Novo Implante TRA para Luxação Patelar
Novo Implante TRA para Luxação Patelar
Veterinária
Veterinária
Júri científico:
Declaro que este relatório de estágio final é fruto da minha pesquisa e trabalho
pessoal, assim como, da supervisão do meu orientador. O conteúdo deste trabalho é original
e todas as fontes consultadas estão devidamente referenciadas no texto e respetivamente
apresentadas nas referências bibliográficas. Declaro, ainda, que este trabalho não foi
apresentado em nenhuma outra instituição para a obtenção de qualquer grau académico.
iii
iv
“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar.
Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”
Madre Teresa de Calcutá
v
vi
AGRADECIMENTOS
Um agradecimento especial aos meus familiares, e em particular aos meus pais, Luísa
e Vítor por possibilitarem que este sonho se tornasse possível e por estarem presentes em
todas as fases da minha vida. A pessoa que me tornei hoje deve-se a vocês. Obrigada.
Obrigada, David por me apoiares, por me ensinares a não ter medo e me inspirares a
fazer sempre melhor. Obrigada por estares sempre presente e por me acompanhares em tudo,
mas em especial nos waffles e pão com chouriço. Obrigada por seres paciente e me
compreenderes, pelas palavras amigas nos momentos de maior ansiedade e por todas as coisas
que fazes de bem.
Agradeço aos meus gatos, Faísca, Gaspar, Eevee e Íris, pela atenção, carência e
mimos, pelo entretenimento constante providenciado pelas asneiras, por se deitarem em
cima do
vii
computador enquanto o estou a usar, por roubarem comida, por destruírem as cadeiras e sofás,
por miarem a meio da noite, mas especialmente, por serem a melhor companhia que poderia
pedir.
viii
RESUMO
Estão disponíveis vários procedimentos cirúrgicos para corrigir esta patologia. Estes
consistem em técnicas de reconstrução óssea e de reconstrução dos tecidos moles. Na
primeira incluem-se as técnicas que melhoram o mecanismo extensor do quadricípite (MEQ),
de aprofundamento do sulco troclear e de pateloplastia. Adicionalmente, estão disponíveis
próteses de joelho (parcial e total).
São apresentados e discutidos onze casos de luxação patelar no cão e no gato, nos
quais parte do tratamento consistiu na utilização desta prótese. Dos onze animais, dez
começaram a fazer apoio de carga no membro intervencionado nos 3 dias seguintes à cirurgia.
ix
x
ABSTRACT
Patellar luxation is a very common orthopedic disorder in dogs and has a higher
prevalence in smaller breeds. It is, in most cases, a developmental pathology, in which there is
a misalignment of the quadriceps extensor mechanism. This change can be the cause or the
consequence of the skelletal deformities that develop during the animal’s growth period. In
other cases, patellar luxation may have a traumatic origin or may be secondary to other
pathologies, such as rupture of the cranial cruciate ligament and fractures of the femur and
tibia.
Several surgical procedures are available to correct this pathology. These consist of
bone and soft tissue reconstruction procedures. The first one includes techniques that improve
the quadriceps extensor mechanism, trochlear groove deepening and patelloplasty.
Additionally, stifle prostheses (partial and total) are available.
The objective of this work is to discuss the use of a new prosthesis for the replacement
of the femoral trochlea called Trochlear Ridge Arthroplasty (TRA). This implant can be used
as an alternative to the classic femoral trochleoplasty techniques in the treatment of patellar
instability and patellofemoral osteoarthritis often associated.
Eleven cases of dog’s and cat’s patellar luxation in which the treatment included the
use of this prosthesis are presented and discussed. Of these eleven animals, ten started to carry
weight on the intervened limb within the 3 days following the surgery.
Despite the complications associated with the other techniques used, the TRA implant
proved to be a good treatment option in animals with shallow or hypoplasic trochlear grooves
and/or marked cartilage erosion.
xi
xii
INDÍCE GERAL
DECLARAÇÃO........................................................................................................................iii
AGRADECIMENTOS..............................................................................................................vii
RESUMO...................................................................................................................................ix
ABSTRACT...............................................................................................................................xi
ÍNDICE DE FIGURAS...........................................................................................................xvii
ÍNDICE DE TABELAS.........................................................................................................xviii
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................1
5. Classificação........................................................................................................................6
7. Diagnóstico........................................................................................................................12
xiii
[Link]. Aprofundamento do sulco troclear (Trocleoplastias femorais)....................22
9. Cuidados pós-cirúrgicos....................................................................................................29
11. Prognóstico......................................................................................................................31
2. Indicação cirúrgica............................................................................................................33
1. Objetivos...........................................................................................................................46
2. Material e métodos............................................................................................................46
3. População de animais........................................................................................................46
4. Planeamento cirúrgico.......................................................................................................48
5. Técnica cirúrgica...............................................................................................................50
6. Cuidados pós-operatórios..................................................................................................53
7. Acompanhamento..............................................................................................................56
8. Discussão...........................................................................................................................58
9. Limitações do trabalho......................................................................................................58
10. Conclusão........................................................................................................................59
xiv
BIBLIOGRAFIA.......................................................................................................................60
xv
xvi
ÍNDICE DE FIGURAS
xvii
Figura 21- Posicionamento da guia de perfuração....................................................................40
Figura 22- Método para remover facilmente a guia de perfuração, do tabuleiro de instrumentos.
..................................................................................................................................................40
Figura 23- Realização do orifício para o plug...........................................................................41
Figura 24- Colocação do implante TRA....................................................................................42
Figura 25- Fixação do implante TRA........................................................................................43
Figura 26- Fotografias intracirúrgicas do processo de colocação do TRA no joelho esquerdo de
um cão.......................................................................................................................................44
Figura 27- Exame radiográfico pré-cirúrgico do membro pélvico esquerdo do caso 1............48
Figura 28- Projeção radiográfica ML do joelho direito do caso 5 no programa vPOP............49
Figura 29- Casos com indicação cirúrgica para colocação de prótese troclear.........................52
Figura 30- Joelho direito de cão onde foi feita a colocação de um TRA (imagem obtida
previamente à colocação dos parafusos para fixação da prótese).............................................53
Figura 31- Exame radiográfico pós-cirúrgico do joelho esquerdo do caso 1...........................54
Figura 32- Exames radiográficos de controlo do membro pélvico esquerdo do caso 1...........55
Figura 33- Imagens radiográficas do joelho esquerdo do caso 6..............................................57
ÍNDICE DE TABELAS
xviii
LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS, SÍMBOLOS OU ACRÓNIMOS
CdCr-
Caudocranial
CrCd- Craniocaudal
IM- Intramuscular
IV- Endovenosa
Kg- Quilograma
OA- Osteoartrite
PB- Placa de
Base
xix
RCCF- Resseção da Cabeça e Colo Femoral
xx
ROM- Amplitude do movimento (Range Of Motion)
SC- Subcutânea
xxi
INTRODUÇÃO
O estilo de vida dos animais de companhia mudou para uma vida dentro de casa, o que
permite aos mesmos saltar para os móveis e para o chão escorregadio de madeira ou azulejo.
Consequentemente, há um aumento da prevalência da rutura de ligamentos cruzados e das
alterações da articulação femoropatelar. Adicionalmente, as práticas de reprodução favorecem
o aumento das predisposições genéticas para o desenvolvimento de luxação patelar,
nomeadamente o sulco troclear pouco profundo e/ou reduzido tamanho patelar (Davis et al.,
2021).
Apesar desta patologia ter pouca expressão em gatos, quando esta surge, é necessário
ter em conta as diferenças na sua fisiopatogenia em comparação com os cães (Rutherford et
al., 2015). Para cada animal, deve ser investigada a causa da luxação, com o intuito de decidir
o tratamento mais adequado a implementar, de modo a reduzir a probabilidade de recidiva da
luxação patelar, que é uma das complicações mais frequentes destas cirurgias. Existem várias
técnicas cirúrgicas para corrigir a luxação patelar. Estas podem ser agrupadas em 2 grupos,
nomeadamente técnicas de reconstrução óssea e de reconstrução dos tecidos moles
parapatelares. No primeiro grupo incluem-se as técnicas que corrigem o alinhamento do
MEQ, de aprofundamento do sulco troclear e de alteração do formato da patela.
Adicionalmente estão disponíveis próteses de joelho (parciais e totais). O prognóstico para a
recuperação da função após a correção cirúrgica é favorável, a não ser que existam alterações
degenerativas marcadas ou outras patologias concomitantes (Di Dona et al., 2018; Perry e
Déjardin, 2021).
No primeiro capítulo deste trabalho, é feita uma revisão da literatura relativa à luxação
patelar, abordando a epidemiologia, a fisiopatogenia, o diagnóstico, os tratamentos
disponíveis para a sua resolução, com foco nas próteses trocleares, e o prognóstico. Os
implantes trocleares podem ser usados como alternativa às sulcoplastias convencionais, ou
1
em casos nos quais as
2
trocleoplastias osteocondrais não são exequíveis ou adequadas. Estes implantes são utilizados
isoladamente ou em conjunto com outras técnicas, para corrigir o alinhamento do MEQ e
estabilizar a patela na tróclea (Perry e Déjardin, 2021; Orthomed, 2017; Hnízdo et al., 2021;
KYON®, 2015). As próteses descritas são RidgeStop e Patellar Groove Replacement (PGR).
3
Capítulo I: Revisão bibliográfica
4
1. Definição de luxação patelar
A apresentação mais observada é a luxação patelar medial (LPM). Apesar de poder ser
diagnosticada em cães de qualquer porte, a LPM é mais frequente em animais de raças
pequenas, verificando-se uma incidência 12 vezes superior em comparação com outras raças.
Estudos revelam a existência de uma predisposição para o desenvolvimento desta doença nas
fêmeas. Referem ainda que animais castrados apresentam uma probabilidade de
desenvolvimento desta patologia 3 vezes superior aos inteiros (Di Dona et al., 2018). A
maioria dos animais exibe uma luxação bilateral, com uma incidência de 52 a 65%
(Rossanese et al., 2019). A LP é uma patologia típica de cães jovens, mas os sinais clínicos
muitas vezes tornam- se evidentes à medida que o animal cresce. Assim, a maioria das
luxações é diagnosticada em animais de 3 anos (Di Dona et al., 2018).
5
LP, com 41,2% dos cães afetados por esta patologia (Di Dona et al., 2018; Perry e Déjardin,
2021).
A luxação patelar lateral (LPL) ocorre com menos frequência do que a LPM,
observando-se uma incidência entre 5-13% de todas as LP (Di Dona et al., 2018; Kalff et al.,
2014). A LPM é muitas vezes descrita como sendo mais comum em raças de porte grande e
gigante, mas um estudo retrospetivo realizado por Kalff et al., 2014 demonstrou uma
predominância desta patologia em raças de porte médio e grande, principalmente Cocker
Spaniel, Retriever de pelo liso, Basset Hound, Terra-Nova, Springer Spaniel, entre outros. A
apresentação unilateral foi observada em 54% dos animais. Neste estudo verificou-se que
60% dos casos eram cães machos e 40% fêmeas e que a idade média de apresentação em
consulta foi de 10 meses. Neste estudo concluiu-se, então, que há várias características em
comum entre a LPL e a LPM, nomeadamente a idade média de apresentação, a razão entre
bilateral e unilateral e a distribuição dos graus. A razão entre machos e fêmeas é de 1,5:1, o
que é semelhante à LPM em alguns estudos, mas diferente noutros. Estas semelhanças podem
refletir uma etiopatogenia comum. Cães com graus de LP superiores apresentam-se mais cedo
em consulta e a cirurgia é mais facilmente aceite pelo tutor, uma vez que os sinais clínicos são
mais exuberantes (Kalff et al., 2014).
6
diferenciar casos de lassitude
7
femoropatelar sem relevância clínica dos casos de LP que são causa de claudicação. A LP
com direção medial é a mais comum, com uma prevalência de 94% e a apresentação bilateral
está presente em aproximadamente 80% dos casos. No entanto, no caso da LPL, verifica-se
maioritariamente uma apresentação unilateral. Não está descrita uma predisposição sexual. A
idade média de diagnóstico é de 3 anos. Está reportada uma predisposição para a LPM em
Devon Rex, Abissínios e EC (Brioschi et al., 2020; Bula e Perry, 2021; Ferguson, 1997;
Hudson, 2014; Kaoud, 2016; Rutherford et al., 2015; Scott e McLaughlin, 2007). No estudo
realizado por Rutherford et al. (2015), para além destas raças, estavam também envolvidas:
Bengal, Maine Coon, British Shorthair, British Blue, Birmanês, Exotic Shorthair, Persa, Rex e
Siamês.
5. Classificação
A B C D E
F G H I J
Figura 1- Deformidades anatómicas associadas à luxação patelar. A- Vista cranial normal do
membro pélvico esquerdo na qual se observa o mecanismo extensor do quadricípite centrado
com o fémur, assim como a patela sobre o sulco troclear. B, C, D, E- Vista cranial anormal do
membro pélvico esquerdo com os graus I a IV de luxação patelar, respetivamente. Observa-se
uma relação anormal entre o fémur distal e a tíbia proximal, o que afeta o posicionamento da
patela. F, G, H, I, J- Vistas transversas dos respetivos graus de luxação, nas quais se observa a
rotação interna da tíbia em relação ao fémur e a subsequente luxação da patela. Nos graus III e
IV verifica-se que a patela se encontra completamente fora do sulco troclear, que se caracteriza
8
por ser pouco profundo (Di Dona et al., 2018).
9
Tabela 1- Classificação dos graus de luxação patelar de Putnam (1968) citada e adaptada por DeCamp et al.
(2016) e Di Dona et al. (2018).
10
Tendo em consideração as singularidades anatómicas do gato, em particular a lassitude
fisiológica, o sistema de classificação desenvolvido para os cães deve ser usado com
precaução (Bula e Perry, 2021; Kaoud, 2016). Por este motivo, foi sugerido por Voss et al.
(2009), um sistema de classificação para a LP desta espécie (Tabela 3).
Tabela 2- Classificação dos graus de luxação patelar em gatos de Voss et al. (2009).
A LP está, muitas vezes, associada a deformidades anatómicas que podem incluir uma
conformação coxofemoral anormal, displasia dos côndilos femorais, sulco troclear pouco
profundo, deformidades angulares (varus e valgus, isto é, angulação medial e lateral da
11
extremidade de um osso, respetivamente) e deformidades torsionais (rotação do osso em
relação ao seu eixo longitudinal) no fémur e tíbia (Aghapour et al., 2021; Kalff et al., 2014).
Nos gatos, a LP pode ser de desenvolvimento ou ter origem traumática, sendo que esta
última é menos frequente e o acidente é poucas vezes observado. Adicionalmente, um
traumatismo pode induzir o aparecimento de sinais clínicos em gatos que antes tinham
lassitude patelar subclínica (Ferguson, 1997; Hudson, 2014; Loughin et al., 2006; Scott e
McLaughlin, 2007). Esta patologia pode, ainda, surgir secundária à correção de fraturas
femorais ou ao tratamento de outras lesões do joelho. Nesta espécie, a LP pode estar associada
a um sulco troclear pouco profundo, a um ligeiro desvio da TT e a um côndilo femoral pouco
desenvolvido. Ao contrário do que acontece nos cães, as deformidades como varus femoral e
torção tibial não são observações frequentes em gatos (Ferguson, 1997; Kaoud, 2016;
Rutherford et al., 2015; Scott e McLaughlin, 2007). Está descrita, num estudo citado por Scott
e McLaughlin (2007), uma fraca associação (58%) entre a LP e a displasia da anca. Dos gatos
que apresentavam ambas as patologias, 78% tinha LP de grau I e apenas 14% claudicavam
pela LP (Scott e McLaughlin, 2007).
12
6.1. Alterações trocleares
13
articular. Nos animais
14
com LP de graus I e IV, estas alterações são menos frequentes, uma vez que a patela se move
menos vezes sobre os lábios trocleares. Adicionalmente, nos cães com LP de grau IV, não há
apoio de carga com o membro afetado (Hnízdo et al., 2021; Lara et al., 2018; Perry e
Déjardin, 2021).
As lesões articulares, aparecem com maior frequência em animais com idade superior
ou igual a 24 meses, devido à duração da patologia, e a sua gravidade é maior em cães com
mais de 15 quilogramas (kg), pois nestes animais a carga a que o joelho é sujeito é maior, e
consequentemente a instabilidade biomecânica também. A presença das erosões na cartilagem
articular é uma das razões pela qual alguns dos animais submetidos a cirurgias tecnicamente
bem sucedidas não recuperam tão bem clinicamente (Lara et al., 2018; Perry e Déjardin,
2021).
Figura 2- Fotografias do joelho de cães submetidos a cirurgia para correção da luxação patelar. A- Erosão
superficial de uma porção da cartilagem patelar. B,C- Erosão marcada de uma porção da cartilagem patelar. D-
Erosão marcada de toda a extensão da cartilagem superfície articular da patela. E- Erosão do lábio troclear
medial e da patela com exposição do osso subcondral (setas azul e preta). F- Superfície articular patelar achatada
(seta preta) e sulco troclear pouco profundo (seta azul). G- Tróclea femoral convexa (seta preta). Superfície
articular patelar côncava (seta preta) (Lara et al., 2018).
15
7. Diagnóstico
A LPL é geralmente acompanhada de sinais clínicos mais graves do que a LPM, uma
vez que os animais apresentam problemas maiores na locomoção. A LP traumática tem um
início de sintomatologia súbito e está normalmente associada a um traumatismo, como um
salto, uma queda, um atropelamento, entre outros. Os sinais clínicos podem agravar à medida
que o animal aumenta de peso, a erosão da cartilagem articular ocorre, a luxação se torna
permanente ou o ligamento cruzado cranial se rompe (DeCamp et al., 2016; Di Dona et al.,
2018).
Os sinais clínicos nos gatos são semelhantes aos dos cães. Estes podem apresentar uma
marcha anormal com uma postura “agachada” e exibir vários graus de claudicação (Ferguson,
16
1997).
17
7.2. Exame físico
Para o diagnóstico da LP, é necessário realizar uma avaliação ortopédica rigorosa para
determinar a gravidade da mesma e a presença de outras patologias coexistentes. Para isso, é
necessário observar os andamentos do animal e avaliar o grau de claudicação (Tabela 3),
assim como procurar deformidades esqueléticas óbvias (Di Dona et al., 2018).
Tabela 3- Sistema de classificação da claudicação, adaptado de DeCamp et al. (2016) e Davis et al. (2021).
A B
Figura 3- Fotografia que demonstra a manipulação para luxar a patela. Com a perna estendida, a
patela é isolada entre o dedo polegar e indicador de uma mão enquanto a outra mão agarra o pé. A-
Luxação lateral: a perna é rodada externamente e a patela é puxada lateralmente. B- Luxação
medial: a perna é rodada internamente e a patela puxada medialmente (Di Dona et al., 2018).
Para avaliar se a projeção CrCd/CdCr femoral (Fig. 4A) foi bem obtida, deve verificar-
se se os ossos sesamoides femorais são intersetados pelas corticais femorais distais, se
aproximadamente 50% do trocânter menor está visível, se a tuberosidade isquiática interseta a
diáfise proximal do fémur, se o forâmen nutricional proximal se encontra centrado na diáfise
femoral e se a patela centrada no sulco troclear. Este último fator pode não se verificar em
alguns animais com LP (Apelt et al., 2005; Dudley et al., 2006; Sirois et al., 2010).
Para avaliar se a projeção ML de fémur (Fig. 4C) foi bem obtida, os côndilos femorais
devem estar sobrepostos (Mostafa et al., 2018; Towle et al., 2005). No caso da projeção ML
20
de
21
tíbia (Fig. 4D), as margens caudais dos côndilos lateral e medial não devem estar separadas
mais de 4 milímetros (Inauen et al., 2009).
Apesar do exame radiográfico ser o método mais comum para estudar as deformidades
e de poder ser bastante preciso para a medição de alguns ângulos, tem algumas limitações,
uma vez que se trata da aquisição de imagens em duas dimensões de estruturas
tridimensionais complexas. A tomografia computorizada (TC) é o exame complementar ideal,
uma vez que esta não é afetada por maus posicionamentos e permite realizar reconstruções em
3 dimensões. (Apelt et al., 2005; Di Dona et al., 2018; Dudley et al., 2006; Perry e Déjardin,
2021).
Além destes exames, a ecografia tem tido um uso crescente para aferir a profundidade
do sulco troclear (Di Dona et al., 2018). Outro exame complementar disponível é a
ressonância magnética (RM), que permite medir o ângulo de anteversão e o eixo funcional do
músculo quadricípite femoral (Dudley et al., 2006).
A B C D
22
8. Tratamento da luxação patelar
23
fisioterapia pode ser usada no maneio conservativo desta patologia em animais com LP de
grau I/II se os episódios de claudicação forem ligeiros e pouco frequentes, se o grau de
osteoartrite for baixo e no caso de haver impossibilidade de uma abordagem cirúrgica, por
exemplo, em animais com idade avançada, pela existência de outras patologias
concomitantes, ou, ainda, por relutância dos tutores. Esta abordagem pode incluir: a
administração de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em associação, ou não, com
outros fármacos analgésicos, reposicionamento patelar manual em cães pequenos e gatos,
repouso, acupuntura, electroestimulação, laser frio, kinesiotaping, crioterapia, massagem e
hidroterapia, reforço muscular para melhorar o MEQ e controlo de peso para reduzir o stress
no joelho (Davis et al., 2021; Di Dona et al., 2018; Gibbons et al., 2006; Rezende et al.,
2016). No estudo realizado por Davis et al. (2021), concluiu-se que o reposicionamento
patelar manual é uma opção de fisioterapia eficaz e específica, que não deve ser usada
isoladamente ou como substituto da medicação. Este procedimento requer uma média de 6
intervenções para obter os resultados desejados, isto é, reduzir o grau de luxação e de
claudicação, contudo os machos castrados poderão precisar de mais tempo (Davis et al.,
2021).
24
alinhamento do MEQ, que aprofundam o sulco troclear (trocleoplastias femorais) e que
mudam
25
o formato da patela (patelectomia parcial em gatos). Adicionalmente existem próteses parciais
e totais de joelho. A maioria dos cães que é submetido a cirurgia necessita de uma
combinação de várias técnicas. A escolha do procedimento cirúrgico mais adequado para
correção da LP varia de acordo com a idade, tamanho e peso do animal, com o grau de
luxação, a gravidade da deformidade esquelética, a cronicidade, a presença ou ausência de
RLCCr concomitante e o grau de desgaste da cartilagem articular. Geralmente, à medida que
a gravidade da luxação aumenta, também aumenta o número de procedimentos corretivos
necessários (Di Dona et al., 2018; Perry e Déjardin, 2021).
Reconstrução Óssea
Reconstrução dos
Trocleoplastias Próteses de Joelho
Melhoria do MEQ Patelectomia Tecidos Moles
Femorais
Patelectomia
Transposição da Libertação Ridgestop™
Trocleoplastia parassagital
tuberosidade tibial capsular/retinacular (Orthomed,
excisional parcial em gatos
(TTT) (desmotomia) West Yorkshire,
(PPP)
UK)
Imbricação Patellar Groove
Osteotomia do fémur Condroplastia
capsular/retinacular Replacement
distal (DFO) troclear
(desmoplastia) (PGR) (KYON®)
Osteotomia da tíbia Trocleoplastia em Prótese total de
Sutura antirrotacional
proximal (PTO) cunha joelho
Trocleoplastia em Trochlear Ridge
Hemiepifisiodese
bloco Arthroplasty (TRA)
Trocleoplastia
assimétrica com
rotação 180º
Trocleoplastia em
cunha com forma
de escudo
O MEQ pode ser alinhado com o auxílio de algumas técnicas, de acordo com a
deformidade presente, nomeadamente transposição da tuberosidade tibial (TTT), osteotomia
femoral distal (DFO), osteotomia tibial proximal (PTO) e hemiepifisiodese (Di Dona et al.,
2018; Perry e Déjardin, 2021).
26
A TTT consiste na realização de uma osteotomia da tuberosidade tibial e movendo-a
na direção oposta à luxação e fixando a mesma com implantes cirúrgicos. Esta técnica permite
realinhar a inserção do tendão patelar com a tróclea (Di Dona et al., 2018; Perry e Déjardin,
2021).
A B
27
A B
A hemiepifisiodese (Fig. 7) é uma técnica que pode ser usada para o tratamento
precoce do valgus da tíbia proximal e do varus do fémur distal de animais juvenis. Esta
consiste na redução da placa de crescimento, pela colocação de um implante, na epífise
proximal medial da tíbia ou da epífise distal lateral do fémur. O encerramento temporário ou
permanente de um dos lados da placa de crescimento permite a continuação do crescimento
do lado contralateral, levando à correção da deformidade originalmente presente (Di Dona et
al., 2018; Olsen et al., 2016).
28
A B C D
Figura 7- Imagens radiográficas de um cão com valgus tibial no qual foi usada a técnica de
hemiepifisiodese para correção da deformidade angular. A, B- Projeções radiográficas ML e
CdCr pré-cirúrgicas, respetivamente; C, D- Projeções radiográficas ML e CdCr,
respetivamente, obtidas 6 meses após a intervenção cirúrgica, nas quais se observa uma
melhoria significativa no alinhamento da tíbia (Olsen et al., 2016).
29
A
Patela
B Novo sulco
Osso subcondral
Ligamento
cruzado cranial
C D
Osso
subcondral Flap de
cartilagem
Flap de
cartilagem
1º corte
E F
Cunha de
2º corte
cartilagem
3º corte
e osso
H
Bloco G Bloco
removido removido
Osso
subcondral
I J
Osso
subcondral
30
O aprofundamento da tróclea é uma técnica frequentemente aplicada para corrigir os
vários graus de luxação patelar. No entanto, estas técnicas podem não ser exequíveis quando
há uma lesão grave do sulco troclear, com a presença de osteófitos e erosão da cartilagem
articular. Para além disso, os métodos padrão de aprofundamento troclear muitas vezes não
são viáveis para graus elevados de displasia, especialmente devido à falta de uma superfície
articular saudável ou a impossibilidade de atingir a profundidade adequada da tróclea (Dokic
et al., 2015; Hnízdo et al., 2021).
A patela, em gatos normais, é achatada e mais larga do que a tróclea femoral. Como
consequência disto, quando é executada uma trocleoplastia femoral para correção de LP, este
osso sesamoide pode deslizar pelos lábios trocleares sem contactar com o sulco previamente
aprofundado. Para corrigir este problema pode ser realizada uma patelectomia parassagital
parcial (PPP) lateral e/ou medial. Os efeitos da patelectomia a nível da superfície articular de
contacto patelar e o limite de segurança para a ostectomia parcial da patela não estão
reportados. Para a realização da PPP, é necessário medir a largura da tróclea e executar as
ostectomias patelares tendo em conta que estas devem ser 1 milímetro mais estreitas do que a
largura da tróclea aprofundada (Brioschi et al., 2020; Rutherford e Arthurs, 2014).
Na maioria dos animais com LP, os tecidos moles em cada lado da patela estão
demasiado laxos ou demasiado tensos. As reconstruções realizadas envolvem, normalmente, a
libertação dos tecidos tensos e a criação de tensão nos tecidos mais laxos. Estes
procedimentos incluem desmotomia medial/lateral (incisão do retináculo e cápsula articular
no lado ipsilateral da direção da luxação), imbricação medial/lateral (suturas nos tecidos
moles do lado contralateral à direção da luxação), suturas antirrotacionais (sutura fabelotibial
e sutura fabelopatelar) (Fig. 9) e libertação da musculatura medial (disseção do músculo reto
femoral da cápsula articular, do fémur e da restante musculatura, ou transplantação da origem
do mesmo para lateral; usado na LPM). Estes procedimentos raramente são capazes de
corrigir a LP sozinhos, são muitas vezes usados como adjuvante das técnicas ósseas (Di Dona
et al., 2018).
31
A B
Incisão na
fáscia lata Tendão do
músculo
quadricípite
Fabela
Ligamento
patelar
Orifício na TT
C D
Ligamento
patelar
33
superfície articular (Perry e Déjardin, 2021; Orthomed, 2017). Esta prótese pode ser usada
isoladamente em casos mais ligeiros de LP. O implante é fixo ao osso com parafusos corticais
(Fig. 10). Caso seja necessário, o cirurgião pode sempre recorrer às técnicas clássicas
(Demeulemeester, 2019).
Outra técnica alternativa às clássicas é a substituição do sulco troclear por uma prótese
denominada Patellar Groove Replacement (PGR) da KYON®. Pode ser utilizada em casos
nos quais as trocleoplastias osteocondrais não são exequíveis ou adequadas, nomeadamente
quando o sulco troclear está danificado pela presença de osteófitos e erosão cartilagínea, ou
até mesmo em casos nos quais exista lesão iatrogénica do sulco troclear devido a
complicações com as técnicas de trocleoplastia. Este implante pode ser utilizado em conjunto
com as outras técnicas, para corrigir o alinhamento do MEQ e estabilizar a patela na tróclea.
Foi a primeira prótese disponível no mercado para restaurar a função do sulco troclear (Dokic
et al., 2015; Hnízdo et al., 2021; Kim et al., 2016; KYON®, 2015).
O implante PGR, na maior parte das vezes, é utilizado como adjuvante de outras
osteotomias corretivas: TTT, DFO, PTO e TPLO (incluindo a variante com transposição
lateral ou medial do segmento rodado). Excecionalmente a prótese PGR é escolhida como
uma técnica isolada para estabilizar a patela. Este implante também é usado, com menos
frequência, em indivíduos com doença degenerativa do joelho em estágio final (idiopática,
traumática ou secundária a RLCCr crónica) sem LP, nos quais as alterações articulares graves
se concentram principalmente no compartimento femoropatelar (Hnízdo et al., 2021).
34
A prótese PGR é composta por dois componentes: a placa de base (PB) e a própria
prótese troclear (Fig. 11 e 12). A PB é constituída por titânio e, segundo informações do
fabricante, possui boas propriedades osteocondutoras, além de ser porosa, o que permite o
crescimento ósseo ao redor da mesma. A PB possui três orifícios cónicos nos quais os pinos,
localizados na parte inferior da prótese troclear, são firmemente encaixados durante a
implantação do PGR. A prótese troclear é constituída por titânio (Ti6Al4) e sua superfície é
endurecida com uma camada de carbono amorfo. Esta camada é resistente a danos mecânicos
e permite a redução do coeficiente de atrito, mantendo o calor gerado abaixo do limiar de
necrose térmica. A PB é fixa ao osso com dois ou quatro parafusos, dependendo do tamanho
do implante. Para implantes pequenos são usados parafusos corticais com diâmetro de 1,5 mm
e para implantes maiores de 2,4 mm. Os implantes são fabricados em doze tamanhos (1 a 10 e
novos tamanhos de 1,5 e 2,5) (Dokic et al., 2015; Hnízdo et al., 2021; KYON®, 2015).
35
A B C D
Figura 12- PGR em modelo anatómico de fémur. A- Placa de base (PB) do PGR aplicada num modelo
sintético em vista cranial. B- Prótese troclear encaixada na PB em vista cranial. C, D- Patela
reposicionada sobre o PGR em vista lateral e cranial, respetivamente (KYON®, 2015).
36
Figura 13- Imagens radiográficas dos joelhos de dois cães submetidos a prótese total de joelho. A- Projeção ML
pré-cirúrgica do cão 1. B- Projeção ML pós-cirúrgica do cão 1 no qual foi colocada uma prótese híbrida, cujo
componente tibial é cimentado. C- Projeção ML do mesmo cão 12 meses após a cirurgia. D- Projeção ML 12
meses após a cirurgia do cão 2 no qual foi colocada uma prótese cujo componente tibial era não cimentado
(Liska e Doyle, 2009)
9. Cuidados pós-cirúrgicos
37
LP recorrente, falha e migração do implante, fratura e avulsão da TT, deslocamento da cunha
da trocleoplastia, fratura da tíbia e fémur, fratura do lábio troclear lateral, rutura do ligamento
patelar, incapacidade de estender o joelho, osteomielite, deiscência de sutura e artrite sética
(Kalff et al., 2014; Rossanese et al., 2019).
Nos gatos, a taxa de complicações num estudo realizado por Rutherford et al. (2015)
foi de 26%, sendo que a taxa de complicações menores foi de 6% e de complicações maiores
foi 20%, o que inclui 5% de recorrência da LP.
38
Nos cães o peso corporal é um fator de risco para o desenvolvimento de complicações.
Cães com mais de 20 kg têm uma frequência superior de complicações no geral, de
complicações maiores e de recorrência da LP, quando comparados com cães com menos de
20 kg. Há, ainda, uma associação entre a preservação da cortical distal da tuberosidade tibial
durante a TTT e a redução da taxa de complicações, especialmente aquelas que estão
associadas aos implantes usados (Rossanese et al., 2019).
11. Prognóstico
O prognóstico a longo prazo é bom a excelente em 94% dos casos (Gibbons et al.,
2006; Di Dona et al., 2018). O prognóstico está relacionado com o grau de luxação. A
correção cirúrgica da LP de grau I, II e III tem normalmente um bom resultado clínico,
enquanto que a LP de grau IV tem um prognóstico reservado para a recuperação total da
função do membro (Perry e Déjardin, 2021; Roush, 1993). O prognóstico dos cães com LP de
grau I e II que são submetidos a tratamento conservativo é menos favorável do que aqueles
que são tratados cirurgicamente. Mesmo quando existem complicações que requerem revisão
cirúrgica, o resultado clínico observado é normalmente positivo, contudo, complicações pós-
operatórias maiores têm maior probabilidade de ter um pior resultado relativamente à
claudicação e observações do exame ortopédico (Perry e Déjardin, 2021). O prognóstico, nos
gatos, após a cirurgia é favorável e normalmente verifica-se uma melhoria no grau de
claudicação (Ferguson, 1997).
39
Capítulo II: TRA- Um novo implante para substituição troclear
40
1. Fundamentos da prótese Trochlear Ridge Arthroplasty (TRA)
2. Indicação cirúrgica
41
mais invasivas, como é o caso da PPP, que têm uma recuperação difícil e, por
vezes, incompleta.
A prótese TRA é composta por apenas uma peça. É constituída por uma liga de titânio
cujo principal constituinte é titânio de grau 5 (TiAl6V4, ISO 5832-3, ASTM F1472A). A face
anterior do implante tem uma forma troclear para o contacto com a patela, e a posterior, que
contacta com o osso esponjoso femoral, serve de base para o implante (Fig. 14). Esta base é
constituída por uma estrutura em forma de treliça (lattice-shaped), com poros abertos para
promover uma osteointegração ótima. A superfície de contacto patelar moldada
anatomicamente, é polida e revestida com uma camada de carbono diamond-like (DLC) para
permitir que esta tenha um coeficiente de fricção muito baixo e uma superfície resistente aos
riscos. A ancoragem primária ao osso é conseguida através de um plug que é encaixado à
pressão (press-fit) e ajustado à forma (form-fit) do osso previamente perfurado, o que permite
a distribuição equilibrada das forças. Adicionalmente, no bordo ventral do implante
encontram- se dois orifícios por onde são introduzidos dois parafusos corticais de titânio
(tamanho 1.5 mm, 2.4 mm ou 2.7 mm) para uma fixação mais estável. A ancoragem
secundária é conseguida com o crescimento e formação do stock ósseo (Innoplant Veterinary
Implants, n.d.a).
A B
Figura 14- Trochlear Ridge Arthroplasty (TRA). A- Face posterior do implante com plug e
estrutura em forma de treliça (lattice-shaped), com poros abertos para promover a
osteointegração. B- TRA implantado em modelo anatómico de fémur (Innoplant veterinary
42
implants, n.d.a).
43
O TRA pode ser utilizado em cães e gatos de qualquer raça, a partir de 1,5 kg de peso
corporal. Está disponível uma ampla gama de tamanhos (nºs 1 a 10), na qual os 3 tamanhos
mais pequenos (nºs 1 a 3) estão também disponíveis numa versão larga (broad) para cobrir um
número maior de indicações (Fig. 15). Estes últimos são representados pela letra B (1B, 3 B,
3B) (Innoplant Veterinary Implants, n.d.a).
Figura 15- Tamanhos disponíveis do implante TRA (Innoplant Veterinary Implants, n.d.a.).
5 4
3
2
44
Avançada.
45
Figura 17- Representação esquemática do tabuleiro de instrumentos do TRA, cuja legenda
se encontra na Tabela 5 (Innoplant Veterinary Implants, n.d.a.).
Tabela 5- Kit de instrumentos do TRA: Legenda dos números assinalados na Figura 13 (Innoplant
Veterinary Implants, n.d.a).
Nº Descrição Nº Descrição
1 Implante-teste TRA #1 27 Broca ø4.0mm para os implantes TRA #1, #1B
2 Implante-teste TRA #1B 28 Broca ø5.0mm para os implantes TRA #2, #2B
3 Implante-teste TRA #2 29 Broca ø6.0mm para os implantes TRA #3, #3B
4 Implante-teste TRA #2B 30 Broca ø7.0mm para o implante TRA #4
5 Implante-teste TRA #3 31 Broca ø8.0mm para o implante TRA #5
6 Implante-teste TRA #3B 32 Broca ø9.0mm para o implante TRA #6
7 Implante-teste TRA #4 33 Broca ø10.0mm para o implante TRA #7
8 Implante-teste TRA #5 34 Broca ø11.0mm para os implantes TRA #8, #9, #10
9 Implante-teste TRA #6 35 Impactor para o implante TRA #1, #1B, #2, #2B
10 Implante-teste TRA #7 36 Impactor para o implante TRA #3, #3B, #4
11 Implante-teste TRA #8 37 Impactor para o implante TRA #5, #6
12 Implante-teste TRA #9 38 Impactor para o implante TRA #7, #8
13 Implante-teste TRA #10 39 Impactor para o implante TRA #9, #10
14 Guia de perfuração #1 40 Brocas ø1.1mm para parafusos corticais 1.5mm
15 Guia de perfuração #1B 41 Brocas ø1.8mm para parafusos corticais 2.4mm
16 Guia de perfuração #2 42 Brocas ø2.0mm para parafusos corticais 2.7mm
17 Guia de perfuração #2B 43 Agulha de fixação ø1.1mm para guias de perfuração #1 a #4
18 Guia de perfuração #3 44 Agulha de fixação ø1.8mm para guias de perfuração #5 a #7
19 Guia de perfuração #3B 45 Agulha de fixação ø2.0mm para guias de perfuração #8 a #10
20 Guia de perfuração #4
21 Guia de perfuração #5
22 Guia de perfuração #6
23 Guia de perfuração #7
24 Guia de perfuração #8
25 Guia de perfuração #9
26 Guia de perfuração #10
46
4. Características biomecânicas da prótese TRA
O TRA está sujeito a forças de tração proximal e distal que são impedidas,
inicialmente, pelo plug e pelos parafusos e, posteriormente, também pelo stock ósseo
formado. Pode ainda ser sujeito a forças de rotação, que são apenas contrariadas pelos
parafusos corticais, enquanto ainda não ocorreu a osteointegração. Se por algum motivo não
for possível colocar os dois parafusos, é concebível a utilização de apenas um deles, sem
comprometer a estabilidade do implante. Esta situação pode verificar-se, por exemplo, no
caso de ocorrer maceração do orifício onde iria ser colocado o parafuso ou quando existe uma
interceção deste com outro implante, como pode acontecer com os parafusos usados na DFO.
Como último recurso, é possível colocar uma agulha de Kirschner em um ou ambos os
orifícios, para impedir a rotação do TRA, contudo, há que ter em atenção a possibilidade
destes implantes poderem migrar. Este último método não impediria forças de arrancamento,
todavia o TRA não é, normalmente, sujeito a este tipo de forças, uma vez que a patela faz
pressão sobre o mesmo, comprimindo-o contra o osso, o que beneficia a osteointegração do
implante.
Para a aplicação deste implante o animal é colocado em decúbito dorsal com o joelho
dirigido para cima. Com um acesso parapatelar lateral e a patela luxada medialmente, é
realizada uma ostectomia da tróclea femoral, de distal para proximal, iniciando o corte
imediatamente cranial à inserção do tendão do músculo extensor digital longo, para obter uma
área grande e com boa perfusão sanguínea de osso esponjoso (Fig. 18). O corte deve ser
paralelo aos lábios trocleares e tangente ao fundo do sulco troclear. Em seguida, a superfície
da ostectomia é limada até o TRA teste ficar bem nivelado (Innoplant Veterinary Implants,
n.d.b). Esta área permite alguma liberdade para rodar e movimentar a prótese
mediolateralmente, conforme a necessidade, para melhorar o alinhamento do MEQ, o que
pode, em alguns casos, substituir a DFO e TTT. Adicionalmente, poderá ser realizado um
ligeiro aprofundamento desta área de ostectomia, num dos lados, para que a prótese compense
uma ligeira torção do fémur distal (6 graus no máximo). Assim, no caso da LPM, a superfície
seria aprofundada na direção medial (compensação de torção externa) e o oposto no caso da
LPL (compensação de torção interna). Estas modificações à técnica de aplicação do TRA não
são aconselhadas para graus de deformidades angulares mais marcados, que devem ser
47
resolvidos com as técnicas apropriadas,
48
nomeadamente DFO, PTO e/ou TTT (Hnízdo et al., 2021; Innoplant Veterinary Implants,
n.d.b).
49
Tabela 6- Associação o diâmetro das brocas e tamanho dos parafusos com o tamanho do implante (Innoplant
Veterinary Implants, n.d.b).
Figura 19- Realização dos orifícios piloto. A- Perfuração do orifício lateral. B- Perfuração do orifício
medial e a colocação da guia de fixação no orifício medial (Innoplant Veterinary Implants, n.d.b).
50
O implante de teste é removido deixando a agulha de fixação lateral no lugar e a guia
de perfuração é alinhada com o auxílio desta (Fig. 21) (uma dica para facilitar a remoção da
guia de perfuração do tabuleiro de instrumentos é utilizar a broca do tamanho correspondente,
identificada com os números 27 a 34 na Tabela 5, conforme demonstrado na Figura 22). É,
depois, inserida a agulha de fixação medial para manter a posição da guia de perfuração e
impedir que esta sofra movimentos de rotação aquando da realização do orifício para o plug.
Esta fixação temporária também pode ser executada com agulhas de Kirschner dos tamanhos
correspondentes.
51
Com a broca do plug, é realizado o orifício central para o implante TRA. A
profundidade deste orifício é limitada automaticamente por um batente presente na broca (Fig.
23) (Innoplant Veterinary Implants, n.d.b).
Figura 22- Realização do orifício para o plug. A- Perfuração do orifício para o plug. B- Limitação da
profundidade do orifício pelo batente presente na broca (Innoplant Veterinary Implants, n.d.b).
52
Figura 23- Colocação do implante TRA. A- Posicionamento da
prótese TRA. B- Impactor posicionado no sulco troclear
prostético e martelo usado para obter um encaixe press-fit
(Innoplant Veterinary Implants, n.d.b).
Depois do implante estar bem ancorado, é terminada a perfuração dos orifícios lateral
e medial (atravessando o córtex caudal). Em seguida, em cada orifício, são introduzidos os
parafusos corticais autorroscantes do diâmetro apropriado para terminar a fixação. Os
parafusos devem ser longos o suficiente para atravessar o córtex caudal (Fig. 25) (Innoplant
Veterinary Implants, n.d.b).
53
Figura 24- Fixação do implante TRA. A- Colocação dos parafusos corticais (bicortical). B- Patela
reposicionada na tróclea prostética (Innoplant Veterinary Implants, n.d.b).
Esta prótese (Fig. 26) pode ser utilizada concomitantemente com osteotomias
corretivas do fémur e tíbia, TTT e técnicas de reconstrução dos tecidos moles para correção de
LP. Também pode ser usada em animais com RLCCr, juntamente com as técnicas cirúrgicas
específicas para correção dessa patologia, como, por exemplo, Tibial Tuberosity Advancement
(TTA) e Tibial Plateau Leveling Osteotomy (TPLO).
54
A B
C D
Figura 25- Fotografias intracirúrgicas do processo de colocação do TRA no joelho esquerdo de um cão.
A- Área de ostectomia B- Utilização da guia de perfuração para realização do orifício central, fixa com
uma agulha de Kirschner do lado medial. C- Orifício realizado no centro da área de osteotomia e o plug
na base do TRA que vai encaixar neste. D- Implante encaixado por press-fit e form-fit e aparafusado
unicamente no lado lateral. Fotografias gentilmente cedidas pela BONEMATRIX – Centro de Cirurgia
Veterinária Avançada.
55
Capítulo III- Apresentação de casos clínicos
56
1. Objetivos
O objetivo deste capítulo é apresentar uma série de casos nos quais a prótese TRA foi
utilizada como parte do tratamento da luxação patelar e/ou osteoartrite, e, ainda, reportar a
evolução radiográfica e clínica dos mesmos.
2. Material e métodos
Foi recolhida a informação clínica dos 11 animais que foram submetidos a cirurgia
para colocação do TRA como parte do tratamento da luxação patelar na BONEMATRIX –
Centro de Cirurgia Veterinária Avançada, no período de novembro de 2021 até junho de
2022. Foram avaliados os relatórios de consulta e cirurgia, as imagens radiográficas pré e pós-
operatórias e de controlo. Os dados recolhidos foram: espécie, raça, sexo, estado reprodutivo,
idade, peso, grau de luxação patelar pré e pós-cirúrgico, direção da luxação, apresentação (uni
ou bilateral), patologias ortopédicas concomitantes, procedimentos realizados e tamanho do
TRA usado.
Neste trabalho foram incluídos todos os animais que foram submetidos a uma
intervenção cirúrgica para colocação de uma prótese TRA, no período de novembro de 2021
até junho de 2022. Em todos os casos, o implante foi usado como parte do tratamento LP, em
conjunto com outras técnicas. A amostra obtida é composta por 11 joelhos operados, num
total de 11 animais.
3. População de animais
57
intervencionadas apresentavam LPM (n= 11/11) dos seguintes graus (I-IV): I (n=0), II (n=7),
III (n=3) e IV (n=1).
58
Tabela 7- Dados relativos aos animais.
Caso Espécie Raça Idade Peso (Kg) Sexo
1 Cão SRD 6A 4m 5 Fi
3 Gato EC 7m 3,8 Mi
8 Cão SRD 2A 16 Mc
59
4. Planeamento cirúrgico
A B C D
Figura 26- Exame radiográfico pré-cirúrgico do membro pélvico esquerdo do caso 1. A- Projeção CrCd
do fémur. B- Projeção ML do fémur. C- Projeção CdCr da tíbia. D- Projeção ML da tíbia. Imagens
gentilmente cedidas pela BONEMATRIX - Centro de Cirurgia Veterinária Avançada.
Posteriormente, para determinar o tamanho da prótese necessário para cada caso foi
utilizado o programa Veterinary Preoperative Orthopaedic Planning (vPOP), que permite
sobrepor um template do implante desejado com a projeção radiográfica em estudo. Uma vez
que o template para o TRA ainda não está disponível nesta aplicação, foi utilizado o do PGR,
tendo o cuidado de desprezar a porção correspondente à PB do implante (Fig. 28). Uma
alternativa seria a utilização da folha template transparente fornecida pela empresa que
comercializa o TRA.
60
Figura 27- Projeção radiográfica ML do joelho direito do caso
5 no programa vPOP. Sobre a tróclea femoral observa-se um
template do tamanho 5 de um implante PGR com a porção
correspondente à sua PB desprezada. Adicionalmente, é
possível observar o template de uma placa, que corresponde ao
planeamento da DFO para correção de varus femoral. Imagem
gentilmente cedida pela BONEMATRIX - Centro de Cirurgia
Veterinária Avançada.
Nos casos em que existiam deformidades esqueléticas marcadas a causar a LP, como
varus, valgus e/ou torção, estas foram estudadas para posteriormente serem corrigidas, de
acordo com os procedimentos recomendados (n = 9/11). O TRA, em todos os casos, foi
utilizado em conjunto com outras técnicas: TTT (n = 7/11), DFO (n = 3/11), PTO (n = 1/11),
TPLO (incluindo a variante com transposição lateral ou medial do segmento rodado) (n =
2/11), imbricação lateral (n = 9/11), desmotomia medial (n = 1/11) e PPP (n = 1/11).
61
5. Técnica cirúrgica
Antes dos animais entrarem no bloco operatório, foi realizada a tricotomia do membro
a ser intervencionado desde a região proximal da coxa até abaixo do tarso e, posteriormente, a
lavagem do mesmo com solução de clorexidina e água. No bloco operatório, foram colocados
em decúbito dorsal, com o membro a intervencionar suspenso para a realização de uma
assepsia rigorosa com solução de clorexidina 5% e compressas estéreis. Em seguida, o
membro foi borrifado com álcool a 70%. Após este procedimento, foi efetuada a ligadura
estéril na extremidade do membro e a colocação dos panos de campo. Posteriormente, foi
feita a colocação da película cirúrgica estéril e a palpação dos pontos anatómicos de
referência, nomeadamente a patela, tendão patelar e TT. Em seguida, foi realizado o acesso
cirúrgico com uma incisão sigmoide na pele, iniciando-se parapatelar lateral, cruzando sobre
o tendão patelar, prolongando-se distal e medialmente à TT. A película foi suturada à pele, ao
longo dos dois bordos da incisão, para evitar que a mesma se descole durante do
procedimento e exponha a pele, que é uma fonte de contaminação. Em seguida, foram
incididas a gordura e fáscia subcutâneas na mesma linha da pele, com cuidado para não
seccionar o tendão patelar. A mesma incisão foi realizada sobre a fáscia lata, continuando-se
distalmente pela fáscia lateral do joelho, tendo o cuidado de deixar fáscia suficiente no bordo
patelar lateral para permitir suturar este tecido no final. Posteriormente, efetuou-se a
artrotomia através de uma incisão parapatelar lateral na cápsula articular. Com o joelho em
extensão, a patela foi luxada medialmente para expor a articulação (Piermattei e Johnson,
2004). Depois de avaliada tróclea,
62
decidiu-se que a opção de tratamento mais indicada passava pela substituição de tróclea
femoral por uma prótese TRA (Fig. 29).
A colocação do TRA (Fig. 30), foi executada conforme descrito no capítulo anterior.
Na maioria dos casos o tamanho final correspondeu ao implante definido no planeamento. O
tamanho quando escolhido no intraoperatório tratava-se de um número maior do que o
originalmente planeado. Em 3 dos 11 casos (1, 7 e 10), os parafusos foram colocados
unilateralmente. A justificação para isto foi o dano causado no orifício onde estes parafusos
seriam introduzidos, no caso 1, pela anterior colocação das agulhas de fixação e, no caso 10,
pela substituição de um parafuso já colocado. No caso 7, a interceção entre um dos parafusos
do TRA e um dos usados na DFO, impediu a fixação bilateral desta prótese. Apesar desta
situação, a estabilidade da prótese não foi afetada em nenhum dos casos.
63
A B
C D
Figura 28- Casos com indicação cirúrgica para colocação de prótese troclear. A-
Vista tangencial de um joelho com sulco troclear pouco profundo. B- Vista cranial
do mesmo joelho, onde se verifica uma extensa erosão da cartilagem articular,
observada pela tonalidade rosada da mesma. C- Vista cranial de uma tróclea com
osteoartrite avançada, com erosão da cartilagem articular do lado medial e
osteofitose marcada do lábio troclear lateral. D- Vista cranial do joelho de um cão
com luxação patelar de grau IV, com uma tróclea hipoplásica. Fotografias
gentilmente cedidas pela BONEMATRIX – Centro de Cirurgia Veterinária
Avançada.
64
Figura 29- Joelho direito de cão onde foi feita a colocação de um TRA (imagem
obtida previamente à colocação dos parafusos para fixação da prótese). A- Vista
tangencial. B- Vista cranial. Fotografias gentilmente cedidas pela BONEMATRIX –
Centro de Cirurgia Veterinária Avançada.
6. Cuidados pós-operatórios
65
Nos primeiros dias após o procedimento, foram administrados cefalexina 20 mg/kg
duas vezes por dia (BID), durante 12 dias consecutivos por via oral (PO) e um anti-
inflamatório não esteroide (AINE), por exemplo robenacoxib (Onsior®), 1-2,4 mg/kg nos
gatos e 1-2 mg/kg nos cães), uma vez por dia (SID), durante 6 dias consecutivos PO. Em caso
de necessidade, o reforço da analgesia, nos cães, poderia ser realizado com paracetamol 10-20
mg/kg PO BID, e nos gatos com buprenorfina 0,01-0,02 mg/kg PO, a cada 6 horas. Aos 10
dias após a cirurgia foram realizadas consultas de controlo para vigiar a evolução do caso,
avaliar o aspeto da ferida cirúrgica e remover as suturas. Foi recomendada a realização de
radiografias de controlo (Fig. 17) às 4-8 semanas. Se a intervenção bilateral estivesse
indicada, a segunda operação poderia ser marcada a partir das 4 semanas, dependendo da
evolução do caso. Apesar de não ser imprescindível em todos os casos, a fisioterapia poderia
ser iniciada 24h após a cirurgia. Foi recomendada a realização de crioterapia na ferida
cirúrgica durante 3 a 5 dias, três vezes por dia (TID), por períodos de 10 minutos e a limpeza
diária da mesma com recurso a solução salina estéril e compressas.
A B C D
Figura 30- Exame radiográfico pós-cirúrgico do joelho esquerdo do caso 1. A- Projeção CrCd de fémur: patela
no interior do sulco troclear prostético e TRA aparafusado apenas do lado lateral. B- Projeção ML de fémur: TRA
encaixado por press-fit no osso esponjoso. C- Projeção CdCr de tíbia: deslocamento da TT observável pela
radiotransparência medialmente à mesma e fixação desta com agulhas de Kirschner. D- Projeção ML de tíbia:
osteotomia da TT (linha radiotransparente), com uma fratura da porção distal da mesma, que ocorreu intra
cirurgicamente. As agulhas de Kirschner têm as pontas dobradas proximalmente e a extremidade cranial de uma
delas está afastada do osso. Imagens gentilmente cedidas pela BONEMATRIX - Centro de Cirurgia Veterinária
Avançada.
66
Nos primeiros 3 dias após a cirurgia, é expectável que o animal consiga dar pequenos
passos com o membro operado. Ao fim de 10 dias, espera-se que todos os passos sejam
executados fazendo o apoio do membro intervencionado no chão, ainda que com alívio na
sustentação do peso. A evolução no conforto e uso do membro é variável de animal para
animal, mas deve ser constante. Caso houvesse um retrocesso na evolução do caso, estava
recomendada a realização de um novo exame radiográfico com as projeções ML e
CrCd/CdCr.
A B C D
Figura 31- Exames radiográficos de controlo do membro pélvico esquerdo do caso 1. A- Projeção ML, um mês
no pós-cirúrgico: aumento da radiopacidade na linha de osteotomia da TT e entre a base da prótese e a
ostectomia femoral (osteointegração). B- Projeção CdCr: patela sobre o sulco troclear do implante. C- Projeção
ML, dois meses no pós-cirúrgico: aumento mais marcado da radiopacidade na linha de osteotomia. D- Projeção
CrCd: patela no interior do sulco prostético. Imagens gentilmente cedidas pela BONEMATRIX – Centro de
Cirurgia Veterinária Avançada.
67
7. Acompanhamento
68
A
C D
69
8. Discussão
O PGR é mais alto do que uma tróclea normal, então pode criar uma grande tensão no
MEQ e consequentemente afetar o ROM do joelho, especialmente em cães de raças pequenas
e toy e em gatos. Adicionalmente, acredita-se que esta altura do implante PGR possa induzir
osteoartrite, uma vez que a pressão derivada do contacto entre a patela e o implante é maior
do que do que a pressão observada num joelho normal (Kim et al., 2016). Uma vez que o TRA
tem uma altura próxima da fisiológica, permite aos animais um conforto maior e um tempo
menor de recuperação da função total do membro. Outra grande vantagem do TRA em relação
ao PGR, é a disponibilidade de tamanhos largos intermédios, o que permite abranger um
maior número de animais e em particular os gatos, que têm patelas mais largas relativamente à
tróclea.
9. Limitações do trabalho
70
contacto com os tutores e, consequentemente, perde-se alguma informação sobre a evolução
dos casos. Nestas
71
situações, se não houver um novo contacto por parte dos tutores ou das clínicas referentes
relativamente aos animais intervencionados, assume-se que o caso teve um desfecho positivo
e o animal recuperou favoravelmente.
10. Conclusão
72
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