FACULDADE DE CIÊNCIAS EDUCACIONAIS DE CAPIM GROSSO
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FACULDADE DE PEDAGOGIA
CAMILA NUNES
SUELLEN SANTOS
RESUMO:
CAPÍTULO 1 DE PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, DE PAULO FREIRE
A realidade da opressão e a busca pela humanização
CAPIM GROSSO-BA
2025
CAMILA NUNES
SUELLEN SANTOS
RESUMO:
CAPÍTULO 1 DE PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, DE PAULO FREIRE
A realidade da opressão e a busca pela humanização
Trabalho solicitado pela professora Brenna Oliveira,
com o requisito principal da avaliação da disciplina
de Planejamento e Avaliação da Aprendizagem.
CAPIM GROSSO-BA
2025
A REALIDADE DA OPRESSÃO E A BUSCA PELA HUMANIZAÇÃO
A obra Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire, é um marco na educação
por discutir a relação entre opressores e oprimidos e propor uma pedagogia voltada à
libertação e à conscientização. Escrita na década de 1960, em um contexto de
ditadura e profundas desigualdades sociais, continua atual por trazer reflexões sobre
cidadania, democracia e justiça social. No primeiro capítulo, o autor estabelece as
bases de sua análise, destacando a realidade da opressão, a desumanização que
dela resulta e a missão histórica dos oprimidos em transformar a sociedade.
Uma das ideias centrais desse capítulo é a noção de desumanização.
Segundo Freire, ela ocorre quando indivíduos ou grupos sociais são privados de sua
condição humana por meio de relações de opressão e dominação. Essa privação
pode se manifestar na alienação, na perda da autonomia, na marginalização e na
negação da capacidade de transformar a própria realidade. Para Freire, a educação
deve contribuir para romper esse processo, promovendo a conscientização dos
oprimidos para que possam conquistar a liberdade e recuperar sua humanidade.
O autor explica que a opressão é uma realidade histórica e social, em que
um grupo dominante (os opressores) explora e subjuga outro (os oprimidos),
impedindo-o de desenvolver seu potencial humano. Essa relação se manifesta em
diferentes níveis — econômico, político, cultural e psicológico — e leva os oprimidos
a internalizar um sentimento de inferioridade e passividade. Por vezes, esses sujeitos
passam a desejar apenas ocupar o lugar do opressor, perpetuando o ciclo da
opressão. Freire adverte, entretanto, que a libertação não pode significar apenas a
troca de papéis, mas sim a criação de uma nova forma de convivência social baseada
na humanização.
A opressão gera desumanização, entendida como a perda da capacidade do
ser humano de agir como sujeito ativo de sua história. Freire associa esse processo à
ideia de “ser menos”, em que os indivíduos não realizam plenamente sua humanidade.
A humanização passa, então, pela tomada de consciência crítica da realidade e pela
ação transformadora, unindo reflexão e prática — o que ele chama de práxis.
A luta dos oprimidos, portanto, não é apenas pela sua própria libertação, mas
pela libertação de toda a sociedade, já que a opressão desumaniza tanto os
dominados quanto os dominadores.
Nesse sentido, a missão histórica dos oprimidos é conquistar a libertação
por meio da conscientização e da ação. Como ressalta Freire: “A liberdade, que é uma
conquista, e não uma doação, exige uma permanente busca. Busca permanente que
só existe no ato responsável de quem a faz. Ninguém tem liberdade para ser livre:
pelo contrário, luta por ela precisamente porque não a tem” (Freire, 1987, p. 18). Essa
afirmação demonstra que a libertação não pode ser concedida, mas deve ser fruto da
luta e do engajamento crítico dos oprimidos, que se tornam protagonistas de sua
própria história.
Freire também critica o modelo de ensino tradicional, que denomina “educação
bancária”. Nele, o professor é visto como detentor do saber e o aluno como receptor
passivo, tratado como um “depósito” de informações. Esse tipo de educação mantém
os indivíduos conformados, sem desenvolver sua autonomia, pensamento crítico ou
consciência social. Como alternativa, Freire propõe a educação libertadora,
concebida como um ato político e transformador, baseado no diálogo e na relação
horizontal entre educador e educando.
A educação verdadeira, na visão freireana:
é um ato político, porque não é neutra e deve servir à transformação social;
promove a conscientização, levando o indivíduo a compreender sua realidade
e agir sobre ela;
fundamenta-se no diálogo, estabelecendo uma relação de respeito e troca
entre educador e educando;
desenvolve a criticidade, estimulando a análise da realidade e a busca por
soluções coletivas;
constitui um ato de liberdade, pois rompe com a opressão;
é um ato de amor, pois exige respeito, confiança e reconhecimento do
potencial do outro.
O objetivo dessa prática educativa é formar sujeitos autônomos, capazes de
pensar criticamente, agir de forma responsável e transformar o mundo em que vivem.
O educador, nesse processo, não é o detentor absoluto do conhecimento, mas um
mediador que aprende com os educandos, incentivando a reflexão e a participação
ativa.
RELEVÂNCIA PARA OS DIAS ATUAIS:
As reflexões do primeiro capítulo de Pedagogia do Oprimido permanecem
extremamente pertinentes. Em uma sociedade marcada por desigualdades sociais,
econômicas, raciais e de gênero, a proposta freireana continua sendo um convite à
ação crítica e transformadora. A educação, ao invés de apenas transmitir conteúdos,
deve capacitar os indivíduos para compreenderem sua realidade, questionarem
injustiças e atuarem como sujeitos ativos na construção de uma sociedade mais justa
e democrática.
Em tempos de desafios como a exclusão social, a manipulação da informação,
a crise ambiental e a falta de participação cidadã, a pedagogia de Paulo Freire se
mostra um guia atual para pensar práticas educativas que libertem e humanizem. Sua
obra inspira movimentos sociais, professores e cidadãos a não aceitarem
passivamente a opressão, mas a se organizarem coletivamente em busca de
transformação.
Em síntese, no primeiro capítulo de Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire
evidencia que a verdadeira libertação não está na simples inversão de papéis entre
opressores e oprimidos, mas na construção de uma nova forma de convivência
baseada na humanização. Para isso, a conscientização crítica e a educação
libertadora assumem papel central, pois somente os oprimidos, ao reconhecerem sua
condição e se organizarem, podem transformar a realidade social. A educação,
segundo Freire, deve ser um ato de liberdade, que liberta o ser humano da
opressão e o capacita a transformar a realidade. Dessa forma, sua reflexão
permanece relevante não apenas como análise teórica, mas como inspiração para os
desafios atuais e futuros da educação e da sociedade.
REFERÊNCIA:
Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.