Probabilidade e Estatística é proposto uma abordagem com


o uso de conceitos, fatos e procedimentos do cotidiano sempre como foco no estudo
da incerteza e o tratamento de dados.

A BNCC orienta que a AC, mais precisamente, a resolução de problemas de contagem


deve priorizar pela descrição dos casos e a utilização de diagramas, posteriormente,
problemas que dependem da aplicação do PFC e do princípio da casa dos pombos.

Visando uma visualização mais completa do que orienta a BNCC para o ensino dos
problemas de contagem construímos Quadro de Habilidades. Conforme a BNCC, as
primeiras habilidades para o ensino da Análise Combinatória devem ser trabalhadas
com as turmas do quarto ano tentando resolver problemas com agrupamentos de
conjuntos diferentes sendo aprimorado no quinto ano e finalizando sua parte inicial no
oitavo ano com aplicação do princípio multiplicativo associado com a progressão dos
conhecimentos da capacidade de enumeração dos elementos do espaço amostral.
26

Quadro 2 – Habilidades EF – Anos Finais

Quadro de Habilidades
Ano Objetos de Conhecimento Habilidades
(EF04MA08) Resolver, com o suporte de
imagem e/ou material manipulável,
problemas simples de contagem, como a
determinação do número de agrupamentos
4º ANO Problemas de contagem
possíveis ao se combinar cada elemento
de uma coleção com todos os elementos
de outra, utilizando estratégias e formas de
registro pessoais.
(EF05MA09) Resolver e elaborar
problemas simples de contagem
Problemas de contagem do tipo: “Se
envolvendo o princípio multiplicativo, como
cada objeto de uma coleção A for
a determinação do número de
5º ANO combinado com todos os elementos de
agrupamentos possíveis ao se combinar
uma coleção B, quantos grupamentos
cada elemento de uma coleção com todos
desse tipo podem ser formados?”
os elementos de outra coleção, por meio de
diagramas de árvore ou por tabelas.
(EF08MA03). Resolver e elaborar
problemas de contagem cuja resolução
envolva a aplicação do princípio
multiplicativo.
(EF08MA22) Calcular a probabilidade de
8º ANO O princípio multiplicativo da contagem
eventos, com base na construção do
espaço amostral, utilizando o princípio
multiplicativo, e reconhecer que a soma
das probabilidades de todos os
elementos do espaço amostral é igual a 1.

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)


27

4 METODOLOGIA

Devido aos meus estágios realizados em duas escolas da rede pública do Estado do
Espírito Santo, inicialmente com turmas do Ensino Fundamental Anos Finais e Médio
e posteriormente apenas com os anos finais, então nossa ideia inicial era realizar
atividades tendo este público-alvo.

Após diálogos com os professores orientadores dessas escolas, sempre me foi


exposto sobre a dificuldade dos alunos no aprendizado da AC e que quase nunca
existia um tempo hábil para ensinar este conteúdo com destreza. Surge nossa
primeira ideia de trabalhar o desenvolvimento do raciocínio combinatório com os
alunos dos anos finais da rede pública estadual. Porém com o decreto da Organização
Mundial de Saúde (OMS) declarando que Pandemia e do Governo do Estado do
Espírito Santo - Decreto nº 4593-R, de 13 de março de 2020 e que ainda estamos
vivendo com novas restrições de distanciamento social a realização de uma ação
prática a ser desenvolvida em sala seria quase impossível, devido fechamento de
escolas e dificuldade de manter contato com professores e alunos, considerando ser
uma zona carente e que nem todos os alunos possuem acesso à internet através de
celular e/ou computador.

4.1) O público-alvo e o tipo de pesquisa

Sabemos que o livro didático é utilizado de modo rotineiro em algumas escolas das
redes pública e privada, e que muitas vezes se torna seu único aliado para exercícios,
demonstrações e curiosidades, percebemos que durante o advento da escola e a
realização das aulas através de conferências de realizadas pela internet, e com base
na observação realizada na escola em que estagiei, a utilização do livro didático ficou
mais frequente.

Essa observação aliada com outros fatores que surgiram com a Pandemia apontou
que a análise dos livros didáticos aparece de forma interessante neste momento,
dessa forma, o tipo de pesquisa que realizamos é uma análise documental, Menga e
Marli (1986) já destacavam que

Os documentos constituem também uma fonte poderosa de onde


podem ser retiradas evidências que fundamentem afirmações e
declarações do pesquisador. Representam ainda uma fonte "natural"
28

de informação. Não são apenas uma fonte de informação


contextualizada, mas surgem num determinado contexto e fornecem
informações sobre esse mesmo contexto. (MENGA; MARLI 1986, p.
39)

Baseado Holsti (1969 apud Menga, 1986) apresentava três situações básicas
apropriadas para o uso da análise documental, sendo o primeiro motivo “o acesso de
dados de forma problemática, seja por limitação do pesquisador ou do sujeito da
investigação”, para o caso da nossa pesquisa em questão, o fechamento das escolas,
dificuldade de contato com alguns alunos e professores é o nosso fator motivador; O
segundo motivo é “ratificar e validar informações obtidas por outras técnicas de coleta”
ou seja confirmar se os livros didáticos contém informações à respeito do PFC e/ou
Análise Combinatória e como está ideia é desenvolvida pelo autor; E a terceira para
“estudar o problema a partir da expressão dos indivíduos, ou seja, a linguagem dos
sujeitos é crucial para a investigação”.

Consideramos nossa pesquisa como uma análise documental de cunho qualitativo


baseado na proposta descrita por Masetti (2016) descrevendo sobre uma das
características deste tipo de pesquisa

Uma das características da abordagem qualitativa é a flexibilidade


quanto aos procedimentos de coleta de dados, o que nos permite
identificar as ações mais adequadas à investigação que realizamos.
Assim sendo, optamos pela análise documental como procedimento de
coleta de dados em nossa pesquisa. (MASETTI, 2016, p. 53)

Nosso suporte teórico é fundado do acompanhamento de diversas pesquisas


realizadas pelo Grupo de Estudos em Raciocínios Combinatório e Probabilístico do
Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Geração 1
que tem com o público-alvo alunos dos anos iniciais e anos finais do Ensino
Fundamental e como objetivo desenvolvimento e divulgação de estudos dos
conteúdos de AC e Probabilidade. Em algumas destas pesquisas elas citam que

Trabalhando-se desde cedo com noções intuitivas referentes a situações


combinatórias, se torna mais provável que a combinatória possa ser
trabalhada sistematicamente com estudantes do 5o ano do ensino
fundamental e não se limite ao ensino médio, quando é explorada a partir das
fórmulas matemáticas. (GADELHA; BORBA, 2019 p. 2).

Devido à impossibilidade de tratar a pesquisa em sala de aula com este público surgiu
a intenção de analisar livros didáticos de quatro coleções do Ensino Fundamental
29

Anos Finais, como estamos querendo pesquisar sobre a estruturação, organização e


apresentação dos conteúdos voltados para a compreensão de um grupo, no caso,
alunos das turmas do sexto ao nono ano dos anos finais, sem nos preocuparmos com
uma representação numérica. Visando destacar apenas o papel do livro didático na
escola percebemos que

O livro didático tem sido um importante elemento na sala de aula, que dialoga
com o conhecimento referente à determinada área, com o professor e com o
aluno, sendo um dos principais apoios aos processos de ensino e de
aprendizagem na escola. (LIMA; BORBA, 2019 p. 3).

Para destacar a importância do uso do livro didático e a importância deste material


para o professor nos espelhamos no trabalho de Dante (1996) onde o autor destaca
que o livro didático possui um papel fundamental no processo de ensino-
aprendizagem por vários motivos, entre eles:

- A limitação de recursos como bibliotecas, materiais pedagógicos, computadores e


outros, onde o livro didático se torna o básico;

- O uso do livro como dicionário ou enciclopédia, devido as definições, propriedades,


tabelas e explicações que são referências para os professores;

- O fornecimento de elementos para a aprendizagem dos alunos, cobrindo problemas,


atividades e exercícios;

4.2) O processo de escolha das obras

Conforme já relatado a Pandemia e a limitação de alguns alunos ao acesso à internet


e outras fontes pesquisa prejudicou nossa ideia de pesquisa inicial, mas fez com que
os professores orientadores procurassem métodos e/ou modos para conseguir auxiliar
o aluno neste período, muitos professores recorreram ao livro didático e fontes na
internet para elaboração de apostilas.

A confecção de atividades utilizando livros didáticos já adquiridos pela escola e com


a nova ideia de pesquisa em livros já definida decidimos utilizar essa fonte da escola
como nossas obras escolhidas. Destaco aqui que no início do ano de 2020 até o mês
de março, onde houve fechamento das escolas, não foi entregue a quantidade de
30

exemplares necessário da coleção para a escola, portanto só tivemos acesso a essa


fonte de forma digital.

4.3) O processo de criação das categorias de análise das obras

Com a escolha dos livros utilizados na rede pública estadual como nosso objeto de
análise, partimos para a criação de categorias de análise para direcionar nosso
estudo. Buscando nosso referencial inicial tivemos um suporte em Silva (2016) onde
orienta:

Tendo-se o livro didático como um instrumento referencial com relação ao


saber a ser ensinado e um condutor dos conteúdos e processos envolvidos
na prática pedagógica do professor, faz-se necessário analisar como a
Combinatória está organizada e estruturada nos livros didáticos, destinados
às escolas brasileiras. (SILVA, 2016, p. 7)

Pensamos na criação de duas categorias, categoria I – Estrutura do Livro e na


categoria II – PFC, nessas duas categorias serão abordados sobre a existência do
conteúdo na e como foi realizado esta abordagem, posteriormente será avaliado se
os autores fazem paralelo com algum conteúdo, como é definido e a apresentação,
desenvolvimento e problemas do conteúdo.

Para realizar uma comparação com maior qualidade dos fatos, neste momento,
decidimos avaliar toda a coleção do autor referente aos Anos Finais, pois percebemos
que a apresentação surge em momentos diferentes nas coleções selecionadas e
retratada a ideia de Dante (1996, p. 84) “A condição primordial para que um livro de
matemática seja considerado bom é que ele esteja matematicamente correto, com
níveis de rigor e precisão apropriados à série a que se destina”.

Também por influência da BNCC (2018) onde ressalta que “A leitura dos objetos de
conhecimento e das habilidades essenciais de cada ano nas cinco unidades temáticas
permite uma visão das possíveis articulações entre as habilidades indicadas para as
diferentes temáticas”.

Com o objetivo definido, buscamos analisar como os autores desses livros adquiridos
pela rede pública estadual aborda e organiza o conteúdo da disciplina de AC sempre
fazendo um paralelo com as orientações curriculares dos documentos oficiais.
31

Para analisar os exercícios/atividades ou problemas propostos pelos autores


precisamos determinar o que compreendemos como problema e nossa ideia teve um
apoio em Polya (1995) onde começamos pela compreensão do problema definido
através de três questionamentos sendo: Por onde começar? Que posso fazer? Qual
a vantagem em assim proceder?

O autor completa dizendo que sempre é considerável iniciar pelas partes principais
que são: a incógnita, os dados e a condicionante respondendo o questionamento
inicial, posteriormente examinar os dados e as diversas partes da condicionante
examinando separadamente, finalizando no possível encontro de uma solução
melhor, que descubra fatos novos e interessantes.

Nessa mesma perspectiva do que seria um problema, a BNCC destaca que na


matemática escolar deve envolver todo um contexto e abstração neste processo de
aprendizagem, seja de uma noção ou contexto, devemos avaliar:

[...] o processo de aprender uma noção em um contexto, abstrair e depois


aplicá-la em outro contexto envolve capacidades essenciais, como formular,
empregar, interpretar e avaliar – criar, enfim –, e não somente a resolução de
enunciados típicos que são, muitas vezes, meros exercícios e apenas
simulam alguma aprendizagem. Assim, algumas das habilidades formuladas
começam por: “resolver e elaborar problemas envolvendo[...]”. (BRASIL,
2018, p. 277)

Observando o quadro 2 das habilidades propostas pela BNCC para os alunos dos
Anos Finais do Ensino Fundamental, todas as habilidades têm como princípio resolver
e/ou elaborar e o documento destaca que

Nessa enunciação está implícito que se pretende não apenas a resolução do


problema, mas também que os alunos reflitam e questionem o que ocorreria
se algum dado do problema fosse alterado ou se alguma condição fosse
acrescida ou retirada. Nessa perspectiva, pretende-se que os alunos também
formulem problemas em outros contextos. (BRASIL, 2018, p. 277)

Sendo assim, entendemos que o problema deve proporcionar ao aluno uma


capacidade de questionar e avaliar a situação de forma separada, buscando métodos
e alternativas para combinar e elaborar uma melhor resolução para os
questionamentos que formulados a partir do problema, diferente do exercício que
consideramos ser uma aplicação de fórmulas e que não costuma agregar
conhecimento, apenas prática de um método através da repetição.
32

Com essa perspectiva de observar o todo utilizamos as definições e demonstrações


propostas no livro de “Fundamentos da Matemática Elementar” da coleção Gelson
Iezzi (2004) de autoria do Samuel Hazzan (2004). Sabemos que a proposta é da
coleção é englobar toda a Matemática ao nível de 2º grau, entretanto, queremos saber
como os autores das coleções selecionadas organizam seus conteúdos para que os
alunos do ensino fundamental tenham base para desenvolver o raciocínio
combinatório quando estiverem no Ensino Médio.

[...] O desenvolvimento dos raciocínios combinatório e probabilístico


constituem, dessa maneira, uma importante parte do raciocínio lógico
dedutivo, raciocínio que é muito importante para munir o estudante de
ferramentas cognitivas necessárias à resolução de problemas matemáticos –
escolares ou não. (LIMA; BORBA, 2019 p. 1)
33

5 ANÁLISE DE LIVRO

A análise de livro de didático foi uma proposta de trabalho que surgiu com o
surgimento da Pandemia de Covid-19 (que ainda estamos vivendo): nossa intenção
sempre foi pesquisar o desenvolvimento do pensamento combinatório, junto a alunos
dos Anos Finais do Ensino Fundamental, utilizando uma série de atividades a ser
desenvolvidas em sala. Diante da impossibilidade de efetuar tais atividades, devido
ao fechamento de escolas optamos por trabalhar com a vertente da análise de livros.

Visando abordar a questão do livro didático em nosso País, faremos, inicialmente,


este um breve relato histórico sobre algumas diretrizes, programas e documentos
governamentais responsáveis por avaliar e escolher os livros didáticos, dentre eles: o
PNLD, o Guia Nacional do Livro Didático e os Parâmetros Curriculares Nacionais.

Ainda durante o Governo de Getúlio Vargas, foi criado, por meio Decreto-Lei 93, Casa
Civil da Presidência da República, de 21 de dezembro de 1937, o Instituto Nacional
do Livro, responsável por organizar e publicar a Enciclopédia Brasileira e o Dicionário
da Língua Nacional.

No ano seguinte, com a publicação do Decreto-Lei n° 1.006, Casa Civil da Presidência


da República, em 30 de dezembro, foi instituída a Comissão Nacional do Livro Didático
(CNLD), responsável por estabelecer as diretrizes para a produção, importação e
utilização do Livro Didático.

Tais diretrizes foram consolidadas por meio do Decreto-Lei 8.640, Casa Civil da
Presidência da República, de 26 de dezembro de 1945. Nesse novo documento,
destacamos a afirmação, feita em seu art. 5º, de que os professores do Ensino
Primário, Secundário, Normal e Profissional são livres para escolherem os livros para
o uso de seus alunos.

Em 1966, por meio de um acordo envolvido o Ministério da Educação (MEC) e a


Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), foi criada a
Comissão do Livro Técnico e Livro Didático (Colted), cujo objetivo era coordenar as
ações de produção, edição e distribuição do livro didático.
34

Quatro anos depois, em 11 de março de 1970, foi publicada pelo Ministério da


Educação, a Portaria nº 35, criando o sistema de coedição de livros com as editoras
nacionais, com o uso de recursos do Instituto Nacional do Livro (INL).

No ano seguinte, foi criado o Programa do Livro Didático para o Ensino Fundamental
(Plidef) que, em 19 de agosto de 1985, por meio do Decreto é substituído pelo PNLD.
O novo programa apresenta mudanças, tais como:

✓ A garantia de distribuição de livros escolares aos estudantes matriculados nas


escolas públicas;

✓ Deve ser considerada a possibilidade de utilização dos exemplares distribuídos


por mais de um ano;

✓ Valorização do Professor permitindo que este participe, efetivamente, da


indicação do livro didático a ser usado na Escola.

Durante os anos de 1993 e 1994, foram elaborados critérios para avaliação dos livros
didáticos

Portanto, na análise de qualquer livro didático de Matemática para o primeiro


grau, os seguintes itens deverão ser examinados:
1.1 Enfoque dado ao conteúdo matemático. Apresenta diferentes tipos de
conteúdo matemático, tais como conceitos, regras e algoritmos? Há clareza
quanto a essa distinção? Há equilíbrio quanto à distribuição desses diferentes
tipos?
1.2 Distribuição do conteúdo ao longo das séries.
1.3 O livro apresenta erros conceituais? Há "propagação" destes erros ao
longo do texto?
1.4 Há definições distintas ou contraditórias para o mesmo conceito?
1.5 A simbologia e a notação empregadas pelo livro são as usuais?
1.6 Há exemplos errados no livro? As respostas dos exercícios, quando
dadas, estão corretas?
1.7 Há integração dos vários conceitos apresentados? São apresentados
exemplos e problemas que exigem a utilização de vários conceitos?
1.8 O livro integra a apresentação da Aritmética e da Geometria ou as separa
rigidamente?
1.9 O livro estimula o uso de diferentes linguagens e a passagem de uma
para a outra?
1.10 O livro apresenta situações que têm várias ou uma resposta, a fim de
mostrar que nem todo problema matemático tem solução única, bem
definida? (FAE/MEC – UNESCO, 1994, p. 58).
35

A leitura desses critérios evidencia uma preocupação não apenas com o conteúdo
matemático, mas também com a “abordagem metodológica” proposta pela obra a ser
analisada, numa perspectiva ligada aos processos de ensino e de aprendizagem.

Com a crise política de 19921, a distribuição de livros didáticos para o Primeiro Grau
foi prejudicada. Apenas em 1995 as escolas voltaram a receber livros das disciplinas
de Matemática e Língua Portuguesa; no ano seguinte, passam a receber também os
livros de Ciências e, em 1997, de Geografia e História.

Uma ação implementada no seio do PNLD foi a criação do “Guia de Livros Didáticos”,
cujo objetivo é apresentar, para a Comunidade Escolar, os livros aprovados, pelo
Governo Federal, para utilização durante um período de três anos. O primeiro desses
guias, contendo análises de livros de 1ª a 4ª série, foi publicado em 1996.

Como já mencionado, os livros didáticos, antes de serem apresentados às escolas


para que estas façam suas escolhas, passam por um processo de avaliação
pedagógica, sob a responsabilidade do MEC. Os critérios usados para a análise são
previamente discutidos e, depois de definidos, são publicados para que os autores
que desejam submeter suas obras os conheçam e façam as adaptações que julgarem
necessárias.

A equipe responsável pelo processo de análise dos livros é formada a partir de uma
chamada pública, cabendo, a cada nova equipe, a análise dos critérios usados na
edição anterior e, caso seja necessário, as reformulações devidas.

Ainda que não tenha como foco principal o livro didático, entendemos que os PCN
devem ser considerados em discussões a respeito dessas obras.

Os PCN podem ser entendidos como uma “referência curricular” para a atual
Educação Básica. Cabe destacar que, de acordo com o próprio documento, a palavra
“parâmetro” preconiza o respeito as diversidades encontradas no território nacional.
Já a palavra “currículo” traz, como significado principal, as matérias constantes de um

1 O termo “Crise Política” é referente a toda situação vivida no País e que teve, como ápice a
renúncia, do então Presidente, Fernando Affonso Collor de Mello.
36

curso; entretanto, essa mesma palavra também pode ser uma usada como a lista de
conteúdo de cada disciplina.

Quanto aos objetivos do Ensino Fundamental, os PCN sugerem o desenvolvimento


do estudante para “o exercício da cidadania. Para isso, durante esta etapa, deve-se:

✔ Oferecer meios que permitam a utilização de diferentes conhecimentos para a


compreensão do mundo;

✔ Estimular o espírito de investigação;

✔ Desenvolver a capacidade de comunicar-se usando diferentes linguagens;

✔ Estimular o desenvolvimento de diferentes estratégias e formas de raciocínio


para a resolução de um problema.

Especificamente quanto à Matemática, os PCN propõem que o seu ensino desenvolva


conhecimentos que permitam aos estudantes, por exemplo, compreender a realidade
em que vivem e que sejam capazes de enfrentar desafios. Nesse sentido, é desejável
que os recursos didáticos sejam elementos que auxiliem nesse processo. Essa
indicação pode servir de justificativa para o fato do livro didático ser apontado como
um dos materiais de grande influência na Estrutura Educacional Brasileira.

Quanto à estrutura curricular, os PCN apresentam os conteúdos matemáticos


divididos em quatro blocos - Números e Operações, Espaço e Forma, Grandezas
e Medidas e Tratamento da Informação - indicando que estes devem ser
trabalhados de forma favoreça à sua assimilação e a produção de novos
conhecimentos.

De acordo com tal organização, o conteúdo ligado à Análise Combinatória está


inserido no bloco Tratamento da Informação, responsável por realizar ligações entre
a Matemática e as outras disciplinas. No caso do nosso trabalho, destacamos que, de
acordo com os PCN, durante o terceiro ciclo (alunos com média de 11 anos) deve
37

acontecer o desenvolvimento e/ou resolução de situações problemas que envolvam o


raciocínio combinatório2.

5.1 - Identificando os autores e suas coleções

A coleção 1 - Matemática do Cotidiano - publicado pela editora Scipione, é de autoria


de Antonio José Lopes Bigode. Licenciado em Matemática e Estatística pela
Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Didática da Matemática pela
Universidade Autônoma de Barcelona, onde também concluiu seu Doutorado em
Didática da Matemática, e Pós Doutor pela Universidade Cruzeiro do Sul, o autor já
atuou como professor do Ensino Fundamental e Médio.

O autor da coleção 2, intitulada Projeto Teláris e publicada pela editora Ática, é Luiz
Roberto Dante, licenciado em Matemática pela Universidade Estadual Paulista “Júlio
de Mesquita Filho (Unesp – Rio Claro), Mestre em Matemática pela Universidade de
São Paulo (USP) e Doutor em Educação (Psicologia da Educação) pela Pontifícia
Católica de São Paulo (PUC – SP).

Já o autor da coleção 3, Matemática: Realidade e Tecnologia, da editora FTD, Joamir


Roberto de Souza possui graduação em Licenciatura Matemática pela Universidade
Estadual de Londrina (UEL), Especialização em Estatística e Mestrado em
Matemática pela mesma universidade.

A coleção 4 - A Conquista da Matemática”, publicada pela FTD – é de autoria de José


Ruy Giovanni Junior, licenciado em Matemática pela Universidade de São Paulo que
atua como professor e assessor em escolas de Ensino Fundamental e Médio, e
Benedicto Castrucci, falecido em 1995, bacharel e licenciado em Ciências
Matemáticas pela Universidade de São Paulo, e que atuou como professor de
Matemática nas instituições Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
e na Universidade de São Paulo.

O quadro a seguir condensa as principais informações a respeito de cada obra:

2Convém destacar que, de acordo com os PCN, durante o quarto ciclo, o Princípio Multiplicativo deve
ser usado como “ferramenta” (destaque nosso) para a estimativa da probabilidade ligada à
ocorrência de um evento.
38

Quadro 3 – Coleções Escolhidas

EDIÇÃO e
Código TÍTULO AUTOR(ES) ANO EDITORA
VOLUME
1ª Edição
Coleção Matemática do Antonio José Lopes
4 Volumes 2015 Scipione
1 Cotidiano Bigode
6º ao 9º ano.
2ª Edição
Coleção
Projeto Teláris Luiz Roberto Dante 4 Volumes 2015 Ática
2
6º ao 9º ano.
Matemática: 1ª Edição
Coleção Joamir Roberto de
Realidade e 4 Volumes 2018 FTD
3 Souza
Tecnologia 6º ao 9º ano.
José Ruy Giovanni 1ª Edição
Coleção A Conquista da
Júnior 4 Volumes 2018 FTD
4 Matemática
Benedicto Castrucci 6º ao 9º ano.
Fonte: Elaborado pelo autor (2021)

5.2 Critérios de Análise

Para a análise das quatro coleções selecionadas, criamos quatro categorias


envolvendo a estrutura do livro, sua abordagem do Princípio Fundamental da
Contagem, os exemplos apresentados e os exercícios/problemas propostos, a
respeito do Princípio Fundamental da Contagem, conforme definido no quadro 4.

Gostaríamos de destacar que, devido às restrições impostas pela Pandemia do Covid-


19, todos os exemplares que conseguimos para análise são destinados ao professor.
Por isso, tivemos acessos aos manuais com orientações, dos autores, sobre o uso de
cada obra em sala de aula.

Antes da análise de cada coleção, faremos, inicialmente, uma consideração geral a


seu respeito. Em seguida, falaremos especificadamente sobre os livros, nos detendo
em itens como, por exemplo, a Estrutura do Livro, onde verificaremos a existência, ou
não, de capítulo sobre o PFC.

Como todas as coleções foram disponibilizadas na forma digital, não analisaremos


detalhes como a encadernação, coloração e o tipo papel utilizado nos livros.

Gostaríamos de destacar a relevância que, para nós possui a avaliação/análise das


atividades propostas pelos autores: nesse ponto, pretendemos verificar se as mesmas
podem ser enquadradas como problemas ou como exercícios. Entendemos que a
Análise Combinatória permite que se explore, ricamente, a Resolução de Problemas,
39

uma vez que, para resolvê-los, podemos utilizar a enumeração, árvore de


possibilidades, esgotamento utilizando software, entre outros.

Portanto, buscaremos identificar se os autores propõem situações que possam ser


resolvidas usando mais de uma possibilidade de enumeração – desde as mais
“simples”, como a construção da árvore de possibilidades, até as mais “complexas”,
envolvendo os Princípios Aditivo e Multiplicativo, uma vez que

[...] Além dos caminhos menos formais para as resoluções dos problemas
combinatórios, o uso de diversificados recursos didáticos nessa etapa de
escolarização auxilia no desenvolvimento do raciocínio combinatório, sendo
a ludicidade e a atratividade visual fatores em comuns a esses recursos [...]
(GADELHA; BORBA; MONTENEGRO, 2020, p. 420).

Quadro 4 – Categoria de Análise

CATEGORIA Descrição Pontos a serem observados

Existe capítulo sobre o PFC?


I Estrutura do Livro
Caso não exista um capítulo sobre PFC, é feita alguma
abordagem a seu respeito em algum outro capítulo?

O PFC é definido formalmente?


II PFC
Foi abordado em algum outro conteúdo?

Exercícios ou Problemas?

As atividades são adequadas para a faixa etária dos


alunos? São desafiadoras?
III Aspectos Metodológicos
Abordam situações reais?

Existem problemas que envolvam Investigação?

Exploram, de fato, o PFC?

Abordam outros conteúdos que envolvam


IV Atividades sobre o PFC
o PFC?

Permitem outras formas de resolução?


Fonte: Elaborado pelo autor (2021)

5.2.1 – Coleção 1

Nos primeiros contatos que tivemos para conhecermos o material, percebemos que
seria interessante explorar o manual do professor. Chegamos a essa conclusão após
percebermos que tal material aborda alguns fatores que vamos discutir ao longo de
nossa análise.
40

Assim, iniciamos a análise da coleção pelo que o autor define como “Organização do
Pensamento”: trata-se de um quadro onde são divididos os conteúdos e como é feita
sua distribuição nos quatro volumes da coleção. O autor divide seus conteúdos nos
seguintes quadros:

✓ Pensamento Numérico.
✓ Pensamento Geométrico Espacial e métrico.
✓ Representações e localização.
✓ Medidas.
✓ Pensamento proporcional.
✓ Álgebra.
✓ Pensamento estatístico e probabilístico.

Encontramos o objeto de nosso estudo, o Princípio Multiplicativo, no quadro


“pensamento estatístico e probabilístico”, apresentado na figura 1:

Figura 01 - Organização do pensamento por Bigode

Fonte: (Bigode, 2015, p. 344)

Pelo exposto, podemos perceber que o livro do sexto ano é o único que apresenta um
tópico específico tratando dos problemas combinatórios.

Nesse livro, o primeiro contato com os problemas combinatórios envolvendo umas das
ideias associadas à multiplicação.
41

Figura 02 - Ideia de combinação pela multiplicação

Fonte: (Bigode, 2015, p. 49)

Para resolver a situação, o autor apresenta uma disposição da multiplicação


retangular, está ideia organiza os elementos a serem multiplicados em forma de
retângulo.

Figura 03 – Disposição Retangular

Fonte: (Bigode, 2015, p. 49)

Na sequência são propostas duas atividades: na primeira, os alunos devem criar um


problema de combinatória relacionado com a ideia da multiplicação; na segunda, uma
atividade semelhante ao exemplo, porém com opções de escolha entre blusas e saias.

Figura 04 – Exemplo - 26
42

Fonte: (Bigode, 2015, p. 50)

Analisando os livros da coleção, conforme nossa categorização, percebemos que, no


que se refere à categoria I, além de existir capítulo sobre o nosso objeto de estudo,
este, quando abordado em outro conteúdo, é feito de forma breve.

Quanto às categorias II e IV, percebemos que inexiste uma definição para o PFC. Em
certa medida, o autor utiliza-o dentro do conteúdo de Probabilidade. Mas, nesse caso,
os exemplos sugeridos, mesmo que possuam um nível adequado para a faixa etária
a que se destina, ou são resolvidos pelo uso de imagem e ou pela disposição
retangular.

Percebemos que os exercícios propostos que procuram abordam situações do


cotidiano, não apresentam problemas reais para o aluno, exigindo que utilizasse seus
conhecimentos matemáticos para resolvê-los.

Verificamos na coleção que, em algumas atividades, é sugerido o uso de


metodologias específicas, como por exemplo, no livro do sétimo ano, onde é
apresentada a ideia da Resolução de Problemas apresentada por George Polya com
uma breve explicação sobre a metodologia. Para o nosso objeto de estudo, nenhuma
metodologia de ensino foi proposta.
43

Figura 05 – Metodologia

Fonte: (Bigode, 2015, p. 45)

5.2.2 - Coleção 2
O primeiro livro da coleção (livro do sexto ano) propõe, numa primeira abordagem
sobre o objeto de nosso estudo, uma ligação entre números naturais e raciocínio
combinatório. Para isso, trabalha com o levantamento de possibilidades, conforme
podemos observar na figura 6.

Figura 06 - Primeiro contato

Fonte: (Dante, 2015, p. 30)

Esta imagem apresenta a explicação fornecida pelo autor para a questão.


Posteriormente são propostos exercícios e problemas, dentre os quais gostaríamos
de destacar os seguintes:
Figura 07– Exercício 46

Fonte: (Dante, 2015, p. 30)


44

Figura 08 - Exercício 51

Fonte: (Dante, 2015, p. 30)

Entendemos que, nessas duas atividades, o autor utiliza a segunda parte do Princípio
Multiplicativo – conforme o referencial que adotamos - onde são utilizados elementos
distintos de um mesmo conjunto. Talvez por tratarem de situações diferentes das
normalmente utilizadas – frequentemente combinam-se dois elementos pertencentes
a dois conjuntos distintos - o autor propôs o levantamento de possibilidades com uso
de tabela.

Figura 09 – Exercício 50

Fonte: (Dante, 2015, p. 30)

Para responder ao exercício proposto precisamos calcular o número de subconjuntos


de dois elementos podem ser formados com elementos do conjunto {F, A, S, R e L};em
outras palavras, precisamos calcular o número de combinações simples usando dois
dos cinco elementos disponíveis. A nosso ver, o autor extrapolou (e muito) a proposta
de trabalhar com o Princípio Multiplicativo, trazendo para a discussão um caso em que
a ordem dos elementos não deve ser considerada.
45

Figura 10 – Raciocínio Lógico

Fonte: (Dante, 2015, p.30)

Ao propor diferentes exercícios que transcendem o Princípio Multiplicativo – nesse


caso a questão associada ao “Princípio da Casa dos Pombos” – o autor parece buscar
uma linha que leve ao desenvolvimento do pensamento combinatório. Consideramos
louvável, caso esta seja, de fato, a intenção do autor: entretanto, pensamos ser
importante que o professor esteja ciente desta proposta e a coloque em prática pois,
do contrário, esse conjunto de atividades não fará sentindo algum para os alunos.

No livro do sexto ano, ao trabalhar a Multiplicação, o autor apresenta as ideias


associadas a essa operação. Em particular, ao explorar a ideia de multiplicação como
o número de possibilidades ou combinações, o autor volta a trabalhar, de certo modo,
o Princípio Multiplicativo, como podemos observar na figura 11.

Figura 11 - Associação com multiplicação

Fonte: (Dante, 2015, p. 52)


46

O livro do sexto ano também apresenta algumas aplicações do Princípio


Multiplicativo em situações do cotidiano, conforme pode ser visto na figura 12.
Figura 12 - Curiosidade

Fonte: (Dante, 2015, p. 52)

Pensamos que exemplos como esse são importantes pois mostram que a Matemática
estudada na escola não está restrita a ela, algo que muitas vezes não é percebido
pelos alunos. Mais uma vez, afirmamos que é preciso que o professor apresente e
discuta situações como essa, aproveitando as situações propostas pelo autor e
inserindo outras que julgar pertinente.

Anexo ao livro do sexto ano existe um caderno de atividades para uso do professor;
neste material identificamos apenas três atividades envolvendo o cálculo do número
de possibilidades, que apresentaremos nas figuras 13, 14 e 15.

Figura 13 – Números naturais e possibilidades

Fonte: (Dante, 2015b, p. 07)

Para nós, essa é mais uma atividade extrapola o Princípio Multiplicativo: ainda que
possamos obter trinta e seis (36) duplas ordenadas, teremos apenas onze (11) somas
distintas. Como a questão requer, além do conhecimento da propriedade comutativa
da adição, a percepção de que duplas distintas podem apresentar uma mesma soma,
47

o professor deve analisar o seu uso com bastante prudência, evitando situações que,
no futuro, possam se tornar obstáculos para a aprendizagem dos alunos.

Figura 14 – Caderno de Atividades - 29

Fonte: (Dante, 2015b, p. 20)

Nesta atividade, inicialmente, destacamos que o autor opta pela palavra distribuir, o
que indica que os envelopes podem conter quantidades diferentes de adesivos – caso
o autor tivesse usado dividir, pensamos que cada envelope deveria receber três
adesivos. Por isso, a ação de observar o número de maneiras distintas de fazer tal
distribuição, a nosso ver, exige uma capacidade de pensamento (e organização!) que
podem fazer com que a questão não se constitua como um problema.

Além disso, a nosso ver, falta uma informação relevante: os adesivos são iguais? Caso
sejam, o número de maneiras será uma; caso não, a resposta será bem maior, pois
não levará em conta apenas a quantidade de adesivos, mas quais adesivos estão
colocados em cada envelope.

Não sabemos se o autor, intencionalmente, disponibilizou tal questão visando o


desenvolvimento do pensamento combinatório, ou se não percebeu as minúcias da
questão. Qualquer que seja a hipótese, reforçamos que, a nosso ver, a questão está
em nível bem acima do que julgarmos ser compatível para o trabalho com alunos
dessa faixa etária.

Figura 15 – Caderno de Atividades - 30

Fonte: (Dante, 2015b, p. 21)


48

Trabalhando com a hipótese de que os adesivos são iguais, inicialmente podemos


pensar em dezenove soluções diferentes, já que o primeiro envelope pode conter de
um a dezenove adesivos. Entretanto, como os envelopes são iguais, algumas
respostas aparecem repetidas – colocar cinco adesivos no primeiro envelope e quinze
no segundo ou quinze no primeiro e cinco no segundo não faz diferença. Assim, o
primeiro envelope pode conter de um a dez envelopes, ou seja: existem dez maneiras
distintas.

Mais uma vez entendemos que a capacidade de organização e o tipo de pensamento


envolvidos na questão estão acima do que normalmente é proposto para essa faixa
etária. Importante destacar que, em hipótese alguma, julgamos que os alunos não
possam resolver tais questões: nosso ponto não é esse. Defendemos que o autor, ao
propor uma questão (ou um conjunto de questões), deve explicitar qual o seu
propósito, para que o professor possa optar pela sua aplicação (ou não).

No livro do sétimo ano, ao iniciar o capítulo de Noções de Estatística e Probabilidade,


o autor apresenta a árvore de possibilidades (ou diagrama da árvore) como um
instrumento que pode ser utilizado para a enumeração das possibilidades (figura 16).

Figura 16 – Exercício 40

Fonte: (Dante, 2015, p. 292)


49

Consideramos salutar a maneira como o autor propôs a pergunta da letra a: a ordem


da pergunta – quantas e quais – deixa a dica sobre a possibilidade de se calcular
quantas são sem ter a necessidade de saber quais são. Este é exatamente o propósito
da Análise Combinatória: calcular o número de elementos de um conjunto sem ter
que, necessariamente, enumerá-los. Novamente, a orientação do autor é
fundamental: o professor deve insistir para que o aluno primeiro calcule e só então
enumere, permitindo que este desenvolva seu pensamento combinatório.

Também pensamos que resolver este tipo de questão nessa ordem, respondendo
primeiro a quantos para só então determinar quais, pode reforçar a validade e a
eficácia do Princípio Multiplicativo, encorajando o aluno a aplica-lo em situações onde
o número de possibilidades o desencoraje a montar cada uma delas.

No livro do oitavo ano não foram encontrados conteúdos que utilizassem, diretamente,
o Princípio Multiplicativo, ou que permitissem o professor fizesse uso dele.

Por fim, no livro do nono ano, o capítulo 09 – Estatística, Combinatória e Probabilidade


apresenta um breve texto sobre a história da Combinatória, destacando que esta
última é uma área da Matemática relacionada ao cálculo do número de um conjunto.
Neste mesmo texto também são apresentados nomes ligados ao desenvolvimento da
Análise Combinatória, tais como, Niccolo Fontana, vulgo Tartaglia (1500-1557), Pierre
de Fermat (1601-1665) e Blaise Pascal (1623,1662).

Após este texto, no subcapítulo 3, é apresentado o Princípio Multiplicativo ou Princípio


Fundamental da Contagem. Inicialmente, o autor propõe uma situação onde uma
jovem deseja saber de quantos modos pode ela pode escolher uma blusa e uma saia,
sabendo que ela dispõe de três blusas e duas saias.

Destacamos que o autor apresenta duas formas de resolução do problema


exemplificado, por meio da tabela e por meio da árvore de possibilidades, conforme
podemos observar nas figuras:
50

Figura 17 - Resolução por meio de tabela

Fonte: (Dante, 2015, p. 348)

Figura 18 - Resolução utilizando árvore de possibilidades

Fonte: (Dante, 2015, p. 349)

Após a resolução do exercício é apresentada a definição do Princípio Fundamental da


Contagem, como mostra a figura 19.
51

Figura 19 - Definição do PFC

Fonte: (Dante, 2015, p. 349)

A definição apresentada pelo autor aborda apenas a primeira parte do Princípio


Multiplicativo (de acordo com o nosso referencial teórico). Entretanto, como vimos
anteriormente, em diferentes momentos, o autor propõe, a nosso ver, diferentes
situações que envolvem a segunda parte do Princípio Multiplicativo. Pensamos que
optar pelo ensino do Princípio Multiplicativo dividido em duas partes favorece uma
compreensão de todo o conteúdo que já foi ensinado, auxiliando no desenvolvimento
do raciocínio do aluno com vistas aos demais conteúdos que estão por vir (e que
façam uso deste princípio).

Ainda sobre o Princípio Multiplicativo, o autor propõe uma situação – figura 20 – na


qual ele deve ser aplicado em mais de duas decisões: no caso, um aluno deve optar
por um sabor de sorvete, um tipo de recipiente e uma cobertura

Figura 20- Exercício 35

Fonte: (Dante, 2015, p. 350)

Entendemos que, com esse exemplo, o autor aponta um exemplo do cotidiano em que
devemos aplicar o Princípio Multiplicativo, mesmo que muitas vezes seja direto, como
52

escolhas de prato em um restaurante, a Matemática está presente em todos os


ambientes.

Analisando a coleção 2, de acordo com o Quadro de Categorias que criamos,


podemos considerar que, na categoria I, além de existir, na Coleção, um capítulo
sobre o tema desta pesquisa, ele também é abordado junto com outro conteúdo
(Estatística e Probabilidade).

Em relação às categorias II e IV percebemos durante a sua abordagem do Princípio


Multiplicativo, o autor faz uso de imagens, coloridas e com boa apresentação, podem
ser entendidas como elementos que auxiliam na sua compreensão. Em outro
conteúdo sempre foi abordado como número de possibilidades a ser quantificada e
revelada. O uso de imagens e exemplos sempre bem apresentáveis, coloridos e de
fácil entendimento.

Avaliando a categoria III, inferimos que os exercícios são adequados para a faixa
etária dos estudantes. Algumas atividades extras requerem um nível mais elevado de
desenvolvimento do pensamento combinatório, constituindo, ao nosso ver, problemas
(de fato). Ainda sobre a categoria III, manual do professor apresenta algumas
tendências em Educação Matemática (e que podem ser seguidas pelo professor):
Resolução de Problemas, Modelagem Matemática, Investigação Matemática, o uso
das Tecnologias da informação.

É possível perceber que o autor tenta utilizar a Resolução de Problemas como


metodologia. Também merece destaque as citações históricas que faz ao longo da
obra, mostrando a evolução da Matemática ao longo dos anos.

5.2.3 – Coleção 3
Diferente das demais coleções, essa coleção apresenta o manual do professor nas
partes iniciais todos os livros onde o autor começa explanando sobre a aulas mais
práticas trazendo os alunos como protagonistas são mais adotadas, mostra que a
coleção está atenta aos estudos da Educação Matemática e também as mudanças
propostas pela BNCC, inclusive organiza seus capítulos, conforme as Unidades
Temáticas adotadas pelo documento, sendo: Números, Álgebra, Geometria,
Grandezas e Medidas, Probabilidade e Estatística.
53

Em todos os livros (destinados aos professores) existe uma faixa lateral contendo
orientações didáticas. Nessas orientações por exemplo, existem situações que podem
ser trabalhadas em sala de aula; as habilidades, de acordo com a BNCC, estão sendo
desenvolvidas no capítulo ou atividade proposta; quais relações com outros conteúdos
podem ser feitas pelo professor, entre outros.

O capítulo 2 do livro do sexto ano – Operações com números aborda o conteúdo de


Multiplicação, dentro das Unidades Temáticas de Números e Álgebra. É neste capítulo
que encontramos as primeiras sugestões do autor para o início do trabalho com o
Princípio Multiplicativo: são dois exercícios que trabalham a multiplicação de números
naturais e apresentam à árvore de possibilidades e o quadro de possibilidades,
sugerindo dois modos de resolução dos exercícios propostos.

Figura 21 – Exercício “Comum”

Fonte: (Souza, 2018, p. 52)

Um exercício é “comum” questionando ao aluno combinações entre sucos e lanches


na confecção de um cartaz para cantina da escola, já o outro é resolvido de três
maneiras e questiona a quantidade de fichas necessárias na realização de um jogo.

Figura 22 - Confeccionando um jogo

Fonte: (Souza 2018, p.51)


54

Ainda que não exista uma previsão para o trabalho com o Princípio Multiplicativo ao
longo do livro do sétimo ano, percebemos que, no capítulo 08 – Estatística e
Probabilidade, dentro das orientações didáticas é sugerido ao professor (e ao aluno)
que trabalhe com a árvore de possibilidades para resolver as atividades. Um exemplo
de atividade proposta com tal sugestão pode ser visto na figura 23.

Figura 23 - Atividades

Fonte: (Souza, 2018, p. 246)

Já no livro do oitavo ano, o autor propõe o uso do Princípio Multiplicativo dentro de


duas Unidades Temáticas: Números e Probabilidade e Estatística. As unidades são
tratadas dentro do capítulo 7 – Estatística e Probabilidade,

Com o objetivo de comprovar que a soma de todas as probabilidades de um evento é


igual a 1, o autor propõe um jogo de tabuleiro onde deve sorteado, por meio de duas
roletas, um dos membros (mão esquerda, mão direita, pé esquerdo e pé direito) e uma
cor (dentre três disponíveis).

Figura 24 - Uso da multiplicação

Fonte: (Souza, 2018, p.216)


55

Com a construção da árvore de possibilidades o autor busca demonstrar que a


1
probabilidade de retirar um membro e uma cor é de ; logo, ao realizarmos a adição
12

de todos os resultados possíveis, obtemos 1 como resultado.

No livro do nono ano, o autor apresenta algumas atividades que envolvam Princípio
Multiplicativo no capítulo 07 – Estatística e Probabilidade. Destacamos um exercício
onde os alunos devem realizar um seminário e uma pesquisa, sendo que a distribuição
do tema e do grupo será realizada através de um sorteio.

Figura 25 - Representação por meio da árvore de possibilidades

Fonte: (Souza, 2018, p. 215)

Nas orientações didáticas propostas para o autor, ele sugere ao professor que
também mostre que o exercício pode ser resolvido utilizando o PFC através da
multiplicação de 4 temas do primeiro sorteio x 4 temas do segundo sorteio, sendo
assim, mais uma vez a árvore de possibilidades foi utilizada para resolução de um
exercício.

O livro contém uma sugestão de material audiovisual sobre o Princípio Multiplicativo,


mas não conseguimos acessá-los por meio dos links indicados.

Utilizando nosso quadro de análise, em relação à categoria I, notamos que, apesar de


não existir um capítulo que trate apenas do Princípio Multiplicativo, a coleção, em 3
dos 4 livros, o aborda, inserindo-o tema de Estatística e Probabilidade.
56

Sobre a categoria II, mesmo que o conteúdo não seja tratado especificamente dentro
de um tópico, sempre é sugerido ao professor que este seja trabalhado, quer seja por
meio de exemplos, quer seja por meio de orientação. A coleção, que não apresenta
nenhuma definição relativa ao Princípio Multiplicativo, sempre utiliza a árvore de
possibilidades para a enumeração de casos possíveis em uma dada situação.

Encontramos de poucos exercícios, porém essas atividades exploram diferentes


formas de resolução, apresentam um nível compreensão adequado para idade e,
geralmente, se assemelham aos que foram resolvidos pelo autor. As atividades
propostas pelo autor também não apresentam uma preocupação com a Investigação
Matemática.

5.2.4 – Coleção 4
A coleção apresenta um formato que visa facilitar o papel do professor em relação à
montagem do plano de aula, as escolas da rede pública Estadual que foram realizados
os estágios, existe um padrão na montagem do plano de aulas que devem possuir a
habilidade da atividade seguindo a proposta da BNCC, e nesta coleção todos os livros
apresentam as competências e habilidades a serem desenvolvidas com as atividades
propostas, dando orientações sobre as atividades, com informações dizeres e
orientações da BNCC.

No Manual do Professor, os autores decidiram apresentar de maneira breve algumas


tendências que são utilizadas ao longo da coleção, sendo Modelagem, Resolução de
Problemas, Tecnologias Digitais: suas potencialidades no ensino e na aprendizagem
e Comunicação nas Aulas de Matemática.

Ainda no manual e ao longo dos capítulos do livro, os autores destacam um quadro


de habilidades com a competência e a descrição de cada habilidade a ser
desenvolvida por ano, Unidade Temática e Objeto de Conhecimento, no quadro de
habilidade do sexto ano não foram encontrados orientação sobre o Princípio
Multiplicativo. Podemos considerar que o exemplo a seguir, do livro do sexto ano se
enquadra dentro da Unidade Temática - Números e teve como objeto de
conhecimento e habilidades:
57

Figura 26 - Habilidade Sexto Ano

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. XVI)

A primeira situação envolvendo o Princípio Multiplicativo está no capítulo 3 –


Multiplicação, do livro do sexto ano. Nessa situação é perguntado o número de
maneiras de se escolher um sabor de sorvete e uma cobertura figura 27.

Figura 27 - Escolha de Sorvete

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. 49)

Interessante destacar que, inicialmente, o autor utiliza a soma de parcelas iguais –


uma das possíveis interpretações para a multiplicação - para resolver a situação
(figura 27). E, uma vez resolvida a situação, utiliza-a para apresentar a combinação
como uma forma de multiplicação (figura 28).

Figura 28 - A combinação como uma multiplicação

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. 49)

Ao longo de toda a coleção os autores buscam interagir com o professor, apontando


possíveis métodos de resolução e/ou maneiras de sanar algumas dúvidas que
58

possam durante a resolução das atividades propostas. A título de ilustração,


apresentamos, nas figuras 29, 30 e 31 algumas orientações dadas pelos autores a
respeito da situação discutida anteriormente – escolha de sorvete e cobertura.

Figura 29 - Método didático

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. 49),

Figura 30 - Escolhendo o método para resolução

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. 49)

Figura 31 – Exemplo viável para multiplicação

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. 49)


59

Toda essa discussão foi feita dentro do capítulo de Multiplicação. Talvez, por isso,
conseguimos identificar apenas um exercício, semelhante ao exemplo, para resolução
dos alunos.

Figura 32 – Exemplo de Exercício – Sexto Ano

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. 51)

Nos livros do sétimo e nono ano dessa coleção não foram encontrados conteúdos que
explorem, diretamente ou indiretamente, o Princípio Multiplicativo

No livro do oitavo ano, o capítulo 07, que aborda Contagem, Probabilidade e


Estatística, apresenta a proposta de desenvolver a habilidade ligada à resolução de
problemas de contagem.

Figura 33 – Habilidade utilizada pelo autor

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. XXI)

Ainda que a proposta envolva o desenvolvimento de uma habilidade ligado ao


Princípio Multiplicativo (Figura 32), os autores não se preocuparam em apresentar
uma definição do que vem a ser tal princípio. Embora sejam apropriados os exemplos
apresentados - possibilidades de escolhas de sucos e lanches, ou de carne e
acompanhamentos - ambos resolvidos por meio da árvore de possibilidades,
entendemos que a não apresentação (formal) do Princípio Multiplicativo acaba por
não auxiliar na percepção de que tal processo pode ser usado em outras situações.

Analisando a coleção 4 de acordo com as categorias de análise propostas, com


relação às categorias I e II, pudemos perceber que os autores apresentam um capítulo
sobre o Princípio Multiplicativo. Entretanto, não podemos deixar de apontar que a ideia
de combinação é pouco explorada na discussão sobre multiplicação. Além disso,
60

apesar de ser apresentado na coleção, reforçamos que não existe uma


explicação/definição sobre o que é o Princípio Multiplicativo.

No que se refere às habilidades a serem desenvolvidas no sexto ano nenhuma está


relacionada ao pensamento combinatório. Porém, os autores apontam que no capítulo
03 – Multiplicação, um dos objetivos é discutir as diferentes ideias da multiplicação –
figura 31. Sobre isso, nos questionamos se, nesse processo, já não poderiam ser
iniciadas discussões envolvendo, explicitamente, o Princípio Multiplicativo.

Figura 34 – A organização retangular utilizada no raciocínio combinatório

Fonte: (Júnior e Castrucci, 2018, p. 48)

Durante a análise das categorias III e IV, verificamos que os exemplos apresentados
são de fácil entendimento, não chegando representar, a nosso ver, um desafio para
os sendo desafiador aos alunos, não identifiquei nenhuma metodologia aplicada nos
tópicos analisados e tampouco dão margem para investigação, aborda situações do
cotidiano de maneira simples, utilizam imagens e tabelas para resolverem os
problemas, conforme podemos verificar abaixo:

Figura 35 – Exemplo de atividade – Oitavo Ano

Fonte: Júnior e Castrucci (A Conquista da Matemática, 2018, p. 204)


61

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escrita deste capítulo exigiu que fizéssemos uma reflexão sobre cada uma das
etapas vividas. Dentro desse contexto, antes de nos debruçarmos, efetivamente,
sobre a pesquisa conduzida, gostaríamos de lembrar, mais uma vez, as adaptações
que tivemos que fazer devido à Pandemia da Covid-19. Nossa proposta inicial de
pesquisa, construída ao longo de dois semestres, teve que ser abandonada: a
intervenção em sala de aula foi substituída pela análise de livros didáticos – hipótese
viável em épocas pandêmicas. Porém, esperamos que este abandono seja provisório:
ainda mantemos o desejo de implementarmos um conjunto de atividades visando o
desenvolvimento do pensamento combinatório, por meio do trabalho com o Princípio
Multiplicativo, envolvendo alunos dos anos finais do Ensino Fundamental.
Entendemos que a pesquisa que conduzimos nos fez vislumbrar novas possibilidades
de implementação e condução do conjunto de atividades que pretendemos
desenvolver: resta-nos, agora, aguardar pelo momento de implementá-las.
Sobre a pesquisa que ora se encerra, pensamos que nosso Objetivo Geral“ Analisar
as abordagens utilizadas por livros didáticos de Matemática dos anos finais do Ensino
Fundamental para a discussão do Princípio Fundamental da Contagem” - foi
alcançado. De fato, analisamos quatro coleções, de diferentes autores, que
apresentaram diferentes abordagens para o trabalho com o Princípio Fundamental da
Contagem.
No caminho percorrido, inicialmente nos propusemos a discutir, do ponto de vista
matemático, o que vem a ser o Princípio Multiplicativo (ou Princípio Fundamental da
Contagem). Nossa opção por apresentá-lo em duas partes deve-se à uma opção
metodológica: entendemos que tal construção pode contribuir para o entendimento
futuro do conteúdo de Análise Combinatória, cujo ensino, quase sempre, está
baseado, apenas, na diferenciação entre “Arranjos e Combinações”, e na
memorização de suas fórmulas.
Como nosso processo de análise tinha, como foco, o livro didático, julgamos ser
pertinente apresentar, ainda que de forma breve, um pouco do histórico, em nosso
País, a respeito deste instrumento. Pensamos que muitos leitores podem se
surpreender que a ideia do PNLD não seja tão moderna quanto alguns gestores de
órgãos públicos tentam dar a entender.
62

Também não poderíamos deixar de consultar os documentos oficiais a respeito do


trabalho com o Princípio Multiplicativo durante o Ensino Fundamental. Gostaríamos
de justificamos a maior ênfase dada à BNCC entendemos que, no momento de escrita
deste trabalho, ela se constituía como a legislação a ser cumprida.
Somente após concluídas essas etapas é que voltamos nossa atenção para os livros.
Aliás, aqui reside uma limitação da pesquisa que gostaríamos de ressaltar: devido às
restrições impostas pela Pandemia da Covid-19 para o funcionamento das escolas,
tivemos dificuldades de acesso à diferentes obras. Felizmente, tivemos opção de
escolha das obras, mas entendemos que, caso as escolas estivessem funcionando, o
leque de opções seria maior.
Quanto às obras analisadas, nosso destaque vai para a heterogeneidade de
abordagens apresentadas. Em certa medida, isso era esperado: pessoas diferentes
podem ter visões diferentes. Entretanto, o que mais chamou nossa atenção foi a
diferença encontrada naquilo que podemos chamar de “imersão no conteúdo”: se nas
coleções 3 e 4 os autores optaram por uma abordagem mais “rasa”, na coleção 2 a
opção foi por um detalhamento maior – nessa coleção pudemos encontrar exemplos
que nos remeteram à opção teórica que fizemos a respeito do Princípio Multiplicativo.
Mesmo com essa heterogeneidade citada, vislumbramos um ponto de convergência
nas coleções: a valorização da ideia da operação de Multiplicação como uma
Combinação. Entendemos que se tal ideia for, de fato, explorada, consequentemente,
o Princípio Multiplicativo, ou pelo menos aquilo que chamamos de parte A, está sendo
trabalhado.
Porém, essa convergência traz consigo uma preocupação: ainda que seja a intenção
dos autores que a ideia de Multiplicação como Combinação seja apresentada e
discutida, pairam dúvidas sobre a ocorrência disso em sala de aula. Entre a indicação
do autor e o trabalho do professor existe uma enorme distância: quem, realmente, dá
vida à escrita do autor é o professor em sala – e, muitas vezes, este não segue o
roteiro previsto pelo autor (para os que desejarem, este pode ser um tema de pesquisa
a ser conduzida).
Longe de responsabilizarmos o professor por um possível fracasso, nossa afirmação
pretende lançar ainda mais luz para o processo formativo do professor: não basta
apenas entregar o livro na mão do professor e mandá-lo para a sala de aula.
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Precisamos permitir que ele estude a proposta apresentada pelo autor, que discuta
com colegas, que, de fato, compreenda a proposta, para só então a implementar em
sala de aula. Se continuarmos a não permitir que os professores tenham esse tempo,
continuaremos vendo professores que se limitarão a apresentar as fórmulas de
Arranjos e Combinações em situações que não despertem o espírito investigativo dos
estudantes.
Enquanto futuro professor, entendo que minhas ações não transformarão o mundo,
mas podem transformar as pessoas que, juntas, poderão transformar os seus próprios
mundos. Vejo a Educação Matemática Crítica como uma possibilidade para atingirmos
uma Educação de Qualidade; e, para isso, precisamos de qualidade no conteúdo,
qualidade no ensino e material de qualidade. Espero prosseguir nessa linha de
pesquisa, sem pretender mudar o mundo, mas auxiliando nas mudanças que
estiverem ao meu alcance.
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