A falência da Sociedade das Nações
A 28 de junho de 1919 foi assinado, em Paris, o Tratado de Versalhes
no qual se estabeleceram as condições de paz com a Alemanha.
Como parte integrante do Tratado é criada a Sociedade das Nações,
com base na proposta do presidente dos Estados Unidos da América,
Thomas Woodrow Wilson.
O Pacto da Sociedade das Nações, que deveria mediar os conflitos e
manter a paz entre os Estados, viria contudo a falhar na sua missão,
em boa parte devido à forma como foi instituído pelos países
signatários.
Representatividade mundial
A Sociedade das Nações não conseguiu representar a globalidade
dos países. Na sua constituição, os Estados derrotados na guerra
foram excluídos, pondo em causa a sua neutralidade.
A Rússia Soviética foi também excluída e isolada, fomentando-se a
existência de diversos Estados anticomunistas nas suas fronteiras,
como a Finlândia, a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Roménia e a
Polónia.
Os Estados Unidos da América foram outra ausência notória na
Sociedade das Nações. Apesar de ter idealizado e apoiado a sua
criação, Wilson não conseguiria que o Congresso dos Estados Unidos
ratificasse o acordo, nem assinasse o Tratado de Versalhes.
Acumulação de tensões
Os Tratados de paz, e em particular o de Versalhes, seriam a origem
de muitas tensões europeias
Na perspetiva alemã, o Tratado de Versalhes não passou de um
diktat, ou seja, um conjunto de obrigações ditadas e impostas pelos
vencedores, uma vez que a Alemanha não participou na negociação.
O Tratado imporia à Alemanha:
• a cedência de cerca de um sétimo do seu território continental;
• o abandono de todas as suas colónias;
• a redução drástica do seu exército;
• e o pagamento de pesadas compensações financeiras, que
comprometiam a sua própria recuperação económica.
Tratava-se de uma paz punitiva e humilhante que minou todas as
hipóteses de apaziguamento. A Alemanha acabaria por não aceitar as
imposições, e daí até surgir quem encarnasse a humilhação de
todos, e apontasse caminhos para recuperar o orgulho alemão, foi
um pequeno passo.
Do lado dos vencedores, muitas nações consideraram-se lesadas
face às compensações alcançadas pelos países mais poderosos. É o
caso de Portugal que reclama, por se considerar prejudicado na
repartição das reparações de guerra.
A redistribuição dos territórios também não gerou consenso entre os
vencedores com, por exemplo, a Itália insatisfeita por lhe ter sido
negadas a região da Dalmácia e a cidade de Fiúme.
O mapa político europeu traçado nos Tratados de paz não respeitou
todas as minorias nacionais. Cerca de 30 milhões de europeus
continuaram a viver, em 1919, sob o domínio estrangeiro. São
exemplos disso, a Jugoslávia, onde coabitavam italianos, albaneses,
bósnios, sérvios, eslovenos e croatas; e a Checoslováquia, que
integrava eslovacos, alemães, rutenos, polacos e magiares.
Ineficácia da Sociedade das Nações
A forma como foi instituída a organização viria a comprometer a sua
eficácia na resolução de conflitos.
Para além da Assembleia Geral, que reunia com todos os Estados-
membros, a Sociedade das Nações era formada por um Conselho,
inicialmente constituído por nove, e mais tarde por quinze membros.
A obrigatoriedade de unanimidade, como regra nas deliberações
desses dois órgãos, obrigava a um longo e difícil consenso entre as
partes.
Não dispondo de uma força militar própria, a aplicação das
resoluções da Sociedade dependia dos Estados-membros e dos seus
exércitos. Todavia, perante conflitos, os Estados sentiam relutância
em aplicar sanções ou usar a força militar. Em consequência, a
Sociedade das Nações revelou-se incapaz de resolver vários conflitos
regionais, como a invasão da Manchúria pelo Japão em 1931, a
Guerra Civil Espanhola de 1936-39 ou a invasão da Áustria pela
Alemanha em 1938.
Apesar do desarmamento ter sido considerado necessário à
manutenção da paz, os vários Estados signatários do Pacto da
Sociedade das Nações não só resistiram à redução do seu efetivo
militar como o aumentaram, com vista a garantir a sua própria
segurança. Nestes Estados incluem-se a Alemanha e Japão.
Descrédito e extinção da Sociedade das Nações
O descrédito da organização levaria ao abandono dos Estados-
membros e ao agravamento dos conflitos regionais. Em 1933, o Japão
deixa a Sociedade, invadindo logo de seguida a China. No mesmo
ano, Hitler retira a Alemanha da organização e inicia uma vaga de
invasões. Em 1937, é a vez da Itália abandonar a Sociedade.
Entre 1939 e 1945, a atividade da Sociedade das Nações reduz-se,
perante a incapacidade de travar as agressões mútuas. Em abril de
1946, a Sociedade é formalmente extinta dando lugar à Organização
das Nações Unidas.