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CAPS: Estrutura e Objetivos no Brasil

O documento aborda a história e a estrutura dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Brasil, destacando a reforma psiquiátrica e a Política Nacional de Saúde Mental. Os CAPS visam a desinstitucionalização e a reabilitação psicossocial, promovendo cuidados em liberdade e integração social. Apesar de sua importância, o texto aponta desafios operacionais e a necessidade de reorganização e capacitação profissional na assistência em saúde mental.

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emanuela barroso
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CAPS: Estrutura e Objetivos no Brasil

O documento aborda a história e a estrutura dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Brasil, destacando a reforma psiquiátrica e a Política Nacional de Saúde Mental. Os CAPS visam a desinstitucionalização e a reabilitação psicossocial, promovendo cuidados em liberdade e integração social. Apesar de sua importância, o texto aponta desafios operacionais e a necessidade de reorganização e capacitação profissional na assistência em saúde mental.

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Centro de Atenção

Psicossocial
Prof. Helvo Slomp Junior
Centro Multidisciplinar UFRJ/Macaé
Instituto de Ciências Médicas
helvosj@[Link]
Introdução
Antecedentes do CAPS

• A REFORMA PSIQUIÁTRICA brasileira, desde suas origens internacionais:


• Congresso dos Trabalhadores de Saúde Mental (1987):
• Primeiro Centro de Atenção Psicossocial: o CAPS Prof. Luis da Rocha Cerqueira ou “CAPS
Itapeva”, São Paulo-SP, inaugurado em 1987 e ainda funcionando
• Experiência santista de desinstitucionalização em saúde mental, desenvolvida no período
de 1989 a 1996 (inspirara em experiências internacionais, como a psiquiatria
democrática italiana: Basaglia, Rotelli etc)
• Conferência Regional para a Reestruturação da Assistência Psiquiátrica dentro dos
Sistemas Locais de Saúde – Declaração de Caracas (1990)
• IV Encontro Nacional do Movimento da Luta Antimanicomial (2001)
Política Nacional de Saúde Mental no Brasil

• Lei nº 10.216/2001:
• afirma os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo
assistencial em saúde mental
• Substituição progressiva do modelo tradicional por serviços no território, abertos,
visando o cuidado tanto longitudinal como na crise, e integrados a outras políticas
públicas (educação, moradia, trabalho, cultura etc.)

• Decreto 7.508/ 2011 e Portaria 3.088/ 2011:


• A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é incorporada às Redes de Atenção à Saúde (RAS)

• Retrocessos a partir de 2016, com retomada lenta atual


Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)

Pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento ou


transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de
crack, álcool e outras drogas, no âmbito do SUS
Componentes assistenciais da RAPS

PRÓPRIOS DA SAÚDE MENTAL PERTENCENTES À RAS EM GERAL

1. Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nas 7. Unidade básica de saúde (UBS) / unidade
suas diferentes modalidades: I, II e III, infanto- de estratégia de saúde da família (unidade
juvenil e AD ESF)
2. Centros de convivência 8. Equipe de Consultório na Rua (CnaR),
3. Serviços residenciais terapêuticos (SRT) pertencente à ESF
4. Enfermaria especializada em hospital geral 9. Pontos de atenção de U/E: SAMU 192, UPA
24 horas, pronto socorro hospitalar, sala de
5. Serviço hospitalar de referência para atenção
estabilização
às pessoas com sofrimento ou transtorno mental,
e com necessidades decorrentes do uso de crack, 10. Outros ...
álcool e outras drogas
6. Unidades de acolhimento, Programa de volta
prá casa (PVC)
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)
CAPS: OBJETIVO

• Serviço substitutivo que visa a DESINSTITUCIONALIZAÇÃO:


• instituição compreendida como modos de relação de poder que as pessoas
estabelecem entre si e com o mundo, impondo maneiras de pensar e de
viver (não somente como estrutura burocrática)
• cuidado em liberdade de pessoas com transtornos mentais graves, na
comunidade
• desvincular o cuidado de uma exclusiva necessidade de adaptação às
normas sociais
• mediação da emancipação social e existencial: novas trocas e novos laços,
maior possibilidade de escolhas no gerenciamento da própria vida
CAPS: PRESSUPOSTO

• Ações terapêuticas no TERRITÓRIO:

• não é só o bairro, a cidade física, mas tudo que faz a cidade (ou o campo)
em que se vive (território geográfico e existencial)
• Instituições (do setor saúde e de outros setores) em rede
(intersetorialidade)
• a vida fora do CAPS, as relações do dia a dia que precisamos fazer, o
contexto que muda e que é vivido de modo diferente a cada dia
• as atividades realizadas dentro do CAPS ganham sentido quando articuladas
com a vida fora do CAPS
CAPS: TIPOS

• CAPS I: Municípios com população > 15.000 habitantes


• CAPS II: Municípios com população > 70.000 habitantes
• CAPS III: Municípios ou regiões com > 200.000 habitantes; funcionamento vinte
e quatro horas (retaguarda clínica e acolhimento noturno a outros serviços de
saúde mental)
• CAPS-ad (convencional e tipo III): Municípios ou regiões com população >
70.000 habitantes
• CAPS-i: municípios ou regiões com população > 70.000 habitantes
(BRASIL, 2011)
CAPS: MARCAS CONSTITUTIVAS

1. A REDE ONDE SE INSERE

2. A CLÍNICA PSICOSSOCIAL

3. O COTIDIANO DO SERVIÇO
1. O CAPS E A REDE

• Conexão, ligação, articulação viva entre pessoas, coletivos e


instituições, para facilitar mais encontros que separações e
isolamentos, para gerar movimento

“Todos nós, no nosso espaço de vida, ou seja, no nosso cotidiano, oscilamos entre
movimentos de conexão maior com o mundo, com o outro, em que nos sentimos parte
de uma totalidade, e movimentos de afastamento, em que, para sustentarmos nossa
individualidade, nossa singularidade, colocamos esse mundo em parênteses, nos
desconectamos dele. Os pacientes graves têm grande dificuldade de realizar em seu
cotidiano esse movimento pendular. É preciso que a nossa intervenção favoreça esse
movimento” (LEAL e DELGADO, 2007)
2. A CLÍNICA PSICOSSOCIAL

• CUIDADO diário e constante, focado na reabilitação psicossocial,


que depende dos modo desinstitucionalizante de organizar o
serviço e suas ofertas

• Cuidado multi/interprofissional, com discussões de casos

• Atendimentos e procedimentos individuais e em grupo,


atendimentos familiares, visitas domiciliares

• Atividades centradas no acolhimento: escuta voltada para a


experiência da loucura, mais do que somente para os sintomas
2. A CLÍNICA PSICOSSOCIAL

• Outro projeto ético-estético de clínica, focada no que acontece


em ato, movida mais pela solidariedade do que pela objetividade
• Abdica do controle/domínio sobre o outro, priorizando a
negociação permanente (não exclui o tratamento involuntário, quando for
o caso de proteção da vida...)

• Deslocamento da clínica da doença para o sofrimento do sujeito


em sua singularidade e a produção de subjetividade

• Leva em conta as relações sujeito-sociedade, a fim de, a partir


delas, produzir as intervenções
2. A CLÍNICA PSICOSSOCIAL

• Leva em conta a história de vida, não como mera sintomatologia


ou mero destino a ser cumprido, mas como uma vida que poderá,
ainda que minimamente, ser reescrita

• Compreende a reabilitação psicossocial não como adaptação, mas


coexistência nas diferenças, e que deve ser considerada o tempo
todo no tratamento, faz parte dele

• Projetos terapêuticos singulares: valorização das capacidades, das


potências de vida, por mínimas que possam ser, e foco não apenas
nas fragilidades
3. O COTIDIANO DO CAPS

• Visa ampliar espaços de expressão, relações e circulação, para


evitar o isolamento e promover a reinserção social, mediante
novas contratualidades, participação e autogestão
• Valorização das capacidades, das potências de ação/intervenção
do próprio usuário-cidadão
• Atividades que envolvem lazer e trabalho, como as mais variadas
oficinas terapêuticas, assembléias de usuários, eventos, entre
outras
• Apoio em assuntos financeiros, jurídicos, previdenciários, de
moradia, de transporte, e outros, visando a cidadania
Nosso campo prático: CAPS Betinho

[Link]
[Link]/search?sca_esv=a
35bac02bce17fa8&q=ca
ps+betinho+maca%C3%A
9&tbm=isch&source=ln
ms&sa=X&ved=2ahUKEw
jS2fC_zN-
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pQJegQIDRAB&biw=128
0&bih=551&dpr=1.5#im
grc=a086d7gG6psCpM
Atenção Psicossocial

Muitos ainda são os DESAFIOS da atenção psicossocial no Brasil:

“Apesar da longa luta antimanicomial, existem problemas orçamentários,


estruturais e na formação e comunicação entre profissionais que
comprometem a assistência em saúde mental. Conclusão: O CAPS é um
serviço essencial aos usuários, porém possui problemas operacionais,
especialmente no atendimento, condições de trabalho e vínculo entre redes
assistenciais, exigindo reorganização do serviço e capacitação profissional”
(Costa e Melo, 2022, revisão).
Referências principais
AMARANTE, P. Saúde mental e atenção psicossocial. 4ª edição. 5ª reimpressão. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de
Atenção Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de
crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde mental.
(Cadernos de Atenção Básica, 34) Brasília: Ministério da Saúde, 2013, 171p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática.
Centros de Atenção Psicossocial e Unidades de Acolhimento como lugares da atenção psicossocial nos territórios:
orientações para elaboração de projetos de construção, reforma e ampliação de CAPS e de UA. Brasília: Ministério da
Saúde, 2015, 44 p.
COSTA, Icaro; MELO, Cynthia de Freitas. Avaliação dos Centros de Atenção Psicossocial: uma revisão integrativa.
Revista Psicologia e Saúde, v. 14, n. 4, out./dez. 2022, p. 3–20.
CRUZ, Nelson F. O.; GONÇALVES, Renata W.; DELGADO, Pedro G.G. Retrocesso da Reforma Psiquiátrica: o desmonte
da política nacional de saúde mental brasileira de 2016 a 2019. Trabalho, Educação e Saúde, v. 18, n. 3, 2020,
e00285117.
Referências principais
LEAL, E. M.; DELGADO, P. G. G. Clínica e cotidiano: o CAPS como dispositivo de desinstitucionalização. In: PINHEIRO,
R.; GULJOR, A. P.; GOMES, A.; MATTOS, R. A. de (Orgs.). Desinstitucionalização na saúde mental: contribuições para
estudos avaliativos. 1a ed. Rio de Janeiro: CEPESC: IMS/LAPPIS: ABRASCO, 2007, p. 137-154.
MERHY, E. E. Os CAPS e seus trabalhadores: no olho do furacão antimanicomial. Alegria e Alívio como dispositivos
analisadores. 2004. In: MERHY EE, AMARAL H, editores. A reforma psiquiátrica no cotidiano II. São Paulo: Aderaldo &
Rothschild; 2007. p. 55-66.
MOEBUS, R. L. N.; MERHY, E. E. A Terceira Margem da Clínica Produção do Cuidado em Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS). DIVERSITATES International Journal: Vol. 07, n. 02, 2015.
QUINDERÉ, P. H. D., JORGE, M. S. B. e FRANCO , T. B. Rede de Atenção Psicossocial: qual o lugar da saúde mental?.
Physis: Revista de Saúde Coletiva [online]. 2014, v. 24, n. 01 [Acessado 18 Julho 2022], pp. 253-271.
YASUI, S.; COSTA-ROSA, A. A estratégia atenção psicossocial: desafio na prática dos novos dispositivos de saúde
mental. Saúde em Debate, vol. 32, núm. 78-79-80, pp. 27-37, 2008.

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