UNIVERSIDADE PÚNGUÈ
ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS
Tosse: Medicina Tradicional e Medicina Convencional ou Científica
(Trabalho de pesquisa Cientifica)
Débora João Cubassa
Chimoio
Junho, 2025
Débora João Cubassa
Tosse: Medicina Tradicional e Medicina Convencional ou Científica
Trabalho de pesquisa Científica a ser apresentado
na Escola Superior de Ciências Económicas, 1°
ano, Curso de Licenciatura em Contabilidade, na
cadeira de Metodologia de Estudo e Investigacao
Cientifica, sob orientacao do Professor Doutor
Baltazar Vasco Sitoe.
Chimoio
Junho, 2024
1. Introdução……………………………………………………………………………………...4
2. Definição de tosse e Mecanismo Fisiológico…………………………………………………...5
2.1. Classificação da Tosse………………………………………………………………………...5
2.2. Quanto à duração……………………………………………………………………………...5
2.3. Quanto à presença de secreção………………………………………………………………..6
[Link] Comuns da Tosse……………………………………………………………………...6
[Link]ções respiratórias crónicas………………………………………………………………6
[Link] Convencionais da Tosse…………………………………………………………6
[Link] da Tosse na Medicina Tradicional (Remédios Caseiros e Fitoterapia)………….9
[Link]ções Importantes…………………………………………………………………...10
3. Conclusão…………………………………………………………………………………….12
4. Referencias Bibliográficas……………………………………………………………………13
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2. Introdução
Existem diversas opções para tratar a tosse, e a escolha ideal dependerá da sua causa,
características e preferências individuais. A consulta a um profissional de saúde é sempre
recomendada, especialmente para tosses crónicas ou preocupantes. Nesse estudo abordamos a
constipação numa perspectiva de medicina voltado para a tradição e outro para a vertente da
medicina científica convencional.
Este estudo tem como objectivo geral unir a tradição a medicina convencional para o tratamento
da tosse, portanto especificamente pretendemos definir tosse, caracterizar, descrever as causas e
por fim abordar numa perspectiva medicinal voltado para a tradição junto da medicina moderna
científica convencional.
Para o alcance desses objectivos optamos por uma pesquisa meramente bibliográfica que segundo
Artur (2007) é caracterizada pela pesquisa através de material escrito disponível que versa sobre
o tema em estudo
Em termos estruturais este trabalho possui essencialmente três partes, sendo que a primeira
constitui-se de introdução, e a segunda contem as bases teóricas que fundamentam a tosse numa
perspectiva medicinal tradicional e científica ou moderna., por fim, apresentamos a conclusão e
referências bibliográficas.
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2. Definição de tosse e Mecanismo Fisiológico
Na óptica de Artur (2007) a tosse é um reflexo protector essencial do corpo, projectado para
limpar as vias aéreas de irritantes, secreções ou corpos estranhos. Apesar de ser um mecanismo
de defesa vital, a tosse também é um sintoma comum de várias condições de saúde, desde
resfriados simples até doenças mais sérias.
Por sua vez, Paulo (2008) afirma que a tosse é uma expulsão forçada de ar dos pulmões,
acompanhada de um som característico. Fisiologicamente, é um reflexo que envolve uma
sequência coordenada de eventos:
Fase inspiratória - Uma inspiração profunda para acumular volume de ar.
Fase compressiva - Fechamento da glote (válvula na garganta), contração dos músculos
torácicos e abdominais, levando a um aumento rápido da pressão intratorácica.
Fase expiratória - Abertura súbita da glote, resultando na expulsão explosiva do ar a alta
velocidade, arrastando muco, partículas e irritantes para fora das vias aéreas.
Este reflexo é mediado por receptores da tosse (mecanoreceptores e quimiorreceptores)
localizados em várias partes do sistema respiratório (faringe, laringe, traqueia, brônquios) e até
mesmo em outros locais (como o esôfago). O sinal é transmitido ao centro da tosse no tronco
cerebral, que coordena a resposta.
2.1. Classificação da Tosse
A tosse pode ser classificada de várias maneiras, o que ajuda no diagnóstico e tratamento:
[Link] à duração:
Aguda: Dura menos de 3 semanas. Geralmente associada a infecções virais
(resfriado comum, gripe), bronquite aguda, alergias.
Subaguda: Dura de 3 a 8 semanas. Pode ser uma tosse pós-infecciosa
(persistência após uma infecção viral) ou associada a sinusite pós-nasal.
Crônica: Dura mais de 8 semanas. É a que mais exige investigação, pois pode
indicar condições mais sérias.
[Link] à presença de secreção:
Produtiva (com catarro/muco): Indica a presença de secreções nas vias aéreas que estão
sendo expectoradas. Pode ser associada a infecções bacterianas, bronquite crônica, asma,
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DPOC, fibrose cística. A cor e a consistência do muco podem fornecer pistas sobre a
causa.
Seca (não produtiva): Não há expectoração de muco. Pode ser causada por irritação,
alergias, asma (em alguns casos), refluxo gastroesofágico (RGE), efeitos colaterais de
medicamentos (como inibidores da ECA).
2.4. Causas Comuns da Tosse
As causas da tosse são extremamente variadas, desde condições benignas e autolimitadas até
doenças graves:
Infecções:
Virais: Resfriado comum, gripe, bronquiolite, bronquite aguda, coqueluche (tosse
convulsa), COVID-19.
Bacterianas: Pneumonia, bronquite bacteriana, sinusite bacteriana.
Fúngicas ou outras: Menos comuns, mas possíveis.
Alergias: Rinite alérgica, asma.
[Link]ções respiratórias crônicas
Asma: Tosse que piora à noite, com exercícios ou exposição a alérgenos, muitas
vezes acompanhada de chiado e falta de ar.
Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): Associada principalmente ao
tabagismo, com tosse crônica e produtiva.
Bronquiectasias: Dilatação anormal e permanente dos brônquios, levando a
acúmulo de muco e infecções.
Fibrose Cística: Doença genética que afeta a produção de muco, tornando-o
espesso e difícil de limpar.
Refluxo Gastroesofágico (RGE): O ácido estomacal pode irritar a garganta e as
vias aéreas, desencadeando tosse, especialmente à noite ou após as refeições.
Gotejamento Pós-Nasal (Rinite ou Sinusite): O muco escorrendo pela parte de
trás da garganta irrita os receptores da tosse.
[Link] Convencionais da Tosse
A medicina convencional aborda a tosse com base na sua causa e características (aguda, crônica,
seca, produtiva). O objetivo principal é diagnosticar e tratar a condição que está provocando a
tosse.
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a) Medidas Gerais e Suporte: Mesmo na medicina convencional, as medidas de suporte são as
primeiras recomendações e muitas vezes suficientes para tosses agudas (como as de resfriados):
Hidratação: Beber bastante líquidos (água, chás quentes, sopas) ajuda a fluidificar o
muco, tornando-o mais fácil de ser expelido.
Umidificação do Ar: Usar um umidificador de névoa fria no ambiente ou tomar um
banho quente para inalar o vapor pode acalmar a garganta e aliviar a tosse, especialmente
a seca.
Evitar Irritantes: Fumar, exposição a fumaça de cigarro passiva, poluição, poeira e
alérgenos conhecidos devem ser evitados.
Pastilhas para Garganta e Mel: Chupar pastilhas ou tomar uma colher de mel pode
aliviar a irritação na garganta e reduzir a tosse seca. Importante: O mel não deve ser
dado a crianças menores de 1 ano devido ao risco de botulismo.
Elevar a Cabeceira da Cama: Para tosses noturnas, especialmente se houver suspeita de
refluxo gastroesofágico (RGE), elevar a cabeceira da cama pode ajudar a reduzir o refluxo
de ácido que irrita a garganta.
b) Medicamentos (com e sem receita médica): A escolha do medicamento depende da causa e
do tipo de tosse.
Antitussígenos (Supressores da Tosse): Reduzem o reflexo da tosse.
Dextrometorfano: Comum em xaropes de venda livre. Age no centro da tosse no
cérebro.
Codeína e Hidrocodona: Opióides com potente ação antitussígena, geralmente
prescritos para tosse grave e persistente, devido ao risco de dependência e efeitos
colaterais (constipação, sonolência).
Benzonatato: Um anestésico local que age nas vias respiratórias para reduzir a
sensibilidade dos receptores da tosse.
Indicação: Geralmente para tosse seca e irritativa que interfere no sono ou nas
atividades diárias. Não são recomendados para tosses produtivas, pois podem
impedir a eliminação do muco.
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Expectorantes e Mucolíticos: Ajudam a fluidificar o muco e torná-lo mais fácil de
expelir.
Guaifenesina: Expectorante que aumenta o volume das secreções respiratórias e
as torna menos viscosas.
Acetilcisteína, Ambroxol, Bromexina, Carbocisteína: Mucolíticos que quebram
as ligações das proteínas do muco, tornando-o mais fluido.
Indicação: Para tosse produtiva, ajudando a limpar as vias aéreas.
Anti-histamínicos e Descongestionantes:
Frequentemente usados para tosse causada por alergias (rinite alérgica) ou
gotejamento pós-nasal.
Os anti-histamínicos podem reduzir a produção de muco e o espirro.
Os descongestionantes ajudam a aliviar o nariz entupido e o gotejamento.
Cuidado: Alguns anti-histamínicos de primeira geração podem causar sonolência.
Corticosteroides (inalatórios ou orais):
Usados para tratar a tosse associada à asma ou bronquite eosinofílica, que envolve
inflamação das vias aéreas.
Broncodilatadores:
Medicamentos que abrem as vias aéreas, como salbutamol, e são usados para tosse
associada à asma ou DPOC.
Antibióticos:
Somente são prescritos se a tosse for causada por uma infecção bacteriana
(pneumonia, bronquite bacteriana, sinusite bacteriana), e não são eficazes contra
infecções virais.
Medicamentos para Refluxo Gastroesofágico (RGE):
Inibidores da bomba de prótons (IBP) ou antiácidos podem ser usados se a tosse
crônica for causada por RGE.
c) Abordagens Específicas para Causas Crônicas: O tratamento da tosse crônica sempre foca
na causa subjacente:
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Tosse pós-infecção: Pode não exigir tratamento medicamentoso específico, apenas
medidas de suporte.
Tosse induzida por IECA: Geralmente resolvida com a substituição do medicamento.
Tosse na asma: Exige controle da asma com medicamentos específicos.
Tosse por DPOC: Envolve broncodilatadores, corticoides e reabilitação pulmonar.
2.7. Tratamentos da Tosse na Medicina Tradicional (Remédios Caseiros e Fitoterapia)
A medicina tradicional, presente em diversas culturas, oferece uma variedade de abordagens para
o alívio da tosse, muitas das quais têm sido usadas por gerações. Algumas dessas práticas
possuem respaldo científico limitado ou em pesquisa, enquanto outras são mais empíricas.
a) Remédios Caseiros Populares e com Alguma Evidência:
Mel: É um dos remédios caseiros mais estudados e com evidências científicas de que
pode ser tão eficaz quanto alguns xaropes para tosse em crianças acima de 1 ano. Acalma
a garganta e reduz a irritação. Pode ser consumido puro ou misturado em chás.
Chá de Gengibre: O gengibre possui propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes que
podem aliviar a irritação na garganta e nas vias aéreas. Pode ser feito com rodelas de
gengibre fresco em água quente, com mel e limão.
Chá de Limão: Rico em vitamina C, que fortalece o sistema imunológico, e o limão pode
ajudar a aliviar a dor de garganta. Combinado com mel, é um clássico.
Chá de Alho: O alho é conhecido por suas propriedades antimicrobianas e anti-
inflamatórias. Pode ser usado em chás para ajudar a expectorar.
Hortelã-Pimenta: Contém mentol, que pode ter um efeito descongestionante e calmante
na garganta. Pode ser usado em chás ou inalações.
Cebola: Embora o cheiro possa ser forte, a cebola é citada em algumas tradições por suas
propriedades mucolíticas e descongestionantes. Algumas pessoas a fatiam e deixam perto
da cama à noite para aliviar a tosse noturna. Xaropes caseiros de cebola também são
comuns.
Vapor de Água: Inalar vapor de água quente (simples ou com óleos essenciais como
eucalipto) ajuda a umidificar as vias aéreas e fluidificar o muco.
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Gargarejos com Água Salgada: Podem ajudar a acalmar a garganta irritada e reduzir a
inflamação, especialmente em tosses com dor de garganta.
b) Fitoterapia (Uso de Ervas Medicinais):
Guaco: Popular no Brasil, o xarope de guaco (Mikania glomerata) é amplamente
utilizado como expectorante e broncodilatador, com algumas evidências de sua eficácia
em tosse e bronquite.
Tomilho: Possui propriedades antissépticas e expectorantes. Usado em chás para aliviar a
tosse e a congestão.
Equinácea: Conhecida por estimular o sistema imunológico, pode ser usada para auxiliar
na recuperação de resfriados e gripes que causam tosse.
Própolis: É uma resina produzida pelas abelhas com propriedades anti-inflamatórias e
antimicrobianas. Usado em sprays ou gotas, pode ajudar a aliviar a dor de garganta e
reduzir a tosse.
Hera (Hedera helix): Extratos de folha de hera são usados em xaropes fitoterápicos
devido às suas propriedades mucolíticas e broncodilatadoras.
c) Outras Práticas Tradicionais:
Acupuntura: Algumas abordagens da medicina tradicional chinesa, como a acupuntura,
são utilizadas para aliviar a tosse, focando em pontos de pressão específicos para
melhorar a função pulmonar e reduzir a irritação.
Massagens no Peito: Com óleos essenciais (diluídos em óleo carreador) como eucalipto
ou mentol, podem proporcionar alívio da congestão e tosse.
2.8. Considerações Importantes
Identificação da Causa: Tanto na medicina convencional quanto na tradicional, a chave
para um tratamento eficaz é identificar a causa da tosse. Uma tosse persistente, que piora,
ou que vem acompanhada de outros sintomas (febre alta, falta de ar, dor no peito, sangue
no catarro, perda de peso) deve ser avaliada por um médico.
Segurança: Embora muitos remédios tradicionais sejam considerados "naturais", nem
todos são seguros para todas as pessoas, especialmente para crianças pequenas, grávidas,
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lactantes ou indivíduos com condições médicas preexistentes ou que tomam outros
medicamentos. O mel, por exemplo, é contraindicado para bebês menores de 1 ano.
Evidência Científica: A medicina convencional baseia-se em evidências científicas
rigorosas. Muitos tratamentos tradicionais têm um histórico de uso e são considerados
seguros e eficazes por experiência empírica, mas nem sempre possuem o mesmo nível de
evidência científica robusta.
Abordagem Integrativa: Em muitos casos, uma abordagem integrativa, que combina o
melhor da medicina convencional e tradicional, pode ser a mais benéfica, sempre com a
supervisão de um profissional de saúde.
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3. Conclusão
O tratamento da tosse é uma área complexa que integra o conhecimento milenar das plantas
medicinais com os avanços da farmacologia moderna. A escolha entre uma abordagem e outra,
ou a combinação de ambas, deve ser informada e, idealmente, supervisionada por um profissional
de saúde.
Portanto, seja pela medicina tradicional ou convencional, visa aliviar o sintoma e, mais
importante, tratar a causa subjacente. É fundamental entender que a tosse é um reflexo protetor e
nem sempre deve ser suprimida, especialmente se for produtiva (com catarro), pois ajuda a
limpar as vias aéreas
Em suma, tanto as plantas quanto os medicamentos possuem um papel valioso no alívio da tosse.
A escolha inteligente passa por reconhecer a tosse como um sinal do corpo, buscar um
diagnóstico preciso e adotar uma abordagem terapêutica que combine o conhecimento científico
com a sabedoria tradicional, sempre com cautela e orientação profissional para garantir a
segurança e a eficácia do tratamento.
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4. Referências bibliográficas
ARTUR, S. (2007) Sessenta por cento da população depende da medicina tradicional. Campo,
Nampula, v. 13, p. 10.
PAULO, P. C.; SOUZA, I. M. (2008) Escolha e avaliação de tratamento de problemas de saúde:
considerações sobre o itinerário terapêutico. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1999. P. 133-136.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (2004) Política da Medicina Tradicional e Estratégia de sua
Implementação, Maputo.