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Resolução de Problemas em Matemática

O documento aborda a resolução de problemas em matemática, abrangendo tópicos como conjuntos, lógica, relações, funções e números. Inclui resumos, exercícios e referências bibliográficas para aprofundamento. A última atualização foi em junho de 2025.

Enviado por

22200959
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Resolução de Problemas em Matemática

O documento aborda a resolução de problemas em matemática, abrangendo tópicos como conjuntos, lógica, relações, funções e números. Inclui resumos, exercícios e referências bibliográficas para aprofundamento. A última atualização foi em junho de 2025.

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Resolução de Problemas (MAT045)

Bhalchandra D. Thatte, UFMG

Última atualização: 21 de junho de 2025

Sumário
0 Introdução 2
0.1 Bibliográfia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2

1 Conjuntos e lógica 2
1.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.3 Comentários e exemplos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5

2 Relações e funções 5
2.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6

3 Números naturais e números inteiros 7


3.1 Números naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
3.2 Números inteiros . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
3.3 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

4 Método de indução matemática 10


4.1 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

5 Números racionais, números reais e números complexos 11


5.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
5.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

6 Polinômios e frações de polinômios 13


6.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
6.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

7 Estruturas algebricas 14
7.1 Monoids, grupos, anéis e corpos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
7.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15

8 Polinômios: raízes e gráficos 15


8.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
8.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19

9 Exercícios - Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 1, 9a edição, 2013 20

10 Função exponencial 21
10.1 Exercícios do livro Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 2 (Edição 10, 2013) . . . . . . . . . . . 23

11 Função logaritmica 23
11.1 Definição e propriedades da função logaritmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
11.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

1
0 INTRODUÇÃO 2

12 Permutações, combinações e o teorema binomial 24


12.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
12.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

13 Geometria 1 - postulados de Euclides e noções básicas 27

14 Geometria 2 - triângulos 28
14.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
14.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30

15 Geometria 3 - circunferências 36
15.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
15.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39

16 Trigonométria 44
16.1 Resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
16.2 Exercícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

0 Introdução
0.1 Bibliográfia
1. Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 1 (Edição 9, 2013) - conjuntos, lógica, funções, etc.

2. Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 2 (Edição 10, 2013) - logaritmos e a função exponencial

3. Dan Avritzer, Hamilton Prado Bueno, Marília Costa de Faria, Ângela Maria Vidigal Fernandes, Maria Cristina
Costa Ferreira, e Eliana Farias e Soares. Fundamentos de Álgebra, UFMG. - Capítulo 2, Indução e Boa
Ordenação.

4. Serge Lang. Basic Mathematics, Adison Wesley Publishing Company Inc., 1971.

1 Conjuntos e lógica
1.1 Resumo
1. N := {0, 1, 2, . . .} – o conjunto dos números naturais.

2. P := {2, 3, 5, 7, 11, 13, . . .} – o conjunto dos números primos.

3. Z := {. . . , −2 − 1, 0, 1, 2, . . .} – o conjunto dos números inteiros.

4. Q := o conjunto dos números racionais (frações a/b onde a, b são números inteiros e b ̸= 0).

5. R := o conjunto dos números reais (números racionais, números irracionais como, por exemplo, 2, π, e).

6. C := o conjunto dos números complexos (os números da forma a + ib, onde a, b são números reais e i = −1).

7. Z+ , Q+ , R+ – números positivos nos conjuntos Z, Q, R, respetivamente.

8. Em Q, escrevemos [a, b] := {x ∈ Q | a ≤ x ≤ b} (intervalo fechado), [a, b) := {x ∈ Q | a ≤ x < b} (intervalo


semi-aberto), (a, b] := {x ∈ Q | a < x ≤ b} (intervalo semi-aberto), (a, b) := {x ∈ Q | a < x < b} (intervalo
aberto). Analogamente, em R.

Nós consideramos todos os conjuntos como subconjuntos de um universo U . Seja A, B, C conjuntos (subcon-
juntos de U ). As seguintes definições e as notações são importantes.
9. ∅ := o conjunto vazio (não contem nenhum elemento).

10. a ∈ A – a pertence ao conjunto A ou a é um elemento do conjunto A. Por exemplo, 2 ∈ {2, 3, 4}.

11. a ̸∈ A – a não pertence ao conjunto A ou a não é um elemento do conjunto A. Por exemplo, 2 ̸∈ {3, 4}, 2 ̸∈ ∅.
1 CONJUNTOS E LÓGICA 3

12. A ⊆ B – A é subconjunto de B, isto é, todo elemento de A é um elemento de B. Também escrevemos B ⊇ A.


Por exemplo, se A := {1, 2} e B := {1, 2, 3}, então A ⊆ B.

13. Se A ⊆ B mas A ̸= B, escrevemos A ⊂ B ou A ⊊ B. Dizemos que A é subconjunto próprio de B.

14. A ̸⊆ B – A não é subconjunto de B; equivalentemente, existe algum elemento de A que não é elemento de
B. Por exemplo, se A := {1, 2} e B := {1, 3}, então A ̸⊆ B. Analogamente, A ̸⊂ B significa que A não é
subconjunto próprio de B.

15. A ∪ B, chamado a união dos conjuntos A e B, é o conjunto de todos os elementos x em U tais que x é
elemento de A ou é elemento de B (x pode ser elemento dos dois conjuntos).

16. A ∩ B, chamado a intersecção dos conjuntos A e B, é o conjunto de todos os elementos x em U tais que x é
elemento de A e é elemento de B.

17. A ou AC , chamado o complemento do conjunto A, é o conjunto de todos os elementos de U que não pertencem
ao conjunto A. Por exemplo, U C = U = ∅, ∅C = ∅ = U .

18. A \ B é o conjunto de todos os elementos em A que não pertencem em B. Por exemplo, seja A := {1, 2, 3} e
B := {3, 4}; então A \ B = {1, 2} e B \ A = {4}.

19. A △ B := (A \ B) ∪ (B \ A) é chamado a diferência simétrica dos conjuntos A e B. Por exemplo, seja


A := {1, 2, 3} e B := {3, 4}; então A △ B = {1, 2, 4}.

20. A×B – produto cartesiano dos conjuntos A e B, isto é, o conjuntos de todos os pares ordenados (a, b) onde a ∈
A e b ∈ B. Por exemplo, seja A := {1, 2, 3} e B := {3, 4}. Então A×B = {(1, 3), (1, 4), (2, 3), (2, 4), (3, 3), (3, 4)}.

21. Dado um conjunto A, denotamos por 2A o conjunto de partes de A, isto é, o conjunto de todos os subconjuntos
de A.

22. |A| – cardinalidade do conjunto A. Para conjuntos finitos, a cardinalidade de A é o número de elementos em
A. (Essa ideia é um pouco complicada no caso de conjuntos infinitos.)
Teorema 1.1. Regras de De Morgan: Seja A, B conjuntos. Temos que

A∪B =A∩B (1)


A∩B =A∪B (2)

Teorema 1.2. Distributividade: Seja A, B, C conjuntos. Temos que

A ∪ (B ∩ C) = (A ∪ B) ∩ (A ∪ C) (3)
A ∩ (B ∪ C) = (A ∩ B) ∪ (A ∩ C) (4)

23. ∀ – para todo. Por exemplo, para todo x em {2, 3, 5}, x é um número primo; em símbolos (∀x ∈ {2, 3, 5})(x ∈
P).

24. ∃ – existe. Por exemplo, existe um número primo no conjunto {2, 3, 4} (é possivel que existem mais de um).
Em símbolos, (∃x ∈ {2, 3, 4})(x ∈ P).

25. ∄ – não exists. Por exemplo, (∄x ∈ {2, 4})(3 x) (não existe x no conjunto {2, 4} tal que 3 divide x).

26. P ∨ Q – disjunção das proposições P e Q; isto é, P ou Q – isso é verdadeira se P ou Q é verdadeira (é possível


que as duas proposições P e Q são verdadeiras).

27. P ∧ Q – conjunção das proposições P e Q; isso é verdadeira se P é verdadeira e Q é verdadeira.

28. ¬P – negação da proposição P (se P é verdadeira, então ¬P é falsa; se P é falsa, então ¬P é verdadeira;
ou seja, P é verdadeira se e somente se ¬P é falsa). (Note que o livro de Iezzi usa a notação (∼ P ) para a
negação de P .)

29. P =⇒ Q – proposição P implica a proposição Q. Isso é definido por (¬P ) ∨ Q.

30. P ⇐⇒ Q – P é verdadeira se e somente se Q é verdadeira; isso é equivalente a (P =⇒ Q) ∧ (Q =⇒ P ).


1 CONJUNTOS E LÓGICA 4

Teorema 1.3. Regras de De Morgan: Seja P e Q proposições. Temos que

¬(P ∨ Q) ⇐⇒ (¬P ) ∧ (¬Q) (5)


¬(P ∧ Q) ⇐⇒ (¬P ) ∨ (¬Q) (6)

Teorema 1.4. Distributividade: Seja P, Q, R proposições. Temos que

P ∨ (Q ∧ R) ⇐⇒ (P ∨ Q) ∧ (P ∨ R) (7)
P ∧ (Q ∨ R) ⇐⇒ (P ∧ Q) ∨ (P ∧ R) (8)

31. A negação da proposição (∀x)(∃y)(∀z)(P (x, y, z)) é (∃x)(∀y)(∃z)(¬P (x, y, z)). (Observa o padrão.)

32. A afirmação Q =⇒ P é chamada a recíproca da afirmação P =⇒ Q. A afirmação ¬P =⇒ ¬Q é chamada


a inversa da afirmação P =⇒ Q.

33. A afirmação ¬Q =⇒ ¬P é a afirmação contrapositiva da afirmação P =⇒ Q. Observe que inversa é a


contrapositiva da recíproca. Então, pelo exercício 10, a inversa e a recíproca são equivalentes.

Leia Capítulos 1, 2, Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 1 (Edição 9, 2013)

1.2 Exercícios
1. Faça a lista de todos os números primos menor ou igual 100.

2. Escreva varias definições nessa secção usando símbolos (por exemplo, A ∪ B := {x ∈ U | x ∈ A ∨ x ∈ B}).

3. Qual é o número de subconjuntos de S := {1, 2, 3}. Listar todos os subconjuntos de S.

4. Seja |A| = 7 e |B| = 5. Qual é a cardinalidade de A × B?

5. Qual é a cardinalidade do conjunto A := {∅, {∅}, {∅, {∅}}}?

6. Qual é a diferência simétrica de ∅ e ∅?

7. Calcule ∅ \ {1, 2} e {1, 2} \ ∅?

8. Seja A, B, C conjuntos finitos. Verifique |A ∪ B| = |A| + |B| − |A ∩ B|. Ache analogamente um formula para
|A ∪ B ∪ C|.

9. Seja {an | n ∈ N} uma sequência de números reais (por exemplo, 1, 1/2, 1/4, 1/8, 1/16, . . . , 1/2n , . . . é uma
sequência). Dizemos que a sequência possui limite a se para todo ϵ ∈ R+ existe m ∈ N tal que para todo
n > m, |an − a| < ϵ. (Notação: |an − a| é o valor absoluto de an − a.) Escreva essa definição em símbolos.
Analogamente escreva a definição negativa (a definição para dizer que a não é o limite da sequência).

10. Construa a tabela de verdade de P =⇒ Q e da contrapositiva de P =⇒ Q, e verifique se a afirmação e a


contrapositiva dela são equivalentes.

11. Considere a afirmação: Se o triângulo △ABC é equilátero, então todos os ângulos dele são iguais. Escreva a
inversa, a recíproca e a contrapositiva da afirmação?

12. Dê um exemplo de uma afirmação verdadeira cuja inversa não é verdadeira.

13. Dado proposições P e Q verdadeiras, e uma proposição R falsa, determine se as seguintes proposições são
verdadeiras (V) ou falsas (F) . (Use as tabelas de verdade.)

(a) (P ∨ R) ⇐⇒ Q
(b) P =⇒ (Q =⇒ R)

14. Verdadeira (V) ou falsa (F) :

(a) ∅ ∈ {1, 2}.


(b) ∅ ⊆ {1, 2}.
2 RELAÇÕES E FUNÇÕES 5

(c) ∅ ⊊ {1, 2}.


(d) ∅ = {∅}.
(e) ∅ ⊆ ∅.
(f) ∅ ⊊ ∅.
(g) ∅ ⊈ ∅.
(h) ∅ ⊂ ∅.
(i) |∅| = 0
(j) |2∅ | = 1.
(k) ∅ ∈ {∅, {∅}}
(l) 57 é um número primo.
(m) Seja A um conjunto no universo U . Então A = A.
(n) A ∪ B = (A \ B) ∪ (B \ A).
(o) A ∪ B = (A \ B) ∪ (B \ A) ∪ (A ∩ B).
(p) ((A \ B) ∪ (B \ A) = ((A ∪ B) \ (A ∩ B).
(q) A ⊆ B =⇒ B C ⊆ AC .

1.3 Comentários e exemplos


Nós escrevemos conjuntos como elementos contidos entre parênteses, separados por coma. Por exemplo, A :=
{B, C, D}. Neste exemplo, A é um conjunto de 3 elementos B, C, D. Então a cardinalidade de A é 3. É possível
que B é um conjunto. Se B é um conjunto, os elementos de B não necessáriamente são elementos de A. Por
exemplo, se B := {1}, então 1 não é elemento de A. Mas se definimos E := {1, B} e B := {1}, então 1 é elemento
de B e de E. Os subconjuntos de A são ∅, {B}, {C}, {D}, {B, C}, {B, D}, {C, D}, {B, C, D} (8 subconjuntos).
Subconjuntos de A são os elementos do conjunto de partes de A, denotado por 2A . Então B é elemento de A mas
não é elemento de 2A , e {B} é elemento de 2A mas não é elemento de A. Vamos considerar o exemplo S := {∅}. O
conjunto S não é vazio; ele contem um elemento ∅. Este elemento é um conjunto mas isso não é relevante quando
queremos saber a cardinalidade de S. A cardinalidade de S é 1. Se T := {∅, {∅}}, então a cardinalidade de T é 2
- os dois elementos de T são ∅ e {∅}. Nas operações envolvendo o conjunto T , nós organizamos o conjunto como
uma árvore com T na raiz da árvore, os elementos são filhos diretos da raiz, e consideramos somente o primeiro
nível da hierarquia da inclusão dos elementos. (Veja na Wikipédia o tópico: árvore (estrutura de dados).)
Dado dois conjuntos A, B, como nos exemplos no teste, queremos calcular a cardinalidade de 2A△B - note que
2 A△B é um conjunto, não é número. Então o primeiro objetivo é calcular A △ B. Usei as definições literalmente,
faça a lista de elementos, determine quais são os elementos em A△B. Se A△B contem k elementos, a cardinalidade
de 2A△B é 2k . (Por exemplo, A no paragrafo acima contem 3 elementos, e 2A contem 8 elementos.)

2 Relações e funções
2.1 Resumo
1. Seja A, B conjuntos (podem ser vazios). Uma relação R de A a B é um subconjunto de A × B. Então uma
relação é um conjunto de pares (a, b) ordenados tais que a ∈ A, b ∈ B. O subconjunto vazio também é uma
relação. Note que R não necessariamente contem todos os pares ordenados. Se (a, b) ∈ R dizemos que a é
relacionado a b, e escrevemos aRb. Se a não é relacionado a b, escrevemos a Rb.

2. Seja R uma relação de A a B. Definimos o domínio da relação por Dom(R) := {a ∈ A | ∃b ∈ B, (a, b) ∈ R}.
Definimos imagem da relação R por Im(R) := {b ∈ B | ∃a ∈ A, (a, b) ∈ R}.

3. A relação inversa de R é R−1 := {(b, a) | (a, b) ∈ R}.

4. Uma função f de A a B é uma relação f de A a B tal que para todo a ∈ A existe único b ∈ B tal que
(a, b) ∈ f (em símbolos escrevemos (∀a ∈ A)(∃!b ∈ B)((a, b) ∈ f ) - onde usamos o símbolo ∃! para dizer
“existe único”). Escrevemos funções usando a notação f : A → B. Denotamos f (a) = b se (a, b) ∈ f .
2 RELAÇÕES E FUNÇÕES 6

5. Uma função f : A → B é sobrejetiva (ou é uma sobrejeção) se para todo b ∈ B existe a ∈ A tal que f (a) = b.
A função f é injetiva (ou é uma injeção) se f (a) = f (b) =⇒ a = b (imagens de elementos distintos são
distintas). Se a função f é sobrejetiva e injetiva, dizemos que f é bijetiva (ou é uma bijeção). Se a função f
é bijetiva, então a relação inversa é chamada a função inversa de f (denotado por f −1 ).

6. Seja R uma relação no conjunto A (isso é, uma relação de A a A).

(a) A relação é reflexiva se (∀a ∈ A)(aRa).


(b) A relação é simétrica se (∀a, b ∈ A)(aRb =⇒ bRa).
(c) A relação é transitiva se (∀a, b, c ∈ A)(aRb ∧ bRc =⇒ aRc).

7. Se uma relação é reflexiva, simetria e transitiva, dizemos que a relação é uma relação de equivalência. Seja ∼
uma relação de equivalência no conjunto A (escrevemos a ∼ b se a é relacionado a b). A relação particiona A
em blocos tais que a ∼ b se e somente se a, b pertencem a um mesmo bloco. Isso significa que A é particionado
em subconjuntos não vazios dois a dois disjuntos tais que a união deles é o conjunto A, e existem relações
somente entre elementos na mesma parte da partição, e na mesma parte da partição todos os elementos são
relacionados a todos. Por exemplo, vamos definir a relação em Z por: a ∼ b se e somente se a − b é par.
Formalmente, uma partição do conjunto A é um conjunto P que satisfaz as seguintes propriedades

(a) se X ∈ P então X ̸= ∅;
(b) se X, Y ∈ P, X ̸= Y , então X ∩ Y = ∅;
(c) ∪X∈P X = A (isso é a união de todos os conjuntos em P).

Se ∼ é uma relação de equivalência em A, então existe uma partição P de A tal que a ∼ b se e somente se
existe X ∈ P tal que a, b ∈ X.

Leia na Wikipédia os tópicos: relação binária, relação de equivalência, função (matemática)

2.2 Exercícios
1. Verifique que a função inversa de f não é definida (ou seja a relação inversa não é uma função) se f não é
sobrejetiva ou não é injetiva.

2. Seja A um conjunto de 3 elementos e B um conjunto de 2 elementos.

(a) Quantas relações existem de A a B?


(b) Quantas das relações são funções?
(c) Quantas funções são sobrejeções/injeções/bijeções?

3. Resolva o problema acima quando |A| = 3, |B| = 3 .

4. Qual é o número de relações de ∅ a ∅? Quantos são funções?

5. Qual é o número de relações de ∅ a A, onde A é um conjunto não vazio? Quantos são funções?

6. Qual é o número de relações de A a ∅, onde A é um conjunto não vazio? Quantos são funções?

7. Calcule o número de funções de A a B, onde |A| = m, |B| = k. Será que a formula é verdadeira se pelo
menos um dos conjuntos é vazio?

8. Analise as seguintes relações em Z para reflexividade, simetria, transitividade.

(a) a b (ou seja, a é relacionado a b se a divide b)


(b) a ≤ b (ou seja, a é relacionado a b se a ≤ b)
(c) aRb se a2 = b2
(d) Seja d ∈ Z. Definimos a relacionado a b se a ≡ b (mod d).
(e) Quais relações acima são relações de equivalência.
3 NÚMEROS NATURAIS E NÚMEROS INTEIROS 7

9. Verifique que a relação em Z no exemplo do item (7) é uma relação de equivalência. Quais são as partições
de Z geradas pela essa relação.

10. Ache mais exemplos de relação de equivalência.

11. Exemplos de relações para todas as combinações das propriedades de reflexividade, simetria, transitividade.
Note que temos 8 combinações (porque?). Por exemplo, uma relação não reflexiva, não simétrica, não
transitiva é uma possibilidade.

12. Seja M2 o conjunto de todas as matrizes 2 × 2 com entradas números reais. Definimos uma relação em M2
por: A ∼ B se e somente se existe uma matriz S ∈ M2 tal que B = SAS −1 . Será que a relação ∼ é uma
equivalência? Se ∼ é uma equivalência, quais são os classes de equivalência (a partição de M2 ). Se ∼ não é
uma equivalência, qual condições na definição de equivalência não são satisfeitas?

13. Ache uma injeção de Q a Z.

14. Capítulos IV, V Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 1 (Edição 9, 2013). Leia os capítulos em detalhes
e resolva vários exercícios. O sumário acima deve ser suficiente para resolver todos os exercícios. É abso-
lutamente importante (em outras disciplinas também) fazer gráficos das funções de R a R. O livro mostra
bastante gráficos em todos os capítulos.

3 Números naturais e números inteiros


3.1 Números naturais
1. 0 é a identidade de adição: (∀a ∈ N)(0 + a = a + 0 = a).

2. Comutatividade de adição: (∀a, b ∈ N)(a + b = b + a).

3. Associatividade de adição: (∀a, b, c ∈ N)((a + b) + c = a + (b + c)).

4. (∀a ∈ N)(0 × a = a × 0 = 0).

5. 1 é a identidade de multiplicação: (∀a ∈ N)(1 × a = a × 1 = a).

6. (∀a, b ∈ N)(a × b = a + a + · · · + a = b + b + · · · + b).


| {z } | {z }
b vezes a vezes

7. Comutatividade de multiplicação: (∀a, b ∈ N)(a × b = b × a). (Vamos escrever ab := a × b.)

8. Associatividade de multiplicação: (∀a, b, c ∈ N)((ab)c = a(bc)). Então podemos escrever abc := (ab)c = a(bc).

9. Distributividade de multiplicação na adição: (∀a, b, c ∈ N)(a(b + c) = ab + ac).

10. 00 := 1.

11. (∀a ∈ N)(a0 := 1).

12. (∀a, b ∈ N, b > 0)(ab := aa · · · a}).


| {z
b vezes

13. (∀a, b, c ∈ N)(ab+c = ab ac ).

14. (∀a, b, c ∈ N)(ab )c = abc ).


c c cd cd )
15. Definimos ab := a(b ) . Em geral isso não é igual (ab )c . Também definimos ab := a(b .

16. Alguns fórmulas


n
X n(n + 1)
i = 1 + 2 + ... + n = (9)
2
i=1
n
X n(n + 1)(2n + 1)
i2 = 12 + 22 + . . . + n2 = (10)
6
i=1
3 NÚMEROS NATURAIS E NÚMEROS INTEIROS 8

17. As vezes eu uso o simbolo :=, e em outros formulas uso =. O que é a diferença? Usamos := nas definições
- para definir uma expressão ou um objeto na esquerda pela expressão na direita. Quando escrevemos “uma
expressão = outra expressão”, isso é uma afirmação que as duas expressões são iguais. Por exemplo, nos
itens 10, 11, 12, temos a definição de ab . Nos itens 13, 14, temos afirmações que podemos provar usando as
definições em 10, 11, 12.

3.2 Números inteiros


Nós consideramos Z := {. . . , −2, −1, 0, 1, 2, . . .} como uma extensão do conjunto de números naturais. Então todo
número natural deve satisfazer as propriedades seguintes dos números inteiros.

1. 0 é a identidade de adição: (∀a ∈ Z)(0 + a = a + 0 = a).

2. Comutatividade de adição: (∀a, b ∈ Z)(a + b = b + a).

3. Associatividade de adição: (∀a, b, c ∈ Z)((a + b) + c = a + (b + c)).

4. Inversa de adição: (∀a ∈ Z)(∃b ∈ Z)(a + b = 0). Dizemos que b é a inversa de adição, e denotamos a inversa
de a por −a, e x+(−y) por x−y. A inversa de 0 é 0. Os números em N\{0} são chamados números positivos.
As inversas dos números positivos são chamados números negativos. Escrevemos Z− := {. . . , −3, −2, −1} e
Z+ := {1, 2, 3, . . .}.

5. (∀a ∈ Z)(0 × a = a × 0 = 0).

6. 1 é a identidade de multiplicação: (∀a ∈ Z)(1 × a = a × 1 = a).

7. Se a, b são números naturais, então ab é definido como a multiplicação em números naturais. Se a ∈ N e


b ∈ Z− , temos que ab := −(a(−b)). Se a, b ∈ Z− , então ab = (−a)(−b).

8. Comutatividade de multiplicação: (∀a, b ∈ Z)(a × b = b × a). (Vamos escrever ab := a × b.)

9. Associatividade de multiplicação: (∀a, b, c ∈ Z)((ab)c = a(bc)). Então podemos escrever abc := (ab)c = a(bc).

10. Distributividade de multiplicação na adição: (∀a, b, c ∈ Z)(a(b + c) = ab + ac).

11. Seja a, b ∈ Z. Se ab = 0, então a = 0 ou b = 0.

12. Propriedades de cancelação:

(a) Se a, b, c ∈ Z e a + c = b + c, então a = b.
(b) Se a, b, c ∈ Z, c ̸= 0 e ac = bc, então a = b.

13. (∀a ∈ Z)(a0 := 1). Por exemplo, 00 := 1

14. (∀a ∈ Z, b ∈ Z+ )(ab := aa · · · a}).


| {z
b vezes

15. (∀a ∈ Z, b, c ∈ N)(ab+c = ab ac ).

16. (∀a ∈ Z, b, c ∈ N)(ab )c = abc ).

17. Note que ab é definido em números inteiros para b ≥ 0, mas a pode ser negativo.

18. A relação de ordem: Seja a, b ∈ Z. Escrevemos a ≤ b ou b ≥ a se existe um número natural k tal que
a + k = b. Se a ≤ b e a ̸= b, escrevemos a < b ou b > a. A relação satisfaz as seguintes propriedades.

(a) (∀a ∈ Z)(a ≤ a) (reflexividade).


(b) (∀a, b ∈ Z)((a ≤ b) ∨ (b ≤ a)) (ordem total, isso é, qualquer dosi números são comparáveis), e (a ≤
b) ∧ (b ≤ a) implica que a = b (antisimétria).
(c) (∀a, b, c ∈ Z)((a ≤ b) ∧ (b ≤ c) =⇒ (a ≤ c)) (transitividade).

19. Os números . . . , −6, −4, −2, 0, 2, 4, 6, . . . (os números da forma 2k, onde k é inteiro) são os números pares, e
os números . . . , −5, −3, −1, 3, 5, . . . (os núemros da forma 2k + 1, onde k é inteiro) são números impares.
3 NÚMEROS NATURAIS E NÚMEROS INTEIROS 9

20. Seja a, d ∈ Z. Dizemos que d divide a ou a é divisível por d (escrevemos d a) se a é múltiplo de d, ou seja
existe k ∈ Z tal que dk = a. Por exemplo, 0 0. (Isso não disse que 00 é definido, só disse que existe k tal
que 0k = 0 (por exemplo, k = 13).)

21. Seja a, b, d ∈ Z, d > 0. Dizemos a é congruente a b módulo d (escrevemos a ≡ b (mod d)) se d divide a − b.
Por exemplo, −5 ≡ 3 (mod 4).

3.3 Exercícios
1. Prove a propriedade 14 ao usar outras propriedades anteriores.

2. Ache o conjunto de pares (a, b), onde a, b ∈ N, e ab = 1.

3. Prove, ao usar comutatividade e associatividade, que (a + b) + c) + d = c + (b + (d + a) para todo a, b, c, d


números naturais. Justifique cada passo do seu cálculo, por exemplo, qual propriedades você uso.

4. Qual propriedades ou conceitos acima são verdadeiras ou definidos para os números inteiros, racionais, reais,
complexos?

5. Simplifique 10!. (Por exemplo, podemos escrever 4! = 4 · 3 · 2 · 1 = 23 · 3, que é a fatoração de 4! em números


primos.)

6. Simplifique 423 · 57 · 91 · 63.

7. Prove os fórmulas em 16 pelo método de indução.

8. Ache a fatoração do número 16098264 em números primos.

9. Ache um fórmula para calcular 1 + 3 + · · · + (2n − 1) pela uma manipulação do formula (9). Verifique o seu
fórmula usando a serie aritmética. Será que possível usar a mesma ideia para calcular 12 + 32 + · · · + (2n − 1)2 .

10. Qual é maior, 23 × 38 × 74 ou 25 × 35 × 75 ? (Não use a calculadora.)

11. Ache alguns valores de a, b ∈ N tais que a diferênca entre 2a e 3b é 1.

12. Ache infinitos de triplos (a, b, c) de números naturais tais que a2 + b2 = c2 . Esses triplos são chamados triplos
Pitagóricos.

13. Se am = an , será que isso implica que m = n? Ou existem alguns exemplos contrários?
c c
14. No item 15, eu disse que em geral (ab )c ̸= a(b ) . Em outras palavras, (ab )c = a(b ) não é verdadeira para todo
c
a, b, c ∈ N. Será que existem alguns a, b, c ∈ N para que (ab )c = a(b ) ? Ache alguns exemplos se existem.

15. Em geral qual é maior ab ou ab ? Será que existem alguns exemplos de a, b tais que ab = ab ?
c
16. Ao usar a conclusão da questão acima, analise qual é maior em geral, ab ou (ab )c ?

Nas seguintes exercícios a, b, c, . . . , x, y, z ∈ Z.

17. Prove as seguintes identidades ou ache exemplos contrários.

(a) (a + b)2 − (a − b)2 = 4ab


(b) (a + b + c)3 − (a − b + c)3 − (a + b − c)3 + (a − b − c)3 = 24abc
(c) (a + b)4 − (a − b)4 = 8ab(a2 + b2 )
(d) (a + b + c)3 − (a3 + b3 + c3 ) = 3(a + b)(a + c)(b + c)
(e) Seja a = xy, b = x + y, c = x2 + xy + y 2 . Então

(x + y)3 − (x3 + y 3 ) = 3ab


(x + y)5 − (x5 + y 5 ) = 5abc

(f) Seja n > 1. Então xn − y n = (x − y)(xn−1 + xn−2 y + · · · + xy n−2 + y n−1 )


4 MÉTODO DE INDUÇÃO MATEMÁTICA 10

18. Seja k > 2. Será que o conjunto {n ∈ N | 1000000n2 > nk } é finito. Analise o caso n ∈ Z.

19. Seja a, b > 0, a < b. Será que o conjunto {n ∈ N | 1000000na > nb } é finito. Analise o caso n ∈ Z.

20. A população de uma cidade é 50000 em 2020. A população dobra a cada 25 anos. Qual será a população em
2120?

21. Prove as seguintes propriedades.

(a) Se a, b são números pares, então a + b é par.


(b) Se a, b são números impares, então a + b é par.
(c) Se a é par e b é impar, então a + b é impar.
(d) Se a é impar e b é par, então a + b é impar.
(e) a é par se e somente se a2 é par.
(f) ab é impar se e somente se a e b são impares.
(g) a3 é par se e somente se a é par.

22. Prove que todo inteiro é congruente a 0, 1 ou 2 módulo 3. Seja d > 0. Prove que todo inteiro é congruente a
0, 1, . . . ou (d − 1) módulo d.

23. Seja d > 0, k > 0. Suponha que a ≡ b (mod d) e x ≡ y (mod d). Prove que

b ≡ a (mod d)
(a + x) ≡ (b + y) (mod d)
ax ≡ by (mod d)
ak ≡ bk (mod d)

24. Seja k, k + 1, k + 2 tres números consecutivos. Prove que exatamente um dos números é múltiplo de 3.

25. Determinar verdadeira (V) ou falsa (F) . Se falsa, ache um exemplo contrario ou (melhor) ache todos os
exemplos contrários. Analise em N e em Z.

(a) Se ac ≤ bc, então a ≤ b.


(b) Se a + c ≤ b + c, então a ≤ b.
(c) Se a < b e c > 0, então ac < bc.
(d) a < b se e somente se ac < bc.
(e) Se a2 ≤ b2 , então a ≤ b.
(f) Se c > 0, e ac ≤ bc , então a ≤ b .
(g) Se c > 0, e ac = bc , então a = b.
(h) Se a ≡ b (mod d), então −a ≡ −b (mod d).
(i) Se ak ≡ bk (mod d), então a ≡ b (mod d).

4 Método de indução matemática


Iezzi et al. Matemática Elementar, Volume 1, Edição 9, 2013. Capítulo VII, Apêndice. Consulte também Funda-
mentos de Álgebra para ver muitos outros exercícios.
5 NÚMEROS RACIONAIS, NÚMEROS REAIS E NÚMEROS COMPLEXOS 11

4.1 Exercícios
 
0 1
1. Seja M = .
1 1
 
Fn Fn+1
(a) Prove que M n+1 = , onde Fn é o n-ésimo número de Fibonacci.
Fn+1 Fn+2
(b) Prove que Fn Fn+2 −Fn+1
2 = (−1)n+1 . (Observe que det(M n+1 ) = (det(M ))n+1 . Ou prove por indução.)
(c) Prove que Fm+n = Fm Fn + Fm−1 Fn−1 . (Use a identidade M m+n+2 = M m+1 M n+1 .)

2. Prove que para n ≥ 0,


√ !n √ !n
1 1+ 5 1 1− 5
Fn = √ −√ . (11)
5 2 5 2

7 n
3. Prove que Fn < para todo n ≥ 0. (Use o segundo princípio de indução.)

4

5 Números racionais, números reais e números complexos


Nessa unidade vamos consider conjuntos Q (números racionais), R (números reais), C (números complexos).

5.1 Resumo
1. Em inteiros nós não podemos resolver a equação 3x = −5. O conjunto de números racionais é uma extensão
do conjunto de números inteiros para permitir divisão de inteiros. Formalmente, definimos Q := {(a, b) | a, b ∈
Z, b ̸= 0}, e definimos adição por (a, b) + (c, d) := (ad + bc, bd) e definimos multiplicação por (a, b) × (c, d) :=
(ac, bd). Identificamos o inteiro m com a par (m, 1), e definimos que as pares (a, b) e (c, d) de inteiros, onde
b ̸= 0, d ̸= 0, são equivalentes se ad = bc (para que tenhamos a propriedade familiar 2/3 = 4/6 = 6/9 = · · · ).
Convenientemente, denotamos a par (a, b) por a/b ou ab , e a par (a, 1) por a, para não distinguir a fração a/1
ou a par (a, 1) e o inteiro a.

2. Obtemos
√ R (os números reais) pela uma extensão dos números racionais para incluir números irracionais
como 2, π etc. que não podem ser expressados como frações de inteiros.

3. Os conjuntos dos números naturais, inteiros, racionais, reais são totalmente ordenados, isso é, para qualquer
números a, b, c, temos que

(a) exatamente uma das relações é valida: a < b ou a = b ou a > b (equivalentemente, b < a);
(b) se a ≤ b e b ≤ c, então a ≤ c (transitividade)

Dizemos que a é negativo se a < 0 e positivo se a > 0.

4. Obtemos C (os números complexos) pela uam extensão dos números reais para incluir raízes dos polinômios
como x2 = −1. Denotamos elementos de C por a + bi onde a, b são números reais. Dizemos que a é a parte
real do número a + bi e e b é a parte imaginária do número a + bi. O conjunto dos números complexos
não é ordenado. Um número real (ou racional ou inteiro) a pode ser denotado por a + 0i como um número
complexo. O número a − bi é chamado o conjugado do número a + bi. Denotamos o conjugado do número z
por z.

5. Temos que N ⊆ Z ⊆ Q ⊆ R ⊆ C.

6. Temos as seguintes propriedades de adição e multiplicação em C.

(a) i2 = −1.
(b) Seja a, b, c, d ∈ R. Então (a + bi) + (c + di) = (a + c) + (b + d)i.
(c) Seja a, b, c, d ∈ R. Então (a + bi)(c + di) = (ac − bd) + (bc + ad)i. (Lembre se que i2 = −1.)
(d) (Também em Q, R.) Seja b ̸= 0, d ̸= 0. Então
a c ad + bc
+ = .
b d bd
5 NÚMEROS RACIONAIS, NÚMEROS REAIS E NÚMEROS COMPLEXOS 12

(e) (Também em Q, R.) Seja b ̸= 0, d ̸= 0. Então


a  c  ac
= .
b d bd
7. Outras propriedades familiares de Q, R.

(a) ab > 0 se e somente se a, b > 0 ou a, b < 0.


(b) ab < 0 se e somente se a > 0, b < 0 ou a < 0, b > 0
(c) ab = 0 se e somente se a = 0 ou b = 0.
(d) Seja a ̸= 0. Temos a > 0 se e somente se 1/a > 0.

8. Seja z := a + ib ∈ C. Denotamos a parte real de z por R(z) := a e a parte imaginária de z por I(z) = b.

9. Uma transformação importante é o seguinte


1 a − ib a − ib
= = 2 .
a + ib (a + ib)(a − ib) a + b2

(Verifique o último passo.)

10. Analogamente verifique que    


a + ib ac + bd bc − ad
= +i .
c + id c2 + d2 c2 + d2

11. O conjugado do número z := a + ib é o número z := a − ib.



12. O módulo de um número complexo z := a + ib é |z| = a2 + b2 .

13. Resultados sobre 2

(a) 2 não é racional.

√ 2
(b) Existem números irracionais a, b tais que é racional: considere r := 2 . Se r é racional,
ab temos os
√ √ √ √2 √
números a := 2 e b := 2 tais que a é racional. Se r não é raciona, defina a := 2 e b := 2 (que
b

são números irracionais), e verifique que ab é racional.



(c) Cálculo numérico de 2 (nós analisamos o algoritmo em relação com limites e derivadas).

Leia na Wikipédia os tópicos: número natural, número inteiro, número racional, número real,
número complexo

5.2 Exercícios
1. Exercícios do livro de Lang (1971) Basic Mathematics, Capítulo 1, páginas 48–50, exercícios 1–5. Para
resolver estes exercícios, você não precisa ler em inglês. Exercício 1: Resolva para x em números racionais.
Exercício 2: Prove as identidades (a)–(d). Exercício 3: Prove as relações (a)–(d). Exercício 4: Prove as
relações. Em 4(c), seja x = ... e y = ...,

2. Prove as seguintes propriedades de conjugados

(a) z1 = z2 ⇐⇒ z1 = z2 .
(b) z = z.
(c) z + z = 2 R(z).
(d) z − z = 2 I(z).
(e) z1 + z2 = z1 + z2 .
(f) z1 z2 = z1 z2 .
(g) Seja P (z) = a0 + a1 z + · · · + an z n . Então P (z) = a0 + a1 z + · · · + an z n .

3. Prove as seguintes propriedades de módulo


6 POLINÔMIOS E FRAÇÕES DE POLINÔMIOS 13

(a) −|z| ≤ R(z) ≤ |z|.


(b) −|z| ≤ I(z) ≤ |z|.
(c) z z = |z|2 .
(d) |z1 z2 | = |z1 ||z2 |.
(e) |z1 + z2 |2 = |z1 |2 + |z2 |2 + 2 R(z1 z2 ).
(f) |z1 + z2 |2 + |z1 − z2 |2 = 2(|z1 |2 + |z2 |2 ).
(g) Desigualidade triângulo: |z1 + z2 | ≤ |z1 | + |z2 |.
4. Calcule as raízes cúbicas de 1 e de -1. (Use as fatorações z 3 −1 = (z−1)(z 2 +z+1) e z 2 +1 = (z+1)(z 2 −z+1).)
1000
X
5. Calcule ik .
k=1
 n
1+i
6. Ache todos os valores de n ∈ Z tais que = 1.
1−i
7. Resolva a equação z 2 = 1 + i.
8. Resolva exercícios (1),(2), página 379, Lang Basic Matemáticas (1971). O objetivo é expressar os números
complexos na forma x + iy, onde x, y ∈ R.

6 Polinômios e frações de polinômios


Nesta unidade vamos considerar Z[x] (polinômios com coeficientes inteiros), Q[x] (polinômios com coeficientes
racionais), R[x] (polinômios com coeficientes reais), C[x] (polinômios com coeficientes complexos), Q(x) (frações
de polinômios com coeficientes racionais), R(x) (frações de polinômios com coeficientes reais), C(x) (frações de
polinômios com coeficientes complexos). (Note a diferença na notação Q[x] e Q(x), R[x] e R(x), C[x] e C(x).)

6.1 Resumo
1. Polinômios: Os polinômios são expressões formais em x e números (coeficientes). Em símbolos, escrevemos
polinômios na seguinte forma:
an xn + an−1 xn−1 + · · · + a0
onde an , an−1 , . . . , a0 são coeficientes (em Z ou Q ou R ou C ou algum outro conjunto). Os exponentes de
x sempre são números naturais. Se o polinômio não é 0, assumimos que an não é 0. Em outras palavras,
nós não escrevemos 0x3 + 2x2 − 1, mas equivalentemente escrevemos 2x2 − 1. No exemplo acima, o grau do
polinômio é n, e a0 é o termo constante (que pode ser 0).

(a) Z[x] – conjunto de polinômios com coeficientes em Z. Por exemplo, 2x2 + 2x + 1, 2x, 2x5 − 1, 6, 0 são
polinômios. No polinômio 5x3 + 2x + 1, 1 é o termo constante, o grau do polinômio é 3 (o exponente do
termo de máxima ordem). O grau do polinômio c (um constante não igual 0) é 0. Por exemplo, o grau
do polinômio 6 é 0. Grau do polinômio 0 é definido -1 ou −∞. (Eu prefiro −∞; veja o exercício 1.)
(b) Q[x] - o conjunto de polinômiais com coeficientes racionais. Por exemplo, (3/4)x5 +3x+1 é um polinômio
de grau 5 com coeficientes racionais.

(c) R[x] - o conjunto de polinômiais com coeficientes reais. Por exemplo, (3/4)x2 + 2x + 1 é um polinômio
de grau 2, ou uma quadrática, com coeficientes reais.
√ √
(d) C[x] - o conjunto de polinômiais com coeficientes complexos. Ppor exemplo, (2+i)x5 +( 2+i)x3 + 3x+1
é um polinômio de grau 5.

2. Temos as relações
Z[x] ⊆ Q[x] ⊆ R[x] ⊆ C[x]
Z ⊆ Z[x]
Q ⊆ Q[x]
R ⊆ R[x]
C ⊆ C[x]
7 ESTRUTURAS ALGEBRICAS 14

(Um número complexo c pode ser considerado como um polinômio constante em C[x]).

3. Adição de polinômios: para fazer adicão de dois polinômios p(x) e q(x), adicionamos termos de mesmo grau.
Por exemplo,

Seja p(x) := 2x3 − 5,


e q(x) := 5x4 − 3x3 − 2x2 + 1
então p(x) + q(x) = 5x4 − x3 − 2x2 − 4

O resultado é um polinômio de grau igual ao máximo grau entre p(x) e q(x).


Em símbolos, seja p(x) e q(x) polinômios de grau m e n. Suponha que m > n.

p(x) := am xm + am−1 xm−1 + · · · + a0


q(x) := bn xn + bn−1 xn−1 + · · · + b0

Então

p(x) + q(x) = am xm + am−1 xm−1 + · · · + an+1 xn+1 + (an + bn )xn + (an−1 + bn−1 )xn−1 + · · · + (a0 + b0 ).

Analogamente, escrevemos a adição se m < n ou se m = n.

4. Multiplicação de polinômios: multiplicamos todos os termos de um polinômio por termos do outro. Por
exemplo,

(2x3 + 3x − 5)(−3x2 − 6x + 2) = (2x3 )(−3x2 ) + (2x3 )(−6x) + (2x3 )(2)


+ (3x)(−3x2 ) + (3x)(−6x) + (3x)(2)
+ (−5)(−3x2 ) + (−5)(−6x) + (−5)(2),

e simplificamos ao aplicar as seguintes propriedades (multiplicar coeficientes e multiplicar indeterminados


independentemente)

(axm ) × (b) = (ab)xn


˙ n ) = (ab)xm+n
(axm )(bx

6.2 Exercícios
1. Seja p(x), q(x) polinômios (em Z[x] ou Q[x] ou R[x] ou C[x]). O grau de p(x) é m e o grau de q(x) é n. Qual
é o grau de p(x) + q(x)? Qual é o grau de p(x) × q(x)? (Analise também o case de p(x) = 0 ou q(x) = 0 ou
os dois 0 polinômios.)

2. Seja P (x) ∈ R[x]. Suponha que a + ib, onde a, b ∈ R, é uma raiz. Prove que a − ib é uma raiz. (Verifique
que para todo z ∈ C, P (z) = P (z), então, em particular, se P (z) = 0, então P (z) = 0.)

7 Estruturas algebricas
Ignorar para Prova 1

7.1 Monoids, grupos, anéis e corpos


Agora vamos ver as propriedades algébricas dos conjuntos N, Z, Q, R, C, Z[x], Q[x], Q(x), R[x], R(x), C[x], C(x).

3. Todos os conjuntos Z, Q, R, C, Z[x], Q[x], R[x], C[x] satisfazem as seguintes propriedades algébricas.

(a) A operação da adição é comutativa e associativa, e 0 é a identidade da adição.


(b) Existe inversa de adição. Por exemplo, a inversa aditiva do número complexo 2 − 3i é −2 + 3i; a inversa
aditiva do polinômio 2x3 + x + 5 é −2x3 − x − 5.
8 POLINÔMIOS: RAÍZES E GRÁFICOS 15

(c) A operação da multiplicação é comutativa e associativa, e 1 é a identidade da multiplicação. Para todo


a, temos que a × 0 = 0.
(d) Distributividade de multiplicação na adição. (Para todo a, b, c (números ou polinômios) a(b + c) =
ab + ac.)

4. Existência de inversa de multiplicação em Q, R, C: para todo a ̸= 0, existe b tal que ab = ba = 1. Denotamos


b por a−1 ou 1/a ou a1 . Temos b = 1/a se e somente se a = 1/b; (ou b é inversa multiplicativa de a se e
somente se a é inversa multiplicativa de b). A inversa de a/b, onde a ̸= 0 e b ̸= 0, é b/a. (A divisão de a
por b, para b ̸= 0, é definida pela multiplicação de a e a inversa de b.) Note que a inversa não é definida em
Z[x], Q[x], R[x], C[x].

5. Uma estrutura algébricas (M, +, ×) (um conjunto M com uma operação binária de adição e uma operação
binária de multiplicação) é chamado um anel comutativo se (M, +, ×) satisfaz as propriedades no item 3. (Se
a multiplicação não é comutativa, o anel é chamado anel não comutativa. Mas em qualquer caso, a adição
num anel é comutativo.)

6. Uma estrutura algébricas (M, +, ×) (um conjunto M com uma operação binária de adição e uma operação
binária de multiplicação) é chamado um corpo se (M, +, ×) satisfaz as propriedades no item 3 e no item 4.

7. As estruturas Q[x], R[x], C[x] são anéis mas não são corpos pois nessas estruturas não temos a definição
da inversa de multiplicação. Por isso, estendemos Q[x] para Q(x) e definimos para polinômio p(x) ̸= 0 a
inversa multiplicativa 1/p(x), e regras de adição e multiplicação como na extensão de Z para Q. Então seja
a(x), b(x), c(x), d(x) polinômios em Q[x] (ou R[x] ou C[x]) tais que b(x) ̸= 0, d(t) ̸= 0, então

a(x) c(x) a(x)d(x) + b(x)c(x)


+ =
b(x) d(x) b(x)d(x)
a(x) c(x) a(x)c(x)
× = .
b(x) d(x) b(x)d(x)

Com essa extensão, obtemos corpos Q(x), R(x), C(x).

7.2 Exercícios
1. Seja M2 o conjunto de matrizes 2 × 2 com entradas números reais.

(a) Será que (M2 , +, ×) é um anel? ou um corpo?


(b) Seja M2∗ o conjunto de matrizes invertíveis 2 × 2. Será que (M2∗ , +, ×) é um anel? um corpo?

2. Porque nós não definimos uma extensão de Z[x] para obter Z(x) como as outras extensões no item 7?

3. Fazer uma tabela com N, Z, Q, R, C, Z[x], Q[x], R[x], C[x], Q(x), R(x), C(x), (M2 , +, ×), (M2∗ , +, ×) nas linhas
e propriedades algébricas (propriedades das operações, existência de inversa, etc.) nas colunas, e preencher
na cada linha e coluna se a operação é definida na estrutura, se a operação satisfaz a propriedade, etc. Por
exemplo, em N a adição é definida, adição é comutativa, associativa, existe identidade de adição, não existe
inversa de adição, não existe inversa de multiplicação, (N, +, ×) não é anel, (N, +, ×) não é corpo, etc. Vou
dar algumas perguntas de verdadeira ou falsa baseadas nessa tabela.

4. Seja Z5 := {0, 1, 2, 3, 4}. Vamos definir a adição e a multiplicação modulo 5. Por exemplo, 4 + 3 = 7 ≡ 2
(mod 5), então definimos 4+3 = 2; e 4×3 = 12 ≡ 2 (mod 5), então definimos 4×3 = 2. Construa a tabela de
adição e multiplicação. Será que (Z5 , +, ×) é um anel ou um corpo? Analogamente, seja Z12 = {0, 1, . . . , 11},
e vamos definir a adição e a multiplicação modulo 12. Será que (Z12 , +, ×) é um anel ou um corpo?

8 Polinômios: raízes e gráficos


8.1 Resumo
1. Seja p(z) := a0 + a1 z + · · · + an z n ∈ C[z] um polinômio de grau n > 0 (um polinômio não constante). Dizemos
que α ∈ C é uma raiz se a0 + a1 α + · · · + an αn = 0.
8 POLINÔMIOS: RAÍZES E GRÁFICOS 16

2. Teorema fundamental de álgebra: todo polinômio de grau n > 0 com coeficientes complexos possui exatamente
n raízes complexas (alguns raízes podem ser iguais). Equivalentemente, todo polinômio p(z) com coeficientes
complexos de grau n > 0 possui fatoração da forma
p(z) = a(z − α1 )(z − α2 ) · · · (z − αn ).
Isso implica que p(αi ) = 0 (αi é uma raiz) para todo i = 1, 2, . . . , n.
3. Se os coeficientes são reais, então a + ib, onde a, b ∈ R, é uma raiz se e somente se a − ib é uma raiz.

−b ± b2 − 4ac
4. Formula de Bhaskara: As raízes da quadrática ax + bx + c são
2 . Dizemos que o discriminante
2a
do polinômio é D := b − 4ac.
2

5. Seja ax2 + bx + c ∈ R[x] uma quadrática. Seja D o discriminante. As raízes são complexos, não reais se a
discriminante D < 0; o polinômio possui uma raiz de multiplicidade 2 (raiz repetida) se e somente se D = 0
(neste caso a raiz é real); as raízes são reais e distintas se e somente se D > 0.
6. Seja α, β raízes da quadrática ax2 + bx + c. Então
b
α+β =−
a
c
αβ =
a
7. Seja p(z) := a0 +a1 z +· · ·+an z n ∈ R[z] um polinômio de grau n > 0 (um polinômio não constante). Suponha
que α + iβ é uma raiz de p(x). Então, temos que
p(α + iβ) = a0 + a1 (α + iβ) + · · · + an (α + iβ)n = 0.
Então, conjugando os dois lados da equação, temos que
p(α + iβ) = a0 + a1 (α + iβ) + · · · + an (α + iβ)n
= a0 + a1 (α + iβ) + · · · + an (α + iβ)n
= a0 + a1 (α − iβ) + · · · + an (α − iβ)n
= p(α − iβ) = 0 = 0
Isso implica que se p(α + iβ) = 0, então p(α − iβ) = 0; ou seja se α + iβ é uma raiz, então α − iβ também é
uma raiz. Nos cálculos acima, usamos as propriedades do conjugado que provamos na Seção 5.
8. Se α + iβ e α − iβ são raízes de p(x), então (x − α − iβ) e (x − α + iβ) são fatores de p(x), então a quadrática
(x − α − iβ)(x − α + iβ) = (x − α)2 + β 2 é um fator. Isso é um polinômio em R[x]. Agora pelo teorema
fundamental de álgebra (Seção 8), podemos escrever p(x) na forma
p(x) = an q1 (x)q2 (x) · · · qk (x)(x − α1 )(x − α2 ) · · · (x − αm ),
onde q1 (x), . . . , qk (x) são quadráticas em R[x] com discriminante negativo (com raízes não reais em pares
conjugados) e α1 , . . . , αm são raízes reais. Por exemplo,
√ o polinômio p(x) := x3 − 1 = (x − 1)(x2 + x + 1).
−1 ± i 3
Uma raiz de p(x) é 1, outras duas raízes são , que são conjugados.
2
9. Agora vamos ver vários exemplos de polinômios e os gráficos deles mostrando as ideias acima.

(a) p(x) := x2 − 2x − 3 com duas raízes reais (duas interseções com o eixo x).
8 POLINÔMIOS: RAÍZES E GRÁFICOS 17

(b) p(x) := x2 − 4x + 4 com duas raízes reais (mas iguais). O gráfico é tangente a o eixo x.

(c) p(x) := x2 − 4x + 6 com duas raízes não reais. O gráfico é acima do eixo x: para ver isso, o coeficiente
de x2 é positivo, e limx→∞ x2 − 4x + 6 = ∞, então x2 − 4x + 6 > 0 para todo x. (Se isso não for o caso,
o gráfico deveria interseccionar o eixo x em algum ponto, mas o polinômio não possui uma raiz real.).

(d) A cúbica p(x) := (x − 1)(x − 4)(x − 8) com todas as raízes reais.

(e) A cúbica p(x) := (x − 2)(x2 + 4x + 4) com todas as raízes reais. A raiz -2 é repetida. O gráfico é tangente
ao eixo x no ponto x = −2, e tem mais uma interseção x = 2.
8 POLINÔMIOS: RAÍZES E GRÁFICOS 18

(f) A cúbica p(x) := (x − 2)(x2 + 3x + 3) com duas raízes não reais. O grau é impar, então se algumas
raízes são não reais, eles formam pares conjugados, então pelo menos uma raiz é real.

(g) Polinômio quártico: p(x) := (x − 1)(x − 3)(x − 5)(x − 7) com todas as raízes reais.

(h) Polinômio quártico: p(x) := (x − 1)(x − 4)(x − 4)(x − 7) com todas as raízes reais, onde a raiz 4 é
repetida.

(i) Polinômio quártico: p(x) := (x − 0.5)(x2 − 8x + 17)(x − 7) com duas raízes reais e duas raízes não reais.

(j) Polinômio quártico: p(x) := (x − 0.5)(x2 − 8x + 17)(x − 7) + 44 com nenhumas raízes reais.
8 POLINÔMIOS: RAÍZES E GRÁFICOS 19

8.2 Exercícios
1. Será que a formula de Bhaskara é verdadeira para polinômios em C[x]? Ou é valido somente para polinômios
em R[x]?

2. Será que o resultado (3) é verdadeira se os coeficientes do polinômio são complexos?

3. Use o resultado na unidade u6 sobre P (z) para provar o resultado (3).

4. Verifique as formulas no item (6).

5. Seja p(z) = a(z − α1 )(z − α2 ) · · · (z − αn ) a fatoração do polinômio p(z) := a0 + a1 z + · · · + an z n ∈ C[z]. Ache


uma relação para a soma de raízes e o produto de raízes como no item (6).

6. Resolva a equação (x − a)4 + (x − b)4 = A.

7. Resolva a equação ax4 + bx2 + c = 0, onde a ̸= 0.


   
1 1
8. Resolva a equação a x + 2 + b x +
2
+ c = 0.
x x

9. Resolva a equação 1 + 2x = 2 − 3x.

10. Resolva a equação 1 + 2x − x2 = 2 − x.

11. Ache p ∈ R tais que uma raiz do polinômio 3x2 + 2x + p(1 − p) é positiva e a outra é negativa.

12. Seja α, β as raízes do polinômio (x − a)(x − b) + c. Quais são as raízes do polinômio (αβ − c)x2 + (α + β)x + 1?

13. Seja α, β as raízes do polinômio x2 + px + q. Calcule α3 + β 3 .

14. Uma raiz do polinômio 2x2 + bx + 6 é 3. Ache a outra raiz.

15. Analise os padrões de raízes e os gráficos dos polinômios de grau 5. (Analise o padrão do gráfico com uma
raiz repetida 2 ou 3 ou 4 ou 5 vezes, ou uma raiz repetida duas vezes e a outra repetida 3 vezes, ou algumas
raízes não reais e algumas reais repetidas, etc.)

16. Analise o padrão do gráfico de um polinômio de grau 4 com uma raiz real repetida e outras duas raízes não
reais.

17. Seja p(x) ∈ R[x]. Prove que se α é uma raiz repetida de p(x), então α é uma raiz da primeira derivada de
p(x). O que é a sua conclusão se α é uma raiz repetida k vezes, k > 1? Porque o eixo x é um tangente ao
gráfico do polinômio se uma raiz é repetida?

18. Analise os gráficos das funções f, g : R → R, e ache o conjunto solução das inequações f (x) ≤ g(x) nos
seguintes casos. (Neste tipos de problemas, se necessário, ache uma ou duas raízes pelas tentativas x =
±1, x = ±2, etc.)

(a) f (x) := |2x − 3| e g(x) = −|3x + 4|


9 EXERCÍCIOS - IEZZI ET AL. MATEMÁTICA ELEMENTAR, VOL. 1, 9a EDIÇÃO, 2013 20

(b) f (x) := x3 + 2x − 3 e g(x) = 2x2 + 3x − 5


(c) f (x) := |x3 + 2x − 3| e g(x) := |2x − 3|
(d) f (x) := |x3 − 2x2 − x + 2| e g(x) := |x − 3|
(e) f (x) = 1/x, x > 0 e g(x) = |−3x2 + 5|

9 Exercícios - Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 1, 9a edição, 2013


1. Capítulo 1 (Lógica) 5, 6, 7, 8

2. Capítulo 2 (Conjuntos) 13, 20, 25, 30, 31, 40, 44, 47, 54, 60, 61

3. Capítulo 3 (Conjuntos Numéricos)

• Conjunto Q: 71, 73, 77


• Os números reais e a reta: 83 – 86
• O método de indução: todos os problemas da secção (98 – 116)

4. Capítulo 4 (Relações)

• Produto cartesiano: 120, 122, 128


• Relação binária: 130, 131
• Domínio e imagem: 136, 138,

5. Capítulo 5 (Funções)

• Imagem de um elemento: 155, 156, 157


• Domínio das funções numéricas: 161

6. Capítulo 6 (Função Constante, Função Afim)

• Princípios de equivalência: 208


• Inequações simultâneas: 213
• Inequações-produto: 215, 217, 218
• Inequações-quociente: 222, 223, 224

7. Capítulo 7 (Funções quadráticas)

• Gráfico: 231, 232, 234, 236 – 242, 244, 253, 254


• Máximo e mínimo: 257, 259 – 261, 271, 272
• Imagem: 281
• Inequação do 2◦ grau: 296, 300, 301, 303, 304, 307, 312 – 315, 320, 327 – 329
• Comparação de um número real com as raízes da equação do 2◦ grau: 332, 333, 338 – 340
• Sinais das raízes da equação do 2◦ grau: 352, 353

8. Capítulo 8 (Função Modular)

• Função Modular: 376 – 379


• Equações modulares: 384 – 387
• Inequações modulares: 389, 393 – 396, 399, 404

9. Capítulo 9 (Outras Funções Elementares)

• Função recíproca: 411, 414


• Função máximo inteiro: 420

10. Capítulo 10 (Função Composta e Função Inversa)


10 FUNÇÃO EXPONENCIAL 21

• Função composta: 429 – 434, 444, 445, 448, 449, 455, 457
• Função bijetora: 462, 467
• Função inversa: 484, 486, 492, 503, 504

11. Apêndice 1 (Equações Irracionais)

• Equação: f (x) = g(x): 514, 516, 517, 519 – 541


p

• Equação: 3 f (x) = g(x): 544 – 552


p

12. Apêndice 2 (Inequações Irracionais)

• Inequação irracional f (x) < g(x): 555, 556


p

• Inequação irracional f (x) > g(x): 557, 559 – 561


p

• Inequação irracional f (x) > g(x): 563 – 568


p p

10 Função exponencial
O objetivo deste capítulo é definir a função exponencial (isto é, dado a ∈ R, a > 0, a ̸= 1, chamado a base,
definimos uma função f : R → R, denotado por f (x) = ax ) e estudar suas propriedades. Verifique as condições
em a,b,m,n etc. para as quais as definições e os resultados afirmados são válidos. Verifique também
se as condições em a,b,m,n, etc. são as condições mais gerais permitidas pelas definições nas quais
um determinado resultado é válido.
Definimos a função exponencial em várias etapas, de inteiros para racionais e para reais.

1. Para a ∈ R e n ∈ Z, definimos a potência de base a e expoente n por




 não definido se a = 0 e n = 0

1 se se a ̸= 0 e n = 0





n
a := a
n−1
· a = |a · a ·{za · · · a} se n > 0

 n vezes


 1
se a ̸= 0 e n < 0



a−n

2. Propriedades da potência e algumas observações. Seja a, b ∈ R, e m, n ∈ Z.

(a) 00 não é definido (mas em algumas áreas de matemática discreta 00 = 1).


(b) Se n > 0, então 0n = 0.
(c) Se a > 0, então an > 0
(d) Se a < 0, então a2n > 0 e a2n+1 < 0
(e) Se a ̸= 0 ou (mn ̸= 0 e m + n ̸= 0), então am an = am+n .
am
(f) Se a ̸= 0, então n = am−n
a
(g) Se ab ̸= 0 ou n ̸= 0, então (ab)n = an bn .
(h) Se b ̸= 0, então (a/b)n = an /bn .
(i) Se a ̸= 0 ou mn ̸= 0, então (am )n = amn .

3. Dados a ∈ R, a ≥ 0 e n ∈ N, n > 0, existe único b ∈ R, b ≥ 0 tal que bn = a. Chamamos b a raiz enézima



aritmética de a, e denotamos b por a1/n = n a, em que a é chamado o radicando e n é o índice.

4. Propriedades de raiz. Seja a, b ∈ R, a ≥ 0, b ≥ 0, m ∈ Z, n ∈ N, n > 0, e p ∈ N, p > 0.


√ √
(a) n am = np amp , onde a ̸= 0 ou m ̸= 0.
√ √ √
(b) ab = n a b.
n n

r √n
a a
(c) Se b ̸= 0, então . (Então, n f (x)g(x) = n f (x) n g(x) somente se f (x) ≥ 0 e g(x) ≥ 0.)
p p p
n
= √ n
b b
10 FUNÇÃO EXPONENCIAL 22

√ √
(d) ( n a)m = n am onde a ̸= 0 ou m ̸= 0.
p √ √
q
(e) n
a = pn a
(f) Se b ∈ R e n ∈ N, n > 0, então
√ √
bna = n abn se b ≥ 0

se b < 0.
p
b n a = − n a|b|n

5. Se a ∈ R, a > 0 e b = p/q ∈ Q onde p, q ∈ Z, q > 0, definimos ab = ap/q = q ap . Note que ap é definido pelo

item (1), e q é definido pelo item (3). Se a = 0, b = p/q, p > 0, e q > 0, definimos ap/q = 0p/q := 0, e se
a = 0 e b = 0, ab não é definido.
6. Se a ∈ R, a > 0, e b ∈ R, e b irracional: seja (bi , i = 0, 1, 2, . . .) uma sequência de números racionais
convergente a b; então definimos ab como o limite da sequência (abi , i = 0, 1, 2, . . .). Se a = 0 e b > 0,
definimos ab = 0. Para a = 0 e b = 0, ab não é definido.
7. Propriedades da potência com expoente real. Sejam a, b ∈ R, a > 0, b > 0, x, y ∈ R.
(a) ax ay = ax+y
ax
(b) y = ax−y
a
(c) (ab)x = ax bx
 a x a x
(d) = x
b b
(e) (ax )y = axy
8. Dado a ∈ R, a > 0, a ̸= 1, a função f : R → R definida por f (x) = ax é chamada função exponencial com a
base a.
9. Nos seguintes gráficos, mostramos ax para 0 < a < 1 (por exemplo, a = 0.5) e para a > 1 (por exemplo,
a = 1.5).

10. Propriedades da função exponencial. Seja f (x) = ax onde a ∈ R, 0 < a ̸= 1.


(a) f (0) = 1
(b) Se a > 1, então x < y ⇐⇒ f (x) < f (y) (a função exponencial é crescente). Por exemplo, o segundo
gráfico acima.
(c) Se a < 1, então x < y ⇐⇒ f (x) > f (y) (a função exponencial é decrescente). Por exemplo, o primeiro
gráfico acima.
(d) A função é injetora, e a função f : R → R>0 definida por f (x) = ax é bijetora (onde R>0 é o conjunto
de números reais e positivos).
(e) A função exponencial tem os seguintes limites.
lim ax = ∞ se a > 1
x→∞
lim ax = 0 se a > 1
x→−∞
lim ax = 0 se 0 < a < 1
x→∞
lim ax = ∞ se 0 < a < 1
x→−∞
11 FUNÇÃO LOGARITMICA 23

10.1 Exercícios do livro Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 2 (Edição 10, 2013)
11. Capítulos I. Problemas 15, 16, 18, 23, 32, 33, 36–44, 49(e,f,g), 52, 53, 54, 55.

12. Capitulo II. Problemas 62, 66, 67.

13. Capítulo II, Equações. Problemas 72, 76, 82–90, 98, 99–105, 107–111.

14. Capítulo II. Inequações. Deixemos esse tópico para a última prova. Problemas 113(i,j), 114(g,h), 116,
117(l,m), 120(c), 123(e,f), 125(k,l), 129, 133.

11 Função logaritmica
O objetivo deste capítulo é definir a função logaritmica (isto é, dado um número real 0 < a ̸= 1, chamado a base
do logaritmo, definimos uma função f : R+ → R, denotado por f (x) = loga x) e estudar suas propriedades.

11.1 Definição e propriedades da função logaritmica


1. Seja a ∈ R, 0 < a ̸= 1. A função f : R → R>0 definida por f (x) = ax é bijetora, então possui inversa
g : R>0 → R (isto é, g(f (x)) = x para todo x ∈ R, e f (g(x)) = x para todo x ∈ R>0 ), denotado por
g(x) = loga (x), chamado a função logarítmica com a base a. Em outras palavras, se x ∈ R, x > 0 e y ∈ R,
temos que
loga x = y ⇐⇒ ay = x.
Seja b ∈ R, b > 0, chamamos loga b o logaritmo de b com a base a, e b é o logaritmando.

2. Propriedades de logaritmos: Sejam a, b, c números reais e positivos, e 0 < a ̸= 1, e α ∈ R.

(a) aloga b = b
(b) loga (bc) = loga (b) + loga (c). (A propriedade generaliza quando o logaritmando é produto de quaisquer
números reais e positivos.)
(c) loga cb = loga b − loga c.


(d) loga bα = α loga b.


logc b
(e) Se 0 < c ̸= 1, então loga b = .
logc a
1
(f) Se 0 < b ̸= 1, então loga b = .
logb a
(g) A função logaritmica f (x) = loga x é crescente (decrescente) se e somente se a > 1 (respetivamente,
0 < a < 1).

3. Nos seguintes gráficos, mostramos y = log0.5 x (à esquerda) e y = log1.5 x (à direta). Observe que a curva
y = log0.5 x é a reflexão da curve y = 0.5x na reta y = x, e analogamente, a curva y = log1.5 x é a reflexão da
curve y = 1.5x na reta y = x.
12 PERMUTAÇÕES, COMBINAÇÕES E O TEOREMA BINOMIAL 24

4. Seja a ∈ R e 0 < a ̸= 1, e f, g : R → R+ . Então

(a) loga f (x) = loga g(x) ⇐⇒ f (x) = g(x);


(b) se a > 1, então loga f (x) > loga g(x) ⇐⇒ f (x) > g(x);
(c) se a < 1, então loga f (x) > loga g(x) ⇐⇒ f (x) < g(x).

11.2 Exercícios
Iezzi et al. Matemática Elementar, Vol. 2 (Edição 10, 2013). Resolva os seguintes problemas.
Quando achamos solução de uma equação ou inequação, é necessário verificar que para os valores do variável no
conjunto solução, todos os termos na equação são definidos. Por exemplo, se um termo na equação é loga (x2 − 4),
então x2 − 4 não pode ser negativo, então se valores de x tais que -2 < x < 2 devem ser excluídos do conjunto
solução. Se um termo na equação é logf (x) g(x), então todo x no conjunto solução deve satisfazer g(x) > 0 e
0 < f (x) ̸= 1.

1. Capítulo III, página 60: problemas 137–140

2. Capítulo III, página 61-62: problemas 144, 146, 147

3. Capítulo III, página 62-63: problemas 148–152

4. Capítulo III, página 69-70: problemas 154, 157, 159,

5. Capítulo III, página 75-77: problemas 177, 180, 183, 184, 187, 188, 189, 194

6. Capítulo IV, página 85-87: problemas 205, 210, 212, 218

7. Capítulo V, Equações. Problemas 231, 233, 237, 242, 245, 248, 249, 253, 256,

8. Capítulo VI,Inequações. Deixemos esse tópico para a última prova. Problemas 325(d,e), 332(a,b),
339(d,e), 344, 345, 360.

12 Permutações, combinações e o teorema binomial


12.1 Resumo
1. O princípio aditivo. Seja A1 , . . . , Ak conjuntos finitos dois a dois disjuntos. Então

|∪ki=1 | = |A1 ∪ · · · ∪ Ak | = |A1 | + · · · + |Ak |.

2. O princípio multiplicativo. Seja A1 , . . . , Ak conjuntos finitos. Então

|A1 × A2 × · · · × Ak | = |A1 | × · · · × |Ak |.

Por exemplo, suponha que uma atividade pode ser feita em k passos, e o número de maneiras de fazer o passo
i é αi , i = 1, . . . , k. Então a atividade pode ser feita em α1 × α2 × · · · × αk maneiras.

3. Factorial (definição algébrica). Seja n ∈ N. Definimos


(
1 se n = 0,
n! :=
n × (n − 1)! = n(n − 1) · · · 1 se n > 0.

4. Coeficiente binomial (definição algébrica). Seja k, n ∈ N. Definimos o coeficiente binomial por

se k > n,

 
n 0
:= n!
k  se k ≤ n.
(n − k)!k!
12 PERMUTAÇÕES, COMBINAÇÕES E O TEOREMA BINOMIAL 25

5. Permutações (arranjos) sem repetição de objetos. Seja k, n ∈ N. O número de arranjos de k objetos


distintos de um conjunto de n objetos numa ordem linear é igual
(
1 se k = 0,
Pnk =
n(n − 1) · · · (n − k + 1) se k > 0.

Por exemplo, se os objetos são as 26 letras do alfabeto de inglês (ignorando a diferença entre letras maiúsculas
e minusculas), de quantas maneiras podemos formar palavras de 3 letras (sem repetir as letras numa palavra)?
Para a primeira letra temos 26 opções. Para qualquer primeira letra, temos 25 opções para a segunda letra
(pois a primeira letra não pode ser usada de novo). Para qualquer seleção de primeiras duas letras, temos
24 opções para o 3◦ lugar. No total temos 26 × 25 × 24 palavras. Note que existe uma palavra que não
contem nenhuma letra! Se k = n, temos n! arranjos sem repetição. Então a interpretação combinatória (ou
enumerativa) de n! é: o número de permutações (arranjos) de n objetos sem repetição.
Note que Pnk = 0 se k > n. Isso é claro da formula de Pnk . Isso também é claro combinatóriamente: se k > n,
não é possível construir um arranjo de k objetos distintos de um conjunto de n objetos.

6. Permutações circulares. O número de maneiras colocar n objetos num círculo é (n − 1)!. Considere o
exemplo de 3 objetos a, b, c. Vamos colocar cada permutação (temos 3! = 6 permutações) no círculo. Ob-
serva que as permutações abc, bca, cab são equivalentes quando colocamos no círculo no sentido horário.
(‘Equivalentes’ significa que uma permutação pode ser transformado à outra pela rotação.) Analogamente,
acb, cba, bac são equivalentes quando colocamos no círculo no sentido horário. Mas acb e abc não são equivalen-
tes (precisamos fazer reflexão para transformar uma para a outra). Então temos 6/3 permutações circulares.
Analogamente, se temos 4 objetos a, b, c, d, as permutações acdb, cdba, dbac e bacd são equivalentes quando
colocamos no círculo. Então no caso geral, temos n!/n permutações circulares. Se consideradas equivalentes
duas permutações que são reflexões de uma da outra, temos n!/(2n) permutações para n ≥ 2.

7. Permutações (arranjos) com repetição de objetos. Seja k, n ∈ N. O número de arranjos de k objetos


de n tipos de objetos numa ordem linear, permitindo repetição de objetos, é nk - na cada posição na ordem,
podemos colocar qualquer dos n objetos. (Temos suprimento infinito de cada tipo de objetos.) Por exemplo,
o número de palavras de 3 letras do alfabeto de 26 letras, com repetição de letras permitida, é 26 × 26 × 26.
(Por exemplo, aaa, aab, aba, ... são palavras válidas.)

8. Combinações (seleções). Dado um conjunto de n objetos, de quantas maneiras podemos escolher k objetos
distintos do conjunto? Denotamos este número por Cnk .
Primeiro vamos fazer arranjos (ordem importante) de k objetos distintos do conjunto de n objetos. Temos
Pnk arranjos. Para cada seleção (combinação) de k objetos, temos k! arranjos diferentes. Então Pnk = Cnk × k!.
Então
Pnk
 
k n(n − 1) · · · (n − k + 1) n
Cn = = = .
k! k! k
Por isso, lemos o coeficiente binomial como “n escolhe k”.
Exemplo: Suponha que os objetos são a, b, c, d, e k = 2. Primeiro construímos todas as palavras de duas letras
(ordem importante). Temos as palavras: ab, ba, ac, ca, ad, da, bc, cb, bd, db, cd, dc (total 4 × 3 = 12 palavras).
Mas se a ordem de letras não importa, temos que considerar ab equivalente a ba (ab ∼ ba, ignorando a ordem),
ac ∼ ca, . . .. Então temos 12/6 grupos de palavras equivalentes, e cada grupo contem 2! = 2 palavras. Então,
o número de combinações (ou seleções) de duas letras distintas de 4 letras é 4 × 3/2 = 6. A idea pode ser
generalizada para qualquer k e n.

9. Teorema binomial. Para todo n ≥ 0,


     
n n 0 n n 1 n−1 n n 0
(x + y) = x y + x y + ··· + x y
0 1 n
n  
X n k n−k
= x y .
k
k=0
12 PERMUTAÇÕES, COMBINAÇÕES E O TEOREMA BINOMIAL 26

10. Identidaded binomiais. Seja k, m, n ∈ N.


   
n n
=
k n−k
     
n n−1 n−1
Identidade de Pascal: = +
k k−1 k
   
n n−1
k =n
k k−1
     
k n n n−m
=
m k m k−m
       
k k+1 k+n k+n+1
+ + ··· + =
k k k n
     
n n n
+ + ··· + = 2n
0 1 n
       
n n n n n
− + − · · · + (−1) =0
0 1 2 n
 2  2  2  
n n n 2n
+ + ··· + =
0 1 n n

12.2 Exercícios
1. Seja A, B, C conjuntos finitos. Prove que

|A ∪ B ∪ C| = |A| + |B| + |C| − |A ∩ B| − |B ∩ C| − |A ∩ C| + |A ∩ B ∩ C|.

2. Qual é o número de sequências binárias de n dígitos? Quantas sequências contêm exatamente k zeros?
Quantas sequências de 8 dígitos não contêm igual número de 0s e 1s?

3. Um restaurante serve 3 tipos de entradas, 2 tipos de pratos principais e 2 sobremesas. De quantas maneiras
você pode pedir sua refeição? De quantas maneiras você pode pedir sua refeição de dois pratos, incluindo
um prato principal?

4. Qual é o numero de números inteiros com 3 algarismos? Qual é o numero de números pares com 3 algarismos?

5. Qual é a cardinalidade do conjunto {n ∈ N | 100 ≤ n ≤ 999, 2 n ou 3 n}? (A notação k n significa k


divide n.)

6. Prove o teorema binomial algebricamente. Se necessário, use o método de indução e a identidade de Pascal.
Prove o teorema combinatóriamente. Por exemplo, se abrimos todos os parenteses no produto
(x + y)(x + y) · · · (x + y), obtemos quantos termos de xk y n−k ?
| {z }
n vezes

7. Prove as identidades binomiais algebricamente e (se possível) combinatóriamente. Para provar as identidades
algebricamente, use as formulas para Pnk e nk , e o método de indução.
Para provar as identidades combinatóriamente, ache uma demonstração enumerativa. Por exemplo, para
provar a primeira identidade, podemos dizer que escolher k objetos de n objetos é equivalente a não escolher
n − k objetos de n objetos. Em outras palavras, dado um conjunto S de n elementos, seja Fk a família
de subconjuntos
 de S de k elementos, e Fn−k a família de subconjuntos de S de n − k elementos. É claro
que |Fk | = nk e |Fn−k | = n−kn
. Agora o mapa f : Fk → Fn−k definido por f (A) = S \ A é uma bijeção.


(Verifique.) Então as famílias Fk e Fn−k contem o mesmo número de elementos. Isso é uma demonstração
combinatória ou enumerativa, sem cálculos algébricos.

8. Dados n pontos no plano em posição geral (que significa que não existem 3 pontos colineares). Quantas retas
no plano passam por pelo menos 2 pontos?

9. Seja A1 , . . . , Ak pontos distintos na reta y = 0 e B1 , . . . , Bℓ pontos distintos na reta y = 1. Quantas retas no


plano passam por pelo menos 2 pontos?
13 GEOMETRIA 1 - POSTULADOS DE EUCLIDES E NOÇÕES BÁSICAS 27

10. Quantos caminhos existem de (0, 0) a (m, n) tais que cada passo de um caminho é uma unidade para a direita
ou uma unidade para acima?

Alguns problemas da Apostila de OBMEP [Link] Apostila 2 - Métodos


de Contagem e Probabilidade.

11. Capítulo 1: Problemas 6, 7, 8, 10, 11, 13, 14, 15, 16, 20, 22.

12. Capítulo 4: Problemas 1, 3, 4, 7, 8, 10, 14, 15.

Problemas de T7, T8

13. De quantos modos 8 pessoas podem ser dividas em 4 duplas? Solução: 105.

14. De quantos modos podemos formar uma roda com 4 meninos e 6 meninas de modo que os meninos fiquem
dois a dois separados? Solução: 43200.

15. Quantos são os números naturais de 7 algarismos nos quais o algarismo 0 figura exatamente 2 vezes e o
algarismo 1 exatamente 3 vezes? Solução: 9600.

16. Qual é o número de sobrejeções de A a B, onde |A| = 5, |B| = 3. Solução: 150.

13 Geometria 1 - postulados de Euclides e noções básicas


1. Postulados da geometria Euclideana [Link]

(a) Postulado 1: Dados dois pontos distintos, há um único segmento de reta que os une;
(b) Postulado 2: Um segmento de reta pode ser prolongado indefinidamente para construir uma reta;
(c) Postulado 3: Dados um ponto qualquer e uma distância qualquer, pode-se construir uma circunferência
de centro naquele ponto e com raio igual à distância dada;
(d) Postulado 4: Todos os ângulos retos são congruentes;
(e) Postulado 5: Se duas retas intersectam uma terceira reta de tal forma que a soma dos ângulos internos
em um lado é menor que dois ângulos retos, então as duas retas devem se intersectar neste lado se
forem estendidas indefinidamente. (Também chamado Postulado de Euclides ou Postulado das
Paralelas.) Por exemplo, no seguinte desenho α + β < 180◦ , então as retas interseccionam no lado dos
ângulos. Se α + β > 180◦ , as retas interseccionam no outro lado dos ângulos. Se α + β = 180◦ , as retas
não interseccionam (são paralelas).

2. Além dos postulados de Euclides, precisamos um postulado chamado a propriedade de completamento do


plano para evitar algumas dificuldades patológicas. Por exemplo, no seguinte desenho, é necessário garantir
que existem dois pontos de interseção da circunferência com a reta. Informalmente, precisamos os números
reais para marcar distâncias no plano, embora não houvesse uma definição formal do sistema de números
reais na época de desenvolvimento da geometria grega. O postulado é implícito na geometria Euclideana no
livro Os Elementos de Euclides.
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 28

3. Medida em radianos de um ângulo: na seguinte figura o ângulo θ em radianos é dado por s/r.

4. Ângulos a e b são ângulos complementares (a + b = 90◦ ).

5. Ângulos a e b são ângulos suplementares (a + b = 180◦ ); a é agudo, e b é obtuso.

14 Geometria 2 - triângulos
14.1 Resumo
Usaremos a seguinte convenção: no triângulo ABC, denotaremos comprimento do lado AB por c (escrevemos
AB = c), AC = b e BC = a. Também, se não tiver ambiguidade, denotaremos os ângulos por ∠A, ∠B, ∠C. A
seguir estão algumas definições e propriedades de triângulos.
1. Soma de ângulos de um triângulo é 180◦ = π radianos.
2. O teorema de ângulo externo. Dado ∆ABC, e D um ponto na reta BC tal que C é entre B e D. Então
∠ACD = ∠ABC + ∠BAC. (A soma de ângulos internos é igual o ângulo externo.)
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 29

3. Desigualidade triangular. Seja ∆ABC um triângulo. Então a + b > c, a + c > b, b + c > a. Também,
dados a, b, c > 0 tais que a + b > c, a + c > b, b + c > a, existe um triângulo com lados a, b, c.

4. Seja ∆ABC um triângulo. Então a > b se e somente se ∠A > ∠B.

5. Triângulo isósceles. Pelo menos dois lados iguais. Um triângulo é isósceles se e somente se dois ângulos
do triângulo são iguais.

6. Triângulo equilátero. Todos os lados iguais. Um triângulo é equilátero se e somente se ele é equiangular
(todos os ângulos iguais).

7. Triângulo retângulo. Um dos ângulos do triângulo é ângulo reto (90◦ ).

8. Teorema de Pitágoras. Se ∆ABC é um triângulo retângulo com hipotenusa (o maior lado) AC, e catetos
(os menor lados) AB e BC, então AC 2 = AB 2 + BC 2 .

9. Semelhança de triângulos. Os triângulos ABC e DEF são semelhantes se existe uma bijeção f : {A, B, C} →
{D, E, F } tal que
AB BC AC
= = .
f (A)f (B) f (B)f (C) f (C)f (C)
Em geral quando escrevemos ∆ABC ∼ ∆DEF , assumimos que a correspondência é A → D, B → E, C → F .
Temos que: ∆ABC ∼ ∆DEF se e somente se ∠A = ∠D, ∠B = ∠E, ∠C = ∠F . Note que nessas relações a
ordem de lados e de ângulos é importante. É possível que os triângulos satisfazem essas relações para uma
outra ordem. Para provar a semelhança, é suficiente achar uma ordem de vértices que mostra as relações.

10. Congruência de triângulos. Os triângulos ABC e DEF são congruentes, denotado por ∆ABC ∼ = ∆DEF ,
se existe uma bijeção f : {A, B, C} → {D, E, F } tal que AB = f (A)f (B), BC = f (B)f (C), AC = f (A)f (C).
Como no caso de semelhança, quando escrevemos ∆ABC ∼ = ∆DEF , assumimos que a correspondência é
A → D, B → E, C → F , ou AB = DE, BC = EF, AC = DF . As seguintes condições são suficientes para
congruência de triângulos:

(a) LLL - lado-lado-lado. A definição acima - dois triângulos são congruentes se os lados correspondentes
são iguais.
(b) LAL - lado-ângulo-lado. ∆ABC = ∼ ∆DEF se e somente se AB = DE, ∠B = ∠E, BC = EF .
(c) ALA - ângulo-lado-ângulo. ∆ABC ∼
= ∆DEF se e somente se ∠A = ∠D, AB = DE, ∠B = ∠E.

11. Mediana. Uma mediana de um triângulo é um segmento de um vértice do triângulo ao ponto médio do
lado oposto. As três medianas de um triângulo são concorrentes, e a interseção é chamado o centroide do
triângulo. O centroide divide cada mediana na proporção 2 : 1. No seguinte desenho, AO : OE = BO :
OF = CO : OD = 2 : 1.

12. Altura. Uma altura de um triângulo é um segmento de um vértice do triângulo à reta oposta tal que o
segmento é perpendicular à reta. As três alturas de um triângulo são concorrentes.

13. Bissetriz de um ângulo. A reta que divide um ângulo em duas partes iguais. As três bissetrizes angulares
de um triângulo são concorrentes. A intersecção de bissetrizes dos ângulos de um triângulo é o incentro do
triângulo (o centro da circunferência inscrita).
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 30

Como construir a bissetriz de um ângulo: [Link] Justifique a cons-


trução mostrada na Wikipédia.

14. Mediatriz de um segmento. A reta que divide um segmento em duas partes iguais e que é perpendicular
ao segmento. As três mediatrizes de lados de um triângulo são concorrentes. A intersecção de mediatrizes de
lados de um triângulo é o circuncentro do triângulo (o centro da circunferência que passa pelos vértices do
triângulo).

Como construir a mediatriz de um segmento: [Link] Justifique a


construção mostrada na Wikipédia.

15. Seja ABC um triângulo retângulo com a hipotenusa AB. Seja CD a altura de C ao lado AB. Então ∆ABC,
∆ACD e ∆CBD são semelhantes. (Construa um desenho e prove o resultado.)

16. Seja ABC um triângulo retângulo com a hipotenusa AB. Seja CE a mediana de C ao lado AB. Então
∆AEC e ∆BEC são isósceles e EA = EB = EC. (Construa um desenho e prove o resultado.)

17. A área de ∆ABC é AB · CD/2 onde CD é a altura de C ao lado AB. (A área de um retângulo ABCD é
igual base AB · BC. Usando isso, prove as formulas de área para paralelogramos e triângulos.)

18. Dado ∆ABC, e pontos D e E nos lados AB e CB, respetivamente, tais que DE é paralela a AC. Então
∆ABC ∼ ∆DBE.

14.2 Exercícios
1. No retângulo ABCD, suponha que AD = 1, e os√segmentos DP e DB dividem ∠ADC em ângulos iguais.
4 3
Calcule o perímetro de ∆BDP . Solução: 2 + .
3
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 31

2. No seguinte desenho, ABCD é um retângulo. Calcule a área de ∆ABE. Solução: 25/2.

3. No seguinte desenho, BD = 8 e CE = 12. Calcule a área de ∆ABC. Solução: 64. (Use os resultados no
item 11.)

4. No seguinte desenho, calcule ∠BDC. Solução: 55◦ .

5. Calcule a mínima altura no triângulo com lados 15, 20, e 25. Solução: 12.

6. No seguinte desenho, suponha que AB = 5, BC = 7, AC = 9, e BD = 5. Calcule AD/DC. Solução: 19/8.

area(∆DEF )
7. No seguinte desenho, ∆ABC e ∆DEF são triângulos equiláteros. Calcule . Solução: 1/3.
area(∆ABC)
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 32

8. No seguinte desenho, ∆ABC é um triângulo retângulo. Suponha que AC = 15, DB = 16. Calcule
area(∆ABC). Solução: 150.

9. No seguinte desenho, ABCD é um retângulo. Calcule GF . Solução: 20.

10. Num triângulo retângulo ABC, ∠C = 90◦ . Pontos M e N são pontos médios dos lados AC e BC, respeti-
vamente. Suponha que AN = 19 e BM = 22. Calcule AB. Solução: 26.

11. Ponto D é no lado BC de ∆ABC. Suponha que AB = 3, AC = 6, e ∠CAD = ∠DAB = 60◦ . Calcule AD.
Solução: 2.

12. No triângulo ABC, AC = CD and ∠CAB = ∠ABC = 30◦ . Calcule ∠BAD. Solução: 15◦ .

13. Seja ABC um triângulo isosceles com BC = AC e ∠ACB = 40◦ . No desenho, BC é um diâmetro da
circunferência. Seja F a interseção de BD e EC. Calcule ∠BF C.
(A) 90 (B) 100 (C) 105 (D) 110 (E) 120
Solução: (D) 110◦
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 33

14. Os lados dos triângulos t1 , t2 , t3 no desenho são paralelos aos lados do triângulo ABC. As áreas dos triângulos
t1 , t2 , t3 são 4, 9, 49, respetivamente. Calcule a área do triângulo ABC. Solução: 144.

15. No seguinte desenho, ABCD é um retângulo com AB = 3 e BC = 11, e AECF é um retângulo com AF = 7
e F C = 9. Calcule a área da região sombreada. Solução: 105/4.

16. No seguinte desenho, ABCD, F GHJ e KLM N são√quadrados, e E é o ponto médio de AD. A área de
KLM N é 99. Calcule a área de F GHJ. Solução: 7 11.
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 34

17. No seguinte desenho, o triângulo ABC é isósceles com área 12.5.


√ Os segmentos CD e CE são trissectores do
ângulo C. Calcule a área do triângulo CDE. Solução: 50−25 3
2 .

18. No seguinte desenho, suponha que ∠C = 90◦ , AD = DB = 10, AC = 12, e DE é perpendicular a AB. Então
a área do quadrilátero ADEC é Solução: 58.5

19. No seguinte desenho, suponha que CD : DB = AE : EC = BF : F A = 1 : 2. Podemos provar que


AN2 : N2 N1 : N1 D = 3 : 3 : 1, e analogamente temos proporções nos segmentos BE e CF . Então
area(∆N1 N2 N3 ) : area(∆ABC) =? Solução: 1 : 7.

20. Dado ∆(P QR). Segmento RS é bissetriz do ângulo R. O ângulo n é ângulo reto. Prove que ∠m =
(∠p + ∠q)/2.
14 GEOMETRIA 2 - TRIÂNGULOS 35

21. No seguinte desenho, AB = AC, AD = AE, ∠BAD = 30◦ . Calcule o ângulo X. Solução: 15.

22. ∆ABC é um triângulo retângulo com ∠C = 90◦ . Suponha que BC = 5, AC = 12, AM = x, e N é um ponto
no lado AB, e N M é perpendicular a AC, e N P é perpendicular a BC. Suponha que M N + N P = y. Prove
que y = (144 − 7x)/12.

23. Prove o teorema de Pitágoras utilizando o seguinte desenho: prove que as áreas azuis são iguais e as áreas
rosadas são iguais.

24. Prove o teorema de Pitágoras utilizando o seguinte desenho.


15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 36

25. Prove o teorema de Pitágoras utilizando o seguinte desenho. (Use semelhança de triângulos.)

26. Prove que a intersecção de bissetrizes dos ângulos de um triângulo é o incentro (o centro da circunferência
inscrita).

27. Prove que a intersecção de mediatrizes de um triângulo é o circuncentro do triângulo.

28. Resolva exercícios dos capítulos 3 e 4 do livro: Paulo Antônio Fonseca Machado (2012) Fundamentos de
Geometria Plana e de Construções Geométricas

[Link]
[Link]

15 Geometria 3 - circunferências
15.1 Resumo
1. Dado um ponto O no plano e um número real r > 0, a circunferência de raio r e centro O, denotado por
C(O, r), é o conjunto de pontos do plano cuja distância de O é r.

2. Uma tangente da circunferência é uma reta com exatamente um ponto de interseção com a circunferência.
Uma reta é um secante de uma circunferência quando elas se interceptam em dois pontos distintos.

3. Seja C(O, r) uma circunferência. Qualquer dois pontos na circunferência determinam dois arcos (um maior
arco e um menor arco, ou dois arcos iguais). Seja A, B, C pontos distintos na circunferência. Denotamos por
d o menor arco entre pontos A e B. Se os arcos são iguais ou para distinguir os dois arcos, denotamos o
AB
arco usando um ponto no arco, por exemplo, ACB.\ A medida do arco ACB \ é a medida do ângulo AOB
cujo interior contem o ponto C. Denotamos a medida por m(AB) ou m(ACB).
d \

4. Seja C(O, r) uma circunferência. A área da circunferência é πr2 , e o perímetro da circunferência é 2πr. Se A
e B são pontos na circunferência, a área do setor definido pelo AB
d (isto é, a região definida pelo arco AB,
d e
2
πr · m(AB)
d 2πr · m(AB)
d
segmentos OA e OB) é . O comprimento do arco é d Nestas formulas,
= r · m(AB).
2π 2π
d deve ser em radianos.
m(AB)
15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 37

5. Um ângulo central numa circunferência é um ângulo com vértice no centro da circunferência. (Por exemplo,
se O é o centro, e A e B são pontos na circunferência, então ∠AOB é um ângulo central.)

6. O seguinte desenho mostra um ângulo inscrito (vértice do ângulo na circunferência) (primeira figura), um
ângulo secante interno (vértice do ângulo no interior) (segunda figura), e um ângulo secante externo (vértice
do ângulo no exterior) (terceira figura).

7. Uma secante perpendicular a uma corda de uma circunferência passa pelo centro se e somente se a secante é
a mediatriz da corda. (Faça um desenho para visualizar.)

8. Seja P um ponto exterior de uma circunferência C(O, r).

(a) Existem exatamente duas retas que passam pelo ponto P que são tangentes à circunferência.
(b) Os segmentos determinados pelo ponto P e os pontos da tangência são congruentes.
(c) A reta OP é a bissetriz do ângulo determinado pelos tangentes cujo interior contem o ponto O.

Por exemplo, no seguinte desenho, P A = P B e ∠OP A = ∠OP B.

9. O teorema de tangente e corda. No seguinte desenho, θ = 2α. (Prove o resultado.)


15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 38

10. O teorema de ângulo central. No seguinte desenho, θ = 2α. (Prove o resultado nos dois casos no seguinte
desenho.)

11. Ângulo numa semicircunferência. Um ângulo de um triângulo inscrito numa circunferência é ângulo reto
se e somente se o lado oposto é um diâmetro. (Prove o resultado.)

12. Potência de um ponto. Se duas retas passam por um ponto P e interceptam uma circunferência em
pontos A, B e C, D, respetivamente, então P A · P B = P C · P D. Prove o resultado nos casos de ponto P no
interior e no exterior (como nos seguintes desenhos). Para provar o resultado, descubra semelhança de alguns
triângulos.
15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 39

13. O teorema de tangente e secante. No seguinte desenho, AC 2 = BC · P C. (Para provar o resultado, pri-
meiro prove que ∆ABC ∼ ∆P AC. Ou verifique que o resultado é um caso particular do teorema de potência
de um ponto quando uma das retas que passam pelo ponto (no exterior) é tangencial à circunferência.)

15.2 Exercícios
1. No seguinte desenho, os centros das circunferências são colineares. Calcule a proporção da área sombreada à
área não sombreada. Solução: a/b.
15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 40

2. No seguinte desenho, AB = AC, e os tangentes nos pontos B e C interceptam em D. Suponha que ∠ABC =
∠ACB = 2∠BDC. Calcule ∠BAC em radianos. Solução: 3π/7.


3. As cordas no seguinte desenho são paralelas. Calcule a. Solução: 2 46.

4. Calcule o perímetro da região. Solução: 5π/3.


15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 41

5. No seguinte desenho, os arcos AB,


d BC, d têm o mesmo comprimento. Calcule ∠ACD. Solução: 15◦ .
d CD

6. Calcule a área da circunferência. Solução: 24π.

7. No seguinte desenho, as circunferências são tangentes, e as retas P AB e P A′ B ′ são tangentes comuns às


circunferências nos pontos A, B e A′ , B ′ , respetivamente. Calcule a área da menor circunferência. Solução:
2π.

8. No seguinte desenho, as circunferências são concêntricas. A proporção de raios das circunferências é 1 : 3. AC


é um diâmetro da maior circunferência, e a corda BC é um tangente à menor circunferência. Dado AB = 12,
calcule o raio da maior circunferência. Solução: 18.
15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 42


6 3−π
9. O diâmetro da menor semi circunferência é 1. Calcule a área da região sombreada. Solução: .
24

10. O raio da circunferência é r. Dado AB = 10, BP = 8, DC = 7, ∠P = 60◦ . Calcule r2 . Solução: 73.

11. No seguinte desenho, os diametros AB e CD são perpendiculares, e AM é qualquer uma corda que intercepta
CD no ponto P . Prove que AP × AM = AO × AB.

12. No seguinte desenho, O é o centro da circunferência, CE = DE, e o arco AB é 1/4 da circunferência. Prove
que area(∆CED) : area(∆AOB) = 2 : 1

13. No seguinte desenho, A, B, C são pontos de tangência. Calcule X. Solução: 1/16.


15 GEOMETRIA 3 - CIRCUNFERÊNCIAS 43

14. No seguinte desenho, O é o centro da circunferência e BC é igual o raio da circunferência. Ache a relação
entre os ângulos x e y? Solução: x = 3y.


15. Calcule r no seguinte desenho. Solução: 1 + 2

16. No seguinte desenho, o raio da maior circunferência é 13, e o raio das menor circunferências é 5. Calcule a
distância AB. Solução: 65/4


17. Calcule a área do triângulo ABC. Solução: 16 2.
16 TRIGONOMÉTRIA 44

18. No seguinte desenho, o diametro EB é paralelo a CD, e AB é paralelo a ED. ∠AEB : ∠ABE = 4 : 5.
Calcule ∠BCD. Solução: 130◦ .

19. No seguinte desenho, A é o centro da circunferência, AB = 86, AC = 97, e BX e CX são inteiros. Calcule
BC. Solução: 61.

16 Trigonométria
16.1 Resumo
1. Seja P := (x, y) um ponto na circunferência x2 + y 2 = r2 de raio r > 0. Seja Q := (r, 0). Denotamos por θ
o ângulo QOP , onde O é a origem e medimos o ângulo θ no sentido anti-horário a partir do sentido positivo
16 TRIGONOMÉTRIA 45

do eixo x. Definimos
y
sen θ :=
r
x
cos θ :=
r
x
tan θ :=
y
Temos a relação sen2 θ + cos2 θ = 1.
A seguinte figura mostra a convenção de sinais de ângulos. Note que sen(α) = − sen(2π − α) = sen(−β) e
cos(α) = cos(2π − α) = cos(−β). Também sen(−α) = − sen(α) e cos(−α) = cos(α).

2. Gráficos de sen(x), cos(x), tan(x). Observa a periodicidade. O período de uma função f : R → R é o mínimo
número real positivo T (se existe) tal que f (x) = f (x + kT ) para todo k ∈ Z.
16 TRIGONOMÉTRIA 46

3. Definimos uma série ou série infinita, a partir de uma sequência an a soma infinita

X
an := a0 + a1 + a2 + · · · .
n=0

A sequência das somas parciais da série é a sequência S0 , S1 , S2 , . . ., onde

S0 = a0
S1 = a0 + a1
S2 = a0 + a1 + a2
...
k=n
X
Sn = ak
k=0
...

Dizemos que a série é convergente a S se a sequência das somas parciais é convergente a S (possui um limite
S), isto é,
lim Sn = S.
n→∞

4. Seja x ∈ R.
1
= 1 + x + x2 + · · · convergente para |x| < 1
1−x
x3 x5
sen(x) = x − + − ··· convergente para todo x (em radianos)
3! 5!
x2 x4
cos(x) = 1 − + − ··· convergente para todo x (em radianos)
2! 4!
x x2 x3
ex = 1 + + + + ··· convergente para todo x
1! 2! 3!

X xn
ln(1 + x) = (−1)n+1 convergente para − 1 < x ≤ 1
n
n=1

As séries também são válidas para números complexos.

5. A formula de Euler: Para todo x ∈ R,

eix = cos(x) + i sen(x).

6. Temos as seguintes relações

sen(α + β) = sen α cos β + cos α sen β


cos(α + β) = cos α cos β − sen α sen β
cos(2α) = cos2 α − sen2 α
sen(2α) = 2 sen α cos α
2 tan α
tan(2α) = ,
1 − tan2 α
onde a formula de tan(2α) é verdadeira se tan2 α ̸= 1.

7. As regras de sen e cosen: Seja ABC um triângulo de lados a, b, c e ângulos A, B, C (onde o lado a é oposto
a o ângulo A, ...). Então temos que

a2 = b2 + c2 − 2bc cos(A),
sen(A) sen(B) sen(C)
= = .
a b c
16 TRIGONOMÉTRIA 47

16.2 Exercícios
1. Escreva as séries em item 4 usando a notação de (como na série de logaritmo).
P


2. Escreva a série de eix (onde i = −1). Verifique que as séries de sen(x), cos(x), exp(ix) satisfazem a formula
de Euler.

3. Use as séries de sen(x) e cos(x) para calcular sen(30◦ ), cos(30◦ ), sen(15◦ ), cos(15◦ ). Por exemplo, você pode
usar alguns termos (5 ou 6 ou 7) das séries para calcular (usando a calculadora) uma aproximação. Comparar
com os valores obtidos pelas funções sen, cos na calculadora. (Note que as séries são definidos para x em
radianos.)

4. Use a formula de Euler para obter as formulas no item 6. (Observa que e2iθ = (eiθ )2 .)

5. Usando as definições geométricas das funções trigonométricas e algumas propriedades de triângulos, o teorema
de Pitágoras, calcule sen, cos, tan de 30◦ , 45◦ , 60◦ , 90◦ , . . . , 360◦ .

6. Prove as seguintes relações a partir das definições geométricas das funções trigonométricas e o teorema de
Pitágoras:

sen(π/2 − θ) = cos(θ)
cos(π/2 − θ) = sen(θ)

Ache outras formulas analogamente (por exemplo, para sen ou cos de π/2 + θ, π − θ, π + θ, . . .).

7. Calcule sen2 x, cos2 x usando as séries de sen(x), cos(x), respetivamente. Verifique a relação sen2 x+cos2 x = 1.

8. Prove que eiπ + 1 = 0.

9. Prove as regras de sen e cos.

10. Num triângulo ABC, dado AB = 1, AC = 2 e a mediana de A ao lado BC é igual BC. Calcule BC.

11. Ache formulas para calcular sen(3θ) e cos(3θ) em termos de sen(θ) e cos(θ).

12. Suponha que sen(x) = 3 cos(x). Calcule sen(x) cos(x).

13. Seja OA e OB duas semi retas com ângulo π/6. Suponha que AB = 1. Qual é o valor máximo de OB?

14. No triângulo ABC, suponha que 3 sen(A) + 4 cos(B) = 6 e 4 sen(B) + 3 cos(A) = 1. Qual é a medida do
ângulo C?

15. Qual é o período das funções sen(x), cos(x), tan(x), sen(x/3), cos(3x/5), tan((2x − π)/3)?

16. Determine o conjunto solução das seguintes equações

(a) cos(3x) = 1

(b) cos(2x) = 3/2

(c) sen(3x) = 1/ 3

(d) tan(2x) = 1/ 2.
√ √ √
17. Expresse os seguintes números complexos na forma reiθ onde r ≥ 0: − 3/2 + i/2, 2 + 5i, (1/ 2 − i/ 2).

18. Determine as raízes do polinômio x3 − 1 pelos métodos algébricos (por exemplo, fatoração). Obtemos três
raízes (um delas é real, e outros não reais (conjugados complexos)). Agora determine as raízes usando a
formula de Euler. Por exemplo, suponha que a + ib é uma raiz. Podemos expressar a + ib na forma reiθ .
Verifique que r = 1. Então e3iθ = 1. Agora vamos usar a formula de Euler; temos que cos(3θ) = 1. Resolva
esta equação.

19. Determine as raízes do polinômio x5 − 2.

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