Resumo Clínico – Crise Epiléptica e Epilepsia
Introdução
Na Atenção Primária à Saúde (APS), são comuns as solicitações de avaliação por
suspeita de epilepsia após um episódio paroxístico de abalos musculares ou por perda
súbita de consciência. Entretanto, nem todo paroxismo é uma crise epiléptica e nem
toda crise epiléptica significa Epilepsia.
Epilepsia é um transtorno neurológico crônico em que o paciente apresenta crises
epilépticas recorrentes sem a pronta identificação de fatores causais como febre,
distúrbios
hidroeletrolíticos, intoxicações, AVC, TCE, meningite e anoxia. Nessas situações, o
paciente pode apresentar uma crise epiléptica reativa, o que não significa que tenha ou
que vá desenvolver epilepsia. Para reforçar a impressão diagnóstica e qualificar o
encaminhamento para o serviço especializado, o médico da APS deve:
• determinar as características do evento paroxístico e considerar outras causas, como
síncope e crises não epilépticas psicogênicas;
• reconhecer situações desencadeadoras de crises epilépticas agudas e potencialmente
reversíveis;
• avaliação inicial das principais causas de epilepsia e iniciar o tratamento, se indicado,
enquanto aguarda avaliação com serviço especializado.
1° passo - Avaliar história de crise epiléptica e classificar o tipo de crise
A história clínica é a ferramenta mais importante, preferencialmente reforçada
poralguém que tenha testemunhado o evento. Diante de um episódio de alteração de
consciência, algumas características aumentam a impressão de se tratar de uma crise
epiléptica real:
Presença de língua mordida;
Desvio cefálico lateral persistente durante a crise;
Posturas não usuais de tronco ou membros durante a crise;
Contração muscular prolongada de membros (atentar para o fato de que pacientes
Com síncope podem apresentar abalos musculares de curta duração);
Confusão mental prolongada após a crise.
O primeiro passo, portanto, é identificar características do episódio paroxístico
(sintomas prodrômicos, sinais e sintomas iniciais, alteração de consciência sintomas
pósevento) que aumentam a suspeita de crise epiléptica real e auxiliam a classificar a
crise como de início parcial ou generalizada.
1) Sintomas prodrômicos (auras): Alguns exemplos são luzes brilhantes, movimentos
rítmicos da face ou algum membro, sensações epigástricas, medo, “jamais vu”
(sensação subjetiva
súbita de estranhamento em situações conhecidas do paciente) ou “déja vu” (sensação
subjetiva súbita de familiaridade em situações não conhecidas do paciente). Usualmente
são sintomas prodrômicos presentes em crises parciais.
2) Classificação das crises epilépticas: Uma crise epiléptica é definida como um
distúrbio paroxístico da atividade elétrica cerebral causada por descargas súbitas,
excessivas e hipersincrônicas dos neurônios. Quando a crise epiléptica acomete o
sistema motor de maneira generalizada é denominada como convulsão. Sumariamente,
as crises são