Daniel 2:17-23
17 Então, Daniel foi para casa e fez saber a coisa a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros,
18 para que pedissem misericórdia ao Deus do céu no tocante a esse segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não
perecessem juntamente com o resto dos sábios de Babilônia.
19 Então, foi o segredo revelado a Daniel numa visão noturna. Depois, Daniel bendisse ao Deus do céu.
20 Disse Daniel: Bendito seja o nome de Deus para todo o sempre, pois dele são a sabedoria e a força.
21 Ele muda os tempos e as estações; remove os reis e estabelece os reis; dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos que
sabem discernir;
22 revela as coisas profundas e escondidas; sabe o que está nas trevas, e com ele mora a luz.
23 A ti, Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, que me deste sabedoria e força e, agora, me fizeste saber o que te
havíamos pedido; porque nos revelaste a questão do rei.
Daniel 2:17-23 explicação
Antes de ir até o rei, Daniel e seus três amigos Hananias, Misael e Azarias oram a Deus pedindo sabedoria e
pedindo compaixão ao Deus do céu a respeito daquele mistério, clamando que Ele mostrasse e explicasse a Daniel o
sonho que Nabucodonosor havia tido. Eles tinham um motivo claro e justificável: Daniel e seus amigos não
queriam ser destruídos com o restante dos sábios da Babilônia.
Numa das noites, Deus revela a Daniel qual havia sido o sonho do rei em uma visão noturna e o que ele significava.
Imediatamente Daniel louva a Deus, dizendo: “Seja bendito o nome de Deus, de eternidade em eternidade, porque
dele é a sabedoria e o poder”. Daniel continua dando graças a Deus, dando-lhe crédito pela sabedoria e
compreensão que recebera:
“É Ele quem muda os tempos e as estações; remove reis e estabelece reis; Ele dá sabedoria aos sábios e
entendimento aos entendidos”.
Ao contrário dos outros sábios da Babilônia, Daniel confiava em Deus e sabia que cada palavra que ele havia
recebido e qualquer esperança de entender o sonho do rei repousava somente em Deus. Ele dependia de Deus para
tudo e O louva por mostrar e explicar o sonho a ele. Daniel reconhece que Nabucodonosor tinha o poder de matá-lo,
mas Deus estava acima de Nabucodonosor. Só Deus tinha o poder para remover e estabelecer reis. Daniel sabia que
Deus estava acima de tudo. Daniel e seus amigos estavam na categoria dos conserlheiros inferiores, mas
reconhecem que era Deus quem dava sabedoria aos sábios. A ousadia de Daniel em assumir a posição de passar à
frente dos sábios superiores estava enraizada em sua confiança em Deus.
Eis a parte final da oração de Daniel: “Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas e com Ele
mora a luz”.
Daniel não tinha ilusão alguma de que a interpretação do sonho viria de alguém que não fosse Deus. Deus sabia de
tudo e Daniel reconhece isso em sua oração de agradecimento.
Daniel agradece diretamente a Deus, dizendo:
“A ti, Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, que me deste sabedoria e força e, agora, me fizeste saber o
que te havíamos pedido; porque nos revelaste a questão do rei”.
Daniel havia recebido um dom e um poder incríveis. O fato de reconhecer que aquilo vinha de Deus explica por que
ele não se aproveita de sua situação para mandar matar os magos e feiticeiros, como seria apropriado caso ele
estivesse em Israel (Êxodo 22:18).
Daniel 2:24-30 explicação
Nível de revisão
Daniel é levado ao rei Nabucodonosor para interpretar seu sonho. Antes de fazê-lo, Daniel diz ao rei repetidamente
que era apenas por causa do único Deus verdadeiro que ele era capaz de interpretar seu sonho.
Quando soube da ordem do rei para destruir a todos os sábios da Babilônia, Daniel foi até o homem que o rei havia
enviado para executar a ordem, Arioque, e pediu para ser levado à presença do rei. Daniel também pediu a Arioque
que não matasse os sábios da Babilônia. Daniel poderia ter protegido apenas a si mesmo e seus três amigos. Ele
poderia justificar que apenas aqueles homens, que cometiam o pecado de feitiçaria proibido pelo Deus de Israel,
deveriam ser mortos (Êxodo 22:18). Ao fazê-lo, ele elevaria a si mesmo e a seus amigos. Em vez disso, Daniel
escolhe interceder em favor dos pecadores. Esta é uma imagem da postura que Jesus tomaria cerca de seiscentos
anos depois.
Arioque era o mesmo chefe com quem Daniel havia conversado no capítulo 1. Quando Daniel diz a Arioque que
poderia interpretar o sonho do rei, Arioque apressadamente trouxe Daniel à presença do rei e disse: “Encontrei um
homem entre os exilados de Judá que pode tornar a interpretação conhecida ao rei”. A descrição de Arioque
implicava que o rei não conhecia a Daniel; ou não haveria razão para Arioque ter mencionado seu nome.
A passagem menciona que Daniel recebera um nome babilônico, Beltesazar. Talvez tenha sido por este nome que
ele teria sido apresentado ao rei. O rei pergunta se Daniel seria capaz de dar-lhe a conhecer “o sonho que viu e sua
interpretação”. A resposta de Daniel é diplomática, porque em certo sentido ele responde negativamente, porque
nenhum mortal poderia revelar sonhos sobre o futuro. Porém, em outro sentido, ele responde afirmativamente,
porque era um mensageiro do Deus que podia fornecer a interpretação ao rei.
Daniel passa a descrever a Nabucodonosor seu sonho e o que ele significava; algo que nenhum dos outros sábios da
Babilônia conseguiu fazer. Quando Nabucodonosor pergunta a Daniel se poderia interpretar seu sonho, Daniel diz
que podia, mas apenas porque o seu Deus, o único Deus verdadeiro, lhe havia dado a conhecer o sonho e o que ele
significava. Daniel não toma o crédito por conseguir revelar o sonho; ao contrário, ele dá toda a glória a Deus.
“Mas, há no céu um Deus que revela segredos, e ele tem feito saber ao rei Nabucodonosor o que há de acontecer
nos últimos dias”. Daniel reitera várias vezes que o sonho não lhe havia sido revelado por nenhuma sabedoria
humana, mas que a revelação vinha do único Deus verdadeiro. Daniel dá ao rei uma prévia, dizendo-lhe que seu
sonho dizia respeito ao que aconteceria no futuro: “Aquele que revela segredos te descobriu o que há de
acontecer”. O termo “últimos dias” referia-se a um futuro distante.
Daniel 2:31-35 explicação
Nível de revisão
Daniel descreve o que o rei Nabucodonosor havia visto em seu sonho: uma estátua gigantesca feita de metais
preciosos. Sua cabeça era de ouro; seu peito e braços eram de prata; sua barriga e coxas eram de bronze; suas pernas
eram de ferro; e seus pés eram de ferro e barro. Uma pedra destruiu a estátua e se transformou em uma grande
montanha.
Ao contrário de todos os outros sábios da Babilônia, Daniel foi capaz de dizer ao rei o que ele havia visto em seu
sonho. Nabucodonosor viu uma grande estátua em seu sonho. Era grande e extraordinária em seu esplendor. Ela
estava na frente do rei e sua aparência era incrível. A cabeça da estátua era feita de ouro fino, com seu peito e
braços feitos de prata, sua barriga e suas coxas de bronze, suas pernas de ferro e seus pés feitos de ferro e argila.
Em seu sonho, o rei continuou olhando até que uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, o que significava que a
pedra havia sido extraída por Deus, não por mãos humanas. A pedra atingiu a estátua em seus pés de ferro e barro e
os esmagou. Em seguida, toda a estátua caiu e foi destruída - nenhum vestígio dela foi encontrado. Cada pedaõ da
estátua foi esmagado: o ferro e a argila das pernas, o bronze da barriga e da coxa, a prata do tronco e o ouro da
cabeça. A imagem é a mesma do joio na eira sendo lançado ao ar e depois ser levado pelo vento, sem deixar
vestígios. A palha é a casca e outras porções da planta colhida; apenas o grãos fica por ser mais pesado, portanto
caindo no chão. As partes mais leves são levadas para longe pelo vento. Assim, o rei viu que a pedra se transformou
em uma grande montanha, que encheu toda a terra.
Em seguida, Daniel interpretará o sonho ao rei Nabucodonosor e explicará como cada parte da estátua representava
um reino humano. No final, o Reino de Deus seria finalmente estabelecido sobre todos os outros imérios humanos.
Cada reino humano foi edificado sobre os escombros do reino anterior. O Reino de Deus, por outro lado, substituiria
completamente a todos os reinos dos homens.
Daniel 2:36-38 explicação
Nível de revisão
Cada pedaço da estátua no sonho representava um reino. O sonho abrangia desde o tempo de Daniel até o tempo em
que vivemos, ou seja, milhares de anos. Também cobre o fim de nossa era atual e introduz o Reino de Deus que será
estabelecido na terra.
Daniel diz a Nabucodonosor que o reino da Babilônia era representado pela cabeça de ouro na estátua. O reino de
Nabucodonosor duraria apenas 66 anos, um dos períodos de tempo mais curtos representados na estátua em seu
sonho. O fim do domínio babilônico é narrado mais tarde no livro de Daniel, quando os persas conquistam a
Babilônia. Daniel pronuncia a desgraça no neto de Nabucodonosor, Belsazar, interpretando a caligrafia na parede.
Porém, Daniel não menciona isso aqui. Ele apenas diz que o reino de Nabucodonosor tinha autoridade absoluta
sobre a terra, mas que ele fracassaria e daria lugar a outro reino.
Na época de Nabucodonosor, a Babilônia era o maior dos reinos. Nabucodonosor tinha o poder, a força e a glória,
porque onde quer que habitassem os filhos dos homens, ou os animais do campo, ou as aves do céu. Deus os havia
entregado nas mãos de Nabucodonosor e o fez governar sobre tudo. A extensão do poder de Nabucodonosor era
vasta. A descrição de Daniel sobre a autoridade do rei ecoava a declaração de Jesus sobre a autoridade de Deus na
oração do Pai Nosso, quando diz: "Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre" (Mateus 6:13b). O Senhor
havia dado nas mãos de Nabucodonosor um poder absoluto e incomparável. O vasto poder que o Senhor havia
concedido a Nabucodonosor prenunciava o poder que Deus exerceria sobre a terra quando Seu Reino viesse
fisicamente à terra (Apocalipse 2:26-29). É provável que por isso o reinado de Nabucodonosor seja descrito como a
cabeça de ouro.
A ascensão de Nabucodonosor ao poder envolveu muitas batalhas com o Egito. Antes do cativeiro de Daniel, o
Egito lutou contra o reino de Judá, matando ao rei Josias em 609 a.C. O Egito impôs um pesado imposto a Judá
depois disso. A lealdade de Judá ficou divididas entre a Babilônia e o Egito por muitos anos. Quatro anos após a
morte de Josias, em 605, Nabucodonosor derrotou ao Faraó Neco do Egito na batalha de Carquemis.
Nabucodonosor invadiu Judá naquele mesmo ano e conquistou Jerusalém, provavelmente o momento no qual
Daniel foi levado cativo.
O rei Joaquim de Judá submeteu-se ao domínio babilônico e pagou impostos a Nabucodonosor. No entanto, a
Babilônia não foi capaz de conquistar o Egito, o que levou Joaquim a parar de pagar tributos à Babilônia e se aliar
ao Egito mais uma vez. Jeremias, o profeta, advertiu contra essa decisão, dizendo ao rei que Deus protegeria Judá se
ele mantivesse seu tratado com a Babilônia; se o rei quebrasse seu tratado, Deus entregaria Judá à destruição pelos
babilônicos. Jeremias foi ignorado. Nabucodonosor retornou a Jerusalém e a conquistou novamente. Joaquim
morreu durante o cerco, e seu filho Jeoaiquim subiu brevemente ao trono. Após a queda de Jerusalém, Joaquim foi
levado em cativeiro para a Babilônia, juntamente com muitos judeus. Nabucodonosor colocou o tio de Joaquim,
Zedequias, no trono de Judá como rei vassalo.
Eventualmente, o rei Zedequias também se revoltou contra o governo da Babilônia, confiando nos egípcios para
defender Judá. Jeremias, o profeta, exortou Zedequias e o povo judeu a se arrependerem de seus muitos pecados
diante de Deus e a apoiarem o governo de Nabucodonosor, pois Deus havia permitido que os babilônicos
conquistassem Seu povo como castigo. Porém, não houve arrependimento, apenas idolatria e rejeição a Deus.
Assim, Deus estabeleceu um período de 70 anos para o exílio de Judá na Babilônia e nada poderia impedir isso.
Zedequias e o povo judeu acreditavam que o Egito era mais poderoso que a Babilônia e fizeram uma aliança secreta
com o Egito. Contrários a ordem de Deus, eles confiaram no Egito em vez de confiarem em Deus. Em 597 a.C., o
Egito marchou em direção a Jerusalém para lutar contra outro cerco da Babilônia, o que levou Nabucodonosor a
retirar suas forças por um tempo (Jeremias 37:11). Naquele momento, o povo judeu pode ter pensado que estavam
corretos em terem confiado no Egito.
No entanto, a suposta retirada não durou muito tempo. Nabucodonosor retornou a Jerusalém com todas as suas
hostes para um cerco decisivo (2 Reis 25). Fortes foram construídos ao redor da cidade. O ataque foi longo e o povo
de Jerusalém sofreu e passou fome. Em 586 a.C., o cerco terminou com a Babilônia rompendo os muros e
queimando Jerusalém até o chão. As muralhas, o templo e toda a cidade foram destruídos. Zedequias foi capturado,
seus olhos foram cegados e ele levado para a Babilônia acorrentado.
Depois disso, o domínio da Babilônia no Oriente Médio estava garantido. O império da Babilônia era poderoso e
rico, como a cabeça de ouro no sonho do rei.
Daniel 2:39 explicação
Nível de revisão
O sonho de Nabucodonosor revela que, depois da Babilônia, um reino inferior se destacaria (Medo-Pérsia) e então
um terceiro reino surgiria (Grécia), governando toda a terra.
“Depois de ti”, Daniel diz ao rei, “surgirá outro reino inferior“. Este seria o império medo-persa, representado pelo
peito e braços de prata. Os dois braços representavam as duas nações (Média e Pérsia) que conquistariam a
Babilônia em 539 a.C. Enquanto os cinco primeiros capítulos de Daniel marcam o império da Babilônia, os
capítulos 6, 9, 10-12 ocorrem durante o império medo-persa.
O último rei babilônico foi Belsazar, neto de Nabucodonosor. Em Daniel 5, Deus escreve uma mensagem na parede
que Daniel traduz para Belsazar, essencialmente dizendo: "Foste pesado na balança e achado em falta. Está
dividido o teu reino e entregue aos medos e aos persas." Naquela mesma noite, Belsazar foi morto pelo exército
medo-persa que havia cercado a cidade da Babilônia. A autoridade sobre a cidade da Babilônia foi dada a Dario, o
Medo, que possivelmente foi um governador sob o reinado do rei Ciro, ou possivelmente seja outro nome para o
próprio Ciro. O império persa de Ciro foi ainda maior que o império babilônico. O próprio Ciro é lembrado como o
rei tolerante que se adaptou às culturas dos conquistados e permitiu que eles prosperassem, ao invés de esmagá-los.
A Bíblia fala bem dele. Deus chama Ciro de Seu ungido e declara que Ciro havia sido capaz de conquistar e
acumular grandes riquezas como resultado da Sua ação divina que era, em última análise, para o bem do povo de
Deus (Isaías 45).
O propósito de Deus através de Ciro era completar Seu castigo ao povo judeu, trazê-lo do exílio para sua terra e
reconstruir Jerusalém e o templo:
"Sou eu que digo de Ciro: 'Ele é meu pastor! Ele realizará todo o Meu desejo. 'E declara de Jerusalém: 'Ela será
construída', e do templo: 'Será lançado o teu alicerce'" (Isaías 44:28).
Isso se cumpriu no primeiro ano do reinado de Ciro sobre a Babilônia. Os exilados judeus ainda estavam lá (Esdras
1:1-4). Ciro enviou uma proclamação a todo o seu reino dizendo que o próprio Deus o havia designado para
reconstruir o templo em Jerusalém; assim, ele permitiu que os judeus retornassem a Judá e cumprissem a ordem de
restauração. Ciro ordenou até mesmo aos vizinhos dos judeus exilados que os ajudassem em seu caminho: "Que os
homens daquele lugar o sustentem com prata e ouro, com bens e gado, juntamente com uma oferta de livre arbítrio
para a casa de Deus que está em Jerusalém" (Esdras 1:4). Além disso, ele devolve as placas e copos saqueados do
templo que Nabucodonosor havia tirado de Jerusalém durante sua conquista e que haviam sido armazenados na
Babilônia e usados inadequadamente por Belsazar na noite de sua morte (Esdras 1:5-11, Daniel 1:2, Daniel 5:2-4).
No entanto, o sonho de Nabucodonosor mostrava o reino dos medo-persas como prata, em comparação com a
cabeça de ouro que representava o império babilônico. Daniel diz abertamente que o segundo reino seria inferior ao
reino de Nabucodonosor. Alguns acreditam que isso significava que o reino seria moralmente inferior, já que o
império era maior e mais poderoso. Nenhum dos reis persas reconheceu a Deus como o verdadeiro Soberano sobre
toda a criação, como Nabucodonosor havia feito (Daniel 4:34-35).
No entanto, dada a ênfase na descrição da autoridade absoluta de Nabucodonosor, parecia provável que Deus
estivesse se referindo à extensão do poder imperial, observando que o poder de Nabucodonosor era
substancialmente maior do que seus sucessores. Nabucodonosor era uma autoridade absoluta, tendo o poder da vida
e da morte. O império persa era conhecido por sua vasta burocracia. Como veremos, o rei Dario não foi capaz de
impedir a aplicação de uma lei no episódio de Daniel e a cova dos leões (Daniel 6). O governo de Ciro não duraria
muito, certamente não tanto quanto o governo de Nabucodonosor sobre a Babilônia. Além disso, a linha de sucessão
depois dele foi sangrenta e caótica. Os conflitos internos eram predominantes entre os medos e os governantes
persas. A divisão continuaria no império grego, que conquistou o império persa. Alexandre, o Grande liderou uma
campanha surpreendentemente vitoriosa, mas morreu logo depois. Sua família foi morta por seus generais e seu
império foi dividido em quatro partes. Novamente, este reino foi substancialmente inferior em poder ao da
Babilônia.
A ânsia pela realeza dividiu brutalmente os Medo-persas. Depois de Ciro, veio seu filho Cambisses II e depois
houve um breve reinado de outro filho, Esmerdis. Dario, o Grande sucedeu os filhos de Ciro, possivelmente
assassinando Cambisses II e quase certamente matando Esmerdis, o legítimo herdeiro ao trono. Dario e outros
conspiradores alegaram que Esmerdis já estava morto e que um impostor havia subido ao trono; assim, ele foi
justificadamente morto pelos conspiradores. Dario, o Grande passou a governar o império persa e a aumentar seu
território por muitos anos. Ele foi responsável por criar a Inscrição Behistun, uma impressionante escultura no lado
do Monte Behistun no atual Irã, gabando-se de sua grandeza, das rebeliões que eliminou no reino e das terras sobre
as governou, incluindo a Grécia. A Grécia se levantou contra ele novamente no final de sua vida e, enquanto ele
planejava sua campanha para subjugar a rebelião, Dario morreu de uma doença.
O filho de Dario foi Xerxes. No livro de Ester, Xerxes é chamado pelo nome hebraico Assuero. Ele escolhe uma
menina judia chamada Ester para ser sua rainha, que ajuda a desfazer um complô de exterminação do povo judeu
(Ester 7).
Artaxerxes, filho de Xerxes, desempenhou um importante papel nos esforços de Neemias para reconstruir os muros
de Jerusalém (Neemias 2), bem como na viagem de Esdras a Judá, ajudando a financiar a reforma espiritual
necessária para o povo judeu que estava praticando a idolatria mais uma vez na cidade restaurada de Jerusalém
(Esdras 7:21-26).
Xerxes continuou a campanha de seu pai contra os estados gregos, mas sofreu muitas derrotas humilhantes. Por
mais poderoso que fosse o império persa, suas forças foram derrotadas duas vezes em sua tentativa de dominar a
Grécia. A primeira guerra greco-persa foi decidida na batalha de Maratona, em 490 a.C. Dario retornou à Pérsia
para se reagrupar e planejar uma segunda invasão, mas morreu antes que pudesse completá-la. No entanto, seus
planos foram continuados por seu filho Xerxes, que os realizaria uma década depois, em 480 a.C. Esta segunda
guerra produziu a famosa batalha de Termópilas contra os 300 espartanos, na qual os persas foram retidos por vários
dias, antes de derrotarem aos espartanos e marcharem em direção à Grécia. No entanto, Xerxes foi derrotado na
batalha naval de Salamina, impedindo a conquista das cidades-estado gregas. Sua invasão foi finalmente encerrada
um ano depois na batalha terrestre de Plataea. A partir daí, os gregos cresceram no poder e não mais ficaram na
defensiva contra o poderoso império persa. O eixo do poder mundial mudou do leste para oeste e assim tem sido
desde então.
O império persa durou cerca de 200 anos, de aproximadamente 539 a.C. a 330 a.C.
Depois de conquistar o império medo-persa na década de 330 a.C., sob a liderança de Alexandre, o Grande, o
império grego foi estabelecido. Ele subjugou o mundo conhecido em cerca de onze anos, mas morreu de uma
doença enquanto retornava à Grécia.
Em Daniel 8, Daniel tem uma visão durante o reinado do neto de Nabucodonosor, Belsazar, que novamente
apontava para o império vindouro dos Medo-Persas, e como um rei grego iria conquistá-lo (Daniel 8:3-8).
Alexandre, o Grande foi famoso não apenas por ter destruído ao império persa, mas pela rapidez com que o fez (em
cerca de onze anos). Daniel 8:5 descreve como os gregos (representados na visão por um carneiro) viriam do oeste
(a Grécia fica a oeste da Pérsia, atual Irã) sem tocar o solo (o carneiro voador representava a rápida conquista de
Alexandre). Parte de sua estratégia envolvia mover rapidamente seu exército de cidade em cidade, exigindo
submissão ou morte. E funcionou perfeitamente. Com poderosa ira, Alexandre conquistou a Pérsia. Os gregos
continuaram a desprezar os persas nos últimos cem anos da guerra (Daniel 8:6). Ele "golpeou o carneiro [Pérsia] e
quebrou seus dois chifres, e o carneiro não teve forças para suportá-lo" (Daniel 8:7).
Alexandre gloriava-se em sua astúcia e seu poder militar; ele alegava ser descendente de Héracles e Aquiles e "se
engrandeceu muito", conforme previsto por Daniel. Porém, assim que se levantou, o grande chifre na cabeça do
carneiro foi quebrado, e "quatro chifres menores" cresceram em seu lugar (Daniel 8:8). Alexandre morreu no auge
de sua vitória; seu império mal nasceu, seus inimigos foram derrotados, a Grécia se vingou da Pérsia e ele morreu
aos 32 anos de idade. É possível que ele tenha sido envenenado ou simplesmente sucumbido a uma doença, mas ele
não havia elegido um sucessor para governar as terras conquistadas. O império grego foi dividido pelos quatro
generais de Alexandre, assim como os quatro chifres que cresceram no lugar do grande chifre quebrado na visão de
Daniel.
No sonho de Nabucodonosor, a Grécia foi representada pelo peito de bronze. Daniel diz ao rei que aquele império
governaria toda a terra. Este império durou cerca de 300 anos e governou vastas quantidades do mundo conhecido
na época. O grego tornou-se uma língua comum em todos os vários países e culturas, mesmo nos tempos de Jesus, e
é por isso que o Novo Testamento foi escrito em grego.
Daniel relata essa história do mundo a Nabucodonosor bem antes dos eventos acontecerem. Daniel foi capaz de
contar a Nabucodonosor todo o seu sonho, bem como sua interpretação, provando que a revelação que havia
recebido era divina. Os eventos previstos por Daniel aconteceram exatamente conforme descritos. Isso nos dá ampla
confiança de que os eventos restantes também ocorrerão exatamente como previsto.
Daniel 2:40-43 explicação
Nível de revisão
Daniel fala sobre o quarto reino (Roma), que esmagaria os reinos antes dele. Seria um reino poderoso e feroz,
propenso a despedaçar a quem se colocasse diante dele.
Depois do Império Grego (as coxas de bronze), haveria um quarto reino tão forte quanto o ferro, explica Daniel a
Nabucodonosor. Este reino estaria associado ao ferro porque “o ferro esmaga e quebra todas as coisas, assim, como
o ferro que se quebra em pedaços, ele esmagará e quebrará a todos” os reinos “em pedaços”.
O quarto império era, sem dúvida, Roma. Os romanos eram brutais e poderosos de maneiras diferentes dos impérios
anteriores. Eles obliteravam reinos inteiros para confirmar seu poder. Os reinos da Babilônia, Medo-Pérsia e Grécia
tendiam a subjugar outros reinos para obter receitas fiscais. Roma também fez isso mas, às vezes, cometia genocídio
e destruição cultural apenas para estabelecer seus domínios. Por exemplo, os romanos arrasaram a cidade de
Cartago em 146 a.C., matando mais da metade das pessoas lá e vendendo o restante (50.000 sobreviventes) como
escravos. Cartago era uma cidade próspera que poderia ter enriquecido Roma. Mas, ela ofendeu suficientemente o
prestígio de Roma a ponto de Roma decidir erradicá-la.
A visão de Daniel no capítulo 7 também mostra uma representação de Roma como uma besta com chifres de ferro
que esmaga a tudo em seu caminho: "...eis uma quarta besta, terrível, aterrorizante e extremamente forte; e tinha
grandes dentes de ferro. Devorou, esmagou e pisoteou o restante com os pés; e era diferente de todas as bestas que
estavam antes dela..." (Daniel 7:7). Mais uma vez, o ferro é usado para representar a força e a brutalidade do
domínio romano.
Roma lutou contra a Grécia por muitos anos, mas após a Batalha de Corinto (146 a.C.) a península grega passou a
pertencer a Roma. Os romanos colocaram o povo conquistado sob seu domínio, estabelecendo governadores e
presença militar nas novas terras. Alguns dos conquistados foram assimilados e se tornaram cidadãos romanos. Os
jovens eram recrutados para a infantaria romana. Isso é representado pelos pés e dedos dos pés da estátua, uma
mistura de argila e ferro. O ferro representava a dureza e a força incomparáveis de Roma. O império era uma vasta
mistura de diferentes línguas e grupos de pessoas, abrangendo grande parte do mundo conhecido em seu auge em
117 d.C. No entanto, por causa dessa mistura (representada pelo barro e ferro nos pés e dedos dos pés da estátua), o
reino tornou-se frágil e fraco, já que “o ferro não se combina com o barro”.
O império romano não foi derrotado, ele simplesmente implodiu. Em uma tentativa de reconstituir o Império
Romano em um contexto cristão, Carlos Magno foi coroado imperador do que foi considerado o Sacro Império
Romano-Germânico em 800 d.C. De 800 d.C. a 1806 d.C., este império "santo" tentou resistir ao Cristianismo.
Primeiro dividiu-se em leste e oeste, representados pelas duas pernas da estátua. Em seguida, invadiu vários reinos.
Voltando à glória de Roma, sabemos que os alemães chamavam a seu imperador de "Kaiser" e os russos chamavam
a seu rei de "Czar". Ambas as palavras são uma transliteração do termo "César". A monarquia alemã caiu na
Primeira Guerra Mundial (1919) e a monarquia russa caiu na revolução bolchevique de 1917.
O Sacro Império Romano-Germânico expandia-se e encolhia durante os seus cerca de mil anos de existência. A
Europa Ocidental, a Inglaterra e os Estados Unidos são descendentes do império romano. Muitos dos atuais países
da Europa foram formados entre a última metade do século 19, após o fim do Sacro Império Romano-Germânico, e
o tratado de Versalhes, que encerrou a Primeira Guerra Mundial.
Daniel 2:44-45 explicação
Nível de revisão
Cada pedaço da estátua no sonho representava um reino. O sonho cobria milhares de anos dos reinos que
governariam a terra. Daniel diz a Nabucodonosor que o reino da Babilônia era representado pela cabeça de ouro na
estátua.
O reino de Nabucodonosor duraria apenas 66 anos, um dos períodos de tempo mais curtos representados na estátua
em seu sonho.
Deus deu a Nabucodonosor uma visão do que aconteceria no futuro, indicando quem governaria a terra após o
império babilônico. Nabucodonosor foi informado de que depois dele viria o peito e os braços de prata (império
Medo-Pérsia, "inferior" à Babilônia); depois o ventre e as coxas de bronze (Grécia, "que governaria toda a terra");
e as pernas de ferro com pés feitos de uma mistura de ferro e barro (Roma, que "esmaga e destrói todas as coisas".
Em última análise, porém, seria "um reino dividido") (Daniel 2:39-40).
Mas o que viria depois do império romano? Daniel diz que “nos dias daqueles reis (Roma) o Deus do céu
estabelecerá um reino”. Esta é a era na qual ainda estamos atualmente. Não haverá outro império sobre a terra. Este
Reino criado pelo Deus do céu não fazia parte da estátua que Nabucodonosor viu. Não seria um reino de homens,
representado por peças metálicas forjadas em uma estátua. Este Reino viria de fora da estátua. Daniel diz a
Nabucodonosor que “uma pedra foi cortada da montanha sem mãos e que esmagou o ferro, o bronze, o barro, a
prata e o ouro”.
A pedra poderosa é cortada da montanha sem auxílio de mãos humanas, mas pela ação de Deus e é lançada no curso
da história humana. Ela destrói a todos os reinos que vieram antes dela. Daniel lista todos os metais da estátua:
ferro, bronze, prata, ouro ao descrever como eles seriam esmagados por este novo reino. Este Reino porá fim a
todos os outros reinos e ele durará para sempre. Ao contrário dos reinos dos homens, era um Reino que jamais
seria destruído.
Este momento é novamente descrito na visão de Daniel no capítulo 7, onde ele vê uma besta violenta com dez
chifres destruídos por Deus e substituídos pelo Reino eterno (Daniel 7:24-26). A mesma besta é mostrada em todo o
Apocalipse, representando o último reino do homem antes de Deus estabelecer o Seu Reino eterno. A besta em
Apocalipse tem dez chifres (Apocalipse 13:1), assim como a besta em Daniel 7, assim como a estátua em Daniel 2
tinha dez dedos. Assim, provavelmente haverá uma coalizão de 10 reis ou reinos sob o rei blasfemo final ao qual
Deus julgará, vindo de uma das mutações do império romano.
O reino eterno, que o Deus do céu estabelecerá, jamais será destruído. Ao contrário dos outros reinos que seriam
derrubados e tomados por seus sucessores, este Reino não será deixado para outro povo, nunca será destruído. O
objetivo do sonho não era simplesmente prever o futuro dos impérios terrenos, mas mostrar que, no final, Deus
acabaria com os reinos criados pelos homens e traria Seu próprio Reino sobre toda a terra. Este Reino não pode ser
conquistado ou destruído. Nenhum outro império o seguiria. Ele se tornará uma "grande montanha" que encherá
"toda a terra" (Daniel 2:35). Será o reino final, para sempre (Apocalipse 21:1-4).
Daniel encerra sua interpretação declarando de onde havia vindo a visão: “O grande Deus deu a conhecer ao rei
Nabucodonosor o que acontecerá no futuro, de modo que o sonho é verdadeiro e sua interpretação é confiável”,
pois vinha do próprio Deus. O fato de Daniel ter sido capaz de contar a Nabucodonosor o sonho provava que aquilo
tudo não era uma mera previsão humana, mas uma previsão profética do Deus Eterno, que está fora do espaço e do
tempo, que conhece todas as coisas, que é soberano sobre todos os acontecimentos.
Daniel 2:46-49 explicação
Nível de revisão
Nabucodonosor confessa que Deus era o Deus dos deuses e recompensa Daniel e seus amigos pela interpretação de
seu sonho.
Os sábios estavam certos quando disseram ao rei ninguém poderia dizer o que ele havia visto em seu sonho, “exceto
os deuses, cuja morada não é com os mortais”. Daniel deixa isso muito claro para Nabucodonosor, dizendo-lhe que
“o grande Deus” foi quem lhe havia revelado o que o rei viu em seu sonho e o que o sonho significava. Não veio do
poder ou da sabedoria de Daniel, mas de Deus.
Por causa disso, Nabucodonosor entendeu que o Deus de Daniel era o verdadeiro Deus: “Na verdade, o vosso Deus
é o Deus dos deuses e o Senhor dos reis e que revela segredos, pois que pudeste revelar este segredo”, disse o rei a
Daniel. Nabucodonosor dá ordens para que se apresentasse ao Deus Verdadeiro e Vivo uma oferta e incenso
perfumado.
Conforme o rei prometera, no versículo 6, ele dá presentes e uma recompensa e grande honra ao homem que
contou e interpretou seu sonho. Nabucodonosor promove Daniel e o faz governante sobre toda a província da
Babilônia e principal prefeito sobre todos os sábios da Babilônia. Daniel pediu que o rei nomeasse a seus amigos e
companheiros israelitas Sadraque, Mesaque e Abede-nego sobre a administração da província da Babilônia. O rei
obedece e Daniel toma seu lugar como um alto funcionário na corte de Nabucodonosor.
Podemos imaginar que, ao saber que seria morto, Daniel provavelmente tenha ficado profundamente assustado e
desanimado. Daniel ora a Deus pedindo libertação. Porém, Deus usa a terrível circunstância para elevar o profeta
Daniel a uma das posições mais altas naquela terra. Isso é consistente com o tema bíblico de que Deus transforma
circunstâncias difíceis em grandes bênçãos para aqueles que O seguem fielmente.
Assim, o capítulo 2 de Daniel descreve toda a história humana desde aquele ponto até o final dos tempos. Ela prediz
os reinos dos homens e nos assegura que, eventualmente, eles serão substituídos pelo Reino de Deus.